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Elizabeth Barnes – Na

Velocidade da Ilusão

Copyright 1990 by Elizabeth Barnes
Publicado originalmente em 1990 pela Mills & Boon Ltda., Londres, Inglaterra.
Todos os direitos reservados, inclusive o direito de reprodução total ou parcial, sob
qualquer forma.
Esta edição é publicada por acordo com a Mills & Boon Ltda.
Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou
mortas terá sido mera coincidência.
Título original: A vintage affair
Tradução: Alexandre Camarú

Copyright para a língua portuguesa: 1991
EDITORA NOVA CULTURAL LTDA. Av. Brigadeiro Faria Lima, 2000 – 3º andar CEP
01452 – São Paulo – SP – Brasil Caixa Postal 2372
Esta obra foi composta na Editora Nova Cultural Ltda.
Impressão e acabamento no Circulo do Livro S.A.
Foto de capa: RJB

Digitalização: Afrodite
Revisão: Cynthia M.
Jenny havia sido enganada uma vez, por isso fechou seu coração...
A grande paixão da vida de Lucas Lambert eram as corridas de automóveis. E sua
filosofia, curtir cada instante de prazer.
Deixava-se levar pela voragem das emoções fúteis e perseguia o tempo em sua
velocidade mais desatinada, buscando algo que não sabia definir. Por má sorte ou
destino, um acidente de carro o obrigou a parar. E ele conheceu Jenny... Bela, distante
e nada disponível. Enfeitiçado, ele se propôs a conquistar o grande prêmio de sua
vida... o coração de Jenny!

Capítulo I
Fazia apenas cinco minutos que Jenny chegara à exposição anual de colecionadores
de carros antigos, tempo necessário para estacionar a caminhonete, apresentar-se à
recepção da hospedaria e colocar a bagagem num pequeno quarto, e ela já tomara
conhecimento da presença de Ralph, o que era terrivelmente desagradável.
Após todos aqueles meses de promessas, mentiras e, posteriormente, ameaças e
rancores, tudo o que Jenny desejava era não se encontrar com Ralph por algum tempo.

Esquecer-se do olhar irônico e pretensioso e do tom de advertência contido nas poucas
palavras que lhe dirigira.
Isso poderia abalar-lhe o autocontrole, arruinando-lhe os negócios. Tinha ímpetos
de ficar só, escondida no quarto, um capricho ao qual não poderia se dar. Aquele seria um
final de semana de muita atividade e ela precisava fazer contatos e planejar alguns
negócios, impressionando as pessoas com a qualidade de seu trabalho. Assim, estava na
hora de tirar seu pequeno carro do rebocador e começar.
Respondendo distraidamente aos comprimentos daqueles que a conheciam, ela
andou pelo gramado, cortando caminho entre as filas de maravilhosos carros já em
exposição. Em apenas alguns minutos teria o seu entre eles.
Havia sido uma longa e cansativa viagem. Ela estava realmente cansada após todas
aquelas horas atrás do volante, preocupada com os negócios.
– Uma viagem difícil, não? – alguém perguntou atrás dela. Era uma voz
desconhecida, num tom baixo e cativante, nem um pouco parecida com a voz áspera de
Ralph, ela notou aliviada. – Você parece abatida.
– Nem tanto! – ela negou instintivamente, deparando-se com um estranho que a
observava, olhando atentamente para sua mão e, em seguida, examinando cada linha de seu
corpo com um olhar sedutor. – Você me dá licença? Gostaria de tirar meu carro do
rebocador – falou secamente, quando, muito próximo dela, o estranhou impediu sua
passagem, cercando-a na lateral da caminhonete.
Jenny ficou quase sem fôlego quando viu seu sorriso. Era devastador e combinava
perfeitamente com o brilho de admiração em seus olhos. Tanto o sorriso como o olhar
mostravam que ele a achara atraente, apesar do jeans desbotado e uma velha camiseta. Ele
parecia não notar q quanto estava desarrumada e com as roupas sujas da longa viagem, que
seus cabelos soltos estavam despenteados pelo vento, e mostrava abertamente que gostava
do que via..
– Gostaria que o tirasse para você?
– Obrigada, mas eu mesma posso fazer isso. – Ela o fitou, ignorando sua estatura,
ombros largos e braços fortes e tentando enfrentá-lo com os olhos.
Finalmente ele saiu de sua frente e, mesmo enquanto abria a porta do rebocador, a
imagem do estranho permaneceu em sua mente. Havia uma certa rudeza em seu rosto:
traços bem definidos davam-lhe um ar de maturidade, assim como os olhos delineados que,
decididamente, tornavam-se muito sensuais quando ele sorria.

Uma cicatriz profunda marcava-lhe um lado do rosto e algumas rugas começavam a surgir nos cantos dos olhos e boca. Entrando no rebocador para soltar as correntes que seguravam o carro. Ele era realmente muito atraente. – E eu. Certamente você é uma garota bastante capaz. para evitá-los. certamente já havia feito aquilo antes. por sua vez. apressando-se em soltar as correntes do lado em que estava. ele estava tão próximo e sua presença era tão forte que ela sentia-se profundamente atraída. Jenny notou. Quando colocou a primeira rampa e o descobriu atrás de si. Como Ralph. Porém ela achava melhor prevenir-se contra aquele anjo mau. de ajudar – ele persistiu. já estava pegando a outra rampa quando ela interveio! – Não se incomode.Não havia dúvidas. obviamente para não admitir que poderia ser pelo fato de os dois estarem sozinhos naquele lugar escuro e pequeno. ela precisava não se deixar envolver. ele soltava as correntes com facilidade. levantando-se para confrontá-lo novamente.. mais preocupa da em verificar se as . Ralph nunca causara aquele efeito sobre ela. Estava um calor insuportável lá dentro e Jenny atribuiu a isso a repentina tontura que sentiu. ela tentou livrar-se dele mais uma vez: – Olhe! Gosto de fazer as coisas por mim mesma. ela admitiu quase contra a vontade. entrando no rebocador e parando no lado oposto do carro. Tudo isso dava àquele homem um ar de mistério romântico que deixou Jenny fascinada. Parecia ser um homem gentil. interrompendo-a na tentativa de objeção. Ela queria sair. ele perguntou com um sorriso: – E agora? – Agora eu solto o breque – ela respondeu. ele poderia causar-lhe sérios problemas e. Do outro lado do carro. – O que há de errado em tornar as coisas mais fáceis para você? – Porque não quero – ela respondeu já um tanto irritada. – Então. Não preciso de ajuda alguma – disse. Apesar de o carro os estar separando. sempre tentando mostrar-se indispensável. – Eu sei disso. – Por que não tirar proveito de mim? – ele sugeriu. embora não tivesse nada de extremamente belo. Ele agia exatamente como Ralph.. Queria ar puro e uma grande distância separando-os. Quando a última corrente foi retirada. que. Jenny percebeu que não seria tão fácil esquivar-se dele.

estaria ocupada com as perguntas habituais. – Não há motivo algum pelo qual possa recusar uma ajuda. – Ou eu o empurro – ele sugeriu. Assim o estranho seria apenas mais um no meio de toda aquela gente. Jenny deu um longo suspiro. deixe-me fazer. além do mais. outra pessoa a questionou: – Que carro é este? – Um Franklin 1904. Nova York. Você não estaria aqui sozinha se não pudesse fazer tudo por você mesma. Em poucos minutos o carro começou a despertar a atenção dos que passavam e Jenny sentiu-se mais aliviada. – É aqui que você o quer? Quando a voz do estranho interrompeu seus pensamentos e ela voltou a si. seu carro sempre estivera entre os mais antigos e as pessoas sentiam-se atraídas pela pintura vermelha e brilhante. – É seu? – alguém perguntou do meio do tumulto e. qualquer que fosse o desse estranho. teria de livrar-se daquele homem. – Empurre apenas pelas rodas. Nas exposições anteriores. não iria satisfazê-lo.rodas traseiras estavam na direção das rampas do que em dar explicações – e depois empurro o carro para fora. você poderá amassá-la. quando ela confirmou com um gesto de cabeça. Não estava disposta a envolver-se com aquele estranho ou algum outro homem. De algum modo. – Então. Eram fabricados em Syracuse. há? – ele insistiu já pronto para empurrar o carro. mas graças a ele estava mais experiente. o carro já estava estacionado no fim da fila. em quase todas. ao menos com ela. Já do lado de fora o rebocador. continuando antes que ela protestasse –. o que não quer dizer que acho que seja incapaz disso. de 1902 a 1934. Um sentimento de orgulho e prazer tomou conta de Jenny ao vê-lo brilhando com a luz do sol. os homens só eram gentis quando tinham algum interesse a mais e. já havia brincado com isso várias vezes e. o mais doloroso e difícil de aceitar. se empurrar pela lataria do carro. Aprendera que. Sei que pode. saíra machucada. – Quanto está valendo? . – Tudo bem! – ela concordou com um suspiro de derrota. não depois de Ralph. não deixando chance alguma de Jenny vencer aquela pequena batalha. com um ar relativamente frio. Além disso. Ralph havia sido o pior. Não teria tempo para o tipo de jogo que ele estava querendo fazer.

. desviando-se das pessoas que estavam em volta do carro. – Ao menos até ver uma garota tão linda ao lado de um carro magnífico – ele continuou. não acha? – o estranho murmurou em seu ouvido. resistindo à tentação de virar-se e encará-lo. conhece carros? – Não muito. virando-se para encará-lo. – É verdade! E você. – Um carro antigo como este é muito raro – ela continuou. teria perdido sua impressionante exposição: – Não estava querendo impressioná-lo. ela pensou admirada. Por alguns minutos esquecera-se completamente dele. Procure outra pessoa que possa lhe fazer companhia. – Ele saiu um pouco decepcionado. Um pouco deslocado. se estivesse. mas não contasse com que fosse ficar a sua disposição. Como pode ver. automaticamente. sinto desapontá-lo. podia sentir a presença do estranho. Você parece saber muito a. sim. olhando-a intensamente. – Mas. o que. quanto custaria? – É difícil de dizer. Eles me forçaram a vir a esta exposição. – Por outro lado.. – Bem. seguiu em direção à hospedaria. reduz o preço do carro. mas tenho de ir. enquanto Jenny. respeito do assunto. não tenho necessidade de fazê10 – ela terminou. Na verdade. – Tudo bem! Aguardarei até que tenha um tempo disponível – ele concordou. Nunca estive numa antes e estou me sentindo um pouco deslocado. – Aquela pergunta era inevitável e Jenny sempre tentava esquivar-se dela. – Se tivesse ido. Minha irmã e seu marido. como não está à venda. não tenho condições de estabelecer um preço e. convencendo o visitante com sua explicação. – Você de novo! Pensei que já tivesse ido embora – Jenny se zangou. sua manutenção não é fácil e os colecionadores não gostam de problemas como este. – Mas conseguiu. Havia alguém parado bem atrás de Jenny e ela não precisava olhar para saber quem era. ela . Tão poucos desses foram vendidos que não há um preço estabelecido.– Ele não está à venda. Um homem tão imponente como ele nunca se sentiria assim. Ele poderia esperar.

– Ele não é “meu” estranho! – Dizendo isso. garota para curtir o final de semana. você quer dizer. Aquele homem era esperto demais e a única maneira de proteger-se seria pôr uma certa distância entre eles. entrando na hospedaria e dirigindo-se para o quarto. não seja assim! Deixe-as coisas acontecerem e verá que você e seu estranho terão um ótimo final de semana. De algum modo. Ao contrário de Jenny. Ao menos era o que achava que deveria fazer. comentar: bem como aquele homem maravilhoso que estava conversando com você. um homem como aquele não precisa se preocupar se a mulher está interessada ou não: Ele pode ter quem quiser. – Brincando comigo. Tessa era alta e elegante e não sabia absolutamente nada sobre carros antigos. o que. sabia muito bem. Tessa tinha tornado as coisas piores. depois. Jenny ‘queria que ele fosse “seu” estranho. Desejava vê-lo mais vezes naquele fim de semana. está escolhendo você. querida – Tessa continuou com uma paciência exagerada -. – Não se menospreze. um famoso lutador de boxe. não valeria a pena tentar descobrir? De qualquer modo correria o risco de sair-se machucada. Embora não entenda por que ele perderia seu tempo com isso. John precisava apenas de uma bela mulher a seu lado. e poderia ser. Ele está encantado! – Duvido que seja meu ar cigano. a hora que quiser e. reconhecendo a voz familiar. Você o está deixando louco com esse seu ar meio cigano. se eu puder parar com isso antes. John. se fosse diferente. – Jenny. a amiga mais próxima entre as que freqüentavam as exposições.pensou. seria loucura. – Jenny! Ela parou na porta de entrada da hospedaria. – Estou muito contente que esteja aqui – Tessa falou em voz alta para. – Não. papel que Tessa desempenhava com sucesso. Ela estava ali para tratar de negócios e não para envolver-se num romance sem futuro algum. Seu marido. provavelmente. Mas e se ele não fosse como os outros homens? Se não fosse como Ralph? Além disso. Era Tessa. Jenny virou se. Jenny. Poderia ser nada mais que uma simples paquera e deveria estar atrás dela somente por não haver ninguém mais . Na verdade. num tom mais baixo. gostava que fosse assim. Provavelmente está à pro cura de uma. – Oh.

desejou ter ligado antes. Estava ótima. eu me acostumei a isso – Alda finalizou num tom de coragem. mas não poderia. tomar um banho e me trocar. querida. Mas me conte. Era um vestido que lhe caía muito bem: acentuava-lhe a cintura. Bem.. Apenas tive tempo de expor o carro.. sei que não gosta mais dele. “Oh. desejando apenas que seu rosto fosse mais interessante. é a primeira vez que sai desde. precisava telefonar para sua mãe. porém Jenny pôde sentir que ela chorava.. você devia ter vindo. você não acha? – Mãe.. que devia estar aflita por não ter notícias. ela decidiu. Você já chegou? Está tudo bem? – Estou ótima. Jenny desceu até a recepção e. discou. após depositar uma moeda. depois. e. A viagem foi tranqüila – ela assegurou com o máximo de convicção. penteou os cabelos de modo a deixá-los cacheados somente nas pontas. E mais coisas sobre aquele estranho que entrara em sua vida invadiam o pensamento de Jenny. Como não havia nenhum telefone no quarto.. não sem seu pai. esquecer aquele homem e concentrar-se apenas em fazer contatos de negócios. tentando dar a sua mãe um pouco de sua força. – E você. mas gostou um dia e ele sempre gostará . Ainda não tive chance de ver ninguém. Afinal de contas.... Tinha coisas mais importantes a fazer do que ficar olhando-se no espelho. – Mãe. tentando não magoar a mãe e lembrando-se de que. ela disse a si mesma. como se realmente estivesse preocupada com o que o estranho fosse pensar dela. enquanto se olhava no espelho para ver como ficara em seu vestido. e você sabe.. Já conversamos sobre Ralph antes. pois certamente ela não era seu tipo. embora a casa pareça terrivelmente vazia. seus olhos amendoados fossem mais exóticos ou. Jenny!”. sentindo o tom de inquietação na voz de sua mãe. de um vestido forte. não comece novamente. ela pensava. e a estampa. Em seguida. – Minha filha. Ouviu o sinal apenas uma vez e sua mãe atendeu: – Jenny? – Alda Howe perguntou e Jenny. mãe. Primeiramente. – ela falou cautelosamente.atraente à disposição. Você já está instalada? Encontrou algum conhecido? – ela continuou evasivamente. – Não. de algum modo. – Eu sei. Queria muito que estivesse aqui. Não havia nada especial em Jenny Howe que pudesse fazer um homem como aquele sentir-se atraído por ela. – Nem mesmo Ralph? Ele deve estar aí. como está? – Estou bem. o estranho a fizera esquecer-se completamente de Ralph. pare com isso. combinava com seus cabelos negros.

O homem que nos salvaria de todos os problemas. o único momento no qual tive algo a fazer foi quando permitiu que a ajudasse a retirar o carro. Para uma mulher que fora casada com Sam Howe por quase trinta anos.Por outro lado. Ela havia saído de uma família que a amava diretamente para o casamento e. um em um milhão e as chances de Jenny encontrar alguém como ele eram mínimas. – Sei que estou sempre batendo na mesma tecla. ele a achava atraente. além disso. Pense o quanto às coisas seriam mais fáceis se não o tivesse mandado embora. por sua vez. mas é que gostaria de vê-la feliz. sabia que não poderia. Contudo. compreendeu por que sua mãe acreditava que um homem poderia resolver todos os seus problemas. Para Alda não havia pessoas más no mundo. além do mais. Porém seu pai era. desde a morte do marido. casada com um homem tão bom para você quanto seu pai foi para mim. Você sabe. e Jenny. Por outro lado. muitos homens se afastam de você porque. E Ralph parecia poder ser esse homem. seu pai confiava nele. principalmente a verdade sobre Ralph. isso não era difícil. Aquela era uma das épocas em que Jenny sentia-se terrivelmente sozinha e desencorajada a enfrentar a vida. desistir de tanta luta. que o melhor a fazer seria divulgar seu trabalho naquela exposição e evitar tanto Ralph como aquele estranho inoportuno. Ele era muito bom e nos ajudava bastante. . Ele era um dos admiradores. o mais alto no meio de todos. ela percebeu logo que se aproximou do carro. – Você sabe que não. e isso sua mãe não compreenderia. Ela sentia vontade de abandonar tudo. estava atrás dela. – Será que você não tem mais nada a fazer? – ela o inquiriu agressivamente. e. mas seu pai já estava doente quando empregou Ralph e confiaria em qualquer um que arcasse com um pouco de suas responsabilidades. Sim. era verdade. o estranho parecia ter outras idéias. Alda era uma mulher inocente. Jenny. Desde que cheguei aqui. antes que desse meia-volta. Quando Jenny desligou o telefone. – Tudo bem! Mas é que você e Ralph tinham tantas coisas em comum e.de você. Manter sua mãe longe dos problemas e levar adiante os negócios parecia-lhe difícil demais. Ele ainda estaria ajudando na loja e não precisaria ter feito essa viagem sozinha. sua filha a protegia de qualquer aborrecimento. – Trabalho com restauração de carros – ela completou para sua mãe e as duas riram... achava que já era um pouco tarde para mostrar-lhe a verdade. mãe! Acho melhor pararmos com esse assunto. Jenny sabia que não deveria dizer coisas como essa para sua mãe. . – Oh.

– Estou interessado em algo bastante antigo. um Franklin é realmente muito especial. Não só é um belo carro como também tem uma ótima mecânica. ela percebeu. ele já havia lhe tomado a mão. encontrei um que me agrada. gostaria que você me ajudasse. – Ouvi dizer que é um Franklin 1904. como sempre. – Não. Meu cunhado diz que há algo de especial neste carro. – Jennifer Howe.. finalmente. . e o seu? – E. – A palavras saíam de sua boca quase contra a vontade e. – Ele dirigiu o olhar para o carro de Jenny e depois voltou-se para ela. – Então você não quer um carro como o meu. – Jenny – ele continuou. a capota do motor. Ela sabia que não deveria aceitar isso. Era algo muito forte. embora tivesse tomado uma firme decisão a respeito de um novo romance em sua vida. Algo que não tenha muito de um carro. – Ele tem razão. – Como você deve saber tudo sobre ele. Além disso. Imediatamente ela notou que fora um grande erro ter deixado que ele a tocasse. mas não é apenas decorativo. olhando por algum tempo para a mão que a segurava. não exatamente isso. tendo até um ótimo desempenho. gostaria que me ensinasse um pouco. físico. e o olhar. íntima. os dois assentos de couro preto. mas as pessoas costumam chamar-me de Jenny. como o seu. No entanto. Mas para um carro americano tão antigo ele é perfeito. carro não é meu forte. colocando a mão no bolso do vestido.. dispostos em armações sobre os dois pára-lamas. A propósito. minha irmã e meu cunhado estão querendo que eu entre nesse ramo.– Eu permiti?! Não tive escolha. Ele era tão musculoso e viril que a fazia sentir-se frágil e delicada. insinuante. ventilado por uma grade de cobre na parte dianteira. muito envolvente. Ele já teve um e acha que eu deveria comprar um também. parecia vacilar quando ficava diante daquele estranho. – Como? – Bem. antes mesmo que ela percebesse. observou a direção de madeira. e os faróis. – É verdade?! Só falta você me dizer que é um carro de corrida! – ele brincou. meu nome é Lucas Lambert. a voz sedutora. ignorando o gesto brusco -. Tenho andado observando os carros que estão nesta exposição e. – Nem eu. embora relutasse por alguns instantes. Em silêncio. Ele se virou para estudar o carro. mas também que era impossível dizer não àquele homem. ela o soltou subitamente. Ele é realmente uma antiguidade..

Você está me oferecendo um passeio? E por que não? Você gostaria? – ela sugeriu. tentando reduzir os detalhes a um nível mais simples possível: – As fendas no cilindro são para resfriamento do motor. após acionar o . ela recordou sua mãe. ela observou. Estava dominando a situação e ele parecia não se importar. a manivela de partida. estendendo-lhe a mão. ela continuou: – Veja! Quatro cilindros. em 1904. levantando a capota para mostrar-lhe o motor. retirou a chave do bolso e abriu um comparti mento embaixo do assento. – É claro que sim! Não consigo imaginar nada que quisesse mais. Novamente ela estava envolvida e. Em seguida. Por um instante. alcançando. Talvez ele fosse diferente. o silêncio foi quebrado pelo barulho do motor e. o ar passa pela grade na frente da capota e entra pelas fendas. Talvez aquela vez fosse diferente. Jenny sentia uma estranha falta de ar. mesmo sabendo que seria melhor retirar tanto o convite como sua mão da dele. ela pensou. enquanto olhava para os cabelos. pela segunda vez. que. – Brinquedo! – Jenny espantou-se. enquanto Lucas a olhava com um ar de quem não estava entendendo muito bem. então está certo! – Posso lhe mostrar se quiser. Mas aquele homem tinha de aceitá-la exatamente como era. – Se você diz isso. ela segurou a alavanca e a girou com toda a força. Logo Jenny prosseguiu. enquanto um Cadillac tinha apenas um. de tão loiros. Checou a vela de ignição e a válvula de pressão. Ele sorriu. em seguida. – Porém não se parece muito com os motores atuais. – Decididamente ingenuidade. que achava tarefas como aquelas impróprias para mulheres. de Lucas. isso ela tinha muito claro na mente. imaginando se ele zombava dela ou se era apenas ingenuidade de sua parte. Assim.– É mesmo uma preciosidade! Parece até um brinquedo! ele notou após a inspeção. É um excelente sistema de refrigeração. Quando o carro se movimenta. Estou sempre disposta a convencer alguém das qualidades de meu carro. parece? – Não. Lucas apenas concordou com um gesto de cabeça e ela se sentiu bem com essa atitude. – Então vamos! Jenny. No mesmo instante. brilhavam com o luz do sol. mas com o dos antigos Porsche e Volkswagen. assim.

lubrificante e fechar a capota, ela falou em voz alta:
– Está pronto! Pode entrar.
Jenny subiu no carro e ajeitou-se no banco. Tão logo Lucas sentou a seu lado, ela
engatou a primeira marcha e o carro começou a andar., Ela sentia-se num mundo particular.
Dirigir sempre fora um prazer para Jenny e dez anos de prática a tinham deixado muito boa
no volante. Ela parecia ficar absorvida enquanto controlava a velocidade e checava o
trânsito para poder entrar na via expressa. .
O vento batia-lhe forte no rosto, acabando com todos os esforços de manter os
cabelos arrumados. Mas para quê?, ela pensou, com um sorriso nos lábios, se não estava
tentando impressionar aquele homem.
Aproximando-se dela para que sua voz não fosse levada pelo vento, Lucas
observou:.
– Certamente as pessoas ficam expostas às mudanças de tempo num carro como
esse, não é? O que você faz quando chove?
– Fico em casa ou, se estiver no carro, procuro uma árvore e me escondo.
—Não está falando sério, está?!
– Claro que sim! É o preço que pagamos para nos divertir.
– Isso não é apenas uma diversão. É um outro mundo... muito melhor. Sentir o
vento e a luz do sol tocarem-lhe a pele, o cheiro das flores... nos faz sentir uma certa
liberdade, você não acha?
Era óbvio que sim, e ela estava extremamente feliz por ele notar coisas tão
intangíveis. Havia algo mais naquele homem que ainda não tinha percebido. Jenny não
sabia ao certo o que fazer’ e, quase automaticamente, tomou o caminho que levava à
floresta.
De algum modo, ela sabia que levar um homem tão atraente para um lugar deserto
como a floresta era um erro muito grande. Por outro lado, era algo tentador... muito
tentador.
CAPÍTULO 11
Porém Jenny não estava se sentindo tentada. Ou, ao menos, precisava se convencer
disso. Convencer-se de que apenas estava mostrando a Lucas as qualidades do carro. A
velocidade que atingia enquanto estava no asfalto e o bom desempenho nas trilhas de terra
que’ levavam ao coração da floresta.

Dirigindo-se a uma clareira no ponto mais alto do bosque, ela estacionou o carro
próximo a alguns pinheiros e desligou o motor. Naquele instante, podia-se ouvir apenas o
som das folhas sendo balançadas pelo vento e sentir o forte aroma que emanava das pinhas.
– Veja! Você pode sentir isso?! – ela perguntou com alegria, a voz doce como se
não quisesse quebrar aquele instante mágico. Tão absorvida que esquecera por completo as
dúvidas de ter vindo com um homem a um lugar como aquele., Instintivamente, ela virouse para Lucas e percebeu uma expressão de encanto no olhar dele.
– Não é apenas um carro, algo mecânico. É uma forma de entrar num mundo
diferente -ela disse quando ele finalmente, a fitou. – Um lugar fora do tempo...
Ela concordou com um gesto de cabeça. Ninguém havia compreendido aquilo tão
facilmente antes. Longe de sentir medo ou desconfiança, ela passava a gostar um pouco
daquele homem. Ele entendera .0 que aquilo -significava.
– É um mundo muito mais belo. Com um carro como este, sempre posso achar
lugares assim e desfrutar um pouco dessas, belezas. E o tempo... o tempo, realmente, não é
nada para este carro. Ele existe há quase noventa anos, mas sempre restará alguns minutos
pela frente... alguns minutos para sentir o perfume das rosas e dos pinheirais, sentir o calor
do solou escutar o som do vento, enfim, para encontrar lugares como este.
– Há uma certa magia – ele falou com um sorriso, ainda como que hipnotizado.
E uma certa magia estava nascendo entre eles, Jenny percebeu, sentindo-se receosa
novamente. Desejando quebrar aquele encanto, ela sugeriu, levantando-se do banco e
saindo do carro:
– Venha ver a vista. A hospedaria fica logo ali, descendo a estrada principal.
Apesar da macia camada de folhas que cobria o chão, ela podia ouvir os passos
seguindo-a, e, quando ele parou bem junto dela, todo seu corpo podia sentir a proximidade
do dele.
Além da floresta, avistava-se a estrada e, ao longo dela, verdes campos e pequenos
aglomerados de casas, entre os quais via-se a hospedaria cercada de árvores. Podia-se
observar, também, o gramado no qual os carros estavam expostos. Com um brilho no olhar
ela continuou:
– Quando era pequena, meu pai costumava me trazer a este local. Os carros e
pessoas, tão pequenos vistos daqui, fazem-me lembrar um trenzinho que ele me ajudou a
montar quando era criança... Carros e pessoas em miniatura... Apenas esses podem se
mover enquanto os do porão não podiam... mas eram mais divertidos.

