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DOCUMENTO

O MAIS ANTIGO PROGRAMA DE SISTEMA
DO I D E A L I S M O A L E M Ã O
Manuel J. do Carmo Ferreira
Universidade de Lisboa

Apresentação
N ã o deixa de ser simbólico que o fragmento de duas páginas manuscritas, da m ã o de Hegel, mas sem assinatura que atestasse a autoria, que a
seguir se apresenta em transcrição crítica e tradução portuguesa, venha
incluído nas edições das obras de três protagonistas maiores do Idealismo
A l e m ã o , de Schelling, de Hõlderlin e do mesmo Hegel; n ã o se alcançou,
p o r é m , até ao presente, apesar do volume de estudos e da v e e m ê n c i a das
tomadas de posição em favor de u m ou de outro dos presumíveis autores,
uma identificação incontroversa da autoria. Será ainda igualmente simbólico o anonimato, talvez intencional, do escrito. Estas duas facetas aludem, liminarmente, à prática convicta de uma syn-philosophia, de uma
efectiva comunidade de pensar ou "liga dos espíritos" em que estes
homens se reconheciam e encontravam o tempo e o modo de intervenção
mais autêntica na realidade cultural envolvente.
V i n d o a público pela primeira vez em 1913, como lote de u m leilão
de autógrafos em Berlim, o fragmento foi editado quatro anos mais tarde
por Franz Rosenzweig, que lhe encontrou por autor Schelling e lhe
cunhou u m título - O mais antigo programa de sistema do Idealismo
Alemão - que tem acompanhado o escrito como u m destino hermenêutico. Perdido na guerra de 39-45, acabou por ser localizado por D . Henrich
nos finais dos anos 70 em Cracóvia, facto que veio a permitir o estudo
material do original com u m requinte de técnicas laboratoriais, mais próprias de uma investigação policial.
Com alguma segurança, a datação do manuscrito situa-o entre o
Natal de 1796 e o mês de Fevereiro de 1797; este aspecto revela-se como
Phüosophica

9, Lisboa, 1997, pp. 225-237.

argumentos estilísticos. afinal. As discussões em torno da autoria preenchem o melhor das investigações. u m entusiasmo partilhado pela acção. u m protocolo para uma exposição oral e uma discussão aberta ou u m projecto para u m ensaio de maior fôlego. remetendo para a penumbra de uma presença tutelar de Hõlderlin aquando da intervenção da dimensão estética ou apelando ainda para u m quarto autor desconhecido. os dominantes. onde se prossegue os . inconclusiva e. polarizada sobretudo nas hipóteses Schelling ou Hegel. Na redacção de uma Ética está em causa propriamente uma comunidade de interesses e preocupações. Trata-se muito provavelmente de u m documento de trabalho. as dificuldades emergentes resultam sempre. Tilliette . com u m cariz programático iniludível. as duas palavras conclusivas de uma frase perdida com as quais o fragmento actualmente começa. n ã o parece despicienda a forma de c o m u n i c a ç ã o adoptada nem a consideração dos eventuais destinatários. pois condensam efectivamente o dinamismo conceptual do texto. sob um ou outro aspecto. conferindo-lhe uma patente unidade. informação biográfica e epistolar. tanto como uma p r o c l a m a ç ã o idealista. Quanto à forma literária. uma Ética.226 Documento crucial na discussão em torno da atribuição. Igualmente controvertida é a questão de saber se se trata de uma c ó p i a ou de u m original. fazendo intervir critérios filológicos. condicionada fortemente pela área de especialização dos respectivos defensores . uma acentuada insatisfação perante a situação intelectual em geral e filosófica em particular. de importância secundária. vai dando corpo ao discurso.a querela revela-se. perspectivas genéticas e evolutivas e reflexões sistemáticas. pois é tornado problemático cada u m dos elementos que o integram: nem seria o documento mais antigo a acolher a versão sistematizadora do Idealismo nascente."chacun voit midi devant sa porte" como ironicamente comenta X . pela ausência de qualquer intento de fundamentação e. no jogo cruzado dos encontros e das referências. nem visaria propriamente u m sistema. a condicionar desde logo a interpretação. Quer se adopte a posição de tentar esclarecer a e v o l u ç ã o dos presumíveis autores à luz do fragmento ou compreender este à luz daquela. representaria com igual direito a natureza de u m manifesto romântico. numa micro-análise que chega a causar vertigens. debate-se se estamos perante uma carta¬ -circular. de u m ponto de vista estritamente filosófico. uma articulação que interfere necessariamente com a plena inteligibilidade de uma Ética. e há bons argumentos em favor de uma e outra tese. talvez. em diferentes modalidades. Já menos pacífico é o título. insuperáveis. pedagógica em sentido amplo. a p a i x ã o da liberdade que. impÕem-se de maneira crescente como u m "quase título". u m evidente descontentamento com o quadro político e cultural.

