Sistema Recursal no TCU

RECURSO DE RECONSIDERAÇÃO

O sistema recursal na esfera do Tribunal de Contas da União acha-se
regulado a partir do art. 31 da Lei 8.443, de 16 de julho de 1992, onde se fixa
orientação no sentido de que “em todas as etapas do processo de julgamento
de contas será assegurado ao responsável ou interessado ampla defesa”.
Acrescenta-se, em seguida, que de decisão proferida em processo de tomada
ou prestação de contas cabem recursos de reconsideração, embargos de
declaração e revisão (art. 32). Mais adiante, contempla ainda a Lei Orgânica do

TCU a espécie recursal identificada como pedido de reexame (art. 48).
Contempla-se na aludida norma, pois, as espécies recursais que, em
face das decisões adotadas no âmbito do Tribunal de Contas da União, podem
ser utilizadas com vista a provocar o reexame das questões debatidas em sede

de processos de tomada ou de prestação de contas, como também nos casos
de atos sujeitos a registro e fiscalização de atos e contratos.
Ao fazer uso da faculdade de recorrer, deve o interessado atentar para o
fato de que cada uma das espécies recursais que se acham previstas na Lei
Orgânica do TCU exigem o atendimento a determinados pressupostos básicos
de cabimento, a despeito de se poder contar, quando equívoco houver na
interposição de um recurso por outro, com a proteção que diretamente resulta
do princípio da fungibilidade. O desejável, todavia, é que se identifique em
cada situação o recurso a ser adequada utilizado.

de início. 228. sem inovar em nada o que contempla a Lei Orgânica. será 1 apreciado por quem houver proferido a decisão recorrida. dentro do prazo de quinze dias. é permitir a reavaliação de assunto a respeito do qual já houve pronunciamento específico. O recurso de reconsideração e o pedido de reexame a que se referem o inciso I do art. que terá efeito suspensivo. O escopo da reconsideração. implica em considerar ou ponderar novamente. pelo responsável ou interessado. r 2 . que terá efeito suspensivo. O Regimento interno daquela Corte. será assegurada aos responsáveis ou interessados ampla defesa. O recurso de reconsideração. na forma estabelecida no regimento interno. pelo responsável ou interessado. embora muito próximo do sentido comum. tomar nova resolução. 233 3. pelo responsável ou interessado. Em direito processual ela passa um conteúdo mais específico. em seu art.art. em seu art. pensar melhor. referência às espécies recursais e. arrepender-se de resolução tomada. 229 e o art. que deverá ser formulado por escrito e poderá ser deduzido uma só vez. dentro do prazo de quinze dias. ou pelo Ministério Público 2 3 junto ao Tribunal. Lei Orgânica . 30 desta lei. Traz. Esta é a acepção comum da palavra. Em todas as etapas do processo de julgamento de contas. contados na forma prevista no art. poderão oferecer a possibilidade de uma decisão com orientação diversa daquela inicialmente adotada. outrossim.Art. A Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União. ou pelo Ministério Público junto ao Tribunal. Importa em dar-se ao julgador a possibilidade de rever questões que já lhe foram submetidas e que. a seguir. regula o recurso de reconsideração. apreciação de atos sujeitos a registro e de fiscalização de atos e contratos (art. Esclarece. 233. e poderá ser formulado por escrito uma só vez. cuida do recurso de reconsideração ao lado do pedido de reexame. 33. 228 2). por ele reexaminadas a partir de novos argumentos. 331. limita-se a consignar a garantia de ampla defesa em todas as etapas do processo de julgamento de contas. ou pelo Ministério Público junto ao Tribunal. como recurso. de apreciação de atos sujeitos a registro e de fiscalização de atos e contratos. desdizer-se.O Recurso de Reconsideração Reconsiderar. contados na forma prevista no art. 237 deste Regimento. no sentido dicionarizado da expressão. Mas nenhuma inovação introduz ao assunto. estabelece. que terão efeito suspensivo. devendo ser dirigido e apreciado por quem houver proferido a decisão recorrida. 230 deste Regimento. Art. RITCU . serão apreciados por quem houver proferido a decisão recorrida e poderão ser formulados uma só vez e por escrito. na forma estabelecida no regimento interno.

Ausência de interesse em recorrer. Razoável concluir que cabe. desde que venha a ser configurado o interesse para recorrer5.” “Ementa: Recurso de Reconsideração contra a Decisão nº 171/01-TCU-Plenário. os termos da Decisão recorrida. qualquer vinculação a uma ou outra matéria. segundo a norma de regência. no entanto. Sucumbência não verificada. 4 5 6 Lei Orgânica . negar-lhe provimento. Jurisprudência do STF segundo a qual a diligência promovida pelo TCU não constitui ato de julgamento. Não-conhecimento. de modo a ter-se como justificada a sua interposição e o pedido de reapreciação. ou mesmo ao tipo de decisão prolatada pela Corte de Contas. definitiva ou terminativa. “Ementa. mantendo. apreciá-lo e levá-lo a julgamento. Recurso de Reconsideração contra decisão que converteu o julgamento em diligência. à luz da legislação específica. pois. que haja a argüição de fato novo6. recebê-lo. A ele compete. atentar para os aspectos que a seguir são indicados: a) cabimento: Não se observa. Prestação de Contas. ao fazer uso dessa espécie. Notificação aos responsáveis. o que exige atenção do interessado quanto a tal aspecto.Peculiaridades do Recurso de Reconsideração O recurso de reconsideração. A decisão em processo de tomada ou prestação de contas pode ser preliminar. b) autoridade competente: O recurso deve ser dirigido à mesma autoridade que praticou o ato impugnado.Art. que a jurisprudência do Tribunal de Contas tem exigido.” 3 . Ciência aos interessados (Decisão 402/2002). em tal recurso. (Decisão 248/2002). Conhecimento do Recurso para. no bojo das normas que regulam essa espécie recursal. no mérito. devendo. reúne um conjunto de elementos que se prestam a individualizá-lo e a caracterizá-lo. o interessado. Nota-se. decorrente este da prolação de decisão desfavorável ao interessado. Não demonstrada a ocorrência de fato novo capaz de alterar a decisão atacada. em relação a qualquer decisão4. 10.

