UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO

GRANDE DO SUL

CATIÚSCIA BARCELOS DOS SANTOS

A (IN) EFETIVIDADE DO DIREITO À SAÚDE E A ATUAÇÃO JUDICIAL COMO
GARANTIA

IJUÍ (RS)
2011

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CATIÚSCIA BARCELOS DOS SANTOS

A (IN) EFETIVIDADE DO DIREITO À SAÚDE E A ATUAÇÃO JUDICIAL COMO
GARANTIA

Monografia final do Curso de Graduação em
Direito objetivando a aprovação no componente
curricular Monografia.
UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste
do Estado do Rio Grande do Sul.
DCJS – Departamento de Ciências Jurídicas e
Sociais.

Orientadora: MSc. Eloisa Nair de Andrade Argerich

IJUÍ (RS)
2011

2

CATIÚSCIA BARCELOS DOS SANTOS

A (IN) EFETIVIDADE DO DIREITO À SAÚDE E A ATUAÇÃO JUDICIAL COMO
GARANTIA

Trabalho final do Curso de Graduação em Direito
aprovada pela Banca Examinadora abaixo subscrita,
como requisito parcial para a obtenção do grau de
bacharel em Direito e a aprovação no componente
curricular de Trabalho de Curso
UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do
Estado do Rio Grande do Sul
DCJS - Departamento de Ciências Jurídicas e
Sociais

Ijuí, 15 de dezembro de 2011.

___________________________________________
Eloisa Nair de Andrade Argerich– Mestre – UNIJUI

___________________________________________
Marco Aurelio Protti – Especialista – UNIJUÍ

3

Dedico este trabalho a minha mãe Rose, minha avó
Eronita, minha tia Raquel e ao meu namorado
Eduardo pelo carinho, auxílio, compreensão e
incentivo durante esses anos da minha caminhada
acadêmica, e a todos que de uma forma ou outra
contribuíram nessa etapa da minha vida.

acima de tudo. A professora Anna Zeifert compreensão e disponibilidade. pela Aos meus familiares que colaboraram durante a trajetória de construção deste trabalho. tributo meu agradecimento! .4 AGRADECIMENTOS A Deus. sua dedicação e incentivo. inteligência e força para continuar minha caminhada em busca dos meus objetivos. À minha orientadora Eloisa Argerich por seu auxílio. pela vida.

Assim. Portanto.5 “Só pode sentir-se parte de uma sociedade quem sabe que esta sociedade se preocupa ativamente com sua sobrevivência digna.” Paulo Bonavides . e também do cidadão para a comunidade. inclusive através da garantia de seus direitos sociais básicos. verifica-se que a cidadania é uma relação de mão-dupla: dirige-se da comunidade para o cidadão. só se pode exigir de um cidadão que assuma responsabilidades quando a comunidade política tiver demonstrado claramente que o reconhece como membro seu.

. A saúde. o presente estudo monográfico objetiva fazer uma análise do direito à saúde e a necessidade da atuação judicial para garantir sua concretização. o qual é essencial para a garantia de uma vida digna aos cidadãos. é possível verificar que a concretização do direito à saúde não depende exclusivamente de uma atuação estatal. No entanto. Diante da ausência de prestação por parte do Estado. em especial o direito à saúde. Dessa forma. pertencem a chamada segunda geração/dimensão dos direitos fundamentais. Efetividade.6 RESUMO Os direitos sociais. diante da (in) efetividade desse direito. os indivíduos estão recorrendo ao judiciário para terem seu direito garantido. necessita de uma ação solidária dos Entes Federados para ser efetivada. por tratarse de um direito fundamental de prestação. Saúde. Dignidade. Responsabilidade Solidária. sendo necessário que os cidadãos privem-se da prática de comportamentos prejudiciais à esse direito. Palavras-Chave: Direitos sociais. os quais foram efetivamente introduzidos no ordenamento jurídico brasileiro através da Constituição Federal de 1988.

requires a common action of the federal entities to take effect.7 ABSTRACT Social rights. Responsibility Solidarity. individuals are turning to the courts to have their rights guaranteed. Health. because it is a fundamental right provision. Given the absence of provision by the state. Effectiveness. before the (in) effectiveness of this right. requiring that private citizens from the practice of behavior prejudicial to this right. this monographic study aims to analyze the right to health and the need for judicial action to ensure its implementation. in particular the right to health. which is essential for ensuring a dignified life for the citizens. . Thus. However. are a second generation/dimension of fundamental rights. Health. Keywords: Social Rights. it can verify that the realization of the right to health does not depend exclusively on a state action. which were effectively introduced into the Brazilian legal system through the Federal Constitution of 1988. Dignity.

............................11 1.......2..............................................................................................27 2....42 ...............................................................................1 Direitos fundamentais de primeira geração................19 1......1 Conceito e características dos direitos humanos e fundamentais.................16 1............................................17 1....2 Gerações dos direitos fundamentais.............................4 O regime jurídico constitucional dos direitos fundamentais sociais.....................................................................23 2 CONCRETIZAÇÃO DO DIREITO À SAÚDE: DEVER DO ESTADO E SUA (IN) EFETIVIDADE..................4................................2.....1 O direito à saúde...........................3..........................3 Direitos fundamentais de terceira geração................23 1.....................................8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO........20 1.........................41 REFERÊNCIAS........................................................................................... seu regime jurídico e sua eficácia...........................2 Exigibilidade do direito à saúde face ao princípio da dignidade da pessoa humana e o mínimo existencial....15 1.....................................................................11 1.........................................3 Aplicabilidade e garantia dos direitos fundamentais.............................1 Fundamentabilidade material dos direitos fundamentais sociais.............2 Direitos fundamentais de segunda geração.............................35 CONCLUSÃO...........4 Direitos fundamentais de quarta geração....................................29 2.......................................................27 2....................................................2......................................................................................................18 1......................33 2.........2......................................3...9 1 DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS................1 Análise de casos de atuação do Poder Judiciário diante da omissão do Estado........ A (in) efetividade do direito à saúde: ausência do Estado?....................................

em especial quando se trata do atendimento às populações menos favorecidas cultural e economicamente. Deseja-se ampliar o nível de entendimento pessoal sobre o assunto e acessar fontes que futuramente possam ser subsídio para a prática profissional. porém. A efetividade desses direitos que na Declaração Universal dos Direitos Humanos. é impossível ignorar as repetidas resistências e violações presentes em decisões e posturas de pessoas físicas. devendo agir com espírito de fraternidade umas com as outras. jurídicas e nos serviços públicos. Com estudos na área do Direito. periódicos e textos legais de âmbito nacional e internacional. portanto. além da Introdução e da Conclusão. que delimita a discussão em torno da a (in) efetividade do direitos à saúde e a atuação judicial como garantia. . já no seu art. Embora haja avanços significativos no sentido da garantia de direitos. 1º define que todos nascem livre e iguais em dignidade e em direitos. por uma sociedade justa e cidadã. observações em estágios e compreensão da complexidade dessa problemática surgiu a motivação para o tema desta Monografia. se estrutura em dois capítulos. Não se tem. Este estudo monográfico. tem sido um desafio permanente às pessoas e às instituições encarregadas essencialmente de propugnar.9 INTRODUÇÃO A problemática dos direitos humanos tem sido objeto de muitos estudos debates e embates teóricos testemunhados pelos registros escritos em livros. em sua atuação. a pretensão de fazer um estudo exaustivo dessa questão.

por fim. . de forma sucinta. a questão dos Direitos e Garantias Fundamentais. apresentando (in) efetividade do direito à saúde: ausência do Estado demonstrada com uma rápida análise de casos de atuação do Poder Judiciário. aplicabilidade e garantias e. seu regime jurídico e sua eficácia. sua exigibilidade em face ao princípio da dignidade da pessoa humana e a ausência do Estado. o regime jurídico constitucional dos direitos sociais.10 No primeiro capítulo aborda-se. O segundo capítulo trata da especificidade do tema central da Monografia. explicitando conceitualmente os direitos humanos e fundamentais e respectivas características. direito saúde. as diversas gerações/dimensões dos direitos fundamentais.

analisando suas garantias. Ou seja. (TOLEDO. 179) informa que a “a ampliação e transformação dos direitos fundamentais do homem no evolver histórico dificulta definir-lhes um conceito sintético e preciso. pode-se . 2003). como um sujeito universal de direitos universais. Os direitos fundamentais apresentam caráter material e estão associados à todos os cidadãos. são as garantias fundamentais que garantem a concretização e validade dos efeitos dos direitos fundamentais. é necessária uma análise acerca da conceituação. tanto individuais quanto coletivos. Nesse primeiro capítulo pretende-se abordar a conceituação. aplicabilidade e abrangência dos direitos fundamentais. O sujeito de direito pode ser considerado como sujeito universal. Para um adequado entendimento dos direitos e garantias fundamentais. José Afonso da Silva (2010. pois não são exaustivos. No entanto é importante ressaltar que os direitos e deveres. o indivíduo passa a ser entendido. não há um conceito estático para defini-los.1 Conceito e características dos direitos humanos e direitos fundamentais O direito é universalmente atribuído ao sujeito e. com a Declaração dos Direitos do Homem e do cidadão (1789).11 1 DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS Os direitos e as garantias fundamentais estão previstos na Constituição Federal. p. Entretanto. 1. basicamente entre os artigos 5º a 17. dessa forma. tendo em vista que podem ser consideradas como os meios necessários utilizados para a efetividade daqueles direitos. são conteúdos que podem ser encontrados ao longo do texto constitucional. universalmente exigível. somente com o advento da Revolução Francesa. possuem caráter instrumental. características e diferenciação entre direitos humanos e direitos fundamentais e da evolução dos direitos fundamentais. Já as garantias. pela primeira vez. gerações e os direitos-deveres previstos na Constituição Federal. Em decorrência da ampliação e das transformações ocorridas nos direitos humanos e fundamentais.” No entanto.

