50 anos do golpe de 1964

BRUNO CALIXTO, MARINA RIBEIRO E VINICIUS GORCZESKI
31/03/2014 08h43 - Atualizado em 31/03/2014 12h30
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O ano de 1964 começou em 31 de março. Naquele dia, militares, políticos e parte da
sociedade – ressabiada, e irritada, com o então presidente João Goulart, que se
comprometera com reformas trabalhistas e caminhava alinhado à política de esquerda
desenvolvida na União Soviética e na China, em plena Guerra Fria – deflagraram um
golpe de Estado que culminaria na derrocada de João Goulart, e também da democracia.
Para relembrar os acontecimentos daquele ano, ÉPOCA traz quatro listas com 50 sobre
o golpe de 1964. Nelas, constam obras de personalidades – políticos, militares, artistas,
militantes ou jornalistas – que exerceram papel importante nos acontecimentos que se
desdobraram a partir do golpe de 1964. Há também livros, peças teatrais, filmes e
documentários – produzidos durante e depois do regime militar brasileiro – que se
propõem à compreensão não apenas da derrubada de João Goulart da presidência do
país, como também dos futuros 21 anos de ditadura no Brasil.

50 fatos para entender a ditadura
31/03/2014 08h00 - Atualizado em 31/03/2014 13h18
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1. Guerra fria
Antes do golpe
Ao fim da Segunda Guerra Mundial (1945), o mundo divide-se em dois polos: o
capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o comunista, capitaneado pela União
Soviética. O Brasil não escapa dessa nova ordem mundial. O presidente Jânio Quadros
e, em seguida, João Goulart, simpatizam-se pela revolução de Fidel Castro em Cuba
(1959), e quando Jango apresenta suas reformas de base, setores mais conservadores
temem pela implantação do comunismo no Brasil. A radicalização dos dois lados
transforma-se no gatilho para o golpe dos militares em abril de 1964.
2. Golpismo da UDN
Antes do golpe
Para fazer oposição ao governo Getúlio Vargas, surge a União Democrática Nacional
(UDN), na década de 1940, e torna-se porta-voz dos setores mais conservadores da
sociedade brasileira. Sua principal liderança é o então governador da Guanabara, Carlos
Lacerda. Crítico feroz da esquerda, Lacerda passa a atacar seus opositores – por meio de
seu jornal, a Tribuna da Imprensa –, numa feroz campanha anticomunista. Ao acusar
Jânio e Jango de golpistas e defender abertamente uma intervenção militar, Lacerda e o
"udenismo" colaboram para criar o clima de radicalização que culmina no golpe de
1964.

A carta de renúncia de Jânio Quadros (Foto: Reprodução) 3. Jânio renuncia em 1961. Analistas afirmam que a renúncia foi uma manobra – ele esperava voltar ao poder. No poder. com a vacância do cargo. faz reformas conservadoras no plano doméstico. Renúncia de Jânio Quadros Antes do golpe Jânio Quadros. assume o seu vice-presidente e opositor. um político carismático e com rápida ascensão. mas na política externa alinha-se a países socialistas. João Goulart. Não é o que ocorre e. Sua bandeira é "varrer" os corruptos do país. . como Cuba e China – e causa indignação na oposição. é eleito presidente em 1960 com uma campanha anticorrupção. Sem habilidade para enfrentar uma crise política. contando com o apoio da população que o elegeu.

