UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E ECONÔMICAS
DEPARTAMENTO DE ECONOMIA
PET – PROGRAMA EDUCAÇÃO TUTORIAL

APOSTILA PILOTO DO MINICURSO DE POLÍTICA ECONÔMICA: “DO ECONOMÊS
PARA O PORTUGUÊS”

Autores
Amiris de Paula Serdeira
Ana Paula Melo da Silva
Bruna Zigoni
Davy Frederico Souza
Deyvid Alberto Hehr
Edinara Oza Dias
Eduardo Borchardt
Letícia de Sousa Milhomem
Luiz Otávio Stefanelli
Maria Eduarda Erlacher de Figueiredo
Rafael Alves de Albuquerque Tavares
Rafael Venturini Trindade

VITÓRIA - ES
Junho de 2011

APRESENTAÇÃO
O Programa de Educação Tutorial (PET) de Economia da Universidade Federal do
Espírito Santo (UFES) surgiu em 1992, por iniciativa de seu atual professor tutor que
vinha de experiência similar em outra instituição. O grupo é formado normalmente por
doze bolsistas além do tutor e sua função é contribuir para a melhoria do Ensino, da
Pesquisa e da Extensão da Universidade.

O presente trabalho tem por finalidade fundamentar o Minicurso de Política Econômica:
“Do Economês para o Português”, elaborado e apresentado pelos integrantes do PET,
como parte das atividades que o grupo realiza continuadamente.

O texto pretende esclarecer alguns conceitos básicos de Política Econômica a um
público não familiarizado com a Ciência Econômica, procurando desmistificá-los,
transpondo-os para uma linguagem fácil e acessível. Além disso, esperamos oferecer
aos leitores a capacidade de se posicionar criticamente em relação ao modo como os
temas econômicos são normalmente tratados e difundidos pelos meios de
comunicação.

SUMÁRIO
BLOCO I (PRIMEIRO DIA)
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4
2. NÍVEL DE ATIVIDADE E EMPREGO ................................................................... 10
2.1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 10
2.2 INDICADOR DE RENDA: O PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) ..................... 10
2.3 INDICADOR DE EMPREGO: A TAXA DE DESEMPREGO ................................ 13
2.4 INCENTIVOS AO INVESTIMENTO..................................................................... 15
3. INFLAÇÃO ............................................................................................................ 17
3.1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 17
3.2 INDICADORES ................................................................................................... 18
3.3 PREÇO RELATIVO X PREÇO NOMINAL ........................................................... 18
3.4 CONFLITO DISTRIBUTIVO ................................................................................ 18
3.5 TIPOS DE INFLAÇÃO ......................................................................................... 19
3.6 PRINCIPAIS EFEITOS DA INFLAÇÃO ............................................................... 20
BLOCO II (SEGUNDO DIA)
4. POLÍTICA MONETÁRIA ....................................................................................... 22
4.1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 22
4.2 A MOEDA E O SURGIMENTO DOS BANCOS CENTRAIS ................................ 22
4.3 O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL ............................................................... 23
4.4 AS FUNÇÕES DO BANCO CENTRAL ............................................................... 23
4.5 INSTRUMENTOS DE CONTROLE DA LIQUIDEZ.............................................. 24
4.6 OPERACIONALIDADE DA POLÍTICA MONETÁRIA NO BRASIL ...................... 25
5. SETOR EXTERNO ................................................................................................ 28
5.1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 28
5.2 BALANÇO DE PAGAMENTOS ........................................................................... 30
5.3 RESERVAS INTERNACIONAIS ......................................................................... 32
5.4 REGIMES CAMBIAIS E POLÍTICA EXTERNA ................................................... 32
BLOCO III (TERCEIRO DIA)
6. POLÍTICA FISCAL ................................................................................................ 37
6.1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 37
6.2 AS RECEITAS ..................................................................................................... 38
6.3 AS DESPESAS ................................................................................................... 40
6.4 O SALDO ............................................................................................................ 41
6.5 A DÍVIDA PÚBLICA ............................................................................................. 41
6.6 IMPACTOS DA POLÍTICA FISCAL ...................................................................... 42
7. ENCERRAMENTO ................................................................................................ 45

7.1 A POLÍTICA ECONÔMICA .................................................................................. 45
7.2 A POLÍTICA ECONÔMICA ESTABILIZANTE E A ECONOMIA BRASILEIRA NOS
ANO DE 1994 A 2011 .......................................................................................... 48
9. BIBLIOGRAFIA .................................................................................................... 53

4

1. INTRODUÇÃO: DA ECONOMIA POLÍTICA À POLÍTICA ECONÔMICA
Na Grécia Antiga a palavra economia (oikonomia, derivada de oikos, “casa” e nomos,
“lei”, “controle” ou “cuidado”) era empregada para descrever a ordem que regia os
aspectos imediatos da vida doméstica, como a atividade agrícola e a alimentação.
Desde sua origem, portanto, o termo está relacionado à organização e reprodução do
âmbito material da sociedade.

Em cada uma das formas sociais de vida constituídas ao longo da história nos mais
variados espaços – sejam eles uma aldeia romana do séc. II a.C., um feudo na Europa
Ocidental da Alta Idade Média ou uma nação moderna – há uma determinada
estrutura econômica, um sistema de relações sociais de produção, distribuição e
acumulação de bens úteis à vida humana. Ao apenas mencionar essas diferentes
formas sociais históricas se pode intuir que, com o passar do tempo, ocorrem
importantes transformações no modo de se produzir, distribuir e acumular riqueza e,
além disso, que a forma econômica sob a qual a maior parte das sociedades está
organizada atualmente – o capitalismo – é resultante de inúmeros processos de
transformação social.

Dentre os processos constituintes do capitalismo podem ser destacadas: as mudanças
técnicas no plantio, aragem e transporte medievais que promoveram ganhos de
produtividade agrícola e uma intensificação do comércio derivada; as Cruzadas; a
fundação de novas cidades ao redor dos feudos (burgos); o aumento populacional; o
advento das manufaturas. Por cerca de trezentos anos, esses elementos, além de
inúmeros outros, atuaram em maior ou menor grau para a criação de uma forma
econômica específica. Se os costumes entre servos e senhores proprietários e as
tradições eclesiásticas são elementos fundamentais das relações econômicas feudais,
o capitalismo, noutro sentido, repousa sobre quatro instituições ou mecanismos básicos
que estão presentes no funcionamento normal de qualquer empresa (a unidade de
produção capitalista de bens e serviços), quais sejam: a) a produção de mercadorias
orientada para a venda no mercado; b) o trabalho livre assalariado e a propriedade
privada; c) o mercado como regulador das relações econômicas e sociais; d) o Estado
como regulador do mercado.

também. a acumulação. em 1776. Thomas Malthus (1766-1834) e John Stuart Mill (1806-1873). As transformações que a Inglaterra viveu ao longo do século XVIII – o fim do absolutismo.5 E ainda outro aspecto singular desse modo de produção deve ser destacado. A rigor. levariam à publicação de Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações. caracterizada pelos implementos na indústria têxtil. ela se firmou como a área do conhecimento voltada. 1 A ciência econômica moderna se desenvolveu a partir da Economia Política de nomes como Smith. compreende-se como ciência um conjunto de conhecimentos organizados sobre um aspecto da realidade. para o estudo dos problemas da sociedade humana relacionados com a produção. o surgimento de grandes centros urbanos como Manchester e a importância crescente das exportações de manufaturas. ou seja. A Primeira Revolução Industrial. como também foi o primeiro a elaborar um modelo abstrato completo e relativamente coerente da natureza. David Ricardo (1772-1823). primeiramente. partindo-se da realidade concreta com base no conhecimento já consolidado nas ciências humanas. Embora estejam registrados conhecimentos econômicos desde os livros bíblicos do Antigo Testamento ou na obra de Aristóteles e na produção da Escolástica. 1 Ainda. e com ela o nascimento da Economia Política. No caso da economia. a circulação e a distribuição de riquezas entre as diferentes classes sociais e. como aquilo que posteriormente foi designado por Política Econômica. da estrutura e do funcionamento do sistema capitalista. é somente com a emergência do capitalismo que uma ciência econômica propriamente dita pode ser assim designada. para as proposições de natureza prática a eles relacionadas. sob o olhar atento e a erudição do filósofo escocês Adam Smith (1723-1790).” . segundo Hunt (2005. 37). p. “Smith se distingue de todos os economistas que o antecederam. esse conhecimento foi desvendado e desenvolvido ao longo do próprio processo de desenvolvimento do capitalismo. a expansão populacional urbana e o crescimento dos mercados interno e externo – a tornaram um terreno privilegiado para as primeiras tentativas de explicação científica das particularidades do capitalismo. Através de suas contribuições teóricas. Esta seria a primeira obra com grande influência que mostrava o sistema econômico como um sistema fechado de relações sociais. não só por sua formação acadêmica e pela vastidão de seus conhecimentos.

políticas e conflitos de interesses. estava em curso outra ruptura com a Economia Política. esses elementos não haviam sido adequadamente compreendidos pelas teorias econômicas precedentes. quase simultaneamente o austríaco Carl Menger publicaria Princípios de Economia Política (1871). Elementos de Economia Política Pura (1874). Segundo ele. e o francês León Walras. 2 Entrementes. cerca de um século após a obra seminal de Smith. Nesse ponto da história do pensamento econômico. aquilo que hoje chamamos de microeconomia. Em 1867. Desse modo.6 No encalço desses autores. a recomendação de medidas governamentais e o estudo da interação entre as classes sociais no processo econômico deixam de ser elementos essenciais para a compreensão da esfera material da sociedade. Os autores se dedicaram especialmente a explicar o funcionamento do sistema econômico a partir do comportamento dos agentes individuais (empresas e consumidores). foi a mudança teórica resultante dos esforços paralelos dos três autores. Ainda no final do século XIX. em que buscava elucidar o processo de produção e circulação de mercadorias e a concentração de renda e poder derivada. como ficou conhecida. deduzindo através de ferramentas matemáticas – como o cálculo diferencial e integral – a determinação dos preços no mercado e a ideia de equilíbrio econômico. Um deles. Pouco tempo depois da crítica de Marx. o objeto de estudo da ciência econômica torna-se a análise da administração de “recursos escassos” entre usos alternativos. um pensador alemão radicado na Inglaterra. muitos outros tentaram explicar o funcionamento da ordem capitalista de acordo com ferramentas teóricas. A Revolução Marginalista. o inglês William Stanley Jevons. Karl Marx (1818-1883) publicou O Capital. endereçaria uma dura crítica teórica à ciência por este inaugurada. . bem como os determinantes da situação da classe dos trabalhadores no capitalismo do século XIX. motivações ideológicas e em momentos históricos distintos. A Teoria da Economia Política (1871). o professor Alfred Marshall (1842-1924) aprofundaria as concepções teóricas e metodológicas marginalistas (também chamadas neoclássicas) e modificaria o próprio nome da ciência da Economia Política com sua obra Princípios 2 É válido destacar que a escolha do paradigma econômico a ser seguido é notoriamente influenciada por questões ideológicas.

não encontrando remuneração adequada a suas funções. um aplicado aluno de Marshall contestaria o mestre e sua escola. Deve-se pontuar que. a quebra da bolsa de Nova Iorque marcaria o início da Crise de 1929 que deixaria durante anos a maior parte das economias ocidentais industrializadas com níveis de atividade econômica e desemprego alarmantes. Marshall consolidava a concepção de que o comportamento individual fornece a explicação para a economia como um todo. Mesmo os autores da revolução marginalista. o fenômeno do desemprego era explicado principalmente como o resultado de atos individuais voluntários dos trabalhadores que. a disseminação do ideal comunista ganhou força entre as nações europeias adjacentes. por conseguinte. com os seus próprios Princípios de Economia Política (1848). David Ricardo e seus Princípios de Economia Política e Tributação (1817). a partir daí. Thomas Robert Malthus e seus Princípios de Economia Política e considerações sobre sua aplicação prática (1820) e também John Stuart Mill. . A Grande Depressão de 1873. como explicitado acima. Ademais. optavam por não se empregar. Do outro lado do Atlântico. a Revolução Russa completava seu primeiro aniversário e. de 1890. Em contraste com a tese desenvolvida nos Princípios. Diante de tal contexto histórico e teórico. desde o surgimento da Economia Política uma série de autores. mas por economia (economics) Marshall demarcava claramente a mudança operada a partir deles. de certo modo. o governo não deveria intervir senão pontualmente na economia. optaram por intitulá-las de acordo com uma tradição que. uma década depois. Em 1936. John Maynard Keynes (1883-1946) publicou A Teoria Geral do Emprego. 3 Marshall pretendia separar a economia teórica (ou positiva) efetivamente separada da economia propositiva (ou normativa). do Juro e da Moeda.7 de Economia (Principles of Economics). Alguns exemplos são os autores clássicos Jean Baptiste Say (1767-1832) e seu Tratado de Economia Política (1803). para os neoclássicos. refletia o escopo e as intenções teóricas da obra. mantiveram a terminologia dos clássicos. ou. a iniciativa individual e a liberdade econômica tenderiam ao bem estar social e. ao publicar suas obras sobre o objeto de estudo dessa ciência. Ao fim da Guerra. em 1918. obra que questionava seriamente a 3 Conforme sugere Teixeira (2000). o Imperialismo e a concorrência entre as grandes corporações conformaram o cenário do qual emerge a Primeira Guerra Mundial. a política. os acontecimentos do fim do século XIX e o começo do século seguinte ofereceram um sério desafio à concepção segundo a qual a realidade estaria caminhando rumo ao progresso econômico e social.

