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EXCLUSÃO EXTRAJUDICIAL DE SÓCIO NA SOCIEDADE LIMITADA

Mariana da Fonseca Rahde1

O presente trabalho tem como finalidade discorrer sobre o procedimento
da exclusão extrajudicial de sócio na sociedade limitada, conforme as regras do
Novo Código Civil de 2002. Primeiramente serão abordadas noções gerais da
sociedade limitada, a fim de conceituar e dar finalidade às responsabilidades,
deveres e direitos dos sócios. Após, será analisado o instituto da dissolução
parcial, visando demonstrar que a exclusão extrajudicial permite preservar a
sociedade diante da inadimplência de algum sócio, sem a pretensão posta em
juízo. Por conseguinte, serão analisadas todas as possibilidades extrajudiciais
quanto judiciais de exclusão do sócio indesejado, bem como o procedimento
para a efetivação do desligamento deste da sociedade. Por fim, serão
verificados os efeitos no âmbito do Poder Judiciário acerca da necessidade de
comprovação de justa causa para a exclusão extrajudicial ou, ainda, a
possibilidade do sócio excluído discutir judicialmente sua expulsão.
Palavras-chave: Sociedade Limitada. Exclusão Extrajudicial. Justa Causa.
Previsão Contratual

INTRODUÇÃO
Este trabalho tem por escopo analisar, sem qualquer intenção de esgotar
o assunto, as possibilidades de ocorrência da exclusão extrajudicial de sócio
nas sociedades empresárias limitadas. Através de argumentos doutrinários,
juntamente com a recente jurisprudência, serão desvendados alguns dos
diferentes posicionamentos acerca do tema. No primeiro capítulo, de plano
será examinada e conceituada a sociedade limitada e, por conseguinte, serão
abordadas as responsabilidades e os deveres, bem como os direitos dos
sócios da limitada. Por sua vez, no segundo capítulo, o princípio de
preservação da empresa e sua função social introduzirão o estudo da exclusão
de sócio, como dissolução parcial, apresentando, assim, todas as hipóteses de
exclusão tanto extrajudicial como judicial, de acordo com os dispositivos legais
do Novo Código Civil de 2002. Em que pese não haja um rol exaustivo das
1

Acadêmica do Curso de Ciências Jurídicas e Sociais - Faculdade de Direito – PUCRS.
Contato: marianafrahde@hotmail.com

possibilidades de cabimento do procedimento extrajudicial, devido ao caráter
genérico das expressões “justa causa” ou “ato de inegável gravidade” exigidos
em lei, tem-se que o instituto a ser estudado visa à preservação da empresa,
mesmo que a priori seja contrária à existência da sociedade e da empresa,
uma vez que a sociedade se resolve somente ao sócio excluído. No terceiro
capítulo se analisará o procedimento da exclusão extrajudicial, estudando as
exigências legais para que a perda do status socii do sócio excluído seja válida
e traga efeitos diante terceiros. Por fim, serão analisados os posicionamentos
jurisprudenciais acerca dos efeitos da exclusão extrajudicial no Poder
Judiciário, demonstrando a peculiaridade contida no tema escolhido. Assim,
instala-se o presente trabalho com abordagem doutrinária, delineando as
principais questões práticas da exclusão extrajudicial, sem deixar de lado a
possibilidade da busca pela efetividade processual garantida no âmbito judicial.

1 A SOCIEDADE LIMITADA NO NOVO CÓDIGO CIVIL
O instituto da sociedade limitada surgiu da vontade de parlamentares a
fim de suprir interesses de pequenos e médios empreendedores que
pretendiam explorar atividade econômica e, consequentemente, se beneficiar
da responsabilidade típica das sociedades anônimas, muito embora, não
queriam atender todas as complexas formalidades, nem depender de
autorização governamental, como as sociedades anônimas 2.
Assim, em 1892 surge na Alemanha um tipo próprio de organização
societária, sem características de uma sociedade anônima simplificada. O
Brasil adotou esta organização societária, regida pelo Decreto n. 3.708-19,
revogado pelo novo Código Civil, como prescreveu o enunciado n. 65 do
Conselho de Justiça Federal: “a expressão ‘sociedade limitada’, tratada no
artigo 1.052

3

e seguintes do Código Civil, deve ser interpretada stricto sensu,

como sociedade por quotas de responsabilidade limitada” 4.
Celso Marcelo de Oliveira ao dissertar em sua obra quanto à origem da
sociedade limitada, explica que:
2

COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de direito comercial: direito de empresa. 23 ed. São
Paulo: Saraiva, 2002.
3
OLIVEIRA, Celso Marcelo de. Tratado de direito empresarial brasileiro. Campinas: LZN,
2004.
4
DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. 3 ed. São Paulo: Saraiva. v.8. p.334.

As sociedades limitadas, o tipo societário mais conhecido e difundido
em nosso país, o qual, até agora, continuava a ser regulado pelo
Decreto 3.708, de 10 de janeiro de 1919, diploma que, escasso de
normas, deixou à doutrina e à jurisprudência o trabalho de, oitenta
anos, moldar o regime dessas sociedades, buscando subsídios para
tanto no Código Comercial e na lei das sociedades anônimas. Ainda,
assim, persistiram notáveis espaços à autonomia (e, reconheça-se,
aos abusos) das partes, assim na elaboração e alteração de
5
cláusulas contratuais, como nas práticas de gestão societária .

Com o Novo Código Civil Brasileiro, este quadro supracitado por Celso
Marcelo de Oliveira passou por mudanças, visto que passa a existir um capítulo
próprio que disciplina por inteiro a sociedade limitada (nova dominação desse
tipo societário), restando, pois, revogado o Decreto nº 3.708-19 6. O artigo 1052
do Código Civil estabelece que “Na sociedade limitada, a responsabilidade de
cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem
solidariamente pela integralização do capital social”.
Pode-se, ainda, definir a sociedade limitada como pessoa jurídica
constituída por sócios de responsabilidade limitada à integralização do capital
social, “individualizada por nome empresarial que contém o adjunto limitada”
7

.Sendo a limitação da responsabilidade dos sócios, uma das principais

características da sociedade limitada, os sócios têm seus patrimônios
particulares protegidos, uma vez que o capital social seja integralizado.
Assim, “a obrigação fundamental e indispensável de cada sócio é a
integralização da sua quota social”

8

. Pois, se “o capital já houver sido

integralizado, nenhum sócio poderá ser compelido a realizar qualquer
prestação” 9.
Waldo Fazzio Júnior ensina que “os deveres do sócio estão intimamente
vinculados à teia de relações que se estabelece com a criação da sociedade
limitada o Código Civil prevê que as obrigações dos sócios se iniciam
imediatamente com a assinatura do contrato social” 10.

5

OLIVEIRA, Celso Marcelo de. Tratado de direito empresarial brasileiro. Campinas:LZN,
2004. p.144.
6
CAMPINHO, Sérgio. O direito de empresa à luz do novo Código Civil. Rio de Janeiro:
Renovar, 2004.
7
FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Manual de direito comercial.São Paulo: Atlas, 2003. p. 194.
8
OLIVEIRA, Celso Marcelo de. Tratado de direito empresarial brasileiro. Campinas:LZN,
2004. P.145.
9
CAMPINHO, Sérgio. Op. cit., 2004. P. 140.
10
FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Sociedades limitadas: de acordo com o código civil de 2002.
São Paulo: Atlas, 2003.p.158.

