Nietzsche e a educação: autonomia, cultura e transformação

Marcos de Camargo Von Zuben 
Rodolfo Rodrigues Medeiros
Data de submissão: 13 fev. 2013
Data de aprovação: 23 abr. 2013
Resumo
O presente artigo promove uma reflexão acerca do papel e da finalidade da
educação tendo por base o pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche
(1844 - 1900). Partir-se-á da crítica nietzschiana ao sistema educacional alemão de
sua época. Num segundo momento, serão expostas suas reflexões acerca da
autenticidade de conceitos como autonomia, liberdade e cultura. Por fim, será
discutido o papel da educação nietzschiana. Voltada para a autossuperação, nela a
cultura é tratada como um fim e não como um meio.
Palavras-chave: Autonomia. Educação. Cultura. Nietzsche. Transformação.
This article promotes a reflection about the role and purpose of education based
on the thought of German philosopher Friedrich Nietzsche (1844-1900). It shall
be from the Nietzsche’s censure to the German educational system of his day. In a
second moment, will be exhibited his reflections about the authenticity of concepts
such as autonomy, freedom and culture. Finally, it will be discussed the role of
Nietzschean education. Facing the self-overcoming, for her the culture is treated

as an end and not a means.
Keywords: Autonomy. Education. Culture. Nietzsche. Transformation.

Doutor em Filosofia pela Unicamp, professor adjunto do departamento de
filosofia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte/UERN. Apoio MCT/CNPq
e Governo do Estado do Rio Grande do Norte/FAPERN (E-mail: zuben@uol.com.br).

Graduado (Licenciatura) em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio
Grande do Norte/UERN, Campus Caicó - CaC. Atualmente, leciona filosofia para alunos
do Ensino Médio no Colégio Diocesano Seridoense (CDS), instituição da rede privada de
ensino da cidade de Caicó/RN (E-mail: rodolfo.caico@hotmail.com).

Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia, Caicó-RN, ano VI, n. 1, p. 71-93, jan.-jun. 2013. ISSN 1984-5561.

72
Introdução
A educação é um tema que sempre mereceu a atenção de inúmeros
filósofos, desde Platão (427 – 347 a.C.), Aristóteles (384 – 322 a.C.), JeanJacques Rousseau (1712 – 1778) a Immanuel Kant (1724 – 1804) etc. Tal
temática também foi objeto de crítica e reflexão do filósofo alemão
Friedrich Nietzsche (1844 – 1900), e o presente trabalho irá apresentar
algumas das ideias relacionadas à concepção educacional de tal filósofo.
Para tanto, serão expostas as críticas feitas por Nietzsche à educação de seu
tempo, posteriormente discutir-se-á sobre o problema que ele apresenta
com relação à autenticidade de conceitos como autonomia, liberdade e
cultura, que também podem ser considerados conceitos estruturadores das
bases educacionais contemporâneas, chegando, por fim, aos objetivos da
educação para o mesmo.
Tal empreendimento será feito tendo como fundamento principal a
obra: Escritos sobre Educação, essa obra contém as conferências proferidas por
Nietzsche na Basileia, sob o título de Sobre o Futuro dos Nossos Estabelecimentos
de Ensino, e inclui também sua III Consideração Intempestiva: Schopenhauer
Educador. Aqui se optou pela escolha dessas obras porque elas se
complementam e, de certa forma, uma dá continuidade às discussões
iniciadas na outra. Pois, afirma-se que para elaborar a III Consideração
Intempestiva, Nietzsche utiliza-se de: “[...] anotações que fizera para a sexta
e a sétima conferências, não proferidas, Sobre o Futuro dos Nossos
Estabelecimentos de Ensino” (DIAS, 2003, p. 43).
Para melhor compreender as críticas imputadas por Nietzsche ao
sistema educacional alemão de seu tempo é preciso saber qual é o tempo, o
período histórico em questão. Dessa forma, faz-se necessária a promoção
de uma pequena contextualização histórica acerca da Alemanha vivenciada
por Nietzsche. No entanto, vale ressaltar que a “Alemanha de Nietzsche”
corresponde à Alemanha da segunda metade do século XIX e nessa fase o
país sofreu profundas alterações no setor sócio-político-econômico, dessa
forma, para entender essas mudanças é necessário empreender um recuo
histórico ainda maior. Então, será feita uma breve explanação sobre o
período histórico que antecedeu a “Alemanha de Nietzsche”.
Breve contextualização histórica
No período correspondente ao século XVII e início do século
XVIII a Alemanha era um país totalmente fragmentado, cuja economia era
Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia, Caicó-RN, ano VI, n. 1, p. 71-93, jan.-jun. 2013. ISSN 1984-5561.

] constitui-se. então. A unificação foi liderada por Otto von Bismarck. Porém. ele também ficou conhecido como Chanceler de Ferro.1824) iniciou uma reforma no ensino secundário alemão. por vezes. preparasse a população para atender às novas necessidades 1 O processo de unificação da Alemanha foi concluído em 1871. a Prússia tratou de elaborar uma estratégia capaz de assegurar com que os diversos Estados alemães permanecessem ao seu redor e. Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. a educação alemã passa a ser baseada no ensino da Filologia que “[. O poder está nas mãos dos príncipes que regem livremente a política territorial e os negócios estrangeiros. esse modelo educacional não durou muito. [.-jun. garantir uma educação que habilitasse. acha-se no século XVII esfacelado em 300 Estados independentes e autônomos. 2013. ISSN 1984-5561. que apresentavam ideais. assegurar a permanência dos intelectuais alemães no território alemão bem como favorecer o surgimento de uma classe intelectual com um pensamento de caráter nacionalista. desempenha suas tarefas com cega obediência (MARTON.. Friedrich August Wolf (1759 . p. que devido ao desenvolvimento da indústria passaria a construir uma economia capitalista. Com essa reforma. cada cidadão tem uma função determinada e. ano VI. Caicó-RN. restrições sociais. tentando promover. os intelectuais alemães se viram forçados a deixar seus Estados de origem e se lançarem para outras nações. pensamento de cunho cosmopolita. Mas..] ela permite que se ensine aos jovens as línguas clássicas e ao mesmo tempo a eles se proponha um modelo estético e moral inspirado na antiga Grécia” (MARTON. Ela era constituída por estados independentes. . por sua vez. que era o estado detentor da principal força bélica alemã e grande responsável pela unificação do país. 2008. autônomos e.. 1. como ‘ciência da Antiguidade’. rivais entre si. Esse desinteresse pela formação humanista se deu principalmente por causa da alteração dos interesses econômicos do país. logo após a vitória alemã na Guerra Franco-Prussiana. ao mesmo tempo. 71-93. n. 2008. Neste contexto fortemente marcado por limitações. Tal mudança educacional foi fortemente influenciada pelas ideias neohumanistas. no qual irá constituir-se a nação alemã. É interessante observar que: O território. jan. que. Com o fim do processo de unificação 1. 29). p. 25). que na época era o primeiro-ministro prussiano. constituindo-se assim numa classe de intelectuais cosmopolitas. sem tomar iniciativas. pois em 1830 o ideário neo-humanista deixa de ser levado em conta pela Prússia. no início do século XIX.73 mercantilista.. p. também acabou concorrendo para a fundação da Universidade de Berlim.