indispensáveis para a dignidade e vida humana. pois [. enquanto que a locução “direitos humanos” é mais abrangente.] entendemos os primeiros como aqueles imanentes. tornando-se exigíveis e formalmente universais. indispensáveis a uma sociedade política e inerentes à própria condição humana.12 dizer que ambos são um conjunto de prerrogativas e instruções. Todos os direitos fundamentais são direitos humanos.. seriam os direitos humanos. transformando-se em direitos fundamentais. enquanto os segundos são os direitos humanos efetivamente positivados e reconhecidos pelos ordenamentos jurídicos na esfera estatal e internacional. já que se refere. inerentes a todos os seres humanos em qualquer época e lugar. E. apenas aos direitos humanos positivados. p. (SILVA. Considerando que tais direitos são criados através das relações intersubjetivas da população. seriam os fundamentais. conquistados pelo homem através da conscientização de um grupo de valores históricos.. Bruno Galindo (2006. mas nem todos os direitos humanos se tornam fundamentais. para que esses direitos apresentem forma jurídica. ainda não positivados. Já os demais doutrinadores (a maioria) diferenciam a terminologia de direitos fundamentais e direitos humanos.] a expressão “direitos fundamentais” é que tem um sentido mais restrito. abarcando todo e qualquer direito inerente à pessoa humana. sendo a primeira a denominação preferida dos tratados e documentos internacionais. mas o significado é o mesmo. grifo do autor) concorda com a existência de uma diferenciação entre os direitos humanos e direitos fundamentais: [. 48-49. pode-se entender que os direitos humanos formam um conjunto de valores absolutos.. no nosso entender.. são democraticamente concebidos e não impostos. acompanhando as evoluções sociais e buscando responder às demandas trazidas por tais modificações. estando em constante modificação. enquanto que os direitos do homem positivados. Para alguns constitucionalistas. referindo que os direitos do homem enquanto unicamente naturais. . Os direitos fundamentais são considerados um produto da cultura humana. devem ser positivados no ordenamento jurídico nacional. apenas as expressões “direitos humanos” e “direitos fundamentais” diferem. positivado ou não. sendo os indivíduos seus destinatários/co-autores. 2003). Portanto.

. o conteúdo dos direitos fundamentais. porque.. Toledo (2003. além de referir-se a princípios que resumem a concepção do mundo e informam a ideologia política de cada ordenamento jurídico. é que são. por seu turno. informando a ideologia política de cada ordenamento jurídico.. livre e igual de todas as pessoas. A universalidade. os direitos humanos e os fundamentais são universais.. Consequentemente não há como afastar o dever de respeito e promoção desses direitos em decorrência da peculiaridade de leis locais. independente do designativo utilizado para classificar e diferenciar os direitos humanos dos direitos fundamentais. 2010). p. portanto. indispensáveis para o desenvolvimento do homem em sua dimensão biológica. não implica em absoluta uniformidade. psíquica e espiritual. Além da característica histórica. Isso possibilita o entendimento de que. uma vez que esses mesmos direitos devem zelar pelo respeito às diferenças e identidades existentes na sociedade. é reservada para designar. é possível dizer que ambos possuem seu fundamento e conteúdo nas relações sociais e materiais nos diferentes momentos históricos. reunidos na figura dos direitos humanos. 55. os quais.13 Acerca da diferenciação entre direitos humanos e direitos fundamentais. aquelas prerrogativas e instituições que ele concretiza em garantias e convivência digna.. Silva ( 2010. nas lutas constantes ao longo dos tempos e na conquista histórica da efetividade de tais direitos (SILVA. no entanto. não há oposição dos particulares ao Estado.] ínsitos à pessoa humana. 178. grifo do autor) sustenta que Direitos fundamentais do homem constitui a expressão mais adequada a este estudo. pois ambos fundamentam sua existência na soberania popular. grifo do autor) refere que [. Apesar da divergência sobre a existência ou não de diferença entre o significado de direitos fundamentais e direitos humanos. conforme já referido. dão-lhes a forma jurídica. p. são inerentes à condição humana. no nível do direito positivo. tendo em vista que.] os direitos humanos apresentam-se como um grupo de valores [.

conforme já referido. a indenização que se integra ao patrimônio. em 1776 e Revolução Francesa. Desse modo. porque economicamente apreciável. “como são conferidos a todos. coarctando. nem mesmo dispor de seus direitos fundamentais. haja vista que os direitos fundamentais passaram por diversas revoluções. produto da cultura humana.. a exigibilidade dos direitos apenas de caráter patrimonial. portanto. muitos dos direitos fundamentais (aqueles de natureza de direitos humanos) tendem a assumir a forma dos chamados invariantes axiológicos. núcleo valorativo que. não podendo ser desinvestido. integram a realidade normativa social de maneira constante. então. 591).. À diferença dos demais direitos. Toledo (2003. em 1789. Não possuem conteúdo patrimonial por não serem dotados de expressão econômica intrínseca. de ser exigíveis. É.] e não algo dado pela natureza ao homem desde seu nascimento [. nunca deixando os direitos fundamentais.. Finalmente. absolutos. não se apresentam como inatos e absolutos por serem. modo como a concepção jusnaturalista concebeu os direitos humanos. entendendo-os como direitos naturais. a inalienabilidade. portanto.14 Outras características dos direitos humanos e os fundamentais dizem respeito a irrenunciabilidade. por consubstanciarem o que de mais elevado axiologicamente foi produzido pela sociedade. grifo do autor) defende a idéia de que essas características são apenas dos direitos fundamentais. destacando a Revolução Americana. inalienáveis e intransferíveis em virtude de seu caráter personalíssimo. a imprescritibilidade. não podem ser.. os direitos fundamentais não se apresentam como inatos e absolutos. contudo. são indisponíveis. a intransferibilidade e ausência de conteúdo patrimonial. são imprescritíveis porque a prescrição é instituto jurídico que somente atinge. diferente dos direitos humanos. embora possa deixar de exercitá-los na prática. p. chegando aos dias atuais. é reconhecida aos direitos fundamentais a característica de historicidade [. p. 59-60. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial.” Ou seja. tendo em vista que. Ao contrário..]”. e não os direitos substanciais desrespeitados. são os direitos fundamentais obra humana [. o ser humano não perde seus direitos com o passar dos anos. enfatizando que “por outro lado. adaptações às particularidades do . Sobre os direitos fundamentais afirma que São irrenunciáveis. Continua afirmado que Se históricos como qualquer direito. vindo a sofrer apenas modificações..] Prossegue na mesma linha. A sua lesão é que é reprimida e passível de conversão em indenização pecuniária para reparação das perdas e danos sofridos. uma vez objetivados. inerentes que são à individualidade da pessoa humana no que ela tem de indisponível: sua vida e sua dignidade. a despeito do seu mais elevado valor ético. Segundo Pedro Lenza (2008.

As constantes modificações que ocorrem com os direitos fundamentais. 2006). se faz. 2003. como os direitos fundamentais fazem parte de uma construção cultural do próprio homem e que são criados de acordo com a necessidade social e história da humanidade. razão pela qual não é intenção do presente estudo abordá-los em exaustão. direitos políticos e direitos sociais. também. sempre respeitando outra característica dos direitos fundamentais: a indivisibilidade. . Salienta-se que é um tema que suscita muitos debates. necessária. sendo o modelo tridimensional ou trigeracional o aceito pela maioria dos doutrinadores clássicos que tentam conciliar o surgimento de determinados direitos fundamentais. (GALINDO. tendo em vista que o principal objetivo é a análise do direito à saúde e sua efetividade 1. grifo do autor). uma análise acerca do surgimento de cada uma das gerações/dimensões supramencionadas. fala-se. mas que de forma alguma deixam de ter a mesma importância.15 contexto histórico em que se encontram. sendo complementares entre si e não excludentes. o positivismo sociológico e o jusnaturalismo. No entanto. quais sejam. com surgimento no final do século XX. Esses direitos podem ser classificados em direitos individuais.2 Gerações dos direitos fundamentais Há um debate teórico acerca das múltiplas gerações ou dimensões dos direitos fundamentais. Na busca de um pertinente entendimento sobre a classificação dos direitos fundamentais. (TOLEDO. juntamente com as três principais correntes do pensamento jurídico. p. Cabe referir que há uma pequena diferença em relação aos períodos históricos do surgimento dos direitos. para atender aos anseios sociais do momento histórico em que cada direito fundamental é “criado”. em uma quarta geração. 59-60. o positivismo normativista. fazem surgir uma distinção entre eles. tendo em vista que os direitos fundamentais formam um todo. o que se fará no item a seguir.