a mesma obra. a composição temática do Programa: impondo-se pela unicidade. dito com pertinência um fetiche do I d e a l i s m o ' a l e m ã o . todavia. numa síntese ú n i c a que aglutina a crítica e a reflexão. vibrante e comprometido. eixos de uma cultura da liberdade: uma mitologia da razão é a fórmula emblemática. modo de reformular uma ordem de coisas assente no primado da liberdade. mas esta constituição polifónica n ã o compromete uma individualidade e novidade bem próprias. do projecto que veicula. da epifania do deus in nobis.A história. a religião do homem. a especulação e a política.Documento 227 desígnios de uma Aujklãrung radicalizada e cumprida. mais universal. n ã o por um. da sua eficácia realizante. da estética e da filosofia da religião. de acordarem em agir acima de tudo em comum. de tom e de conteúdo. o texto configura-se como uma rede de referências e de alusões: não h á uma proposição que n ã o tenha outros subscritores contemporâneos e muitas afirmações acolhem tópicos que são comuns a toda a época. superficial. a recapitulação dos múltiplos planos e objectivos traçados. revestindo o lógos uma figura estética. a revolução da cultura e dos princípiuos informantes e legitimantes da coexistência humana. de Janeiro de 1796. afinal frustrada. Tematicamente. Numa carta de Schelling a Hegel. arranca de uma alteração radical do projecto filosófico. a "revolução do espírito". na evacuação de sentido de toda a manipulação atomística das instituições e da convivência humana.". uma história pensada como progressão na consciência e na ordem dos factos da liberdade. vê na destituição do Estado. vemos enunciado o projecto que parece animar o Programa: "Trata-se de jovens decidirem tudo ousar e empreender. em que reside grande parte do fascínio e do . assumindo uma nova legitimidade ao converter-se numa "metafísico-ética". mas. O escrito constituiria então u m experimentum filosófico na direcção preconizada. da R e v o l u ç ã o francesa. de diferentes lados. por uma filosofia encarnada em decisões estruturantes de uma comunidade de gente livre e igual. o ideal realizado da unidade e da fraternidade. encarando a physis como u m investimento da mesma liberdade. de irem ao encontro do objectivo. reequaciona a relação subjectividade . de se unirem para realizar. a urgente e incontornável revolução na polis e conclui com o anúncio de uma nova religião. é o território comum e o operador da unidade da ética. na seriedade de uma opção vital pela filosofia. este texto fascinante. e a que não é de modo nenhum indiferente a esperança. surge mais exigente. no fundo. totalizante e fecunda.mundo. redigido em tom de manifesto. preconiza u m conceito inédito de razão. a religião e a estética. ao mesmo tempo que confia à poética o magistério da existência histórica. mas por diferentes caminhos. omnilateral nas instâncias que afecta do que uma convulsão político¬ -social estrondosa. U m paradoxo envolve.