começa na Praça da República e termina com uma missa. centenas de milhares de pessoas vão às ruas na Marcha da Família com Deus pela Liberdade.4. Um grupo de ministros e militares se une para tentar impedir a posse de Goulart. A manifestação. Dia de São José. que fica conhecido como Comício da Central. para "salvar a democracia". A saída política foi aprovar uma emenda que transformava o Brasil em um país com regime parlamentarista. 80% da população aprova o regresso do presidencialismo no país. Comício da Central/Decretos de reforma agrária Antes do golpe No dia 13 de março de 1964. Plebiscito do Parlamentarismo Antes do golpe A campanha da "Cadeia da Legalidade" mostra-se insuficiente para convencer os militares da legitimidade da posse de Jango. Nele. Jango apresenta duas propostas polêmicas. organizada pelo deputado Antônio Sílvio da Cunha Bueno e governador Ademar de Barros.que ocorre semanas depois. e quando Goulart retorna ao país. Cadeia da legalidade Antes do golpe Quando Jânio Quadros renuncia. bancária e eleitoral – estavam travadas pelo Congresso. 7. 8. Leonel Brizola. como a do general Ernesto . Para as lideranças políticas do Exército. queriam uma guinada à esquerda do governo. Jango estava sendo pressionado por seus partidários. Os articuladores da marcha defendem uma intervenção militar no governo de João Goulart . santo padroeiro da família. entre eles o governador do Rio Grande do Sul. O parlamentarismo não funciona. lançam uma campanha para garantir a sua posse. A primeira nacionaliza todas as refinarias de petróleo. A campanha é propagada em rádios pequenas no interior gaúcho. 6. colocadas sob controle da Petrobras. Essa "Cadeia da Legalidade" vence. em São Paulo. como Leonel Brizola. sua posse é assegurada. e aliados trabalhistas. Sua reformas de base – reforma agrária. Marcha da Família com Deus pela Liberdade Antes do golpe A resposta ao Comício da Central chega rápido. Goulart representa uma ameaça de "infiltração comunista" no Brasil. no dia 31 de março. No dia 19 de março de 1964. mas logo dezenas de cadeias de rádio de todo o país transmitem discursos em defesa de Jango. Num plebiscito em 1963. incluindo a Rádio Nacional de Brasília. ferrovias e barragens para fins de reforma agrária. O comício sela essa guinada. Minas Gerais. O ato surpreende até mesmo alas militares. o general Olímpio Mourão Filho comanda uma tropa que marcha em direção ao Rio de Janeiro para derrubar João Goulart da presidência. João Goulart faz um discurso num comício em frente à Estação Central do Brasil. A segunda permite a desapropriação de terras em uma faixa de dez quilômetros das margens de rodovias. Fato que irrita ainda mais os militares. no Rio. A volta de Goulart abre uma crise no país. o vice-presidente João Goulart viajava pela Ásia. na Praça da Sé. Tropas marcham para o Rio O Golpe De Juiz de Fora. o que reduziria os poderes do presidente. 5. Os partidários de Goulart.

o AI-1 prega o fim dos direitos políticos de todos os cidadãos contrários ao novo regime. num texto que nomeia o golpe como “uma autêntica revolução”. Suspensão dos direitos políticos(AI-1) O Golpe “À Nação”. Na lista de ajuda. também institucionalizam-se a eleição indireta e a suspensão . Marcha da Vitória O Golpe Em 2 de abril. até hoje não se sabe –. Assinado pelo general Costa e Silva. João Goulart foge O Golpe Logo após o golpe. além de apoio dos governadores Carlos Lacerda (Guanabara) e Ademar de Barros (São Paulo). a ajuda americana recua antes de aproximar-se da costa fluminense. O objetivo: alcançar a costa brasileira. o novo regime militar se direciona ao lançar o Ato Institucional Número 1 (AI-1). e todas as garantias nela expressas. e apoiado pelo governador mineiro e patrocinador do golpe. reúne-se com o governador gaúcho. Tinha ao lado praças legalistas. órgão apoiador dos golpistas. 10. depois. em 1º de abril. Tampouco eles resistem de forma enfática à marcha. 11. em apoio a Jango. no Rio de Janeiro. remete ajuda tão logo recebe os comunicados de seu embaixador. 12. e pelo governador da Guanabara. batizada de Brother Sam. No dia seguinte à sua edição. Nele. Jango parte do Rio de Janeiro para Brasília e. em 9 de abril de 1964. e disseminador do pensamento contrário a João Goulart. parte para o exílio no Uruguai – de onde nunca mais regressaria. o embaixador americano Lincoln Gordon recorre a seu governo: cobra ajuda armamentícia para o caso de o governo de João Goulart – e seus aliados – confrontar os "revolucionários". Operação Brother Sam O Golpe A proximidade de um golpe de estado ganha a alcunha de "revolução" dos Estados Unidos.Geisel. um dos mais enfáticos defensores do governo Goulart e um articulador da resistência ao regime militar. Jango e seus apoiadores calam-se. e o próprio general de Exército Castelo Branco. carregados de munição. 9. Carlos Lacerda. constam portaaviões e petroleiros. a Marcha da Vitória.por seis meses . O ato é financiado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes). preocupados com os rumos esquerdistas que o governo janguista toma em direção à esquerda. Aos 45 anos. mais de 100 pessoas . Mesmo com a ofensiva militar. A greve trabalhista proposta pelo Comando Geral do Trabalhadores. porém. Jango. Reúne cerca de um milhão de simpáticos ao novo regime. tão logo o golpe prossegue sem resistências dos governistas. um evento que se desdobra da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. secretário de Estado dos Estados Unidos. O golpe ocorre em 1º de abril de 1964. Magalhães Pinto. Dean Rusk. para Porto Alegre. Leonel Brizola. A operação. em tempos de Guerra Fria. desiste de um confronto armado com os militares. os articuladores golpistas realizam. Dias antes do golpe de abril. Mourão Filho tem apoio do governador Magalhães Pinto e de empresários do Estado. Ali. também fracassa (o prório presidente mostra-se avesso à ideia de deflagrá-la). não chega a completar-se – e se os americanos iriam recorrer às armas em caso de resistência ao golpe.da Constituição.