isto é. com seus próprios direitos e deveres” 12. OLIVEIRA. Essa proteção decorre da relevância do papel desempenhado por elas na rdem econômica e social. 15 ed – São Paulo: Saraiva. Isto é.432 15 O princípio da autonomia patrimonial das pessoas jurídicas (princípio latino quod debet universitas non debet siguli) surge como um incentivo à iniciativa privada no sentido em que reduz os riscos de prejuízos individuais dos componentes de uma sociedade ao galgarem empreendimentos de grande porte. tendo assim maior segurança nas relações jurídicoscomerciais. titularizam seus próprios direitos e obrigações. 12 . 2004. Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial. são seres que atuam na vida jurídica. 54. Imperioso assinalar que as sociedades empresárias são sempre personalizadas e. p. nos termos do compromisso contratual assumido junto aos demais sócios. 14 COELHO.. são pessoas distintas dos sócios. Fábio Ulhoa Coelho define que “sócio e sociedade são sujeitos distintos. por este motivo. 13 Idem. Celso Marcelo de. volume 2: direito de empresa. Tratado de direito empresarial brasileiro. Campinas: LZN. 2004. do risco de insucesso presente em qualquer empresa. portanto. 431. Pode-se considerar a limitação da responsabilidade dos sócios como um “mecanismo de socialização. 2011. Tratado de direito empresarial brasileiro. com personalidade diversa dos indivíduos que os compõem. Por esta razão. já que a responsabilidade ilimitada desencorajaria investimentos em futuros empreendimentos” 14. Campinas: LZN. 431. Consagrando o princípio da autonomia patrimonial15. 11 Assim que constituída a sociedade limitada se institui a separação patrimonial entre a pessoa jurídica e seus respectivos sócios.. p. Idem. p.. a lei estabelece a separação entre a pessoa jurídica16 e os membros que a compõem. p. tornando-se condição necessária ao desenvolvimento de atividades empresariais. não podendo os sócios ser considerados os 11 Idem. o dever de integralizar a quota subscrita. OLIVEIRA. perante a sociedade. 16 Silvio Rodrigues conceitua pessoas jurídicas como “as entidades a que a lei empresa personalidade. o limite de sua responsabilidade corresponde ao valor das quotas comprometidas no contrato social. 431. p.Conclui-se. entre os agentes econômicos. correto afirmar que “a regra é a da irresponsabilidade dos sócios pelas dívidas sociais” 13 . que o sócio tem. estabelecendo que os sócios de uma empresa não são responsáveis pelas dívidas da sociedade. Celso Marcelo de.. capazes de serem sujeitos de direitos e obrigações na ordem civil. caso não o faço será considerado remisso.

tendo em vista que adquirir personalidade jurídica significa existir no universo jurídico. A personalidade jurídica da sociedade limitada começa com o registro. cujos efeitos retroagem à data do ato constitutivo. 15 ed. dar início as suas atividades negociais. portanto. os sócios manterão relações jurídicas entre si e com a nova pessoa que produziram até que esta termine ou que se liquide. incumbindo-lhe agir com honradez e proibidade. 18 Em suma. Portanto.. 20 Jorge Lobo entende que “o sócio tem dever de lealdade com os demais sócios. 20 Idem. Fábio Ulhoa. 2 ed. volume 2: direito de empresa. para. que consiste em o sócio estabelecer condutas e praticar atos direcionados a favor dos interesses da sociedade. ou seja. projetar sua vontade. Sociedades limitadas: de acordo com o código civil de 2002. pois não se confunde o patrimônio social e o patrimônio singular dos sócios. P. a deslealdade se caracteriza quando o comportamento do sócio “prejudica o pleno desenvolvimento da empresa explorada pela sociedade”. 200 . como se infere o artigo 45 do Código Civil. 2011. 18 FAZZIO JÚNIOR. dessa maneira. o risco inerente à empresa cabe à sociedade e não aos sócios. Ainda. ser titular de direitos e deveres. o empresário é a pessoa jurídica porque o exercício profissional de uma atividade econômica com fins de produção e comércio está organizado pela sociedade e. Rio de Janeiro: Forense. embora não consagrado pela lei brasileira. Jorge Joaquim. assumir encargos e exercer faculdades. 19 Ibid. 2004. Sociedades Limitadas. 442. alicerces da construção de uma sociedade harmoniosa e próspera” 21. assim. somente com a inscrição do contrato social no Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins (Junta Comercial). traz ao direito societário uma noção de colaboração para garantir o sucesso do empreendimento comum. Waldo. 2007. 17 COELHO. 21 LOBO. p.titulares dos direitos ou os devedores das prestações relacionadas ao exercício da atividade econômica explorada em conjunto 17. São Paulo: Atlas.1 O DEVER DE LEALDADE E A AFFECTIO SOCIETATIS O dever de lealdade. na sociedade limitada. passando. Curso de direito comercial. 19 1. São Paulo: Saraiva. 2007.

estabelecendo entre os participantes da relação jurídica.24 Ademais. este princípio reconhece a existência de deveres e obrigações. assim na conclusão do contrato. São Paulo: Revista dos Tribunais. Oportuno remeter a importância do dever de lealdade do sócio ao princípio da boa-fé objetiva. a não utilização em proveito próprio ou de terceiros das informações privadas. mesmo antes de ser expressamente mencionado por lei. os princípios de probidade e boa-fé. 1999. como um dever de conteúdo negativo. . Clóvis. Judith. os sócios quotistas. a valoração da boa-fé se dá concretamente. 1999. o princípio da boa-fé objetiva contratual está presente em nosso ordenamento. proveniente de um contrato. pois.23 Assim. Os contratantes são obrigados a guardar. como decorrência lógica dos princípios gerais de justiça. 23 MARTINS COSTA. Nesse sentido. uma vez compreendida como norma de caráter técnico-jurídico sem conteúdo previamente fixado. 24 Idem. entende-se como o dever de atuação compatível com o interesse social ou com interesse de outros sócios relacionados com a sociedade. como em sua execução. o princípio da boa-fé objetiva atua como um novo paradigma na criação de deveres de conduta e na limitação do exercício incondicional de direitos. considerado este de modo aberto. isto é. 25 COUTO E SILVA. mesmo que seja de forma implícita. o que Clóvis do Couto e Silva denominou “um elo de colaboração. mesmo que não convencionado por livre acordo de vontade no pacto social. São Paulo: José Bushatsky. da estrutura. por exemplo. o dever de lealdade é caracterizado. Como bem recorda Judith Martins Costa. Tendo em vista a natureza contratual da sociedade limitada. cujo preenchimento dependerá das circunstâncias do caso. A obrigação como processo.Portanto. 22 Art. em regra. normas e modelos de sistema. a sociedade também está sujeita ao disposto no artigo 422 do Código Civil Brasileiro 22 . A boa-fé no direito privado. por dever de lealdade. 422. em face do objetivo a que visam” 25. no caso. como. como por exemplo. um dever de não fazer ou abster-se. 1976.

. Direito de empresa e contratos: estudo dos impactos no novo código civil. Sérgio. Quando se trata de sociedades institucionais ou de capitais. Rio de Janeiro: Renovar. 2004. e colaborarem. 29 COELHO. de ordem pública e econômica que impulsionam o desenvolvimento da sociedade em busca do bem comum. p. a “afeição societária”. Jorge Joaquim. portanto. como simples resultado da sua qualidade de sócio. Tendo em conta que a limitada se trata de uma sociedade com fortes traços de sociedade de pessoas. O direito de empresa à luz do novo Código Civil. de forma consciente.o dever de lealdade. o princípio da preservação da empresa 29. sendo feixe de obrigações atribuíveis ao quotista. veremos que existem interesses de cunho social. 224-225. 2.28 Esse princípio ilustra o objetivo comum a ser alcançado pelos sócios. p. por traduzir a vontade coletiva dos sócios de permanecerem unidos em sociedade”. por comungarem de idênticos interesses. Curso de direito comercial. motivados por propósitos comuns. o desejo de estarem os sócios juntos para a realização do objeto social. 26 Dentre as responsabilidades fundamentais dos sócios pode ser pinçado o dever de cooperação econômica que apresenta o princípio affectio societatis. 26 BENETTI TIMM. DAS POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO DE SÓCIO Toda sociedade limitada tem por objetivo imediato. Luciano. caracterizado pela materialização da vontade de constituir uma sociedade. Porto Alegre: IOB. a affectio societatis é. São Paulo: Saraiva. desde 1970. a contribuição dos sócios para o capital social e a participação deles nos lucros e nas perdas. considerando primordialmente o interesse daqueles que a compõem. No entanto. 2004. Sociedades limitadas. 27 LOBO. Rio de Janeiro: Forense. motivo pelo qual. visto que este é o elemento essencial à existência da sociedade. manterem-se coesos. Fábio Ulhoa. a doutrina e jurisprudência estão construindo. esse elemento essencial não existe. 15 ed. Jorge Lobo define a affectio societatis como a “vontade firme de os sócios unirem-se. uma vez que não necessita um “elo” pessoal entre os sócios. 2011. volume 2: direito de empresa. Para Sérgio Campinho a affectio societatis é “condição de existência do contrato de sociedade. na consecução do objeto social da sociedade” 27. 200. o lucro. 2002. 28 CAMPINHO.