– Então você já vem aqui há muito tempo?
– Quase minha vida inteira. Meu pai tinha uma oficina de restauração de carros.
Agora eu toco a oficina. Mesmo antes de tê-la meu pai possuía um carro antigo e
freqüentava exposições. A oficina foi apenas um meio de unir prazer e negócio. Ele
costumava me levar às exposições, e esta sempre foi minha favorita, mesmo agora, quando
estou de volta pela primeira vez sem ele.
– Você deve sentir falta dele.
– É verdade, as coisas não têm sido muito fáceis. Embora tenha aprendido que há
vida, mesmo depois de pensarmos que tu do está acabado.
– Você tem razão. Também estou aprendendo isso. Naquele momento Lucas ficou
com o olhar completamente distante e Jenny imaginou que algo semelhante teria
acontecido a ele. Que em algum momento da vida ele sentiu que tudo estava acabado.
Havia algum mistério ali, ela tinha quase certeza, embora soubesse que teria tempo para
apagar aquela marca, ainda recente.
Ela ia questioná-lo quando, percebendo a situação, ele mudou de assunto:
– Você deve ter sido uma garotinha interessante, com um trenzinho no porão.
– Eu era a alegria de meu pai e o desespero de minha mãe. Ela que diga o quanto
era levada. Gostava de trens e carinhos e de ir à oficina com meu pai. Nunca fui o que
minha mãe queria, embora ela tivesse tentado muito me mudar.
Ela retribuiu o sorriso de Lucas com outro, bastante sensual, e sentiu as pernas
enfraquecerem. Nenhum homem lhe causara tal emoção antes.
– Existem momentos que você gostaria que nunca terminassem? – ele perguntou,
quebrando o silêncio e a tensão entre eles. – Este é um deles para mim.
– É verdade! Poderíamos estar de volta a 1904. Não há nada aqui que nos diga que
estamos no final do século vinte. Deveríamos estar usando roupas diferentes e termos uma
cesta de piquenique conosco. Poderíamos, ainda, ir para casa por estradas de terra e
encontrar charretes pelo caminho e... – Ela hesitou e depois parou quando viu a expressão
de Lucas.
Lucas a admirava com a mesma intensidade que ela minutos atrás; com o mesmo ar
de temor. Dirigindo-se para o carro, Jenny continuou:
– Não ligue para o que falo. Às vezes eu me deixo levar, completamente envolvida
pela atmosfera romântica que este carro cria.
É apenas o amor que tenho por ele que me faz sentir assim.

ela prosseguiu: – Por favor. ficando em pé a seu lado. imaginando se as’ palavras soavam tão falsas a ele quanto a ela.. frágil e sonhadora.. você é encantadora... De repente. por que não terá para um romance? Com umas das mãos apoiadas na direção e a outra no encosto do banco. e ela podia sentir o perfume e o calor de seu corpo. ao mesmo tempo. Pelo canto dos olhos. Ninguém nunca lhe havia dito aquilo e ela o olhou surpresa. – Ela vacilou..– E por que limitar seu amor apenas ao carro? – Porque. Logo ela que sempre fora tão determinada. ficando em pé no estribo do carro. Jennifer. ela pôde ver o braço que a cercava. mas apenas tornou as coisas piores. Um homem perfeito.. Lucas a deixava como que aprisionada. Naquele momento Jenny já estava dentro do carro e ele aproximou-se. Não queria que você pensasse. . fascinante... – ela tentou novamente sem a mínima convicção. Ainda mais quando estava tão próximo. Jennifer Howe.. Dividida entre o que sabia que deveria fazer e um novo jogo de emoções: curiosidade. – Porque não quero causar transtornos em minha vida. feminina.. capaz e. algo mais pro fundo. Mas Lucas era diferente de qualquer homem que ela conhecesse: diferente e perigoso. Um pouco intimidada por aquele corpo másculo que a cercava. acho que deveríamos voltar para a hospedaria. ela levantou-se. – Ainda não. forte. – Porque.. desejo ou. com certeza. sua respiração tocando-lhe o rosto. Mas para o meu. sentindo como se estivesse presa pelo brilho daqueles olhos claros que a fitavam. – Não queria! E por que não? – Porque. Jenny.. tentando concentrar-se e exercer algum controle sobre os desejos. Eu não devia ter tocado nesse assunto. – Jenny sentia-se um pouco perdida com as palavras. ela pensou. Era musculoso e a pele morena e macia era coberta por uma fina camada de pêlos dourados. Havia uma mistura de força e sensibilidade naquele homem que a fazia sentir-se incontrolavelmente atraída. sentindo-se encurralada. quem sabe. não tenho tempo para romances – finalmente concluiu. Além disso. – Sou mesmo?! – Talvez não para o gosto de qualquer homem. – Isso não tem muito fundamento: Se você tem tempo para sentir o perfume das rosas e dos pinheiros. – Lucas. Você é provocante.

por alguns instantes. a razão e a insegurança não existiam. a fria realidade voltou com grande ímpeto. Num tom irônico. não? Se me disser o que fazer. enquanto abria o compartimento que ficava embaixo/do assento. Jenny alegrou-se ao ver o brilho de orgulho e satisfação nos olhos de Lucas. Com certeza. Em seu lugar. coisas que nunca experimentara antes. Uma mistura de medo e desejo tomou conta de Jenny.. Pelo menos agora – ele falou. – É o que você quer e o que acredito que quero. – Você guarda a manivela aqui. a pegou pela cintura e a levantou. então. gostaria de levar-me de volta à hospedaria? – Eu. Queria perder completamente os sentidos e entrar num mundo no qual o tempo. disfarçando seu desapontamento... ao menos por enquanto.. ela piscou os olhos e a loucura daqueles últimos instantes foi-se embora por completo. se não quiser os dedos quebrados. Isso! Assim mais uma vez. – Mas você é apenas um estranho para mim. fizera o maior convite . Então. – Ela parou. Gostaria de fazer coisas que não havia feito com nenhum outro homem. achou que ele iria beijá-la. Havia sentimentos dentro dela que lhe eram novos ou que se resguardaram à espera daquele momento. – Lucas. e você me conhece melhor que qualquer outra pessoa. ele não estava apenas se divertindo. Ela desejava ser possuída por ele. algo mais do que isso. quebrando o silêncio entre eles novamente. é melhor que seja assim. e ela lhe dera mais do que uma chance. ao mesmo tempo. era diferente o suficiente para não lhe arrancar um beijo na primeira oportunidade. – Você acha isso?! Bem. – E agora? – Agora. Não restava dúvidas.Ela suspirou. odiando a si mesma. enquanto fazia os ajustes necessários. No entanto. por que se sentia desapontada? Jenny pensou um pouco e depois continuou: – Se é isso o que você quer. Ponha a manivela ali – ela indicou o local. Em seguida. Na segunda tentativa o motor pegou.. – Eu sei bastante sobre você. mude a posição de sua mão. aquele homem era muito especial. nós sabemos muito pouco um do outro. De repente. aquela era a coisa mais sensata. completamente envolvida pela magia de Lucas e. empurra com força. mais segura a fazer. Howe. colocando-a sobre o banco do carro. com um homem como Lucas. ele completou: – Srta. – Lucas. Ela queria ser beijada e. Indiretamente. acha que sou capaz de dar partida no carro? – Creio que sim.

. os dois se despediram. Enfim. – Picar?! – Sim.que uma mulher pode fazer a um homem e ele não se aproveitou disso. levou o carro a uma velocidade considerável e. Bastante animada. por ter compartilhado algo que significa muito para você. trocando-se para o jantar ou reunidos no terraço... um assim eu poderia ter. Havia uma diferença entre eles. ele mostrava não temer aventuras e desafios. pois.. Lucas agiu como um autêntico cavalheiro e deu-lhe um tempo. – Muito obrigado. arrumando. mas continuou com as mãos completamente relaxadas sobre os joelhos. Jenny contentou-se com isso. O gramado vazio mostrava que a maioria das pessoas deveria estar nos quartos. delicado. Desculpe. – O que você acha? – ela perguntou assim que chegou à hospedaria e desligou o motor do carro. Você me levou a um mundo diverso. O que você quer dizer com isso? – Que mudei de opinião. – Ainda pensa que meu carro é um brinquedo? – Não! Ele é algo realmente muito especial. Ele tinha . Ao contrário da maioria das pessoas não familiarizadas com o carro. Por enquanto. ficar nesse mundo.. Agora estou convencido. esteja na recepção em uma hora e levarei adiante esse projeto. – Não estou entendendo. no final da colina.. fazendo uma curva fechada na velocidade máxima. enquanto ela estava alojada nos fundos. tomou a estrada à esquerda. – Nem tanto assim! – Aquilo era bom demais para ser verdade. ainda tenho muito a aprender – Lucas observou. Ele a admirava. sentando-se ao lado dela. Quando atingiu a estrada de terra. Eu gostaria de ficar.. Muito ao contrário. Parecia querer aprender sobre ele e não se importava de tê-la como instrutora. com seu carro.. Minha família acha que deveria ter um carro como este e você me mostrou por quê. Jennifer. mas por motivos que demoraria muito para explicar. Lucas não procurou por algo para segurar-se. um cacho de cabelos que caíra na testa de Jenny. bem como ao carro. além de sensível. num coquetel. Lucas e subiu Jenny seguiu para o corredor dos fundos.. Por favor. Ele tinha um dos suntuosos quartos da frente.. ele não a beijara. – Lucas virou-se. Quando chegaram à escadaria central. – Bem.. mas gostava dela e a achava atraente e fascinante. Jenny pensou.. ela engatou a primeira marcha e o carro começou a se movimentar.

Os olhos calculistas e irados sempre incomodaram Jenny. já seria difícil enfrentá-lo lá fora.. ainda sorrindo. ela pensou. Era um homem atraente. quanto mais num lugar escuro e deserto como aquele. Ralph.. – Qual o problema. Mas não eu. tentando controlar o malestar que sentia. pois aquilo não era nada mais que um simples encontro de final de semana. um ar de brutalidade e aspereza o tornara diferente. do modo como se sentia em relação a ele. Naquele instante. embora houvesse uma certa rudeza em seus traços. – Mas eu posso conseguir isso. No entanto. Chegando no corredor escuro que conduzia a seu quarto. E acho que ainda estaria gostando. – Não fique se gabando. Você gostava de mim. Uma atitude como aquela poderia deixar alguém complexado. e os dois eram. Você sabe muito bem o que sinto em relação a você. Jen? Você parece não estar muito contente em me ver – Ralph comentou. Você era muito boa no que se tratava de carros. ele sorria. Não há modo algum de reatarmos. Oh. que ficara exposta a essa ira apenas uma vez. li estava vidrada. Ralph era apenas um pouco mais alto que ela. uma vez fora mais do que suficiente e ela estremeceu ao lembrar o dia em que o mandou embora. Jen. Você deixou isso muito claro no dia em que me demitiu. porém com um físico bem desenvolvido. havia um mundo inteiro de diferenças entre eles e era melhor que não esquecesse isso. e sabe por quê? Porque sempre tenho um plano na mente. A partir desse momento. – Oh. Na verdade. um jeito para reatar os laços. já comecei a juntar desde que seu pai morreu.dinheiro e ela não. Jen. Parecia ser Ralph Porter e. mas era eu quem dizia de que lado o vento estava soprando. quem sabe até estaríamos casados. ela disse a si mesma com um sorriso nos lábios.. mas continuou com o olhar arrogante. se não tivesse me precipitado. . eu já era imprescindível nos negócios da oficina. Na realidade. Melhor que não alimentasse esperanças. Aquele encontro não iria ser agradável. Jenny assustou-se ao ver um vulto parado próximo à porta. Jenny! Você é realmente uma garota difícil!. – E não estou mesmo. cercada de pessoas. não tenha tanta certeza disso. Não há chance. – Mas está tudo acabado entre nós.. – É claro que sei.

Ela não se importava com nada que viesse de Ralph. – Tudo bem! Mas. Vamos tratar apenas de assuntos pro fissionais. se você tentar algo. convide-me para entrar e contarei. Impossível! – ela respondeu friamente. fingindo que nada havia acontecido. naquele instante. como ele mesmo dissera. Recusara-se a casar com ele e os dois continuaram a trabalhar juntos. – É fácil dizer isso agora. – O quê?! Trapaças?! – Vamos. – Não. Jamais o convidaria para entrar em meu quarto. – Ela tinha a voz trêmula de tanta raiva. eu nunca teria me casado com você. Havia sido logo depois da morte de seu pai. Sabia que as chances de ficar com a oficina haviam diminuído e que teria de achar uma nova maneira de consegui-la. Quando você me recusou. não mostrando nenhum sinal de enfraquecimento. na época. onde alguém poderia ouvir. mas não é nisso que estou pensando agora. levando uma situação um tanto embaraçosa. – Você está louco. com uma única frase. Não é o tipo de assunto que deveríamos discutir aqui fora. . Foi quando comecei a fazer novos planos. – Jen. se precipitou. tentado esconder sua decepção. Jenny lembrou o dia no qual Ralph. gritarei para que toda a hospedaria ouça. – Sabia que alguma coisa errada estava acontecendo. achando que ainda devia algo a Ralph pelo apoio que lhe dera durante a doença de seu pai e por necessitar de sua ajuda na oficina. Ralph chegou até ela e. Apenas estava esperando o momento exato para poder contar as trapaças que lhe fiz. Nem que fosse o último homem do mundo. é claro que acho você atraente. Mas as trapaças que ele mencionara teriam. – Não se preocupe.Com isso. enquanto entravam no quarto. Isso durou até o dia em que Jenny não tinha mais dinheiro para continuar pagando o salário de Ralph e. Isso abrira os olhos de Jenny para a verdade sobre ele e. eu sabia que estava perdendo algo que me poderia ser bom. soube o que ele realmente esperava dela. Jen. embora tivesse. – Que tipo de planos? – Vamos entrar no quarto e lhe contarei tudo. Vamos. algo a ver com a queda dos negócios na oficina? Ela tinha de saber. toda a amizade e solidariedade que eles haviam compartilhado foram destruídas. mas não sentia isso até o dia em que a pedi em casamento. pediu que se casasse com ele e assinasse um contrato dando-lhe total liberdade nos negócios. conte-me sobre essas trapaças – ela o intimou.. então.

. – E como conseguirá isso? Você está sem crédito e nenhuma I pessoa em sã consciência adiantaria dinheiro para tentar salvar algo perdido. – Mas como. é claro. Jen.. o que acha? Está pronta para me vender agora? – Nós dois estaremos debaixo da terra antes que isso aconteça. Entrarei em contato com os quatro proprietários e farei o conserto de graça. Embora tivesse parado de confiar em mim. Jen. Então imaginei que poderia tirar algum proveito se os negócios não fossem muito bem.. O único erro que Sam cometeu foi não fazer um seguro de vida. farei um empréstimo. – Você fez o serviço. você continuava acreditando em meu trabalho. O problema é que não queria nem esperar nem pagar muito. Mas você não pode provar isso. – Então. Mas agora ele se foi. – Não pode fazer isso.. Não muito boa. -você nunca se preocupou em supervisionar meu serviço. vim lhe fazer uma oferta. Assim. fiz uma sabotagem no rolamento do motor. Jen. – – E o que você fez? – Pequenas coisas! Aqueles dois últimos motores nos quais trabalhamos j’untos. e agora não tem nenhuma chance. Jenny. Você foi muito tola. Aqueles motores já estão causando problemas. E então. Jen. mas uma firma falida vale pouco. Reconquistarei minha reputação.. Lembra-se daquele Buick azul que fizemos? E do Stutz vermelho metálico? Você fez um péssimo serviço de pintura nos dois. – Com a tinta alterada. Quando as coisas começaram a ficar ruins entre nós. você não espera que faça uma proposta alta por um negócio falido. não tem dinheiro suficiente.. A responsabilidade é toda sua. . seu trabalho está desacreditado. Enfim.. como você conseguiu fazer isso? – Muito fácil. Vamos. sabia que meus dias estavam contados. e mais dois que estão com a pintura de seus carros começando a descorar. mas ele foi feito em sua oficina.. Pode até provar que fiz o serviço... Pelo menos não o suficiente para manter a oficina funcionando. você tem de vendê-la para mim. Já falaram por aí que você não sabe o que faz e que quando seu pai estava vivo ele consertava seus erros.. que encontraria um meio para livrar-se de mim. Isso levaria algum tempo. Estão falando mal de seu trabalho e as pessoas não vão fazer mais nada com você.. Não tem outra alternativa. Mas isso não me impediu de continuar querendo tomar conta da oficina. Você tem dois compradores descontentes lá embaixo. sua família estava quebrada. Ralph. Foi onde você errou.. assim decidi apressar as coisas.– “Jogo sujo”. Jen. A partir do momento em que ele morreu.. acho que é assim que são chamadas.

dando um longo suspiro. Ralph. finalizou: – Saia daqui. levantando-se da cadeira. um “grandão”. ela entrou em pânico com uma idéia que começava a ter. – E talvez não saiba. – Bem. ela não poderia. você não ganha nada. Isso me dará o dinheiro de que preciso. Depois. Lucas . Não. – Mas não vou fazer a venda com sua intermediação – ela falou rispidamente. ao menos por enquanto. Jen. Você virá até mim. você perdeu. terei dinheiro suficiente para comprar a oficina no caso de ainda não conseguir tocá-la. – Vejo você por aí.. Enquanto ele saía. ela completou o pensamento: – Venderei meu Franklin. farei alguma coisa! – De repente.. Jenny esfregou furiosamente a mão na face. Não encontrará uma proposta maior que a dele. – É claro que sim! Mas qual o problema. não dando importância para quanto o comprador de Ralph estava disposto a pagar. Assim como havia prometido. Ralph Porter. – Assim. claro! Você está me ajudando apenas por bondade.. Jen. Acharei meu próprio comprador e usarei o dinheiro para consertar aqueles carros. – E você sai ganhando uma comissão na compra. Com a comissão que vou receber. agora! – Tudo bem! – ele concordou. – Não exatamente isso. Imaginei que pudesse recorrer à venda do carro. e. ela comentou ironicamente. assim me preparei para ajudá-la. – Dirigindo-se à porta para ‘abrila e olhando firme nos olhos dele. Jen? Não é essa única maneira que tem de salvar a oficina? – Ah.. Saiba apenas que você não tem todo o tempo do mundo para vender o carro e meu comprador tem dinheiro vivo. querendo pagar o dinheiro alto. tentando limpá-la do toque de Ralph. Tenho um comprador para seu carro. eu suponho. CAPÍTULO III – Não se puder evitar! – Jenny repetiu. – Esquecemos o problema da oficina e me ajuda a sair dessa.>locou a mão no rosto dela. Apesar do plano. – Não se eu puder evitar – ela retrucou..– Eu. Viu? Ainda não estou vencida. lembrando-se da tarde com Lucas. Lucas a estava esperando na recepção. Agora. Mas voltarei em breve.. mas estou quase certa de que já tenho um comprador para meu carro. Não estou querendo tomar-lhe a oficina. esse é um ponto discutível. assim que Ralph foi embora. – Ele parou na porta e c<. estou apenas interessada em dar a meu comprador o que ele deseja e ele ficará agradecido o bastante para me ajudar em muitas coisas...

. Lucas era incrivelmente atraente.. – Estava pensando. a lembrança de tudo o que Ralph lhe dissera invadiu seu pensamento. mostrou um sorriso sensual. e. Lambert.. E talvez em circunstâncias normais. Jenny hesitou. não? John deve estar por aí. Tessa Harmon.Lambert.. Não que a idéia da venda do carro a perturbasse. tudo sobre Ralph. vai ficar conversando a noite toda. – Já não nos conhecemos de outro lugar? – Acho que não – ele respondeu um tanto impaciente. E a prova estava no jeito como sorria e a seguia com o olhar. Jenny. – Tessa lhe estendeu a mão e o olhou atentamente no rosto.. sim.. quando se aproximou um pouco mais. se bem o conheço. – Estou atrasada? – ela perguntou meio ofegante. quando a viu. – Lucas. Debruçado no corrimão da escada.. Naquele instante.. enquanto ela caminhava. para Lucas. . – É. – Lucas Lambert – Jenny o apresentou.. ele olhava atentamente para o corredor e. falando sobre carros. Jenny pensou.. e no modo como se adiantou e veio a seu encontro. em seguida. Você está aqui. Adoraria. mas aquele deus grego alto e loiro realmente a achava interessante.. irresistível. Bem. – Preciso de dinheiro – ela falou com sinceridade. eu espero. – Acho que devíamos conversar antes. franzindo as sobrancelhas. e como você me pareceu interessado. – Olá.. Gostaria de comprar meu carro? Estou colocando-o à venda.. olhando o nos olhos. – Jenny! – Tessa a chamou ao mesmo tempo. olhando para ela e. mas o problema era o fato de que os negócios e Ralph iriam lhe atrapalhar o que poderia ser uma noite perfeita.. – Não está falando sério! – É claro que sim! Mas por quê? Aquele carro significa tanto para você. Talvez tenha me visto hoje cedo. com um sorriso nos lábios. Jenny divagava enquanto ia ao encontro dele. – Lucas!. e.. Parecia impossível. – Não se preocupe. embora soubesse o que tinha a fazer. ela tentou novamente. – Eu. esqueceu. o homem que iria comprar seu carro. vão jantar comigo. essa é minha amiga. – Tenho de vendê-lo. talvez. por um momento. Você e. Sr. – Tive um contratempo – ela começou a explicar. e isso é o que importa.. – Vão me fazer companhia no jantar.

Era um maravilhoso Jaguar V-12. – E então. Lucas apoiava a mão. Mas e quanto a ela? Lugares sofisticados nunca fizeram seu gênero. principalmente para fazer companhia a alguém que dirigia um V-12 e usava roupas tão elegantes. Além disso. Estou precisando de dinheiro. conversavam alegremente sob o som das gaivotas que. No momento.. Jenny sentiu-se deslocada e imaginou que aquela noite seria um fracasso. pois qualquer um que possuísse um Jaguar V-12 certamente poderia adquirir um Franklin. Jenny – Lucas começou logo que os drinques foram postos sobre a mesa . vou deixá-los sozinhos então. Sr.por que decidiu vender o carro tão repentinamente? – Já lhe disse. . tomando-lhe a mão. – Bem. não estava vestida adequadamente. Jenny percebeu que não precisava se preocupar com o fato de Lucas não poder comprar seu carro. Prazer em conhecê-lo. – Estávamos de saída agora mesmo. precisamos. no qual não se sentiria muito bem? Um homem como Lucas Lambert sem dúvida gostava de locais finos e sabia como se comportar nessas ocasiões. Lambert. surpresa em descobrir que sentia-se muito à vontade a seu lado. num ar de muita descontração.– Desculpe-nos. Mas e se a levasse para um lugar muito requintado. tenho de .– Vamos à cidade procurar por um lugar sossegado. muito bem conservado. ao cair da noite. – Meu carro está logo ali – ele indicou. ela percebeu que não precisava ter se preocupado. – Mas. Saíram da hospedaria e seguiram para o estacionamento. Esse é um assunto muito delicado para ser discutido aqui. espalhavam-se por todo o porto. mas Jenny e eu temos negócios a discutir Lucas a interrompeu educadamente. Um homem moderado e inteligente. Jenny ficou impressionada ao ver o carro que ele lhe mostrava. Para uma pessoa que não entendia quase nada de mecânica. sobre o ombro de Jenny e ela podia sentir o calor de seu toque.. ele até que dirigia muito bem. onde seremos interrompidos constantemente – ele argumentou. Era um bar modesto próximo ao cais. Ao vê-lo. onde as pessoas.. Quando chegaram ao local. enquanto Lucas guiava com uma tranqüilidade incrível. Para que necessita de dinheiro? – É o que posso chamar de um problema de caixa baixo. Tendo tais pensamentos. levemente. Jenny notou. ela concluiu. se me permite perguntar. – Não precisamos sair – Jenny falou assim que Tessa foi embora. – Sim.

Mas. mas o negócios estão diminuindo cada vez mais. Mas pensei que já tivéssemos alguma intimidade. mas Ralph me procurou hoje à tarde. – Tenho todo o tempo que precisar. – É verdade! – Jenny passava a ficar ansiosa por lhe contar tudo. embora sabendo que não era isso que estava em discussão. Tinha um ajudante na oficina e.. eu e ele tínhamos algumas diferenças.. Nunca pensei.. Ralph Porter. Depois o dinheiro começou a acabar e tive de mandá-lo embora.. assim. não era da natureza de Jenny contar seus problemas a outras pessoas. imaginava por onde começaria. estou necessitando de uma injeção de recursos.. combinava demais com o temperamento de Lucas. após nosso passeio. como se tivesse lido seu pensamento. Jenny.\ gostaria realmente de saber tudo a respeito? – Totalmente! Aquela palavra. Como se sentirá ao vendê-lo? – Não podemos ter para sempre tudo o que queremos – ela comentou. Ainda não respondeu a minha pergunta. ajeitando-se na cadeira como se fosse ficar nela a noite inteira. e ela hesitou. -Você. é natural que leve algum tempo para criar sua própria reputação.. enquanto tocava a borda do copo com o dedo. – Não pare agora. Jennifer. – Tenho cuidado da oficina desde a morte de meu pai. – Tudo bem! – ela rendeu-se aos esforços de Lucas e. Contudo. No início.gastar mais do que possuo. – Jenny tomou um pouco da bebida. Jenny? – ele perguntou com cautela. achando que talvez seria bom ter alguém em quem confiar. – Ralph?! É o nome de seu ex-ajudante? – Sim. tão forte e determinada. isso não é comum.. porém não conseguia entender como as coisas poderiam ficar tão ruins. na tentativa de sufocar a . – Mas não é esse o problema. É difícil de acreditar. – Ele sorriu. achava que era pelo fato de a maioria dos homens não acreditar muito numa mulher trabalhando com carros. aquele carro significa muito para você.. – Por que não se abre comigo.. Algo que aprendi nos negócios. – Especialmente porque esteve trabalhando com seu pai por muitos anos. – É claro. – Você tem de saber todos os detalhes?! Não sabia que o comprador costuma condicionar o negócio ao conhecimento do motivo da venda. É uma longa e terrível história. – Gostaria que fosse mais objetiva. Bem. – Porque.

Jenny? – Que meu pai nunca tivesse empregado Ralph. pensando na grande injustiça de que fora acometida. não . – Você? Existe alguém com quem deseja se casar? – Ninguém! Nunca encontrei uma pessoa que valesse a pena e. Ordenando seus pensamentos. mas Lucas aparentava estar de seu lado e ele não podia fazer nada. Uma vez. embora a conhecesse havia tão pouco tempo. que tivesse acreditado em mim o suficiente para achar que poderia tocar a oficina sozinha. – Gostaria o quê. até brincamos em mudar o nome da oficina para “Howe e Filha”.. ele planejava deixar tudo em minhas mãos para poder se aposentar. Pensando melhor. soaria como se estivesse querendo culpá-lo por meus erros. Aquilo não fazia muito sentido. mesmo que tentasse. . Jenny? – Desde jovem mostrava interesse em trabalhar com meu pai e ele fez de tudo para que isso acontecesse. – Como assim.. não! Ela havia desistido de planejar meu futuro há mui to tempo. gostaria que. a não ser comprar o carro e pagar o dinheiro suficiente para que Jenny pudesse se livrar das armadilhas de Ralph. – Como ele pôde fazer isso?! Jenny notou que Lucas parecia tão irado quanto ela e imaginou se seria possível que se importasse tanto com o assunto. Ralph sabotou carros nos quais trabalhávamos juntos e. – E sua mãe? Ela deve ter adorado a idéia. quando ficou doente. Jenny continuou relatando a Lucas exatamente o que Ralph lhe dissera. Com o passar dos anos.. não? – ele ironizou. – Ele me contou que antes de ir embora sabotou quatro dos carros em que trabalhamos juntos. – Pode provar o que ele fez? – Não.. – Ela se interrompeu. assim que ela terminou. Oh.. e ninguém vai mais acreditar em meu trabalho. – Oh.. meu pai confiou muito em mim e foi aí onde ele errou – ela comentou num tom de ressentimento..raiva que senti!r novamente. ainda que a raiva de Lucas estivesse estampada em seu rosto. Foi uma falha minha. na verdade. – Vigarista! – ele exclamou com grande furor. O assunto já se tornou público e ele fará qualquer coisa para espalhá-lo mais ainda.. Incrível. Exceto em querer que me casasse. Lucas.

– Acho que ninguém consegue lhe fazer isso. – Por que não pedir um empréstimo? – E você acha que já não tentei isso antes? Precisava ter ouvido o que o gerente me disse. era muito arriscado aplicar dinheiro num negócio que já apresentava sinais de falência.. É a única maneira .. os pedidos voltarão a aparecer. temendo ter ido longe demais e desejando ir por caminhos mais seguros. conseguiu falar: . acho que não havia entendido bem o que ele dissera. As notícias correm muito rápido nesse meio.. Jenny. – Mas me conte. uma mulher fazendo um serviço de homem. Mesmo que fique apertada por alguns meses. Além do mais.. as pessoas vão comentar como consegui sair desse problema. de modo que não posso usá-la como fiança. como peças defeituosas e tinta de má qualidade. Além disso não tinha nada que pudesse servir como garantia. quando fui ao banco. . – Então. deixe-me emprestar o dinheiro a você. um contra to de tempo indeterminado. Após um momento de silêncio. – Eu não me sinto intimidado perto de você – ele observou com um daqueles sorrisos devastadores. que sou uma profissional. Como a venda pode arrumar a trapaça que Ralph lhe fez? Ou está querendo dinheiro apenas para manter os negócios por mais algum tempo? – Ouça! Preciso de dinheiro para me sustentar enquanto faço os reparos nos carros sabotados. assim que terminar o trabalho. – Mas não há necessidade de vender o carro – Lucas insistiu. Não é como qualquer homem. como se confessasse um segredo. – Estamos aqui para acertarmos a venda do carro. conseguirei reerguer a oficina.tenho muito a oferecer. Inventarei algo aos proprietários. – Não poderia hipotecar a oficina? – Não sou proprietária do imóvel. Então.de mudar a opinião dos outros a meu respeito. e farei o serviço de graça. Para ele. Não sou um bom investimento. – E o carro? Não serviria nesse caso? – Não conseguiria muito com ele. Eu intimido os homens – ela falou baixinho. Mas esse não é o problema – ela interrompeu o assunto. por alguns instantes.· Jenny ficou surpresa com as palavras de Lucas e. Tenho apenas. o gerente me disse que um empréstimo nessas condições poderia ser considerado como especulação financeira.

