INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA

O RUÍDO DAS LUZES: JORNALISMO E INTERNET EM PORTUGAL

Pedro Pereira Neto

Dissertação submet ida co mo requisito parcial para obtenção do grau de

Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação

Orientador: Prof. Doutor José Luis Garcia

MARÇO 2006

Resumo Assistimos nos últimos anos à intensificação da utilização das TIC, quer na esfera do trabalho, quer na esfera do lazer. Partindo da problematização da interdependência que se estabelece entre as TIC e as sociedades, é equacionado o modo como a Internet é integrada na actividade regular dos jornais enquanto mass media, nomeadamente salientando o necessário enquadramento económico, técnico e cultural que medeia essa apropriação, considerando que esta é fruto do encontro entre um universo técnico e um universo social, cada um com as suas lógicas, sendo necessárias adaptações da parte de ambos.

Abstract For the past few years we have witnessed an increase in the use of ICTs, both in the work and in the leisure spheres. From the standpoint of the intertwining of ICTs and societies, this document approaches the way in which the Internet is used in the regular activity of newspapers as Mass Media, namely by underlining the economic, technical and cultural frameworks that underlie such integration; an integration which is the point where a technical universe meets a social universe, each with its own logics, making it necessary for either side of the equation to adapt to the other.

Palavras-chave: sociedade da informação, tecnologias da informação e comunicação, internet, jornalismo

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«(…) no último quarto do século XX (…) o panorama da Comunicação Social portuguesa transformou-se profundamente: registaram-se mudanças

complexas no sistema global dos media, extensivas a todos os seus sub-sistemas, desde as estruturas organizativo-empresariais, aos modos de financiamento e sustentação (…), aos processos técnicos e tecnológicos de “fabrico” de informação, à recomposição social dos agentes produtores da informação (…) e aos próprios circuitos e formas de interacção dos media com os seus públicos/audiências» (Media, Jornalismo e Democracia, 2002; p.62).

«O paralelo entre o nascimento da escrita (…) e o nascimento da informática (…) é surpreendente. Em ambos os casos, uma nova técnica de comunicação nasce do cálculo (…); em ambos os casos, essa técnica passa inicialmente por uma fase quase exclusivamente consagrada à memorização dos dados e ao tratamento passivo da informação; em ambos os casos, essa técnica irá pôr-se em movimento para se transformar no suporte de uma intensa actividade de circulação de ideias e de informações entre os Homens; em ambos os casos, uma vez inventada a técnica, será o contexto da evolução social que decidirá a forma dos novos instrumentos de comunicação» (BRETON, PROULX, 2000; p.87).

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INDICE

09 - 1. introdução 10 - 2. problemática 10 - 2.1. ecos de hipodermismo 12 - 2.2. uma abordagem multidimensional 13 - 2.3. uma clivagem decisiva no seio da comunicação 14 - 2.3.1. as técnicas analógicas de Comunicação Social e a cultura da argumentação 15 - 2.3.2. as técnicas digitais de Comunicação Social e a cultura da evidência 17 - 2.4. dois campos no seio das TIC 19 - 2.5. o campo dos media: o jornalismo enquanto objecto de estudo 22 - 3. aspectos metodológicos 22 - 3.1. objecto empírico 22 - 3.2. instrumentos de recolha de dados 24 - 4. a modernidade 24 - 4.1. enquadramento económico da imprensa em portugal 26 - 4.1.1. a rentabilidade online 28 - 4.2. enquadramento técnico e social da imprensa em portugal: a internet 33 - 4.3. representações da internet 37 - 4.4. potencialidades técnicas do Jornalismo na Internet 38 - 4.4.1. o imediatismo e a reutilização de conteúdos 46 - 4.4.2. a hipertextualidade e a rotina da imprensa escrita como metáfora 52 - 4.4.3. a multimedialidade e a rotina da imprensa escrita como metáfora 58 - 4.4.4. a interactividade e a rotina da imprensa escrita como metáfora 67 - 4.5. outros eixos de diferenciação online v. papel 76 - 4.6. outros papéis: os vínculos contratuais 77 - 4.7. outros papéis: o horário 79 - 5. conclusões 79 - 5.1. dimensão económica 80 - 5.2. dimensão social 81 - 5.3. dimensão técnica 81 - 5.3.1. uma falácia actual que é uma falsa novidade
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83 - 5.3.2. aproveitamentos observados 84 - 5.4. epílogo 87 - 6. bibliografia 98 - 7. anexo 1

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INDICE DE QUADROS

26. Quadro nº1 - Idade dos inquiridos, por publicação 27. Quadro nº2 - Idade dos inquiridos, por publicação e hierarquia 28. Quadro nº3 - Escolaridade dos inquiridos, por publicação 29. Quadro nº4 - Escolaridade dos inquiridos, por publicação e tipo de redacção 30. Quadro nº5 - Representação da Internet (dados Ciberfaces) 30. Quadro nº6 - Representação da Internet como factor de valorização profissional, por publicação 31. Quadro nº7 - Representação da Internet como factor de valorização profissional, por publicação e escolaridade 32. Quadro nº8 - Formação específica para utilização da Internet, por publicação 37. Quadro nº9 - Reutilização de peças jornalísticas nas primeiras páginas das edições online e papel, por publicação 38. Quadro nº10 - Comparativo entre o número de ilustrações gráficas das edições online e papel, por publicação 39. Quadro nº11 - Representação da actualização permanente de uma edição online, por publicação 39. Quadro nº12 - Representação da actualização permanente de uma edição online face à formação específica para utilização da Internet 40. Quadro nº13 - Representação da actualização permanente da edição online do medium do inquirido, por publicação 41. Quadro nº14 - Representação da notícia online quanto à sua origem, por publicação 41. Quadro nº15 - Representação da rapidez de disponibilização da notícia, por publicação 44. Quadro nº16 - Número de itens contabilizados por primeira página, por publicação 45. Quadro nº17 - Tipos de continuação, nas páginas interiores, dos itens da primeira página, por publicação e por ambiente (online/papel) 47. Quadro nº18 - Número de referências/links a informação numa edição da mesma publicação, no mesmo ambiente 48. Quadro nº19 - Representação das hiperligações a outros media numa edição online, por publicação 50. Quadro nº20 - Presença de ilustrações audio e/ou vídeo na primeira página, por publicação e ambiente
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51. Quadro nº21 - Presença de ilustrações audio e/ou vídeo nas páginas interiores, por publicação e ambiente 52. Quadro nº22 - Representação do carácter multimedia de uma notícia, por publicação 52. Quadro nº23 - Representação da natureza audio de um site de um medium, por publicação 53. Quadro nº24 - Representação da presença de fotografias no site de um medium, por publicação 54. Quadro nº25 - Representação da presença de imagens video no site de um medium, por publicação 54. Quadro nº26 - Representação da presença de imagens video no site de um medium, face à formação específica dos inquiridos para utilização da Internet 56. Quadro nº27 - Possibilidade de envio de uma notícia por e-mail, por publicação 58. Quadro nº28 - Possibilidade de comentário a uma notícia, por publicação 58. Quadro nº29 - Representação da interactividade das edições online face às edições em papel, por publicação 59. Quadro nº30 - Representação da interactividade do site do medium do inquirido, por publicação 60. Quadro nº31 - Representação da interactividade entre jornalistas e públicos, por publicação 60. Quadro nº32 - Representação do contacto com a redacção do medium do inquirido através do seu site, por publicação 61. Quadro nº33 - Representação da disponibilização do endereço de e-mail no site de um medium, por publicação 62. Quadro nº34 - Hábitos de leitura de e-mail recebido dos públicos, por publicação 62. Quadro nº35 - Hábitos de resposta a e-mail recebido dos públicos, por publicação 64. Quadro nº36 - Âmbito geográfico das notícias de primeira página, por ambiente 64. Quadro nº37 - Âmbito geográfico das notícias de primeira página, por publicação e ambiente 65. Quadro nº38 - Âmbito geográfico (recodificado) das notícias de primeira página, por publicação e ambiente 66. Quadro nº39 - Tema das notícias de primeira página das publicações generalistas, por ambiente 66. Quadro nº40 - Tema das notícias de primeira página das publicações desportivas, por ambiente 67. Quadro nº41 - Tema das notícias de primeira página das publicações generalistas, por
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publicação e ambiente 68. Quadro nº42 - Autoria das notícias de primeira página, por ambiente 69. Quadro nº43 - Autoria das notícias de primeira página, por publicação e ambiente 71. Quadro nº44 - Fontes citadas nas notícias de primeira página, por publicação e ambiente 72. Quadro nº45 - Utilização de fonte anónima nas notícias de primeira página, por publicação e ambiente

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1. INTRODUÇÃO

Desde há alguns anos que as articulações estabelecidas entre as Tecnologias da Informação e da Comunicação e a sociedade portuguesa constituem o objecto do meu percurso de reflexão e análise crítica. Iniciado no decurso de uma Licenciatura em Sociologia no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, e mantido no âmbito da actividade de investigação entretanto desenvolvida, este percurso traduz-se agora, ao nível do Mestrado, na abordagem do papel da Internet na Imprensa escrita em Portugal, abordagem esta materializada em paralelo com uma participação no programa europeu de cooperação científica COST, mais concretamente na Acção A20 “The Impact of the Internet on Mass Media in Europe”. Partindo de uma problematização da interdependência que se estabelece entre as TIC e as sociedades, entendi equacionar enquanto objecto de estudo o modo como a Internet é integrada na actividade regular destes media, nomeadamente salientando o necessário enquadramento económico, técnico e cultural que medeia essa apropriação. Sendo certo que assistimos nos últimos anos à intensificação da utilização das TIC, quer na esfera do trabalho, quer na esfera do lazer, a sua adopção é, no entanto, fruto do encontro entre um universo técnico e um universo social, cada um com as suas lógicas, pelo que são necessárias adaptações da parte de ambos (BRETON, PROULX, 2000; p.308-311).

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2. PROBLEMÁTICA

2.1. ECOS DE HIPODERMISMO

De há sessenta anos a esta parte, e com particular incidência nas duas últimas décadas, muito tem sido alegado relativamente ao papel desempenhado pelas Tecnologias de Informação e Comunicação nas nossas sociedades. Apesar da natureza total de que as TIC se revestem e de que, por essa razão, deve revestir-se igualmente a sua abordagem, a profusão bibliográfica sobre elas produzida até meados dos anos 70 revelava a persistência de alguns equívocos, avaliando incorrectamente o papel de variáveis como as condições de produção dos conteúdos transmitidos e os contextos de recepção (BRETON, PROULX, 2000; p.196). Ainda hoje subsistem - e prosperam - ecos desse hipodermismo em enunciados com preconceitos ideológicos, quer de sentido progressista quer de sentido apocalíptico, bem como posicionamentos que generalizam fenómenos a partir da desconsideração da sua especificidade contextual. Em comum entre uns e outros encontra-se o facto de assumirem, em grande medida, o redutor prisma do objecto, neutralizando o papel das características do sujeito que o opera e da pluralidade de dimensões de contexto nas quais se joga o quotidiano das práticas das populações e das instituições. Partindo de uma lógica de ruptura e descontinuidade social (ATTON, 2002: p.134/135), as TIC são frequentemente concebidas como promotoras de uma nova sociedade. Para o ilustrar alega-se, por exemplo: •

de uma perspectiva macro-estrutural de cariz economicista, e atendendo à problemática da globalização das trocas económicas, considera-se que a informação constitui a mercadoria mais importante do nosso tempo (MANSELL, 2001);

de uma perspectiva político-estratégica, e atendendo às dinâmicas de globalização da governância, considera-se que os processos de informatização e informacionalização são o principal motor de transformação do mundo (CASTELLS, 1997), e que a informação constitui o elemento central nos conflitos emergentes nas sociedades hiperdiferenciadas do nosso tempo (MAHEU, 1995: p.113) dado que quer a posse de competências de utilização e controlo destes recursos, quer as estratégias informacionais adoptadas pelos actores sociais, constituem uma das mais determinantes formas de exercício de poder (CASTELLS, 2001; SILVERSTONE, 2002). Castells defende mesmo que um dos mecanismos básicos de dominação é o
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conjunto de descontinuidades verificadas entre um espaço de fluxos no qual se jogam processos permanentes e instantâneos de concentração de informação e poder, e um espaço de lugares (onde esses processos produzem efeitos e onde a maior parte da experiência, construção e partilha de significados tem lugar) (CASTELLS, 1997); • de uma perspectiva das representações e das práticas dos indivíduos, é afirmado que as TIC representam um dos principais catalizadores da mudança social uma vez que lhes é atribuída a transformação das práticas dos cidadãos (WEBSTER, 2001: 2), designadamente a capacidade de garantir uma maior reciprocidade entre os agentes que as utilizam (MCCARTHY, SMITH e ZALD, 1996: p.295; DIANI, 2001: p.120). As TIC são, nesta perspectiva, muito mais que uma extensão das formas existentes de comunicação dado oferecerem uma variedade de oportunidades anteriormente inexistentes, nomeadamente modos de organização e mobilização sociais mais rápidos e baratos, e um canal liberto dos constrangimentos associados a outros media (PICKERILL, 2001: p.142). A Internet, enquanto infra-estrutura emblemática da Sociedade em Rede, deve, segundo alguns autores, ser considerada não apenas um recurso tecnológico mas também uma tecnologia social através da qual se transformam as relações sociais existentes e se criam novos modos de interacção e de organização social (CIBERFACES, 2000).

Em resumo, é estabelecido um nexo de causalidade entre a mudança e a acção das TIC, designadamente 1) ao nível da Economia, com ênfase em novas mercadorias e referência a uma nova Economia, 2) ao nível da Política, com uma tónica na emergência de novas formas de dominação e de exercício do poder, 3) ao nível da Sociedade, com alusão a novas formas de organização social, 4) ao nível da Comunicação, com menção a novas práticas comunicativas. Perpassa estas alegações um primado do canal sobre o conteúdo, do meio sobre a mensagem, associando-se uma simplificação da inteligibilidade do segundo à simplificação associada à utilização do primeiro. Mas não constituirão estes argumentos uma forma de descolagem da dimensão normativa do poder político e económico face aos valores e sentidos do mundo da vida habermasiano? Para fazer face a essas limitações analíticas, várias abordagens complementares surgiram desde então, das quais destaco duas. Os autores imbuídos de uma perspectiva sociopolítica desenvolveram, a partir de uma base teórica neo-marxista, uma conceptualização dos media como produto da condição das forças de produção e das relações sociais no seio de uma sociedade organizada em torno de uma economia de mercado. Neste sentido, o enquadramento económico-empresarial dos
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órgãos de Comunicação Social desempenhará um importante papel na definição do seu modus operandi, pelo que alguns autores, na senda do trabalho de Horkheimer e Adorno, defenderam a recuperação da conceptualização do sistema dos media enquanto complexo industrial cultural (BRETON, PROULX, 2000; p.222). Relativamente à dimensão técnica, importa reter das análises de McLuhan e Baudrillard a crítica que produziram sobre a neutralidade cultural atribuída à técnica uma vez que, com também Schiller afirmou, a neutralidade da técnica se perde a partir do momento em que o seu desenvolvimento é, em grande medida, o fruto dos interesses das elites políticas, económicas e técnicas, sejam elas nacionais ou internacionais (citado em BRETON, PROULX, 2000; p.231). A inovação técnica resulta, segundo White, de uma complexa interdependência entre esta e o contexto social, cultural, político e económico (White, citado em BRETON, PROULX, 2000; p.200). Paralelamente, a utilização de uma tecnologia pressupõe, em certa medida, a subscrição da cosmovisão - ou, se preferirmos, da narrativa que lhe subjaz, com efeitos por exemplo ao nível da representação do interesse em sujeitar um determinado conteúdo à lógica de uma forma, e mais concretamente ao formato digital.

2.2. UMA ABORDAGEM MULTIDIMENSIONAL

Assim sendo, é imprescindível ter em consideração a provável prevalência de traços de continuidade social, nomeadamente a distribuição desigual de poder e de acesso à tecnologia (ATTON, 2002: p.134/135). Em defesa desta perspectiva importa ter presente que: •

em termos económicos, deve ser questionada a associação do desenvolvimento científico e técnico a uma "necessária" reconversão da Economia, interpretando-a à luz dos objectos mas não dos sujeitos;

em termos políticos, deve ser posto em causa que a soma de hipotéticas novas práticas em curso venha a corresponder a uma superação do Capitalismo de matriz industrial, dado que a continuidade – e não a ruptura – constitui um traço distintivo do final do séc. XX (LYON, 1992; WEBSTER, 2001: p.12); como diz Lyon, «não é líquido que esteja a surgir uma qualquer Sociedade Informacional com as características que lhe são habitualmente atribuídas: o centralismo, os monopólios e as desigualdades do capitalismo não estão em vias de desaparecimento (...)» (1992);

em termos sociais, deve ser apontado que muitas vezes se confunde mudança tecnológica com mudança social:
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uma

coisa

é

reconhecer

que

certos

desenvolvimentos técnicos estiveram, ao longo da História, associados a determinadas mudanças sociais; outra bem diferente é presumir, em presença dos primeiros, que estão em curso as segundas. É mais plausível, em primeiro lugar, considerar que nenhuma mudança social ocorre com a mesma velocidade do desenvolvimento técnico; em segundo lugar, que até agora apenas as áreas já tecnicizadas e abstratizadas – como a economia e as ciências exactas – adoptaram tout court estas técnicas; e em terceiro lugar, reconhecer que o acesso às TIC não é universal, o que significa que a essa desigualdade corresponde outra ao nível das capacidades dos indivíduos de, através dessas tecnologias, transformarem as suas vidas e, portanto, que a sua introdução contribui frequentemente para o aprofundamento de hiatos sociais (DIANI, 2001: p.126; DORDOY e MELLOR, 2001: p.174; MANSELL, 2001; NORRIS, 2001: p.12; PICKERILL, 2001: p.143; LYON, 1992; SILVERSTONE, 2002); • em termos técnicos, importa recordar que qualquer forma de determinismo técnico situa a tecnologia fora do sistema social - e exercendo efeitos exógenos sobre este quando ela constitui na realidade um produto social em constante adaptação (LYON, 1992: p.10). Nas palavras de Rocher, «(...) a importância histórica do factor técnico tem de ser interpretada no seu quadro global[;] não se pode apreciar a influência real da tecnologia sem ter em conta o contexto cultural em que se insere» (ROCHER, 1989: p.25-29); • em termos comunicacionais, é importante ter presente que a intensificação potencial da regularidade com que a comunicação é estabelecida - permitida pelas infraestruturas técnicas - não elimina o problema colocado pelo conteúdo a comunicar, cujo entendimento tem de ser partilhado pelos interlocutores, sejam estes seres humanos ou máquinas, sob pena de a própria comunicação não ser possível (LUHMANN, 1993).

Neste sentido, quaisquer avaliações do papel desempenhado pelas TIC nas sociedades modernas necessitam de uma legitimidade analítica que só pode advir de uma abordagem que as contextualize política, económica, cultural e tecnicamente.

2.3. UMA CLIVAGEM DECISIVA NO SEIO DA COMUNICAÇÃO

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Com o desenvolvimento das ciências e das técnicas na Modernidade surge no domínio da Comunicação uma clivagem entre uma cultura da argumentação própria do Homem – que assiste a sua inter-subjectividade, a partir de técnicas analógicas de comunicação -, e uma cultura da evidência herdeira de um cientismo demonstrativo-racional - que pouco atende às especificidades dos interlocutores e que compreende fundamentalmente técnicas lógicodigitais de comunicação. O próprio termo latino na génese da ideia de “informação” – informatio – compreendia originalmente duas acepções, uma remetendo para o conteúdo (instruir e transmitir conhecimento) e outra para a forma (atribuir um formato ou formatar o conhecimento), numa distinção já clara entre os domínios social e técnico ou, se preferirmos, entre o domínio do sujeito e o do objecto (BRETON, PROULX, 2000; p.23, 47, 50/51 e 70).

2.3.1.

AS TÉCNICAS ANALÓGICAS DE

COMUNICAÇÃO SOCIAL

E A CULTURA DA

ARGUMENTAÇÃO

O livro impresso, produzido pela primeira vez no século XV, emerge da confluência de três dinâmicas específicas: «(…) do novo espírito técnico, do desenvolvimento do espírito mercantil e da circulação das ideias (…) humanistas (…)” (BRETON, PROULX, 2000; p.52). Apesar de tornado materialmente possível pela convergência de três factores de ordem técnica – o desenvolvimento da tipografia, o aperfeiçoamento dos transportes e respectivas infra-estruturas, e os progressos verificados no domínio dos serviços postais – o estabelecimento do livro impresso mecanicamente resulta sobretudo de um contexto económico, social e intelectual favorável, em que a circulação de ideias alimentada por oficinas de cópia manual de manuscritos era já uma realidade (BRETON, PROULX, 2000; p.54/55), o que permitiu que o seu conteúdo constituísse objecto de opinião, comentário e discussão. É certo que a invenção da Imprensa decorreu igualmente da disponibilidade dos suportes materiais necessários, nomeadamente a substituição do pergaminho pelo papel, mais adequado ao novo processo de reprodução de textos. Mas a disponibilidade material e técnica não poderia conduzir, por si só, ao desenvolvimento que a Imprensa conheceu no Renascimento. O desenvolvimento e o impacto conhecidos pela Imprensa durante o Renascimento não tiveram lugar, por exemplo, no caso chinês, essencialmente por questões de natureza social. Algumas das transformações sociais pretendidas na Europa – e que haveriam de ser amplificadas pelo texto impresso – como a mobilidade social ascendente permitida pela educação, já existiam na sociedade chinesa, não promovendo, por essa razão, a
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mesma adesão ao novo método de transmissão de conhecimento. Por outro lado, também a organização feudal burocrática existente na sociedade chinesa obstava a que os mercadores concretizassem qualquer aspiração a essa mobilidade social ascendente – contrariamente ao sistema de valores ocidental, baseado na procura sistemática de lucro com vista à promoção do estatuto social, o que consequentemente implicava interesse no desenvolvimento de sistemas de execução técnica cada vez mais eficazes. Neste sentido, «(…) afigura-se mais sensato explicar o nascimento da Imprensa pela convergência do movimento de renascimento intelectual e do espírito mercantil (…)» (BRETON, PROULX, 2000; p.56-59). Mas outros contextos exerceram igualmente influência observável sobre o desenvolvimento da Imprensa enquanto técnica de Comunicação Social: a Religião – designadamente a Reforma e, em certa medida, também a Contra-Reforma – viria a impulsionar a Imprensa enquanto meio de reforço da relação do crente com as Escrituras. Também a Revolução Francesa impulsionou o desenvolvimento da Imprensa, na dimensão da valorização dos indivíduos-cidadãos politicamente activos, uma vez que a Comunicação Social assumiu neste período um duplo papel que ainda hoje mantém: o de informar o cidadão e, com isso, permitir o desempenho informado da sua actividade política; e o de ligação dos cidadãos entre si, contribuindo não apenas para a sua partilha de mínimos denominadores comuns mas, através deles, para a possibilidade de estabelecimento de troca das opiniões, argumentações e inter-subjectividades nas quais podem fundar-se consensos (BRETON, PROULX, 2000; p.66-68). Um dos impactos observáveis do cientismo no campo das técnicas da Comunicação Social é precisamente a emergência da ideia de objectividade, baseada na desqualificação cartesiana do debate enquanto processo de clarificação da verdade, submetendo à cultura da evidência um conteúdo que decorre de uma pluralidade de perspectivas e valores subjectivos: os profissionais dos media tornam-se progressivamente receptores de um neo-hipodermismo técnico (BRETON, PROULX, 2000; p.124/125).

