Rui Esteves / Rui Gameiro

A Torrefação de Biomassa para fins
energéticos

ISQ – Instituto da Soldadura e Qualidade
Lisboa 2014

A Torrefação de Biomassa para fins energéticos

Rui Esteves / Rui Gameiro
Assinaturas:

Trabalho apresentado ao ISQ – Instituto da Soldadura e Qualidade,
no âmbito do módulo de Biomassa

Lisboa 2014

sólidos ou gasosos. nomeadamente a biomassa sólida. através da criação e desenvolvimento de combustíveis líquidos. Irão ser apresentadas explicações acerca do que é a biomassa. . A biomassa e as suas utilizações estão no centro desta aposta. os processos existentes e as tecnologias adjacentes aos mesmos. É sobre o sector da biomassa e do pré-tratamento de torrefação que se irá debruçar este estudo.Resumo Nas últimas décadas. e devido à cada vez maior necessidade do ser humano em encontrar alternativas aos combustíveis fósseis. têm-se vindo a desenvolver novas tecnologias no mercado das energias alternativas. dando relevância à torrefação e à importância que esta poderá ter no tratamento da biomassa.

............1 Tecnologias na recolha e transporte ..... 22 4.............................2 Análise elementar .......... 3 1................................... 23 ....................1 Propriedades da biomassa torrefeita............... 12 1.....................................................................................................1 O que é a Biomassa ......................... Bibliografia ............................................................................... 19 3........................................................ 16 2................................. 7 1......3 Tecnologias na conversão ....A torrefação da Biomassa para fins energéticos INDICE 1...2 Utilizações da biomassa torrefeita ..........................................3.............. 3 1............................................................................................................................................................................................................................................................... 2............................................................................................................................................................................1 Análise imediata ... 9 1..................................... 9 1.................. 8 1....................................5.............. Introdução de Biomassa ..................... 17 2......................................... 18 2......................................4 Vantagens e Desvantagens da Biomassa ..................................................................................................................3...........................................................3......2 Biomassa sólida .............................5 Processos de conversão e tecnológicos da Biomassa sólida................................................... 5 1.............3 Composição Química ..............5..................................... 11 1.............3 Tecnologias de torrefação de biomassa ................................. 7 1...5.....................................2 Tecnologias no armazenamento ............ Conclusão ... 12 Torrefação .......

utilizada em processos modernos com elevada eficiência tecnológica. vegetais.1%. sejam eles desenvolvidos ou não. (2001/77/EC). As plantas capturam energia do Sol com uma eficiência de cerca de 0. Introdução de Biomassa Apenas há pouco mais de 100 anos a biomassa começou a perder cada vez mais sua liderança histórica para a energia do carvão. da silvicultura e das indústrias conexas. no caso das plantas. etc. abrange a utilização desses vários resíduos para a geração de fontes alternativas de energia. são normalmente retirados do solo através das raízes. já suficientemente maduras para serem empregadas comercialmente. e depois. A biomassa tem origem em resíduos sólidos urbanos — animais. 1. A motivação para essa mudança de postura é a necessidade de redução do uso de derivados do petróleo e. a utilização da biomassa foi reduzida praticamente às residências particulares em regiões agrícolas. consequentemente. transformam-na em energia química e armazena-a na sua estrutura celular (tronco. voltada para fins energéticos. bem como a fracção biodegradável de resíduos industriais e urbanos”. Porém hoje. mas todas as tecnologias de biomassa actualmente usadas no mundo possuem dois problemas cruciais: o custo da biomassa e a eficiência energética de sua cadeia produtiva. raízes.). possui a flexibilidade de suprir energéticos tanto para a produção de energia eléctrica quanto para mover o sector de transportes. folhas. A fotossíntese é o processo através do qual as plantas e organismos autotróficos transformam energia luminosa em energia química processando o dióxido de carbono (CO2) juntamente com a água (H2O) e minerais que. Este processo produz assim compostos orgânicos (glicose e amido) e 3 . Analisando as tecnologias das fontes energéticas alternativas renováveis. Além disso. em maior ou menor intensidade. Apresenta diferentes tecnologias para o processamento e transformação de energia.A torrefação da Biomassa para fins energéticos 1. a diminuição da dependência energética desses países em relação aos países exportadores de petróleo. a redução no consumo dos derivados do petróleo também diminui a emissão de gases promotores do efeito estufa. somente a biomassa. industriais e florestais — e.1 O que é a Biomassa A biomassa é uma forma de armazenamento de energia solar. com o crescimento contínuo do petróleo e do gás natural. Por definição a biomassa consiste na “fracção biodegradável de produtos e resíduos provenientes da agricultura (incluindo substâncias vegetais e animais). a maioria dos países. promove acções para que as energias alternativas renováveis tenham participação significativa nas suas matrizes energéticas.

