A TOXICODEPENDÊNCIA E GRAVIDEZ

Plano da Sessão
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Titulo: A toxicodependência e a Gravidez População Alvo: Alunos do 4º CLE e a Docente Celeste Duque Local: Sala 4 da ESSaF Data: 26-04-2004 Hora: Objectivo: é aprofundar o conhecimento relativo a toda a problemática que envolve a triade mulher – droga – feto/recém nascido.

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Objectivos Específicos: ! Dar a conhecer os diferentes tipos de consumos; ! Enumerar efeitos que as drogas podem causar no organismo do indivíduo que as consome; ! Mostrar os efeitos que as drogas podem causar na grávida, feto e bebé; ! Esclarecer alguns conceitos relacionados com droga e toxicodependência; ! Enumerar/descrever as três fases da dependência; ! Indicar os principais problemas decorrentes da toxicodependência; ! Esclarecer a dimensão psicossocial do toxicodependente; ! Dar a conhecer a importância da interacção mãebebé.

Metodologia
Conteúdo
Introdução

Método
Afirmativo

Técnica
Exposição

M.A.E.
Computador e projector Computador e projector

Duração
2’

Desenvolvimento

Afirmativo

Exposição

25’

Conclusão

Afirmativo

Exposição

Computador e projector

2’

Bibliografia

Afirmativo

Exposição

Computador e projector

1’

Droga

“é

toda a substância que, introduzida num organismo, pode modificar uma ou mais funções deste, provoca dependência, caracterizada pela necessidade de consumo compulsivo de um modo continuado, afim de obter os seus efeitos e, por vezes, para evitar o malestar que provoca a sua falta” OMS

Droga [Cont.]
Segundo Funes (1988, p.11) droga é “qualquer das múltiplas substâncias que o homem utilizou, utiliza ou inventará ao largo dos séculos, com capacidade para modificar as funções de um organismo vivo que estejam relacionadas com a sua conduta, o seu juízo, o seu comportamento, a sua percepção ou o seu estado de ânimo.”

Tipos de Consumos
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Consumos experimentais Consumos ocasionais Consumos habituais Consumos compulsivos ou toxicodependentes

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Efeitos gerais
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O consumo de drogas durante a gravidez

apresenta consequências adversas não só para a mãe, como também para o feto e o recémnascido. Os efeitos que as diferentes drogas podem

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provocar no feto dependem sobretudo da dose, do tempo de exposição e frequência com que a droga é tomada.

Heroína
A longo prazo esta substância pode provocar:
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Alterações da nutrição que levam a um emagrecimento extremo; Afecções gastrointestinais; Perturbações psicológicas; Na mulher, patologias a nível ginecológico – situações de amenorreia, problemas relacionados com a ovulação.

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Heroína
Efeitos imediatos sentidos pelo indivíduo: Intensa sensação de prazer; Sedação e alguma euforia; Alívio de qualquer mal-estar ou tensão

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Heroína
Os efeitos no feto exposto a metadona durante a gravidez incluem:
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Baixo peso ao nascer, comprimento e perímetro cefálico; Transtornos do sono, depressão da conduta interactiva; Escassa capacidade para se acalmar por si; Tremores.
Schechner citado por Alves (2003)

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Cocaína
A cocaína é um estimulante do Sistema Nervoso Central que provoca: Alterações de humor, como a euforia, a hiperactividade, a excitação Alucinações.
(Burroughs, [s.d])

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Cocaína
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Responsável por malformações fetais: A nível intestinal, a nível cardíaco, cerebral; Defeitos nos membros e alterações do crescimento fetal (diminuição do crescimento fetal intra-uterino).

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Cocaína
“as mulheres que tomem cocaína durante a gravidez, têm maior risco de nados mortos e abortos espontâneos”
(Alves, 2003, p. 27)

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Cocaína
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A cocaína foi associada a:
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Baixo peso ao nascer; Atraso de crescimento intra-uterino; Parto pré-termo; Tremores; Convulsões;
(Peralta, 2002)

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Cocaína
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Irritabilidade; Hipertensão; Alterações do comportamento; Diminuição das capacidades interactivas; Síndrome de morte súbita; Atraso do desenvolvimento nas crianças primeiros seis meses e os dois anos de vida.
(Peralta, 2002)

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nos

Toxicodependência [Conceitos]
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Apetência – inclinação, desejo, necessidade para consumir o produto. Esta pode ser ligeira, forte ou irresistível. Tolerância - Habituação crescente ao produto e a necessidade de doses cada vez mais elevadas de modo a obter os mesmos efeitos.
(Bagagem, 2002)

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Toxicodependência
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Toxicodependência é definida pelo SPTT(1999, p.4142), como: “um estado psíquico e também quase sempre físico, resultante da interacção entre o organismo vivo e uma droga, estado esse que se caracteriza por modificações do comportamento associado a um mal estar muito penoso, forte desprazer, fazendo com que as pessoas que se drogam passem a utilizar a droga compulsivamente duma forma contínua ou periódica a fim de reencontrarem os seus efeitos e evitar o mal estar da privação” .

