UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ-UECE

CENTRO DE HUMANIDADES-CH
HISTÓRIA-LICENCIATURA PLENA
DISCIPLINA DE INTRODUÇÃO À ANTROPOLOGIA
PROFESSOR GERSON AUGUSTO

Fichamento:
“O ecletismo é uma auto frustração, não porque haja somente uma direção a percorrer com
proveito, mas porque há muitas: é necessário escolher.”(pág. 4)
Nessa primeira parte do capítulo, Clifford Geertz fala sobre a formação de novas ideias, e
como ela se adapta, como é recepcionada pelos cientistas, e como enfim ela se junta as outras
ideias formando um vasto mundo cheio de ideias. Nessa passagem ele fala que o ecletismo, ou
seja, a diversidade de teorias, causa uma dificuldade, não pelo fato de existir apenas uma
correta, e que todas as outras estão erradas e só atrapalharam e confundiram, mas pelo fato de
que nós devemos escolher a qual dessas ideias ou teoria vamos usar.
Todo pesquisador poderá escolher que métodos vai utilizar na pesquisa. Na antropologia, ou
nas ciências humanas no geral, essa liberdade facilita a pesquisa, pois o próprio pesquisador
avaliará a situação do grupo que pesquisa e tirará suas próprias conclusões de quais teorias ele
vai utilizar.

“A cultura, esse documento de atuação, é portanto pública, como uma piscadela burlesca ou
uma incursão fracassada aos carneiros.”(pág. 8)
Existe um grande debate sobre a natureza da cultura, se ela é subjetiva ou objetiva, os
intelectuais de dividem sobre esse assunto, e são muitos os insultos. Se o comportamento
humano for tido como uma ação simbólica, ou seja, uma ação com significado, como na
maioria das vezes é tido, haverá duas contradições. Mas o que deve ser discutido não é o
status ontológico do comportamento humano, mas sim a sua importância.
No trecho, Geertz coloca a cultura como documento de atuação, sendo, portanto, o objeto da
antropologia.
a cultura é publica, pois o significado das coisas são, ou seja, as pessoas só vão fazer algo, se
elas souberem que estão fazendo. Para que algo se torne cultura é necessário que primeiro se
tenha conhecimento sobre isso primeiro. Pelo fato do conhecimento é público, a cultura é
publica.

Por exemplo. Enfim. o ritual. Muitos pesquisadores vão a procura de coisas comuns que existam entre os povos. dificultando as entrevistas. com culturas diferentes. a arbitrariedade do comportamento humano (não há nada especialmente arbitrário em tomar o roubo de carneiro como insolência no Marrocos). Se existe algo que tenha em sua cultura que também tenha na cultura que ele pesquisa. mas o grau no qual o seu significado varia de acordo com o padrão de vida através do qual ele é informado. é indispensável. ele vai buscar característica. . no momento de escrever. ou até pior. mas para conseguir isso ele tem que se introduzir no grupo que pesquisa. Caso o pesquisador não tenha uma visão apurada para captar essas diferenças. Não podemos nos situar entre eles. dados demográficos. mas talvez eles considerem uma ofensa a eles e. porem o pesquisador deva estar apto a buscar com mais vigor as diferenças existentes entre os povos. é de muita importância que o pesquisador conheça o povo. Um sacrifício humano para nós um crime. Papel do antropólogo não é só coletar dados. a suas crenças e cultura. uma barbaridade mas para tal povo não seja. “Procurar o comum em locais onde existem formas não-usuais ressalta não como se alega tantas vezes. até mesmo. talvez não seja para o povo. etc. 10) Quando o pesquisador decide ir fazer uma pesquisa de campo ao chegar vai se deparar com um novo grupo de pessoas diferentes. faça parte de sua cultura.“Nos não compreendemos o povo (e não por não compreender o que falam entre si). Na captação das diferenças o pesquisador entenderá o povo. se um dia o pesquisador se deparar com um ritual (hipoteticamente) cujo todos os participantes tem que ficar em silêncio absoluto. E sim entender suas praticas religiosas. No entanto. ele provavelmente não será aceito no ritual.” (pág. seus costumes. não seja um erro. mas essas características tem que ser de diferenças e não de igualdades. E o melhor método de conseguir se introduzir nesse grupo é entendendo sua cultura. e algo que pareça uma barbaridade. ele não conseguirá ter uma visão que o permita inserir no grupo. Pois são essas características que vão fazer o pesquisador entender o povo que pesquisa. Entender o grupo que pesquisa. seus rituais. se o pesquisador não conhecesse o povo. talvez. além do fato do pesquisador muitas vezes para ser aceito pelo grupo que ele pesquisa ele tem que saber suas práticas para que os pesquisados se sintam mais tranquilos. E algo que para nós seja algo comum. Isso não é que seja errado. pois sem isso o pesquisador chegará ao grupo cheio de preconceitos sobre tal povo. assim se mantendo fora do grupo. dificultando a coleta de dados.” Compreender o povo não consiste em apenas saber dados cientifico.