43) que [. Estas últimas tornam possível a defesa contra os abusos que possam advir da parte daqueles investidos do exercício do poder do Estado. e é a partir dela que se estrutura o pensamento liberal e o pensamento democrático. situando-se entre o final do século XVIII e na primeira metade do século XIX (GALINDO. mas a proteção das mesmas mediante as garantias fundamentais estabelecidas. Esta distinção entre esfera pública e privada – é bom ressaltar – é uma das características fundamentais da sociedade moderna.16 É conveniente ressaltar que as gerações/dimensões de direitos não são sucessivas e sim complementares. p. o direito à propriedade. bem como as liberdades políticas e públicas apenas para aqueles que possuíssem os meios e recursos para exercer tais liberdades..2. a proteção do indivíduo contra o arbítrio ou abuso de poder por parte do Estado. é apenas formal e não real. que esses foram os primeiros direitos a serem consagrados nas constituições advindas com o liberalismo e garantiram a livre iniciativa..] estes direitos estabelecem um marco divisório entre a esfera pública (Estado) e a esfera privada (sociedade civil). inviolabilidade de domicílio e à igualdade (formal) perante a lei. Como exemplo é possível citar os direitos à vida. à liberdade de religião e de consciência.] Eles permitem aos cidadãos de um Estado não só o exercício das liberdades fundamentais consagradas. sustenta Gilmar Antônio Bedin (2002.1 Direitos fundamentais de primeira geração Os direitos humanos de primeira geração surgiram com as revoluções liberais e com a ascensão do constitucionalismo. 2006). assim. Os direitos individuais de primeira geração possuem como característica comum. de expressão. abrangendo os chamados direitos negativos. 1. p. 59): [. visto que as gerações que surgem complementam às já existentes. a igualdade que é referida nesse período.. Sobre o tema.. . Logo. Dizem respeito aos direitos e liberdades do indivíduo diante do Estado. Observa-se. visando a construção de uma sociedade mais justa e livre. Para Galindo (2006.

no entanto. Essa problemática faz com que os direitos fundamentais de segunda geração apresentem [.] força normativa duvidosa. p. tomar providências imediatas para tal.2 Direitos fundamentais de segunda geração A segunda geração dos direitos fundamentais surgiu na metade do século XIX. aquele tipo de norma sem eficácia imediata.” (GALINDO.. não sendo. consagraram o preceito da aplicabilidade imediata dos direitos fundamentais. impulsionada pela Revolução Industrial européia (LENZA. não será possível efetivar os direitos de segunda geração. se o Estado não possuir recursos. em sua maioria. o postulado neoliberal cogita a exclusão de muitos direitos dessa natureza por serem considerados “irrealizáveis. sem. que compreendem os chamados direitos garantidos por meio do Estado. auto-aplicáveis. justamente um Estado com uma proposta de realização dos direitos fundamentais econômicos e sociais de segunda geração.” (GALINDO.2. p. visando o bem-estar social. 2008). inclusive os de segunda dimensão. Entretanto. . através da implementação de políticas públicas. 64-65.. respeitando os limites da legalidade e legitimidade para serem concretizados. 2006. grifo do autor). necessita da atuação estatal. pois dependem de uma atuação do Estado. 2006. 62). Com este dispositivo da aplicabilidade imediata no dias atuais. Para modificar esse caráter meramente programático dos direitos fundamentais sociais e econômicos. transformando a liberdade formal em liberdade real. entre elas a do Brasil. na maioria das vezes. pois as constituições passaram a estabelecêlos como normas programáticas. a maioria das constituições modernas.17 1. Com tal entendimento é possível concluir que os direitos fundamentais de segunda geração são direitos do cidadão que. representando antes um compromisso do Estado com a possível realização dos programas socioeconômicos. “Essas contradições do liberalismo ensejaram o advento do Estado social. isto é. em um período em que as condições gerais dos trabalhadores frente à liberdade e igualdade previstas no liberalismo eram apenas garantidas legalmente.

uma titularidade indefinida e indeterminada com alcance difuso. por profundas mudanças na comunidade internacional (sociedade de massa.3 Direitos fundamentais de terceira geração A terceira geração caracteriza-se por apresentar direitos de solidariedade ou fraternidade e surgiu a partir da idéia de universalidade dos direitos humanos. em decorrência da dificuldade para atendê-las. em sua maioria. seu deslocamento supramencionado fica demonstrado a partir do momento em que não mais se tem como destinatário apenas o interesse de alguns indivíduos.. 588-589). meras declarações de intenção. São exemplos de direitos de terceira geração os direitos ao desenvolvimento.. os direitos de solidariedade pertencem à quarta geração. E.] marcados pela alteração da sociedade. ao meio ambiente. tais como a necessária noção de preservacionismo ambiental e as dificuldades para proteção dos consumidores [.. ou um determinado Estado mas o que se quer é a proteção da humanidade. esses direitos são [. bem como da compreensão de que haveria uma categoria de direitos fundamentais ligada ao próprio gênero humano. p.] deslocamento dos direitos diante do Estado” e. possuindo. Para Bedin (2002. permanecem. e à autodeterminação dos povos.18 1. que . Afirma. Novos problemas e preocupações mundiais surgem.. que houve um “[. à paz. como consequência do direito ao meio ambiente.. independente da classificação a que pertencem esses direitos. ainda. Sustenta. 73).] O ser humano é inserido em uma coletividade e passa a ter direitos de solidariedade. (2008. Segundo Lenza. em geral. p. Tais direitos caracterizam-se por serem normas programáticas.. à comunicação. à qualidade de vida. crescente desenvolvimento tecnológico e científico). sem regulamentação legislativa para lhes proporcionar a eficácia jurídica.2. as relações econômico-sociais se alteram profundamente.

Cabe referir que para o gozo dos direitos individuais. em uma dimensão de máxima universalidade.19 A presente desnacionalização dos indivíduos singulares e dos grupos sociais é fundamental. a informação e o pluralismo. (GALINDO. é a condição que tornou possível o surgimento da proteção dos indivíduos. a liberdade. não são taxativos nem exaustivos. que estão relacionados ao progresso da ciência. é possível dizer que os direitos de solidariedade não são taxativos nem exaustivos. “os direitos de quarta dimensão são [.. pois constitui-se na condição de possibilidade do surgimento das declarações. configura a universalização dos mesmos para que os direitos da quarta geração atinjam sua objetividade como nas duas gerações de direitos anteriores sem destituir a subjetividade da primeira geração para a consecução de um futuro melhor. 69). p. Pois a globalização política está na iminência de seu objetivo sem referência de valores. . direito à informação e direito ao pluralismo). (BEDIN..” Segue afirmando que esses direitos podem ser considerados como novos direitos de terceira dimensão. globalizar os direitos fundamentais. 73) Ademais. Desses direitos depende a consolidação de uma sociedade aberta no futuro. Para Galindo (2006. em grande parte.4 Direitos fundamentais de quarta geração A existência de uma quarta geração dos direitos fundamentais resulta da globalização de tais direitos. bem como da humanidade fora do âmbito dos estados. cartas e pactos internacionais. como já explicitado.] a democracia. p. os quais. a igualdade e a fraternidade ou solidariedade. resguardando sempre a dignidade do ser humano. 2006). 2002. ou seja.2. Paulo Bonavides (2002. direita ou indiretamente. especificamente os avanços na engenharia genética. a proteção dos direitos fundamentais de terceira geração. à valores concernentes a vida . 1. sem deixar de ser uma utopia o seu reconhecimento no direito positivo interno e internacional. sociais e econômicos é necessário. 198) também sustenta a tese da inclusão de uma nova geração de direitos Partindo do pressuposto que os direitos fundamentais estão na sua essência ligados intimamente. Assim. dos grupos sociais. p. é possível esta esfera dos direitos fundamentais da quarta geração (direito à democracia. podendo surgir novos direitos com a evolução humana.

como legislador. Assim. Entretanto. seja para a realização ou para vedação dos interesses e situações neles previstos. existem exceções para aplicabilidade imediata dos direitos fundamentais. as normas de direitos fundamentais são completas. tais como a revogação e identificação de inconstitucionalidade da legislação infraconstitucional incompatível com esses direitos. pode-se dizer que. .3 Aplicabilidade e garantia dos direitos fundamentais Segundo dispõe o artigo 5º. considerando que alguns direitos fundamentais necessitam de regulamentação infraconstitucional para serem efetivados. 1. sob o aspecto jurídico-normativo. enquanto normas jurídicas de valor constitucional. os direitos fundamentais produzem efeitos jurídicos imediatos. Ou seja. será necessária a atuação do Judiciário. é possível considerar que os direitos fundamentais possuem todos os meios e elementos necessários à sua executoriedade. parágrafo 1º da Constituição Federal de 1988. São elas: quando a Constituição determinar que a concretização desses direitos seja exercida na forma da lei ou quando os direitos fundamentais não contiverem os elementos básicos que garantam sua aplicabilidade. Nesse último caso. ou que a própria Constituição Federal crie restrições ou limitações à sua efetivação.20 O reconhecimento de uma quarta geração de direitos. independentemente de necessitarem ou não de norma infraconstitucional para serem aplicáveis ao caso concreto. as normas que definem os direitos e garantias fundamentais possuem aplicabilidade imediata ou direta e vinculatividade. por não apresentarem normatividade para tanto. com possibilidade de aplicabilidade imediata. Portanto. demonstra a preocupação existente com a valorização e respeito ao homem em face da globalização e a universalização dos direitos fundamentais.