João Goulart. . A primeira delas é o presidente deposto.são cassadas.

promove uma “limpeza” dos oposicionistas e simpáticos a Jango. PSB. além do Plano de Ação Econômica do Governo (Paeg). e o desemprego cresce. cujo objetivo é conter a inflação e dar ritmo ao crescimento econômico. a Lei de Imprensa – que afrouxa a liberdade de expressão –. 14. o PSD. e a Lei de Segurança Nacional. Arena e MDB (AI 2) O Golpe Em 1966. cria-se o Serviço Nacional de informações (SNI). ainda em 1967. Cria-se.13. o país vive sob o bipartidarismo – que duraria 12 anos. o marechal Castelo Branco assume a presidência do país e dá início ao regime ditatorial – por meio do AI-1. mas pede contrapartidas inalcançáveis na nova configuração política: como a exigência de 20 senadores e 120 deputados federais para que um partido seja criado. já que os opositores ao golpe são cassados). . A Arena passa a ser a agremiação dominante nos Estados e no Congresso. cujo objetivo é garantir a espionagem de oposicionistas. O AI-2 não impede a fundação de novas agremiações políticas. e neles os deputados precisam se alinhar: a Aliança Renovadora Nacional (Arena) – alinhado e defensor do regime militar – e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) – de oposição (que na prática não a exerce. os salários enxugam. Com o fim de partidos como a UDN. PTB. perdem. No período. Governo Castelo Branco O Golpe Com a queda de Jango. sob a vigência do Ato Institucional Número 2 (AI-2). o país tem apenas dois partidos. O Executivo ganha mais poderes. e o Legislativo e o Judiciário. Em seu governo.

convocando o Congresso Nacional a escrever uma nova Constituição. Logo no começo do governo. Após uma das manifestações mais . Essas passeatas são reprimidas pela polícia. Costa e Silva baixa o AI-5. a "linha dura". policiais militares matam a tiros o estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto. e a Constituição de 1967 incorpora os Atos Institucionais. O governo Costa e Silva O início da repressão Desde o início do regime. entre eles Márcio Moreira Alves. pouco depois adiante. e oficializa a repressão no Brasil. 17. e outro apoiando a permanência dos militares por um longo período no poder. junto com a entrada em vigor da nova Constituição. Enfrenta ainda a dificuldade no Congresso. de 1946. Desde o golpe. Após votações tensas no Congresso. Passeata dos 100 mil O início da repressão Em março de 1968. quando sofre um acidente vascular cerebral. Sua morte desencadeia uma série de mobilizações do movimento estudantil contra a ditadura. A lei maior do país torna-se mais repressora. e resulta em dezenas de mortos e centenas de estudantes presos. O Congresso redige a nova Carta sobre pressão dos militares. com medidas mais radicais contra a "subversão". Pede a cassação de deputados do MDB. as primeiras mobilizações pós-golpe e os primeiros movimentos da luta armada. Seu governo acaba no ano seguinte. ascende ao comando. No dia seguinte. esse segundo grupo. um defendendo uma intervenção moderada e com a rápida volta ao governo civil.15. 16. formaliza o regime militar e amplia os poderes do Executivo sobre o Legislativo e o Judiciário. o general Castelo Branco edita o Ato Institucional 4. os deputados não cassam Alves. os militares governavam em conflito com a Constituição anterior. Com a chegada de Costa e Silva ao poder. com a publicação do Ato Institucional Número 5 (AI5). A Constituição de 1967 O início da repressão Em 1966. mas enfrenta oposição tanto do MDB quanto da Arena. Castelo Branco tenta publicar a Carta Magna escrita por seus ministros. enfrenta a insatisfação social. Costa e Silva assume a presidência em 1967. os militares dividem-se em dois grupos. que fizera um discurso para que as mulheres se recusassem a namorar soldados – num protesto contra o regime.