– E você se auto-elegeu para o cargo – ele brincou com a situação. vou comprá-lo. Isso não importa. Esta noite. O gerente do banco tinha razão. – Apenas resolvi que tinha de vendê10. uma caneta.– Impossível! Você não pode estar falando sério! – Estou. – É claro que tenho! Você não me deixou outra alternativa. e não vou permitir que alguém o faça por amizade. retirou um bloco de anotações e. se quiser. Jennifer. É determinada e não teme um trabalho pesado. – Ou qualquer outra coisa – Jenny terminou de modo evasivo. Ainda não decidi que quantia VOIJ pedir.. Só isso! – Então. e não consigo imaginar um investimento melhor. em seguida. não. Você tem tudo para vencer. nem me conhece direito. mas alguém deve impedi-lo quando estiver jogando-o fora. Jenny! Por que não? Tenho algumas economias e confio em você. Lucas... mas temeu uma interpretação errada por parte dele. Por um momento. Quero apenas vender o carro. – Tem certeza do que está fazendo? – ela indagou com um certo constrangimento. – Você— é louco! Nem ao menos tem certeza de que tudo o que lhe falei seja verdade. um empréstimo para mim não faz sentido.. Não estou me sentindo assim. – Com isso. depois. isso é sério. simpatia ou. Lucas pôs a mão no bolso. – Mas não estou certa. Lucas? De modo algum quero que se sinta coagido a comprar o carro. – Como assim. Você pode ter dinheiro bastante para gastar à vontade. era ela quem estava se sentindo forçada a fechar o negócio. Olhou para o copo vazio e. – Não tem problema algum. Sei tudo o que preciso a respeito de você e quero . Posso lhe pagar com cheque.. Lucas. apenas nos conhecemos há algumas horas. – O suficiente para saber que é uma profissional.. ‘ – Ouça. – Ela queria acrescentar “atração física” à lista. Você pode estabelecer o preço mais tarde..muito investir em seu trabalho. receando tê-lo magoado. – Não se. levantando o rosto. – Não! Não posso admitir isso. sim. Não preciso da caridade de ninguém. preocupe. – Precisamos fazer uma espécie de contrato de compra e venda. ela hesitou em olhá-lo.. .. mas.. – Mas. – Ele baixou . – Naquele instante. continuou: – Decididamente.

a cabeça e escreveu algo no bloco. Depois, arrancando duas folhas, passou-as para Jenny. –
Aqui está! Veja se concorda com os termos.
– Vejamos! – Com certa dúvida, ela pegou os papéis da mão de Lucas e o leu
atenciosamente.
No primeiro estava escrito: “Eu, Lucas Lambert, aceito comprar de Jennifer Howe
seu Franklin 1904, por qualquer quantia que ela venha a especificar”. Abaixo vinha a
assinatura de Lucas, seguida da data.
No segundo lia-se: “Eu, Jennifer Howe, concordo em vender meu Franklin 1904 a
Lucas Lambert, por uma quantia a ser estabelecida por mim”.
– Aqui está. Escrevi mais estes. – Lucas passou a Jenny mais duas folhas e, em
seguida, deu-lhe a caneta. – Assim cada um tem uma cópia. Assine e o negócio estará
fechado.
– Suponho que sim. – Ela deu um longo suspiro e assinou o acordo. – Isso tem
mesmo algum valor legal?
– Plenamente!
– Tome! Aqui estão suas cópias., – Jenny, você está realmente decidida? – ele a
questionou antes de pegar os papéis de volta. – Ainda não me sinto bem fazendo isso. Não
deveria vender o carro pelo que Ralph lhe fez. Por que não aceita o empréstimo?
– Já lhe expliquei todos os motivos – ela respondeu calmamente, sentindo-se
melhor com a decisão tomada a cada minuto que passava. Lucas era a pessoa certa para ter
seu carro, e o contrato já estava fechado. Além disso, se a relação entre eles continuasse do
jeito que estava indo, quem sabe seu pequeno Franklin não ficaria completamente fora de
sua vida. – Vamos, Lucas! Não tenho dúvida alguma.
– Está certo! – Ele pegou as duas cópias e as colocou na carteira, enquanto Jenny
guardava as suas dentro da bolsa. – Há só mais uma coisa! – ele observou sorrindo.
– O quê?!
Temos de selar o acordo. Em circunstâncias comuns, isso significaria um aperto de
mão.
– Oh, claro! – Ela estendeu a mão para Lucas.
– Não, Jennifer. Fomos muito além para um cumprimento tão simples – ele
discordou, embora tivesse segurado a mão de Jenny. Curvando-se sobre a mesa para ficar
mais próximo dela, continuou: – Esse acordo nós devemos selar com um beijo.

– Aqui?! – ela se espantou, sentindo-se um pouco encabulada. – Na frente de todas
essas pessoas?!.
– Por que não? Tudo o que eles precisam é dar uma olhada em você e entenderão
por que quero fazer isso.
– Mas... Não é bem isso... Você me pegou de surpresa. Seu rosto ficou ruborizado
com a situação e, em seguida, com um sussurro, mostrou que aceitava a, proposta.
Os lábios de Lucas tocaram levemente os de Jenny, mas o calor e a magia de seu
beijo transmitiam algo de muito bom. Alguma coisa além de um simples beijo para selar
um pacto. – Agora está na hora de jantarmos – ele anunciou num tom de muita satisfação,
enquanto a tomava pelo braço e a conduzia para o salão de jantar.
Embora o locai fosse simples e descontraído, a comida era excepcional, e Jenny viu
que Lucas era um profundo conhecedor tanto de pratos como de vinhos. Ela estava tão
impressionada com aquele homem que, por alguns instantes, descartou o último vestígio de
receio que ainda lhe restava.
Durante todo o jantar conversaram alegremente. Lucas parecia muito atento às
palavras de Jenny, que, por sua vez ,sentia-se a cada momento mais aprisionada ao brilho
daqueles olhos verdes que a fitavam, à magia do sorriso tão sensual que a atraía. Lucas era
um homem envolvente, charmoso, divertido e inteligente, e ela, curiosamente, estava
perfeitamente à vontade a seu lado.
– Não! Ponha em seu copo – Jenny falou, levantando a mão para impedir que Lucas
colocasse mais vinho para ela. – Já bebi o suficiente, mais do que você. Espero que não
esteja tentando me embriagar...
– De modo algum, isso não faz meu estilo. Além disso, é melhor que eu não beba
muito, pois ainda tenho de dirigir. Assim que quiser podemos ir...
Lá fora, podia-se ouvir apenas o murmúrio das últimas pessoas que ficaram no
restaurante. O estaleiro e a rua estavam desertos e, como para não quebrar aquela calmaria,
eles seguiram em silêncio para o estacionamento.
– Lucas? – Ela se sentiu à vontade para falar quando entraram no carro. –
Conversamos a noite toda, mas apenas sobre mim e meus problemas. Nada conheço a seu
respeito. Nem mesmo sei com que trabalha.
– É porque não estou fazendo nada no momento – ele falou com uma certa
tranqüilidade. Depois, quando ia pôr a chave no contato, parou, virou-se para ela e, com
uma expressão tensa, prosseguiu: – Eu... estive envolvido num acidente há dois anos.

Ainda não me recuperei por completo.
– Mas e antes? – ela perguntou cautelosamente. Havia algo que o perturbava, mas
sentia que Lucas esperava que ela o questionasse. – O que fazia antes disso?
– Nada de muito interessante.
– Nada?! Como assim? É impossível, você deve ter feito alguma coisa.
– Bem, fui um daqueles jovens que demoram a tomar juízo na vida. Passei os dez
últimos anos, depois que saí da faculdade, viajando pelo mundo, principalmente Europa.
Como um modo de me rebelar contra meu pai e as coisas que queria que eu fosse, não
fazia nada de produtivo. Provavelmente, ainda seria um jovem rebelde se o acidente não
tivesse posto alguma responsabilidade em mim.
Quando ele se curvou para dar a partida no carro, Jenny percebeu como a camisa
delineava bem seu corpo, marcando-lhe as costas e os ombros’ largos. Após ligar o carro,
ele continuou:
– Como estava dizendo, não sou mais revoltado, mas também ainda não sei o que
fazer. Há o negócio da família, mas Wes, meu cunhado, está cuidando dele agora.
– E seu pai?
– Morreu há dois anos... Sem presenciar as mudanças pelas quais passei. Se ainda
estivesse vivo, com certeza ia querer que entrasse no ramo da família, mas eu não
poderia...
– Por que não? O que seu pai fazia?
– Engenharia de precisão... Algo relacionado com aparelhos científicos e coisas do
gênero... Você deve saber. Nada disso me interessa, embora meu pai tivesse me obrigado a
estudar engenharia mecânica. Tinha nascido para ser seu sucessor, mas, ao contrário de
você, não era o que desejava para mim.
– Era esse o motivo das desavenças entre vocês dois?
– Sim. Mas a briga final foi quando anunciei que ia sair da faculdade e morar na
Europa. Ficamos alguns anos sem conversar. Mais tarde, minha irmã Carole casou-se com
Wes e ele me substituiu. Wes tinha tanto qualificação quanto interesse para o negócio, e
meu pai ficou feliz novamente... Embora saiba que nunca me perdoou. Quem sabe ele
estava certo...
Enquanto saíam da cidade e pegavam a estrada para a hospedaria, Jenny começou a
imaginar como seria a vida daquele. homem. Apenas viajando e gastando dinheiro à toa,
como um típico playboy. Mas ela já o conhecia o suficiente para perceber que isso não

pode ser um início. havia algo de tentador no modo como ele segurava sua mão.combinava com ele. Depois. Brincando . É algo que tem medo de admitir. – Quando fomos embora. não é isso! Sabe o que aconteceu? – Jenny falava como se estivesse num sonho.. As lâmpadas dos postes estavam cobertas pela névoa e as árvores ao redor do pátio tornaram-se invisíveis. então. – Lucas a pegou pelo braço e a conduziu pelo caminho formado pelas árvores. – Ele deu um passo à frente e. Além disso. naquela escuridão. em algum lugar do oceano. ele tomou as mãos de Jenny e as colocou sobre seus ombros. Longe de todos. virou-se para olhá-la no rosto.. Depois. Agora a névoa está distante. Carole e Wes sugeriram que deveria ter algum tipo e hobby.. Estava uma forte neblina naquela noite.. não acha? – Mágico! Há algo na neblina que faz com que a gente se sinta distante do mundo... – Muito mais do que imaginam. Próximo a um canteiro de rosas ele notou: – Parece que a névoa está mais fina aqui. você comprou meu carro. – Talvez! – Ele parecia bem melhor quando chegaram ao estacionamento da hospedaria e desceram do carro. Não ali. Jenny apenas continuou em silêncio. – Mas não de mim. levantou-a por alguns instantes.. Jennifer? – Eu. Talvez tivesse agido assim por estar sem perspectivas ou por apenas não saber. ainda segurando sua mão. Traz uma certa tranqüilidade. Os lábios de Lucas a tocaram pela segunda vez. – Isto é bom. percebendo a força daquele corpo tão viril. – Talvez você faça questão de manter seu romantismo bem escondido. cercada pelo perfume das rosas.. – Ainda não consegui imaginar algo que gostaria de fazer.. e nós. deixamos de ser embalados pelas ondas do mar. então você o guarda lá no fundo. ao certo. o que esperava do mundo e das pessoas.. É. sussurrou: – Você é romântica. E depois mais e mais. ela voou para bem longe. – Até mesmo fazer com que fique tão romântica.. não. que levava ao gramado. – Falando como uma verdadeira apaixonada – ele disse num tom brincalhão. Diante desse cenário.. acariciando-a com a ponta dos dedos. – E... Mas Jenny não podia mentir. Lucas comentou: – Gosto disso! – Próximo a alguns arbustos. colocando-a no chão logo em seguida. – Ela hesitou. pegando-a pela cintura. com uma voz sedutora. – Não. Tudo parece possível.

ele beijou-lhe o pescoço. cruzar uma fronteira que nunca havia ultrapassado com nenhum outro homem. Jenny? Você não confia em mim? Claro que não.. – Talvez – ela considerou . tentando colocar algum controle naquele desejo selvagem que a invadia. Além disso. Com a outra mão apoiou-se no ombro de Lucas e.. assim. Criava uma espécie de encanto. cada vez mais. profundo e mágico. Queria que nunca terminasse. – Qual o problema.. Estava sendo muito tola.. Nada que ele tivesse feito a mais do que Ralph. sentiu a força dos músculos daquele corpo tão viril. CAPÍTULO IV De repente. Jenny necessitava. deixando-a tonta e fraca de desejo. Jenny percebeu. é maravilhoso! – É muito mais do que isso. pois. apesar daquela noite. Em seguida.. e sua realização estava mexendo com ela. ele era um homem. embora desejasse confiar. Fora muito além do que jamais fizera com Ralph.. Jennifer. Afinal de contas. Por favor. Estavam sozinhos naquela noite quieta e nebulosa e Jenny não parou para pensar no que acontecia. não havia nada em Lucas que a fizesse sentir-se segura. Era muito real. pois ele lhe fazia o mesmo. Jenny percebeu que aquilo estava deixando de ser uma brincadeira. ela nunca conhecera um em quem pudesse acreditar. Tudo o que precisava saber era que o desejava muito e. Certamente sabia. Próxima a.. muito mais do que podia imaginar. – Lucas. descendo os lábios até os ombros.. algo que ainda não conhecia. – Jenny.. Lucas levou sua mão ao peito dele e ela pôde sentir-lhe o coração batendo forte.. mas ele a desejava também. parecia incrível. – O que você me faz sentir. – Lucas cobria o rosto dela com beijos enquanto passava os dedos entre seus cabelos cacheados. Seu coração acelerava à medida que percebia o de Lucas acelerar ao toque de sua mão.com os sentidos de Jenny.. e exceto seu pai. ela pensou. sentir o ‘calor de seu beijo. – Jennifer. – Jenny começou. Era uma loucura estar em tão pouco tempo totalmente entregue aos braços de Lucas. imaginando como explicaria o que pensava.. Nem ela. quando se entregou às carícias daquele homem que parecia enfeitiçá-la. não sou de modo algum como aquele homem.. – Tem alguma idéia do que está me fazendo? Jenny concordou com um gesto de cabeça. ainda sabia muito pouco a respeito de Lucas para que pudesse agir 40 assim.

dando uma olhada no quarto. – Finalmente a encontrei! – Tessa entrou no quarto aparentando estar muito agitada. – Inesperada mente. – Depois. Jenny.” Quantas possibilidades havia naquela frase. mas intensamente. espreguiçando-se na . – Provavelmente está certa. a venda do carro. antes de pegar fia sono. Leve. cada palavra que ele lhe dissera.. Precisamos de tempo.calmamente. – Meu Deus. Estava pensando que tinha. junto de Lucas Lambert. ela. imaginando um futuro deslumbrante para si mesma. Havia deitado há poucas horas e ficara acordada durante algum tempo. o que está fazendo num cubículo desses?! – Economizando dinheiro. Depois afastou-se. cada beijo que compartilharam.. – Eu diria que já começaram. você me contou que as coisas estavam devagar. Já estou certo de que a desejo e esperarei o quanto for necessário para poder mostrar que minhas intenções são as melhores. querida Tessa.. – Ela interrompeu. lembrando-se dos planos de como vencer Ralph. e ela queria apenas uma. você está aí? – Tessa continuava a chamá-la... tentando fugir daquele som perturbador e da luz. Só um minuto. – Mesmo tendo se virado para arrumar a cama. bem como a suave batida na porta. mais rápido do que imagina. Acho que esse é um ano de grande economias para mim. – Os negócios estão tão ruins assim? Em sua última carta. – Não acredito! Dormindo até essa hora! Você sempre termina o café antes mesmo que eu consiga despertar. Jenny se virou e colocou o lençol sobre a cabeça. que parecia ler sua mente.. já deve estar claro!” Ela abriu os olhos e reparou os fortes raios de sol que entravam no quarto. “Minhas verdadeiras intenções. “A luz?! Meu Deus. Meio sonolenta. – Isto é real. Jenny construíra castelos de areia. ela completou com orgulho: – Mas as coisas vão mudar para melhor. – Sim. Com essa frase. Não está exagerando?! – No momento. Escapando dos braços dele.percebeu. – Jenny? Você está acordada? Taça.. Algo a incomodava.. enfim tudo sobre o acordo com Lucas.. Quando chegara ao quarto. Jenny.. continuou: – Você está se precipitando. tentando esconder seu embaraço diante das palavras de Lucas. ele a abraçou de novo e deu-lhe um longo beijo. segurando-a apenas pela mão. mas isso já é demais. Jenny . – Jenny vestiu um roupão antes de atender à porta. ficara tentando recuperar cada detalhe da mágica noite que tivera com Lucas..cama antes de levantar.. já bem tarde. não. Tempo para que se acostume com a idéia de estar comigo e tempo para provar que você pode confiar em mim.

. – Não pode estar falando sério. – Jenny. durante dois anos. os olhos brilhando de raiva. finalmente confirmou. – Afinal de contas. Tessa? – Jenny perguntou com um pressentimento de que o maravilhoso mundo que havia construído estava para ser desmoronado. Quero dizer.. mas percebi que não devia. – Mas por que ele não contaria? Como pôde?.. As pessoas estavam indignadas. Circuito do Grande Prêmio. É impossível! – Temo que sim – Tessa falava enquanto Jenny olhava.. E como você conseguiu passar uma noite inteira junto dele e não perceber?! – Perceber o quê? – Jenny perguntou. normalmente. – Como não?! Tinha quase certeza quando me apresentou a ele. através da janela.. completamente aflita com aquela conversa.. Pelo menos acho que conseguiu.. pois como explica o fato de não estarem presentes nas festividades de ontem à noite’?’ – Jantamos ‘fora. eu admito. teria sido embaraçoso. jantar. ontem à noite.. – Dessa vez o nome soava totalmente diferente. seu Lucas Lambert é ninguém mais do que Luc Lambert. O melhor piloto dos Estados Unidos e o segundo do mundo. quando todos estavam no salão de jantar. . deve ser divertido tomar vinho. não acha? – Se estivesse errada sobre o quê. acho que Wes. só faz companhia a condessas e princesas. Suponho que seja da pior espécie de playboy. a expressão bastante preocupada. Eu ia fazer algum comentário..:Está tentando me dizer alguma coisa sobre Lucas? – Por Deus. – Jenny virou-se para Tessa. Tessa? Não estou entendendo na da – Jenny a interrompeu um tanto confusa. – Apenas conversaram?! Agora que sei quem aquele homem maravilhoso realmente é. e conversamos por algum tempo. pronunciado com um sotaque francês que Tessa fez questão de dar. você não sabe?! – Tessa continuou num tom de seriedade.percebeu que a agitação de Tessa havia retomado.. – Não posso acreditar.. Mas.. – Foi ontem à noite. – Aquele mau-caráter! . o que Luc Lambert estaria fazendo aqui. Estava mesmo na hora de você se soltar um pouco. – Sobre o que está falando. numa simples exposição de carros antigos no Maine? Mas seu cunhado. Se estivesse errada... mas concordo com o que fez. Não conhece? Piloto de Fórmula 1. duvido que tenha acontecido apenas isso. e namorar. você conseguiu laçar o homem mais atraente e mais cobiçado que já apareceu numa exposição como essa.. em silêncio. com alguém que. Além disso.

enfim... – Meu Deus! Fui ingênua demais. começou sua ascendente carreira. mais atraente.. – Não. Lucas. E tinha sido louca por ter imaginado um futuro junto dele. como Tessa mencionara? Sem contar as inúmeras artistas de cinema e lindas mulheres divorciadas de homem riquíssimos. Mentiu para mim. coisas que não devia ter perdido. – O acidente! Ele me falou sobre isso. Luc ou qualquer outro nome que prefira ser chamado. Embora eu ainda não imagine por quê. Uma linda manhã: o sol. Talvez ele também não.. na costa do Maine... isso é mais ou menos verdade. ele tivera todas essas oportunidades e era muita pretensão imaginar que agora a escolheria. alegre.estampado em jornais e revistas e. – Jenny deu um passo e virou-se para a janela novamente. mas ela tinha deixado escapar isso. maduro. Talvez porque jamais esperaria que alguém como ele viesse a uma simples exposição de carros. Seu rosto estava sempre . tornando-se o maior e mais famoso piloto norte-americano que já existiu. Pessoalmente não acho corrida um negócio sério. – Bem. ele me pareceu.. Sabe o que ele me disse? Que apenas viajara pela Europa. Além disso. não Wes.. Este tinha um rosto jovial. Lucas. ao menos mencionou. Wes? É verdade. os pássaros. dava entrevistas à televisão. as pessoas conversando no jardim. O mundo inteiro o conhecia. Embora Jenny não costumasse acompanhar as corridas do Grande Prêmio ou os escândalos da alta sociedade européia. Olhou o dia que acabava de nascer.. Luc era o jovem americano que fora para a Europa e. base. – Jenny afastou-se da janela após ter tais . Pelo que Jenny já havia lido a seu respeito. – Ou omitiu a verdade. Como poderia haver um futuro com ela se o passado de Lucas fora repleto de condessas e princesas. Embora acredite que ainda estaria fazendo isso se não tivesse sofrido aquele acidente dois anos atrás... enquanto aquele era mais alto. usando a França como. o homem que conhecera no dia anterior não se parecia muito com aquele que costumava ver nas fotos apagadas dos jornais ou em breves noticiários de televisão. – Por quê?! Porque assim ele podia se divertir a minha custa. que era um jovem rebelde. era impossível que nunca tivesse ouvido falar de Luc Lambert.– Quem. Mas não me disse como. freqüentemente. Mas eram o mesmo homem. Não havia dúvidas..

. não poderia.. nunca sairia matando gente por aí – Tessa ironizou. ele não morreria. Lucas me deixou pensar que não sabia nada a respeito de carros. como uma imbecil!’ – Talvez fosse o que ele realmente queria que acreditasse! – Não! Estava rindo de mim quando me via engolir suas histórias. – Do tipo que logo enjoa. Lucas me seduziu e caí em seu jogo. Ficava rindo dele por não saber coisas tão insignificantes.. Além disso. Aposto que foi uma novidade para ele. querida! – Tessa começou com um sorriso. – Oh. Lucas lhe alimentara muitas esperanças.. – Quando Jenny lembrou de tudo em que ele a fizera acreditar. – O que há de errado se alguém como Luc Lambert deseja passar algum tempo com você? Se a acha atraente? – É isso! Pode alguém como ele ter tal opinião sobre mim? Sou apenas uma simples garota de uma cidadezinha no interior de Nova York. Havia algo dentro de Jenny que tinha sido destruído e ela queria esquecer tudo. Além do mais. sabendo que Jenny falava aquilo apenas por estar muito nervosa. mas. – Talvez ele gostasse disso. a raiva que Jenny sentia era tão forte que ela conseguiu afastar a dor e o sentimento de humilhação que a invadiram. – Estava apenas brincando comigo. aquela noite ela não suportaria recordar. ao menos posso considerá-lo como se estivesse morto. – A todo instante. “Isso é real”. Não. Se não morreu naquele acidente. – Não vejo por quê – Tessa arriscou cautelosamente. com Ralph: . completamente esquecido. – Jenny tinha a voz trêmula ao expressar seus pensamentos para Tessa.. não morrerá nunca mais. você é uma pessoa muito boa. Exatamente como fizera algum tempo atrás. todos os vestígios do que Lucas despertara nela. e eu acreditei nele. Todo o tempo. – Sei que não posso fazer isso.. era tudo mentira. quando é seu trabalho dirigir os mais sofisticados do mundo. uma grande farsa... – Eu poderia matá-lo!’ – Não.pensamentos. não como um ídolo ou algo semelhante.. Apenas ficou parado e permitiu que lhe explicasse tudo sobre meu carro. Bem diferente do tipo de mulher que ele considera atraente. teve ímpetos de gritar e chorar desesperadamente.. Mas disse que eu era e acreditei nisso. durante todo o dia e depois à noite. ser tratado como uma pessoa comum. Lucas lhe dissera quando sabia que não havia nada de verdadeiro nele. Como fui tola! – No entanto. Quero dizer.

tomando-a pelo braço e conduzindo-a em direção à saída. dirigindo-se aos presentes. O mesmo sorriso que ela achara devastador na noite anterior. Seria fácil retirar-se sem ser percebida. mas logo o organizador solicitou que todos sentassem e deu início à sessão. e. estava achando essa tarefa mais difícil do que esperava. – Mas devia – ele a contrariou com certa calma. com a mesma intensidade que a deixara abalada no dia anterior. tinha de evitar novos contatos com ele. uma vez que ele se achava cercado de pessoas novamente.Algumas horas depois. Devia esquecer aquilo tudo. Podia estar odiando o que lhe fizera. mas Lucas. ela começou sua explanação sobre a elevação de temperatura nos motores e seu efeito sobre a vela de ignição e bomba de óleo. Primeira oportunidade para ignorá-lo. – Nunca. Contudo. perturbada. E. Assim que entrou. antes que alcançasse a porta. Em seguida. por sua . para começar. cercado de admiradores. Quando todos estavam sentados. Mas. baixando a cabeça como se fosse ler alguma anotação no papel. grupo se dissolveu e Jenny se viu cara a cara com Lucas. – Estou impressionado! ---: ele exclamou. . Quase a ponto de fazer uma cena. ainda se sentia atraída por ele. – Acho isso difícil de acreditar. Lucas dirigiu o olhar para Jenny e deu-lhe um sorriso. teria esquecido tudo sobre temperatura de motores. tentando se desviar das pessoas. mas isso não mudava o fato de que o achava atraente e que. o. Em seguida. Luc acompanhava o assunto mais atentamente do que qualquer outra pessoa. que. evitando até mesmo olhar na direção de Lucas. se não tivesse feito um esforço enorme para manter a concentração. cumprimentando-a com um gesto de mão. Na verdade.. No mesmo instante. Jenny o observava disfarçadamente e o encontrava olhando para ela. quando Jenny chegou para proferir uma palestra. Era um assunto banal. ela continuou até que a sessão terminasse. pôde vê-lo. no fundo da sala. imaginei encontrar uma mulher como você.. A cada momento. Lucas já estava no salão de convenções da hospedaria. Jenny sabia que tirar Lucas de sua cabeça e considerá-lo morto era realmente a melhor saída. ela pensou. ela se levantou para sair da sala. Jenny não sabia como livrar-se de Lucas. – Verdade? – Jenny dirigiu a Lucas um olhar frio e desinteressado. Assim. nem mesmo em sonho. admitiu com relutância. Jenny ordenou a si mesma. ele levantou o braço.

– É seu agora. – Saberia que estou falando a verdade se não fosse tão insegura. Ela não devia nada a Lucas. Assim que pegaram a autoestrada. abriu a porta. – Não podemos conversar aqui. Jenny tentou imaginar por que estaria permitindo que ele lhe fizesse isso. Ainda segurando firme o braço de Jenny. Brincando comigo. – Ah. enquanto o observava girar a alavanca. discursou sobre aqueles incríveis dados técnicos. Acho que me deve um minuto para poder me explicar. no anonimato. Vamos! Vamos pegar seu carro.. – É verdade.. lembra-se? – ela comentou um tanto irônica enquanto Lucas pegava a alavanca de partida. Sabia .. estivesse levando. Que precisava recusar ir com ele para onde quer que a. Porém a tentação de dizer-lhe exatamente o que estava pensando era grande demais para resistir. – Não era brincadeira. não tinha como negar: era um homem muito determinado. Devia ter me contado. ao mesmo tempo. entrando no carro. Instintivamente. precisava ter contado.. Jenny.. – Quem você é. ela pegou a chave e acionou a ignição.. – Lucas parou quando chegaram ao gramado no qual os carros estavam estacionados.. – Ah! Então é isso que está acontecendo. – É um famoso piloto de Fórmula 1. Apenas. Provavelmente sabe muito mais a respeito disso do que eu jamais saberei.. a pegou com mais força pelo braço e. Jenny. de um modo adorável. parecia que em algum lugar do coração de Jenny havia uma esperança de que ele pudesse se explicar. Além disso.. Estou admirado! Ela sabia que não podia passar da porta. acho muito difícil que esteja interessado em temperaturas de carros antigos. virou-se para encará-la.vez. com a outra mão. claro! Se divertindo a minha custa. – Ou era apenas outra parte de seu jogo? – Já lhe disse. apesar da raiva que sentia. – Você está certa. pelo menos até me escutar. nada disso foi um jogo. E o carro não é meu até que você tenha o cheque nas mãos. Você simplesmente sentou e. É isso que acha que estou acostumado a fazer?! – O que você é – ela o corrigiu num tom agressivo. não se zangue. – Ele se interrompeu.. mas. – Vamos! – ele disse rapidamente.. – Então. por que não o fez? – Eu estava muito bem assim. puxando-a pelo braço novamente..