que corresponde a uma tentativa de universalização da cultura. Nietzsche e a crítica aos estabelecimentos de ensino A formação humanista. deveria constituir a real finalidade da educação: promover a elevação cultural (NIETZSCHE. Caicó-RN. p. um aprofundamento que acaba promovendo um déficit com relação aos conhecimentos culturais gerais (NIETZSCHE. tão reverenciada pelos alemães no século XVIII. Pensando nisso. surge a necessidade de ampliar o mercado interno e formar mãode-obra especializada” (MARTON. uma cultura massificada e massificadora. jan. Eis o que. p. Ele afirma que nos estabelecimentos de ensino alemães de sua época se faziam presentes duas tendências educacionais que concorriam para o fim da verdadeira cultura: a tendência à ampliação e extensão da cultura. 2003c). 2003c). Essa tentativa de uniformização da cultura e do ensino alterou todo o sistema educacional alemão. afirmando que o mesmo é pautado numa lógica meramente econômica. tema tratado a seguir. sua finalidade é formar uma classe trabalhista. 71-93. e início do século XIX agora dá lugar a uma formação tecnicista. 2003a. 2013. ao enfraquecimento da cultura. . quando deveriam promover uma educação que tivesse por objetivo assegurar a elevação cultural do indivíduo. 31). ela resolve proceder da seguinte maneira: “por um lado. A cultura reproduzida por esta tendência é uma cultura essencialmente utilitarista.74 econômicas. Ele afirma que a formação ofertada nas instituições de ensino alemãs visa apenas formar indivíduos para o trabalho. e a tendência à redução. A corrente que aposta na ampliação cultural representa uma tendência que visa à universalização da cultura.-jun. n. É uma corrente que está mais preocupada em atender a critérios quantitativos do que qualitativos. portanto. ela tenta uniformizar a cultura e o ensino. utilitarista. Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. E Nietzsche infere várias críticas a esse sistema educacional. pois consiste numa propagação cultural que pretende alcançar a um número cada vez maior de indivíduos. que corresponde à especialização profunda acerca de determinado assunto. não tem nada a ver com a cultura nobre. 2008. ano VI. pois a educação ofertada por ela visa atender as necessidades do Estado e do mercado. E Nietzsche criticou veementemente este novo modelo educacional. ISSN 1984-5561. 1. é uma cultura que visa à massificação e à domesticação dos indivíduos e. para Nietzsche. O objetivo dessa educação não é promover a cultura elevada. com a efetivação da indústria. Por outro. de modo a suprimir as diferenças e especificidades regionais.

A esse respeito. preparar. . apesar de todas essas críticas. 71-93. evidencia-se que tais correntes educacionais não almejam promover a elevação cultural do indivíduo. pois o que ela realiza é uma espécie de afunilamento. uma incrível virtuosidade. Ainda acerca das características do erudito. mas não para a cultura. o homem deve aprender muito. adestrados. Assim. ou seja. funcionários para o Estado. jan. n. p. p. ao contrário. 2003c. Nietzsche chega a compará-lo a um trabalhador fabril. é possível afirmar que tal ensino consiste num mecanismo educacional cuja principal finalidade é realizar uma espécie de linha de produção em série de indivíduos medíocres. e eruditos. Portanto. seres únicos.-jun. (NIETZSCHE. Sobre este aspecto. saber esse que é extremamente particular: quanto mais se especializa em sua área. tarefa na qual ele atinge. ano VI. enquanto indivíduo. mas se afasta das demais. especialistas para as universidades.75 Com relação à segunda tendência (a redução da cultura) é possível inferir que sua atenção também não é voltada para a verdadeira elevação cultural. em outras palavras. Caicó-RN. a formação oferecida é uma educação de “rebanho”. mas tudo o que ele. o mesmo reconhece a importância de entidades que ofertem conhecimentos que. afinal. para travar sua luta pela existência. eliminar as individualidades. massificador. garantirão a subsistência do indivíduo. pretendem suprimir. porém. Mas. não são capazes de formar grandes homens. aprende e Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. um estreitamento cultural. ele escreve: Assim. é preciso dizer. exclusivamente especializado. seus objetivos resumem-se à tarefa de capacitar. 64) Através da análise dessas duas tendências educacionais (ampliação e redução da cultura). não faz se não fabricar certo parafuso ou certo cabo para uma ferramenta ou uma máquina determinadas. um erudito. adestrar trabalhadores para o mercado. Nietzsche não defende a extinção de tais instituições de ensino. mecanismos niveladores. e essa formação também não seria capaz de favorecer a verdadeira elevação cultural do educando. elas consistem em instituições que preparam o indivíduo para a sobrevivência. que durante toda sua vida. se parece com um operário de fábrica. ISSN 1984-5561. Com isso. 2013. 1. o indivíduo que apresenta grande saber. essas tendências são forças. formar. representa um ensino universalizador. torna-se claro que ambas pregam e propagam um ensino cujos fins são visível e meramente utilitários. de certa forma. ele escreve que: Para viver. comuns. Essa tendência produziria o erudito.

] toda educação que deixa vislumbrar no fim de sua trajetória um posto de funcionário ou um ganho material não é uma educação para a cultura tal como a compreendemos. ano VI. Eram estabelecimentos de ensino porque de fato ensinavam conhecimentos necessários à subsistência do indivíduo e da sociedade. p. Mas. na Alemanha de sua época existiam estabelecimentos de ensino. e eruditos para as universidades. 2003c). Pois. O fato é que o objetivo da formação ofertada nos estabelecimentos de ensino alemães criticados por Nietzsche era produzir indivíduos comuns. Então. pois geravam mãode-obra para o mercado. Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. e nestas últimas se daria a qualificação profissional.. Caicó-RN. 2003c. da luta pela existência. n. utilitaristas. 2003c. e a promoção da cultura nada tem a ver com profissionalização. esta só tem início numa atmosfera que está muito acima desse mundo das necessidades. que consistiriam em instituições de ensino voltadas unicamente para garantir a elevação cultural do estudante. que tenham em vista a obtenção de qualquer ganho material. Ao contrário. apenas as primeiras seriam consideradas instituições de educação (NIETZSCHE. Dessa maneira. a formação ofertada visava fins utilitaristas. e não de educação. No entanto. com objetivos pautados em fins econômicos. de acordo com Nietzsche. ISSN 1984-5561. mas não instituições educacionais. 71-93. jan. funcionários para o Estado. para Nietzsche. que seriam as instituições que ofertariam conhecimentos voltados para o atendimento destas necessidades econômicas. tais estabelecimentos. pois ele é apenas uma forma de instrução. p. a verdadeira educação deve promover a elevação cultural. 1. Na realidade. o que Nietzsche critica é essa máscara que os estabelecimentos de ensino insistiam em usar ao tentarem se passar por instituições de promoção da cultura: elas são instituições de ensino.105).-jun.103). para o mesmo: [. mas simplesmente uma indicação do caminho que pode percorrer para o indivíduo se salvar e se proteger na luta pela existência (NIETZSCHE. não eram educacionais porque. . ou seja. o citado filósofo. e os “estabelecimentos para as necessidades da vida”. p.76 faz com esse desígnio nada tem a ver com a cultura. mas não são instituições que promovem a cultura superior. na realidade. da miséria (NIETZSCHE. tal filósofo entende que um sistema de ensino que tenha por fim alcançar desígnios financeiros ou utilitaristas não pode ser chamado de sistema educacional. Assim. prega uma oposição entre “estabelecimentos para a cultura”.. 2013. pode-se afirmar que.

