Universidade Técnica de Lisboa

Faculdade de Motricidade Humana

Efeitos da aplicação de treino intervalado e de exercícios de
jogos reduzidos na resistência específica em praticantes de
Futebol

Dissertação apresentada com vista
à obtenção do grau de mestre
em Treino de Alto Rendimento

Orientador: Professor Doutor Francisco José Bessone Ferreira Alves

Vítor Alexandre Marreco de Gouveia
2011
1

ÍNDICE GERAL
ÍNDICE DE FIGURAS .................................................................................................... 4
ÍNDICE DE TABELAS ................................................................................................... 5
LISTA DE ABREVIATURAS......................................................................................... 6
AGRADECIMENTOS ..................................................................................................... 8
RESUMO ......................................................................................................................... 9
ABSTRACT ................................................................................................................... 10
Capítulo I ........................................................................................................................ 12
Introdução ....................................................................................................................... 12
1.1.

Âmbito do Estudo......................................................................................... 12

1.2.

Definição do problema ........................................................................................ 13

1.3.

Pressupostos ........................................................................................................ 14

1.4.

Hipóteses ............................................................................................................. 14

Capítulo II ....................................................................................................................... 17
Revisão de Literatura ...................................................................................................... 17
2.1. Factores de sucesso .............................................................................................. 17
2.1.1.

Distância percorrida ................................................................................ 19

2.1.2.

Categorias de deslocamento..................................................................... 20

2.1.3.

Corrida de alta intensidade ...................................................................... 21

2.2.

Parâmetros fisiológicos ................................................................................ 24

2.2.1.

Frequência cardíaca................................................................................. 25

2.2.2.

Relação entre frequência cardíaca e consumo máximo de oxigénio ....... 26

2.2.3.

Avaliação do consumo máximo de oxigénio............................................. 28

2.3.
2.3.1.

Testes físicos aplicados ao Futebol .............................................................. 30
Yo-Yo Intermittent Recovery Test ............................................................. 33

2.4.

Posições de jogo ........................................................................................... 37

2.5.

Nível competitivo ......................................................................................... 39

2.6.

Fadiga ........................................................................................................... 41

2.7.

Métodos de treino usados em Futebol para desenvolver a capacidade aeróbia
45

2.7.1.

Treino intervalado .................................................................................... 47

2.7.2.

Exercícios de jogos reduzidos .................................................................. 50

2.7.2.1. Intensidade ............................................................................................... 57
2

2.7.2.2. Intervalos de recuperação ........................................................................ 59
Capítulo III ..................................................................................................................... 62
Metodologia .................................................................................................................... 62
3.1.

Amostra ............................................................................................................... 63

3.2.

Desenho experimental ......................................................................................... 64

3.2.1.

Treino de corrida intervalado ....................................................................... 65

3.2.2.

Exercício de jogo reduzido ........................................................................... 66

3.2.3.

Yo-Yo intermittent recovery test level 1 ....................................................... 67

3.2.4.

Respostas fisiológicas durante o Yo-Yo intermittent recovery test level 1 69

3.2.4.1. Pico de consumo de oxigénio ..................................................................... 70
3.2.4.2. Frequência cardíaca .................................................................................. 70
3.3.

Análise estatística ................................................................................................ 71

Capítulo IV ..................................................................................................................... 73
Apresentação e discussão dos resultados........................................................................ 73
4.1.

Apresentação dos resultados................................................................................ 73

4.2.

Discussão dos resultados ..................................................................................... 76
4.2.1.
level 1

Evolução do pico de consumo de oxigénio no Yo-Yo intermittent recovery
77

4.2.2.

Distância percorrida no Yo-Yo intermittent recovery test level 1 ............ 79

Capítulo V ...................................................................................................................... 82
Conclusões e recomendações para investigações futuras ............................................... 82
5.1.

Conclusões ........................................................................................................... 82

5.2.

Recomendações para estudos futuros .................................................................. 83

BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................ 84

3

............... *Diferenças estatisticamente significativas para P < 0.Esquematização da aplicação do YYIRT1.............................05......................... 3ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de EJR).....Variação da DP no YYIRT1.. 2ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de treino intervalado................. . (1ª aplicação – início do estudo.............. (1ª aplicação – início do estudo...... 69 Figura 4 ...... ................Circuito utilizado no protocolo de treino intervalado de corrida contínua. (1ª aplicação – início do estudo.. .... ......... 3ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de EJR)................................................ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1........................................ 3ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de EJR)...........Variação do VO2pico.. 74 Figura 5 ....................... ... 2ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de treino intervalado........................... 67 Figura 3.......... (1ª aplicação – início do estudo.........Variação do VO2pico individualmente..................... 66 Figura 2 – Área de jogo utilizada para o EJR............. 76 4 ........ 74 Figura 6 ....... 3ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de EJR)............... ..... 2ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de treino intervalado..... Não se verificam alterações estatisticamente significativas P < 0............. 75 Figura 7 .............05........................Variação da DP individualmente.. 2ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de treino intervalado..

..............Resumo da amostra......................Constituição dos níveis no YYIRT1 (Krustrup et al......................... 3ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de EJR).... 63 Tabela 2 ... 2ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de treino intervalado................... ....... 67 Tabela 3 .. 2001).......................................... *Diferenças estatisticamente significativas para P < 0...................... .. (1ª aplicação – início do estudo.ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 .Aplicação dos 2 protocolos de treino: intervalado e EJR.............. 73 5 .... 68 Tabela 4 – Resultados obtidos no VO2pico.... ................... DP e FCmax..05.........................

excess post-exercise oxygen consumption FC – frequência cardíaca FCmax – frequência cardíaca máxima FCmédia – frequência cardíaca média GR – guarda-redes H1 – hipótese 1 H2 – hipótese 2 H3 – hipótese 3 IFT .Université de Montréal Track Test VO2 – consumo de oxigénio VO2max – consumo máximo de oxigénio 6 .countermovement jump CP .LISTA DE ABREVIATURAS 20MSR – multistage shuttle run AV – avançado(s) CMJ .intermittent field test EJ – exercícios de jogos reduzidos LIST .Loghborought intermittent shuttle test MA – médio(s) ala(s) MC – médio(s) centro MD – médio(s) defensivo(s) MED – médio(s) RPE – escala de esforço percebido UMTT .creatina fosfato DC – defesa(s) central(is) DP – distância percorrida EPOC .

VO2pico – pico de consumo de oxigénio YYET – Yo-Yo durance test YYIRT – Yo-Yo intermittent recovery test YYIRT1.Yo-Yo intermittent recovery test level 1 7 .

. Aos meus camaradas de serviço que permitiram que pudesse frequentar as aulas e me ajudaram sempre que precisei de tempo para trabalhar no mestrado. Lídio Fernandes e Nuno Ventura pela camaradagem. pela ajuda feita na revisão e por tudo o resto pelo qual nunca lhe serei suficientemente grato.Ao meu pai que sempre me apoiou em tudo e pelo exemplo que foi. Aos licenciados Jorge Dinis.AGRADECIMENTOS Findo este trabalho. . 8 . Aos elementos da amostra pela colaboração e disponibilidade.Ao Tozé por ser o meu melhor amigo. À Mestre Maria João Valamatos por ter sido incansável em toda a ajuda que me deu ao longo de todo o mestrado. Ao Professor Doutor Francisco Alves pela orientação serena que me transmitiu ao longo de todo o processo de elaboração da tese.Ao Biga pelo exemplo que é. construção e aplicação da metodologia e pela disponibilidade manifestada.À minha tia por ser uma segunda mãe. solidariedade e ajuda prestados durante todo este tempo em que convivemos na FMH. . Por último quero agradecer àqueles que sempre me acompanharam e incentivaram: . .À minha mãe. Ao Nuno Amaro pelo auxílio prestado na revisão da tese. não seria justo concluí-lo sem agradecer a algumas pessoas que me ajudaram a torná-lo real.

recorrendo a 2 tipos de treino: i) Treino de corrida intervalado 4 x 3’ com 3’ de recuperação entre séries. Dados recolhidos de 7 universitários (n = 7). treino intervalado. Não encontrámos diferenças estatisticamente significativas no VO2pico (P < 0. executaram novamente o YYIRT1 e de seguida iniciaram novo período de 4 semanas com recurso a EJR de 4 x 4 com a dinâmica da carga descrita anteriormente para o treino intervalado. que executaram o YYIRT1 antes da aplicação do protocolo e depois foram sujeitos a treino intervalado durante 4 semanas. Os resultados indiciam que o treino intervalado e os EJR permitiram uma melhoria na DP no YYIRT1 ao fim de 8 semanas e houve uma maior eficácia dos sistemas envolvidos no transporte. 9 . YYIRT1.05) e na DP verificámos diferenças estatisticamente significativas entre T1 3 e T2 3 (P < 0. ii) EJR 4 x 3’ com 3’ de recuperação.05).RESUMO O objectivo deste estudo foi verificar a evolução no VO2pico e na DP no YYIRT1 em jovens universitários. fixação e utilização do O2 (manutenção VO2pico e melhoria da DP). EJR. Finalmente repetiram o YYIRT1 para verificar a evolução do VO2pico e da DP. PALAVRAS-CHAVE: DP. VO2max VO2pico.

small-sided games. They executed the YYIRT1 again and initiated a new period of 4 weeks with resort to small-sided games of 4 x 4 with the dynamics of the load for the interval training. Finally they repeated the YYIRT1 to verify the evolution of the variables.05). being appealed 2 types of training were applied: i) interval running training 4 x 3' with 3' of recovery between series during 4 weeks. ii) small-sided games 4 x 3' with 3' of recovery. VO2max VO2peak.05) and in the distance covered. We did not find any statistically significant differences in VO2peak (P < 0. interval training. Data was collected from 7 university students (n = 7).ABSTRACT The main goal of this study was to verify the evolution of VO2peak and in the distance covered in the YYIRT1 in university students. YYIRT1. that executed the YYIRT1 before the application of the interval training protocol during 4 weeks. KEY-WORDS: distance covered. 10 . transportation and utilization of the O2 (VO2peak maintenance and improvement of the covered distance). The results show that the interval training and the small-sided games allowed an improvement in the covered distance in the YYIRT1 at the end of 8 weeks and that there was a greater efficacy in the systems involved in the fixation. We observed significant statistical differences between T1 3 and T2 3 (P < 0.

4. Definição do problema 1.3.1.CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO 1. Âmbito do Estudo 1. Hipóteses 11 .2. Pressupostos 1.

com alteração da actividade a cada 4 . 1994.. com um jogador de topo a desempenhar aproximadamente 1350 actividades durante um jogo. citado por Svensson & Drust. mas estes períodos e os momentos de baixa actividade aumentam com o aproximar do fim do jogo. entre 30 a 40 saltos (Mohr et al. Os períodos de descanso são de 2 segundos a cada 2 minutos.. 1986.6 segundos. Bangsbo. 2003). no qual o sistema aeróbio é altamente solicitado (Bangsbo.” Reilly (2005) 1. quando os jogadores não conseguem compensar ou apoiar os colegas. Ekblom. 2007). 2005. respectivamente de 85 e 98% dos valores máximos (Ali & Farrally.1. Âmbito do Estudo A análise de jogo é cada vez mais uma ferramenta importante no trabalho dos treinadores e das suas equipas.. em simultâneo com o desenvolvimento da condição física da equipa. refere que jogar Futebol constitui 12 .Capítulo I Introdução “O Futebol é um desporto colectivo. 2005). ajudando a identificar maus e bons desempenhos de jogadores ou equipas (Di Salvo et al. Reilly (2005). O Futebol é frequentemente definido como um exercício de carácter intermitente. Reilly (1997) refere a predominância aeróbia do Futebol. a prioridade na preparação dos jogadores deve ser melhorar as suas capacidades individuais de modo que o grupo se torne efectivamente uma unidade competitiva. é fornecida pela via aeróbia). incluindo 220 corridas de alta velocidade. pois permite a focalização em aspectos de jogo que são indicadores de performance de relevo. Uma dificuldade que o treinador encara é a identificação das fraquezas individuais que possam ser melhoradas com o treino. 1991. 1994. refere que 90% da energia consumida durante um jogo. com valores máximos e médios. Krustrup et al.

é sugerido o recurso a treino aeróbio de alta intensidade. 2009). flexibilidade e agilidade (Ekblom. como por exemplo. direcção e que possibilitem a reprodutibilidade dos padrões de movimento manifestados no jogo de Futebol. (2004) também descrevem o esforço da modalidade como os autores citados anteriormente e reforçam a ideia de que os momentos decisivos do jogo são precedidos de acelerações. em jovens universitários. Reilly & Doran..realizar exercício no qual a realização de esforços de alta intensidade é acíclica e como tal imprevisível. ii) protocolo de EJR. após a aplicação de i) protocolo de treino de corrida intervalado. Este objectivo pode ser alcançado através da aplicação de EJR no treino. 2003. bem como das habilidades técnicas e tácticas no desempenho do Futebol. As exigências fisiológicas do jogo requerem que os jogadores sejam competentes em diversos aspectos da condição física. Definição do problema O principal objectivo deste estudo é comparar a evolução do VO2pico e a DP no YYIRT1. envolvendo mudanças de velocidade.2. velocidade de corrida. incluindo potência aeróbia e anaeróbia. 1986. impulsão vertical e da capacidade de disponibilização de energia. 2005. preferencialmente com bola. em consequência do que foi referido anteriormente.. 13 . analisando a evolução de cada uma desta variáveis. Arnason et al. 2004). força muscular. Dupont et al. Como tal incorpora períodos de actividade de alta intensidade com outros de menor intensidade. realçando o carácter decisivo de factores como a capacidade de aceleração. em 2 períodos distintos de 4 semanas. sprints. apresentando esta metodologia específica do Futebol várias vantagens. citados por Svensson & Drust. Hoff (2002) refere a importância das capacidades fisiológicas. saltos e remates. Assim. 1. com várias séries. o facto de ser fundamental que as actividades de treino reproduzam as exigências do jogo para que os músculos e grupos musculares envolvidos no jogo possam ser treinados e as capacidades coordenativas específicas se desenvolvam (Iaia et al.

ii) EJR. Impellizzeri et al. Será expectável uma melhoria dos parâmetros avaliados no YYIRT1 ao fim das 8 semanas em que foram combinados treino de corrida intervalado e EJR. utilizando ainda um aspecto importante do treino intervalado. (Helgerud et al. durante 2 períodos distintos de 4 semanas. uma vez por semana. 2006. aliando as duas vertentes (física e técnico-táctica).1. 1.. A dinâmica da carga é a mesma nos 2 protocolos: 4 x 3 minutos. isto é. que é a economia de tempo... surgem os EJR. O esperado é que a amostra alcance idêntica evolução do VO2pico e na DP (variáveis dependentes). Pressupostos Boa parte da lógica deste estudo baseia-se na necessidade de haver uma maior especificidade no treino. 2005. com 3 minutos de recuperação entre séries. permite trabalhar a uma intensidade mais elevada durante um maior período de tempo. podendo ser conseguida através da integração do trabalho de condição física no espaço de treino dedicado à melhoria das capacidades técnicotácticas (Little & Williams. 2008..4. 14 . 2007). são igualmente eficazes no desenvolvimento da capacidade aeróbia dos jogadores. Rampinini et al. Impellizzeri et al. Hill-Haas et al. realçando o benefício de recurso aos EJR. Hipóteses Este estudo pretende verificar a evolução da mesma amostra sujeita a 2 protocolos de treino diferentes: i) treino intervalado. 2006. pois além de permitirem trabalhar aspectos técnico-tácticos..3. quando comparado com o treino contínuo. 2001). Da necessidade supramencionada.

O grupo apresenta resultados diferentes aos 2 tipos de treino. 15 .Em síntese: H1 . H3 . H2 – Ao fim de 8 semanas de combinação de treino intervalado e EJR. verificam-se melhorias das variáveis dependentes entre a primeira e a terceira aplicação do YYIRT1.Ambos os protocolos de treino apresentam idênticos resultados na melhoria do VO2pico e DP no YYIRT1.

Métodos de treino usados em Futebol para desenvolver a capacidade aeróbia 2. Factores de sucesso 2. Distância percorrida 2.2.1.1.1. Treino intervalado 2. Intervalos de recuperação 16 .1. Frequência cardíaca 2.3. Testes físicos aplicados ao Futebol 2. Fadiga 2.2.7.3.2. Relação entre frequência cardíaca e consumo máximo de oxigénio 2.5.1. Avaliação do consumo máximo de oxigénio 2. Parâmetros fisiológicos 2.3. Corrida de alta intensidade 2.2.7. Categorias de deslocamento 2.7.6.2.2.3.1.CAPÍTULO II – REVISÃO DE LITERATURA 2. Exercícios de jogos reduzidos 2.1.2.7.4.2. Nível competitivo 2.1. Posições de jogo 2. Intensidade 2.2.7.2. Yo-Yo Intermittent Recovery Test 2.1.

Esta relação entre experiência e habilidades motoras específicas não é tão linear quanto pode parecer e por isso carece de uma investigação mais aprofundada. comprovando uma forte relação entre o condicionamento aeróbio. Factores de sucesso Alguns treinadores destacam frequentemente a importância das habilidades motoras individuais. O sistema aeróbio é a principal via de fornecimento energético durante um jogo de Futebol e os valores médios de VO2max para jogadores de topo tendem a ser elevados (Reilly. 2005). 2000). Os jogadores da equipa profissional eram. pode ser justificado por uma maior exigência competitiva que necessita de jogadores mais competentes e polivalentes. FC menor) proporcionam aos jogadores profissionais uma melhor base de suporte para as exigências do jogo de Futebol. citado por Ostojic. Níveis elevados de endurance (VO2max mais elevado. Existem também os incentivos financeiros que os levam a prolongar a carreira pelo maior período de tempo possível.Capítulo II Revisão de Literatura 2. Bangsbo & Franks.. potência anaeróbia e o nível competitivo no Futebol de alto rendimento. 17 .. 1994. Por outro lado. indicando uma clara relação entre o VO2max e a performance das equipas. 2004). das capacidades físicas e do entendimento táctico do jogo como aspectos fundamentais no Futebol (Luhtanen et al.1. nomeadamente para uma performance a intensidades mais elevadas e (McMillan et al. Apor (1988) concluiu que a classificação do principal campeonato húngaro reflectiu o ranking das mesmas equipas no que diz respeito ao VO2max. 2002). mais velhos e tinham um nível de experiência significativamente maior. as ligas amadoras são um espaço para jogadores jovens poderem competir e melhorarem o seu conhecimento do jogo e as habilidades específicas. Ostojic (2004) comparou uma equipa profissional com uma amadora. em média. O facto de hoje em dia os jogadores estarem preparados a jogar até mais tarde (Reilly.

