Os gestos do Orador Político

Já comentei nesta coluna que o político deve fugir da neutralidade para falar, que deverá estar sempre nos extremos, ou indignado com os problemas, ou entusiasmado com as soluções. Dentro dessa fala mais emocionada existe um ingrediente fundamental que é a gesticulação. Se o político não souber o que fazer com os braços e as mãos quando estiver falando, dificilmente terá êxito nas suas apresentações nos palanques, em ambientes fechados, ou diante das câmeras de televisão. Uma boa regra a ser observada para os gestos é que quanto maior a platéia e mais inculta, maiores e mais abrangentes deverão ser os gestos, e quanto menor e mais bem preparado intelectualmente for o público, menor e mais moderada deverá ser a gesticulação. Por exemplo, em praça pública, com o povo reunido e agindo emocionalmente, os gestos deverão ser largos, acima da cabeça, vigorosos, exagerados, porque assim tocarão a emoção daquelas pessoas; já numa reunião pequena, com alguns empresários com boa formação intelectual, os gestos deverão ser reduzidos e mais contidos, porque falarão mais para a razão do que para a emoção. Diante das câmeras evite fazer muitos gestos porque poderão aparecer demais, desviar a atenção e a apresentação poderá parecer vulgar. Nesta circunstância faça gestos moderados, da altura da cintura até a altura do peito, e procure não voltar muito depressa à posição de apoio.Gesticule e aguarde com paciência até a complementação do pensamento. Assim, poderá fazer gestos o tempo todo, sem que pareça estar gesticulando de maneira exagerada. Diante das câmeras prefira usar mais a expressividade do semblante que é mais eficiente na comunicação com o telespectador. Só tome cuidado para não se tornar caricato. Evite ficar com os braços nas costas, com as mãos nos bolsos, com os braços cruzados, ou se agarrando na mesa ou na tribuna. Tome

cuidado também para não deixar os cotovelos grudados no tronco, que poderia passar a imagem de alguém reprimido ou hesitante. Observe ainda que se começar a falar esfregando as mãos estará demonstrando que se encontra pouco à vontade - mesmo que não esteja por que passar esse tipo de informação negativa aos eleitores?! Se você tiver dúvida sobre como agir com os gestos observe como você se comporta quando está conversando com amigos e familiares nas situações mais íntimas. Os gestos que você usa nessas circunstâncias são os mesmos que deveria usar diante do público.

Como o político deve falar hoje
A comunicação mudou, principalmente para os políticos. Houve um tempo em que os políticos falavam de maneira artificial, sempre interpretando uma emoção que quase nunca sentiam. Existia uma espécie de pacto entre o orador e a platéia - ele interpretava a emoção, os ouvintes fingiam que acreditavam que os seus sentimentos eram verdadeiros, e o político fingia que acreditava que o público estava acreditando. Esse era o espetáculo da comunicação, onde existia o conteúdo, mas o que prevalecia, era quase sempre a forma.

Quando o ex-ministro João Mellão Neto prefaciou o meu livro 'Como se tornar um bom orador e se relacionar bem com a imprensa' relatou um fato interessante: '... lembra-me Jânio Quadros, um dos mais geniais oradores que o Brasil já possuiu. Assistindo a um discurso dele em uma cidade do interior, ele magnetizou a platéia por uns quarenta minutos. Quando encerrou, foi delirantemente aplaudido pelo povo humilde que o assistia.

Na saída, ouço um cidadão comentar com outro - 'Olha, não entendi nada, mas como esse homem fala bem! Vou votar nele’... '. Algumas pessoas, hoje, ainda escolhem os seus candidatos mais pela forma como falam, do que pelo conteúdo que apresentam, mas é um número cada vez menor. Se os eleitores estão caminhando nos estágios para aprender a votar, é certo que os primeiros degraus já foram vencidos. Desenvolveram sua capacidade de avaliação e começaram a exigir mais coerência entre o que se fala o que se fez e o que se pode fazer. Faz mais sucesso hoje o político que se afastou dos antigos 'trinados raivosos' e passou a falar seu com naturalidade, verdadeiro sem afetação, estilo. preservando