n. comuns. pois a verdadeira educação consiste em fazer despertar. Educação nietzschiana: conceitos norteadores Como já mencionado. Eles não são os únicos termos que podem ser apontados como centrais e essenciais em sua concepção pedagógica. o significado desses termos foi deturpado. autônomos e livres. controle.77 domesticados. pareciam contrariar seus reais significados. Para o mesmo. uniformizá-los para sua melhor utilização. estruturam a concepção educacional de Nietzsche são termos como autonomia. eclodir. 2013. mas. ou seja. E a seguir será discutido este equívoco conceitual que cercava tais termos. na verdade. Aliás. tentava igualá-los. massificado. jan. enfim. Nietzsche atenta para o fato de que. adestrados. p. nivelá-los. Essa instrução não poderia ser considerada uma educação. que também eram apontados como conceitos norteadores das ações educacionais das instituições alemãs apresentavam conotações que. optou-se aqui por empreender na análise de tais conceitos pelo fato de que no sistema educacional brasileiro contemporâneo eles também detêm uma posição de destaque. seria uma contraposição ao homem de “rebanho”. . medíocre. nos estabelecimentos de ensino alemães de sua época. a educação deve consistir num processo que possibilita o cultivo. ou nobre. Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. 1. A finalidade desse ensino era formar sujeitos para servir às necessidades. os conceitos de autonomia e liberdade. 71-93. alguns dos conceitos que embasam. do mercado. Portanto. A discussão sobre a conceituação de tais termos tem por finalidade promover a seguinte reflexão: a crítica realizada por Nietzsche à autenticidade dos conceitos que norteavam a educação de sua época (autonomia. liberdade e cultura presentes em nossas instituições de ensino contemporâneas? Adiante será abordada a 2 O homem superior. explodir. liberdade e cultura) poderia ser estendida às ideias de autonomia. libertação e cultura. aos interesses do Estado. Assim.-jun. Caicó-RN. Corresponderia também ao indivíduo marcado pela constante autossuperação. a análise e discussão acerca de tais conceitos poderiam contribuir para uma reflexão da educação brasileira atual. as potências individuais. o nascimento de homens superiores 2. pode-se dizer que a educação nietzschiana não é voltada para a formação de indivíduos massificados. ISSN 1984-5561. Essa forma de educação não gerou seres únicos. manipulação. libertar as singularidades. ele põe em xeque a autenticidade de tais conceitos. ela gerou apenas seres medíocres. ano VI. norteiam. ao contrário.

não tinha maturidade suficiente para encarar. mas durante o processo educacional o aluno deve seguir as Este nível escolar engloba as séries que constituem os níveis educacionais correspondentes ao Ensino Fundamental II e Ensino Médio brasileiro (Cf. O citado filósofo acreditava que o discente do ginásio e da universidade ainda não podia ser deixado à sua própria autonomia. não no âmbito das suas atividades acadêmicas. 135). Ele afirma que nas instituições de ensino alemãs os alunos são bombardeados de informações e problemas com os quais ainda não estão preparados para lidar. 1. não estão intelectualmente maduros o suficiente para refletir. pois ambos carecem. ano VI. do homem. Autonomia: criação ou reprodução? A primeira discussão é referente à ideia de autonomia. sozinho. com a instrução. Para o referido filósofo: “toda cultura começa. com a disciplina. ao contrário de tudo o que se elogia hoje com o nome de liberdade acadêmica. 2013. No entanto. um exemplo educacional que lhes sirva de guia e até parâmetro para sua própria formação cultural. 17). para Nietzsche. 2003c). É preciso ressaltar que Nietzsche entende que um dos erros da educação alemã que ele critica é conceder aos alunos do Gymnasium 3 autonomia numa fase em que eles ainda não estão prontos para tê-la. p. necessitam de um modelo. no que diz respeito a uma educação voltada para a promoção da elevação cultural. de encontrar os caminhos que o leve rumo à cultura elevada. DIAS. do mestre cultivado sobre o educando ainda imaturo culturalmente. Com isso. com a obediência. ainda não se pode depositar autonomia ao aluno do ginásio e da universidade.78 concepção nietzschiana. pelo menos. ele não estava apto para tanto. p. a difícil tarefa de “se educar a si mesmo”. Nietzsche põe a autonomia como um resultado a ser pretendido pela educação. Caicó-RN. a concepção educacional de Nietzsche é baseada na autoridade total do educador. p. pensar de maneira considerável. sem eles o jovem não será capaz de descobrir o caminho que o conduza a cultura nobre.-jun. 2003c. Então. pois. n. ele defende que é preciso educar para se ter autonomia. e esse mesmo problema é estendido ao ensino universitário (NIETZSCHE. 3 Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. 71-93. ISSN 1984-5561. crítica e original sobre tais questões. com o sentido do dever” (NIETZSCHE. 2003. jan. sobretudo no que diz respeito a seu pensamento pedagógico. sobre os referidos termos. nada pode suprir a ausência desses grandes guias. 1. . se observa que.

A seguinte passagem explicita bem esse fato..] deixa de obedecer a deus ou ao rei ou ao pai ou ao amo. inversões no que diz respeito aos valores morais e éticos. como se essa Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. obedecer a ordens sem questioná-las. nela seu autor escreve que quando o homem “[. Nietzsche atenta para o fato de que no decorrer da história da humanidade ocorreram inúmeras mudanças. A ideia de autonomia parece então poder ser definida como a simples capacidade para entender e seguir regras. os valores morais são mutáveis. uma espécie de “heteronomia” disfarçada. . normas. 71-93. 113). Mas. fica evidente o fato de que. pagava-se uma sanção por ser tão imodesto e ter a pretensão de querer uma mulher só para si” (NIETZSCHE.-jun. não é baseada. é uma “consciência” cuja origem é social e foi paulatinamente implantada pela sociedade e aceita pelo indivíduo. que são mais experientes e certamente mais sábios. p. confiar e serem seguidas por toda vida. Adiante. n.. dar-se-á a (re) conceituação que ele opera acerca do termo autonomia. 103). pois os alunos ainda não teriam a capacidade para “se guiarem a si mesmos”. ano VI. a ideia de autonomia não pode se resumir à tarefa de seguir determinadas regras. isso é mesmo autonomia? Seguir algo sem questioná-lo.] o casamento. p. costumes. nem guiada por uma consciência do indivíduo. pois antes para se casar era preciso pagar uma sanção.79 orientações dos seus mestres.. quando se emancipa de qualquer autoridade exterior. porém esse conceito vem sempre acompanhado de várias normas e regras que se devem aceitar. ISSN 1984-5561. valores morais. Com isso. essa autonomia seria. na realidade. 2013. ou seja. isso não é uma autonomia. É reconhecida a importância de desenvolver no indivíduo a capacidade para a autonomia. Como exemplo dessa inversão de valores o filósofo alemão cita o casamento. 1. aparecem em cena a razão e a consciência que o obrigam a seguir obedecendo” (LARROSA. p. Portanto. escrevendo o seguinte: “[.. jan. 2002. na realidade. sendo assim. foi por muito tempo uma ofensa aos direitos da comunidade. 1998. mas essa autonomia só será concedida aos discentes quando eles realmente tiverem maturidade intelectual e cultural para usá-la. Essa forma de autonomia não é pautada em princípios racionais. sem pô-lo em discussão. também é capaz de acatar. Contudo. pois boa parcela dos seres irracionais também pode ser domada. O fato é que ele defende uma educação que seja capaz de desenvolver a autonomia do educando. até porque a validade desses valores não é universal. essas normas são criadas e impostas pela sociedade. por exemplo. sem criticá-lo? Isso mais parece uma domesticação. domesticada. Através desse exemplo fica nítida a existência de uma inversão de valores. camuflada. Caicó-RN. valores morais.

