Novas correntes migratórias: os arranjos domiciliares de idosos que

migraram de São Paulo para Minas Gerais nas últimas décadas
Marden Barbosa de Campos1

Resumo
A partir da década de 1980 começou a haver uma mudança do padrão migratório
do Brasil e houve um aumento da migração de retorno de São Paulo para Minas
Gerais volume sendo que a participação dos idosos foi crescente entre estes
migrantes. Esse trabalho busca analisar a estrutura domiciliar desses migrantes.
Os resultados encontrados atestam a importância da estrutura familiar das redes
sociais entre essas migrações. As análises apresentadas, dentro de um contexto
de envelhecimento da população, destacam um fenômeno que ganha cada vez
mais importância no País e envolve aspecto como saúde, arranjos familiares e
transferências intergeracionais de recursos.

Palavras-chave: migração interna; envelhecimento; arranjos domiciliares.

Área temática: Demografia

1

Analista da Coordenação de População do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.

O IBGE está isento de qualquer responsabilidade pelas opiniões, informações, dados e
conceitos emitidos neste artigo, que são de exclusiva responsabilidade do autor

Introdução

Minas Gerais e São Paulo sempre tiveram posição de destaque nos movimentos
migratórios internos do País e forte inter-relação, tanto pelo volume quanto pelo
relacionamento recíproco. Dentro do processo de industrialização e modernização
da sociedade, um grande contingente populacional partiu de Minas Gerais para
São Paulo, movimento que atingiu seu auge nas décadas de 60 e 70. A partir daí,
começou a haver uma mudança do padrão migratório do Brasil e as perdas
populacionais de Minas começaram a diminuir, ao mesmos tempo em que São
Paulo alcançou o limite de sua capacidade de absorção. Um volume significativo
de migrantes começou a percorrer o caminho inverso, dirigindo-se de Minas
Gerais para São Paulo, sendo composto, em grande parte, por migrantes de
retorno. Ao mesmo tempo, o avanço do processo de transição demográfica no
Brasil, caracterizado pelo envelhecimento demográfico da população provocou
um aumento da participação de idosos nestes movimentos populacionais.
Esse trabalho analisa a estrutura domiciliar dos migrantes idosos de São Paulo
para Minas Gerais nas décadas de 1980, 1990 e 2000. Chamou-se de estrutura
domiciliar de migração a composição do domicílio do idoso, em termos de
migrantes, após a migração. Buscou-se separar os idosos que migraram sozinhos
dos que migraram acompanhados, constituindo um novo domicílio no município
de destino e ainda, daqueles que chegaram em um domicílio que já existia.
Com isto, busca-se lançar luz sobre as migrações de uma parcela da população
que não migra motivada apenas pela busca de trabalho, contribuindo para a
compreensão de outros aspectos relacionados às migrações no Brasil, como os
arranjos domiciliares e as relações de parentesco.
A próxima seção faz um breve relato das migrações no Brasil nas últimas décadas
destacando os deslocamentos entre São Paulo e Minas Gerais. Em seguida, são
apresentados, em termo conceituais, os aspectos relacionados à arranjos
domiciliares e migração. A quarta seção apresenta os dados e o método de
análise utilizados, seguidos da apresentação dos resultados encontrados. Por fim,
à guisa de conclusão, são discutidos os resultados do trabalho em relação à
perspectivas teóricas de migração e sua implicação para políticas públicas.

As migrações no Brasil nas últimas décadas do século XX, com destaque
para migração entre São Paulo e Minas Gerais

A segunda metade do século XX foi marcada por intensos movimentos
migratórios entre as Unidades da Federação brasileiras. Dentro do processo de
industrialização e modernização da sociedade, um grande contingente
populacional partiu das áreas economicamente mais estagnadas do País para
regiões que apresentavam crescente dinamismo econômico e oportunidades de
emprego. A concentração industrial nas grandes cidades atraiu a população das
2

especialmente para São Paulo que sempre foi o principal destino dos emigrantes mineiros (RIBEIRO e CARVALHO. 2002). como Minas Gerais e os estados do Nordeste. LOBO e STEFANI. 1998. As correntes migratórias ligavam as regiões mais populosas e economicamente estagnadas. em termos absolutos (RIBEIRO e CARVALHO. Essas áreas ficaram relativamente à margem do processo de desenvolvimento e atuaram como expulsoras da população. apresentou um ganho líquido de 816 mil pessoas na década de 1960. São Paulo alcançou o limite de sua capacidade de absorção de migrantes e tornou-se o maior “expulsor” de população do País. referindo-se ao padrão migratório interestadual brasileiro observado entre 1950 e 1980. Segundo RIBEIRO. assim como das áreas urbanas menos desenvolvidas. apresentando uma perda liquida de 1. através dos fluxos migratórios. CARVALHO e WONG (1996). É nesse sentido que. CARVALHO et. Em Minas Gerais.2 milhões na década de 1970 (RIBEIRO e CARVALHO. A partir daí. que engendrou um processo de crescente substituição do trabalho pelo capital. Ao mesmos tempo. as migrações passaram por mudanças. na década de 1970. BRITO.2 milhões indivíduos e.” (BRITO. 2002). na maioria dos estados do Nordeste. Como os investimentos industriais concentraram-se nas grandes metrópoles da Região Sudeste. como o principal Estado de origem dos migrantes interestaduais do País. 1998). Minas Gerais destacava-se. com os estados onde ocorria o maior crescimento industrial e com as regiões de expansão da fronteira agrícola e mineral. saíram do Nordeste em torno de 2. Houve uma mudança profunda do padrão migratório e as perdas populacionais de Minas e do Nordeste começaram a diminuir. 1998. Esse processo atingiu seu auge nas décadas de 60 e 70. à crise econômica e ao esgotamento da capacidade de absorção dos excedentes populacionais pelos 3 . o Nordeste e Minas Gerais. começou a haver uma mudança nas migrações internas do País. em parte devido à transição demográfica brasileira. Na década de 1960. mais de 3 milhões. mesmo que ainda apresentando saldos migratórios positivos. e de 2. sendo que grande parte deslocou-se para São Paulo. principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. o número de emigrantes começou a diminuir e o de imigrantes a aumentar. com as áreas com maior dinamismo econômico do Pais e algumas regiões de fronteira agrícola do Sul e Centro-Oeste.7 milhões de imigrantes. Isso ocorreu devido a mudanças na estrutura produtiva.. essas trajetórias migratórias foram alimentadas por fortes desequilíbrios regionais e sociais. A Região Sudeste. al. 1998). 2005. da alta concentração fundiária e da modernização agrícola. os principais fluxos populacionais do período direcionaram-se para estes locais. na década seguinte. BRITO (2002) destaca: “As trajetórias dominantes articulavam os dois grandes reservatórios de força de trabalho. Vários autores destacam o papel de Minas Gerais como o maior fornecedor de população para outras Unidades da Federação. São Paulo recebeu mais de 1. dentre outros aspectos. característica de uma época de forte associação entre fatores econômicos e demográficos.6 milhões de indivíduos. No mesmo período. MATOS. em função.áreas rurais. Segundo BRITO (2002).

