Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Textos de Apoio

SEGURANÇA, HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO

TEXTO DE APOIO Nº 1
As condições inseguras relativas ao processo produtivo são designadas por riscos de
operação. Estão nestes casos, os riscos associados à movimentação de cargas, ao
trabalho em altura, etc. As condições inseguras relativas ao ambiente de trabalho são
designadas, normalmente, por riscos ambientais. Estão nestes casos, as atmosferas
ruidosas, com gases tóxicos, com poeiras nocivas, etc.
O conjunto de métodos e técnicas utilizados para a prevenção e controlo dos riscos de
operação é normalmente integrado na disciplina "Segurança do Trabalho".
Resumidamente, e de um modo genérico, a Segurança do Trabalho dedica-se à
prevenção de acidentes do trabalho.
O conjunto de metodologias não médicas destinadas ao controlo dos agentes físicos,
químicos e biológicos presentes nos componentes materiais do trabalho e susceptíveis de
causar danos aos trabalhadores é, normalmente, integrado na disciplina "Higiene do
Trabalho".
Poder-se-á então dizer que:

A HIGIENE DO TRABALHO integra um conjunto de metodologias não
médicas necessárias à prevenção das doenças profissionais, tendo como
principal campo de acção o controlo dos agentes físicos, químicos e
biológicos presentes nos componentes materiais do trabalho. Esta
abordagem assenta, fundamentalmente, em técnicas e medidas que
incidem sobre o ambiente de trabalho.
in Acordo de Concertação Estratégica (1996-1999)

Segundo a American Industrial Hygiene Association a Higiene do Trabalho é a "ciência e
a arte dedicadas ao reconhecimento, avaliação e controlo dos factores ambientais
gerados no (ou pelo) trabalho e que podem causar doença, alteração da saúde e bemestar ou desconforto significativo e ineficiência nos trabalhadores ou nos cidadãos da
comunidade envolvente".
Se tivermos presente a complexidade dos factores que podem influenciar o equilíbrio
dinâmico, já referenciado, no que diz respeito ao ambiente de trabalho, fácil será concluir

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TEXTOS DE APOIO

Este conceito foi completado no Decreto-Lei nº 248/99. avaliar e controlar os riscos de ambiente de trabalho. introduz no sistema. Segundo o Decreto-Regulamentar nº 12/80. a Engenharia. consideradas: DOENÇAS PROFISSIONAIS as lesões. dos ambientes de trabalho nocivos e recebe as consequências da possível inoperacionalidade da Higiene do Trabalho. psíquico e social e. no sentido de identificar. tendo como objectivo principal aumentar o bem-estar físico. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO que a Higiene do Trabalho faz apelo a um conjunto de ciências. no sentido em que. perturbações funcionais ou doenças não incluídas na referida lista desde que sejam consequência necessária e directa da actividade exercida pelos trabalhadores e não representem normal desgaste do organismo. ainda. A Medicina tem no âmbito daquela multidisciplinaridade. a Bioquímica. TEXTOS DE APOIO 3 . em que são.SEGURANÇA. dados sobre o reflexo na saúde humana. simultaneamente. entende-se por: DOENÇA PROFISSIONAL a doença provocada pelo trabalho ou estado patológico derivado da acção continuada de uma causa que tenha a sua origem no trabalho ou no meio laboral em que o trabalhador presta os seus serviços e que conste da Lista de Doenças Profissionais elaborada pela Comissão Nacional de Revisão da Lista de Doenças Profissionais. na medida em que tenta tratar ou controlar as Doenças Profissionais. como sejam a Epidemiologia. contribuir para a Produtividade e Qualidade do Trabalho. A Higiene do Trabalho requer daquelas ciências cooperação estreita. uma acção biunívoca. etc. a Toxicologia.

Deterioração da inteligibilidade da palavra. .Utilização incorrecta dos protectores de ouvido. . . .Facilidade de manutenção.Controlos regulares.Escolha dos protectores em função de factores individuais ligados ao utente. baixa das qualidades acústicas. . .massa demasiado elevada. Materiais inadequados. dos ruídos informativos ligados ao trabalho e da localização direccional. . . .Resistência do protector às agressões industriais. .Respeito das indicações do fabricante.Eliminação dos elementos de pressão. aplicação de tampões não reutilizáveis. . . . . Contacto com corpos incandescentes.Possibilidade de substituição de protectores auriculares por tampões. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO TEXTO DE APOIO Nº 2 RISCOS LIGADOS AOS PROTECTORES DE OUVIDO Desconforto e incómodo durante o trabalho Limitação da capacidade de comunicação acústica Acidentes e perigos para a saúde Alteração da função de protecção devida ao envelhecimento Insuficiente eficácia da protecção 4 Falta de conforto para o utente: . resistência às chamas.Arestas e ângulos arredondados.Escolha incorrecta dos protectores de ouvidos. - Compatibilidade deficiente.Respeito da marcação dos protectores (por exemplo: classes de protecção. . Preensão dos cabelos.esforço e pressão de aplicação. do couro cabeludo. TEXTOS DE APOIO . . em função da natureza e da importância dos riscos e das imposições industriais: . dos sinais. . . do reconhecimento. .aumento da transpiração.Possibilidade de substituição dos protectores de ouvidos. Arestas vivas. .Ininflamabilidade. limpeza.pressão demasiada. Falta de higiene. marca correspondente a uma utilização específica).Utilização correcta dos protectores de ouvido.Respeito das indicações do fabricante.Variação da atenuação com a frequência. condições ambientais. .massa. .Intempéries. .Qualidade dos materiais.Resistência à combustão e à fusão.Conservação em bom estado. Concepção ergonómica: . utilização.Permanência da função de protecção durante todo o período de utilização.Respeito das indicações do fabricante (manual de utilização).Escolha após experiência auditiva. .Contacto com chamas. .estabilidade insuficiente. . Esmagamento.SEGURANÇA. . . com pleno conhecimento dos riscos. .Escolha dos protectores de ouvido. desgaste ou deterioração dos protectores de ouvido.