"a primeira ideia" descreve o movimento de auto-determinação e de auto-identificação. Fichte intervém igualmente como o explorador consequente da posição de uma razão que não pode ser teórica se n ã o for prática.Proposta de uma filosofia do futuro como "metafíco-ética": retoma para tal a doutrina dos postulados de Kant e as implicações sistemáticas do isomorfismo ideia-postulado. que n ã o aliene o modo de reflexão teleológica. reconduzindo o problema da metafísica ao da liberdade. por u m saber do mundo que alie n ã o redutoramente experiência e ideia. o trabalho de realizar na primeira pessoa o imperativo da constituição do ser si mesmo. u m poder que faz emergir u m mundo como horizonte das possibilidades reais e efectivas do eu. da identidade. de outro modo prisioneiros de uma legalidade matemática. uma nova ordem de realidades. mobilizados por uma vontade de coerência e de unidade do ser e do pensar. procurando pensar a eficácia da liberdade na ordem dos f e n ó m e n o s . Fichte e a Aufklärung. S ã o muitos os pensadores convocados. à beleza que tudo reconcilia. da kantiana determinação da consciência de si como apropriação e do fichteano investimento do absoluto da subjectividade. . do eu à humanidade. entendida como o poder de começar por si próprio u m acontecimento. "a única criação do nada" admissível. unidade. Herder e Schiller. e torna-nos partícipes dessa espantosa c o m o ç ã o filosófica que caracteriza a última década do século X V I I I . originária e fundante. inscreve-se num "círculo de amigos".esta é especificamente a força polarizadora da realização das exigências próprias da ordem racional. totalidade e autonomia. esfera do operável.228 Documento carácter enigmático do fragmento. Kant. O trajecto programático apresenta-se como uma sucessão de nódulos temáticos rigorosamente articulados: . . por um projecto de e m a n c i p a ç ã o em todos os azimutes da existência. fundação efectiva de u m modo de ser radicalmente novo. no seu jogo interpolar que reflecte a luz de muitas fontes. à experiência imediata da liberdade como o absoluto em nós. a teoria da natureza tem de se libertar do paradigma mecanicista e encontrar na imaginação configuradora de uma síntese poiética o novo modelo de articulação entre os data. Platão e Espinosa. na esteira da crítica de Espinosa à ideia de criação.A posição inaugural do eu é matriz de todos os desenvolvimentos .recolhendo sugestões várias. e assimilável à passagem do infinito ao finito. . "cega e sem ideias".A aspiração por uma "física em grande". "Somente aquilo que é objecto da liberdade se chama ideia" . Stella hians et radians. do mundo.A criação do mundo como produto da liberdade. uma Ética. cujos efeitos estão longe de se esgotar. numa reciprocação transcendental que implica "uma vontade eterna en n ó s " . .

mas representa também um lugar comum da cultura de então. A utopia da supres são-superação do Estado é indissociável de uma crítica irrestrita à modernidade política. idêntico. . a uma vida social atomizada. na vertente ética. . axial na filosofia da história de Kant e exaltada na ética de Fichte. enquanto padrão crítico e ideal mobilizador. A denúncia da institucionalização da convivência humana segundo uma lógica que as metáforas da máquina e da engrenagem adequadamente traduzem está bem documentada em Kant. à e m a n c i p a ç ã o universal frente a todas as relações de domínio. o aludido contraste faz ressaltar o primado do . não sendo claro se este se refere ao Estado sem mais ou se visa o Estado moderno. na vertente sócio-política. a protagonização do processo da liberdade. escandalizados pela aliança da religião e do poder na perpetuação de u m regime despótico. dominada pelo individualismo. Deparamos de novo aqui com a contraposição kantiana entre mecanicismo e teleologia nna representação do Estado. pela degradação da teologia em doutrina do desprezo do homem e da sua incapacidade para uma ordem de liberdade. desenha o percurso da "ideia" à "história". concebida desde o início como plural. à perfectibilidade do indivíduo e. prolonga a síntese procurada por Kant na terceira Crítica. bem como invocada em tantos contemporâneos. do indivíduo e do todo.A crítica acerba da ortodoxia religiosa traz a marca do ressentimento dos antigos seminaristas de Tubinga. de u m esforço sem limites por instaurar um mundo reconciliado. M e d i a ç ã o da natureza e da liberdade.O f i m do Estado. pelo egoísmo burguês.A oposição entre o espírito e a letra é igualmente u m estereotipo de larga aplicação no acolhimento da filosofia kantiana e nos debates circum-kantianos que estão fermentando nos meios intelectuais alemães nos últimos anos do século X V I I I . à comunidade plural de espíritos emancipados: é a razão que fica diminuída na superstição do poder. para além de indiciar a deriva antropológica da filosofia. a beleza ganha o carácter de u m imperativo. .Documento 229 A ideia de humanidade. . com menção especial de Herder. o teorético e o prático irmanados na beleza. fornecendo com isso a justificação moral da opressão e do estatuto de menoridade social. O "dogmaticismo" e a "positividade" constituem os maiores obstáculos à realidade absoluta do mundo moral. designando o sujeito do processo de autodestinação da subjectividade.A união estética. do tempo e da eternidade. segundo a interpretação de Schiller e radicalizada por Hölderlin. e o f i m do Estado é reclamado quer por adeptos da Ilustração quer da franco-maçonaria. Fichte e Schiller. num esvaziamento do espaço público e enclausuramento na esfera do privado. muitas vezes os mesmos. Simultaneamente critério hermenêutico e arma estratégica de crítica.