178.880 indivíduos. o número de migrantes entre São Paulo e Minas no quinquênio 1995-2000 foi de 201. no Ceará. Analisando o perfil etário dos migrantes de retorno na década de 1980. 4 . 1991).423 indivíduos. Segundo os autores. sendo uma migração tipicamente familiar. das dificuldades de acesso aos serviços públicos básicos e à moradia. os retornados correspondiam a 43% dos indivíduos que chegaram a Minas Gerais e superaram 60% dos que se dirigiram para os estados do Nordeste. Conforme salienta RIGOTTI (1999). o quinto maior do País (IBGE.823 indivíduos. Diminuíram. portanto. Segundo os dados do Censo de 1991. positivo para São Paulo entre 1986 e 1991 (92. (RIBEIRO.263 indivíduos). aliada a um aumento da imigração. a “migração de retorno a Minas está associada mais ao fracasso do que ao sucesso na região de destino” (pág. foi o terceiro maior do País (IBGE. Pelo Censo 2000. o segundo maior número de migrantes interestaduais do Pais. ou seja. Grande parte dos migrantes que se dirigiram para as antigas regiões expulsoras de população era composta de migrantes de retorno. As migrações internas passaram para uma nova etapa. Na direção contrária. e positivo para Minas Gerais entre 1995 e 2000 (23. sendo que. RIBEIRO e CARVALHO (1998) constatam a predominância de determinantes ligados ao mercado de trabalho. Já o resultado final do fluxo migratório de Minas Gerais para São Paulo. As virtudes das grandes cidades desapareceram diante da violência urbana. 867) Segundo BRITO e CARVALHO (2006). de curto prazo” (pág. O saldo migratório entre São Paulo e Minas Gerais foi. pelo mesmo critério de data-fixa.antigos centros receptores. 1999). enquanto o Nordeste e Minas Gerais passaram a perder menos população. o número de migrantes de São Paulo para Minas Gerais teve como resultado. o segundo maior do País. ao final do quinquênio. na qual o êxodo rural perdeu força para novas formas de distribuição espacial da população (RIGOTTI. tanto pelo volume quanto pelo relacionamento recíproco. pelo critério de data-fixa . a diminuição da perda líquida de população seria consequência da desaceleração da emigração. então. 145. É importante destacar a magnitude das trocas populacionais ocorridas entre Minas Gerais e São Paulo durante a segunda metade do século passado. foi entre Minas Gerais e São Paulo. os ganhos populacionais de São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo esses autores. Minas Gerais e São Paulo sempre tiveram posição de destaque nos movimentos migratórios internos do País e forte interrelação. 2000).457 indivíduos). dentre os migrantes provenientes de São Paulo. do desemprego. 868) e que esses imigrantes eram “em maioria absoluta. 1997). a maioria dos emigrantes de São Paulo que se dirigiram para o Nordeste e para Minas Gerais nos últimos anos constituise de migrantes de retorno. correspondiam a 76% dos imigrantes do período. totalizando 236. entre 1999 e 2004. Tanto no Nordeste como em Minas Gerais.086 indivíduos. de indivíduos que haviam deixado essas regiões e agora retornavam para seus estados de origem.

Já em 2000.. Como vemos. MATOS. mostram que. é uma opção do próprio idoso. como nas abordagens que enfatizam o papel do ciclo de vida familiar na determinação da migração. também das externalidades negativas nas prováveis regiões de destino dos migrantes mineiros – tem sido acompanhado pelo crescimento da sua capacidade de atração. MACHADO e RODRIGUES (2007) demonstram que há um aumento na proporção de idosos vivendo sós no Brasil. 27% dos idosos emigrantes data-fixa de São Paulo encontravam-se em Minas Gerais e esses correspondiam a 46. que: “O aumento da sua capacidade de retenção migratória – que não é só função das suas externalidades positivas.970 indivíduos que moravam em São Paulo em 1986 residiam em Minas Gerais em 1991.78% dos migrantes data-fixa de São Paulo para Minas nesse período (IBGE. segundo CAMARANO et. Grande parte desses imigrantes estava relacionado ao retorno de mineiros para o Estado. ou seja.761 migrantes. 1991). o fato dos idosos viverem sós tem forte associação com a renda. 1998).7% dos idosos imigrantes data-fixa do Estado (IBGE. (. segundo o Censo de 1991. 2000). a reversão do saldo migratório de Minas e do Nordeste deveu-se principalmente ao aumento da imigração. Basicamente. Segundo PALLONI (2004). para o caso de Minas Gerais. BURCH (1991) demonstra que o percentual de idosos vivendo sós é maior entre aqueles mais ricos. Segundo GARCIA e MIRANDA-RIBEIRO. que estudam a reversão do padrão migratório entre Minas e São Paulo. 50). A tendência de viver só 5 . dois terços eram devidos à imigração de retorno (RIBEIRO e CARVALHO. grande importância no contexto das transferências intergeracionais no País. Em 2000. dado que viver só. (2005) a migração de retorno para Minas Gerais. entre 1995 e 2000. 6. o número de migrantes idosos data-fixa de São Paulo para Minas Gerais foi o maior do país. Todos esses aspectos enfatizam a necessidade de analisarmos a composição dos arranjos domiciliares dos migrantes. A questão será saber com quem os idosos vivem e com quem migram. a análise do arranjo domiciliar com base em dados censitário é feita pela caracterização da composição dos domicílios. incluído seus efeitos indiretos . que representavam 5. Ainda que tenha havido diminuição da emigração. Minas Gerais passou a receber um número significativo de imigrantes. A unidade domiciliar é tida como um unidade de decisão migratória tanto nas teorias do capital humano. (2004). Ela têm. com 11. Os idosos corresponderam a 4. CAMARGO.) muitos têm vindo pelas oportunidades geradas nas regiões de expansão agro-industrial” (p. sendo esse o terceiro maior volume de migrantes interestaduais idosos do País.87% do total de migrantes de São Paulo para Minas. Nesse sentido. 80% da década de 80 e 75% da década de 90.Com relação à população com 60 anos ou mais de idade. BRITO (2002) afirma.. a maior parte proveniente de São Paulo. al. sendo que. o saldo migratório entre as Unidades da Federação era “favorável” em relação a Minas. muitas vezes. mas. é uma opção que reflete independência. respondeu por 67% do migrantes da década de 70. LOBO e STEFANI (2005).