um fato que antes. a libertação não está apenas ligada à autonomia. conformista que “ensina” o homem a pautar seus juízos. alguns Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. Ou seja. Dessa forma. se percebe que essa ideia está fortemente atrelada aos valores inspirados no capitalismo. decisões. aleijada. e para ter dinheiro é preciso trabalhar. mas para atender a esses desejos é preciso ter dinheiro. de certo modo. de certa forma. Caicó-RN. eles são passíveis de avaliação e mudança (NIETZSCHE. e justamente por esse motivo é que eles não podem ser apontados como os únicos guias capazes de auxiliar e fundamentar as ações e decisões do indivíduo. econômicos. hoje é incentivado. pois a liberdade. 1998). e. p. Mas. Eis a real autonomia almejada pelo ideal de educação nietzschiano: a elaboração de valores por parte do indivíduo livre e autônomo. ano VI. jan.-jun. aspirações voltadas para o consumo. 71-93. E isso é necessariamente nessa ordem. uma punição por estar se casando. tais valores não são absolutos. fica evidente a mutabilidade dos valores morais. É um conceito de liberdade vinculado a fatores financeiros. ou melhor. . A autonomia almejada por Nietzsche não é a autonomia engessada. mas hoje o casamento é quase cultuado. Libertação da liberdade Com relação à noção de liberdade presente nos estabelecimentos de ensino alemães. qual o motivo da insatisfação de Nietzsche com relação à concepção de liberdade disseminada pelo sistema de ensino alemão de sua época? E qual seria o conceito de libertação que ele pretende evocar em sua proposta educacional? Tais questionamentos serão discutidos a seguir. era punido. A proposta educacional de Nietzsche tem como um de seus objetivos a promoção da libertação do indivíduo. um construtor de novos valores. representa uma “porta de entrada” para uma melhor aceitação na sociedade. como se pode notar. criar seus próprios “valores guias”.80 sanção fosse. 1. n. pode-se afirmar que o ponto de partida da pedagogia nietzschiana se baseia na compreensão da ideia de que a educação não deve orientar o indivíduo para a seleção ou para o culto dos valores em curso. mas sim entendê-lo como um criador. mesmo porque. escolhas e ações em valores morais metafísicos que se pretendem absolutos. a noção de liberdade é ligada a desejos. Tal filósofo parecia não concordar com a ideia de liberdade que ele via ser propagada nas instituições de ensino. 2013. E a liberdade custa caro. Ou seja. Liberdade é poder atender a desejos de consumo. O indivíduo deve ser capaz de identificar. aquela é condição para essa. por vezes. Com isso. 2. ISSN 1984-5561.

Não há uma proposta educacional nacional. mas é através do diagnóstico acerca desse conceito de liberdade que a atualidade das críticas de Nietzsche se desenha de forma mais nítida. ano VI. agora ele só vive para consumir. .81 trabalham a vida inteira e não conseguem comprá-la! Talvez isso se dê porque num lugar onde a concepção de liberdade está pautada em fins capitalistas “[. Para compreender melhor tal afirmativa é preciso observar a seguinte passagem da obra: III Consideração Intempestiva: Schopenhauer Educador: O homem que não quer pertencer à massa só precisa deixar de ser indulgente para consigo mesmo. familiares etc. pois quanto mais se consome. 2002. ISSN 1984-5561. p. segmentos do convívio social: mídia. n. Por mais contraditório que se pareça. Caicó-RN. 2013. o que se vê é apenas a realização de ações. é possível afirmar que uma das principais funções da educação nietzschiana seria então promover uma espécie de libertação da liberdade5 (LARROSA. de imediato se pode perceber que tal noção de liberdade ainda hoje é observada em nossa sociedade e talvez até de forma ainda mais acentuada. 96). desenvolvidos por uma pequena parcela. não desempenham grandes esforços para combater essa postura consumista. Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. Esse conceito de liberdade parece ter invertido a natureza do homem. amigos. Essa liberdade se traduz em uma postura consumista que atinge grande parcela da sociedade. Essa culpa se dá não porque essa postura consumista seja propagada pelas escolas 4. na verdade aprisiona o homem. Esse processo de libertação constitui uma etapa intrínseca do percurso educacional proposto por Nietzsche. Pois. pois se antes ele consumia para viver.. mais surgem novos sonhos de consumo. 1. pois o conceito de liberdade atual. mas devido ao fato de que essas instituições parecem que não estão preocupadas em reverter tal situação.-jun. Através do que foi exposto. o empurra a uma necessidade incessante de trabalho e consumo. e parte da culpa disso pode sim ser direcionada aos estabelecimentos de ensino atuais. interessada em atacar o consumismo. Parte das críticas observadas até aqui podem ser remetidas a educação e sociedade atuais.] não há liberdade possuída ou concluída. 2002). 5 Vale informar que esta expressão “libertação da liberdade” é utilizada por Jorge Larrosa para intitular o terceiro capítulo da sua obra Nietzsche e a Educação. mas uma espécie de liberdade provisória sempre incompletamente realizada” (LARROSA. em vez disso. um pequeno grupo de professores. projetos isolados. p. o que ocorre é que. que ele siga a sua consciência que 4 Na verdade. essa liberdade está escravizando o homem.. jan. esse “pensamento” consumista parece ser difundido em outros setores. ou pelo menos regional. na realidade. intensa e arraigada do que o era na época de Nietzsche. 71-93.

