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A2 - O Paraná

Sábado, 6/11/2010

expediente

opinião

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Tributos: fatiar ou discutir o conjunto?
O governo em fim de carreira, como já estimamos aqui,
está frente a duas hipóteses:
ou termina com decisões firmes de ajustes para os problemas conjunturais mais sérios
ou deixa tudo para o futuro governo, saindo no auge da popularidade justamente por não
ter tido a capacidade de decidir
quando foi necessário.
Mesmo derrotado na tentativa de impor a eternização da
antiga CPMF, o presidente da
República insiste em tirar da
car tola mágica esse imposto,
frontalmente contrário aos princípios constitucionais, que rejeitam a bitributação.
A CPMF foi herdeira igualmente ilegal do antigo IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira). Era um imposto envergonhado de sua própria
ilegalidade, e justo por isso disfarçou-se de “provisório”. Durou apenas um ano até ser tra-

vestido na CPMF, que também para investimentos, como o adiante projetos fundamentais
seguiu provisória, com data mineiro Anastasia e o alagoa- para a estruturação do desenpara finar: janeiro de 1999. Dei- no Teotônio Vilela, que aceitari- volvimento, não se deve perder
xou um filhote (IOF) até retor- am negociar com o novo gover- a oportunidade de negociar um
nar nesse mesmo ano e final- no a aprovação da CSS. Ou- pacto tributário que leve em
mente receber um sonoro “não” tros, como o governador eleito conta fatores essenciais. A Fenacional na tentativa lulista de do Paraná, Beto Richa e o pau- deração, por exemplo, abalada
pelo centralismo do
eternizá-lo.
Executivo. Além disso,
É muito natural
Além
disso,
o
conjunto
de
reformas
o conjunto de reformas
que os governadores
que a Nação necessita no contexto
que a Nação necessiestejam preocupados com a situação
de uma política ampla de resistência ta no contexto de uma
política ampla de resisde penúria dos cofres
à crise e também à recuperação da
tência à crise e recuestaduais e que alguns cedam à tentainfraestrutura, seriamente prejudicada peração da infraestrutura, seriamente prejução de aceitar solupelas hesitações do governo Lula.
dicada pelas hesitações emergenciais e
ções do governo Lula.
até o retorno da CPMF
Em princípio, a derrota sofricom uma nova roupagem, já lista Geraldo Alckmin, propõem
que a velha não vai convencer uma discussão mais ampla, da por Lula na tentativa de
agora, como não convenceu na que não isole a questão da CSS manter a CPMF poderá ser rever tida pela maioria obtida no
última tentativa de enfiá-la go- do conjunto macrotributário.
A posição de Beto e de Alck- Congresso nas eleições de 3
ela abaixo da Nação.
Nota-se, por exemplo, uma min é a mais correta. Embora de outubro. Mas será um mau
divisão entre os governadores o Paraná e São Paulo também começo impor alguma nova lei
tucanos. Uns sentem a neces- necessitem de um volume im- recorrendo ao chamado “rolo
sidade de ampliar dotações portante de recursos para levar compressor”. A recusa ao ca-

minho da negociação e do pacto em torno de princípios para
a resistência nacional à crise e
fazer a limpeza dos trilhos para
abrir caminho ao desenvolvimento sustentado poderá ter,
logo de saída, uma consequência extremamente prejudicial:
vai instalar um clima de crises
e impasses institucionais logo
quando o entendimento é mais
necessário.
Não é preciso mergulhar fundo no passado para recordar
que o PT, quando foi minoria,
bloqueou o funcionamento do
Congresso e amarrou o governo de tal forma que por muito
pouco as crises não evoluíram
para retrocessos indesejáveis.
Este é o momento da negociação e do entendimento. A sra.
Dilma Rousseff demonstra ter
plena consciência disso, daí
sua moderação e cuidado ao
tecer comentários sobre a
questão.

Privilégios intocáveis
hélio duque
Em um comício eleitoral em
Belo Horizonte, o presidente
Lula da Silva foi enfático e verdadeiro. “As pessoas ricas foram as que mais ganharam dinheiro no meu governo”. O que
explica o majoritário apoio do
sistema financeiro, dos grandes empresários e das principais empreiteiras à vitoriosa
campanha da sua candidata.
Na outra ponta, a estabilização
econômica, fruto do plano real,
eliminando o processo inflacionário, nos últimos 16 anos,
proporcionou ganhos reais
para a massa assalariada. Aliado a aumentos reais do salário mínimo e dos programas da
rede de proteção social oriundos da Comunidade Solidária,
formatada pela saudosa Ruth
Cardoso e rebatizada com o
nome de Bolsa Família. Responsável pelo direito de comer
a quem vivia no estágio de
fome crônica, estabilizador da

