1 - Poesia Trovadoresca

1.1. Dados gerais
Foram produzidas durante o período, de cerca de 150 anos, que vai, genericamente, de
finais do século XII a meados do século XIV, e portanto situam-se, historicamente,
nos alvores das nacionalidades ibéricas, sendo, em grande parte contemporâneas da
chamada Reconquista cristã. Tendo em conta a geografia política peninsular da época,
que se caracterizava pela existência de entidades políticas diversas, muitas vezes com
fronteiras voláteis e frequentemente em luta entre si, a área geográfica e cultural onde se
desenvolve a arte trovadoresca galego-portuguesa (ou seja, em língua galegoportuguesa) corresponde, latamente, aos reinos de Leão e Galiza, ao reino de Portugal, e
ao reino de Castela (a partir de 1230 unificado com Leão).
Nas origens da arte trovadoresca galego-portuguesa está, indiscutivelmente, a arte dos
trovadores provençais, movimento artístico nascido no sul de França em inícios do
século XII, e que rapidamente se estende pela Europa cristã. Compondo e cantando já
em língua falada (no caso o occitânico, a língua falada na Provença) e não mais em
Latim, os trovadores provençais, através da arte da canso, mas também do fin’amor que
lhe está associado, definiram os modelos e padrões artísticos, mas também culturais,
que se irão tornar dominantes nas cortes e casas aristocráticas europeias durante os
séculos seguintes. Acompanhando um movimento europeu mais vasto de adoção dos
modelos occitânicos, a arte trovadoresca galego-portuguesa assume, no entanto,
características muito próprias, como explicitaremos mais abaixo, e que a distinguem de
forma assinalável da sua congénere provençal, desde logo pela criação de um género
próprio, a cantiga de amigo.
No total, e recolhidas em três grandes cancioneiros (o Cancioneiro da Ajuda, o
Cancioneiro da Biblioteca Nacional e o Cancioneiro da Biblioteca Vaticana),
chegaram até nós cerca de 1680 cantigas pertencentes a três géneros maiores (cantiga
de amor, cantiga de amigo e cantiga de escárnio e maldizer), e da autoria de cerca de
187 trovadores e jograis. Da mesma época e ainda em língua galego-portuguesa, são
também as Cantigas de Santa Maria, um conjunto de 420 cantigas religiosas, de
louvor à Virgem e de narração dos seus milagres, atribuíveis a Afonso X. Tendo em
comum com as restantes cantigas a língua e eventualmente espaços semelhantes de

no noroeste peninsular. no entanto. Portugueses. surgiu progressivamente como língua distinta anteriormente ao século IX. 1. no entanto. alcança a sua mais notável expressão na poesia que um conjunto alargado de trovadores e jograis. daí a sua recolha numa fonte diferente. cujas origens remontam à antiga Galiza romano-gótica. . Entre os séculos IX e XIV. e que. ter presente. galegos. num processo que se estende até cerca de 1350. como um alargamento natural desse espaço linguístico e cultural único. ou seja. pois. num espaço geográfico alargado e que não coincide exatamente com a área mais restrita onde a língua era efetivamente falada. Neste sentido. as Cantigas de Santa Maria pertencem. cujo posterior desenvolvimento irá conduzir à diferenciação entre o Galego e o Português atuais. a expressão Galego-Português designa concretamente uma fase dessa evolução. mais do que designar uma língua. a língua falada ao norte e ao sul do rio Minho era sensivelmente a mesma. é um processo que pode ser entendido. parecem ter afetado imediatamente esta unidade linguística e cultural. nesta primeira fase. É. e que conduziram à formação de um reino português independente ao sul. muito embora inclua também manifestações em prosa. mas também castelhanos e leoneses. Convém. E nem mesmo as fronteiras políticas que por meados do século XII se foram desenhando. podemos dizer que. Da mesma forma. e com algumas pequenas diferenças entre modos de falar locais. no entanto.2. ainda no movimento da chamada reconquista cristã). O período que medeia entre os séculos X e XIV constitui a época por excelência do Galego-Português. trata-se essencialmente de uma poesia feita em Galego-Português por um conjunto de autores ibéricos. Derivado do Latim. até 1250. a extensão do novo reino português até ao extremo sudoeste da Península (que se desenrola.produção. que quando falamos de poesia medieval galego-portuguesa falamos menos em termos espaciais do que em termos linguísticos. A Língua O Galego-Português era a língua falada na faixa ocidental da Península Ibérica até meados do XIV. nos legou. a um tradição cultural bem distinta. a partir de finais do século XII que a língua falada se afirma e desenvolve como língua literária por excelência.

