Universidade Federal Fluminense

Faculdade de Medicina Veterinária
Programa de Pós-Graduação em Clínica e Reprodução Animal

KATIA MOREIRA DA SILVA

AVALIAÇÃO CITOLÓGICA DO LAVADO TRAQUEAL DE
EQÜINOS DE PÓLO PÓS EXERCÍCIO

Niterói
2010

24

KATIA MOREIRA DA SILVA

AVALIAÇÃO CITOLÓGICA DO LAVADO TRAQUEAL DE EQÜINOS DE PÓLO
PÓS EXERCÍCIO.

Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação em Clínica e Reprodução Animal da
Universidade Federal Fluminense, para a obtenção
do título de Mestre. Área de concentração:Clínica
e Reprodução Animal.

Orientador: Prof. Dr. DANIEL AUGUSTO BARROSO LESSA

Niterói
2010

25

KATIA MOREIRA DA SILVA

AVALIAÇÃO CITOLÓGICA DO LAVADO TRAQUEAL DE EQÜINOS DE PÓLO
APÓS O EXERCÍCIO PÓS EXERCÍCIO

Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação em Clínica e Reprodução Animal da
Universidade Federal Fluminense, para a obtenção
do título de Mestre. Área de Concentração:Clínica
Médica Animal.

Aprovada em Março de 2010

Banca Examinadora

___________________________________
Prof. Dr. Daniel Augusto Barroso Lessa
UFF

__________________________
Prof. Dr. Wilson Roberto Fernandes
FMVZ/USP

_____________________________________
Prof. Dr. Paulo de Tarso Landgraf Botteon
IV /UFRRJ

26

S586

Silva, Katia Moreira da
Avaliação citológica do lavado traqueal de
eqüinos de pólo pós exercício)/Katia Moreira da
Silva; orientador Daniel Augusto Barroso Lessa. 2010.
57f.
Dissertação (Mestrado em Clínica e Reprodução
Animal) — Universidade Federal Fluminense, 2010.
Orientador: Daniel Augusto Barroso Lessa

1. Citodiagnóstico. 2. Cavalo de Polo. 3.
Citologia. 4. Endoscopia veterinária.
I. Título.
CDD 636.089607582

27

DEDICATÓRIA

A minha mãe, Elisabeth, por ser meu apoio, meu alicerce, meu tudo.
Ao Bernardo pelo apoio, compreensão e paciência,
principalmente nestes dois últimos anos.
Aos meus novos amigos, os cavalos.

Denis. A Médica Veterinária Eliene Sad por sempre se dispor a ajudar e pelo empréstimo das sondas utilizadas. certamente este trabalho não teria chegado a lugar nenhum. Sem a ajuda de vocês. Daniel Lessa pelo apoio constante. Ao Prof. Nayro Alencar por toda a ajuda e apoio no decorrer deste trabalho. . Aos amigos do Laboratório de Patologia Clínica da Universidade Federal Fluminense. Laborlife Análises Clínicas e Laboratório Plasma pelo auxílio e disponibilidade de suas instalações para confecção e leitura das lâminas A todos aqueles que fizeram deste trabalho.28 AGRADECIMENTOS Ao meu orientador. em especial ao tenente Estevão Grossi e tenente Henri. Ao grupo de pesquisa em medicina de eqüídeos da Universidade Federal Fluminense (HIPIATRAS) em especial aos amigos Joana. Aos proprietários dos animais do Itanhangá Golf Clube por disponibilizarem os animais para este estudo. ensinamentos e compreensão. Juliana. Aline. A todos do regimento pela colaboração e auxílio. Prof. o meu sincero agradecimento. companheirismo e apoio demonstrados nessa missão. um verdadeiro trabalho em equipe. Maria Luisa e Vanessa pela amizade. Aos comandantes do Regimento de Cavalaria de Guardas Andrade Neves (RCGd/EB) pela autorização para utilização dos animais neste trabalho. Ao médico veterinário Alexandre pela disponibilidade e ajuda inestimável sem a qual seria impossível a realização deste trabalho.

HPIE. foi realizado exame físico incluindo-se a endoscopia. citologia.29 RESUMO O pólo é um dos mais antigos esportes eqüestres.6% do Grupo 2. estão os processos inflamatórios não infecciosos de vias aéreas posteriores e a Hemorragia Pulmonar Induzida pelo Exercício (HPIE). com ênfase no diagnóstico da HPIE. endoscopia.2% no Grupo 2. sendo os animais do Grupo 2 àqueles com muco e sangue no exame. a eritrofagocitose e o escore total de hemossiderófagos (ETH). Para o diagnóstico da HPIE foram considerados: a presença de hemácias. Hemácias foram observadas em 44. Dentre as enfermidades de maior importância do trato respiratório eqüino. Apesar de estarem aparentemente assintomáticos. O aparelho respiratório é fundamental para a saúde e bom desempenho atlético dos eqüinos. O lavado traqueal foi realizado entre 16 e 24 horas após o exercício. Considerando que os eqüinos de pólo ainda são pouco explorados no que se refere a estudos clínicos. O grupo 1 foi formado por animais sem alteração de ausculta. com graus 0 e 1 de muco na endoscopia e/ou sangue na endoscopia. Considerando o ETH. . sendo os processos mórbidos neste sistema responsáveis por prejuízos orgânicos e econômicos consideráveis. 30 a 90 minutos após a participação do animal na partida.1% do Grupo 1 e 2. Foram utilizados 37 equinos e para triagem e formação dos grupos. este trabalho teve por objetivo avaliar a citologia do lavado traqueal de eqüinos regularmente utilizados em atividades de pólo. A citologia de lavado traqueal é considerada mais específica do que somente o exame endoscópico no diagnóstico dessas enfermidades. os animais apresentaram quadros citológicos compatíveis com processo inflamatório e HPIE em proporções relevantes. fato que deve levar essas enfermidades a serem consideradas como uma das primeiras opções de diagnóstico na investigação de queda de desempenho atlético de equinos nessa atividade esportiva Palavras-chaves: cavalo de pólo.4% dos animais do Grupo 1 e 66. tendo sido introduzido no Brasil na década de 1920 e vem crescendo desde então.7% do Grupo 2.2% dos animais do Grupo 1 e 27. a HPIE não foi observada em nenhum animal do Grupo 1 e encontrada em 22. A ocorrência de processo inflamatório pôde ser caracterizada em 22. lavado traqueal.0% do Grupo 2. enquanto a eritrofagocitose foi observada em 11.

The results demonstrate that the horses apparently were health but they had cytological patterns that indicate inflammatory disease and EIPH. so new studies must be done for estabilished a new cutoff point for THS in tracheal washes. EIPH were not observed in any animal of the group 1 and were seen in 22..6% of group 2 and eritrofagocitose was found in 11.1% of group 1 and 2. EIPH.2% os group 2. tracheal wash.7% of Group 2.4% of the animals of group 1 and 66. The THS were developed for bronchoalveolar lavage studies.The respiratory tract is essencial to health and performance for the sport equine medicine. Inflammatory disease could be recognized in 22% of the animals of group 1 e 27. Key Words: polo horses.0% of group 2 For the diagnoses of EIPH were considered the presence of red blood cells. endoscopy. This fact shows that these diseases must be considered one of the most important options of diagnostic and investigation of bad performance in this sport activity.The cytology of tracheal wash is considered more specific that endoscopic exam to diagnose this diseases. Among the more important diseases are the non infectious airways disorders and exercise-induced pulmonary hemorrhage (EIPH). The objective of this study was evaluate the cytology of tracheal wash of horses Thirty seven horses were used in this study divided in groups by physical exam and endoscopic results.30 ABSTRACT Polo is one of the oldest team games. eritrofagocitose and total hemossiderin score (THS). The tracheal wash were performed between 16 and 24 hours after the game. since 1920 and being in continuous development in this country (Brazil). Considering the THS. Red blood cells were seen in 44. citology .

31 SUMÁRIO: Página LISTA DE ILUSTRAÇÕES 09 LISTA DE ABREVIATURAS 10 LISTA DE APÊNDICES 11 RESUMO 12 ABSTRACT 13 1.7. 23 3. 16 3. 14 2.2.5 .1ANIMAIS 23 3.CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE PARA A FORMAÇÃO DOS GRUPOS: 25 3.REVISÃO DE LITERATURA.6-OBTENÇÃO DO LAVADO TRAQUEAL: 25 3.8-INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS 29 .4.3-Avaliação citológica 28 3.1-Centrifugação do material e confecção de lâminas 27 3.3..INTRODUÇÃO.7-PROCESSAMENTO E ANÁLISE DO LAVADO TRAQUEAL 27 3.7.MATERIAL E MÉTODO 23 3. HEMOGRAMA E DOSAGEM DE FIBRINOGÊNIO PLASMÁTICO 25 3.2-Coloração do material 27 3.7. AVALIAÇÃO ENDOSCÓPICA 24 3. EXAME FÍSICO.