31 LOPES. tendo uma utilidade social. Ainda.Ademais. 2009. 2ed. tais como soberania social. influenciado pelos ideais fascistas de sua época. do instituto da dissolução parcial. de atividade. redução das desigualdades regionais. Asquini. Direito de empresa e contratos: estudo dos impactos no novo código civil. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. Curitiba: Juruá. Para Waldo Fazzio Júnior. Curitiba: Juruá. tratado pelo perfil patrimonial e objetivo32. 34 Com isso. observando para tanto. proporcionando melhor rendimento e beneficiando toda a coletividade. Curitiba: Juruá. Idevan César Rauen. a fim de assegurar existência digna e justiça social. Acerca da concepção da empresa e sua função social. garantindo a preservação da atividade econômica explorada pela empresa. em face da “livre iniciativa” 30 e concorrência. Porto Alegre: IOB. acrescentou a estes três perfis um quarto: o perfil corporativo ou institucional. 170 da Constituição Federal de 1988 reza que a ordem econômica está fundada na livre iniciativa e na valorização do trabalho humano. 33 Idem. LOPES. de estabelecimento. deve-se observar que a empresa tem que cumprir com a sua função social. Idevan César Rauen. a finalidade da dissolução parcial consiste em resguardar a estabilidade da empresa frente à possível volubilidade dos 30 O art. Em sua obra. 2ed. defesa do consumidor. devendo ter uma utilidade social. Luciano. busca do pleno emprego e tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no país. sem comprometer a sociedade. . 34 LOPES. abordado pelo perfil subjetivo. Idevan César Rauen. verifica-se que o princípio em tela serviu como orientação para a consolidação na doutrina e na jurisprudência. apresentado pelo perfil funcional. defesa do meio ambiente. função social da propriedade. oportuno assinalar a voz pacificadora de Asquini. 2009. devendo ser observada de forma mais ampla. 33 A Constituição Federal de 1988 estabelece como princípios da ordem econômica a propriedade privada e a função social da propriedade. propriedade privada. vários princípios. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. que desdobrou o conceito de empresa nos conceitos jurídicos de empresário. eis que uma economia de mercado a concorrência é essencial para o seu desenvolvimento e só será possível com a preservação das empresas 31. 32 TIMM BENETTI. 2ed. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. a qual supre os problemas existentes entre os sócios. 2009. 2004. 2004. Idevan Lopes esclarece que a propriedade não pode mais ser entendida como absoluta. livre concorrência.

p. utilizado para garantir o desenvolvimento da atividade social. que a exclusão de sócio é uma hipótese de dissolução parcial. nem a dissolução da sociedade ou a extinção da pessoa jurídica. 2003. 37 LOPES. São Paulo: Atlas. volume 2: direito de empresa. seja este minoritário ou majoritário.1985. sendo sua exclusão a medida mais justa e eficaz. somente. p. Sociedade Comercial.599. Com isso. .171-2 38 . 2009. “a lei passou a disciplinar algumas das hipóteses de dissolução parcial das sociedades limitadas sob o conceito de 35 FAZZIO JÚNIOR. p. em 1985. destinada a aprimorar o tratamento das sociedades limitadas” 36. 15 ed. 35 Assim. assegurando uma estabilidade à empresa” 37. 38 Sociedade comercial – Cotas e responsabilidade limitada – Animosidade entre os sócios – Extinção – Inadmissibilidade – Exclusão dos que provocam a crise – Irrelevância do fato de serem majoritários. mesmo que com a saída de um sócio. já que esta prevê somente a dissolução de parte dos vínculos contratuais dos sócios. comprometendo a realização dos fins sociais. Idevan Lopes acrescenta que a exclusão de sócio “é um meio de defesa para a empresa. permanecendo preservada a atividade empresarial. 2ed. e não a extinção da sociedade. Fábio Ulhoa. 494. V. se desliga da sociedade. 70. Opera-se. Tribunal de Justiça de São Paulo. Desembargador Bueno Magno. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. pouco importando o fato de serem majoritários. Entende-se. pois o que prevalecerá é a indisciplina contratual. Revista dos Tribunais. o rompimento de vínculos contratuais em relação ao sócio que. sendo possível ainda a continuidade da atividade empresarial. portanto. não ocorre a paralisação da empresa. Sociedades limitadas: de acordo com o Código Civil de 2002. fundamentou sua decisão no seguinte entendimento de Requião: “o sócio que. Se um dos sócios ou grupo de sócios é que provoca a crise da sociedade. a 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Curitiba: Juruá. por diversas situações fáticas que serão estudadas. a dissolução parcial “representou inovação no direito societário. e não o voto majoritário. 7981. não deve ser levado ao sucesso de seus propósitos hostis com a extinção da sociedade”. deu provimento ao recurso de apelação de nº 88. Curso de direito comercial. São Paulo: RT. São Paulo: Saraiva.interesses individuais entre os sócios. comprometendo a realização dos fins sociais. sem motivos se desajustar dos demais. por votação unânime. Idevan César Rauen. 36 COELHO. no qual o Relator. Nesta senda. set. Com a edição do Código Civil de 2002. 2011. a solução que se impõe é a exclusão do grupo. Waldo.

Com isso. 495. 42 LOPES. 2. que por sua vez. Ainda que. p. reflete na livre iniciativa e concorrência.resolução da sociedade em relação a um sócio (arts. a fundamentação da possibilidade de exclusão de sócio facilita em face da necessidade da empresa cumprir a sua função constitucional. Idevan César Rauen. 1998.2 DA EXCLUSÃO DE SÓCIO A sociedade quando vista como uma produção de riqueza possui um papel de caráter essencial para com a sociedade atual. p. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. 2011. a empresa seja composta pela totalidade dos sócios.032.028 a 1. Calixto. . eis que seu desenvolvimento e performance são importantes para os sócios que a compõem. Curso de direito comercial. 2009. a preservação da empresa passa a ter maior importância sobre a própria sociedade. isto é. 2009. Nesta senda. ou seja. 1. 2ed. Fábio Ulhoa. Dessa forma. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. 115. 41 SALOMÃO FILHO.086)”39. São Paulo: Malheiros. Curitiba: Juruá. quando não houver mais esta colaboração. bem como para toda uma comunidade. 42 2. à função social da empresa. Idevan César Rauen. devendo os sócios colaborarem para a empresa cumprir seu objetivo social. muitas vezes é indispensável a expulsão do sócio para preservar a empresa.3 DA EXCLUSÃO EXTRAJUDICIAL 39 COELHO.085 e 1. O novo Direito Societário. 15 ed. cabe ressaltar que a Constituição Brasileira ao disciplinar a função social da propriedade refere-se à propriedade de bens de produção. Destarte. P. volume 2: direito de empresa .32. não existem razões para o sócio permanecer na empresa 40. 40 LOPES. ter função social e por isto ter a sua manutenção protegida. 2ed. a exclusão se dá em face da “supremacia do interesse social sobre o individual”. qualquer que seja a sua motivação. São Paulo: Saraiva. Curitiba: Juruá. uma vez que a presença deste no quadro societário prejudicará e afetará o “interesse social”41 A classificação feita por Comparato se faz mister para que saibamos que no momento da exclusão de sócio o que se pondera é o interesse social e não o interesse individual de cada sócio. 1.

desde que o contrato social não contivesse cláusula que a restringisse e que do instrumento constasse o motivo da exclusão e a destinação da participação do excluído no capital social. por sua vez. durante a vigência do referido Decreto. devido a mudanças na condição do sócio 44. 2ed. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. Fábio Ulhoa. mas sempre exigindo a justa causa. tendo em vista que compele os sócios a agirem de acordo com o interesse social e com o fim 43 LOPES. A doutrina e a jurisprudência reconheciam a possibilidade da exclusão extrajudicial do sócio.O instituto exclusão de sócio não era. Curitiba: Juruá.934/94). apenas quando o contrato social previsse expressamente essa possibilidade. que exigia “justa causa” ou “causa justificada” para a exclusão do sócio. a nova sistemática passou a exigir presença de cláusula específica no contrato social autorizando a exclusão extrajudicial do sócio por justa causa. atenta aos princípios básicos do Direito Societário. O legislador. o artigo 54 do Decreto 1. No entanto. contemplada no Decreto 3. previu a possibilidade de arquivamento da deliberação majoritária de exclusão de sócio. . acabou sendo orientada pelo artigo 339 do Código Comercial. Curso de direito comercial. entre os quais se destaca o Princípio da Preservação da Empresa.800. a exclusão pode ser sancionadora. quando se trata de medida necessária para tutelar os interesses de terceiros ou impedir prejuízos que possam a vir a ser incorridos pela sociedade. extremamente útil à sociedade.085 do Código Civil. Com o tempo. De acordo com Fábio Ulhoa Coelho. volume 2: direito de empresa .708/1919. ou não sancionadora. quando se trata de punição ao sócio que deixou de cumprir suas obrigações sociais. prevista no artigo 1. e. a matéria. caso este fosse omisso. 2009. ainda. de forma ampla. prevendo apenas a exclusão do sócio remisso. de 1996 (regulamentando a Lei 8. O Código Civil de 2002 manteve a possibilidade de exclusão do quotista por meio de simples deliberação dos sócios. 2011. 44 COELHO. a exclusão deveria ser precedida de processo judicial onde se apuraria a justa causa autorizadora da exclusão.43 Assim. acabaram reconhecendo a possibilidade da exclusão extrajudicial independentemente de previsão no contrato social. Idevan César Rauen. permite a exclusão extrajudicial como uma ferramenta. São Paulo: Saraiva. 15 ed. Em razão dessa omissão. fundada na justa causa.