deste sistema provoca riscos profissionais que são inerentes ao ambiente e ao processo produtivo das diferentes actividades. 2. em equilíbrio dinâmico. INTRODUÇÃO Muito embora se conheçam os venenos e os seus efeitos desde a Antiguidade. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO TEXTO DE APOIO Nº 3 1. O organismo humano representa um sistema aberto que troca matéria e energia com o meio ambiente através de numerosas reacções. O desequilíbrio momentâneo ou prolongado. do seu modo de acção.1. normalmente. durante as actividades laborais.SEGURANÇA. das suas propriedades. chamamos trabalho. O seu desenvolvimento processou-se a par e passo com a Química moderna e a Anatomopatologia (ramo da Medicina). TEXTOS DE APOIO 5 . P RINCÍPIOS E D OMÍNIOS DA H IGIENE DO T RABALHO 1. nem sempre ao ritmo das modificações introduzidas. Toxicologia é a ciência que se ocupa dos tóxicos. N OÇÕES DE T OXICOLOGIA 2. INTRODUÇÃO Ao longo da História. Estas modificações são mais evidentes no desenvolvimento de actividades a que. só no início do século XX a Toxicologia se constituiu como ciência. o Homem tem modificado o meio ambiente em que vive ao mesmo tempo que desenvolve mecanismos de adaptação.1. O cruzamento dos saberes “Químico” e “Médico” faz todo o sentido se atentarmos nas definições de Toxicologia e tóxico. da sua pesquisa e dos processos que permitem combater a sua acção nociva.

HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO Diz-se que uma substância é um tóxico quando. provoca de um modo passageiro ou durável. fazem repercutir os seus efeitos noutras regiões do organismo. pelo contrário. que podem chegar à aniquilação completa e mesmo conduzir à morte. Hoje em dia a Toxicologia faz apelo a outros ramos da ciência. VIAS DE PENETRAÇÃO DOS TÓXICOS NO ORGANISMO A penetração dos tóxicos no organismo efectua-se. 6 TEXTOS DE APOIO . não apenas através de uma destas vias. à Bioquímica. à Higiene Industrial. perturbações de uma ou mais funções. A noção de tóxico está normalmente associada a uma substância de origem sintética ou natural. penetração por mais de uma via simultaneamente. 2. é influenciada por uma série de fenómenos que extravasam o conceito inicial simplista. os tóxicos. de uma só vez ou em várias vezes próximas umas das outras ou em pequenas doses repetidas durante muito tempo. também. cada vez mais. muitas vezes. que vão desde a Microbiologia. por uma das seguintes vias: • Via respiratória • Via percutânea • Via digestiva A absorção de tóxicos pelo organismo verifica-se. etc. a dever-se. VIA RESPIRATÓRIA: É a via mais comum da penetração dos tóxicos presentes nos locais de trabalho. ao penetrarem por esta via. regra geral. orgânica ou inorgânica. muitas vezes. De outras vezes. após penetração no organismo em dose relativamente elevada. ao facto de.2.SEGURANÇA. se entender que a relação causa-efeito não é linear mas. Os efeitos nocivos fazem-se. simples ou mistura. mas pode ocorrer. sentir ao nível das vias respiratórias. que actuando sobre o Homem provocam danos graves na sua saúde. à Biologia. Este alargamento fica sobretudo.

sem preocupação para com os seus efeitos. foram inúmeras as partículas tóxicas presentes nos locais de trabalho.: cloro) • NEBLINAS • VAPORES (ex.: chumbo) Poeiras: partículas esferoidais de pequeno tamanho.SEGURANÇA. formadas pela desintegração mecânica de certos materiais. se reveste da maior importância o estudo da toxicologia no âmbito da Higiene do Trabalho. SÓLIDO LÍQUIDO GASOSO • POEIRAS (ex. Por essa razão. não possuindo (pelo menos por enquanto) defesas que lhes permitam conviver com eles. os trabalhadores viram-se confrontados com tóxicos. procedentes de uma combustão incompleta (smoke) ou resultante da sublimação de vapores. Vapores: fase gasosa de substâncias que nas condições padrão (25 C e 760 mm Hg) se encontram no estado sólido ou líquido. geralmente depois da volatização a altas temperaturas de metais fundidos (fumes).: sílica pura cristalina) • FIBRAS (ex. a 25º C e 760 mm Hg de pressão.: insecticidas) (ex. em suspensão no ar.: açúcares) (ex. Aerossóis: suspensão no ar de gotículas cujo tamanho não é visível à vista desarmada e provenientes da dispersão mecânica de líquidos. Fibras: partículas aciculares provenientes da desagregação mecânica e cujo comprimento excede em mais de 3 vezes o seu diâmetro. Neblinas: suspensão no ar de gotículas visíveis e produzidas por condensação de vapor. Gases: estado físico normal de certas substâncias. O aparelho respiratório é uma porta de entrada no organismo para as partículas sólidas ou líquidas.: mercúrio) (ex. Fumos: partículas esféricas em suspensão no ar. TEXTOS DE APOIO 7 .: amianto) • FUMOS • AEROSSÓIS • GASES (ex. Pela primeira vez. O mesmo se passa com os gases e vapores existentes no ambiente de trabalho. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO Com as profundas modificações verificadas após a Revolução Industrial. Os perigos de inalação são tanto maiores quanto mais elevada for a temperatura.