ela torna-se símbolo de resistência após um grupo chamado Comando de Caça aos Comunistas invadir o teatro. 20. Os festivais e a música de protesto O início da repressão Com o início da repressão. os festivais de música popular tornam-se um polo de resistência aos militares. surgem músicas de protesto – que ganham ouvintes e sucesso –. os estudantes decidem organizar-se. 19. . caso de "Para não dizer que não falei das flores". É o caso de Chico Buarque. 18. Escrita por Chico Buarque e dirigida por José Celso Martinez Corrêa. o regime decide autorizar uma passeata dos estudantes fluminenses no dia 26 de junho de 1968. com a participação de políticos. a UNE passa a ser perseguida. espancar artistas e depredar o cenário. Nesses festivais. os principais líderes do movimento estudantil. Congresso clandestino da UNE O início da repressão A União Nacional dos Estudantes (UNE). entre eles. principal entidade estudantil brasileira. artistas são vaiados por não apresentarem músicas claramente contrárias à ditadura. Estima-se que mais de cem mil pessoas integrem a manifestação. Em 1968. sua sede é incendiada – e colocada na clandestinidade pela Lei Suplicy de Lacerda. Com a ditadura. tentam realizar o 30º Congresso da UNE. O clima de radicalização teve viéses. artistas e intelectuais. a maior até então contra a ditadura. estava ao lado de João Goulart antes do golpe e defendia as reformas de base. Edu Lobo e Caetano Veloso. em Ibiúna (SP).violentas. Ataque ao elenco de Roda viva O início da repressão Os primeiros anos da ditadura – quando a censura ainda não estava institucionalizada – provoca o engajamento de muitos artistas. A presença de estudantes na cidade alerta as autoridades. de Geraldo Vandré. A peça teatral Roda viva é uma delas. Mesmo sem respaldo. que fazem um cerco à fazenda onde o congresso seria realizado e prendem centenas de estudantes.

21. 1968 e o AI-5 O início da repressão O Ato Institucional 5 é baixado pela ditadura como a medida mais dura editada até .

intervir nos Estados e municípios. semanário humorístico criado por Jaguar. jornalistas e artistas são presos e perseguidos. políticos. a imprensa alternativa mobiliza-se. O milagre econômico Anos de chumbo As medidas do Paeg. E ganha um papel importante na luta luta contra a ditadura. por meio de textos. e a atuação das forças policiais. desenvolvido ainda no governo Castelo Branco. Mas ele continua sendo editado graças à colaboração de intelectuais cariocas. a Dissidência . é sequestrado por integrantes de grupos de extrema-esquerda. suspender os direitos políticos de qualquer cidadão. mais violenta. 24. Nesse contexto. as mortes. jornalistas do Pasquim são presos numa ação que buscava evitar novas críticas ao regime. A tortura ganha força – e o número de exilados se alastra. Mas. surtem resultados e o país cresce exponencialmente durante o período Médici (entre 7% e 13% ao ano). Estudantes. entre outros. Henfil. 22. desenhos e quadrinhos irônicos e críticos. O AI5 autoriza o Executivo a: decretar o recesso do Congresso Nacional. torna-se importante voz contra a ditadura. O Pasquim Anos de chumbo Com a censura prévia funcionando em todos os grandes jornais. o que eleva a desigualdade de renda no país e a pobreza. O Congresso é imediatamente fechado e deputados são cassados – e perseguidos. A medida entra em vigor no dia 13 de dezembro de 1968 e inicia a fase mais violenta do regime militar. a inflação cresce: atinge os 20% no período. Millôr. Presos e interrogados. como Ziraldo. cassar mandatos parlamentares. 25. o número de desaparecidos políticos e as torturas. embaixador americano no Brasil entre 1969 e 1970. Os deputados só voltam à atividade no fim de 1969. enquanto o governo cria slogans como "Ninguém mais segura este país". marcado pelas investidas contra grupos de esquerda e guerrilheiros (em São Paulo e no Araguaia) e qualquer um que se opusesse a seu governo. a indústria e a infraestrutura são impulsionadas e o emprego cresce nessas áreas. Uma metáfora à realidade dura e repressiva de seu governo. 23.então. são "aconselhados" pelo regime a deixar o país e partir para o exílio. os militares assumem poderes absolutos para governar o Brasil. Em 1970. Governo Médici Anos de chumbo Médici substitui Costa e Silva na presidência do país inaugurando os “Anos de chumbo”. Entre eles. Sequestro do embaixador americano (1969) Anos de chumbo Charles Burke Elbrick. decretar o confisco de bens considerados ilícitos e suspender a garantia do habeas corpus. O jornal conta com a participação de grandes nomes. duas semana após o decreto do AI-5. Aumentam a repressão. 26. Os tropicalistas Caetano e Gil são acusados de fazer apresentações subversivas. dois dos principais nomes da música brasileira são presos em dezembro de 1968. E a distribuição de renda mantém-se concentrada. O jornal O Pasquim. Censura e repressão/Prisão de Caetano e Gil Anos de chumbo O AI-5 torna a repressão muito mais forte. Com o ato.