Fábio Ulhoa. perante terceiros. p. 46 COELHO.030 do CC. nestes casos.085) ou por meio de uma ação judicial de exclusão. Para isso. é impositivo: a sociedade e os demais sócios não podem negar-se a efetivá-lo. 130. parágrafo único do Código Civil. Assim. p. 2011. portanto. São Paulo: Saraiva. podendo o contrato social conter hipóteses que a autorizam. 2ed. “o legislador dispõe a hipótese de um sócio ser pessoa jurídica. Curitiba: Juruá. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. volume 2: direito de empresa. Dessa forma. será de pleno direito excluído da sociedade o sócio declarado falido. Idevan César Rauen. 1. (ii) cumprir o disposto na legislação falimentar. 1. O legislador de 2002 não prevê um rol exaustivo das possibilidades e causas da exclusão de um sócio. 2009.030. a lei oferece dois caminhos a serem seguidos: pode-se proceder por meio de deliberação em assembléia social ou reunião de sócios (regulada especificamente pelo art. ter sua falência decretada e. contudo. Entende Fábio Ulhoa Coelho que essa qualificação legal “significa que o desligamento do falido ou do devedor. tendo em vista a proteção de interesses de terceiros” 46. 15 ed.1 Exclusão de sócio declarado falido ou insolvente Pelo teor do artigo 1. de maneira que seja possível compreender quando caberá o procedimento judicial ou extrajudicial. . Curso de direito comercial. não poderá mais este sócio fazer parte da sociedade” 45.3. correto aduzir que duas são as razões as quais levaram o legislador a tomar esta decisão: (i) proteger a reputação da sociedade. não faz jus a permanecer no quadro societário.1. o contrato social deve conter cláusula que permita a exclusão do sócio que. classificamos as hipóteses de exclusão de sócio. 45 LOPES.3. Em outras palavras.comum. sociedade empresária. permitindo uma atitude mais ágil e célere em relação ao sócio que age contra seu interesse. verificada a necessidade de exclusão do sócio. por devidas razões. 2.1 Exclusão de Pleno Direito 2. 447. na forma do art.

no contrato social. São Paulo: Revista dos Tribunais. 3 ed. São Paulo: Saraiva. possível classificar a expulsão de sócio falido ou insolvente como uma medida destinada a tutelar o interesse de terceiros e a proteção da sociedade. segue-se que elas são 47 CAMPINHO.justicafederal. Jamais vimos cousa semelhante! A cota somente será penhorável. e. Curso de direito comercial. 208.2007). se houver.026 do Código Civil não exclui a possibilidade de o credor fazer recair a execução sobre os direitos patrimoniais da quota de participação que o devedor possui no capital da sociedade” (www.br}. 15 ed. dependem de decisão judicial.1. incorreto seria considerar esta como “natureza sancionadora” 48. GONÇALVES NETO. em ambos os casos. 2003. 15 mar. não enseja a punição do sócio falido ou insolvente. 2007. Rubens. que não está excluída por lei de constrição legal alguma para garantir o pagamento de suas dívidas. Direito de Empresa: comentários aos artigos 966 a 1. Ainda. as suas quotas49 podem ser penhoradas e. São Paulo: Saraiva. 49 A quota é um bem patrimonial do devedor. Sergio. o sócio declarado insolvente deve ser excluído da sociedade 47. também pela Comissão do Direito de Empresa.2 Exclusão de sócio com quota penhorada e liquidada A segunda hipótese de exclusão de pleno jure é possível quando o sócio da limitada é devedor em uma ação de execução judicial e. isto é. Com efeito. na constância da sociedade. À luz do Novo Código Civil. 2011. 2003. como fonte subsidiária. Curso de direito comercial.gov. em nosso entender. cláusula pela qual possa ser ela cessível a terceiro. deve-se aplicar a mesma regra da falência. 50 REQUIÃO. p. Foi o entendimento que prevaleceu na referida IV Jornada de Direito Civil. sem a 50 anuência dos demais companheiros . 233. 48 COELHO. das mãos do devedor para as do credor. p. publicações. segundo Rubens Requião: A aplicação dos preceitos da LSA à sociedade por cotas. volume 2: direito de empresa. Fábio Ulhoa.3. pois.195 do Código Civil. Alfredo de Assis.Em que pese não seja previsto expressamente por lei a hipótese do sócio insolvente. O Direito de Empresa. portanto. de enunciado vazado nesses termos: “O disposto no art. leva a tais absurdos: considerar a cota equiparável às ações e transmudar os termos de processo de execução de forma a torná-lo um modo de transferência da cota-ação. mas ponderava que se o contrato proibir a cessão das cotas. a falência ou a insolvência.p. essas possam ser liquidadas. 1. Muito embora. haja divergência a respeito da penhorabilidade das quotas sociais. 2. . nesse caso. com a edição. 447. João Eunápio Borges entendia que poderia ser penhorada. para que somente após proferida a decisão possa se efetivar a exclusão do sócio de forma extrajudicial. isto é. São Paulo: Renovar.

Curso de direito comercial terrestre. João Eunápio. São Paulo: Saraiva. que havendo os requisitos de aprovação da maioria do capital social. 2004. Rio de Janeiro: Renovar. previsão prévia e expressa no contrato social da exclusão por justa causa. p. a lei determina que passado o prazo previsto no contrato social e não havendo integralização. volume 2: direito de empresa. após a execução do valor correspondente às quotas do sócio devedor.026 do Código Civil. a expulsão se dará mediante simples alteração contratual. 55 COELHO. a condição de sócio. deve a sociedade notificar o sócio faltante para o fazer no prazo de 30 dias. perdendo. 54 COELHO. e a presença de atos de inegável gravidade. portanto. p. 52 CAMPINHO. mas disponibiliza-a às sociedades simples. mediante simples alteração contratual excluir o sócio indesejado. caracterizando o desligamento da sociedade. volume 2: direito de empresa. Curso de direito comercial. a não ser com o consentimento dos sócios 51. operando-se de forma extrajudicial 54.inalienáveis. Esta hipótese é agasalhada pelo artigo 1.132.3. Alfredo de Assis. uma vez que não há mais razão para continuar na sociedade. Conclui-se. . Sérgio. Diante dessa hipótese. visto que o legislador não prevê esta regra às sociedades limitadas. Fábio Ulhoa. Direito de Empresa: comentários aos artigos 966 a 1. São Paulo: Revista dos Tribunais. pois se esvai o valor patrimonial da sua quota. Desse modo. todos os vínculos societários são rompidos com a liquidação da quota do sócio53. 2007.1. a obrigação de integralizar a quota” 55 . p. Belo Horizonte: Forense.2. e somente transcorrido este prazo será cabível a exclusão do sócio 51 BORGES. 2011. Fábio Ulhoa. O direito de empresa à luz do novo Código Civil. 15 ed. 2. assim. 53 GONÇALVES NETO. antes de concretizar a sua expulsão. fazendo menção expressa da diferença entre patrimônio da sociedade e o patrimônio do sócio devedor. este que será disponível para penhora e liquidação. Fábio Ulhoa Coelho complementa que a exclusão de sócio por liquidação da quota a pedido do credor “alcança unicamente as sociedades limitadas sujeitas ao regime de regência supletiva das sociedades simples” 52 . 234. São Paulo: Saraiva. não podendo ser penhoradas. 15 ed.95 do Código Civil. 1999. Exclusão de sócio remisso Considerando como remisso aquele “sócio que não cumpre. 2011. no prazo. 428. Curso de direito comercial.