Nela é afirmada dialécticamente uma "razão sensível". assimilado à imaginação criadora. Os seus ideais são autenticamente revolucionários. à nova religião. desse "acto supremo da razão" que. . do indivíduo e de todos. Preparada pela atenção diversificada dos meios contemporâneos ao estatuto sapiencial da mitologia antiga. funda o saber. sem mentores nem autoridades. A religião ganha uma nova oportunidade como expressão figurativa. a proposta surge associada ao projecto de uma educação do povo. de uma comunidade livre e bela. aberta ao absoluto e ao futuro. as ideias tornadas sensíveis por intermédio de uma "simbólica universal". . ao f i m do Estado. visando atingir uma unidade sem fissura nem constrangimento. à física em grande das épocas posteriores.230 Documento espírito livre. busca a expressão e é a definitiva e verdadeira criação do nada. à sobrevivência só garantida da arte poética. . por isso. O acento escatológico final mostra como todo o texto é dominado pela perspectiva do futuro. afectivo-racional.O advento da nova ordem será a "maior obra da humanidade": a invenção de si. ao poder de configuração em formas e ritmos novos. Pretende-se instituir uma poética da razão.O "novo Evangelho" coincidirá com a festa da liberdade.A poética anuncia-se então como o começo e o f i m da história. numa doutrina da cultura como teoria e prática da liberdade. configura o mundo. condensa em si todo o Programa. mais uma vez com o recurso ao papel esquematizador da imaginação.A mitologia da razão.O Programa converge numa radicalização do ideário iluminista. ao mesmo tempo. todo o fragmento tem de ser visto como uma patética variação desta definição e das suas implicações. a arte poética reivindica para si a responsabilidade de educar para uma finalidade livre e de ser a forma por excelência de uma relação que escape a todos os esquemas de domínio e de servidão: a beleza é irreconciliável com o poder. a ideia feita imagem. sendo esta unicamente "o que é objecto da liberdade". . . Na história por edificar. dinamiza o processo histórico da humanidade. na invenção dos sentidos da experiência e nos dinamismos da criação. a filosofia do espírito terá de ser uma filosofia estética. a paixão da novidade e o culminar apoteótico resolutivo das tensões em que o Programa se desenrola atravessam igualmente os functores dessa promessa: a imaginação criadora e a ideia. A razão para que se apela tem agora no amor o seu anologon principal e é a liberdade que se dá como fundamento de unidade e de identidade. investida a poesia do papel de linguagem matricial dos povos e das culturas e foco de convergência dos saberes enquanto operadora da união das faculdades na construção sensível das ideias. desde a metafísica por vir.