Isto indica que o VO2max não é crucial para uma boa performance no Futebol e não é uma medida sensível para determinação do desempenho. remates.Os valores fiáveis. iv) 23% de aumento nos deslocamentos com bola. citado por Ostojic. iii) aumento de 100% do número de sprints. Ostojic (2004) encontrou uma maior percentagem de fibras tipo II nos jogadores de topo.kg-1.min-1 na média dos valores de VO2max de uma equipa. (1998) de 67. que por sua vez levou ao aumento da DP em 20%. (2001) realçaram a importância do treino intervalado de corrida (4 x 4 minutos com intensidades entre 90 . mostraram não ser factores determinantes para o sucesso no Futebol.6 ml. 1998). 2 vezes por semana durante 9 semanas. em termos de DP.. 2004). mais elevados de VO2max foram reportados por Wisloff et al. Estes autores defenderam que níveis mais altos dos parâmetros anaeróbios e de força seriam preferíveis ao VO2max. massa corporal e a soma das pregas de gordura corporal. ii) aumento das fases de corrida de alta intensidade. a impulsão vertical revelou-se um bom preditor do desempenho muscular específico (potência anaeróbia). A altura. desarmes e sprints. Um tipo particular de tamanho corporal pode ser vantajoso 18 . Helgerud et al. A importância do VO2max no Futebol é bem evidente. pois foram encontrados valores superiores de impulsão vertical no grupo de profissionais em relação aos amadores (Wisloff et al. 1998). pois uma diferença negativa de 6 ml. podendo contudo ser importantes para determinar a posição que o jogador ocupa em campo (Reilly.min-1 para a equipa Norueguesa do Rosenborg. valor inferior ao de outras ligas estrangeiras consideradas mais competitivas.min-1.kg-1. 1996. (2004) mediram o Vo2max na Liga de Singapura e obtiveram 55 ml. é equivalente a ter menos um jogador em campo (Wisloff et al. na melhoria de alguns aspectos da performance no Futebol.kg-1. Bangsbo (1994) comparou o VO2max de jogadores titulares e de reservas e não encontrou diferenças.. enquanto Aziz et al.).95% da FCmax com 3 minutos de recuperação activa a 70% da FCmax. Ainda em relação às capacidades físicas requisitadas em jogo. reduzindo assim o risco de lesão e permitindo maior potência nos saltos. tais como: i) aumento de 11% do VO2max.

2003. Carvalho et al. mostraram que a distância média percorrida. quer em jogadores dinamarqueses de topo quer em universitários (VanGool. em acções posicionais realizadas na periferia do centro de jogo (Reilly. variando entre 5696 e 13746 m. 2009. 2004).em determinadas situações de jogo e uma desvantagem noutras (Ostojic. Referem valores entre os 8 e os 12 km na Liga Inglesa. a DP diminui durante a segunda parte entre 5 e 9%.1. 1988 e Bangsbo.. 19 . Desta distância os jogadores de topo percorrem 25% a andar. 2004. independentemente da posição desempenhada. citado por Ostojic.. 2009). (2007) com 300 jogadores de topo. A corrida é considerada a actividade principal de jogo. 2004). com os valores mais elevados a serem atribuídos aos jogadores com VO2max mais elevado. o que evidencia que a maior parte das actividades de jogo se desenrolam sem a bola. 2. Como veremos adiante. É curioso verificar que somente cerca de 2% do total da DP é realizada na posse da bola. 1997). como o acesso à DP. 11% em sprint e 7% em deslocamentos de costas. mas as respostas fisiológicas também têm sido medidas quer em jogos oficiais quer em amigáveis (Reilly. 2005). Os mais comuns são métodos indirectos.. sendo as diferenças relativamente reduzidas entre eles. citados por Shephard et al. Os resultados do estudo de Di Salvo et al. foi de 11393 ± 1016 m.. apesar da importância de outros aspectos ligados ao sucesso no Futebol (Brocherie et al. 2002.1. Bradley et al. Distância percorrida Vários métodos têm sido usados para determinar as exigências de um jogo de Futebol. Krustrup et al. 1991... Daí a análise da DP ser usada de forma recorrente para quantificar as exigências do Futebol. 37% em corrida lenta. 1999). Estes valores são idênticos aos de outros estudos aplicados em diferentes ligas (Mohr et al. 20% em corrida submaximal.

Krustrup et al. andar (6 km/h). corrida de alta velocidade (18 km/h).7.25. iii) corrida de baixa intensidade (jogging. jogging (8km/h).2. esta modalidade desportiva seja caracterizada pela capacidade de executar repetidamente esforços de alta intensidade. ii) corrida de alta intensidade sem bola . Por sua vez as categorias anteriores foram agrupadas do seguinte modo: i) A corrida de alta intensidade consistiu de corrida.6 km/h). Shephard et al. (2003) usaram um sistema de classificação idêntico ao de Bradley et al. 1990. faz com que.1 km/h) e velocidade máxima (> 25 km/h). 1991.1.. Mohr et al. velocidade máxima (30 km/h) e corrida de costas (10 km/h). ao alto nível.0.3 km/h). ii) andar.8 . Reilly. Para especificar mais os deslocamentos típicos do Futebol completaram o sistema de classificação do seguinte modo: i) corrida de alta intensidade com bola .2 . jogging (7. corrida de alta velocidade e velocidade máxima (> 14 km/h).). citados por Mohr et al. corrida de baixa velocidade (15 km/h).subtracção da corrida de alta intensidade com bola à corrida de alta intensidade total. 2003.DP em corrida de alta intensidade quando a equipa do jogador analisado estava na posse da bola. Estas categorias foram divididas em 4 níveis de locomoção: i) parado. o que se deve à maior quantidade de corrida de alta intensidade. corrida de alta velocidade (19. (2009): parado (0 km/h).4 .8 km/h).19.. Categorias de deslocamento Bradley et al. o treino deve incidir na capacidade de realizar esforços intensos e recuperar rapidamente destes períodos de alta intensidade. 1976. andar (0.. 2003 e Bangsbo et al.7 km/h).7 . (1999) frisam que factores como a superfície de jogo e as condições climatéricas podem influenciar a DP. corrida (14.1 km/h).Os jogadores de topo apresentam maiores distâncias percorridas em todas as categorias de locomoção (Mohr et al. A natureza intermitente do Futebol (Reilly & Thomas. ii) a corrida de muito alta intensidade consistiu de corrida de alta velocidade e velocidade máxima (>19. 2. corrida de 20 ..14. 2009). (2009) classificaram as actividades de deslocamento dos jogadores nas seguintes categorias de movimento e níveis de velocidade: parado (0 . Deste modo.

(2007) determinaram perfis de actividade de acordo com a posição de jogo e usaram o seguinte sistema de categorias: i) 0 . 15 e 45 minutos.2 . iii) 14.4% (119 . e o tempo gasto em cada categoria foram recolhidos em períodos de 5. Rampinini et al.19 km/h (corrida moderada). apenas 1. tendo a grande maioria dos esforços sido realizados sem bola.1 . comparados com os seus colegas das equipas mal sucedidas. Os DC passaram significativamente mais tempo a andar e em jogging. O tempo médio de recuperação foi definido como o tempo decorrido entre séries de corrida de alta intensidade (> 19.3. ao contrário do verificado em todas as outras categorias. iv) corrida de alta intensidade (corrida moderada. é importante frisar que da DP pelos jogadores num jogo. a frequência de ocorrência. (2009) mostraram que os jogadores das equipas mais bem sucedidas correram menos em todas as categorias de velocidade. A velocidade máxima de corrida foi definida como a maior velocidade alcançada por um jogador em períodos de 5 minutos durante um jogo.286 m) foram efectuados com bola. 2.2.1.8 km/h).baixa velocidade e corrida de costas).11 km/h (parado. Di Salvo et al.23 km/h (corrida de alta velocidade). ii) 11. percorrendo uma maior distância nesta categoria de actividade. corrida de alta velocidade e velocidade máxima). sendo específica para cada jogador analisado. iv) 19. Ainda neste particular. andar e jogging).1 . Corrida de alta intensidade 21 . De realçar que os jogadores das equipas bem sucedidas efectuaram maior quantidade de trabalho na posse da bola (distância total percorrida com bola e corrida de alta intensidade com bola). O pico da distância de corrida de alta intensidade representava os 5 minutos que continham a maior quantidade de corrida de alta intensidade num jogo.1 . v) > 23 km/h (velocidade máxima). A DP.14 km/h (corrida de baixa velocidade).

Por outro lado. 2006). devido ao grande leque de padrões de movimento. Seria fisiologicamente impossível manter uma intensidade média muito elevada durante um longo período de tempo devido à acumulação de lactato no sangue. 2005) no qual analisou a corrida prolongada da selecção da Coreia para o Mundial de 2002. Esta é um aspecto fundamental na distinção entre os jogadores.. da posição em campo e das características individuais do jogador de alto nível. Os jogadores executaram corrida de muito alta intensidade menos vezes e menos acções 22 . variando entre 3 e 27 e 1 e 36. referiu a dificuldade manifestada pela equipa em manter o ritmo de jogo desejado durante os 90 minutos. onde a acumulação de lactato ocorre.. Bangsbo & Krustrup. Num estudo de Verheijen (2003. é a corrida de alta intensidade. 2003). citado por Reilly. respectivamente (Mohr et al. No Futebol. os períodos de alta intensidade. Edwards & Clark (2004) referem que sendo o Futebol uma modalidade de carácter intermitente. É necessário que os jogadores experimentem períodos de baixa intensidade para remover o lactato dos músculos e do sangue (Hoff. Sampaio & Maçãs (2005) destacaram a importância da capacidade de realizar sprints. Para Dupont et al. Krustup et al. envolve bastantes sprints máximos de cerca de 5 segundos.. expressar a intensidade pela sua média ao longo de um período de tempo resulta numa grande perda de informação. Alguns investigadores sugeriram que a DP pelos jogadores em regime de alta intensidade é uma medida válida da performance física dos jogadores devido à sua forte relação com o nível de treino (Krustup et al. fazendo com que os futebolistas necessitem de desempenhar actividades de alta intensidade. referindo que o resultado final de um jogo pode depender da capacidade de um jogador realizar um sprint mais rápido do que o adversário. o que faz com que seja difícil quantificar a carga específica. bem como a capacidade de recuperação entre as acções de jogo mais exigentes (Rebelo & Soares. Mas ainda mais importante do que a DP. 2003. O número de saltos e tackles dependem muito no nível competitivo. 2003.. 2006b). 2005). constituem as partes mais interessantes do jogo. 2009).Bangsbo (1994) refere que existe uma elevada correlação entre a DP durante um jogo e o VO2max. estando mais presente no desempenho dos jogadores de topo do que nos outros (Mohr et al. (2004) um dos objectivos do treino é melhorar a performance nos esforços máximos e de alta intensidade.

8 m. Estes autores concluíram que após os 5 minutos mais intensos do jogo.. devido ao menor número e às menores séries de alta intensidade verificadas. com 3 e 2 dias de recuperação entre eles) com valores de 889. (2007c) os jogadores da equipa observada tiveram melhores desempenhos nestes parâmetros sempre que defrontavam adversários de maior qualidade.05. 23 . ii) Examinar a corrida de alta intensidade durante jogos de alta competição. a equipa estava preparada para aumentar o ritmo de jogo e recuperar mais rápido entre acções de jogo..2 ± 263 e 768. os seus objectivos foram: i) Determinar os perfis de actividade de uma grande amostra de jogadores da Primeira Liga Inglesa. Prozone Sports Ltd®. dos jogadores em diferentes posições. (2009). Após um programa de treino sistemático. mas a maior parte das actividades de jogo envolvem o metabolismo aeróbio. A qualidade dos adversários também parece afectar a DP e a distância percorrida em corrida de alta intensidade. No entendimento de Reilly (2005) os sprints repetidos e a competição pela posse de bola requerem a via anaeróbia. o padrão desta mudou após os períodos mais intensos do jogo e à medida que o tempo de jogo ia avançando para todas as posições de jogo (Bradley et al. para níveis inferiores à média de jogo. 2005). Estes dados demonstram a necessidade de uma boa capacidade anaeróbia quando são realizados um grande número de deslocamentos em corrida de alta intensidade num período de 5 minutos. 2009). Apesar das grandes diferenças posicionais na corrida de alta intensidade. Para o efeito recorreu a um programa computorizado de múltiplas câmaras (ProZone Version 3. deixando antever que a fadiga se sente mais após os períodos de maior intensidade. P < 0. Ledds. conseguiram manter o ritmo desejado durante todo o jogo. A DP em corrida de alta intensidade também parece diminuir com a sucessão de jogos (3 jogos em 5 dias.0. a corrida de alta intensidade foi reduzida em cerca de 50 %.h-1 e que os sprints com distâncias superiores a 30 m exigem uma recuperação mais prolongada do que os sprints médios (10 .explosivas à medida que o tempo decorria durante a segunda parte. 2009). respectivamente para o 1º e terceiro jogo (Odetoyinbo et al. UK). No final da fase de treino seguinte.15 m) (Bangsbo & Mohr. No estudo de Bradley et al. pois no estudo de Rampinini et al. Este aspecto é facilmente compreendido observando os picos de velocidade atingidos durante um jogo que rondam os 32 km.8 ± 260.

A quantidade de corrida de alta intensidade é idêntica entre a Série A e a Liga Espanhola (Di Salvo et al. Parâmetros fisiológicos VO2max. Este é.. provavelmente. o que indicia que os jogadores melhoram a sua performance ao longo da época. sendo de grande importância o acesso à performance aeróbia dos jogadores. ao contrário do que acontece no início e meio (Mohr et al. Este facto pode ser explicado pela inexistência de outro tipo de competições neste período da época. Um estudo pioneiro no uso de telemetria para obtenção da FC em tempo real foi o de Araz & Farrally (1991) que iniciou o uso deste procedimento que hoje está generalizado e bastante acessível. Mohr et al. 2007.2.. sendo que a capacidade aeróbia expressa a capacidade para suster uma actividade física durante o maior período de tempo possível e é um sinónimo de resistência.. 2003). Hoff et al. podem ser estimadas recorrendo à análise das respostas da FC. 2009). Os jogadores de topo parecem percorrer maiores distâncias em corrida de alta intensidade no final da época. Zubillaga et al. As exigências colocadas nos sistemas energéticos. nível de lactato sanguíneo e FC são dos parâmetros mais utilizados para calcular o impacto metabólico que o treino provoca no organismo. sendo nestas ligas 10 a 15 % superior ao verificado na Liga Dinamarquesa (Mohr et al. durante um jogo de Futebol. para melhor avaliar e programar as sessões de treino resistência (Chamari et al. Bangsbo & Michalsik (2002) caracterizam o VO2max como a capacidade de produzir energia aeróbia a uma taxa de trabalho elevada.. as diferenças verificadas entre jogadores de topo e medianos podem-se ficar a dever a diferentes estilos de jogo. (2002) referem que o VO2max é considerado o componente mais importante do desempenho aeróbio. Em relação ao nível competitivo. 2005).. o método mais usado no treino 24 . 2004). 2003).. 2. 2003. aeróbio e anaeróbio. sendo aceite que em adultos a energia para suportar taxas de trabalho abaixo dos 85% da FCmax podem ser geradas pela via aeróbia e acima dos 85% a energia será proveniente da via anaeróbia (Billows et al.

Para a FC ser uma medida válida da intensidade de treino nos EJR. tornando a FC uma medida válida da intensidade dos EJR (Hoff et al.. 2002). com 10 minutos). por outro lado. Rampinini et al. 1991). Esta necessidade é justificada com o facto das alterações na FC em resposta ao aumento da intensidade do exercício não serem imediatas (Achten & Jeukendrup. 2003) e a relação entre a energia dispendida e a FC não ser linear a intensidades muito altas (Astrand & Rodahl. (2005) verificaram que esta relação era fraca para os exercícios com bola: i) 4 x 4. que podem levar a aumentos que não reflectem a intensidade real de trabalho (Herd. Num estudo para verificar a fiabilidade do uso da medição da FC durante o treino de Futebol. com 3 x 4 minutos de recuperação. Porém durante um jogo de Futebol. 2. iii) 10 x 10. Bangsbo et al. Os mesmos autores acrescentam que durante o treino intervalado tradicional. 2007).1. Mesmo com crianças começam a surgir alguns estudos usando análise da FC para determinar a carga de treino (Capranica et al. havendo vários métodos validados para calcular as cargas de treino associadas à FC (Banister. 1986).. com 4x4 minutos com 3 minutos de recuperação. Hoje em dia estes sistemas permitem uma análise da FC mais rápida e precisa. existem factores inerentes ao próprio jogo.desportivo no controlo da intensidade. fiável para os exercícios sem bola (circuitos de corrida sem bola). (2001) referem que não é crível que jogar Futebol forneça ao longo do tempo intensidade de exercício necessária para melhorar significativamente o VO2max. tem que ser estabelecida a relação entre FC e consumo de oxigénio. 1991). estes têm que ter uma duração suficiente para atingir o steady-state da FC (Little & Williams. a intensidade de corrida é normalmente controlada pela FC. (2007) acrescentam que durante o jogo de Futebol os valores da FC podem levar a uma sobre 25 . Frequência cardíaca Helgerud et al. 2001). ii) 4 x 4. Sendo. Para se obterem intensidades de exercício válidas no treino específico em Futebol.2.