1988). CHOI. existe uma relação entre os arranjos domiciliares e as migração dos idosos.(BOYD. conforme já citado. DE VOS e HOLDEN. 2004. Estas migrações relacionam-se às transições que ocorrem ao longo do ciclo de vida dos indivíduos ou domicílios. Arranjos domiciliares de migração A migração de idosos é um fenômeno que vem ganhando importância crescente nas últimas décadas em diversos países. Esta relação. devido. WILMOTH 2001). na literatura consultada. CHEN e WILMOTH. 2002. Dado que a renda do idoso é muito importante para as famílias brasileiras. mesmo que co-habitação reflita dependência. Segundo LLOYD-SHERLOK (2001). quando a necessidades de (re)ajuste do espaço ou custo de moradia ou a necessidade de rearranjo na estrutura domiciliar força a mudança para outra localidade. Há trabalhos que dão destaque a aspectos como vontade de residir em locais que apresentam “amenidades”. mas manter a residência próxima de algum parente. Dentre os principais estímulos para a migração de idosos destacam-se. 1996). Contudo. ao envelhecimento demográfico de suas populações. Contudo. a aposentadoria e as questões relacionadas à saúde e à estrutura familiar (BIGGAR. o fato de viverem sós não significa que não estejam envolvidos em alguma relação de suporte. nem sempre é fácil distinguir a direção do fluxo de transferência de recursos. incapacidade (CHOI. Por outro lado.provavelmente também aumenta a tendência de migrar só e. A intenção de migrar muitas vezes surge no âmbito 6 . LAW e WARNES. 1996. 2002. baixa criminalidade e menor custo de vida (ANDERSON. os idosos sós migram mais (ROGERS. 1991. ANDERSON. NEWBOLD. muitas vezes são eles que estarão dando suporte a outros parentes não-idosos. 1980. principalmente. PALLONI (2004) também enfatiza que viver em residência distinta mas próxima da família é uma estratégia comum entre os idosos. no caso de haver a co-habitação. BURES. HASS. há dificuldade em saber qual membro do domicílio fornece e qual membro recebe suporte. e que levam a mudança nas preferências residenciais que podem culminar com a migração. BENNETT. 1996). WALTERS (2002) destaca a tendência entre os idosos de diminuir a co-residência. 1976. como clima agradável. 2006). além de outros que lidam especificamente com a relação entre migração de idosos aposentadoria (BURES. Estre trabalho pretende demonstrar que. 1988. influencia a migração na medida que altera as unidades decisórias da migração e explicita o papel das estruturas de suporte nos deslocamentos populacionais. 2004) e o papel dos arranjos domiciliares nestas migrações. baseada na composição domiciliar e nas relações de parentesco internas ao domicílio. 1997. CHEN e WILMOTH. nossos dados são limitados para analisar relações familiares entre domicílios. também no Brasil. 1997. 1993.

1995. que normalmente ocorre quando a saúde começa a se deteriorar. Essa migração vai depender da existência de filhos e parentes e. 1986) e que reduzem os riscos da migração. tanto no nível individual. mesmo que para seu ganho particular da migração seja positivo já que os custos e benefícios individuais da migração são distribuído entre os membros da família e a migração só ocorrerá quanto o ganho agregado da família seja maximizado. e o estágio do ciclo de vida domiciliar. por si só não seriam estimulados a migrar. 1990). MASSEY. merece destaque o papel das redes sociais nas migrações dos idosos. São uma espécie de capital “intangível” (capital social) que os indivíduos/domicílios possuem (TAYLOR. pág. A migração não ocorre. Este é o caso dos acompanhantes dos migrantes que. como parentes. por isso. em decorrência da necessidade de residência junto de filhos e parentes (WALTERS. Segundo LAWSON (1998). inclui não só as relações com os filhos mas. MINCER (1978). as ligações com os irmãos. também. Nesse sentido. frequentemente. No caso dos idosos IKKINK e Van TILBURG (1999) destacam que. Porém. “Tied mover” são os indivíduos que migram mas que. STOLLER e LONGINO (2001) ressaltam que a migração motivada pelo desejo de viver próximo da família. por exemplo. 7 . As famílias são os grupos primários em que indivíduos de diferentes idades convivem juntos por longos períodos de tempo (SETTERSTEN. quanto domiciliar. que influenciam a decisão de migrar e da escolha do local de destino. 2006). individualmente. à medida que a idade avança. A migração de idosos ocorre. a rede criada por uma família especialmente dispersa é um facilitador dos movimentos migratórios. As redes sociais são definidas como conjuntos de laços interpessoais que ligam potenciais migrantes com migrantes de fato e com não-migrantes nas áreas de origem e destino. 2002. Além disso. ele é levado a migrar por estar “atado” ao arranjo domiciliar. estas redes sociais são constituída de pessoas cada vez mais próximas. Neste sentido. classifica os indivíduos como “tied movers” e “tied stayers”. via relações de parentesco. A composição da família por sexo e idade. amizade e naturalidade (LITWIN. influenciam na propensão à migração de seus membros. As redes sociais provêm informações que reduzem o risco da migração. que trabalha com a relação entre migração e gênero. Os contatos dos migrantes no local de destino desempenham um papel fundamental da propensão migratória. não obteriam ganho com a migração. amigos e vizinhos.intra-domiciliar e está relacionada à dinâmica da relação entre seus membros. 57). e pode ocorrer por motivos puramente afetivos tanto da parte do idoso como dos filhos. como o ganho com a migração de outro membro da familiar mais do que compensa sua perda individual. Esses aspectos explicam como os arranjos domiciliares influenciam na migração e como essa pode ser vista como um meio de (des)construí-los. 1987). também está condicionada à estrutura familiar do idoso fora do domicílio (LITWAK e LONGINO. Já “Tied stayer” é o indivíduo que não se move dado que os ganhos com a migração não compensam os custos de mover do outro membro da família. o processo de barganha intra-familiar condiciona a decisão e o comportamento migratório. que analisa de forma detalhada a relação entre estrutura familiar e migração.