todos tem contato com a antropologia. Em exposição de museus o antropólogo encontra estudos sobre qualquer povo de modo mais visual. da ação social – que as formas culturais encontram articulação. O pesquisador deve está atento a tudo que acontece no local onde pesquisa. vestimentas e também tem especialista explicando um pouco mais sobre aquela cultura. Neste ponto Geertz fala que a antropologia está em todos os lugares. a antropologia existe no livro. E o olhar do antropólogo deve está atento para perceber essas características.“Nem sempre os antropólogos têm plena consciência desse fato: que embora a cultura exista no posto comercial. Nas conferencias ele se depara mais com uma exposição dos trabalhos de outros pesquisadores que tem bastante coisa a se acrescentar ao seu trabalho. Através de livros o pesquisador vai encontrar outros estudos feitos sobre aquele povo. pois a partir dai muitas pessoas poderão conhecer essa ciência e poder gostar e então se tornar um antropólogo. mas Geertz não quer dizer que o antropólogo deva apenas olhar para o comportamento do povo. representações do povo. como ocorre hoje. mas deve dar mais importância para o comportamento pois é ele que vai formar a cultura do povo. quem só se interessava eram as pessoas que estudavam na área. métodos de pesquisa. no forte da colina ou no pastoreio de carneiros. na exposição do museu ou. E mais recentemente. pois quando só existiam livros. o etnógrafo tem um trabalho a mais para poder deixar o seu texto compreensivo. devemos dar preferencia aos estudos que nos digam qual é as características da cultura de determinado povo. Hoje. e com exatidão. isso trás uma grande contribuição a essa ciência. não só um olhar mas também uma boa audição. 12). encontramos as pesquisas antropológicas sendo divulgadas em filmes e documentário.” (pág. analisar de forma que ele possa fazer os leitores entender o que aquele povo praticava. experiências de outros antropólogos. ou seja. 14) Quando o etnógrafo depois de coletar os dados. O estudo antropológico pode ser feito através de pesquisas com as pessoas em qualquer lugar. e depois de toda uma analise o etnógrafo enfim vai . e com qualquer pessoa. no artigo. ele pode encontrar artefatos. na conferencia. ou não. por serem culturas diferentes e por os leitores não tiveram contatos com o próprio povo. de vários modos e formas. no sentido de que o pesquisador deve perceber todos os comportamentos dos indivíduos e analisar se aqueles comportamentos fazem parte. de uma cultura. O etnógrafo depois de coletar os dados ele vai analisar os dados que coletou e ver quais dos dados devem ser escritos ou não. armas. vai elaborar o texto do qual falará sobre a sua pesquisa. o pesquisador pode trabalhar com qualquer grupo social. Na maioria das vezes os responsáveis sobre as pesquisas realizadas para a elaboração desse tipo de exposições. nos filmes. pois é através do fluxo do comportamento – ou mais precisamente. “O etnógrafo ‘inscreve’ o discurso social: ele anota”(pág. “Deve atentar-se para o comportamento. 11). nesse momento o trabalho do etnógrafo não é apenas escrever os dados é de também de analisa-los.” (pág. esse é um ótimo e dinâmico método de divulgação das pesquisas antropológicas. Sendo a cultura o objeto da antropologia.

Para eles. cidades. Não se deve confundir o lugar onde estudamos com o que estudamos. e mesmo escrevendo ele vai trabalhar muito mais do que no campo. Enfim o trabalho do etnógrafo é muito mais do que escrever. mas como também. ou histórico – não dizendo que essas ciências não contribuam para o trabalho antropológico. pode-se estudar apenas um determinado terreiro.”(pág. escolhendo que povo deve estudar e escrever sobre eles. Analisando outras coisas que não sejam o objeto da antropologia. profissionais é verdade. 16). o texto do etnógrafo vai passar pelas correções e pela editora. mas também que área desse povo. vizinhaças. clima. Mas não somente que povo estudar. pode-se pesquisar toda a cultura afro-brasileira. Qualquer desvio pode descaracterizar o trabalho do antropólogo.. se ele não tiver cuidado. 185) . eles estudam nas aldeias”(pág. Os antropólogos não vão as aldeias (tribos. O estudo sobre qualquer coisa deve está bem focado. os assediam: como se nós não estivéssemos lá. que características escolher. O antropólogo tem liberdade de escolher o seu objeto de pesquisa. etc. mas que isso não descaracterize o trabalho antropológico – e sim antropológico. analisando com métodos errados. Como também pode-se estudar o comportamento de um dos membros da “gira”. éramos não-pessoas. “Ou o paraíso num grão de areia ou os pontos mais afastados da possibilidade” (pág. ou apenas uma de suas características como o candomblé. ou apenas alguma parte dela. criaturas invisíveis. Em vez de descrever o local ou a paisagem. mas os aldeões nos trataram como que só os balineses tratam as pessoas que não fazem parte da sua vida e que. mas de maneira moderada – o antropólogo deve se preocupar em descrever a cultura e o comportamento dos indivíduos ou do individuo. no entanto. ele deve fazer uma pesquisa microscópica.. ele vai escolher se quer falar sobre toda cultura de um determinado grupo. Mas quando o etnógrafo for estudar apenas essas características ou esses membros. etc.escrever o texto. tentar capitar os mínimos detalhes sobre esse assunto. ou seja. Por exemplo. mais distante com uma cultura muito diferente. “Nós éramos invasores. é até de certo ponto para nós mesmos.). 15). porem essa pesquisa vai ter características diferentes. “O locus do estudo não é o objeto do estudo. natureza. para fazer várias analises dos textos e configurá-lo. Mas não passa a ser menos valorizadas. vai ter que fazer uma análise diferente dos dados. Porém também existe a possibilidade o antropólogo pesquisar um povo. Em sua pesquisa. tipos de moradias – claro o antropólogo pode fazer isso. Mas mesmo depois de escrever. como os “Ogans” ou os “pais de santos”. esmiuçar ao máximo. espectros. para que não façamos um trabalho sociológico.