61 CARVALHOSA. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. São Paulo.004 e seu parágrafo único. uma vez que “em uma primeira leitura concluir-se-ia que não poderia ser excluído extrajudicialmente. que trata da exclusão judicial.004. ou seja. oferece-se ao sócio remisso uma última oportunidade de purgar a mora ou. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago. 2009. só poderá ocorrer “depois que o sócio estiver em mora.3 Exclusão de sócio em virtude de atos de inegável gravidade Nas palavras de Carvalhosa “deve considerar-se como de inegável gravidade com relação à sociedade.05856”. Modesto. 1. Idevan César Rauen. p. 2ed. acrescenta que qualquer ato de natureza grave ou inadimplemento contratual que resulte “na quebra da affectio societatis. porque põe em risco o desenvolvimento do escopo comum que é o desenvolvimento das atividades sociais” 62. Para as sociedades limitadas. a exclusão possa dar-se extrajudicialmente. 60 LOPES. 2009. Comentários à Lei de Sociedade Anônimas. depois que ele deixar de cumprir com a sua obrigação de integralizar” 59. Curitiba: Juruá. Não integralizada a quota de sócio remisso. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. mas pelo efetivado através da integralização. A deliberação da exclusão extrajudicial do sócio negligente. ainda. deduzidos os juros da mora. 129. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas. p 130. 59 LOPES. p. nesse caso. 57 Destarte. 1. portanto.. 131. 1.3. p. independentemente de processo judicial. ainda. Por outro lado. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. naquele caso. 57 LOPES. tendo em conta que a participação no capital social não se dá pelo valor subscrito. menciona como ressalva o art. 2ed. cumpre esclarecer a hipótese do sócio que subscreveu a maioria do capital social e não o integralizou. todo ato de sócio que viole a lei” 61 e. p. Idevan César Rauen. em maioria representativa de mais da 56 Art. bastando o instrumento de alteração contratual firmado pela maioria e arquivado na Junta Comercial (CC.remisso. Saraiva. “Não se exige. 58 Idem. Com efeito. Idevan César Rauen. 120.058. Esta regra se aplica também à sociedade limitada. 2009. 1. p. é permitido aos próprios sócios. . em primeiro lugar. 2.030. 1998. a realização de reunião ou assembléia para deliberação. sem prejuízo do disposto no art. o artigo 1. Curitiba: Juruá. fazendo com que. 2ed. “neste caso em consonância com o art. 62 Ibid.. mas apenas por via judicial” 60. único)” 58 . preparar sua defesa. Art. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. 446.004. os outros sócios podem. 1. portanto. Curitiba: Juruá.

desde que exista cláusula expressa no contrato social. Jorge Joaquim. Trazendo tal argumento para realidade. p. comprometam a imagem da empresa e a condução de suas atividades” 64.245. 64 Arnoldo Wald. São Paulo: Editora Juarez de Oliveira. com a satisfação dos respectivos pressupostos legais. em virtude de atos de inegável gravidade. 2. no qual todos os sócios possam. 2004. 66 OLIVEIRA. excluir qualquer sócio que esteja pondo em risco a continuidade da empresa. 63 GONÇALVES NETO. Sociedades Limitadas. . Alfredo de Assis. oportuno ressaltar que se exige o “quórum de maioria absoluta nas deliberações que visem à expulsão extrajudicial de sócio por justa causa” 66 . sempre que previsto esta espécie de expulsão no contrato social. p. se não votar. 394. 108. que direta ou indiretamente. 65 LOBO. “desavenças sérias. Rio de Janeiro: Forense. quando esta “maioria” 67 entender que um sócio possa estar pondo em risco a continuidade da empresa.95 do Código Civil. 505. A maioria social forma-se em conclave devidamente convocado.metade do capital social. ao menos intervir para debater as questões constantes da ordem do dia. Campinas: LZN. conforme se infere no artigo 1. Direito de Empresa: comentários aos artigos 966 a 1. P. visto que seus direitos individuais se anulariam diante as decisões da maioria. Celso Marcelo de. Rodrigo Garcia da Fonseca (coordenadores). 2004. tais como. 2007. exemplificamos como possibilidade de atos de inegável gravidade “a realização de operações em que o sócio tivesse interesse pessoal em detrimento da sociedade. ou ainda. No entanto. Adotar ensinamento diverso se estabeleceria desamparo absoluto dos sócios minoritários perante os sócios majoritários. São Paulo: Revista dos Tribunais. Waldo Fazzio Júnior conclui que “a eliminação do sócio deverá ser determinada em assembléia ou reunião convocada para esse fim específico. 2005. 67 A maioria dos sócios não se forma pela mera adesão de um grupo de sócios detentores de certa participação em torno de uma determinada idéia. por certo. Tratado de direito empresarial. além. da prática de atos de inegável gravidade” 65. disseminação de injúrias graves e acusações difamatórias. mas deve ser apurada em sede própria. a não colaboração com os demais sócios na busca dos fins sociais”63.4 Exclusão de sócio por justa causa A expulsão do sócio pode ser provocada por “qualquer outra causa justa.p.1.3.085 do Código Civil. A empresa no terceiro milênio: aspectos jurídicos.

sendo injustificável sua presença em uma sociedade 69 . 2. 73 Ibid. em seguida. 2011. 2005. 69 . é relevante que seja “declarada sua incapacidade jurídica por sentença judicial transitada em julgado” 70. São Paulo: Saraiva. a doutrina e jurisprudência entende que. Jorge Joaquim. 205. 2ed. de certa forma. 2004.1 Exclusão por incapacidade superveniente do sócio O legislador entendeu que ao perder a capacidade de agir por si.p. já se encontrava ele em condição que a lei considera característica da incapacidade e sendo ela de conhecimento dos demais sócios. conforme estudamos anteriormente. o legislador delegou o Judiciário a tarefa de excluir ou não o sócio. volume 2: direito de empresa . 71 LOPES. quando decretada a dissolução pelo juiz. descabe a exclusão” 72 Desse modo.oferecendo-lhe oportunidade e prazo para comparecer e exercer o direito de defesa” 68. esta possibilidade pode ser considerada inaplicável nas sociedades limitadas. 72 COELHO. São Paulo: Atlas. Rio de Janeiro: Forense. 68 FAZZIO JÚNIOR. 2009. Curso de direito comercial. Cumpre ressaltar que. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. No entanto. 448. o sócio não está mais apto a colaborar para a empresa atingir sua finalidade social. deve-se levar “a registro a sentença dissolutória e. p. ao ingressar na sociedade. Idevan César Rauen. não podendo ser entendida como expressão do arbítrio da maioria. p. Idevan César Rauen. pois. p. 449.4 DA EXCLUSÃO JUDICIAL 2. p. Empresa & Exclusão de Sócio: de acordo com o Código Civil de 2002. Curitiba: Juruá. 15 ed.4. uma vez o capital social esteja totalmente integralizado. 70 LOBO. salvo se este fosse o administrador da sociedade 71. Para tanto. p. 2ed. 132. LOPES. seja indispensável a decisão mediante o Poder Judiciário para deliberação da permanência ou não do sócio no quadro societário. Entretanto. Waldo. mesmo diante esta situação. Fábio Ulhoa. por prudência e cautela. o sócio que perdeu sua capacidade não teria qualquer prejuízo.248. a alteração contratual retratando a nova composição societária” 73. “se. nem poderia vir a prejudicar o desempenho dos negócios.. Assim. Manual de direito comercial. Sociedades Limitadas. considerando a preservação da empresa e a importância da situação do sócio perante a sociedade. Curitiba: Juruá. 2009. 136.

por este possuir a maioria das quotas sociais.2 Exclusão de sócio por falta grave Mediante processo judicial e. visto que inviabilizaria os sócios minoritários se protegerem do sócio majoritário descumpridor de seus deveres e obrigações. 2007. como alguns autores o denominam. após deliberação da maioria dos sócios” 74. 2. quando este deixa de cumprir as obrigações inerentes às suas atribuições ou comete ato ilícito 75. poderá os demais sócios promover a exclusão de sócio que cometeu falta grave no cumprimento de suas obrigações societárias. considera-se grave o comportamento do sócio que faz concorrência com a sociedade. Direito de Empresa: comentários aos artigos 966 a 1. ou também. Alfredo de Assis. Campinas:LZN. Nessa concepção. 2004. diante de toda a extensa gama de interesses nela 76 inserta. 75 . ou aquela cometida pelo sócio administrador. Assim. Observa-se que não se exige mais da metade do capital social. A ação ordinária “será proposta pela sociedade contra o sócio. GONÇALVES NETO. Tratado de direito empresarial brasileiro. podemos citar como possibilidades de falta graves as situações em que a conduta do sócio de indústria que. conforme observamos nos capítulos anteriores. Nas palavras de Celso Marcelo de Oliveira: No que tange a exclusão do sócio majoritário. a necessidade de ampliar as possibilidades de preservação da empresa passa. São Paulo: Revista dos Tribunais. pela existência de mecanismos capazes de proteger a sociedade contra a inadimplência dos sócios.085.1. Celso Marcelo de. Rio de Janeiro: Forense. 2004.3 Exclusão de sócio majoritário A exclusão de sócio majoritário ou controlador. sem previsão contratual. p. que exista uma justa causa que possa por em risco a continuidade da empresa. sem estar autorizado. de efeito. atende a três requisitos: a iniciativa da maioria dos sócios (minoritários). através de ação judicial e comprovação da decorrência da justa causa. razão pela qual se faz necessário ingressar em juízo para obter uma sentença 74 LOBO. possível verificar que não existe proteção ao sócio majoritário.2. Jorge Joaquim.4. estabelecido no art. 76 OLIVEIRA. não pode ser refém de sócio prevaricador. tão somente desta forma. pessoalmente ou como sócio de outra sociedade. em virtude de atos de inegável gravidade.4. A sociedade. 248. obrigatoriamente.95 do Código Civil. nos casos. 1. emprega-se em atividade estranha à sociedade. Sociedades Limitadas.

