1ª IGREJA PRESBITERIANA DE

PIRIPIRI – PI.
GÊNESIS: MITO OU
HISTÓRIA?
Rev. João Ricardo Ferreira de França

2014

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Igreja Presbiteriana de Piripiri – PI
Curso: Aprendendo a Ler Gênesis.
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GÊNESIS – MITO OU HISTÓRIA?
Prof. Rev. João Ricardo Ferreira de França*.
Introdução:
O texto de Gênesis sofreu grandes ataques na ascensão da Alta Crítica
especialmente quando se elaborou a teoria das fontes que compuseram o texto do
Gênesis; esta teoria conhecida como Hipótese Documentaria sugeria que a composição
do livro estava baseada no uso de nome e atividades específicas de grupos religiosos.
Um estudioso em Antigo Testamento leu cuidadosamente o livro de Gênesis e
observou que os nomes de Deus eram usados em contextos determinados, tais como:
Elohim em Gn. 1:1-2:4; Javé Elohim ou Gn. 2:5 - 3:24; e Javé em Gn. 4:1-16. E tentou
mostrar que tais usos das fontes formulavam a variedade de autoria e de editores do
livro como um todo. Apareceram outras fontes que foram representadas da forma como
segue:
J = [Yahweh] Javista – aponta para o uso em várias porções do livro deste nome.
E = [Elohim] Eloísta – Documentos que predominava o nome Elohim
D = Deuteronomista – está associada a tradição de deuteronômio
P = Sacerdotal – está fonte encontra-se associada ao culto, as questões de genealogia e
cronologias.
Hoje em dia é uma tese descartada nos centros acadêmicos. Mas, a grande
questão ainda sobre o livro do Gênesis está no fato de que no passado descobriram-se
muitos mitos antigos relacionados e idênticos aos relatos de Gênesis. E isso levou
alguns estudiosos a tomarem e lerem Gênesis não como História, mas como um Mito.
Ou seja, o relato de Gênesis é confessional sendo mais uma forma mitológica de contar
a cosmogonia (origem do mundo).
*

O autor deste artigo é Ministro da Palavra na Igreja Presbiteriana do Brasil. É formado em Teologia pelo
Seminário Presbiteriano do Norte (SPN) em Recife – PE. Foi professor de Línguas Bíblicas (Grego e
Hebraico) no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil (SPFB) também em Recife – PE.
Atualmente é pastor na Primeira Igreja Presbiteriana de Piripiri – PI. Casado com Géssica Araújo Soares
Nascimento de França e pai do pequeno Lucas Luis Nascimento de França.

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Mas, será que Gênesis é Mito ou História?
I – O QUE É HISTÓRIA?
Para entendermos essa questão é necessária uma definição básica e clara do que
seja história. A palavra história vem de um substantivo grego hitoria que por sua vez
deriva do verbo “ἱστορῆw”{historeô} que “significava originalmente aprender pela
pesquisa ou investigação”.1
A palavra “História” apresenta quatro sentidos básicos que são importantes ao
nosso estudo:
1.1 – História pode ser definida como Acontecimento.
O conceito aqui inserido é que a história deve ser vista como um evento em
constante movimento. Um evento real “que acontece no tempo e no espaço”.2 A
mensagem da fé judaico-cristã é marcada por esta perspectiva, como alguém já disse:
“A fé de Israel e a fé do Cristianismo histórico são encontradas, não em ideias ou ideais
elevados, mas, nos atos de Deus na história humana”.3
1.2 – História também é marcada pelo sentido de Informação.
A história também é uma forma de informar a respeito do evento ou do
acontecimento. Não há um objeto cientificamente pronto para ser estudado, mas apenas
a informação narrada sobre o evento ocorrido.
1.3 – História também é Investigação.
Implica que deve haver uma pesquisa da informação para estabelecer sua
autenticidade e veracidade. Lucas, por exemplo, nos informa que este foi um dos seus
passos ao escrever a história da Igreja primitiva no seu próprio Evangelho 1.1-4.

1

CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos – Uma história da Igreja Cristã. Tradução:
Israel Belo de Azevedo, Valdemar Kroker. São Paulo: Edições Vida Nova, 2008, p.15.
2
Idem.
3
GREINDANUS, Sideney. O Pregador Contemporâneo e o Texto Antigo – Interpretando e
Pregando Literatura Bíblica. Tradução: Edmilson Francisco Ribeiro. São Paulo: Editora Cultura
Cristã, 2006, p.43.