muitas pessoas acreditam que a cultura ocidental é a melhor. Não entendendo. É um trabalho dia a dia com eles estudando e interagindo com eles. pois eles não deixavam ter contato com eles ou conversarem.Quando o antropólogo consegue chegar a um ponto de aproximação grande. “atrasada”. mendigar ou ter os seios descobertos – ela procura acabar com eles. Quando o povo não “percebe” a presença de um invasor. Por isso é muito importante a pesquisa antropológica participativa. pode-se analisar a cultura dele com mas clareza. Foi justamente o ponto da reviravolta no que concerne ao nosso relacionamento com a comunidade. ou da metafisica. o pesquisador entra em contato com o natural desse povo. . você pelo menos é visto como o ser humano em vez de uma nuvem ou um sopro de vento. O antropólogo deve fugir de tal pensamento. 187) Cada cultura tem suas particularidades. Como acontece com outros motivos de constrangimento – fumar ópio. Não alterando o comportamento. 186) Muitas culturas no mundo vem sendo excluídas pelas elites. “não-progressista” e não combina. e o pesquisador deve entender essas culturas. não poderá continuar a sua pesquisa. “Em Bali. Os antropólogos não tinha como pesquisar se eles não falavam nada com eles e apenas o ignoravam. ser caçoado é ser aceito.”(pág. tentando agir normalmente. Nesse caso o fato de agirem normalmente não foi uma grande ajuda. antropólogo. de forma não-sistemática. Certo que nem tudo é tão perfeito. ele não será aceito. Mas era que povo gostassem dele ou que os odiassem. Mas nesse caso específico. o pesquisador foi enfim aceito pelo povo e passará a ser aceito. Isso vem diminuindo a diversidade cultural do mundo. e assim o comportamento deles não vai alterar. eles vão agir normalmente. para conquistar a confiança do grupo. cujo o pesquisador se introduz com a sua participação no grupo que quer estudar. mas simplesmente não queriam manter contato com os estrangeiros. e embora não seja considerado exatamente como um balinês(para isso é preciso ter nascido balinês). conseguir contato com o povo que pesquisa. era uma característica do povo. pois veem que são práticas inconvenientes ao nível dessas pessoas.”(pág. ele consegue observar características do povo. mas mesmo assim vai ter hábitos que eles vão deixar de fazer por causa do estranho em sua tribo ou terra. ou seja. “De alguma forma você conseguiu cruzar uma fronteira de sombra moral. pois quando ele consegue se inserir no povo sem que o povo estranhe. Nesse momento. Muitas vezes são necessário muito tempo de convívio com eles para que possa conseguir conquistar o grupo. porem não existe cultura melhor que a outra são diferentes. em geral. Não sendo aceito pelo povo. estranho. pode se dar por satisfeito. por mais que o povo aceite o pesquisador. pois se não for assim. ele não conseguirá entender o povo que estuda. e sim um problema. “Ela vê a briga de galo como “primitiva”. 186) Essa é a intenção do antropólogo. e havíamos sido literalmente ‘aceitos’. como de costume.”(pág. com uma nação ambiciosa. mas não melhores.

“Entretanto. uma revelação pelo menos tão importante quanto os outros fenômenos mais celebrados do que sejam ‘ser realmente’ um balinês.”(pág. ou acharam irrelevante. e microscópica. 188) Sempre haverá algum assunto para ser pesquisado. O pesquisador tem também que ter habilidade de saber enxergar no povo algo que seja importante para a formação cultural do povo. Ele fez uma pesquisa aprofundada sobre o tema. apesar de vários pesquisadores já terem feito suas pesquisas lá em Bali. No caso do Geertz ele analisou algo que muitos pesquisadores não perceberam. como obsessão popular de poder consumidor. apesar de representarem. . poucos deles mencionavam as brigas de galo. mas ele soube dissertar aprofundadamente. a não ser por algumas observações de paisagens. as brigas de galo foram pouco mencionadas. O pesquisador soube dissertar sobre a briga de galo.