Direito Empresarial

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Direito Empresarial / Obra organizada pelo Instituto
IOB - São Paulo: Editora IOB, 2013.
ISBN 978-85-63625-95-3

Sumário

Capítulo 1 – Teorias do Direito Empresarial, 9
1. Teoria do Direito Empresarial, 9
2. Teoria dos Atos de Comércio, 10
3. Teoria Subjetiva Moderna, Empresário, Elementos e
Profissionalismo, 11
4. Atividade Econômica, Organização, Produção e Circulação de
Bens e Serviços, 12
5. Excluídos da Condição de Empresário, 12
6. Capacidade para Ser Empresário, Capacidade para Ser Sócio e
Dignidade de Pessoa Jurídica, 14
7. Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, 15
Capítulo 2 – Sociedade, 17
1. Art. 981 do Código Civil – Conceito de Sociedade, 17
2. Capital Social, Subscrito, Realizado e Integralizado, 18
3. Obrigatoriedade de Todos os Sócios Contribuírem para a
Sociedade, 19
4. Classificação das Sociedades, 20

Conceito e Referência Legal. Representação Física. Ações com ou sem Valor Nominal. Representação Física das Ações e Espécies. Vantagens Atribuíveis às Ações Preferenciais. Conclave Social: Assembleia ou Reunião de Sócios. Aquisição pela Própria Sociedade e Valor. Conceitos de Sociedade Anônima e Derrogações da Lei nº 6. 41 5. 33 4. 23 8. Hipóteses de Aumento do Capital Social. Divisibilidade e Penhora. Hipóteses de Redução do Capital Social. Cessão. Hipóteses de Terceiros Responderem por Obrigação da Sociedade: Tipo Societário e Responsabilização. 29 4. Debêntures. 38 2. 22 7. 34 5. Capital Social: Princípios. 50 15. Espécies de Nomes Empresariais e Título do Estabelecimento. Sociedade Limitada. Sociedade Limitada. 39 3. Conselho Fiscal e Administradores. 44 8. Acionista Controlador. Órgãos Sociais: Administradores. 40 4. Exclusão de Sócio Minoritário. Sociedade Limitada: Híbrida. 36 Capítulo 5 – Sociedade Anônima. 32 3. 47 12. Cotas. Nome Empresarial. Golden Share/Outros Valores Mobiliários: Partes Beneficiárias. Hipóteses de Terceiro Responder por Obrigação da Sociedade: Responsabilização e Desconsideração da Responsabilidade Jurídica. Debêntures: Garantias. Órgãos Sociais – Administradores. 45 9. 26 1. 47 11. Nome Empresarial – Marca de Alto Renome. 21 6. 46 10.5. Órgãos Sociais: Assembleia Geral de Acionistas/Conselho Fiscal. 48 13. Exceções às Regras Gerais do Nome Empresarial. Sociedade Limitada: Cotas e Ações. Bônus de Subscrição. Princípio da Veracidade: Sociedades Ilimitadas. 42 6. Cotas. 31 1. Companhia Aberta versus Fechada. 24 Capítulo 3 – Nome Empresarial. Objeto Social.404/1976. 26 2. 35 6. 38 1. 31 2. 27 3. 30 Capítulo 4 – Órgãos Sociais da Sociedade Limitada. 49 14. 43 7. 51 .

Endosso: Tipos e Cláusulas. Princípios (Literalidade). 57 1. Duplicata (Triplicata/Duplicata Simulada/Boleto Bancário/ Requisitos).Capítulo 6 – Concentração e Descentralização Empresarial. 73 3. 81 6. 61 6. Finalidade do Protesto/ Formalidades do Título/Meio Eletrônico. 54 Capítulo 7 – Teoria dos Títulos de Crédito. 74 4. Princípios (Subprincípios). 70 Capítulo 9 – Ações Cambiais. Títulos de Crédito: Natureza Jurídica e Oponibilidade. 82 7. Princípios (Cartularidade e Autonomia). Conceito de Título de Crédito. 79 4. 72 1. 53 2. Aceite (Recusa/Cláusula sem Aceite). 62 Capítulo 8 – Obrigações Cambiais. Ação Cambial. Ações Cambiais – Vencimento. Nota Promissória (Conceito/Figuras Intervenientes). 63 1. Títulos de Crédito em Espécie – Letra de Câmbio. Obrigações Cambiárias – Aceite (Conceito/Puro e Simples). Endosso: Póstumo ou Tardio. 72 2. Endosso: Conceito e Espécies. 83 Capítulo 11 – Protesto. Duplicata (Título Causal/Fatura/Pagamentos Parcelados/ Triplicata/Duplicata Simulada). Transformação. 57 2. 65 4. Cheque (Prazo de Apresentação/Sustação/Cheque Cruzado/ Cheque para Creditar). 85 2. Cheque (Marcado/Visado/Administrativo). 60 5. Prescrição. 77 1. Código Civil (Títulos de Crédito). 80 5. Ação de Locupletamento. 66 5. 64 3. 78 3. Aval: Conceito e Aval X Fiança. Incorporação e Fusão. Aval: Súmula nº 189 do STF. 85 1. 58 3. 77 2. 59 4. 53 1. 75 Capítulo 10 – Títulos de Crédito em Espécie. Protesto – Conceito/Lugar e Prazo. 69 7. Duplicata (Aceite). 63 2. 87 . 67 6.

103 14. 110 1. Compensação. 94 5. 97 8. Legitimidade Passiva. Bens. Espécies (Judicial Especial). Linha de Processo Falimentar: Extinção das Obrigações. Recuperação Judicial: Linha de Processo (Fase de Cumprimento). 125 1. 106 17. Falência: Sistemas de Defesa e Recursal. Nome Empresarial. 88 Capítulo 12 – Falência. 99 10. Linha de Processo Falimentar.3. 125 . 123 Capítulo 14 – Registro Empresarial. Período Suspeito/Ação Revocatória de Falência. Ação de Restituição. Recuperação Judicial: Linha de Processo (Fase Deliberativa/ Com Objeção). Correção Monetária e Juros. Falência: Exclusão da Sucessão e Atuação do MP. 101 12. Falência – Referência Legal – Lei nº 11. 98 9. Espécies (Extrajudicial). 95 6. 111 3. 110 2. Ordem dos Créditos: Extraconcursais. 105 16. Registro Empresarial. Falência: Pressuposto Fático-Jurídico. Recuperação Judicial: Linha de Processo (Fase Deliberativa). Direitos e Contratos. 91 2. 112 4. Falência: Legitimidade e Objetivo. 120 9. Competência. 108 Capítulo 13 – Recuperação de Empresas. Falência: Efeitos sobre Pessoa. 100 11. 93 4. Falência: Finalidade. Recuperação Judicial: Créditos Excluídos. Falência: Realização do Ativo. 119 8. Recuperação Judicial: Instrução/Desistência e Despacho de Procedimento. 107 18. Falência. Ordem dos Créditos: Concursais. 91 1. Prescrição. 115 5. Falência: Meios de Exteriorização e Depósito Elisivo. 117 7. Introdução Finalidade da Recuperação de Empresas. 102 13.101/2005. Requisitos e Impedimentos. 96 7. 104 15. Protesto de Título de Devedor em Recuperação de Empresas/ Figuração na Certidão de Protesto/Desistência/Sustação e Dúvida/Cancelamento. Modalidades de Planos. Recuperação Extrajudicial: Procedimento Judicial – Homologação. 92 3. Vencimento Antecipado. 122 10. 116 6.

Intervenção: Pressuposto e Procedimento. Indenização e Rescisão. Seguros. Representação Comercial: Exclusividade.2. Representação Comercial: Remuneração. Desconto Bancário. Extensão Monetária. 128 1. 132 6. Intervenção: Efeitos e Cessação/Liquidação Extrajudicial: Procedimento. Abertura de Crédito. 134 9. Garantias e Protesto. 139 14. Natureza Jurídica e Tipos de Atividades. Contratos Bancários: Conta-Corrente. Conceito e Figuras Intervenientes de Cédula de Crédito Bancário (CCB). 144 4. 140 Capítulo 16 – Intervenção e Liquidação Extrajudicial. 131 5. 130 4. Secretaria-Geral. 126 3. Súmula nº 293 do STJ e Extinção. 135 10. Liquidação Extrajudicial: Procedimento – Recurso. 141 2. 148 2. Espécies: Estrutura das Juntas Comerciais. 128 2. Prazos. Abertura de Crédito: Cobrança Judicial do Cheque Especial. Factoring. Representação Comercial: Conceito. Arrendamento Mercantil: Categorias. 137 12. Seguros: de Dano. Efeitos e Cessação/Responsabilidade dos Ex-administradores. 145 Capítulo 17 – Cédula de Crédito Bancário. 152 . 148 1. Locação Não Residencial. Estruturas das Juntas Comerciais: Turmas. Arrendamento Mercantil: Noções e Modalidades. 136 11. 150 Gabarito. 129 3. Contratos Bancários: Súmulas. 133 7. 138 13. 133 8. 127 Capítulo 15 – Contratos Empresariais. Intervenção e Liquidação Extrajudicial em Instituições Financeiras. Classificação de Título de Crédito. de Pessoas e de Responsabilidade Civil. Circulação. 141 1. Introdução. 142 3.

.

1. A teoria subjetiva é a primeira que introduz o Direito Empresarial como um ramo jurídico.1 Apresentação Nesta unidade. sendo trazidos os aspectos mais relevantes acerca do tema. . a objetiva e a subjetiva moderna. O Direito Empresarial é um dos ramos mais antigos. Teoria do Direito Empresarial 1.2 Síntese Ao longo da história do Direito Empresarial. estudaremos as teorias referentes ao Direito Empresarial.Capítulo 1 Teorias do Direito Empresarial 1. este ramo só foi orientado por três teorias: a subjetiva. já que a profissão mais antiga é a de empresário.

igualdade e fraternidade. o Direito Empresarial nasce com a positivação.1 Apresentação Nesta unidade. Desta forma. na última teoria (a subjetiva moderna) passa a ser chamado de empresário. Se Napoleão Bonaparte mantivesse o Direito Empresarial conforme originalmente pensado. tecelão. tornar lei os regulamentos das corporações de ofício. Exercício 1. após a Revolução. Direito Empresarial O Direito Empresarial foi posto em xeque. Napoleão articulou a teoria objetiva. No período da teoria subjetiva. ou seja. A teoria subjetiva somente foi superada pela teoria objetiva. o Direito Empresarial se pautava por duas características: por ser um ramo que assegura o oligopólio no exercício da profissão. Contudo. já que era um ramo que assegurava privilégios a determinadas classes. o Estado francês ruiria. Teoria dos Atos de Comércio 2. . Na época da teoria subjetiva. 2. que pautou-se em liberdade. estudaremos as teorias referentes ao Direito Empresarial. sendo abordada agora a teoria dos atos de comércio.10 Na teoria objetiva o burguês já passa a ser chamado de comerciante e. dentre outros. ou teoria dos atos de comércio.2 Síntese A teoria objetiva surgiu como consequência da Revolução Francesa. seria o próximo a ser guilhotinado. se não protegesse a burguesia. (AGU) Quais são as características fundamentais do Direito Empresarial no período de prevalência da teoria subjetiva? 2. Exemplo: sapateiro. na qual a lei enumera uma série de atos relevantes para o Estado. como um ramo que assegurava privilégios à classe burguesa. e surgiu justamente para acabar com o privilégio de classes. e ser um ramo que assegurava privilégios à classe burguesa. banqueiro.

que exerce com habitualidade. uma atividade. pois o empresário é um profissional. O art.” O primeiro elemento característico do empresário é o profissionalismo. também conhecida como teoria da empresa.11 Pela teoria dos atos de comércio. A teoria objetiva orientou o Código Comercial brasileiro e esteve em vigor no Brasil até o advento do Código Civil de 2002.1 Apresentação Nesta unidade. Quais são os marcos históricos das três teorias (subjetiva. Elementos e Profissionalismo 3. extraindo desta as condições necessárias para se estabelecer e se desenvolver. Direito Empresarial 3.2 Síntese . O conceito de profissional para o Direito Empresarial é a pessoa natural ou jurídica. Com o advento do Código Civil de 2002 restou superada a teoria objetiva. o Direito Empresarial deixa de ser um ramo protetivo de uma classe. trata-se de condições financeiras. Quando se fala em obter as condições necessárias para se estabelecer e se desenvolver. em que o Direito Empresarial volta a se assumir como um ramo protetivo de uma classe (a classe empresarial). estudaremos as teorias referentes ao Direito Empresarial. Exercício 2. sendo abordada agora a teoria subjetiva moderna. A conquista trazida pela teoria objetiva foi o fim do oligopólio que caracterizava a teoria subjetiva. em nome próprio. objetiva e subjetiva moderna) que orientaram o Direito Empresarial? 3. Teoria Subjetiva Moderna. passando a ser um ramo protetivo de uma série de atos relevantes para o Estado. Empresário. entrando em cena a teoria subjetiva moderna. 966 do Código Civil dispõe: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

1 Apresentação Nesta unidade. por estar dentro dos excluídos previstos no parágrafo único do art. o essencial é a intenção. a vontade de que haja lucro. ou seja. O terceiro elemento é a organização. organização. não sendo considerado empresário. Excluídos da Condição de Empresário 5. que seriam: capital.1 Apresentação Nesta unidade. 966 do Código Civil. Direito Empresarial 5. Pode acontecer de um indivíduo ser um profissional que exerça atividade econômica organizada. O lucro não é essencial à atividade empresarial. estudaremos as teorias referentes ao Direito Empresarial. trabalho e atividade. a intenção do lucro. produção e circulação de bens e serviços.2 Síntese O primeiro elemento que compõe o conceito de empresário é o profissionalismo. sendo abordada agora a atividade econômica. os quais estão previstos no Código Civil. Fábio Ulhoa Coelho entende que organização consiste na exploração da mais valia. A doutrina entende que o empresário organiza os fatores da produção. Organização. de produção ou circulação de bens ou serviços. . O segundo elemento é a atividade econômica. Produção e Circulação de Bens e Serviços 4. estudaremos quem são os profissionais excluídos da atividade empresarial. 4. Esta produção ou circulação deve visar ao mercado. O empregado é formado pelos quatro elementos estudados. Atividade Econômica.12 4. O quarto elemento é a produção ou circulação de bens ou serviços.

salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.” A primeira pessoa a propor a unificação do direito privado foi o brasileiro Teixeira de Freitas. os intelectuais estão excluídos. O Estado brasileiro não pode tratar o empresário civil da mesma maneira como trata um banco. 966 dispõe: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. existe a possibilidade de uma pessoa que tenha as características de empresário não sê-lo. Também não se pode confundir empresário com empresa e com estabelecimento. nos termos do parágrafo único do art. variando o objeto. literária ou artística. Quando houver concomitantemente as duas modalidades de atividade. O empresário é o sujeito. existe a exceção da exceção. será considerado não empresário.142 do Código Civil).” O parágrafo único do art. ao fazê-lo. ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores. Se estiver na denominada área meio. e o estabelecimento é o somatório dos elementos necessários para o desempenho da atividade (art. a diferença entre a ética de um empresário e a ética de um civil.13 5. Já Alfredo Rocco propôs a manutenção da dicotomia do direito privado em Direito Civil e Direito Comercial. . a sociedade será empresária. 966 estabelece: “Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual. Contudo. que seria a atividade que o empresário desenvolve para alcançar seu objetivo. 966 do Código Civil. por exemplo. excluiu quase todos os argumentos apresentados por Rocco. ou seja. Alguns anos depois.2 Síntese Conforme visto na aula anterior. o italiano Cesare Vivante também propôs o mesmo. O objetivo de uma sociedade é sempre o lucro. O caput do art. que exige um tratamento jurídico especial. esta sociedade será considerada empresária. salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. a empresa é a atividade do empresário. É necessário observar que os intelectuais não absorveram a ética empresarial e. de natureza científica. Direito Empresarial Não se pode confundir objetivo social com objeto social. 1. Vivante argumentou no sentido contrário e. por isso. com exceção do seguinte argumento: não poderia haver unificação do direito privado devido à diferença no estado de espírito. Toda vez que o trabalho intelectual estiver na área fim. estão excluídos. Assim.

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6. Capacidade para Ser Empresário,
Capacidade para Ser Sócio e Dignidade
de Pessoa Jurídica
6.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos a capacidade para ser empresário e para ser
sócio.

6.2 Síntese
Quando se trabalha a capacidade dentro do Direito Empresarial é preciso
entender a capacidade para ser empresário e a capacidade para ser sócio de
sociedade empresária.
Neste caso, pessoa não é o mesmo que ser humano, podendo a pessoa ser
física ou jurídica.
A palavra sociedade possui dois sentidos técnicos, pois existe a sociedade
enquanto instrumento de constituição (exemplo: contrato social) e sociedade
como efeito do registro do contrato.
A capacidade para ser empresário ou sócio de sociedade empresária começa aos 18 anos.

Direito Empresarial

O art. 5º do Código Civil dispõe: “A menoridade cessa aos 18 anos
completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da
vida civil.”
Seu parágrafo único estabelece: “Cessará, para os menores, a incapacidade:
I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença
do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver 16 anos completos; II – pelo casamento; III – pelo exercício de emprego público efetivo; IV – pela colação de grau
em curso de ensino superior; V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou
pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor
com 16 anos completos tenha economia própria.”
O art. 974 traz a situação da pessoa que ganha, que herda, ou seja, traz uma
situação diferente em relação à capacidade. Se a pessoa herdou, caberá ao juiz
decidir se dá ou não autorização ao relativamente incapaz, para que este continue a empresa antes exercida pelo autor da herança.

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Exercício
3.

Um menino, com 16 anos completos, demonstrou um grande tirocínio para o comércio. Desde cedo começou a negociar bicicletas,
peças e conserto de bicicletas com seus amigos. Montou, na garagem de sua casa, um estabelecimento para bicicletas, com sua
própria economia, sua própria capacidade financeira. Um dado
Município abriu um processo licitatório para comprar bicicletas e
o menino se habilitou no processo e venceu a licitação. O segundo
colocado impugnou a homologação, sob argumento de que aquela
pessoa seria relativamente incapaz e não fora assistida pelos pais no
ato licitatório, devendo ser desclassificada.

7. Empresa Individual de Responsabilidade
Limitada
7.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos a empresa individual de responsabilidade
limitada.

7.2 Síntese
A empresa individual de responsabilidade limitada não é uma sociedade,
pois para que haja sociedade é preciso pluralidade de membros. Esta é uma
nova pessoa jurídica.

Essa nova pessoa jurídica pode se constituir por meio de duas situações.
Primeiro, uma sociedade que foi reduzida por qualquer razão a um único sócio. A segunda situação é a maneira ordinária, ou seja, uma pessoa que virá a
constituir a empresa individual.
O art. 980-A do Código Civil trata dessa nova pessoa jurídica. O objeto da
empresa individual pode ser uma atividade simples, como a constituição de
uma escola, ou mesmo uma empresa que explore direitos autorais, conforme
disposto no § 5º do referido artigo.

Direito Empresarial

A pessoa que vier a instituir uma empresa individual de responsabilidade
limitada não pode ser chamada de sócio, mas sim de instituidor.

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Direito Empresarial

Se o objeto explorado for uma atividade simples, o registro será feito no
Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas daquela comarca. Se a empresa explorar atividade empresarial, será registrada na Junta Comercial competente.
A empresa individual de responsabilidade limitada poderá adotar por nome
uma firma ou uma denominação, sempre acrescida da expressão Eireli.
O caput do art. 980-A dispõe: “A empresa individual de responsabilidade
limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital
social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o
maior salário-mínimo vigente no País.” Nota-se que não foi feita distinção entre
pessoa natural e pessoa jurídica.
Ainda, o § 2º prescreve: “A pessoa natural que constituir empresa individual
de responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única empresa
dessa modalidade.”
A lei previu também uma regra de aplicação subsidiária, sendo aplicáveis as
regras da Sociedade Limitada.

981 do Código Civil: “Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir. dos resultados. Art.Capítulo 2 Sociedade 1. para o exercício de atividade econômica e a partilha.1 Apresentação Nesta unidade.2 Síntese O conceito de sociedade está previsto no art. estudaremos a sociedade. 981 do Código Civil – Conceito de Sociedade 1. 1. começando pela análise de seu conceito. entre si.” . com bens ou serviços.

2 Síntese Capital social é o somatório das parcelas afetadas no patrimônio dos sócios. Capital Social. há normas cogentes.1 Apresentação Nesta unidade. mutuamente. é a sociedade cujo capital se divide em ações e a responsabilidade do sócio é limitada ao valor das ações subscritas e/ou adquiridas. Subscrito. sendo analisado agora o capital social. uma vez que todos os sócios respondem solidariamente pelo que faltar para integralizar o capital social. . A Sociedade Anônima. é fixo. o que distingue uma sociedade de outra é a fração em que se divide o capital e a responsabilidade dos sócios.088 do Código Civil. nos termos do art. a fim de ser garantia dos créditos e ser numerário. 2.052 do Código Civil. cujos resultados serão partilhados. sendo a sociedade cujo capital se divide em quotas e a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor do capital social. o valor necessário para desenvolvimento da atividade. não pode ser alterado nem para mais e nem para menos. realizado e integralizado. A Sociedade Limitada pode ser conceituada nos termos do art. em que duas ou mais pessoas. se obrigam a contribuir em esforços ou recursos. não havendo relações jurídicas entre os sócios. Direito Empresarial 2. A sociedade se diz contratual conforme nela haja relações jurídicas entre dois sócios ou entre sócio e sociedade. é invariável. Desta forma. estudaremos a sociedade. 1. É preciso observar que o capital social é o valor investido pelos sócios na sociedade. não podendo ser concebido um tipo societário. A sociedade se diz estatutária conforme nela haja relações jurídicas exclusivamente entre sócio e sociedade. vertidas à sociedade. 1.18 O conceito doutrinário traz a sociedade da seguinte forma: Sociedade é o contrato ou convenção (sinônimo para Estatuto). Realizado e Integralizado 2. subscrito. O capital social. Mesmo no direito privado. visando atingir fins comuns. salvo exceções.

Ressalte-se que nem todas as sociedades autorizam esse fato. é obrigatória a contribuição de todos os sócios. Para que se tenha uma sociedade. Obrigatoriedade de Todos os Sócios Contribuírem para a Sociedade 3.19 A subscrição do capital é a promessa jurídica de aquisição e pagamento. havendo diversas sociedades que expressamente proíbem. a sociedade. Na realização efetua-se o objeto prometido. O que é capital subscrito. A diferença se dá acerca do volume de pagamento. principalmente as empresárias. A subscrição é um ato de declaração judicial de aquisição das quotas. O capital integralizado é o capital integralmente pago. integralizado e social? 3. ainda. com a promessa de pagamento. sendo analisada agora a obrigatoriedade de todos os sócios contribuírem para a sociedade. quando a sociedade não der lucro e Direito Empresarial 3. a busca de um empreendimento comum. Finalmente. é preciso que haja a partilha dos resultados. Ainda. dependendo do registro. que podem ser de três espécies: resultado nulo. ou seja. por isso a lei autoriza que se tenha sócio de indústria nesse tipo de sociedade. em relação ao capital realizado. É preciso observar que o ruralista pode optar por ser empresário. O capital realizado é capital pago. a principal função da sociedade simples é o trabalho intelectual e. Exercício 4. podendo fazê-lo com esforços ou recursos. Sócio de indústria é aquele que realiza sua participação no capital. mediante trabalho. ou seja. realizado.1 Apresentação Nesta unidade. a busca de fins comuns. efetivamente é feito o pagamento. Caracteriza. das ações.2 Síntese . É relativamente comum que nas sociedades simples haja o sócio de indústria. estudaremos a sociedade.

Direito Empresarial 4. Em todas as sociedades os sócios participam dos resultados. havendo outro sócio ou grupo de sócios a quem se imputam os resultados negativos. como também matou os sócios e os comeu. e resultado negativo.2 Síntese A primeira classificação se dá quanto à responsabilidade dos sócios. Ocorre que. sociedades ilimitadas e sociedades mistas. são aquelas em que os sócios respondem de maneira subsidiária. no direito brasileiro? 4. sendo analisada agora a classificação das sociedades.024 do Código Civil.20 nem prejuízo. resultado positivo. havendo as sociedades limitadas. conforme dispõe o art. Classificação das Sociedades 4. alguns sócios respondem sem limitação e outros sócios respondem com limitação. estudaremos a sociedade. 1. Exercício 5. As sociedades ilimitadas. ainda que sejam negativos. quando a sociedade der lucro. Qual é o nome dessa sociedade. Sociedades limitadas (gênero) são as sociedades em que todos os sócios têm uma prefixação de participação nos prejuízos. solidária e ilimitadamente. que se apropria de todo o resultado positivo. respondem limitadamente a um quantum prefixado. . não apenas comeu toda a caça sozinho. Exemplos: sociedade em nome coletivo. otimizando as características de cada um. Exemplo: sociedades em comandita. o leão. O leão convocou os animais da floresta para constituírem uma sociedade. Sociedade leonina é aquela em que há um sócio ou um grupo de sócios. As sociedades limitadas são de duas espécies: sociedade limitada e sociedade anônima.1 Apresentação Nesta unidade. quando viu o produto caçado. porém. sociedade de fato e sociedade em comum. Quando se trata de sociedade mista. ou seja.

As sociedades limitadas estão reguladas entre os arts. mas o STF resolveu tal querela. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. para que se saiba se se trata de sociedade de pessoas ou de capital. Sociedade Limitada: Híbrida.” A sociedade limitada é uma sociedade contratual. pois essa sociedade pode ser de pessoas ou de capital. Em um caso concreto. é preciso que as cláusulas contratuais que regem cessão de quotas sejam examinadas. estudaremos a sociedade. que é a sociedade limitada. Exemplo: sociedades anônimas.052 e 1. ainda. Tal discussão existe até os dias atuais. eis porque seu instrumento de constituição é o contrato social. em que os sócios se agremiam por uma questão financeira. Trata-se do tipo societário mais comum que existe.2 Síntese . Já as sociedades de pessoas são aquelas em que os sócios se agremiam por uma questão subjetiva. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. É possível uma sociedade anônima de pessoas? 5.052 do Código Civil dispõe: “Na sociedade limitada. É possível perceber que o caráter híbrido é a coluna vertebral da sociedade limitada. Por muito tempo. Existe. as sociedades podem se dar de três formas. A sociedade limitada é uma sociedade híbrida. Direito Empresarial 5. O art. a doutrina e a jurisprudência discutiram se a sociedade limitada seria uma sociedade de capital ou uma sociedade de pessoas. 1.087 do Código Civil. 1. sendo analisada aqui a sociedade limitada. chegando à conclusão de que a sociedade limitada é híbrida. Exercício 6.21 Quanto à estrutura econômica. a sociedade híbrida. A primeira é denominada sociedade de capital.1 Apresentação Nesta unidade. Conceito e Referência Legal 5.

1.1 Apresentação Nesta unidade. estudaremos a sociedade.053 determina: “A sociedade limitada rege-se. que é a distribuição dos lucros. na proporção dos lucros que estes fariam jus em receber. também conhecidas como filhotes. a cota e ação representam a participação nos fundos sociais. 6. nas omissões deste Capítulo. entre os sócios. Sociedade Limitada: Cotas e Ações 6. O segundo é que representam status socii ou posição. que será atribuída aos sócios. em dinheiro. O fato de o contrato social proibir que os herdeiros entrem para a sociedade seria inconstitucional por violar o direito à herança? 6. O primeiro é que são formas de divisão do capital social. Exercício 7. conforme já visto anteriormente. devendo ser analisado o art. no que couber. 997 e aplicá-lo à sociedade limitada. e quotas ou ações de bonificação. Como terceiro elemento. Ressalte-se que não são aplicáveis os incisos V e VIII. que nada mais é do que o poder político em uma sociedade. que é a quota ou ação resultante da capitalização dos lucros.2 Síntese Tanto a palavra cota quanto a palavra ação são compostas por três elementos jurídicos. resultados positivos e resultados negativos. . Direito Empresarial Em relação à participação nos resultados.” Nota-se que o Código Civil não trata do contrato social da sociedade limitada.22 O art. Só há duas maneiras lícitas de distribuição de lucros: por dividendos. sendo ainda analisada aqui a sociedade limitada. esta pode ocorrer de três formas: resultados nulos. pelas normas da sociedade simples. é a fração em que o capital social é dividido.

é possível fazer uma bonificação de 100% dos lucros? 7. expressamente era autorizado e o novo Codex foi omisso. estudaremos a sociedade. cabendo uma ou diversas a cada sócio. quanto a isso. além da própria sociedade. Com exceção de um autor. Tais lucros serão pagos à própria sociedade. a doutrina entende que essas quotas não terão direito de voto. dispõe o art. pois se a lei não veda. As quotas devem ter. no mínimo. dois outros sócios.2 Síntese .A. todos os outros entendem que tal fato pode ocorrer. é preciso que alguns requisitos sejam atendidos. sendo ainda analisada aqui a sociedade limitada e a aquisição de cotas. A primeira é a quem caberá o exercício do direito de voto pelas quotas que a sociedade tenha em seu próprio capital social e.” Exercício 9. 1. todas elas. A sociedade limitada pode adquirir cotas representativas de seu próprio capital. Antes do Código Civil de 2002. Cotas. O terceiro requisito é que o capital social esteja integralizado.23 Exercício 8. o mesmo valor? Direito Empresarial 7.1 Apresentação Nesta unidade. Aquisição pela Própria Sociedade e Valor 7. Sociedade Limitada. há duas questões que devem ser cuidadas. O primeiro requisito é a necessária presença de.055 do Código Civil: “O capital social divide-se em quotas. Outra questão é a quem devem ser pagos os lucros que acaso couberem as quotas que a sociedade tenha em tesouraria. Quanto ao valor da quota. O segundo requisito é que a sociedade tenha fundos disponíveis para pagar pelas quotas que irá adquirir de seu próprio capital social. Para que uma sociedade limitada adquira quotas de seu capital. é permitido. de acordo com Tavares Borba. Na S. iguais ou desiguais. Quanto às consequências da aquisição das quotas pela própria sociedade.