ferimentos. A absorção por feridas ou queimaduras profundas é particularmente rápida. nem todas elas penetram no interior do aparelho respiratório ou. No entanto. Também as alterações da pele (descamações. Assim. a sudação facilita a penetração dos tóxicos na pele. O aparelho respiratório tem defesas. 8 TEXTOS DE APOIO . químicos e biológicos). um papel de protecção contra os diferentes agentes agressivos (físicos. abaixo dos 10 μ. Por sua vez. regra geral. ocasionando lesões locais muito graves e pondo mesmo em risco a vida. Estas alterações. fruto da adaptação ao longo da evolução humana. penetram pelas ramificações mais finas da árvore brônquica e atingem os alvéolos pulmonares. As partículas de menores dimensões.10 Brônquios 2-4 Alvéolos pulmonares VIA PERCUTÂNEA (PELE E MUCOSAS): A pele tem. também chamadas partículas respiráveis. nem todas conseguem atingir os mesmos níveis. os poros. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO No que diz respeito às partículas. que o protegem de uma parte das partículas nocivas para a sua saúde. são consequência não só da utilização de ferramentas ou equipamentos agressivos. nas vias respiratórias superiores (fossas nasais). as partículas de diâmetro entre os 10 μ e os 15 μ ficam retidas. dificilmente será tóxico. nomeadamente na pele das mãos de trabalhadores. etc.SEGURANÇA. as glândulas sebáceas e as glândulas sudoríparas funcionam como portas de entrada naturais. mecanicamente. DIMENSÃO ( μm) LOCAL > 10 Nariz 4 .) facilitam a entrada de tóxicos. exercem um efeito local. por ausência da barreira dermeepiderme e por haver um aumento das trocas sanguíneas. que podendo ser nocivo. através dos cílios vibráteis e do muco nasal. essencialmente. mas também de substâncias tóxicas com as quais contactam. se o fazem. A eficácia das defesas naturais está directamente relacionada com a dimensão das partículas.

a circulação geral. • deficiente higiene corporal. O contacto de tóxicos com as mucosas. • ingestão de alimentos erradamente guardados em locais de trabalho contaminados. com o aparecimento de vómitos e/ou de diarreias ocasionados por irritação da mucosa digestiva. os sais de tálio. em virtude da sua grande vascularização. em certos casos. etc. No entanto. é o que acontece com a absorção de certos tóxicos juntamente com os alimentos.). pode acontecer nas seguintes situações: • manipulação incorrecta de produtos tóxicos (contaminação das mãos. do estômago e do intestino). pode provocar lesões graves em órgãos afastados (rins. A intervenção do fígado. diferentes acções podem intervir para diminuir a toxicidade duma substância. VIA DIGESTIVA: Não é uma via habitual nas intoxicações relacionadas com o trabalho. boca. a afinidade de alguns destes agentes (lipossolúveis) para com os lípidos cutâneos (dissolvendo-se na gordura que normalmente lubrifica a pele) permite-lhes ultrapassar a barreira da pele e alcançar. com a passagem para a circulação sanguínea. sobretudo se está inflamada. • solventes clorados. nomeadamente das mãos. como por exemplo. • fumar ou guardar tabaco nos locais contaminados. As mucosas dos olhos reagem energicamente com certos tóxicos. olhos). O processo de absorção por via digestiva pode ser mais ou menos rápido e. assim como a mucosa faríngea. pode fazer diminuir a toxicidade das mesmas. TEXTOS DE APOIO 9 . HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO Por outro lado.SEGURANÇA. • ou mesmo de derivados puramente minerais. Estão neste caso os seguintes agentes tóxicos: • nicotina. com a formação de compostos insolúveis. transformando uma parte das substâncias antes da passagem destas para a corrente sanguínea. A ingestão de substâncias tóxicas permite a passagem das mesmas para a corrente sanguínea (ao nível da boca. • tetraetilchumbo. é ainda mais perigoso do que com a pele. por outro lado a absorção dessas substâncias. fígado. ao nível da derme. após trabalhos relacionados com produtos tóxicos. • derivados nitrados e aminados aromáticos.

sem ficar sujeita a efeitos prejudiciais para a sua saúde. Relativamente à substância ou produto tóxico podem-se enunciar as seguintes características: • composição química. depende de vários factores. • trabalho executado. Dos factores atrás referidos. não sendo por isso consideradas no âmbito deste Manual.limite de concentração para os tóxicos nos locais de trabalho. nomeadamente: • características da substância ou produto. C ONCENTRAÇÃO DE UM T ÓXICO Reportando ao que os Gregos diziam na Antiga Grécia. que a toxicidade de uma substância ou produto no local de trabalho. os STEL's (Short Term Exposure Limit) que são limites de exposição para um curto intervalo de tempo.1.aos quais a maioria dos trabalhadores pode ser repetidamente exposta. Além dos TLV's existem. afirma-se. Autores portugueses denominam estes valores-limite de VLE-MP (valor-limite de exposição média ponderada). "nada é veneno.concentração média ponderada para um dia de 8 horas e para uma semana de 40 horas . também. dia após dia. denominados TLV's (Threshold Limit Value) .3. • características do trabalhador exposto. tudo é venenoso". é a concentração do tóxico. de forma segura e objectiva. CONCENTRAÇÃO E DOSES LETAIS 2.SEGURANÇA. hoje em dia. Existem valores . a concentração máxima a que os trabalhadores podem estar sujeitos continuadamente por um período até 15 minutos.3. • concentração. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO OUTRAS VIAS: As vias hipodérmicas e intravenosas são raras nas intoxicações laborais. 2. aquele que pode ser controlado. isto é. 10 TEXTOS DE APOIO .