2.3.2. AS TÉCNICAS DIGITAIS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E A CULTURA DA EVIDÊNCIA

Data do final da civilização romana o início de um longo e lento processo de crescente relevância social dos conteúdos impressos enquanto veículos de formação e de transmissão de conhecimento e pontos de partida para debate. Entre as dimensões nas quais o conceito de informação adquire grande importância contam-se as de natureza mercantil e populacional, encontrando-se estas entre os primeiros domínios nos quais se jogou a comunicação enquanto
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processo. Na sequência da intensificação das actividades comerciais e das relações mercantis entre regiões (primeiro) e Estados (mais tarde), a quantificação das mercadorias e contabilização respectiva dos seus valores, por um lado e o recenseamento populacional, por outro, tornaram a mecanografia e os seus processos de recolha e tratamento de dados estatísticos uma actividade de extremo relevo económico, político e social. Paralelamente, o seu suporte – cartões perfurados – prestava-se a múltiplas utilizações e interpretações dado prefigurar um código passível de ser utilizado para representar qualquer tipo de informação (BRETON, PROULX, 2000; p.91/92). Também o Renascimento produziu transformações na representação do mundo, do comportamento humano e das suas finalidades: valores como o utilitarismo e o cientismo assumiram uma centralidade que favoreceria, de então em diante, uma cultura progressista técnica, de onde resulta o desenvolvimento de um conjunto de ciências exactas – de que é paradigma o método cartesiano – baseadas na demonstração e evidência experimentais, rompendo com as representações existentes do conhecimento, da comunicação enquanto prática, e da memória enquanto espólio inseparável do ser humano (BRETON, PROULX, 2000; p.61). Estas transformações encontram-se, também, na génese da ideia de uma linguagem de base matemática que fosse não apenas potencialmente universal mas passível de permitir a transferência do conhecimento humano para um suporte exterior ao seu corpo, de onde passaria a estar disponível para qualquer indivíduo e, potencialmente, a qualquer “máquina comunicante”. Esta natureza exacta e matemática do método científico produziu efeitos significativos ainda a outro nível: a cultura experimental que lhe está associada permitiu uma representação ainda mais matematizada do mundo que a de Galileu, estabelecendo deste modo um novo paradigma interpretativo (BRETON, PROULX, 2000; p.70-72 e 90). Também a Industrialização se traduz num desenvolvimento sem precedentes de técnicas de Comunicação Social, entre as quais o telégrafo. Uma das aplicações do cálculo no domínio da Comunicação Social veio precisamente a ser a comunicação à distância, designadamente através do telefone: os primeiros relés telefónicos surgidos no final dos anos 30 funcionavam precisamente segundo uma lógica binária, permitindo não apenas a comunicação mas a realização de operações de cálculo à distância e o estabelecimento das primeiras redes de comunicação, vindo a estar igualmente na origem dos primeiros computadores (BRETON, PROULX, 2000; p.69 e 94-96). Em meados da década de 40, na sequência de desenvolvimentos verificados durante o século XIX nas actividades em torno do cálculo e das suas aplicações e, paralelamente, no
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domínio da mecanografia, é criado o primeiro computador, uma máquina capaz de calcular – computar – e organizar de forma automática, a partir de determinado conjunto de instruções, todo o tipo de informações, integrando desta forma as capacidades do cálculo e da mecanografia (BRETON, PROULX, 2000; p.88 e 96). É da criação, da década de 40, de um novo ramo da Ciência dedicado ao estudo de fenómenos de Comunicação, designado Cibernética, que data a maior parte da argumentação produzida actualmente em torno de uma Sociedade da Informação. Entre as primeiras questões debatidas pelos cibernéticos encontravam-se as que diziam respeito à analogia entre o comportamento humano e o de certos dispositivos técnicos, para cuja análise poderiam ser aplicados os modelos explicativos do primeiro (BRETON, PROULX, 2000; p.100-102). A partir do modelo conceptual proposto por Wiener, os comportamentos passariam a ser explicados em função da natureza das trocas de informação estabelecidas com o meio envolvente: será este o seu entendimento da Comunicação enquanto objecto comum a todas as ciências. A partir deste momento, a especificidade de um organismo enquanto sistema de trocas de informação – seja o seu suporte humano ou técnico – passa a ser determinada pela complexidade dessas trocas. A própria sociedade ou mesmo a divisão celular que se encontra na origem da vida passaram a ser representadas enquanto sistemas complexo de troca e reprodução de padrões de informação: «a comunicação tornava-se (…) um modo de definição universal que servia para descrever qualquer actividade organizada» (BRETON, PROULX, 2000; p.104/111 e 112). A transformação mais significativa ocorrida no domínio das técnicas de Comunicação Social é, pois, o conjunto de efeitos despoletados pela emergência de um novo paradigma digital, concebido como a sinergia entre inovações em três dimensões distintas: na dimensão técnica, o surgimento da electrónica como técnica de base, que permite um tratamento lógico e automático da informação; na dimensão filosófica, uma nova forma de representação do mundo enquanto sistema complexo de trocas de informação; na dimensão político-económica, uma nova organização social e o combate à entropia enquanto desafios estratégicos (BRETON, PROULX, 2000; p.122/123).

2.4. DOIS CAMPOS NO SEIO DAS TIC

A partir de meados da década de 50, o campo das técnicas de Comunicação Social divide-se em três sub-campos: o dos media, o das telecomunicações, e o da informática; para o efeito desta tese centrar-me-ei apenas no primeiro e no terceiro destes sub-campos.. Cada
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um destes campos possui características próprias, definidas em torno de eixos de diferenciação: a cultura que lhes está associada; os habitus dos profissionais que integram; e o objecto sobre o qual incide a sua actividade. O campo da informática - ou seja, da informação tratada de forma automática - é o campo por excelência da cultura da evidência. Nele o conceito informação associa-se essencialmente com o cariz material ou formal que assume, isto é, o modo como a sua natureza numérica ou digital facilita o seu tratamento. Quanto à natureza dos profissionais deste campo, a sua formação em Engenharia leva-os a centrar-se precisamente nos dispositivos de tratamento da informação enquanto fins, sejam estes os aparelhos físicos (hardware) ou os programas/descodificadores (software) utilizados, e na eficácia com que esse tratamento é concretizado (BRETON, PROULX, 2000; p.115-122). O campo dos media, que possui origens históricas mais antigas de entre os três campos identificados, compreende uma considerável diversidade de práticas comunicativas, da oralidade à imagem, coligindo as características associadas à cultura da argumentação. Privilegia-se na actividade dos media a comunicação social em detrimento da comunicação interpessoal. Quanto às especificidades dos profissionais deste campo, prendem-se com uma formação em Ciências Humanas, em torno das regras e dos valores da referida cultura da argumentação, abordando as técnicas essencialmente enquanto meios (BRETON, PROULX, 2000; p.114-119). Estes campos tendem, na actualidade, a convergir ao longo de dois eixos, um infra-estrutural e outro super-estrutural. Por um lado, em termos de infra-estrutura, dada não só a digitalização e a utilização do computador mas também o que este torna possível, nomeadamente o tratamento e armazenamento digital de materiais sonoros, escritos ou filmados, para além da transferência destes materiais através das redes tornadas possíveis pelas inovações no domínio das telecomunicações. Por outro lado, em termos super-estruturais, dada a transformação, em curso desde os anos 40, da auto-representação da sociedade, designadamente a ideia de organização societal como função da optimização das trocas comunicativas ocorridas no seu interior – sinal da emergência de um novo projecto ideológico-civilizacional: a ideologia da comunicação (BRETON, PROULX, 2000; p.116/117). A este respeito vale a pena citar novamente Breton e Proulx:

«O alargamento da electrónica a todas as técnicas de comunicação é um fenómeno importantíssimo da nossa época. Porém, o paradigma digital não poderia (…) ser reduzido exclusivamente aos fenómenos da electrónica. Faz
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também parte (…) de um sistema de valores cujo enunciado central afirma que o conjunto dos fenómenos naturais, biológicos, sociais e humanos (…) é materialmente cálculo lógico. Esta posição filosófica “neo-mecanicista” (…) é um dos elementos constitutivos da ideologia da comunicação. (…) sem a progressão das representações da sociedade segundo as quais ela deveria passar a organizar-se em torno da informação e da comunicação, talvez não tivesse bastado o (…) argumento da eficácia da electrónica» (BRETON, PROULX, 2000; p.124 e p.126).

2.5. O CAMPO DOS MEDIA: O JORNALISMO ENQUANTO OBJECTO DE ESTUDO

O Jornalismo constitui, como sabemos, um fenómeno social cujas características decorrem também do modelo de sociedade em que se inscreve, do tipo de tecnologias disponíveis e das transformações por estas conhecidas (HEINONEN, 1999: p.15). Enquanto exemplo paradigmático do Jornalismo, a abordagem dos jornais importa essencialmente pelas seguintes razões:

- os jornais constituem um dos media mais antigos, tendo sido neles que a profissão jornalista se estabeleceu e consolidou, pelo que constituem o exemplo mais duradouro de actividade jornalística. Apesar das transformações conhecidas ao nível do conteúdo e formato, a plataforma papel manteve-se ao longo do tempo com características específicas. De entre estas destacam-se o carácter da primeira página – onde se encontram os títulos das principais histórias do dia –, o desenvolvimento de cada uma das histórias deixado para as páginas seguintes, tematicamente organizadas, a escrita concisa dos artigos decorrente da disponibilidade de espaço inerente à utilização de papel, e a associação de valores como a objectividade, a novidade, e a contextualização a cada notícia (BOCZKOWSKI, 2002; KECK, 2000: p.1; MCNAIR, 1998);

- o desenvolvimento de uma opinião pública informada desempenha um papel determinante na definição de direitos políticos, do pluralismo e na criação de uma esfera pública, condição sine qua non para a sobrevivência dos próprios media e um elo essencial entre as instâncias políticas e os cidadãos. Para este cenário contribui o facto de os media constituírem o meio através do qual a maioria dos cidadãos
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estabelece contacto com a esfera política: o conhecimento detido pelos cidadãos relativamente a alguns problemas sociais é muitas vezes o resultado da assimilação e interpretação, por parte dos media, de determinadas situações, conferindo-lhes visibilidade e incluindo-os na agenda política. Paralelamente, o seu conteúdo e o grau de liberdade de expressão com que operam espelham algumas das características da sociedade em que se encontram inscritos (PAKULSKI, 1995: p.73; MELUCCI, 1995: p.114/115; NEVEU, 1996: p.97/98; CROOK, PAKULSKI, WATERS, 1992: p.148; GIBBINS, REIMER, 1999: p.106);

- constituem um dos terrenos preferenciais de observação dos efeitos de certos desenvolvimentos tecnológicos e das visões do mundo a eles associados, como os ocorridos ao nível da digitalização ou apropriação de base lógico-matemática da realidade, da criação e convergência de sistemas de processamento e disponibilização de informação, e do estabelecimento e multiplicação de redes de informação e comunicação (ROMERO, 2000; HEINONEN, 1999: p.27-29);

Paralelamente, cinco aspectos da Internet tornam o seu estudo relevante para o campo específico do Jornalismo: o formato digital do seu conteúdo, o qual pode ser infinitamente copiado, mantendo a qualidade original; o facto de a comunicação que permite ser mediada por computador; o facto de essa comunicação ser potencialmente interactiva, esbatendo a distinção entre emissor e receptor; o facto de o seu conteúdo assumir a forma de hipertexto, com ligações a outros conteúdos textuais, gráficos ou sonoros; e a facilidade crescente da sua utilização, nomeadamente desde a criação do browser (HEINONEN, 1999: p.36-41). Se “(...) o desenvolvimento tecnológico é um dos mais importantes factores (...) que definem e moldam o contexto social do Jornalismo” não devemos, contudo, estabelecer uma relação causal directa entre a tecnologia disponível e a prática jornalística uma vez que, por um lado, importa não colocar a tecnologia fora do âmbito cultural de cada sociedade; por outro lado, a disponibilidade de tecnologia não conduz necessariamente à sua adopção pelos jornalistas, uma vez que essa incorporação é sobretudo definida em termos de uma racionalidade económica; por último, o impacto da tecnologia sobre o discurso jornalístico é mediado pelas regras particulares da prática jornalística (HEINONEN, 1999: p.24/25 e 33). Assim sendo, defendo que quatro factores de mudança se fazem sentir sobre o Jornalismo: de natureza socio-cultural (sobretudo ao nível dos efeitos das transformações sociais sobre as características dos leitores e dos tipos de consumo que praticam); de natureza
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económica (ao nível das opções decorrentes do contexto de mercado, tomadas em termos de orientação empresarial dos jornais); de natureza tecnológica (com o desenvolvimento de plataformas e infra-estruturas de utilização); e de natureza normativa profissional (HEINONEN, 1999: p.21/25).

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3. ASPECTOS METODOLÓGICOS

3.1. OBJECTO EMPÍRICO

Para abordar a articulação entre a Internet e a Imprensa escrita, constituí uma amostra de publicações, utilizando para esse efeito o conceito de Imprensa constante da Lei de Imprensa de 99, art.s 9ºao art. 14º (inclusivé)1 e do Decreto-Lei nº 74/82, art. 2º: publicações portuguesas, de espectro nacional, periódicas, de informação geral ou, se preferirmos, os jornais portugueses generalistas de âmbito nacional, de maior circulação e/ou com a maior frequência de consulta na Internet, sendo excluídos deste grupo os portais, os jornais gratuitos, e os jornais de conteúdo essencialmente sensacionalista, sexual ou de mínimo denominador cultural comum (ROCHA, 1999: p.49). Subjacente a esta escolha esteve a possibilidade de aferição das tendências e práticas mais estabelecidas no meio jornalístico de Imprensa, em detrimento dos desenvolvimentos mais vanguardistas neste domínio, cuja comparabilidade seria compreensivelmente inferior. Por outro lado, a dimensão dos orçamentos destes jornais permitir-lhes-á, à partida, decidir que estratégia editorial seguir no meio online, por oposição a jornais de menor dimensão cuja estratégia seria mais negativamente determinada por maiores constrangimentos orçamentais. Partindo da Evolução Trimestral da Audiência Média de Jornais Diários de Informação Geral no período 96/02, compilada pelo Bareme Imprensa Marktest, e de dados relativos ao share de popularidade dos sites portugueses obtidos junto do Observatório da Comunicação e da Marktest, serão analisadas as edições em papel de cinco jornais portugueses: os diários generalistas Correio da Manhã, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, e Público; e o semanário Expresso. Paralelamente, serão analisadas as edições online dos mesmos jornais, como se encontravam às nove e vinte horas de cada um dos dias sete dias das semanas de 2 a 7 de Março, 15 a 21 de Março, e 29 de Março a 4 de Abril.

3.2. INSTRUMENTOS DE RECOLHA DE DADOS

A materialização desta análise compreende dois instrumentos.

1

Onde as publicações são classificadas quanto à forma, conteúdo, fim, regime temporal, nacionalidade, conteúdo e âmbito geográfico (ROCHA, 1999: p.46-54). 22

Por um lado, para abordar a dimensão das condições de produção, recorri à aplicação de inquéritos por questionário aos jornalistas de cada medium, de forma a apreender, quer as representações destes face não só à sua actividade mas também ao lugar ocupado nesta pela Internet, quer as reais utilizações dadas a esta TIC. Por outro lado, realizei uma análise do conteúdo das publicações consideradas mediante a aplicação de um livro de código, elaborado de forma concertada com todos os países participantes na Acção COST A20 mas adaptado à realidade portuguesa de modo a considerar certas nuances ausentes do formato normalizado que necessariamente possuía para se adequar a uma análise transnacional2. A análise incidirá sobre os conteúdos presentes na primeira página e respectivo desenvolvimento nas páginas interiores, na sequência do trabalho de Ha e James, de Kenney, e de Li. A utilização da primeira página como objecto permite evitar os enviesamentos provocados pelas diferentes dimensões que o site de cada jornal pode assumir, criando desta forma uma amostra cuja comparabilidade é superior. Paralelamente, permite analisar os conteúdos considerados de maior relevo de entre a agenda noticiosa disponível, por cada redacção (HA e JAMES, 1998; KENNEY, 2000; LI, 1998).

2

Em anexo. 23

4. A MODERNIDADE

4.1. ENQUADRAMENTO ECONÓMICO DA IMPRENSA EM PORTUGAL

«(…) para uma análise do sistema mediático é sempre indispensável correlacioná-lo com o sistema social em que está inserido. (...) a sua leitura não é possível descontextualizada da paisagem económico-política» (AAVV, 2002: p.62).

A História dos media confunde-se com a História da Imprensa. Como afirma NobreCorreia, estes «têm primeiro um estatuto de propriedade individual (…) [e] constituem uma actividade artesanal (…) que tem antes de mais por objectivo o combate filosófico, político ou cultural». Entre 1830 e 1870 a Imprensa industrializa-se, passando os media a ela associados a pertencer a associações com interesse na sua utilização como suporte de opinião e debates. Emerge simultaneamente a empresa familiar como forma de organização e propriedade desses media, cujo principal móbil é a rentabilidade e a principal forma de a garantir a publicação de factos (e não de opiniões). No início do século XX surgem os primeiros grupos empresariais monomedia (AAVV, 2002: p.85). Entre os séculos XIX e XX, a utilização de TIC pelos media é condicionada por diversos factores: ao nível ideológico, a rápida circulação da informação torna-se, para muitos autores, central, quer em termos estritos no domínio da Comunicação Social, quer em termos latos na sociedade como um todo, encontrando-se entre os exemplos de contextos sociais e políticos que favoreceram esta posição as duas Grandes Guerras, a crise económica despoletada pelo crash bolsista de 1929, e a dinâmica interna e coexistência externa dos regimes totalitários; ao nível das consequências decorrentes da progressiva mercantilização da sua actividade, ditada por um contexto de liberalismo político (que impõe a liberdade de Imprensa como princípio orientador da acção do poder político) e económico (que visa dinamizar a Economia através da sua desregulamentação), o que veio a tornar não apenas possível mas progressivamente necessário o recurso à publicidade como fonte de receita; ao nível especificamente técnico, o desenvolvimento de técnicas de comunicação relativas à transmissão de dados (como o telégrafo) influenciam o modo como a informação chega ao público, designadamente permitindo às agências noticiosas a adaptação de algumas das suas rotinas nesse sentido (BRETON, PROULX, 2000; p.76-86).
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Aquando da queda do regime salazarista, a situação da Imprensa escrita pode ser descrita da seguinte forma:

propriedade estatal de boa parte dos jornais e revistas, resultante da nacionalização dos bancos, seus anteriores proprietários; concessão de subsídios estatais aos jornais públicos e de empréstimos aos jornais privados; «(…) a debilidade financeira da maioria dos jornais causada pela escassez das vendas [dada o analfabetismo que grassa no território], pelo excesso de títulos, pelos altos custos de matérias primas, e pela estrutura antiquada da maioria das empresas»; e «(…) lentidão na introdução de novas tecnologias (…) devida às baixas receitas e à resistência dos meios sindicais» (AGEE, TRAQUINA, 1987: p.49) bem como todo o historial de desinvestimento da banca.

Na década de 80 assiste-se à concentração económica de media distintos, suscitando o surgimento dos grupos plurimedia e, com eles, a entrada de entidades financeiras nesses grupos (dada a necessidade endémica dos media por capital e a potencial rentabilidade que estes últimos apresentam) com consequente introdução de uma racionalidade económica no funcionamento dos media (nomeadamente economias de escala e sinergias), e o recurso cada vez maior à publicidade como fonte de receita. Com o início dos anos 90 aprofunda-se o afastamento dos media em relação a conteúdos puramente noticiosos, dada a entrada de agentes económicos associados a indústrias culturais de entretenimento nos grupos que detêm a propriedade dos media. No mesmo período, outro agente vem introduzir-se na complexa rede de gestão e propriedade dos media: as empresas de telecomunicações (AAVV, 2002: p.86/90). Assim sendo, entre os factores que marcam a evolução recente do sector dos media em Portugal encontra-se a concentração dos meios de Comunicação Social em grandes grupos económicos e a significativa emergência de iniciativas de Jornalismo online. Entre 1990 e 2001 estabeleceram-se na Internet aproximadamente doze sites noticiosos, em grande medida fruto de apostas dos maiores grupos económicos; como afirma Correia, “a emergência das novas tecnologias e dos novos suportes de distribuição trouxe novos protagonistas (...) e reforçou outros (...), não travando o movimento de concentração da propriedade nem o

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domínio dos grandes grupos económicos. Pelo contrário, deu-lhes maior sustento” (CORREIA, 2000: 3). Perante este cenário, são tendências gerais deste período 1) uma vitalidade editorial significativa observada ao nível das publicações de carácter popular ou temático, 2) uma contracção do consumo da Imprensa generalista, 3) retraimento do investimento em iniciativas editoriais online, 4) ascensão relativa do info-entretenimento e de critérios de rentabilidade por contraste a critérios de objectividade noticiosa, com consequente pressão sobre o jornalista, 5) aumento da concentração horizontal e vertical de meios de Comunicação Social, e a internacionalização do seu capital (CORREIA, 2001).

4.1.1. A RENTABILIDADE ONLINE

Quase todos os media, mesmo os de natureza estatal, são hoje conduzidos como empresas. Com a chegada da Internet, novos problemas são colocados a um mercado no qual a concorrência intra- e inter-media era já considerável: várias empresas de outros sectores fazem a sua entrada no meio jornalístico, seduzidas pela exploração de modos de produção e distribuição menos onerosos, bem como de novas fontes de receita, e pelo estabelecimento de novas audiências com a sua subsequente sobreposição às associadas ao meio das edições em papel, alterando a geografia económica do sector (HEINONEN, 1999: p.42; KAMERER, BRESSERS, 1998: p.2; CHYI, LASORSA, 2002: p.94). No meio jornalístico empresarial é sobretudo a rentabilidade económica o factor que determina as opções tomadas, e não a disponibilidade tecnológica. Como afirma Sauter a questão da sobrevivência de iniciativas noticiosas online não decorre da qualidade do Jornalismo praticado mas do quadro empresarial em que se encontram inscritas, sendo a adaptação das rotinas de produção de conteúdos aos tipos de consumo determinada maioritariamente pelo seu custo. Contudo, poucos são os jornais cuja presença online gera lucro. Na realidade, várias foram já as iniciativas jornalísticas online mal sucedidas ou cuja rentabilidade se revelou reduzida (LUTFI, 2002: p.18; MAYNARD, 2000: p.12; SAUTER, 2000: p.31; HEINONEN, 1999: p.78). Neste sentido, o modelo empresarial de cada medium online dependerá das suas características e do mercado para o qual quer direccionar-se, pelo que provavelmente não existirá um único modelo mas sim vários. O lote de modos de financiamento direccionados para os jornais online compreende os seguintes formatos: 1) a subscrição, pouco atractiva para utilizadores da Internet habituados a conteúdos gratuitos e que apenas funciona para
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publicações especializadas; 2) a cobrança por conteúdos individualizados, nem sempre viável dadas as limitações tecnológicas ainda existentes; 3) as receitas publicitárias, modo mais frequente mas cuja receita real é difícil de contabilizar, produzindo por essa razão um retorno cada vez menor, 4) os anúncios classificados, que apelam à base local/regional de leitores, constituindo uma das fontes de receita das quais os jornais não abdicam; e 5) as comissões sobre o comércio online, constituindo a publicidade trans-media no seio de um mesmo grupo económico (tornando audiências de rádio leitores, e leitores em telespectadores) uma das fontes de receita mais recentes (KAMERER, BRESSERS, 1998: p.4; POOLE, 2001: p.9; POOLE, 2001: p.11). Outras formas de geração de receitas incluem a comercialização de acesso a arquivos, a venda de acesso à Internet ou a criação e alojamento de sites, e a venda de conteúdos para outros media. Esta última forma pode, aliás, constituir o futuro do financiamento dos jornais online: para Regan, as receitas dos jornais online virão cada vez menos da publicidade e serão cada vez mais a soma de várias fontes, pelo que as iniciativas noticiosas online deverão ver a si próprias cada vez mais como fornecedoras de conteúdos e menos como simples jornais. A este cenário não será certamente estranho o facto de não serem as notícias a gerar directamente as receitas mas, muitas vezes, a rentabilização da sua audiência (REGAN, 2000: p.8/9; MENSING, 1998: p.2-5; WEIR, 2000: p.37). Alguns autores consideram ainda que os conteúdos noticiosos são cada vez mais preparados e apresentados como bens de consumo com vista à maximização do seu apelo o que, associado aos mecanismos de medição de visualizações e consequente gestão da rentabilidade de certos artigos, poderá mercantilizar em excesso o conteúdo noticioso, aproximando-o de um produto para entretenimento (POOLE, 2001: p.12; RAINIE, 2000: p.17). De um primeiro olhar sobre as edições estudadas resulta a constatação de que à altura da recolha destes materiais todas as edições para a Internet eram de acesso gratuito, com a excepção da edição do Record, a qual requeria um registo prévio – com consequente cedência de alguns dados pessoais – para acesso gratuito aos artigos. Quanto aos aspectos visíveis das estratégias de financiamento destes media, a primeira nota dá conta da inexistência, na primeira página, e com a excepção do Correio da Manhã, de anúncios de emprego ou classificados, seja na versão em papel, seja na versão para a Internet: o facto de apenas existirem – e somente em algumas edições – hiperligações para secções de classificados é já um indicador da pouca expressão que esta fonte de receita pode possuir no financiamento de um jornal no nosso país.
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Já relativamente a publicidade comercial, o valor médio de anúncios encontrado revela um cenário diferente para cada suporte, observando-se um número ligeiramente superior de anúncios na versão para a Internet mercê do recurso a Pop-ups (anúncios que surgem na sua própria janela, aparte da janela em que a página para a Internet se encontra). No entanto, caso optássemos por desconsiderar esse recurso, o valor médio de anúncios para ambas as edições seria o mesmo – dois –, praticamente sem desvio no caso das edições em papel mas com particularidades assinaláveis no caso das páginas para a Internet: enquanto o site de A Bola não possuiria qualquer anúncio, os sites do Público e Record possuiriam cinco. Quanto às práticas de auto-promoção, a quantidade de itens observados nesta categoria é ligeiramente superior no caso das edições em papel – três para dois –, sem variações significativas em qualquer dos casos. No entanto, é digno de registo o facto de, por esta razão, existirem tantas referências ao próprio medium ou ao seu grupo económico como a receitas publicitárias externas. Ainda neste domínio, e atendendo à disponibilização de conteúdos em mais de um formato, enquanto as versões em papel nada referem sobre o assunto nas suas primeiras páginas, esta estratégia apenas muda em menos de metade das edições para a Internet, e essencialmente para o caso de edições via e-mail (newsletters), gratuitamente enviadas. Quanto à disponibilização de réplicas de edições em papel no formato Acrobat, apenas o Público e o Expresso apostam neste modelo, utilizando-o como forma de captação de receitas dado cobrarem por este serviço. Formatos adicionais apenas existem no caso da edição do Record para a Internet, consubstanciada no envio de alertas SMS.

