SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL ISO 14000: MUDANDO A POSTURA REATIVA

Michel Epelbaum
Consultor/auditor do Departamento de Qualidade, Segurança e Meio Ambiente do BUREAU
VERITAS DO BRASIL

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO
2. COMPROMETIMENTO
3. COMUNICAÇÃO
4. PREVENÇÃO
5. CONSCIENTIZAÇÃO
6. MELHORIA CONTÍNUA
7. PARTICIPAÇÃO
8. CONCLUSÕES
9. BIBLIOGRAFIA

1. INTRODUÇÃO
Teoricamente falando, não há indivíduo que não seja a favor da proteção ao meio ambiente. Na prática,
porém, as ações de proteção tem sido inversamente proporcionais ao custo imediato ou necessidade de
investimento acarretado. A lógica do capital está centrada no lucro, e os investimentos em proteção do
meio ambiente sempre foram considerados como custos adicionais. Daí a postura reativa que
caracterizou o setor empresarial até quase o final dos anos 80. As iniciativas adotadas durante a década
de 70 e início dos anos 80 caracterizaram-se por ser uma resposta minimalista aos novos requisitos
legais implementados e às exigências crescentes, porém ainda localizadas, das ONG´s-Organizações
Não Governamentais.
Por um lado, teve início um processo de sensibilização da opinião pública para a questão ambiental,
advinda:
da série esmagadora de grandes acidentes ambientais ocorridos no final da década de 70 e década
de 80;

2. destacando-se: a introdução das normas de qualidade da Série ISO 9000 foi um fator importante de mudança cultural no gerenciamento empresarial. os mais espertos e dinâmicos perceberam que os investimentos em proteção ambiental geram retornos em vendas. destaca-se também a guinada de foco do conceito de qualidade. ONG´s. da conscientização de que não somente as indústrias e o governo são responsáveis pela poluição.sistemas de gestão ambiental e a série de normas ISO 14000 vêm. . Neste artigo são abordadas as mudanças culturais relacionadas a 6 temas: comprometimento. Mais que isto. o setor empresarial percebeu que a proteção ambiental não é uma opção. custos e imagem. foi-se assimilando paulatinamente o conceito de que poluição é desperdício. financiadores. deve ser adotada por todos os seus níveis e funções. Por forças advindas dos clientes. comunicação. The Body Shop e 3M perceberam que iniciativas isoladas e superficiais eram negligenciadas pelas partes interessadas. Organizações como Monsanto. funcionários. De outro lado. muitas vezes por declarações públicas e iniciativas de seu executivo principal. estimular a atitude proativa. ao longo dos crescentes ganhos de produtividade.da constatação de que os problemas ambientais estavam crescendo e se aproximando do seu círculo diário. consumidores. elas passaram a sistematizar suas ações de proteção ambiental. de modo a manter a sobrevivência e a continuidade do lucro. saindo da técnica ligada à produção. Tal noção de comprometimento. melhoria contínua e participação. visando a proteção ambiental em seus processos e produtos. desde a alta administração até o nível operacional. Os SGA’s . mas que também cada indivíduo tem a sua parcela de contribuição. Tal abordagem leva em conta a experiência acumulada na participação do autor deste artigo em diversos projetos de implementação de SGA’s. a crescente corrida pela qualidade. A partir desta constatação. Tal sensibilização motivou uma pressão crescente da sociedade sobre as empresas. mas sim uma necessidade. produtividade e competitividade em um mercado cada vez mais globalizado gerou mudanças internas nas empresas. COMPROMETIMENTO Pode-se expressar sucintamente o comprometimento com o meio ambiente como sendo a contínua intencionalidade e prática em considerar a proteção ambiental nas decisões gerenciais e operacionais cotidianas. nesta esteira de mudanças culturais. prevenção. além daquelas já tradicionalmente exercidas pelos órgãos de controle ambiental e a legislação. para alcançar a visão do cliente. Dentro desta mudança. iniciando pela alta administração e atingindo toda a organização no compromisso de reduzir poluentes e impactos ambientais. O comprometimento da alta administração para a proteção ambiental passou a ser expresso por diversas empresas a partir de meados da década de 80. comunidades específicas. resultante de ineficiência tecnológica. para ser considerada abrangente dentro das organizações. conscientização.