(recto) 1 eine Ethik. Original Edição crítica in: Chr. naturalmente. a questão é esta: como tem de estar constituído um mundo para um ser moral? Gostaria de dar uma vez de novo asas à nossa Física que. Schneider. einmal wieder Flügel geben. lenta em experiências. die erste Idee ist natürlich d[iel V o r s t e l l u n g ] von mir selbst. aller praktischen Postulate <enthalten> 5 seyn. a representação de mim mesmo como de um ser absolutamente livre. . Mythologie der Vernunft. Da die ganze Metaphysik künftig in d[ie] Moral fällt .a partir do nada todo um mundo. M i t dem freyen. deu apenas um exemplo.wovon 2 Kant m i t seinen beiden praktischen Postulaten nur ein Beispiel gegeben.aus dem Nichts hervor . consciente de si. selbstbewußten Wesen tritt zugleich eine ganze Welt . o que é o mesmo. não esgotou nada. 11-14. Com o ser livre.die einzig wahre und gedenkbare Schöpfung aus Nichts . die Frage ist diese: W i e m u ß eine Welt für ein moralisches Wesen beschaffen seyn? Ich m ö c h t e unsrer langsamen an Experimenten m ü h - 11 sam schreitenden . de todos os postulados práticos. progride penosamente. pp. A primeira Ideia é. com os seus dois postulados práticos.Aqui descerei aos domínios da Física.cairá futuramente na Moral . Já que toda a Metafísica .de que Kant. oder.Hier werde ich auf die Felder der Physik herabsteigen. 3 nichts erschöpft hat) so w i r d diese Ethik nichts anders als ein vollständiges System 4 aller Ideen.Physik. a única criação a partir do nada verdadeira e pensável . assim esta Ética não será {incluirá} outra coisa senão um sistema completo de todas as Ideias ou.Documento 231 Tradução (recto) uma Ética. surge ao mesmo tempo . Jamme e H . was dasselbe ist. als 6 7 8 9 10 einem absolut freien Wesen.

22 Ihr seht von selbst. so wenig als es eine Idee von einer Maschine gibt.232 Documento Deste modo . 16 Von der Natur körne ich aufs Menschenwerk. nur 23 untergeordnete Ideen einer höhern Idee sind. 19 Nur was Gegenstand der Freiheit ist. Legislação. 13 k ö n e n w i r endlich die Physik i m G r o ß e n b e k ö i n e n . u[nd] das soll er nicht.Vêm por fim as 12 So .w. d a ß es keine Idee v o m Staat gibt. Zugleich w i l l ich hier d[ie] Princi24 pien für eine Geschichte der Menschheit niederlegen.quero mostrar que não há nenhuma Ideia do Estado. deve cessar. etc. o nosso.Pois todo o Estado tem de tratar homens livres como uma engrenagem mecânica. Governo. heist Idee. Vêdes por vós mesmos que aqui todas as Ideias. Gesezgebung . die ich von spätein 14 Zeitaltern erwarte.se a Filosofia apresenta as Ideias e a experiência os dados. Endlich körnen d[ie] Ideen von einer moralischen] Welt. A frente a Ideia da Humanidade . also soll er aufhören. Temos também de ir. .w i l l ich zeigen. vom ewigen Frieden u. u[nd] das ganze elende 25 Menschenwerk von Staat. Verfaßung. d a ß hier alle die Ideen. befriedigen k ö n e . Constituição. Regierung. e isto ele não deve. logo. Somente aquilo que é objecto da liberdade se chama Ideia. w e i l der 18 Staat etwas mechanisches ist. porque o Estado é algo de mecânico. W i r m ü ß e n also auch 20 über den Staat hinaus! . quero assentar aqui os princípios para uma História da Humanidade e pôr completamente a nu toda a miserável obra dos homens. Não parece que a Física actual possa satisfazer um espírito criador como é.bis 26 auf die Haut entblösen. mais para além do Estado! . die Erfahrung die Data angibt. wie der unsrige ist. podemos finalmente alcançar a Física em grande que eu espero de épocas ulteriores. Ao mesmo tempo. tão pouco como há uma Ideia de uma máquina. die Idee der Menschheit 17 voran . são unicamente Ideias subordinadas a uma Ideia superior. od[er] seyn soll. ou deve ser.Den jeder Staat m u ß freie Menschen als mechani21 sches R ä d e r w e r k behandeln. Es scheint n[ich]t d a ß die jezige Physik einen schöpferi15 sehen Geist.s. de Estado.wen die Philosophie die Ideen. portanto. Da natureza passo à obra dos homens. de paz perpétua.