RESULTADOS 30 5. 44 7.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 45 8.DISCUSSÃO: 37 6.CONCLUSÕES.32 4. APENDICES 49 .

serão necessários aproximadamente 56 animais por jogo. Desde então o esporte vem se desenvolvendo e crescendo. é importante ressaltar que pelas características do jogo. podem variar de quatro a oito períodos por partida. 2008. Este fato aumenta o número de animais utilizados para esta atividade esportiva. ARANHA. tais como Obstrução Recorrente das Vias Aéreas . Conforme o nível dos participantes. estão os distúrbios não infecciosos de vias aéreas posteriores. O aparelho respiratório é fundamental para a saúde e bom desempenho atlético dos equinos. as esportivas vêm cada dia mais se destacando e exigindo constante atualização dos profissionais envolvidos. responsável pelo terceiro maior rebanho de equinos do mundo com 5. uma partida de sete períodos.9 milhões de animais. No Brasil. Apesar do número de praticantes não ser tão grande. sendo o Brasil hoje. principalmente no que tange a clínica médica veterinária.33 1. se comparado com outros esportes equestres. Dentre as atividades equestres realizadas. utilizando-se quatro cavalos por time em cada período. Dentre os esportes equestres. como exemplo. Cada período tem duração de sete minutos e é feito um intervalo de três minutos entre eles. Se considerarmos. a partir de 2000. sendo os processos mórbidos neste sistema responsáveis por prejuízos orgânicos e econômicos consideráveis nesta espécie. e é dividido por períodos. cada jogador participa da competição com vários cavalos. 2008). Um jogo de pólo dura pouco menos de uma hora. desde a prevenção ao diagnóstico e tratamento das enfermidades que acometem esses animais. a ampliar a área de influência do esporte e a desenvolver a prática do mesmo (FANTINS. os organizadores dos torneios começaram a atrair novos jogadores. o pólo é um dos jogos de times mais antigos do mundo. De acordo com Derksen e Robinson (2002) dentre as enfermidades de maior importância do trato respiratório equino.INTRODUÇÃO A equideocultura é uma atividade econômica altamente relevante.

Doença Inflamatória das Vias Aéreas (DIVA) e Hemorragia Pulmonar Induzida pelo Exercício (HPIE). 1999. este trabalho teve por objetivo avaliar a citologia do lavado traqueal (LT) de equinos utilizados para jogo de pólo. A citologia de lavado traqueal (LT) é considerada mais específica do que somente o exame endoscópico. 1995). já que representa um meio semiológico importante. 2007 ). uma vez que não há necessidade de repouso após a realização do procedimento. CHAPMAN et al. como os utilizados no pólo. principalmente os mais jovens e atletas. Em casos de suspeita de HPIE em que o diagnóstico endoscópico é negativo. ajudando no diagnostico das doenças (GONÇALVES.34 (ORVA). sendo descrita como uma ferramenta no diagnóstico da doença pulmonar crônica. WOOD et al. 2003). em particular no diagnóstico da ORVA e infecções por parasitos (DIXON. 1998. MICHELOTTO et al. o lavado traqueal pode ser utilizado. SWEENEY. 1991. a citologia torna-se fundamental devido à observação de células características dos processos hemorrágicos como os hemossiderófagos (HODGSON e HODGSON. LESSA et al. 1985. com ênfase no diagnóstico semi-quantitativo da hemorragia pulmonar induzida pelo exercício . esse repouso torna-se inviável. Hoffman (2008) afirma que realização deste procedimento exige que o animal permaneça em repouso nas 24 a 48 horas posteriores. Apesar do crescimento do número de animais utilizados para a atividade de pólo e a alta frequência já relatada das enfermidades respiratórias em equinos (BURRELL. Nessas situações. No caso de animais atletas em atividade constante. SANCHES. Alguns trabalhos indicam que quase 100% dos cavalos em treinamento demonstram hemossiderófagos em lavados (WHITWEEL E GREET. 1985. justamente por serem os que mais acometem equinos. ROSSDALE et al. equinos utilizados para a prática do pólo ainda são pouco explorados no que se refere a estudos clínicos e epidemiológicos destas doenças. Nesse contexto. 1984). O estudo das secreções obtidas do trato respiratório já vem sendo utilizado no Brasil e tem sido considerado de grande valia. 2000. Apesar do lavado broncoalveolar (LBA) ser o método mais recomendado e utilizado para coleta de material para a avaliação do trato respiratório posterior. 1997. 2005).

REVISÃO DE LITERATURA O aspirado traqueal foi introduzido por Pecora (1959) primeiramente na medicina humana como método de colheita de amostras do trato respiratório para analises microbiológicas e citológicas. ela ainda permite que o catéter seja guiado e proporciona a inspeção do trato respiratório na hora da coleta de material podendo ser realizada a avaliação da traquéia (grau de hiperemia) e conteúdo luminal ( quantidade e qualidade do muco. Esta técnica se aplica principalmente para o exame citológico. Greet (1982) descreveu o método de coleta do aspirado via endoscópio. um catéter de polietileno é inserido através do canal de biópsia do endoscópio e 10 a 15 ml de solução salina são instilados. dentre outros. Por ser uma técnica não invasiva. Para isso. Beech (1975) foi uma das primeiras a introduzir a técnica do aspirado traqueobrônquico em equinos. como num procedimento cirúrgico. Na área ventral na traquéia. Para a coleta do material 10cm2 de área no terço inferior do pescoço foi higienizada. secreção mucopurulenta e sangue). Após a remoção da agulha. A coleta de aspirado traqueal em equinos foi também descrita por Mansmann e Knight (1972) e Mansmann e Strouss (1976). dados que podem auxiliar na interpretação dos resultados citológicos. e infiltrada com anestésico local subcutâneo. Após a incisão. uma agulha foi introduzida no espaço entre os anéis traqueais. forma-se um acúmulo de fluido que pode então ser aspirado mais facilmente. Hodgson e Hodgson (2003) afirmam que este método tem se tornado popular sendo considerado uma boa alternativa para coleta de material de traquéia. Os autores ainda descrevem a técnica de coleta para lavados traqueais. Posteriormente.35 2. A técnica transtraqueal possui a vantagem de eliminar a passagem pela cavidade nasal e porções do . um tubo com 30 cm de comprimento foi introduzido sendo infundidos 30mL de solução salina. anterior a carina. rapidamente aspirada.

A presença de eosinófilos e células caliciformes foram baixas ou mesmo ausente em alguns animais. embora em alguns fosse escasso e o aspirado quase que formado totalmente de agregados de neutrófilos. As amostras deste estudo eram compostas predominantemente por células epiteliais colunares ciliadas. Podem ser encontrados alguns esporos e hifas ocasionais. algumas células mononucleadas e células fagocíticas. Nestes animais. apresentando também raros neutrófilos. variando de 3 a 83%. Nos 92 animais com pulmões sadios. bactérias foram observadas junto ao muco. Neutrófilos foram observados em quase todos os lavados. os autores não consideram esta uma avaliação importante. sendo sua ausência encontrada em poucos animais normais. os autores obtiveram uma média e desvio padrão das porcentagens de neutrófilos de 39±21% no lavado traqueobrônquico. Correlacionando os achados citológicos e histopatológicos dos animais . havia células multinucleadas com citoplasma vacuolado. O muco na maioria dos animais era abundante. Embora os neutrófilos tenham formado uma proporção significativa de células em um terço dos animais. A autora também descreveu achados em casos de animais com broncopneumonia. Porém. visto que parte dos animais possuía contagens celulares totais baixas.0 % variando de 0 a 8%. Macrófagos alveolares foram também encontrados em número considerável em todas as categorias. Em alguns aspirados. Larson e Busch (1985) realizaram 166 lavados traqueobrônquicos em animais sadios e com achados histopatológicos de pneumonia intersticial. Utilizando a coleta via endoscópio. os autores afirmam que as células epiteliais ciliadas eram de proporção significativa em 75% dos animais normais.36 trato respiratório anterior. Macrófagos contendo bactérias em seu citoplasma também foram descritos e em alguns casos. assim como células mononucleares grandes. Havia alguns macrófagos grandes com grânulos esverdeados intracitoplasmáticos de hemossiderina. Eosinófilos foram encontrados em 3.5±2. eosinofilia focal e difusa e bronquite crônica e supurativa. broncopneumonia. Whitwell e Greet (1984) avaliaram 223 lavados traqueais de 191 equinos. os neutrófilos representavam cerca de 40% das células e frequentemente excediam os 90% em casos agudos. diminuindo o risco de contaminação da amostra por microorganismos. Muitos desses neutrófilos tinham núcleo hipersegmentado e aparentemente estavam fragmentados ou degenerados. A descrição dos achados de lavados traqueais de animais considerados normais foi realizada por Beech (1975). O aspirado de quatro animais com histórico de epistaxe tinha em sua maioria células epiteliais normais e macrófagos. a técnica de aspiração via endoscópio é menos invasiva e permite a visualização do trato respiratório e do material a ser coletado. Por meio de uma análise celular semi-quantitativa.

