DIREITO DO TRABALHO – 02 – 13/01/2015

PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO
CONCEITO E FUNÇÕES
Princípios são elementos de sustentação do ordenamento jurídico, os quais se ligam aos valores
que o direito visar realizar. Tendo como funções:
a) Informativa ou construtiva: servem de inspiração para o legislador;
b) Interpretativa: auxiliam na interpretação da norma jurídica;
c) Normativa: aplicam-se na solução de casos concretos.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS RELEVANTES PARA O ESTUDO DO DIREITO DO
TRABALHO

Princípio da dignidade da pessoa humana: em que pese ser princípio geral do direito, e
mais, princípio maior da Constituição da República, vem sendo relacionado também como
princípio específico do Direito do Trabalho. Entende-se pelo princípio da dignidade humana
a noção de que o ser humano é um fim em si mesmo, não podendo ser utilizado como
meio para atingir determinado objetivo. Veda-se, assim, a coisificação do homem, e, no
caso específico do direito laboral, a coisificação do trabalhador. Em outras palavras, não se
admite que seja o trabalhador usado como mero objeto, na busca incessante pelo lucro e

pelos interesses do capital.
Outros princípios constitucionais relevantes:
a) Valores sociais do trabalho;
b) Inviolabilidade da intimidade e da privacidade;
c) Liberdade profissional, de reunião, de crença e de associação;
d) Função social da propriedade;
e) Busca do pleno emprego.

PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO RELEVANTES PARA O RAMO JUSTRABALHISTA

Princípio da boa-fé: segundo este princípio, tanto o empregado quanto o empregador

devem agir, em sua relação, pautados pela lealdade e boa-fé.
Princípio da razoabilidade: é o princípio segundo o qual se espera que o indivíduo aja
razoavelmente, orientado pelo bom-senso, sempre que a lei não tenha previsto
determinada circunstância surgida no caso concreto. O entendimento predominante é de
que

o

princípio

da

razoabilidade

proporcionalidade.
PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO

estaria

intimamente

ligado

ao

princípio

da

consiste na utilização da norma e da condição mais favoráveis ao trabalhador. dever-se-á aplicar a que for mais favorável ao empregado. do princípio da igualdade em seu aspecto substancial. Pode-se dizer que o princípio da proteção consiste na aplicação. na medida de suas desigualdades. estará o intérprete vinculado à escolha daquela que se mostre mais favorável ao empregado. OBS: Não obstante. sendo eles: a) Teoria da acumulação: seleciona-se. sendo uma autônoma (norma coletiva) e outra heterônoma (lei). de forma a tentar compensar juridicamente a condição de hipossuficiente do empregado. c) Teoria do conglobamento orgânico ou por instituto: extrai-se a norma aplicável a partir de comparação parcial entre os grupos homogêneos de matérias. segundo o qual igualdade é tratar de forma igual os iguais e de forma desigual os desiguais. não prevalece necessariamente. portanto. a) Princípio da norma mais favorável: segundo este princípio. Importante salientar que este princípio não tem aplicação no campo probatório (exame de fatos e provas pelo Juiz). A identificação da norma mais favorável se dá mediante critérios de comparação entre as normas existentes que versem sobre o objeto da controvérsia. b) Teoria do conglobamento: toma-se a norma mais favorável a partir do confronto em bloco das normas objeto de comparação. ao Direito do Trabalho. no Direito do Trabalho. aplicar-se-á a lei. nos termos preconizados pela . Entretanto. isto é. Costuma-se dizer que do princípio da proteção decorrem todos os demais princípios especiais aplicáveis ao ramo juslaboral.Princípio da proteção: também chamado de princípio protetor ou tutelar. o critério hierárquico de aplicação das normas. em cada uma das normas comparadas. busca-se o conjunto normativo mais favorável. à ideia de direito adquirido. c) Princípio da condição mais benéfica: impõe que as condições mais benéficas previstas no contrato de trabalho ou no regulamento de empresa deverão prevalecer diante da edição de normas que estabeleçam patamar protetivo menos benéfico ao empregado. como patamar civilizatório mínimo. Liga-se o princípio. haverá de se utilizar o critério da cumulação. e as cláusulas mais benéficas da norma coletiva. Desse modo. se uma determinada regra permite duas ou mais interpretações. independentemente do seu posicionamento na escala hierárquica. de uma e de outra norma. os dispositivos mais favoráveis ao trabalhador. É o critério de prevalência geral tanto na doutrina quanto na jurisprudência. é importante frisar que. isto é. existindo duas ou mais normas aplicáveis ao caso concreto. b) Princípio in dubio pro operario: também chamado de in dubio pro misero. resta salientar que não se aplica o princípio da norma mais favorável diante das chamadas normas proibitivas estatais. se existem duas normas aplicáveis. informa que.