escolhas. Toda alma jovem ouve este apelo dia e noite. n. avaliar e. . Então. Caicó-RN. 139). jan. não são propriamente suas. e estremece. antes dessa construção. massificado (animal de rebanho). dessa reelaboração é preciso pôr em dúvida. por sua Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. Neste discurso. E como pode ser desesperada e desprovida de sentido a vida sem esta libertação! (NIETZSCHE.-jun. pois ela pressente a medida de felicidade que lhe é destinada de toda a eternidade. por fim. por fi m. negar. o leão em criança. livrar-se de seus dogmatismos. 1. e. O leão. descartar os valores. Por meio da análise de tal passagem. quando pensa na sua verdadeira emancipação: felicidade à qual de nenhum modo alcançará de maneira duradoura. 2003a. as convicções que influenciam. pode-se sustentar que a educação nietzschiana representa também uma passagem. 71-93. definem as ações. E o processo de libertação consiste na identificação e abandono dessas convicções. destruição das correntes. passando pela fase de desconstrução. É justamente por esse motivo que a libertação é condição para a autonomia. um indivíduo superior capaz de promover a construção. valores (apresentando agora a autêntica autonomia). p. domesticado. ano VI. são frutos de uma “miscelânea de opiniões e sentenças” que lhe são socialmente inseridas. se a autonomia é entendida como uma capacidade para a construção de novos valores. e o camelo em leão. ISSN 1984-5561. e isso talvez desde o tempo em que ele nem tinha ainda uma consciência.] o camelo é um animal gregário. o filósofo alemão escreve sobre como o espírito se transforma em camelo. 2013.. crenças e opiniões forjadas e incutidas socialmente. a elaboração de novos ideais. dos valores que o tornaram medíocre (ações que correspondem ao processo de libertação). escravizado. os ídolos consagrados atualmente. quando necessário. gerando. enquanto permanecer nas cadeias da opinião corrente e do medo. p. na maioria das vezes. modo de viver dos indivíduos. servil e de carga. pensas e desejas”. As características que compõem cada espírito e suas transformações podem ser resumidas da seguinte forma: [. é possível inferir que os pensamentos. pois. É possível fazer uma analogia entre esse rito de passagem e transfiguração do educando e a metáfora empregada por Nietzsche ao tratar sobre o discurso das três metamorfoses do espírito. por isso ele as aceita e segue como se fossem realmente suas. um caminho que vai do indivíduo domesticado.82 lhe grita: “Sê tu mesmo! Tu não és isto que agora fazes. presente na obra Assim Falava Zaratustra.. um animal que diz sim a tudo o que se lhe impõe e que encontra sua felicidade em cumprir com o seu dever.

83 vez. mas não é capaz de gerar novos valores. p. dos valores que procuram domar. Dessa forma. medíocre. dos dogmas e dos valores existentes. Dessa forma.] inocência. avaliar. desenvolver a autonomia e promover a elevação cultural. O espírito se transforma em leão porque “pretende conquistar a liberdade” [. 1. Portanto. 41 . mas não o criador.. ao longo da história. Cultura: acepção nietzschiana O termo “cultura” foi. jan. é o espírito crítico. p. Por isso. empregado com diversas significações. possibilidade. n. é esquecimento. pois ela apresenta a “[. o indivíduo de rebanho. . O leão é a libertação das “amarras” que dominavam o camelo. é possível afirmar que a libertação representa a crítica dos costumes. o leão é o libertador. De fato. A tarefa de construção dos novos valores é tarefa da criança. isso pode o poder do leão” (NIETZSCHE. novo começar. 3. inocência. 42).. primeiro movimento. Pode-se afirmar que estes são os principais objetivos da educação nietzschiana: possibilitar a libertação.]. ano VI. novas visões de mundo. abertura. mas a liberdade para a criação nova. Mas.. largar os atuais. por último. qual é o conceito de cultura apresentado por Nietzsche em seus primeiros escritos? Tal ponto será abordado nos parágrafos que se seguem.. p. a pureza. roda que gira sobre si mesma. da destruição. descoberta dos novos valores. pois: “criar valores novos.-jun. 2009. O leão é o processo de libertação das amarras. Caicó-RN. criação.42). o ataque à mentalidade utilitarista que norteia as relações sociais. rebelde. da luta. 2002. 71-93. início (LARROSA. corrente. jogo. A criança.. características que fazem dela o ser capaz de promover a autêntica autonomia. O leão representa o movimento heroico do “fazer-se livre” [. movido e controlado por suas necessidades econômicas. 2009. afirmação. domesticar o homem. ISSN 1984-5561. pois para descobrir e formular novos valores. define-se por oposição e só pode viver da confrontação. a libertação é condição para a autonomia. desprender-se. 110). criação. essas três metamorfoses parecem ser o percurso do educando no processo educacional nietzschiano. novos quadros de princípios. 2013.]. santa afirmação” (NIETZSCHE. faz-se necessário o esclarecimento Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. antes é necessário pôr em xeque. p. O camelo representaria o homem formado nas instituições de ensino alemãs criticadas pelo referido filósofo. ela representa a inocência. nem mesmo o leão o pode.. E a criança representa a fase de construção. isso só a criança pode fazer. é um combate contra a visão e os princípios dominantes.

sugere uma divisão. já o primeiro. 24). políticos e sociais. na realidade. Diferentemente do que acontece com a ideia de Zivilisation (civilização). 1. 2013. em sua concepção alemã. 1994. fatores que se remetem à culinária etc. 24). econômicos etc. características concernentes à organização e construção de habitações. na verdade. O termo civilização pode englobar as mais diversas manifestações. ele define cultura como: “[. pois na Segunda Consideração Intempestiva: da utilidade e desvantagem da história para a vida. Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. ISSN 1984-5561. p.. 1994. intelectual e religiosa. a cultura é empregada quase como um sinônimo de civilização. até opostos. fatos sociais. mais restrito que parece ser evocado por Nietzsche em sua acepção de cultura. do outro. ciências.-jun. que o conceito de Kultur indica produções humanas: “obras de arte. filosofias. n. 55). ela representa “[. 2003b. E para melhor compreender o conceito de cultura utilizado por Nietzsche. e.] o padrão ou o critério que mede o grau de civilização de uma sociedade. Ou seja. “alude basicamente a fatos intelectuais.. a cultura passa a ser empregada como o conjunto dos modos de viver e de pensar cultivados. recebe agora o sentido de civilização. . por obra da filosofia iluminista. 2008. Caicó-RN. técnicas. para os alemães. a partir do Iluminismo. A ideia de civilização é bem mais abrangente do que a noção de cultura. Essa distinção será exposta a seguir. os fatos econômicos. No século XVIII. No entanto. p. p. a noção de Kultur (cultura). p. p. as ações de ordem artística. p. o desenvolvimento tecnológico. as ideias religiosas. ou melhor. e. científico. nos quais se expressa a individualidade de um povo” (ELIAS. de certa forma. são elementos distintos. sistemas religiosos ou filosóficos. Ocorre. portanto.. artísticos e religiosos” (ELIAS. maneiras de se vestir. atividades humanas: os costumes. pode se referir a costumes. 71-93. E é exatamente este significado mais limitado. publicada em 1873..] unidade de estilo artístico em todas as manifestações vitais de um povo” (NIETZSCHE. Ou seja. as boas maneiras. no que diz respeito à separação operada pelo pensamento alemão. livros. 23). a cultura passa a ser encarada como um conjunto de práticas: artes. ano VI. Daí ser sempre difícil sumariar em algumas palavras tudo o que se pode descrever como civilização” (ELIAS. 1994. os ofícios” (CHAUÍ.. de comer. cultura e civilização. nada há que não possa ser feito de forma ‘civilizada’ ou ‘incivilizada’. “rigorosamente falando. políticos. Assim. a grande diferença entre o conceito de Kultur e o de Zivilisation é que este último abarca vários elementos. Assim.84 acerca da compreensão que Nietzsche parece empregar ao evocar tal termo. uma separação: de um lado estão as produções. jan. parece ser imprescindível esclarecer a distinção entre Kultur (cultura) e Zivilisation (civilização).