. p.. apresentando disposições assecuratórias e. mas boa parte dele constitui-se de garantias.]” (art. as quais são utilizadas como sinônimos de proteção jurídica.. Essas garantias podem ser agrupadas entre garantias constitucionais individuais. É comum ocorrer. XXII) [. A Constituição. essas garantias gerais formam a estrutura social que permite a real existência dos direitos fundamentais. 106. Por exemplo: “é assegurado o direito de resposta [. As garantias dos direitos fundamentais podem ser divididas em dois grupos. garantias individuais ou garantias constitucionais. Ela se vale de verbos para declarar direitos que são mais apropriados para enunciar garantias. quais sejam: as garantias gerais. estabilidade e desenvolvimento desse . 5º. até porque muitos direitos fundamentais são também garantias.. a fixação da garantia como declaração do direito. 195). portanto.. Segundo Toledo (2003..” (art. 5º.. na mesma disposição constitucional ou legal. garantias são enunciadas pela inviolabilidade do elemento assecuratório. Muitas vezes não há uma divisão nítida entre os direitos e garantias. 5º.] para que esses direitos possam ser fruídos e exercidos e para que as próprias garantias constitucionais processuais possam existir em sua maior amplitude. Assim “a casa é o asilo inviolável do indivíduo.. de fato. sem os quais. não menciona as garantias. a respeito da aplicabilidade e fruição das garantias e dos direitos fundamentais. garantias dos direitos coletivos. Para o asseguramento da continuidade.. 138 menciona garantias constitucionais. XI) [. Fica difícil distinguir as diferenças ou semelhanças entre o que sejam garantias fundamentais. V).] Outras vezes. garantias da magistratura (art. p. igualmente. Ou talvez melhor diríamos. § 2). Assim é que a rubrica do Título II enuncia: “Dos direitos e garantias fundamentais” [. há a necessidade da previsão de garantias aos direitos fundamentais. grifo do autor). 5º.] “é garantido o direitos de propriedade (art. devem ser dotadas de aplicabilidade imediata. grifo do autor). O art.21 Em decorrência de tal condição. 185-186. [. não consigna regra que aparte as duas categorias.] O Capítulo I desse Título traz a rubrica: “Dos Direitos e deveres individuais e coletivos”..[. 2003. Compõe essa ordem institutos e princípios jurídicos que são originariamente inerente a esse tipo de Estado. ela reconhece alguns direitos garantindo-os. o outro grupo denomina-se de garantias constitucionais que são as instituições e determinações pelas quais a própria Constituição tutela a observância.. é necessário que se trate de uma ordem jurídica instituidora de um Estado Democrático de Direito. dos direitos sociais e dos direitos políticos.. que visam assegurar a existência e a efetividade (eficácia social) desses direitos. nem sequer adota terminologia precisa a respeito das garantias. (SILVA. Em conjunto.] Temos ainda garantias expressas neste artigo (art. deixa ele de ser Democrático de Direito.

na organização do instituto. que os direitos fundamentais sociais foram consagrados no ordenamento constitucional brasileiro de forma ampla a partir da Constituição Federal de 1988. quer diante de particulares. “o direito subjetivo consagrado por uma norma de direito fundamental se manifesta por meio de uma relação trilateral. proibições dirigidas ao poder legislativo para não ultrapassar. ainda. no que respeita à dimensão subjetiva que se lhes reconhece. os limites além. simultaneamente. grifo do autor) aduz que: Na verdade. por exemplo – seja de modo indireto. é possível afirmar que. o objeto e o destinatário do direito. geralmente indica o poder que o titular tem de exigir ou impor judicialmente a efetivação do direito que possui.22 modelo estatal constitucionalmente determinado. dos quais seria ele aniquilado ou desnaturado. aqueles institutos jurídicos são protegidos pelo que se convencionou chamar. fundamento da República Federativa do Brasil. importa salientar. Observa-se. outorgando ao titular do direito pretensões de defesa. já citados.” O que se quer dizer é que na maioria das vezes. 43. . a qual apresenta como ponto de equilíbrio o princípio da dignidade da pessoa humana. a partir da doutrina constitucional alemã. o reconhecimento dos direitos fundamentais sociais. visando assegurar a observância ou reintegração dos direitos fundamentais. Em síntese. cumpre mencionar que os direitos declarados apresentavam-se na forma de direitos subjetivos. Reportando aos direitos fundamentais. seus garantidores. consagrados nas primeiras Declarações de Direitos. como por exemplo o direito à saúde. que os direitos fundamentais dão origem a uma série de posições jurídicas diversas. conjuntamente. política e jurídica desses direitos e possuem como característica a imposição. na concepção clássica. de garantias institucionais. tanto como destinatários diretos das normas jusfundamentais – caso da grande maioria dos fundamentais socais dos trabalhadores previstos pela Constituição de 1988. mediante interpretação extensiva do texto constitucional. proteção e prestação. as garantias dos direitos fundamentais formam a proteção social. formada entre o titular. Mariana Filchtiner Figueiredo (2007. quer perante o Estado. mas apresentados como. No âmbito deste entendimento. tema central desta pesquisa. ao passo que vários daqueles princípios são considerados não só como integrantes da essência do Estado Democrático de Direito. a noção de direitos fundamentais como direitos subjetivos. seja positiva ou negativa. p. centrados nas pretensões do indivíduo. necessitam da intermediação do Poder Judiciário para a sua efetivação. limitativa da conduta dos órgãos do Poder Público.

através da Constituição Federal de 1988. [.1 Fundamentabilidade material dos direitos fundamentais sociais A fundamentalidade de um direito está diretamente relacionada à possibilidade de considerá-lo como essencial. 285). Os direitos sociais. mas sim às diferenciações visando uma compensação exigindo. direitos que tendem a realizar a igualização de situações sócias desiguais. p. 2003. a vinculatividade dos Poderes Públicos no cumprimento das prestações materiais sociais.. uma vez que estão ligados à concepção de igualdade (e não uniformidade). 1. 1.] como dimensão dos direitos fundamentais do homem. para tanto. Assim concebidos. que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos. mesmo que para tanto sejam necessárias discriminações pois. (SILVA. é possível assumir que esses direitos buscam estabelecer uma igualdade material e uma liberdade real. .4 O regime jurídico constitucional dos direitos fundamentais sociais Os direitos sociais foram introduzidos amplamente no ordenamento constitucional do Brasil.23 Importante ressaltar que os direitos fundamentais sociais configuram-se não como direitos voltados à igualização de todos de maneira uniforme. buscam a compensação das desigualdades.. atribuindo-lhe características peculiares. enunciadas em normas constitucionais. são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente.4. a qual trouxe em seu texto os mais diversificados direitos fundamentais sociais e tornou clara a prevalência do ser humano sobre outros valores. conforme supramencionado.

sendo necessária. dos objetivos fundamentais (CF. p. No ordenamento constitucional brasileiro. portanto. não admitindo qualquer tratamento desigual entre os indivíduos. passa pela definição de elementos que possam redirecioná-lo à ordem de valores dominante e consensualmente aceita em certa comunidade. 67). sempre levando em conta os valores considerados indispensáveis em certa época e local. para a doutrina majoritária. bem como às demais circunstâncias de caráter social. art. p. Por outro lado. 4º) e dos valores contidos no Preâmbulo do texto constitucional. uma vez que possuem como núcleo a dignidade da pessoa humana. também. “a afirmação da fundamentabilidade dos direitos sociais dependeria [. a fundamentalidade material. que está diretamente relacionada ao objetivo maior dos direitos. A identificação da fundamentalidade material de um direito. No entanto. os direitos sociais apresentam como característica a desigualdade fática de condições entre as pessoas. art.” Nessa compreensão é pertinente considerar os direitos sociais como fundamentais.. diferentemente de outros direitos fundamentais como os direitos individuais e civis. 1º). econômicos e culturais . O mesmo ocorre com os direitos econômicos e culturais. art. político. Para Peces-Barba Martíne (apud FIGUEIREDO. entre outros. Enquanto nos direitos individuais e civis existe uma universalidade e igualdade no ponto de partida. nos direitos sociais. porque nesse âmbito é que se lhe estabelece o conteúdo. esse quadro valorativo pode ser depreendido. não basta que estejam arrolados no texto constitucional para constituírem-se como direitos fundamentais. dos princípios das relações internacionais (CF. econômico e cultural consagradas pelo sistema constitucional de que se trate. Segundo Figueiredo (2007. ao positivar a maior parte dos direitos sociais no artigo 6º da Constituição Federal. a positivação constitucional dos direitos diz respeito à fundamentalidade formal e. impossibilitando-as de satisfazerem suas necessidades de forma autônoma.] da observação do fim ou objetivo último atribuído ao direito em causa pela ética pública ou justiça. considerou-os como autênticos direitos fundamentais. tendo como fundamento o favorecimento dos cidadãos e a organização de sua vida em sociedade.24 O constituinte brasileiro.3º). 64). dentro do título destinado aos direitos e garantias fundamentais (Título II).. dos princípios fundamentais (CF. 2001.

prevê a possibilidade de direitos não previstos no texto constitucional serem considerados como fundamentais.. Anote-se. fazendo com que não seja possível satisfazer suas necessidades de forma autônoma. Art.. impõe ao Estado um dever. 2007. normalmente direitos fundamentais de tipo prestacional. “na medida em que tais direitos. jamais quem assim não se apresente.] A relevância dessas diferenças move as discriminações de fato. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.] Nesse sentido. p. 5º Todos são iguais perante a lei. ou seja.. [. não se trata de pressuposto.. à igualdade. então. Consequentemente são direitos fundamentais aqueles relacionados à dignidade da pessoa humana e aos valores dominantes em determinada comunidade. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. Nota-se. a quem se encontre em situação de inferioridade. sociais e culturais somente aquelas pessoas que tenham necessidade de ajuda. parágrafo 2º da Constituição Federal de 1988. ainda podem ser considerados como fundamentais. que a universalidade dos direitos sociais opera como objetivo a ser alcançado no ponto de chegada. 65) Portanto. Caso não assentados na Constituição. p. (VADE MECUM.25 parte-se da idéia de uma desigualdade fática de condições entre as pessoas. 2009. à liberdade. O artigo 5º. devem ser titulares de direitos econômicos.] § 2º . p. sociais e culturais. nos direitos sociais não se fala em igualdade como equiparação. então. exatamente para oferecer instrumentos. 2010. que a consagração constitucional expressa de direitos sociais. positivados no texto constitucional. já que é necessário analisar as situações desiguais para. atingir a igualdade. são direitos universais”. (BITENCOURT NETO. parágrafo 2º da Constituição Federal de 1988. os quais são complementares. 77) . à segurança e à propriedade. (FIGUEIREDO. nos termos do artigo 5º. dotados de fundamentabilidade. sem distinção de qualquer natureza. mas do fim a que se dirige o direito [.Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados... econômicas. desde que de acordo com seu objeto e significado possam ser equiparados aos demais. 7 e 11) Cabe frisar que os direitos são definidos como fundamentais quando presentes os dois critérios: formal e material. nos termos seguintes: [.