fornece-nos um quadro que genericamente se adequa às cantigas que chegaram até nós. esta Arte de Trovar. que não se limitam ao papel de músicos e instrumentistas que seria socialmente o seu. Não se trata. contam-se entre os maiores poetas peninsulares em língua galegoportuguesa. Muito embora não nos tenha chegado completa. Assim. os grandes senhores medievais ibéricos não se limitam ao mero papel de protegerem e incentivarem a arte trovadoresca. de Castela e de Portugal. os dados biográficos de que dispomos são escassos ou mesmo nulos. Ao lado deste conjunto de senhores. Os autores As cantigas galego-portuguesas são obra de um conjunto relativamente vasto e diversificado de autores. os seus maiores. de simples cavaleiros a figuras principais. que encontram nas cortes régias de Leão. por vezes. o interesse e o apoio que possibilita a sua arte. produtores. até pelo seu estatuto de figuras públicas. Afonso X e o seu neto D. pelo menos ao nível dos grandes princípios. e de uma forma que não mais terá paralelo nos séculos posteriores. Se bem que o percurso de alguns trovadores. mais práticodidática do que propriamente teórica.3. nomeadamente quanto aos géneros maiores cultivados por trovadores e jograis. de um mero patrocínio externo: na verdade. mas que compõem igualmente cantigas. autores oriundos das classes populares. os principais géneros da poesia galego-portuguesa profana são a cantiga de amor (canto em voz masculina). Como é sabido. a cantiga de amigo (canto em voz feminina) e a cantiga de escárnio e maldizer (cantiga satírica. mas igualmente o respetivo proveito. no entanto. Os géneros A Arte de Trovar subjacente às cantigas galego-portuguesas é a matéria de um pequeno tratado anónimo transcrito nas páginas iniciais do Cancioneiro da Biblioteca Nacional. mas são eles próprios. mas também eventualmente nas cortes de alguns grandes senhores.4. Dinis. como uma atividade desinteressada. ou mesmo mais brilhantes. encontramos um não menos notável conjunto de jograis. e também em relação à maioria dos jograis. designados especificamente de trovadores. e para quem a arte de trovar era entendida. e para quem a arte de trovar constituía uma atividade da qual esperavam retirar não apenas o reconhecimento do seu talento. respetivamente com ou sem equívoco . seja bem conhecido. 1.1. em relação a muitos outros. dois reis. num notável conjunto de autores que inclui uma parte significativa da nobreza da época.

algumas características distintas. formas essas enquadradas numa vivência quotidiana e popular. a cantiga de amor galego-portuguesa assume. muito embora adaptando-a ao universo cortês e palaciano que era o seu. Num registo bem mais popular. Género de registo aristocrático. a cantiga de amor apresenta-nos assim uma voz masculina essencialmente sentimental. mas que se tornou tradicional). as relações entre o homem e a mulher. e a correlativa coita (sofrimento) do poeta face à sua indiferença ou face à sua própria incapacidade para lhe expressar o seu amor. a cantiga de amor segue muito claramente o universo do fin’amor provençal (que era um tipo de cantiga similar). de ira pelos seus enganos. do qual fazem ainda parte. tradição que os trovadores e jograis galegoportugueses terão seguido. De forma retoricamente elaborada. por vezes num espaço aberto e natural. o momento da iniciação ao amor. que canta a beleza e as qualidades de uma senhora inatingível e imaterial. desde logo o facto de ser em geral mais curta e de frequentemente incluir um refrão (quando a norma provençal é a cantiga de mestria. as irmãs ou as amigas. a voz feminina que os trovadores e jograis fazem cantar nestas composições remete para um universo definido cujo núcleo não é agora a senhor mas a jovem enamorada que canta. Compostas e geralmente cantadas por um homem (se bem que possa ter havido igualmente vozes femininas a cantá-las na forma de coro). no entanto. num modelo que não é apenas formal mas que retoma também uma “arte de amar” que define. como se disse. a apresentação da mesma ideia em versos alternados. Desta forma a velida (bela). de tristeza ou de saudade pela sua partida. as cantigas de amigo põem em cena um universo feminino alargado. numa terminologia pouco exata. Formalmente. na terminologia usada pelos trovadores à exaustão. exclusivo da península ibérica). cujas origens parecem remontar a uma vasta e arcaica tradição da canção em voz feminina. entre o poeta servidor e a sua senhor (o chamado “amor cortês”. Desta forma. a cantiga de amigo é um género autóctone (ou seja. ou seja. em novos moldes culturais e sociais. como interlocutoras da donzela. Se bem que decididamente influenciada pela canso provençal. sem refrão). as cantigas de amigo recorrem frequentemente a uma técnica arcaica de construção estrófica conhecida como paralelismo. ou seja. respetivamente não visando ou visando de forma direta o destinatário da sátira). os sentimentos amorosos que a animam: de alegria pela vinda próxima do seu amigo. a bem-talhada (de corpo bem feito) exterioriza e materializa de formas várias.– ou seja. com . ou. a mãe.