I . XXXVI). observando-se as alterações posteriores desde que mais favoráveis ao beneficiário do direito. Este princípio está positivado no art. I . _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _ . que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente. bem como foi consagrado pela jurisprudência.CRFB (art. 5º. Súmula nº 288 do TST.A complementação dos proventos da aposentadoria é regida pelas normas em vigor na data da admissão do empregado.As cláusulas regulamentares. consoante se depreende dos seguintes verbetes: Súmula nº 51 do TST. só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. 468. caput. da CLT.

somente se admitindo excepcionalmente os contratos por prazo determinado. A vantagem é concedida de forma expressa: não resta a menor dúvida de que vantagem não pode ser abolida nunca mais (art. serão sempre mais relevantes que os ajustes formais. II. Muitas vezes ocorre um aparente conflito de normas (e interesses). pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. a Súmula 212 do TST: Súmula nº 212 do TST. No sentido do princípio em análise. sendo a questão resolvida pela prevalência da matéria de ordem pública.A condição mais benéfica se observa sob dois aspectos: I. Princípio da continuidade: no âmbito do Direito do Trabalho. com supressão do adicional noturno. Obviamente. isto é. prima-se pelo que realmente aconteceu no mundo dos fatos em detrimento daquilo que restou formalizado no mundo do direito. Como as normas de proteção à saúde e segurança do trabalhador têm cunho eminentemente imperativo. presume-se que os contratos tenham sido pactuados por prazo indeterminado. O ônus de provar o término do contrato de trabalho. A vantagem é concedida de forma tácita: a condição será incorporada ao patrimônio jurídico do empregado se houver habitualidade. 9º da CLT. É prejudicial no sentido do salário. a prevalência da condição mais benéfica é limitada pelas normas de ordem pública. para o Direito do Trabalho. Princípio da primazia da realidade: é o princípio segundo o qual os fatos. Este princípio foi consagrado pelo art. é do empregador. Exemplo: alteração do horário noturno para diurno. . sempre que não haja coincidência entre estes dois elementos. quando negados a prestação de serviço e o despedimento. mas é benéfico porque o trabalho diurno é menos prejudicial à saúde. É o triunfo da verdade real sobre a verdade formal. 468). segundo qual “serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar. devem prevalecer. impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”.

conforme os arts. 444. os arts. As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho. Princípio da inalterabilidade contratual lesiva: pelo princípio da inalterabilidade contratual lesiva são. direta ou indiretamente. de forma a melhor organizar. sempre que o contrato tiver sido pactuado por prazo determinado. em regra. Art. sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. as alterações favoráveis ao empregado são permitidas e inclusive incentivadas pela legislação. que o princípio da inalterabilidade contratual lesiva não é absoluto. em regra. situação na qual a mudança da pessoa do empregador. a fim de afastar a presunção de indeterminação do prazo decorrente do princípio da continuidade. O jus variandi torna lícito ao empregador efetuar pequenas alterações não substanciais no contrato de trabalho. definição da cor e do modelo do uniforme dos empregados. alterações no horário de trabalho.Em outras palavras. Ainda pertinente. 10 e 448 da CLT. 468. sob critérios objetivos. esta circunstância deve ser provada. 444 e 468 da CLT: Art. em geral. . e ainda assim desde que não resultem. Neste sentido. aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. o seu empreendimento. É importante esclarecer. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento. entre outras. Neste diapasão. vedadas alterações do contrato de trabalho que tragam prejuízo ao empregado. São permitidas. entretanto. Ao contrário. prejuízos ao empregado. resta salientar que o princípio da continuidade também se relaciona à sistemática da sucessão de empregadores. não extingue ou altera o contrato de trabalho. o princípio da inalterabilidade contratual é mitigado pelo chamado jus variandi conferido ao empregador em decorrência do poder diretivo.