O alto crescimento dos EUA. no Dicionário de Economia do Século XXI. na tradução do inglês) é a teoria dominante em um dado momento. ele sempre está baseado em uma interpretação própria sobre a dinâmica do mercado e do Estado. Em contraposição a ela estão as correntes da heterodoxia (hetero = “diferente”). cada ato econômico do governo está apoiado em uma determinada convicção teórica sobre o funcionamento do capitalismo e. O Estado. Keynes revelava também novas identidades e relações entre os agregados econômicos (consumo. com isso. a própria eficácia do receituário keynesiano. Mas embora seu acompanhamento através de indicadores seja um momento necessário na análise macroeconômica. normal”) e doxa (“opinião”). Alguns dos procedimentos utilizados desde a época de Keynes são utilizados até hoje para se verificar o comportamento da economia através de agregados. Por quase quarenta anos o paradigma keynesiano dominou o debate econômico e influenciou sobremaneira as políticas econômicas praticadas no mundo capitalista. a operação do mercado e a organização política da sociedade. o mercado poderia falhar de modo sistemático. em fins da década de 1970 o fenômeno da estagflação – uma elevação contínua no nível dos preços acompanhada de baixo crescimento econômico – colocava em dúvida a capacidade do governo em promover a recuperação da economia através dos gastos públicos sem acentuar a inflação e seus efeitos e. portanto.) que seriam as bases para a macroeconomia moderna e a análise de conjuntura econômica. Em sua obra. 5 De acordo com Paulo Sandroni. da Europa e do Japão no período conhecido como a “Era de Ouro” do capitalismo. utilizando-se de certos procedimentos técnicos ou operacionais. Assim. entre 1945 e 1973. deveria intervir massivamente nos períodos de crise estimulando a retomada dos investimentos e do crescimento econômico para assegurar o pleno emprego dos fatores de produção (terra. . capital e trabalho) 5. Toda política econômica realizada. a política econômica correlaciona a interpretação da realidade pela ciência econômica. gasto público etc. 4 Também chamada de mainstream (“corrente principal”. fatores de produção são os elementos indispensáveis ao processo produtivo de bens materiais. tem por objetivo promover metas políticas e sociais. O termo é formado pelos vocábulos gregos ortho (“correto. esteve sustentado maciçamente na intervenção do Estado. investimento. os objetivos do Estado. isto é. No entanto.8 ortodoxia4 marginalista apontando que a economia não dispunha de mecanismos automáticos para regular seus desequilíbrios e se recuperar das crises cíclicas. que contam com grau significativo de distinção para com suas noções.

9 Desde então. que assim como o capitalismo continua sofrendo alterações e alguns de seus problemas históricos permanecem não solucionados. muitas e variadas demandas dentre as camadas sociais. . pois o consenso sobre um objeto tão importante quanto à política econômica pode acarretar em erros graves. a hipótese de Lucas e Rapping sugere que as decisões econômicas privadas se antecipam aos resultados futuros de uma decisão pública (política econômica) baseados nas experiências passadas. Contudo. a teoria das Expectativas Racionais de Robert Lucas e Leonard Rapping sobre a interferência dos indivíduos nos resultados da política fiscal de um país6 e a doutrina liberal do Monetarismo de Milton Friedman. De um lado. CONSENSO TEÓRICO NA POLÍTICA ECONÔMICA: GARANTIA DE SUCESSO? A política econômica de uma nação é o resultado da interação entre processos políticos. Diferente do que se pode pensar à primeira vista. há um cenário econômico interno e externo a se considerar. ainda. dentre outros marcos teóricos. A rigor. Pensemos na determinação de uma medida econômica por parte do governo brasileiro. além da tradição Marxista. a controvérsia que normalmente está presente entre eles é muito saudável. seja na compreensão da natureza do problema em si ou nas alternativas práticas para se resolver a questão. arranjos técnicos e postulados científicos. os economistas – em especial os que tratam da dimensão macroeconômica – possuem visões distintas acerca dos problemas com que se deparam. há inúmeras interpretações teóricas sobre o cenário econômico e social e propostas distintas sobre a operacionalização de uma dada política. Um exemplo das consequências de um consenso equivocado sobre isso é a própria recessão da década 6 Em suma. a dinâmica dos partidos políticos da base aliada e da oposição na Câmara e no Senado etc. o que desqualifica qualquer pretensão de um governo em corrigir os ciclos econômicos. Do outro. fizeram com que o arcabouço neoclássico retomasse a posição da ortodoxia no pensamento econômico. a Póskeynesiana e a Neoschumpteriana. destaca-se também a existência e a produção teórica significativa da heterodoxia em escolas como a Institucionalista. Ressalta-se. a reflexão econômica tem se desenvolvido continuamente a partir dessas questões e da renovação do pensamento de autores como os citados ao longo desse texto.

2. seu “diagnóstico” e. NÍVEL E ATIVIDADE E EMPREGO 2. De forma geral. sejam elas no âmbito fiscal. pela ausência de políticas econômicas ativas e expansionistas (no âmbito fiscal e monetário). subsidiar a implementação de políticas econômicas.2 INDICADOR DE RENDA: O PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) O Produto Interno Bruto é a soma (valor agregado) de todos os bens e serviços produzidos dentro do território de um país em um determinado período de tempo. ou seja. neoclássica. a partir de sua análise. o objetivo da análise de conjuntura econômica é estudar o comportamento cíclico de uma economia. É calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é um importante indicador para analisar a atividade econômica do país. Os indicadores são um conjunto de dados estatísticos. sua “saúde”. geralmente um ano. esses efeitos se espalharam pelo mundo capitalista e promoveram a conhecida Grande Depressão. O PIB pode ser avaliado a partir de três formas ou óticas de cálculo. Em seguida. A fim de mensurar e avaliar esse diagnóstico se faz necessário analisar mais de perto o Produto Interno Bruto (PIB) e a Taxa de Desemprego. 2.1 INTRODUÇÃO O Nível de Atividade é acompanhado por uma série de indicadores que expressam o ritmo de crescimento de uma economia. em 1929. foi uma das causas que contribuíram para agravar a depressão e um dos principais motivos da demora na recuperação das economias após a crise deflagrada com a quebra da bolsa de Nova Iorque. acabaram gerando uma quebra generalizada nos setores industrial. seu caminhar. Os efeitos da crise financeira propagaram-se no sistema econômico e.10 de 1930. bancário e comercial dos EUA. que fornecem a base para se analisar a situação macroeconômica de um país ou região. Independente da ótica . passíveis de mudança e oscilações. monetário e/ou externo. compreender a dinâmica que rege seus momentos de “alta” e “baixa”. A concepção então hegemônica.

 ÓTICA DA RENDA: obtida a partir da soma das remunerações de todos os fatores de produção de uma economia. b) Investimento: é a aplicação de capital em meios que levam ao crescimento da capacidade produtiva. no geral. existe uma identidade contábil. é importante que as famílias não consumam a totalidade de suas rendas. .  ÓTICA DO PRODUTO: obtida a partir da soma dos valores adicionados de todas as unidades produtoras de uma economia. Pode ser realizado de duas formas:  Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). ÓTICAS PARA CÁLCULO DO PIB:  ÓTICA DO DISPÊNDIO: total de gastos de todos os agentes econômicos de uma economia. ou seja. somente os finais.11 calculada o resultado será sempre o mesmo. o PIB é representado pela seguinte equação: PIB = CONSUMO DAS FAMÍLIAS + GASTOS DO GOVERNO + INVESTIMENTO + EXPORTAÇÃO LIQUÍDA Vejamos a seguir o que cada uma das variáveis representa: a) Consumo das Famílias: parte da renda total das famílias que é gasta no consumo de bens e serviços. qual seja: PRODUTO ≡ DISPÊNDIO ≡ RENDA. ou seja. aquecendo a economia e gerando mais empregos. ampliação dos bens de capital instalados de uma empresa. como a aquisição de maquinários visando o aumento da produção ou a manutenção dos mesmos. não são considerados os produtos intermediários. Este consumo é importante. O investimento aqui contabilizado pode ser tanto privado quanto público. capital e trabalho. seja em investimentos ou em consumo de bens e serviços (nacionais ou importados). Ou seja. guardando uma parte para poupança (que é uma das formas de financiar os investimentos). pois sustenta a produção. No entanto. A partir da ótica do dispêndio.

Representa atualmente a maior parcela do PIB nacional. c) Gasto público: são gastos visando a manutenção da máquina pública. . secretarias de estado. empresas estatais etc. se configura em investimento.12  Variação de Estoque: a formação de estoques em um dado período amplia a capacidade de fornecimento da produção no período seguinte e. portanto. Deduzindo desse valor os bens e serviços que foram adquiridos de outras nações (ou seja. como a indústria automobilística. de produção de aço industrial. importados) obtém-se a exportação líquida. b) Indústria (Setor Secundário): abrange todo tipo de indústria do país. As exportações brutas contabilizam o valor gerado pela venda de parte da produção interna total de bens e serviços a outro país. mas no consumo das famílias. Pela ótica da produção. d) Exportação líquida: é a diferença entre a renda proveniente das exportações e os gastos com importações do país (exportações – importações). minério. c) Serviços (Setor Terciário): compreende setores que não são da agropecuária ou da indústria. prestação de serviços administrativos. Os gastos com os salários de funcionários públicos não são contabilizados aqui. a economia é dividida em três grandes setores: a) Agropecuária (Setor Primário): responde pela produção de bens alimentícios e matérias-primas decorrentes do cultivo de plantas e da criação de animais. dentre outros. tais como o da telefonia. transportes. celulose etc. como a destinação de recursos a escolas públicas.

o mercado de trabalho é o local onde se confrontam trabalhadores dispostos a se empregar. sendo o índice oficial do Governo Federal. o IBGE. 7 Indicadores como o grau de informalidade. Dessa forma. mesmo em países desenvolvidos. Para mensurá-lo adequadamente. são dois os principais órgãos que fazem a análise do mercado de trabalho. Excluem-se.  POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA (PIA): aqueles que têm condições legais. o desemprego se mostra um dos maiores problemas socioeconômicos do mundo. No Brasil. Mercado é todo espaço onde se vendem e se compram mercadorias.  POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA (PEA): todos aqueles que estão aptos e disponíveis a exercer algum tipo de trabalho. crianças. o rendimento médio por posição ocupada. Nos dias atuais. e as firmas que desejam comprar esse fator. indicando o comportamento do mercado de trabalho7. também são importantes para indicar o comportamento do mercado de trabalho. A principal diferença entre elas é o próprio entendimento do que seria desemprego. e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Nesse sentido constitui um mercado específico. que constituem a população inativa. ofertando trabalho. portador de uma dinâmica própria.3 INDICADOR DE EMPREGO: A TAXA DE DESEMPREGO A taxa de desemprego é um importante indicador econômico e social para análise do andamento de uma economia. dentre outros. mentais e físicas de ofertar sua força de trabalho. . Isso acontece devido às diferentes metodologias adotadas pelas duas instituições.13 2. idosos e aposentados por invalidez. Ao serem analisados os dados das duas instituições verifica-se que estes não são iguais. não se deve considerá-lo diretamente em razão da população total. senão com algumas deduções conforme abaixo:  POPULAÇÃO TOTAL: é o conjunto de todos os habitantes de determinada sociedade. então.