. que expressa manifestações únicas. . não pode se resumir à memorização e reprodução de saberes.] concorda perfeitamente com seu contrário. uniformizar. ou seja. p. 18). despertar. ISSN 1984-5561. Mas. para tal filósofo. uniformizar. autênticas. superior. na verdade. desenvolvida pelo estilo. inclusive. fazer eclodir e explodir as forças e características mais singulares. ele não visa padronizar. mas sim prima pela transformação. com a ausência de estilo ou a mistura caótica de todos os estilos” (NIETZSCHE. a barbárie. Caicó-RN. Ou seja. experimentado. agindo como uma espécie de fôrma que. das singularidades. 71-93. p. nivelar. uma das críticas de Nietzsche é que a Alemanha não mais possui uma cultura própria: “na Alemanha até a simples ideia de cultura foi perdida” (NIETZSCHE. nobre. o que significa tal expressão? Em que medida se pode afirmar que “tornar-se o que se é” e “transformação” são sinônimos? Tais questões serão o tema das próximas explanações. cada nação tem capacidade para dispor de uma cultura que lhe é própria. De acordo com tal concepção. pela unidade. só pode ser construída. é uma educação que busca garantir com que o educando venha a “tornar-se o que se é”. almeja ceder a cada um o “dom de ser si mesmo”. no entanto. para ele: “[. Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. Sua concepção de educação não visa padronizar. A cultura.-jun.. O mesmo ressalta ainda que cultura e instrução são coisas distintas. pela criação e experimentação. no sentido de que cada povo. acaba aniquilando as individualidades e originando homens iguais. vivenciado. n. 2008a. autênticos. Ao contrário. 2008a. a originalidade.. a erudição e o acúmulo de informações não podem ser apontados como sinônimos de cultura. nem todos os povos de fato tinham uma cultura autêntica. Tornar-se o que se é: educação como transformação A educação nietzschiana não é voltada para uma formação. antes ela pretende promover o afloramento das forças individuais. cultura e povo parecem ser encarados como algo único. 1. por isso a cultura autêntica. 4. comuns.85 35). Afirma-se aqui que Nietzsche entendia que toda nação “deveria” ou “poderia” ter uma identidade cultural peculiar. pois. p. O objetivo do empreendimento educacional pensado por tal filósofo é promover a elevação cultural e favorecer o surgimento de seres únicos. a pedagogia de Nietzsche está mais voltada para a tarefa de potencializar a ação. 2013. jan. 18). e sim é algo a ser criado. ano VI..] o fato de saber muito não é nem um instrumento necessário nem um sinal de cultura e [. a criação. seu intento não seria modelar os homens.

. que talvez fosse mais ou menos assim: não há um caminho definido. em sua concepção educacional. p. n. 2006. 2002. E caso alguém indagasse: onde encontro este caminho? Não seria difícil imaginar a resposta de Nietzsche. se a formação conduz à identidade. 61). aquele que nos tornamos. não há como assumir uma forma única. criada. É nesse sentido que “tornar-se o que se é” é apontado como uma constante transformação. E isso não é uma tarefa fácil. comum. incessante.. se preferir. reinventada. atualizar uma potência (o que conduziria a um sujeito uno e idêntico). desconstrução e reconstrução de valores. O “tornar-se o que se é” é um processo permanente.] Tornar-se aquele que se é não equivale a manifestar uma essência. a cada momento. uma vez que o: [.-jun. acabada. é no viver onde: “[. uma transformação constante. . Nietzsche. O “tornar-se o que se é”. traçado. o papel do mestre enquanto modelo e guia para o aluno. E a própria vida é este caminhar. como bem se adverte: “Para ‘chegar a ser o que se é’ há que combater o que já se é” (LARROSA. não se cansa de ressaltar a importância. Este processo não teria um ponto final. ISSN 1984-5561. 2006.] alguém se torna (vai se tornando. Caicó-RN. pois ela é constantemente construída.. 277 grifo do autor). porque não há uma formação fixa. um movimento interminável e por isso é uma transformação. uma formação que transcende qualquer tentativa de imposição e adequação a um modelo igualitário. o que há é um caminhar. o “chegar a ser o que se é” é um caminhar contínuo. aquele que nos tornamos. é uma tarefa contínua. delimitado. 270). mas ser. ou seja. [.] tornar-se quem se é não significa formar-se. p. pode-se afirmar que o intento da proposta educacional nietzschiana é possibilitar a transformação. um movimento. 1.. mas transformar-se. p. é uma libertação e uma perene transformação. 2013.86 Assim. reavaliação. o segundo abre-se para a diferenciação (ROCHA. um marco de chegada.. ou. a cada momento. um trajeto. medíocre. p. massificador. o “tornar-se o que se é” passa por um processo de investigação. ano VI. ou seja. jan. pois. definida. ele representa uma eterna construção de si. pensamentos etc. Dessa forma.. 71-93. é nela onde as transformações se dão. não cessa de se tornar) quem é” (ROCHA. A intenção aqui é possibilitar com que o indivíduo possa “tornar-se o que se é”. uma busca. Nesse sentido. É na vida. para torna-se quem se é. porque este “tornar-se” representa um caminhar perene. isto é: ser.. o aluno novamente pode se valer Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia.

É um processo ininterrupto. é um caminho único. 203). A educação mediada pelo professor. Afinal. Com isso. abre espaço para a singularidade.. 270). Certamente. Portanto. p. o citado filósofo assevera que: Ninguém pode construir no teu lugar a ponte que te seria preciso tu mesmo transpor no fluxo da vida – ninguém. com as coisas. infindável. um inventar-se. o nivelamento. deves seguir este caminho (NIETZSCHE. ISSN 1984-5561. Caicó-RN. um vir-a-ser. mestre e discípulo: [. ao contrário. pelo encontro com outros efeitos. No entanto. o “tornar-se o que se é” não pretende conduzir a uma “identidade” fixa.. pela ação das circunstâncias que vêm ao seu encontro” (ROCHA. um devir. 2013. existem as veredas e as pontes e os semideuses inumeráveis que se oferecerão para te levar para o outro lado do rio. a todo instante. não remete a uma busca interior. exceto tu. se percebe que a educação nietzschiana.. recriar-se incessantemente. e cada discente tem o seu. criar-se. 2006. 1. capaz de dirigir os destinos do seu povo. será sempre um projeto inacabado. fazendo dele uma ‘humanidade integral’ e mostrando Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. E este processo não conduz a um ponto de chegada. exceto tu.] isso significa que o homem se constitui no tempo. ela se dá na articulação com a natureza. 71-93. p. enquanto abertura para o “tornar-se o que se é”. 2003a.141). Há no mundo um único caminho sobre o qual ninguém.] constituiriam uma ‘aristocracia intelectual’.. n. diferentemente da pseudoeducação moderna atacada por Nietzsche. criando para ele novos valores. . rigorosamente selecionada.87 do mestre como inspiração. peculiar. este processo educativo. p. sempre inconcluso. Então o percurso que conduz alguém a “tornar-se quem se é” não corresponde apenas a um autoconhecimento.. mas somente na medida em que te vendesses inteiramente: tu te colocarias como penhor e te perderias. jan. esta transformação não é. pelo mestre nobre deve então despertar as forças singulares e criativas do indivíduo. porque está sendo construído e reconstruído a cada dia. 2004. que é um movimento constante. O “tornar-se quem se é” representa um sinônimo de transformação. do homem para que ele possa “chegar a ser o que se é”. a diferenciação. poderia trilhar. cada um precisa encontrar o seu próprio caminho. p. Para onde leva ele? Não perguntes nada.-jun. um percurso isolado. Porém. 140 . mas se dá também como uma espécie de abertura em direção ao exterior (GIACOIA JR. ano VI. e muito menos deseja a padronização. Assim. de maneira alguma. com a experiência da alteridade: “[.