valorizando assim estes subprodutos naturais. • Resíduos florestais e agrícolas: o aproveitamento dos resíduos gerados pelas actividades de cultivo ou de actividades florestais. A expansão da mistura combustível/ar. O calor produzido por este processo tem de ser dissipado para o ambiente. Esta energia pode ser convertida em outras formas de energia como: • Energia Calorífica: o calor é normalmente produzido em sistemas de combustão. Estes convertem a energia mecânica em energia eléctrica. etc. como as máquinas a vapor ou motores de combustão interna. salamandras. distribuem o calor a diversas habitações para aquecimento ambiente e da água de banhos. • Resíduos orgânicos: estes resíduos incluem os resíduos domésticos e lamas dos efluentes domésticos e industriais. milho. A 4 . em motores de combustão ou em turbinas de combustão directa e indirecta. como resíduo ou matéria-prima. Como exemplo temos a utilização do biodiesel ou do etanol no sector dos transportes. efluentes das agro-pecuárias e resíduos industriais. girassol. o combustível líquido ou gasoso é inflamado nos cilindros de um motor de combustão. através de um sistema de arrefecimento. define o uso energético directo. • Energia Eléctrica: os sistemas que produzem energia mecânica. Algumas espécies de crescimento rápido quando jovens podem alcançar eficiências de conversão da energia solar em energia química de até 2%. com baixos custos de processamento. de trituração ou secagem. cuja única função seja a produção de calor. Para sistemas de combustão estacionários. sendo ainda de salientar que a fotossíntese é o único processo na Terra que fornece oxigénio aos organismos vivos. Dependendo da sua origem podemos classificar a biomassa em: • Culturas para fins energéticos: culturas cuja função é o armazenamento da radiação solar para armazenamento em forma de biomassa. geralmente num estado sólido agregado. A biomassa vegetal encontra-se. predominam os combustíveis sólidos.A torrefação da Biomassa para fins energéticos oxigénio gasoso (O2). A madeira. etc.) e em grande escala para produzir calor em centrais que. no que diz respeito à biomassa. Nestas. • Energia mecânica: A energia mecânica é produzida por meio de geradores de calor e energia. por meio de redes térmicas. causada pela combustão é então convertida em energia. na maior parte dos casos e por razões técnicas. tal como a palha ou resíduos de madeira permitem a redução dos custos dos produtos principais. Tem ainda uma forma geométrica e um teor de água que. como resíduos orgânicos. são acoplados a geradores eléctricos. • Sub-produtos orgânicos: o processamento da biomassa para a criação de outros produtos origina um grupo adicional de sub-produtos. Exemplos: colza. pode ser usada para geração de calor. Do processo resulta a criação de várias cadeias de carbono (hidratos de carbono). Em pequena escala o calor pode ser usado para aquecer uma habitação (Lareiras.

Estes são obtidos nas operações de retirada de lenha das florestas ou de processos da indústria madeira.2 Biomassa sólida A biomassa sólida como fonte os produtos e resíduos da agricultura (incluindo substâncias vegetais e animais). as árvores são derrubadas com o auxílio de máquinas. Quando os troncos redondos são transformados 5 . Grande parte da biomassa sólida tem origem em produtos a partir da madeira. parte do valor acrescentado do processamento da madeira é efectuado antes da madeira sair da floresta. retirar a casca escura da madeira e cortar o tronco em partes. Este método significa que. são recolhidos os resíduos de madeira de menor qualidade. Estas máquinas podem remover automaticamente os ramos do tronco. 1. o que demonstra o aumento da eficiência económica da cogeração (produção simultânea de calor e electricidade) em aplicações estacionárias. que utilizam um braço com uma serra eléctrica montada. Os recursos renováveis representam actualmente cerca de 20% do fornecimento total de energia no mundo. os resíduos da floresta e das indústrias conexas e a fracção biodegradável dos resíduos industriais e urbanos.A torrefação da Biomassa para fins energéticos utilização de energia mecânica para produção de energia eléctrica gera aproximadamente dois terços de calor. As fontes orgânicas que são usadas para produzir energias usando este processo são chamadas de biomassa. para além dos troncos das árvores utilizados na indústria do mobiliário e construção. para um terço de electricidade. No desbaste da floresta. com cerca de 14% proveniente de biomassa. Figura 1: Desbaste florestal Nas explorações florestais.

a palha e outros produtos deste tipo possuem características de combustão diferentes dos combustíveis lenhosos. Em muitos locais. Consequentemente. outros sub-produtos. como mobiliário deteriorado e madeira velha também podem ser valorizados energeticamente. Devido ao elevado teor de cinzas. de palha em centrais de cogeração.5 toneladas por hectare. estes resíduos são principalmente utilizados em centrais de fornecimento de calor de grandes dimensões e em centrais de cogeração. a partir da biomassa. Estes resíduos são ideais para reciclagem energética. Os resíduos de pós-colheita estão usualmente disponíveis a nível local e em grandes quantidades. Contudo. uma parte destes resíduos possui fragmentos de impurezas sendo a sua utilização inadequada como matéria-prima.4 . Um hectare de palha tem um teor de energia de 73 gigajoules. No entanto a sua reciclagem energética pode estar sujeita a regulamentação ou legislação que restrinja este aproveitamento devido a potenciais contaminações com substâncias tóxicas.8 toneladas de lenha seca. o que equivale aproximadamente a 2. podem ser obtidas. a maior parte destes é utilizada na indústria da madeira para outros materiais como aglomerados de madeira ou cartão de elevada qualidade. o ponto de fusão das cinzas e o comportamento de emissões da biomassa obriga a uma abordagem técnica diferente. Por cada hectare de floresta. são produzidas grandes quantidades de resíduos. a grande escala.A torrefação da Biomassa para fins energéticos em pranchas e vigas. Até à data. nomeadamente a palha ou o feno são usados para produzir energia. Na manutenção das florestas de uso permanente podem também ser recolhidos anualmente cerca de 1. Os materiais em fim de vida. a partir destes resíduos 0. tem sido apenas possível conseguir uma reciclagem energética. Figura 2: Resíduos e materiais de madeira em fim de vida.0. tintas ou algo similar.000 litros de gasóleo de aquecimento. No entanto. tais como químicos. 6 . Contudo.