Os indivíduos residentes em domicílios coletivos foram excluídos da análise. não foram consideradas para a formação do grupo domiciliar do migrante. Como trabalharemos com as informações de última etapa migratória. 2000 e 2010 do IBGE. que no Brasil ainda existem idosos migrantes que se encontram economicamente ativos e. Essa informação 2 As crianças. por isto. numa data anterior ao censo. conforme CAMPOS et. denominados como migrantes de última etapa. sem etapas intermediárias. as abordagens que privilegiam os fatores econômicos como estímulos das migrações. SJAASTAD (1980) e BORJAS (1996). na data dos censos os indivíduos já terão uma idade diferente da que tinham quando migraram. assim como dos que viviam em domicílios em que todos os outros membros migraram de São Paulo para Minas Gerais na década. Esta informação possui a vantagem de podermos identificar os migrantes de cada década. sendo que o cônjuge também era migrante de São Paulo para Minas Gerais na década. tal como os trabalhos de HARIS E TODARO (1970). Serão analisadas as informações de migração dos censos. (2010). incluindo os migrantes interestaduais de retorno. melhores salários. precisam ser levadas em consideração na análise destes deslocamentos. al. em cada década. devido às características da informação censitária. referentes ao quesito que indaga o lugar de última residência do indivíduo. em concordância com RIBEIRO e CARVALHO (1988). e que tratam das migrações ligadas à busca de emprego. e também dos que viviam em domicílios em que residia pelo menos um indivíduo que não migrou de São Paulo para Minas Gerais na década2. 8 . filhas dos migrantes no destino. além de trabalharmos com a migração que ocorreu diretamente de São Paulo para Minas Gerais. residiram em um município diferente do que residiam na data do censo.Por fim. Ressalta-se que. Foram separados os indivíduos que migraram de São Paulo para Minas Gerais na década e que viviam sós na data de referência dos censos. cabe ressaltar. Estes migrantes são os indivíduos que. Será analisada a estrutura familiar dos migrantes. em termos de migrantes de São Paulo para Minas Gerais. correspondente à composição do domicílio dos idosos. utilizaremos a idade ao migrar para que realmente só levemos em consideração os migrantes idosos. Serão analisados os dados de indivíduos que migraram com 60 anos ou mais de idade. daqueles que viviam apenas com o cônjuge. Dados e método A análises empíricas deste trabalho serão feitas com base nos microdados dos Censos Demográficos de 1991. Contudo. só possuímos informação do domicílio do migrante no destino.

CARVALHO e WONG. na categoria “Migraram sós” estão representados os idosos migrantes que viviam sós na data de referência dos censos.000 386. por exemplo. na data de referência dos censos. Por exemplo. mas uma redução na década seguinte. o percentual de idosos no total de migrantes passou de 3. Acredita-se que.106 8. na data de referência. 1996). embora em menor grau na década de 2000 do que na década de 1990.298 129. mesmo que tenham migrado juntamente com outros indivíduos mas. além da análise realizada neste trabalho.638 14. entre os idosos também verificou-se uma redução dos imigrantes de retorno. este método de reconstrução do domicílio pode contribuir para outros estudos de migração no País como. Com isto.304 7. Embora o número total de migrantes tenha diminuído na década de 2000. 2005. assim como observado para o total de migrantes do País.242 2.376 2. Esta é uma contribuição importante deste trabalho para a compreensão das migrações de idosos no Brasil Resultados O total de indivíduos que migrou de São Paulo para Minas Gerais na década anterior a cada censo foi de 269 mil na década de 1980.010 292.139 8. embora saibamos que. aumentando para 386 mil na década de 1990 e reduzindo para 292 mil na década de 2000. vemos que houve um aumento significativo na década de 1990. segundo categorias de análise Categorias Imigrantes (total) Imigrantes de retorno Imigrantes idosos Imigrantes de retorno idosos 1991 269.368 174. Com relação aos migrantes de retorno. RIBEIRO. TABELA 1 – Imigrantes de São Paulo para Minas Gerais.509 5. o número de migrantes idosos aumentou 80% em todo o período de análise.2000 e 2010.896 Fonte: IBGE. 9 . 1991.106 107. Este número acompanhou a diminuição dos volumes totais de migração observados para o Brasil na última década. Sendo assim. os outros migrantes tenham falecido ou mudado para outro domicílio.559 15.2% em 1991 para 5.2% em 2010. apresenta-se como uma estratégia de análise dos dados de migração inédita no Brasil. os indivíduos poderiam viver em um domicílio diferente daquele em que viviam logo após a migração. por período. O algoritmo criado para a reconstrução do domicílio do migrante no local de destino (apresentado no Anexo). Neste caso.refere-se apenas aos indivíduos que estavam vivos na data de referência do Censo e que não reemigraram. a estimativa dos efeitos indiretos da migração (GARCIA e MIRANDA-RIBEIRO. essa variável será considerada uma “proxy” da composição familiar do grupo migrante.