miséria que ainda afeta milhões de brasileiros.
Continuamos a ser uma sociedade perversamente injusta,
onde a pobreza é a grande financiadora da riqueza. Nossa
distribuição de renda mantém
intocável troféu de ser uma das
piores do mundo. Agravada com
a realidade de os pobres pagarem mais impostos do que os
mais ricos. Os tributos indiretos incidem com carga extravagante sobre aqueles que têm
base salarial menor. Os dados
são inquestionáveis. Os assalariados com renda de até dois
salários mínimos em 2009, tiveram 53% dos ganhos confiscados por tributos indiretos. Enquanto os que ganham acima
de 30 salários mínimos pagaram o montante de 29%. É o
Ipea (Instituto de Pesquisas
Econômicas Aplicada), órgão do
governo federal, responsável
pela constatação de cada R$
100 de impostos pagos no Brasil, R$ 42 são indiretos. Evidenciando o fato de os trabalhado-

res de menor renda, mesmo
isentos do Imposto de Renda,
pagarem em todos os bens
que consomem, destacadamente na alimentação. A regressividade do nosso sistema tributário impõe o fato indiscutível: é a pobreza quem financia
a riqueza em um cenário de
Robin Hood às avessas.
Afirmar que os impostos
praticados no Brasil objetiva
cobrar dos ricos para atender
os pobres, é de uma falsidade monumental. O Ipea demonstra que os tributos brasileiros são exageradamente
cruéis e desumanos para as
camadas mais pobres. Estudioso e pesquisador da economia brasileira Alexandre
Barros exemplifica: “Quem
ganha até dois salários mínimos carrega a carga tributária
de 53%, trabalhando 197 dias
do ano para pagar impostos.
Quem ganha mais de 30 salários mínimos tem carga bruta de 29%, trabalhando 106
dias para pagar os gastos do

governo. Os que estão entre
os extremos, se distribuem
numa escala em que, sempre,
o prejuízo maior é para os
mais pobres. Os mais pobres
trabalham para o governo de
1º de janeiro até 16 de julho.
Os mais ricos trabalham só
até 16 de março. O governo
extrai 91 dias mais da vida
dos mais pobres, tanto para
cobrir os seus gastos quanto
para sustentar níveis mais escandalosos e garantir privilégios aos amigos do poder”.
Quando o presidente Lula da
Silva afirma que no seu governo as pessoas ricas foram as
que ganharam mais dinheiro,
reconhece uma realidade que
nada fez para mudar. Agravada
com o fato de os partidos políticos brasileiros, por incompetência e má fé, não se interessarem pela temática da redução de impostos. O que nos
leva a constatar a urgência de
cruzada cívica pela conscientização de uma verdadeira cidadania fiscal no Brasil. No in-

consciente a população sabe
que paga impostos em doses
cavalares em tudo que consome. A injustiça social hoje prevalece sobre a justiça fiscal.
Atualmente 91 milhões de brasileiros, com rendimentos mensais entre R$ 1.350 e R$
5.200, respondem por 46% da
renda nacional referente à pessoa física. É exatamente nesse segmento da população o
confisco compulsório da sua
renda, via tributação, é escandalosamente vergonhoso.
Resta indagar: por que os
políticos e as elites nacionais
são tão divorciadas dessa bandeira de relevante apelo popular? Na recente disputa eleitoral tanto José Serra como Dilma Roussef ignoraram propostas em favor de uma reforma
tributária. Qual a razão?

gâmico, do que a superficialidade de relacionamentos passageiros. O gene da solidão é o
mesmo que ativa e conjuga a
poligamia, pois não seria o ser
poligâmico um ser solitário que
não agüenta enfrentar sua própria sombra?
Quem conhece a si mesmo
e as suas necessidades sabe
que um(a) companheiro(a) que
o apoia em seus bons e maus
momentos é como fundo de
r eser va de uma empresa,

apoiando os investimentos
pessoais e dando esperanças
e forças para jamais quebrar
nos momentos difíceis. Deste modo, assim como nas empresas, sempre há altos e
baixos na vida, é aqueles que
conseguem tranquilidade e colaboração na vida pessoal-familiar podem focar sua atenção e energia, tempo e trabalho para aquilo que realmente
é impor tante na construção
das obras pessoais e dos

deveres missionários.
Grande é o ser focado em
vencer na vida. Maior é aquele que pode contar com
companheiro(a) para tal jornada. O amor dá forças e esperanças para avançar rumo ao
progresso e a per feição do ser,
pois com amor e por amor tudo
é possível.

Hélio Duque é doutor em Ciências,
área econômica, pela Unesp; foi Deputado Federal (1978-1991). É autor
de vários livros sobre a economia brasileira – helio.duque@terra.com.br

O gene da solidão
paulo hayashi jr.
O homem é um ser social,
mas não um animal social. Para
tanto, é necessário saber reprimir os instintos, a busca pela
satisfação do corpo e do ego, do
orgulho e da vaidade. Caso contrário, o progresso do ser fica
comprometido. Cabe a educação
dos hábitos e da vontade, bem
como a estética da inteligência
e da razão aprimorar o ser hu-

mano em seus atos cotidianos
que o torne parte útil e agradável para a própria sociedade.
Deste modo, o relacionamento social, principalmente em termos de namoro, casamento torna-se sinérgico para ambos os
lados, construindo muito mais
do que se estivessem sozinhos.
Aprende-se a desenvolver valores para a vida e também a percepção de que vale muito mais
a profundidade e riqueza de um
relacionamento estável, mono-

Paulo Hayashi Jr. é doutorando em
Administração – UFRGS paulo.hayashi@hotmail.com