Em suma: dada a fraca expressão do recurso a anúncios classificados como forma de financiamento, e à proximidade entre o número de hetero- e de auto-referências publicitárias, fica a ideia de que as edições online consideradas podem estar a ser essencialmente a) um landmark de afirmação territorial num novo ambiente, usado como b) uma “montra” promocional do conjunto das actividades, editoriais e outras, desenvolvidas pelos grupos económicos a que pertencem, ao qual apenas a iniciativa de cobrança por versões alternativas praticada pelo Público e Expresso parece querer escapar.

4.2. ENQUADRAMENTO TÉCNICO E SOCIAL DA IMPRENSA EM PORTUGAL: A INTERNET

De acordo com dados da ANACOM (2002), estima-se que cerca de 16% da população portuguesa não saiba o que a Internet é ou para que serve; 21% já utilizou, sendo que apenas
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15% dos inquiridos a utilizam regularmente. No entanto, se excluirmos as quatro nãorespostas, todos os jornalistas revelam utilizar a Internet no emprego, apresentando-se o Record como a única publicação onde foram encontrados inquiridos que não se servem desta TIC em casa Ainda de acordo com a ANACOM, e à semelhança do verificado para a utilização do computador, o acesso à Internet parece ser mais frequente no âmbito das actividades profissionais ou académicas dos inquiridos. Entre as razões apontadas pelos jornalistas inquiridos para o início da utilização da Internet conta-se sobretudo a necessidade profissional, encontrada em 50% dos casos, sendo a motivação seguinte (em termos de incidência) a curiosidade própria, com aproximadamente 34% de respostas afirmativas. Quanto às plataformas de acesso utilizadas, a maioria utiliza o computador de secretária (aproximadamente 80%), sendo já muito assinalável a percentagem de utilizadores com acesso a partir de computador portátil (pouco mais de metade). O telemóvel e o PDA são ainda plataformas marginais de acesso, com valores inferiores a 10%. São desportivas as publicações com maior incidência de aparente substituição/compatibilização do computador de mesa pelo computador portátil: A Bola e Record. O Correio da Manhã, por seu turno, parece ser o jornal cuja redacção mais se encontra fixa. Segundo a Marktest (2002), são os portugueses com idade até 35 anos os que mais utilizam este medium, totalizando cerca de 76% dos utilizadores em 1997 e aproximadamente 74% em 2002 – valor tanto mais significativo quando este escalão etário representa apenas 38% de toda a população. É também em torno dos 35 anos que se distribui a idade dos jornalistas inquiridos.

Report P2_Rec2 Idade em 2005 ID3 Medium 11 Público 12 Correio da Manhã 13 Jornal de Notícias 14 Diário de Notícias 15 Expresso 16 A Bola 17 Record 18 O Jogo Total Mean 37,53 34,38 36,30 34,00 38,84 33,15 33,88 36,92 35,59 N 30 26 20 29 25 20 26 12 188 Std. Deviation 9,797 7,133 7,801 7,973 8,835 6,548 7,084 8,597 8,163

Quadro nº1 - Idade dos inquiridos, por publicação

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Em termos de média etária, não parece existir grande diferença entre os dois tipos de redacção (tradicional e online). Individualmente considerados, apenas Expresso e O Jogo apresentam valores etários médios superiores nas redacções para as edições online, ainda que boa parte deles apresente valores de desvio-padrão etário considerável. A análise das médias etárias em função da posição hierárquica revela, como seria de esperar, médias inferiores para os jornalistas (34,55 anos) que para os editores (38,65 anos). Entre as redacções com o corpo de jornalistas mais envelhecido encontram-se as publicações consideradas de referência, ou seja, Público e Expresso, sendo a do Correio da Manhã e do A Bola as mais jovens.

Report P2_Rec2 Idade em 2005 ID3 Medium 11 Público P12_Recod2 Categoria profissional (recodificada) 1 jornalistas 2 chefias intermédias 3 chefias superiores Total 1 jornalistas 2 chefias intermédias 3 chefias superiores Total 1 jornalistas 2 chefias intermédias 3 chefias superiores Total 1 jornalistas 2 chefias intermédias 3 chefias superiores Total 1 jornalistas 2 chefias intermédias 3 chefias superiores Total 1 jornalistas 2 chefias intermédias 3 chefias superiores Total 1 jornalistas 2 chefias intermédias 3 chefias superiores Total 1 jornalistas 2 chefias intermédias 3 chefias superiores Total 1 jornalistas 2 chefias intermédias 3 chefias superiores Total Mean 36,63 39,25 45,00 37,53 32,90 41,50 34,28 35,08 38,50 47,00 37,17 33,52 40,75 34,59 36,37 44,33 37,45 32,31 36,50 33,15 34,88 32,63 34,13 34,33 44,67 36,92 34,55 38,65 46,00 35,59 N 24 4 2 30 21 4 25 12 4 2 18 23 4 27 19 3 22 16 4 20 16 8 24 9 3 12 140 34 4 178 Std. Deviation 10,278 8,016 4,243 9,797 6,942 4,203 7,260 7,477 6,403 4,243 7,702 8,101 2,500 7,943 6,946 7,234 7,360 6,760 4,933 6,548 8,484 4,307 7,333 7,649 7,234 8,597 7,996 6,433 3,651 7,953

12 Correio da Manhã

13 Jornal de Notícias

14 Diário de Notícias

15 Expresso

16 A Bola

17 Record

18 O Jogo

Total

Quadro nº2 - Idade dos inquiridos, por publicação e hierarquia

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Ainda segundo a Marktest, são os estudantes os que mais praticam esta utilização – 44% do total de inquiridos em 1997, e 36% em 2002 –, encontrando-se largamente sobre-representados nesta população específica face a sua representação na população portuguesa. Situação semelhante conhece a representatividade dos quadros médios ou superiores que, constituindo 26% dos inquiridos em 1997 e 22% em 2002, se encontram igualmente sobre-representados. Estes indícios de info-exclusão são igualmente ilustrados pelos dados da ANACOM, segundo os quais se verifica a existência de um contacto com a Internet apenas para os inquiridos com formação ao nível do 9º ano ou superior, sendo a sua utilização frequente para quase metade dos inquiridos com formação superior. No que diz respeito à instrução dos jornalistas inquiridos, aproximadamente ¾ revelam possuir formação completa de nível médio ou superior, sendo que esta formação se encontrava ainda em curso para 25% da amostra. Somadas estas duas situações, ascende a perto de 100% o volume de profissionais da informação que possui formação académica ou profissional pelo menos iniciada, o que indicia um forte investimento na formação superior dos jornalistas portugueses, bem como a importância atribuída a esta dimensão por parte das publicações. Entre os jornalistas com formação de nível médio ou superior, a opção temática mais frequente é pela área da Informação e Jornalismo, revelada por mais de dois terços dos inquiridos, pelo que a nota de destaque neste domínio é o facto de aproximadamente um terço dos jornalistas ser recrutado noutras áreas. No entanto, a formação de topo – Mestrado ou Doutoramento – já revela uma incidência diferente da verificada para os jornalistas com preparação ao nível das Ciências Sociais e das Ciências Empresariais.

ID3 Medium * P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado) Crosstabulation % within ID3 Medium P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado) 2 Não 1 Não terminou 3 Terminou terminou curso médio curso médio 12º ano ou superior ou superior 3,3% 13,3% 83,3% 20,0% 80,0% 15,0% 85,0% 3,6% 17,9% 78,6% 17,4% 82,6% 30,0% 70,0% 52,0% 48,0% 8,3% 50,0% 41,7% 1,6% 25,1% 73,2%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº3 - Escolaridade dos inquiridos, por publicação

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Quanto à formação quando articulada com a redacção de trabalho actual, observa-se uma tendência para o recrutamento para a redacção online de jornalistas sem formação superior terminada (31.6% face a 26.1% na redacção tradicional), sobretudo no Record e n’O Jogo – possivelmente estagiários, confirmando o modo como esta pode constituir plataforma de aprendizagem e inserção no médium. Correio da Manhã, Jornal de Notícias e Expresso apresentam redacções online nas quais todos os jornalistas inquiridos possuem formação superior terminada, superior portanto ao verificado nas respectivas redacções tradicionais; já a redacção tradicional do Público apresenta mais jornalistas com formação superior terminada face ao observado na redacção online. Entre os desportivos, não foi verificada variação neste capítulo.

P11r Redacção em que exerce funções (recodificada) * P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado) * ID3 Medium Crosstabulation % within P11r Redacção em que exerce funções (recodificada) P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado) 2 Não 1 Não terminou 3 Terminou terminou curso médio curso médio ou superior 12º ano ou superior P11r Redacção em que exerce funções (recodificada) 1 Para as edições tradicional e para a Internet 2 Exclusivamente para a edição para a Internet 12 Correio da Manhã Total P11r Redacção em que exerce funções (recodificada) 3,6% 1 Para as edições tradicional e para a Internet 2 Exclusivamente para a edição para a Internet 13 Jornal de Notícias Total P11r Redacção em que exerce funções (recodificada) 20,0% 1 Para as edições tradicional e para a Internet 2 Exclusivamente para a edição para a Internet 14 Diário de Notícias Total P11r Redacção em que exerce funções (recodificada) 16,7% 1 Para as edições tradicional e para a Internet 2 Exclusivamente para a edição para a Internet 1 Para as edições tradicional e para a Internet 2 Exclusivamente para a edição para a Internet 1 Para as edições tradicional e para a Internet 2 Exclusivamente para a edição para a Internet 1 Para as edições tradicional e para a Internet 2 Exclusivamente para a edição para a Internet 1 Para as edições tradicional e para a Internet 2 Exclusivamente para a edição para a Internet 3,6% 17,9% 18,8% 4,3% 8,7% 40,0% 14,3% 23,8% 87,0% 60,0% 82,1% 76,2% 100,0% 80,0% 81,3% 100,0% 83,3% 78,6%

ID3 Medium 11 Público

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

15 Expresso

Total P11r Redacção em que exerce funções (recodificada)

3,6%

17,9% 20,0%

78,6% 80,0% 100,0%

100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

16 A Bola

Total P11r Redacção em que exerce funções (recodificada)

18,2% 26,3%

81,8% 73,7%

17 Record

Total P11r Redacção em que exerce funções (recodificada)

26,3% 45,0% 75,0% 50,0% 10,0% 50,0% 50,0% 8,3% 50,0%

73,7% 55,0% 25,0% 50,0% 40,0% 50,0% 41,7%

100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

18 O Jogo

Total P11r Redacção em que exerce funções (recodificada)

Total

Quadro nº4 - Escolaridade dos inquiridos, por publicação e tipo de redacção

32

Em suma, os jornalistas apresentam-se inseridos no sub-grupo específico de utilização muito intensiva e já implantada da Internet, no escalão etário apontado para esse sub-grupo, suplantando contudo a escolaridade a ele associada. Retém-se igualmente a expressão da iniciação por interesse próprio face à iniciação por necessidade profissional (34% para 50% das respostas).

4.3. REPRESENTAÇÕES DA INTERNET

Segundo os dados do projecto CIBERFACES, a representação da Internet junto dos portugueses é globalmente muito positiva, sendo sobretudo sublinhadas a sua dimensão informativa e instrumental.

Quadro nº5 - Representação da Internet (dados Ciberfaces)

Entre os jornalistas inquiridos no decurso da tese que aqui se apresenta a tónica na importância da Internet na sua valorização profissional é ilustrada pelo facto de, em média, aproximadamente 75% das respostas serem do sentido da concordância pelo menos parcial com essa ideia.

ID3 Medium * P28 28. O jornalista que não sabe utilizar a Internet é pouco valorizado pelo mercado de trabalho Crosstabulation % within ID3 Medium P28 28. O jornalista que não sabe utilizar a Internet é pouco valorizado pelo mercado de trabalho 1 Discordo 2 Discordo 3 Concordo 4 Concordo totalmente em parte em parte totalmente 10,0% 23,3% 20,0% 46,7% 3,7% 18,5% 25,9% 51,9% 9,5% 14,3% 38,1% 38,1% 7,4% 14,8% 18,5% 59,3% 20,0% 56,0% 24,0% 5,6% 27,8% 33,3% 33,3% 8,3% 12,5% 50,0% 29,2% 33,3% 41,7% 25,0% 6,0% 19,6% 34,2% 40,2%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº6 - Representação da Internet como factor de valorização profissional, por publicação

33

À excepção de Público, Correio da Manhã, e A Bola, observa-se uma relação de proporcionalidade directa entre escolaridade e conceptualização das competências net-related como valorizadoras do jornalista.

P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado) * P28 28. O jornalista que não sabe utilizar a Internet é pouco valorizado pelo mercado de trabalho * ID3 Medium Crosstabulation % within P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado) P28 28. O jornalista que não sabe utilizar a Internet é pouco valorizado pelo mercado de trabalho 1 Discordo 2 Discordo 3 Concordo 4 Concordo totalmente em parte em parte totalmente 1 Não terminou 12º ano 100,0% 2 Não terminou curso 25,0% 25,0% 50,0% médio ou superior 3 Terminou curso 8,0% 24,0% 24,0% 44,0% médio ou superior 10,0% 1 Não terminou 12º ano 2 Não terminou curso médio ou superior 3 Terminou curso médio ou superior 1 Não terminou 12º ano 2 Não terminou curso médio ou superior 3 Terminou curso médio ou superior 1 Não terminou 12º ano 2 Não terminou curso médio ou superior 3 Terminou curso médio ou superior 1 Não terminou 12º ano 2 Não terminou curso médio ou superior 3 Terminou curso médio ou superior 1 Não terminou 12º ano 2 Não terminou curso médio ou superior 3 Terminou curso médio ou superior 1 Não terminou 12º ano 2 Não terminou curso médio ou superior 3 Terminou curso médio ou superior 1 Não terminou 12º ano 2 Não terminou curso médio ou superior 3 Terminou curso médio ou superior 23,3% 20,0% 46,7%

ID3 Medium 11 Público

P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado)

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

12 Correio da Manhã

Total P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado)

20,0% 25,0% 4,0% 20,0%

20,0% 25,0% 24,0%

60,0% 50,0% 52,0%

100,0% 100,0% 100,0%

Total 13 Jornal de Notícias P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado)

33,3% 17,6% 5,0% 15,0%

66,7% 35,3% 40,0% 47,1% 40,0% 100,0% 40,0% 60,0% 57,7%

100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

14 Diário de Notícias

Total P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado)

20,0% 5,0% 7,7%

20,0% 15,0% 15,4%

20,0% 20,0% 19,2%

15 Expresso

Total P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado)

25,0% 21,1% 21,7%

50,0% 52,6% 52,2%

25,0% 26,3% 26,1%

100,0% 100,0% 100,0%

16 A Bola

Total P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado)

16,7% 8,3% 5,6% 33,3% 27,8%

16,7% 41,7% 33,3%

66,7% 16,7% 33,3%

100,0% 100,0% 100,0%

17 Record

Total P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado)

8,3% 9,1% 8,7%

16,7% 9,1% 13,0%

58,3% 36,4% 47,8% 100,0% 50,0% 20,0% 41,7%

16,7% 45,5% 30,4%

100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

18 O Jogo

Total P3r Nível de escolaridade mais elevado que completou (recodificado)

33,3% 40,0% 33,3%

16,7% 40,0% 25,0%

Total

Quadro nº7 - Representação da Internet como factor de valorização profissional, por publicação e escolaridade

Entre a idade e esta valorização profissional pela Internet parece existir uma relação de proporcionalidade invertida: é entre os mais jovens que esta tese mais colhe, configurando

34

portanto um quadro de apreciação positiva da Internet entre os mais escolarizados e os mais jovens, que apenas no Expresso e n’O Jogo não se confirma. Os dados relativos à importância que os jornalistas atribuem à Internet no desempenho das suas funções actuais indicam também uma conceptualização extremamente positiva: aproximadamente 80% revela considerá-la importante ou muito importante. Contudo, importa constatar que cerca dos 40% dos inquiridos que a consideram importante discordam (pelo menos em parte) da tese de que o jornalista não info-literado é desvalorizado pelo mercado de trabalho, posição que assume o valor de aproximadamente 20% entre os que a consideram muito importante. Esta valorização é ligeiramente superior entre os títulos generalistas – sobretudo o Correio da Manhã e o Expresso – descendo o seu valor ligeiramente no caso dos desportivos – sobretudo n’A Bola, em que a importância que lhe é atribuída parece equipará-la às restantes ferramentas. Individualmente considerados, os media agrupam-se da seguinte forma: de um lado, aqueles cuja adesão à tese da valorização profissional pela Internet aumenta com o grau de importância atribuída a essa TIC, no qual se incluem Público, DN, Expresso, A Bola e Record; do outro lado, aquelas cuja adesão a essa tese diminui entre os que consideram a Internet mais importante, e que incluem os restantes media. Não deixa, apesar de tudo, de surpreender, sobretudo se tivermos em conta a valorização positiva feita da Internet, o facto de a grande maioria dos jornalistas inquiridos – 93% – não possuir formação específica para a sua utilização; mesmo no título no qual essa formação atinge o valor mais alto – o Correio da Manhã – menos de 15% dos jornalistas a possuem.

ID3 Medium * P25 25. Frequentou / frequenta curso(s) de formação para utilização da Internet? Crosstabulation % within ID3 Medium P25 25. Frequentou / frequenta curso(s) de formação para utilização da Internet? 0 Não 1 Sim 93,3% 6,7% 85,2% 14,8% 90,5% 9,5% 96,4% 3,6% 92,0% 8,0% 100,0% 96,0% 4,0% 91,7% 8,3% 93,1% 6,9%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº8 - Formação específica para utilização da Internet, por publicação

35

Quanto ao tipo de formação frequentada e à origem da iniciativa da sua frequência, o que pode ser dito é que o empregador – ou seja, o médium – promove, ainda que com a reduzida frequência que já constatámos, a formação dos seus profissionais, fazendo-o sobretudo a um nível iniciático, ficando desta forma ao critério do jornalista a prossecução dessa formação por iniciativa própria. Público e Expresso são os únicos jornais com investimento neste domínio – toda a formação revelada pelos jornalistas foi promovida por estes media –, destacando-se ainda o facto de o Expresso ser o único que promoveu uma formação avançada ao nível do webjornalismo. Toda a formação revelada pelos jornalistas do Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Record e O Jogo foi frequentada por iniciativa própria dos jornalistas, enquanto que nenhum dos inquiridos do Diário de Notícias e d’A Bola revelou ter frequentado qualquer formação específica para a Internet. Ainda que a formação seja vista como uma necessidade por aproximadamente 82% dos inquiridos, particularmente entre os jornalistas do CM, JN, e O Jogo, o facto é que mais de 60% não pretende frequentá-la. São os jornalistas sem formação revelada neste domínio – A Bola e DN – estão entre os que mais revelam pretender frequentá-la, ainda que com valores próximos dos de quem não tem esse interesse ou necessidade. Paralelamente, são sobretudo os jornalistas mais jovens os que recusam frequentar nova formação, dada a posse de competências nesta área que já detêm, excepção feita ao Record. É também aos mais escolarizados que corresponde o menor interesse, como demonstra o verificado nas redacções de Público, DN, Expresso e Record. Já CM, JN e O Jogo afinam pelo diapasão inverso. Entre as razões apontadas para este desinteresse contam-se sobretudo a desvalorização dos conhecimentos adquiridos através dessa formação por falta de necessidade dessa competência.

Em suma, fica como primeira nota o facto de a maior parte dos jornalistas, pese embora a utilização que revelam fazer da Internet, não possuir formação específica para a sua utilização. Para além disso, não obstante o facto de a posse de competências para a sua utilização ser considerada valorizadora da condição profissional e da cotação do jornalista no mercado de trabalho – particularmente entre os jornalistas mais jovens e mais escolarizados –, a verdade é que a maioria dos jornalistas – novamente sobretudo os mais jovens e escolarizados – não demonstra interesse em frequentar essa formação. Paralelamente, concluise que mesmo nos casos marginais em que essa formação foi frequentada, apenas ao nível

36

iniciático ela foi promovida pelo empregador, ficando o seu aprofundamento ao critério do interesse particular de cada jornalista.

4.4. POTENCIALIDADES TÉCNICAS DO JORNALISMO NA INTERNET

Segundo Deuze, a principal diferença entre o Jornalismo tradicional e o Jornalismo online reside nas opções tomadas no âmbito deste último em termos das potencialidades específicas da Internet operacionalizáveis pelo jornalista: a hipertextualidade, a

multimedialidade e a interactividade (2001: p.4/5). A estas três características Parker acrescenta uma quarta, o imediatismo ou actualização constante de conteúdos (1998: p.1).