Por exemplo. O segundo indica aquelas pessoas que não conseguiram exercer uma atividade regular e acabaram por realizar trabalhos precários – remunerados ocasionalmente ou trabalhos não remunerados – tendo procurado emprego regular ao longo dos últimos 12 meses. por exemplo). dentre outros. com maior utilização de tecnologia.1 Relação entre Emprego e Produtividade A figura a seguir mostra de maneira didática a relação entre o PIB.  DESEMPREGO FRICCIONAL: ocorre no tempo em que um empregado leva para sair de um emprego e achar outro. O DIEESE. trabalha com dois tipos de desemprego: aberto e oculto. por sua vez. como demissões em massa de uma empresa em razão de crises momentâneas. Esse só ocorrerá quando o crescimento da produção tiver sido relativamente maior do que a produtividade. automatização das fábricas. TIPOS DE DESEMPREGO Podemos ainda encontrar outras classificações de desemprego. É decorrente da própria dinâmica do mercado de trabalho.  DESEMPREGO SAZONAL: desemprego que ocorre em períodos específicos no ano (período de entressafras. formal ou informal. aumento de produção por trabalhador. o emprego e a produtividade. por exemplo) e/ou por aumento de postos de trabalho (ou seja. 2. por pelo menos uma hora na semana de referência. um crescimento do PIB não significa automaticamente um maior nível de emprego.  DESEMPREGO ESTRUTURAL OU TECNOLÓGICO: decorrente de mudanças de padrões tecnológicos que acabam por eliminar postos de trabalho. .14 O IBGE trabalha apenas com o desemprego aberto. caixas eletrônicos. O crescimento do PIB pode acontecer via aumento da produtividade do trabalho (ou seja.  DESEMPREGO CÍCLICO: decorrente periodicamente de momentos de recessões e crise. apenas do emprego). Ele engloba também aquelas pessoas que não exerceram nem procuraram trabalho nos últimos 30 dias por desestímulo do mercado ou outros motivos. embora tenham procurado efetivamente nos últimos 12 meses. que nos permitem compreender melhor a dinâmica desse mercado.3. considerando empregada aquela pessoa que exerceu trabalho com ou sem remuneração. Assim.

tendo dobrado em comparação com a segunda metade da década de 1980. Dentre outros efeitos. b) Crédito para investimento: por sua vez. de 1991 a 2002 o setor informal absorveu mais de 2 milhões de trabalhadores que o mercado regular não foi capaz de fazer. quanto maior o volume de dinheiro disponível para empréstimos. Por exemplo. ele pode ser extremamente prejudicial à sociedade. 2. A diminuição relativa do desemprego. sem se considerar os impactos socioambientais. maior deverá ser a rentabilidade esperada para que o investimento seja vantajoso. se manteve alto.4 INCENTIVOS AO INVESTIMENTO O investimento é a alavanca da dinâmica econômica de um país. Assim. ele pode aumentar a capacidade produtiva da economia. quanto maior o volume de crédito. ou seja. Alguns fatores econômicos promovem efeitos diretos – sejam eles positivos ou negativos – sobre o investimento. ou seja. gerar demanda por novos empregos. em termos absolutos. foi acompanhada pelo aumento da informalidade e da flexibilização das relações de trabalho. contribuir para a inserção de novas tecnologias na produção e para a geração de renda.15 DESEMPREGO E INFORMALIDADE NO BRASIL CONTEMPORÂNEO Historicamente observamos que o desemprego. por sua vez. quanto maior a taxa de juros. dentre os quais: a) Taxa de juros: a decisão de investimento de uma empresa passa pela comparação entre o “preço do dinheiro” para viabilizá-lo (a taxa de juros) e a sua rentabilidade esperada (o lucro). até 2004. podemos constatar a tendência de decréscimo na última década. principalmente se considerado o índice do DIEESE (média de 18% nesse mesmo ano). caso não seja feito com responsabilidade. menor será a taxa de juros. Como as empresas também investem com base em . o que estabelece uma relação inversa entre essas variáveis. Ainda assim. Contudo.

no futuro. . Sempre há um nível de utilização de capacidade ociosa (que também forma um indicador – o NUCI).1%. tendo o PIB registrado no total acumulado no ano um aumento de 5. 5.6% do PIB no último trimestre de 2008.5% e 5. Já em 2009. o crédito ainda pode ser utilizado pelas famílias para aumentar seu consumo. ainda que o consumo tenha apresentado um crescimento de 4. a indústria e a agropecuária registraram queda de. OS EFEITOS DA CRISE ECONÔMICA E A RETOMADA DO CRESCIMENTO BRASILEIRO A crise econômica mundial que atingiu notoriedade internacional em meados de 2008 interrompeu um período de pouco mais de 10 anos de crescimento da economia brasileira. respectivamente. Ainda que o crescimento negativo de 0. para o Brasil esse resultado foi o primeiro negativo desde 1992. os investimentos registraram queda de 9.2% do PIB tenha sido maior que a maioria dos países desenvolvidos no mundo. De maneira geral.9%. Além disso. Somente quando a empresa prevê que essa capacidade não utilizada. c) Capacidade ociosa: não podemos esquecer que as empresas não operam utilizando sempre 100% de sua capacidade de produção. a queda de 3. a crise impactou consideravelmente a economia brasileira. Em relação aos setores de atividade econômica. possuir capacidade para atender aos seus objetivos.2% sendo compensadas parcialmente pelo crescimento de 2.16 expectativas de demanda. foi contrabalanceada pelo andamento do primeiro semestre do mesmo ano.1%. para fins de ampliação da produção no curto prazo. Contudo.6% do setor de serviços. causado principalmente pela desaceleração industrial. os efeitos da crise foram sentidos de forma severa. ociosa. será insuficiente para atender a demanda no longo prazo é que ela realiza investimentos para. evidenciando alguns problemas do modelo de crescimento adotado pelo país nos últimos anos.

diferentemente de outros períodos de bonança econômica. a política de expansão do crédito com o consequente aumento do consumo. o setor de serviços possui o maior peso. 3.17 A expansão em 2010 do PIB de 7. foram dados incentivos às empresas para continuarem produzindo. diferente de outras épocas. Outro fator relevante para registrar esse período da economia brasileira foi uma recuperação da crise com relativa sustentação do emprego. há expectativas de que com o aumento da renda. Os mais otimistas consideram que o país. sendo que esses últimos têm perdido espaço a cada período. a retomada de investimentos.1 INTRODUÇÃO A inflação pode ser definida como o aumento contínuo e generalizado do nível geral dos preços. Em um . Os principais fatores considerados como alavanca desse crescimento foram o consumo das famílias e o investimento. com 66% do total. o saldo das exportações líquidas continua inexpressivo. crescimento não sustentado. Isso se fundamenta como uma tentativa de manter a geração de renda e. ou seja. INFLAÇÃO 3. Na ótica do produto. Por mais que a situação dos empregos e o nível de informalidade ainda configurem uma situação preocupante. o consumo. E embora o país possua uma pauta exportadora significativa. quando a variação do PIB ficou conhecida pelo padrão do “voo da galinha”. juntamente com outros fatores macroeconômicos favoráveis. levem o Brasil a registrar uma das cinco maiores taxas de crescimento do mundo em 2011. dessa forma.5% representa a maior taxa de crescimento desde 1986. fundamental para a manutenção do ciclo dinâmico da economia brasileira. mesmo que o baixo desempenho do PIB no ano anterior seja uma base comparativa desfavorável. De forma geral. tem condições de manter um crescimento sustentado. nesse momento. uma vez baseado nesse tipo de modelo de crescimento. contra 28% da indústria e 6% da agricultura. que leva a uma progressiva perda do poder de compra da moeda.

Dizemos então que o preço relativo é uma variável real. Uma variável nominal. preços no atacado e também preços de insumos. Aumentos nominais de um determinado bem. 3.2 INDICADORES Para identificar ou medir a inflação faz-se uso de indicadores ou índices de preço que agregam e representam os preços de uma determinada cesta de produtos. estimado pelo IBGE. aquele encontrado no mercado. portanto. Um exemplo é o Índice Geral de Preços (IGP). ele diz respeito ao poder de compra de um produto frente a outro. Por isso. Os preços relativos indicam qual é ponderação feita entre diferentes produtos encontrados no mercado. calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). por . Esses índices são baseados em uma Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). Porém essas trocas são intermediadas por um quantum de moeda.3 PREÇO RELATIVO X PREÇO NOMINAL Para entendermos os impactos da inflação em uma economia é preciso ter clareza sobre a diferença entre preços relativos e preços nominais. 3. Um exemplo é o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA). b) Preços gerais: abrangem além dos preços no varejo.4 CONFLITO DISTRIBUTIVO A partir dessa compreensão. ou seja. expressando seu valor em unidades monetárias. 3.18 cenário inflacionário. Os diversos indicadores da inflação podem ser classificados em dois escopos principais: a) Preços ao consumidor: o preço do produto final. que geralmente é feita num intervalo de dez anos e que indica a alocação de despesas familiares de acordo com seus rendimentos. pois é medida em unidades monetárias. há necessidade de uma quantidade cada vez maior de moeda para se comprar uma mesma quantidade anterior de mercadorias. é possível depreender que os preços nominais indicam os preços relativos da economia.

abre-se a possibilidade de fixação de preços maiores sem perda de mercado por parte das empresas. b) Inflação de Custos: a inflação de custos acontece quando se tem aumento em determinados setores da economia.19 conseguinte. o ganho no poder de compra de um produtor via preços também significa uma diminuição na renda de outros produtores. já que na realidade a inflação pode envolver todas ou algumas dessas características. . c) Inflação de Lucros: geralmente associado à concentração de empresas (oligopólios e monopólios). Esse fenômeno também é conhecido por conflito distributivo. a) Inflação de Demanda: quando há uma demanda acima da disponibilidade de bens e serviços.5 TIPOS DE INFLAÇÃO Pela própria dinâmica da inflação e sua dificuldade de mensuração. ou seja. que permite a dominação do mercado por um grupo seleto. não é possível descrever qual a exata origem de um processo inflacionário. Há diversos fatores que podem desenvolver ou mesmo acentuar o conflito distributivo. Tal fenômeno geralmente está associado à injeção excessiva de dinheiro na economia. que é uma disputa entre agentes na busca de uma fatia maior da renda ou produto total. tem-se então um aumento generalizado e contínuo dos preços. 3. e por isso caberá à política monetária o controle dos preços. Da mesma forma. levam ao aumento do poder de compra do seu produtor frente a outros agentes. Abaixo são apresentados diferentes tipos de inflação descritos no âmbito teórico. inflação. e será isso o que caracterizará cada tipo de inflação. Quando diversos agentes aumentam seus preços nominais indefinidamente em busca de ganhos reais. dando a este certa autonomia para aumentar os preços de modo que lhe proporcione o maior lucro possível sem perda de participação no mercado (marketing share). Sua causa está atrelada às condições de oferta de bens e serviços de algum produto. como de matérias-primas. que ao ser reajustado pode desencadear aumentos em toda a cadeia produtiva.

a inflação leva a uma transferência de renda entre trabalhadores e empregadores. pois gera imprevisibilidade na economia. tornando produtos importados mais baratos e encarecendo os produtos exportáveis. d) Concentração de renda: dada a incapacidade de trabalhadores e setores não oligopolizados em reajustar seus preços e salários. levando a um desequilíbrio nas contas externas.20 d) Inflação Inercial: a inflação inercial. e entre pequenas e grandes empresas. afetando duas das principais variáveis da demanda agregada: o consumo e o investimento.6 PRINCIPAIS EFEITOS DA INFLAÇÃO A inflação gera vários problemas em uma economia. b) Arrocho salarial: os trabalhadores têm seu poder de compra diminuído. salários. c) Incerteza: a formação de expectativas também é afetada pela inflação. produtos comercializáveis e indústria e tarifas públicas). afetando determinados setores cujos contratos prevêem reajustes de longo prazo. . e) Comércio exterior: a inflação encarece os preços domésticos. corroendo assim os seus salários. cuja motivação gira em torno das expectativas dos agentes – que ao se depararem com uma inflação passada repassam automaticamente o aumento aos preços correntes – e à presença de contratos reajustados por diversos índices atrelados à inflação (aluguéis. dentre eles: a) Distorção nos preços relativos: em uma economia em processo inflacionário os preços não necessariamente são reajustados uniformemente. 3. pois têm menor poder de determinação dos seus rendimentos.