90). para o filósofo alemão. à massificação dos discentes. autênticos. superação de si possibilitaria a elevação cultural. e isso o leva a declarar que: “[. ano VI. Toda a proposta educacional de Nietzsche está pautada neste objetivo: garantir o advento do indivíduo apto a produzir e propagar a cultura superior. 43). p.-jun. p. 2008..88 a ele que o homem é uma obra de arte que a própria natureza determina. não deve ser confundida com habilidades técnico-científicas de resolução de problemas. filósofos.. 71-93.. p. pensadores superiores. Mas são poucos os indivíduos aptos a tal tarefa. grosseiras e Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. 2003. É nesse sentido que se pode afirmar que a educação nietzschiana não visa uma democratização do ensino para a cultura superior. o aprendizado ofertado pela educação deve ter relação. e garantir a promoção.. Pode-se dizer que a educação nietzschiana tem duas metas principais: possibilitar o surgimento do homem superior. pois suas necessidades seriam elementares. com saberes não criativos. e que a indústria. p. O projeto educacional pensado por Nietzsche visa justamente possibilitar o desabrochar desta “aristocracia intelectual”. 36 grifo do autor). a tarefa educativa não pode ser resumida à mera transmissão de conteúdos. reconstrução. n.] a Erziehung [educação]. o desenvolvimento da cultura elevada.. repetição ou memorização de conhecimentos ou saberes fixos. e seu objetivo está longe de ser a acumulação. reflexivas. A formação (que deve ser uma transformação constante). desta classe de artistas. munidos das armas necessárias para a realização das grandes obras que ficarão” (NIETZSCHE. Para tanto. ligação.. ao invés de visar à padronização. mas a cultura de indivíduos selecionados. da cultura vigente (FREZZATTI JR. Como já ficou evidente. para tal filósofo: “[.. a criação. diríamos até de superação. antes sua proposta aponta para uma aristocracia educacional. engessados. A educação deve ser um processo contínuo de transformação. no modo de pensar e de agir do estudante. A constante recriação. deve desenvolver suas forças criativas. ISSN 1984-5561. [. potencializar seus “talentos” individuais. nobres.] não é a cultura da massa que deve ser a nossa finalidade. singulares. 2013. 1. o Estado e uma especialidade intelectual podem fazer degenerar (SOBRINHO. pois: [. jan. Caicó-RN. pois é possível dizer que.] com a Filosofia que repete o pensamento de outros. com o conhecimento enciclopédico dos livros.] o povo provocava a queda da cultura e não sua elevação. influência direta na vida.. na concepção do jovem professor Nietzsche. 2003c.. .

No entanto. ou nobre. 2003c. mas para comprar é preciso ter dinheiro. por exemplo. Ele parece indicar que a competência para tal tarefa tem origem metafísica. isso não quer dizer que outros aspectos do seu pensamento educacional não possam contribuir para uma reflexão do panorama educativo nacional atual. 2008. A educação vigente afirma almejar a geração de um estudante ativo. cuja base está assentada numa noção de democratização do ensino. pois veja: primeiro nasce (ou é implantada por influência da mídia ou do entorno social) uma necessidade de compra. para a massa. para o povo.. e para adquirir dinheiro se tem que trabalhar.] para alcançar realmente a cultura. sua pátria é a cultura. livre etc. autônomo. a autenticidade de tais termos. Esse movimento circulatório nunca chegaria a um fim. uma vez que “[. a própria natureza não destinou senão um número infinitamente restrito de homens” (NIETZSCHE. que deve se manter afastado dos desígnios do Estado e deve ser independente também com relação à sociedade. 71-93. Considerações finais De posse do que foi apresentado neste trabalho. pois nem todos os homens estão aptos a alcançar a elevação cultural. reflexivo. e é essa a contribuição que o filósofo alemão nos oferece ao tratar acerca da autonomia. . ele não está a serviço da nação. 1. Seu sistema de ensino aponta para uma educação da exceção. mas. jan. 2013. n. no sentido de que a educação não é voltada para a coletividade. e quando enfim se chega ao objeto desejado Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. Em suma.. uma liberdade que parece ser pautada em desejos econômicos. da libertação e da cultura. Caicó-RN. sobre a base da noção de liberdade propagada e aceita atualmente (noção essa que já vinha imperando desde a sua época). uma liberdade que conduz o homem a um círculo de compra – dinheiro – trabalho. Portanto.88).89 estreitas.. ano VI. Ele nos leva a pensar. p. a definição. o filósofo alemão apresenta uma teoria educacional elitista. e muito menos do estado. um propósito nobre seria incompreensível para as massas” (FREZZATTI JR. p. para isso é necessário que se (re) pense sobre a conceituação.. sua bandeira é o brasão da elevação cultural. ISSN 1984-5561. mas para o nascimento e o aprimoramento de uma espécie de homem superior. dos seletos. a saber. entende-se que a ideia de educação aristocrata pregada pela proposta educacional de Nietzsche seria simplesmente inconcebível para a educação atual. Assim. crítico. dos poucos. pode-se concluir que a educação nietzschiana não é destinada à massa. 40).-jun. “sonhos de consumo”. p.

jan. posturas e pensamentos massificados. e não meramente cultuá-los. nesse sentido. essa noção de autonomia define o homem como um ser capaz de criar valores. 2013. Caicó-RN.-jun. é bem mais do que isso. originais. E seu projeto educacional visa muito mais exaltar a natureza de cada estudante e não os forçar a ter. A autonomia consiste em ter capacidade não só para identificar os valores que possam ser adotados. mas. únicos? Ou os conformistas. . medíocres? O advento dos estudantes daquela primeira espécie só será possível quando o entendimento das noções de autonomia e libertação tiver a conotação próxima da apresentada por Nietzsche. não se quer aqui afirmar que a preparação para o mercado de trabalho não seja uma tarefa importante. e se limita à tarefa de preparar para o mercado de trabalho não pode ser chamado de sistema educacional. E de acordo com a concepção pedagógica do citado filósofo. massificados. caso contrário. do indivíduo gerado no processo educacional. Assim. sobretudo. pois ele é apenas uma forma de instrução e não de educação. Pois ter capacidade para desempenhar sua autonomia não significa simplesmente identificar e aceitar os valores vigentes. críticos. escravizante. pois conduz o homem a esse ciclo incessante. uma vez que sua grande preocupação não parece estar voltada para a tarefa de promover o desenvolvimento cultural. Essas noções de autonomia e libertação remetem diretamente às características do discente. se preciso. acima de tudo. 1. ano VI. 71-93. a assumir características. a liberdade antes deveria consistir no abandono desta falsa ideia de liberdade baseada em fins consumistas. p. A concepção de autonomia também é posta em xeque. a liberdade é. tampouco declarar que as Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. e esse ciclo sempre se renova. Então. pode-se falar que a maior parte das instituições de ensino brasileiras pode ser considerada um estabelecimento de instrução. Ou seja. passivos. apenas os da segunda espécie irão surgir. seu maior interesse parece estar realmente mais centrado na preparação para o mercado de trabalho. Outra contribuição que o filósofo alemão nos cede diz respeito a sua compreensão acerca do objetivo da educação: o mesmo entende que um sistema de ensino que tenha por fim alcançar desígnios financeiros ou utilitaristas. e a cultura nobre nada tem a ver com qualificação para o trabalho. ativos. mas não uma instituição de educação.90 novamente surge outro “sonho de consumo”. essa noção de liberdade é. Pois para que elas sejam justificadas é preciso ter em mente que tipo de estudante deverá brotar das instituições de ensino: os reflexivos. sempre suscetíveis a constantes avaliações. criativos. n. uma vez que eles não têm validade universal. pois a educação deve promover a elevação cultural. reprodutores. para avaliá-los e. abandoná-los e edificar novos valores. Todavia. ISSN 1984-5561. uma “libertação da liberdade”. na realidade.