o seu comprometimento é estimulado com a realização de seminários e reuniões de acompanhamento. de modo geral. 2. principalmente nas externas. Este comprometimento se espalha horizontalmente. pois representa o elo de ligação entre os elementos estratégicos de longo prazo e os fatores operacionais de curto prazo. São obrigados a decidir continuamente sobre a alocação de recursos humanos. materiais e financeiros. Outro momento considerado fundamental na elevação do comprometimento da alta administração é o de realização das auditorias internas e externas. Neste momento. diversas empresas se adiantaram no processo de implementação e certificação de seus sistemas de gestão. reforça-se o chamado “efeito chuveiro”. A participação da alta administração na definição e aprovação da Política e objetivos ambientais é marco fundamental do seu envolvimento direto nos trabalhos de implementação. No momento de realização de auditorias do sistema. onde a liderança por ela exercida é fator decisivo no sucesso do projeto. por vezes. Na maioria das empresas. Tal atitude se vivencia de forma diferente na alta administração. em muitos casos. quando os setores responsáveis buscam o seu aval para desencadear o processo de implementação do SGA. atingindo aos poucos todos os funcionários de cada setor. o comprometimento e o processo de conscientização caminham juntos.Esta postura vem se extendendo paulatinamente ao setor empresarial como um todo. o trabalho de envolvimento da alta administração se inicia internamente. média gerência e nível operacional. Com o enxugamento de pessoal ocorrido nos últimos . e de análise crítica do SGA. e todos os setores da organização. antes mesmo do início oficial do projeto. se prolonga por muitos meses. através da experiência de implementação de SGA’s. um fator crítico na manutenção de uma atitude pró-ativa da organização. 2.2 Nível Operacional Com relação ao nível operacional.3 Média Gerência O comprometimento da média gerência têm se mostrado. frente à possibilidade de não ter o sistema certificado. direcionando movimentos internos verticais em direção ao nível operacional. e de realização dos seminários/treinamentos/processos de conscientização. sempre sob a mira de novos programas de redução de pessoal e custos. que o nível de comprometimento da organização com a proteção ambiental cresce ao longo da implementação do sistema. sendo extremamente relevantes para o seu crescimento as etapas de identificação/avaliação de aspectos ambientais. Esta etapa. estabelecimento de controles operacionais e planejamento de emergência. 2. ou até mesmo o projeto é abortado antes de se iniciar. Eles estão. Com a oficialização de normas de gestão da Série ISO 14000. a postura da alta administração no início do projeto é de preocupação com a influência nos custos/orçamentos e no nível de interferência no desenvolvimento das atividades cotidianas. Ao longo do desenvolvimento do projeto. particularmente levando-se em conta o momento econômico vivenciado atualmente. o nível de comprometimento e cooperação costuma elevar-se sobremaneira.1 Alta Administração De forma geral. entre as várias prioridades em andamento na empresa. como detalhamos a seguir. pressionados pela alta administração para reduzir custos e maximizar a produtividade em sua rotina de trabalho. Pôde-se constatar.