o Cruzeiro e o Cruzeiro Real num intervalo de apenas sete anos. dentre os quais a inflação necessariamente deverá se situar ao final do período. Desde a sua implementação. objetivos e razões que justificam as decisões de política monetária. o sistema de metas tem tido êxito em estabilizar a inflação. reflexo de um processo de modernização que visava a industrialização. O governo brasileiro tentou combatê-la com vários planos econômicos.21 INFLAÇÃO NO BRASIL: DO PAROXISMO AO PLANO REAL Entre as décadas de 1930 e 1970 o Brasil experimentou uma inflação constante e crescente. definida num intervalo entre um piso e um teto. como o Cruzado. Segundo o Banco Central. com a criação do Plano Real e a mudança da moeda para o Real (R$). com reformas monetárias que levaram à adoção de moedas distintas. iii) estratégia de atuação pautada pela transparência para comunicar claramente o público sobre os planos. Atualmente a inflação é controlada pelo Banco Central através da política monetária que segue o regime de metas de inflação. anunciada publicamente. e iv) mecanismos para tornar as autoridades monetárias responsáveis pelo cumprimento das metas para a inflação” (www. o Cruzado Novo.br).bcb. a meta para a inflação foi definida em termos da variação do IPCA. Na década de 1980. o aumento dos preços chegou a gerar uma hiperinflação. a chamada “década perdida”. Nos últimos doze anos. As medidas econômicas de desenvolvimento. O regime de metas para a inflação caracteriza-se geralmente por quatro elementos básicos: i) conhecimento público de metas numéricas de médio prazo para a inflação. com grandes incentivos à demanda agregada. No Brasil. em apenas três o regime foi descumprido. Esse processo só foi interrompido em 1994. uma importante causa esteve relacionada ao cenário externo . em 1999. ii) comprometimento institucional com a estabilidade de preços como objetivo primordial da política monetária. Dentre as suas razões. atual moeda do país.gov. “o regime de metas para a inflação é um regime monetário no qual o Banco Central se compromete a atuar de forma a garantir que a inflação efetiva esteja em linha com uma meta preestabelecida. favoreciam o aumento dos preços na economia. O sistema é constituído por uma meta.

as escolhas da política monetária são fundamentais para pautar o desenvolvimento econômico de um país. Assim. O termo liquidez se refere à capacidade que um ativo tem de mediar trocas e encerrar dívidas.22 desfavorável. controlar o valor da moeda (nacional). através de uma autoridade monetária – no caso do Brasil. que levou a distúrbios na taxa de câmbio e agravou as incertezas dos investidores quanto à evolução da economia brasileira. dado que é o ativo de maior liquidez de um sistema econômico. a política monetária tem influência. que foram uma espécie de embrião dos bancos. No momento em que se passou a utilizar metais como moeda também surgiram as chamadas “casas de custódia”. 4. sobre as decisões de investimento das empresas e de consumo das famílias. em última instância. Dado o papel fundamental que a moeda exerce na economia. o BACEN pode interferir tanto no nível de atividade quanto no nível de preços (inflação) do país. como o próprio termo “monetário” explica. Dizemos . a função da política monetária é a de.1 INTRODUÇÃO A política monetária é a forma pela qual o governo. POLÍTICA MONETÁRIA 4. onde receberia um certificado de depósito que poderia trocar por ouro ou prata assim que chegasse a seu destino. Dada a complexidade da relação entre os dois agregados e sua importância para o funcionamento da economia. Por isso. 4. gado e cereais. Esses certificados começaram a circular normalmente e ficaram conhecidos como papel-moeda. o Banco Central (BACEN) – atua buscando controlar o nível de liquidez de uma economia. por exemplo. como sal.2 A MOEDA E O SURGIMENTO DOS BANCOS CENTRAIS Ao longo da história das trocas entre indivíduos. diversos produtos foram sendo utilizados para facilitá-las em substituição ao escambo. Caso um indivíduo precisasse se deslocar com uma grande quantidade de moeda ele poderia deixá-las numa dessas casas.

BCB ou simplesmente BC) e os bancos comerciais. objetivando a estabilidade da moeda nacional e o desenvolvimento econômico e social do País” (Decreto nº 1307 de 09 de novembro de 1994.3 O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL De forma sintética podemos dizer que o Sistema Financeiro Nacional (SFN) é o conjunto das instituições responsáveis pela emissão e gerenciamento da liquidez. Com o tempo. Suas principais funções são: . o Banco Central do Brasil (BACEN. 4. O CMN é o órgão máximo de decisão e o responsável direto pelas normas gerais de funcionamento do Sistema Financeiro Nacional.23 que eles possuíam lastro em ouro ou prata. Para isso. apesar do fluxo de moedas. Essa emissão com lastro representava uma criação primária de moeda. o BACEN foi criado apenas em 1964. na Inglaterra. sempre permanecia uma boa quantia guardada com eles. no século XVII surge o primeiro Banco Central. e dividiu funções com o Banco do Brasil até 1988. Diante de diversas fraudes e falências de instituições bancárias e da importância que a criação de moeda tem para o bom funcionamento da economia. ele dispõe de funções e instrumentos. No Brasil. Dentre elas. pelo Ministro do Planejamento e pelo Presidente do Banco Central. existem três fundamentais para o entendimento da política monetária: o Conselho Monetário Nacional (CMN). que estipula as finalidades do CMN). contudo. pois o valor nele expresso correspondia a uma quantidade de metal contida nas casas de custódia. surgiu a necessidade de um órgão que não só unificasse a emissão de moeda como a controlasse para evitar instabilidades no sistema financeiro. os donos das casas de custódia perceberam que. quantia essa que eles passaram a emprestar sem o correspondente lastro – o que foi chamado de criação secundária de moeda. 4. Com efeito.4 AS FUNÇÕES DO BANCO CENTRAL O BACEN é o executor da política monetária brasileira. Seu conselho é composto pelo Ministro da Fazenda. Ele tem a função de “formular a política da moeda e do crédito.

Sua elevação faz com que esses bancos possuam menos dinheiro para 8 Taxa apurada no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC). Podendo ser compreendida como o “preço do dinheiro”. pressionando menos os preços. . ele o pode fazer junto ao Banco Central. b) Depósito compulsório: trata-se da parte dos depósitos que são feitos nos bancos comerciais que. Ao mesmo tempo. Nesse sentido.24 a) Controlar a emissão de moeda: a Casa da Moeda é o órgão responsável pela produção física do dinheiro. c) Ser o banco dos bancos: caso um banco comercial necessite de empréstimos para cobrir suas obrigações. b) Ser depositário das reservas internacionais: não é permitida. o que faz com que a demanda agregada se reduza. entretanto cabe ao BACEN decidir sobre sua maior ou menor produção. nesse sentido. em território nacional. obrigatoriamente. d) Ser o banco do governo: assim como o Banco Central faz empréstimos para bancos comerciais.5 INTRUMENTOS DE CONTROLE DA LIQUIDEZ Sendo uma das principais funções do Banco Central controlar a liquidez na economia. deve ser retida no Banco Central. a circulação de moedas de outros países. torna mais atrativa a aplicação no mercado financeiro. a taxa básica de juros é conhecida como taxa SELIC8. que é o depositário e processa a emissão e custódia dos títulos públicos. é calculada através da média ponderada das operações de mercado aberto feitas pelas instituições que participam do sistema. A taxa básica. 4. pois as taxas de juros cobradas pelo mercado são balizadas por ela. bem como gerenciar o estoque de dívida do governo. ele pode atender esse objetivo fazendo o controle de cinco instrumentos: a) Taxa básica de juros: é a taxa utilizada como referência pela política monetária. é papel do Banco Central possuir um estoque (reserva) e fazer a conversão de outras moedas em Real. se há uma alta nos preços das mercadorias o aumento da taxa básica pode inibir decisões de consumo e investimento. ele pode fazê-los também para o próprio governo. se houver necessidade. No Brasil.

o centro da meta está fixado em 4. ou seja. Mas como funciona a operacionalidade da política monetária no Brasil? Pode-se dizer que desde junho de 1999 o Comitê de Política Monetária (COPOM). Desde 2005. respectivamente. podem-se colocar esses títulos à venda. tirando parte do dinheiro em circulação. Uma taxa maior indica que os bancos devem ser mais prudentes na concessão de empréstimos. pois a punição será maior se tiverem que recorrer ao Banco Central.5%. estipulado pelo CMN a partir do IPCA. que é um órgão interno do BACEN que operacionaliza os parâmetros gerais definidos pelo CMN sobre as decisões de política monetária. atua através das regras do Sistema de Metas de Inflação. Ele pode promover linhas de crédito seletivas de forma a beneficiar grupos de agentes com facilidades de crédito. Numa situação de excesso de liquidez na economia. há formas alternativas de ele atuar sobre as taxas de juros cobradas do público (pelos bancos comerciais). d) Mercado aberto: as operações de mercado aberto (open market) estão relacionadas à compra ou venda de títulos da dívida pública. diminui a criação secundária de moeda. Este se baseia na definição de um índice-meta para inflação. que são emitidos pelo Tesouro Nacional.6 OPERACIONALIDADE DA POLÍTICA MONETÁRIA NO BRASIL Vimos como se estrutura o Sistema Financeiro Nacional e o papel desempenhado por suas principais instituições. por exemplo. e) Controle seletivo de crédito: embora exista a taxa básica de juros fixada pelo Banco Central. com margem de dois pontos percentuais definidos entre o piso e o teto de 2. c) Redesconto: o redesconto é uma taxa punitiva cobrada pelo Banco Central quando este faz empréstimos aos bancos comerciais que tenham problemas de liquidez. 4. com um intervalo de flutuação que dá flexibilidade para o cumprimento da meta. .5%.25 empréstimos.5% e 6.

mas também o nível de atividade. Mas. por exemplo. o que proporcionará uma queda na demanda e.26 O principal instrumento utilizado para atingir as metas é a taxa básica de juros. impostos e recebe seus lucros. na renda do país. capitais esses que permanecem aqui por pouco tempo. pois possuímos uma das maiores taxas de juros do mundo. Na política fiscal. é a diferença entre as taxas cobradas e pagas pelos bancos comerciais aos seus clientes. o spread bancário dos bancos brasileiros está entre os maiores do mundo. o que interfere na taxa de câmbio e na dinâmica de importações e exportações. que o COPOM estipula de acordo com as expectativas de inflação. todavia. que o COPOM decida elevar a taxa de juros. O Brasil. E no setor externo uma vez que o diferencial entre taxas de juros de dois países tende a atrair capitais para o mais lucrativo 9. ao aumentar a taxa de juros também se interfere na dinâmica da política fiscal e do setor externo. conceitualmente. POLÍTICA MONETÁRIA: O SISTEMA BANCÁRIO BRASILEIRO NA ALTA E NA BAIXA INFLAÇÃO O spread bancário. portanto. Trata-se de uma medida eficaz que. o banco paga seus custos administrativos. Uma maior taxa de juros significa que custa mais caro para os investidores fazerem empréstimos a fim de aumentar sua capacidade produtiva. justamente com o objetivo de combater a inflação. no caso de arbitragem com mercadorias) de dois países. Suponhamos. quais são os fatores que contribuem para spreads tão elevados? Dentre as causas é possível destacar dois fatores principais. por exemplo. Atualmente. quando se decide aumentar ou diminuir essa taxa. é fortemente influenciado por esse fator. mas sim dinamiza ou promove recuo na atividade econômica do país. Entretanto. afinal. não afeta somente o nível de preços. já que o intuito não é produtivo. . Isso faz com que haja um grande fluxo de capitais para nosso país. Além disso. o Comitê não interfere somente na política monetária. pois a taxa SELIC é referência para a remuneração de diversos títulos públicos e interfere diretamente no financiamento da dívida pública. 9 É chamada de “arbitragem cambial” a compra e venda de moeda com o objetivo de obter ganhos através da diferença entre as taxas de juros (ou de preços. um de ordem macroeconômica e outro de ordem microeconômica. Com o spread.