Se mantiver suas características e souber ordenar com coerência suas mensagens, estará desenvolvendo a comunicação para os dias atuais, com maiores chances de conquistar seus eleitores. Para que possa ser acreditado na sua mensagem, o político precisa de alguns requisitos: • Naturalidade - É o requisito dos tempos modernos. O público tolera a falta da técnica na comunicação do político, mas não aceita falta de naturalidade; • Emoção - O político não pode ser neutro ao falar. Se falar de problemas, precisa estar indignado; se falar de soluções precisa estar com ar alegre, esperançoso, e vitorioso. Sem o exagero do estilo do passado, evidentemente; • Demonstrar conhecimento - O político não pode falar 'por ouvir dizer', precisa demonstrar que conhece o assunto, que vive o problema, que tem experiência na matéria;

• Ter uma conduta pessoal exemplar - Se houve um tempo em que o político podia falar de uma maneira e agir de outra, esse momento passou, e se existiu mesmo, nunca deveria ter existido. Dizia Vieira que o Batista convertia porque as suas palavras pregavam aos ouvidos e o seu exemplo aos olhos.

Como conquistar o voto do eleitor. Análise das características dos eleitores
Olá candidato. Então, está afiado para fazer os primeiros comícios da campanha? Lembre-se sempre que cada platéia deverá ser tratada com um discurso apropriado para ela: Você não pode sair por aí transmitindo sempre a mesma mensagem e da mesma maneira. Se um discurso que trata de temas como iluminação e asfalto pode ter excelente repercussão nos bairros da periferia mais afastada, porque essa é uma carência dessa população, o mesmo resultado já não seria conseguido com a população das regiões mais centrais que, por já possuir asfalto e iluminação, seria mais sensibilizada com soluções para os problemas da segurança ou do trânsito em horário de pico. Por isso, aproveite esse início de campanha onde as atividades ainda são mais reduzidas e faça uma lista dos assuntos que deveriam ser abordados para cada região da sua cidade. Verifique também quais são as características predominantes do público que irá ouvi-lo. São pessoas simples, incultas, com dificuldade para entender um raciocínio mais complexo? Neste caso fale de maneira simples e direta, use um vocabulário que todos possam compreender, repita os conceitos importantes várias vezes e se possível conte histórias que sirvam como ilustrações para facilitar o

acompanhamento do seu raciocínio. No final, ao pedir o voto, deixe claro que cada um deverá falar com seus vizinhos, parentes, amigos e colegas de trabalho sobre a importância de votar no seu nome para que os planos sejam executados. Se o nível intelectual dos eleitores for elevado apresente os argumentos e peça para que reflitam sobre suas propostas. As pessoas de bom nível gostam de chegar sozinhas às conclusões. Se os eleitores forem jovens fale do amanhã, dos desafios do mercado de trabalho, das possibilidades de realizações. Se os eleitores forem idosos fale do passado, das conquistas deles, de como eram diferentes os tempos em que a vida era melhor. Depois fale de como o seu trabalho poderá fazer com que tudo volte a ser como era antes, com qualidade de vida. Se o jovem quer mercado de trabalho porque está saindo da escola, os mais velhos querem trabalho para a segurança e subsistência deles e para que os filhos não precisem sair de casa precipitadamente, indo às vezes para cidades estranhas onde serão apenas um número sem vínculo com as suas raízes.

Como conquistar o voto do eleitor
Você como candidato, independentemente de sua experiência política, está se perguntando neste momento — Como deverei agir para conquistar os votos que me levarão à vitória? Antes de analisarmos quais são os requisitos que deverão motivar o eleitor a escolher o seu nome, posso garantir, com base nos meus 25 anos preparando candidatos políticos, que qualquer que seja o caminho adotado, ele necessariamente passará pela oratória. Mas aí você poderia dizer - Eu conheci um candidato que não sabia abrir a boca nem para dizer bom dia e se elegeu.