– Até posso entender isso. mas percebia que estava enfraquecendo. – Ele soltou suas mãos e abraçou-a pela cintura. – Rindo por dentro. na floresta – ele informou assim que pegaram a via expressa novamente. – Não estava. a estranha . Era óbvio que Lucas tinha tudo planejado com antecedência. tentando demonstrar algum tipo de resistência. naquele lugar tão romântico.. – Agora. Parecia que não se impor tava mais com qualquer desculpa que lhe desse. Era mágico não precisar imaginar se se sentia realmente atraída por mim ou pelas coisas que existem no mundo de uma pessoa famosa. – Porque não fazia diferença alguma.. tornando muito mais difícil para ela concentrar-se na injustiça que lhe fora feita. Jenny não podia imaginar um lugar mais perigoso do que aquela isolada clareira no topo da colina. Você me fez pensar que não sabia de nada. ao menos... Pode estar cansado de ser um famoso piloto de Fórmula 1. Com ele Jenny nunca se importara tanto. mas. não o que gostaria de ser.que devia parar o carro e ordenar-lhe que descesse.. ele tomou a chave de Jenny para que não pudesse ir embora e. Dessa vez estava sendo diferente de como fora com Ralph.. vamos voltar para o mesmo lugar em que estivemos ontem. explique-me por que não me contou a verdade. Descendo do carro para comprar algumas coisas para um piquenique. – ela tentou. tão louca por ele que já não conseguia mais exercer controle sobre seus próprios desejos. Não é o que sou real mente ou. Pediu que ela fosse em direção à cidade e parasse na avenida principal. Deixou que lhe explicasse aquelas coisas tão corriqueiras que deve saber muito mais do que eu. Bastava apenas que a beijasse e.. – Estava adorando ouvi-la. em pouco tempo. mas já era tarde demais para isso.’ – Tudo bem! Já tem o que queria – ela se apressou em dizer assim que chegaram. Bem. segurando as mãos de Jenny e trazendo-a para mais perto. Por que não me interrompeu? – Não consegui – ele confessou com um sorriso. – Eu sei! Mas será que não consegue entender? Era muito bom estar com alguém que não tivesse a mínima idéia de quem eu fosse. Lucas era único e Jenny estava tão atraída.. Havia um desejo estranho dentro dela que crescia com a idéia de ficar novamente a sós com Lucas. – Não foi honesto comigo. isto não faz com que esqueça as coisas que deve saber sobre carros. estava de volta trazendo duas sacolas. – Agora. Mas Lucas. – Não posso imaginar um lugar melhor para um piquenique. e tirá-lo de sua vida não tinha sido tão difícil.

e continua. . como por instinto sabia o que devia ser feito. – Ainda tem dúvidas de como me sinto? “Dúvidas.. Mas era isso mesmo que queria?. que a beijava com paixão. Jenny percebeu que Lucas sabia exatamente o que ela pensava.. Jenny pôs a mão na nuca de Lucas e puxou-o para mais perto. Era preferível que continuassem distantes. Ele vencera. sensível. De repente. enquanto o olhava pegar as sacolas que estavam no carro. – Ainda bem que não. e entregava-se completamente ao abraço de Lucas. É uma garota fascinante. pelo desejo de ficar nos braços de Lucas. Decididamente era a coisa mais certa a fazer. Você está muito além dessas. analisar e se prevenir do que deixar se levar pela emoção. Ela sabia que não devia tê-lo acompanhado.atraída por você. . você me enfeitiçou – ele sussurrou. Era realmente melhor parar. Era óbvio que tinha dúvidas. aproximando-se até seus corpos se tocarem.” Esta palavra parou na mente de Jenny. um tempo. No entanto. – Mentira! – ele falou com voz sensual.. – Você estava. Os lábios tocaram a pele de Jenny de uma forma alucinante. – . se é isso o que você quer! – Pelo modo como falou. – Isto não faz sentido algum! – ela tentou se opor.. acabando com suas defesas. e quando ele terminasse de arrumar a comida sobre a toalha na grama macia ela tomaria os cuidados necessários para manter essa distância. aquela estranha mistura de dúvida e desejo. tão atraída por mim quanto estou por você. – Não sou nada parecida com as mulheres com as quais costuma sair. Tudo era muito confuso.. Ela precisava de. – Tudo bem. não lhe dando razão alguma para que o considerasse melhor do que Ralph. beijando-o com grande ardor. não importava mais.que não podia ter se deixado envolver. – Não vamos lanchar? – ela perguntou rapidamente. ela se questionou. Era o que Jenny queria. apegando-se à primeira desculpa que lhe apareceu.falta de ar voltando novamente – . Jenny. incrível. Então. Jenny sentiu os lábios de Lucas tocarem os seus.Jennifer... mas seu próprio corpo a traía. Jennifer... Ele mentira ou havia omitido a verdade. que se soltou bruscamente dos braços de Lucas.. num súbito despertar da consciência.. Não sou elegante nem culta ou... Era o mesmo instinto que a fazia perceber a força daquele corpo másculo que a segurava.

– Mas está tudo acabado agora. finalmente. – Desculpe-me. fisicamente posso dizer que os médicos me remendaram muito bem. também.. O problema é que a imprensa sempre exagerou com relação não só a minha vida social mas em todos os outros aspectos. enquanto ele abria o vinho. mas. de comprar pratos. – Jenny se apressou. – Na avenida principal. – Sei disso! Aliás.. Costuma sempre ser cercada pelas pessoas quando sai com o carro?.. bem como uma garrafa de vinho branco. não passo meu tempo lendo coisas tão horríveis. saiu? – Jenny precisava tirar algum proveito daquele momento. mas eu não. a cento e cinqüenta por hora faz entrar um pouco de juízo na cabeça de uma pessoa. patês e frutas. Todos sabem. sobre o acidente.. não sou como todo mundo – ela disse num tom ríspido. a agitação. – Então.. salada. acho que passei grande parte do tempo que estivemos juntos . que não pode sair em público sem ser incomodada. saído dele. – Como assim. – Não passava todo o tempo com elas. – Oh. – Vamos ter uma festa?! Onde conseguiu achar tudo isso? Jenny comentou. – Sempre! A não ser quando não há ninguém por perto. talvez para não criar um clima constrangedor.. Toda minha carreira acabou: as corri das. – Mas você superou isso. Estou muito contente por ter. . para falar com franqueza.CAPÍTULO V Lucas havia trazido o suficiente para um banquete: frios.. não? Pelo menos parece que sim. Era uma espécie de “jogo publicitário”. no lado psicológico. Mas. não? – Eu era – ele concordou com um sorriso apagado. Você é uma dessas pessoas. como aqui. Não se esquecera. copos e talheres descartáveis. nesse aspecto parece que ir de encontro a uma parede. Talvez tenha ouvido. Bem. – As mulheres. achei que soubesse todos os detalhes. Além disso. enquanto estava no carro conversando com os curiosos.. Acho que deve ser como uma pessoa famosa. foi isso que aconteceu? Estava mesmo correndo a essa velocidade? – Não chegou a ler nada a respeito? Pensei que todo mundo tivesse lido. vagamente. ele ironizou todo o acidente. – O acidente – ele respondeu superficialmente. Agora que sabe quem sou. torradas. uma vez que ele mostrava estar sendo sincero.

então escolhi o muro. nada que me prendesse. hum! – ele murmurou. continua sendo tudo temporário. tive tempo suficiente para reavaliar toda minha vida. Algo que não recomendo a ninguém como um método eficiente de clarear as idéias.. – Mas e sobre você? – ele perguntou.tentando convencê-la de que um dos seus atrativos é justamente esse... Porém continuava sendo Luc. afirmando com um gesto de cabeça.. – Que tipo de escolhas? – Das mais difíceis possível. para quem a amizade. por exemplo.. Jenny sabia que o que ele contava era real.. continuo tendo uma vida muito solitária. enquanto Lucas concordava com um gesto de cabeça. A Fórmula 1. Então. está repleta delas. – Não! Nenhuma raiz. A pior que passei foi há dois anos. Dividido entre a possibilidade da morte de seu amigo e a sua. – Então. uma decisão que sacrificaria a si mesmo.. – E. o famoso piloto. de cidade em cidade. O amigo que tivera na noite anterior. estava Lucas Lambert. parecia que ele tinha mais motivos para viver do que eu. depois de meses em mui tos hospitais. Embora fosse óbvio que Lucas não tivera tempo para analisar a situação no momento do acidente. – Raízes temporárias. realmente fui contra uma parede àquela velocidade. enquanto dava uma mordida no lanche. por incrível que pareça. quando a escutara falar sobre Ralph e se oferecera para emprestar o dinheiro de que precisava.’ Aquele era o tipo de pessoa que Lucas mostrava a Jenny. Atrás de Luc Lambert. a sinceridade e a lealdade eram invioláveis. sem chance alguma de construir algo sólido. considerando essa situação. por que não serem apenas amigos?. – Hum. – Tinha raízes – ela comentou. Lucas retomou o assunto: – Como ia dizendo. Jenny pensou. É que. Lucas tomara. tão inesperadamente que Jenny chegou a se . No entanto. quando tive de escolher entre bater no carro de outro piloto ou me jogar conta um muro de concreto. Após preparar um sanduíche e beber um pouco do vinho. decidiu que iria parar de correr. Além disso. sem tempo para ter um lar.. Esse meu amigo era casado e tinha um filha. A única coisa boa nesse tipo de vida é quando chego numa cidade como esta e consigo encontrar tudo o que sempre quis. – Mas. E aí está o problema: chega uma hora na vida de um h6mem que ele fica velho demais para continuar agindo como um cigano. instintivamente... não estou gostando mais de uma vida tão cheia de escolhas. Estive viajando quase um ano inteiro.

no mesmo .. e romântico. Senti isso na primeira vez em que a vi. Era... realmente. – Por que não? – Porque isso é uma bobagem para alguém como você. mordia a maçã e apoiava o peso do corpo sobre o braço. – Sim. – O que a fez escolher a profissão de mecânica? – ele continuou. que conhece o mundo inteiro. O que a fez entrar nesse negócio? Foi apenas para agradar seu pai? – Não. meu pai os restaurava e se tornavam novos outra vez. – Como ontem. Passava a maior parte do tempo na oficina com meu pai. quando me trouxe aqui. lembro-me de um com unia colméia de abelha no assento traseiro... a pele. de nada me adianta conhecer o mundo inteiro se quero apenas você. Por alguns instantes. Você disse que era um mundo diferente. embora isso o agradasse de alguma forma. – E sua mãe? – Não aprovava. – Jenny.assustar. quando ficassem prontos. Sempre tive paixão por carros.. Assim. Luc. – Obrigado por me dizer isso – ele ironizou.. tinha se esquecido completamente da farsa que ele lhe impingira. ela precisava apenas se controlar e não ficar presa à magia dos movimentos daquele homem: o modo com sorria. sabia que não poderiam ser apenas amigos. Alguns chegavam num estado terrível.. Ele sabia. Parecia que podia ver o que ela pensava.. Então. – De repente. – Jenny sabia que não deveria dizer que preferia tê-lo como amigo a ser apenas um romance de final de semana. – Mas não deveria ter dito. – Sobre mim? Como assim? – Ela ficou embaraçada quando percebeu o jeito com Lucas a olhava.. queria mais do que isso e não a deixaria fugir tão facilmente. restaurar carros antigos é considerado um serviço para homens.. Jenny lembrou-se da dualidade sobre Lucas. fazendo com que os músculos se tornassem ainda mais visíveis. após pegar uma maçã da cesta de frutas. Eu olhava para os carros velhos que chegavam na oficina e imaginava o que teriam sido e se poderiam voltar a ser. Mas não havia nada que pudesse fazer para me impedir. – Não está fazendo o que normalmente se espera de uma garota tão bonita. . o que queria fazer.. – Ela notou a mão de Lucas sobre seu ombro. Não a você. eu disse. Olhe para mim. Isso podia me levar a um mundo do passado que eu adorava.. Você é especial. Você sabe. – Jenny sentiu-se aliviada por Lucas ter entrado num assunto não comprometedor.

ninguém – ela assegurou. ele se inclinou e a fez deitar sobre a macia camada de folhas que cobriam o chão. não! – ela sussurrou enquanto punha as mãos sobre o peito de Lucas para afastá-lo. acho que não posso – ela admitiu. Precisava satisfazer aquele desejo incontrolável que Lucas havia criado. pelo modo com a olhava e sorria. continuou: – Mas nós. impedindo-a de se controlar. . Jenny. ela notou. – Jenny. – Não. Ela queria isso também.. quando Lucas chegou mais perto e murmurou seu nome. ela percebeu que também queria isso e sentiu-se fraca de. por favor. – Não! Única! – Lucas lhe deu um beijo e acariciou-lhe os ombros. – Ah. – Ninguém sabia disso melhor do que ela. meu amor. Talvez não significasse nada para ele. desejo. A partir desse instante. Apesar das dúvidas. – Lucas. . mas se Jenny se entregasse tão precipitadamente poderia sair muito machucada. De repente...meu amor! – Os lábios de Lucas lhe tocavam a pele com suaves beijos.. traída pelo próprio desejo. tomando consciência do que acabara de dizer. Mas essa atração entre os dois era loucura.. – Na verdade... Por favor. Costuma aparecer alguém por aqui? – Não.. quero fazer amor com você. – Estranha – ela completou com insegurança. Queria sentir o peso daquele corpo sobre o dela. Um grande erro. Fez questão de lembrar-se bem disso. pois com isso pôde sentir o calor e a força dos músculos daquele corpo tão másculo. – Jenny. completamente atraída pela magia do momento. algo selvagem que vinha à tona. Depois. Alguma coisa nova estava acontecendo. eu não sou. – Não. Jenny.. convidou-me para um passeio e foi algo incrível para mim. Lucas.. – ela falou num suspiro. aproximando-o mais ainda.. – Está completamente enganada. Uma dor maior do que a que Ralph lhe causara. tornando-se sensível ao toque. sabia que era. Colocou os braços ao redor do pescoço dele. tornando se ainda mais próximo e intensificando as carícias.. Jennifer.instante. continuando: – Você é tão frágil.. Eu a vi trabalhar com ta manha graça e orgulho cada vez que tocava no carro. – Jennifer.. – Nada de “mas”. não me faça parar agora – ele suplicou. Depois.. embora não houvesse nada que negasse o que Lucas dizia.. tão delicada que sinto vontade de tocar cada pedaço.

e precisava de mais. Assim. – Que raiva! – ele exclamou bruscamente. Acariciando-a freneticamente.. que sentiu um calafrio percorrer todo o corpo... que haviam saído apenas para um passeio no bosque. lá na hospedaria.. – Ela não acreditaria – ela continuou a brincadeira.. nunca vi antes. Estava pronta para se entregar completamente e entrar naquele mundo impressionante que ele criara. Jenny e Lucas foram submetidos a um interrogatório sobre o carro. – Temos sorte. A responsabilidade é toda sua – Jenny o lembrou. sabia? Se não tivessem aparecido.. continuaram o caminho.Você está toda despenteada. seus dedos per correram os cabelos de Lucas. e o comentário de Lucas apenas . Jenny sabia muito bem o que teria acontecido.Ela deveria detê-lo. Lucas tocou-lhe os seios. tentando contornar aquela situação tão embaraçosa.. um desejo incontrolável. ou viu. – Acho que nem eu mesma. misturada ao som ofegante da respiração dele. – É uma antiguidade. Gil – uma voz mais adulta respondeu. enquanto se levantava. – Apenas mais um pouco e. sentindo se constrangida. veja aquele carro! É engraçado! – Eles ouviram a voz de uma criança. Mas logo terminaram e os dois. Era uma sensação incrível: as mãos e os lábios de Lucas tocando-lhe a pele. ela tentava interromper aquele jogo alucinante que Lucas fazia. E então. – Mas ninguém vem. a expressão séria. . Assim que pai e filho os acharam. – Papai. recompondo-se rapidamente. – E você disse que ninguém vinha aqui. muito forte para resistir. Instintivamente. – Talvez seja da exposição. a risada de uma criança. um tanto distante. sabia que deveria. Vamos ver se achamos o dono para perguntarmos sobre ele. bem próxima de onde estavam. Ela sentia um calor enorme. ele levou as mãos até a cintura de Jenny. mas como? O toque de Lucas era mágico.. Percebe o que percebemos? – Lucas comentou assim que eles foram embora. – Ele sorriu. Ao menos. – Tem alguém próximo – ela observou baixinho. Sua mãe jamais aprovaria. Não toque. Sentiu que todas suas barreiras estavam quebradas quando.. retirando algumas folhas secas dos cabelos de Jenny. louca de desejo. inesperadamente.. – Você é o dono agora.

– Isso nunca mais deve acontecer novamente – ela disse num tom ríspido. – Melhor agora? Acredita em mim? – ele inquiriu num tom baixo. Wes era até uma pessoa simpática: um homem de . Jennifer Howe. por favor. pois não podia ter mentido. Bem. mas. Eles ficaram completamente fora de controle. Devia ter parado.. não quis dizer isso. não com a entonação que dera ao ‘pronunciar aquela frase. Terá de conhecer Carole e Wes e.. Lucas devia ter passado centenas de vezes por essa experiência. nunca tinha sentido tal desejo... conhecer minha família faz parte das premissas de um namoro.. Jenny. – Ele parecia escolher as palavras para que Jenny não o entendesse mal. vamos voltar e nos preparar para o jantar de hoje à noite. estou com um certo receio.. ele não. Mas. Provavelmente. Acredite ou não. não.. Ela deveria acreditar no que Lucas falava. com responsabilidade. Aconteceu muito cedo e de modo inesperado. O que aconteceu entre nós foi muito mais. lembrar-se de como Lucas era esperto e conseguia destruir todas as suas defesas.. apesar disso. afinal de contas Lucas parecia já fazer parte de seu mundo. não é? — É claro! Talvez por causa do cuidado que Lucas tivera ao falar a respeito de Carole e Wes. mas agem exatamente como as pessoas com as quais estou querendo deixar de conviver. Uma espécie de namoro à moda antiga. Mas.serviu para deixá-la ruborizada. ela soube o que Lucas quis dizer com aquilo. Tinha de confiar nele. Mas não adiantava ficar pensando. quero muito mais do que apenas rolar na relva com você. sabia exatamente o que estava fazendo.. Lucas lhe deu um beijo na testa. tinha de encarar os fatos. Ou melhor.. – Sim. então o que havia acontecido entre eles não era tão ruim assim. desejo algo mais profundo.. não fale assim! – Desculpe.. – Pelo menos não assim – ele concordou com um sorriso. Afinal de contas. – Ótimo! Então. – Não há jeito de evitá-los. – Oh.. Essa frase mudava as coisas para Jenny: se o que ele realmente queria era um namoro sério e não uma simples diversão. Não são ruins. assim que os conheceu. mesmo assim. “ela” estivera fora de controle. Jenny não sabia muito bem o que esperar deles. – Eu não tinha a intenção. sentindo que Jenny estava menos tensa..

que formavam acessórios perfeitos para o tipo de roupa que usava. esta é a garota que está tomando todo seu tempo? – Carole perguntou a Lucas com uma risada que soou completamente falsa para Jenny. Jenny percebeu que aquelas pessoas eram muito ricas. – Nunca imaginei conhecer uma mulher que entendesse tanto sobre carros – Carole observou sorrindo. mas gostava do tom de rosa pastel que combinava com seus cabelos negros. mas Wes não deu atenção. – Mas não deveria – Carole entrou na conversa novamente. ter somente um . – Então. – Não entendo nada sobre eles e acho que não conseguiria lidar com um sem ficar completamente suja. Carole se virou para seu marido. Tinha a pele do rosto bem tratada e um penteado bastante moderno que a deixava com aparência mais jovem. Ela estava sentada na mesma mesa com pessoas da alta sociedade r de certa forma. – Acho muito bom que ele tenha conhecido alguém como você. – Seria melhor e mais seguro que desistisse mesmo. que era estudada de cima a baixo pelos olhos perscrutadores de Carole. contrariando seu marido. fizera com que se sentisse simples e inferior. na tentativa de manter a conversa num nível amigável. Trajava um vestido de seda em cores fortes. para quebrar o clima desagradável. Carole. Antes de sair do quarto. Prinçipalmente agora. – É para isso que foi inventado o sabão – Lucas falou num tom hostil e incisivo. estava impecável. deixando bem claro que considerava Jenny mais esquisita do que inteligente. – Estava mesmo precisando de algo para ocupar seu tempo até que pare de ter essas idéias. todo o conjunto era um exemplo de bom gosto e elegância. – Já desisti – Lucas interveio. com o olhar de superioridade. não gostava disso. pois estava num momento muito confuso. bem como uma mini jaqueta do mesmo tecido... ao contrário. pensando até em desistir de sua carreira de piloto. No entanto.. Carole já era bem diferente.negócios de meia-idade e com modos tão solícitos que Jenny chegou. Usava jóias de jade e brilhantes. . Porém Carole.. pois se sentia um tanto deslocada. Enfim. Com isso. Jenny achara que estava bem arrumada. Era verdade que seu vestido não era muito sofisticado. – Lucas sempre foi louco por carros – Wes começou. Além disso. a ficar à vontade em sua companhia.

– Claro! Tenho observado aquela beleza muito mais do que Luc tem olhado para você. durante todo o final de semana. parece a coisa ideal. Não estamos decididos sobre que carro comprar – Wes a interrompeu falando por Lucas. estaria dando a Ralph a oportunidade de tirar mais proveito da desgraça que ele próprio provocara.hobby. Por certo ele a odiaria. estava escrito em seu rosto que não. Wes pareceu gostar da própria afirmação. Desse modo. surpresa. Jenny foi percebendo que não podia encontrar nada nos dois que a agradasse. – Oh. . é realmente um carro interessante! – Wes exclamou. teria sido insuportável e aumentaria ainda mais a injustiça que lhe fora cometida. Assim. havia o charme e a magia daquele homem tão atraente e. por que não compra aquele?. Que a achava encantadora e provocante.. – Já o conhece? – Jenny perguntou. Jenny delirou com a idéia de passar o resto de sua vida ao lado de um homem tão incrível e maravilhoso.. – Bem. Concordou em comprar meu Franklin – Jenny anunciou. como carros antigos. Ela estivera tão presa a Lucas. estava para acontecer o toque final que completaria aquela noite tão magnífica. enfim. com certeza. havia uma perfeita harmonia entre eles. Era um homem que não conseguia esconder o que pensava. E tudo graças a Lucas. Embora isso a aborrecesse. Provavelmente. o que a deixou mais transtornada foi vislumbrar Ralph sentado apenas duas mesas adiante. Isso. Afinal. Lucas. que desejava um namoro à moda antiga e isso só poderia levar a uma coisa: ao casamento. No entanto. Lucas a livrou de toda essa humilhação. não está nada definido ainda. O que teria sido suficiente. tirando aquele pequeno desentendimento pelo qual passaram. Além disso. . Jenny imaginou sentindo um certo orgulho. ele já suspeitava de que Jenny estivesse ali tratando da venda do carro. comprando o carro. enquanto Carole já era mais sutil. Era maravilhoso para Jenny saber que não precisaria engolir seu orgulho e dar a Ralph o prazer de ser o intermediário do negócio.. mas isso soou um tanto falso para Jenny. passara dois anos planejando sua queda e agora via que ela revertera a situação com muita classe. Sem que Jenny percebesse. havia muito mais em Lucas. pois. Jenny relembrou que ele lhe dissera que gostava dela exatamente como era. – Acredito que Lucas já tomou sua própria decisão. Ele jamais oÍÍ1aria para uma mulher tão simples como ela. tentando participar da conversa..

mostrava não estar gostando muito daquilo.. houvera um tempo no qual um prêmio assim significaria muito para ela. ela teve de parar e dirigir-se ao estranho: – Por favor. nem mesmo tinha dado atenção para o concurso esse ano. Assim. Mas agora o resultado é oficial. gostaria de chamar a atenção de todos para o quanto a escolha foi difícil. Ele ainda é seu. ela se levantou.que esquecera. respondendo rapidamente às pessoas que chegavam até ela. – Afinal. o que todos estão esperando ansiosamente: o prêmio de Melhor Carro do Ano.. Contudo. as pessoas a paravam no caminho. ao menos até que tenha o cheque nas mãos. o concurso dos carros. Jenny. Num súbito ataque de pânico. – Lucas! – Jenny o chamou em voz baixa antes que o alcançasse. Então. levante-se e venha receber o troféu. Teria acontecido. No entanto. Quando ouviu seu nome. Não sabia muito bem como reagir. sentando-se logo em seguida. filha de nosso querido Sam. uma noite tão grandiosa e tão perfeita como aquela? Após receber o troféu. não acha que você deveria ir? – ela o inquiriu sob o som dos aplausos. A maioria dos carros era tão rara e estava em tão perfeitas condições que foi muito complicado para os juízes entrarem num acordo. em toda sua vida. quando chegou à mesa. estava um tanto dispersa quanto o apresentador anunciou o último ganhador da noite: – E agora. para dar as habituais congratulações. ao ser interrompida por outra pessoa que veio parabenizá-la. Nunca ganhara um prêmio como esse. o vencedor do prêmio de Melhor Carro do Ano é o Franklin 1904 de Jennifer Howe. – Nem pense nisso. Na verdade. Jenny sentiu como se todo o sangue tivesse saído do corpo. Porém essa época já tinha sido superada: o que era um prêmio de melhor do ano. Jenny tentou imaginar para onde Lucas teria ido. viu que estava vazia. Antes. completamente. desejando apenas estar ao lado de Lucas novamente. Toda sua insegurança e dúvidas voltaram imediatamente. mas logo o avistou num canto do salão. Jenny imaginou como Carole teria odiado aquilo. reunindo suas forças. conversando com alguém que não dava para reconhecer àquela distância. Jenny. Vá e receba seu troféu – Lucas ordenou. ela disse algumas palavras de agradeci mento e dirigiu-se para a mesa. não poderia falar outra hora? Estou com um pouco de pressa – ela . você é o dono agora. – Lucas. quando tinha Lucas somente para si? No entanto. dando-lhe um beijo na face. Mas Jenny.

conseguiu o carro. – Já tem o que queria. tenho. num tom que Jenny nunca tinha ouvido antes. não quero escutar mais nada que vem de você! – Vamos. Vamos sair daqui.inventou uma desculpa para não ser indelicada. era realimente Ralf quem estava conversando com Lucas e dizendo coisas que Jenny nunca desejaria ter ouvido. – Não. Ela se virou e seguiu em direção à saída do salão. continuar seu jogo. Lucas. terá sua comissão. mas pode ter certeza de que não deixarei de levá-la em conta agora. bem como perdeu o carro. por isso não pense que agora vou ficar de fora. Apenas fique longe de mim. agora você vai me escutar. Lucas. – Se queriam discutir a respeito dos negócios sujos de vocês. A voz ameaçadora como a de Ralph. não é? — Já é tarde demais para isso! – Jenny anunciou. – Ele a segurou com mais força. está certo? – Pode ter certeza de que sim – Ralph concordou num tom irônico. Mas não graças a você. Eu fiz todo o serviço sujo para que o carro fosse posto à venda. era melhor que tivessem esperado até que eu não estivesse por perto. Eu devia ter acreditado em minha intuição desde a primeira vez. – . – O que está dizendo?! – Não havia dúvidas. – Se ela descobrir o que fizemos. Acaba de perder a chance de. não sou. Porter. Ele. tentando forçá-la a ouvi-lo. Jenny eu estou mandando. tomando coragem para interromper e encará-los. – Sim. poderá continuar com esse namorico.não está mais à venda. seguindo para onde Lucas estava. Estava quase chegando ao corredor quando ouviu a voz de Lucas atrás de si: – Jenny.. – Eu diria que foi tudo graças a mim. estamos chamando a . Foi um trato que fizemos juntos. certamente essa brincadeira vai acabar. Ela sentiu a mão dele firme em seu braço. Se conseguir deixá-la fora disso. mas jamais teria conseguido sem a minha ajuda. – Era Lucas quem falava. esbarrando nas pessoas que estavam no caminho. atravessou a recepção e dirigiu-se para o quarto. espere! Deixe-me explicar. – Não. Explicar o quê? Acha que sou tão tola a ponto de cair em suas mentiras duas vezes num único dia? Não. não? – ela ouviu alguém perguntar. Depois. não para você – Jenny finalizou num acesso de raiva.. – Não se preocupe.