Relação entre frequência cardíaca e consumo máximo de oxigénio A medição da FC de forma contínua durante o jogo pode também servir para estimar o dispêndio energético através da relação entre FC e VO2max determinada em laboratório (Bangsbo & Michalsik. compararam o VO2 estimado a partir da FC com o VO2 medido com um analisador de gases portátil. 2002). a partir da FCmédia gravada durante actividades do Futebol. a partir da FC. O estudo de Esposito et al. usando a relação FC .2. Para poderem obter valores mais fidedignos. Esta aplicação tem limitações.. num grupo de 15 jogadores semi-profissionais (estudo não publicado). citado por Esposito et al. 2005).. sendo afectada por estados de stress e mesmo pelo contributo do metabolismo anaeróbio.estimação do VO2.2. é possível estimar o VO2max correspondente. (2005). pelo menos no leque de intensidades investigadas no campo (80 – 97% da FCmax em laboratório correspondem a 70 . A sua principal conclusão foi que esta relação não é estatisticamente diferente da encontrada em laboratório (Castagna et al. Consequentemente.h-1) a cada 5 minutos com uma inclinação de 5 %).VO2. devido a vários factores passíveis de elevar a FC e não o VO2. 2.94% do VO2max). Impellizzeri et al. simulando um circuito referenciado na bibliografia (Ekblom. como são a desidratação. 2004). Esta descoberta confirma a validade na monitorização da FC para determinar as exigências metabólicas durante tarefas específicas do Futebol. A relação individual entre a FC e o VO2 foi determinada usando um teste progressivo na passadeira (aumentos de 1km. Bangsbo & Krustrup (2009) referem uma intensidade média de jogo de cerca de 70% VO2max. Os 26 .. a hipertermia e o elevado stress. durante 6 minutos de um jogo reduzido (5 x 5 com guarda-redes e sem limite de toques). com base na medição da FC. (2004) procurou estabelecer uma relação entre FC e VO2max em jogadores de Futebol amadores durante a realização de exercícios específicos. 1998.

revelam um interesse particular. 2009). Estes exercícios são ainda caracterizados por fases alternadas de aceleração e desaceleração. pode colocar um maior grau de exigência no sistema cardiovascular do que o exercício contínuo desempenhado de modo estável. cabecear e/ou desarmar). pois impedem que o VO2max seja alcançado e mantido.. alternadas com curtos períodos de recuperação activa ou passiva. Apesar do referido. a omissão de outro tipo de movimentos utilitários e a ausência de habilidades específicas de jogo. mesmo quando se comparam diferentes jogadores (Impellizzeri et al. existem limitações nos perfis de actividade observados no jogo e no teste intermitente (baixa frequência de mudanças de actividade. a partir da FC durante o exercício intermitente. Além das limitações já referidas convém enfatizar que o recurso da FC para determinação do dispêndio energético é um método indirecto e 27 . Apesar da FC registar médias idênticas em ambos os testes. que ao efectuarem um teste intermitente de 15 –15 segundos (esforço/repouso) obtiveram um VO2max de 77% em relação ao medido em teste laboratorial. Isto sugere que o exercício intermitente típico do Futebol. (2002) referem que deslocamentos curtos de carácter intermitente. Drust et al. Os mesmos autores salientam que as semelhanças verificadas nos valores do VO2max e da FC entre o teste intermitente e os valores medidos por outros estudos em situação de jogo (Reilly. Van Gool et al. 2000) indicam a relevância do protocolo intermitente como um modelo das taxas de trabalho verificadas no jogo. (2000) compararam um protocolo de treino intermitente e outro contínuo.. A percentagem da FC de reserva parece ser uma medida indirecta e fiável para determinar a intensidade metabólica e pode ser usada para caracterizar e prescrever a intensidade de exercício no Futebol. mas não ao nível individual. 1990. indo estes aspectos aumentar o dispêndio energético. como pontapear. Dupont et al. analisando as FC separadamente. 1983. sempre com a mesma intensidade média.resultados obtidos sugerem que o cálculo do VO2.. verificaram a existência de grandes diferenças nas respostas deste parâmetro em cada um dos testes. fica bem patente em jogadores de Futebol moderadamente treinados.. Esta dificuldade em relacionar FC e VO2max em actividades de cariz intermitente. repetições curtas a velocidades superiores à velocidade aeróbia máxima. 2005). estando a FC perto dos valores máximos (Castagna et al. pode ser adaptado ao grupo. citados por Drust et al.

Reilly (2005) considera que o VO2max pode ser um bom indicador do progresso aeróbio e Bangsbo (1994) acrescenta que o VO2max é um meio que avalia o gasto de energia durante o exercício aeróbio. é geralmente assumido que o VO2max é principalmente limitado pela capacidade cardíaca máxima (Wagner. citado por McMillan. Em qualquer um dos casos. O desempenho nos indivíduos destreinados é limitado perifericamente e nos indivíduos treinados é limitado centralmente. têm que ser considerados eventuais problemas na conversão da FC em VO2max (Bangsbo. Avaliação do consumo máximo de oxigénio Para McLaughlin et al. 1985. 2006). (2001) as medidas do consumo de oxigénio são usadas para analisar a capacidade cardiovascular..2. 28 .3. 1990. só é possível aumentar capacidade cardíaca máxima através de um aumento do volume sistólico (Midgley & Naughton. 1994). Mesmo para os corredores de elite o VO2max é um preditor forte da sua performance (Conley 1980. sendo por isso considerado o principal factor de natureza cardiovascular treinável na melhoria do VO2max (Ekblom & Hermansen.. 2. sendo consequentemente a intensidade óptima para melhorar o VO2max. 2005). 2001). 2006) . MacDougall & Sale (1981) citados por Midgley & Naughton (2006) sugerem que o treino realizado a cerca de 75% VO2max faz com que o coração trabalhe no máximo. sendo sugerido como o factor fisiológico mais importante por si mesmo na determinação da capacidade de resistência no desempenho da corrida (Foster. o volume sistólico é aceite como o principal factor limitativo do VO2max (Helgerud et al. 1983).. Lacour et al. J. prever o desempenho de resistência e estimar os gastos energéticos em repouso e durante o exercício. 1968). Sjodin & Svedenhag. 1996. Como a FCmax não aumenta com o treino. todos citados por Midgley & Naughton. Em actividades que envolvem trabalho dinâmico com grandes massas musculares.como tal. como o Futebol.

(2000) encontraram no exercício intermitente um valor da ventilação por minuto significativamente superior do que no exercício contínuo desempenhado à mesma velocidade média. Eles sugeriram que a maior ventilação no exercício intermitente se pode dever a uma acidose metabólica aumentada como consequência de uma maior solicitação da via anaeróbia. de acordo com as posições dos jogadores em campo. No estudo realizado por Di Salvo et al. A determinação directa do VO2max implica recurso a laboratório. Drust et al. o que não é acessível a todos os clubes. entre o início da pré-época e as primeiras semanas do período competitivo e observaram melhorias significativas na capacidade aeróbia. até o lactato sanguíneo atingir os 4 mmol l-1) em 6 momentos da época. (2005) aplicaram um teste incremental em laboratório (patamares de 4 minutos. analisando ambas. MacMillan et al. apresentando os DC os valores mais reduzidos. manifestadas numa maior velocidade média de corrida. No mesmo estudo de Drust et al. apesar da FC registar médias idênticas no exercício intermitente e no contínuo. com aumento de 0.87).. no ponto de inflexão do lactato e na obtenção dos 4 mmol l-1 de lactato. o VO2max também parece ser determinante na magnitude da resposta dada a sprints repetidos. (2007). que por sua vez eram superiores aos dos AV. Os mesmos autores não registaram grandes alterações da capacidade aeróbia durante o período competitivo.Existe o consenso que o VO2max é limitado pela capacidade do sistema cardiovascular transportar O2 aos músculos activos. valores mais elevados de VO2max do que os MD.79) e no sprint 2 (r = 0. 2005). Bogdanis et al. (2000). os MED tinham em média. (1996) compararam o desempenho de indivíduos em 2 sprints de 30 segundos e encontraram uma correlação elevada entre o VO2max e a percentagem de energia que contribui para o metabolismo aeróbio no sprint 1 (r = 0.h-1. Deste modo. A partir desta evidência podemos especular que as distâncias percorridas a intensidades mais elevadas estão relacionadas com os valores do VO2max. 2000. citados por Impellizzeri et al. existem grandes diferenças 29 .5 km. com início a 60 % do VO2max. pelo limiar láctico e pela capacidade periférica de utilizar o O2 (Basset & Howley.

pode colocar um maior grau de exigência no sistema cardiovascular do que o exercício contínuo desempenhado de modo estável. na FC e na ventilação por minuto.94. ou seja.02).91 ± 0. específico do Futebol representou uma intensidade média de 110% VO2max.3.. apesar de a carga externa ser a principal determinante da carga interna. Porém há que ter em consideração que. o processo de treino é muitas vezes descrito como carga externa. específico do Futebol. 2005).93 ± 0. correr 4 x 1000 m a 15 km. 1986. no segundo 0. O protocolo intermitente.nas respostas deste parâmetro. Isto sugere que o exercício intermitente típico do Futebol. fornecendo maior suporte para a relevância deste protocolo para simular o jogo. Os aumentos significativos no consumo médio de O2. o treino é frequentemente prescrito pelos treinadores de forma facilmente quantificável (por exemplo. sempre com a mesma intensidade média.h-1 com 3 minutos de recuperação entre repetições) (Impellizzeri et al. Testes físicos aplicados ao Futebol Apesar dos parâmetros fisiológicos serem usados na prescrição de treino. Estes níveis de lactato encontram-se dentro dos valores obtidos com jogadores suecos (2ª Divisão) durante um jogo (Ekblom. obtiveram resultados que mostram que estes correm em média 10 km por jogo e atingem elevados valores de lactato sanguíneo e FC. 2. indicando uma produção considerável de energia pela via anaeróbia. 2000). O lactato sanguíneo para o protocolo intermitente foi de 7.6 mmol.. uma vez que o ratio da troca respiratória foi idêntico em ambos os períodos (no primeiro 0. durante o segundo período do protocolo intermitente. citado por Drust et al. outros factores como a 30 .7 ± 0. Krustrup & Bangsbo (2001) num estudo que visou traçar o perfil de árbitros de topo. Isto reflecte o forte contributo aeróbio e um número considerável de episódios anaeróbios durante o jogo. provocou um maior incremento na ventilação por minuto do que o protocolo contínuo. Isto não é uma surpresa na medida em que o exercício de alta intensidade. durante o protocolo intermitente. não reflectem uma queda na oxidação dos hidratos de carbono.

citado por Svensson & Drust. planear os treinos a curto e longo prazo. citados por Impellizzeri et al. 31 . Os testes físicos podem fornecer indicações sobre os pontos fortes e as fraquezas dos jogadores. Esta informação pode ser obtida através da aplicação de testes que permitam avaliar a capacidade física (Svensson & Drust. 1994). a sua posição em campo e o estilo de jogo da equipa (Ekblom. 2005). podem afectar a carga interna (Bouchard & Rankinen. 2005).. (2000) aplicaram repetidamente um percurso em regime de “vaivém”. 2005). Esta abordagem é um avanço dos 90 minutos de exercício contínuo ou de protocolos de exercício mais intermitentes adoptados previamente pelos investigadores (Reilly. não conseguindo estar à altura dos requisitos do jogo. Também podem ser aplicados para determinar o impacto de qualquer alteração sistemática no regime de treino (Reilly. Nicholas et al.hereditariedade e o nível inicial de treino do fenótipo. 2001. É importante que o treinador obtenha informação objectiva sobre a performance física dos jogadores para clarificar os objectivos do treino. A actividade foi contínua durante 75 minutos e alterada posteriormente para proporcionar a exaustão voluntária. O mesmo autor acrescenta a este propósito que os resultados dos testes constituem um perfil físico que juntamente com as respostas fisiológicas no jogo podem realçar as exigências que os jogadores colocam em si mesmos e podem ainda fornecer indicadores de quando estão em subrendimento. As componentes físicas do Futebol variam frequentemente de acordo com a individualidade de cada jogador. para dar feedbacks objectivos e motivar o jogador a treinar mais e melhor (Bangsbo. 2005). Este protocolo foi desenhado para estudar as intervenções nutricionais que pudessem adiar o aparecimento de fadiga no final do jogo ou num prolongamento. 2005). Iaia et al. com uma intensidade aproximada à taxa de trabalho do jogo. (2009c) salientam a importância dos jogadores estarem aptos a desenvolver a sua capacidade para realizar exercício intenso de carácter intermitente em diferentes alturas do período competitivo. 1986. Uma alternativa para testar os jogadores é simular taxas de trabalho associadas ao Futebol para investigações experimentais.

(2006) salientam a necessidade dos atletas serem avaliados segundo protocolos específicos..Drust et al. citados por Thomas et al. Já em relação aos testes laboratoriais. 2006). o que suspende a obtenção do VO2max. os mesmos investigadores defendem que fornecem resultados mais precisos da condição física dos atletas. Os testes de campo podem ser usados para aceder aos componentes específicos do desempenho físico no Futebol e para prescrever treino físico individualizado para os jogadores de Futebol (Rampinini et al.. 2005) e foi demonstrado que possui uma relação forte com o VO2max (r = 0.. 32 . apesar dos testes de campo apresentarem resultados válidos. Além disso são menos dispendiosos. 2005. Já Metaxas et al. 2007c. chegaram à conclusão que os testes laboratoriais são mais precisos na obtenção do VO2max. 1987.92 a 0. como teste de campo para determinar a capacidade aeróbia (Svensson & Drust. O 20MSR (Leger & Lambert. nos quais a capacidade para realizar repetidamente esforços de alta intensidade esteja presente. Thomas et al. (2005) ao compararem o VO2max obtido em testes de campo e de laboratório. Svensson & Drust (2005) referem que os testes de campo fornecem resultados que são específicos da modalidade e por esse motivo são mais válidos do que os de laboratório. requerem pouco equipamento e a sua fácil aplicabilidade faz com que possam ser usados em qualquer momento da época. mas que subestimam os valores. porém não são usados de forma muito sistemática. Impellizzeri et al. Metaxas et al. contínuos e intermitentes. 1982) é usado frequentemente em modalidades desportivas colectivas. sendo por isso aplicados mais frequentemente no início e no final da pré-época (Svensson & Drust... devido ao tempo que consomem. (2000) desenharam um protocolo diferente para usar em passadeira (motorizada ou não). 1988.93) (Ramsbottom & Drust. no qual as intensidades eram alteradas frequentemente para corresponderem às exigências (intensidade) do jogo. 2005). 2005). Paliczka et al. Estes autores acrescentam esta subestimação se pode dever ao facto dos testes de campo (YYET e YYIRT) implicarem mudanças no sentido da corrida.

Os mesmos autores 33 . O YYET avalia a capacidade do jogador executar repetidamente exercício intenso após ter sido sujeito a exercício intermitente prolongado. (2009). Castagna et al. em relação ao YYIRT.3. citados por Iaia et al. o facto deste último contemplar um período de recuperação de 10 segundos entre cada percurso de 2 x 20 m. 2003). 2003).2.. Mohr et al. sendo diferenciados pela velocidade inicial (Thomas et al. apesar de possuírem o mesmo VO2max. indicado para jogadores de equipas profissionais (Bangsbo. o exercício é intermitente e a performance está relacionada com a habilidade de um atleta executar de forma repetida.. (2009) referem que o desempenho no YYIRT reflecte melhor a habilidade para desempenhar exercício intermitente de alta intensidade do que o VO2max. (2005).. estando mais relacionado com a quantidade de corrida de alta intensidade (Krustrup et al. em várias modalidades. 2003). esforços intensos (Krustrup et al. 2002). 2005). sugerindo o seu uso selectivo mediante os objectivos pretendidos: o YYET é mais dependente do nível de condição física e o YYIRT é mais específico do Futebol. É de realçar o estudo de Young et al. 2005. ii) YYIRT2. Tem como principal diferença. num estudo com o objectivo de relacionar o YYET e o YYIRT.. 2003). Porém... concluíram que estes testes são influenciados por diferentes componentes fisiológicos. como por exemplo o Futebol.. O YYIRT possui 2 níveis: i) YYIRT1. Castagna et al. 2002. daí que faça sentido avaliar nestes atletas a capacidade de recuperação a esforços intensos executados repetidamente (Krustrup et al.. destinado a crianças e amadores.1. Bangsbo (1994b) criou e desenvolveu os testes “Yo-Yo” (YYET E YYIRT) (Metaxas et al. 1982). à imagem do 20MSR (Leger & Lambert. o que é enaltecido pela sua maior relação com a potência. Estes testes têm como objectivo avaliar a capacidade do jogador recuperar do exercício intenso (Bangsbo & Michalsik. 1994b). (2006). 2006). Iaia et al. que verificaram que os jogadores australianos percorrem uma distância 37% superior no YYIRT2 do que os suplentes. No Futebol este aspecto é frequentemente referido como um factor importante (Bangsbo & Michalsik. Yo-Yo Intermittent Recovery Test Em muitos testes o tipo de exercício requerido é contínuo.

mostraram que o YYIRT é um bom teste para aplicar no terreno e para solicitar o pico de stress fisiológico em jogadores de nível regional e permite o uso de um analisador de gases portátil (K4b2. (2003) destacam que a sensibilidade demonstrada pelo teste foi elevada. confirmando que as exigências físicas do teste são idênticas às requeridas em situação de jogo. não sendo diferente dos valores obtidos num teste máximo em passadeira rolante com árbitros de elite (n = 15). sendo apenas moderada entre este parâmetro fisiológico e o YYIRT2 (r = 0. contudo apenas 48 % desta variância pode explicar a variância nos testes (Rampinini et al.05). (2008) realçam a sensibilidade do YYIRT1 na distinção de níveis de desempenho. Roma. p < 0. permitindo uma análise detalhada das diferenças na capacidade física dos atletas ao longo da época. Os mesmos autores destacam a existência de uma correlação elevada entre este teste e a quantidade de exercício de alta intensidade realizado durante o jogo. solicita a capacidade aeróbia máxima ao mesmo tempo que aumenta significativamente a solicitação anaeróbia.74. enquanto o desempenho no YYIRT2 mostrou relação com o pico de DP em corrida de alta intensidade durante períodos de 5 minutos durante o jogo (Krustrup et al.70. Rampini et al. Krustrup et al. Castagna et al. COSMED. Também Veale et al. Krustrup et al. 2010).05).05). com idênticos volumes semanais de treino.(2010) referem que o YYIRT. (2008) reportam uma relação entre a performance no YYIRT1 e a DP durante o jogo. 34 . p < 0. 2006). Deste modo o teste é apontado como uma ferramenta útil para determinar a capacidade física específica da modalidade. p < 0. tendo este teste sido aplicado a jovens jogadores de Futebol Australiano em diferentes níveis competitivos.. Italy). (2010) referem uma relação positiva e significativa entre o YYIRT1 e o Vo2max (r = 0. Itália). (2003) e Bangsbo et al. (2005b) também referem que este teste solicita o VO2max.47. recorrendo ao analisador de gases (K4b2. COSMED. (2003) e Rampinini et al.. Rome. Krustrup et al. A performance em ambos os níveis deste teste mostrou estar significativamente correlacionada (r = 0.