no que se refere a comunicação. comunicação ao órgão ambiental de pendências e não cumprimento de requisitos legais. sem que as unidades fossem pressionadas pelos órgãos ambientais para obtê-las. 1994 e Cajazeira. contam com pequeno contingente para projetos paralelos à atividade rotineira de manutenção da produção. Os requisitos normativos referentes a comunicação e legislação enfatizam a abertura deste diálogo: a Norma ISO 14001 requer procedimentos para a comunicação interna e para receber. . O “ponto de mudança” costuma ocorrer. COMUNICAÇÃO 3. a postura da maioria das empresas tem sido a de evitar a abertura de comunicação e esconder seus problemas e dificuldades. quando toda a empresa está unida em torno do processo. por outro. são bastante propensos a não se comprometerem com a implementação do SGA. a mudança de comportamento dos setores mais resistentes à implementação do SGA. Até a década de 90. com o tempo. aspectos e resultados ambientais. O envolvimento de indivíduos facilitadores de cada setor. A postura pró-ativa de alguns setores dentro da empresa acaba estimulando. por um lado. Tal atitude coincide com a postura da sociedade perante a comunicação empresarial. objetivos. Ao longo do projeto. pelas ações da alta administração. porém com um acentuado grau histórico de reatividade. durante o processo de auditorias internas e externas. Desta forma. realização de seminários de divulgação de política.1 Comunicação externa Dentro de uma abordagem que passou a privilegiar a satisfação do cliente. algumas atitudes demonstram esta mudança cultural importante: pedido pró-ativo de licenças. 1997). Com a implementação do SGA. a ocorrência de não conformidades passa a ser fator fundamental para o sucesso da empreitada. a participação da média gerência é sistemáticamente “cobrada”. a comunicação dentro das organizações passou a ter importância crescente para a sobrevivência do negócio. Diversas pesquisas efetuadas ao longo dos últimos anos mostram a falta de credibilidade das informações fornecidas pelas organizações privadas (ver Ottman. e o resultado de todo o trabalho de implementação é analisado pela alta administração para a tomada de ações corretivas. tem se percebido que a postura empresarial. Das experiências de implantação vivenciadas. no mais tardar. tende a evoluir no sentido da abertura de diálogo com as partes interessadas. Além disto. documentar e responder a comunicações externas. e pelo nível operacional. acaba sendo um fator fundamental para a sua mudança de atitude. Na área de meio ambiente a situação se assemelha. quando o trabalho de implementação é orientado para grupos matriciais. 3. realização de cursos sobre a Norma ISO 14001 para os órgãos ambientais.anos. requer uma decisão sobre a postura da empresa quanto à divulgação pró-ativa de informações.

No entanto. saber não significa necessariamente praticar. educação ambiental. Com a implementação do SGA. A postura geral relativa a meio ambiente sempre esteve vinculada ao mínimo necessário para atender aos requisitos legais.no início do projeto. a não disponibilidade de dados de monitoramento de efluentes e emissões nos setores operacionais. podemos destacar: identificação e avaliação de aspectos/impactos ambientais . São definidos procedimentos para avaliar aspectos/impactos ambientais previamente à introdução de novos projetos.2 Comunicação interna A participação em diversos diagnósticos de gestão ambiental mostrou que a maior parte das companhias avaliadas tinha dificuldades na comunicação interna entre os setores. entre outros. sempre no sentido de se tornarem cada vez mais comprometidas com a questão ambiental. participação em eventos e elaboração de projetos de lei. o atendimento à legislação não garante a segurança ambiental. Com a abertura da comunicação. Pode-se citar. as corporações são confrontadas com uma série de requisitos normativos de ordem preventiva. de modo a adotar melhorias nas suas características e informar ao público sobre os cuidados a serem adotados para garantir a segurança ambiental. têm ocorrido mudanças nas relações entre os seus diversos setores e na troca cotidiana de informações. para a difusão de informações. ainda mais num momento de grandes incertezas que canalizam todos os esforços prioritariamente nas ações de curto prazo e de baixo custo. o transporte de cargas perigosas. com mais força naquelas empresas onde o processo se dá através de trabalhos em grupos multidisciplinares inter-áreas. São abordados os perigos e riscos inerentes à atividade-fim da empresa incluindo. Entre eles. São identificados passivos existentes ou fontes de futuros passivos ambientais. estão sendo estabelecidos. de forma geral. dados estes que ficam centralizados nos setores de meio ambiente. Com a implantação do SGA. com falhas na troca de informações. instalações. espera-se que com o tempo os índices de credibilidade da informação fornecida pelas empresas cresça. Em muitos casos. recebimento de reclamações e solução de problemas. canais mais formais para difusão de informações internas e recebimento de sugestões. novas unidades. os quais devem ser atendidos. questionamentos e reclamações dos funcionários sobre aspectos ambientais e o SGA. incluindo também a desativação/descomissionamento de instalações. 4. 3. como pode-se perceber através dos vários acidentes ambientais ocorridos nos últimos anos. . tanto no sentido vertical como no horizontal. modificações produtivas. PREVENÇÃO Todos conhecem o ditado que diz que “mais vale prevenir que remediar”. produtos. a empresa identifica e avalia suas interfaces reais e potenciais com o meio ambiente.intensificação de programas de visita. estabelecimento de canais de comunicação com os funcionários. Além disto. como exemplos. Devem ser analisados os aspectos ambientais relativos aos produtos da organização.