Isto deveu-se ao aumento significativo do número de homens entre os migrantes relativamente mais jovens. Como verificado para os migrantes idosos.2000 e 2010. eles acabaram tornando-se a maioria dos migrantes idoso em geral. o número daqueles com menos de 70 anos de idade representou a maioria dos migrantes idosos do período. Como abaixo destas idades há um maior percentual de homens entre os migrantes. entre os idosos. Contudo. sendo sempre em superior a 67% do total. com até 69 anos de idade.A análise da composição dos migrantes por sexo e idade mostra que. e inferior na década de 2000. o número de mulheres foi superior ao de homens nas décadas de 1980 e 1990. Gráfico 1 – Migrantes idosos de São Paulo para Minas Gerais por grupo de idade – Homens . o número de mulheres migrantes foi sempre maior do que o de homens. 10 .1991 a 2010 Fonte: IBGE. a partir dos 70 anos de idade. 1991. na década de 2000.

Em seguida. atingindo seu auge entre 70 e 74 anos.Gráfico 2 – Migrantes idosos de São Paulo para Minas Gerais e grupo de idade – Mulheres . e que voltam a crescer após os 45 anos de idade. indicando uma incapacidade de migrar só em idades muito avançadas. segundo a estrutura domiciliar de migração – Ambos os sexos . idades em que os pais e as crianças tendem a viver no mesmo domicílio. que sofrem uma redução após os 29 anos. possíveis idades em que os filhos já deixaram os domicílio dos pais.5% deles migraram apenas com o cônjuge e. O GRAF. A partir dos 15 a 19 anos aumentaram as migrações dos casais. possivelmente em decorrência do nascimento dos filhos. GRAFICO 3 – Percentual de migrantes de Minas Gerais para São Paulo por grupo de idade.3%) migrou com o domicílio todo.9% dos migrantes dirigiu-se para um domicílio pré-estabelecido. Conclui-se que a estrutura domiciliar da migração está intimamente ligada as etapas do ciclo de vida domiciliar. por grupo etário quinquenal. verificou-se que. a partir de quando voltam a reduzir significativamente. 1991. Com relação à estrutura domiciliar da migração. Já o percentual dos que migram sozinhos é crescente a partir dos 10 anos. 5. a maioria (53. entre os migrantes de todas as idades. com até 4 anos de idade e para aqueles com mais de 80 anos de idade. Já aqueles que migraram para um domicílio pré-estabelecido concentraram-se nas idades extremas.1991 a 2010 Fonte: IBGE. por último. 3 mostra a variação da estrutura da migração para o total de migrantes de São Paulo para Minas Gerais. Os maiores percentuais de indivíduos que migraram com o domicílio todo tinham entre 5 e 14 anos. 32.2010 11 . atingindo seu ápice entre 65 e 69 anos.2000 e 2010.4% migraram sós. seguidos por aqueles com entre 30 e 40 anos. enquanto 8.

Fonte: IBGE.9 13.3 31. onde viviam não-migrantes.5 29.5 22.6 Mulheres Sós Só com o cônjuge Como o domicílio todo Para um domicílio com não-migrantes 12.2 33. vemos que a estrutura domiciliar de migração foi sensível quanto ao sexo do migrante.7 17.9 18. O percentual dos que migraram para um domicílio pré-determinado.5 18. assim como entre os idosos são menores os percentuais daqueles que migraram com o domicílio todo. Em termos gerais.1 22. por período. oscilou entre os sexos.2000 e 2010. vê-se que o percentual de idosos que migram sós ou apenas com o cônjuge é bem mais elevado do que para a população em geral. Entre as mulheres. Tratando especificamente da estrutura domiciliar de migração dos idosos. TABELA 2 – Percentual de imigrantes idosos de São Paulo para Minas Gerais. 12 .9 15. 2. sendo maior para os homens na década de 1990 e para as mulheres nas décadas de 1980 e 2000. segundo o sexo e a estrutura domiciliar de migração Estrutura domiciliar de Migração 1991 2000 2010 Sós Só com o cônjuge Como o domicílio todo Para um domicílio com não-migrantes 9.9 45. vemos que ela é diferente da apresentada para os grupos etários mais jovens. o percentual daqueles que migraram apenas com o cônjuge foi sempre maior entre os homens.4 16.2 18.6 36.4 22. o percentual das que migraram sós ou com o domicilio todo foi sempre maior do que entre os homens.4 23. Conforme a TAB.3 33.3 28.8 41.9 46.9 Homens Fonte: IBGE: 1991. Por outro lado.8 23. 2010. dada a fase do ciclo de vida que estes indivíduos se encontram.0 17.