Trata-se. as cantigas satíricas tendem a ser de mestria (sem refrão). morais) aos comportamentos políticos. a nível terminológico esta distinção pode considerar-se. detetáveis nas cantigas conservadas. A intermediação musical impõe que o texto se revele e se saboreie pouco a pouco.5. ou seja. enquadram e condicionam a reação do ouvinte. tinha consequências quer na concepção do poema. A eficácia da atuação trovadoresca dependia. quer do casamento entre . “por palavras cobertas que hajam dous entendimentos”. implica que o texto poético se cantava. em áreas que vão dos comportamentos quotidianos (sexuais. de uma sátira pessoalizada. as cantigas de escárnio e maldizer. e são quase sempre de refrão. como cantigas que os trovadores fazem quando querem “dizer mal” de alguém. dirigida a uma personagem concreta. No já referido tratado sobre a Arte de Trovar que abre o Cancioneiro da Biblioteca Nacional. a sua continuação reservando uma e outra surpresa. então. A música Cantiga ou cantar. que claramente se distingue dos outros dois. Formalmente. mais teórica do que prática: com efeito. pressupondo uma emissão melódica e uma audiência. surge muitas vezes referido logo nos primeiros versos da composição. no entanto. que representam mais de um quarto do total das cantigas que chegaram até nós. de resto. O terceiro grande género cultivado pelos trovadores e jograis galego-portugueses é o satírico. pois. os trovadores utilizam muitas vezes a designação genérica “cantigas de escárnio e maldizer” para designarem este género. genericamente. nas cantigas de escárnio a crítica seria feita de modo mais subtil.pequenas variações verbais nos finais desses mesmos versos. ou seja. personagens e acontecimentos. que preparam. Tematicamente. sugerindo uma ou outra associação. na esmagadora maioria dos casos. cujo nome. estabelecendo em seguida uma diferença no que diz respeito ao modo: assim enquanto que nas cantigas de maldizer a crítica seria direta e ostensiva. embora quase um terço das conservadas incluam um refrão. e ao mesmo tempo carrega-o de sinais retóricos e tonalidades afetivas. de facto. as cantigas de escárnio e maldizer abarcam um vastíssimo leque de motivos. A forma como o texto era apresentado. 1. quer na sua recepção. Ainda que estes dois modos sejam. e que poderemos classificar simplesmente como satírico. são definidas.

na definição mínima. Cantiga de amigo – cantiga em voz feminina. num quadro campestre. Terminologia da poética trovadoresca Cantiga de amor – cantiga em voz masculina.poesia e música. socialmente diferenciada e diferenciadora.6. que é a da Arte de Trovar. em estrofes alternadas. um tema ou uma questão entre si. mas iniciado pela voz masculina. quer de uma recetividade educada. Tenção – cantiga em que intervêm dois trovadores. ou em forma de diálogo entre duas vozes femininas. Cantiga de amigo dialogada – cantiga em forma de diálogo entre a voz feminina e masculina. que se homenageia. Cantiga de refrão – cantiga com refrão. 1. A Arte de Trovar distingue duas modalidades: o “dizer mal” de forma coberta ou equívoca (escárnio) e o “dizer mal” de forma aberta e ostensiva (maldizer). Pranto – cantiga elegíaca por ocasião da morte de alguém. que é a da Arte de Trovar. Cantiga de escárnio e maldizer – cantiga de “dizer mal” ou satírica. . ou seja. geralmente dialogada. mas iniciado pela voz feminina. na definição mínima. um estribilho que se repete ao longo da composição. que descreve um encontro entre um cavaleiro-trovador e uma pastora. que discutem. Pastorela – cantiga lírico-narrativa. Cantiga de amor dialogada – cantiga em forma de diálogo entre a voz masculina e feminina.