4.4.1. O IMEDIATISMO E A REUTILIZAÇÃO DE CONTEÚDOS

A expansão espaço-temporal permitida pela Internet traduz-se, entre outros méritos atribuídos ao Jornalismo online (LUTFI, 2002: p.12-14), em dois aspectos que importa abordar. Por um lado, a virtual inexistência de limites à capacidade de armazenamento de conteúdos; por outro lado, esses conteúdos podem agora ser actualizados permanentemente e em tempo real (HEINONEN, 1999: p.71). Como consequência do incremento potencialmente ilimitado da capacidade de armazenamento e recuperação de conteúdos é agora possível perpetuar a sua vida útil. Por outro lado, alguns autores consideram que a possibilidade de actualização constante de conteúdos eliminou o ciclo noticioso diário do Jornalismo tradicional: o carácter imediato e constantemente actualizável dos conteúdos transforma-os num produto constantemente em curso, inacabado (PARKER, 1998: p.1; GIUSSANI: p.5), que se assemelha a telegramas de actualização frequente (QUINN E TRENCH, 2000: p.11). No entanto, ainda que a velocidade constitua o mais atractivo traço do Jornalismo online, tornando possível a actualização de conteúdos vinte e quatro horas por dia (WEIR, 2000: p.36), alguns autores defendem que a maior parte dos conteúdos continua a ser actualizado nas edições online apenas uma vez por dia (PARKER, 1998: p.1). Se a existência de “notícias de última hora” nas edições para a Internet não surpreende, dada a natureza própria deste meio, verifica-se, contudo, que o seu formato conhece algumas variações das quais importa dar conta: enquanto o Público e o Correio da Manhã optam por indicar os títulos das mesmas – cinco no primeiro caso, três no segundo –, já Jornal de Notícias, Record e O Jogo privilegiam a utilização de um ticker, no qual se sucedem as notícias desta índole. Expresso, Diário de Notícias (que utiliza uma barra de
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actualizações da TSF) e A Bola (que possui uma secção à parte para esta finalidade) não possuem “notícias de última hora” na sua primeira página. Segundo Heinonen, existem duas práticas associadas ao Jornalismo na Internet: a primeira corresponde à rentabilização do investimento já realizado em conteúdos através da sua reutilização em suportes diferentes; a segunda já prevê a transformação das práticas jornalísticas pela criação de novos conteúdos que maximizem as vantagens deste novo medium (HEINONEN, 1999: p.43/44) e que constituem, para Deuze, o verdadeiro Jornalismo online, concebido exclusivamente para publicação na Internet (DEUZE, 2001: p.2). Apesar de a Internet possibilitar a criação de um novo produto, a abordagem mais frequente ao Jornalismo online traduz-se na reutilização online dos conteúdos do jornal em papel (DEUZE, 2002: p.1). Quinn e Trench identificam como tendências actuais no Jornalismo online poucos sinais de emergência de um novo paradigma jornalístico decorrente da adopção de novas tecnologias, até porque a adopção de mecanismos que potenciem a interactividade e a personalização é ainda marginal, assinalando a manutenção dos principais traços característicos da prática jornalística (QUINN E TRENCH, 2000: p.42). Segundo Chyi e Lasorsa – para quem a característica dominante da relação entre jornais em papel e jornais online é também a partilha de conteúdos –, os jornais online raramente existem enquanto entidades independentes, servindo a edição em papel como fornecedor de conteúdos por excelência para a edição online. Contudo, o reaproveitamento tem gerado algumas críticas, sobretudo quando se trata de importar directamente conteúdos sem os alterar ou adaptar minimamente ao novo medium, uma vez que as percentagens de conteúdo escrito originalmente para as edições online são, regra geral, baixas (CHYI, LASORSA, 2002: p.93/94). Para Heinonen, a maioria dos jornais online possui poucas características distintas, nomeadamente quando comparadas com as dos seus congéneres em papel. Este cenário devese, em seu entender, ao facto de a prática jornalística não ter ainda conhecido grandes transformações (HEINONEN, 1999: p.73) dada a importação das práticas do jornal em papel para o jornal online que se observa e que constitui, para Keck, a utilização do jornal em papel como metáfora (KECK, 2000: p.1). No entanto, o insucesso da migração de práticas jornalísticas herdadas do Jornalismo tradicional para o meio online tem sido a pedra-de-toque do sector. As características do meio tradicional – sobretudo a credibilidade e exactidão dos seus conteúdos – nem sempre são compatíveis com os traços distintivos do meio online – essencialmente a velocidade de actualização de conteúdos (Katz citado em Giles, 2000: p.3). Apesar de constituir um aproveitamento medíocre das potencialidades da Internet, a
38

reprodução online dos conteúdos do jornal em papel tem como vantagens o facto de tornar o estabelecimento no meio virtual mais fácil e menos oneroso, enquanto que a transferência da identidade e credibilidade do jornal em papel para o novo meio o torna apelativo para o leitor (KECK, 2000: p.1). O processo de estabelecimento de serviços noticiosos online é, aliás, caracterizado por nuances como 1) o facto de os media já estabelecidos no meio tradicional serem os principais operadores no meio online, dados os seus recursos económicos – nomeadamente capacidade de investimento – e informativos – arquivos e redes de contacto já existentes, e 2) o relacionamento bi-unívoco possível entre produtores/distribuidores de conteúdos e os seus consumidores, podendo o jornalista deixar de ter a última palavra para ter a primeira (KATZ citado em GILES, 2000: p.3). Mas nem só por decisões economicistas são determinados os conteúdos dos jornais online: há que atender às barreiras logísticas que se levantam à utilização mais ambiciosa das potencialidades da Internet, como questões relativas à produção de conteúdos (falta de recursos humanos e materiais especializados) e à sua distribuição (recursos materiais e knowhow deficientes da parte dos leitores) (KAMERER, BRESSERS, 1998: p.4). Paralelamente, entre os constrangimentos tecnológicos que se levantam para a exploração das potencialidades da Internet para o Jornalismo online encontram-se a capacidade de armazenamento de informação, a velocidade de acesso, e a existência de plataformas de acesso e recepção capazes (SPARKS: p.8). Paralelamente, a incorporação das TIC nas rotinas editoriais pode estar a ser bloqueada precisamente por não estar conforme ao modus operandi dos jornalistas; na ausência de rentabilidade visível, apenas as tecnologias que se adaptem são realmente adoptadas (SINGER, 1998: p.4), sem produzir alterações assinaláveis nas práticas. Relativamente ao reaproveitamento de conteúdos noticiosos da edição em papel para a edição electrónica, a análise das primeiras páginas indicia, em termos médios, valores semelhantes para essa prática (51.8%) e para a criação de conteúdo novo (48.2%). Mas observando as publicações individualmente, apenas no DN essa equiparação se mantém, oscilando a amostra entre a utilização da edição online para actualização da actualidade noticiosa verificada no Público e no Record, e a reutilização recorrente da matéria noticiada na edição em papel observada para as restantes publicações – com particular expressão n’A Bola.

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ID4 Suporte * C130 Artigo apresentado na primeira página da edição em papel * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte C130 Artigo apresentado na primeira página da edição em papel 0 Não 1 Sim ID4 Suporte 2 Online 67,5% 32,5% ID4 Suporte 2 Online ID4 Suporte 2 Online ID4 Suporte 2 Online ID4 Suporte 2 Online ID4 Suporte 2 Online ID4 Suporte 2 Online 30,0% 70,0% 26,4% 73,6% 49,8% 50,2% 7,1% 92,9% 78,1% 21,9% 20,9% 79,1%

ID3 Medium 1 Público 2 Correio da Manhã 3 Jornal de Notícias 4 Diário de Notícias 6 A Bola 7 Record 8 O Jogo

Quadro nº9 - Reutilização de peças jornalísticas nas primeiras páginas das edições online e papel, por publicação

Também o Expresso, quando comparamos a edição em papel e respectiva edição online para os sábados considerados, prima pela criação de conteúdo novo para esta última (77.8% das peças). Quanto aos indicadores utilizados para abordar o modo como são tratadas as notícias comuns às duas edições, verificamos que a esmagadora maioria das peças (97.2%) possui as mesmas dimensões total e do primeiro parágrafo. Desta tendência excluem-se apenas o Expresso e o Público: o primeiro com artigos comuns cuja dimensão é frequentemente superior na edição em papel; o segundo com 40% de peças cuja dimensão não é a mesma, distribuídas de forma razoavelmente equitativa entre aquelas com maior e com menor dimensão que a verificada na edição tradicional. No Público verifica-se igualmente uma prática de maior fragmentação do texto na edição online. A tendência na quantidade de referências a outras notícias é semelhante, ainda que em cerca de 21% dos casos ela seja superior nestas últimas. Contudo, estes valores médios ocultam duas realidades distintas. Por um lado, Público, CM e DN aproveitam a edição online para, numa lógica próxima do portal, manter em peça noticiosa referências a outras que podem igualmente ser lidas nessa edição. Por outro lado, JN, Expresso e os três desportivos possuem exactamente a mesma lógica na edição electrónica, ou seja, não referindo ao leitor outras peças. Também o cenário dos conteúdos da notícia destacada na primeira página conhece significativas variações.

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Por um lado, o título das notícias destacadas revela uma tendência para a reutilização (em 79.6% dos casos), e a ordem dos parágrafos que as constituem é, na maior parte dos casos, a mesma (97% das peças). Individualmente, é no Público (71.1% das peças) e no JN (89%) que a prática de reutilização do título menos é utilizada. Mais uma vez, é também apenas na edição online do Público que o texto é organizado de forma diferente da verificada na edição em papel, em 50% dos casos. Por outro lado, observa-se a existência de um relativo equilíbrio entre as notícias que possuem o mesmo número de ilustrações (44.2%) e as que possuem menor número na edição electrónica (54.9%). Para este ascendente contribui a realidade observada para os títulos da Lusomundo e o Expresso – sobretudo os primeiros –, nos quais a ausência de imagem associada ao texto da notícia é a regra. Paralelamente, somente em 10% das peças do Público esse número é superior nas edições online.

ID4 Suporte * D012 Quantidade de ilustrações gráficas * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte D012 Quantidade de ilustrações gráficas 1 Menor na 3 Maior na edição online 2 Igual edição online 13,2% 76,3% 10,5% 13,2% 76,3% 10,5% 41,4% 58,6% 41,4% 58,6% 99,1% ,9% 99,1% ,9% 93,5% 6,5% 93,5% 6,5% 75,0% 25,0% 75,0% 25,0% 25,0% 75,0% 25,0% 75,0% 100,0% 100,0% 41,0% 57,3% 1,7% 41,0% 57,3% 1,7%

ID3 Medium 1 Público 2 Correio da Manhã 3 Jornal de Notícias 4 Diário de Notícias 5 Expresso 6 A Bola 7 Record 8 O Jogo

ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total

2 Online 2 Online 2 Online 2 Online 2 Online 2 Online 2 Online 2 Online

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº10 - Comparativo entre o número de ilustrações gráficas das edições online e papel, por publicação

Nos casos em que as imagens existem, o seu conteúdo é normalmente igual ao da edição em papel (em 58.5% das pelas), sendo O Jogo o único em que esse conteúdo é marcadamente diferente (em 86.1% dos casos). Mais de 82% dos inquiridos concorda que a actualização permanente é uma das mais importantes características de um site de um médium, destacando-se o Expresso e A Bola.

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ID3 Medium * P86e 86e. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é emitir em directo/em actualização permanente Crosstabulation % within ID3 Medium P86e 86e. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é emitir em directo/em actualização permanente 0 não 1 sim 20,0% 80,0% 22,2% 77,8% 19,0% 81,0% 20,7% 79,3% 12,0% 88,0% 5,0% 95,0% 19,2% 80,8% 25,0% 75,0% 17,9% 82,1%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº11 - Representação da actualização permanente de uma edição online, por publicação

São os jornalistas mais jovens e os mais escolarizados os que menos concordam com esta ideia. Paralelamente, são os jornalistas com formação para a Internet os que mais concordam com esta valorização da actualização permanente, ainda que por escassa margem.

P25 25. Frequentou / frequenta curso(s) de formação para utilização da Internet? * P86e 86e. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é emitir em directo/em actualização permanente Crosstabulation % within P25 25. Frequentou / frequenta curso(s) de formação para utilização da Internet? P86e 86e. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é emitir em directo/em actualização permanente 0 não 1 sim P25 25. Frequentou / frequenta curso(s) de formação para utilização da Internet? Total 0 Não 1 Sim 17,1% 15,4% 17,0% 82,9% 84,6% 83,0%

Total 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº12 - Representação da actualização permanente de uma edição online face à formação específica para utilização da Internet

Também em relação ao médium em que trabalham se observa que os jornalistas defendem a importância do imediatismo (51.1% para 48.9%). Esta questão, contudo, surge como mais fracturante em termos de uma análise caso a caso dos media envolvidos, dada a
42

própria prática dos sites respectivos: apenas os jornalistas do Público e CM – precisamente os jornais cujo site mais é actualizado - concordam com esta posição, o que significa que a ausência de actualização parece ser criticada pelos restantes. Estranha parece ser a posição dos inquiridos no Record, que tendem a desvalorizar esta dimensão do site do seu empregador, contrastando fortemente com o verificado n’A Bola.

ID3 Medium * P88j 88j. Um dos cinco traços mais importantes no site do Media em que trabalha é a sua actualização contínua Crosstabulation % within ID3 Medium P88j 88j. Um dos cinco traços mais importantes no site do Media em que trabalha é a sua actualização contínua 0 não 1 sim 26,7% 73,3% 22,2% 77,8% 85,7% 14,3% 79,3% 20,7% 56,0% 44,0% 15,0% 85,0% 57,7% 42,3% 50,0% 50,0% 48,9% 51,1%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº13 - Representação da actualização permanente da edição online do medium do inquirido, por publicação

São, contudo, os jornalistas mais velhos, os menos escolarizados, e os que não possuem formação específica para usufruto da Internet os que mais valorizam esta dimensão nesta questão. Paralelamente, a reprodução online de conteúdos da edição em papel surge como algo negativo entre cerca de 73% dos inquiridos, surgindo o CM e o DN como as redacções que mais criticam esta ideia, a par dos desportivos A Bola e Record.

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ID3 Medium * P58 58. A notícia online deve ser construída de raíz, e não reproduzir a notícia da edição tradicional Crosstabulation % within ID3 Medium P58 58. A notícia online deve ser construída de raíz, e não reproduzir a notícia da edição tradicional 1 Discordo 2 Discordo 3 Concordo 4 Concordo totalmente em parte em parte totalmente 11 Público 10,0% 23,3% 33,3% 33,3% 12 Correio da Manhã 11,1% 7,4% 59,3% 22,2% 13 Jornal de Notícias 20,0% 5,0% 25,0% 50,0% 14 Diário de Notícias 11,5% 7,7% 57,7% 23,1% 15 Expresso 4,0% 28,0% 52,0% 16,0% 16 A Bola 15,0% 60,0% 25,0% 17 Record 4,3% 13,0% 56,5% 26,1% 18 O Jogo 9,1% 18,2% 54,5% 18,2% 8,8% 14,8% 49,5% 26,9%

ID3 Medium

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº14 - Representação da notícia online quanto à sua origem, por publicação

Se entre a distribuição etária não são visíveis tendências claras, já quanto à articulação do posicionamento sobre esta questão com a escolaridade se nota que a crítica da reutilização de conteúdos parece aumentar ligeiramente com a escolaridade. São, por outro lado, aqueles que frequentaram formação específica para a Internet os que mais concordam com esta prática de reutilização. Quanto à articulação entre rapidez e rigor, dois terços dos inquiridos consideram ser possível compatibilizá-los, sendo que apenas menos de 5% concordam ser impossível fazê-lo. Entre os mais cépticos quanto a esta compatibilização contam-se os jornalistas do CM e DN, constituindo o Expresso o caso em que ela mais é defendida. Entre os desportivos, é no Record que esta compatibilização reúne menos adeptos.

ID3 Medium * P51 51. Rapidez e instantaneidade são incompatíveis com rigor e exactidão Crosstabulation % within ID3 Medium P51 51. Rapidez e instantaneidade são incompatíveis com rigor e exactidão 1 Discordo 2 Discordo 3 Concordo 4 Concordo totalmente em parte em parte totalmente 30,0% 33,3% 33,3% 3,3% 40,7% 18,5% 25,9% 14,8% 40,0% 35,0% 15,0% 10,0% 28,6% 21,4% 46,4% 3,6% 44,0% 48,0% 8,0% 36,8% 36,8% 26,3% 28,0% 36,0% 32,0% 4,0% 25,0% 50,0% 25,0% 34,4% 33,3% 27,4% 4,8%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº15 - Representação da rapidez de disponibilização da notícia, por publicação

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É sobretudo entre os jornalistas mais jovens e mais escolarizados que a compatibilização do imediatismo com o rigor informativo surge como mais difícil de obter, parecendo ser mais defendido entre os mais experientes. Contudo, os que possuem formação específica nesta área tendem a considerar essa compatibilização possível.

Em síntese, não obstante a criação de conteúdo novo para a edição online verificado em alguns dos jornais analisados – destacando-se a actualização encontrada no Público e no Expresso, e também o Record –, ressalta da análise uma tendência geral para o reaproveitamento dos conteúdos da edição em papel no ambiente electrónico, ou seja, título, conteúdo dos parágrafos, referências e ilustrações, ainda que no caso destas últimas a passagem do primeiro suporte para o segundo implica tendencialmente o seu

desaparecimento. O facto de a própria ordem dos parágrafos não conhecer alteração diz bem da prática de maximização dos proveitos gerados a partir de trabalho já produzido para a edição em papel, e a relativa ausência de alteração do seu formato indicia também a prevalência, enquanto visão/metáfora orientadora, da organização do texto como feito na redacção da edição em papel. Quanto aos valores e práticas dos jornalistas a este respeito, a actualização da edição online reúne um significativo consenso como prática a seguir; note-se, no entanto, o facto de serem os jornalistas mais jovens e mais escolarizados os mais críticos desta ideia. Em linha com este dado, a reprodução de conteúdos surge como negativa para a maior parte dos inquiridos, defendida sobretudo (novamente) pelos jornalistas mais velhos, os mesmos que consideram possível a compatibilização entre rapidez e rigor informativo. Realce ainda para o facto de serem os jornalistas dos sites mais actualizados os que mais consideram positiva essa prática.

4.4.2. A HIPERTEXTUALIDADE E A ROTINA DA IMPRENSA ESCRITA COMO METÁFORA

Segundo Cayatte, a informação disponibilizada online deve ser condensada e concisa, sob pena de assumir uma mancha gráfica demasiado grande e, dessa forma, se tornar desinteressante (CAYATTE) e de difícil leitura. A utilização do hipertexto – uma forma nãolinear e fragmentada de escrita (GIUSSANI: p.5) – e do espaço editorial ilimitado associado à Internet podem ser particularmente úteis para estruturar o texto de um conteúdo noticioso de forma diferente, em camadas (layers), contendo primeiro um título e/ou um resumo e o respectivo desenvolvimento noutras páginas, segundo uma lógica de captar primeiro a atenção
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do leitor com a descrição do artigo para depois o desenvolver (HARPER, 1998: p.5) – até porque, como observa DeVigal, os leitores de informação online consomem primeiro o título de uma notícia e só depois as imagens que lhe estão associadas (DEVIGAL). Em termos médios, a disposição das notícias na primeira página apresenta-se significativamente diferente nas edições em papel ou para a Internet: enquanto nas primeiras a disposição dos conteúdos noticiosos não parece obedecer a qualquer organização por temas (verificado em 91.7% dos casos), o mesmo já não se verifica nas segundas (apenas 45.4%). Contudo, estratégias muito diversas se observam a este respeito quando atendemos à especificidade de cada um dos jornais considerados. Entre os diários generalistas, Correio da Manhã e Diário de Notícias optam por referir na primeira página da sua edição online o enquadramento temático respectivo de cada notícia ausente da sua congénere tradicional; já Público e Expresso reproduzem na edição para a Internet a ausência de enquadramento temático encontrado na primeira página da edição em papel, primando igualmente o Jornal de Notícias por essa ausência,em contraciclo com o verificado para o outro título da Lusomundo considerado. Entre os desportivos, Record segue a linha de CM e DN no aproveitamento do novo ambiente de publicação para a explicitação da secção temática a que corresponde cada notícia, enquanto que A Bola e O Jogo reproduzem online a ausência de tematização da primeira página em papel. Relativamente ao número de itens contabilizados por primeira página em cada um dos ambientes analisados, ele é superior no suporte electrónico, quer em valor total (1349 para 1070) quer em valor médio (6.3 para 4.7). Este dado pareceria indiciar que o incremento de espaço para publicação seria aproveitado em Portugal. No entanto, uma análise caso a caso não confirma esta assumpção. Público, CM, JN e Expresso apresentam menor número de notícias na sua primeira página online face à sua congénere em papel, sendo o DN o único de entre os generalistas que contraria esta prática. Entre os desportivos, o Record apresenta número superior de items na edição online, O Jogo aproximadamente o mesmo, e A Bola um número inferior.

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Report ID5 Item ID3 Medium Público ID4 Suporte Papel Online Total Papel Online Total Papel Online Total Papel Online Total Papel Online Total Papel Online Total Papel Online Total Papel Online Total Papel Online Total N 124 117 241 141 100 241 182 156 338 166 280 446 47 103 150 107 84 191 140 340 480 163 169 332 1070 1349 2419 Mean 3,94 3,46 3,71 4,20 3,00 3,70 5,39 4,42 4,94 4,79 7,65 6,59 8,34 3,55 5,05 3,70 2,50 3,17 4,29 10,49 8,69 4,88 4,83 4,86 4,71 6,30 5,60

Correio da Manhã

Jornal de Notícias

Diário de Notícias

Expresso

A Bola

Record

O Jogo

Total

Quadro nº16 - Número de itens contabilizados por primeira página, por publicação

No que concerne ao tipo de item noticioso encontrado, à relativa paridade verificada nas primeiras páginas das edições em papel sucede um reforço do recurso a teasers, o que indicia uma utilização do espaço virtual para disponibilização de informação que não se esgote na mera titularização da notícia. Numa análise mais apurada, apenas A Bola não confirma este padrão, apresentando exclusivamente títulos na sua primeira página online. Entre as restantes publicações apenas o CM e o DN mudam da abordagem da edição tradicional - centrada em títulos - para a electrónica - centrada em teasers; JN e Record reproduzem na edição para a Internet a mesma ênfase em títulos encontrado na edição em papel. No que diz respeito ao desenvolvimento das notícias contabilizadas na primeira página feito em páginas interiores, o tipo de item encontrado não diverge muito quando comparamos o suporte papel e o suporte electrónico. Se as notícias no seu sentido mais tradicional contabilizam, em ambos os ambientes, aproximadamente metade do total analisado, a nota de maior destaque cabe ao indício de duplicação da frequência de editoriais ou comentários. Paralelamente, observa-se uma ligeira tendência de publicação de notícias em formato mais "directo" no ambiente online, face a uma ligeira ênfase em enquadramentos ou análise no ambiente tradicional. Contudo, os dois indícios gerais anteriores apenas se confirmam em

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casos muito concretos. Com efeito, e em primeiro lugar, o valor médio de acréscimo observado de editoriais ou comentários resulta de um enviesamento suscitado pelo conteúdo do Expresso e do Record - nos quais esse acréscimo é, de facto, significativo - pelo que não se confirma o grau dessa tendência nas restantes publicações consideradas. Em segundo lugar, a tendência para conteúdos mais "directos" destacados na primeira página assume particular relevo no Público e também, como seria de esperar face ao anteriormente disposto, no Expresso - cuja edição em papel é a única a apresentar conteúdos exclusivamente desenvolvidos na primeira página: as chamadas breves.

ID4 Suporte * C021 Tipo de Item (página interior) * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte C021 Tipo de Item (página interior) Comentário / Docume Colour-writing Editorial Análise Entrevista ntação 13,7% ,8% 35,5% 4,8% 3,4% ,9% 15,4% 1,7% 8,7% ,8% 25,7% 3,3% 9,9% ,7% 22,0% 4,3% 10,0% 19,0% 2,0% 10,0% ,4% 20,7% 3,3% 11,5% 1,1% 24,2% 4,9% 5,8% 1,9% 25,2% 4,5% 8,9% 1,5% 24,6% 4,7% 10,2% 6,0% 21,1% 6,6% 10,8% 23,0% 5,9% 10,6% 2,3% 22,3% 6,2% 14,9% 2,1% 6,8% 19,4% 2,9% 4,9% 4,7% 13,3% 6,7% 4,0% 25,5% 17,6% 12,7% 6,9% 26,3% 20,0% 12,5% 10,0% 1,3% 25,8% 18,7% 12,6% 8,2% ,5% 18,6% 19,3% 9,3% 3,6% 10,7% 32,0% 6,5% ,9% 13,0% 28,2% 7,3% 1,7% 19,1% 11,7% 9,3% 16,7% 22,5% 15,4% 8,3% 14,2% 1,2% 20,8% 13,6% 8,8% 15,4% ,6%

ID3 Medium Público

Breve ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online 2,1% ,7% 2,8% 1,7%

Correio da Manhã

Jornal de Notícias

Diário de Notícias

Expresso

A Bola

Record

O Jogo

,6% ,4% 3,1% 3,6% 3,3%

Artigo 45,2% 78,6% 61,4% 60,3% 69,0% 63,9% 58,2% 62,6% 60,2% 56,0% 60,2% 58,6% 27,7% 66,0% 54,0% 37,3% 30,0% 34,1% 49,3% 49,4% 49,4% 40,1% 34,9% 37,5%

Não se aplica

53,2% 16,7%

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº17 - Tipos de continuação, nas páginas interiores, dos itens da primeira página, por publicação e por ambiente (online/papel)

A hipertextualidade da informação online permite ainda associar a cada conteúdo hiperligações a outros locais onde uma notícia pode encontrar informação e enquadramento adicionais (PARKER, 1998: p.2), tornando possível a credibilização da informação avançada pelo jornal online através da sua confirmação junto de outras fontes (MORKES, JACOB). Contudo, a este nível o cenário encontrado não indicia transformações significativas no paradigma jornalístico dominante. Analisando neste particular cada uma das publicações, apenas o Público refere outras publicações no texto das notícias destacadas nas primeiras páginas, ainda que de forma residual e somente para as suas edições em papel.