As outras impurezas existentes. 1. e para a determinação do seu poder calorífico. matérias voláteis e cinzas). 44% de oxigénio.5% de azoto. é expectável que biomassa com maior teor de material volátil produza mais gases do que sólidos. Esta varia pouco conforme a espécie. o clima. 1.1 Análise imediata A análise imediata de um combustível determina a percentagem de matéria que se queima no estado gasoso (matéria volátil).3. sacos e outros resíduos conduzem a níveis elevados de substâncias tóxicas libertadas para a atmosfera pelo que a sua valorização deve ser devidamente controlada. Assim sendo. oxigénio e azoto) e da análise química através do cálculo do teor de celulose. conforme figura 3. que gera um teor elevado de cinzas. tais como embalagens de plástico. enquanto que os teores em matéria volátil e cinzas têm uma relação negativa com o futuro rendimento em carvão. hemicelulose e lignina. Existe uma relação positiva entre o carbono fixo da biomassa e o posterior rendimento em carvão.2 Análise elementar A composição elementar da Biomassa é essencial para a análise dos processos de combustão. ar e entalpia. folhas e troncos.1% a 0.3 Composição da Biomassa A composição da Biomassa varia de acordo com diversos factores. 6% de hidrogénio e 0. e os seus valores rondarão os 50% de carbono. Pode ser determinada através da análise imediata (teor de carbono fixo. nomeadamente por causa das quantidades de solo que geralmente existem na mistura. a localização geográfica ou o tipo de planta.A torrefação da Biomassa para fins energéticos Existem ainda outras fontes de resíduos de madeira como a recolhida durante as actividades de gestão do território. tendo grande utilidade no cálculo dos volumes de gases. nitrogénio. nomeadamente em trabalhos de manutenção nas estradas e dos trabalhos em parques florestais e jardins. O teor energético destas misturas é relativamente baixo. e é muito importante para a compreensão do seu comportamento face aos diferentes tratamentos térmicos. devido ao grande número de impurezas. através da análise elementar (teor de carbono. no estado sólido (carbono fixo) e da matéria inorgânica (cinzas). 1. A utilização energética serve também como um meio para a eliminação destes resíduos. Estes resíduos de madeira são geralmente uma mistura de madeira. 7 . humidade.3. como o tipo de solo.

em base seca e sem cinzas 1. composto por glicose. e também (em quantidades muito inferiores) lípidos. hidrocarbonetos e cinzas.3 Composição Química A Biomassa apresenta na sua composição (Figura 4) essencialmente celulose. Figura 4: Composição química da Biomassa 8 . muito resistente à deterioração biológica. enquanto que a lignina é um polímero não hidratado. proteínas. A hemicelulose por seu lado.3. A celulose é um hidrato de carbono complexo. hidrogénio (H). e é o que lhe dá a sua rigidez. é um polissacarídeo presente na parede das células vegetais. é o principal componente da parede das células. oxigénio (O) e azoto (N). hemicelulose e lignina. Percentagens de carbono (C).A torrefação da Biomassa para fins energéticos Figura 3: Análise elementar da Biomassa. açúcares simples.

O processo mais comum é a combustão tanto para a produção de calor. não contribui para o aumento do efeito de estufa • É uma fonte de energia barata e encontra-se em todo o lado • Menor corrosão aos equipamentos. a sua capacidade de absorver água • É pouco homogéneo. Alguns dos produtos disponíveis no mercado são: • Pellets . como caldeiras ou fornos • Pode ser usada em processos de co-combustão • Dá uma boa resposta aos picos de procura.4 Vantagens e Desvantagens da Biomassa A utilização da Biomassa para fins energéticos tem as suas vantagens e desvantagens. o que pressupõe segurança no abastecimento Desvantagens da Biomassa: • Tem uma baixa densidade energética (10 a 17 MJ/kg) • Tem um elevado teor de humidade (cerca de 50%) • O seu comportamento higroscópico. eventualmente por um processo de conversão em produto. Esta transformação permite um aumento da eficiência de muitos processos.A torrefação da Biomassa para fins energéticos 1. um aumento do fluxo favorável e melhoria de propriedades de combustão. como para a produção de energia eléctrica. as quais serão apresentadas de forma sucinta: Vantagens da Biomassa: • É uma fonte renovável • É neutra em carbono. o que lhe confere uma elevada capacidade energética permitindo que os sistemas de aquecimento obtenham autonomias equivalentes a sistemas com fontes de energia fóssil. através da conversão termoquímica. ou seja. neste último caso habitualmente em sistemas de cogeração.5 Processos de conversão e tecnológicos da Biomassa sólida O processo de conversão da biomassa sólida em energia passa primeiro pela recolha dos vários resíduos de que é composta.São formas mecanicamente estáveis de pó e serradura de madeira compactada. seguido do transporte para os locais de consumo onde se faz o aproveitamento energético. tais como. apresenta-se na natureza em muitos tamanhos e formas diferentes • O processo de estilhaçamento e corte é difícil e dispendioso • Alto teor de matéria volátil (cerca de 70% a 80%) • Emite nanopartículas 1. As pellets têm a vantagem do seu tamanho ser normalizado o que 9 . ou seja.