p. antecedida. 80 Idem. pois nas situações em que os sócios não tiveram cuidado de incluir tal cláusula no contrato social.p. Não é destarte imprescindível que a disciplina legal do procedimento de exclusão extrajudicial seja de qualquer forma complementada por disposições do contrato social. Nunes. resta o caro. São Paulo: Cultura Paulista. Direito de Empresa: comentários aos artigos 966 a 1.p. 1968. o contrato social deverá também expressamente prever cláusula permissiva da exclusão extrajudicial 78. Assim. 78 Idem. Para alguns autores. preserva-se. no sentido de considerar parte do contrato não apenas os ajustes nele grafados. como também aqueles que os sócios "provavelmente teriam estipulado se tivessem pensado na hipótese. que evidentemente prioriza a preservação da empresa em detrimento dos formalismos puros. 3 PROCEDIMENTO DA EXCLUSÃO EXTRAJUDICIAL 3.p.085.1. Dentro desta linha de pensamento. visto que na parte final deste dispositivo. da deliberação de exclusão tomada pelos minoritários 77 . O jurista português Avelãs Nunes ensina que "o direito à exclusão é inerente à natureza do contrato de sociedade.95 do Código Civil. como José Waldecy Lucena. não podendo a sociedade ser desprovida de tal direito.54 . isso caracteriza uma restrição de direito e um retrocesso legal. 315. Avelãs.J. 79 J. 398. O Direito da Exclusão de Sócio nas Sociedades Comerciais.. São Paulo: Revista dos Tribunais. a opção pela exclusão por meio de deliberação social parece encontrar um limitador na redação conferida ao art. o princípio da boa-fé objetiva.de exclusão. 2007.. ou que deveria ter sido 77 GONÇALVES NETO. mesmo no silêncio do estatuto. também. mesmo na falta de uma explícita concessão legal do direito de expulsão dos sócios" 79. o autor citado.53. entende que seria lícita a exclusão assemblear de sócio mesmo diante da omissão do contrato social. incerto e demorado caminho judicial. 80 Com isso.1 PREVISÃO CONTRATUAL Para a admissibilidade do procedimento de exclusão por justa causa. 1. Alfredo de Assis. fez-se constar que será possível somente se estiver prevista no contrato a possibilidade de adoção deste procedimento.

.aceita. uma vez esta aprovada. representando um grave dano à segurança jurídica dos sócios minoritários.95 do Código Civil. a exclusão tem que ser baseada em causa superveniente e não em fatos anteriores à respectiva reunião ou assembléia de sócios.. p. de acordo com a mais razoável interpretação dos interesses em jogo feita agora. 83 Ibid. São Paulo: Revista dos Tribunais. Assim. GONÇALVES NETO. p. 83 Tal tese esvazia o sentido da exigência de previsão contratual expressa. São Paulo: Editora Juarez de Oliveira. inclusive em relação aos sócios que tenham discordado na respectiva deliberação. Celso Marcelo de. p. ela será válida e vinculante.. Pois. afirma que a aprovação da cláusula de exclusão e a respectiva expulsão extrajudicial do sócio poderiam ocorrer em único conclave. A empresa no terceiro milênio: aspectos jurídicos.108. dentro dos cânones da boa-fé contratual" 81. Alfredo Gonçalves de Assis Neto. São Paulo: IOB Thomson. Arnoldo Wald e Roberto Garcia da Fonseca entendem que além da prática de ato grave que coloque em risco a continuidade da empresa. evidente que o procedimento extrajudicial é o que oferece menos desgaste aos sócios e prejuízos irreversíveis à sociedade. p.1. 2007. Em que pese o pacto social não disponha de previsão contratual. Direito de Empresa: comentários aos artigos 966 a 1. E. Manual de direito empresarial. 84 Assim. 107. 2005. 82 Ainda. 393. 2005. Por fim. 84 Idem. 86 81 Idem. na falta de previsão contratual resta à sociedade optar pelo remédio judicial. Alfredo de Assis. sempre que um sócio rompe seu fundamental dever de colaboração e prejudique o bom andamento da empresa social. Rodrigo Garcia da Fonseca (coordenadores). aborda a hipótese do procedimento de exclusão ser inserido por intermédio de alteração no contrato original com a deliberação do correspondente a ¾ do capital social. 86 OLIVEIRA.59. a lei é bem clara quando exige previsão expressa da exclusão extrajudicial. em atenção ao princípio majoritário. 85 Arnoldo Wald. “sem a qual a referida exclusão somente poderá ocorrer judicialmente” 85. entre todas as hipóteses de exclusão de sócio. uma vez que serve como um instrumento de proteção. ainda que aprovada a inclusão da cláusula em questão no contrato social. portanto. 82 .

95 do Código Civil. Caso contrário. o artigo 1. em processo judicial ou administrativo. São Paulo: Saraiva. outrossim. Fábio Ulhoa. como previsto no parágrafo único do artigo 1. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida.aos litigantes. São Paulo: Saraiva. 89 Assim. em tempo hábil. nos termos seguintes:LV . exerça seu direito de defesa. 90 Art.085. ensejar a anulação da deliberação de exclusão. 316. Direito de Empresa: comentários aos artigos 966 a 1.085 do Código Civil prever a possibilidade de exclusão de um sócio. sob a alegação de vício formal. à liberdade. a exclusão de sócio na sociedade. CARVALHOSA.Todos são iguais perante a lei. esta deve ser especialmente convocada para esse fim. 2003. se assim o quiser. 88 Modesto Carvalhosa adverte que “a indeterminação deste prazo poderá.2 ASSEMBLÉIA OU REUNIÃO DE EXCLUSÃO E “DIREITO DE DEFESA” DO EXCLUÍDO Como analisado no item 2. ciente o acusado em tempo hábil para que possa comparecer nesta e exercer seu direito de defesa.4. Vê-se que esses requisitos não foram cumpridos pela Agravante.1. quando se referem a assuntos de interesse da sociedade dotados de maior envergadura. o sócio a ser excluído deve tomar conhecimento do “justo” motivo de sua exclusão. Comentários ao Código Civil – Parte Especial do Direito Empresarial. sem distinção de qualquer natureza. 15 ed. esta somente poderá ocorrer em assembléia especialmente convocada para esse fim. volume 2: direito de empresa. como se infere na decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Paraná: Em que pese.3. não 87 COELHO. a sociedade limitada exige que algumas deliberações dos sócios. em tempo hábil88. ao determinar que a deliberação de exclusão extrajudicial deva ser aprovada por meio de reunião ou assembléia. atendam a determinadas formalidades preceituadas na lei. LV da Constituição Federal de 1988 90 . 2011. bem como acesso a todos os documentos que sustentam a respectiva justa causa do desligamento do quadro social. em relação as faltas graves que lhe seriam imputadas. 2007. com os meios e recursos a ela inerentes. Modesto. o objeto do conclave. para que tenham validade e eficácia. à igualdade. 5º. ou seja. Com efeito. Alfredo de Assis. Curso de direito comercial. 5º .2. à segurança e à propriedade. consistente na cientificação intempestiva para o comparecimento do sócio” ( Citado por Arnoldo Wald e Rodrigo Garcia da Fonseca. o instrumento de convocação deve ainda sucintamente mencionar a causa da possível exclusão. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. São Paulo: Revista dos Tribunais. estaremos diante um afronte ao direito constitucional de ampla defesa e contraditório. já que o agravado não teve ciência prévia. p. conforme o art. 89 GONÇALVES NETO. 87 Assim. por exemplo. como. para que o sócio indesejado. .