O entendimento atual dos Tribunais é o de que seja a sociedade limitada de pessoas ou de capital. porém. um sócio pode ceder uma fração de sua quota a outro sócio. estudaremos a sociedade. Sociedade Limitada. feita a penhora. 1. Direito Empresarial Quando se falar em penhora de quotas. Cotas. 655. Tratando-se de sociedade limitada de capital. Na omissão do contrato social. 1. mas sim segundo o seu valor. cabendo uma ou diversas para cada sócio. Cessão. é preciso observar se se está diante de sociedade limitada de pessoas ou de capital. sendo analisada aqui a sociedade limitada. nos termos do art. O art.055 do Código Civil. Isso porque.057 trata da cessão de quotas. 1. É preciso observar que a novidade veio prescrita no art. quanto à divisibilidade e penhora. no silêncio do contrato social. as quotas são penhoráveis e. determina-se que seja feita a venda das quotas. caberá em seguida examinar se se trata de sociedade limitada de pessoas ou de capital.010 dispõe que os votos não serão computados segundo o número de quotas. O art. prescrevendo que a questão atinente à cessão de quotas será resolvida pelo contrato social. VI do Código de Processo Civil.2 Síntese Conforme prescreve o art.010 do Código Civil. 8. 1. tratando-se de sociedade limitada de pessoas. Os sócios que tenham mais de 25% do capital social poderão impugnar essa cessão. Faz-se necessário observar que a lei permite o fracionamento da quota. o sócio pode ceder a sua quota a quem não seja sócio. mas não exige que em caso de fracionamento seja transferida a mesma proporção do valor da quota. o que já era autorizado pela antiga legislação. No silêncio do contrato social. se a sociedade limitada for de capital. inc. o sócio pode ceder a sua quota total ou parcialmente a quem seja sócio. o .1 Apresentação Nesta unidade. Ainda. Divisibilidade e Penhora 8. as quotas podem ter valores iguais ou desiguais. independentemente de audiência dos demais sócios. as quotas são livremente penhoradas.24 8.

026: “O credor particular de sócio pode. . na insuficiência de outros bens do devedor. Dispõe o art. 1.026 do Código Civil. tratando-se de sociedade limitada de pessoas. após o trânsito em julgado. fazer recair a execução sobre o que a este couber nos lucros da sociedade.25 juiz não pode determinar a venda das quotas. Desta forma.” Exercício É lícita a penhora de quotas? Direito Empresarial 10. ou na parte que lhe tocar em liquidação. aplica-se o art. 1.

34 da Lei nº 8.934/1994 (Lei do Registro Empresarial) prescreve que o nome empresarial se pauta por dois princípios: o princípio da novidade e o princípio da veracidade.1 Apresentação Nesta unidade.Capítulo 3 Nome Empresarial 1. . Nome Empresarial 1. pessoa natural ou jurídica. 1. sendo estudados os pontos mais importantes acerca deste tema. abordaremos o nome empresarial. se apresenta no mercado. O art. a fim de contrair obrigações e exercer direitos.2 Síntese Nome empresarial é a expressão pela qual o empresário.

pois o nome designará o sujeito. ou as respectivas averbações. não se pode registrar um nome que já exista. se registrado na forma da lei especial. sendo estudada agora a marca de alto renome. A sociedade pernambucana entrou com uma ação cominatória. de maneira a não trazer confusão ao consumidor. em Pernambuco.” Não se deve confundir o nome com a marca. Exercício 11. mas sim de identificar produtos e serviços. constituiu-se outra sociedade usando-se da mesma expressão. e a marca é um sinal visual distintivo de produto ou serviço. O art.27 O princípio da novidade estabelece que. o empresário. no registro próprio. o STJ subdivide o princípio da novidade em dois subprincípios: o da anterioridade e o da especificidade. é necessário inovar. agora não como nome. Isso está correto? 2. Um dado empresário constituiu-se em Minas Gerais.1 Apresentação Nesta unidade. ao argumento de que sua marca se tornara conhecida em todo o país.166 do Código Civil dispõe: “A inscrição do empresário. um nome e uma marca. Direito Empresarial 2. ou seja. formando uma sociedade e dando-lhe o nome de X (indústria de macarrão). Nome Empresarial – Marca de Alto Renome . 1. abordaremos o nome empresarial. duas marcas. mas como marca. ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas. Anos depois. obrigando a sociedade de Minas Gerais a alterar seu nome. O subprincípio da anterioridade informa que quem registrou primeiro é o dono e o subprincípio da especificidade estabelece que não haja colidências quando os ramos de atividades forem distintos. não se encarregando de identificar pessoas. ao se registrar um nome. asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. Em caso de colidência entre dois nomes.” Seu parágrafo único estabelece: “O uso previsto neste artigo estender-se-á a todo o território nacional.

O art. da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial.A. bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão “e companhia” ou sua abreviatura.” Exercício 12. do Código Civil traz a sanção: “A omissão da palavra “limitada” determina a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que assim empregarem a firma ou a denominação da sociedade. independentemente de estar previamente depositada ou registrada no Brasil.28 2. na qual somente os nomes daqueles poderão figurar. 126 estabelece: “A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos termos do art.404/1976 (Lei de S.).” Nota-se. pois o Código de Propriedade Industrial (Lei nº 9. por exemplo. 6º bis (I). uma exceção do princípio da anterioridade. O art.” O art. 3º da Lei nº 6. em todos os ramos de atividade. O princípio da veracidade estabelece que a partir do nome empresarial se extraia a modalidade de responsabilidade dos sócios.158. Sendo omitida a expressão “limitada” em um contrato. abstendo-se de colocar “limitada” ao final do nome empresarial? . 1. 1. por isso. somente possui proteção em seu ramo de atividade.2 Síntese Os subprincípios da anterioridade e da especificidade não são absolutos. no qual ele emprega o nome da sociedade. pois o segundo dispositivo vedava o emprego de “companhia” ao final do nome empresarial e tal vedação não mais existe.160 do Código Civil derrogou o art. Direito Empresarial O art. Qual a consequência de um contrato assinado por um administrador.157 do Código Civil dispõe: “A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma. na sociedade limitada.279/1996) traz em seus arts. 125 e 126 a chamada marca de alto renome e a marca notoriamente conhecida. o art. § 3º.” Nota-se que a marca de alto renome é uma exceção ao subprincípio da especificidade. É preciso entender que a marca notoriamente conhecida não está registrada no Brasil e. 1. goza de proteção especial. aqui. 125 dispõe: “À marca registrada no Brasil considerada de alto renome será assegurada proteção especial. Exemplo: expressão Ltda.

157 do CC). alguns ou todos os sócios que respondam sem limitação. nos termos do art. a Constituição Federal assegura proteção ao nome e ao título.155 do Código Civil prescreve que há duas espécies de nomes empresariais: a firma. 1.A. por exemplo. alguns ou todos os sócios que respondam sem limitação (art.” O art.1 Apresentação Nesta unidade. a S. pois se tratando de sociedade em que haja sócios de responsabilidade ilimitada. sendo estudado agora o princípio da veracidade. e a denominação. já que somente pode ser aplicada às sociedades. A doutrina e a jurisprudência estenderam ao título todas as prerrogativas e garantias asseguradas ao nome empresarial. que é sempre social. como seus fundadores. contudo. só pode fazer uso de denominação. Todavia. por exemplo. conforme disposto no parágrafo único do art. 1. O art. bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão ‘e companhia’ ou sua abreviatura. Espécies de Nomes Empresariais e Título do Estabelecimento 3.A. A segunda informação envolve as sociedades ilimitadas.29 3. Princípio da Veracidade: Sociedades Ilimitadas. 1. 1.2 Síntese . A firma é o nome empresarial que identifica um. o princípio da veracidade informa. a modalidade de responsabilidade dos sócios. o nome empresarial identificará um. pois não identifica membros componentes do quadro societário. poderá utilizar como nome alguns nomes de pessoas que foram relevantes na vida da companhia.160 do Código Civil. conforme o nome empresarial. como Rede Globo de Televisão.160 do Código Civil. na qual somente os nomes daqueles poderão figurar. Sobre a denominação. Direito Empresarial 3. 1. é preciso entender que toda S. Conforme visto anteriormente. Já a denominação é um nome abstrato.157 do Código Civil estabelece: “A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma. É necessário ressaltar que a lei não menciona proteção ao título do estabelecimento. Ainda. toda denominação deve mencionar o objeto social. abordaremos o nome empresarial. que também é conhecida como razão.

O art.” O § 2º preceitua: “A denominação deve designar o objeto da sociedade. trata-se de uma sociedade cujo registro é facultativo.” A sociedade limitada é uma exceção. do Código Civil. 1.164 do Código Civil dispõe: “O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. em lugar de firma. Estabelece o art. 1. 993 dispõe: “O contrato social produz efeito somente entre os sócios. 1. sendo estudadas aqui as exceções às regras gerais do nome empresarial. se acrescente a expressão “comandita por ações. Estabelece o dispositivo: “A sociedade em comandita por ações pode. Direito Empresarial 4. abordaremos o nome empresarial. é preciso que.” Se a sociedade não possui personalidade jurídica. 1.’” Excepcionalmente.161 do Código Civil traz a primeira exceção. Contudo.162: “A sociedade em conta de participação não pode ter firma ou denominação.2 Síntese São três as exceções existentes em relação às regras gerais.” A terceira exceção está prevista no art. a sociedade em comandita por ações poderá empregar como nome empresarial firma ou denominação. O art.1 Apresentação Nesta unidade. Isso por que.” A segunda exceção está no art. § 2º. 1. ao final.30 4. Exceções às Regras Gerais do Nome Empresarial 4. envolvendo a sociedade em conta de participação.158. não é possível que tenha nome. sendo permitido nela figurar o nome de um ou mais sócios. Os sócios ocultos ou meramente participantes jamais serão identificáveis perante terceiros e. a sociedade em conta de participação não possui personalidade jurídica. integradas pela palavra final ‘limitada’ ou a sua abreviatura. adotar denominação designativa do objeto social. e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. ainda que feito o registro. aditada da expressão ‘comandita por ações.162 do Código Civil. envolvendo a sociedade em comandita por ações. O caput dispõe: “Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação. pois se deve distinguir a firma da denominação pela presença ou ausência do objeto. O art.” . não há que se falar em personalidade jurídica.

Conclave Social: Assembleia ou Reunião de Sócios 1.2 Síntese O conclave social é gênero que compreende duas espécies: reunião de sócios e assembleia de sócios. 1. . Trata-se do órgão de cúpula e de deliberação máxima em uma sociedade limitada.Capítulo 4 Órgãos Sociais da Sociedade Limitada 1.1 Apresentação Nesta unidade. estudaremos os órgãos sociais da sociedade limitada. iniciando pela assembleia e reunião de sócios.

podendo optar pela deliberação mediante assembleia ou reunião. o procurador do sócio será necessariamente outro sócio ou um advogado. Trata-se de órgão de deliberação máxima.078 do Código Civil. Conselho Fiscal e Administradores 2. em seu art.” Exercício 13. cujas formalidades estão prescritas em lei. A Lei Complementar nº 123/2006. O conclave é um órgão obrigatório? Direito Empresarial 2. A assembleia é um órgão formal. . estudaremos os órgãos sociais da sociedade limitada. Ainda. A lei prescreve que a assembleia será convocada por. não prevalece o balanço não aprovado pelo sócio falecido ou que se retirou. o edital deverá prever toda a matéria que será objeto de deliberação e discussão. assim. a constituição da própria sociedade.32 Na sociedade limitada. 70. no conclave social. As sociedades limitadas que tenham até dez sócios. as quais serão substituídas por deliberação representativa do primeiro número inteiro superior à metade do capital social. no mínimo. haverá ao menos um conclave por exercício social. As sociedades limitadas com mais de dez sócios necessariamente deliberam mediante assembleia. informações privilegiadas são disponibilizadas. que deverá se dar em um dos quatro primeiros meses subsequentes ao encerramento do exercício social.” A assembleia e a reunião se distinguem por seus aspectos formais.1 Apresentação Nesta unidade. três vezes nos jornais de grande circulação e Diário Oficial. Nos termos do art. possuem um direito de opção a ser exercido no contrato social. sendo abordado aqui o Conselho Fiscal e os Administradores. ou seja. Isso por que. as pessoas presentes têm acesso a toda intimidade da vida social e. pois é o único órgão social que pode alterar o contrato social. A Súmula nº 265 do STF estabelece: “Na apuração de haveres. prescreve: “As microempresas e as empresas de pequeno porte são desobrigadas da realização de reuniões e assembleias em qualquer das situações previstas na legislação civil. 1.

1 Apresentação Nesta unidade. no silêncio do contrato social. Os membros do Conselho Fiscal devem ser pessoas físicas. 1. é importante saber que o art. Direito Empresarial 3. começando pelo nome. para sociedade limitada. Órgãos Sociais – Administradores 3. naturais ou jurídicas. Ressalte-se que tal impedimento se estende a cônjuges e parentes até o 3º grau. I. É possível observar que o administrador é o órgão de representação da sociedade. portanto. estudaremos os órgãos sociais da sociedade limitada. Assim. o parecer do Conselho Fiscal é meramente indicativo. brasileiros ou estrangeiros. esta sociedade não terá o Conselho Fiscal. é um órgão meramente facultativo e. Trata-se do órgão social que mais sofreu alteração pelo Código Civil de 2002. 3. do Código Civil prescreve que é da competência exclusiva do conclave social deliberar sobre as contas dos administradores.2 Síntese O Conselho Fiscal. O terceiro órgão que deve ser observado é denominado “administradores”. pois este órgão era denominado “sócio-gerente”.060 do Código Civil prescreve que essa sociedade poderá ser administrada por uma ou mais pessoas. sendo abordados agora os administradores. Quanto à administração da sociedade limitada. O sócio não é um empresário. 1. mas sim um empreendedor.071. se destina a cuidar da regularidade dos atos praticados pelos administradores.33 2. desde que residentes no país. mas sim mandatário. O administrador também não é empresário. É um órgão destinado a examinar e dar parecer nas contas dos administradores. O art. Também estará impedido de compor o Conselho Fiscal aqueles que tenham impedimento de administrar sociedades empresárias.2 Síntese . denunciando ao conclave eventuais irregularidades.

dolosamente pratica um ilícito. que pode ser um sócio. 1.080 do Código Civil. todos os sócios presumem-se administradores. mas de suas funções mal desempenhadas. não decorre da pessoa. no silêncio do contrato social e. Contudo. aquiliana. no silêncio do contrato social.061 do Código Civil: “A designação de administradores não sócios dependerá de aprovação da unanimidade dos sócios. ou extracontratual. somente sócios poderiam ser administradores. um documento apartado que também deve ser levado a registro. O terceiro será chamado para honrar a obrigação.1 Apresentação Nesta unidade. Direito Empresarial 4. A Lei nº 12. A função do conclave é deliberativa e. todos os sócios são também administradores. sendo abordadas agora hipóteses de terceiros responderem por obrigação da sociedade. responder pela obrigação da sociedade. enquanto o capital não estiver integralizado. no mínimo.375/2010 deu nova redação ao art. Estabelece o referido dispositivo: “As deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos que expressamente as aprovaram. 4. o sócio enquanto sócio somente pode ser pessoalmente responsabilizado se. é possível que o contrato social seja silente. assim.34 A representação da sociedade limitada pode ser designada no próprio contrato social ou no denominado termo de posse. No silêncio do contrato social. Hipóteses de Terceiros Responderem por Obrigação da Sociedade: Tipo Societário e Responsabilização 4. Dessa forma. estudaremos os órgãos sociais da sociedade limitada. após a integralização. A responsabilização decorre das características inerentes à pessoa. A responsabilização nada mais é do que a responsabilização civil. 1. ou um conselheiro. não havendo documento apartado. exercendo o voto. e de 2/3 (dois terços). conforme disposto no art.2 Síntese Há três hipóteses em que um terceiro. mas um documento apartado eleja o administrador. um administrador.” .” Antigamente. ou mesmo a responsabilização contratual. Assim.

O ilícito é um gênero.1 Apresentação Nesta unidade. 165 da Lei nº 6. É preciso que se diferencie a desconsideração da personalidade jurídica da responsabilização. Na desconsideração da personalidade jurídica a sociedade nunca será condenada.404/1976).2 Síntese . 1. sendo abordadas ainda as hipóteses de terceiro responder por obrigação da sociedade. prescrevem que a responsabilização dos conselheiros fiscais se dará da mesma maneira da responsabilização dos administradores. na responsabilização o agente do ilícito responderá perante a sociedade e o terceiro prejudicado. o ato contrário à lei. bem como o art.070 do Código Civil.404/1976. não sendo necessário que haja dolo. O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contraia em nome da sociedade. Isso por que. é possível a responsabilização deste indivíduo? 5.016 do Código Civil e no art. e ato ultra vires. ou seja. Hipóteses de Terceiro Responder por Obrigação da Sociedade: Responsabilização e Desconsideração da Responsabilidade Jurídica 5. A responsabilização dos administradores vem tratada no art. 158 da Lei nº 6. 1. não havendo ação de regresso. que compreende duas espécies: o ilegal. ou seja. 1. Quando o empregador é uma sociedade limitada. ato com excesso de poder ou contrário ao instrumento de constituição (contrato social ou estatuto social). Ressalte-se que a responsabilização civil dos administradores se dá por culpa. e o administrador não recolhe as obrigações trabalhistas acessórias. estudaremos os órgãos sociais da sociedade limitada.35 O art. Exercício 14. Direito Empresarial 5.016 do CC e 158 da Lei nº 6.404/1976. no entanto responderá perante a sociedade e o terceiro prejudicado sempre que agir ou se omitir culposamente (arts.

” Modesto Carvalhosa traz três exemplos de inegável gravidade. mediante alteração do contrato social. 1. em virtude de atos de inegável gravidade.” Estabelece o parágrafo único: “O excesso por parte dos administradores somente pode ser oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses: I – se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade. II – provando-se que era conhecida do terceiro. representativa de mais da metade do capital social. Direito Empresarial 6.36 O art. Dispõe o caput: “No silêncio do contrato. a oneração ou a venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios decidir. estudaremos os órgãos sociais da sociedade limitada. 1.085 do Código Civil dispõe: “Ressalvado o disposto no art. os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade. descumprimento do contrato social. O juiz pode. III – tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. Exercício 15.015. entender que um ou mais sócios estão pondo em risco a continuidade da empresa.030. e quebra da affectio societatis (liame subjetivo que amarra um sócio a outro). desde que prevista neste a exclusão por justa causa. de ofício.2 Síntese O art. poderá excluí-los da sociedade. . Exclusão de Sócio Minoritário 6. 1.” Faz-se necessário observar que somente o juiz pode determinar a desconsideração da personalidade jurídica e. ao desconsiderá-la estará decretando a ineficácia da personalidade jurídica. sendo abordada agora a exclusão do sócio minoritário.1 Apresentação Nesta unidade. quando a maioria dos sócios. de maneira a prejudicar a empresa. não constituindo objeto social. desconsiderar a personalidade jurídica? 6. que seriam: descumprimento da lei. parágrafo único traz os casos de exclusão de responsabilização da sociedade.

1.37 Ressalte-se que é preciso que esteja prevista no contrato a possibilidade de exclusão. . O parágrafo único do art. sendo omisso o contrato social. ciente o acusado em tempo hábil para permitir seu comparecimento e o exercício do direito de defesa.085 do Código Civil estabelece: “A exclusão somente poderá ser determinada em reunião ou assembleia especialmente convocada para esse fim. Assim. não há que se falar na possibilidade de exclusão.” Exercício Qual é o quórum para exclusão de sócio minoritário? Direito Empresarial 16.

404/1976 1. . Conceitos de Sociedade Anônima e Derrogações da Lei nº 6.” A Lei de S. o capital divide-se em ações. 1.404/1976.A.2 Síntese O art.Capítulo 5 Sociedade Anônima 1. 1.404/1976.1 Apresentação Nesta unidade.088 do Código Civil prescreve: “Na sociedade anônima ou companhia. tendo sido alterada inúmeras vezes ao longo do tempo. é a Lei nº 6. estudaremos o conceito de sociedade anônima e derrogações da Lei nº 6. obrigando-se cada sócio ou acionista somente pelo preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir.

não contrário à lei. Quando uma cooperativa pode se revestir do tipo S. parágrafo único do Código Civil derrogou o art. Assim. simples.” O art. Exercício 17.. 2º da Lei de S.A.A. O art. 1. considera-se empresária a sociedade por ações.404/1976. A segunda derrogação se dá no sentido de que o art. 3º da Lei nº 6. A primeira derrogação foi formal. o princípio segundo o qual a Lei de S. que envolve a natureza jurídica de uma S.A. 1. Trata-se do conceito de S.? 2. e livre participação de impedidos e de proibidos de ser empresários. o Código Civil de 2002 abandona a expressão mercantil e faz uso da expressão empresário. O art.A. 2º da Lei de S. Quanto às características das sociedades anônimas. 1º da Lei da S. O art.088 do Código Civil derrogou o art.A.39 Há quatro derrogações nesta Lei. estudaremos o objeto social da sociedade anônima. Objeto Social 2.A. pois o art.2 Síntese . 2º da Lei de S.A. à ordem pública e aos bons costumes. qualquer que seja essa atividade. responsabilidade dos sócios limitada às ações subscritas ou adquiridas. não havendo alteração. desde o conceito podem ser verificadas: fração do capital social dividido em ações.” Direito Empresarial 2. será empresária. A terceira derrogação foi uma adaptação de linguagem. dispõe: “Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo. A Lei de S. prescrevia que toda sociedade anônima seria mercantil.160 do Código Civil derrogou o art.. seria exaustiva foi derrogado. Estabelece o parágrafo único: “Independentemente de seu objeto. No entanto. 1.A. prescreve que pode ser objeto de uma companhia qualquer atividade lícita e. e. havidas em razão do Código Civil de 2002.089 do Código Civil prescreve que o Código Civil é fonte subsidiária à Lei de S.1 Apresentação Nesta unidade. parcialmente.A.A. 982. a cooperativa.

Poderá esse acionista vender suas ações ou promover reembolso de suas ações. .2 Síntese O art. Se a companhia deliberar modificando seu objeto. Companhia Aberta versus Fechada. Direito Empresarial 3. em bolsa de valores e/ou mercado de balcão.40 Toda pessoa que compra ações de uma companhia visa o lucro. a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. Ações com ou sem Valor Nominal. 4º da Lei nº 6. Qual é a atividade preponderante de uma holding? 3. Exercício 18.404/1976 conceitua companhia aberta: “Para os efeitos desta Lei. Representação Física 3. Tais companhias não devem ser confundidas com offshore. A lei autoriza que a sociedade tenha por objeto a negociação de valores mobiliários. entre outros temas de grande relevância. A companhia cujo objeto social seja negociar títulos de outras atende pelo nome de holding. o acionista dissidente daquela deliberação tem a opção de permanecer ou se retirar da companhia. É possível observar que a lucratividade de uma sociedade está intimamente ligada ao seu objeto. acionistas podem requerer a dissolução da companhia. Mercado de balcão trata-se da intermediação dos valores mobiliários realizada por um banco. A companhia se diz aberta conforme seus títulos possam ser negociados. Se a sociedade não der lucro. que é uma sociedade anônima cujas ações são ao portador. estudaremos a diferença entre companhia aberta e companhia fechada.1 Apresentação Nesta unidade.” O mercado de valores mobiliários é formado por duas entidades: bolsas de valores e mercado de balcão.

prescreve que todas as ações no Brasil são títulos nominativos. Quando o título não possui valor nominal.A. Já o título nominativo é aquele cuja propriedade somente se transfere mediante registro.1 Apresentação Nesta unidade.. As ações podem ou não ter valor nominal. Qual é o efeito de um termo de cessão de ações? 4. 34 da Lei de S. sempre que tenha valor nominal. de acordo com o art. Direito Empresarial 4. a negociação dos valores mobiliários será feita de maneira particular. Porém. para sua validade. Representação Física das Ações e Espécies 4.” Exercício 19. 20 da Lei de S.A. prescreve quais são os requisitos para que um documento valha como ação. as ações podem ser classificadas em dois grandes grupos. A segunda é a chamada ação escritural. O valor nominal ocorre quando o título menciona em si mesmo o seu valor. sendo estas registradas e não depositadas. Já o valor de mercado não é o mesmo que valor nominal. este coincidirá com o valor estatutário. As ações escriturais não possuem existência física. O valor estatutário é uma operação aritmética.41 A companhia fechada é aquela cujos valores mobiliários não poderão ser negociados em balcão ou em bolsa de valores. 24 da Lei de S. 921 do Código Civil conceitua título nominativo: “É título nominativo o emitido em favor de pessoa cujo nome conste no registro do emitente. O art. O art. sendo aquelas que vêm mencionadas em papel.2 Síntese . é o produto da divisão do número de ações pelo valor do capital social. estudaremos a representação física das ações e espécies. Assim. O título nominal é aquele que. O art. deve mencionar o nome do beneficiário. Quanto à representação física. terá sempre valor estatutário e valor de mercado.A. O primeiro grupo é composto pelas ações cartulares ou documentais.

44 da Lei de S.A. impondo-lhe todas as obrigações. pois se trata de um instituto fora de uso. na forma subscrita. Direito Empresarial 5.A. a lei previu três espécies. em razão do que podem lhe ser subtraídos os direitos não essenciais. poderão ser atribuídas à ação preferencial. as ações de fruição ou gozo não existem na prática. O art. e as ações de fruição (ação de gozo). certas preferências. um ou mais membros dos órgãos de administração. A segunda espécie são as ações preferenciais. Vantagens Atribuíveis às Ações Preferenciais 5.A. A ação ordinária ou comum é aquela que atribui a seu proprietário todos os direitos de um sócio. A segunda vantagem é a preferência no recebimento de reembolso. 18: “O estatuto pode assegurar a uma ou mais classes de ações preferenciais o direito de eleger. Faz-se necessário observar que o direito a voto não é um direito essencial.2 Síntese Conforme estudado anteriormente. que são as ações que atribuem ao seu proprietário certas vantagens. 109 da Lei de S. A primeira vantagem consiste na preferência política. 17 da Lei de S. a vantagem . Dispõe o art.42 Quanto às espécies de ações.). estudaremos as vantagens atribuíveis às ações preferenciais. 18 da Lei nº 6. isolada ou conjuntamente.A. até a integralização final. ações preferenciais.A. Tal ação está tratada no art. as ações preferenciais asseguram certas vantagens sobre os acionistas ordinários. com ou sem prêmio. 17 e 18 da Lei de S. se a companhia for liquidada. 5. prescrevem as três vantagens que. É preciso ressaltar que em toda sociedade a principal obrigação de qualquer sócio é a de realizar o pagamento de suas ações. Os arts. em votação em separado. sobre os acionistas ordinários. Essa preferência significa que. em razão do que podem lhe ser subtraídos direitos não essenciais.” As outras vantagens estão previstas no art.404/1976 (Lei de S. prevista no art. como o direito ao voto.1 Apresentação Nesta unidade. Existem as ações ordinárias (comuns). É preciso observar que as ações de fruição ou gozo são ações amortizadas. traz um rol de direitos essenciais de um sócio que não podem ser suprimidos. Por fim.