Fardos de palha . Durante o processo de manufactura. mesmo para gamas baixas até 50 kW. os briquetes de madeira atingem valores quase idênticos aos briquetes de lenhina. com um máximo de 0. que não se conseguem remover da madeira velha. a madeira é serrada em peças com 25 cm.5% de teor de cinzas. os toros não são adequados para a combustão automatizada. para optimizar a área de superfície para combustão e para facilitar a secagem da madeira. A principal área de aplicação dos fardos é a produção de calor. Este pode ser produzido eficientemente em sistemas de combustão de tamanho pequeno (de 3 kW) e médio (cerca de 100 kW).A torrefação da Biomassa para fins energéticos • • • • permite o fabrico de caldeiras de biomassa. As impurezas na forma de plásticos ou tintas. até se obter um teor de água inferior a 10%. cortador cilíndrico e cortador de parafuso) e utilizadas normalmente em sistemas de aquecimento automatizado com potências superiores a 50 kW.É a forma tradicional de preparação da madeira para fins energéticos. Estes fardos têm um comprimento entre 120 cm e 150 cm e atingem densidades de armazenamento até 120 kg/m3. O seu uso é restringido a caldeiras de madeira. e em grandes centrais térmicas (cerca de 10 MW). Por causa da sua falta de uniformidade. Neste caso também se utiliza madeira sem casca. dependendo da maquinaria disponível. para os quais os fabricantes optimizam as geometrias das câmaras de combustão. a madeira é dividida. alimentadas manualmente. Por esta razão. tornam os briquetes de madeira num combustível ideal para sistemas de combustão pequenos.1% do teor de energia total. tais como fornos. Os separadores mecânicos de toros requerem menos de 0. As estilhas de madeira têm de ter como fonte madeira pura. Um bom toro de madeira deve ter um teor de água menor que 20 %. A produção de toros é a forma energeticamente mais eficiente de preparação de madeira. conduzem ao aumento de emissão de poluentes e do teor de cinzas.são prensados do mesmo modo que as pellets. o seu uso em caldeiras sem purificação do gás de exaustão é geralmente proibido. Briquetes de madeira . alimentados manualmente. normalmente em quatro partes ao comprido. Toros . Estes produtos podem ser transportados com mecanismos convencionais como transportadores em parafuso ou equipamento de sucção. como produto de biomassa. Os fardos redondos.5 MJ/kg. completamente automáticas.a palha e outros produtos de ramagem são convertidos em fardos compactados e em rolos. Os fardos rectangulares têm comprimentos de 80 cm a 250 cm. queimadores de madeira e fornos cerâmicos. boas propriedades de calor do material de madeira compactado e os baixos resíduos. a partir das estilhas de madeira e serradura. Com um poder calorífico de 18. podem ser produzidos com diâmetros de 60 cm a 180 cm. a madeira tem de secar. através de cortadores mecânicos (cortador. Uma elevada densidade de energia. 33 cm e 50 cm ou 100 cm de comprimento. larguras de 30 cm a 120 cm e alturas de 30 a 130 cm e densidades de armazenamento de 130 a 160 kg/m3. Neste processo. Estilhas de madeira . 10 .são produzidas a partir de resíduos do processamento de madeira. Depois de ser cortada no comprimento desejado.

consiste em transformar a biomassa em estilhas no espaço florestal utilizando estilhaçadores móveis de pequenas dimensões. • Sistema Feller-buncher . Hoje em dia começa a ser um método ultrapassado. tipo de povoamento. As principais operações que se podem levar a cabo nos parques de prétratamento são: armazenamento da matéria-prima. As principais tecnologias são: • Recolha em Natureza . os custos são bastante elevados.A torrefação da Biomassa para fins energéticos Na biomassa sólida são utilizadas diferentes tipos de tecnologias associadas às várias etapas do processo de aproveitamento da mesma e condicionadas por vários factores como a densidade e estado da rede viária. impacte ambiental que possam causar. • Aproveitamento da árvore inteira . culturas energéticos. devido à baixa densidade no transporte. As enfardadeiras são sistemas de recolha de restos florestais que têm por princípio a compactação dos materiais.neste processo.5 ou 10 anos) ou do tamanho dos resíduos. características dos centros de consumo. • Enfardamento da biomassa . consiste basicamente no corte e um primeiro ajuntamento de árvores inteiras. Posteriormente a biomassa é transportada para as unidades finais. espécie. é possível optimizar o armazenamento e o transporte e permitir recolha dos restos de ramos e bicadas deixados no solo após a operação de corte das árvores. povoamentos de baixa rentabilidade. o que traz grandes vantagens em relação ao transporte em natureza. sendo fruto de desbastes.o método “full-tree” – fuste inteiro. com cortador empilhador 11 .1 Tecnologias na recolha e transporte Na recolha e transporte da biomassa são utilizadas diversas tecnologias mecanizadas dependendo da idade das árvores (2. a compactação dos materiais enfardados. As árvores processadas neste sistema têm baixo valor económico.nestes parques a biomassa chega em natureza e sofre uma transformação que vai de acordo com a necessidade das características do material. Desta forma. As árvores são aproveitadas para a obtenção de estilha. • Processamento em estilha no local . uma vez que.5.: 1. características físicas do terreno. eficiência. nem de estilhaçamento. etc. em forma de estilha. árvores de áreas de cortes antecipados ou danificados por incêndios.este método tem como princípio.O método consiste em recolher e efectuar o transporte da biomassa sem que esta passe por processo de compactação. ou unidades intermédias. vendavais ou pragas e doenças. Estes procedimentos permitem a secagem natural melhorando as propriedades da biomassa florestal. ao contrário do que se verifica nos casos anteriores. a biomassa utilizada corresponde ao fuste inteiro. trituração e secagem natural ou forçada. • Parques de pré-tratamento .