3

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1.4 – História pode ser tomada como interpretação.
Depois que se analisam os fatos que são postos diante do historiador; e uma vez
confirmada à veracidade das informações, então, apresenta-se uma interpretação a
respeito dos fatos. Greidanus é claro neste aspecto:
A interpretação histórica, no sentido da compreensão de um documento em
seu contexto histórico-cultural original, se aplica a todos os gêneros de
literatura bíblica: a narrativa, assim como a profecia, evangelho e também
epístola. No que segue, contudo, nos coentraremos em particular de todos os
gêneros bíblicos, a narrativa histórica.4

Então, a definição de história deve englobar essa gama de significação para
termos uma resposta adequada; pois, a história pode ser definida como “o relato
interpretado do passado humano socialmente importante, baseados em dados
organizados, reunidos pelo método cientifico apartir de fontes arqueológicas, literárias
ou vivas”.5
II – O QUE É MITO?
O segundo termo a ser definido é “Mito” o termo é derivado do grego “µύθους”
{mythous}. O mito é “algo sobre o que os homens falam, mas sem base na realidade”. O
verbo grego empregado significa “ ‘contar’, ‘narrar uma ficção’”6 Alguns eruditos
disseram que nas Escrituras encontram-se essa categoria de gênero.
Rudolf Bultmann, pai da demitologização, ensina que a “pregação do Novo
Testamento a anuncia a Jesus Cristo, não só sua pregação do reino de Deus, senão à sua
pessoa que foi mitologizada desde o inicio do cristianismo primitivo” e ele ainda
continua dizendo:
Também considerava [ a comunidade cristã ] sua pessoa à da mitologia
quando dizia que havia sido concebido pelo Espírito Santo e havia nascido de
uma virgem, e isto é ainda mais evidente nas comunidades cristãs helenísticas
onde se lhe considerou como o Filho de Deus em um sentido metafísico,
como um grande ser celeste e preexistente que se fez homem por nossa
salvação e tomou sobre si o sofrimento, inclusive da cruz. Tais concepções
são manifestadamente mitológicas, porque que se encontravam muito
4

Ibid , p. 109
CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos – Uma história da Igreja Cristã. Tradução:
Israel Belo de Azevedo, Valdemar Kroker. São Paulo: Edições Vida Nova, 2008, p.16.
6
CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia – volume 4. Tradução:
João Marques Bentes. São Paulo: Editora Hagnos, 2011, p.320.
5

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difundidas nas mitologias de judeus e gentios, e depois foram transportadas à
pessoa de Jesus.7

Essa avaliação da teologia liberal para o Novo Testamento apresenta-nos as
conclusões do método Histórico-Crítico de interpretação das Escrituras; todavia,
devemos lembrar que para muitos estudiosos “O mito puro não é encontrado no Novo
Testamento, mas o conceito do Filho de Deus tendo um ministério terreno e provando
sua divindade por milagres aproxima-se do mítico.”8
E quanto ao Antigo Testamento dois grandes eruditos em Antigo Testamento,
que adotam o método histórico-crítico, disseram que “não existe em Israel nenhum mito
que seja conhecido em sua totalidade ou por referência a ele. Parece que Israel não
produziu nenhum mito, embora tivesse condições para isto, e não menos que os outros
povos do Antigo Oriente”.9
III - O RELATO DA CRIAÇÃO DE GÊNESIS E MITOLOGIA.
Quando o leitor moderno se aproxima dos primeiros capítulos do Gênesis, de
modo particular os capítulos 1 e 2; ler este trecho como sendo uma referência à ciência
moderna ou mesmo uma refutação a ela.
Todavia, o uso que se faz deste texto ignora o propósito inicial destes relatos,
pois, é “certo que o relato bíblico da criação não foi escrito para se contrapor a Charles
Darwin ou Stephen Hawking, mas foi escrito à luz de descrições rivais da Criação”.10
O autor do livro de Gênesis tinha como finalidade de apresentar uma narrativa
que se contraporia as ideias mitológicas e politeístas das nações vizinhas a Israel no
Antigo Oriente próximo.
Georger Föhrer lembra-nos que “os pressupostos do mito são o politeísmo, e até
certo ponto, e na medida em que este está ligado ao rito, também o pensamento mágico7