Tem mesmo essas exceções, mas é preciso analisar sempre em que circunstâncias o fato ocorreu. Às vezes o adversário é tão ruim que sozinho com as besteiras que fala, ele consegue perder a eleição. O eleitor toma sua decisão quando identifica o candidato que atenderá suas aspirações ou da coletividade a qual ele pertence. Como nem sempre o eleitor tem consciência de quais são os problemas que deveriam ser solucionados ou das metas que poderiam ser estabelecidas, caberá a você alertá-lo para essas questões. Veja em que ponto da análise nós estamos: • O eleitor escolhe o candidato que atenderá suas aspirações ou do seu grupo. • Ou ele tem consciência dos problemas que deverão ser solucionados e das metas que poderão ser estabelecidas, ou, se não tiver, caberá a você alertá-lo sobre essas questões. Vamos continuar com o raciocínio. Para que o eleitor o escolha como candidato, é obvio, ele precisa saber que você é candidato. Por isso, a importância da divulgação do seu nome. Sabendo que você é candidato, ou ele já tem informações, pela sua reputação, que você tem autoridade e experiência para se candidatar, ou caberá a você dizer isso a ele. Antes que passe pela sua cabeça idéias de que essa sua autoridade e experiência poderia simplesmente ser divulgada em folhetos ou livretos, esqueça — eleitor não lê — pelo menos não na quantidade suficiente para o eleger. Bem, você poderia dizer, eu posso ter alguém que transmita essa mensagem para mim a partir dos diversos recursos disponíveis durante a campanha, como o rádio e a televisão. Pode sim, e ajuda muito, mas não resolve. Nada será mais eficiente do que você mesmo, se você for bom.

A esta altura já ficou claro que para divulgar a sua experiência e autoridade, demonstrar que conhece e que participa das aspirações do eleitor e da coletividade a que ele pertence, e indicar qual é a sua plataforma para solucionar os problemas e atingir os objetivos almejados pelos eleitores dependerá muito da sua boa comunicação.

Como conquistar o voto do eleitor. Atropelando
Pois é, uma semana passa voando e aqui estamos de volta com a nossa coluna sobre oratória política. Mas não é só a semana que passa depressa, você vai ver como a época da campanha, mesmo sendo cansativa, vai acabar num piscar de olhos. Por isso essa é a época de arregaçar as mangas e atropelar, literalmente. Lembro-me quando estava preparando meu querido amigo Zé Raul para a sua campanha para deputado federal. Por questões de agenda tivemos que fazer o treinamento num sábado à tarde, quando já não tínhamos mais as secretárias na escola para nos ajudar. Lá pelas tantas tocou a campainha e o Zé Raul, todo solícito e gentil como sempre, se prontificou a atender a porta e ver quem estava chamando. Depois de algum tempo ele retornou com um semblante de missão cumprida dizendo: - Era o entregador de água. Já paguei e coloquei o garrafão no local. De surpresa perguntei à ele: — E aí, entregou um santinho para ele? — Pelo amor de Deus Polito, você tem razão, eu nem me lembrei de falar que era candidato. Acho que não nasci para a política mesmo! Claro que ele tinha nascido para política. Era simpático, inteligente, carismático e muito comunicativo, só não tinha aprendido que em

campanha o político tem que atropelar. Quando é que um entregador de água teria a chance de conversar com um candidato a deputado federal? Provavelmente nunca. Ele perdeu não só o voto do entregador mas provavelmente de toda a sua família. Não se esqueça de que em campanha é assim - olhou, sorriu - parou, cumprimentou - encostou, toma lá um santinho, um pedido de voto e lógico de toda a família. Não espere o grande comício para conquistar o voto, pois em campanha passou de dois já é multidão, já dá discurso, daqueles curtinhos que não cansam e despertam a simpatia, que dá voto e cria cabo eleitoral voluntário.