Cantiga de mestria – cantiga sem refrão. b. se vistes meu amigo? e ai Deus. d. Finda – remate de uma cantiga. No paralelismo perfeito as estrofes são constituídas por dísticos que se repetem uma vez com variações mínimas. Dobre – utilização de uma palavra em cada estrofe duas ou mais vezes para a realçar. se verrá cedo? Ondas do mar levado. mas com variação na flexão da palavra (exemplo: amar/amei). As cantigas podem ainda ter duas ou mais findas. d’. estrofes. constituído por um. Coplas – conjuntos diferenciados de versos. Análise de uma cantiga de amigo Ondas do mar de Vigo. c. etc.7. Palavra-rima: palavra repetida em rima no mesmo verso de todas as estrofes. sendo o último verso de cada par de estrofes retomado no par de estrofes seguinte (num esquema de versos cuja versão mais simples se poderá descrever da seguinte forma: a.). a’. Palavra perduda – verso de uma estrofe que não rima com nenhum outro (mas podendo ou não rimar com os versos correspondentes das estrofes seguintes). quatro). b. b’. c. . c’. c’. (estes quatro últimos artifícios são mais comuns nas cantigas de amor) 1. b’. Mozdobre – processo semelhante ao dobre. dois ou três versos finais (em casos raros.Cantiga de refrão paralelística – cantiga cujo princípio estruturante é a repetição de versos numa sequência determinada (com refrão sempre igual).

em dísticos rimados e com refrão. A constante repetição aliterativa da letra “v” (Vigo. pela interpelação às ondas do mar do Vigo. como é apanágio de muitas das cantigas de amigo. A interpelação às “ondas do mar de Vigo” possui uma carga semântica pronunciada.se vistes meu amado? e ai Deus. Análise de uma cantiga de amor . o que facilmente se intui tanto pela súplica como pelo tom de respeito com que a interpelação é efetuada. questionando-as se o viram. se verrá cedo? Se vistes meu amado. o por que hei gram coidado? e ai Deus.. que supomos. e as “ondas do mar de Vigo”. se verrá cedo? Se vistes meu amigo. o confidente que a acolhe no seu seio. dado que são uma entidade que a donzela interpela. Neste caso deveremos considerá-las como “personagem”. estamos perante uma cantiga paralelística perfeita.8. 1. e portanto de comunhão com a natureza. vistes. levado. verrá. É um tema claramente marítimo. que esteja embarcado. vistes. O facto de ser verificável a existência inequívoca de uma voz feminina permite-nos categorizar a cantiga como sendo de amigo. vistes. O seu tema é amoroso. verrá. sendo mais concretamente a expressão das saudades que a donzela sente pelo seu “amigo”. existindo aqui uma personificação. A própria imagem – vvvvvvvvvvv – permite conceber o movimento da ondulação do mar. o por que eu sospiro? e ai Deus. se verrá cedo? Martim Codax As personagens que intervêm na cantiga são uma donzela que canta as saudades que sente do seu “amigo” e “amado”. mas também o seu refúgio. Formalmente. e também da inquietação da donzela.) forma uma imagem acústica para representar o som das ondas. dado que a presença das mesmas expressa ao mesmo tempo o tumulto interior da donzela e as suas preocupações com o amigo (o por que hei gram coidado)..