devido à complexidade inerente à natureza da competição (Svensson & Drust. (2005) referem que. (2008).. 2009). Krustrup et al. (2009) comprovaram esta sensibilidade.14 e 958 ± 99 vs. tendo estes resultados derivado de estudos realizados com diferentes populações. A prestação no YYIRT e a quantidade total de trabalho de alta intensidade mostraram estar fortemente relacionados. mostrando que este teste pode ser um bom preditor da capacidade física dos árbitros (Krustrup & Bangsbo. (2008).Bangsbo et al. acrescentando que a performance no YYIRT e as respostas fisiológicas obtidas no exercício intermitente de alta intensidade são parâmetros importantes na distinção entre jogadores de diferentes níveis competitivos. num artigo de revisão. 35 . Bangsbo et al. (2010) chegaram a idêntica conclusão. Mujika et al. Apesar de ambos os tipos de teste providenciarem bons indicadores da condição física geral e específica do Futebol. d = 1. (2010) verificaram a influência do nível competitivo na DP em ambos os níveis do YYIRT.66. são individuais e como tal não podem ser aplicados com o intuito de predizer o desempenho em jogo. ao aplicarem o YYIRT2 a jogadores de diferentes níveis competitivos. adiantam que os jogadores profissionais obtiveram melhores desempenhos que os jogadores amadores quer no YYIRT1 quer no YYIRT2.70) do que com o YYIRT2 (r = 0. devido às grandes diferenças interindividuais verificadas. 613 ± 125 m. P < 0.001. d = 1. Também Rampinini et al. Também Rampinini et al..75. com os jogadores profissionais a conseguirem percorrer maiores distâncias que os amadores (2231 ± 294 vs.001) (Randers et al. 2001.58). p < 0. respectivamente 12 e 28 % superior aos jogadores de nível médio e baixo. 1827 ± 292 m.002. O desempenho dos MED no YYIRT2 e a quantidade de corrida de alta intensidade percorrida no jogo estão correlacionados (r = 0. reportaram valores de VO2max que indicam que este parâmetro se correlaciona mais com o desempenho no YYIRT1 (r = 0. respectivamente). o YYIRT é importante para detectar eventuais diferenças entre jogadores bem como do mesmo jogador ao longo da época. o que os levou a concluir que os profissionais também devem ser capazes de cumprir melhor um protocolo de exercício estandardizado de exercício intermitente de alta intensidade. p = 0. 2005). tendo desempenhos diferentes com vantagem para os jogadores de topo (1089 ± 47m). Na mesma revisão. Randers et al.

O YYIRT1 foi ainda usado para aferir o estado de treino. (2010) estabeleceram uma relação significativa entre o VO2pico alcançado durante a realização do YYIRT e o VO2max determinado durante o Université de Montréal Track Test (r = 0. (2006). Krustrup et al. mostrando a maior utilização deste substrato na fase final do teste. Também Mujika et al. Dupont et al. ficando demonstrado que os níveis de CP no final do teste são menores no YYIRT2 do que no YYIRT1. apesar deste facto não se ter verificado na avaliação dos lactatos após a realização do YYIRT2 (8.92. 36 .3 ± 3. o que vai afectar principalmente a performance dos atletas em patamares de treino inferiores.9 mmol/L) e do YYIRT1(10. (2003).2009).. Estes últimos autores referem que este teste deve ser considerado pelos treinadores e preparadores físicos. (2003) registaram um incremento da habilidade de desempenhar exercício intermitente de alta intensidade durante a pré-época (36%). Krustrup et al. como já tinha sido reportado por Krustrup et al. 2006. bem como a taxa de acumulação de lactato. estando ambos relacionados com os resultados do 20MSR. Num estudo realizado por Thomas et al.1 ± 1. 2003). com o VO2max estimado e com o VO2max medido directamente. (2006b) acrescentam que a principal diferença entre os dois testes reside na solicitação do sistema anaeróbio. altura da época e força explosiva dos membros inferiores em futebolistas (Castagna et al. Também a acumulação de lactato foi superior no final do YYIRT2. Estes resultados sugerem que a via aeróbia é importante na performance do YYIRT1. para a selecção de talentos e posterior desenvolvimento. Krustrup et al. Os 2 níveis do YYIRT parecem medir as mesmas capacidades aeróbias: o YYIRT2 apenas o fará com atletas muito bem treinados. (2009) recorreram ao YYIRT1 para analisar as diferenças entre jogadores de Futebol masculinos e femininos e entre juniores e seniores..001). p < 0.5 mmol/L). indiciando que este teste requer um sistema energético diferente do YYIRT1 (requisita com maior preponderância a via anaeróbia). Num estudo para verificar a sensibilidade do YYIRT2 na avaliação da capacidade de desempenho de um jogador de Futebol. concluíram que ambos os níveis deste teste eram fiáveis (teste/re-teste). Este aspecto é motivado pelas velocidades iniciais superiores do YYIRT2. com o objectivo de determinar a fiabilidade do YYIRT e o seu grau de associação com o 20MSR e o VO2max.

. apontam que o caminho a seguir poderá passar por promover alterações nos programas de treino. Davis et al. afirmando que este teste pode ser utilizado para determinar a FCmax. respectivamente.77. mas positiva entre a massa corporal e a altura (r = 0.0001). (2009) detectaram uma relação negativa entre o YYIRT1 e a soma das pregas de gordura subcutânea (r = . Este facto fica mais evidente. Existe evidência para sugerir que as exigências energéticas colocadas sobre os jogadores. Posições de jogo Yildirim et al. P < 0. bem como o pico de lactato sanguíneo e de H+ durante o teste. Yildirim et al. Krustrup et al. Assim. quando se verifica que as FCmax atingidas foram semelhantes às alcançadas do teste laboratorial. como patenteado pela concentração de lactato sanguíneo. (2006b) referem melhorias no YYIRT2 durante 4 semanas do período pré-competitivo e nas 8 semanas que durou o período pré-competitivo.67 e 0.Rampinini et al. Mujika et al.0. (1992) estudaram o perfil fisiológico de jogadores ingleses e mostraram que as exigências físicas variam com a posição de jogo. 2004). bem como as suas características fisiológicas. de modo a realçar as características mais exigidas a um jogador de acordo com a sua posição em campo. levando alguns 37 . 2.4. (2009) e Bangsbo & Krustrup (2009). (2010) obtiveram idêntica correlação entre o YYIRT e a FCmax. sugerindo que a composição corporal pode interferir nos esforços intermitentes de alta intensidade. parece que a capacidade dos jogadores para desempenharem exercício de alta intensidade foi mudando consideravelmente e o teste foi sensível a estas alterações. P < 0.72. (2009) realçam a importância atribuída ao conhecimento do perfil físico e fisiológico dos jogadores de Futebol.0001). (2010) referem que ambos os níveis do YYIRT solicitam de forma maximal quer o metabolismo aeróbio quer o sistema cardiovascular. Dupont et al. Contudo a contribuição anaeróbia foi superior no YYIRT2 comparado com o nível 1. Neste sentido. de modo a individualizar as cargas de treino. estão relacionadas com a sua posição de jogo (Carvalho et al.

287 e 264 m) que os MC (204 m) e DC (152 m) (Bradley et al. revela que os DC possuem os valores mais baixos do VO2max. mas aqui logo a seguir aos AV. Os resultados obtidos por Di Salvo et al. enquanto outros preferiram ter uma abordagem mais generalista ao treino.. Foi ainda observado que os MA. Mohr et al. 346. talvez devido à sua função de ligação entre os sectores defensivo e ofensivo. intensidade. cobrindo todas as posições de jogo. Um resultado interessante do mesmo estudo refere que as velocidades máximas de corrida alcançadas durante os jogos foram 6 .8 % maiores para os MA e AV do que para os DC. 2007). percorreram uma distância superior em sprint (respectivamente. MD e AV. (2007) sublinham que os MED percorrem maiores distâncias. bem como na velocidade de sprint. para assegurar a especificidade do programa de treino. No Futebol de alto nível cada posição de jogo é caracterizada por um determinado perfil de actividade (Di Salvo et al. DP. de acordo com o jogo e a sua posição. os resultados mostram que a corrida de alta intensidade e a DP são superiores para os MA (3138 e 11535 m) e MC (2825 e 11450m) comparativamente com os MD (2605 e 10710 m). AV (2341 e 10314 m) e DC (1834 e 9885 m). No extremo oposto encontramse os DC. sistemas energéticos e músculos envolvidos) referem que é possível e necessário desenvolver planos de treino específicos. (2006) sugerem que um AV de topo do Futebol moderno necessita de executar acções de alta intensidade repetidamente durante o jogo. (2007). Esta descoberta pode ser justificada pelo facto de para eles estes tipos de deslocamento serem os mais longos. compreendendo a carga fisiológica imposta aos jogadores de topo e tendo em conta a sua posição em campo durante os jogos (perfil de actividade. é necessário ter em conta a posição desempenhada por cada jogador. Na mesma linha de pensamento. Recorrendo a uma ampla amostra de jogadores da Liga Inglesa. Os MC apresentaram os maiores valores. Di Salvo et al. 2009). Neste mesmo estudo o perfil metabólico traçado.. Dunbar & Treasure (2005) referem que a velocidade. Bangsbo et al. entre outros aspectos importantes. potência dos membros inferiores e a 38 . (2003) defendem a existência de uma variabilidade nos padrões de movimento dos jogadores.treinadores a procurarem formas de especificarem o treino de modo a responderem às exigências de cada posição. Reilly (2005) refere que no processo de treino.

Carvalho et al. reforçando a necessidade de especificidade na orientação do treino. Nível competitivo Rampinini et al. 2009).. indo de encontro ao que Bangsbo & Mohr (2005) referem para a DP pelos jogadores destas duas posições. foi demonstrado que o desempenho no teste está muito relacionado com a posição de jogo desempenhada por cada jogador (Krustrup et al.5.009). 2003. Estas descobertas fornecem novos dados que podem ser usados para desenvolver testes específicos para o Futebol e/ou estratégias de treino. (2009) constataram que as habilidades específicas (envolvimentos com bola e passes curtos) diminuíram durante o jogo e foram também os aspectos onde se verificaram diferenças entre os 2 grupos em estudo (equipas bem e mal-sucedidas). Deste modo os MD tiveram um desempenho entre 14 . 2004. Contudo. Randers et al.. Em relação às posições. isto pode-se dever a influências tácticas. 2.17% superior ao dos DC. Os médios defensivos passaram mais tempo em corrida máxima que os MA e os MC. (2008) procuraram estabelecer uma relação entre o desempenho num teste de sprints repetidos. Os MC completaram a distância mais reduzida em corrida de muito alta intensidade e a maior parte desta actividade foi desempenhada sem a bola (77% da corrida de muito alta intensidade). detectaram uma melhor performance dos jogadores de campo quando comparados com o GR. Da aplicação do YYIRT. (2007) concluíram que os AV completaram uma distância em corrida de muito alta intensidade semelhante aos MED. Rampinini et al. Os AV foram os jogadores que obtiveram melhores resultados. mostrando que a capacidade de realizar sprints repetidamente é um pré-requisito importante para os jogadores de Futebol.. as posições de jogo e o nível competitivo das equipas. sendo que estes 39 . Da análise detalhada destes dados verificamos que os AV cobriram uma distância significativamente maior de corrida de muito alta intensidade (64%) com a bola em comparação com os médios defensivos e médios (40 %) (p=0.agilidade não são significativamente diferentes entre jogadores de diferentes posições e níveis de jogo. Aziz et al.

(2006) destacam a existência de diferenças de desempenho entre jogadores de alto nível e outros que não o são. (2005b) num estudo realizado com árbitros de diferentes categorias. Siegler et al. Na aplicação do YYIRT1 em juniores e seniores. Por outro lado. (2009) verificaram que estes últimos percorreram mais 15. 2005. Aziz et al. As diferenças encontradas podem ajudar a suportar a hipótese generalizada de que a habilidade de um atleta para manter a potência no tempo está associada à idade e ao nível de condição física. excepto entre 1ª divisão regional vs sub-16 e 1ª divisão regional vs sub-14. que defendem que a velocidade e a potência são extremamente importantes no Futebol moderno. Idêntica conclusão. Power et al. o que vem contradizer o que é comummente aceite pelos treinadores... passes curtos bem-sucedidos.4% que os juniores. iv) sub-16.resultados sugerem que os parâmetros mais relevantes para o sucesso no Futebol de alto nível são: envolvimentos com bola. o que evidencia as diferenças existentes no processo de treino e na experiência competitiva (idade). Randers et al. apesar de terem revelado idênticas capacidades aeróbias. vi) sub-12). dribles. v) sub-14. desarmes. Mujika et al. Num estudo envolvendo a comparação de vários jogadores na execução do teste dos “ 7 sprints”. Este aspecto é realçado por Wisloff et al. apesar da enorme variabilidade humana existente na realização de esforços máximos num curto espaço de tempo (Sampaio & Maçãs. 2009). entre jogadores de 2 equipas de níveis competitivos diferentes. passes curtos. ii) 2ª divisão. o que tem implicações no treino da equipa. remates e remates à baliza. (2003) não encontraram diferenças significativas nos sprints de 10 e 20 m. Foi verificado uma relação não significativa entre o VO2max e a potência anaeróbia (Siegler et al. sendo sugerido pelos autores que os jogadores de alto 40 . (1998) que referem que a capacidade aeróbia é apenas uma parte na tentativa de explicar o desempenho no Futebol. obtiveram Castagna et al. de diferentes níveis competitivos em Portugal (6 grupos): i) 1ªdivisão. os autores verificaram diferenças significativas entre grupos. iii) 1ª divisão regional. (2008) concluíram que as melhores performances no teste dos sprints repetidos foram dos jogadores que competem num nível competitivo superior e/ou com aqueles que possuíam melhores adaptações a este tipo de treino de resistência. 2006).

6. Há evidências que demonstram que os jogadores experimentam fadiga durante alguns períodos do jogo (Mohr et al. golos. (2009). 2007). comparativamente aos jogadores de patamares competitivos inferiores. na medida em que a capacidade de suportar esforço de potência anaeróbia por períodos de tempo superiores pode ser importante nas acções decisivas do jogo (por exemplo. foram respectivamente 25 e 33% superiores em comparação com os de nível mais baixo (452 ± 29.nível poderão estar mais bem preparados para suportar esforços de potência aeróbia. (2009) encontraram diferenças na comparação que efectuaram entre jogadores de nível alto.32 ± 0. Rampinini et al. médio e baixo na DP (10. à conjugação de diversos factores. etc. Este aspecto pode ser determinante na diferenciação entre estes grupos.55 ± 0.. através da análise de diferentes testes físicos. mas também os treinadores.l-1. 2. Fadiga A fadiga é um aspecto que preocupa não só os especialistas na área da Fisiologia do Exercício. mostrando que os sub21 tinham valores de FC significativamente inferiores aos sub-17. pois influencia a performance dos jogadores e da equipa. 10. num estudo comparativo entre jogadores de diferentes escalões etários (sub-17. A dificuldade está em saber qual a sua causa (Bangsbo et al. sub-19. encontrando diferenças estatisticamente significativas na resposta da FC nos 4 mmol. Idêntica conclusão tiveram Emre et al. Randers et al. Edwards & Clark (2004) verificaram que a resistência à fadiga é maior em jogadores profissionais quando comparados com amadores.62 ± 0.35 e 10. sub-21 e mais-21).. (2009) estudaram a forma como a fadiga afecta o desempenho técnico-táctico em jogadores da Série A Italiana. desarmes. respectivamente). Descobriram que os jogadores do grupo sujeito a maior fadiga tiveram uma diminuição nos seus envolvimentos com bola 41 . provavelmente. na execução de um teste específico do futebol.15. 481 ± 36 e 362 ± 26).29 km. devendo-se. 2005). Também na DP em sprint os jogadores de nível competitivo considerado alto e médio.).