seguidos.2 1.3 5. diferente do observado para os homens.7 36.4 Fonte: IBGE: 1991. segundo categoria de relação com o responsável pelo domicílio. no mínimo.2 Pai.2 1.8 73.4 33.6 28. e provavelmente são afetadas. verificou-se que 59% dos migrantes idosos foram declarados como responsáveis pelos domicílios. Em 1991 esta categoria foi superado pelas mães ou sogras dos responsáveis.4 Outros 2. 29% das migrantes. entre os idosos que migraram com o domicílio todo. houve aumento dos que migraram sós ou apenas com o cônjuge e perda de participação entre os que migraram com o domicílio todo ou para um domicílio em que viviam nãomigrantes As diferenças na estrutura domiciliar também afetam.Na comparação temporal vemos que.4 Irmão ou irmã 0. totalizando 35.6 Cônjuge ou companheiro(a) 2.7 5. mãe.4 25. em torno de um quarto das migrantes foram declaradas como sendo cônjuges ou companheiras do responsável. percebemos diferenças significativas nas relações de parentesco. para ambos os sexos. quando separamos os migrantes segundo estrutura domiciliar de migração e o sexo.0 34. com 36.2000 e 2010.3 23.4 14.2 3.1 35. 21% como cônjuges ou companheiros e 13% como pais. pelas relações de parentesco dentro dos domicílios. por período e sexo. Já entre as mulheres que migraram com o domicílio todo.5 4. o maior percentual daquelas que foram declaradas como responsáveis foi encontrado em 2010.6% do total de migrantes.6 6.1 25.9 3. 13 . Entretanto.7 29. referentes ao Censo 2010. em menor grau. representando. Homens Mulheres Relação com o Responsável 1991 2000 2010 1991 2000 2010 Pessoa responsável pelo domicílio 81. mães ou sogros(as) dos responsáveis.1 76. TABELA 3 – Percentual de idosos que migraram de São Paulo para Minas Gerais com o domicílio todo. embora tenha sido ligeiramente menor nos outros anos. sogro(a) 13. Além disto.1 9.4% das migrantes e que.5 3.3 4. quase todos os homens foram declarados como sendo responsáveis pelos domicílios. Como apresentado pela TAB 3.4 4.4 11. de pais ou sogros dos responsáveis. Analisando os dados mais recentes.

7 7. TABELA 4 – Percentual de idosos que migraram de São Paulo para Minas Gerais para um domicílio pré-estabelecido. Segundo ALVES.7 16. crescentes no período e sempre superiores aos verificados para os homens. é tipicamente familiar. exclusivamente. Também devemos destacar a importância observada da migração das mulheres declaradas como irmãs do(a) responsável. Também merece destaque os percentuais de irmãs.4 21.7 50.8 1.2 5.6 41. Relação com o Responsável Pessoa responsável pelo domicílio Cônjuge ou companheiro(a) Pai.3 13. percebem-se diferenças significativas nas relações de parentesco dos idosos que migraram para um domicílio pré-estabelecido.9 5. apesar de ainda serem atribuídos a maior parte dos migrantes do sexo masculino.3 10. entre os homens. conforme destacam DE JONG e GARDNER (1981). LEITE e MACHADO (2008). onde viviam nãomigrantes. como no caso 14 .0 11.7 5.2 12. Os percentuais de indivíduos declarados como responsáveis pelos domicílios foram menores. Também ganhou relevância o percentual de indivíduos declarados como irmãos dos responsáveis.4 18. esse suporte.8 13.6 15.8 Fonte: IBGE: 1991.8 44.8 6.Por outro lado. O estudo desse tipo de migração possibilita-nos investigar um grupo populacional que não migra motivado. Conforme verificamos.1 25. conforme destacavam STOLLER e LONGINO (2001) para outros contextos. sogro(a) Irmão ou irmã Outros Homens 1991 2000 2010 Mulheres 1991 2000 2010 53. por período e sexo. pela busca de emprego e de melhores salários. Conclusões A migração de idosos é um fenômeno que tem merecido atenção especial dos estudiosos de países que já se encontram em uma processo mais avançado de transição demográfica.1 5.0 53. sociais e pela expectativa de aumentar sua qualidade de vida.2000 e 2010. Ao mesmo tempo. Merece destaque o estado conjugal do idoso. o que influenciou seu comportamento migratório. o que ocorre muitas vezes devido à necessidade de suporte ao idoso. a principal categoria de relação com os responsáveis em todo o período foi a de mães ou sogras. o percentual de pais e sogros foi maior do que entre aqueles que migraram com o domicílio todo.3 19. mãe. há uma diferenciação relevante em termos de arranjos domiciliares e migração entre os idosos e a população mais jovem. Entre as mulheres. As relações de suporte atestam que a migração dos idosos pode ter sido realizada por idosos que procuram viver próximos da família.8 24.7 18.2 14. no Brasil. segundo categoria de relação com o responsável pelo domicílio.7 27.3 35. Os idosos também migram motivados por questões familiares. conforme a teoria decisória de migração de DE JONG e GARDNER (1981).3 7.0 13. principalmente se ele vive ou não com o cônjuge.

Sweden. uma geração de idosos no futuro não distante com menos filhos e menor possibilidade de usufruir de suporte familiar. n. 3. J. ela é acompanhada de um processo de transição da mobilidade. É provável que parte dessa idosas migraram com os maridos. 1978) Verificou-se que houve um aumento das mulheres que foram declaradas como responsáveis pelo domicílio.das mulheres que migraram para acompanhar os cônjuges. Sc. Outro aspecto importante ligado à transição demográfica é que. Uma outra questão que desponta dessa análise. ANDERSON. a chamada “sociedade futura” é uma sociedade com alta mobilidade e com estrutura etária envelhecida. v. Rio de Janeiro. 24. a estrutura familiar é fundamental no entendimento da migração de idosos. Cadernos de Saúde Pública (FIOCRUZ). fazendo com que no momento do censo elas vivessem sós. C. quanto nos locais de destino das migrações dos idosos. L. C. haverá. necessariamente. ampliando as consequências dessas migrações e seu impacto nas famílias. 2002. p. Referências Bibliográficas ALVES. Isso é especialmente válido entre as idosas com idade mais avançada. retirement migration: motives for migration to warmer climate and housing needs: a study of scandinavians in Costa Blanca. tentamos evitar a concentração da unidade de análise apenas no indivíduo pois. Esse aspecto realça a importância da família como unidade decisória da migração e a existência de tied movers entre os idosos (MINCER. ligada à importância da estrutura familiar dos migrantes. Março 2008. MACHADO. é o fato de que. Isso pode modificar o padrão migratório atual ou mesmo coibir esse tipo de migração. J. com a diminuição do número de filhos verificada atualmente no Brasil. que vieram a falecer após a migração. o que pode conferir um peso considerável à migração de idosos no Brasil nos próximos anos. indicando um aumento dos domicílios unipessoais de migrantes idosas. Perfis de saúde dos idosos no Brasil: análise da pesquisa nacional por amostra de domicílios de 2003 utilizando o método grade of membership. 61 f. Segundo o autor. no mercado de trabalho e nas instituições de saúde e assistência social. LEITE. . segundo ZELINSKY (1971). muitas vezes no próprio local de origem dos migrantes. tanto nos locais de origem. conforme a literatura consultada. I. 2002. Chalmers University of Technology. Nesse sentido. que altera o padrão migratório da sociedades à medida que elas se modernizam. as demandas que geraram o estímulo migratório terão de ser supridas de outras maneiras. 15 . Ao analisamos atributos migratórios ligados à relações domiciliares. Göteborg. C. através de suporte institucional ou uso das redes locais de suporte. em função da transição demográfica. . 535-546. . M. Department of Building Economics and Management.