sendo a designação adoptada o NAC (Nível Admissível de Concentração). esses diplomas legais: Diplomas legais Substâncias tóxicas DL nº 273/89. fixa os valores-limite de exposição definidos como "a concentração de substâncias nocivas que representam condições às quais se julga que a quase totalidade dos trabalhadores possa estar exposta. seguidamente. 21 de Agosto Cloreto de vinilo DL nº 274/89. de 21 de Agosto Chumbo e seus compostos DL nº 284/89. Nestes casos. ainda. esses limites denominam-se TLV's-Ceiling ou também designado VLE-CM (valor-limite expresso para uma concentração máxima). • Toxicidade percutânea.SEGURANÇA. Algumas substâncias tóxicas têm uma acção de tal forma rápida sobre o organismo. as seguintes situações: • Efeitos aditivos de substâncias tóxicas com características semelhantes. adoptados valores-limite de concentração. de 24 de Agosto Amianto (abesto) DL nº 162/90. dia após dia. que os limites de concentração não deverão nunca ser excedidos. sem efeitos prejudiciais para a saúde". com pelo menos 60 minutos de intervalo entre os períodos de exposição. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO desde que não sejam permitidas mais de 4 exposições diárias. revista em 1988. também. Enunciam-se. Para algumas das substâncias tóxicas que se podem encontrar nos locais de trabalho existe legislação portuguesa específica. São. e desde que o TLV's respectivos não sejam excedidos. mesmo instantaneamente. • Flutuações das concentrações ao longo do dia de trabalho. TEXTOS DE APOIO 11 . de 22 de Maio Poeiras (pedreiras) Em relação às outras substâncias tóxicas a norma portuguesa NP1796. O documento prevê.

SEGURANÇA. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO Esta norma adopta os conceitos e os limites publicados pela ACGIH no documento Threshold Limit Values for Chemical Substances and Physical Agents and Biological Exposure Indices. • Sexo: influi muitas vezes sobre a receptividade dos tóxicos. Normalmente. Este factor pode ser controlado pela organização do trabalho. pode aumentar perigosamente a concentração dele no organismo. tendem a ser menos sensíveis que os adultos. a toxicidade da substância: • Idade: à partida os indivíduos jovens. 12 TEXTOS DE APOIO . embora não de um modo absoluto. já que penetra por duas vias (respiratória e cutânea). salientamos aquelas que podem determinar. Nas listas de limites de exposição é considerado o facto de certas substâncias poderem ser absorvidas por mais do que uma via de entrada no organismo. mesmo se a concentração no ar estiver longe das concentrações limites. podendo tornar-se perigosa. No que diz respeito às características do trabalhador exposto ao tóxico. fazendo rodar pelo mesmo posto de trabalho vários trabalhadores ao longo da jornada. consequentemente a quantidade de substância tóxica inalada aumenta. A duração (tempo) de exposição é um factor de grande importância para a generalidade dos tóxicos industriais como se pode deduzir dos critérios TLV. os trabalhos pesados provocam também um aumento de sudação o que. no mesmo período de tempo. caso o tóxico tenha afinidade com a pele. em virtude do seu peso ser menor e o seu metabolismo mais activo. • Peso: a toxicidade de uma substância varia com o peso do indivíduo. Quanto ao trabalho executado é importante salientar: • tipo de trabalho: leve moderado pesado • duração da exposição Os trabalhos pesados provocam um aumento do ritmo respiratório.

em Higiene do Trabalho. na frequência cardíaca e no ritmo respiratório. uma hipersensibilidade qualitativa.o estado de digestão ou de jejum tem influência sobre a intensidade da acção dum tóxico administrado numa dose determinada. 2. para o ser humano. mas só TEXTOS DE APOIO 13 . • Fadiga . produzem-se alterações no metabolismo. Por essa razão. • Estado fisiológico: • Digestão . Por acção do trabalho. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO • Susceptibilidade individual: alguns organismos demonstram uma maior susceptibilidade (intolerância congénita) a certas substâncias.faz aumentar.SEGURANÇA.a sensibilidade aos tóxicos aumenta. no sistema nervoso. Assim se explica que um tóxico possa actuar diferentemente no estado de repouso ou no estado de fadiga. seguramente. reagindo anormalmente a diversos produtos. • Gravidez . pode variar entre limites relativamente afastados. já que a sensibilidade das diversas espécies aos tóxicos.3. não pode ser objecto de experimentação. Os valores existentes de doses mortais para o Homem foram obtidos pela observação das intoxicações humanas. muscular ou intelectual. D OSES L ETAIS A determinação de uma dose letal de um tóxico. de certo modo. Na imensa maioria dos casos. Apresentam. em geral.2. Os resultados obtidos na experimentação animal dificilmente podem ser extrapolados para o Homem. • Estado Patológico: • As doenças podem provocar lesões nos órgãos principais do organismo e essas alterações podem favorecer a acção de tóxicos. se aconselha evitar que as mulheres grávidas sejam submetidas a exposições susceptíveis de exercer efeitos nocivos. por estarem comprometidos os processos normais de desintoxicação. os valores indicados para o homem como doses tóxicas ou mortais não são mais do que números aproximados. a toxicidade de uma substância. durante a gravidez.