(2009) verificaram que após 3 jogos realizados no espaço de 5 dias. não diferiram do verificado na exaustão. Contudo a depleção sistemática de fibras específicas pode ocorrer (Krustrup et al. (2009).bem como no número total de passes curtos e de passes curtos bem sucedidos. Odetoyinbo et al. mostrando pouco provável a associação entre fadiga e lactato elevado e pH reduzido. analisaram os períodos mais intensos e verificaram que dos primeiros para os últimos 15 minutos de jogo. que em EJR 4 x 4 (4 x 4 minutos com 2 minutos de recuperação). (2009) com atletas femininas também refere uma diminuição na corrida de alta intensidade e dos sprints realizados com o decorrer do jogo... Di Salvo et al. os tempos médios de recuperação ficaram 28% mais longos. O facto da quantidade total de deslocamentos e a frequência em corrida de alta intensidade diminuírem. Bradley et al. os jogadores revelaram menor disponibilidade física no terceiro jogo. (2003) citado por Mohr et al. É também pouco provável que a depleção total do glicogénio muscular ocorra após 45 minutos de jogo. estes sugerem que a fadiga decorrente do jogo tem uma maior influência na habilidade do jogador efectuar envolvimentos com bola do que na sua capacidade técnica individual. (2005) que a fadiga temporária durante o jogo pode estar relacionada com elevadas concentrações de lactato no músculo e/ou acidose. O estudo de Krustrup et al. 2006. (2005) em que os atletas executaram o YYIRT até à exaustão. A idêntica conclusão chegaram Kelly & Drust (2009). com ligeiras diferenças entre posições. pode indiciar que a fadiga se vai instalando ao longo do jogo.5 minutos antes do ponto de exaustão. Bangsbo et al. não verificaram qualquer decréscimo de desempenho no que diz respeito à DP nem à corrida de alta intensidade à medida que se aproxima o final do jogo. (2007). não sofreu qualquer declínio nos aspectos técnicos mencionados. Por outro lado. observaram menos acções técnicas nas 2 últimas séries. Os investigadores observaram ainda que o grupo com menor índice de fadiga. Porém num estudo de Krustrup et al. afectando o estilo de jogo. pois foi demonstrado in vitro que muito lactato no músculo e um reduzido pH diminuem a performance durante contracções intensas. Tendo em consideração estes resultados num contexto geral. 2006) e contribuir para o declínio nas 42 . o lactato e pH medidos 1. Foi sugerido por Fitts (1994) citado por Mohr et al.

através da comparação da EPOC das duas partes. (2003) aplicaram um teste de 90 minutos que visou simular as exigências de um jogo de Futebol e verificaram que o protocolo adoptado diminui a capacidade dos músculos flexores e dos extensores do joelho. (2003) verificaram uma redução na quantidade de água corporal com uma taxa de sudação de 1. Também Vanttinen et al. a sua capacidade aeróbia superior. Por outro lado. Isto sugere a diminuição na performance nos últimos 15 minutos de jogo.2 l/h. (2003) observaram que os jogadores de todas as posições de jogo experimentaram um declínio significativo na corrida de alta intensidade com o aproximar do fim do jogo. Ranhama et al. 43 . 2007).habilidades motoras específicas do Futebol. definida como um declínio na performance. indiciando fadiga. 2009). Reilly (1997) refere que é mais acentuada nos MD e AV. Bangsbo & Krustrup. apesar destes possuírem maiores valores de VO2max. Castagna et al. impede-os a manterem uma elevada intensidade durante todo o jogo. (2009) referem uma diminuição na intensidade de jogo durante a segunda parte (15 a 30 %) em jovens de 10 a 12 anos. No que concerne à fadiga nas várias posições de jogo. menos aparente nos DC e MC. No que concerne a este tipo de fadiga que aparece com o avançar do jogo. a taxa de um turnover da energia aneróbia é bastante alta. A DP na segunda parte tende a ser inferior do que o verificado na primeira parte. em alguns períodos do jogo. Mohr et al. que o aparecimento da fadiga em fases mais adiantadas do jogo se pode dever a um decréscimo dos níveis de glicogénio muscular nas fibras individuais e em condições atmosféricas adversas (calor e humidade) também se pode dever à desidratação e à hipertermia. provocada pela necessidade do jogador continuar com o seu desempenho (Reilly. (2005) salientam que devido ao elevado número de acções breves de alta intensidade. Mohr et al.. (2005) acrescentam na sua revisão sobre fadiga no Futebol. Está demonstrado que a lesão muscular pode aparecer após 45 minutos de exercício específico do Futebol (Oliver et al. levando a uma diminuição da produção de força. 1997. indicando que quase todos os jogadores de topo esgotam a sua capacidade física com o avançar do jogo. Esta constatação é uma manifestação de fadiga. apesar dos MC serem os jogadores que percorrem maiores distâncias. Rahnama et al.

. Interessante a constatação dos mesmos autores. 2007). 1994. diminuiu para o final do jogo reforçando o facto da fadiga se ir instalando ao longo do jogo.. 1994) podem não ser representativas a elevada acumulação de lactato no sangue numa determinada acção. pois o desempenho no exercício intermitente intenso é elevado após a suplementação em creatina. as elevadas concentrações de lactato sanguíneo frequentemente verificadas no Futebol (Bangsbo et al. Porém após a realização do YYIRT. Krustrup et al. em 30% comparativamente ao nível de repouso. em particular mais perto do final do jogo (aumenta a distância do árbitro em relação ao local da infracção. o que sugere o aparecimento de fadiga.. Deste modo.Krustrup & Bangsbo (2001) ao investigarem o perfil de actividade de árbitros de topo. Outra hipótese apontada como possível causa do aparecimento de fadiga no Futebol. et al. citados por Krustrup & Bangsbo.. de que o lactato sanguíneo e o muscular não estão relacionados durante o jogo de Futebol. 2007). havendo 44 . em alguns casos 30-35 m. 1991. Estes valores demonstram que há uma elevada produção de lactato durante os jogos de Futebol (Bangsbo et al.. 2006). 2006). sendo este tipo de deslocamento mais desgastante do que a corrida frontal (Reilly and Bowen. o que pode levar a erros na tomada de decisão). 2003). Bangsbo. não se verificaram alterações na CP muscular na fase final do teste (Krustrup et al. 2006. 1991.. observaram que os árbitros efectuaram menos corrida de alta intensidade e estiveram mais longe das infracções na segunda parte. caso se executem alguns esforços intensos com pequenos intervalos de recuperação. havendo registos individuais até 12 mM. (2006) mostrou que a diminuição da performance durante o jogo se relaciona com a acumulação de lactato. Bangsbo. 1984. sendo contudo inferiores (cerca de 1/5) aos verificados durante exercício intermitente e exaustivo de curta duração (Krustrup et al. Krustrup et al. 2001). (1992) apontaram a diminuição da CP nos músculos como uma causa provável.. Porém esta relação mostrou-se fraca. está relacionada com a acumulação de lactato. Estes efeitos desapareceram nos árbitros que efectuaram um período de treino intervalado. Balsom et al. a corrida de costas. À semelhança da corrida de alta intensidade. Krustrup et al.. Vários estudos apontam para a obtenção de valores entre 2 a 10 mM em jogos de Futebol (Bangsbo. mas ser uma resposta a um determinado número de actividades de alta intensidade (Bangsbo et al. Os níveis de CP podem ficar reduzidos no jogo.

2. 2003. (2009) relacionaram o exercício intermitente e o seu efeito na capacidade técnica de jogadores e salientaram o decréscimo na performance de um teste técnico (remate) após a realização de trabalho eminentemente físico. CP. Bangsbo & Juel. No mesmo estudo os autores não observaram qualquer relação entre o YYIRT2 e o teste técnico. 45 . 2006). Os mesmos autores acrescentam que a fadiga induzida por este tipo de exercício exerce maior influência na precisão de passe do que no controlo e condução de bola. Num estudo de Impellizzeri et al.7. 2004). níveis de glicogénio ou elevadas concentrações de lactato no músculo... (2003). intermitente e de curta duração.outros estudos que demonstraram que a acumulação de lactato não causa fadiga (Krustrup et al. avançaram com a hipótese de que o desenvolvimento da fadiga durante a realização de exercício intenso. Krustrup et al. Métodos de treino usados em Futebol para desenvolver a capacidade aeróbia Os investigadores da área do treino passam bastante tempo a planear treinos que simulem as exigências do jogo. o que pode ser indicador de que o decréscimo no desempenho do teste técnico não se deve somente à capacidade física dos futebolistas. Rostgaard et al. num estudo que visou verificar a reprodutibilidade do teste YYIRT. através da replicação dos aspectos fisiológicos e de tomada de decisão envolvidos na competição (Dawson et al. não parece estar relacionado com o baixo pH muscular. em favor do treino intervalado no retardar da deterioração da capacidade de passe provocada por uma breve série de exercício de alta intensidade. (2008b) as conclusões foram idênticas.

. Tudo isto leva a uma maior produção de energia pela via aeróbia.. 2009.O treino aeróbio de alta intensidade provoca aumentos nos parâmetros cardiovasculares como por exemplo: tamanho do coração. ao mesmo tempo que minimiza o decréscimo do desempenho técnico e as falhas de concentração induzidas pela fadiga à medida que o jogo se aproxima do final (Krustrup et al. 2009).. resultando numa distribuição do O2 para os músculos e pulmões mais rápida (Krustrup et al. (2004) referem um aumento da capilarização muscular em resposta a este tipo de treino (com cerca de 3 minutos de esforço até à exaustão). O efeito geral deste tipo de treino leva a profundas alterações no metabolismo com um aumento da capacidade de oxidação das gorduras e uma redução da glicogenólise.. Impellizzeri et al. 1996). Estas adaptações podem ser benéficas no Futebol. os ácidos gordos livres do sangue e a glicose. 2008). distensibilidade das artérias (Ekblom. Estes autores 46 ... oxidação dos hidratos de carbono e gasto energético a uma determinada intensidade (Iaia et al.. permitindo ao jogador suportar o exercício de alta intensidade durante mais tempo. como substratos energéticos do metabolismo oxidativo. Por outras palavras. todos citados por Iaia et al.. Jensen et al. podem poupar as reservas limitadas de glicogénio. 2009).. 1969. diminuindo a distância de difusão entre os capilares e as fibras musculares e aumentando a área de difusão (Iaia et al... Laughlin & Roseguini. Rakobowchuk et al. melhorando também a sua capacidade de recuperação entre as fases de alta intensidade do jogo (Iaia et al. 2001. capacidade circulatória. 2009). 2004) e consequentemente num VO2max superior (Helgerud et al.. Estas alterações melhoram a capacidade de transporte de O2 do sistema cardiovascular. O treino aeróbio de alta intensidade aumenta a regulação das proteínas oxidativas das mitocôndrias e o conteúdo de glicogénio muscular (McArdle et al. 2009). 2009). 2006. O treino de alta intensidade provoca outras alterações a nível muscular. permitindo uma melhor perfusão sanguínea. 2003. Bravo et al. 2008. possibilitando suportar maiores intensidades de jogo até ao final do jogo (Iaia et al. onde uma melhor utilização dos triglicerídeos musculares. 2009b). o principal desiderato do treino aeróbio no Futebol é aumentar a taxa de trabalho durante a competição. Bangsbo & Krustrup.

sugerindo benefícios no trabalho específico do Futebol sempre que possível. o estímulo de treino é maior quando se compara o trabalho com bola com a corrida. A lógica do treino intervalado assenta numa maior quantidade de trabalho realizado a alta intensidade (devido aos intervalos de recuperação) do que no treino contínuo (Midgley & Naughton. 47 . o grupo dos sprints repetidos mostrou melhorias mais acentuadas no teste específico do Futebol do que o do treino intervalado. o lactato sanguíneo e o esforço percebido. 2. (2008) compararam o método de treino por sprints repetidos e o método intervalado. eram mais elevados quando comparou o drible com a corrida numa passadeira. Reilly (2005) fazendo referência a um trabalho de Reilly & Ball (1984).1. sublinha que o gasto energético.7. retardando o aparecimento dos sintomas de fadiga. é possível que as melhorias relatadas se devam em grande parte ao baixo nível inicial dos jogadores envolvidos no estudo. Bravo et al. a base de treino dos sprints repetidos poderá providenciar uma boa estratégia de tempo/eficiência para conseguir adaptações aeróbias. Ao contrário do esperado. Indo de encontro à especificidade do treino. Dunbar (2002) não comprovou nenhuma melhoria significativa da capacidade aeróbia ao longo da época. para verificar qual o tipo de treino mais eficaz. com o aumento a ser idêntico nas 4 velocidades de deslocamento investigadas. Para uma determinada velocidade de deslocamento. o que em grande parte se pode dever a uma alteração nos hábitos dos jogadores que se apresentam no início da pré-época com bons níveis aeróbios. Treino intervalado O treino intermitente ou intervalado envolve séries repetidas de exercícios de alta intensidade intercalados com períodos de repouso ou de exercício de baixa intensidade. Tendo em conta o reduzido volume de treino do grupo dos sprints repetidos (10 minutos e 720 m) comparativamente com o do treino intervalado (18 minutos e 4000 m). Contudo. 2006).acrescentam ainda que este facto pode favorecer a libertação de componentes no interstício muscular.

Em conjunto. Numa investigação empreendida por Helgerud et al. já que no período de controlo a equipa venceu 33. na qual usaram treino intervalado de 4 x 4 minutos a 90 . 3 vezes por semana. estas evidências mostram que os árbitros de topo podem melhorar a sua performance física no jogo. (2001). (2004) compararam os resultados do treino intervalado de extensão do joelho de um membro inferior. Além disso. Num estudo realizado com o intuito de comparar os efeitos de um protocolo de treino específico baseado em repetições de sprints e em corrida intermitente de alta intensidade com treino normal (período de controlo). (2004). acompanhado por um aumento de 1700 m na DP durante o jogo. através de treino intervalado regular. durante 8 semanas.3% dos jogos e no período de treino intervalado de alta intensidade a percentagem de vitórias subiu para 77.min-1 em comparação com o grupo controlo. De referir que este tipo de treino não implicou resultados negativos. O aumento individual no VO2max foi de 6 ml. devido a um acentuado incremento da corrida de alta intensidade na segunda parte. Este método provocou ainda melhorias significativas durante o jogo.Num trabalho no qual Krustrup et al. a intensidades elevadas e realizado durante um período de 7 semanas e verificaram que após um período de treino intermitente do extensor do joelho. em árbitros sujeitos a 12 semanas de treino intervalado. Krustrup & Bangsbo (2001). mais 24% de 48 . A intensidades reduzidas o exposto anteriormente não se verificou. Dupont et al. quando o músculo treinado era exercitado a uma intensidade elevada. comprovaram uma melhoria na capacidade de repetir trabalho intenso. para metade da equipa. avançaram com a hipótese de que treino intervalado de alta intensidade realizado durante a época permite que os jogadores aumentem a performance aeróbia e anaeróbia. Estes mesmos investigadores mostraram ainda um aumento inicial do aporte sanguíneo aos músculos da coxa bem como da circulação sanguínea.8%. a distância do árbitro em relação à infracção não aumentou na última fase do jogo. indiciando a possibilidade de trabalhar em zonas de intensidade mais altas recorrendo ao treino intermitente. como demonstrado no aumento de 400 m (23%) da quantidade de corrida de alta intensidade. patente nos 31% de incremento no teste do YYIRT.kg-1. a captação de O2 pelos músculos envolvidos nesta acção aumenta em intensidades sub-maximais.95% da FCmax. enquanto a outra fez o seu treino tradicional. 3 vezes por semana.

49 . 7.4 ± 2. (2009) introduziram 30 minutos semanais de exercícios de cariz intermitente de alta intensidade durante um período de 12 semanas.kg-1. (2004) compararam a eficácia de 3 métodos de treino diferentes em jogadoras de Futebol: i) resistência especializada e desenvolvimento da velocidade. mas com exercícios com intensidades mais reduzidas. (2008). Foi concluído que os princípios de desenvolvimento da velocidade. conseguindo melhorias na capacidade aeróbia num reduzido espaço temporal. aplicado durante 8 semanas.5% (l. 2 vezes por semana. com a vantagem de poderem ser aplicados durante as sessões de treino sem recurso a material especializado. agilidade e rapidez parecem ser eficazes no treino físico das jogadoras de Futebol. por uma diminuição da FCmax durante o YYIRT2 e da concentração de lactato sanguíneo.45 para 4.mim-1).min-1) e 12% (ml.min-0.contactos com a bola e um aumento de 100% no número de sprints realizados. Estes autores aplicaram treino aeróbio de 4 x 4 minutos com 3 minutos de recuperação.87 l. num circuito com bola e observaram um aumento de 9% no Vo2max (4. com 3 minutos de recuperação.75). (2002) para avaliação da capacidade aeróbia no terreno e às 4ªs jogos de 4 x 4 num campo de 20 x 20 m.min-1). às 2ªs aplicaram um exercício de treino na pista proposta por Hoff et al. Também Sporis et al. além de ter como alvo os sistemas anaeróbios. (2005b) recorreram a intervalos iguais. Polman et al. com 3 minutos de recuperação às 2ªs e às 4ªs feiras. Este progresso foi acompanhado de um aumento do VO2max (5. a uma intensidade 70% da FCmax. com a aplicação de intervalos de 4 x 4 minutos. para 863 ± 41 m antes do período de aplicação do treino de alta intensidade e 980 ± 42 m no final do período de 12 semanas). num total de 10 semanas.5% (ml. McMillan et al. num circuito realizado com bola e observaram melhorias no teste anaeróbio em regime de “vai-vém” que aplicaram. ii) treino com equipamento tradicional do Futebol.kg-1. num período de 8 semanas de treino. Chamari et al. (2005) também reportaram aumentos no VO2max de 14. iii) sessões regulares de condicionamento. Jensen et al.1%). Este tipo de intervalos. aplicaram intervalos de corrida de 4 x 4 minutos. a 90-95% de FCmax. Após este período observaram melhorias no desempenho repetido de exercício de alta intensidade (851 ± 35 m no início da época. ao mesmo tempo que requer uma elevada taxa de trabalho por parte da via aeróbia.

Hoff et al.2. sendo que hoje em dia são aplicados por equipas amadoras e profissionais no treino aeróbio. pois usualmente a corrida não é a actividade favorita dos jogadores de Futebol. 2007b). todos citados por Rampinini et al. Rampinini et al. Destes. Bangsbo (2003). incluindo uma maior proporção de corrida de alta intensidade (16%) na posse de bola. sublinhando a importância dos jogadores terem a possibilidade de aumentar o contacto com a bola durante as sessões de treino. (2007b) e Drust et al. Tessitore et al. os aspectos técnicos e a capacidade de resistência são os que maior influência exercem no rendimento em jogo. O sucesso da estratégia de uma equipa depende da capacidade dos jogadores cooperarem com os colegas de equipa em determinadas áreas do campo.. Bravo et al. (2008) referem que o recurso a 4 x 4 minutos de treino intervalado a 90 – 95% da FCmax melhoram o VO2max.. (2000) referem que no passado os EJR eram usados principalmente para desenvolver aspectos técnico-tácticos. indiciando que a capacidade de se exercitarem a alta intensidade com bola pode assumir grande importância no desenrolar do jogo.. Exercícios de jogos reduzidos O desempenho no Futebol está dependente de múltiplos factores. Daí os exercícios específicos de treino do Futebol incluírem condições de jogo reduzidas. trabalhar aspectos técnico-tácticos (Little & Williams.7. Estes exercícios são conhecidos por EJR (Rampinini et al. Se ambos forem treinados em simultâneo recorrendo a jogos de Futebol. 2006. é tempo de treino extremamente efectivo na medida em que é possível dar carga de treino. com menos jogadores e em espaços mais reduzidos. 2006). As respostas fisiológicas aos diferentes 50 .. (2009) referem que os jogadores das equipas de sucesso na Serie A Italiana percorrem uma maior distância (18%).2. 2006) ao mesmo tempo que são mais motivadores para os jogadores (Tessitore et al. mas revelou-se menos efectivo do que do que o treino através de sprints repetidos e de EJR. Face ao exposto também permitem maior economia de tempo treino (Jeffreys. Também Balsom (1999). (2002) realçam a capacidade motivacional como factor importante na escolha do método de treino. 2008. Dellal et al. 2004).