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A política de hiperligações pode ainda ilustrar o enquadramento empresarial de um jornal online – caso as mesmas apontem exclusivamente para o mesmo jornal ou outras iniciativas do mesmo grupo económico (PARKER, 1998: p.5) – e a sua política de captação de leitores – caso se constitua simultaneamente como jornal e como portal recolector de conteúdos. Paralelamente, dado permitir uma multiplicidade de trajectos por entre o conteúdo noticioso, possibilita a passagem de uma “audiência de muitos” para uma “audiência de um”, ou seja, que cada leitor possa viajar por cada conteúdo da forma que entender (GIUSSANI: p.2). Verificam-se práticas de self-referencing semelhantes entre suportes diferentes da mesma publicação: mais de 70% das notícias analisadas nas edições online e mais de 90% nas edições em papel não compreendem qualquer referência ou link para conteúdos na mesma edição. Contudo, e ainda em termos médios, o mesmo não se verifica quanto à lógica interna do site dado que não foram observadas referências mais que residuais a conteúdos nele presentes. Duas realidades foram constatadas, em termos individuais.. Por um lado, as que dizem respeito a referências num suporte a partir do outro. Neste domínio, e entre as publicações generalistas, merece menção o facto de o JN contrastar com a restante amostra ao apresentar menos referências para outros conteúdos na sua edição online que na sua congénere em papel. Nos restantes títulos, ainda que o DN e o CM apresentem links para outros conteúdos nos desenvolvimentos de notícias apresentadas nas primeiras páginas, a verdade é que apenas um link é contabilizado em qualquer dos casos; somente O Jogo e o Público apresentam mais de um link com essa finalidade (sobretudo no caso do primeiro).

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ID4 Suporte * c100r Quantidade de referências / links a informação a uma edição do mesmo jornal, no mesmo ambiente * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte c100r Quantidade de referências / links a informação a uma edição do mesmo jornal, no mesmo ambiente Nenhuma Uma Duas ou mais 87,9% 11,3% ,8% 65,8% 12,0% 22,2% 77,2% 11,6% 11,2% 88,6% 11,4% 49,0% 50,0% 1,0% 72,1% 27,5% ,4% 87,9% 12,1% 99,4% ,6% 93,2% 6,8% 92,7% 6,1% 1,2% 36,0% 64,0% 57,9% 41,6% ,5% 100,0% 97,1% 2,9% 98,0% 2,0% 98,1% 1,9% 98,8% 1,2% 98,4% 1,6% 92,9% 7,1% 100,0% 97,9% 2,1% 95,1% 4,9% 37,3% 13,6% 49,1% 65,6% 9,4% 25,1%

ID3 Medium Público

ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total

Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online

Correio da Manhã

Jornal de Notícias

Diário de Notícias

Expresso

A Bola

Record

O Jogo

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº18 - Número de referências/links a informação numa edição da mesma publicação, no mesmo ambiente

Por outro lado, e quanto a cross-referencing entre suportes diferentes de uma mesma publicação, os valores observados são muito baixos para qualquer um dos títulos considerados: acréscimos para Público, Expresso e JN (único que os possuía na edição em papel), decréscimo no Record, e manutenção da ausência de referências desta natureza nas restantes publicações. Mais de 70% dos jornalistas não consideram a hipertextualidade uma mais valia, sendo que apenas n’A Bola a distribuição desta valorização se aproxima sequer da equidade. Os outros desportivos são, aliás, os jornais onde esta valorização é menos lisonjeira.

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ID3 Medium * P86b 86b. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é ter hiperligações a outros media Crosstabulation % within ID3 Medium P86b 86b. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é ter hiperligações a outros media 0 não 1 sim 76,7% 23,3% 70,4% 29,6% 71,4% 28,6% 65,5% 34,5% 68,0% 32,0% 55,0% 45,0% 84,6% 15,4% 75,0% 25,0% 71,1% 28,9%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº19 - Representação das hiperligações a outros media numa edição online, por publicação

São sobretudo os jornalistas mais jovens os que menos consideram relevante esta dimensão. Contudo, os mais escolarizados e com formação específica para a Internet possuem uma representação tendencialmente mais positiva, ainda que negativa no cômputo geral, provavelmente mais no sentido de avaliar o seu potencial que propriamente a utilização que dele é feita.

Em resumo, e no que diz respeito à utilização do espaço virtual, apenas algumas publicações alteram a sua prática de referência ao enquadramento temático de cada peça noticiosa, sendo que alguns o inserem quando não existia na edição em papel e outros o retiram quando a ele se referiam nela.. Paralelamente, uma parte significativa das publicações apresenta um número menor de notícias nas suas primeiras páginas online. O maior aproveitamento deste espaço acrescido parece, portanto, ser a substituição de títulos por teasers. Público e Expresso destacam-se ainda por constituírem os únicos casos em que a primeira página online é utilizada para a artigos inteiros – e não apenas títulos ou teasers. Quanto ao aproveitamento de hiperligações para fact checking, as edições online não apresentam diferenças face ao encontrado nas edições em papel – apenas algumas foram encontradas no Público. A fraca utilização da hipertextualidade traduz-se também na ausência frequente de hiperligações que relacionem uma peça noticiosa com outra – apenas o Público e O Jogo fogem a esta regra –, confirmando-se a perspectiva de Deuze, para quem o aproveitamento da

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hipertextualidade é actualmente medíocre (2001: p.4/5). Esta ausência de hiperligações pode, em parte, ser explicada pela fraca valorização que delas é feita pela maior parte dos jornalistas, sobretudo os mais jovens.

4.4.3. A MULTIMEDIALIDADE E A ROTINA DA IMPRENSA ESCRITA COMO METÁFORA

Dada a convergência infra-estrutural electrónica, o meio online permite igualmente a utilização conjunta de várias linguagens, para além do texto e imagem estática presentes no Jornalismo tradicional (GIUSSANI: p.2). À adaptação de conteúdos noticiosos a estes diversos suportes, e sobretudo à sua convergência – ou seja, à sua utilização em conjunto para melhor veicular uma determinada mensagem – é dada a designação de multimedialidade. Em conjunto com a utilização de hipertexto, o carácter multimedia da informação disponibilizada na Internet por jornais assinala a passagem de uma relação unidimensional para uma relação multidimensional com os leitores (POOLE, 2001: p.4). Apesar deste potencial, e ainda que a Internet possibilite a disponibilização de conteúdos noticiosos Multimedia em tempo real, sem limites de espaço e um acesso quase ilimitado a outros conteúdos relacionados com os disponibilizados pelos jornais online (KING, 2000: p.51), o seu aproveitamento encontra-se sujeito a constrangimentos logísticos tais como a disponibilidade de largura de banda (DEUZE, 2001: p.4/5) – sem a qual a utilização, por exemplo, de imagens vídeo fica seriamente comprometida – e de software descodificador apropriados. A primeira nota neste domínio vai para a ausência de qualquer conteúdo sonoro anexo às notícias contabilizadas. Por outro lado, ainda que, como já vimos, o incremento de espaço para publicação na Internet seja utilizado, em média, para a disponibilização de informação para além do título, o mesmo não acontece relativamente a imagem: verifica-se mesmo ser mais frequente a presença de imagem nas primeiras páginas das edições em papel (38.9% das peças) que nas suas congéneres electrónicas (27.6%). Quando observamos em detalhe os dados relativos a cada jornal sob escrutínio confirma-se essa tendência, contrariada apenas pelo Expresso. Entre os restantes diários generalistas, só o Público revela uma ênfase ligeiramente esbatida na ausência de imagem na primeira página electrónica. Já entre os desportivos, Record reproduz a tendência já aludida, com menor frequência de apresentação de imagem na primeira página online, e A Bola opta por apresentar apenas uma reprodução da capa da edição em papel; somente O Jogo

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apresenta, na página inicial, imagens com maior frequência, seguindo a este nível a mesma estratégia da edição tradicional.

ID4 Suporte * C030 Presença de ilustrações audio e/ou visuais (primeira página) * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte C030 Presença de ilustrações audio e/ou visuais (primeira página) Não Sim 72,6% 27,4% 65,8% 34,2% 69,3% 30,7% 61,7% 38,3% 80,0% 20,0% 69,3% 30,7% 70,3% 29,7% 87,2% 12,8% 78,1% 21,9% 77,1% 22,9% 100,0% 91,5% 8,5% 70,2% 29,8% 27,2% 72,8% 40,7% 59,3% 52,3% 47,7% 100,0% 73,3% 26,7% 54,3% 45,7% 69,1% 30,9% 64,8% 35,2% 34,4% 65,6% 33,7% 66,3% 34,0% 66,0%

ID3 Medium Público

ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total

Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online

Correio da Manhã

Jornal de Notícias

Diário de Notícias

Expresso

A Bola

Record

O Jogo

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº20 - Presença de ilustrações audio e/ou vídeo na primeira página, por publicação e ambiente

Ainda no capítulo da multimedialidade observada nos conteúdos noticiosos contabilizados na primeira página das publicações sob análise importa referir, como demonstrado nos quadros seguintes, a ausência de referência ou hiperligação a outros conteúdos multimédia como fotografias, infografias, outras imagens não-informativas, imagens em formato vídeo, e animações. Relativamente ao carácter multimédia do desenvolvimento das notícias destacadas nas primeiras páginas feito nas páginas interiores, acentua-se a tendência já observada para as primeiras páginas: um acentuado decréscimo da presença de imagens nas edições online (91.3% de peças com imagens na edição em papel para 35.3% nas online), paralelamente à reincidência na ausência de qualquer conteúdo sonoro adicional. Esta tendência apenas não é confirmada nos casos do Público e do CM, cujas edições em papel eram já fortemente ilustradas. Na restante amostra observam-se decréscimos no recurso a este conteúdo, desde a

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ligeira redução na sua utilização observada n'A Bola ao desaparecimento completo das ilustrações verificado no JN, tendo em conta a forte incidência contabilizada na sua edição tradicional.

ID4 Suporte * C050 Presença de ilustrações audio e/ou visuais (página interior) * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte C050 Presença de ilustrações audio e/ou visuais (página interior) Não Sim NA 6,5% 93,5% 2,6% 97,4% 4,6% 95,4% ,7% 99,3% 100,0% ,4% 99,6% 3,9% 96,1% 100,0% 48,4% 51,6% 7,2% 92,8% 99,6% ,4% 65,2% 34,8% 21,3% 25,5% 53,2% 83,5% 16,5% 64,0% 19,3% 16,7% 5,9% 94,1% 12,5% 87,5% 8,8% 91,2% 7,1% 92,9% 79,3% 20,7% 58,2% 41,8% 8,0% 92,0% 38,0% 62,0% 22,8% 77,2%

ID3 Medium Público

ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total

Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online

Correio da Manhã

Jornal de Notícias

Diário de Notícias

Expresso

A Bola

Record

O Jogo

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº21 - Presença de ilustrações audio e/ou vídeo nas páginas interiores, por publicação e ambiente

Também no que se refere a referências ou hiperligações a outros conteúdos multimédia o cenário segue, nas páginas interiores, a linha observada para as primeiras páginas: conteúdos como fotografias, infografias, outras imagens não-informativas, imagens em formato vídeo, e animações não são utilizadas nem indicadas para consulta noutros locais. Paralelamente, a natureza multimédia dos conteúdos é valorizada positivamente pelos inquiridos, como demonstra o facto de mais de 85% a defender, com particular destaque para o observado entre os jornalistas do JN e Expresso.

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ID3 Medium * P64 64. A notícia online deve combinar texto, imagem estática, som, e imagem em movimento Crosstabulation % within ID3 Medium P64 64. A notícia online deve combinar texto, imagem estática, som, e imagem em movimento 1 Discordo 2 Discordo 3 Concordo 4 Concordo totalmente em parte em parte totalmente Total Público 13,3% 6,7% 50,0% 30,0% 100,0% Correio da Manhã 7,7% 11,5% 30,8% 50,0% 100,0% Jornal de Notícias 4,8% 52,4% 42,9% 100,0% Diário de Notícias 14,8% 48,1% 37,0% 100,0% Expresso 4,2% 58,3% 37,5% 100,0% A Bola 5,3% 15,8% 42,1% 36,8% 100,0% Record 12,5% 50,0% 37,5% 100,0% O Jogo 22,2% 55,6% 22,2% 100,0% 5,6% 8,9% 47,8% 37,8% 100,0%

ID3 11 Medium 12 13 14 15 16 17 18 Total

Quadro nº22 - Representação do carácter multimedia de uma notícia, por publicação

São sobretudo os jornalistas mais experientes e menos escolarizados os que mais valorizam a multimedialidade das peças noticiosas. Em simultâneo, defendem mais a natureza multimédia os inquiridos com formação nesta área. A presença de som nos sites dos jornais é, de acordo com os dados, desconsiderada: mais de 95% dos inquiridos não a integram nas cinco principais características do site de um médium. Não deixa, no entanto, de ser paradoxal o facto de os jornalistas do médium com o único site que disponibiliza som – DN – se posicionarem a 100% como considerando pouco importante esta dimensão.

ID3 Medium * P86j 86j. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é disponibilizar peças acompanhadas de som Crosstabulation % within ID3 Medium P86j 86j. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é disponibilizar peças acompanhadas de som 0 não 1 sim 90,0% 10,0% 96,3% 3,7% 90,5% 9,5% 100,0% 100,0% 95,0% 5,0% 96,2% 3,8% 100,0% 95,8% 4,2%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº23 - Representação da natureza audio de um site de um medium, por publicação

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São os jornalistas mais jovens, mais escolarizados e com formação na Internet os que parecem valorizar a presença de som nos sites dos media. A própria presença de fotografias nos sites não parece colher grande simpatia por parte dos jornalistas inquiridos: mais de 80% não a consideram como uma das cinco mais importantes características desses sites, sendo sobretudo os desportivos os que mais a valorizam, para além do CM.

ID3 Medium * P86k 86k. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é disponibilizar peças acompanhadas de fotografias Crosstabulation % within ID3 Medium P86k 86k. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é disponibilizar peças acompanhada s de fotografias 0 não 1 sim 93,3% 6,7% 74,1% 25,9% 81,0% 19,0% 89,7% 10,3% 88,0% 12,0% 65,0% 35,0% 88,5% 11,5% 58,3% 41,7% 82,1% 17,9%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº24 - Representação da presença de fotografias no site de um medium, por publicação

Na distribuição etária e por formação, os dados disponíveis não indiciam uma tendência de posicionamento visível a este respeito. Já quanto à distribuição em função da posse de formação específica para utilização da Internet se verifica serem sobretudo os infoliterados os que valorizam a fotografia como elemento da peça noticiosa no site. A presença de imagens vídeo é, também ela, desconsiderada por mais de 93% dos inquiridos como elemento importante de uma peça noticiosa de um médium de imprensa escrita quando estabelecido na Internet, de que é caso paradigmático O Jogo. Apenas no JN e n’A Bola surgem algumas vozes que contrariam esta tendência, ainda que minoritárias.

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ID3 Medium * P86l 86l. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é disponibilizar peças acompanhadas de imagens video Crosstabulation % within ID3 Medium P86l 86l. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é disponibilizar peças acompanhadas de imagens video 0 não 1 sim 96,7% 3,3% 96,3% 3,7% 85,7% 14,3% 96,6% 3,4% 92,0% 8,0% 85,0% 15,0% 92,3% 7,7% 100,0% 93,2% 6,8%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº25 - Representação da presença de imagens video no site de um medium, por publicação

Na distribuição etária e por grau de escolaridade não são visíveis tendências claras, mas entre os jornalistas com formação específica para utilização da Internet contam-se mais vozes no sentido da valorização do vídeo como elemento da peça noticiosa, mas novamente com valores apesar de tudo marginais - 15.4% para 6.3%.

P25 25. Frequentou / frequenta curso(s) de formação para utilização da Internet? * P86l 86l. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é disponibilizar peças acompanhadas de imagens video Crosstabulation % within P25 25. Frequentou / frequenta curso(s) de formação para utilização da Internet? P86l 86l. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é disponibilizar peças acompanhada s de imagens video 0 não 1 sim P25 25. Frequentou / frequenta curso(s) de formação para utilização da Internet? Total 0 Não 1 Sim 93,7% 84,6% 93,1% 6,3% 15,4% 6,9%

Total 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº26 - Representação da presença de imagens video no site de um medium, face à formação específica dos inquiridos para utilização da Internet

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Resumindo, ainda que a natureza multimédia de uma notícia surja nas respostas de mais de 85% dos jornalistas (sobretudo os mais velhos) como algo desejável, constata-se uma redução da utilização da fotografia como elemento associado a / referenciado em cada peça noticiosa, algo que é coerente com a desvalorização que dela é feita por parte dos jornalistas quando considerada isoladamente. Sem grande surpresa face ao tipo de jornalismo em análise – imprensa escrita –, observa-se também não apenas a ausência de utilização e de valorização do vídeo como recurso, mas ainda do áudio.

4.4.4. A INTERACTIVIDADE E A ROTINA DA IMPRENSA ESCRITA COMO METÁFORA

Por interactividade deve entender-se um significado decalcado do originalmente definido por Wiener para o conceito feedback, ou seja, o “(...) tipo de relação que faz com que o comportamento de um sistema modifique o comportamento de outro” (FREITAS, citado em MURAD, 1999: p.2). Em termos de Jornalismo online, esta decorre da disponibilização de opções que permitam a interacção do leitor com os conteúdos e, através deles, com outros leitores, pelo que Boczkowski define duas dimensões de interactividade: por um lado, a capacidade dos leitores em formatar e aceder aos conteúdos do seu interesse de acordo com este último; por outro lado, a capacidade de estabelecer contacto, quer com recursos humanos do jornal online, quer com outros leitores (BOCZKOWSKI, 2002: p.277). Temos, portanto, uma interactividade de conteúdo diferente de uma interactividade de contacto (MASSEY e LEVY, 1999). Deuze considera que a interactividade de conteúdo compreende essencialmente três aspectos: navegacional, tendo em conta as ferramentas existentes para escolha e experimentação da página em si; funcional, em termos dos instrumentos utilizados para dialogar com os conteúdos e autores do site; e adaptativa, ou seja, o conjunto de ferramentas de personalização do site (DEUZE, 2001: p.4/5). Este último aspecto é, por vezes, destacado como uma das nuances mais características das páginas online, dado permitir a adaptação/personalização/individualização dos conteúdos noticiosos ao visitante, quer seja por acção directa deste, quer seja por acção do jornal através da utilização de mecanismos de controlo da navegação do leitor. A interactividade pode, assim, permitir uma nova experiência do conteúdo noticioso, mais rápida, participativa e enriquecida com opções técnicas, baseada na bidireccionalidade e aceleração do contacto comunicativo.
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Genericamente, o número total de itens de interactividade é, em média, superior nas primeiras páginas das edições para a Internet, numa relação de quatro para dois. Contudo, e mais uma vez, esta tendência esconde variações casuísticas dignas de registo: são novamente os desportivos O Jogo e Record que apresentam maior incidência deste tipo de item na primeira página – nove na edição online para apenas um na edição em papel. Nos restantes casos não existem variações observáveis ou dignas de realce, à excepção do Público, cuja edição para a Internet possui na sua primeira página apenas metade dos items presentes na primeira página da edição em papel. Apenas a possibilidade de envio da peça através de correio electrónico, oferecida especificamente no meio online, parece ter alguma expressão, tendo sido contabilizada em mais de dois terços das notícias contabilizadas. Com a excepção do DN, a possibilidade de envio da peça por correio electrónico é verificada precisamente para os mesmos jornais nos quais se possibilita o comentário, com expressão semelhante.

ID4 Suporte * C120 Possibilidade de envio do artigo por e-mail * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte C120 Possibilidade de envio do artigo por e-mail 0 Não 1 Sim 100,0% 100,0% 51,5% 48,5% 100,0% 100,0% 58,5% 41,5% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 16,9% 83,1% 100,0% 100,0% 31,3% 68,7% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 29,2% 70,8% 100,0% 100,0% 100,0%

ID3 Medium 1 Público

ID4 Suporte 1 2 Total 2 Correio da Manhã ID4 Suporte 1 2 Total 3 Jornal de Notícias ID4 Suporte 1 2 Total 4 Diário de Notícias ID4 Suporte 1 2 Total 5 Expresso ID4 Suporte 1 2 Total 6 A Bola ID4 Suporte 1 2 Total 7 Record ID4 Suporte 1 2 Total 8 O Jogo ID4 Suporte 1 2 Total

Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº27 - Possibilidade de envio de uma notícia por e-mail, por publicação

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Em termos de uma interactividade de contacto, as potencialidades interactivas do novo medium transformam igualmente o carácter do jornal online, o qual deixa de ser um produto para se tornar um lugar (GIUSSANI: p.4). No entanto, e novamente, é preciso distinguir entre a facilitação do estabelecimento do canal de comunicação e a existência de mínimos denominadores simbólicos entre os interlocutores, necessários ao estabelecimento de comunicabilidades. Observa-se que apenas a edição online d’A Bola não possui qualquer sondagem de opinião ou possibilidade de comentar notícias. Fóruns apenas se observam nas edições online do Público, Diário de Notícias e Jornal de Notícias, iniciáveis pelo jornal e pelos leitores no primeiro caso, exclusivamente iniciados pelo jornal nos casos dos diários da Lusomundo. Estes últimos diários são igualmente, a par do Expresso, os únicos que referem na sua primeira página uma secção específica de cartas dos leitores. Em relação à disponibilização de ferramentas de auscultação da opinião dos leitores, os valores médios observados segundo o suporte considerado indicam uma preferência pela afixação de comentários isolados (possível em 48.9% das peças), em detrimento de sondagens directamente relacionadas com a peça noticiosa em questão e do incentivo à troca de impressões entre leitores (ambos ausentes em todas as peças) – mesmo considerando que a possibilidade de enviar comentários permite, muitas vezes, a constituição de um fórum sem que tal seja promovido sob essa designação. Simultaneamente, a promessa da interactividade de contacto, designadamente através da publicação dos endereços de email dos jornalistas, tem sido de difícil cumprimento, podendo ser considerada uma falsa promessa e uma expectativa irrealista dado que não só o seu escrutínio consome tempo valioso – não sendo possível aos jornalistas dar a atenção individualizada implícita na disponibilização dos seus endereços de email a cada leitor – mas também pelo facto de a maior parte do correio recebido muitas vezes não ser considerado relevante – sem prejuízo da sua utilidade em domínios como o estabelecimento de contacto com fontes (BAYÉ, 2000: p.29; SEIBEL, 2000: p.28). O comentário directo ao autor da peça não é, em média, possível dada a ausência quase completa de referência ao seu endereço de correio electrónico – excepção a um caso verificado na edição em papel do Público. Entre os jornais generalistas, a possibilidade de envio de comentários ao conteúdo noticioso destacado nas primeiras páginas conhece dois cenários bem distintos: oferecida pelo Público, Correio da Manhã e Expresso – com particular incidência neste último –, ela não existe nas restantes publicações, ou seja, nas detidas pelo grupo Lusomundo. Entre os
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desportivos, apenas é disponibilizada pelo Record, publicação com a maior incidência de toda a amostra. Neste domínio, portanto, assumem o comentário como imagem de marca o Expresso e o Record.