Toxicodependência e sua evolução histórica.
Fase Unifactorial; Toxicodependência e sua evolução histórica.
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Fase Bifactorial; Fase Biopsicossocial.

Inácio, 2004

Toxicodependência e sua evolução histórica.
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Fase Unifactorial; Reforço positivo Reforço negativo
Inácio, 2004

Substância

Toxicodependência

Toxicodependência e sua evolução histórica.
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Fase Bifactorial;

Individuo

Substância

Toxicodependência

Inácio, 2004

Toxicodependência e sua evolução histórica.
Fase Biopsicossocial. Individuo Substância Contexto
Inácio, 2004

Comportamento

Problema

FASES DA TOXICODEPENDÊNCIA
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Lua de mel; Dependência psicológica; Dependência Física.

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(Inácio, 2004)

Problemas Resultantes da Toxicodependência

Saúde:
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Física Mental

Família Trabalho Justiça

A Personalidade do Toxicodependente
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De uma forma generalizada, os toxicodependentes apresentam sempre dificuldades psicológicas acentuadas e “grandes dificuldades de inserção na vida familiar e ou profissional, além de em maior ou menor grau apresentarem ainda uma rejeição dos valores sociais propostos.”
( Coelho, 1993, p. 73)

A Personalidade do Toxicodependente [Cont.]
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De acordo com Morel et al (2001), actualmente, muitos autores (Hendricks, Schubert, Zimmerman) associam as condutas de dependência às personalidades “antisociais”. Estas condutas podem ainda ser associadas às personalidades dependentes ou esquizofrénicas, mas mais raramente. Autores como, Deniker, De Jong e Bergeret referenciam como personalidades patológicas mais frequentes as psicopatias, os estados-limites ou personalidades histéricas.

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A Personalidade do Toxicodependente [Cont.]
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O tipo de doentes que apresentam as dependências mais pesadas são aqueles cuja personalidade teve mais dificuldades de adaptação social, particularmente as resultantes de carências afectivas precoces. O toxicodependente é imaturo e desequilibrado, raramente tem uma profissão estável, recorrendo por isso frequentemente a actividades remuneradas ilegais. Pode ter um humor lábil e impulsivo e por vezes são cínicos e fanfarrões.

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A Personalidade do Toxicodependente
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É influênciada por factores:
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Psicológicos Sócio-Culturais Pressão dos Pares

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A Personalidade da Grávida
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Mais do que desejar ter um filho, é importante que a mulher tenha o desejo de ser mãe. É durante o período de gravidez que a mulher ensaia papeis e tarefas maternas, e se adapta a mais um elemento na família. Cria fantasias de como será o seu filho, qual o seu futuro; tenta incorporar o seu filho na família mesmo antes deste ter nascido. É nestas fantasias criadas pela mãe que se estabelece a primeira relação mãe-bebé, a mãe aprende a aceitar e amar o seu filho tal como ele é, um ser com necessidades e desejos próprios.

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A Personalidade da Grávida [Cont.]
Esta interacção entre mãe e filho, bem como todas as adaptações que são exigidas durante a gravidez só ocorrem de forma saudável e eficaz se a mulher se encontrar bem consigo mesma, o que no caso de uma mãe toxicodependente não acontece.

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A Personalidade da Grávida [Cont.]
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A toxicodependente é uma pessoa cuja a relação precoce mãe-bebé possivelmente falhou, este é uma pessoa insegura, pouco autónoma e com grandes dificuldades de se relacionar com os outros, como tal o toxicodependente procura na droga a solução para os seus problemas. O facto de haver falta de disponibilidade afectiva da mãe para com o seu bebé pode influenciar a interacção precoce mãe-filho.

Interacção precoce mãe - bebé
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O desenvolvimento social inicia-se com a vinculação do bebé à mãe. Esta é considerada como alicerce determinante para todas as relações sociais futuras. Vinculação - é a capacidade inata dos bebés se ligarem aos objectos cuidadores.
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Vinculação adequada Vinculação Insegura – Ansiosa Vinculação Insegura - Evitante

Interacção precoce mãe - bebé [cont.]
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O bebé quando nasce possui competências sensoriais e motoras que lhe permite interagir com a mãe. Desde do nascimento que o bebé e a mãe interagem com cumplicidade, através de uma comunicação marcada por sucessivos feedback que conduzem ao desenvolvimento adequado da criança, ou seja ocorre uma interacção adequada.