2008). sendo neste caso. 2005b. (2005) referem a importância destes jogos como alternativa ao treino de corrida intervalada. podendo a intensidade ser controlada através da FC e do lactato sanguíneo. (2006) também contabilizaram mais passes no 7 x 7 comparativamente ao 11 x 11. Um dos aspectos que vai contra o recurso aos EJR. Little & Williams (2006) sugerem que os EJR podem fornecer taxas de trabalho consistentes e apropriadas ao treino da resistência. (1998) ao compararem jogos de 5 x 5 e 11 x 11. como ficou demonstrado pela reduzida percentagem do VO2max atingido.. apresentaram idênticas respostas físicas. é o facto de ser difícil quantificar a carga de treino que cada atleta recebe.kg-1. 2001).9). Os formatos 4 x 4 e os regimes (contínuo vs intermitente) usados por Hill-Haas et al. 2 vezes por semana. Os referidos autores concluíram que o impacto provocado no desenvolvimento da potência aeróbia é pequeno..min-1) (McMillan et al. Neste sentido. Intervalos de alta intensidade com duração de 4 x 4 minutos. Hoff et al. Sassi et al. quando jogados de forma alternada na mesma sessão de treino ou noutra realizada algumas semanas depois.5% (ml. com o impacto de cada sessão de treino a ser de aproximadamente 0. 2009). indicou que os jogos 3 x 3 fornecem um melhor estímulo de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras e também das capacidades técnicas (maior número de acções técnicas) do que do que os 6 x 6. (2005) questionam a eficácia deste tipo de jogos. 2006..tipos de treino são variáveis. (2002). fisiológicas e perceptivas.. Capranica et al. O estudo realizado por Katis & Kellis (2009) com jovens futebolistas (idade 13 ± 0. Dellal et al. Por exemplo. (2008). verificaram que apesar da DP ser idêntica nos dois. Little & Williams (2007) realçam a existência de alguns pressupostos que levam a que os exercícios de corrida sem a presença de bola sejam usados para desenvolver a capacidade de resistência. Helgerud et al. quando comparado com o exercício contínuo (Iaia et al. o exercício intermitente provoca um maior stress metabólico e níveis de fadiga inferiores. (2001) e Tessitore et al. são uma ferramenta efectiva para aumentar o VO2max em jogadores de Futebol. Allen et al. nos jogos 5 x 5 as alterações na FC e o número de contactos com a bola foram significativamente superiores. 51 . ao aplicarem jogo 5 x 5 em 40 x 20 m (53 ± 12%) aplicado a jovens moderadamente treinados. muito mais fácil de controlar a carga imposta nos exercícios sem bola (Little & Williams. Castagna et al.

1994). que se pode dever aos intervalos de repouso entre repetições.0 . Curioso verificar que nenhum destes formatos pareceu suficiente para provocar um estímulo de treino efectivo (< 90% FCmax) (Hill-Haas et al. 2007). uma explicação possível para esta constatação é o facto dos intervalos de repouso entre repetições possibilitaram aos jogadores iniciarem as repetições subsequentes com valores de %FCmax inferiores.30 a 100% VO2max.20 segundos todos com recuperação passiva).. 15 . 4 x 4 GR.30. em corrida lenta ou corrida moderada.20 a 120% VO2max. De resto não se verificaram diferenças nos níveis de lactato. 8 x 8 e 10 x 10 GR) com exercícios intermitentes de curta duração (relação esforço/repouso de 15 . é importante que se dê especial atenção à monitorização da intensidade dos mesmos. 52 .consideram que os EJR preenchem os requisitos do treino intervalado. Nos jogos 2 x 2 e 8 x 8 GR obtiveram comportamentos semelhantes da FC comparativamente ao 5 . 10 . 15 . e ao facto de ser uma modalidade de carácter intermitente (Bangsbo.9 km. porém nos EJR intervalados. evitando deste modo os efeitos prejudiciais do sub e do sobretreino. 2 x 2. 1.10 a 110% VO2max.5 minutos de recuperação entre repetições).15. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os dois tipos de jogos na distância total percorrida e na DP a andar.h-1 e executaram sprints com maior frequência. permitindo desenvolver o VO2max. 10 .15 segundos com recuperação activa. (2009) desenharam um estudo inovador que visou comparar o impacto fisiológico de EJR contínuos (1 x 24 minutos) e intervalados (4 x 6 minutos. (2008). 2009). Neste aspecto a FC é um método comummente usado para monitorizar a carga imposta aos futebolistas (Little & Williams. nomeadamente em termos de intensidade. os EJR contínuos provocaram valores inferiores na percentagem da FCmax. Hill-Haas et al. No que diz respeito à FC. estando este processo sujeito a algumas interferências (emoções.15 a 110% VO2max e 30 . 8 x 8 GR. Sendo cada vez maior o recurso a este tipo de exercícios como método de desenvolvimento das capacidades físicas associadas ao jogo de Futebol. Idêntica conclusão obtiveram Dellal et al. ansiedade. ao compararem diferentes EJR (1 x 1. os jogadores percorreram uma maior distância entre 13.10 e 5 .17. contribuindo deste modo para valores mais reduzidos. stress. 30 .

O Vo2max obtido com recurso a um teste incremental. a saber: i) 4 x 1000 m. No grupo intervalado: 39.kg-1. (2009b) aplicaram treino geral e treino baseado em EJR a 2 grupos de jogadores da mesma equipa durante a pré-época a uma equipa júnior e verificaram idêntica evolução do desenvolvimento do VO2max. Hill-Haas et al. Este estudo demonstra ainda a manipulação que é possível fazer neste tipo de jogos. iii) 4 x 4 com finalização. iv) 8 x 8 sem limite de toques.6 ± 1. Impellizzeri et al. um aumento de 187 ±33 m após 4 semanas e sem melhorias significativas no restante período do estudo. mas não no YYIRT1. ambos os grupos de treino (intervalado vs jogos em espaço reduzido) obtiveram resultados eficazes no desenvolvimento da capacidade aeróbia em jogadores de Futebol juniores. não foram encontradas melhorias significativas no VO2max. No grupo de treino intervalado: 569 ± 85 no início do estudo. A idêntica conclusão chegaram Impellizzeri et al. (2005).1 ml. tendo também o tempo passado acima dos 90% da FCmax sido superior para o grupo dos EJR (20 ± 4 vs 1 ± 1 %) para p < 0. bem como na inclusão de guarda-redes nos exercícios 4 x 4. Sassi et al.min-1.min-1. 53 .05.5 ml. concluíram que ambos os jogos 4 x 4 e o 8 x 8 com pressão produziram maior FCmédia do que o treino intervalado. (2005) demonstrando que após 8 semanas de treino. (2006) demonstraram que 12 semanas de treino intervalado de cariz aeróbio usando jogos em espaços reduzidos. 8 x 8 sem limite de toques e com pressão ao portador da bola. não tendo sofrido mais alterações. ii) 4 x 4 em posse de bola. teve idêntica evolução: para o grupo dos EJR 39. ao compararem diferentes tipos de treino.Krustrup et al. são efectivos na melhoria da capacidade aeróbia e da performance física de jogo. (2010) aplicaram treino intervalado e EJR a uma população de sujeitos destreinados. Num período de 7 semanas. O grupo de controlo não teve alterações significativas nos seus desempenhos em nenhum dos parâmetros mencionados. tendo obtido valores médios mais elevados da FC para o grupo dos EJR (166 ± 3 vs 159 ± 4 bpm).3 ± 2. Neste mesmo estudo os autores verificaram uma melhoria na DP no desempenho do YYIE2 para o grupo dos EJR com valores iniciais de 655 ± 37 tendo observado um aumento de 235 ± 44 após 4 semanas e de 420 ± 27 m no final das 12 semanas.kg-1. pelo simples facto de existirem diferenças significativas no 8 x 8 com e sem pressão. Apesar destes resultados. mais 7% após 4 semanas e mais 6% nas 8 semanas seguintes. em passadeira. mais 6% após 4 semanas.

kg-1. indo de encontro ao mencionado nas categorias de deslocamento para o estudo de Rampinini et al. 4 x 4. pequeno com menos 20% da área e grande com mais 20% da área. Também Rampinini et al.85 ml. após 12 semanas de treino.kg-1. durante o período competitivo. (2005) que concluíram que estudantes do ensino secundário moderadamente treinados (16 . sugerem que os treinadores podem confiar neste tipo de exercícios de treino. à base de EJR e treino intervalado (3 x 3 minutos. A existência das condições anteriormente mencionadas e os resultados obtidos. incluindo a presença e envolvimento dos treinadores e o encorajamento verbal durante os jogos.min-0. A idêntica conclusão chegaram Castagna et al.06 ± 5. (2007b) reportaram melhorias na execução do YYIRT após realização de jogos em espaço reduzido (3 x 3. Little & Williams (2006) sugerem que devido ao facto de existirem diferenças na FC entre diferentes tipos de jogadores e entre jogadores com diferentes historiais de treino.5 ± 13. ambos em relação ao normal).Por sua vez Svensson et al. (2007) estudaram os efeitos de uma sessão semanal de 30 minutos de treino aeróbio de alta intensidade e relataram uma melhoria de 15% no desempenho do YYIRT2 (de 850 para 950 m percorridos) e uma redução de 21% durante a execução de um teste de sprints repetidos.min-0. 5 x 5 e 6 x 6) em campos de 3 tamanhos diferentes (normal. provavelmente devido aos jogadores terem mais tempo a bola. (2007b) realçam o facto de nenhum estudo se ter debruçado sobre a reprodutibilidade e a variabilidade das respostas fisiológicas inter-participantes nos jogos em espaço reduzido. Os mesmos autores sublinham maiores intensidades no 3 x 3.kg-1.75).kg-1. quando comparado com o 6 x 6. Estes autores verificaram que o grupo em causa melhorou o VO2max (de 64. com intensidade de 90 . 2 vezes por semana.17 anos) atingiram apenas 53% do VO2max.95% FCmax). treino intermitente de alta intensidade durante um período de 6 semanas. nas últimas 3 semanas aumentaram para 4 séries. com 3 x 4 minutos com 3 minutos de recuperação activa. Não se encontraram alterações na FCmax nem no pico da concentração de lactato.min-1.75 para 66. 192.4 ml. aplicaram a um dos grupos. 54 .66 ml. (2007).8 ± 13. A extrapolação dos resultados para outros grupos implica que as condições do estudo se verificassem nesses mesmos grupos.2 ml. com 3 de recuperação. havendo por outro lado um aumento no tempo até à exaustão (protocolo progressivo na passadeira para determinar VO2max. 184.min-1. Rampinini et al. ao jogar 5 x 5 num campo de 40 x 29 m. (2009).83 ± 4. as potenciais aplicações do seu estudo não podem ser aplicadas a determinados grupos. Jensen et al.

com 90 segundos de recuperação) e 4 x 4 (3 x 6 minutos. número de jogadores e a oportunidade de contactar com a bola. em EJR. (2004) analisaram EJR de 2 x 2 (3 x 90 segundos. todos numa área de 30 x 20 m. Os mesmos autores referem que antes de se usarem este tipo de jogos. Tendo em consideração o tamanho da área de jogo. Por exemplo. 3 x 3 (3 x 4 minutos. Rampinini et al. no segundo limitaram-se os toques consecutivos por jogador a um máximo de três e no terceiro a área de jogo foi aumentada para 50 x 30 m. pois a sua intensidade é afectada pela área de jogo. Por outro lado também pode ser indicador de que a DP é um fraco indicador do trabalho total neste tipo de jogos. Isto pode indiciar que os perfis de deslocamento são determinados pela complexa interacção do espaço de jogo disponível. com 90 segundos de recuperação). os formatos 2 x 2 estiveram durante um maior período de tempo acima dos 90% da FCmax. indicando que estes formatos são úteis para o desenvolvimento da capacidade aeróbia nos jogadores de Futebol. com 90 segundos de recuperação). (2008) e Litlle & Williams (2007) verificaram que nem todos os EJR permitem uma intensidade suficiente para estimular minimamente a resistência aeróbia. que influenciam o perfil de corrida durante a realização de EJR. Aroso et al. Também Hill-Haas et al. mas alteraram o número de jogadores (2 x 2. número de jogadores. além da área do terreno de jogo. Estes jogos foram submetidos a algumas alterações: no primeiro foi introduzida a marcação individual. não se verificaram diferenças estatisticamente significativas nas distâncias percorridas. (2009) reportaram uma mudança nas respostas fisiológicas e no RPE.afirmando que esta intensidade tinha pouco impacto no desenvolvimento da potência aeróbia. na RPE os campos médio e grande não se 55 . menores as respostas verificadas. Estas alterações alteraram o impacto fisiológico destes EJR e consequentemente as características dos mesmos. Na mesma linha Dellal et al. Este facto sugere que há outros factores. motivação e regras adoptadas. (2007b) afirmam que os EJR disputados num campo de área superior foram mais intensos (maiores valores de lactato e FC. estes devem ser testados de modo a quantificar a carga fisiológica. 4 x 4 e 6 x 6). em que mantiveram a mesma área de jogo. isto é. dos que os jogos 4 x 4 ou 6 x 6. Estes autores acrescentam que entre os diferentes formatos. quanto maior o número de jogadores.

8 minutos 39%). técnica. respondendo a vários objectivos de treino. mostraram não simular a alta intensidade e sprints repetidos dos jogos internacionais. Os resultados demonstraram que os EJR são úteis na simulação em treino dos movimentos de jogo dos diferentes níveis competitivos. 8 minutos 65%) e no campo de 30 x 40 m: 3 minutos 50%.6±1. Garret & Mulvey (2008) efectuaram um estudo comparativo no Futebol feminino entre EJR de 3 x 3 e 5 x 5: i) Jogos treino com equipas masculinas. A favor deste argumento está a constatação de que sem a inclusão de treino físico sistemático. jogos treino com equipas masculinas e os jogos do campeonato nacional Australiano. o número de toques na bola e a duração. não havendo deterioração das capacidades físicas dos futebolistas. Reilly & White (2005) após compararem os jogos em espaço reduzido (5 x 5) com regime de treino de corrida (4 x 1000 m) durante o período competitivo. o que logicamente acarreta consequências na performance de jogo. Estes mesmos autores comparam jogos de 6 x 6 em campos com diferentes tamanhos. as conclusões foram idênticas com 2. Tessitore et al. verificaram a mesma eficácia no incremento das variáveis físicas estudadas (potência. os EJR.2 ± 1.01). mas foram superiores do que no pequeno). os níveis de condição física podem diminuir. No campo de maiores dimensões a actividade aeróbia foi maior. Contudo. em períodos de 3 e 8 minutos. Esta evidência pode sugerir que os EJR devem ser complementados com treino específico que simule as exigências em termos de alta intensidade e sprints repetidos dos jogos internacionais. capacidade aeróbia e anaeróbia). com a maior parte do tempo a decorrer acima do limiar láctico (50 x 40 m: 3 minutos 85%. Observaram uma maior intensidade no campo mais reduzido (62% do tempo acima dos 160 bpm vs 57%). pela manipulação do número de jogadores. Estes autores concluíram também que os EJR simulam as movimentações do jogo e que o ratio exercício/repouso é idêntico ao dos jogos internacionais. Nos valores de lactato observados.5 mM no campo de 30 x 40 m e de 1. iii) Jogos internacionais. 56 . 30 x 40 m e 40 x 50 m. agilidade. ii) Jogos do campeonato nacional Australiano e. (2006) destacam também a multiplicidade de formas que este tipo de jogos podem ter. o tamanho da área de jogo.2 mM (p<0.diferenciaram.