die d[ie] intellektuelle W e l t 30 in sich tragen. Por último. nur in der S c h ö n h e i t ver36 schwistert sind . de imortalidade subversão de toda a {*} superstição. não se pode raciocinar com riqueza de espírito mesmo sobre História 27 Gottheit. der. por intermédio da própria razão. A Filosofia do espírito é uma Filosofia estética.{ A } Liberdade absoluta de todos os espíritos que em si trazem o mundo intelectual e a quem não é lícito procurar fora de si nem Deus nem a imortalidade.Documento 233 Ideias de um mundo moral.] < M > Man kan 3 i n nichts geistreich seyn <. a Ideia da beleza. indem sie alle Ideen umfast. 32 Zulczt die Idee.> selbst über Geschichte kan man nicht geistreich .O filósofo tem justamente de possuir tanta força estética (verso) como o poeta. Não se pode ter riqueza de espírito em nada. d a ß 34 der höchste A k t der Vernunft. Os homens sem sentido estético são os nossos filósofos da letra.<die> absolute Freiheit aller Geister. und d a ß Wahrheit und Güte. das W o r t in 33 h ö h e r e m platonischem Sine genomen. die alle vereinigt. das neuerdings Vernunft heuchelt. . Ich bin nun überzeugt. e de que verdade e bondade apenas na beleza se irmanam. die Menschen ohne ästhetischen Sin sin unsre Buchstaben Philo2 sophen.Umsturz alles <Aberglaubens> Afterglaubens. . durch d[ie] Vernunft 29 selbst.Der Philosoph m u ß eben so viel ästhetische Kraft besizen. Ora estou convencido de que o acto supremo da razão. Verfolgung 28 des Priesterthums. tomada a palavra no mais elevado sentido platónico. de divindade. D i e Philosophie des Geistes ist eine ästhetische Philos[ophie] [. é um acto estético. (verso) 1 als der Dichter. que ultimamente simula a razão. Unsterblichkeit . u[nd] weder Gott noch Unsterblichkeit ausser sich suchen 31 dürfen. ein ästhe35 <sti> tischer A k t ist. na medida em que ela engloba todas as Ideias. . die Idee der Schönheit. perseguição do clero. a Ideia que todas unifica.

ouvimos tantas vezes que a grande massa tem de ter uma religião sensível. keine Geschichte mehr. Monoteísmo da razão e do coração.mestra da {História} Humanidade. nenhuma História. sie mus 19 [einle M y t h o l o g i e der Vernunft werden. pois já não há nenhuma Filosofia. dis ists. woran es 5 eigentlich den Menschen fehlt. apenas a arte poética sobreviverá a todas as restantes ciências e artes. tanto quanto sei.e que confessam com bastante franqueza que tudo lhes é obscuro assim que isso ultrapassa tabelas e registos. 4 raisoniren .und treuherzig genug 6 gestehen. é disto que nós necessitamos! Falarei aqui em primeiro lugar de uma ideia que.ohne ästhetischen S i n . die dichtkunst allein 11 wird alle übrigen Wissenschaften u[nd] K ü n s t e überleben. der große Hauffen müße eine sin Ii che Re13 Iigion haben. politeísmo da imaginação e da arte. Hier soll offenbar werden. 14 Monotheismus der Vern[unft] u[nd] des Herzens. die keine Ideen verstehen. Nicht nur d[e]r g r o ß e Hauffen. was sie am Anfang war . tem de converter-se numa mitologia da razão. ainda não veio à mente de ninguém . d a ß ihnen alles dunkel ist. was w i r bedürfen! 16 Zuerst werde ich hier von einer Idee sprechen. ela volta a ser no fim o que era no começo . Ao mesmo tempo. diese Mythologie aber m u ß i m Dienste der Ideen stehen. . Polytheismus d[e]r Einbildungs15 kraft u[nd] der Kunst.sem sentido estético. noch 17 i n keines Menschen Sin g e k ö m e n ist . A poesia receberia desse modo uma dignidade mais elevada. Aqui deve tornar-se manifesto o que falta propriamente aos homens que não entendem as Ideias . Não só a grande massa. 12 Zu gleicher Zeit hören wir so oft. die so viel ich w e i ß . auch der Phil[osoph] bedarf ihrer.temos de ter uma nova mitologia.Lehrerin der <Geschichte> Menschheit: 10 den es gibt keine Philosophie. sie wird am Ende wie9 der. mas esta mitologia tem de estar ao serviço das Ideias. também o filósofo necessita dela.w i r m ü ß e n eine neue Mythologie 18 haben.234 Documento . 8 Die Poesie b e k ö m t dadurch [ein]e höhere W ü r d e . sobald es über Tabellen u[nd] Regi7 ster hinaus geht. .