17: “Nas companhias objeto de desestatização poderá ser criada ação preferencial de classe especial. São ações inegociáveis. estudaremos outros valores mobiliários. de propriedade exclusiva do ente desestatizante. se a companhia for distribuída em lucros. Significa que.A. a expressão “com prêmio” significa que o sujeito receberá não apenas o valor com o qual concorreu para formação da companhia. inclusive de vetar determinadas matérias mencionadas no próprio estatuto da companhia. brasileira. de propriedade exclusiva do ente desestatizante. As vantagens das ações preferenciais podem ser cumuladas ou não? 6. aquilo que concorreu para formação da companhia. § 7º. cuja palavra de associação é dividendos. Golden Share/Outros Valores Mobiliários: Partes Beneficiárias 6. A terceira vantagem que pode ser atribuída é a preferência no recebimento de dividendos. o acionista receberá antes dos demais sua participação nos lucros.1 Apresentação Nesta unidade. Dispõe o § 7º do art. à qual o estatuto social poderá conferir os poderes que especificar. cuja palavra de associação é cotação. e que asseguram ao seu titular vantagens definidas no estatuto. Desta forma. cuja palavra de associação é poder.43 deste acionista se libera. Exercício 20. ainda que os demais nada recebam. Prêmio é semelhante a percentual. da Lei de S. mas também um percentual. A doutrina classifica os acionistas em três grupos: acionista empreendedor. e acionista especulador. entre as vantagens atribuídas à golden share. ou seja.” Direito Empresarial 6. As golden share surgiram na Inglaterra e estão previstas no art. 17. inclusive o poder de veto às deliberações da assembleia geral nas matérias que especificar. esse acionista receberá antes dos demais. acionista rendeiro.2 Síntese . ainda que os demais não recebam.

sendo abordados aspectos relevantes acerca do assunto. A debênture simples é resgatada em dinheiro e a conversível cria uma faculdade para o debenturista receber o valor do título em dinheiro ou em ações. Se forem resgatadas. Trata-se de remuneração do capital. 54 da Lei de S. salvo quando outorgadas a partes representativas dos empregados. representa o mútuo. estudaremos as debêntures. É um empréstimo das companhias. que asseguram ao seu proprietário participação nos lucros da companhia. quais seriam os índices de correção monetária.1 Apresentação Nesta unidade. irão caducar. Direito Empresarial 7. Há prazo de vigência para as golden share? 7. tendo este transcorrido. pois a debênture só pagará correção monetária se houver previsão na escritura pública. toda debênture é resgatável. O § 1º do art. Se as partes beneficiárias não forem resgatadas no prazo. fundações e sindicatos.2 Síntese As debêntures são o título da dívida privada. tais como associações.A. menciona. haverá de ser paga. A debênture é um mútuo e não uma doação e. Debêntures 7. que estará registrada na junta comercial da sede da companhia. Há quatro direitos que podem ser atribuídos a uma debênture.44 As partes beneficiárias constituem outro título. Desta forma. Tudo o que disser respeito às debêntures estará mencionado na escritura pública. Exercício 21. exemplificativamente. . podem ser resgatadas em dinheiro ou em ações. Há duas espécies de debêntures: simples e conversível. O primeiro direito é a correção monetária. assim. não superior a 10%. O prazo de vigência não pode ser superior a dez anos.

prevista no art. A segunda modalidade de garantia é a flutuante. § 1º. quatro são as que podem ser atribuídas a uma debênture. Tem-se.2 Síntese Conforme visto anteriormente. Direito Empresarial A quarta garantia é a subordinada. o patrimônio do devedor como um todo considerado. A garantia está no domínio do direito material. da Lei de S. normalmente no patrimônio do devedor. ainda. participação nos lucros.” A preferência dos credores é um gênero que compreende duas espécies: o privilégio e a garantia.A. § 4º. Debêntures: Garantias 8. . como possibilidade.1 Apresentação Nesta unidade. Qual é o órgão do registro encarregado de registrar a escritura pública de emissão de debênture? 8. quatro são as garantias que podem ser atribuídas às debêntures. Exercício 22. podem ser fixos ou variáveis. sendo abordados aspectos relevantes acerca do assunto. Na garantia real o credor tem.A. O art. mas não impede a negociação dos bens que compõem esse ativo. Existe também o prêmio de resgate. da Lei de S. assegurando a adimplência da obrigação. 8.. Em relação às garantias. que se dá quando o credor tem. assegurando a adimplência da obrigação. que estará mencionado na escritura pública de emissão de debênture. ainda estudaremos as debêntures. juros.45 O segundo direito. 58. mas não obrigatoriamente. A terceira é a garantia quirografária. um bem destacado. 58. quando a debênture paga certo percentual além do valor investido. conceitua a debênture flutuante: “A garantia flutuante assegura à debênture privilégio geral sobre o ativo da companhia. A primeira é a garantia real.

O capital autorizado é uma norma programática. pois somente companhias que tenham capital autorizado podem emitir bônus de subscrição. é possível observar que a debênture flutuante é um privilégio geral. Quando um sujeito adquire bônus de subscrição. estudaremos o bônus de subscrição. Qual é o limite para emissão do bônus de subscrição? . em eventual concurso de credores.1 Apresentação Nesta unidade. não sendo necessariamente um capital que vá se implementar. Quais são as garantias atribuíveis a uma debênture? 9. Assim. A companhia de capital autorizado é aquela cujo capital subscrito é inferior ao capital que está autorizada a atingir. que é um título que assegura ao seu proprietário a preferência na subscrição das ações relativas ao capital autorizado. todo bônus de subscrição menciona a quantidade de ações que se poderá subscrever. ou seja. a classe e a época para o exercício do direito. Exercício 23. qual seja o patrimônio do devedor. Isso por que. um capital almejado. a garantia flutuante receberá juntamente com o credor que tem o privilégio geral. a espécie das ações. O bônus de subscrição está ligado ao capital autorizado.46 Já o privilégio é a ordem de vocação dos credores na partilha da garantia comum. Direito Empresarial 9.2 Síntese Bônus de subscrição é um título que somente pode ser emitido por companhias que tenham capital autorizado. Exercício 24. Bônus de Subscrição 9. não se adquire um direito hipotético.

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10. Capital Social: Princípios
10.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos os princípios referentes ao capital social.

10.2 Síntese
O primeiro princípio é o da efetividade, que informa que o capital social
deve ser verdadeiro, ou seja, não pode haver capital social fictício.
O art. 8º estabelece que toda vez que o acionista transferir para a sociedade
um bem diverso de dinheiro, este bem terá de ser avaliado por uma empresa
especializada ou por três peritos, os quais terão responsabilidade não somente
civil, mas também responsabilidade penal.
Ainda, dispõe o art. 7º: “O capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação
em dinheiro.”
O art. 89, também da Lei de S.A. estabelece: “A incorporação de imóveis
para formação do capital social não exige escritura pública.”
O segundo princípio é o da determinação, prescrito no art. 5º da Lei de S.A.
O valor do capital social deve ser exato, ou seja, não pode haver capital social
aproximado. Tal princípio orienta, ainda, que o capital social deve ser grafado
em moeda nacional.
O princípio da intangibilidade informa que o capital social é invariável,
não pode ser alterado, como regra, nos termos do art. 6º da Lei de S.A. Porém,
é preciso ressaltar que há exceções.

Exercício
25.

O princípio da efetividade comporta relativização no direito brasileiro?

11.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos as hipóteses de aumento do capital social.

Direito Empresarial

11. Hipóteses de Aumento do Capital Social

48

11.2 Síntese
Conforme visto anteriormente, o capital social é invariável, não pode ser
alterado, salvo exceções.
O art. 166 da Lei de S.A. prescreve quatro hipóteses de aumento do capital
social.
A primeira hipótese seria a correção monetária. Ocorre que, atualmente, está proibida a correção monetária de balanços e capital social (Lei nº
8.024/1990). Desta forma, estão derrogados os artigos da Lei de S.A. que
tratavam do assunto.
É possível observar que restaram três hipóteses lícitas de aumento do capital
social.
A primeira hipótese em vigor é a conversão de valores mobiliários.
A segunda hipótese se dá quando há emissão de novas ações por deliberação assemblear.

Exercício
26.

O capital autorizado somente poderá ser subscrito pelos indivíduos
que adquirirem bônus de subscrição?

12. Hipóteses de Redução do Capital Social
12.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos as hipóteses de redução do capital social.

Direito Empresarial

12.2 Síntese
A primeira hipótese lícita de redução do capital social se dá quando há
excesso de capital social.
A segunda se dá quando há prejuízos acumulados. A companhia nasce
para obter lucros, mas pode ocorrer de haver prejuízos. Neste caso, a sociedade
poderá convocar os acionistas para deliberação no sentido de diminuição do
capital social, tratando-se de uma operação estritamente contábil.
A palavra “remisso”, em português arcaico, significava o revés, o faltoso, o
pecador. Acionista remisso é o acionista faltoso, aquele que não paga as ações
que subscreveu.

49
A lei faculta à companhia tomar quatro providências contra o acionista
remisso.
A primeira é anular as ações do acionista remisso, reduzindo o capital
social.
A segunda providência, nos termos do art. 107, I, da Lei de S.A. é a de que
a companhia poderá executar a dívida, cobrando do acionista o valor das ações.
A terceira providência se dá no sentido de que, tendo fundos disponíveis, a
companhia poderá adquirir do acionista remisso aquelas ações, deixando-as em
tesouraria por até um ano, com o objetivo de revendê-las.
Por fim, a quarta providência traz um caso de uso das próprias razões, já que
a companhia poderá tomar as ações do acionista remisso e revendê-las, a fim de
se pagar. Essa venda deve ser feita na bolsa de valores.
A quarta hipótese de redução do capital se dá pelo reembolso, nos termos
do art. 45 da Lei de S.A., que conceitua: “O reembolso é a operação pela qual,
nos casos previstos em lei, a companhia paga aos acionistas dissidentes de deliberação da assembleia geral o valor de suas ações.”
A companhia considera como acionista dissidente o voto vencido, a ausência na assembleia e, ainda, a abstenção no exercício do direito de voto.

Exercício
27.

Qual é o único caso em que uma companhia fechada poderá vender
suas ações em bolsa de valores e isso não implicará abertura do capital?

13. Órgãos Sociais: Assembleia Geral de
Acionistas/Conselho Fiscal
13.1 Apresentação

13.2 Síntese
Assembleia geral de acionistas é o órgão de cúpula e deliberação máximo
de uma companhia. Reúne a comunidade de proprietários, pois somente
podem estar presentes os acionistas ou seus procuradores.

Direito Empresarial

Nesta unidade, estudaremos os órgãos sociais, iniciando-se pela Assembleia Geral de acionistas e Conselho Fiscal.

50
Há duas espécies de assembleias gerais de acionistas: ordinária (AGO) e
extraordinária (AGE).
Haverá somente uma AGO por exercício social, que possui lapso temporal de um ano. Quanto à AGE, poderá haver tantas quantas a companhia
necessite.
Ainda, nos termos do art. 132 da Lei de S.A. a AGO deverá se dar em
um dos quatro primeiros meses subsequentes ao encerramento do exercício
social. Para a AGE não existe época, podendo ser feita durante todo o
exercício social.
Quanto ao da AGO está prescrito no art. 132 e o objeto da AGE é residual.
Dispõe o art. 132: “ Anualmente, nos 4 (quatro) primeiros meses seguintes
ao término do exercício social, deverá haver 1 (uma) assembleia geral para: I
– tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as demonstrações financeiras; II – deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício
e a distribuição de dividendos; III – eleger os administradores e os membros do
conselho fiscal, quando for o caso;”
O segundo órgão é o Conselho Fiscal, tratando-se de órgão obrigatório de
instalação facultativa. O Conselho Fiscal terá de três a cinco membros e seus
suplentes.
Instala-se o Conselho Fiscal mediante aprovação na assembleia geral de
acionistas; quando houver requerimento formulado por acionistas que representem no mínimo 10% das ações com direito a voto; e quando houver requerimento formulado por acionistas que representem no mínimo 5% das ações sem
direito a voto ou com direito a voto restrito.

Exercício
28.

Analise a assertiva: A debênture, título da dívida privada que representa o mútuo, será emitida mediante deliberação da AGO.

Direito Empresarial

14. Órgãos Sociais: Administradores
14.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos os órgãos sociais, sendo abordados agora
os administradores.

mas não necessariamente acionistas. Direito Empresarial 15.1 Apresentação Nesta unidade. admitidas sucessivas e indefinidas reeleições. a AGO elege diretamente a Diretoria.51 14. dois diretores. enquanto o Conselho de Administração traça a política geral administrativa da companhia. o segundo é a sociedade de economia mista. Acionista Controlador . que irá ter ambas as funções. e o terceiro é o caso de companhias com capital autorizado. O parágrafo único do art. Já o Conselho de Administração será composto de.2 Síntese Há dois órgãos que administram a sociedade anônima: a Diretoria e o Conselho de Administração (CA). O diretor não precisa ser acionista. Tanto o diretor quanto os conselheiros de administração devem ser pessoas naturais. no mínimo. escolhidos pelo voto destes. visando democratização. com mandato de até três anos. 140. dispõe: “O estatuto poderá prever a participação no conselho de representantes dos empregados. no mínimo. estudaremos o acionista controlador. O primeiro é o caso de companhias abertas. A Diretoria é o órgão de representação da sociedade anônima. em eleição direta. em conjunto com as entidades sindicais que os representem.” Exercício 29. A companhia deverá ter. Ainda. É preciso ressaltar que há três casos em que o CA é órgão obrigatório. Não havendo Conselho de Administração. mas deve residir no país. organizada pela empresa. a lei prevê que até um terço dos membros do Conselho possam cumular esta função com a de diretor. É possível um conselheiro de administração cumular a função de diretor? 15. três membros e respectivos suplentes.

que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem. a maioria dos votos nas deliberações da assembleia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia. sem que existam instrumentos jurídicos que as obriguem. O acordo de acionistas havia sido arquivado. bem como pessoa jurídica. Não se deve confundir acionista controlador com acionista controlador.” Exercício Direito Empresarial 30. ou sob controle comum. natural ou jurídica. que normalmente são as holdings.2 Síntese O acionista controlador é o administrador de fato. e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Dispõe o art. O art. Pelo acordo de voto. que se dá quando as pessoas agem de maneira coincidente. os acionistas se obrigam a comparecer à assembleia e votar de maneira coincidente. 116 da Lei de S. Esse acordo vincularia a companhia e daria direito à execução específica da obrigação? .52 15. diz que há quatro tipos que podem ser considerados como um acionista controlador. 116: “ Entende-se por acionista controlador a pessoa. Por fim. ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto. O terceiro a ser considerado é o acordo de voto.A. o dispositivo traz sob controle comum. de modo permanente. pois elege os administradores de direito. que é um dos objetos do acordo de acionistas (contrato empresarial típico). Pode o acionista controlador ser pessoa física.

a fusão. No entanto. Transformação 1. a incorporação e a cisão estão previstas no Capítulo X do Código Civil.1 Apresentação Nesta unidade. sem que seja liquidada ou extinta.Capítulo 6 Concentração e Descentralização Empresarial 1.2 Síntese É importante observar que a transformação. . o Código Civil se limita a copiar aquilo que está na Lei de Sociedade Anônima. Transformação é a operação pela qual uma sociedade passa de um tipo para outro sem dissolver-se. 1. estudaremos a concentração e a descentralização empresarial e também a operação de transformação.

por exemplo. O quórum é a unanimidade. A transformação estará intimamente ligada à responsabilidade que um sócio terá perante a sociedade. . Desta forma. A incorporação é o fenômeno onde uma ou mais sociedades são absorvidas por outra. 2. toda a operação de transformação dependerá da aprovação da unanimidade dos sócios. Juridicamente. é preciso observar que a transformação não poderá prejudicar os credores. A pessoa jurídica continua sendo a mesma. ou seja.2 Síntese A incorporação é a operação regida pelo art. A transformação não implica a dissolução da sociedade. Na transformação haverá a extinção da sociedade anteriormente existente? 2.404/1976 (Lei de Sociedade Anônima). 227 da Lei nº 6. os tipos societários se distinguem por dois fatores: a fração em que se divide ou seu capital social e a responsabilidade dos sócios. a constituição de uma sociedade limitada e depois transformá-la em uma sociedade anônima. Incorporação e Fusão 2. passando de uma sociedade em nome coletivo para uma sociedade limitada. O sócio dissidente terá o direito de retirada. Esse fenômeno é chamado de sociedade piloto. Exercício 31. estudaremos a incorporação e a fusão. pela existência de muita burocracia.54 Transformar é modificar o tipo societário. É muito comum na prática. Ainda. apenas alterando o tipo societário. o quórum passará a ser a maioria. ou passando de uma sociedade limitada para uma sociedade anônima. salvo se houver renunciado ao direito de retirada do próprio contrato social ou do próprio estatuto social. salvo se a transformação tiver prevista no próprio contrato social ou no estatuto da companhia.1 Apresentação Direito Empresarial Nesta unidade. por exemplo.

sendo sucessora. observa-se que. A sociedade resultante será sucessora a título universal de direitos e obrigações das sociedades fundidas. que tem a seguinte redação: “Art. na cisão total. se isso apresentar concentração empresarial vedada em lei. extinguindo-se a companhia cindida. 229 da Lei de S. II.: A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades. Na fusão. que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. Na cisão parcial a cindida não será extinta. se parcial a versão. a cindida será extinta na medida em que não poderá prejudicar os credores. tendo apenas uma redução do seu capital social.Na incorporação há no mínimo duas sociedades envolvidas. Desta forma.A. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova. a título universal. a sociedade incorporada será extinta. também não poderá haver prejuízo para os credores. têm o direito de retirada. Todas as operações de concentração empresarial dependem de prévia anuência dos sócios. constituídas para esse fim ou já existentes. não existindo incorporação sem a extinção da incorporada. de direitos e obrigações da incorporada. em determinados casos. Direito Empresarial 55 . causando assim. 228 da Lei de S. podendo ser cisão total ou cisão parcial. Cisão é uma operação de descentralização. se houver versão de todo o seu patrimônio. ou dividindo-se o seu capital.” Nas fusões. nas sociedades fundidas. devem ser aprovadas pelo Cade. 219. que é chamada de cindida. É importante destacar que a incorporadora vai seguir com seu patrimônio aumentado. A fusão está tratada no art. A cisão está prevista no art.A. tanto com a operação de fusão quanto com a operação de incorporação. Haverá necessariamente uma assembleia geral de sócios. a incorporadora e a incorporada. da Lei de S. Em toda incorporação. 228. haverá a empresa que sofrerá a cisão.A. Os sócios dissidentes. Essas operações devem ser apresentadas aos acionistas e.” Tanto na cisão total como na parcial. Já na cisão total. a cindida mantém sua personalidade jurídica com capital reduzido e. na cisão parcial. A incorporadora vai absorver a incorporada. as sociedades fundidas serão extintas. necessariamente. de acordo com o art.. a formação de uma nova sociedade. a diferença é que a cindida vai transferir todo o seu patrimônio para as sociedades que serão constituídas ou às já existentes.

conforme reza o art. qualquer credor anterior poderá se opor à estipulação.56 Direito Empresarial A cisão não poderá prejudicar os credores. em relação ao seu crédito.” . 233 do Código Civil: Na cisão com extinção da companhia cindida. A companhia cindida que subsistir e as que absorverem parcelas do seu patrimônio responderão solidariamente pelas obrigações da primeira anteriores à cisão. as sociedades que absorverem parcelas do seu patrimônio responderão solidariamente pelas obrigações da companhia extinta. mas. O ato de cisão parcial poderá estipular que as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida serão responsáveis apenas pelas obrigações que lhes forem transferidas. nesse caso. desde que notifique a sociedade no prazo de 90 (noventa) dias a contar da data da publicação dos atos da cisão. sem solidariedade entre si ou com a companhia cindida. Parágrafo único.

Estabelece o referido dispositivo: “O título de crédito. título de crédito é um documento necessário ao exercício de um direito literal e autônomo nele mencionado. estudaremos a teoria dos títulos de crédito. Conceito de Título de Crédito 1. . sendo abordado aqui o conceito de título de crédito. 887 do Código Civil).Capítulo 7 Teoria dos Títulos de Crédito 1. somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.2 Síntese O legislador brasileiro tentou conceituar os títulos de crédito (art.” Para Cesare Vivante.1 Apresentação Nesta unidade. documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido. 1.

. apenas o mencionam. estudaremos a teoria dos títulos de crédito. observados os requisitos mínimos previstos neste artigo. Assim. a indicação precisa dos direitos que confere. Prescrito o cheque. cuja prescrição é de três anos.” Dentre os requisitos mínimos está a assinatura do devedor. O princípio da autonomia informa que o título é autônomo em relação ao negócio jurídico que lhe deu causa.58 A Súmula nº 299 do STJ estabelece: “É admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito. e a assinatura do emitente. o princípio da cartularidade não foi alterado em razão do Código Civil de 2002. o cidadão entrou com uma ação monitória para cobrar a dívida. sem documento que mencione o crédito. negociou com o credor. O princípio da cartularidade informa que não há título de crédito sem papel. Princípios (Cartularidade e Autonomia) 2. 889 do Código Civil dispõe: “Deve o título de crédito conter a data da emissão. Direito Empresarial 2. pagando a duplicata. O art. Os títulos de crédito não contêm o crédito.” Faz-se necessário observar que os títulos de crédito não geram novação e não quitam o negócio jurídico subjacente.2 Síntese Os títulos de crédito são orientados por três princípios: cartularidade. já que não geram novação. Uma pessoa devedora de uma duplicata. deu quitação na duplicata e emitiu um cheque. Exercício 32. Este cidadão receberá a quantia? 2.1 Apresentação Nesta unidade. sendo abordados aqui os princípios da cartularidade e da autonomia. literalidade e autonomia. cujo prazo prescricional é de seis meses.” O § 3º prescreve: “O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico equivalente e que constem da escrituração do emitente.

” O contrato subscrito por duas testemunhas é título executivo extrajudicial e.2 Síntese O princípio da literalidade informa que o título de crédito vale pelo que nele houver sido escrito. não é título executivo. no exclusivo interesse deste. Tal princípio pode ser dividido em dois subprincípios: o da literalidade positiva e o da negativa. A Súmula nº 258 do STJ estabelece: “A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou. estabelece a Súmula nº 233 do STJ: “O contrato de abertura de crédito. a ele se incorpora e contra ele pode ser oposto e discutido em eventual demanda judicial.59 Exercício 33. O subprincípio da literalidade positiva informa que tudo o que houver sido escrito em um título de crédito. assim. Princípios (Literalidade) 3. os banqueiros começaram a executar com o próprio contrato.1 Apresentação Nesta unidade.” É preciso observar que contrato de abertura de crédito é o nome técnico do contrato de cheque especial. assim. sendo abordado agora o princípio da literalidade.” . por meio da qual o cliente constituía o banqueiro como seu procurador. Ocorre que. ainda que acompanhado de extrato da conta-corrente. 3. estudaremos a teoria dos títulos de crédito. líquido e exigível e. é preciso que o título seja certo. O princípio da cartularidade no direito brasileiro é absoluto ou comporta alguma exceção? 3.” Direito Empresarial A Súmula nº 380 do STJ institui: “A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor. Os banqueiros incluíram uma cláusula mandato nos contratos. Todavia. a Súmula nº 60 do STJ informa: “É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante.

estudaremos a teoria dos títulos de crédito. Princípios (Subprincípios) 4.” . a lei cria o título e menciona quais negócios jurídicos autorizam sua emissão. O subprincípio da literalidade negativa informa que nada que não tenha sido escrito em um título de crédito contra ele pode ser oposto e discutido em eventual demanda judicial. os banqueiros vinculavam a nota promissória aos contratos de cheque especial. Assim. ainda que originário de contrato de abertura de crédito. Direito Empresarial 4. constitui título executivo extrajudicial. não depende de outro negócio jurídico ou outro documento.60 É preciso observar. ou em branco. constitui documento hábil para ajuizamento de ação monitória. no entanto. para sua cobrança. o título de crédito ser independente ou dependente.” Assim. como abstração e causalidade. seu saque. sendo abordados aqui os subprincípios. que o contrato de abertura de conta-corrente. Exemplos: cheque. a qual não menciona quais os negócios jurídicos que autorizam sua emissão. Nota-se que o título não será ambos ao mesmo tempo. Já o título de crédito dependente é aquele que. O título de crédito independente é aquele que se basta a si mesmo para ser cobrado.1 Apresentação Nesta unidade. 4. necessita de outro negócio jurídico ou outro documento. Exemplos: cédula de crédito bancário. sua criação. ainda. duplicata. acompanhado do demonstrativo de débito. A Súmula nº 300 do STJ reza: “O instrumento de confissão de dívida. pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. Pode.2 Síntese Há princípios considerados não essenciais. A Súmula nº 387 do STF estabelece: “A cambial emitida ou aceita com omissões. O título se diz abstrato conforme a lei que o tenha instituído. warrant. O título se diz causal conforme a lei que o tenha instituído. mas nunca será nenhum deles. nota promissória e letra de câmbio. a qual menciona quais os negócios jurídicos que autorizam sua emissão. como um cheque.

. Código Civil (Títulos de Crédito) 5.2 Síntese O art.. 914 do Código Civil dispõe: “Ressalvada cláusula expressa em contrário. O art.1 Apresentação Nesta unidade. a indicação precisa dos direitos que confere. Com o advento do Código Civil. estudaremos a teoria dos títulos de crédito. Trata-se do art. III. Isso por que. regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código. por sua vez. 1.” Não há nenhum título de crédito que não esteja tratado em lei especial. É possível mitigar o princípio da abstração? 5. 897. estabelece que a interrupção da prescrição se dá por meio do protesto cambial. 889 traz os requisitos: “Deve o título de crédito conter a data da emissão. estabelece: “É vedado o aval parcial. há um dispositivo que deve ser observado. esta é a regulamentação legal para os títulos de crédito atípicos. no referido dispositivo. sem autorização do outro. 1. tal Súmula prescreve que simples protesto cambial não interrompe prescrição. Direito Empresarial O Código Civil se presta para introduzir no país os títulos de crédito atípicos e prescrever os requisitos formais mínimos necessários para que um documento seja considerado um título de crédito atípico. 202. depende da outorga conjugal. sendo abordado aqui o Código Civil.” Todavia. 903 do Código Civil: “Salvo disposição diversa em lei especial. o novo Código Civil. III. No entanto. exceto no regime da separação absoluta: (. e a assinatura do emitente.647.” O parágrafo único do art. não responde o endossante pelo cumprimento da prestação constante do título. constante do endosso. nenhum dos cônjuges pode. A Súmula nº 153 do STF caducou em razão do art. 5.61 Exercício 34.” .) III – prestar fiança ou aval. O art.648. do Código Civil. do Código Civil prescreve que: “ Ressalvado o disposto no art.” O aval. para sua validade.

Opor exceção é apresentar argumentos impedientes da pretensão da parte contrária.62 O STJ já decidiu que a hipótese do caput do art. tratando-se de separação de bens legal. daquela relação fundamental que deu causa à emissão ou circulação do título. . mas também porque tiveram a relação negocial subjacente ao título. A inoponibilidade de exceções pessoais significa a inadmissibilidade da discussão da relação jurídica subjacente. Títulos de Crédito: Natureza Jurídica e Oponibilidade 6. enquanto o momento de promessa unilateral de pagamento atrai a inoponibilidade das exceções pessoais. essa norma não estaria excluída. Direito Empresarial 6. Momento contratual é aquele em que devedor e credor estão um diante do outro no processo. 6. é a natureza jurídica. não apenas por uma relação cambial. a causa da dívida. os títulos de crédito têm dupla natureza jurídica. ou não. exclusivamente por uma relação cambial.1 Apresentação Nesta unidade. ou seja. sendo abordada agora a natureza jurídica e a oponibilidade. O momento de promessa unilateral de pagamento é aquele em que devedor e credor estão um diante do outro no processo.647 só se aplicaria aos casais casados pelo regime de separação absoluta de bens mediante pacto antenupcial. Oponibilidade de exceções pessoais significa admissibilidade da discussão do negócio jurídico subjacente ao título. Assim. continuaria a necessidade da outorga conjugal. estudaremos a teoria dos títulos de crédito.2 Síntese Segundo Cesare Vivante. O momento contratual atrai a oponibilidade de exceções pessoais. 1. Há um momento contratual e outro momento chamado de promessa unilateral de pagamento. O que determina se é possível a discussão da relação subjacente ao título.

Obrigações Cambiárias – Aceite (Conceito/ Puro e Simples) 1. atuam em um título de crédito três pessoas: o sacado. 1.1 Apresentação Nesta unidade. o sacador e o tomador ou beneficiário.2 Síntese Ordinariamente. sacado é a pessoa contra quem a ordem foi expedida. na maioria das vezes é o sacado. e tomador é a pessoa a quem a quantia deverá ser paga. estudaremos as obrigações cambiárias e o aceite. Sacador é a pessoa que cria o título de crédito. A pessoa que dá o aceite toma o nome de aceitante e.Capítulo 8 Obrigações Cambiais 1. . que expede a ordem.

” Nesse caso. Direito Empresarial 2. Devedor cambial direto é a pessoa que faz o pagamento extintivo da obrigação cambial. todavia. mas o sacado pode limitá-lo a uma parte da importância sacada.64 O aceite se dá mediante uma assinatura no anverso do título de crédito.” Exercício 35. obrigado nos termos do seu aceite. evidentemente.00. Se houve recusa do aceite.2 Síntese Exemplo de texto de letra de câmbio: “José. São Paulo. em 15 de fevereiro de 2018. a recusa e cláusula sem aceite. o sacador garante que o sacado dará o aceite. Aceite é a obrigação pela qual uma pessoa se torna devedora cambial direta de um título de crédito.1 Apresentação Nesta unidade. deverá pagar por essa única via de letra de câmbio. estudaremos o aceite. ordinariamente ele garante duas coisas: pagamento: toda pessoa que puser sua assinatura em um título de crédito é codevedora. O art. . a quantia de R$ 10. à Maria ou à sua ordem na Praça de Florianópolis/SC. Antônio. Quando o sacador cria o título de crédito. Qualquer outra modificação introduzida pelo aceite no enunciado da letra equivale a uma recusa de aceite. Já o devedor cambial indireto é a pessoa que paga o título de crédito. mas não extingue a obrigação cambial. Aceite é a obrigação cambial pela qual uma pessoa se torna devedora direta de um título de crédito. 26 da LUG (Lei Uniforme de Genebra) estabelece que: “O aceite é puro e simples. O aceitante fica. Quem é o tomador de um título de crédito? 2. o sacado será José e o beneficiário será Maria. 13 de maio de 1999. A recusa do aceite se comprova com um protesto por falta de aceite. o sacador inadimpliu da garantia que dera.000. o sacador será Antônio. Aceite (Recusa/Cláusula sem Aceite) 2.