A. 15. R. C. In: CAMARANO.A.. Tese de Doutorado em Demografia. Labor Economics. 24. In: IMHOFF. p. 3. BIGGAR. Sep. 2. 4-27. Dec. M. 9. p. n. Spring. 1965-70: a comparison of types of older movers. n. Famílias: espaço de compatilhamento de recursos e vulnerabilidade. CHEN P. 1998. p. . 8. T. Mar. 12. J. 2004. et. nonmetropolitan areas. Migration and the life course: Is there a retirement transition? International Journal of Population Geography. v.. G.K. 73-91. G. 2004. 4. 1997. 1996. A. n. p.. BORJAS. Local. R. D. BOYD. p 279317. Belo Horizonte: UFMG/CEDEPLAR 2010. N. The effects of residential mobility on ADL and IADL limitations among the very old living in the community. uma nova região de atração populacional? In: SEMINARIO SOBRE A ECONOMIA MINEIRA. 2007. WILMOTH. New York: Mac Graw Hill.M.. A. Journal of Gerontology: Social Sciences. Retirement migration and economic development in highamenity. 16 .BRITO e CARVALHO (2006) BURCH. 325. BURES. Theories of household formation: progress and challenges.BENNETT. 1996. Chichester. 1995. W. New York: Plenum Press. (Org. MACHADO. Fla. p. C.. CAMPOS. Journal of Applied Gerontology. J. CHOI. M. 466-481. N. n. RODRIGUES. al. 59b. n. M. Fla. Research on Ageing. v. v. v. International Migration Review. cap. 1. . Staten Island. 1993. 325-344. BRITO. final de século: a transição para um novo padrão migratório? In: CARLEIAL. J. Diamantina: UFMG. Migrações de idosos de São Paulo para Minas Gerais nas décadas de 1980 e 1990. J. Immigration and living arrangements: elderly women in Canada. MG. Tampa. 2002. J.A relação entre renda e morar sozinho para idosos paulistanos. CAMARGOS. p. 25. Anais. 164-172. 1. (Eds. Campinas.B. Who moves among the elderly. Revista Brasileira de Estudos da População.) Household demography and household modeling. 1998 Diamantina. S. v. 2. N. 1980. May.G. p.. et al. Journal of Applied Gerontology. 2. Transições migratórias. n. v. Sep. Thousand Oaks. 1991. Tampa. Fortaleza: Iplance. CEDEPLAR./jun. Older persons who move: reasons and health consequences. 1. 3. n. A. 109-119. Brasil.) Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60? Rio de Janeiro: IPEA . A.C. C. NY. CARVALHO. F. et al. M. CAMARANO. 37-51. jan. v. v. Minas Gerais. .

n. Broken ties: reciprocity and other factors affecting the termination of older adults relationships. p. LAW..DE JONG. 2006.. 1. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Progress in Human Geography. v. 39-53. 1988. H. 2010. desemprego e desenvolvimento: uma análise com dois setores. 1991. who counts? A methodological question with economic policy implications. 1995. Journal of Aging Studies. London./jun. HOLDEN. M. Migração. LIWALK. New Series. CD-Room INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. textos selecionados: teorias e métodos de análise. Feb.). Measures comparing living arrangements of the elderly: An assessment. In retirement migration. 2. TODARO. 1998. n. J. p. al.ibge. 22. n. K.2.W (Eds. New York. Migration patterns among the elderly: a development perspective. p. Transactions of the Institute of British Geographers.. Population and Development Review. 453-471. R. v. IKKINK. Van TILBURG. v. H. et. The Gerontologist.F. The gerontologist. n. GARDNER. The changing geography of the elderly in England and wales. R. 9. Revista Brasileira de Estudos de População. 1980. n.br/Censos/Censo_Demografico_2010/Resultados_Gerais_da_Am ostra/Microdados/ acesso em julho de 2012.. n. [Rio de Janeiro]: IBGE.gov. [Rio de Janeiro]: IBGE. Campinas. 17 . A. 3. G. A. Washington. C. Social Networks. 46. Movimentos migratórios em Minas Gerais: efeitos diretos e indiretos da migração de retorno – 1970/1980. 266-272. Washington. Migration decision making: multidisciplinary approaches to microlevel studies in developed and developing countries. C. p. p. WARNES. 14.. 131-146. v.. 1999. 1981. n. Dec. 2005. 1981-1991 e 1990-2000. 1. Dec. HARRIS. London. 815–820. 688-704. Microdados do censo demográfico de 1991. P. p. A. v. 6. DE VOS. E. Migração interna. 4. H. 155-174. LONGINO. New York. 1976. p. Hierarchical households and gendered migration in Latin America: feminist extensions to migration research. Microdados do censo demográfico 2000. Jun. Aug. 4. New York: Pergamon Press. V. Microdados do censo demográfico 2000.. jan. A de. 1987. n. The Social Network of Elderly Immigrants: an analytic typology. T. Disponível em ftp://ftp. HASS. GARCIA. W. M. Summer. v. LAWSON. (Org. [Rio de Janeiro]: IBGE. K. CD-Room INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. LITWIN. 159-175. 1.). M. p. K. 2000. MIRANDA-RIBEIRO. S. In: MOURA. 21. Fortaleza: BNB. v. Amsterdam. 27.22.A. H. v.