{palavra riscada) 20 Ehe wir die Ideen ästhetisch d. antes de a mitologia ser racional o filósofo tem de envergonhar-se dela. nimer das blinde Zittern des Volks vor seinen 27 Weisen u[nd] Priestern. Reinará então entre nós eterna unidade. u[nd] d[ie] Phil[osophie] muß mythologisch werden. Nunca mais o olhar de desprezo. sie wird das lezte. haben sie für 21 das Volk kein Interesse u[nd] umgek[ehrt] ehe d[ie] Mythologie] vernünftig ist.Um espírito superior. die Myth[ologie] muß philosophisch werden. h. dah herrscht allgemeine Freiheit und Gleich30 heit der Geister! . inversamente. um die Philo25 sophen sinlich zumachen. und 24 das Volk vernünftig. dar-se as mãos. enviado do céu. mythologisch machen. Não mais será reprimida nenhuma faculdade. dan herrscht ewige Einheit unter uns.Ein höherer Geist vom Hiinel gesandt. Só então nos espera uma formação igual de todas as faculdades. mitológicamente. Assim. tem de fundar entre nós esta nova religião. muß 22 sich d[e]r Phüos[oph] ihrer schämen. a mitologia tem de tornar¬ -se filosófica e o povo racional.>. muß 31 diese neue Religion unter uns stiften. Nimer 26 der verachtende Blik. gröste Werk 32 der Menschheit seyn. . So müssen endlich aufgeklärte u[nd] Unauf23 geklärte sich d[ie] Hand reichen. Keine Kraft 29 wird mehr unterdrükt werden.Documento 235 Antes de constituirmos as Ideias esteticamente. a maior obra da Humanidade. isto é. elas não têm para o povo nenhum interesse e. dominará então universal liberdade e igualdade dos espíritos!. ilustrados e não ilustrados têm de. ela será a última. e a Filosofia tem de tornar-se mitológica para fazer os filósofos sensíveis. des Einzelnen sowohl als aller Individuen <. tanto do singular como de todos os indivíduos. finalmente. dan erst erwartet uns gleiche Ausbildung 28 aller Kräfte. nunca mais o tremor cego do povo diante dos seus sábios e sacerdotes.

Chr. Bonn. 1917. SCHNEIDER (Eds. C. 270 pgs F. 1984. W. . Das Älteste Systemprogramm . JAMME e H. HANSEN. Suhrkamp..). R.-P. de Gruyter. Studien zur Frühgeschichte des deutschen Idealismus. 1989. BUBNER (Ed. Heidelberg. 1973. 50 pgs.J. ROSENZWEIG. Hegels "älteste Systemprogramm des deutschen Idealismus". "Das älteste Systemprogramm des deutschen Idealismus". Bouvier.M. Rezeptionsgeschichte und Interpretation. 265 pgs.York.236 Documento Bibliografia F. Mythologie der Vernunft. Das älteste Systemprogramm des deutschen Idealismus. Winter. Ein handschriftlicher Fund. XI-490 pgs. Berlin/N. Frankfurt a.