nomeadamente. compreende-se que quando se fala em doses mortais para o homem. como exemplo. TOXICIDADE AGUDA E CRÓNICA 2. o caso do aumento da temperatura ambiente que desencadeia uma maior actividade de certos tóxicos (aumento da toxicidade).4. 14 TEXTOS DE APOIO . consideráveis. • Condições exteriores: refira-se. a toxicidade de uma substância pode variar. que pode até ser fatal. dentro de amplos limites.4. o que raramente acontece. consoante: • Via de penetração: para determinar a toxicidade é sempre importante conhecer a via de absorção do tóxico. T OXICIDADE A GUDA Para além das características intrínsecas do indivíduo. • Concentração: a influência da concentração sobre a toxicidade é determinante pois a absorção é mais rápida quanto maior for a concentração. a absorção faz aumentar a toxicidade. muitas vezes. Pelo que foi dito no ponto 2. em geral. suportar a mesma quantidade de veneno que um cão de 20kg. dá-se o nome de dose letal 50 e representa-se por DL50.1. variando essas respostas dentro de limites. nomeadamente 50% de casos mortais num conjunto de indivíduos expostos a um mesmo tóxico. Muito empiricamente.3. Dá-se o nome de dose letal de um tóxico (ou dose seguramente mortal) à dose que produz 100% de casos mortais nos indivíduos a ele expostos. • Natureza do veículo: a associação dos tóxicos com excipientes que favoreçam. • Velocidade de administração: aumentando a velocidade de administração. já que a toxicidade aumenta se forem vencidas as barreiras naturais de protecção e o tóxico entrar directamente na circulação sanguínea. representada por DL 100. provocase uma sobrecarga do tóxico no organismo. No caso de haverem percentagens inferiores.SEGURANÇA. 2. não se podem referir valores absolutos. admite-se que o homem pode.1. já que as respostas à exposição da mesma dose de um tóxico não são a mesma para todos os casos. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO serão exactos se não tiver havido vómitos.

Os efeitos tóxicos provêm. A exposição a agentes tóxicos no ambiente de trabalho pode ser pontual ou contínua. Entre esses efeitos. muitas vezes.4. pode conduzir a alterações irreversíveis do estado de saúde. a toxicidade de uma substância pela dose susceptível de provocar a morte. a baixos níveis de tóxicos. • Administração anterior: sobre este tema falaremos no ponto 2. Intoxicação crónica é resultado de uma exposição repetida ao longo de bastante tempo. mas cuja repetição pode acabar por originar intoxicações muito mais insidiosas. pois aparecem. 2.SEGURANÇA. naturalmente. TEXTOS DE APOIO 15 . em curto espaço de tempo. São. T OXICIDADE C RÓNIC A Se a exposição. numa exposição pontual a baixas quantidades de um tóxico de fraca toxicidade. e que embora sem sintomatologia clínica imediata. sem dar qualquer sinal de alarme. No caso de a dose ser relativamente alta. for contínua ao longo de dias de trabalho. em geral. portanto. a morte.2. como vimos. de doses bastante pequenas. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO • Substâncias associadas: sobre este tema falaremos no ponto 3. Normalmente. torna-se necessário o seu estudo para se evitarem efeitos nocivos na saúde dos trabalhadores expostos.4. os efeitos nocivos manifestar-se-ão rapidamente. demasiado fracas para provocar efeitos de toxicidade aguda. ao mesmo agente tóxico. não se verificarão efeitos prejudiciais no organismo do trabalhador.2. Diz-se que há: Intoxicação aguda quando se verificam efeitos tóxicos no organismo resultantes da absorção de doses relativamente grandes. negligenciáveis as suas consequências. e é por essa razão que se exprime. o mais grave é.

já que poderão existir intoxicações irreversíveis. • a duração da vida. ter em conta os tóxicos que provocam efeitos cumulativos através de várias gerações. salientamos as cancerígenas pois ocupam um lugar à parte entre os agentes deste tipo de toxicidade. ainda. em consequência da sua acção nociva sobre o filtro renal. • funções dos órgãos (rim. centros nervosos. linfa. A absorção destas pequenas doses que. 16 TEXTOS DE APOIO . dá-se a este tipo de efeitos nocivos sobre o organismo. fígado. adsorção. não se podem fixar doses limites. mínima que seja. etc. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO Existem tóxicos que preenchem as condições acima descritas. glândulas endócrinas. ainda. • estrutura das células e tecidos do organismo. dado que. e portanto. pelo facto do efeito persistir após a eliminação do produto. o nome de intoxicações crónicas. • aptidão para a reprodução. o que dificulta a sua eliminação (metais pesados). provoca. medula óssea. a serem eliminadas normalmente. etc).SEGURANÇA. ao fim de algum tempo. crónicas como consequência dos efeitos de uma toxicidade aguda. não teriam consequências de maior. No seu caso. Devemos. • comportamento geral. Mais correctamente deveriam ser chamadas de intoxicações a longo prazo. Das substâncias de toxicidade a longo prazo (ou crónica). De um modo geral. por ficarem retidos no organismo em virtude de afinidades de natureza física (solubilidade nos lípidos muito maior do que nos líquidos aquosos. a que se dá o nome de tóxicos cumulativos. será perigosa se for repetida. qualquer dose.) ou química (fixação sobre um ou outro constituinte celular) ou. • composição química dos líquidos orgânicos (sangue. perturbações de sintomatologia muito variada sobre: • crescimento. etc).

2. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO Estas noções são de enorme importância. DOSE RESPOSTA Para que se possa considerar admissível. que a dose de tóxico absorvida não tenha excedido a capacidade do organismo metabolizar (bio-transformar a substância num dos metabolicos do organismo) e eliminar o referido tóxico. as mesmas respostas. TEXTOS DE APOIO 17 . sendo a sua acção mais complexa e aparentemente não específica.6. existem outros que não desencadeiam uma sintomatologia característica. no local de trabalho. EFEITOS FISIOLÓGICOS DOS TÓXICOS Existem tóxicos que provocam em todos os seres humanos os mesmos efeitos. pode-se falar em resposta nula. que há uma relação marcada entre o tempo de exposição e a concentração do tóxico. uma determinada Dose é necessário que ela provoque no organismo uma resposta nula. desde que estas reacções sejam apenas desvios ligeiros. No entanto. EFEITO DOSE-RESPOSTA Para se actuar no campo da prevenção das intoxicações no ambiente de trabalho é fundamental trabalhar as seguintes variáveis: • tempo de exposição • concentração do tóxico Sabe-se.5. e a Higiene do Trabalho fundamenta. DOSE ADMISSÍVEL RESPOSTA NULA Embora exista sempre uma reacção biológica ou química do organismo quando em contacto com substâncias estranhas. sem prejuízos fisiológicos do estado normal do organismo. isto é.SEGURANÇA. em virtude do grande número de agentes tóxicos aos quais o homem está exposto no ambiente de trabalho. Ao resultado desta relação dá-se o nome de DOSE A dose absorvida pelo organismo provoca da parte deste uma resposta biológica. 2.

E FEITOS SOBRE O S ANGUE O sangue é constituído por vários elementos. que tanto podem ser de retardamento ou inibição (caso do benzeno. ácido oxálico. A par de uma acção principal. por acção de gases agressivos (nomeadamente cloro. Convém sublinhar que. Os sintomas que.1. fosgénio. desencadeados pelos tóxicos são referidos seguidamente: Plasma: • alterações na coagulação. as acções secundárias podem variar segundo os indivíduos. o tóxico é transportado em cerca de 23 segundos através de todo o organismo. por acção dos tóxicos. qualquer que seja a via por onde tenha entrado. o tóxico elegerá um ou mais órgãos e aí se fixará. A partir daí. nomeadamente: • plasma • eritrócitos ou glóbulos vermelhos • leucócitos ou glóbulos brancos • trombócitos ou plaquetas Os principais efeitos nocivos. mas sim epifenómenos relacionados com o próprio indivíduo. frequentemente se manifestam (diarreia. 2. fluoretos. etc) não traduzem os principais efeitos nocivos. a partir da sua entrada no sangue. Eritrócitos ou glóbulos vermelhos: • aumento do seu número. cloropicrina. e das condições de acessibilidade.6. estenderá a sua acção sobre as células e tecidos. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO Esta inconstância dos tóxicos não está em contradição com a noção de especificidade do modo de actuação dos tóxicos.SEGURANÇA. interferindo nocivamente no metabolismo dos mesmos. etc). Em função da natureza físico-química do tóxico e dos órgãos. Apenas acções que causam os traumatismos apresentam alguma especificidade e devem merecer a tenção. vómitos. etc) como de aceleração. 18 TEXTOS DE APOIO . no sangue.

o que não surpreende. As intoxicações profissionais por acção do chumbo e pelo mercúrio provocam alterações (dolorosas) na digestão dos alimentos e modificações da mucosa bocal. 2. um tóxico pode actuar directamente sobre a mucosa intestinal. 2. reacções de defesa do organismo. nos casos de benzenismo.SEGURANÇA.6.6.3. sulfamidas.6. Todavia. Os tóxicos corrosivos. já que o fígado é TEXTOS DE APOIO 19 . com episódios de diarreia. Leucócitos ou glóbulos brancos: •Diminuição do número de leucócitos no benzenismo. Raios X. ácidos e bases produzem lesões do tubo digestivo. • anomalias morfológicas. na primeira fase da intoxicação do benzeno. na doença dos Raios X. os Raios X e o benzeno. 2. no fosforismo ou nas intoxicações pelos derivados aminados aromáticos. no benzenismo. com sintomatologia mais ou menos dramática. segundo a sua concentração. no arsenicismo e intoxicação pelo quinino. •Aumento de leucócitos. etc.2. observadas no saturnismo. E FEITOS SOBRE O F ÍGADO Existe um grande número de tóxicos hepáticos. Trombócitos ou plaquetas: • Diminuição (na ordem das dezenas de milhar) do número de plaquetas.4. E FEITOS SOBRE O A PARELHO D IGESTIVO Os vómitos e as diarreias que se observam em diversas intoxicações são. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO • destruição dos eritrócitos que se observa no saturnismo. provocando uma irritação da mesma. muitas vezes. E FEITOS SOBRE A M EDUL A Ó SSEA As acções dos tóxicos na medula óssea provocam uma destruição do tecido medular. Como agentes principais dessas acções referimos os radioelementos.