73% apresentaram contagens percentuais de neutrófilos abaixo de 20%. A presença de eosinófilos foi observada em 29 animais (44%) sendo que somente em dois. alguns degenerados e uma pequena quantidade de linfócitos. Contagens de neutrófilos superiores a 40% foram obtidas em 15% dos animais. sendo que. a percentagem excedeu o valor de 5%. por meio da obtenção de amostras de animais sem sinais clínicos de doença respiratória e/ou anormalidades do sistema pulmonar em necropsia. os valores para neutrófilos encontravam-se entre 21 e 40%. fibrina e debris celulares. podendo ser encontrado pequena quantidade de muco. número baixo de neutrófilos.Os autores afirmam que pode haver grande quantidade de células epiteliais colunares e cliliadas que podem apresentar núcleo picnótico. Aspirados traqueais dessas amostras celularidade discreta a moderada. os neutrófilos compreendem menos de 20% da população de células nucleadas em animais . Bain (1997) também descreve a presença de células colunares ciliadas e não ciliadas em animais considerados sadios. Mair (1987) avaliou a importância do aspirado traqueal para equinos acometidos por ORVA. Geralmente. como sinal de ativação. Sweeney et al. Os autores afirmam que potros tendem a ter uma maior porcentagem de neutrófilos. Foram encontrados nos animais sadios. ausência de sangue. Em 12%. (1992) realizaram um estudo em animais de corrida aparentemente saudáveis utilizando para a coleta do aspirado traqueal a técnica via trans-traqueal. A presença dos macrófagos alveolares indica que a área terminal das porções do trato respiratório foi alcançada e está sendo representada. Poucos neutrófilos. Freeman e Roszel (1987) avaliaram o padrão citológico normal para aspirados traqueais em eqüinos. macrófagos e quantidade escassa de muco também podem ser encontrados.37 sadios e dos portadores de doença respiratória. A percentagem relativa dos tipos celulares em animais normais pode variar com a idade e o exercício. As células epiteliais foram observadas em 19 (29%) dos animais. Dos 66 animais avaliados. Encontrou uma média de 61. baixa quantidade de proteína. Hemossiderófagos foram observados em 58 animais (86%). os autores afirmam que existe pouca correlação entre os achados histopatológicos e os achados do lavado traqueobrônquico.5±25. metade destes era sabidamente portador de HPIE diagnosticada por endoscopias prévias.8% de neutrófilos. Estas células podem estar presentes em animais normais e suas características celulares são geralmente bem preservadas. confirmando as observações de Whitwell e Greet (1984) que verificaram que em animais com ORVA há aumento significativo do número de neutrófilos. Essas células podem apresentar um citolplasma pouco denso ou espumoso.Eosinófilos podem ou não estarem preesntes.

Os autores compararam também as diferenças nas contagens celulares de secreções de traquéia obtidas via endoscopia e via trans-traqueal. 0. onde o LTB apresentou uma maior proporção deste tipo celular. como eosinofilos (<3%) em animais normais. em lâminas citológicas coradas pelo método de Rosenfeld.38 normais. destes. A contagem diferencial do lavado traqueal demonstrou diferença significativa entre as duas formas de coleta quanto à percentagem de células epiteliais. 2. (1987) avaliaram a celularidade de 42 secreções obtidas dos diferentes níveis do trato respiratório (cavidade nasal. outros leucócitos podem estar presentes. comprovando a capacidade de que ambas as técnicas possuem plena capacidade de obter amostras representativas das porções bronco alveolares. A presença de hemossiderófagos foi observada no LBA de nove animais. Derksen et al (1989) não encontraram correlação estatisticamente significativa entre as citologias de AT e LBA e afirmam que a população celular da traquéia não é representativa da população celular nas vias aéreas posteriores. macrófagos e neutrófilos. totalizando 25 amostras. Segundo os autores. (2000) realizaram um estudo com a finalidade de avaliar os tipos celulares obtidos pelas técnicas de LBA e Lavado Traqueobrônquico (LTB) de cavalos clinicamente sadios. 8. os autores relatam uma contagem de neutrófilos nos animais controles de 32±8. a contagem de macrófagos mostrou uma diferença significativa entre as amostras.15% de mastócitos e 0.1%. Utilizando para obtenção do aspirado a infusão de 20 mL de solução salina estéril via endoscópio. O macrófago foi o tipo celular predominante em ambos os lavados. estas células também foram observadas no LT.76% de eosinófilos. somente em quatro. o que significa que é capaz de coletar amostras de diferentes porções pulmonares que não só broncoalveolar. Entretanto. Fernandes et al. Neste estudo utilizaram cinco equinos. . os autores avaliaram 50 equinos com doença pulmonar crônica e dez animais controle. traquéia. brônquios e broncoalveolar) de equinos de idades variadas. A análise das citologias do LBA revelou uma porcentagem média de 81. Mair et al.5% de macrófagos. os valores obtidos foram 19.9. sem histórico de doença respiratória. os resultados os permitiram concluir que o LTB disponibiliza uma maior variedade celular. Ocasionalmente.1 ± 11.92% de neutrófilos. Em seu estudo.5% de células epiteliais enquanto que em lavados trans-traqueais.91% de linfócitos. que foram submetidos ao procedimento do LBA cinco vezes seguidas com um intervalo de sete dias entre as coletas. A contagem diferencial dos demais tipos celulares foi semelhante. Em lavados obtidos via endoscópio foi observada uma média de 49.8±6.

Em 19 das amostras pareadas. Martin et al. Os autores recomendam que seja colhida a amostra após o exercício. seis amostras (14%) não puderam ser comparadas. Para determinar se há aumento nos valores de neutrófilos após o exercício. A média da percentagem de neutrófilos foi significativamente maior nas amostras coletadas após o exercício. Neste estudo. houve diferença na interpretação entre os LT e LBA. sendo que a inflamação das vias aéreas foi indicada pelas amostras de traquéia em 13 e em broncoalveolar em seis. Para tal. por meio da infusão de 10mL de solução salina estéril foi realizada 24 horas antes e uma a duas horas após o exercício em esteira. Nos animais com tosse foi observado um aumento significativo no escore de muco de trato anterior e traquéia e também maior frequência de hiperplasia folicular linfóide. A interpretação entre as amostras foi diferente em cinco dos 36 animais (14%). principalmente quanto aos valores limítrofes de neutrófilos apresenta controvérsia entre os autores. pois o lavado obtido antes do exercício foi considerado inadequado. pois esta contém mais secreções das vias aéreas e menos evidencias citológicas de contaminação orofaríngea. levando-se em conta as amostras obtidas antes e após o exercício. Christley et al (2001) em estudo de casos-controles. A avaliação citológica de secreções do trato respiratório posterior é relatada como o método mais específico para o diagnóstico da DIVA (DERKSEN e ROBINSON. Os AT destes animais tinham aumento de neutrófilos e apresentaram com mais frequência a presença de bactérias intracelulares que os animais controles. a interpretação dos valores. A coleta. A coleta foi realizada de uma a duas horas após o exercício em esteira. Em sete equinos (17%) foram encontradas nas duas amostras evidências de HPIE e DIVA Dos animais coletados. avaliaram 100 cavalos com tosse e 148 animais sem sinais clínicos. avaliando-se a concordância no diagnóstico de doença inflamatória. foram realizados LT e LBA de 48 animais de corrida com queda de performance.39 As contagens diferenciais entre amostras de LT e LBA também foram comparadas por Malikides et al (2003).2002). Porém. realizada via endoscópio. (1999) avaliaram 42 LT de equinos com histórico de queda de performance. Os lavados foram obtidos antes e 30 minutos após o exercício. Em 15 animais classificados como menos que 20 % . Foram considerados clinicamente normais 10 animais (24%). Em oito animais (19%) foi diagnosticada HPIE. foram considerados sadios animais com contagens de neutrófilos abaixo de 20% nos LT e abaixo de 5% no LBA. por meio de instilação de 30 mL de solução salina estéril via endoscópio. Malikides et al (2007) realizaram AT de 40 animais.

A ocorrência da HPIE já foi relatada em todos os cavalos PSI de corrida em treinamento (WEST et al. como os cavalos de salto e tração (LAPOINTE et al. ERICKSON e POOLE. em diversos graus. Os . levar o animal a morte. estresse mecânico da respiração e locomoção. obstrução de trato superior. Estes resultados permitem inferir que. e em cavalos realizando exercício de menor intensidade. 2007). de origem pulmonar. 1994. HINCHCLIFF. um dos maiores problemas médicos em cavalos de esporte por acarretar pela diminuição de desempenho e. 2007. Estes autores recomendam que para um diagnóstico mais preciso. diferenças nas pressões alveolares e hipertensão Pascoe et al (1981).40 de neutrófilos antes do exercício.. mas também constitui um problema em outras raças de cavalos que realizam exercício intenso. 2007). mas com intervalo de pelo menos uma a duas horas. embora a hemorragia pulmonar seja encontrada em um grande número de animais. Numerosas causas e mecanismos fisiopatológicos têm sido propostos para a HPIE incluindo doenças das vias aéreas.. determinaram uma freqüência de 43.8 % apresentaram epistaxe.. os valores aumentaram para mais de 50%. a coleta do AT seja realizada após o exercício.. geralmente identificado por endoscopia após 30 a 60 minutos depois do exercício (COSTA et al.É considerada por muitos. sendo que somente 0. 2002). 2005) e com os hemossiderófagos no Lavado Broncoalveolar (DOUCET e VIEL. 1991). na árvore traqueobrônquica ou sinais de sangue. Os autores encontraram hemácias livres em 73% dos animais e hemossiderófagos em 90 % das amostras o que indica a ocorrência de hemorragia imediata ou passada.4%) apresentavam evidências de HPIE e apenas 13 (9%) apresentavam epistaxe. após exercício intenso. Raphael & Soma (1982) realizaram um estudo endoscópico em 191 animais de corrida em até duas horas após o exercício. 2004. Em seis dos 15 animais. VICINO. em casos raros. como os trotadores e os quarto de milha. a epistaxe é um achado relativamente infrequente deste fenômeno (SWEENEY. hiperviscosidade sanguínea induzida pelo exercício. Mc Kane et al (1993) em estudo com LBA de 62 animais de 1 a 7 anos em atividade esportiva. NEWTON et al. a percentagem nos AT após aumentou significativamente excedendo os 20%. 1993. em um estudo com 235 cavalos puro-sangue inglês. redistribuição do fluxo sanguíneo no pulmão. verificando que 147 (75. Hemorragia Pulmonar Induzida pelo exercício A Hemorragia Pulmonar Induzida pelo Exercício (HPIE) é definida como sendo a presença de sangue livre.8% de hemorragia em vias aéreas.