A experiência mostra que esta é uma das áreas em que se pode notar mais facilmente o salto qualitativo dado pelas empresas no tocante à prevenção.as organizações assumem. Com a introdução de tais sistemáticas e atitudes. de modo geral.o sistema de gestão prevê a introdução de mecanismos que identifiquem problemas ocorridos ou potenciais. CONSCIENTIZAÇÃO Até há poucos anos.o sistema enfatiza fortemente o treinamento e a conscientização como forma de envolvimento para uma atuação preventiva e pró-ativa (ver capítulo 5). prevenção da poluição . Com a percepção das corporações de que não adiantava ser “verde” somente na superfície. treinamento e conscientização . produtos. legislação de auditorias ambientais do Estado do Rio de Janeiro) para expressar.a empresa adota procedimentos para prevenir a ocorrência de potenciais acidentes e para mitigar os seus efeitos em caso de materialização da situação emergencial. incluindo as atividades/equipamentos utilizados para a redução/tratamento da poluição. ações corretivas e preventivas . os termos “conscientização” e “sensibilização” têm sido usados frequentemente nos últimos anos. já que a sua preparação para o combate a acidentes ambientais é falha. foi ganhando força a necessidade de estimular a educação ambiental dentro do gerenciamento. amplamente difundido nos EUA como a busca de processos. e estimule a adoção de ações para aperfeiçoar os controles/procedimentos existentes e evitar a reincidência de problemas ocorridos. Tais instrumentos/acontecimentos mostram a importância do processo cultural de entendimento das consequências ambientais das atividades.preparação e atendimento a emergências . a gestão de meio ambiente dentro das empresas tem passado a ser paulatinamente cada vez mais preventiva. produtos e atividades menos poluentes. . o processo associado ao de conscientização que leva a experimentar sentimentos com relação à necessidade da proteção ambiental. e de que o desempenho ambiental dependia da motivação e responsabilidade individual de seus funcionários. Têm se verificado em alguns diplomas legais a obrigatoriedade de introdução de programas de conscientização para os funcionários. respectivamente: o processo de percepção individual da realidade ambiental que impele a um julgamento de valor sobre os atos de cada um. serviços. Neste sentido. ex. com a introdução dos SGA’s. 5. de modo a estimular a postura individual pró-ativa cotidiana. mesmo antes da ocorrência real de problemas. Tais ferramentas normalmente podem ser acionadas por qualquer funcionário. foi incorporado à Norma ISO 14001 com uma abordagem mais abrangente. o compromisso permanente expresso em sua Política Ambiental com a prevenção da poluição. Tal conceito. o gerenciamento ambiental no setor privado tem se caracterizado pela predominância de fatores tecnológicos sobre os aspectos comportamentais. processos. inclusive em textos legais (p.