• etc. Recebe. 2. etc). 20 TEXTOS DE APOIO . os que constituem objecto de estudo da Higiene de Trabalho. nomeadamente: • intoxicação pelo fósforo. e. em doses de intoxicação crónica. também.SEGURANÇA. E FEITOS SOBRE O R IM O rim é o outro filtro do organismo humano. pelo risco que representam para o homem.5.6. Recebe as substâncias tóxicas que acompanham os produtos resultantes do metabolismo alimentar. por isso. os tóxicos que eventualmente nele circulem.6. • derivados nitratos e aminados aromáticos. actuam. essencialmente. não aparecem com frequência no ambiente de trabalho. • solventes clorados. sobre o ritmo cardíaco. cádmio. Por isso. de altíssima gravidade. 2. presente com tanta frequência nos locais de trabalho. • corantes azóicos. E FEITOS SOBRE O C ORAÇÃO Os tóxicos cardíacos que provocam paragem cardíaca. Está neste caso o chumbo que. • cloratos. ainda. As lesões renais provocadas por intoxicações profissionais têm como agentes principais: • metais pesados (chumbo. nomeadamente o tetracloreto de carbono. urânio. o sangue da circulação geral. provoca uma diminuição prolongada do ritmo cardíaco. passando por ele a grande maioria de tóxicos e estando. sujeito a vários tipos de lesões. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO uma massa visceral de 1. • anestésicos gasosos. • solventes clorados. se pode dizer que não há intoxicação que não provoque lesão hepática.5 a 2 kg e se encontra na encruzilhada das vias digestivas aferentes.6.

Por essa razão é de toda a conveniência usar vestuário adequado. • Dióxido de carbono: tetanização dos músculos respiratórios. os seus efeitos manifestam-se diversamente. acne. • solventes clorados e derivados aminados aromáticos: a sua acção irritante pode transformar-se em dermatites. foliculite. os seguintes: • Álcool: descoordenação dos movimentos e perturbação do equilíbrio.8.7. podendo evoluir para malignas.SEGURANÇA. E FEITOS SOBRE A P ELE A pele está muito exposta aos agentes tóxicos presentes nos locais de trabalho. mais ou menos. TEXTOS DE APOIO 21 . • Anestésicos: paragem respiratória. • óleos médios: manifestam-se toxidermias. importantes do sistema nervoso. Consoante os tóxicos em presença. por tal razão. traduzindo-se por proliferações epiteliais benignas. que proteja das agressões desses agentes. • vapores de chumbo: lesões das unhas. Apresentamos.6. como exemplo. Passamos a enumerar os principais agentes tóxicos: • ácidos e bases fortes: provocam queimaduras. E FEITOS SOBRE O S ISTEMA N ERVOSO Muitas das substâncias tóxicas presentes nos locais de trabalho provocam perturbações ou lesões. • produtos da destilação da hulha: verificam-se alterações dos tegumentos. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO 2.6. • óleos pesados: têm uma acção mais lenta. 2. • iodetos e brometos: aparecimento de dermatoses. as suas acções atingem diferentes funções do sistema nervoso e.

E FEITOS SOBRE O A PARELHO R ESPIRATÓRIO É a principal via de acesso dos tóxicos gasosos ou voláteis. • Asfixia. ACÇÃO LOCAL: • espirros. devida a um processo irritativo actuando diferentemente sobre as vias aéreas superficiais e profundas. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO 2. Em contrapartida. A reacção torna-se desordenada e angustiante. e conduz à morte em pouco tempo (3 minutos são o limite máximo sem respirar.9. Podem-se verificar lesões locais ou actuar ao nível do mecanismo da respiração. • irritação do epitélio pulmonar: edema. sob a influência do tóxico.SEGURANÇA. Se este centro sofrer uma intoxicação e a sua acção normal for inibida ocorrerá uma paragem respiratória. Os fenómenos verificados pela acção tóxica ao nível da respiração são: • Sufocação. a irritação das vias profundas determina uma aceleração considerável dos movimentos respiratórios. tosse. as primeiras sofrem uma acção inibidora que se traduz por uma diminuição ou mesmo paragem da respiração. O ritmo respiratório é mantido pela excitação coordenada e rítmica dos músculos respiratórios. corrimento nasal. permitida pela enervação proveniente do centro respiratório bulbar. queimaduras.6. O organismo fica submetido a duas acções inversas: a necessidade de respirar e a de não respirar. 22 TEXTOS DE APOIO . é o resultado da privação do oxigénio. exagerada produção de saliva. ACÇÃO AO NÍVEL DO MECANISMO DA RESPIRAÇÃO: Mesmo que um tóxico esteja altamente diluído no ar inspirado penetrará nos alvéolos pulmonares e poderá fixar-se ou ser absorvido pelo sangue. de forma a não se produzirem lesões graves).

terá de ser avaliado o efeito simultâneo desses compostos: TEXTOS DE APOIO 23 . • Melhoramento da permeabilidade dos tecidos receptores. E FEITOS R ESULTANTES DE E XPOSIÇÕES COMBINADAS A VÁRIOS FACTORES DE R ISCO 3. Os antagonismos dos tóxicos estão na base do tratamento das intoxicações. como a exposição é simultânea.SEGURANÇA. mas não devem ser utilizados como linhas que dividem as concentrações seguras e as perigosas. • Etc. No entanto. INTRODUÇÃO A acção de um tóxico pode ser modificada por combinação de uma ou mais substâncias tóxicas. • Modificação da receptividade das células sensíveis. Duas substâncias dizem-se antagónicas quando uma diminui ou mesmo suprime os efeitos da outra. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO 3. As diferentes acções tóxicas podem potenciar-se. Controlo dos efeitos nocivos da exposição combinada: Os valores relativos aos níveis admissíveis de concentração (NAC) para as substâncias combinadas devem ser usados como indicadores para o controlo de riscos para a saúde.2. deve ser considerado o seu efeito combinado e não o efeito isolado de cada uma delas. Mas certas acções tóxicas podem alterar-se por antagonismo: • Quando há uma diminuição dos efeitos da toxicidade. ou mesmo adicionar-se por: • Aumento da velocidade de reabsorção.1. EXPOSIÇÃO SIMULTÂNEA Quando duas ou mais substâncias tóxicas actuam ao mesmo tempo e ao mesmo nível do organismo. 3.