Faça do vocativo uma das suas marcas na oratória política
Tudo precisa ser aproveitado - e muito bem aproveitado, por isso não faça nada ao acaso quando se trata da conquista do voto do eleitor. Você já tem o seu vocativo? Você já decidiu como é que vai cumprimentar os eleitores no início dos pequenos e dos grandes comícios? A maneira como cumprimentar o público no início das apresentações poderá se transformar numa poderosa marca de identificação para ajudar na projeção da sua imagem. Quando as pessoas se acostumarem com o seu cumprimento sempre que ouvirem seus discursos, saberão que é você que está falando e passarão a criar uma identidade com a sua imagem. Para que possamos entender melhor a força do vocativo podemos compará-lo com algumas frases usadas por humoristas da televisão

que caem no gosto das pessoas, que passam a assistir aos programas às vezes só para ouvirem a frase, como por exemplo: 'Oh coitado!' da personagem Filó, interpretada pela Gorete Milagres e 'Mas o salário ó' do Professor Raimundo, interpretado pelo Chico Anísio. Na história da política brasileira tivemos vocativos que produziram imagens tão fortes que se perpetuaram. Um dos mais famosos pertence a Getúlio Vargas, que mudava apenas o nome da cidade ou do estado onde se apresentava e cumprimentava as pessoas sempre da mesma maneira: Povo da Paraíba! Trabalhadores do Brasil!; Povo de São Paulo! Trabalhadores do Brasil! Pouco depois tivemos Adhemar de Barros que cumprimentava as pessoas usando a expressão 'patrícios', e que se transformou numa importante marca nas suas apresentações. Mais recentemente dois presidentes da república usaram vocativos que ajudaram a marcar suas apresentações - José Sarney e Fernando Collor de Melo. José Sarney iniciava sempre com Brasileiras e brasileiros. Foi uma atitude criativa e muito apropriada, pois é evidente que, se ele dissesse apenas 'brasileiros', as 'brasileiras' também já estariam naturalmente incluídas, mas o fato de mencioná-las de forma expressa indicava que as mulheres eram importantes no seu governo, e demonstrava de maneira clara essa intenção ao destacá-las nos seus cumprimentos, ao iniciar os discursos. Fernando Collor, por sua vez, iniciava as suas apresentações com um vocativo que também o identificou - 'Minha gente'. Esses são alguns exemplos de políticos que se projetaram pela maneira de se expressar e fizeram do vocativo um ponto de identificação com as pessoas. Reflita bastante e troque idéias com seus assessores para encontrar o seu vocativo e passe a cumprimentar as pessoas sempre da mesma maneira. Cuidado, porque depois de algum tempo você poderá começar a ficar

constrangido por usar sempre o mesmo vocativo - resista e continue como se o usasse pela primeira vez. Observe também que em cidades pequenas não ficaria bem usar expressões como 'brasileiros', 'trabalhadores deste país', etc. procure sempre um cumprimento apropriado para a localidade. Se você usou um vocativo marcante no passado e a sua imagem de político, por intrigas, injustiças, ou não, ficou muito desgastada e você está trabalhando duro para recuperá-la, mude com urgência a maneira de cumprimentar as pessoas, pois o velho vocativo sempre poderá associar a sua imagem com a daquele político que você representou e agora quer esquecer. O vocativo faz parte da introdução da fala, que é o momento em que devemos nos dedicar para conquistar os ouvintes. Segundo Cícero - 'É a oração que serve para motivar o ânimo do ouvinte a receber bem o restante da fala'. O vocativo fazendo parte da introdução e esta tendo o objetivo de conquistar os ouvintes, precisa ir mesmo nesta direção. Por isso ao cumprimentar faça-o como se estivesse diante de um amigo muito querido, com o mesmo carinho, a mesma atenção e o mesmo entusiasmo. formalidade, Não como cumprimente se fosse como uma se fosse apenas Assim uma estará obrigação.

transformando sua platéia num grupo de amigos e as pessoas terão mais interesse em ouvi-lo. Verifique também como é que os adversários estão cumprimentando as pessoas para não repetir a fórmula e não cair no lugar comum. Escolha bem o vocativo. Ele é o primeiro passo no seu discurso e pode ser um dos primeiros na sua campanha, que espero seja vitoriosa.