95% FCmax. com pressão no meio-campo adversário). Ainda na construção de EJR. como o tamanho do campo e o número de jogadores (Hoff et al. 2009). 57 . caso se pretenda obter melhoria da condição física. sendo potenciais exercícios para melhoria do VO2max. 2001). Nos EJR (3 minutos com 3 minutos de recuperação) os jogadores com o maior VO2max poderão sofrer um efeito limitador no desenvolvimento da capacidade aeróbia. Isto pode ser conseguido mexendo em algumas variáveis. Intensidade Billat (2001) citada por Little & Williams (2006) evidencia que o treino intervalado de alta intensidade é óptimo para melhorar o VO2max.. o controlo da intensidade dos períodos iniciais dos EJR deve ser apertado.. deve ser superior à normalmente verificada num jogo de Futebol.1.7. Este aspecto pode contribuir para o aumento da FCmédia com o decorrer do exercício. quando os EJR são usados como uma ferramenta para melhorar a condição física.95 % FCmax). Os mesmos autores prosseguem referindo que estas descobertas indicam que algumas repetições adicionais podem ser necessárias para garantir que a intensidade desejada é sustentada pelo tempo estipulado. Em segundo lugar. contribuindo para a elevação da FC ao nível pretendido. elevam a FC para valores entre 90-95 % da FCmax (2 x 2. sendo desejável para estes jogadores circuitos técnicos nos quais a intensidade verificada foi superior. Alguns dos jogos examinados no estudo de Little & Williams (2006). indicando que a primeira série está associada ao aumento gradual da FC para os níveis requeridos para um estímulo de treino aeróbio. 3 x 3. Hoff et al. Este tipo de treino envolve intensidades mínimas para melhorar o VO2max (90 . Na mesma linha de raciocínio. Na elaboração dos EJR há que ter em conta que para terem efeitos efectivos. terceira e quarta (Kelly & Drust.2. de modo a facilitar a rápida obtenção da intensidade desejada. 2002). (2002) reportam respostas fisiológicas entre 90 . há que ter em atenção o facto de a resposta da FC na primeira série é inferior do que a segunda. Este período tende a ser menor nas séries seguintes. 4 x 4 e 6 x 6. a intensidade.2. especialmente quando os intervalos de recuperação não permitem o retorno da FC aos níveis basais. sendo que o uso frequente destes jogos leva a uma consequente melhoria da performance de jogo idênticos ao treino intervalado tradicional (Helgerud et al.

ii) 40 x 30 m.. Estes autores sugeriram que a motivação contínua e feedbacks construtivos são necessários para se atingir uma intensidade que permita o desenvolvimento da capacidade aeróbia. tendo sido aqueles em que os jogadores passaram 70% do tempo total de treino. Os autores concluíram que a dimensão do terreno de jogo por si só não é um factor dos factores principais que podem afectar a FC. Neste particular também a inclusão de guarda-redes e a consequente oportunidade dos jogadores finalizarem aumenta os níveis motivacionais (Allen et al. A ausência destes estímulos pode levar os jogadores a seleccionarem a intensidade (Rampinini et al. (2009b) referem que nos formatos 5 x 5 e 7 x 7 utilizados parecem ter reduzido a intensidade dos EJR. 1972. 2008). não encontrando diferenças estatisticamente significativas na resposta da FC durante os jogos. estado do terreno de jogo ou as condições atmosféricas (Bangsbo. 1998).Tendo em conta a intensidade na construção de exercícios intervalados. resultando frequentemente em fadiga e falha no cumprimento da sessão de treino planeada. Também a dimensão do terreno de jogo pode influenciar a intensidade destes exercícios.. mas pode-o ser quando combinado com outros aspectos. iii) 50 x 40 m. pois intensidades superiores aumentam os níveis de lactato e diminuem a resposta aeróbia ao treino. 2006b) ou a maior quantidade de acções realizadas com bola (Hill-Haas et al. Os mesmos autores ressalvam porém. Neste sentido. através da realização de jogos 4 x 4 (4 x 4 minutos com 2 minutos de recuperação activa) em 3 campos de diferentes dimensões: i) 30 x 20 m. Dellal et al. 2002).. 2002. Outro factor que pode interferir na intensidade dos EJR é a motivação (Hoff et al. citados por Hoff. como por exemplo. que o número de desarmes no solo e remates aumentam de forma inversa ao tamanho do campo. Este aspecto faz com que a actividade durante os intervalos de recuperação seja fundamental para reduzir o ácido láctico nos músculos e consequentemente no sangue (Hermansen & Stensvold. Hill-Haas et al. Kelly & Drust (2009) verificaram qual a interferência deste factor na carga interna. 2009). Por último é importante ter em atenção outros factores que podem aumentar o impacto fisiológico deste tipo de exercícios. (2002)... Hoff et al. daí ser extremamente importante a 58 . referem que após a observação de jogadores que efectuavam treino de corrida. 2005).95% da FCmax. era necessário alertá-los para reduzirem a intensidade durante o primeiro intervalo de modo a não exceder os 90 .

podem resultar numa resposta aumentada da FC nas séries seguintes e deste modo melhor a remoção de [la-] durante o período de repouso estipulado (Hill-Haas et al. 2001). A capacidade para desempenhar esforços de alta intensidade em séries repetidas é influenciada pela natureza do exercício e dos períodos de recuperação. Este processo compreende 2 fases. 1986. 59 .2.. referem que a intensidade.. Na mesma linha de raciocínio. 2. O período de recuperação entre séries de esforço. 1984). Strudwick & Reilly (1999). citados por Tomlin & Wenger. maior será seu efeito no metabolismo da recuperação (Brehm & Gutin. com uma fase inicial rápida que dura entre 10 segundos a alguns minutos. Intervalos de recuperação A performance e o nível de VO2max inerente dependem da interacção entre a duração do exercício e os períodos de recuperação. seguida de uma segunda fase com duração compreendida entre alguns minutos até algumas horas (Gaesser & Brooks.7. Durante todo o processo o consumo de oxigénio (VO2) é elevado para ajudar a restabelecer os processos metabólicos. permitindo intensidades de trabalho mais elevadas nas séries seguintes (Hill-Haas et al. Tomlin & Wenger (2001) acrescentam que quanto mais complexos forem estes processos regenerativos.2..monitorização da carga interna envolvida nos exercícios seleccionados (Haas et al. podendo comprometer a capacidade de trabalho nas sessões seguintes. 2003). 1984).. O regresso do músculo ao seu estado normal após o exercício faz parte de um processo conhecido por recuperação. duração e frequência dos treinos provocam um elevado stress nos sistemas biológicos. bem como da intensidade do exercício e da recuperação (Dupont et al. 2008b). 2009b). De um modo geral. quanto mais o exercício interfere com a homeostasia. maior será a habilidade para gerar força ou manter a potência nos intervalos de esforço subsequentes. A recuperação entre séries pode promover a recuperação fisiológica. O VO2 mais elevado em comparação com os níveis de repouso após o exercício tem a denominação de excess post-exercise oxygen consumption (EPOC) (Gaesser & Brooks.

2002). como demonstrado no estudo de Vanttinen at al. Verificaram que o método que se revelou mais eficaz foi o iii) com todos os jogadores a apresentarem recuperação total entre sessões de treino (i) 83%.. 2006). É de acrescentar que a intensidade de jogo aumenta com a idade. 8 minutos de marcha e corrida lateral e à retaguarda e 4 minutos de alongamentos. Isto pode significar que os jogadores aumentam o referido tempo de recuperação recorrendo a actividades de baixa intensidade. iv) 92 %. (2003) empreenderam um estudo para verificar o efeito da recuperação activa vs recuperação passiva no tempo até ser atingida a exaustão. em repetições de exercícios intermitentes de curta duração. combinados com exercícios aeróbios realizados na água. Tessitore et al. (2009) o tempo médio de recuperação dos jogadores entre actividades de alta intensidade aumentou entre o primeiro e o terceiro jogo (3 jogos realizados em 5 dias) cerca de 10 segundos. Num estudo idêntico. 2003). iii) 8 minutos de corrida lenta. No estudo de Odetoyinbo et al. ii) 92%). que visou simular 3 jogos no espaço de 8 dias. ii) exercícios aeróbios de baixa intensidade. (2007) compararam diferentes métodos de recuperação durante a pré-época de uma equipa de Futebol: i) descanso. em que referem que a capacidade para jogar acima dos 75 % do VO2max aumenta. Por outro lado os intervalos de recuperação activa. Estes factores combinados. Isto pode-se dever ao suporte deste tipo de esforços provir do oxigénio da mioglobina e da fosfocreatina. verificou-se que os jogadores mostraram elevados níveis de fadiga e stress (Rainer et al. (2009). podem diminuir a fidelidade da FC e do [la-] nos EJR de regime intervalado comparativamente aos de regime contínuo. Dupond et al. permitindo o desempenho de um maior número de intervalos de trabalho (Midgley & Naughton. e iv) electro-estimulação. ao mesmo tempo que atenuam a acumulação de lactato e retardam o aparecimento da fadiga. Os resultados demonstraram que. o tempo até à exaustão foi significativamente mais longo com a recuperação passiva.. de forma algo surpreendente.2008b). que são parcialmente repostos durante a recuperação e aqui é onde a recuperação passiva pode ter um maior benefício. permitem que o VO2max seja atingido mais rapidamente no recomeço de cada série de esforço (Dupond et al. 60 . o que se torna mais evidente quando têm de realizar vários jogos num curto período de tempo.

Desenho experimental 3. Exercício de jogo reduzido 61 .METODOLOGIA 3.1.2.2.CAPÍTULO III .2. Amostra 3. Treino de corrida intervalado 3.1.2.

Respostas fisiológicas durante o Yo-Yo intermittent recovery test level 1 3.4.4. Frequência cardíaca 3.4.2.3.1.2.3. Pico de consumo de oxigénio 3.2. Yo-Yo intermittent recovery test level 1 3.2.2. Análise estatística Capítulo III Metodologia 62 .3.

N Média Desvio Padrão IDADE 7 20.Resumo da amostra. bem como de possíveis desconfortos e riscos associados.0 ± 1. Da amostra inicial (n = 12) apenas n = 7 percorreram todas as etapas do estudo.3 ± 8. completando quer as 3 aplicações do YYIRT1 quer os treinos de aplicação do protocolo de treino aeróbio de alta intensidade.6 ± 7. antes de darem o seu consentimento na participação do mesmo.5 anos) pertencentes a uma equipa de Futebol universitário.5 FCMAX 7 198.1 ± 1. Todos os jogadores tiveram acesso a todo o conteúdo experimental do estudo. idade de 20. Além deste tempo de prática desportiva treinavam na secção de Futebol 2 vezes por semana durante cerca de 1 hora e 15 minutos.6 ESTATURA 7 175.4 Tabela 1 .1 ± 1.5 ANOS EXPERIÊNCIA 7 2.6 m.3 ± 8.7 ± 6.6 MASSA CORPORAL 7 76.6 anos.3.4 bpm.5 kg e FCmax de 198.1.6 ± 7. Amostra Sete universitários com pouca experiência na modalidade de Futebol (2. Todos os elementos da amostra tinham uma aula semanal de Educação Física de 50 minutos e outra de Natação também de 50 minutos. Todos os jogadores foram incentivados verbalmente a darem o máximo quer na realização do teste quer nos exercícios de treino. estatura de 175.7 ± 6.0 ± 1. 63 . massa corporal de 76. Porém não lhes foi transmitido qual o objectivo do estudo de modo a não influenciar o seu desempenho para irem de encontro ao pretendido pelos investigadores.

no sentido de evitar consequências negativas fruto de eventuais condições atmosféricas adversas. com as capacidades físicas específicas da modalidade a serem desenvolvidas em situações de jogo diverso (4 x 4. etc.3. permitindo este intervalo de recuperação manter o estímulo de treino na zona alvo pretendida.2. Todas as etapas deste estudo foram aplicadas num pavilhão..) ou em exercícios eminentemente tácticos (sistematização de rotinas de jogo). Desenho experimental Antes do início da aplicação dos protocolos de treino. pois já lhes tinham sido aplicados em treinos prévios à aplicação do nosso estudo. Para a aplicação dos métodos de treino. num campo de 20 x 20 m. seguindo o proposto por Reilly & White (2005). Espanha). a equipa foi submetida: i) a 4 semanas de treino de corrida intervalado (4 séries de 3 minutos a 90 . a equipa em causa. com 4 séries de 3 minutos a 90 . Os treinos decorreram num campo relvado situado próximo do pavilhão onde decorreu a parte experimental do estudo. ii) 4 semanas em que executam EJR 4 x 4. A aplicação de períodos de recuperação de 3 minutos teve por objectivo permitir a oxidação do ácido láctico produzido durante as repetições de alta intensidade. S. Os sujeitos da amostra já estavam familiarizados com os protocolos de treino utilizados no desenho experimental. 6 x 6.95FCmax com 3 minutos de recuperação a 60 – 65% da FCmax) no primeiro treino da semana (2ª Feira) fazendo o seu treino “normal” no segundo treino semanal (4ª Feira). Estes elementos pertenciam a uma equipa inserida num campeonato universitário de Futebol constituído por 8 jogos concentrados entre Outubro e Março. Este período teve início em Janeiro e terminou em meados de Fevereiro. Barcelona.A. Os treinos começaram em Outubro e neles não se efectuava nenhum treino físico adicional/analítico. especialmente na recolha de dados durante a aplicação do YYIRT1. tinha a carga física semanal descrita anteriormente.95FCmax com 3 minutos de recuperação a 60 – 65% da FCmax entre. 6 x 0. distribuídos aleatoriamente nas sessões de aplicação dos protocolos de treino 64 . O estímulo dos exercícios de treino utilizados foi controlado através de 2 cardiofrequencímetros POLAR 620s NV (POLAR Electro Ibérica.

para o Excel XP (Microsoft Corporation.. Esposito et al.. não só em condições de steadystate. Estudos recentes (Drust et al. Hoff et al. de modo a evitar aglomerados de jogadores durante o desempenho do teste que pudessem perturbar o desempenho dos elementos da amostra neste protocolo específico. mas também durante esforços de cariz intermitente. 2004. Foi também recolhida a FC durante a realização dos EJR. está quase a terminar”). específicos do Futebol. tendo-se situado na zona alvo (90 – 95 % FCmax). 2002) demonstraram que o método de controlo de treino através da FC fornece boas estimativas da produção de energia pela via aeróbia. os sujeitos foram alertados para verificarem frequentemente se os seus cardiofrequencímetros estavam a funcionar correctamente.2. Após cada treino os dados foram transmitidos para um computador portátil. com o agrupamento dos indivíduos em grupos de 3 a 4 elementos. nos 24 minutos. para estimular os sujeitos a dar o seu máximo. que começavam cada série nos cantos do circuito. de modo a fornecer uma indicação da carga inerente a estes jogos.aeróbio de alta intensidade A foi gravada em intervalos de 5 segundos. No treino de corrida intervalado foram usados incentivos verbais (“rápido”. 65 . “vamos”. 2000..1. Para reduzir o erro na medição da FC. 3. Antes de cada aplicação deste protocolo era realizado um aquecimento de 10 minutos. Treino de corrida intervalado Este protocolo de treino consistiu no cumprimento de um percurso de corrida (figura 1). USA).

Circuito utilizado no protocolo de treino intervalado de corrida contínua. 3. 4 x 4 numa superfície de 20 x 20 m (ver figura 2.Figura 1. “procura o espaço”). Neste método de treino foram sempre aplicados após um período de aquecimento de cerca de 10 minutos. O objectivo do jogo era manter a posse de bola. Este período decorreu no mês de Março.2. foram colocadas bolas em volta olta do campo). 66 . Exercício de jogo reduzido Este exercício consistiu na realização de jogo.2. com restrição de 3 toques consecutivos por jogador e com a bola a ser recolocada em campo logo que saia (para evitar perdas de tempo e subsequente diminuição da intensidade de treino. Nos EJR foram usados incentivos verbais (“marca”. “pressiona”.

.. com a temperatura a variar entre os 15 e os 23ºC. após este período de treino e no final do período de treino com EJR.Aplicação dos 2 protocolos de treino: intervalado e EJR.3. 23ºC.Figura 2 – Área de jogo utilizada para o EJR. durante 4 semanas (sempre no treino de 2ª Feira) Tabela 2 . Yo-Yo intermittent ntermittent recovery test t level 1 Antes do início de aplicação do primeiro período de treino intervalado. como parte integrante do programa de treino. de manhã e à tarde. Nas 48 horas anteriores à execução do teste os sujeitos nãoo efectuaram qualquer tipo de exercício físico. Cada aluno efectuou as a 3 repetições aproximadamente à mesma hora do dia. e também foram 67 .2. todos os indivíduos executaram o YYIRT1. 3.. As aplicações ções do YYIRT1 tiveram sempre a duração de uma semana. Período Tipo de treino Carga JAN/FEV10 Treino intervalado 4 x 3’ a 90-95% FCmax com 3’ recuperação entre MAR10 EJR séries a 60-65% FCmax Frequência 1 vez por semana. Todos tiveram contacto com o teste antes da sua aplicação.

13 km. consistindo este num percurso de 2 x 5 m.). Holanda).5 8 2680 13 18 8 3000 14 18.h-1 (160-440 m). a um ritmo crescente imposto por um CD áudio (Krustrup et al. O teste termina quando o sujeito falha 2 vezes consecutivas a linha de chegada.5 .h-1 a cada 8 percursos (isto é.com. após 760. 1080. 2001). Eindhoven.5 8 760 7 15 8 1080 8 15..h-1 (0160 m) e mais 7 a 13.5 km. 1720 m.5 8 1400 9 16 8 1720 10 16. Nível Velocidade Percursos Distância 1 10 1 40 2 11.alertados para não ingerirem produtos com cafeína nas 8 horas anteriores à realização do teste e para não comerem 3 horas antes. Itália) e reproduzido numa aparelhagem portátil (Philips CD player.5 8 3320 15 19 8 3640 Tabela 3 . Ancona.5 8 2040 11 17 8 2360 12 17. outra de viragem e uma última de chegada. 68 .5 3 280 5 14 4 440 6 14. entre uma linha de partida. 1400. O teste consiste de 4 percursos a 10 .14 km.5 1 80 3 13 2 160 4 13.Constituição dos níveis no YYIRT1 (Krustrup et al. etc.teknosport. continuando a aumentar 0. sendo a DP registada como resultado do teste. Este teste consiste em percursos de 2 x 20 m em 2 sentidos. Entre cada percurso de 2 x 20 m os sujeitos têm 10 segundos de recuperação activa. 2001). Para reproduzir o teste o ritmo foi gravado num CD (www.

Para evitar eventuais interferências dos elementos atmosféricos na recolha dos
dados, o teste foi aplicado num pavilhão com superfície sintética,, em linhas com 20 m
de comprimento e com 2 m de largura. Foi colocado outro cone 5 m após a linha de
chegada, marcando o percurso de recuperação activa. Antes do teste todos os sujeitos
efectuaram
tuaram os primeiros 4 percursos, como aquecimento.
Antes da aplicação do teste, os indivíduos executaram um aquecimento que
consistiu em 5 minutos de corrida de baixa intensidade e dos primeiros 4 percursos do
teste.
A aplicação do teste durou entre 6 - 14 minutos.

Figura 3- Esquematização da aplicação do YYIRT1.

3.2.4. Respostas fisiológicas durante o Yo-Yo
Yo intermittent recovery test
level 1

Os sujeitos da amostra foram instruídos a não realizarem exercício físico
intenso, a não ingerirem álcool, cafeína e tabaco, nos dois dias que antecederam o teste.
Nas duas horas imediatamente anteriores à aplicação do teste apenas foi
autorizado o consumo de água e os sujeitos tomaram um lanche ligeiro cerca de três
horas antes da realização do teste.