o tom de ameaça estava implícito em sua voz.. Durante todo o tempo estava tramando com Ralph. Daquela vez seria diferente. CAPÍTULO VI – Briga de namorados! – Jenny explodiu. – Jenny. . As coisas estão erradas por causa de um simples desentendimento. comentou: – Não se preocupem. Como pode falar uma coisa dessas?! Pensa que assim vai conseguir fazer com que as coisas voltem a ser como eram? Saiba que não há jeito algum de consertar isso. – . Embora a raiva de Jenny fosse muito grande. você me conhece o suficiente para. – É muita ousadia de sua parte chamar isso de um simples desentendimento. – Não me faça rir... devia acompanhá-lo. Há poucos minutos acreditara que existia algo. – Não vou! – ela insistiu. – Oh.. mentiu para mim. mas ser carregada como uma criança desobediente era humilhante demais. não falou mais nada até que chegassem num canto distante do jardim.atenção das pessoas. – Isso não adiantará nada – ela observou.se deixara levar pela conversa de Lucas uma vez e não aconteceria mais.. nem que tenha de carregá-la no colo – ele disse calmamente. – Não. Ficar ali esbravejando e discutindo alto com Lucas era uma coisa. – Jenny. apenas conseguiu me enganar. – Veremos! – ele apostou. Definitivamente nada! – Ela tinha a voz trêmula de tanta raiva. mostrando sua hostilidade. muito nervosa para se importar com as pessoas que começavam a formar um círculo ao redor deles. desviando-se das pessoas. você precisa me ouvir. bastou um instante. – Não vou a lugar nenhum com você. não conheço. e o que aconteceu conosco é muito importante para deixarmos acabar assim.. – Não há mais nada entre nós. ela decidiu enquanto o seguia. Jenny não tinha escolha.. estamos tendo apenas uma pequena briga de namorados. Conduzindo-a para longe da hospedaria. ela sabia que havia limites no tipo de cena que estava preparada para fazer. mas já está na hora de pôr as coisas em seu devido lugar. sorrindo para as pessoas que olhavam. era parceiro dele.. e tudo estava acabado. Depois. No entanto.. um mundo inteiro somente de felicidades. – Talvez não haja. Ela . Mas absoluta mente nada que ele viesse a dizer a faria mudar de opinião. mas você ao menos tem de me escutar Lucas disse num tom ríspido... sim! Você vai.. porém.

você acha que não existe uma mulher que possa resistir a seu . Não sabia de nada que. É uma péssima maneira de fazer negócios. Jenny. que falaria com ela e. – Quer me dizer que não ouvi direito. – Jenny.charme. O problema foi que nunca me falou exatamente que carro era: ano. que certamente essa pessoa viria à exposição. antes que você me oferecesse o carro.. Ralph me disse que sabia de alguém que tinha um Franklin para vender. afinal de contas. – Ela estava tão possessa que nem mesmo aquela frase poderia amolecer-lhe o coração. Jenny! Estou tentando dizer que se Ralph tivesse mencionado que era . nada. – Vai pagar uma comissão a Ralph. – Juro. me informaria.. Bastava apenas que fizesse um pouco de pressão e o carro estaria à venda. você não precisaria da ajuda dele – Jenny o interrompeu. insensível a qualquer coisa que ele lhe dissesse. depois. Assim. – Provavelmente. completando a frase de Lucas.das condições. não estava fazendo nada e uma antiguidade era uma maneira de continuar trabalhando com carros sem sofrer as pressões que costumava ter como piloto. A idéia me agradou.. ainda. e não adianta negar porque eu mesma ouvi. – . modelo. não é? – Por favor. tornando-se mais calma a cada minuto que passava.. Se tivesse. Ou será que é assim que consegue realizar seus negócios? Por acaso foi assim que chegou a ser piloto do Grande Prêmio? – Jenny estava tão descontrolada que não conseguia sequer ordenar os pensamentos. pediram a Ralph que me ajudasse a comprar um. – Realmente não tenho o mínimo interesse nessa história – ela observou friamente. que junto com Carole decidiu que eu deveria ter um hobby.dito que era uma mulher. Lucas... Disse. então? Talvez achasse que o único meio de garantir que teria o carro seria fazendo amor comigo. Realmente uma estupidez! – Ralph tem feito alguns trabalhos para Wes. Vocês dois não precisavam chegar a tal extremo. Lucas. A pessoa estava com problemas financeiros e precisava levantar um dinheiro. Estava fria. quando ele não tem nada a ver com nosso acordo..– Não era parceiro. claro! – ela concordou ironicamente. – Mas quero explicar mesmo assim. Não me diga isso. – Oh. Nem sequer contou que era uma mulher. eu te amo! – Não..Ralph fez ou continua fazendo. Nem mesmo o nome do dono.

Além disso. – Naquele momento. Além do mais. o que ele lhe fizera. não a relacionei com Ralph. Primeiro Ralph. ‘ – Até que eu estivesse completamente em suas mãos. .. – . Ele é o tipo de pessoa em que não confio muito. Mas aquela noite era muito cedo. antes que eu lhe contasse. não foi? – Não. Não espera que eu acredite que você não sabia de nada sobre a conversa que tive com Ralph.. – Parece que estava certa em tê-las. – Sim. – E mesmo assim não me falou nada! – Mas como poderia ter contado? Você estava tão nervosa e machucada com. – Apenas esperava que todas as minhas dúvidas acabassem com essa oferta do empréstimo. não é? – Não. – Mas é verdade. e. agora você nunca vai descobrir.achei que deveria esperar até que nos conhecêssemos melhor. porque foi logo depois que ele me contou as coisas sórdidas que me fizera. Era só o que tinha a fazer.. mas ela ameaçava sair. eu realmente quis fazer isso – Lucas insistia. era demais. quanto ao carro. e já é tarde para isso. – E mesmo assim pagará uma comissão a ele?! – Ouça. então. depois Lucas. muito menos que era seu carro que Ralph queria me vender.. A única coisa que sabia é que preferia comprar um carro através de você a ter de negociar com Ralph. teria percebido que era você assim que nos conhecemos. Mesmo quando saímos para jantar e você me ofereceu o carro.. – Nunca quis me divertir com você e. Era o único modo de garantir a compra do carro e ainda ter um pouco de diversão para o fim de semana. você nem sequer me conhecia direito e. e acho que não é pedir muito. Pelo menos não até que você me contou tudo. nem mesmo queria comprálo antes que me dissesse que necessitava de dinheiro.uma mulher.. ela voltou a se descontrolar.. só depois que saímos para aquele passeio é que Ralph me procurou novamente. levando em consideração suas dúvidas e receios. Jenny! Não tinha a mínima idéia de que você o conhecia.. Pensava apenas na grande injustiça que aqueles dois homens lhe fizeram. ainda sugeri emprestar-lhe o dinheiro. – Você devia ter me contado a verdade. Jenny. – Será que teria me escutado? Ou reagiria exatamente como está fazendo agora? – Bem. comecei a relacionar as coisas. quando me ofereceu.

– Suma de perto de mim. Não havia nada que a prendesse ali. Jenny. Sem pensar. Lucas. – Foi você que achou loucura o empréstimo. – A oferta continua de pé. ela percebeu assim que entrou e viu os olhares curiosos dos presentes. sabia que estava terrivelmente machucada e decepcionada. Jenny continuou a chorar. Jenny não se explicaria. levantou o troféu que ainda mantinha na mão e o atirou na direção de Lucas. e ela foi se acalmando. até que seu choro se transformou num leve soluçar. embora tentasse se convencer de que era apenas nervosismo.. é que saia de minha vida. nenhum interesse a mais. Nunca imaginara que tomaria uma atitude tão agressiva. – Tudo bem! Mas não dessa maneira. – E ainda estaria tentando? Não. Jenny!. – O que quero. Já era bastante tarde quanto conseguiu pensar mais claramente sobre os fatos ocorridos. Começou a planejar ir embora da exposição naquele mesmo instante. saiu correndo para a hospedaria antes mesmo de ver que o troféu não chegara a atingi-lo. Não deixe que um mal entendido estrague nosso relacionamento. Com um gesto repentino. . por maior que fosse a curiosidade deles. Se esperasse até o amanhecer.atirando o rosto contra o travesseiro para abafar o choro... não eu. Tudo o que queria era trancar-se no quarto.. No entanto. A única coisa da qual teve certeza era que estava odiando Lucas Lambert a ponto de nunca mais querer vê-lo.. que não aceitei uma oferta tão generosa! – ela ironizou.cansada daquela discussão. Assim que fechou a porta atrás de si.. Jenny começou a fazer as malas. Tentei. Lucas Lambert! – Jenny explodiu. Azar o meu. Ao menos Ralph nunca usara de um artifício tão desonesto como conquistá-la senti mentalmente. As pessoas que ainda se encontravam na recepção provavelmente pensaram que era uma louca. A voz continuava trêmula apesar de todos os esforços que fazia para se controlar. Talvez achassem estranho que voltasse sozinha depois do que Lucas dissera.. não estaria. Qualquer coisa que quiser. Imaginava o quanto teria sido bom se Lucas tivesse agido com sinceridade e não como uma pessoa tão sem princípios. O empréstimo ainda é seu. ela concluiu. caiu num choro sentido. nada de venda do carro. Ele fora mil vezes pior do que Ralph. Já pagara a . onde o mundo e principalmente Lucas não poderiam importuná-la. obviamente. Lucas começaria tudo outra vez. Mas. estaria sujeita a encontrá-lo e.

– Ele tomou as malas das mãos de Jenny. – Nós?! Não vamos a lugar nenhum juntos. – Não estou tirando o carro de você. nós temos uma longa viagem pela frente. em seguida. mostrando que em pouco tempo a luz do sol chegaria. – Por acaso o roubou? – É claro que não! Apenas pedi que o motorista de Wes o levasse para casa.. não vou mais vendê-lo a você – ela esbravejou com toda a raiva que imaginara ter posto para fora chorando durante a noite inteira.: Não tinha o direito. ela ordenou a si mesma. Porém. – Então. – Não pode fazer isso. sabe muito bem que não tenho uma. Lucas a tomou pela cintura e a conduziu pelo gramado. também. – Ela se agarrou às malas. – Bem. recusou-se a recordar qualquer outra coisa que Lucas tivesse dito. Jenny. isso veremos mais tarde. não só posso como farei! O caminhão não está mais aqui e. seguindo para o lugar no qual deixara o carro no dia anterior. Mas acho que ainda não chegou o momento. Quando disse que o estava levando para casa. pensando em correr para o caminhão. Devolva minhas coisas. ela sabia que não podia ser outra pessoa senão Lucas.. A lembrança veio espontaneamente e. antes disso. – Achei que pensaria em algo parecido. – Planejando ir embora sem se despedir?! – Onde está meu carro? – ela o inquiriu. realmente o roubou. falei que o acordo estava quebrado. indignada.. mesmo que . parecendo fantasmas de um tempo passado. – Ela relutava tentando escapar dos braços de Lucas. imaginando onde poderia estar. ela percebeu que ficara muito tempo chorando no quarto. – Pobre garotinho rico! Tentando me deixar sensibilizada?! – Tentaria se soubesse que fosse ajudar. Embora um tanto assustada.hospedagem quando se registrara. Esqueça-o!”.. quis dizer a sua.. – Ah. um vulto se destacou na escuridão. Notou. poderia partir assim que o carro estivesse no rebocador e teria viajado a maior parte do percurso antes mesmo de o sol nascer. Quis se convencer de que apenas procurava na fila errada e olhou para os lados na tentativa de avistá-lo.Vamos. Talvez no fim da próxima fila. O céu já apresentava algumas partes mais claras. Quando saiu. no mesmo instante. – Uma voz veio das árvores e. ignorando a pergunta. Não podia estar longe. Um lugar fora do tempo. Porém o carro não estava lá e ela parou. os carros estacionados no gramado. não dessa vez. simplesmente me obrigar. “Está acabado.

– Não imagino o que pretende com tudo isso. – Pegarei um ônibus. Jenny. Aquilo não estava certo. pegou Jenny pelos ombros e fez com que ela o encarasse. mesmo que ele não a encontrasse no bosque. não lhe deixando nenhuma alternativa de fuga. Correr para a floresta e ficar escondida até o dia clarear seria uma saída. – Não tem outra escolha. depois. – Vou fugir. – Não a censuro por isso. A voz fraca mostrava que já não tinha mais forças nem para expressar a raiva que sentia.. poderia ficar esperando que ela voltasse. mas por Lucas. Sem dúvida. Talvez nem tanto por Ralph. – Entre! – Lucas ordenou assim que colocou as malas dentro do carro. O resto nós veremos no que vai dar. após alguns instantes. rosto. você está em minhas mãos. ele jogou as malas no chão e. No entanto. – Tudo o que pretendo no momento é levá-la para casa. mas o que quer que seja. Lucas já devia ter tudo planejado antes. sem a mínima delicadeza. Jenny sabia que se não entrasse ele cuidaria para que fizesse isso. – Não tem dinheiro. e sentir seu toque era algo que ela não suportaria. enquanto fechava os olhos para impedir que as lágrimas rolassem por seu. ela pensou.. Lucas a pegaria nos braços. Depois. Logo que os dois se acomodaram no carro. evitando encará-lo e. Aposto que não dormiu a noite toda. Jenny começou a imaginar o que poderia fazer para se livrar de Lucas. – Jenny! Vamos tomar um café. saiba que não adiantará nada. Além disso. Não tem como me obrigar a ir com você. Tinha de se conformar com a situação. . Não depois do modo como Ralph nos magoou... Eu te odeio! – Estava completamente esgotada.. voltaria à hospedaria e conseguiria algum dinheiro para pegar um ônibus. comentou: Jamais o perdoarei por isso. você não tem condições de dirigir. goste ou não disso. pois vindo dele aquilo já era de esperar. Ele e Ralph a tinham magoado. No entanto. Jenny virou o rosto para a janela lateral. até mesmo chegara a pensar que o amava. Tem de vir comigo. este era o problema. o caminhão está a pelo menos três horas a nossa frente. – Não duvide! – Chegando ao local onde o Jaguar estava estacionado. as coisas jamais mudariam: para to-’ dos sempre seria uma simples brincadeira.estivesse. Pode ter certeza de que não a deixarei pegar a bolsa. um homem em quem ela confiara. mais uma vez ele tinha ganho a batalha.

depois do que Ralph lhe aprontara? Não teria condições de sustentar sua mãe. que não conseguiria mais nada com ela. levaria muito tempo para encontrar outro. Enfim. Aquilo era o mínimo que podia fazer para se vingar do que ele lhe causara.Ela acordou meio zonza com o chamado de Lucas e. tratou de retomar a posição hostil em relação a Lucas. – Eu o atirei em você. após se recuperar. talvez porque não se dirigira a ele em nenhum momento durante o café. Jenny notou o quanto ele estava desapontado. Recusando olhá-lo no rosto. Tentou. Bem. Após tomar duas xícaras de café e comer ovos com bacon. assim que chegaram a uma pequena vila na auto-estrada de Nova York. ontem à noite – ele acrescentou. Haviam finalmente chegado à oficina: uma velha construção de tijolos à vista. Jenny pôde ver seu caminhão e rebocador estacionados. e se não fizesse isso logo a oficina poderia fechar. – Lucas mostrou-lhe as malas e a bolsa. ela pensou o quanto seria melhor se tivesse ido para casa por conta própria. e quem lhe daria um emprego nesse ramo. – Vamos tirar o carro primeiro. Afinal de contas. Tudo O que sabia fazer era restaurar carros antigos. Se perdesse seu trabalho. ainda. e as duas não poderiam continuar na casa na qual moravam.. ignorando o que ela dissera. – Mas acho que há como repará-lo. Assim terá certeza de que está tudo em ordem. no mesmo instante. mesmo para alguém tão pretensioso como Lucas. – Aqui estão suas coisas. nas imediações de Mass Pike. o carro não estava vendido. – Tudo bem! – Ela sentia-se exausta demais para começar uma nova discussão. O resto Lucas e Ralph tinham lhe arrancado. ao menos não estaria tão infeliz. assim permaneceu em silêncio enquanto Lucas e o motorista que trouxera o caminhão retiravam o carro e o levavam para dentro da oficina. colocando o troféu sobre uma prateleira. Jenny saiu completamente do estado de sonolência e. Não quero de volta. dando-lhe o troféu que ela jogara. – Ah. uma vez que Jenny não fez menção de . imaginar por que ele estaria tentando levar adiante aquele jogo quando era óbvio.. Era tudo o que lhe havia sobrado: orgulho e dignidade. e mais isso! Esqueceu. os dois haviam arruinado sua vida e ela jamais perdoaria Lucas por isso. percebeu que estavam em uma lanchonete de estrada. é isso! Ao menos por enquanto – ele completou. Assim que entraram no carro para a segunda parte da viagem. – Receio que esteja um pouco danificado – ele observou. próxima a um riacho. — Satisfeito? – ela perguntou friamente. – Pode me deixar agora.

não tendo a mínima intenção de mencionar o nome de Lucas. para poder evitar um pouco do sol forte – ela mentiu.. Assim.. subiu no rebocador para fazer o pequeno percurso até sua casa. – Mas foi tudo bem. Se sua mãe soubesse que havia um homem. sua mãe esperava que chegasse bem mais tarde. Se pudesse começar do zero. por perto. tão vazia pela falta de serviço. desatou a chorar. Não tinha necessidade de ir logo para casa.. Naquele momento. que estava perdidamente apaixonada. um tanto desmotivada.pegá-lo. sem seu pai para ajudar. ainda acreditava que ele voltaria e conseguiria acertar tudo de novo. ela murmurou: – E não volte nunca mais.. Ela se levantou. pois sentia. No entanto. Por favor. começaria a construir castelos em cima disso e nada que Jenny dissesse poderia fazê-la parar. poderia se retirar agora? – Tudo bem! Jenny se surpreendeu por ele ter concordado tão facilmente e entrado no carro sem dizer mais uma palavra. pensando no quanto sua mãe gostaria . aquilo era apenas um modo de enganar a si mesma.. pela primeira vez na vida. nunca teria conhecido Lucas. para que pudessem tentar novamente. – Parece terrivelmente cansada! – E estou mesmo. Se ao menos houvesse uma maneira de desfazer o que acontecera. de algum modo. enxugando ocasionalmente as lágrimas que lhe escorriam pela face. E fazer uma viagem dessa sozinha. ela apertou os braços contra o peito como que para conter um sentimento que não suportaria expressar. – Querida. e. ela tentava se convencer de que não esperava mais que Lucas voltasse. você já chegou! – Alda Howe se surpreendeu. – Acho que deveria dizer para sempre. Saí antes do amanhecer. ela decidiu. o contentamento estampado no rosto. Desesperada. ou mesmo Ralph. deitou-se num lugar ao sol e lá permaneceu por algum tempo. Assim que o carro entrou na estrada e ficou fora do alcance de seus olhos. deu uma olhada na oficina. – Eu sei. desejava que as coisas não tivessem saído tão erradas e. enquanto saía para receber a filha. ficando imóvel até que o motorista chegasse e desse partida no carro. Em silêncio. No entanto. assim era melhor que estivesse distante dos dois. tentando continuar firme e objetiva. se não fosse por Ralph. – Depois. mãe – Jenny assegurou.. sem a interferência de Ralph.

. – Mas nunca se sabe. Se não for Ralph. sei que está fazendo o impossível. Você não poderá passar a vida inteira me fazendo companhia. Foi a primeira vez desde. concentrada em colocar a quantidade exata de açúcar no café com creme. Se lhe contasse. ver lágrimas nos olhos dela: . sabe muito bem quais eram as circunstâncias. minha filha. Há pouco tempo. acho que Ralph gosta tanto de mim como eu dele. quando seu pai estava vivo. fazendo amizades. já está na hora de me acostumar com a solidão. – Jenny hesitou... Em seguida. perguntou: – Suponho que Ralph estava lá. sabia que ele não tinha absolutamente nada de parecido com Sam. ir à exposição sem seu pai teria sido muito pior do que ficar aqui sozinha. poderá ser alguém que virá e resolverá . Assim. – Bem.. Alda era uma mulher muito ingênua para imaginar como um homem podia ser tão cruel e sem princípios. – Mãe. mas não nos vimos muito.. Alda.. – Devia ter ido comigo.. e não estou querendo criticá-la. não? – Sim. mas Jenny pôde. mas depois de tudo o que acontecera.. enquanto Alda preparava a mesa para que pudessem almoçar. continuou: – E você? Correu tudo bem enquanto estive fora? – É claro! Apenas foi estranho estar completamente sozinha em casa. Eu sei que sim. Além disso. Jenny. Ainda é muito jovem. embora tente esconder isso de mim. Não era assim antes. – Sei que me considera uma eterna romântica. Além disso.. – Existem poucos homens como papai -’ Jenny comentou com certa tristeza. – Homens novamente! – Jenny resmungou. – Não. – Alda tentou dar um sorriso. . sem coragem de olhar para sua mãe.do modo como Lucas a pegou e a trouxe para casa. – Sei. namorando. pensara que Lucas poderia ser um homem assim. – Também.. depois do modo como você o despediu.. mas é que gostaria que as coisas fossem mais fáceis para você: trabalha muito e vive preocupada. provavelmente ela não acreditaria. desejando levar a conversa para um assunto no qual ela não precisasse mentir. mas gostaria apenas que tivesse alguém como seu pai foi para mim.. devia estar se divertindo. Logo que terminaram de comer. as duas continuaram conversando. dinheiro! Tudo parece sempre girar em torno de dinheiro.

vou dormir um pouco – Jenny interrompeu a conversa.. toda sua dor e infelicidade.’ Primeiramente. decidiu por um preço talvez um pouco alto para que pudesse fazer uma venda rápida. obviamente. não poderia culpar Ralph pelos danos. decidiu. Sua mãe a fazia lembrar de Lucas e. mas poderia sugerir: “Tomei conhecimento de que o serviço realizado no carro de V. por conseguinte. o vazio deles parecia aumentar ainda mais sua própria solidão. este tinha falido. – Mas são apenas duas horas da tarde. – Bem. em prantos.Sa. Houvera uma época na qual a Restaurações Howe compartilhara a velha construção com outro negócio. É a única forma de me sentir melhor”. porém cultivá-la não solucionaria os problemas imediatos. Parecia soar bem. No entanto.. Dessa forma. acordando no outro dia pela manhã. levantou-se e retirou os pratos da mesa. Deveria ter muita cautela com as palavras. bem mais disposta a enfrentar a vida. próximo ao rio. Sendo assim. passando a maior parte do tempo preocupada em estabelecer um preço que fosse condizente tanto com suas necessidades de dinheiro quanto com o tempo que tinha disponível. dirigiu-se à oficina tão logo colocou uma calça jeans e uma camiseta. naquele dia. não está dentro dos padrões de qualidade da Restaurações Howe. Assim. ela decidiu. ela tinha de fazer cartas para os donos dos quatro carros que precisavam de reparos. seguindo para uma pequena sala que ser via como escritório. Era óbvio que não tinha esquecido a dor que Lucas lhe causara. pegou a máquina de escrever e começou a fazer um anúncio para a venda do carro. notando que. Jenny fez exatamente isso. para evitar que confessasse. – Eu sei. ela nem sequer costumava notar os galpões laterais da outra parte da construção.todos seus problemas. estou exausta demais. mas do jeito como me sinto poderia dormir’ mais de doze. deixando-a sozinha naquele enorme galpão. Em seguida. um tanto nervosa. “Não fique se martirizando com o que já aconteceu”. mas.. por um de meus empregados. Normalmente. não trabalha mais neste estabelecimento. Esse empregado. ordenou a si mesma. Se não se importa. gostaria de assegurar-lhe que tais falhas não acontecerão novamente” . cuidando de você. mas levava em consideração uma contraproposta por parte do comprador. horas corridas. “O que tenho a fazer é vender o carro e começar a trabalhar nos que Ralph sabotou. mesmo sem mencionar o nome de .

concordo em vender.. está tudo acabado! Além disso. ela pensou esperançosa. Sentindo-se bem melhor com os rumos que a vida estava tomando. olhou para o homem que contribuíra para toda sua queda. levantando-se da cadeira e saindo do escritório. pelo que é de meu conhecimento. quando ouviu um carro estacionar próximo à porta.. precisaria de um advogado e. já arrumei outro comprador.. – Cansei de dizer que o acordo está cancelado. vim para falar sobre nós. esses dois pedaços de papel não têm valor algum. – Então. – Desculpe-me. sabendo que continuavam guardados na mesma mala que ainda não tivera tempo de desfazer. – Acho que sobrou alguma coisa. se não cumpri-lo. Jenny colocou as mãos no bolso e. – Eu rasguei os meus. mas tenho dois papéis que dizem o contrário. Negócios?!.. sem custo algum para o dono. ela se. — Para tal. diga o preço. Jenny. — Apelarei dizendo que fui coagida. comprometeu a transportar os carros e fazer os reparos. vou ser obrigado a recorrer à justiça. ela acabava de datilografar as quatro cartas. – Já disse.Ralph. sim. em silêncio. – Jenny?! – uma voz chamou. – Jenny. para falar do carro. enquanto não provarem isso. – Escute! Temos um acordo aqui e. não restou nada! – ela mentiu. – Você não faria isso! – Claro que sim! Tenho todo o tempo disponível e não me importaria nem um pouco de ficar no Estado de Nova York lidando com a justiça. não restava dúvidas sobre quem fizera o serviço. estará com o carro . – Não há mais “nós” – ela respondeu friamente. nem se quisesse poderia vendê-lo para você. fazendo-a mudar completa mente quando viu quem a chamava. nenhum juiz levará isso a sério: – Você pode até estar certa. – Ele retirou dois papéis do bolso e começou: – “Eu. Jennifer Howe. Lucas estava parado próximo à porta. Em seguida. Jenny.” Vamos. – De qualquer forma. o corpo forte transformado num vulto pelos fortes raios de sol que entravam no galpão. mas. não tem dinheiro para pagar um... Isto significa que não poderá se desfazer do carro até que o caso seja solucionado.

se pedisse um valor exageradamente alto. – Não pode estar! – Mas estou. jamais. Tanto quanto você estava ao dizer o preço. imaginando como podia ter criado uma confusão tão grande. Jenny se questionou. é melhor engolir o orgulho e me vender o carro. – Quer em dinheiro ou posso fazer um cheque visado? CAPÍTULO VII Era impossível! Lucas estava louco! Ninguém em seu juízo normal pagaria tanto por aquele carro. Ela tinha conseguido acabar com Lucas Lambert.. naquele dia. – Não falei sério! – ela contradisse. ele desistiria e o acordo estaria encerrado. – Ouça! O carro vale dez vezes menos do que isso. Era um absurdo! Alguns carros antigos valiam muito mais do que isso. começando a adorar a idéia. ela mentalizou o valor que decidira anteriormente e acrescentou um zero. Nunca pensei. Mas que preço pedir?.. ela concluiu o pensamento: “Basta pedir uma quantia absurda e ele estará. . não gostava dela o suficiente para cometer tamanha loucura. lembrando-se de que era a segunda vez. mas aquilo já era demais. Jenny. Jennifer. Sentia que estava prestes a se ver livre daquele homem. fora de minha vida” . – Este é o preço! – Certo! – ele falou sem hesitar. certamente. Desista. Com um sorriso de triunfo nos lábios. Jenny entendia que ele gostasse ‘de fazer as coisas a seu modo. que se via frente à mesma pergunta. Levarei apenas alguns dias para conseguir o dinheiro. – Duzentos e cinqüenta mil dólares:– ela concluiu baixinho. Nem o mais excêntrico multimilionário pagaria tanto por um Franklin e ele era esperto demais para cometer tal loucura.empatado e não terá nenhum modo de reparar os danos que Ralph lhe fez. mas não importa. Diga o preço. Estava apenas querendo que você desistisse. Não podia querer tanto o carro e. – Sei disso. – Não está falando sério! – ela finalmente conseguiu falar. logo. para sempre. Dando um longo suspiro. Ele devia saber que era honesta demais para arrancar tanto dinheiro de alguém. mas um Franklin 1904. – Duzentos e cinqüenta mil dólares – ela repetiu. Foi quando passou algo pela cabeça de Jenny: Lucas concordara em comprar o carro por qualquer preço que ela estipulasse.