Os horrores do DOI-CODI Anos de chumbo O Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) é criado pelo Exército com uma missão clara: combater a esquerda armada. na Guanabara. seu governo deflagra uma campanha patriótica milionária.Comunista da Guanabara. contudo. ame-o ou deixe-o". Seu biógrafo. efeito reverso.entre eles. Enquanto as escolas são palco de censores. o país recebe uma série de propagandas ufanísticas. Mário Magalhães. chamada de MR-8 em homenagem a um grupo guerrilheiro. em São Paulo. diz que Marighella estava desarmado no momento do ataque. O governo militar cede. e liberta os presos. na época chefiado pelo delegado Sérgio Fleury. O guerrilheiro é morto na ação. estudantes e professores são perseguidos. Morte de Marighella (1969) Anos de chumbo Um dos principais nomes da luta armada do Brasil. O grupo reivindica ainda a libertação de 13 presos políticos . na garupa do crescimento econômico. mas resistiu – tentando levar à boca cápsulas de veneno para evitar a prisão. com Cid Benjamin. A ideia era iniciar uma ação armada a fim de tirar da cadeia o líder estudantil Vladimir Palmeira – um dos nomes a manifestar-se contra a repressão intensificada em 1968. que exilam-se no México. e a Ação Libertadora Nacional. ou "Este é um País que vai para frente". O idealizador do sequestro é Franklin Martins. Fica conhecido por institucionalizar a tortura de opositores. A educação moral ganha. Fleury arma uma emboscada após deter frades dominicanos que ajudavam a guerrilha de Marighella. Carlos Marighella é perseguido pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops). que o jornalista Vladimir Herzog é torturado e morto. 27. . como "Brasil. além do apoio de outros nomes. como Fernando Gabeira. Educação moral e cívica/ Ame-o ou deixe-o Anos de chumbo Durante o governo Médici. José Dirceu. É nas suas dependências. 29. Tudo com o objetivo de atrair a simpatia civil e passar uma imagem de otimismo geral. 28. e a produção cultural é afetada e a influência cultural estrangeira passa a ganhar espaço no país. O futebol também é usado na propaganda militar.

A Copa do Mundo de 1970 Anos de chumbo .30.