É aceito que a HPIE é um problema de cavalos atletas e não de uma raça específica ou ligada a algum tipo de atividade. a ocorrência da HPIE foi avaliada Biava et al. Apenas dois desses cavalos tinham epistaxe e não demonstraram relação do grau de hemorragia com idade.8%) valores maiores do que os apresentados pelo grupo controle (2. Burrell et al (1996) examinaram 60 equinos utilizados em corridas.5 e 15. sexo ou posição na corrida. O grupo 1 teve uma porcentagem de 7. (2006) em cavalos Quartode-Milha. 2002). tendo obtido um percentual de 87% dos animais com evidência endoscópica de hemorragia pulmonar. sendo que 40% dos cavalos participantes de provas de seis balizas e 75% dos participantes de prova de três tambores apresentaram o problema. Pascoe et al (1981). O lavado traqueal foi coletado duas horas após o exercício de acordo com metodologia de Mansmann e Knight (1972). O escore semi quantitativo de hemossiderina nos macrófagos alveolares corados tem sido descrito e utilizado para avaliar a gravidade dos episódios de hemoptise em humanos (GOLDE et al.3% para a contagem deste tipo celular. Lessa et al (2005) revisando vários autores. uma redução no número de hemossiderófagos nos cavalos tratados com furosemida. Biava et al (2006) descreveram a enfermidade em quartos de milha. num estudo com 235 cavalos Puro Sangue Inglês examinados com endoscópio de fibra óptica num período de 2 horas após o exercício determinaram uma freqüência de 43.9% e 21. houve um aumento de eosinófilos nos aspirados dos grupos 1 e 2 (4. (2007) realizaram um estudo com equinos sadios e portadores de HPIE. Observou-se também. A utilização desse escore em LBA de equinos tem se mostrado um método de diagnóstico mais sensível do que somente as endoscopias repetidas para a detecção da HPIE (DOUCET e VIEL. o grupo 2 teve média de 4. Observou-se aumento no numero de neutrófilos nos grupos 1 e 2. relataram que a incidência da HPIE em cavalos de pólo era de 11%. 1975). uma hora após a competição e em três corridas diferentes. animais com HPIE tratados com furosemida e grupo controle (animais sem sangramento).8%. Hegedus et al.8 % (103) de eqüinos com vários graus de hemorragia no lúmen traqueal.7%).2 % e o grupo controle apenas 0. Os animais foram separados em três grupos . portadores de HPIE (16. Não foram observadas diferenças na citologia do LBA no que se refere a sexo e performance esportiva. respectivamente) quando comparados aos valores do grupo controle (9.7%). grupo 2. Associado ao aumento dos neutrófilos. No Brasil.Grupo 1 Animais com HPIE não tratados com furosemida.41 autores também relatam maior quantidade de hemossiderina nos animais mais idosos.1%. Os autores encontraram evidências . sem evidências de sangue na endoscopia.

(2000) encontraram num total de 200 animais. incluindo a endoscopia e a citologia. Os autores afirmam que todos os animais tiveram algum grau de hemossiderina. participantes de prova de três tambores. 2002). os autores concluíram que quando utilizaram o escore de 75 como ponto de corte. A ocorrência da HPIE em animais de pólo também foi avaliada por Voynick e Sweeney (1986). Demonstrou-se que 48% dos animais apresentavam algum grau de HPIE. Lessa et al (2005) em estudo realizado com 23 animais. As limitações de diagnóstico do exame endoscópico. Doucet e Viel (2002) realizaram estudo com 74 animais. foi encontrado um percentual de 52. sugerindo que estes animais sofrem de HPIE subclínica. para a real avaliação do trato respiratório. A realização do exame ocorreu duas a quatro horas após o exercício. os autores encontraram uma frequência de 11. Em um estudo no Jockey Clube Brasileiro. divididos em grupo controle e HPIE positivos. Da Nova et al. Por meio de testes estatísticos. Nenhum animal apresentou anormalidades ao exame clínico. independente de seu grupo. um percentual de 58% (117) positivos para HPIE. principalmente no que tange ao intervalo entre o episódio hemorrágico e o momento do exame. sendo necessário o exame clinico detalhado. o ETH demonstrou uma sensibilidade de 94% e especificidade de 88% para detecção da HPIE.1% da enfermidade. obtendo média de 23. Porém.93 de neutrófilos. poucas tentativas têm sido realizadas a fim de quantificar a observação (DOUCET e VIEL. Em outro estudo realizado por Ganem et al (2007) no mesmo local. baseados em resultados de histórico e endoscopia.46% animais com evidências de sangue em endoscopia pós corrida.8%). (2003) submeteram ao exame endoscópico 39 cavalos de pólo em treinamento no Chile. Foi observada diferença significativa entre os escores dos grupos controle e portadores de HPIE. Utilizando a endoscopia pós jogo como ferramenta de diagnóstico. 1998). incluindo epistaxe. encontraram evidências de HPIE em lavados broncoalveolares de 11 animais (47. Foi observado também um aumento no número de neutrófilos. Moran et al. Porém.42 citológicas de HPIE em lavados de 58 % dos cavalos. Michelloto et al (2007) realizaram estudo com AT via endoscópio em equinos quartode-milha. ainda dificultam o diagnóstico em muitos cavalos (MEYER et al. A presença de hemossiderófagos em secreções traqueobrônquicas tem sido estudada já há algum tempo. o processo inflamatório muitas vezes passa despercebido por treinadores e proprietários. em três animais observou-se hemossiderófagos.1 ±35. . Segundo os autores.

Os autores não observaram presença de sangue na endoscopia em nenhum animal. (2008) utilizaram o escore de hemossiderófagos de Doucet e Viel (2002) para avaliar a HPIE em 20 cavalos da raça quarto-de-milha. porém. DeHeer e Mc Manus (2005) tomaram como base a metodologia de Doucet e Viel (2002) para quantificação de hemossiderófagos e a aplicaram em lavados traqueais de felinos com doenças respiratórias. citologicamente. sendo considerados HPIE positivos.43 Biava et al. 15% dos animais apresentaram ETH superior aos valores de referência. .

44 3. Todos os animais foram mantidos em cocheiras e periodicamente vermifugados e vacinados contra tétano. influenza. Destes animais. localizado no bairro de Deodoro.2-EXAME FÍSICO Foram registrados os dados de identificação dos animais. no bairro da Barra da Tijuca. localizado no Rio de Janeiro. percussão e ausculta do aparelho respiratório (Apêndice 3 ). 20 (14 fêmeas e seis machos) pertencentes ao Itanhangá Golf Clube. aveia e volumoso (feno de alfafa). encefalomielite leste. regularmente utilizados em jogos de pólo (Apêndice 1 e 2). palpação. ANIMAIS Foram utilizados 37 eqüinos adultos. de idade entre três a 22 anos. e 17 (sete fêmeas e 10 machos) pertencentes ao Regimento de Cavalaria de Guardas Andrade Neves (RCGd/EB). Já os animais do RCGd eram alimentados com ração comercial. Rio de Janeiro. . Também foram anotadas a freqüência cardíaca (FC). (2002) bem como informações colhidas à inspeção.MATERIAL E MÉTODO 3. a idade e o peso. e suplementados com sal mineral. 3. feno de Coast Cross.1. oeste e raiva. freqüência respiratória (FR) e temperatura (T) segundo Mc Gorum et al. mestiços de crioulo com PSI. Os animais pertencentes ao Itanhangá Golf Clube eram alimentados com ração comercial.

