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Acordo do Ministério e sindicatos ainda preso por itens da avaliação
PEDRO SOUSA TAVARES

Ministra rejeita avaliação simplificada igual em todas as escolas Quatro horas de negociações não chegaram ainda para o Ministério da Educação e a Plataforma sindical de professores chegarem a um entendimento. A ronda, que se esperava conclusiva, terá de ser repetida amanhã às 17.30. Os termos em que a avaliação será feita este ano lectivo, e a participação (ou não) dos sindicatos na comissão de acompanhamento da avaliação são os principais motivos de discórdia. Mas as estruturas querem também que o Ministério clarifique se, de facto, não surgirão quaisquer consequências negativas para quem tenha má nota na primeira avaliação. Antes da reunião, as possibilidades de entendimento eram elevadas. Na quarta-feira, a ministra promera uma "segunda oportunidade" para os professores que viessem a ser classificados com um "regular" ou "insuficiente" na primeira avaliação. Ontem, os sindicatos tinham deixado em aberto a possibilidade de um entendimento que incluisse a avaliação este ano dos professores contratados e dos quadros em ano de progressão, cerca de 7000 docentes num universo de 140 mil. Mas a forma como será feita essa avaliação continua a cavar um fosso entre as partes. Os sindicatos propuseram que, este ano, as classificações reflictam apenas a assiduidade e a auto-avaliação pelos professores. Por um lado, segundo explicou ontem Mário Nogueira, da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), por considerarem "inaceitável" que em diferentes escolas sejam avaliados itens diferentes. Por outro, por considerarem que "nesta altura" não é possível que a generalidade das escolas possa adaptar itens mais alargados: "Neste momento não podem ser introduzidos outros itens, porque pura e simplesmente não foram definidos nos objectivos prévios, como prevê a avaliação", explicou. "Por exemplo, como podemos avaliar se, na componente não lectiva, um professor atingiu os objectivos a que se propôs quando não houve objectivos previamente definidos", questionou. A esta posição a ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, respondeu com o argumento de que o Ministério pretende que cada escola faça "o melhor que puder" na avaliação, rejeitando um nivelamento por baixo: " O nosso sistema tem muitas realidades. Esse é um dos seus retratos", considerou. "Não admitimos criar condições para que as escolas que trabalham bem trabalhem pior", avisou. "Queremos é que as outras possam trabalhar ao nível das melhores". Apesar deste aparente insanável extremar de posições, a par de outros - como a recusa de integrar os sindicatos na comissão coordenadora da avaliação, atribunido-lhes apenas um papel consultivo - as partes sairam da reunião admitindo ainda um possível entendimento. Ainda que parcial.

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