na forma de vapor de água. ou ainda a queima directa (Combustão) em lareiras (lenha) para a produção directa de calor. postes.2 Tecnologias no armazenamento O seu armazenamento pode ser feito em pilhas curtas. quando necessitam de calor. Os sistemas de armazenamento modernos indicam à caldeira. O processo de combustão é o principal processo de conversão das fontes de biomassa sólida para extracção da energia contida na mesma. pilhas longas. Isto ajuda a reduzir o desgaste da caldeira e a minimizar o número de combustões parciais. 1. montes de estilhas ou serrilha. flexíveis e reajam rapidamente a requisitos de calor e. Em condições ambientais normais a biomassa não é auto-inflamável. seguido de rechega para pilha com ajuntador “skidder”. O sistema de armazenamento permite que sistemas de aquecimento a madeira sejam. ou centrais de cogeração para a produção de energia eléctrica e de água quente. de modo a rentabilizar todo o processo de colheita e transporte da biomassa à fábrica. estilhaçamento das árvores com estilhaçador de facas e transporte à fabrica com camiões contentores «tipo banheira».Neste processo.Acima dos 100ºC inicia-se a vaporização da água existente no combustível. móvel ou inclinada e de leito fluidizado (Liquefacção).A torrefação da Biomassa para fins energéticos florestal “whelled feller-buncher”. A tecnologia de estilhagem da madeira proporciona redução de custos tanto na recolha como no transporte.quando os sistemas de combustão são alimentados.5.3 Tecnologias na conversão As tecnologias de aproveitamento do potencial da biomassa solida passam essencialmente pela queima em centrais térmicas com tecnologias como: de grelha fixa. prolonguem os intervalos de combustão. tais como o 12 .5. através de um interruptor de fim de curso. por outro lado. os combustíveis sólidos estão geralmente à temperatura ambiente. Isto permite que os intervalos de combustão da caldeira sejam coordenados e que o número de sequências de inflamações na caldeira seja reduzido. Os produtos que surgem são gases e compostos líquidos de alcatrão. Com este sistema pretende-se executar o mínimo de operações possíveis na exploração. pelo que a extracção de energia passa por um processo de conversão termoquímica complexo: • • • Aquecimento (<100ºC) . este sistema é utilizado para o aproveitamento da biomassa nas culturas energéticas lenhosas. Decomposição pirolítica (entre 150ºC e 230ºC) . Antes que as reacções possam começar. por um lado. os componentes de cadeia longa dos combustíveis sólidos são quebrados em compostos de cadeia curta. 1. o combustível sólido necessita ser aquecido. Devido ao seu alto rendimento. paletes. Secagem (entre 100º C e 150º C) . Esta liberta-se do combustível.

Isto torna mais fácil a saída de calor dos sistemas de combustão. que tomam a forma de uma chama visível. À medida que a combustão prossegue. Os poluentes devidos à combustão de fontes de biomassa sólida podem ser divididos em duas classes: • • Poluentes resultantes de combustão incompleta: monóxido de carbono (CO). Contudo. e uma zona de combustão suficientemente grande. são libertados poluentes dos biocombustíveis sólidos. produz-se monóxido de carbono combustível. um bom controlo de processo pode eliminá-los. através das várias etapas do processo. A gaseificação do carbono sólido é exotérmica e liberta luz e calor. sob a influência do dióxido de carbono (CO2). sob a influência do oxigénio. Os sistemas de combustão modernos. com uma via separadora do ar primário e secundário. A divisão e redução do tamanho da lenha cria condições ideais para que decorra uma combustão de baixas emissões. carbono (C). Uma vez atingido o ponto de inflamação (cerca de 230ºC) iniciam-se as reacções exotérmicas (libertação de calor) com a entrada de oxigénio.A torrefação da Biomassa para fins energéticos monóxido de carbono (CO) e hidrocarbonetos gasosos (CmHn). representa o fim da reacção de combustão para os combustíveis sólidos. ocorre combustão espontânea. A superfície exterior da madeira pode ser inflamada a cerca de 300ºC e. Gaseificação do carbono sólido (entre 500ºC a 700ºC) . A decomposição pirolítica da madeira não necessita de oxigénio.400ºC) .A decomposição térmica do combustível sem água.Nesta fase.a oxidação de todos os gases combustíveis. antes de escaparem para o ambiente. resultantes das etapas do processo precedente. A gaseificação tem lugar na chama de um fogo de combustível sólido. criam as condições certas para a existência baixas emissões de combustão. Ao reduzir o tamanho dos combustíveis aumenta-se a superfície específica para que as reacções tenham lugar existindo a possibilidade de uma conversão mais rápida do combustível. Sob a influência do ar secundário. as fases de arranque e queima do combustível são minimizadas. A superfície de reacção disponível tem um papel importante na velocidade dos processos. vapor de água existente e oxigénio (O2). e podem ser projectados sistemas de armazenamento de calor mais precisos. Os processos anteriores são endotérmicos (absorção de calor). 13 . inicia-se a um ponto de inflamação de cerca de 230ºC. efectua-se a combustão completa e limpa da mistura de gases. hidrocarbonetos e compostos de alcatrão (CmHn) e partículas não queimadas. Existem ainda os processos de: • • • Gaseificação do combustível sem água (entre 230ºC e 500ºC) . a partir dos 400ºC. Poluentes resultantes de combustão completa: óxidos de azoto (NOx) e monóxido de carbono residual (CO). Oxidação dos gases combustíveis (entre 700ºC a cerca de 1. na qual.