Como quebrar a apatia do eleitor

Um dos seus grandes desafios será o de vencer a apatia dos eleitores. A reclamação é geral - horário político é uma chatice; não agüento mais o blá-blá-blá desses políticos; vai ser duro atuar esse falatório mentiroso até outubro. A situação do eleitor diante da comunicação dos políticos é mais ou menos essa - não vi e não gostei. O pior de tudo é que a maioria não quer saber de nada mesmo e cada um se impõe uma resistência tão acentuada que qualquer mensagem política, seja de quem for, não tem nada a ver com ele. É essa apatia, esse desinteresse, esse descaso que você terá que enfrentar quando estiver falando nos comícios, no rádio ou televisão. E sabe quando é que você vai ter que afastar esse desinteresse e conquistar a atenção de todos? É na introdução da fala. De todos os recursos que você pode contar para fazer com que os ouvintes fiquem atentos e interessados na sua mensagem, cinco são os mais apropriados: 1 - Use uma frase que provoque impacto Escolha com cuidado uma frase que pelo seu impacto pudesse servir até como manchete de um jornal sensacionalista. Os ouvintes, sentindo a força dessa frase, irão deduzir que a mensagem toda deverá ser importante e passarão a acompanhar suas palavras com mais interesse. 2 - Use um fato bem humorado Encontre uma informação nascida do próprio ambiente onde você está se apresentando e a transforme num fato bem humorado. Pela maneira leve e descontraída de iniciar você terá mais chances de conquistar a platéia. Observe que a sugestão é a de usar um fato bem humorado, a partir da circunstância do ambiente e não o uso de uma piada, que poderá não ter graça e comprometer ainda mais a sua exposição.

3 - Conte uma história Aja como se estivesse diante de um grupo de amigos narrando um caso interessante. As pessoas gostam de ouvir histórias e por isso ficarão mais atentas quando você entrar na mensagem. 4 - Levante uma reflexão Peça para que as pessoas pensem com você sobre a importância de um determinado tema. Enquanto elas estão refletindo você as levará sutilmente para o conteúdo da mensagem e elas o acompanharão naturalmente.

5 - Conte qual será o benefício da platéia Analise honestamente qual será o lucro, o benefício que as pessoas terão ouvindo a sua mensagem e conte para elas essa vantagem logo no início. Sabendo que irão se beneficiar com o assunto prestarão atenção nas suas propostas. Se por acaso o desinteresse for muito grande não hesite em usar mais de um desses recursos, afinal pessoas apáticas precisam ser chacoalhadas para que possam prestar atenção. Na próxima quinta feira vou falar sobre outros recursos excelentes para conquistar os eleitores logo no início da apresentação.

Saia da mesmice e conquiste o interesse do eleitor
Eu tenho insistido nesta tecla de eleitor apático, indiferente e difícil de ser conquistado. Mas não é exagero não, quem já tem experiência de fazer discurso político, ou está iniciando agora com as suas primeiras tentativas, sabe do que estou falando.

Quantos alunos meus aparecem para o treinamento com um texto bem composto, lógico e perfeitamente estruturado, só que desanimados. - Polito, ninguém me escuta, parece que estou falando para um bando de surdos. Eu não entendo onde está o erro. O texto está bom, eu estou falando bem, mas ninguém quer saber de absolutamente nada. Sabe onde está o erro? Está na mesmice: Uma doença antiga que ataca discursos não só de políticos, mas também de empresários, executivos e um sem número de profissionais de todas as áreas. O ouvinte já tem uma vasta experiência de escutar sempre o mesmo blá, blá, blá. Entra eleição, sai eleição e é sempre a mesma ladainha vamos resolver o problema da educação, da saúde, do transporte, da habitação e do emprego. E mais recentemente candidatos a prefeito e a vereador resolveram também surrupiar uma tarefa do Estado que é a segurança e incluir nas suas pregações. Não tem novidade, nada é diferente ou inusitado. É o vírus da mesmice. Não é simples resolver esta questão delicada e complexa. Vai exigir criatividade, observação e também muita transpiração. Prepare o seu discurso naturalmente, como você sempre faz; depois de pronto e acabado, para cada parte do texto, principalmente da introdução, faça a seguinte pergunta: qual a mudança que eu poderia fazer para tornar essa informação tão diferente, tão inusitada que pudesse surpreender a platéia e magnetizar a sua atenção? Não se contente com a primeira resposta e faça uma segunda: será que não daria para ser mais instigante ainda? E se for preciso faça a terceira, a quarta pergunta ou quantas forem necessárias, até que você mesmo comece a se surpreender com a sua própria informação. Aí terá saído da mesmice e estará pronto para conquistar a atenção, o interesse e o voto dos eleitores. Não tenha preguiça, não arrume desculpas, não reclame, não desanime. Saiba que discurso bom dá trabalho, exige dedicação, inconformismo com o comum e fé na própria competência.