Um número maior de pontos maiores de muco podendo a vir a formar confluência. (2004). • Grau 2 .45 3.Presença de secreção traqueal profusa ocupando mais que 25% da extensão da traquéia. armazenadas e analisadas posteriormente.Nenhum muco aparente. (1981) ( Apêndice 3). O exame foi realizado utilizando-se um Colonofibroscópio Olympus modelo CF 10L. Após contenção física (cachimbo e tronco de contenção). podendo haver poças de secreção ao redor. • Grau 3 . segundo Gerber et al. Foram analisadas as estruturas anatômicas desde os meatos nasais até à bifurcação brônquica (carina). acoplado a uma Microcâmera Karl Storz modelo Endovision XL 20280130 NTSC e uma Filmadora Digital Sony modelo DCR HC-65. • Grau 0 .Presença de confluência de secreção na face ventral do lúmen traqueal. (2004). • Grau 4 . Todas as endoscopias foram digitalizadas. entre 30 e 90 minutos após o término do tempo no qual jogou. Avaliação semi quantitativa para presença de muco. . • Grau 4 – Presença abundante com acúmulo de sangue na traquéia. segundo a metodologia preconizada por Pascoe et al. aleatoriamente. • Grau 1 – Traços de sangue na traquéia. Foram realizadas avaliações semi-quantitativas para a presença de sangue segundo Costa et al. (2004) e para a presença de muco. • Grau 5 – Hemorragia nasal ou presença de sangue abundante e acumulado na traquéia até a orofaringe.Pequenos e poucos pontos de secreção. • Grau 2 – Presença de filete de sangue na traquéia. • Grau 1 .(2004). o endoscópio foi introduzido pelo meato ventral da narina direita ou esquerda. conforme descrito a seguir: Avaliação semi quantitativa para hemorragia segundo Costa et al. segundo Gerber et al.Presença de secreção traqueal ocupando menos que 25% do lumen traqueal • Grau 5 .3-AVALIAÇÃO ENDOSCÓPICA Os animais foram submetidos à avaliação endoscópica do trato respiratório. • Grau 3 – Presença de sangue na traquéia em quantidade superior ao grau anterior.

5 . respiratória. Esfregaços foram confeccionados e corados por Panótico Instantâneo® para a realização da leucometria específica. O endoscópio. 1993).Escore até 1 para a presença de muco na traquéia. leucócitos e plaquetas foram realizadas em aparelho semi automatizado Coulter T-890®. As contagens de hemácias. A dosagem de fibrinogênio plasmático foi realizada pelo método de precipitação pelo calor (JAIN.Achados endoscópicos de hemorragia (escore de 1 a 5) . contendo a sonda 1(Figura 1) em seu canal de trabalho. .Escore de 2 a 5 para a presença de muco traqueal 3. roncos isoladamente ou qualquer combinação desses) segundo McGorum et al. sendo conferidas posteriormente pela observação do esfregaço sanguíneo. (2002). conforme descreve Jain (1993).Ausculta pulmonar normal segundo McGorum et al.6-OBTENÇÃO DO LAVADO TRAQUEAL: Para obtenção do lavado traqueal os animais foram colocados em brete e contidos com cachimbo. A sonda foi posicionada na . Esses animais foram então divididos em dois grupos (1 e 2) segundo os resultados de ausculta e endoscopia conforme descrito a seguir: Grupo 1 – Constituído por animais que apresentavam: . foi introduzido pelo meato nasal ventral em direção a traquéia. 3.Ausculta pulmonar com ruídos respiratórios anormais (creptações finas.CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE PARA A FORMAÇÃO DOS GRUPOS: Todos os animais apresentaram frequência cardíaca.Ausência de sangue na traquéia .4 – HEMOGRAMA E DOSAGEM DE FIBRINOGÊNIO PLASMÁTICO: As amostras de sangue foram obtidas por venopunção jugular e coletadas em tubo contendo anticoagulante EDTA 10% sendo utilizadas para realização do hemograma. sibilos.46 3. grossas. Grupo 2: Constituído por animais que apresentavam um ou mais dos três itens abaixo: . (2002) . temperatura e resultados de hemograma e fibrinogênio plasmático dentro dos valores de referência segundo Cowell e Tyler (1992).

anterior a carina. O lavado obtido foi acondicionado em frascos cônicos graduados de 50mL. mantido sob refrigeração até o momento do processamento. Figura 1 – Sonda para coleta transendoscópica (MILA® Delivery Catheter). tempo esse que não excedeu a 6 horas pós coleta. por meio de seringas plásticas estéreis (Injex®) e imediatamente aspirados.2.5mm x 190cm .47 traquéia em porção distal. de acordo com técnica utilizada por Whitwell e Greet (1984). Para tal. 1 MILA ® Delivery Catheter . utilizada para a obtenção do lavado traqueal dos animais de pólo. 2009. 20 a 40mL de solução salina estéril foram instilados. Rio de Janeiro. As amostras foram consideradas adequadas quando era possível observar partículas suspensas ou filamentos de muco (Figura 2).

2-Coloração do material Pelo menos uma lâmina de cada animal foi corada pelo Giemsa e utilizada para a contagem diferencial dos tipos celulares. buscando concentrar as células de forma linear. 3. 3. de acordo com metodologia descrita a seguir: . coloca-se uma gota da solução numa das extremidades da lâmina.7. 2009. Nesta técnica.Rio de Janeiro. interrompendo o movimento no centro. segundo Cowell e Tyler (1992). Com o auxílio de uma lâmina extensora. Utilizou-se a técnica de esfregaço linear. desliza-se a gota sobre a lâmina. A segunda lâmina foi corada pela técnica do Azul da Prússia.Lavado traqueal.7-PROCESSAMENTO E ANÁLISE DO LAVADO TRAQUEAL 3. Foram confeccionadas pelo menos duas lâminas de cada animal e posteriormente fixadas em álcool metílico por 5 minutos.48 Figura 2 .1-Centrifugação do material e confecção de lâminas Alíquotas de 5mL de lavado foram submetidas a centrifugação a 110g por 5 minutos em centrífuga RDE® modelo MC-16. Observa-se alteração de coloração e presença de grande quantidade de muco. O sobrenadante foi dispensado e o sedimento de células utilizado para confecção das lâminas.7.

foram colocadas numa solução de partes iguais de ferrocianeto de potássio a 0. Para a obtenção do escore de hemossiderófagos. Essa coloração é utilizada para evidenciação de ferro citoplasmático sendo utilizada para a avaliação semiquantitativa de HPIE por meio do escore de hemossiderófagos (ETH). obtendo-se então o ETH (escore total de hemossiderina). secadas novamente e contracoradas com vermelho rápido nuclear a 0. demonstrando coloração azul escura por todo o citoplasma. Sistema de graduação de hemossiderina em macrófagos segundo Doucet e Viel (2002) Grau 0 – Ausência de coloração azulada no citoplasma Grau 1 – Coloração discreta.5% e ácido clorídrico a 10% por 1 hora. Após secagem.1% por 10 minutos. seguindo-se metodologia de Doucet e Viel (2002). foram observados 100 macrófagos em objetiva de imersão de 100 vezes.49 • Após fixação em metanol por 10 minutos. 3.7.3-Avaliação citológica A contagem diferencial dos tipos celulares de cada animal foi realizada por meio da análise de 300 células em objetiva de 100 vezes e posteriormente calculada a média dos valores encontrados. azul clara no citoplasma Grau 2 – Coloração azul escura em pequena parte da célula ou coloração de média intensidade em toda o citoplasma Grau 3 – Coloração azul escura na maior parte do citoplasma Grau 4 – Célula totalmente preenchida por hemossiderina. . • Decorrido este tempo. foram lavadas com água destilada. as lâminas foram hidratadas em água corrente por 5 minutos. de acordo com metodologia de Doucet e Viel (2002) descrita abaixo. a quantidade de macrófagos obtida em cada grau foi multiplicada pelo valor numérico (de 0 a 4) atribuído ao grau e posteriormente somada. Cada macrófago foi classificado segundo a quantidade de hemossiderina contida. Após a contagem.

Devido à diferença no número de animais entre os dois grupos. foi considerado como ponto de corte para caracterização de HPIE. não foi possível realizar uma análise estatística comparativa entre eles. foi realizada uma avaliação qualitativa para presença de hemácias e eritrofagocitose. . abaixo de 1%. Para a avaliação da HPIE. Para o escore de hemossiderina. Os critérios utilizados como referência para a citologia traqueal foram os propostos por Robinson (2003) sendo considerados sadios os animais com percentual de contagem para neutrófilos.8-INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS Foram analisados os resultados individuais e calculados a média e desvio padrão da contagem diferencial para os diferentes tipos celulares presentes no lavado traqueal dos eqüinos dos dois grupos. o escore acima de 75 preconizado por Doucet e Viel (2002) para lavados broncoalveolares. abaixo de 20% do total de células nucleadas e para eosinófilos.50 3.