BULTMANN, Rudolf. Jesus Cristo e Mitologia. Tradução: Daniel Costa. São Paulo: Editora Cristã
Novo Século, 2000, p.14-15.
8
HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento. Tradução: Cláudio Vital de
Souza. Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1983, p. 51.
9
FÖHRER George ; SELLIN E., Introdução ao Antigo Testamento, Vol.1, São Paulo: Edições
Paulinas,1977, p. 110.
10
LONGMAN III, Tremper. Como Ler Gênesis. Tradução: Marcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida
Nova, 2009, p.82

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cultual, segundo o qual os fatos tipológicos são provocados e se tornam presentes com a
celebração dos ritos e com a narração dos mitos”11
Então, o que o texto de Gênesis pretende ser é uma contraposição a essa ideia
politeísta mitológica. Sendo uma distinção entre os demais relatos da criação de cunho
politeísta. É claro que estes relatos concorrentes com o texto do Gênesis apresentam
muita similaridade. E para entender isso se faz necessário apresentar de forma resumida
o conteúdo de tais relatos concorrentes da criação segundo Gênesis.
3.1 - O Relato da Criação Na Mitologia Egípcia:
Inúmeros “mitos incorporam a criação do mundo dos deuses e a dos homens a
um casal primitivo suposto ser o antepassado de todos os demais”.12 As ideias egípcias
da criação são “encontradas basicamente em textos de magia, particularmente em textos
escritos em sarcófagos e nas paredes de pirâmides”13
A “atividade criadora é assim atribuída, com preferência, a deuses, cuja
atividade sexual é preponderante”14 e nos centros cúlticos do Egito há uma variação de
relatos sobre a criação com versões próprias para o relato da cosmogonia. Todas as
explicações “derivam visualmente da experiência adquiridas pelas enchentes ou
vazantes do Nilo: apartir de um universo onde tudo é confundido nas águas limosas do
caos, emergem, pouco a pouco a terra, a luz e a vida. Na primeira porção da terra
emergida, encontra-se ora um ovo, vindo não se sabe como, ora uma flor de lótus de
onde o sairá o sol.”15
Essas águas primevas são denominadas de Nun, sendo das águas que surge o
mundo conforme conhecemos. Em alguns relatos o deus Atum, e em outros o deus

11

FÖHRER George ; SELLIN E., Introdução ao Antigo Testamento, Vol.1, São Paulo: Edições
Paulinas,1977, p.106
12
BRIEND, Jacques . A Criação e o Dilúvio – Segundos os Textos do Oriente Médio Antigo. – série
Documentos do Mundo da Bíblia – volume 7. Tradução: Maria Cecília de M. Duprat. São Paulo:
Edições Paulinas, 1990, p.95.
13
LONGMAN III, Tremper. Como Ler Gênesis. Tradução: Marcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida
Nova, 2009, p.83.
14
BRIEND, Jacques . A Criação e o Dilúvio – Segundos os Textos do Oriente Médio Antigo. – série
Documentos do Mundo da Bíblia – volume 7. Tradução: Maria Cecília de M. Duprat. São Paulo:
Edições Paulinas, 1990, p.95.
15
idem

6

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Amon-Ré, surge das águas por meio de um processo de autocriação [masturbação e
respiração], então, apartir de si mesmo gera as demais divindades.
Havia um deus chamado Ptah que amalgamou com Ta-tem, o deus que
representa a colina primeva, e, “então, gera o deus-sol”16 e desta forma, Ptah substitui
Atum como criador.
O fato interessante é que esta divindade passa a criar as coisas apartir da palavra
que sai de sua boca, e neste sentido há uma similaridade com o relato de Gênesis.
3.2 – O Relato da Criação na Mitologia da Mesopotâmia.
A Mesopotâmia possui textos bem antigos sobre a origem do mundo.
Geralmente são textos poéticos em forma de prece. O texto mais significativo que trata
do inicio do universo cosmológico é Enuma elish que traduzido significa: “Quando lá
do Alto”17 na realidade o texto é uma oração a Marduque o deus supremo. Pois, “para os
babilônios, o deus Marduk, o deus nacional, era o maior dos deuses, mas não o único”18
O texto começa com uma teogonia19 os deuses mais antigos foram Tiamat e
Apsu que eram as águas respectivas do mar e debaixo da terra. Mas, quando essas águas
misturaram-se, então surgiram os outros deuses.
A divindade dominante Apsu ficou “cansado dos seus filhos barulhentos e,
contra a vontade da mulher, Tiamate, decidiu matar sua descendência divina”.20
Todavia, Tiamate ficou sabendo do plano e falou para a divindade Ea, o deus da
sabedoria, que recitou palavras mágicas e matou Apsou.
Com o tempo Tiamate ficou enraivecida e Ea via Tiamate como uma divindade
muito assustadora e todos parecia estarem impotentes. Até que Marduque aparece no
cenário, era filho de Ea e Damkina.
16

