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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

FACULDADE DE FILOSOFIA E CIENCIA HUMANAS – FFCH
HISTORIA MEDIEVAL II
Prof. Dr. Marcelo Pereira Lima
Alunos: Rafael Roque, Daniel Araújo

“Os herdeiros de Cam: representação da África e dos africanos no ocidente
medieval” de José Rivair Macedo, nos mostra o processo de construção do
imaginário do continente africano pelos europeus medievais.
O texto começa com um questionamento sobre a natureza das comemorações
dos 500 de descobrimento do Brasil, assim como o papel que as populações
indígenas e africanas desempenharam na constituição deste país. A partir
destes questionamentos, o autor inicia sua linha de raciocínio, evidenciando
que sua explanação não visa retratar a historia dos povos africanos anteriores
a conquista européia, mas mostra a visão dos europeus sobre as sociedades
africanas num momento em que os processos históricos não haviam
aproximado as populações destes dois continentes.
Macedo situa os primórdios deste imaginário medieval a partir dos geógrafos
da Antiguidade que desconheciam a totalidade do território africano, pois a
África do Norte era a única área de contanto dos europeus com aquele
continente, onde o deserto do Saara e o Monte Atlas eram barreiras naturais
aos viajantes e comerciantes ocidentais. É com o propósito de aproximar a
África do universo judaico-cristão que se associa primeiramente, como o autor
ilustra, os africanos com Afer, filho de Abraão, cujos pensadores cristãos
teceram uma serie de narrativas que misturam mitologia grega e cristã.
A segunda associação, que explica o titulo do artigo, vem colocar os povos da
África como descendentes de Cam, o segundo filho de Noé, que zombando da
embriaguez de seu pai, foi amaldiçoado ele e sua prole. A partir disso, vemos
o desenvolvimento destas concepções em que a cor negra é associada ao mal,
e o próprio Diabo representado como um etíope negro, onde também abunda
descrições que procuram acentuar o caráter aberrante dos habitantes da
África. O que nos deixa também perplexos é o fato de que este mito de Cam
tenha se perpetuado até o século XX nos estabelecimentos de ensino,
ajudando de certa maneira a legitimar a dominação do branco sobre o negro.
Por fim, é nos últimos parágrafos do artigo que o autor nos fala da mudança de
representação que se inicia a partir do século XV, com o desenvolvimento dos

Letras e Ciências Humanas da USP.conhecimentos cosmográficos. “Os estudos medievais no Brasil: catálogo de teses e dissertações “(2003) e “Historia da África” (2013). Os elementos contidos no artigo são de grande valor para a compreensão das relações que se estabeleceram entre africanos e europeus. È autor de alguns livros como “Riso. sendo um resultado de uma longa construção histórica. exercendo atualmente o cargo de professor de História da África no Departamento de História e do programa de pós-graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. cultura e sociedade na Idade Média”( 2000). ampliando as percepções dos europeus ao compararem os dados míticos com os dados objetivos. . José Rivair Macedo é doutor em Historia Social pela Faculdade de Filosofia. assim como em perceber como idéias de inferiorização do negro têm suas raízes muito mais profundas . Analisando de uma maneira mais ampla. verificamos a importância que estas informações trazidas por José Rivair Macedo representam tanto para o estudo de Historia Medieval quanto para o estudo de Historia da África.