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Excelentíssimo Senhor Governador

Pedro Gonçalves Taques,

O Movimento Organizado pela Moralidade Pública e Cidadania - ONG MORAL, vem
respeitosamente, e de público, manifestar-se sobre a escolha do novo Procurador Geral de
Justiça de Mato Grosso.
Dada a importância do tema, pois o Ministério Público é instituição de defesa da sociedade e
do Estado Democrático de Direito, e uma vez cumprida a etapa de eleições internas, em que
os promotores e procuradores formaram a lista tríplice, estará nas mãos de V. Exa. a escolha
de um dos três nomes indicados pela classe, obedecendo ao que dispõe o art. 128, § 3º da
Constituição Federal e art. 106, III da Constituição Estadual.
Vossa Excelência, durante sua campanha eleitoral, firmou compromisso de combater toda a
corrupção e/ou desvio de receita instalados no seio da administração pública. Todavia a
responsabilização judicial dos agentes com prerrogativa de foro é de exclusiva atribuição do
PROCURADOR GERAL DE JUSTIÇA.
É preciso, portanto, que o cidadão tenha muito claro o papel do PROCURADOR GERAL
DE JUSTIÇA. Sua atuação não se limita a mera representação e administração do órgão, daí
a importância do ato de escolha entre os três nomes à sua disposição.
No aspecto jurídico o Procurador Geral de Justiça é o único, no Estado, legitimado a
processar o Governador do Estado (civil/criminal), Secretários de Estado (criminal)
Procurador do Estado (criminal), Defensores Públicos, Juízes de Direito de Primeiro
Grau, Membros do Ministério Público (criminal), membros do Legislativo Estadual
(criminal) Prefeitos (criminal) o Comandante-Geral da Polícia Militar e do DiretorGeral
da
Polícia
Civil
(criminal) e
REPRESENTAR
PELA
INCONSTITUCIONALIDADE de NORMAS ESTADUAIS.
Assim, desnecessário dizer da importância da atuação independente do Ministério Público no
combate aos atos de improbidade administrativa e malversação da receita e despesa pública.
No entanto, muitas vezes, verifica-se que o Ministério Público Estadual do Estado de Mato
Grosso não está atuando porque não está obtendo a necessária autorização ou delegação do
Procurador-Geral de Justiça.
Portanto, indispensável questionar a atuação do Procurador Geral de Justiça atualmente em
exercício, e que pleiteia sua recondução, que chefiou o MP por três vezes, e no intervalo entre
as chefias atuou no Grupo Especializado em Combate ao Crime Organizado – GAECO,
nomeado pelo Procurador Chefe que o sucedeu. Sendo a nomeação de promotor para atuar no
GAECO de livre escolha do Procurador Geral de Justiça, entendemos ser possível dizer que
há um grupo político que há doze anos está na cúpula do MPE, ocupando cargos estratégicos
na administração e no GAECO.
Não se pode negar que inúmeras fraudes e escândalos estaduais ocorridos ao longo dos
últimos anos não tiveram o tratamento adequado para garantir a responsabilidade
criminal/civil dos seus agentes. Nesse sentido, por exemplo, constata-se que as informações
encaminhadas pelo COAF resultaram em grandes investigações sobre lavagem de dinheiro no
MPF/MT, sendo que no MPE/MT desconhecemos.
Podemos nos arriscar a relacionar os possíveis motivos pelos quais o MPE é, NO MÍNIMO,
ineficiente em combater o crime organizado que pratica a corrupção e a lavagem de dinheiro
no estado:
a) O estado de Mato Grosso e o de Goiás são os únicos onde o Ministério Público do Estado
não tem Laboratório de Lavagem de Dinheiro - LAB-LD, aqui, o laboratório foi instalado na