durante a etapa de pirólise formam-se gases. Neste processo a biomassa sólida que é composta. A Gaseificação trata-se do processo de conversão da biomassa sólida num gás (producer gas ou gás pobre). pela combustão parcial dos produtos da pirólise. Gaseificação . aproveitando-se a temperatura ali existente.é liberada a energia necessária ao processo. em quantidades inferiores à estequiométrica (mínimo teórico para a combustão). A energia térmica é utilizada como fonte de calor para processos em geral. basicamente. a redução dos níveis de poluição do solo e água. Na sua maioria o carvão vegetal é composto por lignina uma vez que os outros componentes praticamente se degradam durante o processo de carbonização. a co-combustão apresenta vantagens. impedindo a combustão total. permitir diminuir os níveis de emissão de poluentes associados à composição típica destes combustíveis como os óxidos de enxofre. contudo a operação com madeira seca é mais eficiente. Na realidade este processo é composto por três etapas básicas: • • • Secagem . briquetes ou cilindros de biomassa. o qual tem uma densidade energética superior à biomassa original (duas vezes maior que aquela do material de origem). hemicelulose e lignina. onde a biomassa sólida é queimada com baixo teor de ar. por carbono. oxigénio e hidrogénio. frio ou calor). a partir de uma mesma fonte primária de energia. Comparativamente à queima isolada de carvão ou biomassa. ou mais convencionalmente em energia eléctrica através de geradores de electricidades. vapor de água. A matéria-prima pode ser serradura. por meio de reacções termoquímicas. entre as quais se destacam a redução do total de emissões por unidade de energia produzida. O resíduo sólido resultante é o carvão vegetal. A energia mecânica pode ser utilizada na forma de trabalho. A co-combustão da biomassa encontra-se habitualmente associada à combustão de biomassa e carvão para a produção de energia. os metais pesados ou as dioxinas e furanos. Pirólise ou carbonização .a secagem ou remoção da humidade pode ser feita quando a madeira é introduzida no gaseificador. a minimização de desperdícios e. após reacções químicas complexas transforma-se em três compostos de estrutura relativamente complexa: celulose. A Densificação é um processo de compactação da biomassa que consiste na aplicação de pressão a uma massa de partículas com ou sem a adição de ligantes ou tratamento térmico. A Carbonização (Pirólise) é um processo de conversão termoquímica da biomassa a temperaturas médias (na ordem dos 300ºC). vapor de alcatrão e carvão. 14 . As formas de energia útil mais frequentes são a energia mecânica (movimentar máquinas.A torrefação da Biomassa para fins energéticos A Cogeração é um processo de geração simultânea de energia térmica e mecânica. dependendo da composição química da biomassa utilizada. resíduos florestais ou partículas de carvão vegetal. equipamentos e turbinas de geração de energia eléctrica) e a térmica (geração de vapor. A partir deste processo de conversão podem ser obtidos produtos como pellets.

15 .produção de gás de síntese. hidrogénio. Esta pode ser: • • Directa . portanto. conhecida como gás de síntese ou syngas.A torrefação da Biomassa para fins energéticos O gás resultante é uma mistura de monóxido de carbono. dióxido de carbono e nitrogénio. entretanto. sendo. se é utilizado ar ou oxigénio na oxidação.a reacção dá-se numa atmosfera redutora de hidrogénio ou mistura de hidrogénio e monóxido de carbono. metano. do teor de humidade e do tipo de biomassa utilizada. CO + H2. O líquido mais comum é a água. cujas proporções variam dependendo das condições do processo. 100 a 200 Atm e temperaturas de 400 a 600ºC. podem-se empregar meios orgânicos. formando uma suspensão com 10% a 30% de sólidos. que pode ser usado na síntese de qualquer hidrocarboneto. do tipo de gaseificador. transformá-lo em metanol ou hidrocarboneto. Usam-se altas pressões. rica em hidrogénio e monóxido de carbono. com catalisador. por gaseificação e. A biomassa é triturada em uma faixa granulométrica escolhida e misturada com algum solvente. Algumas variações do processo produzem uma mistura gasosa especial. A Liquidificação é um processo de conversão da biomassa sólida em produtos maioritariamente líquidos. uma forma de pirólise. Indirecta .

cerca de 200 a 300 °C. a biomassa começa a sofrer degradação térmica com a libertação de dióxido de carbono. seguida da decomposição da hemicelulose. Um desses pré-tratamentos é a torrefação. desenvolveram-se alguns tipos de pré-tratamentos (secagem. Por isso. pois a esta temperatura as reacções passam a ser exotérmicas e começa a produção de carvão. de modo a minorar algumas das desvantagens que a mesma apresenta. a evaporação da humidade. a que se segue a decomposição da lignina e por fim a decomposição da celulose. pela ausência total ou parcial de agentes oxidantes (ar) e tempos de permanência elevados (entre 1 a 2 horas). sendo que se pode considerar uma média de 30% de perda de massa e 10% de perda de poder energético (figura 5). À temperatura a que ocorre a torrefação. ácido acético e alguns compostos fenólicos. tornando-a assim mais competitiva em termos energéticos. a biomassa torrificada é um estado intermédio entre a biomassa original e o carvão. Torrefação Devido ao elevado potencial da Biomassa como fonte de energia. torrefação ou pirólise) a serem dados à Biomassa antes do processo de combustão. O que diferencia a torrefação da carbonização é o carácter endotérmico das reacções que ocorrem na biomassa. Tal como referido no parágrafo anterior. são libertados alguns compostos voláteis de menor poder calorífico e mais sensíveis ao aquecimento.A torrefação da Biomassa para fins energéticos 2. Dos 180 °C em diante. bem como o seu teor de humidade e a hemicelulose contida é bastante degradada. dos 3 principais compostos da biomassa. Figura 5: Balanço mássico da Biomassa antes e depois do pré-tratamento de torrefação A torrefação desenvolve-se em 4 fases distintas. A torrefação é um método recente que produz um combustível com melhores propriedades energéticas do que a biomassa original e caracterizase pelo aquecimento da biomassa a temperaturas baixas. o primeiro a degradar-se é a 16 . sendo o limite perto dos 300 °C. em ambiente inerte.