SEGURANÇA. Podem.3. os valores totais atingidos não deverão ultrapassar determinado valor. EXPOSIÇÃO SEQUENCIAL Na exposição sequencial a diferentes tóxicos é frequente observar fenómenos de super intoxicação. sob pena de surgirem efeitos nocivos para a saúde do trabalhador. desde que essas exposições sejam devidamente compensadas por períodos de menor exposição. embora esta situação não seja consequência da actividade laboral) de álcool em seguida à acção tóxica de certas substâncias. não haverá risco para o trabalhador. É o que acontece aquando da inalação (ou da ingestão. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO 3. Mesmo que as concentrações ultrapassem os valores-limite de tóxico. 24 TEXTOS DE APOIO . existir flutuações das concentrações de tóxico. No entanto. também. ao longo do dia de trabalho.

No entanto. •Ter em conta o impacto que a máquina pode gerar no ambiente de trabalho (ruído. sobretudo. ou das que necessitam de apoio (bancada de trabalho. ler atentamente o respectivo Manual de Instruções. tendo em conta a posição mais cómoda para a sua utilização e de modo a que o acesso aos comandos e. •Verificar se a fonte de energia prevista para a máquina (electricidade. encapsular. •No caso de máquinas portáteis. etc) e adoptar as medidas necessárias para o seu controlo (isolar. TEXTOS DE APOIO 25 . libertação de gases. montar amortecedores. utilização e conservação. os que advêm de uma incorrecta montagem. etc) cumpre os requisitos impostos pelo equipamento e se a ligação a ele é fiável.SEGURANÇA. empoeiramento. •Avaliar se a instalação de um novo posto de trabalho pode interferir com os postos de trabalho vizinhos e vice-versa. Assim: •Antes de utilizar uma máquina. •Reservar. sistemas de aspiração. ar comprimido. uma área suficiente para as actividades previstas. se existirem. etc) assegurar que este é suficientemente estável e resistente. ainda. •Ter em conta o ciclo de produção evitando deste modo gestos e actividades desnecessários junto à máquina. se faça facilmente e sem obstáculos. etc). gás. ao botão de paragem de emergência. •Utilizar apenas as máquinas para os fins a que se destinam e dentro dos limites de produção estabelecidos. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO TEXTO DE APOIO Nº 4 As máquinas modernas obedecem a legislação e normas que eliminam a maioria dos riscos que lhes são inerentes. •Colocar a máquina. subsistem os riscos intrínsecos a certas operações e. •Instalar a máquina de acordo com as especificações do fabricante. à volta da máquina.

•Rever periodicamente o estado de conservação da máquina. Só utilizar solventes inflamáveis ou água quando expressamente previstos no respectivo livro de instruções. desligar a fonte de energia. perdas de isolamento. 26 TEXTOS DE APOIO . serras de fita. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO •Não anular. repor todas as protecções que eventualmente tenham sido retiradas. assegurando que ninguém possa inadvertidamente repô-la. •Antes de recolocar a máquina em funcionamento.SEGURANÇA. vibrações anormais. nomeadamente no que diz respeito a folgas. no seu máximo grau de eficácia. guilhotinas. •Manter perceptíveis toda a sinalização e avisos próprios do equipamento e assegurar que eles são compreendidos por todos os utilizadores. •Nas máquinas dotadas de sistemas de protecção ajustáveis (por exemplo. •Antes de efectuar qualquer operação de reparação ou limpeza. utilizar produtos e peças previstos pelo fabricante. •Interditar a utilização de máquinas a operadores que manifestem alterações do estado de consciência. •Cumprir os programas de manutenção preventiva do equipamento. ou de algum modo pôr fora de serviço. os sistemas de encravamento ou protecção. etc). procurar mantê-los. tanto quanto possível. •Nas operações de limpeza e manutenção. etc e assegurar a reparação dos eventuais defeitos.

SEGURANÇA. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO PROTECÇÃO COLECTIVA DAS MÃOS Correcta utilização da protecção: Protecção da serra de corte Incorrecta utilização da protecção: Protecção da serra não ajustada TEXTOS DE APOIO 27 .

SEGURANÇA. HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO Protecção individual (luvas de malha de aço): 28 TEXTOS DE APOIO .

Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS).SEGURANÇA. Higiene e Saúde no Trabalho Autoria: Margarida Espiga Edição: CECOA Coordenação: Cristina Dimas Design e Composição: Altura Data Publishing Produção apoiada pelo Programa Operacional Emprego. através do Fundo Social Europeu. Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social TEXTOS DE APOIO União Europeia Fundo Social Europeu 29 . HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO FICHA TÉCNICA Título: Segurança. cofinanciado pelo Estado Português e pela União Europeia.