6 2.8 3.1 51.3 0.0 36 0.RESULTADOS Os resultados da contagem diferencial para os tipos celulares presentes no lavado traqueal dos eqüinos dos Grupos 1 e 2 encontram-se respectivamente nas Tabelas 1 e 2.0±25.7±17.3 21. RJ.1 26.0 Média ± DP Macrófago Eosinófilo Célula Animal Epitelial * valores de neutrófilos acima dos limites de normalidade (Robinson.3 32.0 0.0 4.0 4 7.0 86.0 25 1.0 36.6 0.3 0.0 92.0±6.4 0.7 0.6 7.3 13.51 4.3 36.5 0.7 41.Resultados individuais. Neutrófilo Linfócito 2 2.5 2.0 13.3 5.7 0.0 34.0 21 2.3 6.6 0.6 0.6 0.0±31.0 65. Tabela 1 .0 9* 30.0 71.0 34* 78.2 0.8 0.6 0.3 10. 2009. Rio de Janeiro.0 0.0±0.0 16.0 7. média e desvio padrão da contagem diferencial (expressos em porcentagem) para os diferentes tipos celulares presentes no LT de eqüinos do grupo 1 (n=9).0 31 5.0 6 16.0 1.4 0.2 6. Mastócito .0 57.4 0.0 8.0 0.6 5.2 28.6 0.0 58. 2003).7 0.

predomínio de células epiteliais cilíndricas e macrófagos.52 Figura 3 : Fotomicrografia digitalizada de citologia de LT do grupo 1 ( Animal 31). Microscopia óptica. aumento 400X. Presença de células epiteliais cilíndricas ciliadas e um eosinófilo. Figura 4 : Fotomicrografia digitalizada de citologia de LT do grupo 1 (Animal 2). Coloração Giemsa. aumento 1000X. Microscopia óptica. . Coloração Giemsa. Presença de muco.

3 25.0 2.6 0.6 27.0 17.0 2.6 68.0 8* 87. ** Valores de eosinófilos acima dos limites de normalidade (Robinson.0 24* 78.6 0.2 0.8 35.0 15 5.0 0.0 Média ± DP 20.0 14 16.7 0.0 28 10.0 32 13.Resultados individuais.0 5 15.6 0.8±27.0 2.0 1.3 12.0 29* 21.0 0.6 3.6 16.0 35 0.6 0.4±0.0 0.3 0.7 0.0 0.6 0. 2009.6 0.6 0.0 0.0 13.2 0.6 42.3 21.8 1.0 71.5±30.7 0.0 13.0 5.0 5.6 39.0 Epitelial * Valores de neutrófilos acima dos limites de normalidade (Robinson.0 12 2.3±6.3 15.0 10.0 49.0 0.0 0.0 14.0 22 3.6 73.5 0.6 10.0 30* 28.0 11 17.0 16* 83.6 3.0 27.3 21. RJ.0 67.0 8.0 3 17.6 13.3 83. Rio de Janeiro.8 0.6 0.0 0.0 79.0 17* 31.4 54.0 10 5.3 3.0 0.3 7.3 0.0 18* 82.6 0.0 16.0 4.0 26 1.0±23.6 51.0 2.4 22.3 2.3 36.0 10.0 37 2.3 36.0 21.0 83.6 0.0 7 8.0 0.0 7.0 17.3 3.8 0.0 66.7 4.0 24.3 37.8 0.6 5.8 36.0 4.3 0. 2003).0 64.4 0.0 7.0 0.0 65.2 25.0 0. 2003) Mastócito .0 4.0 3.7 0.3 0.0 0.0 18.6 0.6 63.0 0.5 0.6 0.3 0.4 5.4 0.0 28.3 7.3 0.6 5.0 5.6 1.4 0.3 0.6 83.5 0. média e desvio padrão da contagem diferencial (expressos em porcentagem) para os diferentes tipos celulares presentes no LT de eqüinos do grupo 2 (n=28).4 26.4 21.0 19 3.0 0.6 0.0 0.0 0.3 72.6 0.0 80.4 59.53 Tabela 2 .3 6.0 13 18.4 0.0 4.0 1.2 60. Célula Animal Neutrófilo Linfócito Macrófago Eosinófilo 1 9.0 23 15.6 0.0 12.6 7.0 33 1.0 20 1.1 0.6 0.4 20.3 0.6 67.0 27 4.

Microscopia óptica. Microscopia óptica. Coloração Giemsa.2% dos animais do Grupo 1 (Tabela 1). . No grupo 2 a ocorrência do processo inflamatório foi observada em dez animais (27. Figuras 4 e 5).54 Considerando os valores propostos por Robinson (2003). Figura 5: Fotomicrografia digitalizada de citologia de LT do grupo 2 (Animal 7) Eosinófilos contendo grânulos característicos bem definidos. Grande quantidade de muco. presença de macrófago e de infiltrado neutrofílico Coloração Giemsa. Figura 4: : Fotomicrografia digitalizada de citologia de LT do grupo 2 (Animal 16). sendo que destes. a ocorrência de processo inflamatório pôde ser caracterizada pelo infiltrado de neutrófilos em 22. aumento 1000X. sete apresentaram infiltrado de neutrófilos e três de eosinófilos (Tabela 2. aumento 1000X.0%).

Tabela 3 –Avaliação qualitativa para presença de hemácias e semi quantitativa para o conteúdo de hemossiderina em macrófagos (escore total de hemossiderina.1 9 Ausente 21 21 Ausente 6 25 Presente 42 31 Ausente 27 34 Ausente 31 36 Presente 7 .55 A seguir. 2009 Animal Hemácias ETH 2 Ausente 7 4 Presente 16 6 Presente 31. RJ. Rio de Janeiro. estão apresentados os resultados referentes à avaliação citológica para hemorragia pulmonar induzida pelo exercício. ETH) encontrados no LT de eqüinos do Grupo 1 (n=9).

ETH) encontrados no LT de eqüinos Grupo 2 (n=28).0 17 Presente 64.0 12 Ausente 40.0 32 Presente Ausente 33 Presente 11.7 22 Presente 16.0 de de de do ETH 9.0 7* Presente 204.0 18 Ausente 16.0 16 Presente 59.56 Tabela 4 – Avaliação qualitativa para presença hemácias e semi quantitativa para o conteúdo hemossiderina em macrófagos (escore total hemossiderina.0 14 34. Rio de Janeiro.0 29 Presente 28.0 26 Presente 42.0 * Valores de escore compatíveis com HPIE segundo Doucet e Viel (2002). .0 28 Presente 7.5 11 Ausente 23.6 3* Presente 203. 2009 Animal Hemácias 1 Ausente 26.0 19* Ausente 151.0 27 Presente 31.0 35* Presente 104. RJ.0 8 Ausente 32.0 13* Ausente 79.0 23 Presente 27.0 30 17.0 24 Presente 17.0 20 Ausente 65.5 5 Presente 21.0 15* Ausente Presente 84.0 37 Presente 40.0 10 Presente 42.

57 A presença de hemácias foi observada em quatro animais do Grupo 1 (44.6%).Figura 6 ). Considerando o valor de escore para o conteúdo de hemossiderina em macrófagos (escore total de hemossiderina. .1% e no animal 29 do Grupo 2. representando 11. aumento 1000X. correspondendo a 2. a ocorrência de HPIE não foi observada em nenhum animal do Grupo 1 e pôde ser caracterizada em 22. Presença de numerosos macrófagos em diferentes graus de conteúdo de hemossiderina. ETH) proposto por Doucet e Viel (2002). Quanto a ocorrência de eritrofagocitose esta foi observada em somente no animal 6 do Grupo 1. Figura 6 . Coloração Azul da Prússia. Microscopia óptica.Fotomicrografia digitalizada de citologia de LT do grupo 2 (Animal 7).7%.4%) e 18 animais do Grupo 2 (66.2% dos animais do Grupo 2 (Tabela 4.

DISCUSSÃO: Os valores médios encontrados na contagem diferencial dos tipos celulares presentes no LT de eqüinos do Grupo 1. Concordamos com Hodgson e Hodgson (2003) quando constatam a dificuldade em associar o aumento no percentual de células a uma patologia pulmonar. (2003) para animais considerados sadios. Dixon (1995) afirma que os valores de contagem diferencial na secreção traqueal dos eqüinos ainda não estão bem definidos.0±21% e Derksen et al. Sweeney et al. homogênea (cavalos de corrida) e clinicamente normal. Conseqüentemente. Essa grande variação dentre os números de neutrófilos.41%. Mair (1987) obteve uma percentagem média (4. observaram que cerca de 80% dos animais apresentaram valores de neutrófilos abaixo de 20%. Apesar da média do Grupo 1 estar dentro dos valores estabelecidos para animais sadios. estão dentro dos valores estabelecidos por Robinson. Com relação à contagem de neutrófilos do grupo 1.92±7. Taxas de mais de 40% são relatados em secreções respiratórias de animais aparentemente sadios mantidos estabulados. mesmo em animais considerados sadios. é sabidamente uma das desvantagens da metodologia de lavado traqueal. embora a presença de mais de 40% de neutrófilos seja compatível com inflamação pulmonar. em dois (nove e 34) foi encontrado uma alta porcentagem de neutrófilos.58 5. (2000) que encontraram valores médios para neutrófilos de 8. estes valores foram semelhantes aos encontrados por Michelloto et al. (1992). a interpretação da citologia que contém de 15 a 40% de neutrófilos permanece problemática.0±8. Por outro lado. (2007) que obtiveram 23. particularmente quanto aos limites superiores do número de neutrófilos.1 ±35. (1989) que obtiveram 32. porém utilizaram a coleta por via transtraqueal. Corroborando estas informações. assim como Fernandes et al.9%.9) abaixo da observada nesse estudo. O animal .93% em animais sadios e inferiores aos observados por Larson e Busch (1985) que obtiveram 39. em estudo com uma população jovem.6±4.