Como já explicado. a inflação já fazia parte do cotidiano da população. as receitas advindas do float inflacionário acabaram. Contudo. ao mesmo tempo em que atividades especulativas financeiras são estimuladas. No Brasil. a despeito das novas condições em que a economia brasileira estava inserida. numa economia de alta inflação o crédito é inibido. as instituições bancárias permaneceram com “sede” de rendimentos inflacionários. Com o aumento demasiado dos preços. o Plano Real teve um papel fundamental. pois pequenos e mesmo grandes bancos.6% para 6. como o Bamerindus e o Nacional. O segundo fator que contribui para os altos spreads bancários. quando houve estímulo à concentração bancária na crença de que os ganhos de escala se traduziriam em taxas de juros menores. . Com o Plano Real e a estabilização da moeda brasileira. Mas quais são os efeitos de um processo inflacionário crônico e elevado sobre o crédito e os bancos comerciais? Primeiramente. desde a criação do Banco Central em 1964. na medida em que a inflação não mais corroia o valor da moeda ao ponto de em alguns dias ser possível receber ganhos inflacionários (a inflação despencou de 46. de ordem microeconômica. Eles fornecem crédito para o consumo das famílias e investimento das empresas. E a consolidação do sistema monetário brasileiro (pós-criação do BACEN) se deu sob os efeitos do processo inflacionário. que se mantinham à base de float inflacionário. No caso brasileiro. perde-se o parâmetro das proporções de troca entre mercadorias.1% ao mês). está relacionado ao alto grau de concentração da atividade bancária brasileira. foram à falência ou comprados por bancos maiores. o alto nível de endividamento do Estado estimulou a execução de um mecanismo que ficou conhecido como float inflacionário: os bancos comerciais aplicavam os recursos em trânsito de suas agências (depósitos de clientes que permanecem alguns dias no banco) em títulos e lucravam com o rendimento e a perda de valor real de suas obrigações (devido à inflação). é preciso destacar o papel que os bancos comerciais têm para a dinâmica econômica. Suas origens se encontram também no período militar. a inflação desestabiliza a economia. Além disso. Contudo.27 O primeiro está relacionado ao histórico da inflação brasileira.

SETOR EXTERNO 5. percebemos que seus principais componentes são: custo administrativo (15. fatores de produção e ativos financeiros. Observando. houve a criação do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER) e do Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária (PROES).16%). a importação e exportação de bens e serviços. com base nos dados do BACEN.28 Para evitar um colapso do sistema financeiro.82%) e margem líquida ou lucro líquido (27. Quanto ao fator microeconômico. a moeda que apresenta maior facilidade de circulação e . essas relações são registradas contábil e estatisticamente em dólares americanos (US$). Dados de junho de 2009 mostram que os 5 maiores bancos detinham a participação em 77. houve um processo de oligopolização do sistema bancário. as remessas de recursos a migrantes. Embora as moedas nacionais sejam o meio de pagamento interno de cada país. pois essa é. é perceptível que o fator macroeconômico do spread é um resquício de uma época de instabilidade da economia brasileira que os bancos resolveram não esquecer. Assim. os investimentos diretos ou em carteira são características da globalização econômica. atualmente.97%). 5. ao invés dos ganhos de escala prometidos pelo PROER. gerando altas taxas de lucro para os poucos e grandes bancos.1 INTRODUÇÃO Os países não são estruturas isoladas.77%). A intensificação dos fluxos de informações. Esse processo amplia as relações econômicas com o restante do mundo tornando a análise do comércio internacional uma atitude fundamental tanto da estratégia econômica como da política econômica nacional. que contribuíram significantemente para que o sistema bancário brasileiro se tornasse altamente concentrado e aumentaram a participação dos bancos privados no sistema bancário.4% do mercado bancário. e mesmo aqueles considerados mais fechados acabam por manter uma série de relações com outros países. pessoas. a composição do spread bancário hoje. envolvendo trocas de mercadorias. inadimplência (32. impostos (21.

Todavia. permitiram ao mesmo instaurar um novo sistema monetário. o objetivo de estabilizar a moeda e o câmbio foi alcançado pelos países. é a atual divisa. Podemos considerar 1717 como nosso marco inicial. Até que o dólar chegasse a ser a divisa. os países se comprometiam uns com os outros em converter suas moedas nacionais por uma quantidade de ouro correspondente. em virtude do conflito entre eles e a defesa de seus interesses nacionais. a conversibilidade. não mais se sustentou. não houve um sistema monetário internacional definido. maior potência econômica de então. quando ocorreu 1ª Guerra Mundial. Ela tinha por objetivo planejar a estabilização da economia internacional e das moedas e resultou na criação de instituições com esse fim. de uma unidade de moeda estrangeira (por exemplo. dentre as quais o Fundo Monetário Internacional (FMI). cuja função era financiar projetos de recuperação econômica nacionais. O novo padrão garantia a conversão do dólar em ouro a todos os países. A taxa de câmbio representa justamente o preço. o dólar). e o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). as grandes potências econômicas da época já o adotavam. A partir disso. As funções de tais entidades. quando a Inglaterra. qual seja. decide que todas as suas transações comerciais seriam realizadas utilizando o ouro como meio de pagamento. Nesse padrão. permanecendo assim até os momentos finais da 2ª Guerra Mundial. em moeda nacional. aliadas ao fato de os Estados Unidos terem saído da 2ª Guerra Mundial com mais de 70% das reservas internacionais de ouro. a característica fundamental do padrão ouro. Com o advento da Revolução Industrial e um maior fortalecimento da Inglaterra. com papel de promover a cooperação monetária entre os países capitalistas. Por algum tempo.29 conversibilidade nas transações internacionais. As bases do atual padrão monetário têm sua origem na Conferência de Bretton Woods. o padrão dólar-ouro. ao final do século XIX. Porém. o padrão ouro se disseminou e. o padrão monetário internacional passou por uma série de modificações. ou seja. hoje órgão do Banco Mundial. A liberalização financeira para permitir a reconstrução das demais economias capitalistas e sucessivos déficits . em 1944. o compromisso foi rompido e a estabilização deixou de ser atingida.

e que os dados são divulgados mensalmente pelo Banco Central.1 Investimento Direto 2.2 Investimento em Carteira 2.30 comerciais – em especial a partir da década de 1970 –. Transações Correntes 1. Erros e Omissões 4. ativos financeiros e ativos monetários do país e permite avaliar a atuação econômica deste em relação à economia mundial.4 Outros Investimentos 3.3 Transferências Unilaterais 2. Diante desse cenário. Assim foi constituído o sistema monetário internacional vigente até os dias atuais. Conta Capital e Financeira 2. Sua estrutura contabiliza os fluxos de entrada e saída de mercadorias. os EUA mantiveram as reservas de ouro consigo e extinguiram a conversibilidade. o padrão dólar. O BP é dividido em três partes. Resultado do Balanço de Pagamentos = 1+2+3 . obrigando todos os que possuíam dólares a permanecerem com os mesmos.2 Serviços e Rendas 1. e Erros e Omissões: Estrutura do Balanço de Pagamentos 1. que é o padrão internacional.3 Derivativos 2.2 BALANÇO DE PAGAMENTOS O Balanço de Pagamentos (BP) é o registro contábil/estatístico de todas as transações entre residentes (pessoas físicas ou jurídicas que têm no país seu principal interesse econômico) e não residentes de um país num período de tempo específico. 5.1 Balança Comercial 1. quais sejam: Transações Correntes. É válido ressaltar que os registros do Balanço de Pagamentos são contabilizados em dólar estadunidense. em que não há lastro real para a divisa. Conta Capital e Financeira. fez com que as reservas dos EUA se esvaecessem numa velocidade espantosa. contudo.

como o pagamento ou recebimento em função da utilização de fatores de produção (salários. c) Transferências Unilaterais: registra pagamentos ou recebimentos de recursos que não possuem contrapartida de compra ou venda de qualquer bem ou serviço. 5. empréstimos e financiamentos) entre os países.1 Transações Correntes As transações correntes registram todas as operações referentes a bens e serviços. de bens tangíveis. São elas: a) Investimento Direto: contabiliza as aquisições e vendas de capital. b) Serviços e Rendas: registra a movimentação de bens intangíveis.2. bem como operações sem contrapartida entre países.31 5. Na Conta Capital registram-se as transferências de capital relacionadas com patrimônio de migrantes e aquisição/alienação de bens financeiros não produzidos. . Seu saldo é dado pela diferença entre as exportações e as importações de mercadorias efetuadas pelo país. Assim. e as participações societárias. Um exemplo é o envio de moeda estrangeira de imigrantes para seus familiares em outro país. tais como cessão de patentes e marcas. privadas ou estatais. lucros e juros) e receitas e despesas com transporte e viagens internacionais.2. Já a Conta Financeira – que registra a maior parte do volume de transações – se subdivide em quatro rubricas. ou seja. essa conta apresenta três rubricas: a) Balança Comercial: registra a movimentação de mercadorias. que neste caso denotam empresas nacionais.2 Conta Capital e Financeira A Conta Capital e Financeira registra movimentações de ativos financeiros (investimentos. Outro exemplo são donativos em razão de ajudas humanitárias a países muito pobres ou que tenham sofrido desastres naturais. além da ampliação e/ou criação de capacidade produtiva por iniciativa de grupos estrangeiros.

4 REGIMES CAMBIAIS E POLÍTICA EXTERNA Um dos principais fatores que pode influenciar o desempenho do Balanço de Pagamentos é o regime de câmbio adotado por um país.2. demanda recursos para cobrir essa lacuna. por exemplo. pois representam saldos positivos acumulados em períodos anteriores. Os . Quando negativo (deficitário). o país que não possuir reservas suficientes deve recorrer a um endividamento externo. à confiabilidade das informações sobre serviços ou às oscilações diárias no câmbio. 5.3 Erros e Omissões Presta-se a compensar contabilmente toda superestimação ou subestimação dos componentes registrados.32 b) Investimento em Carteira: contabiliza fluxos de ativos e passivos constituídos pela emissão de títulos negociados em mercados secundários de papéis tais como títulos de renda fixa (dívida pública) ou variável (ações). financiamentos e disponibilidades em moedas e depósitos. 5. devido às diferentes fontes de informação. Caso contrário. Tais erros acontecem devido às inúmeras transações diárias realizadas. E são as reservas internacionais que cumprem esse papel. Por isso.3 RESERVAS INTERNACIONAIS O resultado do BP é dado pela soma destas três contas. Cada regime possui suas especificidades que impactam de formas distintas nas contas com o exterior. 5. o saldo do BP é um instrumento fundamental para a regularização das Contas Nacionais. pois não só define a capacidade de cumprimento de obrigações futuras como contribui para a quitação de dívidas contraídas no setor externo. d) Outros Investimentos: contabiliza empréstimos. c) Derivativos: contabiliza os fluxos relativos à liquidação de haveres e obrigações relacionadas a operações financeiras (swaps) e a fluxos relativos ao prêmio de opções.

b) Conta Capital e Financeira: investimentos dependem (além de outros fatores. No Brasil. a moeda nacional vale menos do que antes. 10 Uma elevação da taxa de câmbio representa uma desvalorização da moeda nacional. A intervenção se dá objetivando diferentes impactos que a política cambial pode vir a ter sobre as transações internacionais. c) Câmbio flutuante: a taxa de câmbio oscila livremente para garantir o equilíbrio entre a oferta e a demanda por moeda estrangeira. pois uma desvalorização leva a perdas do capital investido por não residentes. uma valorização.33 principais regimes são: a) Câmbio fixo: a taxa de câmbio é determinada pelo Banco Central por meio da compra e venda de divisas no mercado a um preço fixo. ou seja. dentre elas sobre: a) Transações Correntes: uma desvalorização cambial10 tende a estimular as exportações e desestimular as importações. a maioria dos países adota o regime flutuante mesmo que historicamente esse sistema tenha resultado em grandes instabilidades nas diversas taxas de câmbio nacionais. Sistema em que se aplicam taxas distintas de acordo com a destinação do uso da moeda estrangeira. quando é conveniente para a condução da política econômica – o chamado regime flutuante “sujo”. b) Câmbio múltiplo: mais de uma taxa de câmbio. Atualmente. . via Banco Central. mas há intervenção do governo. d) Bandas cambiais (regime misto): a taxa de câmbio pode variar dentro de determinados limites máximos e mínimos estabelecidos pela política econômica. O oposto. o regime adotado também é esse. como a comparação das taxa de juros internas e externas) da expectativa que o investidor tem da taxa de câmbio.