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Polícia Civil, subordinado ao Governador Silval Barbosa, que, lembramos, não está sendo
processado no STF por Lavagem de Dinheiro porque a AL/MT não permitiu o processo.
Ciente desse fato, o então Senador Pedro Taques ofereceu emenda orçamentária para instalar
o LAB-LD no MPE, mas não houve resposta por parte do Procurador Paulo Prado;
b) Os membros do GAECO, escolhidos pelo Procurador Geral de Justiça, priorizam o
combate ao tráfico de drogas em detrimento dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro,
não tendo havido nenhuma operação para fiscalizar a Assembleia Legislativa, mesmo sendo
de conhecimento público que a AL/MT vinha sendo gerida pelo mesmo gestor que desviou
milhões e que a cada ano o custo da ALMT vem aumentando;
c) As prioridades do Procurador Geral de Justiça causam espanto, se comparamos a
Promotoria de Defesa da Mulher, que tem 4 promotores, com a promotoria de defesa do
patrimônio público, que não faz parte do GAECO, e que até este ano tinha somente uma
promotora;
Não há dúvida que o bom relacionamento da cúpula do MPE com o Governador e a
Assembleia Legislativa tem resultado em melhoria nos prédios, nos salários e condições de
trabalho dos membros e servidores do órgão, de modo que o grupo político mencionado tem
sido o mais votado internamente, portanto, segundo a avaliação da sociedade, se o órgão não
está atuando com eficiência não é por falta de dinheiro.
Por outro lado, a cada ano a Assembléia Legislativa também tem aumentos em seu orçamento
em detrimento dos gastos com Saúde, a exemplo da redução dos repasses do SUS do governo
do estado aos municípios, aprovada na ALMT em dezembro de 2012.
Fazendo uma breve retrospectiva, lembramos exemplos de como este grupo tem atuado:
a)
No escândalo dos maquinários, o então Procurador-Chefe do Ministério Público foi à
Reunião do Conselho Superior do Ministério Público defender pessoalmente o arquivamento
da investigação de improbidade do então governador. Na presença da imprensa, o Chefe do
MPE iniciou sua fala defendendo o arquivamento da investigação e terminou por defender o
próprio governador, mencionando a necessidade do maquinário e sua utilização pelas
prefeituras, como se tais fatos justificassem o superfaturamento de 100%;
b)
Em 2007 o Conselho Nacional do Ministério Público, a pedido do MCCE, anulou a
Portaria do Procurador-Geral de Justiça de Mato Grosso que havia designado para atuar na
Promotoria Especializada em Crimes contra a Administração Pública um promotor que já
tinha ocupado vários cargos de secretário de estado. O CNMP considerou o argumento do
MCCE de que o promotor não poderia atuar naquela área para investigar crimes cometidos na
própria gestão e a gestão de quem o nomeou;
c)
O STF há muito já decidiu que um novo mandato de deputado não dá imunidade aos
crimes cometidos em legislaturas anteriores, e a despeito disso não vemos empenho do
Procurador Geral de Justiça para fazer andar os processos criminais contra o ex-deputado José
Riva;
d)
Embora os autos da Operação Ararath tramitem em sigilo, supõe-se que o atual
Procurador-Geral de Justiça é um dos investigados, tendo em vista que, por ocasião da
revogação da prisão preventiva do investigado Éder Moraes, 30/05/2014, a imprensa noticiou
sobre o despacho do ministro Dias Toffoli, do STF “(…) No despacho, Moraes está proibido
de deixar o país pelo período de três meses e teve que entregar seu passaporte ao Supremo.
Além disso, ele está impedido de manter contato com os investigados da Operação, que
somam 23 pessoas, dentre elas a própria esposa, Laura Tereza Dias Costas. Na lista consta o
governador Silval Barbosa (PMDB), o senador Blairo Maggi (PR), o procurador-geral de
Justiça Paulo Prado, o promotor de Justiça do Gaeco, Marcos Regenold, o empresário Junior
Mendonça, além de outros.”;

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e)
Por fim, causou espécie, Senhor Governador, que o Chefe do MPE, acompanhado do
Procurador do GAECO, Marcos Regenold, investigados na Operação Ararath, poucos meses
antes da operação, tenham ido a à TV dar entrevista no Programa de Éder Moraes, servidor
público já indiciado na operação Cartas Marcadas, que era candidato declarado à
deputado estadual, o que por si só já configura propaganda eleitoral antecipada sem
mencionar que o programa que era veiculado em quatro canais de TV, evidenciando o poder
econômico do candidato. Ao invés de investigar, o GAECO e o Chefe do MPE foram dar
entrevista.
A Ong Moral propôs ao Conselho Superior do Ministério Público o afastamento de Paulo
Prado da Chefia do MPE, mas aquele Colegiado rejeitou o pedido entendendo que não havia
provas de que o Chefe do MPE figura dentre os investigados da operação Ararath, sendo que a
Ong Moral não tem como provar que o mesmo figura, porque o Processo Judicial que suporta
as investigações da Ararath tramita em segredo de justiça.
Não é necessário que a investigação termine e venha a público para se saber se o Procurador
Geral de Justiça que deseja ser reconduzido é investigado ou não na Operação Ararath.
Investigado ou não, incompetente ou conivente, lamentavelmente este grupo político instalado
há doze anos no MPE não tem servido à sociedade a contento.
Lembramos que qualquer dos três nomes pode ser escolhido, não fosse assim a lei teria
determinado que um único nome fosse apresentado, e não uma lista tríplice, à escolha do
Governador.
Senhor Governador, estamos convictos de que a sociedade o escolheu porque deseja grandes
mudanças e combate à corrupção, e pedimos que, através da escolha de um nome para o cargo
de Procurador Geral do Ministério Público do Estado, Vossa Excelência estenda as
necessárias mudanças ao MPE, pois é incompreensível que novo Chefe do Ministério Público
não tenha a necessária desenvoltura na investigação e punição de crimes contra a
administração pública, e por isso é necessário que aquele órgão não mais permaneça como
tem sido durante as gestões dos governadores recentes anteriores.
Portanto, pedimos, em nome das pessoas de bem deste Estado de Mato Grosso, que a escolha
de Vossa Excelência recaia, dentre os que compõem a lista tríplice, naquele candidato que
detenha perfil e condições éticas de enfrentar as importantes atribuições apontadas, para que o
que o MPE seja impessoal, independente, desatrelado dos interesses pessoais de governantes,
e que cumpra com eficiência e presteza o papel que a Constituição lhe destinou.
Cuiabá, 02 de janeiro de 2015.
Movimento Organizado pela Moralidade Pública e Cidadania - ONG MORAL
Elda Mariza Valim Fim
Vice-Presidente ONG MORAL

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