por mais que tentasse. Que importância isso tinha? Tanto a pergunta como a resposta eram completamente sem sentido. – Só mais uma coisa. Estava blefando. Ao mesmo tempo que se condenava pela grande confusão que criara. Jenny passou os dois dias seguintes tentando se convencer de que não tinha nada com que se preocupar. – Apenas me deixe em paz – ela acrescentou. ela não estaria levando mais do que merecia. aguarde e verá. – É claro que não. ela relembrou com otimismo. mesmo que ele não soubesse nada a respeito do plano de Ralph. o som do carro indo embora. mexer mais ainda com seus sentimentos. Os dois estiveram agindo como crianças. se Lucas voltasse com o dinheiro. tentando provocá-la. fazer com que pagasse por não estar jogada aos pés dele. pela manhã. Imaginava por que não tinha engolido o orgulho e vendido o carro por um preço sensato. está apenas se divertindo. enfim. pois. essa era a melhor maneira de nunca mais voltar a vê-lo. pois a quinta-feira chegaria e continuaria completamente isolada na oficina. não havia esperança de que Lucas pudesse voltar com uma soma tão exorbitante. com o jogo ou qualquer outra coisa que a fizesse recordar Lucas. – Bem. No entanto. Afinal de contas. no início. Contudo. do lado de fora: – Esqueceu de dizer: quer em cheque ou dinheiro? – Dinheiro! – ela respondeu com indiferença. Jenny achava que. tentando ficar mais calma. o que faria se ele voltasse com o dinheiro? Jenny considerou a chance remota mas possível e. tentou tirar .. quem dera a tacada decisiva. Fora ela quem ficou firme até o final. mas era hora de Lucas parar. Porém do que adiantava pensar nisso? Tudo fora muito infantil e. cada um esperando que o outro desistisse da brincadeira primeiro. Mas Lucas tinha saído.devo estar de volta na quinta-feira. Lucas saiu rapidamente da oficina. Jenny pensou. se o queria fora de sua vida. Mas. não precisava ficar preocupada com uma idéia tão cômica. naquele instante. comentando. como a de ter duzentos e cinqüenta mil dólares pelo Franklin. Está bom para você? – Ele falava como se tudo fosse brincadeira. Era claro que ele não falava a verdade. ficando imóvel até que ouviu. tentou se convencer de que não precisava pensar nisso. a única coisa que desejou foi ter acabado com o acordo.. Os dois haviam levado aquele jogo além dos limites. Jenny não conseguia parar de pensar em tudo o que acontecera. no mesmo instante. – Virando-se. – Ele voltou.

foi terrível.. se tivesse um pouco mais de sensatez. Jenny pensou no quanto as coisas poderiam piorar. – A chuva.. não adiantava ficar pensando nisso. certamente. Tentei tapá-la.simples goteira ter se transformado numa verdadeira catástrofe. quando o dia amanheceu na quinta-feira. – Com o quê? – Jenny perguntou com a expressão preocupada. – Tem uma enorme goteira na sala de estar.algum proveito depois que descobrira. precisamos repará-la. No entanto. – Fiquei acordada quase a noite inteira com. Chamarei Bill Minor ainda hoje. O caixa da oficina estava vazio e.. – Vamos consertá-la então! – Mas não podemos! Sabe que não! – O que não podemos é esperar que fique pior: quanto mais adiarmos. pensando no que aconteceria no dia seguinte. ele não viria.. minha filha? Estou preocupada com isso há meses. não?! – Alda observou enquanto colocava o café na mesa. um tanto nervosa com o fato de uma . no entanto sabia que não tinha condições de fazer nada.. em cima da mesa. o barulho. mas não adiantou. não sei o que vamos fazer. Em pouco tempo a oficina fecharia. Lucas poderia chegar com mais dinheiro do que jamais imaginaram. Achou apenas . mas o serviço dele é o melhor. mais caro ficará. Havia chovido durante toda a noite e ficara acordada até tarde com. – Sim. Jenny pensou que. Assim. não permitiria que tais coisas acontecessem. geralmente. – Não seria melhor fazer alguns orçamentos antes? Sabe que Bill. havia um monte de contas ainda não pagas. De qualquer forma. lá estavam ela e sua mãe preocupadas com uma simples goteira quando. Oh. e não quero que se sacrifique tanto.. Jenny estava com os nervos à flor da pele. Jenny. com um sorriso nos lábios. – Mas o quê? – Jenny também estava pensando naquele e em todos os outros reparos de que a casa estava precisando. Contudo. conseguiria fazer com que tudo se ajeitasse novamente. papai sempre o chamava para essas coisas. Tão logo vendesse o Franklin. cobra mais do que os outros. mas.. Assim que acordou.. Jenny finalizou. perderiam a casa e. – Mas o dinheiro está curto. O que faremos. deveria recebê-lo de braços abertos. foi até a cozinha e encontrou a mãe olhando através da janela. O que tinha a fazer era ir para a oficina e publicar o anúncio do carro. a qualquer momento. além disso. pois. ela não podia se entregar.

Nos dois últimos dias ela havia feito uma verdadeira limpeza no velho galpão. seria uma forma de conseguir isso. a manhã de quintafeira estava terminando e ele não aparecera. confiante no futuro. ela tentava esconder o nervosismo que sentia por estar gastando um dinheiro que ainda não tinha. – Falarei com Bill e aproveitei para pedir que mande um de seus empregados com umas amostras de papel de parede. naquela manhã. prometeu a si mesma que nunca mais privaria sua mãe de seus pequenos prazeres: a casa sempre fora o orgulho e a alegria de Alda e. não podemos! – Mas vamos poder. depois de dois anos sem uma pintura. Mas. que por sua vez deixou um recado pedindo que ele entrasse em contato assim que chegasse. sei que o da sala está precisando ser trocado com urgência. precisava ligar para Bill Minor. Alegrou-se por serem quase dez horas e.. No entanto. – Jenny beijou a testa de sua mãe. – Mas. mas poderia amenizar o sofrimento. do modo como estivera ocupada. retirou o caminhão e dirigiu-se à oficina. Era claro que dinheiro não faria com que sua mãe voltasse a ser feliz. Assim. Bill não estava no escritório. Depois. afinal de contas. após ficar algumas horas concentrada nos papéis que estavam sobre a mesa. deixando-o como nunca estivera antes. – Jenny. levantou a cabeça e olhou para o relógio na parede. Veja algum outro cômodo que esteja nas mesmas condições e escolha o papel para ele também. na tentativa de confortá-la. e estar ocupada com reformas na casa e ver suas decisões tomarem forma. Percebendo o ar de dúvida no rosto de Alda. você adora a casa arrumada. havia muito mais a fazer do que consertar uma goteira na sala. – Perguntarei a ele quando poderá começar. Uma secretária eletrônica atendeu a chamada de Jenny. decidiu que poria em andamento os projetos que tinha em mente. – Não se preocupe. não tivera tempo de pensar no que faria se Lucas viesse. Como imaginara. Devia ter lhe contado: em breve entrará um dinheiro e não vejo razão para não gastarmos com isso. está certo? – Jenny continuou. Mesmo assim. Enquanto falava. Alda precisava de um pouco de motivação na vida.. bem como fazer um orçamento para cobrir a parede de duas salas. Jenny segurou-lhe a mão. saindo logo em seguida. num acesso de otimismo. Necessitava acertar sobre o conserto da goteira.que deveria aumentar um pouco mais o preço e. minha filha. – Já está gastando? . o dinheiro. enquanto os homens de Bill trabalhassem.

Lucas! Isso foi longe demais. – Você pode ser louco o suficiente para querer gastar tanto dinheiro à toa... guardado por dois seguranças armados? – Não pode ser verdade! – Ela sentiu um calafrio percorrer a espinha só de pensar em tamanha extravagância. alcançando a mão de Jenny e sugerindo que ela levantasse. – Ah. – Não estou brincando. – Escute. mas acho que já está na hora de pararmos com brincadeiras. um sentimento muito grande de responsabilidade pelo que estava acontecendo. mas não tomarei parte nessa loucura. parando apenas para fechar a porta. seria melhor que o mandasse de volta para Syracuse. as agências pequenas não gostam de ficar com tanto dinheiro vivo no caixa. entrando no escritório. Jenny imaginou que fora o choque que a fez acompanhá-lo. Sabe. Jenny. não vou vendê-lo a você por aquele preço absurdo. não parece ter dinheiro algum com você agora. Vamos. Pode ir lá a qualquer momento e contá-lo. Jenny. Assim. – Parece que decidiu concordar em vender o carro sem mais discussões ou não estaria solicitando reparos. – O que está fazendo aqui?! – Sabe muito bem por que estou aqui – ele respondeu. deveria redecorar a oficina inteira. pela quantia que vou lhe pagar. ou teve coragem de deixar duzentos e cinqüenta mil dólares no carro?! – O que acharia se lhe dissesse que vim com um blindado? Que o dinheiro está lá fora. estivemos agindo como duas crianças. . – Os reparos são para minha casa e. o dinheiro está realmente lá e o gerente ficaria muito agradecido se você fosse ao banco logo e desse uma ordem para guardá-lo em outro lugar.– Você! – O coração de Jenny quase parou ao ouvir a voz de Lucas. é um tanto arriscado. De qual quer forma – ela comentou aliviada. também. Embora. sim. – Ele estendeu o braço por cima da mesa. vendo que Lucas entrara com as mãos vazias na oficina -. um pouco de remorso. quanto ao carro. – É claro que não fiz isso! Achei mais prudente fazer uma transferência para o banco local. não entendo por que parar em duas salas. tão logo conseguíssemos abrir uma conta para você. – Lucas – ela conseguiu falar assim que entraram no carro. Sentia. vai. Jenny! – ele assegurou enquanto puxava a única cadeira disponível para que pudesse sentar.

O gerente do banco o indicou para mim e me garantiu que ele cuidaria de tudo com grande interesse. sim. É incrível como as pessoas se conhecem em lugares como este... sentiu-se imensamente aliviada. Mas não se preocupe. – Não tenho advogado. num tom de carinho. se a consolar. Havia fatos reais em . – Claro que pode! – ele falou com entusiasmo. Mas que tipo de coisas espera que eu faça em troca de seu dinheiro? – Nada muito difícil. acrescentou: – Olhe. Sabe que não tem condições. além disso. imaginando como poderia vencer um homem tão determinado. – Embora não houvesse nenhum tom de ameaça na voz de Lucas. – Nunca foi assim. – Eu?! – Claro. mas saiba que posso me recusar a continuar esse jogo. se tivesse pedido um preço sensato.. acho que foi isso que você queria dizer. amarrá-la a algo que poderia dar a ele a chance de continuar perturbando-a. Depois. é muito importante para mim. Lucas estava certo. – Tenho certeza de que não vai parar. o mesmo que costumava prestar serviços a seu pai. mas dessa vez vai ser diferente. Jenny. – Gostaria de saber um pouco mais sobre carros antigos e não consigo imaginar uma professora melhor do que você. não haveria. não lhe da rei o dinheiro todo hoje. seu advogado estará no banco para poder explicar tudo. – Bem. – É incrível como você sempre consegue o que quer – ela observou. quando você tenta tirar proveito disso. ele falava com tanta convicção que Jenny não pôde deixar de concordar. Não falei nada ilegal ou imoral.– Não posso deixar que faça isso. – Não para mim. apenas vinte e cinco mil dólares. Jenny! Vou comprar o carro e em troca quero que me ensine tudo sobre ele – Lucas concluiu. ela pensou enquanto entravam no banco. enquanto saía do carro e abria a porta para que ela descesse. – Termos do contrato?! – Quando ouviu ele dizer “Vinte e cinco mil dólares”. – Naquele instante. mas aquilo soava como se ele tentasse impor algumas condições. – Não há nenhum termo no contrato que assinamos. eles acabavam de chegar ao centro da cidade e Lucas estacionou numa vaga próxima ao banco. O restante ficará numa conta bancária e o modo como vai gastá-lo e quando dependerá dos termos do contrato. – Está apenas se divertindo. A vida fica muito mais fácil assim. – Tem..

deveria. tendo um certo sentimento de desforra. precisa aprender como fazer um pouco. gostasse disso ou não. Na entanto. Howe. se fosse advogado dele. Um empréstimo para você resultaria numa perda de dinheiro. seguiria este conselho: venda a oficina antes que tenha um negócio falido nas mãos. Mas isso não vai acontecer – ela esbravejara. mas um insulto como aquele não agüentara.. um mês atrás: – Desculpe-me. Seu destino estava como que selado. e. não tinha como recusar a oferta de Lucas.sua vida que mostravam isso: a goteira em casa. em todos os detalhes. Jenny imaginara. realmente. mas sua atual situação financeira é terrível. já havia deferido os termos do contrato feito pelo advogado de Lucas. não o deixaria cometer tamanha loucura.. Turner. na ocasião. – Tenho certeza de que vou conseguir tocar os negócios. percebeu que. Com é aquilo. Howe. seria de esperar que o Sr. a interminável dependência de dinheiro. fazer também. Na verdade. ri caminhão apresentando alguns defeitos. que. que apenas . nada a fez se convencer mais do que a recordação do que o gerente do setor de empréstimos lhe dissera. Lambert tirasse muito mais de você. esta é a chave. srta. – Principalmente considerando a enorme quantia envolvida. um velho conhecido de Sam. fazendo um esforço enorme para resistir à tentação de atirar a papelada que se encontrava sobre a mesa em cima do gerente. naquele dia em que voltava com Lucas. ela pôde notar que não havia mais aquele brilho de superioridade no olhar do gerente. ele me garantiu que é realmente isso que deseja. a queda dos negócios. e Jenny. – Sua expressão era de quem não estava nem um pouco sentido. – É um contrato bastante favorável. realmente. O encarregado os levou até o cofre no qual estava o dinheiro e explicou. Jenny – observou o Dr. ela olhou com uma expressão de dúvida para Lucas. No entanto. e é nosso trabalho multiplicá-lo. Estava muito mais solícito e intimidado. gostaria de dizer que o banco não vai ajudá-la toda vez que estiver em dificuldade financeira. – Duvido disso. enfim. Como se ela não soubesse daquilo. srta. por sua vez. – Não tem a mínima condição de conseguir um empréstimo nessas circunstâncias. mas. Havia tentado controlar até aquele momento. se está determinada atentar. Se fosse você. Dinheiro. como ela poderia movimentar a conta por intermédio do advogado. No entanto. fazer com que a oficina se erga novamente. algo que .

poderá simplesmente encerrá-lo e acabar com qualquer relação com o Sr. estaria livre dele. No momento. Muito generoso. – Poderíamos comemorar com um almoço. recebendo como pagamento o mesmo valor mencionado acima a cada evento. bem antes de um ano. em breve. – É só isso o que lhe interessa: o que você deseja. – Isso está no acordo? – Jenny perguntou com um certo rancor. não é. apenas achei que poderia gostar da idéia. patrocinadas pelo Sr. o que provavelmente nunca teve – o Dr. Fora isso. Turner oferecia e assinasse o contrato. poderá fazer uma renovação e continuar prestando os mesmos serviços ao Sr. — Mas não gostei. Lambert recupere o juízo. – No entanto. eu estaria sendo um mau profissional se não a aconselhasse a continuar com esse acordo até que o Sr. Depois de conseguir quase tudo o que desejava. Contudo. o que levará. terá de manter o carro que está vendendo a ele. pelo qual assinara o contrato. não acha. é permitir que ele trabalhe com você na oficina. Jenny. percebeu o ar de satisfação que tinha ao vê-la admitir. ele perderá a validade assim que os pagamentos atingirem uma determinada soma. – Tudo o que deve fazer – continuou o Dr. Durante esse tempo teria a segurança financeira de que tanto precisava e esse era o único motivo. – Não. Sim! – Jenny se sentiu meio obrigada a concordar e.. é claro. não estão incluídos na soma de vinte e cinco mil dólares que está recebendo hoje e serão depositados semanalmente. olhando através da janela lateral. Lucas?! – ela se zangou. após terem acertado todos os outros detalhes. . quando arriscou outra olhada para Lucas. – Está com fome? – Lucas perguntou assim que entraram no. O interesse de Lucas por ela não duraria tanto.. Estes pagamentos. Na ocasião. ao menos ela quis se convencer. embora pegasse a caneta que o Dr. em uma conta aberta em seu nome. sendo recompensada por isso com “a generosa” quantia de mil e quinhentos dólares por dia. Jenny? – Eu. Lambert. Lambert. Turner. carro. Lambert.. ela assegurou a si mesma. – Como quiser. a única coisa que quero é voltar à oficina. Turner terminou num tom irônico.sorriu com o brilho no olhar que lhe era característico. mas não é obrigada a fazer essa opção. Mas ele terá. correndo os dedos pelo contrato. estou preparado para ser paciente.. um ano. aproximadamente. além de participar de exposições e atividades ligada a carros antigos. o contrato não tem nenhuma data específica para terminar.

– Acho que “gostar” não é a palavra certa. a voz trêmula de tanta raiva. colocando a mão na porta onde ela estava encostada. – Como pode pensar que deixaria. O corpo atraente parecia mais musculoso do que era.. tão magnífico que ela sentiu uma atração irresistível. O perfume da loção que ele usava e o sorriso daqueles lábios sensuais fizeram-na desejar que a magia que havia entre os dois retomasse. – Tempo?! Tempo para aplicar seus truques novamente? Para se divertir até que nada mais interessante apareça? Bem.. – Não! – ela sussurrou como que hipnotizada. enquanto ele descia do carro e se aproximava dela.... Por acaso tentou me comprar? – ela desatou a falar. existe algo acontecendo entre nós. deixou-a encurralada. saiba que isso não adiantará nada – ela o advertiu. Tudo o que comprei foi o tempo. em nenhum momento. Além disso. – Se pensa que ainda posso gostar de você depois. entregou-se às . não me importo com o dinheiro. – Será difícil. mas sentiu os lábios serem tocados pelo beijo de Lucas 6. – Ele se aproximou ainda mais e. completamente enfraquecida. saindo do carro no mesmo instante em que pararam na frente da oficina. batendo a porta com força.virando-se para encará-lo. completou: – Apenas lembre-se disso. Existe algo muito mais forte do que isso.. Depois. Jenny. Não serei gentil e muito menos ficarei andando por aí com você. Jennifer. No entanto. – Não. tenho certeza de que terei um ótimo retorno com esse investimento. – Nem eu! Mas o destino pareceu conspirar contra nós dois. Nem abraçá-la ou. Planejaram como me deixar completamente sem saída. em hipótese alguma. Sr. deve culpar somente você mesmo por gastar tanto dinheiro. mas não imaginei que pudesse ir tão longe. – Eu posso – ela retrucou. sabendo como me sinto em relação a você. – Você e Ralph conspiraram. Desde o início. Lambert: não permitirei.. Jennifer. que me engane outra vez. – Percebi isso quando o vi pela primeira vez.. Não tem como negar isso.. – Não! tentou novamente. que farei algo além do que está naquele contrato. Não espere. – Somente a nível profissional. não o destino. – Oh.. – Não me deixará beijá-la – ele sugeriu com um sorriso. depois do que fizeram comigo.

– A magia ainda está presente quando estamos juntos e estará para sempre. Completamente desolada. afastando-se apenas o suficiente para poder ver a expressão de fascínio nos olhos de Jenny. – Jenny. – Querida. – Entende agora?. Estivemos conversando por muito tempo e me pareceu natural fazer o convite. avenida. Pelo entusiasmo de sua mãe. pois nada que fizermos poderá detê-la. Ele era esperto demais. ficará uns dias conosco até que encontre um lugar definitivo. querida! Onde você estava? – Alda perguntou. boa . assim que a filha parou o caminhão na porta de casa. não posso deixar que faça isso comigo. quando era o momento de tomá-la nos braços e fazer com que não tivesse outra escolha a não ser entregar-se ao abraço dele. – Mas eu posso tentar – ela disse enquanto Lucas entrava no carro. e viver chorando para o resto da vida não era o feitio de Jenny.carícias daquele homem.. – Como quem?! Ralph. – Tenho de conseguir. e ainda está! Na verdade. o que devo fazer? – ela se indagou e. ele observou. – Sei que queria me preservar das coisas tão terríveis que ele fez. Meu Deus. Tinha assinado o acordo e a única saída era cumpri-lo até que perdesse a validade.. Como pude confiar nele?! – Como descobriu!? Quem contou a você? – Lucas! Um homem tão charmoso. – Lucas esteve aqui hoje?! – Oh. precisa de cuidados. Jenny imaginou que Bill Minor tinha entrado em contato com ela. Sabia exatamente quando as resistências de Jenny começavam a cair... sim. não havia muito a fazer. ela se encostou na porta da oficina e continuou olhando para o carro até que ele entrasse na. Parece que o pobrezinho nunca teve um lar. mas. CAPÍTULO VIII No entanto. – Quem? Sobre o que está falando? – Jenny questionou meio confusa. você deveria ter me contado. sentindo-se totalmente perdida.. é claro. Tinha a expressão um tanto agitada.. caiu em prantos. A idéia de ver a vida correr no rosto de Alda novamente fez com que esquecesse por um instante aquele dia tão conturbado. tão diferente de Ralph! Sei que não menti. uma vez que me mostrou o contrato que você assinou.

qualquer desejo físico. Com aquele simples chamado. Não havia dúvidas. Enfim.. ele chamara. No entanto. pegando-a pelo pulso: De um modo seco fez com que ela sentasse de volta na cadeira. Jenny imaginou que os dias na oficina seriam como sempre. Assim. Jamais poderia imaginar que teria tanta sorte. . decidida a não ficar sozinha naquela escuridão com o motivo de todos os seus problemas. sem dúvida. sentada numa das cadeiras de balanço. – Acho que também vou. comportamentos que. essa decisão não estava sólida dentro dela quando a mãe anunciou que ia dormir. Além disso. com apenas uma terrível diferença: com Lucas havia aquela atração. Exatamente como Ralph fazia. isso seria uma tarefa extremamente difícil. Lucas conversava com Alda como Se. firme e impassível. Jenny se sentiu melhor.. — Aquilo era terrível! Como se não bastasse ter de agüentá-lo durante todo o dia na oficina. aconteceria tudo novamente. Quando foram à varanda tomar café. cada palavra que ela pronunciasse tivesse uma importância fundamental. insinuaria a todo instante que gostaria de controlar cada minuto de sua vida. e precisava fazer isso o mais rápido possível. mas para ela era algo que teria de aprender a controlar e nada mais. era insuportável estar ali. mas queria que soubesse que não foi idéia minha. Tinha de tornar-se fria e indiferente a qualquer emoção. pois a escuridão daquela noite de verão tornava impossível que visse o rosto de Lucas. Jenny. Automaticamente. aquele desejo instintivo que a provocava. tratava Jenny com certa distância e respeito. Sua . Ele tentaria mostrar-se imprescindível e faria questão de compartilhar cada momento que tivessem. gostaria de esclarecer algumas coisas. .. Jenny levantou. ela admitiu com uma honestidade brutal. enquanto ele conversava com sua mãe. por falar nisso. Teria de viver brigando consigo mesma.alimentação. iriam conviver debaixo do mesmo teto e.. poriam algumas idéias na cabeça de Alda. Jenny se viu forçada a encarar Lucas novamente.. Sei que não ficou nem um pouco contente por eu estar aqui. do jeito como estava se sentindo naquela noite. estávamos esperando-a para o jantar. Jenny – ele a interrompeu.. Vamos. Dessa comparação entre os dois homens. – Não tão cedo. “Uma magia”. Mesmo assim. o jantar e a interminável noite que o seguiu serviram apenas para aumentar ainda mais a angústia que sentia. – Antes que vá.

não é. tem uma queda para tornar as coisas mais difíceis para você.. Jenny. Sou parte de sua vida agora. seu pai está morto e seria melhor que fosse cruel o suficiente para deixá-la perceber que as coisas estão diferentes agora. Além disso. ele se levantou para encará-la. Tem se matado para manter a oficina funcionando e tentando poupar sua mãe das dificuldades. mas. – Eu estou aqui! – Não preciso de sua ajuda. – Sim... – Fala como se soubesse mais a respeito dela do que eu mesma.. – Tem sido muito boa com ela – Lucas mudou de assunto. – Não se atreva a me tocar. em poucas horas. dela. Lucas?! – ela ironizou um tanto agressiva. e isto não vai . tentando conter a agressividade de Jenny. firme e arrogante. Como pode entrar aqui e.a. – Poderia. Alda ainda é uma mulher jovem e tem muita coisa pela frente.. de descobrir o que pode fazer com que essa fortaleza desmorone. Tinha o dever – a voz dele ecoou na escuridão. um verdadeiro lar me pareceu muito propício depois de tantos hotéis. – Aposto que sim. – Foi quando Lucas. – Sei que tem passado os últimos dois anos fazendo o impossível para mantê-la longe de realidade. claro! Está sempre tão preocupado com o sentimento dos outros. Jennifer. Pelo menos até que confie um pouco mais em mim. – Como poderia fazer isso?! Ela já perdeu o marido. – Não se preocupe.mãe sugeriu com tanto entusiasmo que não tive coragem de desapontá-la. – Deveria ter vivido sua própria vida e deixado que sua mãe levasse. – É incrível como você nunca me dá um voto de confiança. fez com que ela se inclinasse para a frente. pobre garotinho rico! – Além disso. colocando as mãos sobre o braço de cadeira de balanço.. não poderia tornar as coisas ainda piores para ela. mas agora tudo vai mudar. mas uma casa. o rosto dos dois apenas a centímetros de distância. Tudo bem! Não foi apenas por isso que aceitei o convite. assim como você faz parte da minha. Quero apenas que volte para o lugar de onde veio e me deixe em paz.. Por enquanto. decidir o que devo ou não fazer? – Porque eu consigo ser objetivo e você não. – Oh. deixaremos tudo como está.. Acho que sua mãe será de grande ajuda para isso. não vou. mas não pense que vai conseguir me afastar. – Ainda com a mão no pulso de Jenny.. não poderia resistir à oportunidade de vê-la em seu próprio terreno.