. por significar uma prática de dumping11). quais sejam: a) Política de Comércio Exterior: estabelecendo tarifas de importação diferenciadas sobre produtos. e 2) o contingenciamento do câmbio. o grande desafio das autoridades econômicas é programar uma ou mais medidas que. consequentemente. duas medidas adotadas merecem destaque para os fins de nossa análise: 1) a abertura comercial e financeira. além de reduzir o nível de atividade e. Desse modo. com a finalidade de eliminar concorrentes e/ou ganhar maiores fatias de mercado. em seu conjunto.34 c) Inflação: uma desvalorização cambial pode causar pressões inflacionárias. b) Variações na taxa básica de juros: a elevação da taxa de juros interna pode ser usada para atrair capitais de curto prazo (especulativos) para elevar o saldo da Conta de Capital e Financeira e valorizar o câmbio. que se caracterizou pela manutenção da taxa de 11 Novamente de acordo com Sandroni (2008). o que ficou conhecido como “âncora cambial”. Para isso. o saldo das transações correntes. um dos pilares do combate à inflação era o controle rígido da taxa de câmbio por um regime de bandas cambiais. O PARADOXO DO SETOR EXTERNO: TRANSAÇÕES CORRENTES X CONTA CAPITAL E FINANCEIRA No início do Plano Real. o governo também pode atuar com outras duas ferramentas. Além de uma intervenção no câmbio. Cada um dos instrumentos possui aspectos positivos e negativos. já que os bens importados têm seus preços elevados. cotas de importação para estabelecimento de limites de comercialização e subsídios para produtos exportados visando tornálos mais competitivos (prática combatida pela Organização Mundial do Comércio. Prática comercial que consiste em vender produtos a preços inferiores aos custos. tragam o menor dano à sociedade e assim fazer com que o ajuste do Balanço de Pagamentos garanta o dinamismo adequado à economia do país. que tinha como características a redução das tarifas para a importação e a facilitação para importação de serviços.

como o dólar americano. O Brasil manteve o câmbio valorizado artificialmente através de elevadas taxa de juros. crises externas como a do México (1995). uma massa de investidores corria para buscar refúgio em moedas fortes. Além de controlar um aumento excessivo do consumo. Porém. a Asiática (1997) e da Rússia (1998) enfraqueceram as contas externas dos países emergentes.35 câmbio valorizada. Este aumento da dívida e a consequente fragilidade externa do país culminaram numa crise cambial em 1998. o que normalmente resultava no esvaziamento das reservas em moeda estrangeira dessas nações. a alta taxa de juros atraia capitais de curto prazo. que resultou numa maxidesvalorização do Real frente ao . o que era necessário para manter as reservas do país e assim suprir as necessidades de financiamento do governo e manter o câmbio sobrevalorizado. Após a mudança do regime. por parte dos investidores. possibilitaria que o plano pudesse prosseguir. Outros aproveitavam esses movimentos para especular fortemente contra as moedas desses países emergentes. No longo prazo. Outro pilar importante foi a política de juros elevados. de que o país teria condição de arcar com suas dívidas. ela evidenciaria a fragilidade do setor externo brasileiro. Ao menor indício de crise em qualquer um dos países emergentes. que levou a um empréstimo recorde com o FMI e a conseqüente adoção de um regime de câmbio flutuante (1999) por exigência do mesmo. O volumoso aumento da dívida gerava a necessidade crescente de novos investimentos estrangeiros para suprir as remessas de lucros enviadas ao exterior para remunerar aquele capital investido anteriormente. na intenção de obter grandes lucros em curto espaço de tempo. Desta forma. Fomos diretamente afetados pela insegurança trazida por essas crises: grandes somas de dinheiro deixaram o país devido à falta de confiança. Contudo. inclusive a do Brasil. essa medida era eficiente apenas no curto prazo. o que estimularia a concorrência interna. buscando favorecer as importações e o desenvolvimento da indústria brasileira (via importação de bens de capital).

na atualidade.4 bilhões registrados na Conta Capital e Financeira durante este período. o cenário das contas melhorou tanto na Conta Capital e Financeira. no curto prazo. como na conta de Transações Correntes. mesmo com essa melhora o saldo do BP no início da última década ainda se mostrava deficitário. as Transações Correntes passam a contribuir de forma negativa para o resultado do BP. Isso acontece pois os Serviços e Rendas tiveram forte expansão. Este problema. consiste no fato de que a conta que alimenta. sendo a rubrica de maior peso. o resultado positivo do BP – Investimento em Carteira – é a mesma que impacta negativa e diretamente. o resultado das contas brasileiras tende a seguir a conjuntura internacional ficando à mercê da conduta de outras economias. assim como outros países emergentes. uma vez que: 1) os preços das commodities estiveram em alta no mercado internacional. com predominância ora da conta corrente. que vinha de históricos déficits. e 2) crescimento mundial ampliou as importações de outros países por esses produtos.36 dólar. Como o Brasil possuía cerca de 70% da sua pauta exportadora baseada em produtos de baixo valor agregado.9 bilhões do total de aproximadamente US$ 197. pesando mais no saldo da conta e tornando-a deficitária. Embora a Balança Comercial ainda tenha evoluído positivamente. Todavia. ora da conta financeira. a partir de 2003 o Brasil passou por um forte ajuste externo. foi um dos países mais beneficiados pelo cenário favorável. Ainda que tenha experimentado distintos perfis nas suas contas externas. inclusive batendo recordes de exportação. As Transações Correntes (impulsionadas pela Balança Comercial) tiveram papel importante nesta reviravolta. ela atinge a marca de US$ 115. a conta de Serviços e Rendas e que tende a piorar a situação de nossas contas externas. Com a recente crise. . Tais fatores ocasionaram num grande aumento nas quantidades e nos preços dos produtos exportados. maior atingida pela crise cambial. no longo prazo. sem aparente poder de mudança deste quadro. Contudo. o Brasil ainda não logrou êxito quanto à superação dos problemas estruturais do seu Balanço de Pagamentos. gerando assim um duplo ganho nessa rubrica. Assim. no último triênio da década (2008 – 2010) o saldo positivo do BP voltou a depender do desempenho da rubrica Investimento em Carteira.

1 INTRODUÇÃO O termo “política fiscal” refere-se ao comportamento e à administração das receitas e despesas do Setor Público. infraestrutura etc. ou seja. ou seja. As decisões estatais são resultado de um processo político. gere seus recursos e obrigações. como se existisse um manual descrevendo a “maneira certa” de se executá-la. Assim como todas as demais políticas econômicas.37 6. podendo atuar em setores não relevantes para a iniciativa privada. . por exemplo. com gastos sociais e previdência. b) Distributiva: deve atuar corrigindo a desigualdade transferindo renda para uma parcela da população. por princípio não pode ir à falência dado que suas contas são geridas pelo conjunto da sociedade. c) Natureza: é um agente que não “quebra”. durante o mandato de um governo. a maneira como cada Estado. educação. cujas decisões de gasto e investimento têm um impacto considerável sobre o nível de atividade. Devido às suas características. a política fiscal não precisa ser obrigatoriamente a mesma para todos os Estado. como saúde. que no geral pode-se classificar em três. O manejo das contas públicas é relevante para a política econômica devido a algumas características básicas do Setor Público. a) Alocativa: cabe ao governo arrecadar recursos do conjunto da sociedade e definir prioridades na sua alocação. há um intenso debate sobre as funções que o governo deve desempenhar na economia. em que interesses conflitantes são colocados frente a frente e influenciam na forma como se constitui a estrutura fiscal de um país. b) Finalidade: ele age sem fins lucrativos. POLÍTICA FISCAL 6. quais sejam: a) Tamanho: o Estado pode ser considerado o maior agente econômico.

Ele pode agir de forma pró-cíclica. Já as receitas resultam de diversos mecanismos. o governo interfere no nível de atividade econômica buscando corrigir os ciclos da economia.2 AS RECEITAS Definidas as prioridades e a maneira de exercer suas funções. No primeiro caso.38 c) Estabilizadora: para evitar uma flutuação excessiva da economia. taxas. ou anticíclica. em especial no que tange ao estímulo a setores e à distribuição de renda. multas.1 Tributação A tributação é a forma mais utilizada pelo governo para equilibrar suas contas e pode se subdividir em outras categorias que podem ser classificadas por: a) Forma: os tributos podem ser classificados como diretos e indiretos.2. tais como o pagamento de salários de funcionários públicos. a política fiscal de um governo pode ser ajustada através de dois canais: o da arrecadação e o da despesa. Existem três formas que são as mais utilizadas para arrecadação: tributação. contribuições. venda de patrimônios. 6. mais uma vez. reduzindo o crescimento. tais como da arrecadação de impostos. são aqueles tributos que incidem sobre bens e serviços e pagos indiretamente pela população. incentivando o crescimento. A combinação de cada mecanismo e o perfil utilizado dependerá. As despesas derivam da prestação de serviços e/ou da produção de bens pelo Setor Público. No segundo. trata-se da tributação feita proporcional e diretamente sobre a renda e patrimônio de pessoas e empresas. aposentadorias etc. Há diversas formas pelas quais o Estado pode fazer a arrecadação de recursos para o provimento de suas despesas. b) Competência: definida pelo destino da arrecadação para cada esfera do . das prioridades do governo na obtenção de objetivos desejados. Cada um tem características próprias e pode proporcionar resultados distintos. negociações de títulos públicos e receitas das empresas estatais. 6. empréstimos e títulos. obras.

a carga tributária. A venda é feita por leilão. estaduais e municipais). Por outro lado. um imposto estadual sobre para o comércio (ICMS). Exemplo: a) Impostos diretos: podemos citar três impostos que incidem sobre a propriedade e que pertencem a cada esfera: sobre territórios rurais (ITR) para a esfera federal.2. durante o qual o maior lance . b) Impostos indiretos: da mesma forma. pagas somente pelos indivíduos que recebem um determinado serviço prestado. c) Finalidade: critério pelo qual se distingue a aplicação final do recurso arrecadado.2.3 Títulos públicos Os títulos públicos também representam um empréstimo contraído pelo Estado. Trata-se de um contrato em que o Tesouro Nacional promete pagar determinado valor dentro de determinado prazo. 6. que por sua vez podem comprometer o crescimento econômico no curto prazo e as contas públicas com o excesso de encargos financeiros. que também é dividido em três tipos. como o Fundo Monetário Internacional. como um dos importantes conceitos atrelados aos tributos. Ainda é possível destacar. sobre veículos (IPVA) para a esfera estadual.39 governo (federal. o emprestador exige contrapartidas de ajuste fiscal e pagamento de juros. 6. que mede a magnitude das receitas em proporção ao PIB do país. para a qual é definida a priori a destinação do tributo criado. para o qual o governo define livremente qual será a sua aplicação de acordo com o orçamento planejado. O primeiro seria o imposto.2 Empréstimos O Estado pode contrair empréstimos para o provimento de despesas com grandes instituições financeiras. Trata-se de uma modalidade rápida de se obter recursos para a esfera pública. Outro tipo seria a contribuição. E por fim há também as taxas. há um imposto federal que incide sobre a indústria (IPI). usado em especial em momentos de dificuldades. e um imposto municipal sobre serviços (ISS). e sobre prédios e territórios urbanos (IPTU) para municípios.

a taxa de juros será a mesma da variação do IPCA. uma vez que a taxa de juros média paga nos títulos pré-fixados é a que definirá a taxa SELIC. ou seja. b) Pós-fixado: um título com valor de face de R$ 1. que pode estar relacionado à inflação. Exemplo: a) Pré-fixado: um título com valor de face de R$ 1. o que o torna um importante instrumento de política fiscal. Em se tratando da esfera federal. à taxa básica de juros. b) Títulos pós-fixados: são títulos cujo valor de resgate será definido de acordo com o indexador utilizado. A e B. assistência e saúde. com prazo de um ano.00 é indexado ao IPCA.000. definirá os juros cobrados. Ganha o segundo. há três orçamentos básicos: o Orçamento Fiscal. no qual estão previstos investimentos de médio prazo. voltado para despesas com previdência.00 é disputado por dois bancos. 6. com um deságio de R$ 200. e o Orçamento Plurianual.3 AS DESPESAS As despesas públicas devem estar previstas em orçamento.000. No final do período. Por serem títulos de dívida que podem ser comercializados.00. O Banco A oferece R$ 750. o valor estará atrelado a algum índice. chamado de deságio.00 e o Banco B R$ 800. Há dois tipos de títulos: a) Títulos pré-fixados: negociados em leilão com instituições financeiras cadastradas no Banco Central (chamadas de dealers) os títulos pré-fixados contém um valor de face definido antes da data de resgate e a diferença entre o valor pago e o valor de face. . o Orçamento da Seguridade Social. a parcela da dívida que corresponde aos títulos públicos também é conhecida por dívida mobiliária. à taxa de câmbio etc.00.40 adquire o papel. representando uma taxa de juros de 20%. Vale notar que os títulos públicos são uma ferramenta tanto de política fiscal quanto de monetária.