ID4 Suporte * C122 Possibilidade de comentar o artigo * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte C122 Possibilidade de comentar o artigo 0 Não 1 Sim 100,0% 100,0% 51,5% 48,5% 100,0% 100,0% 58,5% 41,5% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 31,3% 68,7% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 29,2% 70,8% 100,0% 100,0% 100,0%

ID3 Medium 1 Público

ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total

1 Papel 2 Online 1 Papel 2 Online 1 Papel 2 Online 1 Papel 2 Online 1 Papel 2 Online 1 Papel 2 Online 1 Papel 2 Online 1 Papel 2 Online

2 Correio da Manhã

3 Jornal de Notícias

4 Diário de Notícias

5 Expresso

6 A Bola

7 Record

8 O Jogo

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº28 - Possibilidade de comentário a uma notícia, por publicação

A esmagadora maioria dos jornalistas – 85%, aproximadamente – considera que as edições online fomentam mais o contacto com os seus leitores, sobretudo nas redacções do DN e Expresso.

ID3 Medium * P75 75. As edições online permitem maior interactividade com o público que as edições tradicionais Crosstabulation % within ID3 Medium P75 75. As edições online permitem maior interactividade com o público que as edições tradicionais 1 Discordo 2 Discordo 3 Concordo 4 Concordo totalmente em parte em parte totalmente 3,3% 13,3% 46,7% 36,7% 14,8% 7,4% 37,0% 40,7% 15,0% 10,0% 30,0% 45,0% 3,6% 50,0% 46,4% 4,0% 60,0% 36,0% 30,0% 50,0% 20,0% 8,3% 8,3% 25,0% 58,3% 8,3% 41,7% 50,0% 9,1% 6,5% 43,0% 41,4%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

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Quadro nº29 - Representação da interactividade das edições online face às edições em papel, por publicação

São sobretudo os jornalistas mais jovens e que possuem formação específica para a Internet os que mais aderem a esta ideia; ainda que o mesmo não aconteça entre os mais escolarizados. No entanto, mais de 82% dos jornalistas reconhece que a interactividade não constitui um dos aspectos mais importantes do site do médium no qual exercem actividade profissional. Apesar de marginal, a importância desta dimensão é perfilhada por alguns inquiridos nas redacções do CM, JN e Record, e recusada sobretudo no DN, A Bola e O Jogo.

ID3 Medium * P88e 88e. Um dos cinco traços mais importantes no site do Media em que trabalha é o número de serviços interactivos que disponibiliza Crosstabulation % within ID3 Medium P88e 88e. Um dos cinco traços mais importantes no site do Media em que trabalha é o número de serviços interactivos que disponibiliza 0 não 1 sim 83,3% 16,7% 70,4% 29,6% 76,2% 23,8% 93,1% 6,9% 84,0% 16,0% 90,0% 10,0% 76,9% 23,1% 91,7% 8,3% 82,6% 17,4%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº30 - Representação da interactividade do site do medium do inquirido, por publicação

A distribuição por idade não apresenta grandes variações face aos posicionamentos relativamente à valorização da dimensão de interactividade em análise, ainda que esta última aumente entre os mais escolarizados. No entanto, o reconhecimento de que este potencial não é explorado é ligeiramente superior entre os inquiridos que possuem formação específica para a Internet. A mesma valorização da interactividade com os leitores se verifica numa outra questão, para cerca de 80% dos inquiridos, sobretudo os mais jovens e os que possuem formação específica para utilização da Internet. Destacam-se CM, JN, A Bola e Record na adesão a esta ideia, mas não deixa de surpreender a posição dos inquiridos dos jornais com

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redacções online mais fortes – Público e Expresso – , onde a discordância com esta ideia assume algum significado estatístico.

ID3 Medium * P76 76. O Jornalismo na Internet deve ser fortemente marcado pela interacção entre jornalistas e públicos Crosstabulation % within ID3 Medium P76 76. O Jornalismo na Internet deve ser fortemente marcado pela interacção entre jornalistas e públicos 1 Discordo 2 Discordo 3 Concordo 4 Concordo totalmente em parte em parte totalmente 3,7% 33,3% 37,0% 25,9% 3,8% 7,7% 61,5% 26,9% 5,0% 35,0% 60,0% 4,0% 12,0% 44,0% 40,0% 13,0% 26,1% 43,5% 17,4% 5,9% 88,2% 5,9% 8,7% 8,7% 43,5% 39,1% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 5,8% 14,6% 48,0% 31,6%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº31 - Representação da interactividade entre jornalistas e públicos, por publicação

Entre os mais escolarizados, a adesão a esta tese desce de intensidade, mantendo-se no entanto como tendência a subscrição desta ideia. A dificuldade no estabelecimento de contacto com a redacção é igualmente reconhecida por mais de 93% dos inquiridos, particularmente no Expresso e n’O Jogo.

ID3 Medium * P88h 88h. Um dos cinco traços mais importantes no site do Media em que trabalha é a facilidade com que é possível contactar a redacção Crosstabulation % within ID3 Medium P88h 88h. Um dos cinco traços mais importantes no site do Media em que trabalha é a facilidade com que é possível contactar a redacção 0 não 1 sim 93,3% 6,7% 85,2% 14,8% 95,2% 4,8% 93,1% 6,9% 100,0% 95,0% 5,0% 92,3% 7,7% 100,0% 93,7% 6,3%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº32 - Representação do contacto com a redacção do medium do inquirido através do seu site, por publicação

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São os jornalistas mais jovens e mais escolarizados os que mais reconhecem esta limitação, bem como os jornalistas sem formação específica para a Internet. Uma das razões pelas quais a resposta – e a interactividade ela própria – não parece ser fomentada será, porventura, a resistência à divulgação dos endereços pessoais de correio electrónico encontrada entre os inquiridos: mais de 93% não consideram essa informação uma das mais importantes dos sites dos media, sendo esta posição perfilhada por todos os jornalistas inquiridos nas redacções do Correio da Manhã e A Bola.

ID3 Medium * P86n 86n. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é disponibilizar o endereço de e-mail dos jornalistas Crosstabulation % within ID3 Medium P86n 86n. Uma das cinco mais importantes características do site de um Media é disponibilizar o endereço de e-mail dos jornalistas 0 não 1 sim 90,0% 10,0% 100,0% 90,5% 9,5% 89,7% 10,3% 92,0% 8,0% 100,0% 92,3% 7,7% 91,7% 8,3% 93,2% 6,8%

ID3 Medium

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Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº33 - Representação da disponibilização do endereço de e-mail no site de um medium, por publicação

São os jornalistas menos escolarizados e sem formação para a Internet os que mais se opõem a esta ideia, a qual colhe igualmente junto de alguns dos mais jovens. Quanto à prática efectiva dos inquiridos a este respeito, a primeira nota vai para o facto de quase metade da amostra – 45% – efectivamente não ler o correio electrónico enviado pelos leitores. Entre os que lêem, essa prática é de intensidade assinalável: mais de 90% desses inquiridos lê tudo ou quase tudo o que lhe é enviado, destacando-se neste particular o Expresso e dois dos três desportivos.

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ID3 Medium * P79_2 79.2. Lê o e-mail que recebe do público? Crosstabulation % within ID3 Medium P79_2 79.2. Lê o e-mail que recebe do público? 1 Sim, todos ou 2 Sim, mas quase todos apenas alguns 92,6% 7,4% 83,3% 16,7% 93,3% 6,7% 92,9% 7,1% 100,0% 71,4% 28,6% 100,0% 100,0% 91,3% 8,7%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº34 - Hábitos de leitura de e-mail recebido dos públicos, por publicação

São sobretudo os jornalistas mais velhos, menos escolarizados mas com mais formação específica para a Internet os que lêem o correio que os leitores enviam. No entanto, e face ao facto de que a verdadeira interactividade implica diálogo, ou seja, resposta ao correio electrónico recebido, a percentagem de jornalistas inquiridos que responde a tudo o que recebe desce para cerca de metade da amostra, surgindo já cerca de 14% que assumem não responder a qualquer e-mail. É sobretudo no CM e n’A Bola que a prática de não responder mais colhe, sendo o Público, DN, Expresso e O Jogo os que mais respondem.

ID3 Medium * P79_3 79.3. Responde ao e-mail que recebe do público? Crosstabulation % within ID3 Medium P79_3 79.3. Responde ao e-mail que recebe do público? 1 Sim, todos ou 2 Sim, mas 0 Não quase todos apenas alguns 11,1% 59,3% 29,6% 35,0% 40,0% 25,0% 26,7% 73,3% 50,0% 50,0% 12,5% 50,0% 37,5% 42,9% 42,9% 14,3% 30,0% 70,0% 14,3% 57,1% 28,6% 13,9% 45,4% 40,7%

ID3 Medium

11 12 13 14 15 16 17 18

Público Correio da Manhã Jornal de Notícias Diário de Notícias Expresso A Bola Record O Jogo

Total

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº35 - Hábitos de resposta a e-mail recebido dos públicos, por publicação

São os jornalistas mais jovens e mais escolarizados os que menos respondem às solicitações dos leitores. Ainda que com valores apenas ligeiramente diferentes, verifica-se

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que os inquiridos com formação específica para a Internet respondem mais aos contactos estabelecidos pelos leitores.

Em síntese, o reenvio de peças noticiosas por correio electrónico e o comentário isolado a notícias se assumem como o essencial das mais-valias nas edições online face ao observado nas edições em papel. Paralelamente, mesmo tendo em conta a valorização positiva feita da interactividade enquanto conceito junto dos jornalistas, estes reconhecem na sua grande maioria o facto de que este potencial não está a ser convenientemente explorado. Por outro lado, não obstante o facto de 80% dos jornalistas inquiridos (os mais jovens) concordarem – pelo menos em parte – com a ideia de que o jornalismo online deve ser marcado pela interacção entre jornalistas e leitores, mais de 93% (os mais jovens) reconhece que o estabelecimento da mesma não é facilitado – sensivelmente a mesma percentagem que reconhece o facto de a divulgação de endereços pessoais de correio electrónico não ser uma prioridade no médium em que trabalham. Em termos de prática individual, quase metade dos inquiridos não lê o correio dos leitores que recebe. Sem prejuízo de a esmagadora maioria dos que lê o fazem a tudo o que lhes chega (sobretudo os mais velhos), respondem a apenas metade, e 14% a nada o fazem. Assim sendo, nem toda a comunicação estabelecida por intermédio de jornais online pode ser considerada interactiva: a verdadeira interactividade não se reduz a uma resposta (cenário frequente nas secções de correio dos leitores) mas pressupõe o estabelecimento de um verdadeiro diálogo e feedback (SCHULTZ, 1999: p.3/4).

4.5. OUTROS EIXOS DE DIFERENCIAÇÃO ONLINE V. PAPEL

Quanto ao remanescente contingente noticioso (ou seja, com exclusão de “notícias de última hora”), ele é, em termos médios, mais de duas vezes e meia superior em número nas edições para a Internet. Contudo, esta tendência média é significativamente enviesada pelo que se verifica n’O Jogo e no Record, casos em que esse número é seis e sete vezes superior, respectivamente; nos restantes casos, a quantidade de notícias é a mesma ou ligeiramente inferior na edição para a Internet. Resulta igualmente da leitura dos dados compilados a respeito das notícias destacadas nas primeiras páginas das publicações constantes da amostragem uma aparente abertura ligeira à disponibilização de conteúdos noticiosos internacionais ou que relacionem Portugal

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ou os seus cidadãos e actividades económicas com cidadãos, agentes ou instituições sedeadas fora do país.

ID4 Suporte * C070 Âmbito geográfico Crosstabulation % within ID4 Suporte Local / Regional 14,4% 8,9% 11,4% C070 Âmbito geográfico NacionalNacionalEuropeu Europeu Internacional 12,5% 6,2% 3,3% 15,8% 10,9% 4,1% 14,3% 8,8% 3,8%

ID4 Suporte Total

Papel Online

Nacional 56,0% 50,5% 52,9%

Internacional 7,5% 9,8% 8,8%

Total 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº36 - Âmbito geográfico das notícias de primeira página, por ambiente

Com efeito, sem prejuízo de as notícias de natureza nacional constituírem o enquadramento geográfico mais frequentemente contabilizado em qualquer dos suportes papel e online, a verdade é que essa ênfase é em média cerca de 11% menor nas primeiras páginas electrónicas. Uma abordagem de natureza casuística permite confirmar esse desenraizamento local/regional das notícias destacadas nas primeiras páginas das edições de diários generalistas para a Internet, com a excepção do DN - caso em que o acréscimo nesse carácter é apenas residual.

ID4 Suporte * C070 Âmbito geográfico * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte Local / Regional 9,7% 5,2% 7,5% 31,9% 27,0% 29,9% 39,6% 28,4% 34,4% 12,7% 13,4% 13,1% 6,5% 3,9% 4,7% C070 Âmbito geográfico NacionalNacionalEuropeu Internacional Internacional Europeu 7,3% 12,9% 5,6% 16,9% 9,5% 11,2% 5,2% 13,8% 8,3% 12,1% 5,4% 15,4% 6,4% 4,3% 2,1% 2,8% 5,0% 3,0% 3,0% 1,0% 5,8% 3,7% 2,5% 2,1% 5,5% 6,0% 1,1% 6,0% 7,1% 7,1% 1,3% 8,4% 6,2% 6,5% 1,2% 7,1% 6,7% 10,9% 6,7% 19,4% 7,8% 12,6% 5,2% 18,6% 7,4% 12,0% 5,8% 18,9% 17,4% 6,5% 4,3% 17,4% 5,8% 16,5% 8,7% 16,5% 9,4% 13,4% 7,4% 16,8% 21,6% 3,9% 4,9% 1,0% 17,5% 5,0% 5,0% 2,5% 19,8% 4,4% 4,9% 1,6% 21,4% 5,0% 1,4% 31,7% 18,3% 4,4% 8,3% 28,7% 14,4% 3,6% 5,9% 21,0% ,6% 1,9% 1,9% 20,7% ,6% 1,2% 1,8% 20,8% ,6% 1,5% 1,8%

ID3 Medium Público

ID4 Suporte Papel Online Total Correio da Manhã ID4 Suporte Papel Online Total Jornal de Notícias ID4 Suporte Papel Online Total Diário de Notícias ID4 Suporte Papel Online Total Expresso ID4 Suporte Papel Online Total A Bola ID4 Suporte Papel Online Total Record ID4 Suporte Papel Online Total O Jogo ID4 Suporte Papel Online Total

,6% ,4%

Nacional 47,6% 55,2% 51,3% 52,5% 61,0% 56,0% 41,8% 47,7% 44,5% 43,6% 42,4% 42,9% 47,8% 48,5% 48,3% 68,6% 70,0% 69,2% 72,1% 36,7% 47,1% 74,7% 75,7% 75,2%

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº37 - Âmbito geográfico das notícias de primeira página, por publicação e ambiente

67

Quanto ao ênfase na consideração de notícias da actualidade internacional - ou que a relacione com agentes nacionais - refira-se a ligeira quebra do Público online, e o aumento considerável do Expresso e do Record, sendo que este último apresenta uma redução do número de notícias de natureza nacional na sua primeira página electrónica bastante significativa - cerca de 51%.

ID4 Suporte * C070r Âmbito geográfico (recodificado) * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte C070r Âmbito geográfico (recodificado) Nacional/ Nacional Internacional Internacional 57,3% 12,9% 29,8% 60,3% 14,7% 25,0% 58,8% 13,8% 27,5% 84,4% 8,5% 7,1% 88,0% 8,0% 4,0% 85,9% 8,3% 5,8% 81,3% 6,6% 12,1% 76,1% 8,4% 15,5% 78,9% 7,4% 13,6% 56,4% 13,3% 30,3% 55,8% 13,0% 31,2% 56,0% 13,1% 30,9% 54,3% 21,7% 23,9% 52,4% 14,6% 33,0% 53,0% 16,8% 30,2% 68,6% 26,5% 4,9% 70,0% 22,5% 7,5% 69,2% 24,7% 6,0% 72,1% 22,9% 5,0% 37,3% 36,1% 26,6% 47,5% 32,2% 20,3% 74,7% 22,8% 2,5% 75,7% 21,9% 2,4% 75,2% 22,4% 2,4%

ID3 Medium Público

ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total

Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online

Correio da Manhã

Jornal de Notícias

Diário de Notícias

Expresso

A Bola

Record

O Jogo

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº38 - Âmbito geográfico (recodificado) das notícias de primeira página, por publicação e ambiente

Relativamente ao tema versado pelas notícias destacadas nas primeiras páginas sob observação, importa considerar separadamente as publicações generalistas das de pendor desportivo. Quanto aos jornais generalistas, não são observáveis modificações muito significativas em função dos suportes considerados: conteúdos que abordam questões de Saúde / Segurança Social, Ambiente / Planeamento, e Administração Interna surgem destacados com menor frequência nas faces das edições electrónicas, nas quais são referidos com maior frequência assuntos do âmbito da Defesa.

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C072 Tema * ID4 Suporte Crosstabulation % within ID4 Suporte ID4 Suporte Papel Online 12,0% 11,7% 10,3% 7,8% 7,0% 20,8% 10,9% 6,4% ,8% ,8% 12,0% 1,7% 2,7% 12,0% 2,9% 100,0% 4,8% 16,1% 14,7% 7,8% ,5% 1,2% 17,1% 1,1% 1,5% 12,4% 3,4% 100,0% Total 11,8% 9,0% 5,8% 18,3% 12,9% 7,1% ,6% 1,0% 14,7% 1,4% 2,1% 12,2% 3,1% 100,0%

C072 Tema

Economia Segurança Social / Saúde Ambiente e Planeamento do território Administração interna Defesa Cultura Ciência Media Política Sociedade Crónicas Desporto Educação

Total

Quadro nº39 - Tema das notícias de primeira página das publicações generalistas, por ambiente

Já entre os desportivos, considerados em conjunto, observa-se uma redução do peso relativo de notícias sobre futebol destacadas na primeira página, sem prejuízo do facto de este tema continuar a ser o que maioritariamente constitui destaque da edição.

C072 Tema * ID4 Suporte Crosstabulation % within ID4 Suporte ID4 Suporte Papel Online 2,2% 1,7% 2,7% 1,2% 1,0% 1,0% ,3% 3,2% ,5% ,3% ,7% 3,7% 80,6% 7,7% 100,0% Total 1,9% 1,8% ,6% 2,3% ,3% ,2% ,4% 3,0% 84,1% 5,3% 100,0%

C072 Tema

Economia Segurança Social / Saúde Ambiente e Planeamento do território Administração interna Defesa Cultura Política Sociedade Futebol Outras modalidades

Total

2,0% 89,1% 2,0% 100,0%

Quadro nº40 - Tema das notícias de primeira página das publicações desportivas, por ambiente

Observados individualmente, verifica-se entre os desportivos que a tendência de diversificação de conteúdos indiciada pela tabela anterior assume particular expressão no Record, invertendo-se n'O Jogo. Quanto aos generalistas, cenários muito diversificados e que não permitem o estabelecimento de tendências claras. O JN segue a tendência de redução online de conteúdos

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de Planeamento Territorial. O Público confirma a redução de temas de Planeamento mas não a que diz respeito a assuntos de Administração Interna - mas sim Defesa -, rementendo Cultura, Ciência e Sociedade para outras zonas do site que não a primeira página e enfatizando o Desporto. O CM enfatiza também o Desporto, reduzindo a incidência de temas de Administração Interna. O DN surge como única publicação cujo destaque de temas de Saúde e Administração Interna na primeira página online é marcadamente inferior ao da sua congénere tradicional, sublinhando mais temas de Cultura. O Expresso, mercê da dimensão da primeira página da sua edição em papel, apresenta nela temas de Economia com maior frequência do que na edição electrónica, destacando com maior incidência assuntos do âmbito da Administração Interna, Defesa, Política, e Cultura - estratégia a que não será estranho o facto de possuir uma edição online diária, na qual o desenvolvimento destes temas pode ser feito com maior desafogo em termos de espaço editorial.

ID4 Suporte * C072 Tema * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte C072 Tema Ambiente e Segurança Planeamento Administração Outras ID3 Medium Economia Social / Saúdedo território interna DefesaCulturaCiênciaMediaPolítica Sociedade CrónicasDesporto EducaçãoFutebolmodalidades Total Público ID4 Suporte Papel 12,1% 14,5% 10,5% 9,7% 15,3% 6,5% 2,4% ,8% 13,7% 1,6% 9,7% 3,2% 100,0% Online 11,1% 14,5% 4,3% 8,5% 24,8% ,9% ,9% 17,9% 13,7% 3,4% 100,0% Total 11,6% 14,5% 7,5% 9,1% 19,9% 3,3% 1,7% ,8% 15,8% ,8% 11,6% 3,3% 100,0% Correio da Manhã Suporte ID4 Papel 11,3% 9,2% ,7% 30,5% 9,2% 3,5% 1,4% 5,7% 5,0% 5,0% 16,3% 2,1% 100,0% Online 14,0% 9,0% 2,0% 23,0% 8,0% 2,0% 2,0% 7,0% 3,0% 5,0% 22,0% 3,0% 100,0% Total 12,4% 9,1% 1,2% 27,4% 8,7% 2,9% 1,7% 6,2% 4,1% 5,0% 18,7% 2,5% 100,0% Jornal de Notícias Suporte ID4 Papel 11,5% 4,9% 11,5% 28,0% 7,1% 6,6% ,5% 5,5% 1,1% 4,9% 14,3% 3,8% 100,0% Online 13,5% 3,2% 5,8% 31,6% 9,0% 5,8% ,6% 7,7% 1,9% 2,6% 14,2% 3,9% 100,0% Total 12,5% 4,2% 8,9% 29,7% 8,0% 6,2% ,6% 6,5% 1,5% 3,9% 14,2% 3,9% 100,0% Diário de Notícias Suporte ID4 Papel 10,2% 14,5% 5,4% 16,9% 9,6% 9,0% ,6% 21,1% ,6% 9,0% 3,0% 100,0% Online 10,0% 7,8% 7,1% 10,4% 9,3% 14,1% ,4% 2,2% 23,4% ,4% ,7% 11,5% 2,6% 100,0% Total 10,1% 10,3% 6,4% 12,9% 9,4% 12,2% ,2% 1,6% 22,5% ,2% ,7% 10,6% 2,8% 100,0% Expresso ID4 Suporte Papel 21,3% 8,5% 4,3% 6,4% 23,4% 4,3% 2,1% 2,1% 19,1% 2,1% 6,4% 100,0% Online 11,7% 5,8% 1,0% 9,7% 32,0% 8,7% 1,0% 23,3% 1,0% 1,0% 4,9% 100,0% Total 14,7% 6,7% 2,0% 8,7% 29,3% 7,3% 1,3% ,7% 22,0% ,7% ,7% 2,7% 3,3% 100,0% A Bola ID4 Suporte Papel 1,0% 2,9% 92,2% 3,9%100,0% Online 1,3% 5,0% 88,8% 5,0%100,0% Total 1,1% 3,8% 90,7% 4,4%100,0% Record ID4 Suporte Papel 1,4% 1,4% ,7% 1,4% 93,6% 1,4%100,0% Online ,9% ,3% 5,0% ,9% ,6% 1,2% 3,8% 76,0% 11,2%100,0% Total 1,0% ,6% 3,8% ,6% ,4% ,8% 3,1% 81,2% 8,4%100,0% O Jogo ID4 Suporte Papel 3,7% 6,8% 1,2% 1,9% 1,9% 83,3% 1,2%100,0% Online 3,6% 4,1% ,6% 1,2% 3,0% 85,8% 1,8%100,0% Total 3,6% 5,4% ,9% 1,5% 2,4% 84,6% 1,5%100,0%

Quadro nº41 - Tema das notícias de primeira página das publicações generalistas, por publicação e ambiente

A compilação dos dados resultantes da análise ao desenvolvimento dos conteúdos noticiosos presentes nas primeiras páginas indicia duas tendências gerais. Por um lado, o recurso relativamente maior nas edições online à transposição directa de feeds recebidos de agências noticiosas. Por outro lado, e ainda nas edições electrónicas, uma referência ao autor da peça jornalística aparentemente menos habitual.