Jenny saiu de casa ainda de madrugada. vindo a seu encontro. um velho amigo de seu pai. não seria tão ruim assim. – E quer fazer com que eu fique também. Reconheceu o Jaguar de Lucas estacionado. havia urna pilha de madeiras e canos de ferro. – Não! – Ela ligou a luz. – O que é isso? – ela perguntou ao vulto que se destacava da escuridão. mostrava-se aliviado e lhe dissera que sabia haver uma explicação lógica para os problemas que tivera com o trabalho feito na oficina. próximo à porta. mas estava cansada demais para uma exaltação tão extremada. o caminhão começou a apresentar problemas e ela o dirigiu ao encostamento.. à noite . Dessa forma. – O que está acontecendo com você? Está gastando dinheiro feito um louco! – Acho que é assim que estou me sentindo. Na noite anterior. Em circunstâncias normais. Amenizando a situação difícil. – Não deveria ter feito isso. assim. com o caminhão quebrado. – Mas eu. . Combinaram. desceu do caminhão e tentou descobrir o defeito. por isso só chegou à oficina quando a luz do sol já tinha ido por completo. No entanto. piscando os olhos com a claridade repentina. ao menos. teria uma ótima desculpa para evitar Lucas por um dia inteiro. cuidei para que começassem o mais rápido possível – Lucas explicou enquanto ela abria a porta e entrava na oficina.mudar. Este lugar está precisando de alguns reparos. imaginou que ficar parada na estrada. sim. que ela pegaria o carro e começaria os reparos imediatamente. após pegar o carro que consertaria. Logo que estacionou pôde notar que as coisas não estavam exatamente como deixara ao sair pela manhã. Estará comigo durante todo o dia. O trabalho durou até o entardecer. e. ainda. a única coisa importante que acontecera antes de dormir fora o telefonema de um dos proprietários dos carros que Ralph sabotara. – Eu duvido! Comprei a oficina hoje.. O homem. Inclinada a considerar agradável qualquer motivo que a fizesse evitá-lo. Ele poderá não aprovar. tal notícia a faria bater com a cabeça na parede. assim que entrou na rodovia de volta para a oficina. – Não encomendei nada. tentando adiar o próximo encontro com Lucas. não teria de se preocupar com Lucas durante o tempo que ficasse por lá. Jenny: Eu sou o proprietário agora. Não sou dona da loja e meu contrato proíbe qualquer reparo sem a prévia autorização do proprietário.

que entrou no carro. Apesar de ter se levantado por volta das seis. mas não há necessidade.. ignorando todo seu esforço. por que não vai para casa e deixa de se preocupar? Eu a levo. coma. mas. Não demorou muito para Jenny perceber que a definição de Lucas “apenas quando for absolutamente necessário” significava a maior parte do tempo. quando ele passou para pegar as torradas.. pôde sentir o perfume da loção que ele usava e observou como os cabelos molhados formavam cachos brilhantes colados na nuca.. Jenny se surpreendeu ao obedecer sem discutir. Você está tomando conta de toda minha vida – ela finalizou. Experimente as torradas – Lucas sugeriu. Jenny – ele ordenou com autoridade. Lucas já estava na cozinha muito antes de ela descer.. agora. com isso. era melhor do que o café’ corrido que sempre tomava. Dividindo os ovos nos pratos que havia colocado sobre a mesa. como se não bastasse. Como ela. insinuando toda a força daquele corpo tão . Vai lhe fazer bem. Jenny não pôde deixar de olhar como os músculos estavam delineados pela roupa justa. enquanto ele ligava o carro. Não precisava ter feito aquilo. Jenny. Era a primeira vez que o via vestido tão informalmente e. – Necessita apenas de alguns reparos. após ter guardado o rebocador na oficina. – Talvez não.e. – Não posso acreditar nisso. .. enquanto tirava o bacon da frigideira para que pudesse fritar alguns ovos. Lucas estava usando calça jeans desbotada e camiseta. É um péssimo modo de começar o dia.ele ficou muito próximo de Jenny. – É claro que pode.. – Escute! Concordo com você. – Você precisa de um caminhão novo – ele observou assim . mas quero apenas um café puro – ela informou-o. embora. é o proprietário da oficina e fará mudanças no local. enquanto se dirigia para o caminhão. então resolvi cuidar disso para você.. na manhã seguinte. – Eu posso. que. – Sua mãe me disse que você nunca se preocupa com o café da manhã. – Desculpe-me por desapontá-lo.. embora possa prometer que o farei apenas quando for absolutamente necessário. – Acho que seria melhor procurar um novo. Por que não faz isso amanhã? – Será que um dia vai parar de querer controlar minha vida? – Jenny falou com um certo ressentimento. Vamos. Vamos. ela tinha de admitir.

bem ao lado dela. havia tirado a camisa. mas.. da primeira semana. É um dos carros que Ralph sabotou.”. – Antes que Jenny pudesse se mostrar sensibiliza da com o fato. será que não percebe?! Estou fazendo o possível para que pense um pouco em mim ou. mas não é a mesma coisa que trabalhar neles. na qual ele dera um grande número. eu ficava a maior parte do tempo na cozinha. – Quando era pequeno. Jenny havia selado o destino com aquela frase. ao menos. parar com o constrangimento que sentia em ter uma conversa como aquela. para que me dê uma chance.. continuo: – Sei que dirigiu carros de corrida por muitos anos.. depois. Não acha que apenas chegava. Nessa época. de sugestões e boas idéias. estes são completamente diferentes dos carros modernos com os quais está acostumado. Isso já seria suficiente para que se sentisse agradecida.. além disso. um modo de evitar meus pais. curvado sobre o motor. Era muito bom ter alguém para segurar a luz e passar as ferramentas. no entanto ele estava contribuindo com muito mais para o desenvolvimento dos trabalhos na oficina. enquanto trabalhava no motor. tivemos uma empregada por uns dois anos. – Me conte: onde o pobre garotinho rico aprendeu a preparar um café da manhã como este? Achei que nunca tivera um lar – ela tentou mudar o rumo dos pensamentos ironizando sobre as habilidades de Lucas. mas logo eles perceberam a situação e a despediram. Sem perceber. – ela assumiu. Teremos de retirar o motor e ver exatamente o que está errado.. – Como aprendeu tanto sobre carros? – Jenny o inquiriu no 90 91 término. ele continuou. que implicava que os dois iriam trabalhar juntos. acha? O dia estava muito quente e Lucas.másculo. mudando o tom amargurado da voz: – No que a ajudarei hoje? Trabalharemos no carro que você trouxe ontem à noite? – Acho que sim. querendo.. – Mas os princípios são basicamente os mesmos. dirigia e. – Eu tento não achar nada a seu respeito. – ela respondeu. Fazia apenas uma semana que Lucas estava a seu lado. mexendo ainda mais com os sentidos de Jenny. – Oh. – Disse que “tento. percebendo o quanto sua pergunta fora tola.. Jenny. saía do carro. no entanto. ignorando a verdade. sendo forçada a admitir que tudo seria muito mais difícil sem a ajuda dele. embora soubesse que preferiam que eu fosse no lugar dela. com os funcionários de Bill . e ela podia notar como ele preenchera sua vida. Depois.

tudo se repetiria. bem em cima da oficina. certamente. – Sairemos com o Franklin em uma viagem. Era difícil de acreditar.. No entanto. era claro. Para Jenny. no que está pensando? – Lucas perguntou. Não suportaria a dor no dia em que ele. e. após terem terminado um longo dia de trabalho. algo que ela tinha como muito pessoal. – Então por que não pensar no quanto estou louco por você? Por que não pensar em aceitar o fato de que fomos feitos um para o outro. era melhor que jamais voltasse a dar confiança às cantadas daquele homem.. Portanto. – Jenny. Embora isso significasse que ele deixaria a casa dela. imaginando as implicações de uma saída tão longa. na segunda. não restou dúvida alguma de que era a garota ideal e com quem eu tinha de casar. estavam quase no final de outubro. no final do mês. aquele era mais um motivo para adotar uma posição hostil em relação a Lucas. trabalhando juntos há quase três meses. – Duas semanas! – Jenny se surpreendeu. aquilo era um absurdo. Ficaremos fora por duas semanas. fixar moradia ali seria criar mais vínculos. – Eu. interrompendo o trabalho no motor. como se não bastasse a reforma geral na oficina.. ele estava agindo como Ralph e. Não permitiria que brincassem com seus sentimentos novamente. temos algumas coisas a planejar – Lucas disse casualmente. Os homens de Bill haviam aberto enormes vidraças que davam vista tanto para o rio como para o bosque: uma paisagem muito agradável. Não tenho outra escolha. o pior de tudo. estaria cada vez mais presa àquele homem e. Durante esse período tiveram problemas ocasionais. Eu soube disso na primeira vez que a vi e. cansado do jogo que estava fazendo. ele estava transformando a área do sótão. sumisse de sua vida.. surpreendentemente. as . Além disso. Era terrível. Poderia ser ainda pior.. mas que a incomodava muito.. Uma vez que ele era o dono da propriedade e estava gastando uma enorme quantia com reformas. o local estava ficando realmente bonito. – A propósito. E.. precisará sentir o mesmo. Jenny. num lugar onde pudesse viver. Nada de especial. para que isso. por alguns minutos. aconteça. no mínimo. pois com Lucas havia aquela estranha atração física.Minor por perto. mas. Por sinal.

para seu desapontamento. mesmo quando ele não tinha feito absolutamente nada para provocar tal comportamento. Na verdade. após terem conseguido terminar um trabalho difícil. esperara que fosse beijada. Algumas vezes Lucas chegara a tecer comentários a respeito do futuro que teriam juntos. Seus rostos ficaram próximos. no quanto desejava que a tocasse. Durante aqueles meses. No entanto. ele permanecia por mais um tempo. em circunstâncias como aquelas? . o que significava que deixara a morte de Sam para trás e voltaria a ter uma vida feliz. beijasse. Fora nessa época que Jenny percebera que Bill Minor passava a maior parte do tempo supervisionando pessoalmente o serviço que estava sendo feito na casa. Na verdade. eles se olharam firmemente nos olhos e ela. ela se vira batendo nos ombros de Lucas. que. Se em apenas dois dias ‘acontecera tanta coisa naquela exposição. Mas. Mesmo quando o expediente terminava. a única coisa ruim no romance de Alda era que isso criava noites terrivelmente solitárias para Jenny. Geralmente isso acontecia quando ficava sozinha e principalmente depois que ele se mudara para o sótão reformado da oficina. no instante em que falava de uma viagem que duraria duas semanas. houvera momentos nos quais realmente desejara o toque de Lucas sobre sua pele. Alda poderia se apaixonar novamente. também. estava certa de que não teria resistido. Lucas a pegara pela cintura e a rodara. Assim. ele a soltara cuidadosamente.. Muitas vezes sentira-se desamparada e até mesmo sua mãe parecia não estar mais tão presente. o que lhe dava tempo de sobra para pensar em Lucas. hospedados em hotéis entre estranhos. Então Jenny entendera o que se passava: a mulher de Bill Minor morrera havia cinco anos e ele era apenas alguns anos mais velho do que Alda. Seriam duas semanas juntos durante o dia e a noite. pois desejara aquilo mais do que nunca. Mas. no verão.. o que não poderia acontecer em duas semanas. ela sentiu uma onda de dúvida. segurara firme os braços dela. exceto por alguns beijos carinhosos que nada tinham de provocantes. quando se casassem. Um exemplo fora o dia em que.. Por alguns instantes. De repente. jamais voltara a fazer aquilo. comemorando o fato.coisas não tinham sido tão ruins quanto Jenny havia esperado. Se isso tivesse acontecido. chegando até mesmo a aceitar um convite feito por Alda para que jantasse com elas. nunca passara disso.. e. para se defender. Jenny notara a amizade dos dois transformando-se em algo próximo de um romance e se sentira muito aliviada com isso. afastando-a. o que às vezes irritava Jenny era o modo como ela própria reagia contra Lucas.

Mas.. No interior. sentia uma certa curiosidade em saber como Lucas vivia. – Não poderia.. uma mesa de madeira e duas cadeiras compunham a sala de jantar. O quarto continha uma cama.– Duas semanas! – ela repetiu. o guarda-roupa e um impressionante aparelho de som que. Pode imaginar uma corrida mais suntuosa do que essa? – É verdade! Mas não se esqueça de que estou acostumado com isso. será final de novembro e nós congelaremos de frio. Já imaginou como é dirigir um carro como aquele no inverno? – ela observou. Vamos lá em cima que tenho algo para lhe mostrar. – “A Caminho do Sol” – ela leu o título da capa. desculpando-se pela desordem do quar to. mas agradável. tentando ganhar tempo para encontrar uma desculpa. Depois. – Tem razão. junto com algumas revistas e livros. Embora relutasse por um instante. Costumava . com divisórias baixas separando os ambientes. Além disso. Minha mãe jamais permitiria que me ausentasse por tanto tempo. marcadas dia-a-dia. parando a cada noite num hotel mais luxuoso do que o outro. – Ainda não arrumei tudo ainda. Os participantes passam quase duas semanas numa corrida através da costa. – Não há por que se preocupar com isso. tentando um meio de evitar aquela viagem tão inesperada. dirigindo-se a :uma pilha de revistas.. ela decidiu que deveria ter mais detalhes sobre a viagem. Era uma área ampla.. – Quer . O que acha disto? – Lucas tinha uma revista nas mãos.. A cozinha era um pequeno espaço próximo ao banheiro. – Jenny. estou esperando por mais móveis – ele comentou. A capa colorida trazia a foto de um carro antigo estacionado em frente a um hotel de luxo. No canto esquerdo. – É uma daquelas viagens para pessoas que têm mais dinheiro do que juízo. mais fotos de carros e hotéis. continuou: Aqui está. não tinha voltado lá de novo e era instigante conhecer o local onde Lucas passava as noites que para ela eram sempre tão longas e vazias.. bem como mapas com itinerários de cidades. Lucas. até chegarem em Palm Beach. que fale o que realmente acho disso? – É claro! Sente-se e me conte. sua mãe nem sequer notaria. Num espaço maior.. ocupava toda a parede do aposento. Exceto pela vez na qual subira no antigo sótão no início das reformas. um tapete e algumas almofadas de couro faziam uma sala de estar simples.

. os concorrentes serão. – Ah. tenho um negócio engatilhado com autopeças para carros modernos e estava pensando em estendê-lo para o ramo de carros antigos. – Você me disse que sua família mexia com engenharia de precisão! – completou um tanto confusa. – É o que acabo de fazer. e não pode me acusar de que escondi esse interesse de você. quando pequeno. é a pura verdade.. É que uma corrida assim traria uma certa publicidade para o tipo . a conheci. – Gostaria que tivesse me contado. decidiu voltar às origens?! – Sabe muito bem que não é isso.. – Mas pensei. fabricados entre 1912 e 1915. enquanto tinha um negócio próprio e acha que isso não é relevante?! – Tem razão! Mas é que não tinha certeza de que o levaria adiante. mas esse trabalho é o meu próprio. no máximo. Carole e Wes ainda vão para lá. É claro que suporta. – Como?! – Bem. – Achei que não fosse relevante. o que construí sem a aluda de minha família.. Palm Beach.. Pode achar incoerência.de negócio que estou querendo desenvolver. imaginando se ele não estava tentando aplicar mais um de seus jogos.passar o inverno. quer me dizer que esteve durante todo esse tempo. depois de todo esse tempo.. mas... . Até que Carole e Wes me convenceram a ir àquela exposição de carros antigos e. seria criar uma espécie de laço entre a oficina e o que já tenho. – Nunca me falou a respeito dele. No mesmo instante. após o término do contrato. E então. Jenny. – Ela relembrara ó dia em que jantaram e Lucas lhe contara um pouco sobre sua vida. Então. em .. o que acha? Acredita . pensei que o único meio de garantir que continuaríamos juntos. – É verdade. embora seja um anão no meio dos gigantes: a revista diz que a corrida será limitada a carros fabricados até... na maioria. que seu carro suporta uma viagem assim? – Ele é seu agora. na minha oficina. vi grandes perspectivas em você e nos carros antigos. freqüentemente. 1915. depois do acidente.. mas ninguém será louco o suficiente para aparecer com um 1904. quero dizer. Acredite ou não. então. – Ah. carros eram a última coisa com a qual desejava trabalhar.

— Não tem problema.. – Não. é claro. Havia sido esperto o suficiente para tornar tudo menos doloro1>o para ela. se tudo sair bem. . o que significa que teremos de correr dez horas por dia.. ele agira como se fossem fazer algo juntos. estará lá para cuidar de tu do e tenho uma grande confiança em você. além de juízes. A revista fala em algo em torno de trezentos quilômetros por dia nessa etapa. . fora no dia anterior. – Mas esse não é o único problema.– Isso significa que o Franklin se sobressairia em relação aos outros carros?.. não teremos. Além disso.. Jennifer. Após ter colocado um vestido longo de crepe branco que comprara especialmente para a ocasião. Depois. Olhando distraidamente para o Franklin. que Jenny se dera conta de que precisaria estar bem atenta antes que o sentimento que a ligava a Lucas ficasse. fora Lucas quem não a deixara perceber isso antes. – Acredita mesmo que será tão fácil assim?! – Talvez não. Há os problemas técnicos que sempre acontecem e com os quais teremos de nos preocupar. Mas nem mesmo toda a agitação a fazia se sentir menos insegura. Ansiosa. No entanto. mas não sabemos o que pode acontecer na rota.. se chover. onde todos estavam’ reunidos.mais forte. ela percebeu que por ele não mais lhe pertencer a ligação que havia entre ela e o carro se quebrara. com o peso da solidão que sentia. enquanto um calafrio percorria-lhe o corpo. sem dúvida! Principalmente se fizer muito frio ou. De certa forma. A parte ensolarada da corrida também não será fácil para nós. Mas tenho certeza de que será muito divertido. – Ah. Estaremos preparados para qualquer coisa. técnicos e mecânicos por toda parte. Preocupava-se com os preparativos finais com o carro. descera para a recepção do hotel. CAPÍTULO IX Era o que realmente desejava: que aquela corrida fosse ao menos divertida. Investiremos em todos os tipos de proteção para o mau tempo. o que será uma catástrofe. Jenny pensou. Desde que tocara no assunto pela primeira vez. trabalharam lado a lado nos preparativos e Jenny teve o pressentimento de que uma coisa muito especial estava nascendo entre os dois. – Tenho certeza de que sairá! – É fácil dizer. embora houvesse uma grande quantidade de espectadores para o início da corrida. quando todos estavam reunidos numa noite de gala que dava início às festividades.

minha navegadora e consultora técnica para a viagem – ele a apresentara para o grupo. Embora tivesse. Com certeza já ouviu falar dela.. – Enquanto falava. no que diz respeito a isso. – De companhia. – Esta é Jenny. é óbvio.. – Creio que não. – Esteja certa de que tiraremos muitas fotos de você e Luc. Luc falou que você será de grande ajuda à companhia. deve estar falando sobre o negócio que Lucas está tentando desenvolver. Qualquer coisa. durante o último mês. Somos um dos maiores fabricantes do ramo. Meu.negócio é com carros antigos. não? – Diria que todos os tipos de autopeças. Lucas não lhe contou nada?! – Não! Se importa de me falar que tipo de produtos promoverei? Suponho que autopeças.esperava que Lucas se surpreendesse ao vê-la tão elegante e provocante depois de tantos meses usando apenas jeans e camiseta. enquanto Hal a olhava como se não compreendesse a pergunta feita.. – Disse mesmo?! Bem. em lugar disso. pela quantia que ele está me pagando é gratificante saber que estou realmente sendo útil para alguma coisa.. dirigindo.... trabalhando no carro. – Diretor publicitário?! De onde? – ela indagara um tanto confusa... Sou o diretor de publicidade de Luc – ele acrescentara cautelosamente quando vira a expressão assustada de Jenny. que tenha menos de cinqüenta anos não me interessa. – Encantadora! – observara um dos homens. Lucas se mostrara um tanto distante quando ela se aproximara do círculo de pessoas com as quais ele conversava.. no ramo.. então. – Certo! Esse é o ramo no qual estamos querendo entrar. Está falando sério? Não conhece nada sobre a companhia? – Sinto muito.. Não deixaremos de fazer uma espécie de apelo sexual. Isto sempre ajuda nas vendas... No entanto. Da Luc Lambert Produtos Automobilísticos. mas. se você chama uma companhia daquele porte de “negócio em desenvolvimento”. – Bem. apresentado como Hal. Jennifer Howe. tentado se convencer de que Lucas estava .. lembrara-se indignada de como Lucas havia comentado do “pequeno negócio” com o qual estava envolvido. mas não estou interada do assunto. desde carburadores até assentos..

– Parece que o tempo que esteve com você o deixou mais sociável. Estivemos tentando durante muito tempo torná-lo mais amigável e agora está claro que apenas precisava de um tempo para si mesmo. fazendo um gesto discreto em direção a Lucas e Leigh. Jenny pensara com um certo pesar. – Não se preocupe. esta morrera assim que Lucas a pegara pelo braço e a conduzira para a mesa que haviam reservado. Fora. no verão. Lucas no meio das duas. A partir daí Jenny permanecera em silêncio. ele não desviara a atenção de Leigh por um instante sequer e Jenny ficara em silêncio. – Não conhece meu irmão o suficiente para saber que não me atreveria a empurrar alguém para ele?! A idéia partiu dele e estou muito contente com isso. quase imóvel. até que surgisse uma . Leigh era extremamente bonita. Como Ralph. estava completamente afastado de todos nós. – É claro! – Carole assegurara com um de seus sorrisos artificiais. Esperando por ele estavam Carole. Antes daquele encontro. uma mulher loira muito elegante. Lucas e Leigh pareciam se conhecer há muitos anos. Mas o pior ainda estava por vir. O que fora compreensível. não imaginara que esse algo fosse apenas transformá-la num objeto que o auxiliasse a entrar num novo segmento do mercado. Não acha um bom sinal que ele tenha convidado Leigh para esta noite? – Foi Lucas que chamou Leigh aqui?! – Jenny se surpreendera com o que ouvira. uma vez que Leigh tinha tudo o que faltava nela. lhe significava algo muito importante. bem verdade que Lucas quase não falara. Cuidarei para que Wes arrume alguns contatos para você. Pelas coisas que falaram.. tinha estilo e requinte. ignorando-a completamente.lhe pagando todo aquele dinheiro porque ela. – Estou muito contente – Carole murmurara a Jenny. Wes e mais uma pessoa: Leigh. Se alguma esperança restara após a conversa com Hal. claramente interessada em Lucas e cujo vestido longo e sofisticado a tornava uma garota extremamente atraente. A partir do momento em que sentaram. enfim. falando casualmente com Carole ou Wes.. com suas angústias. mas também não fizera nenhum esforço para introduzi-la na conversa. embora deva atribuir a você o fato de tudo ter voltado ao normal. o tipo de garota que Lucas devia namorar.. como forma de recompensá-la pelo que fez. já estou recebendo mais do que o suficiente.. ele a estava usando em interesse próprio e isso a machucava mais do que poderia suportar.

. quantas vezes trabalharam dobrado para deixarem tudo pronto para qualquer eventualidade. mas. de nada adiantava ficar ali parada. Desde o início daquele relacionamento. de certa forma. depois de jantar. naquele instante.. Aliás. mas o orgulho e a determinação a impediram de fazer isso. com os braços cruzados em volta do peito tentando diminuir o frio que sentia naquela manhã.. No entanto. composto de pessoas como Carole e Leigh: a empresa. receando descobrir mais coisas sobre Lucas. anterior. descruzou os braços e seguiu para o carro.negócios.. Assim. fazendo com que Franklin fosse o vencedor daquela competição. reconsiderando tudo o que pensara durante a noite tão longa. Então. – Ela se . ele não parecia estar pronto para uma viagem de aproximadamente dois mil e quinhentos quilômetros. os romances. Exceto pelo modernos faróis colocados na frente do carro. Irão sentir frio – advertiu Ben. Lucas podia não significar mais nada para ela. na tarde. tinha visto. quando ele inventou essa viagem maluca – Tenny observou. Havia dormido muito pouco durante a noite. Apenas ela e Lucas sabiam o quanto se esforçaram para aquela corrida.oportunidade de sair da mesa e se dirigir para o quarto. Além disso. pensando no quanto se iludira. mais para si mesma do que para Ben. Até que momento. Talvez não vá sentir tanto frio assim. onde dois mecânicos contratados por Lucas faziam os ajustes finais.. não tivera o desprazer de encontrá-lo e. ela faria o mesmo para reconquistar sua reputação. passara a temer tal encontro. o nome de Ralph na lista oficial dos participantes da corrida. se a estava usando como um objeto de promoção de vendas para a companhia. Ninguém notara sua saída. No entanto. Havia sido péssimo quando ocultara sua identidade e muito pior quando ela o descobrira mancomunado com Ralph. em que estava sozinha. não estivera preocupada com isso. um dos mecânicos. Várias vezes pensara em abandonar a corrida e ir para casa. Na realidade. era uma estranha no mundo de Lucas. Estava decidida: levaria aquele projeto adiante. – Mas parece que está vestida de acordo. Jenny tinha certeza de que não significava nada a mais para Lucas do que uma pessoa conveniente para os . no entanto tinha um contrato a cumprir. — Ao menos Lucas acredita que estas roupas serão suficientes. como se não bastasse a angústia que sentia. ele estivera escondendo a verdade. Foi exatamente o que falei a seu chefe.

eles vieram por conta própria. Aquele homem. o que devo dizer? Ah. Sabia que já tinha olhado tais coisas centenas de vezes.interrompeu.. – Mas não os convidei. enfim. – Oh. – Ela lhe dirigiu um olhar frio e acusador.. logo depois de dada a largada: – O que há de errado. checou o óleo. a bateria. aquela viagem. olhando fixamente à frente até que ele dirigisse o carro para a linha de partida. Devia ter me advertido que estariam lá. – Ah. passandolhe uma folha presa a uma prancheta. Jenny? – Lucas finalmente lhe dirigiu a palavra e. o Franklin vinha na primeira posição. . No entanto..é isso. – Sabe que não. Quebrando o silêncio que havia entre os dois. Faria qualquer coisa para não ter de encará-lo até que estivessem sozinhos e pudesse falar exatamente o que pensava a respeito dele. até mesmo o modo como ela própria estava agindo a perturbavam. Aproveitando que Lucas ligava o motor. não podia dizer tais coisas: o orgulho a impedia de demonstrar tanto interesse por ele... depois continuou: Por que não me contou que era uma companhia de grande porte? . Estão aqui apenas porque um dos motivos desta viagem é promover os negócios da empresa. a gasolina. . sim! Talvez deva lhe dizer que sou um homem rico e bem-sucedido e também um dos maiores fabricantes de auto peças. fingiu estar ocupada com ajustes no motor.. enquanto entravam na estrada ao lado do hotel. Era óbvio que não era tudo. assim. deparar-se com mais um de seus olhares sedutores. evitando. continuou: – Não há nada que ainda não saiba.. Jenny? Por que me deixou sozinho ontem à noite? – Deixei-o com Leigh. Leigh também a incomodava.. olhava para mim como se eu fosse alguma idiota por não saber nada a respeito da companhia. Isso é tudo o que está incomodando você? .. Bruscamente. – Pronta para começar. Permaneceu sentada. Não parecia estar precisando de mim. – Ciúme! – ele observou num tom irônico. Todos aqueles diretores de sua companhia. sim. mas deve conservá-la com você. ela subiu rapidamente no carro.. depois. Mas não importava. Lucas. Como era o carro mais antigo da competição. percebendo que Lucas se juntara aos dois. aquele pequeno negócio sobre o qual me contou.... Lucas indagou. A impertinência de Carole... Ral.

permitindo que ela permanecesse numa atitude tão fria quanto o dia. o carro diferente. – Assim se secaria e ainda poderia me guiar pelo rádio. estaremos congelando.. foi apenas um pequeno detalhe que esqueceu de me contar. gostaria de me concentrar na rota e parar com essa conversa tola.– É claro que é tudo – ela finalmente conseguiu responder. Chegando a uma cidadezinha. somos um pouco loucos. não foi? Estou cansada de suas mentiras e evasivas. -Bem. Até mesmo a forte luz das faróis era insuficiente para iluminar a estrada e Lucas estava começando a se preocupar quando notou uma radio patrulha atrás deles. contendo os sentimentos. Assim que atingiram o Estado da Pensilvânia... – Mas não se preocupe. se não se importa. – Todos estarão no hotel muito antes do anoitecer. comentou: – As pessoas devem achar que somos terroristas ou fugitivos do hospício! As roupas estranhas. perto do que ainda aconteceria. decidiram fazer uma pausa para um café e.. com isso. algumas gotas de chuva começaram a cair e Jenny. aquilo não era nada. Mas estava enganado. – Ao menos não poderá ficar pior depois disso. foram obrigados a parar num semáforo e Jenny. Para sua surpresa. meio ofegante. puderam ver todos os outros participantes passarem à frente deles. – Deveria ir para o hotel com eles – Lucas sugeriu. fazendo com que o forte vento trouxesse um frio insuportável. de modo que podiam correr na velocidade máxima. A chuva veio com violência ao anoitecer.... enquanto nós. – “Os Gigantes” – Lucas observou enquanto os carros passavam na frente da lanchonete. falando com ele apenas quando era necessário dar alguma instrução. . A rota que faziam os levava por estradas distantes das grandes cidades. Enquanto conversavam.. não acha? – É verdade! Ainda considera essa loucura divertida? – É claro que sim. e ficará mais divertida ainda à medida que nos aproximarmos do sul. observando o reflexo do carro na vitrine de uma loja. No entanto.. comentou: – Deve estar doente para achar tal coisa divertida. Agora. ele concordou com um gesto de cabeça.

Isto é um conjugado?! – Jenny interrompeu a si mesma. era óbvio. parando no corredor. espere– Jenny falou em voz alta ao mecânico que tomara o lugar de Lucas. Harry e Ben poderemos cuidar disso. Além disso. no primeiro andar.. Assim. querido. quando olhou no interior do aposento ao qual ele a conduzira. isso não significava que estava tudo bem. preciso checar tudo para amanhã – ela completou.. não demonstraria contentamento algum em estar ali.. vamos jantar. – Eu. não vai! – Lucas se livrou de Leigh e pegou Jenny firmemente pelo braço. Jenny decidiu que. Jenny ouviu a voz de Leigh. Leigh acenando com os braços para Lucas. Embora houvessem tido um dia amistoso. Jenny pôde ver claramente Ralph e. o carro precisa ser checado. O hotel está lotada e não poderemos encontrar outra vaga uma hora dessas. ela mostrou sua intransigência escapando bruscamente do toque. – Acho que não terá escolha. Jenny sentiu o braço ser tocado pela mão malhada de Lucas. com a intenção de guardar o carro na garagem. obrigada! Se cheguei até aqui. provavelmente. Assim que se aproximaram do hotel. – Vou com você. mais preocupada em escapar de todos do que em verificar o carro. tínhamos desistido de esperar par você.. – Mas amanhã poderá.. – Harry.– E perder todo esse divertimento?! – ela inquiriu com ironia. Mas. posso agüentar o que falta. – Não. determinada a manter a posição hostil em relação a ele. Depois. mesmo que fosse um lugar agradável. – É assim que se fala! Ao mesmo tempo que percebeu o tom de aprovação na voz dele. demonstrando todo o . para abrir a porta do quarto. alimentar-se. levavam aos quartas propriamente ditas. O ponto de parada naquela primeira noite era um luxuoso hotel fazenda. – Não. logo atrás. – O que você precisa é de um banho quente e. – Não ficarei num conjugado com você. apenas alguns participantes saíram na parta para recebê-las. depois. Cama já era bem tarde. Havia uma agradável sala de estar com uma lareira acesa e duas portas que. dirigindo-se à recepção do hotel. virando-se lago em seguida para não ter de presenciar uma recepção tão íntima. seja uma boa garota e tome um banho. Jenny. – Pela primeira vez naquele dia ele falou num tom irritado. – Lucas. Agora. não aconteceu nada de errado com o carro hoje – ele afirmou.