33. A crise se alastra em 1979. A ditadura reprime a mobilização com força. os militares capturam.000%. dependente da importação de combustível. Governo Geisel/Desenvolvimentismo O fim do milagre Ernesto Geisel assume o poder após vencer Ulysses Guimarães em votação indireta no Colégio Eleitoral. os militares autorizam que as eleições legislativas de 1974 sejam feitas com campanha . Formada por dissidentes comunistas do PCdoB que buscaram a região do rio Araguaia. Nesse contexto. A oposição consegue eleger 16 senadores das 22 vagas em disputa no Senado. em razão ao seu apoio a Israel. O motivo: suicídio. 35. Guerrilha do Araguaia (1973-74) O fim do milagre A Guerrilha do Araguaia. sua meta é lutar contra o regime. a Comissão da Verdade trabalha para encontrar os restos mortais dos guerrilheiros.Derrota da Arena O fim do milagre A primeira grande derrota da ditadura após o AI-5 vem pelas urnas. O objetivo? Mostrar um Brasil forte. O Campeonato Brasileiro infla e chega a reunir mais de 90 times no fim de 1970. o futebol e a campanha do Brasil na Copa do Mundo são usadas pelo governo como forma de propaganda política. 31. Morte de Vladimir Herzog O fim do milagre No dia 25 de outubro de 1975.Durante o governo Médici. O motivo é explicado pela máxima: "Onde a Arena vai mal. como a usina hidrelétrica de Itaipu. Os militares esperavam uma vitória fácil da Arena. 32. Atualmente. 34. Nos anos seguintes. O Brasil. e lança um programa de incentivo ao álcool combustível numa tentativa de enfrentar a crise mundial do petróleo. os países produtores de petróleo aumentam unilateralmente o preço do óleo em 300% e embargam a venda aos Estados Unidos e à Europa. No plano econômico. os militares lançam forte campanha publicitária que apela ao nacionalismo.e com algum grau de liberdade. mais um no nacional". surge inspirada na Revolução Cubana.com forte inflação e dívida externa elevada. torturturam e matam prisioneiros. quando a revolução islâmica interrompe o fornecimento da commodity. elevando seu preço em 1. a principal ação de luta armada rural no Brasil. Em uma famosa foto divulgada pelo Exército. o serviço de inteligência do Exército informa a morte do jornalista e diretor de Jornalismo da TV Cultura. os militares aproximam-se das federações de futebol e apoiam os campeonatos de clubes. Ele continua promovendo grandes obras de infraestrutura. No clima da abertura "lenta e segura" promovida pelo governo Geisel. e busca reduzir a repressão com uma "abertura política lenta. Vlado aparece com uma tira de pano no pescoço. Crise do petróleo O fim do milagre Na década de 1970. sofre grande prejuízo e vê sua dívida externa disparar. O corpo do jornalista . gradual e segura". Vladimir Herzog. mas a população não os acompanha no pleito e vota de forma expressiva no MDB. Entre 1972 e 1975. Eleições de 1974 . duas crises no Oriente Médio fazem o preço do petróleo disparar no mundo. Em 1973. enfrenta as mazelas do fim do "milagre econômico" . Logo fica evidente que a imagem era uma farsa. Muitos continuam desaparecidos. unido e campeão. na Amazônia.

Com o seu fim. Geisel resolve o problema fechando o Congresso e baixando uma série de medidas para assegurar a maioria governista. A . dando amplos poderes ao Executivo. Geisel prefere como seu sucessor o general João Bapitista de Oliveira Figueiredo. em 1978. Geisel demite Frota – que retira-se da vida política. A morte de Herzog causa comoção popular. Em seu pescoço. marcas de estrangulamento. o governo Geisel prepara-se para mais uma eleição legislativa e de governadores com temor de nova derrota nas urnas. além de furor. 38. seguindo a sua linha de uma abertura "lenta e segura". O fim dos do AI-5 passa a valer em janeiro de 1979. e o governo falha ao tentar aprovar uma emenda para torná-las indiretas. 39. 40. a Justiça reconhece o culpado pelo assassinato: o Estado. Demissão do general Sylvio Frota do Ministério do Exército O fim do milagre Sylvio Frota. Sua atuação tem papel importante na virada do regime militar rumo à abertura. Em meio a uma crise na cúpula militar. Três anos após a morte. ampliando a justiça militar.apresenta sinas de tortura. ganha. é promulgado um decreto de Lei de Segurança Nacional. Pelo ângulo em que é fotografado. como ocorreu em 1974. durante o governo de Castelo Branco. o general Geisel revoga os poderes do AI-5. então comandante do Exército. em 1974. torna-se chefe do Estado-Maior do Exército quando Geisel assume o poder. por conta da oposição do MDB. o governo abre caminho para a aprovação da Lei de Anistia e a volta dos opositores exilados. estabelecendo penas duras para crimes de segurança nacional. O Pacote de Abril define eleições indiretas para governador. Pela Constituição em vigor. fora do poder. mas Frota disputa a vaga. Pacote de Abril de 1977 O fim do milagre Em 1977. Anos depois. uma nova lei de segurança é sancionada. cujo objetivo é fortalecer o regime e conter o avanço do comunismo. como a Lei de Anistia. Lei de Segurança Nacional O fim do milagre Em março de 1967. exige que um terço do Senado seja escolhido por indicação – os "senadores biônicos" – e amplia o mandato presidencial para seis anos. apesar do apoio de uma ala linha dura que permanece no governo. 37. fica claro que o enforcamento é hipótese fraca. Usando os poderes do AI-5. Ela prevê punições mais brandas e redução de penas dos condenados durante o regime militar – um decreto autoriza o regresso de exilados ao país. Forte defensor da linha dura de repressão. deteriorando as funções legislativas no Congresso. Estagflação O fim do milagre Durante o governo Figueiredo. Depois. O decreto ainda extingue todos os atos institucionais em vigor e suas emendas – restaurando o habeas corpus. O fim do AI-5 O fim do milagre No fim de 1978. as eleições para governador devem ser diretas. o Brasil passa por um situação econômica incomum. critica as medidas a caminho da redemocratização. o Ministério do Exército – em razão da morte do então ministro Vicente de Paulo Dale Coutinho. 36. em 1979.