por exemplo. . Imperiosos se fazem os seguintes questionamentos: . tendo a obrigação/dever de construir uma sociedade mais justa e igualitária. reconhece o caráter social do Estado e este não pode deixar de atender as demandas que se lhe apresentam.26 Em outras palavras.Impõe.se ao Estado a obrigação de reconhecimento de um direito mínimo para uma existência digna? Isso pressupõe a concretização do direito à saúde? É dever do Estado assegurar direitos a prestações materiais na área da saúde? Têm sido efetivas as ações judicialmente propostas para exigir o cumprimento destas prestações materiais? No intuito de produzir fundamentada compreensão sobre essas questões que permeiam as discussões jurídicas e a vida dos cidadãos necessitados das garantias dos direitos anteriormente caracterizados. E se o faz na senda da construção da justiça social mais próxima possível de uma convivência igualitária na materialidade das prestações dos serviços públicos. na área da saúde. a seguir aborda-se a problemática da concretização do direito à saúde como dever do Estado e a (in) efetividade das ações judiciais para assegurar o direito a prestações materiais. pode-se afirmar que a existência de direitos sociais diretamente prescritos na norma constitucional.

o referido direto pode ser considerado como aquele que abrange [. resulta de uma longa evolução do significado de saúde e do direito como um todo. Por isso. seu regime jurídico e sua eficácia A idéia de que a saúde é um direito social fundamental. por outro. O direito à saúde é previsto como um direito fundamental de prestação. Há de se considerar que o conceito de vida digna é bastante subjetivo. 2. bens. (FIGUEIREDO. de forma estática.1 O direito à saúde.27 2 CONCRETIZAÇÃO DO DIREITO À SAÚDE: DEVER DO ESTADO E SUA (IN) EFETIVIDADE A forma da positivação e a função dos direitos fundamentais estão diretamente relacionadas à sua eficácia e aplicabilidade. necessários para que a pessoa alcance e mantenha o mais alto nível possível de saúde. buscando identificar quem é (são) o (s) responsável (eis) pela prestação do direito fundamental à saúde aos cidadãos. 2007. Mas foi na Declaração Universal dos Direitos do Homem. serviços e condições. o que seria o direito saúde. saúde pode ser considerada como qualidade de vida e bem-estar.. que a saúde passou a ser considerada como um direito fundamental do homem. estando equiparada a vida digna e saudável. portanto. por um lado. promovida pela Organização das Nações Unidas. de uma ação para ser efetivado. 84) . compreendendo dois elementos: o direito à conservação do ‘capital de saúde’ herdado.] a fruição de toda uma gama de facilidades. No presente capítulo objetiva-se realizar uma análise acerca da problemática da efetivação e concretização do direito à saúde no Brasil. p. sendo possível classificá-los em dois grupos: direitos de defesa e direitos de prestação. sendo que hodiernamente.. e o direitos de acesso aos serviços de saúde adequados em caso de dano a esse capital. não sendo possível definir. não possuindo aplicabilidade imediata e necessitando.

28 O direito à saúde. a responsabilidade pela efetivação dos direitos sociais não se constitui apenas dever do Estado. distribuição e redistribuição dos recursos existentes. O objeto desse direito está ligado a uma prestação do Estado. fazendo com que os cidadãos recorram ao Poder Judiciário a fim de terem atendido seu direito. mas também da comunidade. tendo em vista que. Nesse sentido. recorda-se. o direito fundamental à saúde pode ser considerado simultaneamente como um direito de defesa e de prestação. há um flagrante desrespeito ao dispositivo legal supramencionado. devido a problemas burocráticos. o direito está assegurado no texto do artigo 196. é necessária uma prévia organização de procedimentos e estruturas para que o direito à saúde possa ser efetivado. 137). os quais possuem aplicabilidade imediata gerando. p. econômicos e políticos. ao contrário dos direitos de defesa. não se dirigem à proteção da liberdade e igualdade abstratas. (apud CURY. Ingo Wolfgang Sarlet. 63) No entanto. redistribuição e criação de bens materiais.. Art. 196. encontramse intimamente vinculados às tarefas de melhoria. relacionada à destinação. principalmente.] que se travam as mais acirradas controvérsias envolvendo o problema de sua efetividade e aplicabilidade. O que não ocorre com os direitos sociais de defesa.” (CURY. Na Constituição Federal. cabendo ao seu titular . direitos públicos subjetivos. A saúde é direito de todos e dever do Estado. o qual prevê que a saúde é um dever do Estado. argumentando que “é precisamente em função do objeto precípuo e da forma como costuma ser positivado [. mas sim. refere que Os direitos sociais prestacionais. bem como à criação de bens essenciais não disponíveis para todos os que dele necessitem. 2005. (VADE MECUM. proteção e recuperação. Para Figueiredo (2007). sendo que sua efetividade depende de lei regulamentadora. A não aplicação dos dispositivos da Constituição Federal relacionados à saúde ocorre. p. distribuição. está previsto entre os direitos sociais de prestação. p. os quais têm por objeto uma conduta positiva. Segue. 2005.. 2009. Direito de defesa pois determina o dever de respeito. 137). por si só. em grande parte das situações. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção.

visando a preservação de uma vida digna. É necessária uma abstenção aos comportamentos lesivos à saúde em conjunto com uma promoção e elaboração de medidas assecuratórias desse direito fundamental. . de realizar medidas concretas objetivando o fomento e a efetivação da saúde do povo. bem como a garantia de elevados níveis de saúde dependem não só da atuação pública. referem-se tanto aos aspectos individuais da saúde quanto aos coletivos. Como direito individual. mas também da atuação da comunidade. também para limitar a atividade estatal. nem tampouco impedir que alcance o bem-estar. definindo o ser humano como finalidade última do Estado.2 Exigibilidade do direito à saúde face ao princípio da dignidade da pessoa humana e o mínimo existencial A dignidade da pessoa humana pode ser considerada como sua qualidade intrínseca e o núcleo básico do ordenamento jurídico brasileiro conferindo. p. defensiva e prestacional. No concerne ao aspecto coletivo ou social do direito à saúde [. o direito à saúde privilegiaria o valor liberdade. o tipo de vida que pretende para si. Na dimensão de prestação. principalmente ao Estado. justificando a imposição de limitações a comportamentos humanos. a integridade da pessoa humana. e. Também abrangeria a liberdade de opção do recurso médico-sanitário a ser procurado e o tipo de tratamento a se submeter. mas complementar. 2.29 resguardá-lo.] há prevalência do valor igualdade. a cidade onde vive. Deve ser protegida pelo Estado contra qualquer tipo de intervenção servindo. garantido ao indivíduo a liberdade de escolha do tipo de relação que terá com o meio ambiente. juntamente com os direitos fundamentais.. de modo a não afetar a saúde sua ou de outrem. significaria que o profissional médico tem a liberdade de escolha da terapêutica que considere mais adequada ao tratamento do doente. 88-89) Assim. pode-se afirmar que a efetivação do direito à saúde. com o intuito de preservação da saúde de todos os que vivem. imputa um dever. suporte ético e axiológico ao sistema constitucional. em sentido oposto. as próprias condições de trabalho. Tais dimensões. pois a ninguém é permitido induzir outrem a adoecer. 2007.. como um todo e dos indivíduos separadamente. (DALLARI apud FIGUEIREDO.

com substantiva facilidade. leciona Figueiredo (2007. notadamente dos direitos sociais. 59). pressuposto de sua dignidade. p. inclusive na consciência jurídica constituinte da comunidade.] Torna-se relevante para a ponderação de bens jurídicos necessária à resolução de conflitos normativos. a dignidade humana é utilizada como base dos direitos fundamentais. ressalta o autor que: Este é. elemento extraconstitucional e transpositivo dos direitos fundamentais [. Certamente que. Apenas dessa natureza principiológica. a importância da dignidade da pessoa humana. por ser uma norma de eficácia contida. como limite dos limites. 71). inciso III da Constituição Federal. Fundamento do Estado Democrático de Direito brasileiro. mas é na área da saúde que se pode identificar. portanto. consequentemente. um dos princípios que vem despontando no Brasil. prevista no artigo 1º. como um dos vetores das transformações por que vem passando o sistema jurídico e. dedicando-lhe considerável espaço no texto constitucional e impondo a todos os entes da Federação a responsabilidade comum de alcançar os objetivos a respeito do tema.30 Acerca do tema. afirma que o princípio da dignidade da pessoa humana tem se consubstanciado como um vetor interpretativo e impõe a todos os entes federativos e à sociedade a responsabilidade e solidariedade para dar efetividade e materialidade ao direito à saúde. Configura a dignidade humana. Nessa linha de interpretação. tendo em vista que possui um maior valor vinculante da ordem jurídica brasileira. um dos principais exemplos da moderna perspectiva principiológica que vem orientando a hermenêutica constitucional. ao fazer referência ao direito à saúde. não se está excluindo os demais direitos sociais explicitados no artigo 6º da Constituição Federal. mas vigora por meio de normas positivas e realiza-se mediante o consenso social que suscita.. na medida em que as demandas da sociedade giram em torno da categoria dos direitos sociais. . que a estes podem ser impostos ou reconhecidos. por conseguinte. torna-se necessário verificar como isso vem ocorrendo. E. sem dúvida. e no mundo. salientando-se o direito á saúde. A Constituição de 1988 mostra uma preocupação efetiva com as condições materiais de existência dos indivíduos. O princípio da dignidade da pessoa humana contribui para a abertura material do sistema jurídico dos direitos fundamentais. que exige do Estado uma prestação positiva para a sua concretização. não configura mera abstração. p. (2008. assim como constitui critério irrenunciável à determinação do conteúdo essencial dos preceitos – servindo.. Thiago Bonfim.