que caracterizam a chamada sensibilização e conscientização. por fim. de suas funções e responsabilidades em atingir a conformidade com a política ambiental. estabelecimento de procedimentos operacionais e de preparação para emergências. de suas atividades e dos benefícios ao meio ambiente resultantes da melhoria do seu desempenho pessoal. Este requisito mínimo colocado pelo modelo normativo tem sido. das potenciais consequências da inobservância de procedimentos operacionais especificados. normalmente. que a define como ”processo de aprimoramento do sistema de gestão ambiental. que incluem programas de sensibilização ambiental sobre questões ambientais mais abrangentes e. Dentre estes. 6. Além destes requisitos específicos relacionados à conscientização. procedimentos e requisitos do SGA. etc. principalmente. reais ou potenciais. ao longo do projeto de implementação. contratados. até o final da década de 80. podemos citar: o processo de identificação e avaliação de aspectos ambientais. Esta filosofia foi mudando. MELHORIA CONTÍNUA A filosofia representada pela melhoria contínua como compromisso permanente é considerada uma novidade na área ambiental. Neste sentido. visando atingir melhorias no desempenho . concursos. procedimentos e requisitos do SGA. Tais programas acabam utilizando diversos meios de comunicação e técnicas. complementado pela evolução dos padrões ambientais legais em direção a valores mais restritivos e. as consequências do não cumprimento de procedimentos e os benefícios da melhora de desempenho.A Norma ISO 14001 requer procedimentos formais para garantir que os funcionários e membros da organização estejam conscientes: da importância da conformidade com a política ambiental. proporcionando uma visão abrangente e comparativa de seu setor e empresa dentro do habitat em que se insere. em muitos casos. durante o qual o público envolvido vai assimilando as noções e valores relacionados a impactos ambientais. Tal entendimento advém da própria tarefa de elaboração de documentos e. outros requisitos do SGA contribuem para o seu aumento dentro da empresa. pela adoção desta postura dentro dos modelos normativos para os sistemas da qualidade. onde o pessoal envolvido entende o seu papel no sistema e na rotina. tais como teatros. processos e procedimentos de educação ambiental voltados para os funcionários. atendido com folgas pelas organizações. recursos audiovisuais. do treinamento associado à implantação de rotinas de controle e preparação para emergências. as organizações buscavam o atendimento aos parâmetros legais e aí paravam. os funcionários e envolvidos vão assimilando os valores associados ao meio ambiente e sua proteção. em parte pela constatação de que o simples atendimento à legislação não estava melhorando a qualidade ambiental. inclusive os requisitos de preparação e atendimento a emergências. dos impactos ambientais significativos. A melhoria contínua é um dos requisitos mais importantes da Norma ISO 14001. Usualmente. escolas e comunidade em geral. treinamento.

estabelecendo porém que este desempenho deve estar melhorando no tempo.9 m3/t de produto (1994) para 53. Assim. A Norma não exige requisitos específicos de desempenho a serem alcançados. na aquisição de novas máquinas “post-mix”.440 kWh. os gases CFC’s por outros menos agressivos à camada de ozônio. Os primeiros resultados deste esforço estão sendo divulgados nos meios de comunicação e seminários: a Spal.000. introduziu programa de coleta seletiva de resíduos sólidos. reduziu seu consumo de energia elétrica em 3. reduziu a geração de efluentes líquidos e de resíduos industriais. também situada no Polo de Triunfo/RS. contaminação de solos. energia e o gerenciamento de resíduos. reduziu o consumo de água específico de 64. em sua unidade situada em Jundiaí/SP. particularmente com mais força nas seguintes áreas: gerenciamento de resíduos sólidos. substituiu. têm-se constatado esforços de melhoria de resultados ambientais.000. emissões gasosas e efluentes líquidos. O ritmo de evolução deste desempenho é definido pela própria organização. de modo que organizações mais comprometidas com a proteção ambiental terão políticas. a Petroflex. PARTICIPAÇÃO Historicamente. a Cetrel. economizou R$ 600. arrecadando R$ 450. produtora de borracha EPDM. a DSM.000 com a diminuição do consumo de água. produtora de celulose e papel situada no sul da Bahia.5 m3/t (meados de 1996). principal franqueada da Coca Cola no Brasil.ambiental global de acordo com a política ambiental da organização”. patrocina programas de reciclagem de latas de alumínio.701. contabilizando economias de R$ 60. equivalente a economia de R$ 440. consumo de água e energia. reduziu em 20 % a geração de efluentes líquidos por tonelada de produto (1996). produtora de borracha SBR. comparando empresas concorrentes e podendo selecionar aquelas com melhor desempenho e intenções. central de tratamento de resíduos do Polo de Camaçari/BA. situada no Polo de Triunfo/RS. a sociedade pode avaliar este comprometimento através do acesso a estes documentos e informações. Com a introdução dos SGA´s. 7. as companhias têm considerado as atividades de controle ambiental como de exclusiva responsabilidade do setor (se existente) de meio ambiente. introduziu controles sobre as emissões atmosféricas de sua frota de 1000 veículos de transporte de produtos. a Bahia Sul. riscos ambientais. gerando economia de US$ 110. introduziu programa de coleta seletiva de resíduos sólidos.000 somente com a sua venda. objetivos/metas e desempenho mais arrojados. até os primeiros anos da década de 90.000. .