No endosso próprio o endossante transfere não somente o papel.1 Apresentação Nesta unidade.” Qualquer outra modificação introduzida pelo aceite no enunciado da letra equivale a uma recusa de aceite. todavia. O aceite é puro e simples. o vencimento antecipado do título. ou de ter sido promovida. sem resultado. Existem duas espécies de endosso: o endosso próprio e o endosso impróprio. No endosso impróprio. Endosso: Conceito e Espécies 3. no entanto. mas também o crédito nele mencionado. Direito Empresarial 3. existem duas modalidades de aceite parcial: o aceite parcial relativamente à quantia sem sanção (art. o art. de suspensão de pagamentos do mesmo. obrigado nos termos do seu aceite.65 Desta forma. o sacador não garante mais o aceite. 43 da LUG prevê a seguinte sanção: “O portador de uma letra pode exercer os seus direitos de ação contra os endossantes. mas o sacado pode limitá-lo a uma parte da importância sacada. quer não. Trata-se do endosso pelo qual se transfere a propriedade de um título de crédito. estudaremos o conceito e as espécies de endosso. 3. O endosso próprio também é conhecido como endosso pleno. o endosso é a obrigação cambial pela qual se transfere necessariamente um título de crédito. acarretará como sanção. 26 da LUG). O endosso se dá pela assinatura do beneficiário no verso do título de crédito. mas não o crédito nela mencionado. se o pagamento não foi efetuado. sacador e outros coobrigados: no vencimento. 3º – nos casos de falência do sacador de uma letra não aceitável. mesmo antes do vencimento: 1º – se houve recusa total ou parcial de aceite. ainda que não constatada por sentença. e qualquer outra modificação. 26. Inserida a cláusula “sem aceite” no título de crédito. traslativo e translativo. quer ele tenha aceite. “Art. o endossante transfere ao endossatário a cártula.2 Síntese . Sendo assim. Endosso é uma obrigação cambial e ele só existe em títulos de créditos. Além da recusa. 2º – nos casos de falência do sacado. O aceitante fica. execução dos seus bens.

recebê-lo e dar quitação. e ele o dará ao credor do contrato com a finalidade de assegurar o pagamento. o devedor poderia opor ao endossatário os vícios da relação jurídica havidos com o endossante? 4. havendo uma cadeia nomeando o endossatário. Não se deve confundir o endosso-caução com emissão-caução.” Os coobrigados.2 Síntese Existem dois tipos de endosso: o endosso em preto e o endosso em branco. Emissão-caução: o devedor de um contrato dará ao seu credor um título de crédito. No endosso-mandato. mencionado no art. o portador pode exercer todos os direitos emergentes da letra. No endosso-caução. O mandato que resulta de um endosso por procuração não se extingue por morte ou sobrevinda incapacidade legal do mandatário. Endosso: Tipos e Cláusulas 4. o endossante nomeia expressamente o endossatário. No endosso em preto. . também figurará como devedor do título de crédito. mas só pode endossá-la na qualidade de procurador. ou qualquer outra menção que implique um simples mandato. “por procuração” (par procuration). 4. endossomandato e endosso-caução. estudaremos os tipos de endosso e suas cláusulas. 18 da LUG. Endosso-mandato é aquele para cobrança. “Art. é o endosso procuração. no qual ele. Exercício 36. neste caso. Quando o endosso contém a menção “valor a cobrar” (valeur en recouvrement). Em se tratando de um endosso-caução. “para cobrança” (pour encaissement).1 Apresentação Direito Empresarial Nesta unidade. o devedor de um contrato é credor de um título de crédito. o endossante constitui o endossatário seu procurador.66 É importante destacar que a Lei Uniforme de Genebra trata de duas modalidades de endosso impróprio. para apresentar o título. 18. só podem invocar contra o portador as exceções que eram oponíveis ao endossante. devedor do contrato.

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Já o endosso em branco se dá pela simples assinatura do beneficiário no
verso do título, sem que ele mencione o endossatário.
Dado o endosso em branco, o título circula ao portador, ou seja, a pessoa
que detiver o título de crédito presume-se proprietária. No entanto, essa presunção é relativa, pois admite prova em contrário.
A cláusula “não à ordem” é a cláusula impeditiva do endosso, impedindo,
em tese, uma sucessão de endossos.
É importante destacar que essa cláusula proíbe o endosso, mas não o
impede.
Há duas maneiras de inserir uma cláusula de “não à ordem” em um título
de crédito: riscando a cláusula “à ordem” que esteja tipograficamente grafada
no título de crédito; e escrevendo literalmente “não à sua ordem”.
O endosso dado com violação à cláusula “não à ordem” se dá com a forma
(art. 290 do Código Civil) de uma cessão de crédito e com os efeitos (art. 294
do Código Civil) de uma cessão de crédito.
“Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor,
senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em
escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.”
Quando se dá endosso com violação à cláusula “não à ordem”, o endossatário não tem ação contra a pessoa que endossou.
Um dos efeitos do endosso é atrair a inoponibilidade das exceções pessoais.
“Art. 294. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da
cessão, tinha contra o cedente.”

Exercício
37.

Se inserida a cláusula “não à ordem” em uma nota promissória, o
endossatário estaria proibido de executar o endossante com cláusula
“não à ordem”?

5.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos os endossos póstumos ou tardios.

Direito Empresarial

5. Endosso: Póstumo ou Tardio

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Direito Empresarial

5.2 Síntese
Deve-se, antes de iniciar os estudos, observar o disposto no art. 20 da LUG.
“Art. 20. O endosso posterior ao vencimento tem os mesmos efeitos que
o endosso anterior. Todavia, o endosso posterior ao protesto por falta de pagamento, ou feito depois de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto,
produz apenas os efeitos de uma cessão ordinária de créditos.
Salvo prova em contrário, presume-se que um endosso sem data foi feito
antes de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto.”
A doutrina classifica os endossos em duas modalidades: endosso cambialmente facultativo e endosso cambialmente necessário (obrigatório).
O protesto cambialmente facultativo ocorre sempre que o credor pretender
exercer o direito de ação contra o devedor cambial direto e seus avalistas.
Não há prazo para sua lavratura, pois o credor faz o protesto se quiser e
quando quiser, de acordo com o art. 9º da Lei de Protestos (Lei nº 9.492/1997).
“Art. 9º Todos os títulos e documentos de dívida protocolizados serão examinados em seus caracteres formais e terão curso se não apresentarem vícios,
não cabendo ao Tabelião de Protesto investigar a ocorrência de prescrição ou
caducidade.
Parágrafo único. Qualquer irregularidade formal observada pelo Tabelião
obstará o registro do protesto.”
O protesto cambial necessário ocorre sempre que o credor for exercer o
direito de ação contra os devedores indiretos e seus avalistas.
“Art. 32 do Decreto nº 2.044/1908 – O portador que não tira, em tempo útil
e forma regular, o instrumento do protesto da letra, perde o direito de regresso
contra o sacador, endossadores e avalistas.”
O prazo está previsto no art. 28 do mesmo Decreto nº 2.044/1908.
“Art. 28. A letra que houver de ser protestada por falta de aceite ou de
pagamento deve ser entregue ao oficial competente, no primeiro dia útil que
se seguir ao da recusa do aceite ou ao do vencimento, e o respectivo protesto,
tirado dentro de três dias úteis.
Parágrafo único. O protesto deve ser tirado do lugar indicado na letra para
o aceite ou para o pagamento. Sacada ou aceita a letra para ser paga em outro
domicílio que não o do sacado, naquele domicílio deve ser tirado o protesto.”
A definição de dia útil, para fins de protesto, deve ser feito a contrário senso
do disposto no art. 12, § 2º, da Lei de Protestos.
“Art. 12. O protesto será registrado dentro de três dias úteis contados da
protocolização do título ou documento de dívida.
§ 2º Considera-se não útil o dia em que não houver expediente bancário
para o público ou aquele em que este não obedecer ao horário normal.”

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No entanto, há três exceções para o prazo de um dia útil: duplicata é de 30
dias corridos; cheque é de 30 dias na mesma praça e 60 dias em praça diferente;
cédula de crédito bancário não tem prazo fixo.
Já o endosso tardio é aquele dado após o vencimento do título, mas ainda
com forma e efeito de um endosso comum, antes de expirado o prazo para
protesto.

Exercícios
38.
39.

Qual é o prazo para o protesto cambialmente necessário? Há exceções?
Endosso póstumo seria o endosso dado pelo inventariante no caso de
espólio credor de um título de crédito?

6. Aval: Conceito e Aval X Fiança
6.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o conceito de aval e o conceito de fiança.

Aval é a obrigação cambial pela qual se garante a adimplência, ou seja, o
pagamento de um título de crédito.
Há em comum, entre o aval e a fiança, que ambos são modalidades de
garantia fidejussória/pessoa, e ambos necessitam da anuência do cônjuge para
sua eficácia.
As principais distinções entre o aval e a fiança são:
Aval: Obrigação cambial.
Fiança: Modalidade de contrato.
Aval: É uma obrigação autônoma.
Fiança: É uma obrigação acessória.
Aval: Há solidariedade entre o avalista e o avalizado.
Fiança: Presume-se a responsabilidade subsidiária.
Aval: Não há benefício de ordem.
Fiança: Há benefício de ordem.
Benefício de ordem é a prerrogativa do devedor acionado, sendo uma faculdade que o devedor executado tem de indicar à penhora bens de terceiro.

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6.2 Síntese

entende-se assim que. que ocorre quando há mais de um avalista garantindo. o avalista assina o título antes mesmo que o avalizado o tenha feito. É possível um avalista avalizar outro avalista. A única obrigação absoluta que há em uma letra de câmbio. é o saque. 32 da LUG. ainda que o avalizado não se obrigue. expresso. estando o título aceito ou não. sendo considerados simultâneos e não sucessivos. Aval: Súmula nº 189 do STF 7.1 Apresentação Nesta unidade. sendo abordada aqui a Súmula nº 189 do STF. A presunção é no aval simultâneo. Na letra de câmbio.70 Aval antecipado é quando o avalista se obriga primeiro que o avalizado. à semelhança do endosso. No aval em branco. Direito Empresarial 7. o avalista se limita a assinar o anverso. ou seja. o aval em branco presume-se dado ao sacador. Esse fenômeno é chamado de Princípio da Autonomia das Obrigações Cambiais. ao mesmo tempo. e isso é chamado de aval sucessivo. a Lei Uniforme de Genebra prescreve que na letra de câmbio. salvo a letra de câmbio.2 Síntese Súmula nº 189 do STF – Avais em branco e superpostos consideram-se simultâneos e não sucessivos. . Desta forma. 7. permanecerá plenamente válido. O aval. Aval superposto é quando um avalista assina o título abaixo do outro (fisicamente). pode ser dado em branco ou em preto. no aval antecipado. O aval em branco presume-se dado ao devedor cambial direto. podendo haver recusa. Segundo a doutrina majoritária. Nesse sentido. estudaremos o aval. o mesmo avalizado. o avalista nomeia expressamente o avalizado. onde o aceite é meramente facultativo. Já no aval em preto. ou seja. não terá qualquer eficácia em razão do art. sem mencionar a pessoa a quem se equipara cambialmente. o devedor direto é o aceitante. sem a qual não há letra de câmbio. O aval sucessivo não se presume. devendo ser dado em preto. a capa do título de crédito. se o avalizado não se obriga.

Se houver avais simultâneos e um avalista paga o título.71 Nesse caso. O aval em branco presume-se dado a quem? Quando nasce a letra de câmbio? a) Saque. . alguns ou todos os avalistas. também terá direito a ação de regresso contra os demais avalistas. c) Endosso. b) Aceite. d) Aval. 41. Exercícios 42. existe possibilidade de fracionamento da quota-parte do regresso entre os avalistas simultâneos? Direito Empresarial 40. de acordo com seus interesses. na proporção do aval dado. o credor tem a opção de executar um. Caso haja um aval simultâneo. e) Protesto.

A doutrina classifica os vencimentos em dois grupos: vencimentos extraordinários ou por antecipação e vencimentos ordinários.1 Apresentação Nesta unidade.2 Síntese Para que se promova uma ação cambial. independentemente da data originalmente fixada. iniciando com o estudo acerca do vencimento.Capítulo 9 Ações Cambiais 1. 1. Ações Cambiais – Vencimento 1. . estudaremos as ações cambiais. que desencadeará o automático vencimento do título. faz-se necessário que o título esteja vencido. Vencimento por antecipação consiste na ocorrência de fato prescrito em lei.

751. vencimento contra a apresentação. Se a pessoa recusar-se a dar o visto. 78 da LUG dispõe: “O subscritor de uma nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante de uma letra. Por fim. ou seja. o vencimento a certo termo de data. desde que seja do devedor cambial direto (art. O terceiro é a insolvência civil do devedor cambial direto. A recusa do subscritor a dar o seu visto é comprovada por um protesto (art. mas lavra-se protesto por falta de visto e deste protesto computa-se o prazo para vencimento do título. há o vencimento a certo termo de vista. 18. 25). não haverá vencimento antecipado. já estudados: recusa de aceite e aceite parcial. 23. cuja data serve de início ao termo de vista. ainda. há outros casos. O quarto caso de vencimento por antecipação é a liquidação extrajudicial de instituições financeiras. I. O termo de vista conta-se da data do visto dado pelo subscritor. O último caso de vencimento por antecipação é a falência do devedor cambial direto.73 Há dois casos de vencimento por antecipação. As notas promissórias pagáveis a certo termo de vista devem ser presentes ao visto dos subscritores nos prazos fixados no art. estudaremos as ações cambiais. ou em branco. A primeira é o vencimento à vista. Exercício 43.” A nota promissória a certo termo de vista será assinada duas vezes pelo emitente. Além desses. Há quatro modalidades de vencimento ordinário. que significa vencimento a contar a certo tempo da apresentação do título. Direito Empresarial 2. da Lei nº 6. tempo a contar da data da emissão.1 Apresentação Nesta unidade. sendo abordada agora a prescrição. A segunda é o vencimento a dia certo.024/1974). mês e ano. Prescrição . Todas as modalidades de vencimento de aplicam a todos os títulos de crédito? 2. pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. quando o título menciona dia. Há. “b”. do Código de Processo Civil. A Súmula nº 387 do STF estabelece: “A cambial emitida ou aceita com omissões. nos termos do art. que não diga respeito a quantia. que é o vencimento com data exata.” O art.

contado do desembolso da quantia. não importando a pessoa que esteja sendo executada. Se o credor vai acionar o devedor cambial direto e seus avalistas. estudaremos a ação cambial. 18 da Lei nº 5.1 Apresentação Nesta unidade. o prazo é de um ano. prescreve em seis meses contados da expiração do prazo de apresentação.474/1968. o prazo prescricional para execução é de três anos. A diferença está na ação de regresso. é o que prevalece no STJ. sendo trazidos aspectos importantes acerca deste tema. 59 da Lei de Cheques. 70 da LUG (Lei Uniforme de Genebra). A jurisprudência do STJ vinha seguindo o princípio da actio nata.” Assim. pois o prazo prescricional é de seis meses. Ação Cambial 3. . hoje. O STJ entende que não interessa a data da efetiva apresentação. O prazo prescricional da duplicata está no art. contra o devedor direto e de um ano contra devedor indireto. a contar do efetivo desembolso da quantia. 47 desta Lei assegura ao portador. contados da expiração do prazo de apresentação. pois o prazo prescricional computa-se da expiração do prazo de apresentação. há uma situação que vem evoluindo na jurisprudência. Já para o exercício do direito de regresso. Fazendo-se uma interpretação lógico-sistemática do art. Tal entendimento.2 Síntese A regra geral está no art. a ação que o art. se a apresentação do cheque se fizer após expirado o prazo. A interpretação hoje é mais favorável ao credor. o prazo é de seis meses. conjugando com o princípio da actio nata. contados do vencimento. Se o credor opta por executar o devedor cambial indireto e seus avalistas. quando venceria o prazo prescricional? Direito Empresarial 3. o STJ vinha entendendo que o prazo é de seis meses contados da apresentação do título. que informa que o prazo prescricional conta-se do nascimento do direito de ação.74 2. O art. Assim. sendo este de três anos. Exercício 44. No caso do cheque. a contar do vencimento do título de crédito. cujo prazo é de um ano. 59 da Lei de Cheques dispõe: “Prescrevem em 6 (seis) meses.

feita a prova do não pagamento. 4. o sacador ou o aceitante fica obrigado a restituir ao portador. A ação fundamental é aquela em que o credor cobra do devedor o negócio jurídico subjacente ao título.” Direito Empresarial 4. com os juros legais. 48: “Sem embargo da desoneração da responsabilidade cambial. A ação de locupletamento tem previsão no Decreto nº 2.75 3. a emissão ou a transferência do cheque não exclui a ação fundada na relação causal. para este fim. Na ação fundamental é preciso dizer a origem da dívida. dependendo do caso concreto.1 Apresentação Nesta unidade. é preciso descrever o negócio jurídico subjacente. mas na ação de locupletamento não há tal necessidade. Exemplo: art. 62 da Lei de Cheques. Por isso. A ação do portador. tratando-se de uma ação fundamental. pois a prescrição da ação de execução é pequena. em que serão tratados aspectos importantes acerca deste tema. portanto.2 Síntese . sendo a cártula desconsiderada.2 Síntese A regra é que as ações cambiais seguem o rito executivo e são ações de execução. é a ordinária. a ação fundamental e a ação de locupletamento. estudaremos a ação de locupletamento. Ação de Locupletamento 4. O prazo prescricional para a propositura da ação fundamental varia de acordo com o negócio jurídico subjacente. o legislador criou duas outras ações. de 31 de dezembro de 1908. pode ser qualquer um que seja compatível com o negócio jurídico subjacente. O prazo prescricional computa-se a partir da exigibilidade do negócio jurídico subjacente.” A lei não prescreveu procedimento. a soma com a qual se locupletou à custa deste. Pode acontecer de a ação de execução estar prescrita. Dispõe o art. que dispõe: “Salvo prova de novação. Quanto ao requisito da petição inicial.044.

não tem direito ao locupletamento. o art.” A ação de locupletamento é uma ação que somente pode ser proposta contada da consumação da prescrição da ação executiva. Exercícios A ação de locupletamento se aplica para todos os tipos de títulos de crédito? 46. aquele que se enriqueceu pelo não pagamento do título. . 206. a ação é ordinária. do Código Civil dispõe: “Prescreve: (.044. O requisito da petição inicial é demonstrar o locupletamento... Enquanto o credor puder executar. envolvendo ação de locupletamento? Direito Empresarial 45.) IV – a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa. 48 do Decreto nº 2. Existe alguma exceção aplicável a algum título cambiariforme. Quanto ao prazo prescricional. quanto ao procedimento para cobrança. IV.76 Na ação de locupletamento.) § 3º – Em três anos: (. § 3º. nos termos do art. Por fim.. ou seja. o réu é aquele que se locupletou..

A doutrina classifica as figuras intervenientes como necessárias e facultativas. As figuras intervenientes necessárias são aquelas que geram nulidade . certa soma em dinheiro.Capítulo 10 Títulos de Crédito em Espécie 1. que pague ao beneficiário.2 Síntese A letra de câmbio é a ordem direta de pagamento de quantia com promessa indireta. Títulos de Crédito em Espécie – Letra de Câmbio 1.1 Apresentação Nesta unidade. estudaremos os títulos de crédito em espécie. iniciando pela letra de câmbio. Na letra de câmbio. o sacador ordena ao sacado. 1.

2. O cheque pós-datado não possui amparo legal. objeto lícito e vontade livre e desembaraçada de se obrigar cambialmente. Na nota promissória. As essenciais são: o emitente e o beneficiário (ou tomador).78 do título.357/1985. Há figuras intervenientes essenciais e não essenciais. Quantia é quantidade em dinheiro. Nota Promissória (Conceito/Figuras Intervenientes) 2. estudaremos os títulos de crédito em espécie. São as seguintes: avalista. Essenciais são aqueles que. Os requisitos extrínsecos de validade são dois: essenciais e não essenciais. praça de pagamento e praça de emissão. As não essenciais são o avalista e o endossante. São três. Os requisitos da nota promissória estão prescritos nos arts. A Súmula nº 370 do STJ estabelece: “Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado. Os não essenciais são aqueles para os quais a lei prescreveu normas supletivas. Ressalte-se que é nula a nota promissória ao portador. são figuras obrigatórias. quais sejam: época do vencimento. beneficiário (ou tomador) e sacado.” . violando o preceito do art. determinam a nulidade do título. A doutrina classifica os requisitos de validade em dois grupos: requisitos intrínsecos e extrínsecos de validade. 32 da Lei de Cheques. considerando-se não escrita qualquer menção em contrário.1 Apresentação Nesta unidade.como: sacador. Os requisitos intrínsecos de validade são comuns a todos os títulos de crédito. a saber: agente capaz. Três são os requisitos não essenciais. ausentes. Direito Empresarial 2. o sacador e o sacado formam o emitente.2 Síntese A nota promissória é a promessa direta de pagamento de quantia. com ênfase na nota promissória. endossante e aceitante. 75 e 76 da LUG (Lei Uniforme de Genebra). O cheque é uma ordem de pagamento à vista. A Lei Uniforme de Genebra para cheques está consolidada na Lei nº 7. Já as figuras intervenientes facultativas são aquelas que podem estar presentes ou ausentes.

Se a praça de emissão for distinta da do pagamento. sacada contra fundos preexistentes ou abertura de crédito. estudaremos os títulos de crédito em espécie. apresentado antecipadamente e pago. O cheque é uma ordem de pagamento à vista. é vedado ao banqueiro examinar a relevância ou pertinência da argumentação apresentada na sustação. Cheque (Prazo de Apresentação/Sustação/ Cheque Cruzado/Cheque para Creditar) 3. 3º da Lei de Cheques). mas sim do direito obrigacional subjacente ao cheque.1 Apresentação Nesta unidade. Ressalte-se que hoje o STJ entende que a aferição dos fundos não é no momento do saque. que é de 30 dias. o prazo será de 60 dias. pode gerar danos morais? 3. O credor apresenta o cheque ao banqueiro sacado e a lei fixa o prazo de apresentação. Há duas espécies de sustação: contraordem e de oposição. Ainda. sempre que a praça de emissão for coincidente com a praça de pagamento.79 Faz-se necessário observar que o dano moral não vem do direito cambial. pois a contraordem é a sus- Direito Empresarial 3.2 Síntese . É um ato do sacador e deve ser feita por escrito. mas sim no momento da apresentação. com ênfase no cheque. Apresentar o cheque é o ato de submeter o cheque ao pagamento pelo banco sacado. Ainda. o cheque somente pode ser sacado contra banco ou contra instituição financeira autorizada pelo Banco Central (art. exceto para requerer falência. A sustação consiste em o sacador do cheque ordenar ao banco sacado que se abstenha de pagar o cheque anteriormente sacado. Exercício 47. A apresentação do cheque à câmara de compensação equivale ao protesto. Quando o cheque pós-datado. A diferença entre essas espécies é a época de sua realização.

7º da Lei de Cheques: “Pode o sacado.2 Síntese Cheque marcado é hoje proibido em lei. deve ser pago no prazo máximo de duas horas. para que seja visado é preciso que esteja completamente preenchido. visto. Faz-se necessário observar que para sustar. e em preto. É possível transformar o cruzamento de cheques de “em preto” para “em branco”? 4. O cheque visado está previsto no art. se o cliente não tiver mais dinheiro. lançar e assinar. certificação ou outra declaração equivalente. a pedido do emitente ou do portador legitimado. datada e por quantia igual à indicada no título. no verso do cheque não ao portador e ainda não endossado. Assim. O cheque marcado não podia ser pago na hora. Tal procedimento não tem amparo legal.1 Apresentação Nesta unidade. Exercício 48.” Trata-se de um cheque vistado pela gerência do banco. devido ao fato de que a agência não tinha fundos para honrar o pagamento. Cheque (Marcado/Visado/Administrativo) 4. quando entre as barras há o nome de uma instituição financeira. pois apresentado o cheque na data marcada pela gerência. O assunto é tratado nos arts. quando entre as barras não há menção de nome de instituição financeira. 44 e 45 da Lei de Cheques. estudaremos os títulos de crédito em espécie. Há duas espécies de cruzamento: em branco. Esta modalidade não é permitida. o título não pode ter sido pago. ainda com abordagem sobre o cheque.80 tação que se dá antes de expirado o prazo de apresentação e a oposição é a sustação que se opera após expirado o prazo de apresentação. pois sendo uma ordem de pagamento à vista. Direito Empresarial 4. o banco teria de honrar o pagamento. qualquer que seja seu valor. o gerente marcava uma data para reapresentação. O cheque cruzado é aquele que recebe duas barras paralelas longitudinais. .

denominado fatura. há uma duplicata. Foi criado um documento para substituir o contrato de compra e venda mercantil e de prestação de serviços. em uma compra e venda mercantil.81 O cheque administrativo é um cheque que o banco saca contra seus próprios caixas. Duplicata (Título Causal/Fatura/ Pagamentos Parcelados/Triplicata/ Duplicata Simulada) 5. A duplicata é um título causal. Exercício 49. O sacador e o sacado no cheque administrativo são a mesma pessoa. a fim de cobrar a quantia devida pela prestação de serviço? 5. O Estado se interessou e. pois duas são as causas que podem gerar uma duplicata: compra e venda mercantil e prestação de serviços. preço. estudaremos os títulos de crédito em espécie. Assim. O empresário vendia o produto e junto mandava a fatura. e o prestador de serviços poderá sacar contra o cliente. 2º da Lei de Duplicatas. A duplicata está prevista na Lei nº 5.1 Apresentação Nesta unidade. Qualquer profissional liberal pode sacar contra o cliente duplicatas. condições de pagamento e descrição do objeto. para dele cobrar a quantia decorrente do contrato. a qual menciona seu valor e data do vencimento. mencionados no art.2 Síntese . Tal documento possui os seguintes dados: partes (nome do comprador e do vendedor). nasceu a nota fiscal fatura. Quando se trata de uma venda com pagamento único. com ênfase na duplicata. no direito empresarial. assim.474/1968 (Lei de Duplicata). é possível que a Direito Empresarial 5. Todavia. Trata-se do único título de crédito que o vendedor. nasceu a duplicata e hoje esse título de crédito extrai da fatura seus requisitos essenciais.

Direito Empresarial 6. já que não atende aos requisitos formais mínimos. poderá ser emitida duplicata única. em ordem. 13 da Lei de Duplicatas autoriza o protesto por indicação: “A duplicata é protestável por falta de aceite de devolução ou pagamento. estudaremos os títulos de crédito em espécie.2 Síntese A triplicata somente pode ser sacada em dois casos: em caso de perda ou em caso de extravio da duplicata. mas sim uma mera cobrança bancária. O art. Trata-se do art. em sequência. da Lei de Duplicatas. do art. 2º. Quanto ao protesto. o STJ não tem admitido protesto de boleto bancário. uma para cada prestação distinguindo-se a numeração a que se refere o item I do § 1º deste artigo. O boleto bancário não é duplicata. Como fica o protesto de duplicata única para pagamentos parcelados? 6.” Exercício 50. abordando a duplicata e seus requisitos. pelo acréscimo de letra do alfabeto. 2º.1 Apresentação Nesta unidade. § 1º o que deverá ser mencionado em uma duplicata: “§ 1º A duplicata conterá: I – a denominação “dupli- . não podendo ser executado.82 venda tenha sido feita de forma parcelada. Dispõe o § 3º.” A Lei de Duplicatas prescreve no art. sendo indicada diferenciação pelo acréscimo de letras do alfabeto. da Lei de Duplicatas: “Nos casos de venda para pagamento em parcelas. Duplicata (Triplicata/Duplicata Simulada/ Boleto Bancário/Requisitos) 6. a não ser que tenha sido feita a remessa da duplicata e esta tenha sido retida. se faz o chamado protesto por falta de devolução. O documento não substitui o formulário da duplicata. A duplicata sempre mencionará o número da nota fiscal fatura. § 3º. em que se discriminarão todas as prestações e seus vencimentos. ou série de duplicatas. o credor pode fazer duplicata de série única ou uma série de duplicatas. Neste caso. Neste caso. 2º.

1 Apresentação Nesta unidade. havendo um procedimento para esta questão. a ser assinada pelo comprador. contados do recebimento do título na praça de apresentação. VI – a praça de pagamento. poderá sacar a triplicata ou. Duplicata (Aceite) 7. IX – a assinatura do emitente. Pode ser que o sacado não retenha a duplicata. fazer o protesto por falta de devolução (protesto por indicação). é preciso entender que o aceite na duplicata é obrigatório. estudaremos os títulos de crédito em espécie.2 Síntese . IV – o nome e domicílio do vendedor e do comprador.” Exercício 51. no prazo legal de dez dias.83 cata”. o mandatário terá dez dias de prazo. o credor poderá tomar três providências: poderá requerer prisão do sacado (o que seria inconstitucional). II – o número da fatura. ainda. abordando a duplicata e o aceite. O art. Remetido o título. que o sacado restitua o título com uma recusa lícita ao protesto. em algarismos e por extenso. 8º da Lei de Duplicatas traz Direito Empresarial 7. VII – a cláusula à ordem. contados do recebimento do título. a data de sua emissão e o número de ordem. Primeiro. como aceite cambial. Se o sacador fizer a remessa por si. Pode acontecer de o sacado reter o título e se tal fato ocorrer. VIII – a declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-la. tratando-se da remessa obrigatória. o sacador tem a obrigação legal de obter o aceite. tem o prazo de 30 dias para remeter. o sacado poderá tomar algumas providências. Tendo sido sacada uma duplicata. V – a importância a pagar. Poderá o sacado devolver o título devidamente aceito. A duplicata com cláusula “não à ordem” pode circular? 7. Se fizer endosso para o banqueiro apresentar. III – a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista.

II – vícios. sem recusa lícita e sem reter o título. É possível o suprimento do aceite em duplicata de serviços? . III – divergência nos prazos ou nos preços ajustados.” O sacado pode devolver o título no prazo de dez dias sem aceite. haverá o aceite tácito. Neste caso. Exercício Direito Empresarial 52. Já o art. 21 traz as três hipóteses de recusa lícita na duplicata de serviços.84 em três incisos as hipóteses de recusa lícita na duplicata mercantil. quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco. defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias. Dispõe o art. 8º: “O comprador só poderá deixar de aceitar a duplicata por motivo de: I – avaria ou não recebimento das mercadorias. devidamente comprovados.