é uma concepção de ensino que visa enaltecer a natureza de cada um. 71-93. 1. manipulá-la. uma nova perspectiva educacional? Para concluir. e a cultura aqui é tratada como um fim. sim. tais contribuições vieram em forma de questionamentos. controlá-la. No entanto. um indivíduo que não se resumirá à tarefa de seguir padrões.-jun. O problema que se quer levantar. o bom educador seria então aquele que não educa. e não padronizá-la. domesticação dos sujeitos. econômicos. mas. ISSN 1984-5561. liberta. e não pelo Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. singulares. afinal. transformação. por vezes. que deve potencializar a ação e a criação. massificação. constituindo-se assim num ensino que prima pela constante autossuperação. sim. isso é tudo o que se deve almejar de nossa educação? Já não está no momento de uma nova abordagem. normas e modelos determinados. e não é exagero afirmar que eles podem contribuir para uma reflexão acerca do panorama educacional brasileiro atual. uma homogeneização.91 instituições que ofertam essa formação devam ser extintas. das forças individuais. Libertação. o fundamento desse modelo educacional. 2013. pode-se afirmar que a educação nietzschiana almeja possibilitar o surgimento de um indivíduo autônomo e livre. Há ainda algumas questões a serem pensadas. n. jan. criadores. O que se pode concluir de tais afirmações é que a teoria educacional nietzschiana é baseada num sistema de ensino cujo objetivo não seria promover uma formação. ano VI. é precisamente o seguinte: o ensino atual não concorre mais para um processo de aculturação ou alienação cultural do que propriamente para uma valorização ou desenvolvimento de uma cultura nacional. p. as perguntas suscitam bem mais reflexão do que as respostas. pois ele constantemente avalia. regional ou local? As instituições de educação atuais não poderiam ofertar um ensino que fosse mais voltado para a promoção e aprimoramento cultural? Será que os objetivos educacionais devem continuar a serem direcionados principalmente para essa formação “profissional”? Esses são alguns dos questionamentos os quais o pensamento de Nietzsche nos conduz. mas. Caicó-RN. concorrer para permitir a transformação. sob inspiração do pensamento educativo nietzschiano. Mas. o despertar. . De acordo com tal filósofo. Sua educação concorre para a promoção da elevação cultural do indivíduo. autonomia são as bases. cria. recria seus próprios valores. Pode-se afirmar que a missão que a grande maioria das instituições de ensino brasileiras assumiu como meta da educação é a formação para o trabalho. a explosão das potências. Ou seja. não forma. e não como um meio para se alcançar fins lucrativos. a educação nietzschiana prima pela geração de homens superiores.

. ISSN 1984-5561. NIETZSCHE. 1994. São Paulo: Escala.). Educação e Cultura em Nietzsche: o duro caminho para tornar-se o que se é. 1998. ano VI. o sectário e o escritor: primeira consideração intempestiva. ______. 2008a. nº 1 (jun. ______. Assim Falava Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Belo Horizonte: Autêntica. 2003. 2008. Oswaldo. Nietzsche: filosofia e educação. São Paulo: Companhia das Letras. Genealogia da Moral: uma polêmica. Norbert. Wilson Antônio. 2008 ). 2013.. Disponível em: <http://bibliotecavirtual. Schopenhauer e o Idealismo Alemão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. GIACOIA JR.219. In: Crítica y Emancipación: Revista Latino Americana de Ciências Sociais. Salvador: Quarteto. 201 . In SILVA. João Carlos Salles da (Org. Friedrich. Nietzsche e a Educação. 3ª ed. 2008. ELIAS. Buenos Aires: CLACSO. jan.org.ar/ar/libros/secret/CyE/cye3S2a. Jorge. Cultura e democracia. . 39 . Ano 1. 71-93. Tradução de Ruy Jungman.-jun. Tradução e notas de Paulo César de Souza. Caicó-RN. p. Sobre o tornar-se o que se é. 1. 2009. Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. DIAS. 2002. Petrópolis.).92 nivelamento do indivíduo. 2ª ed. p. p. Vânia Dutra de (Org. lança-se aqui uma última questão: nossa educação brasileira atual realmente liberta. O Processo Civilizador. Rosa Maria. Tradução e notas de Mário Ferreira dos Santos. p. e revisão e apresentação de Renato Janine Ribeiro. 2004. RJ: Vozes.53-76.clacso. In: AZEREDO. n. Nietzsche educador. São Paulo: Scipione.pdf> Acesso em 18/10/2012. David Strauss. Marilena. LARROSA. Como arremate. ou apenas forma? Referências CHAUÍ. FREZZATTI JR. Ijuí: Unijuí.65.

n.281. p. In: ______. 41 . Rio de Janeiro: Relume Dumará. p. 71-93. Caicó-RN. Tornar-se quem se é: educação como formação. Nietzsche e os Gregos: arte. ROCHA. PINHEIRO. Rio de Janeiro: DP&A.137. 2013. Escritos Sobre Educação: Friedrich Nietzsche.222. São Paulo: Loyola. Escritos Sobre Educação: Friedrich Nietzsche..). M. Noéli Correia de Melo (Org). Sobre o Futuro dos Nossos Estabelecimentos de Ensino. 7 . Noéli Correia de Melo (Org). Trilhas Filosóficas – Revista Acadêmica de Filosofia. 2006. ______. Escritos Sobre Educação: Friedrich Nietzsche. A pedagogia de Nietzsche (Apresentação). C. III Consideração Intempestiva: Schopenhauer Educador.-jun. Tradução de Marco Antônio Casanova. In: SOBRINHO. p. 2003b.93 ______. 2003a. 2003. São Paulo: Loyola. 2003c. revisão Ernani Chaves. memória e educação. (Org.39. SOBRINHO. p. São Paulo: Loyola. In: SOBRINHO. . ______. 264 . 138 . FEITOSA. Noéli Correia de Melo. P. jan. Silvia Pimenta V. p. In: BARRENECHEA. educação como transformação. 1. Segunda Consideração Intempestiva: Da Utilidade e Desvantagem da História para a Vida. ano VI.. ISSN 1984-5561.