Curso de direito comercial. É utilizado para determinar o montante dos haveres do sócio retirante ou falecido. ORNELAS. razão pela qual.tjpr.podendo assim exercer seu direito de defesa. p.br>. O direito de empresa à luz do novo Código Civil. da 20ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Curitiba. 3. Assim. o legislador reconheça a necessidade de um balanço especial de determinação94. Rio de Janeiro: Renovar. a fim de que a apuração dos haveres se faça pelos valores reais do patrimônio da sociedade (aí incluídos os bens corpóreos e incorpóreos) e não pelos valores contabilizados” 93. caso dissolvida integralmente a 91 Tribunal de Justiça do Paraná. 6ª Câmara Cível. Avaliação de sociedades: apuração de haveres em processos judiciais. 2004. no qual os elementos patrimoniais são avaliados e consignados a valores do mercado. excluído ou que se retirou.1. Fábio Ulhoa Coelho entende que a apuração dos haveres do sócio excluído “em outras palavras. volume 2: direito de empresa . o que por si só já 91 invalida a Assembléia. através dos sócios que representem mais da metade do capital social. Alfredo de Assis. Martinho Maurício Gomes de. “basta buscar na quantificação dos haveres do sócio excluído o valor a que teria ele direito. 94 Balanço de determinação é o balanço patrimonial elaborado para a adata do evento. o Supremo Tribunal Federal fez editar a Súmula 265. Sérgio Campinho define-o como “um levantamento contemporâneo à época da despedida do sócio. 95 COELHO. Fábio Ulhoa. Muito embora. Acesso em: 04/04/2011 92 GONÇALVES NETO. Sérgio. julgado pela Relatora Convocada Ana Lúcia Lourenço. 92 3. na proporção do último balanço aprovado”. Contudo. 2007. São Paulo: Revista dos Tribunais. 15 ed – São Paulo: Saraiva.3 APURAÇÃO DOS HAVERES E DESTINO DAS QUOTAS DO EXCLUÍDO O artigo 15 do antigo Decreto nº. Nos casos em que seja deliberada a exclusão de sócio. 2003. é a simulação da dissolução total da sociedade”95.” Em relação ao balanço especial de determinação. Disponível em: <www. Agravo de Instrumento nº 434983-7.708/19 estabelecia que ao sócio que se retirava da sociedade seria devido “o reembolso da quantia correspondente ao seu capital. cujo verbete traduz: “Na apuração de haveres não prevalece o balanço não aprovado pelo sócio falecido.jus. 93 CAMPINHO. tal disposição legal deixava margem para que os sócios remanescentes apresentassem balanços maquiados. em 13 de novembro de 2007. a ata da reunião ou da assembléia deve ser instrumentalizada em alteração contratual e assim levada a registro na Junta Comercial onde a sociedade tem sua sede. São Paulo: Atlas.160. 2001.95 do Código Civil. . Direito de Empresa: comentários aos artigos 966 a 1.

rev. solicitar judicialmente a suspensão da liminar da decisão que deliberou a sua exclusão extrajudicial. Rio de Janeiro: Forense.2002. na hipótese. Aliás. o ex-Presidente do Supremo Tribunal Federal Sydney Sanches proferiu decisão quando ainda juiz. in verbis: O argumento de que essa orientação (a maioria excluir a minoria) pode ensejar abuso por parte da maioria dos sócios contra a minoria é passível do seguinte contra-argumento. acabará. no entanto. Extinto Primeiro Tribunal de Alçada de São Paulo. A empresa no terceiro milênio: aspectos jurídicos. p. em geral. incluindo os lucros que deixou de receber. 97 3. até que o Judiciário se manifeste. A apuração dos haveres. muitas sociedades optam pelo remédio extrajudicial. Direito de empresa: lei nº 10. ou anular a decisão judicialmente e. inclusive com possível entravamento da atividade social. até lá. de alguma forma. da minoria.406. Acesso em: 25/04/2011. Disponível em: <www. ainda. 2005. na exclusão extrajudicial.br>. 3. atual. por exemplo. E. muitas vezes. geralmente. CC). 96 Arnoldo Wald. 111.sociedade naquela oportunidade (nem mais nem menos). 1. prevalecendo um abuso. a reparação. 226. . deve ter início a partir do registro da alteração contratual (art.tjsp. como todos seus ônus e bônus” 96 .01.jus. se algum abuso houver de persistir. requerer indenização por perdas e danos. o que é pior. até que o Judiciário se manifeste.ed. 97 RIZZARDO. Embargos Infringentes n. Em caso de desobediência ao procedimento estabelecido favorece o aforamento de lide visando desconstituir o ato de exclusão. Nesse sentido. em prol do princípio da preservação das sociedades. em 20/08/1980. muito superiores as possíveis danos causados ao sócio excluído injustamente.473. que seja da maioria? 98 Tendo em vista a notória morosidade dos processos judiciais. 2009 98 SÃO PAULO. A minoria também pode abusar e se entender que a maioria não pode excluir os que abusam.4 EFEITOS DA EXCLUSÃO EXTRAJUDICIAL NO PODER JUDICIÁRIO Para o sócio excluído injustamente. de 10. e priorizar a segurança da sociedade. é mais salutar assumir o risco da segunda hipótese. O excluído pode. São Paulo: Editora Juarez de Oliveira. Tendo em vista que os possíveis danos causados à sociedade pela demora da exclusão. Arnaldo.086.J. Rodrigo Garcia da Fonseca (coordenadores). as expulsões precisam ser rediscutidas em âmbito judicial. é mais fácil e ágil.

tjsp. reintegração de posse determinada para não prejudicar exercícios legítimos de atos societários. na maioria das vezes. exercer direito de defesa e do contraditório. Ainda. Não existindo motivação. tais como. Des. 100 PORTO ALEGRE. 99 SÃO PAULO. em parte. é possível notar que o agravante já não mais comparecia ao estabelecimento comercial com freqüência. foi possível encontrar dados suficientes para resgatar a necessidade da justificação e comprovação da causa do desligamento do sócio. que foi conduzida por seguranças quando ingressou na sede da sociedade (segundo consta na fl. votem os majoritários pela exclusão de um deles. assim.4.3. ausentava-se. em deliberação sem fundamento específico. 226. não há como contestar a denúncia articulada e 99 que foi acolhida na votação pelos demais sócios. 6ª Câmara Cível.jus. o Tribunal de Justiça de São Paulo proferiu acórdão decidindo que. uma vez que comprovada a quebra da affectio societatis: A quebra da affectio societatis restou incontroversa nos autos já que ambas as partes trocam acusações de práticas de ações que inviabilizam a operacionalização do empreendimento dos quais são sócios.030 do Código Civil. Tal lineamento é corroborado com a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul ao dar provimento ao agravo.. sendo. Disponível em: <www. Além disso. Embargos Infringentes n. pois. e mais. praticou atos de inegável gravidade contra a sociedade. Muito embora. sobre o procedimento formal da expulsão. conseqüência inevitável diante das peculiaridades do caso. julgado em 09/12/2010 Disponível em: <www.tjrs. (. Extinto Primeiro Tribunal de Alçada de São Paulo. Acesso em: 30/04/2011. A exclusão judicial da agravante é. como terminou acontecendo com a autora. é obrigatória para que o excluído conheça aí: razões da sua expulsão e. através dos depoimentos colhidos em audiência. deixar de pagar o salário dos funcionários e instigá-los a fazer greve. consoante o disposto no 100 artigo 1. os atos de inegável gravidade. inclusive por não ter sido o sócio excluído notificado do resultado da assembléia – Recurso dos réus provido. Rel. Necessidade de Justificação e Comprovação Diante do acima exposto. 129/131 (declaração de funcionários) permitem concluir que o recorrente. .jus. Nesse sentido.. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. ao contrário do que alega. evidencia-se a necessidade de demonstrar e definir as razões da expulsão do sócio da sociedade limitada.473. ainda. Antônio Corrêa Palmeiro da Fontoura.br>.J.) A fundamentação do ato que coloca o sócio fora da sociedade à força.1.64). Agravo interno desprovido. Acesso em: 25/04/2011. in verbis: Inadimissível que em sociedade de dentistas por quotas de responsabilidade limitada.br> . para excluir da indenização deferida os lucros cessantes. por exemplo. os documentos de fls. a jurisprudência a respeito da exclusão extrajudicial seja escassa. até porque essa possibilidade não está expressa no contrato social. em 20/08/1980. propositalmente em época de pagamento de funcionários e fornecedores. como. Agravo 70040041832.