para cada combinação obtêm-se produtos de diferentes propriedades energéticas. Diminuição da higroscopicidade. 17 . Podemos então considerar como propriedades da biomassa torrefeita: • • Um aumento do poder calorífico (20-25 MJ/kg). podemos considerar que os objectivos da torrefação são cumpridos. pois não existem gastos de energia associados para a evaporação da água. Isto acontece porque os teores de voláteis e de carbono fixo variam consoante a temperatura e o tempo de exposição à mesma. é um processo que visa diminuir as desvantagens que a biomassa apresenta no seu estado inicial. Figura 6: Alterações à biomassa durante o aquecimento 2. pois reduz-se a massa e mantém-se os voláteis de alto teor energético. que inicia a sua degradação aos 225 °C e é através desta que a torrefação consegue produzir um combustível com maior densidade energética (figura 6). As propriedades da biomassa torrefeita variam conforme a temperatura e o tempo de exposição a que esta é sujeita. Assim. Em termos energéticos garante melhores resultados na geração de energia térmica. e depois de observarmos as propriedades da biomassa torrefeita.1 Propriedades da biomassa torrefeita A torrefação. por isso.A torrefação da Biomassa para fins energéticos hemicelulose. sendo um pré-tratamento dado à biomassa.

a biomassa torrefeita apresenta características hidrofóbicas (aversão à água) o que permite a sua armazenagem por períodos mais longos sem o receio de existir um aumento da humidade. Por um lado reduz a energia necessária aos processos de corte. A torrefação conduz a um enfraquecimento das características mecânicas da biomassa torrefeita e isso faz com que fique mais quebradiça e se desfaça com mais facilidade.2 Utilizações da biomassa torrefeita As características da biomassa torrefeita dependem essencialmente da temperatura a que está sujeita durante o processo de torrefação e do tempo de exposição a essa temperatura. A biomassa torrificada apresenta uma menor relação oxigénio/carbono. tradicionalmente utilizada neste processo. Redutor na indústria metalúrgica. pois existe um aumento da superfície específica do combustível. e também na cocombustão. propriedade da biomassa em criar finos (pó). juntamente com carvão. tem um poder calorífico superior ao da biomassa no seu estado natural e liberta menos fumo durante a combustão. através da queima em caldeiras para a produção de vapor. 18 . De entre as diversas utilizações passíveis de serem rentabilizadas pelo uso da biomassa torrefeita. Combustível de uso industrial. O tipo de biomassa original também altera as características dos produtos torrefeitos. o que reduz os seus custos de transporte e armazenamento. A padronização da biomassa torrefeita facilita a regulação e a optimização do processo de gaseificação.A torrefação da Biomassa para fins energéticos • • • • Ao contrário do elevado grau de higroscopicidade apresentado pela biomassa original. Pode ser utilizado para a produção de energia eléctrica. o que traria benefícios ambientais. de fácil arrumação e manuseamento. promove um aumento da sua densificação energética. devido ao seu alto teor de carbono fixo. 2. Aumento da friabilidade. obtendo-se um gás mais limpo do que se for utilizado carvão. É barato. em comparação com a mistura de carvão e madeira. Devido às suas propriedades. A padronização da biomassa torrefeita faz desta um produto altamente competitivo. a biomassa torrefeita apresenta-se como uma melhor solução para redutor na indústria metalúrgica. Uso em gaseificadores. destacamos: • • • • Combustível de uso doméstico. A torrefação de madeira promove produtos mais sólidos do que a torrefação de resíduos agrícolas. e por outro a queima da biomassa em forma de finos é mais eficiente. Ao perder cerca de 30% da sua massa. estilhaçamento e pulverização.

princípio da década de 1940. em processo contínuo 19 . a transferência de calor dá-se por condução através do contacto da biomassa com as paredes do reactor.3 Tecnologias de torrefação de biomassa Na generalidade. Durante o processo contínuo (figura 7). processo contínuo e processo por batelada. A torrefação é normalmente conhecida como fazendo parte do processo de produção de café. Durante toda a década de 1940 surgiram diferentes tecnologias para produzir combustíveis torrificados. Com o fim da guerra e com a baixa de preço dos produtos petrolíferos. faz-se um prétratamento. através do desfibramento da madeira. visto o aquecimento ser feito a temperaturas baixas e à pressão atmosférica. as principais potências mundiais começaram a dar uma maior importância ao desenvolvimento de vários tipos de energia renovável. O gás da torrefação é recirculado para a caldeira de secagem. Os principais processos instalados no início eram essencialmente de 2 tipos. havia uma necessidade de procurar alternativas aos derivados de petróleo e a torrefação surgiu como forma de melhorar as características da madeira utilizada nos gasogéneos. período da 2ª Guerra Mundial. enquanto que para utilizações energéticas começou em França. nomeadamente a torrefação de biomassa. Para este processo. a torrefação caiu em desuso.A torrefação da Biomassa para fins energéticos 2. em que a biomassa é seca e triturada em tamanhos inferiores a 10 mm. torrefação e posterior aglomeração ou briquetagem. no final da década de 1930. até que nas décadas de 1970 e de 1980. o forno é rotatório e pode atingir uma produção de 12000 toneladas anuais. Figura 7: Sistema desenvolvido pela Pechiney metalúrgica. depois de uma nova crise petrolífera (1973). Nesta altura e por força das circunstâncias. que posteriormente produziriam gás. a torrefação de biomassa é um processo que não envolve tecnologias muito complexas e dispendiosas. desidratação.