Além disto. de acordo com modelos como a Norma ISO 14001. CONCLUSÕES A postura reativa empresarial perante a proteção ambiental. Uma pesquisa realizada pela ADL nos EUA e Canadá com gerentes de saúde. realização de análises ambientais no laboratório central. adoção de controles ambientais pelas áreas produtivas. coordenação de planos de emergência à área de segurança. dificuldades organizacionais. Com a introdução dos sistemas da qualidade e de gestão ambiental. manutenção. que interferem no funcionamento da unidade e na produtividade. tais como identificação de requisitos legais ao setor jurídico. o Representante da Administração está ligado diretamente às áreas produtivas. a introdução de SGA’s. com exemplos tais como: em algumas delas. comunicação/relações públicas. do técnico para o estratégico. o antigo pensamento de que a área de meio ambiente seria a única responsável pela proteção ambiental é deixado para trás. Neste contexto. Com isto. segurança e meio ambiente de 185 corporações dos mais variados setores mostrou a existência de uma barreira interna entre a área de meio ambiente e as demais. laboratório. suprimentos. qualidade. que caracterizou as décadas de 70 e 80. formação de auditores internos pertencentes às distintas funções. Desta maneira. e buscar a redução desta barreira para aumentar a colaboração com as demais funções da companhia. materiais. dificuldades na obtenção de recursos. passou-se a privilegiar a abordagem matricial e multidisciplinar para sua implementação e manutenção. está sendo mudada em direção a uma atitude responsável. a própria falha destes gerentes em convencer a alta administração da importância da proteção ambiental. em muitos casos. No entanto. meio ambiente. produção. A pesquisa mostrou também que somente 4% dos entrevistados disseram que os assuntos ambientais são gerenciados como parte do negócio. 27% deles responderam que estão progressivamente gerenciando aspectos ambientais dentro da gestão empresarial. a própria Norma ISO 14001 privilegia a adoção de controles em diversos setores da companhia.Tais setores são considerados. através de grupos de implantação e facilitadores em cada setor envolvido. comunicações ao setor de relações públicas. a participação dos diversos setores das corporações têm sido evidenciada na implementação dos SGA’s. sendo substituido pela noção de que meio ambiente deve ser preocupação e atitude de todos. recursos humanos. gerando diversas dificuldades para o gerenciamento: falta de integração entre a gestão empresarial ligada ao negócio e ao meio ambiente. e sua certificação se constituem em importante . etc. tais como engenharia. atribuição de funções/requisitos do SGA às áreas de “direito”. 8. Uma conclusão interessante da pesquisa é de que os próprios gerentes deveriam mudar seu enfoque. administração/serviços gerais. marketing. como os ambientalistas internos.

A. . J.desafios e oportunidades para a nova era do marketing. Controle da Qualidade. conscientização. J. Mesmo para aquelas companhias que entram no processo em busca das vantagens advindas da obtenção do certificado ambiental. p. Makron Books. 35-8. junho/1997. comunicação. ABNT: NBR ISO 14001: sistemas de gestão ambiental . Marketing Verde . R. melhoria contínua e participação são percebidos ao longo da implantação dos sistemas de gestão ambiental BIBLIOGRAFIA Ottman.catalisador da mudança cultural e comportamental. Manual de Implantação da ISO 14001. Cajazeira. prevenção. S: Preservar é também cuidar do futuro. São Paulo. São Paulo: Makron Books. 1994. 1997. os resultados em termos de evolução no comprometimento.especificação e diretrizes para uso. Diroz. E. outubro/1996.