– Os juízes advertiram que será muito mais difícil do que hoje. no corredor. estendendo-lhe um prato. ficaria ali e solicitaria um serviço de quarto. depois de um dia tão cansativo. notou que alguém trouxera a bagagem. em resposta à suave batida na parta. não passaria par outra humilhação durante o jantar. Apenas solicitei que dobrassem seu pedida. Por que você vai jantar com Leigh? Ela é muito mais o seu tipo. Aqui está um – ele indicou um ponto no mapa com a caneta. assim que pediu a comida. com Leigh. Foi exatamente o que fez e. Jenny. ela perguntou indignada: – O que está fazendo aqui?! Achei que estivesse lá embaixo.. Quando saiu do banho. tratou de improvisar uma mesa próxima à lareira. Assim que o empregado do hotel se retirou. é bem mais prático.cansaço da viagem. Havia se aproximado mais para que Jenny pudesse ver melhor. teremos de dar uma olhada na rota de amanhã. antes de irmos dormir.. – Essa idéia foi sua. Sentada numa almofada. Já pedi meu próprio jantar. mas sim a nossa capacidade de permanecermos na rota. Lucas... Vamos comer – ele ordenou. ela se levantou assim que ouviu o barulho do carrinho de comida. aquecida e prestes a se alimentar um pouco. desista! Estamos exaustos demais. – Acho impossível! – Creio que não se referiram ao tempo. ela não pôde deixar de reparar nos fortes músculos . ela teria se recusado a comer.. enrolada numa toalha. Com isso. não minha. observando distraidamente a lenha queimar na lareira. Em silêncio. – Teremos de estudar cautelosamente o caminho que faremos amanhã – ele observou assim que terminaram de jantar.. adiantou-se e abriu a parta. pegou o prato e se ajeitou próxima à lareira. – E aqui está ele. Estava decidida a não descer. além disso. Era muito bom estar ali. Coma ela não fez menção algum de pegar o prato. ela se trancou numa das suítes e foi direto para o chuveiro. saindo da outra suíte. ele continuou: – Vamos. – Só um minuto – ela falou. – Não jantarei com você. tentando ignorar por completo a presença de Lucas. – Não obrigada. Vá e me deixe sozinha! – Com isso. Existem pontos onde se pode sair dela com facilidade. No entanto. Se não estivesse tão faminta.

Embora parecesse não haver mais tempo. mas.. mas Jenny estava absorta demais para poder responder. – Não consigo entender. – Jogando o mapa sobre a mesa. Jennifer. Necessitava apenas dos beijos de Lucas e do peso daquele corpo másculo sobre o dela. – É a magia de que lhe falei. ao mesmo tempo. Será que não pode admitir isso?! – Sim.. – Evitando encará-lo. – Então por quê? – Esqueça os porquês. posso – ela confessou com um suspiro..raiva. como a enganara. ela sabia que esperara por aquele momento durante todos os meses que estiveram juntos. No íntimo. – Não – ela sussurrou.. Jenny.. com a razão. Tudo o que desejo é você. Escute.. – Não minta! Sei que está com ciúme por causa de Leigh. ela não respondeu. – Carole mentiu. – Ah. Que me tire do círculo social que ela freqüenta. O que você acha? No entanto. – É claro que pode. ela ainda tentou evitá-lo: – Mas Carole disse.. Jamais o perdoaria pelo modo como a estava usando. Precisava esconder os sentimentos. Sabe que não quero isso para mim. Deixe-me apenas beijá-la. Não há nada de errado. exceto o orgulho. Por que está tão zangada comigo? – Eu não. pode até mesmo me odiar... Jennifer Howe.... Mas a força daquela atração era forte demais e estava acabando com a. pode se zangar comigo. – Jenny – ele tentou novamente. com tudo. – Jenny?! – Ele a encarava e a fazia se perder naquele olhar. No entanto. enquanto Lucas a deitava sobre o tapete. não conseguia parar de se sentir atraída por aquele homem tão perfeito fisicamente.. uma vez que os lábios de Lucas já a tocavam no rosto. mas essa magia estará sempre presente e não terá como lutar contra ela. mas isso não faz sentido algum. ela mentiu instintivamente.delineados pela camiseta colada. chega de rotas por hoje. Lucas fora esperto o . Ela tem medo de que fique comigo. nada mais importava naquele instante. entregando se completamente aos beijos de Lucas. Sentia uma estranha fraqueza tomar conta de todo o seu ser e temia não resistir ao calor daquele corpo másculo colado ao dela. Havia algo estranho acontecendo. ele colocou as mãos na face dela e a olhou firmemente.. Ainda está presente entre nós. – O que está acontecendo de errado entre nós dois? Não pode ser apenas a viagem. é por você que me sinto atraído. Jenny. mexendo completamente com seus sentidos.

nunca disse isso antes e espero não dizer para outra mulher que não seja você. Apenas estou querendo dizer que não me agrada a idéia de estar sendo usada. – Então. não tinha tanto dinheiro como você.. Eles me consideravam engraçada e diferente porque gostava de carros. e.. e os poucos que me assediavam acabavam rindo de mim. furiosa por ouvir algo em que um dia acreditara tão fortemente. afastando-se de Jenny. Esteve desde o início – ela acusou. – É muito simples. – Quer dizer que algo semelhante aconteceu com Ralph? Ele ficou atrás de você apenas por interesse profissional? – Já lhe contei tudo sobre Ralph. está. diziam que eu parecia um garoto. Pensei que isso havia parado quando conheci Ralph. num novo ataque de resistência. – É por ‘causa dele que está agindo dessa maneira? – Sabe muito bem que não é isso.. Quando estava na escola. mais tarde. depois de tudo o que acontecera. – Não acredito! – ela esbravejou. – Jenny. – Deve dizer isso para todas as garotas. – E ele chegou a pensar em casar com você para atingir esses interesses? Sim. – Os homens sempre se divertiram a minha custa e não vou permitir que isso aconteça novamente. Mas é tudo a mesma coisa: Ralph estava atrás de mim pelos meus negócios. – Oh. Porque te amo. enquanto você espera que eu melhore os seus. enquanto tirava proveito disso. – Claro que é. mas me enganei. mas que. sabia que era uma grande falsidade. teria um pouco de diversão até que voltasse à rotina normal de sua vida. – Sempre foi assim.. não entendo por que fariam isso com você. depois.suficiente para esperar . – Jennifer. apareceu . não era atraente como as outras meninas. mas ele precisava ser prático. Decidiu que eu seria útil a sua empresa e. – Está apenas brincando. Você é exatamente como Ralph.até que tivesse certeza de uma total entrega por parte dela. isto não é uma brincadeira. – Pare de falar tamanhas bobagens – ela explodiu num acesso de choro. Jenny. Jenny. – Estou atrás de você – ele observou com o olhar perdido na lareira. – Sim... – Ele soltou um longo suspiro. Embora não consiga entender claramente o por que...

Jenny. não conseguia afastar a lembrança do modo como a segurara. “Não posso” ela respondeu a si mesma. com as roupas apropriadas para a retomada da viagem. – Não para mim. falara algo como precisar confiar nele e depois. Lá estava ele novamente.. a voz abafada pela camisa de Lucas. Jenny. a mão acariciando levemente os cabelos de Jenny. eu prometo. ela tentou se esquivar do olhar de Lucas. a voz doce. embalando-a. logo em seguida. – Nunca o perdoarei por isso. “Não quero saber de nada. na noite anterior. – Eu te odeio – ela falou entre soluços.. dirigindo-se para os Estados de . em dúvida se o questionava sobre a noite anterior ou não. – Jennifer. vestindo-se. saiba que nunca farei isso.” Como poderia perguntar a Lucas tal coisa.você e tudo se repetiu novamente... Jenny acordou com uma suave batida na porta. Como para piorar ainda mais a situação. Será que estava tão cansada a ponto de não se lembrar de como fora parar na cama? Ou teria adormecido nos braços de Lucas? Tudo o que percebia era que estava com a mesma camisola e o roupão que pusera. Lucas e abraçou e. Bem. Lembrava-se apenas de que Lucas a confortara enquanto chorava. era tudo o que havia sobrado daquele momento tão sublime... O dia estava ainda mais frio do que o primeiro. a delicadeza de seu toque. tentou recordar como havia ido para sua suíte. tomou um banho. nem todos os homens são iguais. Jamais mudarei. quando não se permitia sequer pensar nele? De qualquer forma. meu amor. falando com tanta convicção que quase podia fazê-la acreditar naquelas palavras. – “Nunca” é muito tempo. eles atravessaram as localidades de Lancaster. no entanto não chovia.. tentou confortá-la daquele acesso de choro. CAPÍTULO X Na manhã seguinte. Apenas fragmentos.. Não teria como encará-lo depois de expor fatos tão pessoais. quando saíra do banho. sim. – Mudará. Sob um céu limpo. Completamente envergonhada pelas revelações que acabava de fazer. Deveria perguntar a ele para acabar de vez com aquela dúvida? Enquanto pensava o que faria. quanto tempo levará para que aprenda a confiar em mim? – Pela primeira vez Lucas tinha a voz tão insegura quanto ela própria se sentia. Ainda um tanto desorientada.

de contentamento de Wes e Carole com a situação. assim que tomou coragem de descer para jantar. No entanto. . No entanto. Provavelmente. ele parecia um tanto quieto. Não havia necessidade alguma de se preocupar com ele enquanto Leigh estivesse . Lucas. Poderia ser apenas uma cisma sem fundamento sólido. Ralph parecia ter mais um daqueles planos perversos em mente. Isso estava começando a deixá-la preocupada. De certa forma. As noites se repetiam.Maryland e Baltimore. encarando-a com o mesmo ar calculista que costumava ter. limitando-se a falar apenas sobre o carro e os preparativos para o dia seguinte. Ainda ficariam muitos dias juntos na estrada. que sempre tivera qualquer mulher que desejasse. No entanto. apesar da forma como olhava. enfim. Mas. Tentando escapar dos olhares. Jenny olhava a esmo pelo salão. Para alívio de Jenny. deparava-se com Ralph. passaram-se mais três dias nos quais eles se tratavam com certa distância e a conversa pessoal que ela tanto temia nunca chegava a acontecer. Afinal de contas. um pequeno hotel no Estado de Virgínia. sempre que fazia isso. Em vários pontos havia bifurcações nas quais não existia placa alguma indicando a direção a ser tomada. nunca desistiria de arrumar um novo jeito de conquistá-la. ela foi obrigada a presenciar a intimidade com a qual Lucas e Leigh conversavam. Mesmo quando chegaram à parada daquela noite. Permanecendo no salão de jantar por mais ou menos três horas. fazia parte do presente. passariam mais noites em hotéis luxuosos. Lucas estava certo quando dissera que a rota seria difícil. Certamente. Estar ocupada com a rota foi o melhor meio de evitar uma conversa com Lucas. com Leigh tomando todo o tempo que ele tinha disponível. não depois de tudo o que acontecera. Ralph não poderia fazer mais nada contra ela. Ao final da corrida ainda continuaria tentando provar a si mesmo e aos outros que conseguia obter tudo aquilo que queria. apesar de Jenny procurar se convencer do contrário. Ela podia perceber isso no brilho daquele olhar. não havia suítes conjugadas no hotel. era algo do passado. havia prejudicado a reputação dele quando enviara as cartas aos donos dos carros que ele sabotara. até ele parecia não querer falar muito aquele dia. ele ainda teria muitas oportunidades para tentar alguma coisa. Jenny representava uma espécie de desafio para ele. ele estava morto para Jenny e. descobriu que o quarto de Lucas era ao lado do seu e em frente ao de Leigh.

minha querida. num tom de quem era responsável pelo bom desempenho que Lucas e Jenny estavam tendo. Passaram a noite seguinte numa cidadezinha entre Richmond e Petersburg. – Como poderá ganhar quando é sempre o primeiro a sair e o último a chegar?! – Liderar uma corrida como essa não significa estar na frente todos os dias – Lucas explicou com um sorriso apagado. ao contrário do início da viagem. muito complicada para você.por perto durante toda a noite. a angústia que sentia era tanta que não percebia o quanto Lucas também estivera quieto e entristecido nos últimos dias. – Oh! Mas me diga. não tem sequer tempo disponível para mim – Leigh comentou com um sorriso encantador. . Quem sabe ele voltaria com Carole. que combina o tempo com a idade do carro: quanto mais velho o carro. como eu e Jenny. eram quentes e ensolarados nessa parte da corrida. quando a viagem estivesse terminada. divertindo-se. Hal. se o carro está com um bom desempenho. comentou: – Posso começar a fazer as contas de quanto iremos faturar. Já haviam completado mais da metade do percurso e ela tentou imaginar o que aconteceria quando chegassem a Palm Beach. excluída dos demais. como o Franklin. não se pode perder... uma vez que não vejo chances de perdermos. como disse Hal. na costa da Carolina do Sul. fixando Lucas com o olhar. nos quais sempre ficaria em silêncio e. Wes e Leigh para Nova York e mandaria alguns empregados fechar a casa no sótão da oficina. durante toda a corrida. enfim. no Estado da Carolina do Norte. Existe uma fórmula. essa corrida significa tanto assim para você? Quero dizer. mais tempo leva-se para completar um dia de corrida. Talvez nunca mais o visse novamente. uma vez que. demonstrando todo o seu convencimento na última frase. e se o motorista e o navegador fazem um ótimo serviço. De qualquer forma. Hal estivera tirando fotos e fazendo imagens para a imprensa. Mas. Jenny pensara nos jantares que se sucederiam. Os dias. então. de certa forma. Lucas. Durham e Raleigh. Na noite em que pernoitaram na Carolina do Sul. ele teria conseguido o que desejava: alcançar a publicidade necessária para entrar no ramo de carros antigos. poderia estar por aí. Seguiram depois por localidades como Greensboro. parando num hotel. – Não consigo entender como! – Leigh exclamou. No entanto.

– Só está errada ao dizer que não tenho tempo para diversão. paralisada com aquele olhar que a cortara como um raio. – Jenny.. era um pouco de solidão. – Percebendo o quanto se afastara do hotel. Depois. Lucas não correspondia com grande entusiasmo. ar fresco e um tempo para poder pensar seriamente sobre aquilo. ela sentiu um certo temor por encontrar Ralph numa circunstância como aquela.. o quanto desejava que fossem. Será que ficara constrangido com a situação? Ou estava incomodado porque esperava tê-la seduzido e não conseguira? Não. ela se perguntava.– É verdade! – ele concordou com um gesto de cabeça. o comportamento que assumia confirmava que ele não fizera tal convite. Eu e Jenny gostamos do desafio. Jenny saiu da mesa e pegou o caminho do quarto. Será que ele . espere um minuto! Era incrível! De onde teria saído Ralph. Particularmente. Por acaso está me evitando? – Não mais do que você tem feito. fazendo-a pensar no quanto as coisas poderiam ser diferentes. Jenny também não parecia lhe importar tanto. “Quanto tempo levará para que aprenda a confiar em mim?” As palavras de Lucas ecoaram na mente dela. enquanto Leigh flertava com ele persistentemente. no momento. Existiria realmente algo entre eles ou era tudo uma grande farsa? Era bem verdade que. ele a convidara para a corrida. – Foi só o que ela conseguiu responder. Jenny?! Estamos nessa corrida há aproximadamente uma semana e esta é a primeira vez que nos fala mos. acho divertido quando estou na estrada. – Engraçado. Será que deveria confiar em Lucas?’. Assim que teve uma oportunidade. Sim.. A única coisa de que precisava. Jenny? – Sim. Leigh não significava muito para Lucas. não podia ser isso. não. ele estava quieto e distante. para que aparecesse tão repentinamente à frente dela? Jenny tentou imaginar. estava apenas esperando que aprendesse a confiar nele. no entanto. “Será que ele se importaria tanto comigo para agir assim mesmo depois de tudo o que aconteceu?” ela perguntou a si própria. dirigiu o olhar para Jenny. Desde a noite em que cometera o terrível erro de chorar nos braços de Lucas. não é. enquanto atravessava a recepção e decidia caminhar um pouco antes de ir para o quarto. enquanto andava vagamente por entre as árvores que circundavam o hotel. enquanto dava um longo suspiro e se virava para voltar ao hotel. enquanto se recuperava do susto que levara. Por outro lado. De acordo com Carole. que parecia estar gostando do jeito como ele se divertia à custa de Leigh..

. por seu próprio bem. lutou por aquilo que queria. acho que não temos nada a conversar. – Não quero você por lá. A oficina está crescendo e crescerá ainda mais quando essa corrida terminar. – Não fez nada além do que lhe fiz quando tive chance. Mas não se preocupe. sabe disso. Ele já está perdendo o interesse por você. realmente não estou interessada nessa conversa. – Diria que temos muita coisa ainda. Fiz o melhor que pude para arruinar com sua carreira e agora tentou o mesmo comigo. Sabe muito bem que não conseguirá isso de seu namoradinho. deliberadamente?! Mesmo quando tentou arruinar meu negócio?! – Isso não acontecerá de novo. – Poderíamos nos juntar profissionalmente. Não. Desejava voltar para o hotel.. Acho que esta mos empatados. Jenny. e eu poderia querer me vingar por isso. – Bem.esbravejou. Jenny. – Bem. seguindo-a? – Além disso. – Ralph. Estava pensando que poderíamos nos juntar novamente. com quem conversa todas as noites. no entanto ele impediu sua passagem. Pare e veja como trabalhávamos bem. não é exatamente isso que queria lhe falar... mais preocupada em encerrar aquela conversa do que em concordar com Ralph.. eu prometo. – Lucas não está fazendo nada comigo – ela. – Então estamos quites? – ela perguntou. – A única coisa que fiz foi contar a verdade. escute-me primeiro – ele interrompeu assim que percebeu o gesto de protesto jeito por Jenny. juntos.. Mesmo quando não estávamos mais. Ele sumirá de sua vida assim que essa viagem terminar. – Nunca. – Mas deveria. principalmente depois que encontrou aquela loira encantadora.. Tem feito um bom serviço para sujar minha reputação nestes últimos meses. – Vai precisar de alguém.. . . Eu voltaria a trabalhar na oficina. jamais confiarei em você para nada. – Bem. .estava . pelo menos não farei com você o que Lucas tem feito. – Não pense que só porque estamos trabalhando juntos há algo acontecendo. Jenny. sentindo a dignidade ser afetada pelo rumo que a conversa estava tomando.. Seu nome ficará conhecido e precisará de ajuda. Jen. não o farei – ele disse num tom que soou falso para Jenny. Dessa vez poderá contar comigo. Somos iguais neste aspecto: somos lutadores.. – Mesmo quando fez um mau serviço.

mas. que conseguiria o carro por conta própria e ainda se divertiria um pouco com você. pediu-me para que ficasse fora da jogada. – Mas não quero! – Ela tentou se afastar.. O problema é que ele também diz que não há nada entre vocês. voltava com grande ímpeto. no verão. Ralph soltou o braço dela e Jenny pôde perceber um som grave... após afirmar que acertaria nos pontos onde eu tinha falhado. no verão. Mas. quando eu disse a ele que arrumaria para que comprasse o Franklin. Toda a insegurança que sentira naquele encontro. e acho que está que rendo saber o que é verdade e o que não é. você era algo mais do que isso. e precisa saber. de que conseguirá conquistá-la antes. durante o tempo em que . – Sobre o que está falando? – Você não sabe? Não tem idéia? – A voz de Ralph soava como a de Tessa. Ele a tem feito de idiota. Jen. agora.. por favor – ela tentou interrompê-lo. Em seguida. – Era claro que queria.. você é apenas um passatempo. Lucas se virou para ela e.. vai me escutar.. tudo começou naquela exposição. – Não me obrigue a fazer isso novamente – Lucas falou secamente. observou: – Ouvi ao menos parte do que ele disse. O que Ralph dissera somente confirmava seus piores pensamentos. – Você tem de saber. – “É um desafio” . num tom diferente do usual.. mas Ralph a segurou firme pelo braço.. num momento de confusão.– Não quis dizer isso. É isto que você significa para ele: um desafio. Finalmente. – Jen. enquanto Ralph se levantava.... – Chega! – ela exclamou quase gritando. ela ouviu a voz forte de Lucas.. Jenny.. acompanhado do barulho de galhos quebrando. Para ele e todos que estão lá dentro. No entanto. – Saia daqui. por favor. com os outros homens. sei que não há nada entre vocês. Lucas tem feito até apostas... precisava saber o quanto daquilo tudo era real. – Pare. quando viera anunciar a verdadeira identidade de Lucas. – Ralph. conheço muito bem o tipo de garota que é. – Eu. Se quiser saber. – Não me interessa. Ao menos comigo.. Ela começou a sentir calafrios. no entanto ele a ignorou. quando ele a viu pela primeira vez.. – Ela disse que não quer! Repentinamente. ele me disse. Eu o preveni de que você não era o tipo de garota que se deixa levar facilmente.

Oh. caso contrário passaria o resto de sua vida com esse fantasma na cabeça. – Mas isso já é um bom começo. como Ralph afirmara? Em qual dos dois deveria confiar? Por um instante.. a empresa. No entanto. – Não estou certa a respeito de muitas coisas. como poderia... com tantas coisas saindo erradas. – Primeiro.. – No entanto. Depois. e não tinha medo de dar partida no carro a manivela – ele comentou com um sorriso. – Jenny tentava dar às palavras a mesma convicção que Lucas costumava ter. beijando-a com paixão. nunca menti para você. não me contando quem realmente era.. sensual. – Não – ela finalmente conseguiu falar.. – Tem certeza?! – Lucas não acreditava nos próprios ouvidos. – É claro que é! Já não lhe provei o suficiente? Soube disso desde a primeira vez em que a vi.. cabelos negros e um rosto perfeito. também. como poderia lhe pedir que expusesse sua versão dos fatos? Ele poderia mentir e deixá-la mais confusa ainda. Depois. Era o meu tipo de garota: delicada.. Ralph. – Se tenho certeza?! Nunca tive tanta certeza em toda a minha vida. diga que se casará comigo – ele murmurou. Havia um grande problema a ser resolvido e não poderia escapar dele. Sei que Ralph estava mentindo.. Os gestos mostravam que desejava aquilo mais do que tudo. se é isso o que realmente quer.. O único problema foi tentar convencê-la de que a amava. Jennifer. Posso ter omitido certas coisas que achava que tornariam mais difícil nosso entendimento.. Acreditar em Ralph ou confiar em Lucas: estas era a decisão que precisava tomar. sobre você não tenho dúvida alguma. – Fiquei enfeitiçado. Roma não foi construída num dia – ele observou.estiveram juntos. Mas. teve o pressentimento de que mais dúvidas estavam por vir. – Bem. – Mas como?! Como poderia saber tão cedo? – Senti uma atração inexplicável desde o início. tomando-a nos braços. mas. meu amor.. depois de tantos meses nos quais ela apenas alimentara medos e incertezas? Nos quais duvidava dele a todo instante? Ouvir isso foi como um bálsamo para seu coração... com olhos amendoados. teria Lucas dado algum motivo para que não acreditasse nele? Algum dia chegara a traí-la. – Sim. levou-me àquele passeio e me mostrou como os carros antigos podem nos levar a um mundo diferente... – Não preciso que me explique nada. Deveria ter sido mais claro desde o .

precisava apenas tê-la abraçado e. fiquei inclinada a desacreditar nos homens e... Acho que se não houvessem acontecido tantos desentendimentos também não teríamos nos encontrado.. Ralph.. embora estivesse me odiando. no entanto tinha de ganhá-la. – Não teríamos chegado tão perto de nos amarmos. embora tivesse tentado negar centenas de vezes. mas ter ocultado sua verdadeira identidade.. mas é que tinha decidido que não me envolveria com mais ninguém. provavelmente teria me afastado imediatamente e não teria me beijado. não conhecia nada sobre o amor e aquele dia percebi o quanto isso é importante. foi exatamente isso que aconteceu. – Ela deu um longo suspiro e completou: – Bem.. então. Está querendo dizer que..... pois nunca tinha chegado tão perto.. nem que para isso tivesse de cometer loucuras. mas aconteceu essa viagem. – O que.. apareceu Leigh. o que acontece? A primeira coisa que faz é me dar um motivo para não confiar mais em você. Lembra-se de quando escondi ter um certo conhecimento de mecânica? – Um certo conhecimento? Talvez tenha mais do que jamais terei. Sei que muitas vezes o tratei mal. na primeira noite. porém... – Sim. Então descobri sobre sua empresa.. – Sei disso! Você. – É verdade.começo.. isso até que não foi tão grave.. também. tudo piorou quando me contou o que Ralph lhe tinha feito. pelo que está me falando. realmente. – E fiquei muito contente quando isso aconteceu. sentia-se atraída demais para poder me excluir completamente? – É sim... enquanto. Estive prestes a confiar em você depois de todos aqueles meses que trabalhamos juntos na oficina. ruborizando com o que falavam.. então. e aquela noite na qual estava tão distante? . Para mim. se tivesse me contado tudo. Consegue entender o que estou falando? – Acho que sim. isto sim me machucou muito. foi uma garota muito difícil. fez..... após aquele jantar. com você foi impossível. – Sim – ela admitiu. Mas você estava certo. Depois do que Ralph fizera.. certamente. – Acho que não teria sido tão fácil assim. – E durante todo esse tempo estive imaginando o que poderia fazer para conquistála: invadindo sua vida.. De qualquer forma.. não sai ríamos para a floresta no dia seguinte e então. gastando uma enorme quantidade de dinheiro apenas para comprar o tempo necessário para que me conhecesse melhor..

Ainda temos a corrida para terminar. Meu Deus. partiremos para Dillon amanhã. – Tudo bem! Não amanhã. Amanhã cedo veremos se as leis não mudaram e. – Meu comportamento mudou muito. – Esqueça. Era o tipo de situação de que me esquivaria com facilidade em outros tempos.. ficando cada vez mais distante. levaremos apenas vinte e quatro horas para nos casarmos. e pronto! Jenny cruzou os braços em volta do pescoço dele... mas.. – Sim – ele admitiu com um certo pesar.. – Não. o mais cedo possível. esqueça a corrida! – Mas estamos ganhando.. já pensou onde estamos? Parece coincidência. uma cidade a uns cinqüenta quilômetros daqui. Você fez com que mudasse. Lucas..– Estava furioso com aquele trio: Carole. Estamos na Carolina do Sul. – É verdade?! Como sabe disso?! – Há muitos anos.. pelo modo como estava me tratando. – Amanhã! – ele respondeu tão prontamente que ela ficou sem respiração. mas você significava muito para mim. onde.. agora. – Ela ficou na ponta dos pés para lhe dar um beijo. estive . Wes e Leigh.. Tinha certeza de que não adiantaria. sei exatamente como ele se sentia. casaremos depois de amanhã. mas ao menos me forçou a analisar melhor tudo o que estava acontecendo... mas temia que conseguissem acabar com tudo entre nós dois. – Então. tentando fazer com que eu voltasse para o convívio deles... Jenny. Na época. pelo menos em Dillon.e ainda voltarmos para. – Não podemos fazer isso.. Ralph fez isso por você – ela sugeriu um tanto pensativa. mas depois de amanhã. já não conseguia pensar direito. se tudo der certo. desejando entrar em seu mundo o mais rápido possível. não acha? – Lucas falava com tanta euforia que Jenny não podia entender direito o que estava acontecendo. Jenny. não entendia por que tinha tanta pressa. – Um modo drástico de conseguir as coisas. – Mas temi que acreditasse nele.. – Ah. E. – Será que o suficiente para aceitar se casar comigo? Já disse que sim! Apenas me diga quando. não sabia mais o que fazer. Poderemos chegar em Palm Beach. Dillon. vencermos . quando me ignorava. ajudei um amigo do colégio a se casar lá. quando era calculista e as pessoas não me interessavam muito.

Quando Lucas colocou as coisas dessa forma.perto da vitória.. mas não resistindo à tentação de uma última tentativa: – Embora ache uma pena. – Teremos a vida inteira para vencermos. No entanto. se pensa que vou esperar um minuto além do necessário. a partir do momento em que percebera o quanto o amava também. Tudo o que importa. – ele prometeu entre leves beijos. Além disso. – Chegaremos em primeiro lugar. – Isso não significa mais nada.. Fim . Assim. está completamente enganada.esperando por esse momento desde a primeira vez em que botei os olhos em você e. depois de chegarmos tão . pela manhã! – ela concordou com um sorriso. Não havia argumento algum contra esse tipo de atitude.. na próxima vez. e a próxima. .. somos nós. agora. – Tudo bem! Dillon.. – Mas a viagem. beijando-o logo em seguida... essa era a maior prova de que ganhar a corrida não significava nada para ele. ela concordou com um gesto de cabeça. que realmente a amava. ela não teve mais como argumentar.. provas já não tinham importância alguma. Jenny pensou.