também. locução que identifica o conjunto de bens e utilidades básicas para a subsistência física e indispensável ao desfrute da própria liberdade [. sendo indispensável para a exigibilidade e eficácia dos direitos fundamentais.31 Significa compreender que o princípio da dignidade da pessoa humana assume um papel relevante na medida em que as pessoas se dirigem ao Poder Judiciário para ter seus direitos concretizados. Observase que o princípio da dignidade humana tem sido utilizado de forma muito acentuada nas decisões judiciais. p. tendo em conta à efetivação do direito à saúde. É parte integrante da esfera jurídica individual e não há como deixar de aplicá-lo para a concretização do mínimo existencial. principalmente quando se refere à prestação material à saúde. 72. (2008. alguns autores arriscam que o conteúdo do mínimo existencial incluiria renda mínima.] em que pese não haver muita dúvida quanto à necessidade de se reconhecer um conjunto mínimo de valores a todo ser humano por sua simples existência no mundo.. e que não há como dissociá-lo da efetivação do direito à saúde.. motivando as fundamentações dos Magistrados. grifo do autor) escreve que: [. muito se discute quanto a que bens jurídicos estariam abarcados no conceito do mínimo existencial. e quais direitos estariam sob a proteção do Estado. O conteúdo jurídico do princípio vem associado aos direitos fundamentais. envolvendo aspectos dos direitos individuais. Seu núcleo elementar é composto do mínimo existencial. 335) que a Dignidade da pessoa humana expressa um conjunto de valores civilizatórios incorporados ao patrimônio da humanidade. Sustenta. mas parece haver razoável consenso de que inclui: renda mínima. tendo em vista que seu conteúdo está associado aos direitos fundamentais. políticos e sociais. saúde básica. intrínseco aos direitos individuais.. políticos e sociais. Todos os direitos sociais fazem parte desse mínimo existencial? O Estado tem o dever de tutelar todos os bens jurídicos necessários a uma sobrevivência digna? Corroborando com tal afirmação Bonfim (2008. p.] O elenco de prestações que compõem o mínimo existencial comporta variação conforme a visão subjetiva de quem o elabore. Luís Roberto Barroso. Há muitas discussões acerca do reconhecimento desse conjunto mínimo de valores inerentes a todo ser humano. saúde básica e educação fundamental.. . Resta então demonstrado que o princípio da dignidade da pessoa humana está presente em todos os setores da vida em sociedade. Apesar da dificuldade em se delimitar o objeto da proteção mínima. o chamando mínimo existencial.

Certamente. como tal.] não se referem propriamente à eficácia jurídica. principalmente os relacionados com o mínimo existencial. 191) afirma que [. p. bem como suas exigências. No tocante à dificuldade de exigibilidade dos direitos sociais. tendo em vista que o direito não é estático nem alheio aos interesses da comunidade. mas à menor densidade normativa dos preceitos que os consagram. . É salutar destacar. é necessária a observância de prestações mínimas. que apesar das normas de direitos fundamentais possuírem um caráter principiológico.. Um mínimo absoluto deve ser assegurado pelo Estado. estabelecido pelo próprio direito e em observância ao principio da dignidade da pessoa humana que jamais pode ser ultrapassado. ser reclamado perante o Judiciário independente de prévios procedimentos.. caso contrário será negado o próprio direito. está intimamente vinculada aos valores eleitos pelo constituinte originário. ainda. Entretanto. para garantir tal dignidade. os demais direitos fundamentais e a dignidade da pessoa que o titule. pode-se definir o mínimo existencial como um direito fundamental originário podendo. e isto significa “proporcionar a manutenção de condições já existentes. para que não seja invalidada a competência legislativa. Figueiredo (2007. cabe o Poder Judiciário exigir apenas a garantia e estipulação do essencial. p. a concepção de mínimo existencial pode ser reconduzida ao intento de superação prática das dificuldades de concretização dos direitos sociais e prestações materiais. as quais devem levar em conta o tipo de sociedade em que se vive.. há um núcleo mínimo em cada direito social. 118). e o Estado tem o dever de cumprir o disposto na Constituição Federal de 1988.32 educação fundamental e um elemento instrumental que seria o acesso à justiça [. como já se explicitou anteriormente. por vezes carente de interposição legislativa conformadora e do posterior – e pouco aplicado pelo Supremo Tribunal Federal – controle das omissões inconstitucionais. a existência digna depende de condições materiais que serão garantidas pelo direito mínimo. o qual estabeleceu a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos que sustentam a República Federativa do Brasil.. em especial o direto à saúde. a efetivação dos direitos fundamentais. Portanto. Presentes tais ressalvas.] Nesse aspecto. 2010. E. ou prestações materiais necessárias à preservação da dignidade da pessoa humana” (BITENCOURT NETO.

com a cooperação técnica e financeira da União e dos Estados. Para Cury (2005. impondo a ele a obrigação de criar condições objetivas que viabilizem o efetivo acesso de todos. de acordo com o inciso VII do artigo 30 da CRFB/88. ou seja. é competência comum da União. contudo. como um dever do Estado. uma vez que é direito solidário. são dependentes de uma vontade política. cuidar da saúde e da assistência pública. podendo os serviços de saúde serem exigidos de um ou mais entes da federação. ao agir determinando que o Estado. tal responsabilidade é linear. por meio de seus entes políticos (União. prestar. grifo do autor) refere que O poder estatal diretamente responsável pela efetivação dos direitos fundamentais e. diretamente ou através dos entes da administração indireta. alcançando também a União e os Estados. propriamente dita. Toledo (2003. embora. Estado e Município). pela materialização da finalidade do Estado Democrático de Direito é o Executivo. serviço de atendimento à saúde da população. mais do que a prestação material. inciso XXIII). tendo em vista que a atividade sanitária depende de verbas que são controladas por esse Poder as quais. inciso II. portanto. Outros doutrinadores. é possível afirmar que o Poder Judiciário. ao referido direito. em seu artigo 196. 2. cumpra o seu papel. por sua vez. haja vista ser ele o competente para a . cabe ao Estado a organização de procedimentos e instituições aptos a garantir a concreta proteção da saúde do povo. está agindo para concretizar o bem-estar constitucionalmente consagrado. nos exatos termos do artigo 23. p. Sobre o assunto. A CRFB/88 estabeleceu competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (artigo 22. do Distrito Federal e dos Municípios.33 Dessa forma. afirmam que somente o Poder Executivo teria competência para resolver os problemas relacionados à saúde. 126). Assim. seja competência dos Municípios.3 A (in) efetividade do direito à saúde: ausência do Estado? A prestação do direito à saúde está prevista na Constituição Federal de 1988. dos Estados. Não há uma previsão de qual entidade estatal deve ser responsabilizada pela prestação da saúde aos cidadãos. 120-121. sem qualquer distinção. p.

que buscam o enriquecimento próprio. 163). com margem mínima de erro. . “o que se verifica é que a saúde é deixada em segundo plano. que é o respeito a dignidade da pessoa humana. então.] se é certo que a saúde é juridicamente protegida. com a verba pública arrecadada nas formas também por ela dispostas. lei..” Ocorre que para que seja atingido o objetivo maior da sociedade brasileira. p. encontra-se na falta de vontade política. na ausência de respeito à Constituição por parte dos Poderes Públicos e na ausência de compreensão do porquê de existirem Poderes Constituídos imbuídos da defesa do interesse público – e que no entanto não cumprem sua função. Segundo Germano Schwartz (2001. p. de modo a realizar a vontade popular declarada e. em detrimento de outras opções que a vontade política julgue premente. É ele quem deve. Apesar do Executivo exercer um papel fundamental na efetivação do direito à saúde. é possível verificar que a ausência de efetividade do direito à saúde decorre. em grande parte. Em que pese existirem na Constituição Federal diversos artigos determinando aos Poderes Públicos a responsabilidade solidária na área da saúde. não é possível que a saúde esteja condicionada a promessas políticas. Para Schwartz (2001. vários são os fatores que influenciam para que o Estado não consiga implantar a saúde para todos de forma igualitária. 159) Diante da omissão ou ausência de efetividade no cumprimento dos dispositivos constitucionais e demais normas infraconstitucionais relacionadas ao direito à saúde. corrigindo eventuais desigualdades na área sanitária. CF/88. garantir a sua concretização. 158). que uma parcela de culpa da inefetividade do art. [. essa tarefa pode ser considerada como a mais importante do Judiciário. entre eles a ganância e falta de ética de alguns profissionais da saúde. p. Portanto. 2000. na ausência de vontade política. também pode-se arriscar. não podendo os entes federados eximirem-se de tal obrigação. é constante o desrespeito aos dispositivos legais..196. traçar políticas e fixar programas a serem executados pela Administração Pública. nem que seja colocada em plano inferior. cabe ao Poder Judiciário.34 concretização das determinações legais formuladas pela sociedade. tendo em vista que está constitucionalmente encarregado de controlar os recursos destinados à área sanitária. (SCHWARTZ. desde que provocado.