1999). apresentou praticamente o dobro do valor mínimo para ser considerado compatível com inflamação. mas seria recomendável para o animal 9. Além disso. tosse e deglutição). Os eosinófilos são reconhecidos atualmente por muitos como uma célula pró inflamatória potente com considerável potencial de injúria tecidual e como um mediador . a qual foi confirmada pelo discreto infiltrado de neutrófilos. tanto no Grupo 1 como no Grupo 2. em sete destes animais foram encontrados valores de neutrófilos acima de 20% .24) apresentaram mais de 40% de neutrófilos. já foi relatada por outros autores em animais clinicamente normais (HODGSON e HODGSON. eliminação do muco pelos mecanismos fisiológicos de depuração (movimento mucociliar. em três animais (5. foi visualizada secreção grau dois (vide apêndice 3) durante o exame endoscópico. 1984) Por tudo isto.18. é possível afirmar que estes animais também sofrem de um processo inflamatório. Um aspecto a ser considerado é que esses animais não demonstraram alterações clínicas. estão sujeitos a interferências como.16. os valores encontrados foram entre 1 a 3%. Logo. cujo percentual encontrado foi entre 20 e 40%. hematológicas ou de concentração de fibrinogênio plasmático.1997 ) e nem de obstrução recorrente de vias aéreas (MAIR. em nosso estudo. o resultado citológico permite confirmar os achados de ausculta e/ou endoscópicos caracterizando um quadro inflamatório de vias aéreas posteriores. Logo. Porém. (2003) para animais sadios. quando analisamos os dados em conjunto. a repetição dos exames para confirmação dos achados. os percentuais médios obtidos estiveram dentro dos valores de normalidade observados por Robinson (2003) de menos de 1%. WHITWELL E GREET. Os achados endoscópicos estão associados ao estado do animal no momento do exame. o que pode ter levado a uma interpretação sujeita a variações pela observação da traquéia sem secreção no momento do exame endoscópico desses animais. Para os eosinófilos. Nos animais 29 e 30. esses lavados não apresentaram características morfológicas de processo infeccioso (FREEMAN E ROSZEL. 1987. Já o animal 34. Ainda que os valores médios encontrados na contagem diferencial dos tipos celulares presentes no LT de eqüinos do Grupo 2.7 e 35) do grupo 2.59 nove apresentou uma contagem considerada por Dixon (1995) dentro de um intervalo crítico para diagnóstico de quadros inflamatórios. sendo que destes. quatro animais (8. A baixa presença de eosinófilos. acreditamos que esses animais apresentam um quadro inflamatório de vias aéreas posteriores de baixa intensidade e assintomático. o que é considerado grau mínimo para presença de inflamação. 2003) e em alguns estudos (MARTIN. possivelmente de baixa intensidade. por exemplo. essas células são classificadas semiquantitativamente e não em porcentagem. Para estes animais. estejam no limite máximo dos valores preconizados por Robinson.

foram observadas hemácias em 66.68 para animais sadios.. a possibilidade do aumento de eosinófilos ter sido causado por parasitos é remota. Em conjunto com o infiltrado eosinofílico. concordamos com Fernandes et al. A grande quantidade de células epiteliais encontradas nos animais do Grupo 1 deve-se ao método de coleta e é compatível com achados de Mair et al. (2000). sendo que destes. 1997). (2000) quando afirma que diferenças nas técnicas de coleta do LT podem levar a esta discordância entre os resultados. Em nosso estudo. (1987). (1987) obtiveram contagens diferenciais significativamente diferentes entre a coleta transtraqueal e via endoscópio. No grupo 2 a ocorrência do processo inflamatório foi observada em dez animais (27. A ocorrência de processo inflamatório pôde ser caracterizada pelo infiltrado de neutrófilos em 22.60 primário do dano epitelial e hiperatividade bronquial (HARE E VIEL.09±35.0%). Hughes et al. (2007) que encontrou 44. Mastócitos não foram observados em nosso estudo. esses animais apresentaram presença de secreção na endoscopia e achados anormais de ausculta respiratória. como neutrófilos. como estes animais eram regularmente utilizados para competições de pólo e periodicamente vermifugados. Embora infiltrados de eosinófilos também possam estar relacionados a migrações parasitarias. Mair et al. (1993) que observaram estas células em 73% dos .6% dos animais. Portanto. achados compatíveis com os de McKane et al. Mair et al. Alem disso. não foram observadas nessas citologias. A porcentagem de macrófagos obtida em nosso estudo foram inferiores as observadas por Sweeney et al. (1987) e Michelotto et al. o que foi também relatado por Bain (1997) que afirmou que amostras obtidas via endoscópio apresentam maior quantidade de células epiteliais devido ao atrito e descamação da mucosa provocada pelo equipamento durante a sua passagem. (1992) e Fernandes et al. Sweeney et al. 1998). porém estes autores utilizaram para coleta a via transtraqueal. (1992) também observaram evidências citológicas de doença inflamatória em aspirados traqueobrônquicos de cavalos de corrida aparentemente sadios. pois no LT há aumento na proporção de outros tipos celulares. características como presença de debris necróticos (FREEMAN e ROSZEL.2% dos animais do Grupo 1 (Tabela 1). (2003) sugerem que a porcentagem de mastócitos no lavado traqueal é mais baixa que em lavados broncoalveolares. o que nos leva a crer que esses animais apresentam quadros brandos de alergia respiratória. utilizando a coleta via endoscópio encontraram valores menores e mais próximos ao encontrado em nosso estudo. sete apresentaram infiltrado de neutrófilos e três de eosinófilos.

também foram observadas hemácias. (1993) que detectaram hemosiderófagos no lavado broncoalveolar de 90% de animais. . broncopneumonia por aspiração ou pleuropneumonias. No animal 7. Em animais com HPIE. Roszel (1988) afirma que hemossiderófagos indicam algum grau de hemorragia.1998).(MEYER et al. os mesmos autores afirmam que essa presença varia se existe hemorragia recente que ainda não foi convertida a hemossiderina. eles apresentaram quadros citológicos de hemorragia pregressa importante. não sido a tenha a ponto de levar a sangramento perceptível. (1992) que identificaram hemossiderófagos em lavados traqueais de 86% dos animais de corrida e aos de Mc Kane et al. mas sua presença pode estar relacionada a outras causas como insuficiência cardíaca congestiva com congestão pulmonar. descartamos estas outras causas de formação de hemossiderófagos por meio dos exames realizados para seleção dos animais. afirmando que todo equino submetido a exercício extenuante sofre de algum grau de hemorragia pulmonar. além dos hemossiderófagos. Estudos sugerem que a quantificação dos eritrócitos no fluido recuperado pode ser variável demais para permitir o uso desta técnica (BIRKS et al. os estudos são conflitantes no que se refere à reprodutibilidade das técnicas e há questionamentos sobre a real aplicação desta quantificação para indicação da severidade da hemorragia pulmonar. o conjunto dos achados da endoscopia e citologia (ETH alto e presença de hemácias) nos permite afirmar que trata-se de um animal que sofre episódios periódicos de hemorragia clinicamente relevante. que são indicativos de hemorragias passadas. acreditamos que devido ao escore elevado de hemossiderófagos. No animal 3. É possível que a intensidade do exercício realizado neste dia pelos animais. A presença de hemácias pode ser devida a trauma ocasionado pela coleta e/ou hemorragia de baixa intensidade não diagnosticada pela endoscopia. A quantificação de eritrócitos recuperados no LBA foi prosposta como método de avaliação semi quantitativa da severidade da HPIE. a presença de hemácias deve-se a um episodio de hemorragia de baixa intensidade ocorrido no dia do jogo não observado na endoscopia. No caso deste animal. Freeman e Roszel (1997) declaram que em animais sadios. 13 e 19 (Grupo 2) não apresentarem HPIE ao exame endoscópico pós jogo. e em somente 2 animais que não estavam submetidos a treinamento. Apesar dos animais 7. concordando com observações de Sweeney et al. caracterizados por escores de hemossiderina maiores que 75. hemácias podem estar ausentes ou serem encontradas em baixo número.61 eqüinos em atividade. Em nosso estudo. Porém. 2003). A presença de hemossiderófagos foi observada em todos os animais de nosso estudo. Porém. Whiwell e Greet 1984) relataram este achado em 18 de 19 animais em treinamento.