A situação econômica do país chega a níveis tão alarmantes que Figueiredo é forçado a recorrer a empréstimos no Fundo Monetário Internacional (FMI). Depois. Greves do ABC (1979) O fim do milagre Em 1978. além do PT. depois de grande mobilização popular. Então líder do sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo.estagflação é a junção dos conceitos de estagnação econômica. Anistia (1979) O fim do milagre Em agosto de 1979. . Luiz Inácio Lula da Silva torna-se conhecido ao defender a correção salarial e a pauta trabalhista. incorporam-se ao seu discurso as eleições diretas para presidente. Partidos à esquerda. 42. 41. deflagra-se uma onde de greves trabalhistas. capitaneados por Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Menenguelle. PDT e o PCdoB entre eles. surgem o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) – central sindical até hoje controlada pelo PT –. torturados e exilados que foram alvos dos atos institucionais ou da repressão. Nos início dos anos 1980. quando o país não consegue crescer. o governo Figueiredo lança a Lei de Anistia. iniciadas no Grande ABC. sede do maior parque industrial do país. marchavam pelas eleições diretas – e ganham a simpatia da classe trabalhista e oposicionista ao regime militar. com altos índices de inflação. concedendo perdão político a presos. respectivamente. Por também conceder perdão a torturadores do regime. 43. Fundação do PT (1980) Transição para a democracia Do movimento grevista. a lei é alvo de discussão até hoje. as campanhas grevistas espalham-se para outros Estados e sindicalistas são perseguidos. em 1982.

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propõe o restabelecimento de eleições diretas para a Presidência da República em dezembro do ano seguinte. Eleição indireta de Tancredo/A morte de Tancredo Transição para a democracia Após a derrota da emenda Dante de Oliveira. vítima de diverticulite. mortes. ampliado com a Lei de Anistia de 1979. em 15 de janeiro de 1985. em 2 de março de 1983. que pedem eleições "Diretas Já". para então ser vinculado à linha dura do regime (a bomba explodira num carro onde estavam o sargento Guilherme Pereira do Rosário – morto no episódio – e pelo capitão Wilson Dias Machado). mata um militar. mostrou-se muito mais grave e Tancredo morreu na noite de 21 de abril. 45. não sem enfrentar forte resistência de alas militares que continuam a perseguir opositores ao regime e tentar brecar a redemocratização. a renunciar o cargo. o país manteve as eleições indiretas. realizam-se eleições diretas para governador. é internado em estado grave. Contudo. Na manhã do dia 22. Sinal da liberação de presos políticos. prefeitos e vereadores – mas as coligações estavam vetadas para evitar apoio de oposições. em 14 de março de 1985. por uma diferença de apenas 22 votos e muitas abstenções. como o PMDB e o PTB. 47. Tancredo Neves consegue algo inédito na história recente do país: lançar-se candidato por uma coligação de partidos de oposição reunidos na Aliança Democrática. Comícios e passeatas reúnem mais de um milhão de pessoas. em 30 de abril. Investigações muito posteriores ao atentado apontam quatro militares culpados pelo atentado. em 25 de abril de 1984. além do apoio da Igreja Católica. Golbery do Couto e Silva. e a deterioração econômica. Diretas Já/Derrota da emenda das Diretas Transição para a democracia A proposta de emenda constitucional apresentada pelo deputado federal Dante de Oliveira. cria-se o Comitê Brasileiro pela Anistia – fruto da aliança de opositores e familiares de presos. tendo como vice o senador José Sarney. Seu governo ainda é marcado por um atentado a bomba no centro de convenções Rio Centro. O que era uma suspeita de apendicite. que começava a ganhar forma no governo Figueiredo – um atentado a bomba no centro de convenções Riocentro ocorreu em abril de 1981. Atentado ao Riocentro Transição para a democracia Considerado hoje um ultimato das alas mais conservadoras entre os militares – e contrárias à abertura do regime militar rumo à redemocratização. Siglas comunistas e de esquerda continuam ilegais. 46. Em 1982. Civis apoiam as libertações. deputados. Governo Figueiredo Transição para a democracia Com a posse do general João Baptista Figueiredo. vencendo o candidato governista Paulo Maluf. mas não chega a completar-se. e a linha dura remanescente no governo Figueiredo teme o ato por considerá-lo um manifesto contrário à ditadura. Sarney é confirmado como o novo . exilados e torturados políticos. Ele sai vitorioso da eleição indireta feita pelo Colégio eleitoral. imediatamente o caso é ligado a grupos esquerdistas. a transição democrática ganha mais força. O fracasso nas investigações do atentado leva o chefe da Casa Civil. da Frente Liberal. Apesar da mobilização.44. Em 1978. No dia. milhares comemoram o Dia do Trabalho. na véspera da posse. A aprovação da emenda é apoiada por diversas camadas da sociedade – e chega às ruas. Figueiredo autoriza uma reforma partidária que põe fim ao bipartidarismo e favorece a criação de novos partidos. Depois da explosão da bomba.

