Excertos da Lei da Televisão e Protocolo RTP/SIC/TVI (retirados daqui http://www.mp.gov.

pt/mp/pt/GabImprensa/Docs/GC15/ ) 21.8.2003

Assinatura do Protocolo RTP/SIC/TVI De acordo com os objectivos de reestruturar, credibilizar e estabilizar o sector da comunicação social, o Governo assinala hoje mais um importante passo com a homologação da assinatura do Protocolo entre os três operadores de televisão generalista RTP, SIC e TVI. Depois de iniciado o processo de reestruturação da televisão pública e uma vez adaptada a legislação de televisão às novas realidades, é prioridade do Governo adoptar medidas que promovam a normalização das relações e o entendimento entre os operadores generalistas de televisão, na partilha de experiências e conteúdos e sobretudo em iniciativas de co-regulação. O Governo definiu ainda nas "Novas Opções Para o Audiovisual" um modelo de financiamento para a televisão pública onde o seu funcionamento não dependesse dos proveitos de publicidade. Na sequência dessa decisão são hoje apresentadas um conjunto de contrapartidas a que os operadores generalistas privados de televisão se obrigam a cumprir. Por último, as obrigações assumidas pelos operadores generalistas de televisão são avaliadas em reunião trimestral, com base em relatórios mensais. Em caso de incumprimento, o protocolo determina a acumulação das obrigações não cumpridas com as obrigações do trimestre seguinte. A primeira reunião será 100 dias após a entrada em vigor do protocolo.

Contrapartidas Assumidas Pelos Operadores Privados 1. Apoio e Financiamento de Produção Independente Os operadores de televisão SIC e TVI farão, anualmente, investimento directo em produção independente no valor de 0,5% das receitas líquidas anuais de publicidade. Os operadores de televisão SIC e TVI farão promoção das obras financiadas pelo ICAM. O valor dessa promoção ascenderá, para cada um dos operadores, a 0,5% das receitas líquidas anuais de publicidade. O ICAM seleccionará os filmes a promover e terá o direito de planear as campanhas relativas a cada promoção. 2. Conteúdos para os Canais Internacionais da RTP Os operadores SIC e TVI disponibilizarão, cada um, o total de uma hora diária de conteúdos próprios e/ou conteúdos informativos para os canais internacionais da RTP (RTPi e RTP África).

Ambos os operadores elaborarão listagens das obras já amortizadas e disponíveis para cedência para as emissões internacionais da RTP. A estação de origem do conteúdo cedido deverá ser sempre identificada com o seu logotipo durante a totalidade do tempo de exibição do programa. 3. Programação Cultural e Apoio aos Públicos com Dificuldades Auditivas Os operadores SIC e TVI comprometem-se, cada um, a, no prazo de 90 dias após a entrada em vigor do presente protocolo, emitir um mínimo de duas horas e meia em cada semana, de programação de actualidade informativa, educativa, cultural ou recreativa ou rubricas integradas em programas dessa natureza, com linguagem gestual, em horário compreendido entre as oito e as zero horas. Os operadores SIC e TVI comprometem-se ainda, cada um, a, no prazo de 90 dias após a entrada em vigor do presente protocolo, emitir de segunda a sexta-feira programas de ficção ou documentários com legendagem através de teletexto, não podendo a duração total desses programas ou documentários ser inferior a cinco horas/semana. Para além das obrigações já existentes de emissão de espaços de programação cultural nas suas emissões, os operadores SIC e TVI comprometem-se: a. A emitir, cada um, duas horas de programação cultural por mês, em horário entre as oito e as duas horas da manhã, com a duração mínima de 15 minutos/programa, entendendo-se por programação cultural a apresentação, debate e divulgação das áreas artísticas, a saber, literatura, cinema, teatro, dança, pintura, arquitectura, música, artes plásticas, produção audiovisual e design, bem como do património, história, costumes e outras expressões de identidade cultural do país; b. A emitir, cada um, dezoito horas anuais de obras de ficção de produção nacional, nomeadamente, ficção histórica, ficção biográfica e de adaptação literária; c. A emitir, cada um, trinta minutos por semana de programação para minorias étnicas, religiosas ou culturais, em horário compreendido entre as seis e trinta e as nove da manhã.

Lei de televisão
CAPÍTULO III Programação e informação Artigo 23.o
Autonomia dos operadores

SECÇÃO I Liberdade de programação e de informação

1 — A liberdade de expressão do pensamento através da televisão integra o direito fundamental dos cidadãos a uma informação livre e pluralista, essencial à democracia e ao desenvolvimento social e económico do País. 2 — Salvo os casos previstos na presente lei, o exercício da actividade de televisão assenta na liberdade de programação, não podendo a Administração Pública ou qualquer órgão de soberania, com excepção dos tribunais, impedir, condicionar ou impor a difusão de quaisquer

programas. Artigo 42.o
Produção independente

Os operadores de televisão que explorem serviços de programas televisivos de cobertura nacional devem assegurar que pelo menos 10% da respectiva programação, com exclusão dos tempos consagrados aos noticiários, manifestações desportivas, concursos, publicidade, televenda e teletexto, sejam preenchidos através da difusão de obras europeias, provenientes de produtores independentes dos organismos de televisão, produzidas há menos de cinco anos. Artigo 43.o
Critérios de aplicação

O cumprimento das percentagens referidas nos artigos 40.o a 42.o é avaliado anualmente, devendo ser tidas em conta a natureza específica dos serviços de programas televisivos temáticos, as responsabilidades do operador em matéria de informação, educação, cultura e diversão e, no caso dos serviços de programas televisivos não concessionários do serviço público, as condições do mercado ou os resultados de exercício apresentados no ano anterior. Artigo 44.o
Apoio à produção

O Estado deve assegurar a existência de medidas de incentivo à produção áudio-visual de ficção, documentário e animação de criação original em língua portuguesa, tendo em vista a criação de condições para o cumprimento do disposto nos artigos 40.o e 42.o, através da adopção dos mecanismos jurídicos, financeiros, fiscais ou de crédito apropriados. Aprovada em 15 de Julho de 2003. OPresidente da Assembleia da República, João Bosco Mota Amaral. Promulgada em 6 de Agosto de 2003. Publique-se. O Presidente da República, JORGE SAMPAIO. Referendada em 8 de Agosto de 2003. O Primeiro-Ministro, José Manuel Durão Barroso.