Gosselin et al. Segundo Hinchcliff et al. sendo nestes animais um achado citológico compatível com sangramento recente. a presença de macrófagos fagocitando hemácias é pouco observada. Os animais 28 e 33 tiveram ETH baixos. indicando que estes animais não sofreram episódios de hemorragia pregressa e relevante. (2004). o espaço de tempo entre o sangramento e a realização do lavado traqueal pode ter sido superior ao prazo de detecção dos hemossiderófagos.62 Nos animais 8.. os hemossiderófagos somente estão presentes no LBA de 7 a 21 dias após o episódio de sangramento. Acreditamos que nestes animais. O tempo de permanência dos hemossiderófagos nas secreções após o episódio de sangramento ainda não foi completamente estabelecido em cavalos. seria necessário o estudo em um maior número de animais para comparação entre a presença de hemácias em animais que sangram e a presença das mesmas causadas simplesmente por trauma. por não terem sido encontradas evidencias de sangramento prévio ou recente. pois mesmo que tenham sofrido hemorragia clinicamente importante. uma padronização de análise semi quantitativa de hemácias relevantes para HPIE. A presença deste sangramento isolado pode ter sido em função da intensidade de exercício realizado no dia da endoscopia. Mc Kane e Slocombe (1999) declaram que estes podem estar presentes no LBA e no aspirado até três semanas após o episódio de hemorragia. Estas informações podem também justificar o baixo ETH nestes animais. ausência de sangue na endoscopia e presença de hemácias no lavado traqueal. A eritrofagocitose em nosso estudo foi observada em somente em 02 animais. também não há por parte dos autores consultados. como não é possível quantificar a quanto tempo ocorreram. Além disso. afirmam que até o terceiro dia após a hemorragia. 22 e 27 foram observadas hemácias. Um estudo em crianças demonstrou que macrófagos dos aspirados de traquéia somente tornam-se positivos para a coloração de azul da prússia. Mc Kane e Slocombe (1999) em estudo com inoculação de sangue no trato respiratório. Para comprovação dessa afirmação. a presença de hemácias pode ter sido ocasionada por pequenos traumas causados pela sonda na hora da coleta. pela falta de relatos sobre a observação de eritrofagocitose em lavados traqueais. (1989) estudando biópsias pulmonares concluíram que a hemossiderina pode persistir de 2 semanas a 1 mês depois de um episódio isolado de hemorragia em humanos.1984). Os ETHs destes animais estavam abaixo do estipulado para hemorragia. sendo a comparação entre estudos difícil. haja vista que foi observado sangramento relevante na endoscopia pós jogo. sendo o aumento da eritrofagocitose mais freqüente . 50 horas apos um episodio de hemorragia aguda e 72 horas apos contato com hemácias nas culturas de células pulmonares (SHERMAN et al.

8 % de ocorrência de HPIE. ambos realizaram somente a endoscopia pós jogo. indicando que é possível que quando o método a ser utilizado for o lavado traqueal. As vias aéreas de maior calibre podem transportar material originado de ambas as vias aéreas condutoras e . Doucet e Viel (2002) definiram como ponto de corte o valor para ETH acima de 75 a ser empregado em lavados broncoalveolares. ao contrário do nosso estudo. Em humanos. um ETH de 25 ou menos demonstrou sensibilidade de 100% em detectar os animais negativos. Porém. foi encontramos em nosso estudo 37. o lavado traqueal. Porém. Derksen et al. valores superiores aos relatados por Voynick e Sweeney (1986) e inferiores aos encontrados por Moran et al. Da mesma forma. Segundo Mc Kane et al (1993). (2003). Em seu estudo. escores acima de 100 são considerados indicativos de hemoptise. espera-se que ocorra maior quantidade de eritrofagocitose nas vias mais distais e não no lúmen traqueal. dependendo dos objetivos de triagem para seleção dos indivíduos do estudo. Os mesmos autores afirmam ainda. e 05 (50%) tiveram abaixo de 75 e acima de 25. somente em quatro estas células também foram observadas no LT. quando consideramos somente o valor de escore para o conteúdo de hemossiderina em macrófagos foi semelhante a encontrada por Biava (2008). Como frequentemente o local da hemorragia é o lobo caudal do pulmão. mesmo em animais sem presença de sangue na endoscopia pós exercício. A população celular nas vias aéreas pode diferir significativamente por causa da migração celular local para e do lúmen aéreo. que um escore acima de 150 parece ter uma especificidade de 100% na identificação da HPIE. outros pontos de corte mais específicos podem ser definidos. A ocorrência de HPIE em nosso estudo. a presença de hemossiderrófagos foi observada no LBA de nove animais. (1989) sugerem que a população celular da traquéia não é representativa da população celular nas vias aéreas posteriores. 03 (30%) tiveram ETH acima de 75. onde se utilizou a citologia traqueal. sendo este achado mais freqüente nos lavados broncoalveolares. destes. Outro fator que pode contribuir para a ausência de eritrofagocitose deve se ao método adotado de coleta de material. a ocorrência e severidade da HPIE pode variar dependendo do nível de exigência do exercício. os mesmos autores sugerem que para propósitos de pesquisa. Considerando-se a combinação dos critérios: Presença de sangue na endoscopia e escore de hemossiderófagos maior que 75.63 após o terceiro dia e até o décimo dia pós inoculação. Dos animais que apresentarem evidências endoscópicas de HPIE (total=10). o ponto de corte a ser considerado pode ser mais baixo. embora os hemossiderófagos tenham sido identificados em indivíduos com escores acima de 25 e sem histórico de hemorragia pulmonar.

. com isso.64 também da área de superfície alveolar. . sadios e portadores de HPIE sejam realizados para elaboração de um novo ponto de corte para ETH em lavados traqueais. 1989). Considerando também que o local onde comumente ocorrem episódios de hemorragia é o lobo caudal do pulmão. Por isso. sugerimos que novos estudos com um número maior de animais. diferentes áreas contribuem com secreções de uma maneira não homogênea. . é provável que o lavado traqueal seja um material mais diluído que o LBA quando consideramos a presença de hemossiderófagos. Diferenças nas populações traqueais. das vias aéreas periféricas e na superfície alveolar também podem ser explicadas por diferenças nas taxas de renovação celular (DERKSEN et al.

CONCLUSÃO Apesar de estarem aparentemente sadios. os animais apresentaram quadros citológicos compatíveis com processo inflamatório e HPIE em proporções relevantes.6. . fato que deve levar essas enfermidades a serem consideradas como uma das primeiras opções de diagnóstico na investigação de queda de desempenho atlético de origem respiratória em equinos nessa atividade esportiva.

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. 2009 Animal 2 4 6 9 21 25 31 34 36 Idade (anos) 6 8 8 15 5 10 5 6 9 Peso (kg) sexo 400 440 436 480 420 415 395 370 400 F F F M F F F F M . Rio de Janeiro.72 Apêndice 1: Dados gerais de identificação dos eqüinos do Grupo 1 (n=9).J. R.

R.J. Rio de Janeiro. 2009 Animal 1 3 5 7 8 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 22 23 24 26 27 28 29 30 32 33 35 37 Idade (anos) 6 9 6 6 6 8 6 8 9 9 5 4 3 8 9 3 8 9 22 9 13 8 17 7 5 9 8 9 Peso (kg) sexo 440 410 440 436 420 415 461 410 440 440 450 400 410 440 436 420 420 415 470 450 480 390 435 430 415 413 395 395 F F F F F F F M F F M F M M F F M M M M M M M F F F M M .73 Apêndice 2 : Dados gerais de identificação dos eqüinos do Grupo 2.

74 Apêndice 3 –Avaliação física dos eqüinos do Grupo 2 (n=28) – Resultados de ausculta pulmonar – Rio de Janeiro. 2009 Animal Ausculta 1 Sadn 3 Sadn 5 Creptação grossa Crânio/Ventral 7 Leves Estertores bilaterais 8 Creptação grossa médio/dorsal 10 Creptação grossa Crânio/Ventral 11 Sibilo Caudo/Dorsal 12 Creptação grossa Crânio/Ventral 13 Creptação grossa Caudo/Ventral 14 Creptação grossa Caudo/Medial 15 Sadn 16 Creptação grossa Caudo/Dorsal 17 Creptação grossa Crânio/Ventral 18 Creptação grossa Caudo/Medial 19 Creptação grossa Caudo/Dorsal 20 Sadn 22 Creptação grossa Caudo/Dorsal 23 Sibilo crânio/Ventral 24 Creptação grossa Crânio/Ventral 26 Creptação grossa Caudo/Medial 27 Creptação grossa médio/dorsal 28 Sibilo Crânio/Ventral 29 Creptação grossa Crânio/Ventral 30 Sadn 32 Creptação grossa Caudo/Medial 33 Creptação grossa Caudo/Dorsal 35 Hiperfonese 37 Hipofonese de pulmão esquerdo sadn-sem alterações dignas de nota. RJ. .

75 Apêndice 4 – Avaliação endoscópica dos eqüinos do Grupo 1 (n=9).Rio de Janeiro. RJ Animal Secreção Sangue 2 1 - 4 1 - 6 - - 9 1 - 21 - - 25 - - 31 - - 34 1 - 36 1 - .

Rio de Janeiro. RJ.76 Apêndice 5– Avaliação endoscópica dos eqüinos do Grupo 2 (n=28). Animal Catarral Sangue 1 1 1 3 - 3 5 1 - 7 2 - 8 - 2 10 1 - 11 1 - 12 - - 13 - - 14 1 - 15 2 1 16 1 - 17 - - 18 2 - 19 - - 20 - 1 22 - 3 23 2 1 24 - 1 26 2 - 27 - 3 28 2 - 29 2 - 30 2 - 32 1 - 33 - - 35 2 1 37 - 1 .