LONGMAN III, Tremper. Como Ler Gênesis. Tradução: Marcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida
Nova, 2009, p.84.
17
Ibid, p.85.
18
SEUX. Marie-Joseph. Preces do Oriente Antigo – Série Documentos do Mundo da Bíblia – volume
1. Tradução: Benôni Lemos. São Paulo: Edições Paulinas, 1985, p.17.
19
Geração dos deuses.
20
LONGMAN III, Tremper. Como Ler Gênesis. Tradução: Marcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida
Nova, 2009, p.85.

7

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Tiamate havia nomeado Qingu como líder de todas as suas forças e este era
provavelmente o seu novo marido21. Então, travou-se uma batalha entre Marduque e
Tiamate. Marduque rasga Tiamate com os dentes de sua boca. Qingu fugiu levando as
tábuas do destino, que Tiamate havia dado-lhe, fazendo assim referência a soberania
que possuía, mas Marduque as tomou guardando-as consigo e, no final, entregou-as a
Anu, o deus dos céus.22
Marduque dividiu o corpo de Tiamate em duas partes com uma ele fez os céus e
com a outra fez a terra. E valendo-se dos corpos celestes ele fez separação de dia e
noite, de luz e trevas e estabeleceu o tempo. Depois de tudo isso, Marduque decide criar
os seres humanos:
Compactarei sangue, farei com que haja ossos,
Farei com que surja o ser humano. Que seu nome seja “Homem”.
Criarei a humanidade,
Levarão o fardo dos deuses, para que estes repousem.23

Os homens foram feitos do sangue de Qingu, o deus-demônio, que foi executado
por Marduque. E depois disso todos os deuses honram a Marduque por causa da
construção das cidades Babilônia e Esagila, o templo-residência de Marduque. O texto
termina com os deuses anunciando a glória de Marduque, pronunciando os seus
cinquenta nomes.
O próximo relato consiste no poema de Atrahasis que o nome do personagem
principal do poema. O texto começa com um tempo em que só havia os deuses; onde
haviam deuses superiores e inferiores, estes últimos eram subservientes dos deuses
maiores e eram obrigados a cavar canais de irrigações, como vemos no poema:
[Os deuses] puseram-se a cavar [cursos de água],

21

BRIEND, Jacques . A Criação e o Dilúvio – Segundos os Textos do Oriente Médio Antigo. – série
Documentos do Mundo da Bíblia – volume 7. Tradução: Maria Cecília de M. Duprat. São Paulo:
Edições Paulinas, 1990, p.15
22
LONGMAN III, Tremper. Como Ler Gênesis. Tradução: Marcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida
Nova, 2009, p 86.
23
Idem.

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[abriram canais], providência vital para a região;
[os Igigu] puseram-se a escavar [cursos de água],
[abriram canais], providência vital para a região.
[Os deuses escavaram] o rio Tigre
[e o Eufrates] em seguida. 24

Estes deuses estavam cansados deste tipo de trabalho e o poema narra que eles
recusaram a continuar os seus anos de servidão que eram de 2.500 anos, então
decidiram em uma turba só se dirigirem até o santuário de Enlil. E, este deus decidiu
criar trabalhadores alternativos, e a deusa do nascimento fez os primeiros seres humanos
para “que suportem o jugo, a tarefa de Enlil. Que o homem assuma o trabalho vil dos
deuses”.25 Mas, para realizar isso a deusa do nascimento, Belet-ili, com a ajuda do deus
sábio, Enki, matou We-ila, um dos deuses menos importante, e misturou seu sangue
com barro, e assim fez a humanidade.
IV – A COMPARAÇÃO DO RELATO DE GÊNESIS SOBRE A CRIAÇÃO E
OS RELATOS MITOLÓGICOS.
Conforme já vimos estes relatos concorrentes da criação apresentam muita
similaridade com o relato de Gênesis da origem do mundo e do homem. Mas, por meio
do contraste podemos entender alguns fatos importantes.
Primeiro, no relato Bíblico revela uma identidade e a natureza do criador. Deus é
retratado em Gênesis como sendo Eterno e auto-existente, ao contrário dos mitos que
apresentam os deuses maiores sendo fruto de autocriação ou emanação. Ele é livre,
soberano e somente ele criou o universo e mais ninguém. Ele criou porque decidiu
assim fazê-lo; já nos relatos mesopotâmicos a criação sempre é fruto de algum conflito
entre os deuses; e de acordo com o texto do Gênesis o conflito ocorre por causa do
homem em sua rebelião e queda conforme vemos em Gênesis 3.
24