XXI. Obviamente. XIII e XIV da CRFB. Neste mesmo sentido. O direito ao aviso prévio é irrenunciável pelo empregado. 468 da CLT) e as alterações salariais mediante negociação coletiva (art. in verbis: Súmula nº 276 do TST. 7º. como a reversão (parágrafo único do art. aplica-se a Súmula 276 do TST. Princípio da irrenunciabilidade: este princípio é também denominado princípio da indisponibilidade de direitos. VI da CRFB). as regras relativas à jornada e descansos trabalhistas. 7º. por exemplo. Com efeito. Importante mencionar que a exceção ao princípio da irredutibilidade salarial constante do art. incisos VI. e informa que os direitos trabalhistas são. são válidas. por exemplo. são irrenunciáveis. 7º. os casos em que caiba negociação coletiva. é corriqueiro que. 487 da CLT. Neste caso. O pedido de dispensa de cumprimento não exime o empregador de pagar o respectivo valor.De outra sorte. salvo comprovação de haver o prestador dos serviços obtido novo emprego . bem como aquelas que pertinem à segurança e saúde do trabalhador. VI. Princípio da intangibilidade salarial: é o princípio o qual não se admite o impedimento ou restrição à livre disposição do salário pelo empregado. bem como do art. irrenunciáveis. . 7º. princípio da inderrogabilidade ou princípio da imperatividade das normas trabalhistas. expressamente mencionados no art. Um exemplo de indisponibilidade extremamente comum na prática trabalhista é o do aviso prévio. da CRFB. direito que lhe é assegurado por força do art. da CRFB constitui exemplo da hipótese de ponderação de interesses ante a colisão de princípios. Como exceções ao princípio da irrenunciabilidade menciona-se. em casos de demissão sem justa causa. indisponíveis e inderrogáveis. o empregado seja induzido a “abrir mão” do aviso prévio. em regra. visto que a lei pode excepcionar a si mesma. há previsão legal expressa de alterações prejudiciais lícitas.

em regra. e ainda assim se não causar prejuízo ao trabalhador (art. mediante concessões recíprocas. 468). Transação:  Renúncia é o ato unilateral da parte. Princípios trabalhistas específicos (peculiares): Proteção Irrenunciabilidade Primazia da realidade Inalterabilidade contratual lesiva Continuidade Intagibilidade salarial INTEGRAÇÃO NO DIREITO DO TRABALHO Integração jurídica é o processo de preenchimento das lacunas apresentadas pela lei quando da análise de um caso concreto.Renúncia vs. envolvendo questões fáticas ou jurídicas duvidosas. salvo quando a própria lei autorizar a transação. através da qual ela se despoja de um direito que é titular. e nunca de direito líquido e certo. quanto aos direitos de ordem privada (previstos em cláusula contratual ou regulamento empresarial). A renúncia não é. Equidade. Importante ressaltar que só se pode admitir a transação de direitos duvidosos. Somente será admitida a renúncia nos raros casos em que esteja prevista em lei. . Analogia. pelo qual se acertam direitos e obrigações entre as partes concordantes. sem correspondente concessão pela parte beneficiada pela renúncia. em regra. Recursos para integração previstos na CLT: (JAEP UC DC)    Jurisprudência. Quanto à transação. somente será admitida.  Transação é ato bilateral. admitida no âmbito do Direito Individual do Trabalho.

Direito comum. ficando sua utilização a critério do julgador. OBS: Não há hierarquia para aplicação dos recursos ou critérios integrativos.    Princípios e normas gerais de direito. Usos e costumes. . A única ressalva é que o interesse individual não pode prevalecer sobre o interesse coletivo. desde que a norma seja compatível com os princípios próprios do Direito do Trabalho. Direito comparado.