um para secagem e outro para torrefação e tem uma produção de 2000 toneladas por ano. forçando a passagem dos gases quentes através desta. Neste sistema existem 2 fornos. É um processo contínuo que permite a torrefação de peças maiores de biomassa.A torrefação da Biomassa para fins energéticos O processo de batelada (figura 8) caracteriza-se pela transferência de calor por convecção do gás de combustão através da carga de biomassa. em que o reactor consiste num cilindro dentro do qual é colocada a biomassa. por Farges Habermann. Dentro do aquecedor circulam gases quentes da combustão que proporcionam o calor necessário para o processo de torrefação. pesquisadores da Transnational Technology. em que o vapor gerado pela humidade da biomassa é extraído do forno e o seu conteúdo energético é recuperado. pois aquece a biomassa através de vapor superaquecido. desenvolveram um método de torrefação chamado Airless Drying (figura 9). sendo esta seca e transformada em biomassa torrefeita. Figura 8: Sistema desenvolvido pela empresa Pillard por processo de batelada Foi desenvolvido um sistema semelhante. O vapor superaquecido à pressão atmosférica é recirculado entre um aquecedor e a biomassa. gerando eficiências no processo na ordem dos 86%. que dispensa o calor perdido no ar pelos secadores convencionais. também através do processo de batelada. partindo de 1. com transferência de calor por convecção. mas a secagem e a torrefação ocorrem no mesmo forno. 20 . Mais recentemente. A Transnational Technology afirma que através deste sistema geram 1 KJ de biomassa torrefeita.08 KJ de biomassa no seu estado natural. Opera em pequena escala e tem uma capacidade de produção de 500 toneladas por ano.

Figura 10: Sistema conjunto de torrefação e compactação 21 . Uma das alternativas é associar o processo de torrefação a outros já conhecidos.A torrefação da Biomassa para fins energéticos Figura 9: Sistema de torrefação Airless Drying Apesar do potencial destas tecnologias são poucos os casos em que existe produção a larga escala. de modo a criar sinergias. Podemos ver na figura 10. destacando desta forma o processo de torrefação. um esquema conjunto de torrefação com compactação (pelletização). como a gaseificação. a compactação (pellets e briquetes) ou a co-combustão.

um longo caminho a trilhar no sentido de se estudar formas mais rentáveis e eficientes de utilização da biomassa. como a torrefação. 22 . a biomassa proveniente de resíduos florestais são uma boa oportunidade no curto prazo. mas carece ainda de investimento em infra-estruturas e tecnologia.A torrefação da Biomassa para fins energéticos 3. na produção de energia. e de um quadro de apoio governamental sério. Existe contudo. Em termos de oferta. visto a biomassa ser uma fonte neutra em carbono. O desequilíbrio entre a oferta e a procura de biomassa para fins energéticos começa a ser combatido com a introdução de pellets e outros produtos que após alguns pré-tratamentos. Isto faz com que os custos de armazenagem e transporte sejam mais baixos e provoca um aumento de competitividade desta indústria em relação a outras que operam no mercado das energias. As metas impostas pela União Europeia no sentido de baixar as emissões de carbono podem dar um contributo decisivo ao sector. Conclusão A biomassa pode ser uma boa alternativa aos combustíveis fósseis oriundos de fontes não renováveis. que vá de encontro às expectativas de quem quer apostar no sector. aumentam o seu poder energético e diminuem a sua densidade.

2003. Universidade de Aveiro. A torrefação como condicionamento da biomassa para a gaseificação. Influência da composição da biomassa no rendimento em condensáveis do processo de torrefação. Universidade de engenharia mecânica. Francisco. 2009. Ana Catarina. 2013. Mafalda. Aveiro. F. 2013. Viegas. Mário e Costa. Manuel. Universidade de Brasília. Escola de Combustão. Macedo. Biomassa. Torrefação de Biomassa.energiasrenovaveis. Faculdade de Ciências e Tecnologia. São José dos Campos. Efeitos da Torrefação no Condicionamento de Biomassa para Fins Energéticos. Caracterização de vários tipos de Biomassa para valorização energética.com Costa. Avaliação de métodos de pré-tratamento na gasificação da Biomassa. Lucélia. viabilidade técnica e potencial de mercado. 2009. Universidade de Brasília. Campinas. 23 .A torrefação da Biomassa para fins energéticos 4. Universidade Nova de Lisboa. Faculdade de Engenharia Mecânica. Nogueira. Bibliografia Website – www. Departamento engenharia florestal. Ferreira. Felfli. Conversão de Biomassa vegetal em potência e calor. Departamento de Engenharia Mecânica. Thiago. Departamento de Engenharia Florestal. 2013. Rousset e Commandré. 2012. Rodrigues. torrefacção e pellets – apresentação em Powerpoint. São Paulo. Lisboa. Universidade Federal do Pará.