que end'há o poder. descrita ao longo da cantiga como detentora das mais altas qualidades – “non lhi fez par” (ou seja. ca tal a quiso Deus fazer. se lhi prouguer. portanto. e porque ela tod'em poder tem. nom posso viver. poderá provocar a loucura do trovador. se lhi prouguer. Dinis Neste caso. . Ela. de quantas outras no mundo som nom lhi fez par. que mi a leixe. É vincada. ca tal a fez Nostro Senhor. ca. e é um ser superior a quem o trovador presta vassalagem amorosa. “se a não vir”. Podemos concluí-lo pela presença de uma voz masculina que canta o amor que sente por uma “senhor”. e poila fez das melhores melhor. suserana do seu coração que “todo en seu poder ten”. nom me posso guardar d'ensandecer ou morrer com pesar. Esta. veer Cedo. que mi a leixe. se a nom vir. a existência de uma separação acentuada entre os dois elos desta relação. veer Cedo. a la minha fé. rog'eu a Deus que end'há o poder que mi a leixe. pero mi nunca fez bem. veer Cedo. não há outra igual a ela). rog'eu a Deus que end'há o poder. nom. estamos claramente perante uma cantiga de amor. e por quanto bem dela sei. D. “fez das melhores melhor” (é a melhor de todas) – está claramente colocada num pedestal. que. se lhi prouguer.5 10 15 20 Que soidade de mia senhor hei quando me nembra dela qual a vi e que me nembra que ben'a oí falar. rog'eu a Deus. se a nom vir. ou mesmo a sua morte (“de ensandecer ou morrer de pesar”).

em que vos loarei toda via.assim. mais ora quero fazer um cantar em que vos loarei toda via. e vedes qual sera a loaçom: dona fea.9. dona fea. nunca vos eu loei em meu trobar. 1. É uma aspiração sem correspondência. dona fea. à união para uma experiência a dois. expressa de forma altamente sentimental. este amor não tende. pero muito trobei. e vedes como vos quero loar. e pelos olhos vai surgir todo o sofrimento. velha e sandia! dona fea. mais ora ja um bom cantar farei. perante um amor fatal. em esta razom vos quero ja loar toda via. ao contrário do que acontece nas cantigas de amigo. o que mostra a sua obsessão e necessidade de ver a dama. O trovador um dia viu a dama. foste-vos queixar que vos nunca louvo em meu cantar. em princípio. em que se invertem as relações de domínio e de vassalagem. Análise de uma cantiga de escárnio e maldizer Ai. então. velha e sandia! . se Deus mi pardom. Os olhos intrometem-se no negócio do amor. e direi-vos como vos loarei: dona fea. O tema da cantiga é a saudade pela “senhor” – basta um dia sem a ver para o trovador morrer de saudades. pois avedes atam gram coraçom que vos eu loe. Estamos. velha e sandia! Dona fea.

e 5º. insultando a dama. caraterístico das cantigas de amor. gritando-lhe. como num eco que nunca se calará. e ainda a hipérbole ("mais ora quero fazer um cantar/em que vos loarei toda via").Martim Codax . e ele.Pai Soares de Taveirós .João Airas de Santiago .D.Martim de Ginzo .Airas Corpancho . como num coro trágico.Pero Gonçalves de Portocarrero .O tema da cantiga é a paródia do exaltado louvor da dama.João Zorro . Sancho I . Dinis . verso e refrão). e termina cada uma das estrofes.Estevan Coelho . direta ou indiretamente.Airas Nunez de Santiago . rima: AAABAC. como a apóstrofe ("D. Fea"). 1. um destinatário.Pero Meogo .Roi Queimado . velha e sandia!". de três termos) e um ritmo ascendente: "dona fea. cantiga de refrão.Pero de Viviaez . Estão presentes diversos recursos estilísticos. versos de cada estrofe) e estrutural (4º. Forma: paralelismo semântico (4º.Nuno Fernandez Torneol . ao saber disso. decide fazerlhe um cantar. cantiga de escárnio. Autores de destaque . mas que a ridiculariza em vez de a louvar.10.Pero Garcia Burgalês . quintilhas c/ refrão monóstico (só de um verso). que pretendiam realçar e muitas vezes exagerar as caraterísticas dos visados. O refrão tem uma gradação ternária (ou seja. Uma dama queixava-se de nunca ser louvada pelo trovador. que é típico nestas cantigas em que se visava.D. outro recurso habitual das cantigas de escárnio e maldizer.

Pero Mafaldo .Joan Garcia de Guilhade ..Pero da Ponte .