E também esse valor pode ser classificado de duas formas. b) Investimentos: destinadas a infraestrutura. d) Subsídios: estímulos dados a determinados setores com intuito de desenvolvimento e ampliação da competitividade no ramo ao qual é destinado. . 6. De maneira análoga à apuração do saldo do Balanço de Pagamentos. E dessa forma contrai uma dívida.5 A DÍVIDA PÚBLICA Em caso de déficits nas contas públicas.4 O SALDO Decididos os perfis de receita e despesa. chega-se ao final do período no resultado das contas públicas. o governo busca alternativas à tributação – principal forma de obtenção de financiamento – como títulos públicos e empréstimos. a) Nominal: é a receita total com tributos menos a despesa total. Se for negativo. b) Primário: é o resultado nominal excluído o saldo das despesas financeiras (juros e correções monetária e cambial). tratando-se do saldo das contas públicas se o resultado for positivo obteve-se um superávit.41 As despesas ainda podem ser classificadas como: a) Custeio: despesas voltadas para a manutenção da máquina pública e pagamentos de salários. c) Transferências: em se tratando de programas de transferência de renda. assistência e previdência. 6. auferiu-se um déficit. cujo perfil dependerá das condições a que são feitas.

pois indica a capacidade de pagamento da dívida. Da mesma forma. há duas opções no que tange à Política Fiscal no âmbito do Nível de Atividade: a) Política fiscal restritiva: ampliar impostos e/ou reduzir gastos para diminuir o nível de atividade. da tributação ou mesmo de excedente fiscal do país. dívida externa. as decisões de gasto e investimento têm um impacto significativo sobre os estoques do Setor Privado. ela será considerada dívida interna. Para isso um indicador importante para o acompanhamento das contas públicas é a relação entre a dívida e o PIB (dívida/PIB). contudo. auxiliando na recuperação econômica em momentos de depressão ou mesmo incentivando a ampliação da capacidade instalada para atender pedidos futuros. por exemplo. de modo que seu capital constitui uma importante de poupança pública. da qual se obtém a dívida líquida deduzindo-se os ativos do governo.6 IMPACTOS DA POLÍTICA FISCAL 6. por exemplo. um dos componentes da demanda agregada da economia é o gasto público. como reservas internacionais e fundos soberanos12.1 Nível de atividade Como visto no módulo de Nível de Atividade e Emprego. 12 São fundos de propriedade de uma nação soberana. e se for em moeda estrangeira.6. não são suficientes para mensurar a magnitude do endividamento público. um governo pode diminuir o nível de atividade visando a desaceleração de uma economia superaquecida para evitar a inflação. 6. O valor total é chamado de dívida bruta. . As dívidas bruta ou líquida.42 Se a dívida for contraída em moeda doméstica. Os recursos desse fundo são oriundos das reservas cambiais. Destarte. Graças ao peso que o Estado tem na economia. b) Política fiscal expansionista: reduzir impostos e/ou ampliar gastos para aumentar o nível de atividade.

Uma política mais progressiva.gov.00. No entanto. O caráter de progressividade ou regressividade da política tributária tem um papel importante na distribuição de renda. ao ampliar impostos sobre o patrimônio e a renda tende a atenuar a concentração de renda ao diminuir o impacto da concentração de propriedade e os desníveis nos rendimentos. Exemplo: Vamos supor que existam duas famílias com rendas mensais diferentes. Qual seria o impacto dessa atuação do Estado sobre a renda dessas famílias? Renda da Família 1000 2000 Imposto sobre consumo 350 500 Imposto de Renda 0 120 Total de Impostos 350 620 Impostos/ Renda 35% 31% Como é possível observar. Como uma consome mais. os gastos têm um papel importante para a promoção de políticas . Assim.200.00. Porém isso não fica explícito. a carga tributária é claramente regressiva: segundo o IPEA (www.00 e a outra de R$ 2.00.6. A com renda maior terá um consumo de produtos e serviços mais elevado. a família com maior renda paga proporcionalmente menos impostos do que a família com menor renda. Da mesma forma.8% da renda em impostos.00 e da outra R$ 500. mesmo pagando imposto de renda de 15%. mudanças na composição e peso das diferentes formas de arrecadação afetam diretamente a qualidade de vida da população.2 Distribuição de renda As variações nas formas de arrecadação e gastos públicos podem levar a diferentes resultados almejados pela política econômica. que vão desde a distribuição de renda até a alteração no nível de atividade. o total de impostos indiretos pagos em cada mês por uma das famílias é de R$ 350. 10% da população mais pobre paga 32. No Brasil. uma delas de R$ 1.br). Vamos imaginar também que o governo estabelece imposto de renda de 15% sobre rendas acima de R$ 1. pois a maioria dos impostos são indiretos e estão embutidos nos preços das mercadorias. por exemplo.43 6. b) Política fiscal regressiva: na qual predominam os tributos indiretos. a família com o menor poder aquisitivo irá destinar uma proporção maior de sua renda ao consumo.ipea. enquanto os 10% mais ricos pagam 22. as diferentes combinações de tributos podem gerar dois perfis predominantes: a) Política fiscal progressiva: na qual predominam os tributos diretos.000. Quanto às receitas.000.7%.

Dentre elas. A constituição de 1988 trouxe duas grandes mudanças para a administração das finanças públicas: diminuiu a margem de manobra das autoridades quanto ao manejo do gasto e elevou as despesas previdenciárias. Nesse sentido. que se tornou hegemônica desde então. c) reduzir a carga tributária. principalmente. visando diminuir a discricionariedade da Política Fiscal. assim como outros instrumentos de política econômica. saúde e um sistema previdenciário de caráter solidário são fundamentais. baixos índices de desemprego. pois por meio da Política Fiscal é possível atuar de forma a aumentar o pagamento de transferências para a população com menores rendimentos. a forma com que os recursos do Estado são alocados e que favoreçam direitos universais como educação. mecanismos de proteção social e. um conjunto de medidas de contenção da Política Fiscal – chamadas de Ajuste Fiscal Estrutural – foi sendo adotado por diversos países com vistas a restabelecer um equilíbrio macroeconômico. as principais economias desenvolvidas mantiveram. Promovendo obras públicas. com a implantação do Plano Real e o fim de um dos meios de financiamento das atividades do governo . Na década de 1970. em conjunto. gastos militares. tornou-se um instrumento efetivo de política econômica a partir da Crise de 1929. contudo. atraindo capitais e auxiliando em períodos de crise no Balanço de Pagamentos. POLÍTICA FISCAL: DA ERA DOURADA AO AJUSTE FISCAL ESTRUTURAL A Política Fiscal.44 sociais. A partir 1995. Assim. tais práticas foram acusadas de serem as vilãs da inflação crescente de então. é possível citar: a) redução da relação dívida/PIB. também favoreceriam a credibilidade do país frente à comunidade internacional. sob o Welfare State. qual seja a imprevisibilidade nas tomadas de decisão. o Fundo Monetário Internacional passou a exigi-las como contrapartida para seus empréstimos. b) aumento do controle e transparência das contas públicas. Essas medidas. Graças a essa concepção de Política Fiscal.

45 (através do chamado “imposto inflacionário”) houve uma deterioração das contas públicas. ou seja. tais como: a) Metas de Superávit Primário: o governo se compromete a reservar parte dos recursos para pagamento de juros da dívida. na qual o FMI impôs exigências ao governo Fernando Henrique Cardoso mediante a fuga de capitais e a necessidade de um empréstimo recorde para resgatar o Real. a maior questão colocada é se a intervenção do Estado auxilia ou prejudica o funcionamento da economia. c) Desvinculação de Receitas da União (DRU): permite ao Tesouro contingenciar uma parte dos recursos com vistas à formação do superávit primário. uma hiperinflação. o Brasil se comprometeu não só com reformas no âmbito do Setor Externo como com medidas de austeridade fiscal. b) Lei de Responsabilidade Fiscal: estabelecendo limites para endividamento e déficit para Estados e Municípios. Um de seus objetivos pode ser o de “estabilizar” uma economia. possuem visões distintas acerca dos problemas econômicos. Os economistas. buscando controlar o montante da dívida. os resultados primários positivos têm sido insuficientes para a geração de superávits nominais. em especial os macroeconomistas.1 A POLÍTICA ECONÔMICA A política econômica é um conjunto de ações adotadas pelo governo com o intuito de influir na dinâmica produtiva de uma nação. Em linhas gerais. seja da compreensão do problema em si. tendo como meta corrigir possíveis desequilíbrios como. a economia feita com os gastos não financeiros não é capaz de cobrir as despesas com juros da dívida. E um tema tão polêmico está imerso em controvérsias. um endividamento fiscal crescente ou um déficit elevado em conta corrente no balanço de pagamentos. No entanto. registrando-se resultados primários próximos a zero e o ressurgimento de déficits nominais expressivos. por exemplo. a boa condução da política econômica é de suma importância para os países. seja a melhor . 7. ENCERRAMENTO 7. Deste modo. criando instrumentos que estão vigentes até hoje. Após a crise cambial de 1998-99 sofrida pelo Brasil.

seja pela economia de guerra desencadeada em decorrência da Segunda Guerra Mundial. aumento do crédito). publicado em 1936 – A Teoria Geral do Emprego. quando os Estados. E o debate persistiu com economistas de cunho mais liberal defendendo a ideia que a participação do Estado na economia é. no mínimo. de resolver a questão. naturalmente.46 forma de sanar. O consenso em uma matéria tão importante pode acarretar em problemas de toda ordem. as economias dos EUA e da Europa se recuperaram e o receituário keynesiano tornou-se hegemônico no pós-II Guerra durante os “anos dourados” de elevado crescimento e baixa inflação nas principais economias industriais. Um exemplo de erro na condução da política econômica aconteceu após a famosa Crise de 1929. Seja pelas medidas propostas por Keynes em seu livro. Ou ainda. quando não prejudicial ao sistema econômico. . passaram a atuar decisivamente no estímulo à dinâmica econômica (um exemplo é a recuperação da economia alemã). em algumas economias subdesenvolvidas. qual seja o que trata da Política Econômica. do Juro e da Moeda –. que as empresas frágeis iriam à falência. assumem a postura de que o Estado pode e deve promover políticas (responsáveis) de incentivo ao sistema econômico. Persistia um consenso entre os economistas daquela época de que o mercado iria se ajustar de maneira automática. com concepções mais similares às ideias defendidas por Keynes. as companhias sólidas voltariam a prosperar e assim. Como isso não aconteceu. em especial em um campo específico da Macroeconomia. e que sua atuação pode condicionar um avanço mais rápido e consistente rumo ao pleno emprego. que incitava o Estado a participar ativamente da economia através do aumento dos gastos públicos (em especial investimentos) e de política monetária expansionista (redução dos juros. inócua. Outros economistas. alguns países passaram a adotar o receituário propalado pelo economista inglês John Maynard Keynes. em geral. até que este retornasse ao patamar précrise. A controvérsia faz-se presente e é muito saudável. o Estado poderia assumir o papel de promotor de uma estratégia de desenvolvimento econômico que promovesse mudanças qualitativas e quantitativas na estrutura econômica do país. iriam sustentar a progressiva recuperação do nível de emprego. A controvérsia sobre a participação do Estado na economia e do papel do Mercado estava aberta na ciência econômica.

