EXERCÍCIOS RESISTIDOS

Diversos fatores como doenças, desuso ou imobilização, podem levar a
fraquezas musculares. Com isso, sempre que a meta ou objetivo de um plano
de tratamento contemplar aumento de força, resistência ou melhora da função
física geral, um programa de exercícios terapêuticos com resistência deve ser
elaborado.
À medida que um músculo re-adquire a sua funcionalidade normal, o plano de
tratamento precisa ser revisto para que a complexidade dos exercícios seja
aumentada, ou seja, a partir do momento que o movimento ativo livre está
sendo recuperado é interessante depositar cargas contra esse músculo para
que o mesmo se torne mais forte com o passar do tempo. Se houver uma
sobrecarga sobre o músculo, mudanças adaptativas ocorrerão sobre o músculo
e os resultados desejados serão alcançados.
Exercício resistido é aquele em que a contração muscular é resistida por
alguma força externa, seja manual ou mecânica. A resistência manual aplicada
somente pela força do fisioterapeuta, apesar de não poder ser quantificada, é
muito usada nos primeiros estágios do tratamento, quando o músculo ainda
está fraco – como ainda a musculatura só consegue vencer pequenas
resistências, o fisioterapeuta previne lesões por sobrecargas. A resistência
mecânica possui a vantagem de poder ser quantificada e, com isso, facilitar a
evolução da carga imposta gradativamente. A resistência mecânica é ideal para
os estágios em que a força muscular está próxima ao normal e a resistência
imposta manualmente não representa grandes esforços contra os movimentos.
Outra situação muito usada nos treinos de resistência mecânica são os
trabalhos específicos, como treinamento de explosão ou potência muscular.
O objetivo geral de um programa de exercícios resistidos é melhorar a função
física. Dessa forma, os exercícios resistidos podem ser usados para: 1)
aumentar a força (imposição de cargas acima da capacidade muscular,
desenvolvendo hipertrofia e aumento de recrutamento de fibras); 2) aumentar a
resistência muscular ou corporal à fadiga (exercícios em baixa resistência por
tempos prolongados); 3) aumento de potência muscular (quantidade de força
realizada num dado tempo ou distância – F x V ou diminuindo-se o tempo para

Atualmente. Assim. A resistência a ser aplicada pode ser adaptada tanto para contrações dinâmicas. trabalhar visando a funcionalidade e necessidade do paciente é muito importante ao elaborar um plano de tratamento. outro fenômeno já confirmado por diversas pesquisas é a generalidade ou transferência de treinamento. Por tudo isso. O exercício dinâmico é uma forma de atividade onde há ciclos sucessivos de encurtamento e alongamento muscular segundo a amplitude de movimento. imitando a função desejada. os exercícios resistidos podem ser realizados dinamicamente (contrações musculares concêntricas ou excêntricas). comumente usado como sinônimo. maior a potência muscular). permite em pequeno grau. ou seja. velocidade. diversos estudos têm demonstrado que os efeitos adaptativos de uma determinada modalidade de treinamento são altamente específicos. pode-se utilizar o princípio da transferência para ganhos adaptativos INDIRETOS. sempre que possível os exercícios devem ser aplicados com caráter funcional. uma melhora dos outros tipos de exercício. Segundo esses estudos. Em qualquer um dos programas. Nesse caso. quanto para contrações estáticas. Por outro lado. podendo levar a melhora da força. posição do paciente. resistência ou potência. deve-se realizar treinamentos de força à musculatura isolada dos MMII e progredir para exercícios globais de explosão. isometricamente (sem alterações nos ângulos de movimento) e isocineticamente. caso exista contra-indicação para alguma modalidade. analisando a intensidade. toda modalidade de treinamento. Apesar da especificidade dos treinamentos.um dado esforço – quanto maior a intensidade do exercício e mais curto o tempo para realizá-lo. duração. Por exemplo. a meta final será melhorar a função física. ocorre uma variação na . O objetivo a ser alcançado deve ser determinado para preparar um programa de treinamento específico. a resistência pode ser manual ou mecânica. O termo isotônico. sugere que o músculo possui uma tensão igual em toda a amplitude de movimento. Dessa forma. como nessa modalidade a resistência está sob uma carga fixa. se o objetivo é treinar um corredor de 100 metros rasos.