1º Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida. seu conceito. Protesto – Conceito/Lugar e Prazo 1. Obrigação querable: o credor tem o ônus. “Art. estudaremos o protesto. 1º da Lei nº 9. o lugar e o prazo. .1 Apresentação Nesta unidade.Capítulo 11 Protesto 1. que é apresentar o título ao devedor.2 Síntese O conceito de protesto está previsto no art.492/1997.” As obrigações se dividem em dois grandes grupos: Obrigações querable e obrigação portable. 1.

e não há prazo para cédulas de crédito bancário. Quando a intimação for efetivada excepcionalmente no último dia do prazo ou além dele. 30 dias para cheques da mesma praça ou 60 dias para cheques de praças diferentes. “Art. . que é a apresentação. esse prazo de um dia útil sofrerá exceções nos seguintes casos: 30 dias para duplicatas. O art. Se o título não mencionar a praça de pagamento. além dos requisitos previstos no artigo anterior. pois “tirar protesto” significa lavrar o protesto. dispõe: “É competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial. O protesto deve ser tirado na praça de pagamento. 28 do Decreto nº 2.” A doutrina e jurisprudência entendem que os três dias úteis não se computam da protocolização. § 2º Considera-se não útil o dia em que não houver expediente bancário para o público ou aquele em que este não obedecer ao horário normal. por motivo de força maior. Art. no próprio domicílio do devedor. para fins falimentares.Direito Empresarial 86 Obrigação portable: o devedor localiza o credor e lhe oferece o pagamento. No entanto. É importante destacar que a expressão “tirar o protesto” não é a mesma coisa que cancelar o protesto. 23. O protesto será registrado dentro de três dias úteis contados da protocolização do título ou documento de dívida. de aceite ou de devolução serão registrados em um único livro e conterão as anotações do tipo e do motivo do protesto. o credor tem um dia útil após o vencimento para remeter um título a protesto (art. cabe ao credor apresentar ao devedor. o protesto será tirado no primeiro dia útil subsequente. deferir a recuperação judicial ou decretar a falência o juízo do local do principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil. Parágrafo único. exclui-se o dia da protocolização e inclui-se o do vencimento. o lugar do protesto deverá ser o do juízo competente para conhecer do pedido de falência. 3º da Lei nº 11.” Em relação ao prazo para protesto. Somente poderão ser protestados. 12. nota-se que o protesto é o ato formal e solene pelo qual se comprova um fato. § 1º Na contagem do prazo a que se refere o caput.” “Art. os títulos ou documentos de dívida de responsabilidade das pessoas sujeitas às consequências da legislação falimentar. Desta forma. inclusive para fins especiais.101/2005. Os termos dos protestos lavrados. por falta de pagamento. mas sim do recebimento da intimação pelo devedor do tabelionato.044/1908). quando o protesto trata de instrumento para instituir pedido de falência. Segundo o professor Wille Duarte Costa. 13.

” Direito Empresarial 2. ou em branco. garantidores da autenticidade. no endereço fornecido pelo apresentante do título ou documento. Súmula nº 387 do STF: A cambial emitida ou aceita com omissões.” Há duas formas de intimação do protesto: a intimação pessoal. ficam sujeitos ao regime estabelecido nesta Lei. considerando-se cumprida quando comprovada a sua entrega no mesmo endereço. a Lei nº 11. 8º da Lei nº 9.492/1997: “Os serviços concernentes ao protesto. No parágrafo único do art. § 3º. 9º desta Lei.87 2. tem-se o seguinte: “Poderão ser recepcionadas as indicações a protestos das Duplicatas Mercantis e de Prestação de Serviços.2 Síntese . dos respectivos instrumentos de protesto para fim falimentar nos termos da legislação específica. 94. Art. Será decretada a falência do devedor que: § 3º Na hipótese do inciso I do caput deste artigo.1 Apresentação Nesta unidade. sendo de inteira responsabilidade do apresentante os dados fornecidos.” No entanto. 14. “Art.492/1997. Finalidade do Protesto/ Formalidades do Título/Meio Eletrônico 2. por meio magnético ou de gravação eletrônica de dados. estudaremos a finalidade do protesto. como exceção. e a intimação por edital. formalmente. segurança e eficácia dos atos jurídicos. 2º da Lei nº 9. A intimação pessoal será feita por qualquer meio que se tenha comprovação física da entrega da intimação.101/2005 (Lei de Falência) em seu art. ficando a cargo dos Tabelionatos a mera instrumentalização das mesmas. em qualquer caso. 94. pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. o pedido de falência será instruído com os títulos executivos na forma do parágrafo único do art. acompanhados. o título reúne as condições necessárias para sua validade. Protocolizado o título ou documento de dívida. as formalidades do título e o meio eletrônico. traz a seguinte redação: “Art.” A lei de protesto veda que o tabelião dê seguimento ao protesto de um título se não puder constatar que. publicidade. como regra. o Tabelião de Protesto expedirá a intimação ao devedor.

. a intimação poderá ser realizada por simples afixação do edital no cartório do protesto.101/2005 é aplicado por analogia. o protesto por edital quando o devedor residir em local incerto e não sabido. A intimação por edital deve ser publicada em periódico municipal diário.1 Apresentação Nesta unidade. 154 e 155 desta Lei. ainda. estudaremos o protesto de título de devedor em recuperação de empresas. dúvida e cancelamento do protesto. observados a capacidade de pagamento do devedor. Se não houver periódico diário no Município. o grau de complexidade do trabalho e os valores praticados no mercado para o desempenho de atividades semelhantes. para requerimento de falência da empresa devedora. sustação. exige a identificação da pessoa que a recebeu. § 2º Será reservado 40% (quarenta por cento) do montante devido ao administrador judicial para pagamento após atendimento do previsto nos arts. a Súmula nº 361 do STJ determinou: A notificação do protesto. § 1º Em qualquer hipótese. quando residir fora da comarca em que se lavra o processo e quando o devedor residir em local de difícil acesso. 3. 24 da Lei nº 11. Protesto de Título de Devedor em Recuperação de Empresas/Figuração na Certidão de Protesto/Desistência/Sustação e Dúvida/Cancelamento 3.2 Síntese O art. O juiz fixará o valor e a forma de pagamento da remuneração do administrador judicial. 24. quando o devedor recusar-se a aceitar a intimação pessoal.88 Ocorre que. o total pago ao administrador judicial não excederá 5% (cinco por cento) do valor devido aos credores submetidos à recuperação judicial ou do valor de venda dos bens na falência. desistência. Lavra-se. Direito Empresarial “Art. figuração na certidão de protesto. 3.

dolo ou descumprimento das obrigações fixadas nesta Lei. § 4º. não podem ser protestados. do Código Civil. pagos os emolumentos e demais despesas. § 4º Os devedores. hipóteses em que não terá direito à remuneração. 21.” A sustação do protesto está prevista no art. não poderão deixar de figurar no termo de lavratura e registro de protesto. III.492/1997 com a seguinte redação: “Permanecerão no Tabelionato. Os créditos ali elencados serão pagos na recuperação. o devedor não está obrigado a incluir no processo todas as classes de credores. de aceite ou de devolução. Em relação à figuração na certidão de protesto. 21. § 4º Também não terá direito à remuneração o administrador que tiver suas contas desaprovadas. 71 da LUG.” Direito Empresarial Nesse sentido. 202. Consequentemente novas obrigações serão assumidas.492/1997 dispõe: “Art. Ao pleitear a recuperação. assim compreendidos os emitentes de notas promissórias e cheques. os créditos que não estejam sujeitos ao plano de recuperação. poderá o apresentante retirar o título ou documento de dívida. o protesto cambial é causa interruptiva da prescrição. nos termos do art. salvo se renunciar sem relevante razão ou for destituído de suas funções por desídia. O protesto será tirado por falta de pagamento. os títulos ou documentos de dívida cujo protesto for judicialmente sustado. à disposição do Juízo respectivo. 16 da Lei nº 9.492/1997: “Antes da lavratura do protesto. os sacados nas letras de câmbio e duplicatas.” Nos termos do art. Aqueles títulos incluídos no plano da recuperação. que estão sujeitos aos efeitos da recuperação. a interrupção da prescrição só produz efeito em relação à pessoa para a qual a interrupção foi feita. 17 da Lei nº 9. o art. . da Lei nº 9. Após a distribuição da recuperação o devedor continua girando seu negócio. versa o art. culpa.” Deferido o processamento da recuperação. Não estão impedidos de serem protestados em caso de recuperação.89 § 3º O administrador judicial substituído será remunerado proporcionalmente ao trabalho realizado. há uma novação desse processo. na forma apresentada no plano de recuperação. Já em relação à desistência do protesto. bem como os indicados pelo apresentante ou credor como responsáveis pelo cumprimento da obrigação.

qual é a ação principal que deve ser intentada no prazo de 30 dias? .492/1997 traz a seguinte redação: “As dúvidas do Tabelião de Protesto serão resolvidas pelo Juízo competente. Sustado um protesto. Cancelado um protesto. é vedado ao tabelião expedir certidões em que conste o protesto cancelado.” A dúvida é o processo de jurisdição voluntária pelo qual o tabelião indaga ao juiz se poderá ou não fazer o registro que lhe foi requerido. o art. O protesto pode ser cancelado por ordem judicial ou por requerimento do devedor que exiba o título objeto do protesto. 18 da Lei nº 9. Exercício Direito Empresarial 53.90 Em relação à dúvida.

É preciso observar que a falência é um processo empresarial.101/2005.2 Síntese A referência legal é trazida pela Lei nº 11.Capítulo 12 Falência 1. Falência – Referência Legal – Lei nº 11.101/2005 1. entrando em vigor em 09 de junho de 2005. . começando pela referência legal. mas compreende também normas de direito material. 1. A lei teve uma vacatio legis de quatro meses. estudaremos a falência.1 Apresentação Nesta unidade.

porém. Falência é o processo promovido contra o devedor legitimado em estado econômico especial: insolvente. . Há três teorias sobre o que vem a ser principal estabelecimento. A massa falida subjetiva é formada pela comunidade de credores que habilitou seu crédito. Isso ocorre. havia o instituto da concordata.101/2005 há vedação de ambas as modalidades de concordata. que continua a ter sua existência. Não se deve confundir a falida. Direito Empresarial 2. estudaremos a falência. onde está a “cabeça” da sociedade. o que não é verdadeiro. com o fim de evitar a falência. sendo competente o juiz do principal estabelecimento.1 Apresentação Nesta unidade. que suspendia a eficácia da sentença falimentar.2 Síntese O art. Às falências requeridas após a Lei nº 11. há extinção da pessoa jurídica.101/2005 aplicam-se a Lei nº 11. com toda falência requerida na vigência da antiga lei. com a massa falida.661/1921. até o encerramento da falência. Com a Lei nº 11. Há a massa falida subjetiva e objetiva. que se subdividia em preventiva e suspensiva. 99 da Lei nº 11. a sentença será proferida nos termos do art.101/2005. sendo abordada agora a competência. Antigamente. que é a sociedade ou empresário individual. que é uma entidade despersonificada. que continua tendo sua existência normalmente. também. 2. a Lei nº 11. Hoje. A Corte entende que principal estabelecimento é sinônimo de sede administrativa. 3º da Lei de Falência trata da competência.101/2005.101/2005 trouxe o instituto da recuperação de empresas. que será representada pelo administrador judicial (figura que substituiu o síndico).92 Toda falência decretada na vigência da antiga lei continuará sob a regência do Decreto-lei nº 7. Alguns imaginam que decretada a falência. A massa falida objetiva é formada pelos bens e direitos arrecadados do falido. Competência 2. Contudo. somente uma é aceita no STJ.

A falência traz. conforme disposto no art. na verdade. sendo abordada agora a legitimidade passiva. 96 da Lei de Falência. que é um ente despersonificado. na medida em que perde a posse e a administração de seus bens.1 Apresentação Nesta unidade. 103 prevê: “Desde a decretação da falência ou do sequestro. uma limitação na capacidade civil do devedor. o falido poderá requerer ao juiz da falência que proceda à respectiva anotação em seu registro. Legitimidade Passiva 3. A regra geral acerca da legitimidade passiva está no art. requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cabíveis. 16 da Lei nº 6. há casos de não empresários que podem falir. 181 desta Lei.” O art. Direito Empresarial 3. a falência da sociedade acarretará a falência destes sócios que respondem sem limitação. O segundo não empresário que pode falir está no art. Todavia. O primeiro não empresário que pode falir é o espólio do empresário. respeitado o disposto no § 1º do art.” Estabelece o parágrafo único: “Findo o período de inabilitação. 102 e 103 da Lei de Falência. pessoa natural ou jurídica.2 Síntese . estudaremos a falência.019/1974.” Já o parágrafo único dispõe: “O falido poderá. 1º: quem pode falir é o empresário.93 A falência tanto não extingue a pessoa jurídica que isso está expressamente previsto nos arts. O terceiro não empresário que pode falir é a sociedade de trabalho temporária. 102 dispõe: “O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações. contudo. O art. requerer as providências necessárias para a conservação de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada. o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor. fiscalizar a administração da falência. 81. A lei prescreve que em caso de falência de sociedade que tenha sócio de responsabilidade ilimitada.” 3. nos termos do § 1º do art.

entidade de previdência complementar. revogou o art. o dispositivo seria constitucional em relação a estas.A. de 13 de março de 1974. as sociedades de economia mista foram afastadas do processo falimentar. Direito Empresarial 4. a Lei nº 10. estudaremos a falência. sociedade operadora de plano de assistência à saúde. 105 a 107 desta Lei. o art. 242 da Lei de S. de 25 de fevereiro de 1987. é necessário que este dispositivo seja conjugado com o art. qualquer herdeiro do devedor ou o inventariante.514. Podem requerer a falência do devedor: I – o próprio devedor. O art.1 Apresentação Nesta unidade. Falência: Legitimidade e Objetivo 4.” O STF entendeu que se a sociedade de economia mista explorar atividade econômica. no que couber.024. 2º da Lei de Falência.321. a sociedade de economia mista praticar ato administrativo puro. na forma do disposto nos arts.101/2005. 2º da Lei de Falência dispõe: “Esta Lei não se aplica a: I – empresa pública e sociedade de economia mista. sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores. sociedade seguradora. na Lei no 6. mas incluiu-se também o afastamento das empresas públicas. cooperativa de crédito. todavia. no Decreto-lei no 2. 4. Com o advento da Lei nº 11. assim. consórcio. esta Lei aplica-se subsidiariamente. Ocorre que.303/2001. aos regimes previstos no Decreto-lei nº 73. de 20 de novembro de 1997. 97 da Lei de Falência traz o rol acerca do tema: “Art. e. II – o cônjuge sobrevivente. .2 Síntese Em relação à legitimidade ativa.94 Há também empresários que estariam excluídos do processo falimentar. O art. e na Lei no 9. também da Lei de Falência. 197. Se. II – instituição financeira pública ou privada. passaram a poder falir todas as sociedades de economia mista. esta poderia falir. 97. 197 dispõe: “Enquanto não forem aprovadas as respectivas leis específicas. Em relação ao inciso II do art. de 21 de novembro de 1966. sendo abordada agora a legitimidade ativa e o objetivo. quanto às instituições financeiras.

Falência: Finalidade 5. Não pode o Ministério Público ser autor de pedido de falência. A falência decretada de ofício pelo juiz de direito não existe no Brasil. contudo. 105. O empresário pode ser réu no processo de falência.” . é facultado à Fazenda Pública requerer falência do devedor empresário contribuinte? 5.” Quando se fala em preservar a empresa. Exercício 54. só não pode ser autor. sendo abordada agora a finalidade. estudaremos a falência. inclusive os intangíveis. Há somente um caso em que um empresário irregular ou mesmo empresário de fato poderá ser autor do pedido de falência: quando se tratar de uma autofalência (art.2 Síntese O art. Estabelece o dispositivo: “A falência. visa a preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens. a linha processual se dava da seguinte forma: o pedido abria a fase pré-falimentar. a implementação desta finalidade se faz por uma nova ordem processual. IV – qualquer credor. salvo no pedido de autofalência. ativos e recursos produtivos. da Lei de Falência). 5. é legitimado para recorrer.95 III – o cotista ou o acionista do devedor na forma da lei ou do ato constitutivo da sociedade. Segundo a jurisprudência do STJ. ao promover o afastamento do devedor de suas atividades. IV. vinha a sentença de falência e entrava-se Direito Empresarial O parágrafo único dispõe: “O processo de falência atenderá aos princípios da celeridade e da economia processual. 75 da Lei de Falência fixa a finalidade do instituto. não possuindo o magistrado legitimidade ativa. A preservação da empresa dar-se-á por uma nova sistemática processual. da empresa.1 Apresentação Nesta unidade. Na antiga Lei de Falência.

com a venda de seus estabelecimentos em bloco. é possível que ocorra de ninguém querer comprar. IV – alienação dos bens individualmente considerados. Neste momento. com isso. a fase de administração e a fase de liquidação. Terminada a fase de sindicância.” Nos incs. Direito Empresarial 6. a empresa com todos os seus bens. sendo abordada a realização do ativo. nos termos do inc. o art. fase em que seriam vendidos os bens e direitos do falido e pagos os credores.2 Síntese É preciso que a finalidade seja alcançada. realizando-se o ativo. estudaremos a falência. Contudo. que haja pronta venda dos bens antes que estes pereçam. preferencialmente. 140: “A alienação dos bens será realizada de uma das seguintes formas. era publicado um edital e começava a fase de liquidação. 6. Dentro desta lógica. acabou com o instituto suspensivo e.101/2005. . II – alienação da empresa. I. Como última solução vende os bens. corpóreos e incorpóreos. No entanto.96 na chamada fase de sindicância. Tal concordata dava ao empresário a oportunidade de reaver seus bens e ter novamente o empreendimento. IV. A Lei nº 11. tendo a ordem acima a finalidade de preservação da empresa. Vende-se. Na nova lei. Falência: Realização do Ativo 6. os bens haviam sido sucateados devido ao transcurso do prazo. com a venda de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente. abre-se a fase pré-falimentar e vem a sentença de falência. duas fases começam de forma concomitante. quando chegava a ocasião de requerê-la. 140 da Lei de Falência prescreve a ordem dos bens na falência. observada a seguinte ordem de preferência: I – alienação da empresa. ou seja. III – alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do devedor. II e III há uma falência preservatória. A concordata suspensiva era pedida no prazo de cinco dias a contar da publicação do edital. o problema foi finalizado. Dispõe o art.1 Apresentação Nesta unidade.

Muitas vezes. II – propostas fechadas. se houver. Exercício 55. sendo desenvolvido em duas fases. mas só poderão participar do leilão aqueles que se habilitaram no pregão. Direito Empresarial 7. prevista no art. por lances orais. o art. Essas modalidades alternativas devem ser lícitas. pois o adquirente não herda nada. Falência: Exclusão da Sucessão e Atuação do MP 7. inclusive as de natureza tributária. uma pessoa adquire um bem e herda o passivo do vendedor. A lei autoriza que a assembleia geral de credores delibere modalidades alternativas de realização dos ativos.” No pregão da licitação busca-se o menor preço. estudaremos a falência.. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho. ordenará que se proceda à alienação do ativo em uma das seguintes modalidades: I – leilão. 141. ouvido o administrador judicial e atendendo à orientação do Comitê.. “c”. Existe uma modalidade extraordinária de realização dos ativos. sendo abordadas a exclusão da sucessão e a atuação do MP. 35.” A aquisição na falência é muito parecida com uma aquisição originária. promovida sob qualquer das modalidades de que trata este artigo: (. prescreve a exclusão em caso de venda na falência: “Na alienação conjunta ou separada de ativos. inclusive da empresa ou de suas filiais. II. III – pregão. da Lei de Falência.2 Síntese . 142 estabelece: “O juiz.97 O art. No caso específico da falência. Qual é o quórum para a assembleia geral de credores deliberar na modalidade alternativa de realização de ativos? 7. A primeira fase se dá por propostas lacradas e a segunda por leilão. II.) II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor.1 Apresentação Nesta unidade.

” Nota-se que quando o assunto é direitos trabalhistas. O art. se a venda se fizer também na recuperação.190 do Código Civil dispõe: “Ressalvados os casos previstos em lei. ou não.2 Síntese O pressuposto fático-jurídico da falência é a insolvência. nenhuma autoridade. em se tratando de recuperação.” O art. 142. o Senador Mercadante convenceu o Senado de que os direitos trabalhistas não deveriam ser mitigados em se tratando de recuperação. sob pena de nulidade expressamente cominada em lei? 8. o Ministério Público será intimado pessoalmente. sob pena de nulidade. comunhão ou sociedade. 1. poderá fazer ou ordenar diligência para verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam. Qual é o único caso em toda a Lei de Falência cuja intimação do MP é obrigatória. inclusive as de natureza tributária. houve uma omissão legislativa. 1. 60. observado o disposto no § 1º do art. as formalidades prescritas em lei. Há duas modalidades de insolvência. 141 desta Lei.98 O art. Falência: Pressuposto Fático-Jurídico 8. sendo abordado agora o pressuposto fático-jurídico. estudaremos a falência. sendo a primeira a insolvência de fato ou econômica.934. parágrafo único dispõe: “O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. bem como o RE nº 583. ou em caso de falência.955 e decidiu que não há sucessão trabalhista. juiz ou tribunal.” .” Exercício 56. administração ou gestão à conta de outrem. O STF julgou a ADI nº 3. Ocorre que. O art. em seus livros e fichas. dentre outras. tributária. § 7º. dispõe: “Em qualquer modalidade de alienação.1 Apresentação Nesta unidade. Direito Empresarial 8. sob qualquer pretexto.191 estabelece: “O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de escrituração quando necessária para resolver questões relativas à sucessão.

94 traz uma impontualidade advinda de um ato extrajudicial e o inc. pois existe o chamado depósito elisivo. 94.” Estabelece o parágrafo único: “Nos pedidos baseados nos incs. no prazo da contestação. Quando o assunto é falência. que se assenta em um sistema de presunções legais. é necessário entender que a falência é ruína jurídica.1 Apresentação Nesta unidade. não deposita e não nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal. sendo abordados agora os meios de exteriorização e o depósito elisivo. O inc. qual seja o protesto. não paga. o devedor poderá. o devedor poderá apresentar contestação no prazo de 10 (dez) dias. Dispõe o art.2 Síntese . elide a presunção decorrente da impontualidade. I. estudaremos a falência. Ainda. acrescido de correção Direito Empresarial 9. O art. 94 desta Lei. não paga. II dispõe: “II – executado por qualquer quantia líquida. 98: “Citado. Na impontualidade. O depósito elisivo previsto no referido dispositivo. Há um questionamento que deve ser feito. o legislador renuncia à insolvência de fato. I e II do caput do art. A impontualidade é uma presunção relativa. prescreve: “Será decretada a falência do devedor que: I – sem relevante razão de direito. obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos protestados. previsto no parágrafo único do art. 98 da Lei de Falência. Falência: Meios de Exteriorização e Depósito Elisivo 9. Há duas maneiras para externar da intimidade da vida do empresário a presunção da insolvência jurídica: impontualidade e atos ruinosos.” 9. cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência. II traz um ato judicial. I do art.99 É possível perceber que o Estado protege o empresário. A insolvência jurídica se assenta em um sistema de presunções legais. pois este é um pressuposto para insolvência civil.” A impontualidade se caracteriza por um ato extrajudicial. se a presunção é juris tantum (relativa) ou juris et de jure (absoluta). no vencimento. depositar o valor correspondente ao total do crédito. o inc.

sendo esta de cobrança. No inc. não implicando cerceamento de defesa. O art. 76 da Lei de Falência dispõe: “Os processos de falência e os seus incidentes preferem a todos os outros na ordem dos feitos.2 Síntese É preciso que se verifique se o pedido de falência se deu com base em impontualidade ou atos ruinosos. sendo abordados agora os sistemas de defesa e recursal. Exercício 57. também.” O depósito elisivo realizado em tempo e modo hábeis impede a decretação da falência. em qualquer instância. A presunção aqui é absoluta. Feito o depósito elisivo. estudaremos a falência.” . cumular a contestação com a realização do depósito elisivo. a ação de falência continua tramitando. III do art. o pedido de falência foi procedente ou improcedente? 10. Se o depósito elisivo compreende o pagamento de honorários. já que não cabe depósito elisivo.100 monetária. o réu tem três possibilidades: pode apresentar somente a contestação.1 Apresentação Nesta unidade. Se o pedido se deu com base em atos ruinosos. Falência: Sistemas de Defesa e Recursal 10. mas é vedado ao juiz decretar a falência. como abandonar o estabelecimento sem deixar representante. caso julgado procedente o pedido de falência. 94 há uma série de condutas praticadas por um devedor que fazem externar de sua intimidade a presunção de que esteja insolvente. por exemplo. somente há um caminho para o réu: a apresentação da contestação. o juiz ordenará o levantamento do valor pelo autor. Há uma modificação na natureza jurídica da ação de falência. Direito Empresarial 10. pode realizar somente o depósito elisivo e pode. hipótese em que a falência não será decretada e. Caso se trate de impontualidade. pois a defesa varia conforme se trate de uma ou outra situação. juros e honorários advocatícios.

Se o pedido de falência é procedente. 117 e 118. ou seja. A lei prescreve que. Ainda. Sobre a pessoa do falido. Sobre os bens e direitos.101/2005). se a sentença for pela falência. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência de qualquer das partes. 100 da Lei de Falência. Julgado improcedente o pedido de falência. A Lei de Falência usa como classificação de contratos os unilaterais e bilaterais (arts. com o fim de evitar que o falido desapareça com os bens e direitos. conforme disposto no art. Direito Empresarial 11. perdendo somente quando os bens forem levados à venda judicial. que menciona os requisitos da sentença falimentar. diante da procedência do pedido. Direitos e Contratos 11. A falência não extingue a personalidade. tendo sido decretada falência de uma das partes.101 A falência tem prioridade na tramitação. Bens.2 Síntese . poderá interpelar o administrador judicial no prazo de 90 dias contados de sua posse. da Lei nº 11. pois muitas vezes a falência de uma sociedade empresária pode abalar um bairro inteiro. o recurso cabível é a apelação. aquele que contratou com o falido. o falido perde a posse e administração.1 Apresentação Nesta unidade. a fim de indagar-lhe se vai ou não cumprir o contrato bilateral. o que há é uma limitação na capacidade civil. mas não perde a propriedade. ou uma sociedade como um todo. estudaremos a falência. sendo abordados agora os efeitos sobre pessoa. os bens. Falência: Efeitos sobre Pessoa. 11. 99. Ressalte-se que a sentença que decreta a falência desafia o recurso de agravo de instrumento. O administrador terá o prazo de dez dias para responder e seu silêncio implicará a rescisão contratual. formando assim a massa falida objetiva. Arrecadação é o ato pelo qual o administrador judicial desapossa o falido de seus bens e direitos. observar-se-á a sentença o art. nem jurídica e nem natural. deve-se passar à fase de avaliação e arrecadação dos bens. direitos e contratos.

Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência sobre os mencionados no art. administração. e créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência. nos termos do art. 67 desta Lei. 83 desta Lei.101/2005 inovou.1 Apresentação Nesta unidade. ou após a decretação . II – quantias fornecidas à massa pelos credores. 12. se a massa falida é devedora. os chamados créditos extraconcursais e concursais. V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial. a Lei nº 11.2 Síntese A Lei de Falência classificou os créditos do falido em dois grupos. sendo abordada aqui a ordem dos créditos. já que caberá ao administrador judicial da massa. Ordem dos Créditos: Extraconcursais 12. esta é uma cláusula lícita. na ordem a seguir. examinar as circunstâncias do caso concreto e decidir segundo a conveniência econômica da massa. o art. havendo cinco classes: “Art. é preciso saber se a massa falida é credora ou devedora. III – despesas com arrecadação. No entanto. Habilitação é o processo pelo qual o credor da falida se torna credor da massa falida. Os extraconcursais são aqueles que serão pagos independentemente de habilitação do credor. Direito Empresarial 12. bem como custas do processo de falência. 84 fixa uma ordem de privilégio. Quando há um contrato unilateral. realização do ativo e distribuição do seu produto. os relativos a: I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares.102 Se o contrato possuir a previsão de rescisão em caso de eventual falência de uma das partes. estudaremos a falência. tem-se que o contrato unilateral não se resolve pela decretação da falência. 84. Entre os créditos extraconcursais. Se for credora. IV – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida. ouvindo o comitê de credores.

Esta Súmula. . havendo uma ordem de privilégio que deve ser observada no pagamento concursal. 83 dispõe: “Os créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados quirografários. II do art. 83 traz os créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado. independentemente da sua natureza e tempo de constituição. Esses créditos estão no mesmo nível. pois o CTN prescreve no parágrafo único do art.” O inc. Decretada a falência.1 Apresentação Nesta unidade. sendo abordados agora os créditos concursais.2 Síntese Os créditos concursais são aqueles que somente serão pagos se o credor habilitar seu crédito junto à massa falida. Ordem dos Créditos: Concursais 13. com o advento da Lei nº 11. Primeiramente. mas há um limite financeiro ao crédito do empregado (até 150 salários-mínimos). parece ter caducado. O § 4º do art. excetuadas as multas tributárias. 13. o empregado recebe um alvará para habilitar-se junto à massa falida. Direito Empresarial Faz-se necessário observar que o STF já decidiu que a limitação de 150 salários-mínimos é constitucional. esta tem a faculdade de fazê-lo. O único credor que está dispensado de habilitar seu crédito é a Fazenda Pública. 13. III traz os créditos tributários. Entre os créditos tributários há uma ordem de privilégios. O inc. devendo ser pagas.101/2005.103 da falência. já que as custas são créditos extraconcursais. Já o depósito recursal é garantia de execução e a execução trabalhista não se faz em caso de decretação de falência. porém. Todos os demais credores só serão pagos se habilitarem seus créditos. 83 desta Lei. e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência. há o crédito do acidentado do trabalho e o crédito do empregado.” A Súmula nº 86 do TST prevê que a massa falida está dispensada de pagar custas processuais. 187 que inicialmente paga-se à União. estudaremos a falência. respeitada a ordem estabelecida no art.

na recuperação judicial ou na falência: I – as obrigações a título gratuito. Direito Empresarial 14.2 Síntese Apesar de a falência ter uma força de atração. a partir daí há duas outras classes: as multas contratuais e as penas pecuniárias.” Em 2009. O inc. bem como a compensação. IV traz os créditos com privilégio especial e. I. há os créditos com privilégio geral. . e ambos mencionados no art. 5º: “Não são exigíveis do devedor. 9º. sendo abordados aqui a correção monetária e os juros. Seu crédito é quirografário ou subordinado? 14. São dois. I e II). da Constituição Federal. no inc. Ocorre que a sociedade quebra. dois casos em que os credores receberão seus juros. aqui.104 depois os Estados e Distrito Federal e. Nota-se. por fim os Municípios.” Quanto aos juros. ainda que os demais credores nada recebam. 187 do Código Tributário Nacional. Há duas exceções. VI traz os créditos quirografários e. Correção Monetária e Juros. já que viola o pacto federativo. o art. Compensação 14. do art. Falência. estudaremos a falência. Já o inc. 124 estabelece que a massa falida não paga juros. o STF manteve a vigência desta Súmula. emprestando dinheiro à sociedade. II – as despesas que os credores fizerem para tomar parte na recuperação judicial ou na falência. salvo as custas judiciais decorrentes de litígio com o devedor. Exercício 58. alguns créditos não se sujeitam ao processo falimentar. salvo se os comportar. Um empregado é alçado ao cargo de diretor de uma companhia.1 Apresentação Nesta unidade. é compatível com o disposto no art. Dispõe o art. 5º da Lei de Falência (incs. uma inconstitucionalidade. Ocorre que a Súmula nº 563 do STF estabelece: “O concurso de preferência a que se refere o parágrafo único. V. por infração das leis penais ou administrativas e o chamado crédito subordinado.