Poema citado em BRIEND, Jacques . A Criação e o Dilúvio – Segundos os Textos do Oriente
Médio Antigo. – série Documentos do Mundo da Bíblia – volume 7. Tradução: Maria Cecília de M.
Duprat. São Paulo: Edições Paulinas, 1990, p.33.
25
Apud, LONGMAN III, Tremper. Como Ler Gênesis. Tradução: Marcio Loureiro Redondo. São Paulo:
Vida Nova, 2009, p 87..

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Segundo, no texto de Gênesis inexiste uma teogonia, ou seja, não há narrações
do nascimento dos deuses, antes o que existe é a narração de coisas criadas; há de se
notar que estas coisas criadas para os povos com relatos concorrentes de Gênesis eram
divindades. Por exemplo, o sol nos mitos egípcios consiste em uma divindade; mas no
relato bíblico o sol é mais uma indumentária da criação.
Em terceiro lugar, no poema de Enuma elish o homem criado do barro unido ao
sangue de um deus-demônio; na Bíblia, consiste na união do barro com o sopro de vida
que Deus lhe confere. O autor do texto de Gênesis apresentou isso de forma proposital
como um contraponto à ideia politeísta. É verdade que o homem é criado em ambos
casos para trabalhar, mas notemos que o homem no relato bíblico é colocado para
cultivar o Jardim sendo um trabalho nobre e não como um castigo; já nos relatos
mitológicos o homem é colocado para escavar canais de água porque os deuses não
suportavam, sendo assim um castigo ao homem.

Conclusão:
Gênesis 1 e 2 devem ser considerados como história, pois, narra com clareza a
criação do mundo de modo a dignificar o homem. Também devemos considerar estes
capítulos como sendo uma contraposição dos mitos babilônicos e egípcios que lutavam
para conquistar o coração do povo de Deus que acabara de sair do Egito.
É um texto apologético contra o politeísmo dominante na época, na verdade é a
apresentação de uma cosmovisão coerente com a revelação do único Deus que fez os
céus e a terra.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
1. BRIEND, Jacques . A Criação e o Dilúvio – Segundos os Textos do Oriente
Médio Antigo. – série Documentos do Mundo da Bíblia – volume 7.
Tradução: Maria Cecília de M. Duprat. São Paulo: Edições Paulinas, 1990.
2. BULTMANN, Rudolf. Jesus Cristo e Mitologia. Tradução: Daniel Costa. São
Paulo: Editora Cristã Novo Século, 2000.
3. CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos – Uma história da
Igreja Cristã. Tradução: Israel Belo de Azevedo, Valdemar Kroker. São Paulo:
Edições Vida Nova, 2008.
4. CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia –
volume 4. Tradução: João Marques Bentes. São Paulo: Editora Hagnos, 2011.
5. FÖHRER George ; SELLIN E., Introdução ao Antigo Testamento, Vol.1, São
Paulo: Edições Paulinas,1977.
6. GREINDANUS, Sideney. O Pregador Contemporâneo e o Texto Antigo –
Interpretando e Pregando Literatura Bíblica. Tradução: Edmilson Francisco
Ribeiro. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006.
7. HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento.
Tradução: Cláudio Vital de Souza. Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa
e Publicações, 1983.
8. LONGMAN III, Tremper. Como Ler Gênesis. Tradução: Marcio Loureiro
Redondo. São Paulo: Vida Nova, 2009.
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Mundo da Bíblia – volume 1. Tradução: Benôni Lemos. São Paulo: Edições
Paulinas, 1985.

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