. Com o objetivo central de acabar com a hiperinflação brasileira. o que perseverou nas últimas oito décadas foi a tendência de uma participação ativa do Estado. bem como vislumbrarmos as possibilidades no âmbito econômico para o Brasil no início desta nova década. Nos últimos anos o Brasil apresenta uma estratégia de cunho estabilizador. toda a arquitetura montada resume suas fundações na busca desse objetivo. para uma economia detentora de um consolidado parque industrial e que. tornou-se a oitava economia do mundo com um PIB de US$ 2. Se a mesma apresentar qualquer mínimo sinal de avanço. Trata-se de um ponto de inflexão na política econômica brasileira e seus efeitos são de suma importância para compreendermos a realidade atual da economia. Apesar de diversos planos econômicos adotados neste período. passando de uma economia fundamentada num setor primário-exportador (café). ele obteve sucesso através de uma elevação drástica dos juros. Apesar de iniciativas como as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).8 trilhões de dólares. é possível pensar em reduzir os juros e permitir uma maior atividade do governo. todo o arsenal de instrumentos disponível é usado para trazer novamente a inflação para os patamares aceitáveis. voltada essencialmente para o controle da inflação. no ano de 2010. bem como alterou a natureza da dinâmica do seu crescimento. sendo esta somente controlada a partir do plano de estabilização posto em prática em 1994: o Plano Real. Neste período o país experimentou uma profunda transformação das feições de suas forças produtivas. de uma progressiva desindexação dos contratos existentes e pela sustentação de uma âncora cambial. Quando a inflação está sob estrito controle. Esse pragmatismo – cujo único objetivo é a estabilidade dos preços – é justificado pela experiência traumática pela qual passou a economia brasileira ao longo da década de 1980 e o início da década de 1990. o país vivenciou um período de hiperinflação. cujo principal setor – o de serviços – responde por mais de 65% do PIB (IBGE).47 No Brasil.

a adoção de uma nova moeda de modo arbitrário não permitia que os preços em geral fossem medidos de modo adequado.14 Isso significa que mesmo que a economia não apresentasse uma pressão inflacionária (como uma quebra de safra agrícola. Neste ponto. Diversos planos econômicos foram elaborados para tentar frear o aumento dos preços e resolver os desequilíbrios que a economia brasileira vivenciava. o Plano Real foi mais bem concebido que seus antecessores. O diagnóstico era que o Brasil sofria de uma inflação inercial. devido às expectativas dos agentes. Logo. Primeiramente. das tentativas anteriores. e medir os preços é uma importante função da moeda. Relembre o conceito na p.48 7. Outro ponto era que o Estado deveria fazer um ajuste fiscal15. Este Plano utilizou o aprendizado. é claro. 20. como redução da produção. pois novos desequilíbrios produtivos vinham à tona. controlar os gastos públicos e desaquecer a economia. o plano deveria resolver o problema da inflação inercial. O Plano Real lançado em 1994 tinha por objetivo o mesmo dos planos anteriores: controlar a alta dos preços. e posteriormente entrou em circulação o Real. O Plano Real 13 14 15 Ver o box do módulo de Inflação (p. quando o Real passou a circular os preços foram medidos na nova moeda de modo adequado. simultaneamente. por exemplo.2 A POLÍTICA ECONÔMICA ESTABILIZANTE E A ECONOMIA BRASILEIRA NOS ANOS DE 1994 A 2011 No início dos anos 1990 o Brasil passava por um período de hiperinflação. por exemplo) a inflação continuava a aumentar. as empresas e os consumidores acabavam por não saber se os produtos estavam cotados do modo correto. o que prejudicava a acomodação dos preços em geral. Nos planos econômicos da década de 1980 as novas moedas entraram em vigor de modo abrupto. Ver o box do módulo de Política Fiscal (p.13 Todos fracassaram. Assim. . Assim. adotou a nova moeda de modo gradativo. O Plano Real resolveu o problema da inflação inercial através de dois instrumentos: a criação de uma nova moeda e a adoção da “âncora cambial”. 44). que era a nova moeda de fato. O Plano Real foi o único que alcançou seu objetivo. Isso acarretava problemas diversos. Um produto poderia estar com um preço mais elevado que o normal naquele dia. através da utilização da Unidade Real de Valor (URV) num primeiro momento. falta de produtos. O Estado gastava muito e isso acabava por aquecer a economia e pressionar os preços. 21). No caso acima. no dia 1º de junho.

Mas o Plano Real tinha uma estratégia macroeconômica mais ampla. E um modo satisfatório de reduzir o aumento dos preços dos bens é. 34.00. O mecanismo funcionava da seguinte maneira. Isso pressionaria a inflação para baixo. no geral. Deste modo. Entendia que era preciso não somente “medir” corretamente a expansão dos preços da economia. releia o box do módulo de Setor Externo na p. mas sim reduzir a sua expansão. iriam estabilizar o aumento dos preços internos (inflação). e adotou o regime de bandas cambiais17. e decidir quais bens eram escassos ou abundantes. e também “abriu” a economia brasileira permitindo a entrada e saída de bens. a moeda brasileira estava supervalorizada e isso. Estava estabelecida a âncora cambial: os preços dos bens importados iriam referenciar o avanço dos preços dos bens internos. ou seja. quanto menor a oferta maior o preço. aumentar a sua oferta. além de estimular a compra de importados. Outra função importante foi controlar a expectativa dos agentes quanto ao aumento dos preços. E. em geral. além de promover uma modernização do parque industrial (importação de máquinas e equipamentos modernos e baratos – choque de competitividade). Estabeleceu uma paridade inicial entre o real e o dólar: US$ 1. 33.16 O objetivo da âncora cambial era propiciar um aumento da oferta de produtos a preços baixos.49 resolveu esse problema adotando uma estratégia gradual de circulação da moeda. serviços e capitais. Ou seja. 17 Relembre o conceito na p. o Plano Real objetivou ampliar a oferta agregada com a flexibilização das importações. evitando medidas de congelamento de preços por parte do governo e confiando que o mercado seria o melhor mecanismo para indicar o direcionamento dos preços dos bens. Evitar que as pessoas acreditassem que os preços iriam aumentar era 16 Para uma explicação da ideia de paridade de taxas de câmbio e do significado para as contas externas da adoção da âncora cambial. efetivou um mecanismo que desestimulava a alta dos preços internos que era a “âncora cambial”. De modo simultâneo o governo promoveu a redução das tarifas de importação. permitia que produtos estrangeiros fossem adquiridos a preços mais baixos que seus equivalentes nacionais. e quais preços deveriam ter e como eles deveriam flutuar. . para a maioria dos bens disponíveis no mercado: quanto maior a oferta menor o preço pago. ainda. Neste sentido a lógica que vale para um produto é também válida.00 = R$ 1.

Essa arquitetura do Plano Real funcionou até 1998. pensarem assim a inflação se acelera somente devido às expectativas. pois se as empresas acham que seus insumos ficaram seguidamente mais caros elas iram aumentar o preço de venda dos seus produtos. Em janeiro de 1999. quando o Brasil já não possuía mais reservas internacionais. uma dívida pública altamente custosa e que crescia rapidamente. e as expectativas. A “âncora” cumpriu este papel e. pois forçariam os preços para baixo. seriam controladas pelos preços dos importados. tinha privatizado as principais empresas estatais e a elevação insustentável da dívida gerava desconfiança nos investidores estrangeiros de que o Brasil não tivesse condições de honrar os pagamentos em dólares. em detrimento das exportações desestimulas pela moeda sobrevalorizada? A resposta a esta pergunta dá-nos a medida do “custo da estabilização”.50 importante. geralmente. Então cabe a pergunta: como seria financiado o mecanismo da âncora cambial. Evitar tal fato era crucial. . As importações. e elevou grandemente o patamar da taxa básica de juros (SELIC) tornando a rentabilidade da dívida brasileira altíssima. A arquitetura básica da política econômica iria mudar e se preservar no segundo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e nos dois mandatos do presidente Lula. O Estado passou a fazer economias colossais – superávit primário – para pagar os juros da dívida. Assim. e pessoas. Basicamente dois recursos foram utilizados para atrair divisas para o Brasil no período: as privatizações das estatais e o aumento dos juros (taxa SELIC) da dívida pública federal. ou quaisquer operações realizadas com o exterior (setor externo) devem ser transacionadas em divisas internacionais. deste modo. Se muitas empresas. de modo a sustentar o mecanismo que atraia os dólares necessários para pagar as importações. A contrapartida para a sociedade foi um crescente desmantelamento do patrimônio produtivo estatal. o Brasil oficialmente encerrou a atuação no mercado cambial que sustentava a paridade artificial entre o real e o dólar. atraindo. deste modo. o governo levou a cabo um agressivo programa de privatizações atraindo investimento estrangeiro direto. dólar estadunidense. como seriam obtidos os dólares para pagar pelas importações que se ampliaram enormemente. um crescente volume de investimentos estrangeiros. a inflação. Estes serviram como uma “âncora”.

contratando mais trabalhadores e comprando mais máquinas. e que este impulso se sustenta para períodos posteriores o estímulo inicial. no âmbito fiscal.51 A âncora cambial foi substituída pela chamada “âncora monetária”. ao perceber uma aceleração da inflação elevaria a taxa SELIC. reduzir o crédito e frear a expansão da demanda. pois. Imagine que o governo adote uma política expansionista de modo a promover crescimento econômico mesmo quando a inflação não apresenta uma tendência de aceleração. através da manipulação (alta e baixa) da taxa de juros possui um efeito retardado no sistema econômico. a taxa SELIC. a adoção do Sistema de Metas de Inflação e. uma vez que o diagnóstico oficial agora era de que o Brasil possuía uma inflação de demanda. quando é responsável na condução da política fiscal. em média. e possui um elevado efeito multiplicador 18 no sistema econômico. e isso faz que a política econômica esteja muito articulada. A política monetária pode perder eficácia. As empresas contratadas para as obras adquirem insumos dos seus fornecedores que. Ao promover investimentos propaga um vultoso estímulo. o governo quando controla as suas contas. a magnitude do impulso inicial é amplificada e sustentada no tempo pelo multiplicador de gastos para a economia como um todo. A política monetária. em especial. a 18 A ideia por trás do “efeito multiplicador” dos gastos públicos é que o impulso dado à demanda se propaga na economia estimulando o nível de atividade para além da magnitude inicial dos gastos. indiretamente induz um aumento no consumo agregado e. qual seja. para que a dívida pública seja sustentável no longo prazo. gerando superávits e corrigindo déficits momentâneos evita pressionar a economia com uma expansão indesejada. Desde então. por conseguinte. através do aumento e redução da taxa básica de juros da economia. . uma defasagem de. A política fiscal afeta imediatamente a economia. com o intuito de enxugar a liquidez na economia. a implementação de um regime de câmbio flutuante “sujo”. Estas demais empresas investem mais para atender à demanda superior gerada. 6 a 8 meses. a política econômica estruturou sua conduta sobre um tripé. Desde modo. Outro argumento é que a política de geração de superávits primários é fundamental para que a política monetária seja efetiva no controle da inflação. na renda. porque é a política monetária é a principal política de controle da inflação. O controle da inflação passaria a ser efetuado através da política monetária. O governo. a sustentação de superávits primários gerando poupança pública destinada unicamente ao pagamento de juros e amortizações da dívida. de modo que o COPOM. Deste modo. por conseguinte. adquirem insumos de outras empresas. se isto ocorrer. e isso é ruim. ao promover aumento dos gastos com a contratação de servidores.

É necessário que para a política econômica funcionar que exista harmonia entre as ações efetuadas pela Fazenda e pelo Banco Central. classificado de um crescimento tido como stop and go. A resposta do Brasil frente à crise financeira de 2008 pode mostrar indicações de que alguns aspectos estruturais podem revelar alguma mudança. Em especial. qualquer aumento dos índices de inflação deve ser imediatamente combatido através de uma contração monetária. 19 Ver o box do módulo de Inflação (p. A partir de um diagnóstico da existência de uma inflação de demanda na economia. 21). de tal modo que o país possa experimentar no futuro próximo um dinamismo sustentado pelo mercado interno. mostraram a força do mercado interno para sustentar o nível de atividade da economia brasileira. a política de recomposição do valor do salário mínimo acima da inflação posta em prática pelo governo Lula. na visão convencional. com um ritmo intermitente. Este regime prescreve que o controle da inflação deve ser feito através do estabelecimento de uma sintonia fina entre a trajetória da inflação e a taxa básica de juros. A mudança do mecanismo básico de controle da inflação da âncora cambial pela âncora monetária deu-se através da adoção oficial do Sistema de Metas de Inflação19 em meados de 1999. a enfraquecer a eficácia da política monetária em virtude da perda de credibilidade da autoridade frente aos agentes econômicos. de modo que a política monetária torna-se acentuadamente anticíclica. e que seja de algum modo mais autônomo à dinâmica apresentada pela economia global. Em virtude da política econômica praticada a economia brasileira tem apresentado ao longo das últimas duas décadas baixas taxas de crescimento. .52 política monetária perde eficácia. de modo que qualquer desvio deste padrão de conduta por parte da autoridade monetária tende. A política monetária deve ter em conta apenas o comportamento da inflação. além da política de transferência de renda e desoneração tributária dos bens de consumo. O país encontrava dificuldades em dinamizar seu crescimento de maneira autônoma frente aos ciclos de expansão da economia mundial.

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