122 da Lei de Falência dispõe: “Compensam-se. Decretada a falência do devedor. ambos da Lei de Falência. ficarão suspensas todas as ações individuais e prescrições que havia contra o falido. 6º. indevidamente arrecadado para a massa falida. trazem um importante efeito acerca da prescrição. Prescrição. Quando decretada a falência. o produto dos bens que constituem a garantia. esta será feita em dinheiro. obedecidos os requisitos da legislação civil.105 Dispõe o art. 124: “Contra a massa falida não são exigíveis juros vencidos após a decretação da falência. todo bem vendido a crédito e entregue ao falido nos 15 dias que antecedem a distribuição do pedido de falência.” O parágrafo único estabelece: “Excetuam-se desta disposição os juros das debêntures e dos créditos com garantia real. Já a ação de restituição extraordinária se pauta na boa-fé. sendo entendido agora o vencimento antecipado. na impossibilidade da restituição da coisa. Ainda. Se a coisa já tiver sido vendida ou usada. Há duas modalidades de ação de restituição: ordinária e extraordinária. há uma fungibilidade entre ação de restituição e a habilitação de crédito.” 15. Ação de Restituição 15. estudaremos a falência. as dívidas do devedor vencidas até o dia da decretação da falência. com preferência sobre todos os demais credores.1 Apresentação Nesta unidade. A ação de restituição é a ação pela qual o proprietário de um bem.2 Síntese . o administrador deve arrecadar todos os bens e direitos que encontrar no estabelecimento do falido. previstos em lei ou em contrato. Vencimento Antecipado. exclusivamente. poderá pleitear a restituição. para que os credores possam habilitar seu crédito. A ação de restituição ordinária pauta-se no direito de propriedade. a prescrição e a ação de restituição. Assim. vai reaver a posse do bem. há vencimento antecipado de todas as suas obrigações. Desde a decretação da falência até a data da sentença de encerramento. conjugado com o art. se o ativo apurado não bastar para o pagamento dos credores subordinados. mas por eles responde. provenha o vencimento da sentença de falência ou não. 157. Direito Empresarial 15.” O art. O art.

quando for o caso.1 Apresentação Nesta unidade. O art. 93: “Nos casos em que não couber pedido de restituição. da Lei de Falência. sendo entendido agora o período suspeito e a ação revocatória de falência. Período Suspeito/Ação Revocatória de Falência 16. .101/2005. traz o período de dois anos. II. provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida. 99.” Ainda. enquanto na ação pauliana é necessário demonstrar a fraude. são atos ineficazes em relação à massa falida. que dispõe: “São revogáveis os atos praticados com a intenção de prejudicar credores. 89: “A sentença que negar a restituição. enquanto na ação revocatória isso não é necessário. na ação pauliana há necessidade de comprovação do dano. Quando a ação de restituição não é cabível? 16. incluirá o requerente no quadro geral de credores. 129 da Lei de Falência.” A ação revocatória se distingue da ação pauliana por dois fatores.106 Dispõe o art. em que o devedor pode cometer atos desesperados. os atos do devedor são presumivelmente fraudulentos.” Exercício 59. fica resguardado o direito dos credores de propor embargos de terceiros. Na ação revocatória há uma presunção absoluta da fraude. A ação revocatória está prevista no art. O termo legal é um período suspeito que será fixado pelo juiz quando decreta a falência. 129 da Lei nº 11. estudaremos a falência.2 Síntese O período suspeito é o período que antecede a falência. na forma desta Lei. conforme previsão do art. contados da sentença de falência. estabelece o art. na classificação que lhe couber. observada a legislação processual civil. Ainda. Durante o termo legal. Já a ação revogatória está prevista no artigo seguinte. Direito Empresarial 16.

julgada procedente. o objeto reavido somente poderá ser executado pelo autor da ação. o Ministério Público verificará se houve ou não crime falencial. estudaremos a falência. concedida a recuperação judicial ou homologado o plano de recuperação extrajudicial.1 Apresentação Nesta unidade. Visa à apuração de eventuais crimes falenciais. a de liquidação e a de administração. O art. Na ação revocatória. . as quais estão previstas no Código Penal. cabendo ao juiz receber a denúncia e mandar redistribuir a uma das varas criminais. III. 17. “e”. tramitam duas fases.2 Síntese O processo falimentar começa com o pedido. O recebimento de denúncia por crime falencial exige uma decisão fundamentada. Linha de Processo Falimentar 17. A Súmula nº 564 do STF estabelece: “A ausência de fundamentação do despacho de recebimento de denúncia por crime falimentar enseja nulidade processual. Existe um entendimento minoritário no sentido de que a denúncia deve ser apresentada à vara empresarial. O administrador judicial da massa falida elaborará um relatório. De posse da exposição circunstanciada. salvo se já houver sentença condenatória. 183 da Lei de Falência dispõe: “Compete ao juiz criminal da jurisdição onde tenha sido decretada a falência.” A maioria da doutrina entende que a denúncia pelo crime falencial será apresentada diretamente à vara criminal. denominado exposição circunstanciada (art. sendo abordada agora a linha de processo falimentar. 17. Direito Empresarial É importante destacar que quando se trata de crime falencial há algumas peculiaridades. da Lei de Falência). nos crimes falimentares aplicam-se as causas interruptivas da prescrição. que abre a fase pré-falimentar.” Nos termos da Súmula nº 592 do STF. o bem será arrecadado para a massa falida. 22. Decretada a falência. conhecer da ação penal pelos crimes previstos nesta Lei.107 Julgada procedente uma ação pauliana.

a qual se estenderá até a sentença de extinção das obrigações do falido. sendo abordada ainda a linha de processo falimentar. diretoria ou gerência das sociedades sujeitas a esta Lei. São efeitos da condenação por crime previsto nesta Lei: I – a inabilitação para o exercício de atividade empresarial. A fase de encerramento termina com a sentença de encerramento. III – a impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio. o administrador judicial da massa informará todos os credores que habilitaram seu crédito. O art.108 A Súmula nº 147 do STF não foi revogada. o valor dos créditos que habilitaram. Estabelece o § 1º do mesmo dispositivo: “Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos. Neste relatório. nos termos do art. Essa fase é composta por um só ato. II – o impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de administração. aqueles que deixaram de habilitar. com a prestação de contas. estudaremos a falência. Linha de Processo Falimentar: Extinção das Obrigações 18.” A fase de liquidação e a fase de administração terminam conjuntamente. dentre outras informações. A finalidade da sentença de extinção das obrigações do falido é reabilitá-lo ao exercício da profissão. um relatório que será elaborado pelo administrador judicial. Direito Empresarial 18. 181. abrindo a fase de extinção das obrigações do falido. 155 da Lei de Falência. devendo ser motivadamente declarados na sen- . 181 da Lei de Falência dispõe: “Art. Estabelece esta Súmula: “A prescrição de crime falimentar começa a correr da data em que deveria estar encerrada a falência ou do trânsito em julgado da sentença que a encerrar ou que julgar cumprida a concordata.1 Apresentação Nesta unidade.2 Síntese Prestadas as contas. entra-se na fase chamada encerramento. mas colide com a Lei de Falência. 18.

contado do encerramento da falência. cessar antes pela reabilitação penal. se o falido tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta Lei. contudo. de mais de 50% (cinquenta por cento) dos créditos quirografários. contado do encerramento da falência.” O art. e perdurarão até 5 (cinco) anos após a extinção da punibilidade. podendo. III – o decurso do prazo de 5 (cinco) anos.” . IV – o decurso do prazo de 10 (dez) anos. II – o pagamento. 158 traz os casos de extinção das obrigações do falido: “Art. se o falido não tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta Lei.109 Direito Empresarial tença. depois de realizado todo o ativo. sendo facultado ao falido o depósito da quantia necessária para atingir essa porcentagem se para tanto não bastou a integral liquidação do ativo. 158 Extingue as obrigações do falido: I – o pagamento de todos os créditos.

pois a concordata era um direito do empresário que atendesse aos requisitos e que não tivesse impedido. 1.1 Apresentação Nesta unidade.2 Síntese A Lei de Falência trata inicialmente da recuperação de empresas para depois tratar sobre a falência.Capítulo 13 Recuperação de Empresas 1. . Introdução Finalidade da Recuperação de Empresas 1. A Lei de Falência é a de nº 11. estudaremos a recuperação de empresas e sua finalidade.101/2005. Não deve se confundir concordata com recuperação de empresas.

Assim como a concordata. sua função social e o estímulo à atividade econômica. § 3º. o que distingue a finalidade da falência da finalidade da recuperação? 2. pois também tem como fim resguardar o empresário. 47 da Lei de Falência. São duas as finalidades da recuperação da empresa. Nome Empresarial 2. 47. Ainda que atenda aos requisitos.111 Já a recuperação de empresas tem natureza contratual. 48 e 161. assim. a preservação da empresa. da Lei nº 11. “Art. a recuperação de empresa pauta-se na solidariedade que há entre os empresários. a preservação da empresa e a do sujeito do direito. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor. é um contrato entabulado entre o devedor e seus credores. A recuperação visa à manutenção da empresa. tem por objetivo a preservação da empresa. seus requisitos e impedimentos. . do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores. ao promover o afastamento do devedor de suas atividades. Requisitos e Impedimentos.2 Síntese Os requisitos e impedimentos da recuperação de empresas estão previstos nos arts. A finalidade da recuperação de empresa está prevista no art. a fim de permitir a manutenção da fonte produtora. Exercício 60. depende da oitiva dos credores. Direito Empresarial Nesta unidade. estudaremos a recuperação de empresas.1 Apresentação 2. promovendo. A falência. Se a falência e a recuperação visam a preservação da empresa. mas não exclusivamente.101/2005.

II – não ter. III – não ter. Como fica o nome empresarial de uma sociedade em recuperação? Direito Empresarial 3. inventariante ou sócio remanescente. há menos de 8 (oito) anos. estejam declaradas extintas. 69 da Lei nº 11. § 3º O devedor não poderá requerer a homologação de plano extrajudicial. após o nome empresarial. a expressão “em Recuperação Judicial”. Parágrafo único. exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos. como administrador ou sócio controlador. se estiver pendente pedido de recuperação judicial ou se houver obtido recuperação judicial ou homologação de outro plano de recuperação extrajudicial há menos de 2 (dois) anos. IV – não ter sido condenado ou não ter. Em todos os atos.” Em relação ao nome empresarial. as responsabilidades daí decorrentes. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que. estudaremos as espécies de recuperação extrajudicial. A recuperação judicial também poderá ser requerida pelo cônjuge sobrevivente.112 “Art. por sentença transitada em julgado. prevê: “Art. há menos de 5 (cinco) anos. no momento do pedido. herdeiros do devedor. o art. contratos e documentos firmados pelo devedor sujeito ao procedimento de recuperação judicial deverá ser acrescida. obtido concessão de recuperação judicial. pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei. se o foi. .101/2005. 161. obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo.” “Art. Espécies (Extrajudicial) 3. 69. O devedor que preencher os requisitos do art.1 Apresentação Nesta unidade. 48 desta Lei poderá propor e negociar com credores plano de recuperação extrajudicial.” Exercício 61. 48. O juiz determinará ao Registro Público de Empresas a anotação da recuperação judicial no registro correspondente. Parágrafo único. cumulativamente: I – não ser falido e.

“Art. 83. “Art. do caput. também. Os créditos trabalhistas ou decorrentes de acidente do trabalho também estão excluídos da recuperação de empresa extrajudicial. A recuperação judicial de homologação judicial facultativa se dá nas circunstâncias previstas no art.113 A lei classificou a recuperação de empresas em dois grupos: extrajudiciais e judiciais. e 86. O devedor poderá. ou grupo de credores de mesma natureza e sujeito a semelhantes condições de Direito Empresarial 3. pois seu crédito é inegociável. 163 da Lei nº 11.” Na recuperação extrajudicial.2 Síntese . juntando sua justificativa e o documento que contenha seus termos e condições. § 1º Não se aplica o disposto neste Capítulo a titulares de créditos de natureza tributária. O devedor poderá requerer a homologação em juízo do plano de recuperação extrajudicial. optar por excluir uma classe de credores. 49. II. § 3º. sendo seus interesses e necessidades. II do caput. 48 desta Lei poderá propor e negociar com credores plano de recuperação extrajudicial. derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. O devedor poderá. VI e VIII. 162 da Lei nº 11. ou seja. assim como àqueles previstos nos arts. IV. com as assinaturas dos credores que a ele aderiram. desta Lei. 161. A Fazenda Pública não pode fazer parte. 161 da Lei de Falência exclui dois credores da recuperação extrajudicial. Na recuperação judicial. A recuperação de empresas extrajudicial se divide em duas modalidades: homologação judicial facultativa e homologação judicial necessária ou obrigatória.101/2005. 163. poderá escolher qual credor incluir ou excluir da recuperação. prevista no art.” A segunda modalidade de recuperação extrajudicial é a homologação judicial necessária. V. O devedor que preencher os requisitos do art. § 1º O plano poderá abranger a totalidade de uma ou mais espécies de créditos previstos no art.101/2005. ou um credor de uma determinada classe. o devedor convoca seus credores fora de juízo e lhes propõe uma repactuação do passivo. “Art. o devedor não está obrigado a incluir todos os credores. 162. requerer a homologação de plano de recuperação extrajudicial que obriga a todos os credores por ele abrangidos. desde que assinado por credores que representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie por ele abrangidos. desta Lei. O art.

114 Direito Empresarial pagamento. e II – não serão computados os créditos detidos pelas pessoas relacionadas no art. ela poderia se dar em sede de câmaras arbitrais? . ele obrigará. pois homologado judicialmente o plano. e 2ª – compelir os dissidentes aos termos do plano de recuperação. o devedor deverá juntar: I – exposição da situação patrimonial do devedor. a natureza. 162 desta Lei. o regime dos respectivos vencimentos e a indicação dos registros contábeis de cada transação pendente. ao invés da homologação ser feita judicialmente. a variação cambial só poderá ser afastada se o credor titular do respectivo crédito aprovar expressamente previsão diversa no plano de recuperação extrajudicial. a supressão da garantia ou sua substituição somente serão admitidas mediante a aprovação expressa do credor titular da respectiva garantia. II do caput do art. 51 desta Lei. 43 deste artigo. § 6º Para a homologação do plano de que trata este artigo. exclusivamente em relação aos créditos constituídos até a data do pedido de homologação. na forma do inc. uma vez homologado. discriminando sua origem. Exercício 62. e III – os documentos que comprovem os poderes dos subscritores para novar ou transigir. mas também os dissidentes. a classificação e o valor atualizado do crédito. que são: 1ª – segurança da coisa julgada. e. além dos documentos previstos no caput do art. No caso de homologação judicial facultativa de recuperação extrajudicial. não apenas os credores que o assinaram. II – as demonstrações contábeis relativas ao último exercício social e as levantadas especialmente para instruir o pedido. § 2º Não serão considerados para fins de apuração do percentual previsto no caput deste artigo os créditos não incluídos no plano de recuperação extrajudicial.” Há duas necessidades para a homologação judicial. obriga a todos os credores das espécies por ele abrangidas. § 5º Nos créditos em moeda estrangeira. relação nominal completa dos credores. os quais não poderão ter seu valor ou condições originais de pagamento alteradas. § 3º Para fins exclusivos de apuração do percentual previsto no caput deste artigo: I – o crédito em moeda estrangeira será convertido para moeda nacional pelo câmbio da véspera da data de assinatura do plano. § 4º Na alienação de bem objeto de garantia real. com a indicação do endereço de cada um.

A recuperação judicial especial está prevista nos arts.115 4. 71 e 72 da Lei nº 11. Espécies (Judicial Especial) 4. São duas as modalidades de recuperações judiciais. Na recuperação judicial especial. O plano de recuperação judicial especial nada mais é do que um parcelamento do passivo quirografário em até 36 parcelas mensais. As consequências da recuperação judicial especial são: só atingirá o passivo quirografário do devedor. A recuperação judicial especial é uma exceção dentro do direito concursal relativo às recuperandas. A lei prescreve que será o pagamento em até 36 parcelas. o juiz decreta a recuperação sem ouvir os credores. acidentados de trabalho. proibido de assinar quaisquer novos contratos que impliquem aumento de despesas. Já a recuperação judicial ordinária é uma oferta de contrato de adesão.1 Apresentação Nesta unidade. Todo devedor em recuperação judicial especial sofrerá duas limitações na sua capacidade de contratar: proibido de contratar novos empregados. privilégio especial. trabalhadores. estudaremos as espécies de recuperação judicial. A natureza jurídica da recuperação judicial especial é a de direito. iguais e sucessivas com uma carência para o pagamento da primeira parcela em até 180 dias. Direito Empresarial 4. No entanto. mensais. iguais e sucessivas. Essa modalidade de recuperação só se aplica a microempresas ou empresas de pequeno porte. a especial e a ordinária. 70. não é possível convocar credores em assembleia geral para que eles deliberem se aceitam ou não o plano de recuperação. essa modalidade de recuperação é facultativa. obrigado a incluir 100% do passivo quirografário na recuperação. É de sua natureza jurídica ser contrato entabulado entre o devedor e seus credores. com correção monetária e juros de 12% ao ano. Atendidos os requisitos da lei e não havendo impedimentos.101/2005.2 Síntese . não impedindo que uma ME ou EPP requeira uma recuperação extrajudicial ou judicial ordinária. salvo autorização dada pelo próprio juiz da recuperação e. não atingirá garantia real.

Direito Empresarial 5. o devedor não . •• Pode. quando temos um caso de homologação necessária. as condições gerais do plano que foi requerida a homologação judicial. O prazo de trinta dias para oposição à homologação do plano da recuperação judicial terá início na data da publicação do diário oficial. não foi atingido. É importante salientar que os credores que não foram incluídos no plano não fazem parte da recuperação.116 5. não apenas na comarca em que o processo tramite.2 Síntese Se o devedor e os credores não puderem. Para comunicar a distribuição da recuperação extrajudicial. ou havido um erro no cálculo financeiro. não atenderem os requisitos. facultativa e necessária.1 Apresentação Nesta unidade. não estão obrigados a requerer a homologação judicial para os casos de homologação facultativa. ou que esteja impedido. estudaremos a recuperação extrajudicial. demonstrando que o devedor não atinge os requisitos. Também será enviada uma carta para todas as pessoas envolvidas. há um procedimento judicial quando se homologa judicialmente. o processo de homologação judicial perderá o objetivo e será extinto. No entanto. objetar-se à homologação. Nas objeções: •• Pode-se demonstrar que o quórum mínimo exigido de mais de 3/5. protestar e requerer a falência do devedor. Será publicado um edital comunicando a distribuição da ação. ainda. •• Autoriza-se ainda a objeção se o credor demonstrar que o devedor praticou atos que caracterizariam a falência. Neste caso. Se a falência do devedor for declarada. Recuperação Extrajudicial: Procedimento Judicial – Homologação 5. mas também em todas as comarcas em que o devedor tiver unidades operacionais. será publicado em jornal de grande circulação. o procedimento judicial e a homologação. para os dois casos de homologação. algum credor pode ter sido alocado em uma classe errada. para que elas sejam cientificadas da existência do plano. pois desses 3/5. como filiais e escritórios. Em suma. podem executar.

•• O juiz pode indeferir a homologação do plano de recuperação extrajudicial. extinguindo o processo. Exercício 63. tem única e exclusivamente efeito devolutivo.117 tem direito à homologação. o credor pode apresentar objeções ao plano toda vez que ficar evidenciada uma fraude.1 Apresentação Nesta unidade. os créditos excluídos e as modalidades de planos. Recuperação Judicial: Créditos Excluídos. O juiz não poderá convolar a recuperação extrajudicial em falência. neste caso. O devedor terá o prazo de cinco dias para manifestar-se sobre aquelas objeções. •• Pode o credor apresentar objeção. uma situação que caberia a ação revocatória ou revogatória.101/2005. pois estaria caracterizada sua ruína. Direito Empresarial 6. ou seja. Pode haver duas possibilidades nessa sentença: •• O juiz homologa o plano de recuperação extrajudicial e. Após o prazo de trinta dias. Modalidades de Planos . dá-se vistas ao devedor para assegurar a ampla defesa e o contraditório. A apelação não tem efeito suspensivo. estudaremos a recuperação judicial. ele terá o prazo de 5 dias para se manifestar sobre todas as objeções. demonstrando que o devedor praticou atos que permitiriam a propositura de ações revocatórias ou revogatórias. Apresentada a objeção. 94 da Lei nº 11. os autos irão ao juiz que terá o prazo de 10 dias para proferir a sentença. o juiz intima o devedor e. caberá apelação. Após a manifestação do devedor. Da sentença que homologa ou que julga extinta a homologação da recuperação extrajudicial. insolvência jurídica nos termos do art. teremos uma novação judicial e a segurança transitada em julgado de uma coisa julgada. O Ministério Público atua na recuperação extrajudicial? 6.

da Lei de Falências. em decisão recente. não impede a penhora do bem da recuperanda. §§ 3º e 4º. não se permitindo.2 Síntese O legislador excluiu da recuperação judicial cinco créditos e um credor. § 7º. no entanto. 86 desta Lei. de arrendador mercantil. a venda ou a retirada do estabelecimento do devedor dos bens de capital essenciais a sua atividade empresarial. ou de proprietário em contrato de venda com reserva de domínio.” . sendo o banco um mero atravessador. o STJ entendeu que a recuperação judicial não impede a propositura de ação de execução fiscal. 49. na falência. em caso de adiantamento de câmbio. a Fazenda Pública não poderá promover na execução a venda de ativos essenciais que possam prejudicar a preservação da empresa. II do art. § 4º Não se sujeitará aos efeitos da recuperação judicial a importância a que se refere o inc.” O contrato de antecipação de câmbio representa o financiamento das exportações. “Art. “Art. observada a legislação respectiva. ressalvada a concessão de parcelamento nos termos do Código Tributário Nacional e da legislação ordinária específica. 6º. O único credor excluído da recuperação judicial é a Fazenda Pública. Muitas vezes. inclusive aquelas dos credores particulares do sócio solidário. requerida em concordata ou falência. de proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade. seu crédito não se submeterá aos efeitos da recuperação judicial e prevalecerão os direitos de propriedade sobre a coisa e as condições contratuais. Os cinco créditos excluídos estão relacionados no art. da Lei de Falência. há direito público. 49. contudo.” No entanto. § 7º As execuções de natureza fiscal não são suspensas pelo deferimento da recuperação judicial. Súmula nº 36 do STJ: “A correção monetária integra o valor da restituição. inclusive em incorporações imobiliárias. ainda que não vencidos. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial suspende o curso da prescrição e de todas as ações e execuções em face do devedor. durante o prazo de suspensão a que se refere o § 4º do art. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido. nos termos do art. § 3º Tratando-se de credor titular da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis. deve ser atendida antes de qualquer crédito.” Súmula nº 307 do STJ: “A restituição de adiantamento de contrato de câmbio.118 Direito Empresarial 6. 6º desta Lei. e o Estado tem uma dotação limitada para financiar a exportação.

54. em 16 incisos.” Exercício 64. 54 da Lei de Falência. a desistência e o despacho de procedimento. Recuperação Judicial: Instrução/ Desistência e Despacho de Procedimento 7. caberá ao juiz convocar uma assembleia geral de Direito Empresarial 7.1 Apresentação Nesta unidade. estudaremos a instrução do pedido de recuperação judicial. é necessária uma assembleia geral de credores para deliberar sobre a matéria. 52 da Lei de Falência. Parágrafo único. “Art. existe alguma limitação imposta pela lei ao plano se o plano de recuperação judicial incluir o passivo trabalhista e por acidente do trabalho? 7. prever prazo superior a 30 (trinta) dias para o pagamento. Os documentos que devem instruir a petição inicial estão previstos no art. 51 da Lei de Falência. sugestões de planos. O plano de recuperação judicial não poderá prever prazo superior a 1 (um) ano para pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido de recuperação judicial. O plano não poderá. até o limite de 5 (cinco) salários-mínimos por trabalhador. Quanto ao crédito trabalhista. ainda. É importante destacar o que dispõe o art. 50 da Lei de Falência traz exemplificativamente.” O art. Se o devedor apresentar o pedido de desistência.119 Súmula nº 133 do STJ: “A restituição da importância adiantada. nos termos do § 4º do art. à conta de contrato de câmbio.2 Síntese . Em relação à desistência da recuperação judicial. independe de ter sido a antecipação efetuada nos quinze dias anteriores ao requerimento da concordata. dos créditos de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 (três) meses anteriores ao pedido de recuperação judicial.

Na falência. Exercício 65. o administrador judicial é o representante legal da massa falida. Ainda. mensalmente. o juiz nomeará o administrador judicial. No entanto. O juiz determinará a suspensão de todas as ações e execuções individuais havidas contra a devedora pelo prazo de 180 dias. Recuperação Judicial: Linha de Processo (Fase Deliberativa) 8. pois via de regra os administradores estatutários gerenciarão o negócio. o juiz nada mais está fazendo do que afirmar que o devedor reúne as condições necessárias para gozar da recuperação. Distribuída a petição inicial. balancetes da devedora. esse prazo pode ser ampliado. autorizando ou não para homologar essa desistência. no despacho. se tudo estiver correto. No despacho. exceto: para contratar com a administração pública e para gozar de privilégios e incentivos fiscais. Ao proferir o despacho. 52 da Lei de Falência. o juiz também determinará que venham aos autos. Deve conter no despacho: intimação do Ministério Público e intimação das Fazendas Públicas que tenham interesse na causa.120 credores (AGC) para que a AGC delibere sobre o pedido de desistência. o administrado judicial é um fiscal. os autos serão encaminhas ao juiz. o juiz dispensará a devedora de apresentar certidões negativas de débito fiscal para todos os fins de direito.1 Apresentação Nesta unidade. conforme previsto no art. o juiz proferirá um despacho de processamento. estudaremos a linha de processo na recuperação judicial. Quem é o gestor judicial? Direito Empresarial 8. Após o recebimento e análise da petição e do pedido. já na recuperação judicial. No despacho. judicial e extrajudicialmente. . para que ele possa aferir se a devedora está efetivamente se recuperando. de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça.

Dentro do prazo de objeções (30 dias). A lei autoriza que. Se não houver objeção. haverá a recuperação judicial.172. o devedor poderá apresentar recuperação judicial. Os credores não incluídos não vão participar da recuperação. Se faltar uma CND. 57 da Lei de Falência. passados os 30 dias. Depois o juiz profere o despacho de processamento. assim como disposto no art. 206 da Lei no 5. existem duas possibilidades: haver ou não objeções. no prazo de defesa (10 dias). Intimado o devedor a apresentar as CNDs. “Art. Não se sabe qual é o recurso cabível contra o despacho de processamento. o devedor apresentará certidões negativas de débitos tributários nos termos dos arts. Nesse sentido. para que qualquer credor. incluído no plano. Após a juntada aos autos do plano aprovado pela assembleia geral de credores ou decorrido o prazo previsto no art.” . requerer a falência do devedor.” A fase deliberativa serve para examinar se os credores aceitam ou não o plano de recuperação. Se o devedor tiver todas as CNDs.121 8. executar. O juiz intimará o devedor a apresentar todas as certidões negativas de débitos ficais (CNDs). que abre a fase postulatória. haverá assembleia geral de credores para deliberar sobre o plano? Direito Empresarial A recuperação começa com o pedido. porque não cabe ao juiz deliberar sobre ele. 57. Eles podem protestar seu crédito.2 Síntese Exercício 66. 151. que deverá ser submetido aos credores na fase deliberativa. Em toda recuperação judicial ordinária. há duas possibilidades: haver todas as CNDs ou basta faltar uma. 205. 55 desta Lei sem objeção de credores. a Súmula nº 264 do STJ determina: “É irrecorrível o ato judicial que apenas manda processar a concordata preventiva. os autos vão ao juiz. o resultado é a falência. Esse plano deverá ser apresentado no prazo de 60 dias da publicação do despacho de processamento. Apresentado o plano. até mesmo em ação autônoma. de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. O plano não é apresentado na fase postulatória. citado o devedor em um pedido de falência. o juiz determinará a publicação de um edital com o prazo de 30 dias. possa apresentar objeções.

composta pelos quirografários. o juiz convocará a assembleia geral de credores. não caberá ao juiz julgá-la. Apresentada a objeção. já que ninguém e obrigado a contratar. I. os quais terão voto per capta. Para aprovar o plano de recuperação judicial. rejeitando a objeção. o devedor poderá aprovar ou rejeitar as modificações propostas pelos credores. estudaremos a linha de processo com objeção na recuperação judicial. – A AGC pode modificar o plano. Em toda a Lei de Falência. da Lei de Falência. Ao contrário. Se o devedor aprovar. o juiz decreta a recuperação judicial nos termos do plano modificado. classe ou quantia. só há um único caso em que o juiz poderá desafiar a deliberação da AGC e aprovar o plano de recuperação. a AGC será segmentada em três classes de credores. 3ª classe: é a chamada de residual. o plano será considerado aprovado quando acertado pelas três classes e pela maioria econômica dos presentes no conclave.122 9. 35. Neste caso. Voto econômico. a despeito de sua rejeição pela comunidade de credores. Apresentadas. . Se a AGC rejeitar o plano. Apresentada uma objeção. os autos vão ao juiz. será decretada a falência. privilégio especial. para eles decidirem. 1ª classe: formada pelos empregados e acidentados do trabalho. Modificado o plano. de acordo com o art. – A AGC pode rejeitar o plano. Voto econômico. subordinados. Recuperação Judicial: Linha de Processo (Fase Deliberativa/Com Objeção) 9. “a”.1 Apresentação Nesta unidade. de qualquer credor. privilégio geral.2 Síntese A objeção não precisa ser fundamentada. Existem três possibilidades: – A AGC pode aprovar o plano. Direito Empresarial 9. os autos vão ao juiz que o intimará a apresentar as CNDs. 2ª classe: formada pelos credores com garantia real.