Art. Cumpre anotar. o que se constitui em exigência para o seu recebimento e respectivo processamento. impede o cumprimento da decisão atacada. é comum ver-se a exigência de preparo e pagamento de custas. d) da notificação. 30. III . além do efeito devolutivo que naturalmente detém qualquer recurso.c) em que prazo deve ser interposto o recurso: O prazo para a interposição é de quinze (15) dias. nos casos indicados no inciso anterior.da publicação de edital no Diário Oficial da União. salvo disposição legal expressa em contrário. implica em deserção e. II . 4 . Não se conhecerá dos recursos previstos no art. e) realização de preparo ou o pagamento de custas processuais? Dentre os pressupostos de admissibilidade e conhecimento de recursos na esfera processual. ao cuidar dessa espécie recursal. que mesmo interposto fora do prazo fixado. portanto. da publicação da decisão ou do acórdão no Diário Oficial 8 da União. todavia.nos demais casos. 229 deste Regimento e de pedido de reexame interpostos fora do prazo. acarreta para o interessado a perda da possibilidade de reexame das questões que por esse meio seriam levadas à instância superior.Art.” RI . de forma imediata. d) efeitos em que será o recurso recebido: A lei de regência. b) da comunicação de rejeição dos fundamentos da defesa ou das razões de justificativa. Os prazos referidos nesta lei contam-se da data: I . 7 Lei Orgânica . quando. até que seja ele julgado. 2328 do Regimento Interno. o que implica em deferir. exsurge a possibilidade de conhecimento e apreciação quando fatos novos supervenientes orientarem a sua interposição. A inobservância desse pressuposto. contado na forma prevista no art. a partir da regular interposição e do recebimento do recurso. c) da comunicação de diligência.do recebimento pelo responsável ou interessado: a) da citação ou da comunicação de audiência. salvo em razão da superveniência de fatos novos efetivamente comprovados. também o efeito suspensivo que. o responsável ou interessado não for localizado. 307 da Lei Orgânica. torna claro que será ele recebido no efeito suspensivo. 231. Nesse sentido a norma inscrita no art.

na Lei Orgânica e no Regimento Interno do TCU referência a esse respeito. Apresentação de novos elementos de defesa.Não consta. 5 . Contas irregulares e em débito o responsável. a desnecessidade de prévio preparo e pagamento de custas como condição para a interposição de recursos nessa esfera. Não comprovação da devida aplicação dos recursos. Quitação ao responsável que recolheu a multa. pois. Nenhuma exigência se faz. Irregularidades relacionadas a superfaturamento na aquisição de gêneros alimentícios para a merenda escolar. razão porque vão a seguir transcritos alguns arestos selecionados: “Ementa: Recurso de Reconsideração interposto contra decisão do Tribunal que julgou irregular tomada de contas especial e em débito o responsável.DOU de 1º/02/2001). Rejeição parcial das alegações de defesa e fixação de novo e improrrogável prazo para recolhimento das importâncias devidas.DOU de 28/01/2000). “Ementa: Relatório de Auditoria convertido em Tomada de Contas Especial. “Ementa: Dupla interposição de Recurso de Reconsideração. Negativa de provimento do primeiro recurso e não-conhecimento do segundo. Decisões do TCU em Recursos de Reconsideração O exame da jurisprudência do Colendo Tribunal de Contas em recursos de reconsideração presta-se a melhor orientar a atuação nessa esfera específica. Conhecimento e não provimento. tornando certa. outrossim. todavia. Remessa de cópia dos autos ao Ministério Público da União. Comunicação. (Acórdão nº 01/2000 – 2ª Câmara . com relação a eventuais depósitos do valor de eventual imputação pecuniária feita ao interessado.” (Acórdão nº 02/1999 – 1ª Câmara DOU de 05/02/1999). (Acórdão nº 01/2001 – 1ª Câmara .

Não-demonstrada a regular aplicação dos recursos. sucessora do Ministério da Integração Regional. Convênio. Recurso conhecido e não provido.“Ementa: Recurso de Reconsideração.” (Acórdão nº 09/2001 – 1ª Câmara .DOU de 02/08/2001). consistente em estrada. * * * 6 r . órgão repassador dos recursos. realizada pela SDR. comprovada em vistoria. Condenação do responsável à restituição dos recursos recebidos. Não-execução do objeto. Irregularidade das contas.