Interacção precoce mãe - bebé [cont.]
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No caso de não haver afecto no contacto com o bebé pode levar uma mãe emocionalmente perturbada a afastar-se da criança, o que pode levar a que esta desenvolva uma interacção insuficiente ou até inadaptada.

Interacção precoce mãe - bebé [cont.]
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Na interacção insuficiente existem “padrões de sinalização mutua monótonos, pobres do ponto de vista afectivo. Embora exista sincronia mãe-bebé, observa-se uma persistência das respostas maternas às necessidades físiscas do bebé, sendo as trocas afectivas e a estimulação do interesse pelos objectos externo pobres.”
(Palminha, 1993, p. 119)

Interacção precoce mãe - bebé [cont.]
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Na interacção inadaptada verifica-se uma ausência de sincronia na relação mãe-bebé. A mãe faz interpretações distorcidas dos sinais enviados pelo seu bebé, sendo por isso a troca de afectos ambivalente. Assim o bebé vai sentir-se frustrado e progressivamente vai deixando de investir na relação.
(Palminha,1993)

Interacção precoce mãe - bebé [cont.]
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Os estudos de Harlow (1972), com os macacos resos reforçam a ideia referida anteriormente. Ele concluiu com este estudos, que as macacas afastadas da sua mãe na infância, adoptaram comportamentos maternos falhados. Ou seja, enquanto mães estas macacas mostraram-se indiferentes, agressivas com as suas crias.
(Gleitman, 1999)

Interacção precoce mãe - bebé [cont.]
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Uma mulher toxicodependente pode ter dificuldade em estabelecer uma relação precoce com o seu filho, devido às situações psicopatológicas que apresentam, pertencentes à própria toxicodependência.

(Palminha, 1993)

Filhos de toxicodependentes

Interacção precoce mãe - bebé [cont.]
Condições adversas durante a gravidez (consumo de drogas) e no período perinatal (Síndrome de Privação)

!Influenciam

a capacidade de adaptação precoce, que é fundamental para o estabelecimento da relação mãe-filho e na organização e estimulação das respostas maternas.

Interacção precoce mãe - bebé [cont.]

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Quando a relação mãe-bebé não é bem conseguida poderá vir a ter repercussões na vida da criança adulta, de carácter neurótico ou psicótico. A detecção precoce de situações de risco facilita a intervenção oportuna, por parte dos técnicos de saúde, a todos os níveis de dinâmica familiar, com todos os benefícios que daí podem advir.

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Bibliografia
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Bagagem M. P. (2000). Droga: A desintegração Familiar e Social dos Jovens. Colecção “ambientes sociais”. Lisboa: Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões da Universidade Nova de Lisboa Baptista, Mª. (1995). A Prevenção das toxicodependências: A Importância da Escola. Lisboa: Texto editora Gleitman, H.(1999). O desenvolvimento social. Psicologia. (pp.715-730). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian Morel, A. Et.al. (2001). Prevenção das toxicomanias. Colecção “ alcoolismo e toxicomanias modernas”, 5. Lisboa: Climepsi Editores Palminha, J. M., et al. (1993). Interacção Precoce Mãe-Filho (pp.32-34). Os Filhos dos Toxicodependentes. Grande Prémio Bial de Medicina 1992,11- prémio de medicina clínica. Porto: Bial Palminha, J. M., et.al. (1993). Perfil psicológico da mulher toxicodependente (pp.3536). Os Filhos dos Toxicodependentes. Grande Prémio Bial de Medicina 1992,11prémio de medicina clínica. Porto: Bial Palminha, J.M., et.al. (1993). Efeitos das Drogas na Grávida e no Recém-nascido (pp.25-32). Os Filhos dos Toxicodependentes. Grande Prémio Bial de Medicina 1992,11 – prémio de medicina clínica. Porto: Bial SPTT (1999). A Informação geral para prevenção das toxicodependências. Algarve (?): Direcção Regional do Algarve do SPTT Strecht, P. (2002). Interiores: Uma Ajuda aos Pais sobre a Vida Emocional dos Filhos. Lisboa: Assírio& Alvim Peralta, F. – Toxicodependência e Gravidez. Revista de Obstetrícia e Ginecologia. Lisboa: Artes Gráficas Lda, Vol. XXV, Nº 4 (Abril 2002), pp. 104-107) Alves, G. – Abuso de Drogas e Gravidez – Que Realidade? Revista da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras. Porto: Nº 4 (2003), pp. 26-30.