Legislativo ou Judiciário: a construção do bem-estar. a qual não pode ser vista apenas como prioridade política e social. 2. Objetivando demonstrar com ênfase a (in) efetividade do direito à saúde. não se pode desconhecer a tarefa fundamental dos Poderes de Estado. os Poderes Públicos – principalmente o Executivo – têm todos os meios e oportunidades para cumprirem com seu papel.] A saúde. Essa é. não havendo que se falar em ruptura do princípio da harmonia e interdependência dos poderes. E não se pode falar em ditadura do Judiciário. não pode ser excluída da apreciação do Poder Judiciário.. E.35 O Judiciário tem importante dever na proteção dos direitos sociais [. num Estado de Direito. através de determinações que a Administração Pública forneça gratuitamente tratamento. quando lesionada. bem como possibilita condições para a busca de soluções efetivas que garantam a saúde para todos os cidadãos do país. seja o Executivo. a atuação judicial ocorre em momento secundário em relação aos deveres dos demais poderes públicos. em especial na área da saúde. diante da ausência do Estado-Administração. o Judiciário está intervindo. impondo-se aos Poderes estatais que atuem em prol da viabilização do direito mínimo para uma existência digna.. no tópico a seguir. a Constituição Federal Brasileira confere ao Judiciário a obrigação de exigir o cumprimento dos deveres atribuídos às autoridades. mas também jurídica. democrático e social. Ademais. como direito público subjetivo e fundamental do ser humano que é. Portanto.] possui competência legal para tanto. no constitucionalismo contemporâneo.1 Análise de casos de atuação do Poder Judiciário diante da omissão do Estado Visando garantir a previsão constitucional de universalizar o serviço da saúde. a tarefa mais elevada do Poder Judiciário: garantir a observância e o cumprimento dos direitos fundamentais do homem. Inúmeros são os processos ajuizados por particulares para terem garantido seu direito à saúde. após feita a constatação de que as ações positivas estatais não garantiram o direito à saúde. o Poder Judiciário [. passa-se à análise de casos concretos. ou seja. medicamentos e ações de promoção à saúde.. já que sua atuação é secundária.. que carece de recursos financeiros e de políticas públicas. Além disso.3. .

11 da Lei Estadual nº 8. E. Nas causas em que vencida a Fazenda Pública. podendo os cidadãos exigi-lo do Estado (gênero). SOLIDÁRIEDADE DOS ENTES FEDERATIVOS. não sendo oponível contra o cidadão. FIXAÇÃO NOS TERMOS DO ARTIGO 20. § 4º. ADMISSIBILIDADE. 2011) A Constituição Federal de 1988 elencou a saúde como direito subjetivo de todos. CUSTAS E EMOLUMENTOS. 9. ESGOTAMENTO. Precedentes do TJRS. 200 e 23. nos termos dos artigos 196. com a redação dada pela Lei nº 13. A divisão de competências no âmbito da gestão interna do Sistema Único de Saúde não é oponível ao particular. exame ou procedimento.36 O Tribunal de Justiça Gaúcho. sem que isso implique ofensa aos princípios da divisão de poderes. Cabível a condenação do Município ao pagamento de honorários advocatícios à Defensoria Pública. 20 do CPC. da reserva do possível ou da isonomia e impessoalidade. VIA ADMINISTRATIVA. inciso II da Constituição Federal e Lei n. indistintamente e independentemente de contribuição. O prévio exaurimento da via administrativa não constitui requisito para que se possa demandar em juízo o cumprimento da obrigação dos entes públicos de fornecer o devido acesso à saúde. CONDENAÇÃO DO MUNICÍPIO. os honorários devem ser fixados consoante apreciação eqüitativa do juiz. Precedentes do STJ. sendo passíveis de revisão judicial. entende que é responsabilidade dos entes públicos o custeio de medicação ou tratamentos que visem assegurar o direito à vida e à saúde dos cidadãos. a quem cabe implementar e formular políticas sociais e econômicas que objetivem garantir à população brasileira o acesso universal e igualitário à assistência farmacêutica e médico-hospitalar. consoante o art. sendo responsabilidade solidária. DESNECESSIDADE. RECURSO DO MUNICÍPIO PARCIALMENTE PROVIDO. A Constituição da República prevê o dever de prestar os serviços de saúde de forma solidária aos entes federativos. Nesse sentido: APLEAÇÕES CIVEIS. PROTEÇÃO SUFICIENTE. (RIO GRANDE DO SUL. . ISENÇÃO. O acesso à saúde é direito fundamental e as políticas públicas que o concretizam devem gerar proteção suficiente ao direito garantido. de modo que qualquer deles tem legitimidade para responder às demandas que visam ao fornecimento gratuito de medicamento. Isenção das pessoas jurídicas de direito público ao pagamento de custas e emolumentos. cabe ao cidadão optar contra quem será ajuizada a ação para fornecimento de medicamentos. DO CPC. RECURSO DO ESTADO A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. a divisão de competências existente na gestão do Sistema Único de Saúde.121/1985. DIREITO PÚBLICO NÃO ESPECIFICADO.471/2010. Afirma que o direito público subjetivo à saúde deve ter sua integralidade velada pelo Poder Público. majoritariamente. pois todos os entes federativos têm responsabilidade em garantir a saúde pública. ACESSO À SAÚDE. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO.908/83. nos termos do §4º do art. LEGITIMIDADE PASSIVA. EXAME OU PROCEDIMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS À DEFENSORIA PÚBLICA. uma vez que é dever dos Poderes Públicos e da sociedade.

a decisão abaixo mostra quanto o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul é respeitado e há muito tempo se mantém atento. . . O direito público subjetivo à saúde representa prerrogativa jurídica indisponível assegurada à generalidade das pessoas pela própria Constituição da República (art. 196 da Carta Política . o cumprimento de seu impostergável dever. O reconhecimento judicial da validade jurídica de programas de distribuição gratuita de medicamentos a pessoas carentes dá efetividade a preceitos fundamentais da Constituição da República (arts. substituir. não pode mostrar-se indiferente ao problema da saúde da população. "caput".O direito à saúde . em grave comportamento inconstitucional. sob pena de o Poder Público. e 196) e representa.que tem por destinatários todos os entes políticos que compõem. DISTRIBUIÇÃO GRATUITA. por cuja integridade deve velar. O DIREITO À SAÚDE REPRESENTA CONSEQÜENCIA CONSTITUCIONAL INDISSOCIÁVEL DO DIREITO À VIDA. ainda que por censurável omissão. 5º. 196). sob pena de incidir. quando lá chegam via Recurso Extraordinário. A INTERPRETAÇÃO DA NORMA PROGRAMÁTICA NÃO PODE TRANSFORMÁ-LA EM PROMESSA CONSTITUCIONAL INCONSEQÜENTE.e implementar . por um gesto irresponsável de infidelidade governamental ao que determina a própria Lei Fundamental do Estado. a organização federativa do Estado brasileiro . ARTS. qualquer que seja a esfera institucional de sua atuação no plano da organização federativa brasileira.não pode converter-se em promessa constitucional inconseqüente. “CAPUT”. A PESSOAS CARENTES. o acesso universal e igualitário à assistência farmacêutica e médico-hospitalar. a quem incumbe formular .O caráter programático da regra inscrita no art.além de qualificar-se como direito fundamental que assiste a todas as pessoas representa conseqüência constitucional indissociável do direito à vida. o Poder Público. de maneira responsável. O Poder Público. no plano institucional. de maneira ilegítima. A INTEGRIDADE DESSE DIREITOS ESSENCIALFORNECIMENTO GRATUITO DE MEDICAMENTOS INDISPENSÁVEIS EM FAVOR DE PESSOAS CARENTES-DEVER CONSTITUCIONAL DO ESTADO (CF.37 Atendendo esses ditames. Traduz bem jurídico constitucionalmente tutelado. tutelando o direito à saúde como um direito fundamental e como uma prerrogativa jurídica indisponível.políticas sociais e econômicas idôneas que visem a garantir. DE MEDICAMENTOS ESSENCIAIS À PRESERVAÇÃO DE SUA VIDA E/OU DE SUA SAÚDE: UM DEVER CONSTITUCIONAL QUE O ESTADO NÃO PODE DEIXAR DE CUMPRIR. Suas decisões têm sido mantidas pelo Supremo Tribunal Federal. E 196) – PRESECENTES (STF) – ABUSO DO DIREITO DE RECORRER – IMPOSIÇÃO DE MULTA – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. PACIENTES COM ESQUIZOFRENIA PARANÓIDE E DOENÇA MANÍACO-DEPRESSIVA CRÔNICA COM EPISÓDIO DE TENTATIVA DE SUICÍDIO – PESSOAS DESTITUÍDAS DE RECURSOS FINANCEIROS – DIREITO À VIDA E À SAÚDE – NECESSIDADE IMPERIOSA DE SE PRESERVAR. na concreção do seu alcance. um gesto reverente e solidário de . aos cidadãos.5º. POR RAZÕES DE CARÁTER ÉTICO-JURÍDICO. fraudando justas expectativas nele depositadas pela coletividade.