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ID4 Suporte * C080 Autoria Crosstabulation % within ID4 Suporte C080 Autoria Agência noticiosa ,3% 4,6% 2,7% Press release / Comunicado ,2% ,1% ,1% Autor independente ,7% ,6% ,6% Anónimo / Não-identi ficado 13,6% 25,5% 20,2%

ID4 Suporte Total

Papel Online

Jornalista 85,2% 69,2% 76,3%

Total 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº42 - Autoria das notícias de primeira página, por ambiente

Uma análise individual das publicações consideradas permite esclarecer com maior detalhe os contornos das duas tendências atrás referidas. Em primeiro lugar, o único jornal com referência explicitamente assumida na edição em papel à citação integral do texto dos feeds das agências noticiosas - o CM - recorre com menor intensidade a esse expediente na respectiva edição online; é, todavia, o Público, a publicação cuja redacção electrónica recorre intensivamente à reciclagem dos conteúdos disponibilizados pelas agências de notícias - mais de metade dos conteúdos noticiosos destacados em www.publico.pt o são, descendo para menos de 25% o número de artigos assinados por jornalistas e ascendendo a esse valor o número de peças não assinadas. Em segundo lugar, e considerando as restantes publicações, a nota de maior relevo vai para o facto de A Bola apresentar sem assinatura a quase totalidade das peças na sua edição online.

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ID4 Suporte * C080 Autoria * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte C080 Autoria Agência noticiosa ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online 51,3% 24,9% 2,1% 1,0% 1,7% Press release / Comunicado Autor independente ,8% ,4% ,7% ,4% 1,6% 2,0% 1,8% ,6% ,7% ,7% Anónimo / Não-identi ficado ,8% 24,8% 12,4% 5,7% 4,0% 5,0% 11,0% 11,8% 11,4% 7,2% 3,0% 4,6% 59,6% 67,0% 64,7% 13,7% 98,8% 51,1% 12,9% 24,3% 20,9% 27,2% 29,8% 28,5%

ID3 Medium Público

Jornalista 98,4% 23,9% 62,2% 91,5% 95,0% 92,9% 87,4% 86,2% 86,8% 92,2% 96,3% 94,7% 40,4% 32,0% 34,7% 85,3% 47,8% 85,7% 75,7% 78,7% 72,8% 69,0% 70,9%

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Correio da Manhã

Jornal de Notícias

Diário de Notícias

Expresso

A Bola

1,0% ,7% 1,0% ,5% ,7% ,2%

Record

1,3% ,5% ,7% ,2% 1,2% ,6%

O Jogo

Quadro nº43 - Autoria das notícias de primeira página, por publicação e ambiente

No que se refere às fontes referidas no desenvolvimento das notícias destacadas nas primeiras páginas, consideradas em termos médios e em função do suporte de publicação utilizado, duas notas se impõem. Por um lado, a preferência por certas fontes e interlocutores, a qual permite caracterizar o tipo de Jornalismo praticado em Portugal a este nível como mantendo relativamente intactas as características do que podemos denominar Jornalismo tradicional enquanto metáfora ou paradigma dominante:: • uma frequente e significativa ausência de referência a fontes, patente no facto de aquela apontada com maior frequência – documentação escrita – surgir em apenas 23% das peças destacadas nas primeiras páginas das edições em papel e em menos de 20% nas suas congéneres electrónicas; • um recurso extremamente débil à referência a outros media, ilustrada por uma frequência inferior a 5% para os mais citados – televisão e outras publicações escritas; • uma prática de alusão a fontes online meramente residual, sejam elas o site da própria publicação (inferior a 1%)ou quaisquer outros sites (inferior a 2%), em contraste com a prevalência das fontes tradicionais do Jornalismo – documentação

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escrita, conferências de Imprensa, agentes directamente envolvidos no conteúdo noticiado, ou representantes de entidades públicas ou privadas; • a utilização de fontes anónimas, observada em aproximadamente 13% das peças destacadas nas primeiras páginas das edições tradicionais, cai para perto de metade em termos percentuais – 8% – nas edições electrónicas.

Por outro lado, e relativamente às modificações observadas, em termos médios, nas referências a fontes em função do suporte considerado, a tendência nas edições electrónicas parece ser a de privilegiar, ainda que com valores extremamente baixos, fontes consultáveis à distância (agências noticiosas, em 7.7% das peças) em paralelo com uma redução da utilização de fontes que impliquem o abandono da redacção – documentação escrita (cuja presença desce de 22.9% para 16.5%) e agentes directamente envolvidos, ainda que com descidas de valor percentual compreendido apenas entre 1 e 3%. A única excepção a este cenário é a presença em conferências de imprensa, que apesar de tudo sofre um acréscimo de 13.3% para 14.6%. Centremo-nos agora tipo de publicação considerada, separando nesse sentido as de natureza generalista das de natureza desportiva. Entre os primeiros, é no Expresso que se verificam as maiores alterações, encontrando-se na sua edição online acréscimos nas referências à sua congénere tradicional (em paralelo com o Público), nas referências a outros jornais, a rádios (novamente em paralelo com o Público), a televisões (em paralelo com o CM), e a agências noticiosas (mais uma vez em paralelo com o Público). Já quanto aos desportivos, A Bola aumenta no ambiente electrónico a incidência de referências a outros sites, enquanto o Record aumenta significamente o número de referências a outras publicações, reduzindo a incidência de referência a conferências de Imprensa.

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Report Mean C091 Fontes adicionais: representante C090 Fontes de C081 Fontes C089 Fontes adicionais: organização adicionais:C085 Fontes C086 Fontesadicionais:representante não-governa C088 Fontes C092 Fontes C087 Fontes C083 Fontes C084 Fontes adicionais: personalidade Governo ou mental e C093 Fontesadicionais: adicionais: do edição em adicionais:C082 Fontes papel / online outra fonte adicionais: adicionais: adicionais: adicionais: conferência directamenteorganização não-empresaadicionais: documentação agência online outro jornal revista noticiosa ID3 Medium ID4 Suporte respectiva rádio televisão de imprensa envolvida empresarial rial cidadão escrita Público Papel ,00 ,02 ,10 ,00 ,00 ,05 ,30 ,15 ,23 ,21 ,05 ,51 ,13 Online ,03 ,00 ,07 ,00 ,04 ,05 ,15 ,04 ,15 ,10 ,01 ,24 ,53 Total ,02 ,01 ,09 ,00 ,02 ,05 ,23 ,10 ,20 ,16 ,03 ,38 ,32 Correio da Manhã Papel ,01 ,01 ,02 ,00 ,01 ,05 ,05 ,27 ,19 ,24 ,09 ,23 ,01 Online ,02 ,00 ,00 ,00 ,01 ,09 ,04 ,25 ,22 ,26 ,10 ,28 ,00 Total ,01 ,00 ,01 ,00 ,01 ,07 ,05 ,26 ,20 ,25 ,09 ,25 ,00 Jornal de Notícias Papel ,00 ,01 ,02 ,00 ,01 ,04 ,08 ,23 ,40 ,19 ,05 ,31 ,05 Online ,00 ,01 ,03 ,00 ,01 ,06 ,13 ,18 ,35 ,18 ,05 ,32 ,05 Total ,00 ,01 ,02 ,00 ,01 ,05 ,11 ,20 ,38 ,19 ,05 ,32 ,05 Diário de Notícias Papel ,00 ,02 ,04 ,00 ,02 ,04 ,27 ,13 ,26 ,13 ,03 ,38 ,03 Online ,00 ,00 ,06 ,00 ,03 ,04 ,32 ,14 ,25 ,10 ,00 ,30 ,05 Total ,00 ,01 ,05 ,00 ,02 ,04 ,30 ,14 ,25 ,11 ,01 ,33 ,04 Expresso Papel ,00 ,02 ,06 ,00 ,04 ,04 ,04 ,04 ,23 ,06 ,00 ,26 ,02 Online ,02 ,02 ,23 ,00 ,12 ,13 ,43 ,12 ,28 ,12 ,08 ,25 ,24 Total ,01 ,02 ,15 ,00 ,08 ,09 ,27 ,08 ,26 ,09 ,04 ,26 ,14 A Bola Papel ,00 ,02 ,00 ,00 ,02 ,02 ,07 ,20 ,16 ,02 ,01 ,01 ,00 Online ,00 ,03 ,00 ,00 ,01 ,01 ,05 ,25 ,16 ,01 ,01 ,00 ,00 Total ,00 ,02 ,00 ,00 ,02 ,02 ,06 ,22 ,16 ,02 ,01 ,01 ,00 Record Papel ,01 ,04 ,01 ,00 ,02 ,04 ,14 ,13 ,23 ,01 ,01 ,10 ,00 Online ,01 ,03 ,09 ,00 ,02 ,04 ,06 ,15 ,21 ,01 ,01 ,03 ,01 Total ,01 ,03 ,07 ,00 ,02 ,04 ,08 ,14 ,22 ,01 ,01 ,05 ,00 O Jogo Papel ,00 ,02 ,04 ,00 ,01 ,02 ,05 ,22 ,17 ,02 ,01 ,02 ,00 Online ,00 ,01 ,02 ,00 ,01 ,02 ,05 ,22 ,17 ,02 ,01 ,02 ,00 Total ,00 ,02 ,03 ,00 ,01 ,02 ,05 ,22 ,17 ,02 ,01 ,02 ,00 Total Papel ,00 ,02 ,03 ,00 ,01 ,04 ,13 ,18 ,24 ,12 ,03 ,23 ,03 Online ,01 ,01 ,06 ,00 ,02 ,05 ,15 ,16 ,23 ,08 ,02 ,16 ,08 Total ,00 ,02 ,05 ,00 ,02 ,04 ,14 ,17 ,23 ,10 ,03 ,19 ,06

Quadro nº44 - Fontes citadas nas notícias de primeira página, por publicação e ambiente

Nos termos de uma análise caso a caso, o cenário observado é o seguinte3: •

Público: surgem na edição online referências à edição em papel quando nesta última não eram feitas ao site; desaparece qualquer referência no online a outra fonte nesse ambiente; é reduzida a incidência de referências a outra publicação mais aumenta a de referências a rádios; e todos contactos directos com personalidades são reduzidos em detrimento de um aumento do recurso a materiais provenientes de agências noticiosas;

Expresso: os outros meios de Comunicação Social são referidos com maior frequência nos conteúdos da edição electrónica, bem como o contacto directo com os envolvidos nas notícias - designadamente conferências de Imprensa - e com feeds de agências noticiosas;

CM: recurso mais frequente, na edição online, às televisões como fontes;

3

Cf. Anexo 2. 74

• •

JN e DN apresentam variações apenas residuais nos agentes e materiais consultados; Record: recurso mais frequente, na edição online, a outras publicações como fontes.

Relativamente à frequência de utilização assumida de fontes anónimas, confirma-se uma tendência de decréscimo entre os generalistas - com particular expressão no Público (menos de metade do observado na edição em papel), CM e Expresso - enquanto que nos desportivos encontramos realidades distintas: o Record mantém a tendência de descida, enquanto que A Bola e O Jogo apresentam, nas notícias destacadas na primeira página da sua edição online, um recurso mais frequente de utilização de fontes cuja identidade não é revelada.

ID4 Suporte * C094 Fontes adicionais: fonte anónima * ID3 Medium Crosstabulation % within ID4 Suporte C094 Fontes adicionais: fonte anónima Não Sim 80,6% 19,4% 92,3% 7,7% 86,3% 13,7% 76,5% 23,5% 82,5% 17,5% 79,0% 21,0% 79,4% 20,6% 81,3% 18,7% 80,3% 19,7% 85,3% 14,7% 89,7% 10,3% 88,0% 12,0% 70,2% 29,8% 79,6% 20,4% 75,2% 24,8% 99,0% 1,0% 98,8% 1,3% 98,9% 1,1% 97,1% 2,9% 99,4% ,6% 98,7% 1,3% 99,4% ,6% 98,8% 1,2% 99,1% ,9%

ID3 Medium Público

ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total ID4 Suporte Total

Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online Papel Online

Correio da Manhã

Jornal de Notícias

Diário de Notícias

Expresso

A Bola

Record

O Jogo

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Quadro nº45 - Utilização de fonte anónima nas notícias de primeira página, por publicação e ambiente

4.6. OUTROS PAPÉIS: OS VÍNCULOS CONTRATUAIS

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A grande maioria dos inquiridos manifesta pouca adesão à tese da transformação dos vínculos contratuais dos jornalistas em virtude da entrada da Internet nas redacções: pouco mais de 15% defendem esta ideia. Destaca-se a posição dos jornalistas inquiridos na redacção d'O Jogo, a única na qual a maioria das respostas obtidas foi no sentido do reconhecimento de uma relação directa entre a utilização regular da Internet na actividade jornalística e a alteração do vínculo contratual associado a esta última. Na imprensa escrita, e para além do caso d'O Jogo, os pólos encontrados são os jornalistas do Expresso - apenas quatro por cento consideram existir tal paralelo - e os d'A Bola - vinte e cinco por cento dos seus jornalistas defendem essa relação. Articulando estes dados com o enquadramento da formação dos jornalistas, verifica-se ser entre os que detêm formação superior que o impacto da entrada da Internet nas redacções sobre os vínculos contratuais é considerado menos relevante: apenas O Jogo contraria esta tendência, a qual assume particular expressão no DN. Entre a imprensa escrita descortina-se igualmente uma tendência: uma relação de proporcionalidade inversa estabelecida entre a idade e a importância conferida à Internet como factor de transformação da qualidade do vínculo contratual dos jornalistas portugueses. Curiosamente, na imprensa escrita - que apresentara a única tendência genérica visível - não foi observada uma tendência definida, mesmo quando são consideradas separadamente as publicações generalistas e desportivas. Relativamente à situação contratual dos próprios inquiridos, a primeira nota fica no facto de o impacto da Internet ser considerado superior nos vínculos alheios face aos vínculos próprios. Entre a imprensa escrita o que se verifica é um impacto já significativo reconhecido pelos jornalistas d’O Jogo, sendo ainda de destacar a frequência com que surge a nãoresposta, sobretudo na redacção d’A Bola. Apenas o DN apresenta uma posição unânime a este respeito, desconsiderando esta TIC como variável relevante para a transformação da realidade contratual dos jornalistas. Em termos médios, parece ser entre os mais escolarizados que a ideia do impacto da Internet sobre os vínculos contratuais mais colhe. Considerando a idade como variável paralela à influência atribuída pelos jornalistas à Internet na transformação dos seus vínculos contratuais, não é discernível qualquer tendência em termos médios. Analisando estes media individualmente, a única nota que merece menção é o facto de serem tendencialmente os nascidos após 1970 a reconhecerem relação entre esta TIC e o seu enquadramento contratual.

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4.7. OUTROS PAPÉIS: O HORÁRIO

Sobre uma hipotética relação entre o recurso à Internet com ferramenta de trabalho e a carga horária dos jornalistas, a grande maioria considera que a mesma não existe. Entre os que reconhecem a sua existência, são em maior número médio relativo os que defendem ter ocorrido um aumento da carga horária de trabalho. Excepção feita ao JN e a O Jogo, todos os media cujos jornalistas inquiridos reconhecem a existência de relação entre estas duas variáveis o fazem no sentido da promoção do incremento da carga horária de trabalho dos jornalistas. Articulando a idade dos inquiridos com as variáveis sob escrutínio é visível, em termos médios, uma tendência: são os jornalistas mais jovens que consideram maior o impacto da Internet sobre a carga horária dos jornalistas em geral. Esta tendência assume particular relevância entre os nascidos na década de 80, sub-amostra na qual nos aproximamos da paridade entre os que consideram existir essa relação e os que a descartam, sendo igualmente nesta categoria que a relação é concebida como reduzindo o número de horas de trabalho. Apenas o JN apresenta valores conclusivos a este respeito, primando os restantes media por valores que não permitem concluir da existência de uma tendência explícita. Já considerando a formação superior dos jornalistas, o cenário verificado apresenta como tendência uma importância maior atribuída à Internet quanto transformadora do horário das redacções entre os detentores de formação mais avançada. Analisados individualmente, merece menção o facto de não existir uma tendência generalizada em qualquer sentido quando consideramos cada media dentro do seu tipo: por exemplo, os jornalistas afectos às redacções de DN, A Bola e Record não traduzem esta tendência geral. Em segundo lugar, confirma-se a excepção JN no que diz respeito à influência da Internet no sentido de aumentar a carga horária de trabalho jornalístico, quando a sua existência é reconhecida. Quanto ao impacto que os inquiridos consideram ter sido produzido sobre o seu horário a partir do momento em que se banaliza o recurso à Internet como ferramenta de trabalho, a tendência mantém-se para a desconsideração deste impacto. No entanto, é constatado um valor mais elevado para a representação do impacto no horário próprio que no verificado para os horários alheios.

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Individualmente considerados, apenas n’O Jogo são contabilizados valores absolutos de desconsideração da existência de uma relação entre a entrada da Internet nas redacções e as transformações nos horários de trabalho dos jornalistas. Destaque para os valores encontrados no Expresso, único médium no qual a maior parte dos inquiridos afirma que o seu horário de trabalho foi transformado com o recurso à Internet, e novamente no sentido do incremento. Menção ainda ao CM e A Bola, nos quais esta importância é sublinhada com algum ênfase. Em termos médios, o impacto da Internet sobre os horários dos jornalistas aumenta com a idade dos inquiridos; apenas A Bola e o Record apresentam uma tendência definida, no sentido de enfatizar essa relação entre os jornalistas mais jovens - todos no mesmo sentido observado para os horários alheios. Relativamente à formação enquanto variável explicativa da representação que os inquiridos projectam àcerca do impacto da entrada da Internet nas redacções sobre o seu horário de trabalho, os media da amostra apresentam traços de continuidade entre o impacto atribuído à Internet sobre os horários dos jornalistas em geral e dos jornalistas inquiridos. Na imprensa escrita, e entre as publicações generalistas, DN e Expresso apresentam tendências de mudança em função da propriedade dos horários: o impacto da Internet sobre os horários dos inquiridos não é conclusivo no primeiro caso, e no segundo esse impacto é projectado como maior nos horários terceiros que nos próprios à medida que a formação aumenta. Público, CM e JN alinham pelo diapasão da projecção de um aumento da influência da Internet sobre os horários de todos os jornalistas com o incremento da formação detida pelos inquiridos. Nos desportivos, e com a exclusão d'O Jogo dado o valor absoluto observado para a desconsideração de qualquer articulação entre a entrada da Internet nas redacções e o horário de trabalho dos jornalistas, enquanto A Bola apresenta um conjunto de inquiridos cuja posição atribui maior peso a esta relação, no domínio do seu horário, à medida que a sua formação aumenta - em contraciclo com o verificado para os horários alheios -, já o Record mantém na consideração dos horários dos seus jornalistas a tendência contabilizada para o que os mesmos projectam sobre os horários dos jornalistas em geral, isto é, uma relação entre as variáveis aqui abordadas que diminui de intensidade à medida que a escolarização aumenta.

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5. CONCLUSÕES

Não foi inocente a escolha da expressão “o ruído das luzes” para título deste documento. Com efeito, considero que mais que a persistência de ecos do hipodermismo dos quais dei já conta, persiste um discurso que é, na prática, muitas vezes meta-propaganda no modo como apregoa a transformação constante e irreversível das vidas, ao jeito de postulados de uma natureza mais ideológica que científica. E a frequência com que surge esse discurso constitui, em muitos casos, um ruído de luzes que não apenas se torna uma self-fulfilling prophecy mas que também, por essa razão, dificulta o vislumbre da realidade dos factos e vai permitindo que essa visão ideologicamente comprometida se insinue. À mudança social não deve corresponder uma única ordem de factores explicativos: não seria possível sustentar, por exemplo, que as transformações sociais na origem do Renascimento tenham resultado essencialmente do desenvolvimento da tecnologia que permitiu a reprodução mecânica do livro impresso: tal tese, para além de constituir uma simplificação abusiva da realidade histórica e de atribuir um papel ao livro impresso que este não possuiu – uma vez que a sua utilidade se revestia sobretudo de uma natureza contabilistico-administrativa (primeiro) e religiosa (segundo) – desconsidera, enquanto vectores de transformação social, fenómenos de mutação civilizacional que remontam ao século XII, como o acréscimo da concentração populacional urbana ou a intensificação dos contactos de natureza bélica e cultural que as Cruzadas constituíram (BRETON, PROULX, 2000; p.53). Daí a preferência que manifesto por uma abordagem multi-dimensional, que se sintetiza conclusivamente nos parágrafos seguintes.

5.1. DIMENSÃO ECONÓMICA «O mercado passou a ditar as regras» (Media, Jornalismo e Democracia, 2002; p.58).

Perante os dados, designadamente a fraca expressão do recurso a anúncios classificados como forma de financiamento, a proximidade entre o número de hetero- e de auto-referências publicitárias, e tendo em conta que falamos de uma actividade económica em que o lucro constitui a principal meta, é mais ou menos seguro afirmar que as edições online dos jornais mainstream são, no essencial, implantações simbólicas num novo território, que permitem apresentar e promover o conjunto das actividades, editoriais e outras, desenvolvidas
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pelos grupos económicos a que pertencem. Apesar de a constituição de sinergias possibilitar a racionalização de custos e serviços, o aumento da capacidade negocial, e o investimento em iniciativas cuja rentabilidade não é imediata, o aproveitamento destas potencialidades situa-se sobretudo na maximização dos proveitos gerados a partir de conteúdos já existentes, muitas vezes em detrimento da qualidade dos conteúdos disponibilizados (CORREIA, 1999: 2-5): à implantação numa nova plataforma não está a corresponder, de um modo geral, a criação de conteúdo novo.

5.2. DIMENSÃO SOCIAL

«As causas de muitas patologias actuais dos media têm raízes bastante antigas.(…) Existe um continuum que não pode ser ignorado» (Media, Jornalismo e Democracia, 2002; p.119-121).

O desenvolvimento e implementação das técnicas de comunicação não só decorrem de contextos específicos, como são ilustrativos os exemplos da República Romana, do Renascimento e da Revolução Francesa, como estão historicamente associados a (e não dependentes de) significativas mudanças sociais (BRETON, PROULX, 2000; p.273/274). É frequente considerar-se que nunca como hoje existiram instrumentos de recolha, armazenamento, sistematização e disponibilização de informação. Dada a profusão de páginas e conteúdos veiculados e disponibilizados através da Internet e das tecnologias que lhe estão associadas, é hoje possível aos leitores não só contornar os jornais enquanto mediadores noticiosos (HEINONEN, 1999: p.42) mas também constituírem, por si próprios, potenciais jornalistas ou editores (LUTFI, 2002: p.14). Estes cenários, mais reais que hipotéticos, levantam obrigatoriamente questões sobre a necessidade de existência de jornalistas enquanto produtores/gatekeepers de conteúdos noticiosos. Heinonen tipificou em duas inclinações as posições observadas no meio jornalístico quanto aos efeitos da Internet na sua prática. Por um lado, numa abordagem próxima do mediacídio previsto por Nielsen (NIELSEN, citado em HEINONEN, 1999), uma inclinação revolucionária, para a qual as novas tecnologias assinalam uma nova era e método jornalísticos orientados para a publicação online, e na qual se assiste à desvalorização do papel do jornalista enquanto mediador. Por outro lado, a inclinação evolucionária, próxima da

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mediamorfose4, cuja tónica é colocada na manutenção do respeito de um modus operandi já inscrito no código jornalístico e com provas dadas em termos de eficácia, continuando o jornal em papel a ser responsável pela geração das receitas e o jornalista a ser o gatekeeper por excelência, com um papel cada vez mais central num mundo de excesso de informação (HEINONEN, 1999: p.74-76). A centralidade do papel do jornalista enquanto gatekeeper evoluiu e está a adaptar-se à nova realidade, no sentido da mediação e organização de informação, facilitando a troca de ideias, devendo os jornais deixar de se considerar gestores de monólogos (BRECKENRIDGE, 2000: p.26). De acordo com os dados, a maior parte dos jornalistas, pese embora a utilização que revelam fazer da Internet, não possui formação específica para a sua utilização. Para além disso, não obstante o facto de a posse de competências para a sua utilização ser por eles considerada valorizadora da sua condição profissional e da sua cotação no mercado de trabalho – particularmente entre os jornalistas mais jovens e mais escolarizados –, a verdade é que a maioria dos jornalistas – novamente os mais jovens e escolarizados – não demonstra interesse em frequentar essa formação. Paralelamente, conclui-se que mesmo nos casos marginais em que essa formação foi frequentada, apenas ao nível iniciático ela foi promovida pelo empregador, ficando o seu aprofundamento ao critério do interesse particular de cada jornalista.