Provimento em parte. principalmente. julgado em 12/04/2011. Necessidade de Convocação da Assembléia ou Reunião de Exclusão Extrajudicial do Sócio e Previsão Contratual Como observado no item 1. Rel. para com isso justificar a sua exclusão do quadro social. dando se-lhe ensejo para a apresentação de defesa.8. o que não se compadece com o regime do novo Códio 101 Civil. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. perderá sua validade. sem utilizar o devido processo legal. não demonstrou a apelante que o apelado houvesse sido notificado da sua realização.2006..] embora tenha sido convocada assembléia geral. 1ª Câmara de Direito Privado.jus.tjsp. Não há ensejo para afirmar que os sócios minoritários se tornar am hostis. Acesso em: 30 abril 2011. . direito subjetivo público que todos os indivíduos tem contra o Estado para dele pedir a tutela jurisdicional de um direito que entender ameaçado ou lesado. Em que pese alguns doutrinadores elucidam que a necessidade cláusula expressa no contrato social que disponha a possibilidade de exclusão extrajudicial seja um retrocesso legal. Paulo Eduardo Razuk. da previsão contratual: Portanto. a importância da convocação da reunião ou assembléia de sócios para deliberação de sócio se deve ao momento oportuno para apresentação de defesa. Disponível em: <www.4. por si só. por sua vez.3.0000. conforme instrumentos de mandatos acostados às fls. Foi notificado a posteriori da sua exclusão da sociedade. dissidentes da vontade da maioria detentora do capital social. pode-se concluir que o exercício regular de um direito. apenas para alienar as suas respectivas cotas e por conseguinte promover a alteração contratual. a demissão dos embargantes só poderia ser validamente efetivada por decisão 101 SÃO PAULO. Assim sendo. não é menos certo afirmar que os sócios majoritários não poderiam excluir os embargantes do quadro social sob o pretexto de perda da affectio societatis e nem se apoderar de suas cotas manu militari.2.. E nem venham argumentar que o exercício do direito de ação. como de fato foi efetivado pelos embargantes em relação aos embargados. sem esta considera-se contrária à legislação que. sendo certo que os mesmos foram representados pela primeira embargada.4. n° 26881-0). Ainda mais quando os autos revelam que não houve prévia deliberação para a exclusão dos embargantes e nem lhes deram oportunidade para exercer o direito de preferência na aquisição das cotas sociais dos quatro retirantes. Des. 48/51 (proc. o Superior Tribunal de Justiça acompanhou decisão do Tribunal de origem.3. e nem previsão estatutária a respeito do tema. não justifica a sua exclusão do quadro social da empresa. o Tribunal de Justiça de São Paulo salienta que: [. uma vez que o contrato social não contém cláusula expressa em tal sentido. Não havendo. mediante publicação de edital. Apelação Cível: 9111189-20. proferindo decisão quanto à necessidade de justa causa e.26.br>. Nesse sentido. como de fato não houve justa causa para a exclusão dos embargados da sociedade empresarial. constitui abuso ou insubordinação ao dever geral de colaboração.

Min. Caso não seja possível. observados os pressupostos materiais e procedimentais. maior desenvolvimento de atividades econômicas organizadas para a produção e circulação de bens ou serviços. permite a exclusão extrajudicial do sócio. existir uma justa causa que legitime tal intervenção. 102 Decisão Tribunal de origem – TJDF – RESP 683126-DF. e a sociedade possa continuar a prosperar com os demais sócios. assim. o Novo Código Civil Brasileiro. podendo insurgir-se contra o ato que deliberou sua exclusão ou atacar a forma de apuração de haveres. Para isso. Acesso em: 07 maio 2011. para fins de cumprimento do fim social e. em seu art. visto que todos os atos da sociedade deverão reger sobre o paradigma de sua preservação. Assim. observados os seus direitos e garantias fundamentais 102 assegurados na Carta Magna.judicial. pois permite que. CONSIDERAÇÕES FINAIS A enorme aceitação da sociedade limitada no mundo empresarial brasileiro deve-se a garantia dos sócios contra os indesejáveis efeitos patrimoniais suscetíveis de ocorrer nas sociedades ilimitadas. julgado em 05/05/2009. Tendo em vista que a exclusão de sócio é um elemento deformador da sociedade. o princípio de preservação da empresa é considerado o epicentro do direito empresarial atual.085. com a finalidade única de preservar a empresa. imperioso salientar que a exclusão de um sócio extrajudicialmente não impede que tal fato seja apreciado posteriormente pelo Poder Judiciário. o sócio que esteja colocando em risco a continuidade da sociedade seja excluído. é necessária a colaboração dos sócios para cumprir o objetivo social traçado. Luis Felipe Salomão. devendo sempre preponderar o interesse da empresa sobre o interesse de seus sócios. Dessa forma. deve-se. Dessa forma. portanto. Disponível em: <www. . como também suas responsabilidades e deveres.br> . sendo necessário o afastamento compulsório de um sócio da sociedade. com a finalidade de preservação da sociedade empresária limitada. 1. deve este ato estar devidamente fundamentado.tjdf. respeitando sua função social. viabilizando. desse modo. evitar a quebra do affectio societatis.jus. sendo-lhe assegurado os princípios do contraditório e da ampla defesa.

a empresa deve cumprir seu fim social. questões como estas acabam sendo resolvidas na esfera judicial. A Empresa no Terceiro Milênio: aspectos jurídicos. . mesmo que tenha sido adotado o procedimento extrajudicial. preservando. e para isso utiliza-se de uma pessoa jurídica que pode ser a sociedade. é patente a necessidade de chamar o sócio excluendo para apresentar sua defesa. o Novo Código Civil estabelece expressamente que a exclusão por justa causa só poderá ocorrer se houver cláusula expressa autorizando a exclusão extrajudicial. Contudo. 1. REFERÊNCIAS AGUIAR JÚNIOR. caso contrário. 2003. na qual defende a ideia de que a exclusão extrajudicial ocorrerá mesmo sem previsão contratual. Rodrigo Garcia da Fonseca (coordenadores). já que o sócio excluído pode buscar a nulidade do ato. desde que comprovado e justificado tal procedimento. permanecendo o livre acesso ao Poder Judiciário. ao tratar da exclusão do sócio nas sociedades limitadas. mesmo que realizada na seara administrativa. Não obstante o afastamento extrajudicial do sócio cabível a revisão judicial. assim o princípio do contraditório e da ampla defesa.085 do Código de Processo Civil. Ruy Rosado. assim como sua função social. No atual estágio do avanço do direito societário. Refletindo sobre os problemas práticos do procedimento da exclusão extrajudicial e deixando de lado a questão meramente teórica insculpida pelo art. ARNOLDO WALD. a qual deve ser alterada sempre que um de seus colaboradores ponha em risco suas atividades e seu fim comum. 2005.Ainda. haveria uma afronte a continuidade da empresa. Extinção dos contratos por incumprimento do devedor. pois. foram citados autores que divergem do exposto acima. São Paulo: Juarez de Oliveira. Ante o exposto. Rio de Janeiro: Aide. ou por descumprimento das formalidades legais ou pela inexistência de justa causa. afastada de posicionamentos divergentes.

n. 2002. Curso de Direito Comercial Terrestre. 2008. Código dos Estados Unidos do Brasil comentado. São Paulo: Saraiva. Direito Societário. Tullio. CARVALHO DE MENDONÇA. 104. Clóvis. ___. p. Campinas: Bookseller. O Direito de Empresa à luz do novo Código Civil. 23 ed. José Edwaldo Tavares. São Paulo: Saraiva. Alberto. v.11 ed. ASQUINI.2. 1946. Curso de Direito Comercial. CARVALHOSA. v. São Paulo. Luciano. Porto Alegre: IOB. Problemas das Sociedades Anônimas e Direito Comparado. Modesto. 15 ed. Fábio Ulhoa. Revista de Direito Mercantil. J. BORGES. 2001. 1998. Rio de Janeiro: Renovar. COELHO.ASCARELLI. v. O Direito de Empresa à luz do novo Código Civil. Curso de Direito Comercial: direito de empresa.3. Tradução de Fábio Konder Comparato. Tratado de Direito Comercial Brasileiro. São Paulo: Saraiva. BEVILÁQUIA. Comentários ao Código Civil – Parte Especial do Direito Empresarial. João Eunápio. São Paulo: Saraiva. São Paulo. Sérgio. Econômico e Financeiro.2. 1958.484 BORBA. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. ___. volume 2: direito de empresa. Rio de Janeiro: Renovar. Perfis da empresa. Direito de Empresa e Contratos: estudo dos impactos no novo código civil. 1999. 1998. 2004. Rio de Janeiro: Renovar. 2004. v. ___. BENETTI TIMM. 2002. 2002. X. Manual de Direito Comercial: direito de empresa. Comentários à Lei de Sociedade Anônimas. 2007. Belo Horizonte: Forense.35. CAMPINHO. 1996. ___. Industrial. .

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