sendo dever do Estado zelar operativamente pela sua concretização. nele estando compreendidos o fornecimento gratuito de remédios e demais serviços necessários à efetivação da saúde. 2. que o direito à saúde tem sido reconhecido em todas as instâncias judiciais e as decisões sustentam a tese de ser o direito à saúde um direito fundamental. Ou no fato de o procedimento ou medicamento pleiteado não constar na listagem do próprio poder público. Precedentes. § 2º. (BRASIL. . especialmente nos casos em que a parte interpõe recurso com intuito evidentemente protelatório. ou seja. Assim. O direito à saúde é exercido pelo acesso igualitário às ações e serviços prestados pelo Estado. ou seja. 2007) Observa-se. portanto. especialmente daquelas que nada têm e nada possuem. LISTA DO GESTOR ESTADUAL DO SUS. SERVIÇO PÚBLICO DE SAÚDE. a gestão dos recursos destinados à saúde deve levar em consideração o bem de todos os membros da comunidade e não apenas o do indivíduo isoladamente. A multa a que se refere o art. bem refere que apesar se ser majoritário o entendimento de que o direito à saúde é dever solidário de todos os entes que compõem a República Federativa do Brasil. não especificam qual conduta deve ser adotada pelo poder público para efetivá-las Outros julgados fundamentam a negativa com base na limitação orçamentária. não sendo dever solidário dos entes federativos. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO. hipótese em que se legitima a imposição de multa. a não ser a consciência de sua própria humanidade e de sua essencial dignidade. Cury (2005). do CPC possui função inibitória. pois visa a impedir o exercício abusivo do direito de recorrer e a obstar a indevida utilização do processo como instrumento de retardamento da solução jurisdicional do conflito de interesses. 1.por qualificar-se como prática incompatível com o postulado ético-jurídico da lealdade processual . diante da existência de Portarias elaboradas pelo Ministério da Saúde. parte da doutrina e algumas decisões negam essa prestação. DEFENSORIA PÚBLICA.constitui ato de litigância maliciosa repelido pelo ordenamento positivo. Nesse sentido: ADMINISTRATIVO. 557. Precedentes do STF.38 apreço à vida e à saúde das pessoas. o fornecimento de medicamentos pelo Estado do Rio Grande . BEM COMUM.O abuso do direito de recorrer . impossibilidade de realizar despesas sem previsões orçamentárias. DIREITO À SAÚDE. sob afirmação de que as normas previstas na Constituição Federal são programáticas. MULTA E EXERCÍCIO ABUSIVO DO DIREITO DE RECORRER. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Considerando a distribuição dos recursos orçamentários. RELAÇÃO NACIONAL.

130). Estados e União dos recursos que um tenha que despender a mais do que o outro. nos termos constitucionalmente previstos. Ademais.. (RIO GRANDE DO SUL. 2008) ..39 do Sul somente alcança os medicamentos especiais constantes da relação da Portaria nº 22. a única alternativa disponibilizada ao cidadão para ter seu direito garantido. e nº 921/2002. nem mesmo é motivo para não fornecer ao cidadão o medicamento ou tratamento que necessita para ter sua vida preservada. é tarefa de inter-regulação que somente a eles e entre eles dirá respeito.] Recurso da Autora desprovido por maioria. Tampouco se pode exigir que se submeta a parte hipossuficiente a contemplar este debate em um processo que contra qualquer um deles promova. segundo o Desembargador Armínio José Abreu Lima da Rosa. 2006) A afirmação de que a gestão dos recursos destinados à saúde deve levar em consideração o bem estar de toda a coletividade e não apenas do indivíduo. Recurso do Estado do Rio Grande do Sul provido em parte por maioria. [. em reexame necessário. em decisão proferida perante o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul a compensação entre Municípios. não justifica a ausência de prestação estatal ao direito à saúde. consoante a Lei nº 8. quanto ao mais. sem repercutir na população que precisa do serviço. deve ser observado que não é possível limitar as suas necessidades e o avanço da ciência médica a um rol de remédios. relegando o problema prioritário a ser solucionado que é o do pronto atendimento. p. de forma a acomodar as eventuais disparidades ou episódicas onerações excessivas de um determinado ente. mas.] o argumento de falta de previsão orçamentária não justifica a omissão da administração pública na prestação de serviço essencial como a saúde. Diante da não concretização de programas efetivos para garantir a saúde de todos. Sentença mantida. é o ajuizamento de ação judicial Segundo Cury... Recurso do Município de Passo Fundo provido em parte por maioria. da Secretaria de Assistência à Saúde [. de 2003. (2005.318/2002.080/90. quanto à recusa do fornecimento de medicamentos sob a alegação de não estar o mesmo incluído na lista da entidade federativa. da Secretaria da Saúde e os medicamentos excepcionais inclusos no rol das Portarias nº 1. isoladamente. do Ministério da Saúde. que tem como única finalidade nortear os repasses da União para os Estados e para os Municípios. (RIO GRANDE DO SUL. sempre.

em especial o da saúde. uma vez que é possível a compensação dos gastos entre os entes.40 Por conseqüente é possível reafirmar que a saúde é dever solidário do Poder Público. Logo. o qual deve promover políticas sociais e econômicas. como é o caso do direto à saúde. . não deve ser utilizada como motivação para a não prestação de um direito essencial à vida digna do ser humano. a fim de garantir seus direitos. diante da falta de efetividade do referido direito. previsto no artigo 6º da Constituição Federal de 1988. ou mesmo ausência de previsão de medicamentos ou tratamentos em listas específicas de cada ente federado. como se tem demonstrado sobejamente. o que poderá ser feito mediante o ajuizamento de ação perante o Poder Judiciário em face de qualquer dos entes da federação. não podendo esta onerar material e moralmente (ou ignorar) a pessoa que necessita do serviço de saúde. A alegada ausência de previsão orçamentária. o qual está intimamente relacionado ao direito à vida e ao princípio da dignidade da pessoa humana. além de programas para implementação e manutenção da saúde para todos os cidadãos. é dada a possibilidade ao indivíduo para exigir compulsoriamente as prestações asseguradas nas normas constitucionais definidoras dos direitos fundamentais sociais.

é necessária sua positivação. além da atuação estatal para garantir sua proteção e o livre acesso de todos à saúde. pertencem à segunda geração/dimensão dos direitos fundamentais. é necessária a atuação da comunidade. Para serem efetivados necessitam de uma atuação Estatal. Os direitos sociais. através de seus entes políticos. . seja através da implementação de políticas públicas. No entanto. visando preservar a vida digna dos cidadãos e a integridade do ser humano. os quais visam uma compensação das desigualdades existentes na sociedade. através da Constituição Federal de 1988. cumpra com a concretização do bem-estar social constitucionalmente assegurado. transformando-se em direitos fundamentais. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu o direito à saúde como um dever solidário dos entes federados. necessitando da atuação do Poder Judiciário para sua concretização. através de um conjunto de ações entre indivíduos e Estado será possível elevar os níveis de saúde da população. O agir do judiciário objetiva fazer com que o Estado. os direitos sociais muitas vezes não são efetivados em decorrência de problemas burocráticos. No entanto para que seja concretizado esse direito. Apesar de terem sido consagrados de forma ampla no ordenamento jurídico brasileiro.41 CONCLUSÃO Os direitos humanos são indispensáveis à concretização de uma vida humana digna. para tornarem-se exigíveis no mundo jurídico. seja pela regulamentação infraconstitucional. em especial o direito à saúde. econômicos e políticos. abstendo-se aos comportamentos lesivos à saúde. Somente assim. a qual não pode ter seus direitos fundamentais suprimidos por discussões burocráticas e políticas. uma vez que surgem através das relações entre os seres humanos em determinado momento histórico. a fim de que seja garantido o bem-estar social de todos.

2008. BRASIL. 2004. . Direito Fundamental à Saúde.asp?s1=%28393175%2ENU ME%2E+OU+393175%2EACMS%2E%29+%28%28CELSO+DE+MELLO%29%2ENORL %2E+OU+%28CELSO+DE+MELLO%29%2ENORV%2E+OU+%28CELSO+DE+MELLO %29%2ENORA%2E+OU+%28CELSO+DE+MELLO%29%2EACMS%2E%29&base=base Acordaos> Acesso em 25 outubro 2011. Rio de Janeiro: Lumen Juris.42 REFERÊNCIAS BARROSO. 4 ed. Relator: Ministro Celso de Mello. no Recurso Extraordinário Nº393175/RS. Porto Alegre: Livraria do Advogado. LENZA. FIGUEIREDO. Pedro. Gilmar Antônio. BEDIN. 12 ed. 2007. Análise da prática jurisprudencial. Os Direitos do Homem e o Neoliberalismo. Julgado em 12/12/2006. GALINDO. 6 ed. Interpretação e Aplicação da Constituição. Ag. Ieda Tatiana. Segunda Turma. 2006.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia. Parâmetros para sua eficácia e efetividade. Luís Roberto. Os princípios constitucionais e sua força normativa. 12 ed. Disponível em <http://www. BONAVIDES. 2008. Direitos fundamentais – Análise de sua Concretização Constitucional. Evolução normatização e efetividade. BONFIM. Reg. Mariana Filchtiner.jus. 3 ed. Curitiba: Juruá. Direito Constitucional Esquematizado. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. Thiago. 2002. Direito Fundamental à Saúde. Supremo Tribunal Federal. Curso de Direito Constitucional. 2002. Bruno. Ijuí: Unijuí. Paulo. 2005. Bahia: Podium. São Paulo: Malheiros. CURY.stf.

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