Seu governo é marcado por dois grandes objetivos: reconstruir a democracia e enfrentar a crise . 48. Sarney e o primeiro governo civil Transição para a democracia José Sarney é o primeiro presidente civil a assumir o cargo desde 1964.presidente do país.

outros planos tentam recuperar sem sucesso a economia brasileira. A crise agrava-se. A Constituinte Transição para a democracia "É um parlamento de costas para o passado este que se inaugura hoje para decidir o destino Constitucional do país”. Nos meses de discussão. 49. . mais de 70. lançando o Plano Cruzado. quando a advogada Eny Raimundo Moreira teve a ideia de copiar processos relacionados a presos políticos. oficialmente. O processo para seu lançamento começara anos antes. a carta foi promulgada. o livro Brasil: nunca mais é lançado. Institui a Assembleia Constituinte.mp. Em 5 de outubro de 1988. O documento foi elaborado com amplo apoio popular. o período de transição rumo à democracia.mpf. no dia 1º de fevereiro de 1987. com seis anos de trabalho em sigilo. calcula-se que 5. Após 19 meses de trabalho. O povo elege Fernando Collor de Mello.br/#!/bnm-historia 50. cidadãos discursavam em audiências públicas e mais de uma centena de propostas de emendas foram levadas ao Congresso (com mais de um milhão de assinaturas). a tarefa é finalizada. ocorrem as primeiras eleições diretas para presidente desde 1960. os 559 parlamentares – senadores e deputados com votos de mesmo valor – conseguiram atingir maioria absoluta. foi com estas palavras que Ulysses Guimarães (PMDBSP) abriu os trabalhos da Assembleia Constituinte. Em 1989. A ideia é levada pelo reverendo da Igreja Presbiteriana Jaime Wright e ao cardeal da Igreja Católica Dom Paulo Evaristo Arns. Sindicatos faziam greves por questões constituintes.inflacionária. Ao longo do mandato. e Sarney decreta moratória da dívida externa. e nele tornam-se públicas descobertas feitas da análise de 700 processos políticos que tramitaram pela Justiça Militar.4 milhões de pessoas circularam livremente pelo Congresso – fazendo pressão. A nova carta da nação ganharia o apelido de “Constituição cidadã” de Guimarães. Encerra-se. A reprodução dos 710 processos judiciais consultados soma cerca de 900 mil cópias em papel e 543 rolos de microfilmes. O pacote econômico determina o tabelamento de preços. O intuito era garantir que o registro continuasse a existir mesmo que os originais desaparecessem durante o processo de redemocratização. entre abril de 1964 e março de 1979. Aproximadamente.000 cartas foram enviadas com sugestões da sociedade civil. Antes mesmo do início das discussões no Congresso. disponíveis hoje na rede – http://bnmdigital. que conseguem financiamento do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). O Brasil rompia de vez com a Constituição de 1967 e o regime militar. mas acaba vencido pela euforia do consumo poucos meses depois de entrar em vigor. Igreja denuncia tortura no período militar Transição para a democracia Em 1985.

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