RIGOTTI. R. P.. Living Arrangements of Older Person.. B. n.S. 2006. L. Research on Aging. J. In: UNITED NATION.M. WONG. RIBEIRO. A. In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDO POPULACIONAIS. 3. R. Caxambu.). 25. In: MATOS. Aging and the life course. 2005. n.. Handbook of aging and the social sciences. J.. Population Bulletin of the United Nations. Universidade Federal de Minas Gerais. Princeton.l]: ABEP. 1999. 56. Técnicas de mensuração das migrações. Tese (Doutorado) . Chicago. D. household strategies and the cumulative causation of migration. MINCER. 1998. 42/43. Determinants of elderly interstate migration in the United States 1985-1990. In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDO POPULACIONAIS.E.A. [S.A. Impact of pension reform on the living arrangements of older persons in Latin America.. Spring.. 142 f. Caxambu. SETTERSTEN Jr. 1988. 1990. C. R. 5. R. 451-476.M.. 6th ed.. [S.). A. Special Issue RIBEIRO. K. Belo Horizonte. 42/43. v.K (Eds. F. Thousand Oaks.M. 18 .S. 1996. NEWBOLD. p.. In: BINSTOCK. v.H. 2006. 3-26. Dec. 355-370. Oct. J. J. a partir dos dados censitários aplicação aos casos de Minas Gerais e São Paulo. 2001. GEORGE. UFMG. Burlington: Academic Press. L. Age patterns of elderly migration: an international comparison. J. PALLONI.H. Burlington: Academic Press. Family Migration Decisions. GEORGE.. In: UNITED NATION. The Journal of Political Economy. T. 1978. L.R. Living Arrangements of Older Person. 2001. 42/43. Social structure. R. MATOS. 1996. 1998. MASSEY... D. CARVALHO. Special Issue. Seattle.L. Anais. 1. 2001. Inversão de tendências históricas de migração entre Minas Gerais e São Paulo. n. Belo Horizonte: C/Arte.K (Eds. 1999. 4.E. 749-773. Population Index.. 6th ed. P. C. v..A. n.. p. STEFANI. Espacialidades em rede: população. 1996. 11. p. ELSEVIER. 18. Living arrangements of older persons and poverty. Special Issue LONGINO. R. SAAD. ROGERS. New York. n.. n. New York. Living arrangements of older person. Internal and international migration.E. LOBO. 10. 86. In:BINSTOCK. com especial enfoque na migração de retorno. J. Demography. I. A imigração para Minas Gerais no período 1981/1991. Migração de retorno: algumas possibilidades de mensuração.). n. New York. In: UNITED NATION.Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional. urbanização e migração no Brasil contemporâneo. (Org. Aug. Anais. ELSEVIER. Handbook of aging and the social sciences. Population Bulletin of the United Nations. J.LLOYD-SHERLOK. p.l]: ABEP. BRADLEY. CARVALHO.T. Population Bulletin of the United Nations. v.

Feb. Migração interna. WALTERS. ZELINSKY.F. American Geographic Society. Geographical Review.. 147-171. J. Washington. v. The Gerontologist. cônjuge=2) controle => variável que identifica cada domicílio pesquisado pelo censo idade => idade do indivíduo moradores => total de moradores do domicílio DEFINIÇÃO DA ESTRUTURA DA MIGRACAO – MIGRAÇÃO DE ULTIMA ETAPA *reponsavel migra* gen resmig=1 if ufue!=. A. n. networks.P. 17. p.l]. 1971. E. 41. In: MOURA. C. & relacao==1 bysort controle: egen resmigD=max(resmig) 19 . 1986. Aug. In: STARK. LONGINO Jr. V. Fortaleza: BNB. A. Os custos e os retornos da migração. The Hipothesis of the Mobility Transition. M. Anexo . 2002. Living arrangements among older immigrants in the United States. Apr. 228–238. L. Jai Press. Washington.).Algoritmo para classificação dos migrantes segundo a estrutura domiciliar de migração para o Programa STATA VARIÁVEIS UTILIZADAS ufue => indica a Unidade da Federação de residência anterior (SP=1 e não SP=. STOLLER. 96–102. E. p. 2. W. information an risks. “Going Home” or “Leaving Home”? The impact of person and place ties on anticipated counterstream migration. n. J. 2.. textos selecionados: teorias e métodos de análise. p. TAYLOR. Greenwich: Connecticut. v. Differential migration. WILMOTH. Migration. 2001. 2001. 1. 37-66.SJAASTAD. Journal of Planning Literature. 61(2). 1980. The Gerontologist. (Org. W. v. [s. Later-life migration in the United States: a review of recent research.) relação => relação com o responsável pelo domicílio (responsável=1. p. n. human capital and development. H. O. 41.

& resmig!=1 & cjmig!=1 bysort controle: egen nfimigD=max(nfimig) *domicilio por tipo de migrante* gen tmigue=1 if resmigD==1 & moradores==1 replace tmigue=2 if resmigD==1 & cjmigD==1 & moradores==2 replace tmigue=2 if resmigD==1 & cjmigD==1 & fimigD==1 & nfimigD!=1 replace tmigue=3 if algmigD==1 & nmigD==. bysort controle: egen algmigD=max(algmig) *nao migrante* gen nmig=1 if ufue==. & idade>10 bysort controle: egen nmigD=max(nmig) *filho do casal migrante no destino* gen fimig=1 if resmigD==1 & cjmigD==1 & idade<10 & ufue==. & relacao==2 bysort controle: egen cjmigD=max(cjmig) *alguem migra* gen algmig=1 if ufue!=. & nmigD==. & tmigue!=2 & moradores>1 replace tmigue=4 if algmigD==1 & nmigD==1 & tmigue!=2 *fim* 20 .*conjuge migra* gen cjmig=1 if ufue!=. bysort controle: egen fimigD=max(fimig) gen nfimig=1 if resmigD==1 & cjmigD==1 & ufue!=.