4 – Na classe em que houver a rejeição. Recuperação Judicial: Linha de Processo (Fase de Cumprimento) 10. Havendo isso. 61 da Lei nº 11. não haveria oportunidade para emenda da inicial. 2 – Na classe em que houver a rejeição. o juiz proferirá o despacho de processamento. ela será decretada. deve existir a aprovação por mais de 1/3. Em tese. Direito Empresarial Se o pedido vier mal instruído. é muito raro um juiz decretar a falência inicialmente. 58. 3 – Haver aprovação pela maioria econômica dos presentes no conclave. o juiz decreta a falência. dando início à fase postulatória. Proferida a sentença de concessão. mas pelo menos outra haverá de ter aprovado. . não pode ter ocorrido tratamento diferenciado entre os credores. 10. O prazo para fase de execução está previsto no art. 10. são necessários quatro requisitos: 1 – Ter havido a negativa do plano em uma das classes. começa a fase de cumprimento da execução. Essa fase é a de adimplir. a despeito da rejeição pela comunidade de credores. nas hipóteses do art. Estando em termos esse pedido.101/2005. 73 da Lei de Falência.2 Síntese A recuperação judicial começa com o pedido instruído na forma da lei. Na prática. estudaremos a sentença de concessão da recuperação judicial.123 As hipóteses de desafio do juiz estão previstas nos §§ 3º e 4º do art. o juiz desafia a deliberação da AGC e poderá conceder a recuperação judicial. Para que o juiz conceda a recuperação.1 Apresentação Nesta unidade. mas se não observar as condições jurídicas. executar o que está estabelecido no plano. A fase de sentença de concessão será atacável por agravo de instrumento.

” As obrigações estabelecidas para depois de dois anos estão previstas no art. Será decretada a falência do devedor que: III – pratica qualquer dos seguintes atos. Proferida a decisão prevista no art. “Art. “Art. poderá o credor entrar com ação de cumprimento. o credor poderá pegar uma certidão de fatos e com ela demonstrar e requerer a falência. No entanto. 58 desta Lei. 61. no caso de descumprimento de qualquer obrigação prevista no plano de recuperação judicial. pois a lei fixa o prazo máximo de um ano. 94. o devedor permanecerá em recuperação judicial até que se cumpram todas as obrigações previstas no plano que se vencerem até 2 (dois) anos depois da concessão da recuperação judicial. 61.124 Direito Empresarial “Art. qualquer credor poderá requerer a execução específica ou a falência com base no art. 73 desta Lei. 62 da Lei de Falência. 94 desta Lei. o juiz proferirá a sentença de encerramento. § 1º Durante o período estabelecido no caput deste artigo. 62. a execução poderá retomar seu curso. .” Após dois anos. passados os 180 dias. obrigação assumida no plano de recuperação judicial. o único credor que tem certeza absoluta que irá receber o seu crédito na fase executiva é o empregado. nos termos do art. Após o período previsto no art. requerer a falência do devedor. surgem para o credor duas possibilidades: – O credor poderá entrar com o cumprimento da sentença. Logo.” Após dois anos.” Se o plano não houver contemplado o objeto da ação. “Art. 61 desta Lei. – Em ação autônoma. exceto se fizer parte de plano de recuperação judicial: g) deixa de cumprir. o descumprimento de qualquer obrigação prevista no plano acarretará a convolação da recuperação em falência. no prazo estabelecido. Restando frustrada a execução.

O Sistema Nacional do Registro de Empresas Mercantis é composto por dois órgãos. sendo esta uma autarquia estadual.934/1994.1 Apresentação Nesta unidade. sendo o primeiro o Departamento Nacional do Registro do Comércio (DNRC). Cada estado da federação tem a Junta Comercial respectiva. estudaremos o registro empresarial.Capítulo 14 Registro Empresarial 1. .2 Síntese Existe uma lei específica acerca do registro empresarial. 1. Registro Empresarial 1. Tal órgão é responsável pela normatização e fiscalização do registro empresarial. trata-se da Lei nº 8.

Contudo. será constituído pelo mínimo de onze e no máximo de vinte e três Vogais. as Turmas de Vogais. composto de Vogais e respectivos suplentes. Assim. A segunda espécie de registro consiste na autenticação. Toda obrigação de fazer e de não fazer necessita de uma sanção. Dentre os Vogais caberá ao Governador indicar um deles para presidir a Junta Comercial. o registro passa a ter natureza jurídica constitutiva.126 A Junta Comercial está encarregada de implementar o registro especial.2 Síntese O arquivamento está previsto no art.1 Apresentação Nesta unidade. 11 da Lei de Registros. 1. conforme as regras expedidas pelo DNRC. Autenticam-se precipuamente os livros empresariais. As Juntas Comerciais possuem dupla vinculação. Está sujeito à matrícula na Junta Comercial os auxiliares dependentes do empresário. nos termos do art. O Plenário é o órgão recursal administrativo das Juntas Comerciais. qual seja. o Plenário de Vogais. A Presidência é o órgão de representação das Juntas Comerciais. se o encaminhamento do registro for feito extemporaneamente há uma sanção. O art. as Juntas estão vinculadas ao estado da federação à qual pertença. Espécies: Estrutura das Juntas Comerciais 2.184 do Código Civil. O único livro empresarial obrigatório a todo empresário é o Livro Diário. Administrativamente.” A lei previu três espécies de registro empresarial. O empresário tem 30 dias de prazo para encaminhar os documentos para registro. a personalidade jurídica somente surgirá a partir do registro definitivo. Direito Empresarial 2. estudaremos a estrutura das juntas comerciais. 32 da Lei nº 8. . A lei prevê cinco órgãos estruturando a Junta Comercial: a Presidência. 2. Para ser Vogal há alguns requisitos. a Secretaria Geral e a Procuradoria.934/1994. 10 da lei acima referida dispõe: “O Plenário. A primeira espécie é a matrícula. previstos no art. Consiste no ato de dar à guarda da Junta Comercial os documentos mencionados no dispositivo. uma técnica e uma administrativa. sendo composto por no mínimo 11 e no máximo 23 Vogais.

56 da Lei de Registro dispõe: “Os documentos arquivados pelas juntas comerciais não serão retirados. Pelo órgão colegiado. ocorrerá o registro automático. por analogia. o prazo para o julgamento é de três dias. Das decisões individuais ou das Turmas. Se a Junta Comercial não decidir no prazo legal. Secretaria-Geral.1 Apresentação Nesta unidade. o recurso ao Plenário e o recurso ao Ministro do Comércio. Estruturas das Juntas Comerciais: Turmas. em qualquer hipótese. que é o órgão encarregado de efetivamente implementar o registro. Qual é a natureza do registro empresarial. Há três recursos administrativos previstos: o pedido de reconsideração.2 Síntese . declaratória ou constitutiva? 3. As Turmas de Vogais são órgãos fracionados do Plenário. além de defender em juízo a Junta Comercial. 58 desta lei. Da decisão do Plenário cabe recurso ao Ministro do Comércio. de suas dependências. sendo abordados os prazos. Ainda. Além das Turmas. de forma parecida com os Embargos de Declaração.127 Exercício 67. A lei prevê que. possuem mero efeito devolutivo. O pedido de reconsideração funciona. cabe recurso ao Plenário no prazo de 10 dias a contar da intimação. O art. os recursos não possuem efeito suspensivo. tratando-se de decisão singular. estudaremos a estrutura das juntas comerciais. Prazos 3. a Procuradoria-Geral. Deve ser apresentado no prazo da pendência.” Direito Empresarial 3. cabendo à Procuradoria entrar com processo administrativo de cancelamento do registro. Toda Junta Comercial tem seu corpo de advogados. A própria Procuradoria tem legitimidade e interesse recursal administrativo. há a Secretaria Geral. o prazo é de cinco dias. ressalvado o previsto no art.

A Lei nº 6.Capítulo 15 Contratos Empresariais 1. no Brasil. leasing back (ou de retorno) e o leasing operacional.1 Apresentação Nesta unidade. possui três modalidades: leasing financeiro. .099/1974 trata do leasing. 1. estudaremos os contratos mercantis. Arrendamento Mercantil: Noções e Modalidades 1. ele é um contrato atípico. começando pelo arrendamento mercantil. ou leasing. mas. O leasing financeiro é o tradicional.2 Síntese O arrendamento mercantil.

durante a vigência do contrato. duas categorias de leasing: mobiliário e imobiliário. A jurisprudência majoritária vem decidindo no sentido de que o consumidor pode se arrepender da aquisição do bem após a assinatura do contrato de leasing. Súmula nº 293 do STJ e Extinção 2. em que há a opção de compra desde o início.2 Síntese . 2. o objeto que será comprado pela sociedade operadora de leasing é um bem de terceiro. Ao final. há precedentes no Tribunal de Justiça de São Paulo no sentido de que esta seria uma cláusula abusiva. Assim. Arrendamento Mercantil: Categorias. caso a pessoa queira ficar com o bem. mas o banco não paga imposto sobre o VRG. no primeiro.1 Apresentação Nesta unidade. A única diferença que há entre o leasing financeiro e o leasing back é que. com a promessa de dar em locação com opção de compra.129 Leasing financeiro é aquele em que um indivíduo nomeia um bem à sociedade operadora de leasing. O arrendatário identifica no mercado o objeto segundo suas necessidades.” Em tese. o VRG deve ser um valor pequeno. Sobre essa matéria. O operacional é um leasing financeiro ao qual se acrescenta um contrato de prestação de serviços de manutenção do objeto dado em leasing. A lei brasileira autoriza hoje. os banqueiros colocaram a mensalidade baixa e o VRG grande. fixando o valor da multa no valor exato do VRG. mas sim sobre o valor do arrendamento. procura a operadora e requer a esta que compre o objeto. Direito Empresarial 2. estudaremos os contratos mercantis. A opção de compra pode se dar a qualquer tempo. deverá pagar o valor residual garantido (VRG). A Súmula nº 293 do STJ estabelece: “A cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. sendo abordadas agora as categorias do arrendamento mercantil.

Extingue-se. que não faz parte do contrato. bem como pela inadimplência de uma delas. É da essência do contrato que a factoring assuma o risco. Factoring 3.130 O leasing termina pelo transcurso do prazo de vigência e devolução do objeto. sem previsão legal no Brasil. Há também o cliente. pela opção de substituição de uma das partes. que consistirá pelo valor do título. É preciso ressaltar que toda factoring assume o risco da inadimplência da obrigação faturizada. É um contrato pelo qual um empresário se obriga a adquirir de outros empresários seus créditos. ainda.1 Apresentação Nesta unidade. há a cláusula pela qual a factoring não pode ser alterada. quando o título de crédito for simulado. sob pena de caracterização de agiotagem. ainda que haja cláusula resolutiva expressa. estudaremos os contratos mercantis. quando o título não preencher os requisitos legais de validade. A doutrina esclarece que há dois casos em que a factoring poderá cobrar do faturizado o título objeto da faturização. O STF decidiu que as factoring não compõem o sistema financeiro e. Termina também pelo distrato. quais sejam a factoring e o faturizado. não estão sujeitas à regulamentação e fiscalização do Banco Central. existe a que prescreve a assunção do risco da inadimplência pelo faturizado. Quanto às cláusulas essenciais. A Súmula nº 369 do STJ estabelece: “No contrato de arrendamento mercantil (leasing). No contrato de factoring há elementos pessoais. é necessária a notificação prévia do arrendatário para constituí-lo em mora. portanto. sendo abordada agora a factoring.2 Síntese A factoring é um contrato atípico. O segundo caso é quando há um vício formal. É essencial ao contrato a cláusula que fixará a remuneração. Primeiro. Por fim. É também essencial ao contrato a cláusula que faculta à factoring escolher quais títulos de crédito faturizará. pela taxa de assunção do risco de inadimplência do título faturizado e a disponibilidade de serviço de gestão. . Direito Empresarial 3.” 3. ou seja. na totalidade ou parcialmente.

por isso. não indica abusividade. que traz: “A comissão de permanência e a correção monetária são inacumuláveis.” Já a Súmula nº 380 do STJ prevê: “A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor. de ofício.” A Súmula nº 379 do STJ reza: “Nos contratos bancários não regidos por legislação específica. os juros remuneratórios por elas cobrados não sofrem as limitações da Lei de Usura.” O STJ também editou a Súmula nº 30. A Súmula nº 381 do STJ estabelece: “Nos contratos bancários.1 Apresentação Nesta unidade. sendo abordados aqui os contratos bancários e as Súmulas acerca do assunto. de 1933. os juros moratórios poderão ser convencionados até o limite de 1% ao mês. dispõe a Súmula nº 382 do STJ: “A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano.” A Súmula nº 283 do STJ dispõe: “As empresas administradoras de cartão de crédito são instituições financeiras e. a Súmula nº 26 do STJ estabelece: “O avalista do título de crédito vinculado a contrato de mútuo também responde pelas obrigações pactuadas.” Quanto aos juros remuneratórios.” A Súmula nº 596 do STF traz: “As disposições do Decreto nº 22.591 orientou toda a hermenêutica sobre o CDC e relações bancárias.” A Súmula nº 285 do STJ estabelece: “Nos contratos bancários posteriores ao Código de Defesa do Consumidor incide a multa moratória nele prevista. O CDC se aplica às instituições financeiras quanto ao serviço e não quanto às estipulações contratuais. que integram o sistema financeiro nacional. por si só.” Ainda.” A ADI nº 2. da abusividade das cláusulas.626. A Súmula nº 297 do STJ dispõe: “O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras. Contratos Bancários: Súmulas 4.2 Síntese .131 4. é vedado ao julgador conhecer. quando no contrato figurar como devedor solidário. não se aplicam às taxas de juros e aos outros encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas.” Direito Empresarial 4. estudaremos os contratos mercantis.

mediante depósito. mas de todos eles. se for conjunta não há extinção. verificando-se o respectivo saldo.1 Apresentação Nesta unidade. Na conta-corrente coletiva há duas espécies: indivisível e conjunta. Há duas modalidades: unipessoal e coletivo. em que pese o cheque só ter sido assinado por um dos titulares? .132 5. bilateral. A Lei nº 11. estudaremos os contratos mercantis. Contratos Bancários: Conta-Corrente 5.101/2005 prevê no art. Na conta-corrente coletiva indivisível.” O contrato de conta-corrente bancária é aquele pelo qual um banqueiro se obriga perante o cliente a receber. quantias depositadas pelo cliente ou terceiros. Exercício 68. a execução poderá se reverter contra todos os cotitulares da conta. para movimentação dos fundos depositados será necessária assinatura não somente do primeiro titular. sendo abordados aqui os contratos bancários e a conta-corrente. 5.2 Síntese O contrato de conta-corrente ordinária é aquele em que dois empresários mantêm relações de crédito e débito entre eles. 121: “As contas-correntes com o devedor consideram-se encerradas no momento de decretação da falência. a morte do correntista implica a extinção do contrato. de execução continuada. oneroso. Caso a conta-corrente seja coletiva indivisível haverá extinção. O contrato de conta-corrente bancária é um contrato consensual. dependendo da quantidade de titulares. Direito Empresarial Quanto ao óbito. Caso haja a emissão de um cheque sem provisão de fundos em uma conta conjunta. tratando-se de uma conta-corrente unilateral. informal e atípico. e disponibilizar esta quantia para saque mediante orientação ou ordem do cliente.

oneroso. No entanto. quer por ordens de pagamento. estudaremos os contratos mercantis. os quais serão pagos pela taxa média praticada no mercado.133 6. A jurisprudência entende que esse contrato deve ser feito por escrito. Exercício 69. o STJ entende que são abusivos os juros apenas quando a taxa de juros cobrada em caso concreto supere enormemente a média praticada no mercado. Direito Empresarial 7. está obrigado a prestar contas. Abertura de Crédito: Cobrança Judicial do Cheque Especial . sendo abordadas agora a abertura de crédito e a cobrança judicial do cheque especial. mesmo não havendo contrato fixando a taxa de juros bancários. eletronicamente. dentre outros meios. Abertura de Crédito 6. A jurisprudência do STJ já consagrou que ainda que o banqueiro tenha remetido mensalmente seus extratos ao cliente. Trata-se de o banco disponibilizar para o cliente certa soma em dinheiro. 6.2 Síntese O contrato de abertura de crédito tem uma finalidade técnica específica. sendo abordada agora a abertura de crédito. autônomo e de execução continuada.1 Apresentação Nesta unidade. Ainda. A utilização poderá se dar de qualquer maneira. Trata-se de um contrato consensual. que este utilizará conforme suas necessidades e interesses. estudaremos os contratos mercantis. em 2010 o STJ veio a rever esta posição e tem entendido que. bilateral.1 Apresentação Nesta unidade. É possível o credor exequente penhorar para garantia à execução o limite do cheque especial que o executado tenha em um banco? 7. presumem-se devidos os juros.

constitui documento hábil para o ajuizamento da ação monitória. acompanhado do demonstrativo de débito. Porém. pensaram os banqueiros na ação monitória. . pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. mediante a Súmula nº 387.” Tendo em mãos um documento sem força executiva. torna-se um título executivo extrajudicial. que é um contrato e. a Súmula nº 258 do STJ estabelece: “A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou.” Já a Súmula nº 286 do STJ estabelece: “A renegociação de contrato bancário ou a confissão da dívida não impede a possibilidade de discussão sobre eventuais ilegalidades dos contratos anteriores. Desconto Bancário 8. A Súmula nº 60 do STJ estabelece: “É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante.1 Apresentação Nesta unidade. dar o aceite e executá-lo. fazendo com que o cliente assinasse um termo de confissão de dívida.” Assim. ou em branco. A Súmula nº 247 do STJ traz: “O contrato de abertura de crédito em conta-corrente. os banqueiros pensaram em uma solução intermediária.” Assim. Todavia. no exclusivo interesse deste.” O STF. o banqueiro pensou em emissão de nota promissória vinculada ao contrato de cheque especial. com assinatura de duas testemunhas. ainda que originário de contrato de abertura de crédito. não é título executivo.” Direito Empresarial 8. a Súmula nº 233 do STJ dispõe: “O contrato de abertura de crédito. havia informado que: “A cambial emitida ou aceita com omissões.” Acerca do problema da liquidez. estudaremos os contratos mercantis. sendo entendido agora o desconto bancário.134 7. na condição de procurador do cliente.2 Síntese A primeira solução trazida pelos banqueiros para execução foi a inserção de cláusula mandato no contrato de cheque especial. A Súmula nº 300 do STJ dispõe: “O instrumento de confissão de dívida. constitui título executivo extrajudicial. foi pensado em uma solução. ainda que acompanhado de extrato da conta-corrente. por meio da qual o banqueiro poderia sacar contra o cliente uma letra de câmbio e.

2 Síntese O contrato de desconto bancário é um contrato atípico. oneroso. bilateral. Natureza Jurídica e Tipos de Atividades 9. O credor só poderá cobrar do descontário o título objeto do desconto se primeiro apresentá-lo ao próprio devedor. Qual a diferença entre mútuo clássico (empréstimo) e mútuo que resulta de um desconto bancário? 9. de um documento de dívida. 710 e seguintes. Representação Comercial: Conceito. A atividade de redesconto no Brasil é privativa do Banco Central. há também uma operação denominada redesconto. O desconto bancário se extingue pelo pagamento do título pelo devedor. Direito Empresarial Nesta unidade. comprovando a entrega do dinheiro ao empresário.2 Síntese No Brasil. sendo entendida aqui a representação comercial. nos arts. o contrato de desconto bancário possui natureza de mútuo bancário. atípico e normativo.1 Apresentação 9. Além da operação de desconto bancário. pelo qual o banqueiro antecipa ao empresário uma soma de um título. . Trata-se da Lei nº 4. Exercício 70. estudaremos os contratos mercantis. O desconto bancário é um contrato real e somente se aperfeiçoará com a efetiva entrega do documento de crédito ao banqueiro.886/1965. que consiste em o banqueiro descontar o título que já havia descontado. ou pelo pagamento da dívida pelo descontário. descontando o valor respectivo aos seus juros. Quanto à natureza. há uma lei de representação comercial.135 8. Trata-se de um contrato real. mas o Código Civil também tratou do contrato de agência. a sua remuneração.

2 Síntese A remuneração na representação comercial é um percentual aplicado sobre o valor da venda agenciada. a realização de certos negócios. elemento verificado na representação comercial.” O distribuidor é um representante comercial de natureza especial. a chamada subordinação objetiva. estudaremos os contratos mercantis. ou seja. em zona determinada. caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. Comparando-se com a representação comercial. é verificada no caso do empregado. sendo entendidas aqui a representação comercial e a remuneração. que é o poder diretivo do empregador.136 Os arts. rege-se pelas normas do direito empresarial. mediante retribuição. O empregado é pessoa física. à conta de outra.1 Apresentação Direito Empresarial Nesta unidade. uma pessoa assume. trata-se da pessoa que trabalhe de acordo com o objeto social do empregador. mas o representante comercial pode ser pessoa física ou jurídica. Dispõe o art. pois tem a mercadoria a pronta-entrega. Por fim. Para o representante comercial a subordinação objetiva inexiste. . Representação Comercial: Remuneração 10. 710 do Código Civil: “Pelo contrato de agência. nota-se que em ambos os casos há onerosidade.” 10. O contrato de representação comercial possui natureza jurídica empresarial. Quanto à não eventualidade. 10. a obrigação de promover. 2º e 3º da CLT trazem os requisitos para que a pessoa seja considerada empregada. O agente somente fará jus à remuneração se o negócio ou o contrato agenciado se implementar. A Súmula nº 184 do STJ dispõe: “A microempresa de representação comercial é isenta de imposto de renda. O segundo elemento é a pessoalidade. não sendo este o elemento que distingue as figuras. em caráter não eventual e sem vínculos de dependência.

886/1965.1 Apresentação 11. do diploma legal acima referido. 43.886/1965 é aplicável exclusivamente ao representante comercial que esteja registrado em um dos conselhos de representação comercial? 11. a comissão devida ao representante se equipara à remuneração devida aos empregados.137 Há uma exceção. 27. expressamente em seu art. Representação Comercial: Exclusividade. pela Lei nº 4. Exercício 71. § 2º. . O art. sendo entendidas aqui a representação comercial e a rescisão. Salvo cláusula contratual diversa. A Lei nº 4. da Lei nº 4. A cláusula del credere é vedada no Brasil. Em caso de falência do representado. Pela cláusula del credere o representante comercial garante ao representado a adimplência do contrato agenciado. Indenização e Rescisão 11. direta ou indiretamente.2 Síntese A lei trouxe a presunção de exclusividade na zona de atividade. 32. as prorrogações se darão obrigatoriamente por prazo indeterminado. a diminuição da média dos resultados auferidos pelo representante nos últimos seis meses de vigência. Caso seja por prazo determinado. O contrato de representação comercial pode ocorrer por prazo determinado ou indeterminado.” A prorrogação do contrato é tratada no art. presume-se que o representante tenha agenciado todos os negócios praticados em sua zona. § 7º.886/1965 veda alterações que impliquem redução da média das comissões pagas nos últimos seis meses: “São vedadas na representação comercial alterações que impliquem. Direito Empresarial Nesta unidade. que ocorre se a implementação do contrato não se deu por culpa exclusiva do representado. estudaremos os contratos mercantis.

12. sendo entendida aqui a locação não residencial. “f”. 34 prevê o chamado aviso prévio. tal dispositivo previu um aviso prévio de 30 dias e o Código Civil ampliou este prazo para 90 dias.1 Apresentação Nesta unidade.245) trouxe alguns requisitos. Estado ou União. é possível rescisão do contrato sem que haja indenização de qualquer natureza. a legislação brasileira traz a chamada ação renovatória. . mediante aviso prévio de noventa dias. 27. Havendo ocorrência de uma das justas causas. A primeira hipótese se dá quando há no imóvel alterações profundas. Além do aviso prévio. O art. cuja vigência ininterrupta seja no mínimo por cinco anos.886/1965 prescrevem justa causa por parte do representado e justa causa por parte do representante. é preciso que esteja no mesmo ramo de atividade por no mínimo três anos. Ainda. A lei traz exceções. Contudo.2 Síntese Para proteger o ponto comercial. Direito Empresarial O art.138 O art. desde que transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente. A segunda hipótese é a utilização do imóvel com fins próprios. impostas pelo Município.” Os arts.886/1965. da Lei nº 4. que varia de acordo com o contrato (com prazo determinado ou indeterminado). É preciso ressaltar que essas exceções não se aplicam a shopping center. 720 do Código Civil dispõe: “Se o contrato for por tempo indeterminado. 12. estudaremos os contratos mercantis. que pode ser cumprido ou indenizado. 35 e 36 da Lei nº 4. qualquer das partes poderá resolvê-lo. há como indenização o previsto no art. que é a ação pela qual o locatário vai compelir o locador a dar o imóvel em locação. 51 da Lei de Locações (Lei nº 8. Locação Não Residencial 12. Para que haja a renovatória é preciso um contrato por escrito com prazo determinado.

há as apólices nominativas. A Súmula nº 61 do STJ traz: “O seguro de vida cobre o suicídio não premeditado. 13. não poderá operar mais de uma vez. visa o ressarcimento do objeto. podem ser feitos sucessivos seguros. estudaremos os seguros. Seguros 13. há a apólice e o bilhete do seguro. 774 do Código Civil prevê: “A recondução tácita do contrato pelo mesmo prazo. Em se tratando de seguro de pessoa. Há três espécies de apólices. Por fim. o segurador se obriga. É preciso ressaltar que as escolas não podem ser despejadas em períodos letivos. Quanto ao seu instrumento. é válida a cláusula de renúncia à indenização das benfeitorias e ao direito de retenção.” O art.2 Síntese . A segunda é a endossável. o fiador poderá ter penhorado inclusive os bens de família. usado em companhias aéreas. O art. a fiança dada em locação afasta a incidência a Lei nº 8. aquela que se transfere mediante simples tradição física. esta é uma cláusula válida. 757 dispõe: “Pelo contrato de seguro. O contrato de seguro é oneroso. O Código Civil traz a regulamentação nos arts. que são aquelas registradas no nome do proprietário. relativo à pessoa ou à coisa. não há natureza indenizatória. A primeira é ao portador. Assim. contra riscos predeterminados. 757 ao 802.009/1990. Ainda.” Pode ser objeto do contrato de seguro coisa ou pessoa. a garantir interesse legítimo do segurado.” Assim. por exemplo. ou seja. mediante o pagamento do prêmio.1 Apresentação Nesta unidade. mediante expressa cláusula contratual. O seguro sobre coisa tem natureza indenizatória.” Direito Empresarial 13. sendo abordados os pontos mais relevantes acerca deste tema. Assim. que é aquela em que há uma cessão de direitos. consensual e aleatório. se o devedor renunciou ao direito de retenção do imóvel.139 A Súmula nº 335 do STJ dispõe: “Nos contratos de locação.

com o mesmo ou diversos seguradores.2 Síntese Direito Empresarial O seguro de dano tem natureza indenizatória.140 14. 789 do Código Civil dispõe: “Nos seguros de pessoas. 781 do Código Civil estabelece: “A indenização não pode ultrapassar o valor do interesse segurado no momento do sinistro. No seguro de dano. Seguros: de Dano. esta se sub-roga no direito do segurado. Ressalte-se que a coisa deve estar exposta a risco.” . o limite máximo da garantia fixado na apólice. de Pessoas e de Responsabilidade Civil 14. estudaremos ainda os contratos de seguros. salvo em caso de mora do segurador. 14. se a seguradora vier a honrar o pagamento pela ocorrência do fato gerador do dano. pelo seu cônjuge. haverá um limite para o sinistro.1 Apresentação Nesta unidade.” Ainda. ressarcitória. que varia segundo o que houver sido definido no contrato. o art. em ambas as instâncias. A Súmula nº 504 do STF trata da competência para o seguro de dano quando o dano se dá em um navio: “Compete à Justiça Federal. o processo e o julgamento das causas fundadas em contrato de seguro marítimo. A natureza jurídica do seguro de pessoas é diversa. O art.” A lei prevê a possibilidade de ressarcimento caso o segurado cause danos a terceiros. e. o capital segurado é livremente estipulado pelo proponente. É preciso observar que não há direito de regresso se o dano tiver sido causado pelo próprio segurado. podendo cobrar do agente causador a quantia que utilizou para ressarcir o segurado. em hipótese alguma. sendo abordados os pontos mais relevantes acerca deste tema. Neste caso. que pode contratar mais de um seguro sobre o mesmo interesse. pelos seus ascendentes ou descendentes.