Saia da mesmice surpreenda-se com o seu próprio texto, seja a novidade e vença as eleições.

O Político na hora de falar sentado
Ao participar de debates, ou nas apresentações para a televisão, normalmente o político falará sentado. Embora seja uma posição mais confortável e que dá mais segurança pelo fato de oferecer uma base de sustentação para o corpo, nem por isso será mais fácil ou permitirá um comportamento negligente. Se não tomar alguns cuidados para falar nesta posição a apresentação poderá ser prejudicada e até mesmo deficiente. Veja quais são os cuidados mais importantes para falar sentado de maneira correta: Deixe o tronco e a cabeça em equilíbrio É muito comum observarmos candidatos pendendo a cabeça para um lado e para o outro, principalmente durante as pausas. Essa atitude passa a idéia de negligência e indolência, desvalorizando o conteúdo da apresentação, por melhor que ele seja. Procure deixar a cabeça bem equilibrada, sem rigidez, para não parecer artificial. Evite inclinar muito o tronco para a frente ou para os lados. De vez em quando essa atitude até ajuda a quebrar a rigidez da postura, mas o excesso prejudica a elegância do posicionamento. Mantenha os pés bem posicionados Cuidado para não cruzar os pés em 'x' em baixo da cadeira. Essa postura demonstra que a pessoa não está muito à vontade e que se sente desconfortável naquele local. Você poderá posicionar os dois pés não chão ou até cruzar as pernas, o que de maneira geral proporciona uma postura mais elegante. Só cruze as pernas em forma de quatro (o tornozelo de uma das pernas sobre a região superior do joelho da outra) se a circunstância

for muito descontraída e informal. Se usar essa postura tome sempre o cuidado para não deixar a sola do sapato voltada para a direção do rosto das pessoas. Algumas delas, dependendo da origem cultural, poderão se sentir ofendidas. Modere a gesticulação Quando falar sentado, seja moderado nos gestos. De maneira geral execute-os da altura da linha da cintura até a parte superior do peito. Evite os gestos laterais e não volte com eles muito depressa à posição de apoio - aguarde com o movimento até a conclusão da informação. Se a cadeira tiver braços, depois de concluir o gesto, deixe os braços se apoiarem normalmente sobre os braços da cadeira. Se for uma cadeira sem braços, depois de gesticular poderá deixá-los naturalmente sobre as pernas. Comporte-se com naturalidade Mesmo aqueles que costumam se sair bem nas apresentações em pé, quando falam sentados, às vezes apresentam um certo artificialismo. Fique atento para que esse fato não ocorra com a sua comunicação. Ao falar sentado tente se comportar como se estivesse diante de um grupo de amigos conversando bem à vontade - assim se apresentará de maneira mais espontânea. Ao olhar para os lados não olhe apenas com os olhos, vire a cabeça na mesma direção para projetar uma imagem mais natural. Se desejar saber mais sobre esse tema leia o livro que publiquei pela Editora Saraiva 'Gestos e Postura Para Falar Melhor'. Atenção - Só fale sentado em circunstâncias muito especiais - lembrese sempre que falando em pé você terá mais poder e envolvimento com os ouvintes.