69

3.2.4.1. Pico de consumo de oxigénio

Neste teste foi avaliado o VO2pico recorrendo a um analisador de gases para a
determinação do VO2 Quark b2 (COSMED, Roma, Itália). Este analisador mede o VO2
e a produção de dióxido de carbono (VCO2) numa análise breath-by-breath, bem como
a ventilação (VE), fracção de oxigénio expirado (FEO2), fracção de dióxido de carbono
expirado (FECO2) e a FC (McLaughlin et al., 2001). Os dados foram transmitidos para
um computador portátil por telemetria (AmiloD, FUJITSU SIEMENS COMPUTERS),
sendo os dados trabalhados no software COSMED Quark b2, sendo os dados exportados
para o programa Excel (Microsoft).
O VO2pico foi obtido tendo em consideração os últimos 8 percursos do teste
realizados pelos sujeitos da amostra, retirando-lhe os intervalos de recuperação e
calculando o VO2 médio desses últimos percursos completos.
Antes de cada teste, o analisador de gases foi calibrado com gases em concentrações
conhecidas e a membrana ventilatória calibrada com uma seringa de 1 l.

3.2.4.2. Frequência cardíaca
A FC foi gravada continuamente, durante os testes cada 5 segundos, com recurso ao
POLAR Vantage NV (POLAR Electro Ibérica, S.A., Barcelona, Espanha), através de
telemetria de curto alcance, com codificação individual de modo a evitar interferências.
A FCmax mencionada na descrição da amostra resulta do cálculo da média da FC
mais elevada obtida em cada uma das aplicações do teste.
Também calculámos a FC do YYIRT1, usando o mesmo procedimento explicado
anteriormente para a obtenção do VO2pico, de modo a termos mais uma referência
relativa ao empenho dos sujeitos no teste.

70

3.3. Análise estatística
Os dados são apresentados como médias ± desvio padrão.
Devido ao reduzido número da amostra recorremos a um teste para medidas
repetidas em populações não paramétricas - teste de Friedman (Siegel & Castellan,
1988), que foi usado em cada uma das variáveis dependentes (DP e VO2pico). Nos casos
em que se verificaram diferenças estatisticamente significativas (P < 0.05), recorremos
ao “Teste de comparações múltiplas não paramétrico” para verificar em que momentos
se verificaram diferenças, rejeitando a diferença sempre que o valor da estatística foi
maior que o do quantil. A variável independente é o tipo de treino (intervalado e EJR).
A análise estatística foi feita com recurso ao software PAWS Statistics 18.0 e ao
Excel (Office 2007, MicroSoft).

71

Apresentação dos resultados 4. Evolução do pico de consumo de oxigénio no Yo-Yo intermittent recovery level 1 4.1. Distância percorrida no Yo-Yo intermittent recovery test level 1 72 .2. Discussão dos resultados 4.2.CAPÍTULO IV .2.2.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 4.1.

Capítulo IV
Apresentação e discussão dos resultados

4.1. Apresentação dos resultados

Como é possível observar não foram observadas diferenças estatisticamente
significativas no VO2pico durante a execução do YYIRT1 nos 3 momentos de avaliação
(50.30, 51.65 e 52.90 ml.kg-1.min-1, respectivamente na primeira, segunda e terceira
aplicação do YYIRT1, P < 0.05).
Há uma tendência de crescimento deste parâmetro, mas sem diferenças
significativas nas várias aplicações do YYIRT1.
N

Média

Desvio Padrão

VO2pico

1ª Aplicação

7

50.30

± 3.91

VO2pico

2ª Aplicação

7

51.65

± 2.91

VO2pico

3ª Aplicação

7

52.90

± 4.18

DP YYIRTL1

1ª Aplicação

7

1062.86

± 228.45

DP YYIRTL1

2ª Aplicação

7

1191.43

± 233.77

DP YYIRTL1

3ª Aplicação

7

1320.00*

± 320.83

FCmax YYIRTL1

1ª Aplicação

7

196.0

± 6.6

FCmax YYIRTL1

2ª Aplicação

7

196.3

± 6.1

FCmax YYIRTL1

3ª Aplicação

7

195.4

± 7.7

Tabela 4 – Resultados obtidos no VO2pico, DP e FCmax; *Diferenças estatisticamente significativas para P <
0.05; (1ª aplicação – início do estudo; 2ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de treino
intervalado; 3ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de EJR).

73

70

VO2pico (ml.kg-1.min-1)

65

60

55

50

45

51,65

52,9

50,3

1ªAplicação

2ªAplicação

3ªAplicação

40

Figura 4 - Variação do VO2pico; (1ª aplicação – início do estudo; 2ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do
protocolo de treino intervalado; 3ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de EJR). Não se
verificam alterações estatisticamente significativas P < 0.05.

59

VO2pico (ml.kg-1.min-1)

57
JOG1
55

JOG2
JOG3

53

JOG4
51

JOG5
JOG6

49

JOG7
47
45
1ª Aplicação

2ª Aplicação

3ª Aplicação

Figura 5 - Variação do VO2pico individualmente; (1ª aplicação – início do estudo; 2ª aplicação – após 4 semanas
de aplicação do protocolo de treino intervalado; 3ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de
EJR).

74

Na DP no YYIRT1 a tendência também é de um desempenho sempre superior,
havendo diferenças estatisticamente significativas entre a primeira aplicação do teste e a
terceira e entre a segunda e a terceira aplicação do teste, não havendo diferenças entre a
primeira e a segunda aplicação do YYIRT1 (1062.86, 1191.43 e 1320.00
respectivamente na primeira, segunda e terceira aplicação do YYIRT1, P < 0.05).

1600

*
1400
1200

DP (m)

1000
800

Média

600
400
200
0
1ªAplicação

2ªAplicação

3ªAplicação

Figura 6 - Variação da DP no YYIRT1; *Diferenças estatisticamente significativas para P < 0.05; (1ª aplicação
– início do estudo; 2ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de treino intervalado; 3ª aplicação
– após 4 semanas de aplicação do protocolo de EJR).

75

4. ii) protocolo de EJR.1700 1500 JOG1 DP (m) JOG2 JOG3 1300 JOG4 JOG5 1100 JOG6 JOG7 900 700 1ª Aplicação 2ª Aplicação 3ª Aplicação Figura 7 .2. após a aplicação de i) protocolo de treino intervalado. respectivamente. Para tal monitorizámos um indicador de carga interna e outro de carga externa. Além destes. 2ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de treino intervalado. registámos ainda a FC durante a execução do teste. (1ª aplicação – início do estudo. 3ª aplicação – após 4 semanas de aplicação do protocolo de EJR). VO2pico e DP.Variação da DP individualmente. no desempenho do YYIRT1. Discussão dos resultados O principal objectivo deste estudo reside no acompanhamento da evolução do VO2pico e a DP no YYIRT1. 76 .

2. 2002). observaram diferenças no custo energético de ambos os testes. Outra possível causa para os valores do VO2pico é a subvalorização que os valores obtidos nos testes YYIRT apresentam em relação aos valores obtidos em laboratório. não é suficiente para alterar o VO2pico 77 .. mas calculámos a partir do VO2 do YYIRT1 o VO2pico e os valores obtidos são inferiores aos obtidos nos estudos citados neste parágrafo (50. 2006). (2003) detectaram grandes diferenças inter-individuais entre a DP no YYIRT e o VO2max medido em laboratório. 1991. o que em parte pode ser explicado pela suspensão no alcance do VO2max nas mudanças de direcção e na recuperação activa (Metaxas et al. Randers et al. No nosso estudo não avaliámos o VO2max. que se podem dever à coordenação específica e agilidade necessárias exigidas pelo YYIRT (aceleração. paragem. ao compararem o desempenho no YYIRT e do UMTT..30. 1998)..4. 2003).. Também Dupont et al. Wisloff et al. 2005). Krustrup et al. 2009. isto é. Mujika et al. 51.8 e 67. enquanto outros verificam exactamente o oposto (Rebelo & Soares. variando estes valores de acordo o nível competitivo e posição de jogo.. Para Castagna et al. 2003. não sendo diferente dos valores obtidos num teste máximo em passadeira rolante.. Os resultados deste estudo demonstram que nesta amostra específica. (2005b) este teste solicita o VO2max.kg-1. 2005b.1. mudança de direcção). (2010) referem este aspecto. dependendo bastante da amostra e dos protocolos de treino utilizados. a carga de treino seleccionada. 2009) e corrobora o facto dos indivíduos por nós testados estarem pouco treinados em termos de capacidade aeróbia. desaceleração. o que indicia diferenças entre patamares competitivos (Sampaio & Maçãs.min-1).90 ml. Castagna et al. as séries de corrida com carácter intermitente que compõem o teste limitam os indivíduos para que estes possam atingir e manter o VO2max (Dupont et al.kg-1.6 ml.min-1 (Bangsbo et al.. Evolução do pico de consumo de oxigénio no Yo-Yo intermittent recovery level 1 A literatura reporta valores de VO2max entre 56.. É interessante verificar que vários autores indicam um decréscimo da capacidade aeróbia com o decorrer da temporada (Mohr et al.65 e 52.

Castagna et al. pode ter a ver com o facto de nem todos os EJR permitirem o estímulo de treino indicado para o desenvolvimento da resistência aeróbia (Dellal et al. Por exemplo. Neste estudo também não foram encontradas diferenças significativas entre períodos de 4 semanas.4 para 69. (2004) obtiveram melhorias significativas no VO2max na ordem dos 9% (p < 0. McMillan et al. num estudo realizado com 11 jovens futebolistas com uma média de idades de 16. o que é suportado por alguns estudos (Dunbar. Castagna et al. os nossos resultados sugerem a manutenção da capacidade aeróbia durante o período competitivo. Este facto pode-se ficar a dever quer ao reduzido tempo de aplicação quer à frequência semanal (Chamari et al. durante 10 semanas). (2009) referem a efectividade dos EJR na melhoria dos resultados obtidos no YYIRT1 na pré-época. de 20% nas fases de corrida de alta intensidade.. Na mesma linha dos estudos referenciados no parágrafo anterior. 2008).kg-1. 2005. Outra hipótese para o aumento do VO2pico não ser significativo ao longo de todo o estudo.. 100% no número de sprints e de 23% no número de deslocamento com bola. Hill-Haas et al. (2005c) analisaram o impacto de EJR 5 x 5 em jovens jogadores de Futebol e não 78 . após um período de treino aeróbio de alta intensidade de 7 semanas.8 ml.001) após um período de treino intervalado (2 vezes por semana. 2002). Esta hipótese requer mais investigação. no que concerne ao VO2pico. A média do VO2max aumentou de 63. aplicando um protocolo de treino intervalado de 4 x 4 minutos a 90 – 95% da FCmax. (2001) referem melhorias de 11% no VO2max. Impellizzeri et al. Por outro lado. 2005). nem na totalidade das 8 semanas de duração do estudo (treino intervalado e EJR). com 3 minutos de recuperação activa a 70%.. (2006) referem que exercícios específicos de Futebol (EJR) e o treino intervalado são igualmente eficazes no desenvolvimento da capacidade aeróbia em jovens futebolistas.9 anos. Helgerud et al.(apesar da sua tendência crescente).min-1. o que indicia que a introdução de treino aeróbio de alta intensidade 1 vez por semana pode ser curto para se verificarem melhorias significativas. 2 vezes por semana durante 9 semanas.

no qual os jogadores realizaram o YYIRT2 tendo percorrido 1986 ± 334 m em Setembro e aumentado a DP para 2132 ± 380 m em Maio (p < 0. Estes resultados estão em consonância com os de Rampinini et al. 4. Estes valores comprovam a sensibilidade do YYIRT1 na avaliação das diferenças entre nível competitivo. 2003.verificaram qualquer desenvolvimento da potência aeróbia. 2003).01). final de Agosto em meados de Janeiro. .. Os nossos valores são idênticos aos das jogadoras seniores profissionais (1224 ± 255 m) e superiores aos de jogadoras juniores (826 ± 160 m). 79 . Mohr et al. sendo o reflexo do desenvolvimento da resistência específica de jogo (Krustrup et al. Distância percorrida no Yo-Yo intermittent recovery test level 1 No nosso estudo tivemos valores de DP no YYIRT1 inferiores aos reportados por Mujica et al. Também Rebelo & Soares (2006) obtiveram resultados na mesma linha. o que pode significar que a frequência semanal não foi a ideal para promover alterações no VO2pico.2. (2009) em jogadores seniores profissionais (2414 ±456 m) e em jogadores juniores (2092 ± 260 m). respectivamente em inícios de Julho. experiência.2006) e o menor período de tempo que decorreu entre avaliações no nosso estudo. quer em relação à primeira quer em relação à segunda aplicação do YYIRT1. Neste estudo observamos uma melhoria significativa na terceira aplicação do YYIRT1.2. (2007b).. género. De referir aqui a diferente natureza dos testes (Castagna et al. mas estes aplicaram o IFT construído por Bangsbo & Lindquist (1992) em 3 momentos e verificaram um aumento na DP de 1821 m para 1903 m e para 1992 m. Nós controlámos a FC durante a aplicação de ambos os protocolos de treino conseguimos atingir as zonas alvo (90 – 95%).

Helgerud et al. sem se verificarem porém melhorias o VO2max. (1999) parecem corroborar às nossas observações relativas à frequência semanal e ao tempo de aplicação de treino de alta intensidade. podemos especular que os nossos jogadores teriam um melhor desempenho na corrida de alta intensidade durante um jogo de Futebol após este período. Hill-Haas et al. uma vez por semana à velocidade mínima à qual se pode alcançar o VO2max. 2003. conseguindo melhorias significativas nesse mesmo parâmetro e na economia de corrida.. 2010).Neste estudo não obtivemos diferenças estatisticamente significativas entre nenhum dos momentos de avaliação no VO2pico. tendo o grupo dos EJR patenteado melhorias nestes parâmetros nas 8 semanas seguintes. transporte e utilização do O2 por parte dos músculos activos. (2001). (2009). o que pode indiciar uma melhor eficácia dos sistemas envolvidos pois com igual VO2pico. pois estes autores aplicaram um protocolo de treino durante 4 semanas. referem que um melhor VO2max é potenciador de maiores distâncias percorridas. o que indicia uma melhor rentabilização dos sistemas envolvidos na fixação. 2003) Se tivermos em consideração que o YYIRT reflecte as actividades do jogo de Futebol (Krustrup et al. uma maior distância. No estudo de Krustrup et al. os nossos resultados parecem ir de encontro aos de Billat et al. Isto indica que o estímulo de treino fornecido pelos EJR permitiu alterações cardiovasculares ao longo de todo o período do estudo. (2009) referem a sensibilidade do YYIRT1 na detecção de diferenças entre os jogadores em diferentes momentos da época. Estes dados têm maior significado se tivermos em consideração o referido por Iaia et al. conduziram a melhorias idênticas no VO2max e no desempenho no YYET2 após 4 semanas de treino.. não apresentando estes grandes alterações no VO2max. em que o YYIRT está mais bem correlacionado com a corrida de alta intensidade durante o jogo de Futebol do que o VO2max per se (Krustrup et al. os sujeitos percorreram. em média. mas verificou-se uma melhoria na DP no YYIRT1 da primeira para a terceira avaliação e da segunda para a terceira. No que ao período de aplicação de um protocolo de treino de 4 semanas.. (2010) quer os EJR quer o treino intervalado. Os mesmos autores acrescentaram que os EJR proporcionam um estímulo de treino mais efectivo e que contribui para o aumento do desempenho físico de um modo geral. 80 . Rampinini et al. transpondo esta conclusão para os resultados por nós obtidos no aumento estatisticamente significativo da DP na 3ª avaliação. com uma aplicação semanal.

Recomendações para estudos futuros 81 .2. Conclusões 5.CAPÍTULO V – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA ESTUDOS FUTUROS 5.1.

O VO2pico não sofreu alterações ao longo deste período. tendo o intuito concretizar acções que podem ser tidas em consideração pela comunidade de treinadores de Futebol. fazemos neste capítulo a verificação das nossas hipóteses. pois se é verdade que verificámos uma manutenção do VO2pico no YYIRT1 após o período de aplicação dos EJR. Conclusões Após termos confrontado os nossos resultados com a literatura revista neste estudo. apenas com uma semana para avaliação pelo meio e a metodologia adoptada não nos permite afastar uma eventual influência do treino intervalado neste incremento.1. em 2 períodos temporais de 4 semanas consecutivos. se esta melhoria na DP se deve exclusivamente à aplicação de EJR. Porém. pois usámos a mesma amostra. já na DP no YYIRT1 verificámos um aumento estatisticamente significativo na terceira avaliação efectuada.Capítulo V Conclusões e recomendações para investigações futuras 5. 82 . No que concerne à DP é claro que a H2 se confirma. A nossa hipótese (H1) confirma-se de forma parcial. não podemos afirmar com clareza. Também a H2 se confirma parcialmente. pois os resultados evidenciam que inclusão de treino de alta intensidade (intervalado e EJR) levou a um aumento significativo na DP no YYIRT1 num período de 8 semanas. para esta amostra específica e da forma como foi operacionalizado este estudo.

etc. pois há um aumento da DP no YYIRT1 sem haver alterações significativas no VO2pico. amostra. Este procedimento poderia ainda servir para relacionar para comparar o VO2max obtido com o VO2pico e o VO2max com a DP no YYIRT1. incluir 2 sessões semanais de treino de alta intensidade em vez de somente uma. novas investigações poderão ser conduzidas com melhores resultados respeitando os tópicos infra-mencionados: • Aumentar o número da amostra e incluir praticantes com maior experiência no Futebol e de um nível competitivo superior. disponibilidade de material. • Efectuar testes laboratoriais de avaliação do VO2max.). • Analisar a intervenção dos 2 tipos de treino em grupos distintos e incluir ainda um grupo de controlo. apercebemo-nos que outros problemas poderiam ter sido analisados e os que estudámos poderiam ter sido estudados de uma forma mais rigorosa e controlada. de modo a possuirmos uma referência válida e que nos garanta com exactidão a obtenção deste importante parâmetro fisiológico. análise dos resultados.2. • Respeitando boa parte da literatura revista. Recomendações para estudos futuros Terminado este estudo.Os resultados também deixam transparecer uma melhor rentabilização dos sistemas solicitados no YYIRT1. após nos termos deparado com dificuldades diversas (operacionalização. 83 . 5. Deste modo.

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