Intervenção e Liquidação Extrajudicial em Instituições Financeiras 1. 1. 21.2 Síntese A Lei nº 6. De acordo com o art. que é aplicável às instituições financeiras. estudaremos a introdução. o conceito e as figuras intervenientes de cédula de crédito bancário. a instituição financeira poderá falir. é a Lei de Intervenção e Liquidação Extrajudicial.Capítulo 16 Intervenção e Liquidação Extrajudicial 1. “b”.024.1 Apresentação Nesta unidade. da Lile. também conhecida como Lile. de 13 de março de 1974. .

18. 1º da Lile). corretoras de valores mobiliários. enquanto durar a liquidação. ou quando houver fundados indícios de crimes falimentares. estão sujeitas. ou seja. nos termos desta Lei. Intervenção: Pressuposto e Procedimento 2. “Art. 1º As instituições financeiras privadas e as públicas não federais.” É um processo administrativo cautelar. os seguintes efeitos: a) suspensão das ações e execuções iniciadas sobre direitos e interesses relativos ao acervo da entidade liquidanda. a existência do processo administrativo de intervenção e liquidação extrajudicial. “a”.1 Apresentação Nesta unidade. “Art. operadoras de cartão de crédito. quando o seu ativo não for suficiente para cobrir pelo menos a metade do valor dos créditos quirografários. 21. há apenas um pressuposto processual. financeiras. O art. de 26 de setembro de 1940. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá. da Lei nº 6.024/1974 é considerado inconstitucional.627.142 Direito Empresarial “Art. 11. observa-se ser possível a falência de uma instituição financeira. não podendo ser intentadas quaisquer outras. em ambos os casos efetuada e decretada pelo Banco Central do Brasil. 137 e 138 do Decreto-lei nº 2. É um processo administrativo. de imediato. Desta forma. aplicável a instituições financeiras. à intervenção ou à liquidação extrajudicial. nos termos do art. nos termos da legislação vigente. presumivelmente insolventes e que estejam praticando ilegalidades. . A liquidação extrajudicial também é conhecida como liquidação forçada ou liquidação coacta. 105 da Lei nº 11. entre outras.” Para a falência de uma instituição financeira. de competência do Banco Central. sempre na modalidade de autofalência. 2. 18.”. em razão de insolvência presumida e também aplicável em casos de reiteradas ilegalidades praticadas pelo devedor (art. À vista do relatório ou da proposta previstos no art. de competência do Banco Central. apresentados pelo liquidante na conformidade do artigo anterior o Banco Central do Brasil poderá autorizá-lo a: b) requerer a falência da entidade. assim como as cooperativas de crédito. sem prejuízo do disposto nos arts. estudaremos o pressuposto e procedimento da intervenção.101/2005. aplicável a instituições financeiras públicas ou privadas não federais. ou à falência. Instituição financeira é o gênero que abrange: bancos.

ainda que em poder de terceiros. já que a lei não prescreve objetivamente os requisitos. ou da própria instituição financeira. até mais seis meses. a qualquer título.” No balanço. nomeia-se como interventor um ex-funcionário aposentado. 2º Far-se-á a intervenção quando se verificarem as seguintes anormalidades nos negócios sociais da instituição: I – a entidade sofrer prejuízo. 9º da Lile prescreve as diligências iniciais do interventor: “Art. todos os livros da entidade e os documentos de interesse da administração. até para que possa descobrir se. o interventor irá avaliar todo o ativo e todo o passivo. O art. O poder de gestão em uma sociedade não dá aos administradores autonomia para. a pedido do próprio devedor. de 21 de junho de 1945 (Lei de Falências). II – forem verificadas reiteradas infrações a dispositivos da legislação bancária não regularizadas após as determinações do Banco Central do Brasil. 9º Ao assumir suas funções. O interventor será nomeado pelo presidente do Banco Central e. III – na hipótese de ocorrer qualquer dos fatos mencionados nos arts. deve-se observar a iniciativa. do Decreto-lei nº 7.661. auxiliando em todas as solicitações. Direito Empresarial 2. requererem nem a autointervenção nem a autoliquidação extrajudicial. que sujeite a riscos os seus credores. o interventor: a) arrecadará. que pode ser por ato de ofício do Banco Central. assembleia para a ratificação. “Art. paga ou não mais da metade do passivo quirografário. b) levantará o balanço geral e o inventário de todos os livros. convocando-se em seguida. A duração da intervenção é de seis meses prorrogáveis por uma vez. no uso das suas atribuições de fiscalização.2 Síntese . houver possibilidade de evitar-se a liquidação extrajudicial. decorrente da má administração. mediante termo. normalmente. em nome da sociedade. documentos.” Em relação ao procedimento. Os ex-administradores da instituição financeira sob intervenção são obrigados a assistir ao interventor.143 Os pressupostos autorizadores da decretação da intervenção estão previstos no art. dinheiro e demais bens da entidade. 2º da Lile. A lei prescreve que basta autorização do acionista controlador. aquele ativo. 1º e 2º.

144 Também é obrigação dos ex-administradores fornecerem ao interventor a relação nominal de todos os administradores que exerceram mandato nos últimos 12 meses. sendo abordados aqui os efeitos e a cessação. b) suspensão da fluência do prazo das obrigações vincendas anteriormente contraídas. Além disso. dos administradores e membros do Conselho Fiscal e de quaisquer outros órgãos criados pelo estatuto. ao interventor e ao liquidante a convocação da assembleia geral nos casos em que julgarem conveniente.024/1974 dispõe: “A intervenção determina a suspensão. o interventor sugerirá ao presidente do Banco Central o que fazer com o processo. competindo.” Termina a intervenção pelo transcurso do prazo. exclusivamente. Também em caso de liquidação extrajudicial. Direito Empresarial 3.1 Apresentação Nesta unidade. Intervenção: Efeitos e Cessação/Liquidação Extrajudicial: Procedimento 3. Quanto à liquidação extrajudicial. deve ser acrescentada esta expressão em seu nome. após a sua nomeação. desde sua decretação. a liquidação extrajudicial. os seguintes efeitos: a) suspensão da exigibilidade das obrigações vencidas. a perda do mandato respectivamente. estudaremos a intervenção. pela convolação em falência ou liquidação extrajudicial. No qual indicará a situação econômica do devedor e também a eventual prática de atos fraudulentos que autorizariam ação revocatória ou revogatória.” O art. indicando a lei o prazo de 60 dias prorrogáveis. e. bem como o procedimento da liquidação extrajudicial. O interventor também elaborará um relatório. esta visa a extinção da instituição financeira. 6º A intervenção produzirá.2 Síntese O art. . 6º prescreve os efeitos: “Art. ou pela suspensão. c) inexigibilidade dos depósitos já existentes à data de sua decretação. 50 da Lei nº 6. 3.

Efeitos e Cessação/ Responsabilidade dos Ex-administradores 4. por interventor. recurso.661.024/1974 traz: “Aplicam-se à liquidação extrajudicial no que couberem e não colidirem com os preceitos desta Lei. sendo competente para conhecer da ação revocatória prevista no art.2 Síntese . efeitos. a pedido do próprio devedor (instituição financeira). o recurso deve ser interposto para o Banco Central. Exercício 72. também fixará o termo legal para as ações revocatórias. Como a instância é única. o juiz a quem caberia processar e julgar a falência da instituição liquidanda. No despacho em que o presidente do Bacen decreta a intervenção. ao juiz da falência. contados do primeiro protesto não cancelado. o qual deverá ser interposto pelo interessado no prazo de 10 dias contados da intimação. O presidente do Bacen irá retrotrair os efeitos da liquidação até 60 dias.145 O art.1 Apresentação Nesta unidade. as disposições da Lei de Falências (Decreto-lei nº 7. cessação e responsabilidade dos ex-administradores. equiparando-se ao síndico. estudaremos procedimento. Contra os atos do interventor e do liquidante. a iniciativa para o processo de liquidação se dá por ato de ofício ao Banco Central. 55 daquele Decreto-lei. Liquidação Extrajudicial: Procedimento – Recurso. o liquidante.” Quanto ao procedimento. o Banco Central do Brasil. 34 da Lei nº 6. a lei prescreveu um único recurso administrativo. Direito Empresarial 4. de 21 de junho de 1945). Para se decretar a liquidação extrajudicial é necessário primeiro o processo administrativo de intervenção? 4.

até seu efetivo pagamento. São sujeitos à correção monetária desde o vencimento. e. enquanto durar a liquidação. a liquidação extrajudicial. competindo. efetivação de garantia de depósitos do público ou de compra de obrigações passivas. 46 do ADCT. a perda do mandato respectivamente. II – às operações de empréstimo. nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas. d) não fluência de juros. sem interrupção ou suspensão. inclusive as realizadas com recursos de fundos que tenham essas destinações. cessão ou sub-rogação de créditos ou cédulas hipotecárias. exclusivamente. f) não reclamação de correção monetária de quaisquer divisas passivas. dos administradores e membros do Conselho Fiscal e de quaisquer outros órgãos criados pelo estatuto. mesmo quando esses regimes sejam convertidos em falência. não podendo ser intentadas quaisquer outras. enquanto não integralmente pago o passivo. “Art.” É importante destacar o disposto no art. b) vencimento antecipado das obrigações da liquidanda. Parágrafo único. 50. . os créditos junto a entidades submetidas aos regimes de intervenção ou liquidação extrajudicial. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá. c) não atendimento das cláusulas penais dos contratos unilaterais vencidos em virtude da decretação da liquidação extrajudicial. refinanciamento. os seguintes efeitos: a) suspensão das ações e execuções iniciadas sobre direitos e interesses relativos ao acervo da entidade liquidanda. “Art. financiamento. mesmo que estipulados. de imediato. e) interrupção da prescrição relativa a obrigações de responsabilidade da instituição. 46. ao interventor e ao liquidante a convocação da assembleia geral nos casos em que julgarem conveniente.Direito Empresarial 146 O interventor e o liquidante estão obrigados a prestarem contas nas seguintes circunstâncias: •• Sempre que deixarem a função. O disposto neste artigo aplica-se também: I – às operações realizadas posteriormente à decretação dos regimes referidos no caput deste artigo. 18 e 50. contra a massa.” “Art. III – aos créditos anteriores à promulgação da Constituição. A intervenção determina a suspensão. •• Os efeitos da liquidação extrajudicial estão previstos nos arts. assistência financeira de liquidez. •• Ao final do processo de intervenção ou liquidação extrajudicial. 18. •• Sempre que requerido pelo Banco Central.

O STF decidiu que a responsabilidade civil do Banco Central perante o investidor é subjetiva. tenham concorrido. Os administradores das instituições financeiras em intervenção. b) por transformação em liquidação ordinária. 36. § 2º. Quanto à responsabilização dos gerentes e conselheiros fiscais.” A liquidação extrajudicial é composta de duas fases. a indisponibilidade prevista neste artigo poderá ser estendida: a) aos bens de gerentes. em liquidação extrajudicial ou em falência. 37. c) com a aprovação das contas finais do liquidante e baixa no registro público competente. a investigatória e a liquidatória. direta ou indireta. A responsabilização do Banco Central perante a instituição é objetiva e está prevista no art. não liquidados até 1 de janeiro de 1988. 36. A liquidação extrajudicial cessará: a) se os interessados. para a decretação da intervenção ou da liquidação extrajudicial. “Art. Direito Empresarial 147 . da Lile determina a responsabilidade dos gerentes. cabendo ao investidor comprovar a culpa do Banco Central. § 6º. até apuração e liquidação final de suas responsabilidades.” A cessação da liquidação extrajudicial está prevista no art. da CF/1988. O art. ficarão com todos os seus bens indisponíveis não podendo. por qualquer forma. 36 da Lile prescreve a responsabilidade civil dos ex-administradores. 19. tomarem a si o prosseguimento das atividades econômicas da empresa.IV – aos créditos das entidades da administração pública anteriores à promulgação da Constituição. conselheiros fiscais e aos de todos aqueles que. “a”. aprovada pelo Conselho Monetário Nacional. d) se decretada a falência da entidade. “§ 2º Por proposta do Banco Central do Brasil. dependerá de uma deliberação proposta pelo Banco Central ao Conselho Monetário Nacional. até o limite da responsabilidade estimada de cada um. julgadas a critério do Banco Central do Brasil. 19. “Art. apresentando as necessárias condições de garantia.” O art. aliená-los ou onerá-los. O Banco Central só tem responsabilidade civil perante o investidor após o término do processo administrativo de intervenção e liquidação extrajudicial.”. nos últimos doze meses.

2 Síntese A cédula de crédito bancário está tratada na Lei nº 10. o conceito e figuras intervenientes de cédula de crédito bancário. Conceito e Figuras Intervenientes de Cédula de Crédito Bancário (CCB) 1. a partir do art. Introdução.1 Apresentação Nesta unidade.Capítulo 17 Cédula de Crédito Bancário 1. A criação da CCB decorreu da questão envolvendo a cobrança judicial da dívida do cheque especial. 1.931/2004. 26. . estudaremos a introdução.

decorrente de operação de crédito. por pessoa física ou jurídica. representando promessa de pagamento em dinheiro. a lei não menciona as causas autorizadoras de sua emissão. senão as prescritas em lei. ou seja. “Art. pois a nota promissória é um título endossável. necessariamente bancário. Havendo cláusula “à ordem” a CCB só pode gozar de endosso em preto.” Havia sumulado o STJ. •• a nota promissória tem sempre a cláusula “à ordem” presumida. em favor de instituição financeira ou de entidade a esta equiparada. •• na nota promissória é nula a estipulação de juros. admite--se a emissão do título em uma moeda estrangeira. sendo vedado o endosso em branco. o título só pode ser transferido mediante cessão civil. O título pagará juros Direito Empresarial 149 . desde que o credor diga estar na posse do título inegociável durante o processo. ou seja. O conceito de cédula de crédito bancário está previsto no art. ou seja a do cheque especial. fazendo-se a conversão no momento do pagamento. a CCB não. ter a cláusula “à ordem”. Já a CCB pode ser feito o protesto em semelhança à duplicata. com uma série de características específicas: •• enquanto a nota promissória pode ter como beneficiário qualquer pessoa natural ou jurídica. comercial e industrial admite o pacto de capitalização de juros. ou não. Já a CCB pode. desde que na cédula fique consignado que estará sujeita às normas brasileiras. Desta forma. •• a CCB terá necessariamente por beneficiário uma instituição financeira.Constatado que o problema era a inadimplência. A CCB decorre da nota promissória.931/2004. Pode ser uma instituição estrangeira. correção monetária e outras obrigações. mas nada foi dito sobre as notas de crédito. por indicação. nascia a Cédula de Crédito Bancário (CCB). exibir a própria nota promissória para que seja feito o protesto. A Cédula de Crédito Bancário é título de crédito emitido. 26 da Lei nº 10. Em sendo uma instituição estrangeira. de qualquer modalidade. mas se não tiver não se faz presumida. Optou-se pela utilização da CCB pelo disposto na Súmula nº 93 do STJ: “A legislação sobre cédulas de crédito rural. a CCB é um título causal. •• a nota promissória só pode ser protestada mediante a apresentação do original do título. a possibilidade do anatocismo na célula de crédito. 26. pretendia-se criar um título de crédito que tivesse agilidade para a cobrança das dívidas do sistema financeiro. •• enquanto a nota de crédito é um título abstrato.

A Cédula de Crédito Bancário deve conter os seguintes requisitos essenciais: I – a denominação “Cédula de Crédito Bancário”. 2. Garantias e Protesto 2. líquida e exigível no seu vencimento ou. a circulação. inclusive honorários advocatícios. as garantias e o protesto. correspondente ao crédito utilizado. certa. pois para a cédula de crédito bancária ser cobrada. IV – o nome da instituição credora.931/2004. podendo conter cláusula à ordem. Caso não seja endossável. Circulação. ou os critérios para essa determinação. haverá as seguintes figuras intervenientes: •• Emitente: pode ser uma pessoa natural ou jurídica. certa. a extensão monetária. pois é um título que pode gozar de aval. Os requisitos da CCB estão prescritos no art. No entanto. V – a data e o lugar de sua emissão. e . Na CCB. Direito Empresarial 2. autonomia e literalidade.2 Síntese A CCB. líquida e exigível. 29 da Lei nº 10. “Art. estudaremos a classificação de título de crédito. pode ser transferido mediante cessão de crédito. no caso de dívida oriunda de contrato de abertura de crédito bancário.1 Apresentação Nesta unidade. Facultativamente. no caso de pagamento parcelado. II – a promessa do emitente de pagar a dívida em dinheiro. III – a data e o lugar do pagamento da dívida e. Extensão Monetária. as datas e os valores de cada prestação. ela não se basta.150 legais e correção monetária segundo a lei. assim como os demais títulos de créditos tem as seguintes características: cartularidade. 29. Classificação de Título de Crédito. poderá ter a nota promissória o avalista. é um título causal e dependente. •• Beneficiário: terá de ser uma instituição financeira. a promessa do emitente de pagar a dívida em dinheiro. correção monetária. sendo necessário estar acompanhada do extrato de movimentação bancária. A CCB terá uma extensão monetária que permite a condenação em juros.

“Art. A Cédula de Crédito Bancário é título executivo extrajudicial e representa dívida em dinheiro. no que não contrariar o disposto nesta Lei. inclusive no caso de protesto parcial. Aplica-se às Cédulas de Crédito Bancário. caso em que o endossatário. “Art. 28 da Lei nº 10. inclusive cobrar os juros e demais encargos na forma pactuada na Cédula. líquida e exigível.” “Art. seja pelo saldo devedor demonstrado em planilha de cálculo. ou de seus respectivos mandatários. a exigibilidade também não decorre da lei. O protesto para a cobrança de CCB é sempre facultativo. averba-se no registro competente. certa. necessariamente. poderá exercer todos os direitos por ela conferidos. ou seja. as normas do direito cambiário. do contrário não. mas de uma questão aritmética.” Direito Empresarial 151 . A CCB. Será transferida mediante cessão de crédito. mas a transferência desse ônus independe de novo registro. 41. 29.” O endossatário de uma CCB. é o fato de o título estar vencido e a certeza é o fato de não haver dúvidas quanto à existência da obrigação. não tem de ter. do terceiro garantidor da obrigação. desde que o credor apresente declaração de posse da sua única via negociável. ou nos extratos da conta-corrente. a legislação cambial. A Cédula de Crédito Bancário deve conter os seguintes requisitos essenciais: § 1º A Cédula de Crédito Bancário será transferível mediante endosso em preto. mesmo não sendo instituição financeira ou entidade a ela equiparada. ao qual se aplicarão. que podem ser bens móveis e imóveis. em que pese ser uma cédula.VI – a assinatura do emitente e. ainda que não seja instituição financeira. mesmo nos casos em que o protesto é cambialmente necessário. 28. garantia real. é importante destacar o que está previsto no art. seja pela soma nela indicada. Em relação ao protesto. seus avalistas e terceiros garantidores.931/2004. 44.” A extensão monetária da CCB está prevista no art. se for o caso. A Cédula de Crédito Bancário poderá ser protestada por indicação. dispensado o protesto para garantir o direito de cobrança contra endossantes. Na garantia real – por exemplo.” A liquidez não decorre da lei. elaborados conforme previsto no § 2o.931/2004. sendo o protesto necessário. hipoteca e alienação fiduciária – será cedularmente constituída. no que couberem. se ela tiver a cláusula “à ordem” pode ser endossada. o ônus real. apenas para requerimento da falência. poderá cobrar o título com todos os consectários pactuados como se instituição financeira fosse. A lei autoriza à CCB que sejam atribuídas garantias pessoais e/ou garantias reais. Em relação à circulação da CCB. “Art. 44 da Lei nº 10.

O STJ decidiu que é possível haver uma S. O jovem de 16 anos não deve ser afastado.A. capital realizado é o capital pago. 6. parágrafo único. V. 1. pois nos termos do art. terá suprido automaticamente a incapacidade relativa. Assegurar o oligopólio no exercício da profissão e assegurar privilégios à classe burguesa. tendo este se estabelecido com economia pró- pria. nos termos do art. 2. O Código Civil de 2002 supera a teoria objetiva e introduz uma outra em que o Direito Empresarial retoma sua origem de ramo protetivo de uma classe. Trata-se da chamada sociedade leonina. 4. vertidas à sociedade com o fim de ser garantia dos credores e o numerário necessário para desenvolvimento da atividade. de- . do Código Civil. 3. 5º. 5.008 do Código Civil. de pessoas.152 Direito Empresarial Gabarito 1. Capital social é o somatório das parcelas afetadas no patrimônio dos sócios. e capital integralizado é o capital completamente pago. da teoria objetiva a Revolução Francesa e a edição do Código Napoleônico. capital subscrito é a promessa jurídica de aquisição de pagamento. O marco histórico da teoria subjetiva foi a superação da Idade Média.

a bonificação máxima em uma S. 20.A. XX. 11. existem os chamados dividendos mínimos obrigatórios. pois o que se transfere é o registro. nos termos do art.404/1976. 21. As três vantagens podem ser atribuídas isolada ou conjuntamente. as golden share poderão ter prazo indeterminado. na sociedade limitada de capital são levadas à venda judicial e na de pessoas isso não pode acontecer. 50 do Código Civil. 18. Na S. sem ações em bolsa. 10. que pode ter outros objetos. a marca deve ser alterada e não o nome empresarial. existe a chamada holding mista. será de 75%. § 3º.158. Não. ou promover-se-á a dissolução da sociedade limitada. cabendo uma ou diversas a cada um dos sócios. que é de 25%. 1. Não. fechada. Não há que se falar em alteração do nome. 8. 22.016 do CC e 158 da Lei nº 6. 19.A. flutuante. Real. como negociação de imóveis. 17. pois toda S. por exemplo.A. Contudo. 14. porém. 1. Na sociedade anônima tal fato não é possível. o art. 12. Direito Empresarial 153 . do Código Civil traz a sanção: “A omissão da palavra “limitada” determina a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que assim empregarem a firma ou a denominação da sociedade. com fulcro nos arts. exceto para microempresas e empresas de pequeno porte. É a junta comercial da sede da companhia. 5º.A. da Constituição Federal dispõe que ninguém é obrigado a associar-se e permanecer associado contra sua vontade. O entendimento majoritário é o de que seria preciso 50% mais um centavo. podem ter valores iguais ou desiguais. estritamente familiar e sem liquidez para as ações. As quotas são penhoráveis. 16. é empresária e toda cooperativa é uma sociedade simples. Sim. e apuração dos haveres dos sócios executados será utilizado para saldar a dívida do credor. pois quem registrou primeiro é o dono e.7. portanto. mas na sociedade limitada é permitido. porém. Assim. Sim. quirografária e subordinada. O art. Nunca. Não. Deve ser feita a penhora das quotas e sobre o valor do lucro que a elas couber. Não.” 13. Não se transfere a propriedade. 9. A atividade clássica é a negociação de valores mobiliários de outra companhia. 15. pois o direito sucessório estará assegurado. há um entendimento minoritário no sentido de que é preciso conjugar o quórum de maioria per capita com o quórum de maioria econômica. 23. Ainda. vendo esta ser uma S.

31. 25. A lei prescreve que. No direito brasileiro comporta uma exceção prevista na Lei de Duplicatas. . é sempre uma ordem de pagamento à vista. 41. sua fração será partilhada. 28. por exemplo. até 1/3 dos membros do Conselho podem cumular a função de diretor. é a pessoa a quem a quantia deverá ser paga. o portador as exceções fundadas sobre as relações pessoais deles com o endossante. 36. esta é uma regra absoluta. a transformação não implica extinção. tenha procedido conscientemente em detrimento do devedor. a emissão do bônus de subscrição é uma faculdade e não uma obrigação. 38. dissolução ou liquidação. Não. O registro se faz na sede da companhia. 32. 39. o prazo prescricional passou a ser do cheque. se o endossatário houvesse comunicado ao devedor que havia incluído a cláusula “não à ordem”. 34. Cédula de Crédito Bancário não tem prazo fixo. 28 do Decreto nº 2. onde o aceite é meramente facultativo. É apenas uma mudança de tipo societário. Tomador é sinônimo de beneficiário. aquele endosso passaria a ser eficaz.Direito Empresarial 154 24. 42. Não. o que pode ser mitigado é o princípio da autonomia. 29. Cheque é de 30 dias na mesma praça e 60 dias em praça diferente. 33. o qual deixou de ser pro solvendo e passou a ser pro soluto. 40. o prazo é de um dia útil. A abstração e a causalidade decorrem da lei. sim. conforme previsto no art. Sim. Art. o qual é dado após o vencimento do título. Não. ao receber a letra. Portanto. Não. havendo a decretação judicial da falência ou da insolvência civil de um dos codevedores simultâneos. em matéria de S. Porém.044/1908.A. 43. poderia executar. 26. Trata-se de uma exceção. Quando a companhia toma as ações do acionista remisso e as vende em bolsa de valores. Não. salvo a letra de câmbio. 15. 27. Letra A. há três exceções para o prazo de um dia útil: Duplicata é de 30 dias corridos. 19 da LUG. Não. Não. 30. o acordo de acionistas não é registrado na junta comercial. § 2º. Em regra. Segundo a regra. a menos que o portador. Não. O aval em branco presume-se dado ao devedor cambial direto. 35. pois no momento em que houve quitação da duplicata e emissão de recibo. mas já com forma e efeito de uma cessão de crédito. O cheque. O limite para emissão do bônus de subscrição é o valor do capital autorizado. podendo haver recusa. Sim. Assertiva falsa. Os coobrigados não podem invocar contra 37. No entanto. Endosso póstumo é uma expressão técnica. em seu art.

§ 7º. seu crédito não é subordinado. O art. 55. se é possível requerer a falência de duplicata de serviço suprindo-se o aceite. A Fazenda Pública é parte legítima ativa. nos termos do art. 142. 61 da Lei de Cheques regulamenta especificamente a ação de locupletamento dos cheques. O TST entende que se um empregado é alçado a grau de administrador. mas sim um crédito normal. 49. o cheque. o prazo prescricional computa-se da data de encerramento da apresentação. 57. Contudo. ao endossá-la. No entanto. feito o cruzamento em preto. já que é credora. precisará pedir um endosso do banco mencionado entre as barras paralelas. pois o pedido de falência foi improcedente. outros foram devolvidos sem fundos. Os atos de realização de ativos. aonde o juiz vai declarar que o autor não tem uma obrigação cambial válida. ainda que o cheque seja pós-datado. 19. O Código de Ética da OAB proíbe o advogado de sacar contra o cliente qualquer título de crédito para cobrar seus honorários. 50. o suprimento do aceite é possível na duplicata de serviços e na duplicata mercantil. nesses casos seria 2/3 financeiramente considerados dos presentes ao conclave. Assim. A despeito de ser parte legítima ativa. isso significa que o STJ considera este um título executivo extrajudicial. Se a apresentação do cheque se fizer após expirado o prazo. Quando porque este foi pago. § 4º. mas não pode ser sacada. 56. seria de natureza administrativa. mas protestada. 53. 46. O entendimento majoritário é afirmativo. O pedido de falência foi improcedente. 45. Ação declaratória. Pode circular. Desta forma. A Súmula nº 248 do STJ estabelece: “Comprovada a prestação dos serviços. se o advogado sofrer sanção. pode ser inserida a cláusula “não à ordem”. Sim. 51. uma vez criada. 47.” Assim. 52. A regra geral é maioria econômica dos presentes ao conclave. é título hábil para instruir pedido de falência. 54. Assim. a duplicata não aceita. mas a cobrança foi procedente. devido à ausência de interesse processual. nos termos do art. Não. não pode requerer falência do devedor empresário contribuinte. o contrato de emprego não é extinto. 48. A Lei de Protestos tem previsão expressa regendo a matéria. mas sim suspenso. 58.44. O réu pagou os honorários sucumbenciais. a jurisprudência entende que a duplicata não seria nula. se a pessoa quiser depositar em outro banco. Mas. Direito Empresarial 155 .

No desconto bancário. o empréstimo é feito à pessoa. caso os administradores sejam afastados. o próprio devedor é também a pessoa que vai obter recurso financeiro. Quando o executado é o banqueiro. a lei presume a aceitação tácita dos credores. pessoa natural ou jurídica. .886/1965. acrescentará ao seu nome a expressão “em recuperação judicial” em seus contratos e em todos os atos que atuar. em recuperação judicial. Exemplo: hipótese de bem alienado fiduciariamente. É um registro meramente declaratório. poderá ser requerida a intervenção. 64. Quando o autor do pedido não é proprietário. 67. o título de crédito é autônomo em relação ao contrato de conta-corrente. o dinheiro em caixa pode ser penhorado (Súmula nº 328 do STJ). O banqueiro apenas abre o crédito para que seja utilizado pelo devedor. Não. É a pessoa que ficará encarregada de administrar a massa. A falência visa exclusivamente a preservação da empresa. 61. 70. A previsão acerca dos Conselhos está no art. o presidente do Banco Central pode decretar a intervenção ou desde logo decretar a liquidação. O gestor judicial é uma figura facultativa que só existe na recuperação judicial. Todo empresário. É eleito pela assembleia geral dos credores. pois não havendo objeção. Não. mas a jurisprudência tem entendido que o registro é uma mera faculdade. 9º da Lei nº 4. mas caso exista interesse público nos termos do CPC. 72. No contrato de mútuo clássico. 54 da Lei de Falência. 69. Trata-se do art. 63. 60. sendo que aquele crédito não compõe o patrimônio do devedor.156 Direito Empresarial 59. Não. 65. essa homologação poderia se dar em sede de câmara arbitral. 62. Não. 66. mas o devedor da obrigação é o devedor do título descontado. Sim. 68. Em caso de emissão de cheque. 71. Não.