A resistência também pode ser aplicada quando um músculo se alonga ou encurta. só é encontrada num ponto específico. visto que a carga a ser vencida não pode ser maior do que a intensidade que o músculo pode sustentar no ponto mais fraco da amplitude de movimento. é de suma importância que um plano de tratamento de exercícios terapêuticos englobe um trabalho em cadeia cinética fechada. O ideal num programa de desenvolvimento de força é a realização de exercícios em baixa velocidade para potencializar o esforço e prevenir o risco de lesão. a adaptação com treinamentos entre as duas modalidades sugere poucas diferenças. A tensão máxima. exercícios dinâmicos resistidos geram uma combinação desses exercícios. Em geral. Os mesmos músculos trabalham de forma diferente quando as condições se alternam. Outra forma de gerar resistências variadas durante o movimento é através da aplicação de resistências manuais. Isso é importante para identificar o nível de resistência a ser usada nos diversos programas a serem elaborados. os quais. Apesar de estudos comprovarem que contrações excêntricas sejam mais eficientes do que as concêntricas. a velocidade do exercício afeta diretamente na produção de força. na realidade. Ambos devem ser combatidos antes de iniciar o programa de tratamento. Apesar da maioria dos exercícios serem realizados em cadeia aberta. desde que não haja contra-indicações para tal. O importante na escolha da intensidade da resistência é o bom senso para evitar gerar sobrecargas negativas sobre o paciente. somente em situações onde haja um processo inflamatório ou dor no local. Como já comentado. principalmente. o exercício com resistência é contra-indicado.tensão produzida à medida que o músculo altera o seu comprimento. se o paciente apresentar ainda essa queixa durante a sessão ou por mais de 24 . devido ao recrutamento de unidades motoras. Outras variações dos exercícios com resistência é a diferenciação entre cadeia cinética aberta e cadeia cinética fechada. No caso da dor. geram resistências de acordo com a capacidade do músculo em cada ângulo. quando o fisioterapeuta varia a carga imposta de acordo com a capacidade do paciente. Normalmente. A tensão constante somente é conseguida através de equipamentos de resistência variável como o Cybex ou Nautilus com sistemas pneumáticos ou hidráulicos.

Durante os exercícios é importante considerar o local de aplicação da resistência distalmente para gerar um torque maior em relação à força do paciente. 3) atentar para movimentos substitutivos – em condições de resistências excessivas o paciente tende a compensar a falta de força com outras partes corporais. porém. são necessários alguns cuidados: 1) deve-se estar atento caso o paciente realize manobra de valsalva. colocar o paciente numa posição confortável. porém. a fraqueza óssea é altamente suscetível à fraturas patológicas – enfatizar exercícios de resistência à fadiga. sendo importantíssimo o uso de resistências e estabilizações corretas. sobretudo pacientes cardíacos – para prevenir essa inspiração forçada. falar ou respirar durante os exercícios). esse sintoma tende a desaparecer rapidamente nos intervalos entre as sessões – a prevenção da dor tardia relacionada ao exercício é prevenida programando aumentos gradativos na intensidade dos trabalhos. liberar possíveis restrições à região do corpo do paciente. o fisioterapeuta precisa estar bem posicionado junto ao paciente para utilizar a mecânica corporal adequada. Existem alguns princípios para a correta realização de exercícios com resistência manual. 5) dor muscular associada ao exercício é uma condição normal. 4) pacientes com diagnóstico ou suspeita de osteoporose não são contra-indicados. o mesmo deve ser eliminado ou ter sua intensidade diminuída. bem como suas limitações funcionais. 2) considerar períodos de recuperação durante o exercício entre as séries e após a atividade – geralmente 3 a 5 minutos entre as séries e 24 a 48 horas entre as atividades. Para a elaboração de um programa de treinamento. manter o paciente expirando durante o exercício (pedir para contar. de forma minimizar o esforço do fisioterapeuta. Antes de iniciar o treinamento é necessária uma avaliação da amplitude de movimento e força do paciente. explicar ao paciente os procedimentos. orientar o paciente para evitar essa prática. estando essa normalmente associada à exercícios com resistências exageradas. deve-se atentar para a intensidade correta do exercício.horas após o treinamento. a resistência deverá . evitar grandes cargas e movimentos de torção. demonstrar ao paciente o movimento desejado realizando-o passivamente.

De fato. se houver fasciculação muscular (tremor) ou ocorrerem movimentos substitutivos. a resistência deverá ser de acordo com as condições do paciente. o local esteja dolorido. o componente de produção de força é a contração muscular concêntrica. mas com o ciclo encurtamento-alongamento a energia potencial cinética criada na ação muscular excêntrica amplia o power concêntrico.ser na direção oposta ao movimento. o segmento a ser trabalhado deve ser bem estabilizado para evitar movimentos substitutivos. . use comandos verbais simples para facilitar o entendimento do paciente e coordene os comandos para não confundir o paciente. Ações excêntricas produzem mais power do que ações isométricas e esta mais do que ações concêntricas. em geral. a aplicação da resistência e/ou a sua intensidade devem ser modificados caso o paciente não consiga completar o arco de movimento. 3 séries de 8 a 10 repetições cada uma são suficientes para gerar a sobrecarga necessária ao paciente. Exercícios pliométricos O movimento pliométrico usa o pré-alongamento da curva de Blix (curva de alongamento-tensão) no sentido de aumentar a habilidade das fibras musculares para gerar mais tensão e conseqüente produção de força.