5.3. DIMENSÃO TÉCNICA

A natureza da informação é materialmente transformada, reduzida a um conjunto de «(…) impulsos eléctricos aos quais se atribuiu previamente um significado» (BRETON, PROULX, 2000; p.97).

5.3.1. UMA FALÁCIA ACTUAL QUE É UMA FALSA NOVIDADE

É a ideologia da comunicação que torna a comunicação enquanto processo um imperativo das sociedades contemporâneas (BRETON, PROULX, 2000; p.271); importa distinguir entre técnicas de comunicação – tão antigas como o Homem – e ideologia da comunicação enquanto paradigma – a qual remonta aos anos 40 (BRETON, PROULX, 2000; p.312).
“(...) a evolução tecnológica dos media (...) num sistema interdependente” (FIDDLER, 1997). 81

4

Apesar da aparente novidade da valorização do papel da Comunicação, a argumentação que sustenta essa apreciação remonta, na realidade, ao período após a Segunda Guerra Mundial (BRETON, PROULX, 2000; p.271). O conceito de comunicação que emergiu com a Modernidade assenta sobre três novas visões, com efeitos cumulativos. Em primeiro lugar, a transformação produzida pelos primeiros cibernéticos na representação técnico-filosófica do Homem, o qual passa a ser definido enquanto dispositivo comunicante reflexivo, auto-poiético (BRETON, PROULX, 2000; p.272). Em segundo lugar, e dado o contexto de conflito bélico à escala mundial existente à data e em grande medida impulsionado pelas aplicações militares da ciência, a transferência para o território da comunicação dos “adversários” a combater de então em diante – fenómenos específicos deste domínio como o ruído, a entropia, a desordem. Por último, e com base nos anteriores, a projecção de um novo ideal de sociedade, a sociedade da comunicação, centrada na circulação da informação e acentuando, por essa razão, a importância do papel de todos os agentes envolvidos em processos de tratamento e difusão de informação, que se trata do Homem quer de outras “máquinas comunicantes” (BRETON, PROULX, 2000; p.272). Três ordens de argumentos foram – e ainda são – accionados em prol do desenvolvimento e aplicação das técnicas de comunicação. Em primeiro lugar, a argumentação filosófico-ideológica que reconceptualiza o Homem a sociedade como redes complexas de trocas informativas organizada em torno da ideia de comunicação entre nódulos. Neste sentido, esta ordem de argumentos iniciada na década de 40 vê esta conceptualização como o incontornável e inevitável caminho a seguir, na senda da modernização das sociedades, fazendo-se ouvir ainda hoje. Em segundo lugar, e como expressão desta inevitabilidade, a argumentação economicista surgida na década de 70 que considera as técnicas de comunicação como o objecto ou mercadoria capaz de impulsionar os mercados económicos e, dessa forma, constituir solução para crises económicas. Por último, consequência da impregnação da sociedade por esta ideologia, a argumentação de natureza cultural que, face à adopção presumivelmente generalizada das técnicas de comunicação – de que é exemplo a microinformática –, defende que o desenvolvimento técnico se tornou necessário para responder às necessidades dos utilizadores, cujo número se encontra em expansão contínua. Nesta fase, é visível um investimento argumentativo em técnicas consideradas simultaneamente de utilização inevitáveis e acessíveis (BRETON, PROULX, 2000; p.293/296), traduzido igualmente na conceptualização das telecomunicações como o “sistema circulatório” da cosmovisão dominante, no qual se assegura e através do qual se controla a circulação e distribuição da informação (BRETON, PROULX, 2000; p.298). Neste
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sentido, é importante recolocar o debate, e considerar que as TIC, um conjunto de processos que complementa e potencialmente aumenta as oportunidades para a socialização, mobilização, síntese e partilha de conhecimento, e acção política (ATTON, 2002: 133), intensificam os processos em curso na ordem capitalista, mas não assinalam qualquer transição para um novo paradigma social tecnológico (DORDOY e MELLOR, 2001: 181).

5.3.2. APROVEITAMENTOS OBSERVADOS

Sem prejuízo da criação de conteúdo novo para a edição online verificada em alguns dos jornais analisados, ressalta da análise uma tendência geral para o reaproveitamento dos conteúdos da edição em papel no ambiente electrónico. O facto de a própria ordem dos parágrafos não conhecer alteração diz bem da prática de maximização dos proveitos gerados a partir de trabalho já produzido para a edição em papel, e a relativa ausência de alteração do seu formato indicia também a prevalência, enquanto visão/metáfora orientadora, da organização do texto como feito na redacção da edição em papel. Apesar de a actualização da edição online reunir um significativo consenso entre os jornalistas como prática a seguir; note-se, no entanto, o facto de serem os mais jovens e mais escolarizados os mais críticos desta ideia. Em linha com este dado, a reprodução de conteúdos surge como negativa para a maior parte dos inquiridos, defendida sobretudo (novamente) pelos jornalistas mais velhos, os mesmos que consideram possível a compatibilização entre rapidez e rigor informativo. Relativamente à utilização do espaço virtual adicional para publicação, apenas algumas publicações alteram a sua prática de enquadramento temático de cada notícia, apresentando uma parte significativa das publicações um número menor de notícias nas suas primeiras páginas online. O maior aproveitamento observado neste domínio encontra-se na substituição de títulos por teasers. As edições online não apresentam também diferenças face ao encontrado nas edições em papel quanto ao aproveitamento de hiperligações para fact checking, A fraca utilização da hipertextualidade traduz-se também na ausência frequente de hiperligações que relacionem peças noticiosas, confirmando-se a perspectiva de Deuze, para quem o aproveitamento da hipertextualidade é actualmente medíocre (2001: p.4/5), o que pode ser explicado pela fraca valorização que delas é feita pela maior parte dos jornalistas, sobretudo os mais jovens. Ainda que a natureza multimédia de uma notícia surja nas respostas de mais de 85% dos jornalistas (sobretudo os mais velhos) como algo desejável, a utilização da fotografia como elemento associado a / referenciado em cada peça noticiosa surge com menor
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frequência no ambiente online, algo que é coerente com a desvalorização que dela é feita quando considerada isoladamente pelos jornalistas. Sem grande surpresa face ao tipo de jornalismo em análise – imprensa escrita –, observa-se também não apenas a ausência de utilização e de valorização do vídeo como recurso, mas ainda do áudio. O reenvio de peças noticiosas por correio electrónico e o comentário isolado a notícias se assumem como o essencial das mais-valias nas edições online face ao observado nas edições em papel. Paralelamente, mesmo tendo em conta a valorização positiva feita da interactividade enquanto conceito junto dos jornalistas, estes reconhecem na sua grande maioria o facto de que este potencial não está a ser convenientemente explorado. Por outro lado, não obstante o facto de 80% dos jornalistas inquiridos (os mais jovens) concordarem – pelo menos em parte – com a ideia de que o jornalismo online deve ser marcado pela interacção entre jornalistas e leitores, mais de 93% (os mais jovens) reconhece que o estabelecimento da mesma não é facilitado – sensivelmente a mesma percentagem que reconhece o facto de a divulgação de endereços pessoais de correio electrónico não ser uma prioridade no médium em que trabalham. Em termos de prática individual, quase metade dos inquiridos não lê o correio dos leitores que recebe. Sem prejuízo de a esmagadora maioria dos que lê o fazem a tudo o que lhes chega (sobretudo os mais velhos), respondem a apenas metade, e 14% a nada o fazem. Assim, nem toda a comunicação estabelecida por intermédio de jornais online pode ser considerada interactiva: a verdadeira interactividade não se reduz a uma resposta (cenário frequente nas secções de correio dos leitores) mas pressupõe o estabelecimento de um verdadeiro diálogo e feedback (Schultz, 1999: p.3/4). 5.4. EPÍLOGO A Internet e o seu impacto sobre os Mass media devem ser considerados como mais um (e não “o”) episódio na História da transformação dos meios de comunicação, causada pela complexa acção combinada de necessidades apercebidas, pressões competitivas e políticas, e inovações tecnológicas. Importa reconhecer a importância da Internet mas (e sobretudo) importa relativizá-la contextualizando-a, sob pena de menosprezarmos a complexa teia multidimensional de factores subjacentes ao processo evolutivo – e não revolucionário ou unilateral – através do qual agentes sociais incorporam artefactos técnicos no seu quotidiano (BOCZKOWSKI, 2004: p2). No caso específico do jornalismo, esta teia de factores compreende dinâmicas económicas, técnicas e culturais/simbólicas: ao nível económico, os efeitos sobre a actividade jornalistica produzidos pelo incremento de custos de produção e distribuição, da concorrência entre media do mesmo tipo e, fundamentalmente, de tipos
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diferentes pelo mesmo mercado de leitores e de publicidade; ao nível técnico dados os constrangimentos associados à desigual distribuição de plataformas de acesso e de competências no âmbito da info-literacia – quer no caso dos jornalistas, quer no caso dos leitores; ao nível cultural/simbólico, dado o modo como a apropriação de artefactos técnicos é feita a partir de uma cultural profissional particular, e as flutuações verificadas ao nível das características e opções de consumo dos leitores:

Neste sentido, não obstante o interesse de que a Internet se reveste para a imprensa – novo mercado, com oportunidades de segmentação de perfis de consumo e respectiva personalização de produtos e conteúdos, com vista à geração de novas receitas –, estamos claramente numa fase de reutilização de conteúdos das edições em papel, complementada pela exploração de algumas das potencialidades do novo meio, como a utilização de hipertexto, e uma aposta na interactividade e personalização dos mesmos), provavelmente em virtude de a

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evolução do Jornalismo online em Portugal não ter vindo a pautar-se por uma ruptura com o Jornalismo tradicional.

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6. BIBLIOGRAFIA

No decurso do trabalho desenvolvido nos últimos anos, e atendendo à necessidade de recolher e sistematizar bibliografia portuguesa e estrangeira relativa às temáticas e dados estatísticos relevantes abordados neste projecto, tem vindo a ser realizada um extenso périplo bibliográfico, do qual resultam leituras já feitas e a fazer das obras que se seguem:

LIVROS CITADOS: • • • • • • • • • • • • • • •

AGEE, W., TRAQUINA, N. (1984); O Quarto Poder Frustrado – Os Meios de Comunicação Social no Portugal Pós-Revolucionário; Vega ATTON, C. (2002); Alternative Media; Sage BAUDRILLARD, J. (1995) (trad.Port.); A Sociedade de Consumo; Edições 70 BAUDRILLARD, J. (1995) (trad.Port.); Para uma crítica da Economia Política do Signo; Edições 70 BAUDRILLARD, J.(1991) (trad.Port.); Simulacros e Simulação; Relógio D'Água BOCZKOWSKI, P. (2004); Digitizing the news - innovation in online newspapers, The MIT Press BRETON, P., PROULX, S.(2000) (trd.Port.); A Explosão da Comunicação; Bizâncio CASTELLS, M. (1997); The Rise of the Network Society, Vol. II - The Information Age: The Power of Identity; Blackwell CASTELLS, M. (2001); The Internet galaxy - Reflections on the Internet, Business, and Society; Oxford University Press CROOK, S., PAKULSKI, J., WATERS, M. (1992); Postmodernization - change in advanced societies; Sage FIDDLER, R. (1997); Mediamorphosis: Understanding New Media; Pine Forge Press GIBBINS, J., REIMER, B. (1999); The poliTIC of Postmodernity; Sage HEINONEN, A. (1999); Journalism in the Age of the Net - changing society, changing profession; Tampere University Press LYON, D. (1992) (trd.Port.); A Sociedade da Informação - Questões e Ilusões; Celta LUHMANN, N. (1993); A Improbabilidade da Comunicação; Vega.

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• •

MAHEU, L. (ed.) (1995); Social movements and social classes - the future of collective action; Sage NETO, P.P. (2002); “A Presidência da República e as Tecnologias de Comunicação e Informação: dinâmicas de exercício de cidadania virtual”; Presidência da República Portuguesa

• • • • •

NEVEU, E. (1996); Sociologie des mouvements sociaux; Éditions La Découverte NORRIS, P. (2002); Democratic Phoenix: Political Activism Worldwide; Cambridge University Press POOLE, I. (2001); “Changing the color of digital ink - the quest to bring newspaper Internet operations out of the red and into the black”; 497d media Industries ROCHA, J. (1999); Nova Lei de Imprensa; Livraria Petrony Editores ROCHER, G. (1977-1979) (trd.Port.); Sociologia Geral; Editorial Presença

ARTIGOS EM PUBLICAÇÃO PERIÓDICA CITADOS: • • • • • • •

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DEUZE, M. (2001); “Understanding the impact of the Internet: on new media professionalism, mindsets and buzzwords”;

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http://www.firstmonday.dk/issues/issue5_1/kenney/index.html KING, K. (2000); “The wired revolution”; in Nieman Reports Vol. 54, nº4 LIEVROUW, L. (2004); "What's changed about new media? Introduction to the fifth anniversary issue of New Media & Society"; in New Media and Society, Sage MAYNARD, N. (2000); “Digitization and the news”; in Nieman Reports Vol. 54, nº4 MENSING, 1998, D. (1998); “The economics on online newspapers”; AEJMC; http://list.msu.edu/cgi-bin/wa?A2=ind9812a&L=aejmc&F=&S=&P=7409 MURAD, A. (1999); “Oportunidades e desafios para o Jornalismo na Internet”; in Ciberlegenda nº2 PARKER, 1998, E. (1998); “Online newspapers: living up to their potential?”; AEJMC • October; http://list.msu.edu/cgi-

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http://www.ucm.es/info/especulo/numero12/era_digi.html SAUTER, 2000, M. (2000); “On the Web, it's survival of the biggest”; in Nieman Reports Vol. 54, nº4 SCHULTZ, T. (1999); “Interactive options in online journalism: a content analysis of 100 U.S. newspapers”; in Journal of Computer Mediated Communication 5, September; www.ascusc.org/jcmc/vol5/issue1/schultz.html • SEIBEL, M. (2000); “Is including e-mail addresses in reporters' bylines a good idea?”; in Nieman Reports Vol. 54, nº4

CAPÍTULOS DE LIVROS E TEXTOS EM COLECTÂNEAS CITADOS: • • •

AAVV (2002); Media, Jornalismo e Democracia - Comunicações apresentadas em Seminário Internacional; Livros Horizonte ANACOM (2002); Anuários estatísticos BOCZKOWSKI, P. (2002); “The Development and Use of Online Newspapers: What Research Tells Us and What We Might Want to Know”; in LIEVROUW, L. e LIVINGSTONE, S. (eds.); The Handbook of New Media; Sage Publications, London

CARDOSO, G., NETO, P. P.; "Mass media driven mobilization and online protest: ICTs and the pro East-Timor movement in Portugal"; in VAN DE DONK, W. et al (2004); Cyberprotest - New Media, Citizens and Social Movements; Routledge

CARDOSO, G., NETO, P. P. (2003); "O movimento por timor: mass media e protestos online"; in REBELO, J. (coord.); Novas Formas de Mobilização Popular; Campo das Letras

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CARDOSO, G., NETO, P.P, AZEVEDO, J. (2003); "Online news media in Portugal: how Portuguese online media are building brands"; in SALAVERRÌA, R., SÁDABA, C. (eds.); Towards new media paradigms - content, producers, organisations and audiences, Ediciones Eunate

• • • • • •

Ciberfaces - Internet: Interfaces do Social (2000); http://ciberfaces.iscte.pt CORREIA, J. (2002); “Elementos para uma crítica da mediação moderna”; http://bocc.ubi.pt/pag/correia-joao-elementos-critica-mediacao-moderna.html CORREIA, J. (1997); “Jornalismo e Espaço Público”;

http://bocc.ubi.pt/pag/joaocorreia.html CORREIA, J. (2002); “Novo Jornalismo, CMC e esfera pública”;

http://bocc.ubi.pt/pag/correia-joao-Jornalismo-cmc-esfera-publica.html DIANI, M.; “Virtual and real”; in WEBSTER, F. (2001); Culture and PoliTIC in the Information Age - A new poliTIC?; Routledge DORDOY, A. e MELLOR, M. (2001; “Grassroots environmental movements mobilization in an Information Age”; in WEBSTER, F.); Culture and PoliTIC in the Information Age - A new poliTIC?; Routledge • GILES, B. (2002); “Journalism in the Era of the Web”; citado em LUTFI, M.; Elevating the standards of journalism: the impact of "online media watchdogs" and a case study of Medyakronik; http://cct.georgetown.edu/thesis/LuftiArslan.pdf • • • HARPER, C. (1998); “Journalism in a digital age”; MIT Communications Forum; http://web.mit.edu/comm-forum/papers/harper.html KECK, E. (2000); “The impact of the Internet on journalism: the newspaper metaphor”; http://uts.cc.utexas.edu/~keckem/research.html LUTFI, M.(2002); Elevating the standards of journalism: the impact of "online media watchdogs" • • • and a case study of Medyakronik; Washington;

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citado em NAM-DOO, K.; “The characterisTIC of web-based news presentation - a preliminary study”; http://uts.cc.utexas.edu/~namdoo/namdoopaper.html • MCCARTHY, J. (1996); “Constraints and opportunities in adopting, adapting, and inventing”, in MCADAM, D., MCCARTHY, J. e ZALD, M.; Comparative Perspectives on Social Movements: Political Opportunities, Mobilizing Structures, and Cultural Framings; Cambridge University Press • MELUCCI, A. (1995); “Individualisation et globalisation: au-delà de la modernité?”; in DUBET, F., WIEVIORKA, M. (eds); Penser le Sujet: autour d'Alain Touraine; Fayard • MELUCCI, A. (1995); “The new social movements revisited: reflections on a sociological misunderstanding”; in MAHEU, L. (ed.); Social movements and social classes - the future of collective action; Sage • • • • MORKES, J., NIELSEN, J. (1997); “Concise, scannable and objective: how to write for the web”; http://www.useit.com/papers/webwriting/writing.html NETPANEL BAREME MARKTEST;

http://www.marktest.pt/produtos_servicos/Netpanel/default.asp OBSERVATÓRIO DA COMUNICAÇÃO; www.obercom.pt PAKULSKI, J. (1995); “Social movements and class : the decline of the marxist paradigm”; in MAHEU, L. (ed.); Social movements and social classes - the future of collective action; Sage • PICKERILL, J. (2001); “Weaving a Green Web - Environmental Protest and computer-mediated communication in Britain”; in WEBSTER, F.; Culture and PoliTIC in the Information Age - A new poliTIC?, Routledge • • • • QUINN, G., TRENCH, B. (2002); MUDIA: Multimedia content in the digital age; www.mudia.org SILVERSTONE, R. (2002); “Why Study the Media? September 11 and the ethics of distance”; Comunicação apresentada no ISCTE em Junho de 2002 WEBSTER, F. (2001); “A new poliTIC?”; in WEBSTER, F.; Culture and PoliTIC in the Information Age - A new poliTIC?, Routledge ZALD, M. (1996); “Culture, ideology and strategic framing”; in MCADAM, D., MCCARTHY, J. e ZALD, M.; Comparative Perspectives on Social Movements: Political Opportunities, Mobilizing Structures, and Cultural Framings; Cambridge University Press

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BIBLIOGRAFIA ADICIONAL DE ENQUADRAMENTO: •

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• • • • • •

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CARDOSO, G. (1998); Para uma Sociologia do Ciberespaço; Celta CARREIRA DA SILVA, F. (2002); Espaço Público em Habermas; Colecção Estudos e Investigações, Imprensa de Ciências Sociais COSTA E SILVA, E. (2004); Os Donos da Notícia - Concentração da Propriedade dos Media em Portugal; Colecção Comunicação, Porto Editora DALMAS, R. et al (2001); “From vertical to concentric: the impact of Internet in traditional media”; Kellogg TechVenture 2001 Anthology DOWNES, E., MCMILLAN, S. (2000); "Defining Interactivy"; in New Media & Society, Sage

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• • • • • • • • • • •

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http://www.keshvani.com/academia/anzcaessaykeshvani.pdf KIOUSIS, S. (2002), "Interactivy: a concept explication", in New Media & Society, Sage KLEIN, J. (2000); “Broadband technology brings news video to the Web”; in Nieman Reports Vol. 54, nº4 LEVY, P.; Cibercultura; citado em MURAD, A. (1999); “Oportunidades e desafios para o Jornalismo na Internet”; in Ciberlegenda nº2 LOPES DA SILVA, M. (2003); "Perspectivas Weberianas da Sociedade Rede", in Revista de Economia Politica de las Tecnologias de la Información y Comunicación, Vol 5, nº 3, 2003

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• • •

LOPES, A.M. (2000); "Sociedade da Informação: um conceito em discussão", in GONÇALVES, M.E. (org); Cultura Científica e Participação Pública, Celta LYON, D. (1992) (trd.Port.); A Sociedade da Informação - Questões e Ilusões; Celta MACHADO, E. (2002); "Changing concepts of time 50 anos depois - a contribuição de Harold Innis para o estudo do Jornalismo digital”; http://bocc.ubi.pt/pag/machadoelias-harold-innis-time.html

• •

MACHADO, E. (2003); “O ciberespaço como fonte para os jornalistas, http://bocc.ubi.pt MASSEY, B. e LEVY, M. (1999); “Interactivity, online journalism, and Englishlanguage Web newspapers in Asia”; in Journalism & Mass Communication, 76 (1); citado em NAM-DOO, K.; “The characterisTIC of web-based news presentation - a preliminary study”; http://uts.cc.utexas.edu/~namdoo/namdoopaper.html

• • • • •

MATTELART, A., MATTELART, M. (2002) (trad. Port., 2ª ed.); História das Teorias da Comunicação; Campo das Letras MCMILLAN, S. (2002); "A four-part model of cyber-Interactivity"; in New Media & Society, Sage MCNAIR, B. (1998); The sociology of journalism; Arnold and Oxford University Press MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA (1999); Portugal in the Information Society MORETZSOHN, S. (2000); A velocidade como fetiche - o discurso jornalístico na era do "tempo real"; Tese de Mestrado; http://bocc.ubi.pt/pag/moretzsohn-

sylviavelocidade-Jornalismo-0.html • NETO, P.P.; "Os diários generalistas portugueses na Internet", in CARDOSO, G., ESPANHA, R. (orgs.) (2006); Comunicação e Jornalismo na Era da Comunicação, Lisboa, Campo das Letras • • OberCom - OBSERVATÓRIO DA COMUNICAÇÃO; www.obercom.pt OberCom - OBSERVATÓRIO DA COMUNICAÇÃO; CARDOSO, G., NETO, P., SANTOS, S., AMARAL, S. (2006); Jornalismo Hoje: análise de 14 redacções de Jornais, Rádio e Televisão" • • PAVLIK, J.(2001), Journalism and New Media, Columbia University Press PAVLIK, J. (1997); “The future of online journalism”; in Columbia Journalism Review, Julho/Agosto 1997; http://archives.cjr.org/year/97/4/online.asp

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• • • • • • • • • • • • • • • • • • •

PINTO, R., SOUSA, J. (2000); “O futuro incerto da Internet - intercomunicar além do comércio e da publicidade”; http://bocc.ubi.pt/pag/sousa-jorge-pedro-futuro_net.html PUCCININ, F. (2003); “Jornalismo online e prática profissional - questionamentos sobre a apuração e edição de notícias para web”; http://bocc.ubi.pt ROBINS, K., WEBSTER, F. (1999); Times of the Technoculture; Routledge SALAVERRÌA, R., SÁDABA, C. (eds.) (2003); Towards new media paradigms content, producers, organisations and audiences; Ediciones Eunate SALVAGGIO, J. (ed) (1989); The Information Society - economic, social and structural issues; Lawrence Erlbaum SHERMAN, B. (1985); The new revolution - the impact of computers on society; John Wiley and Sons SILVA, P. (2000); “Jornalistas Portugueses Elementos sociográficos”;

http://bocc.ubi.pt SILVEIRINHA, M.J. (2002); “Novos Media, Velhas Questões”;

http://bocc.ubi.pt/pag/silveirinha-maria-joao-novos-media-velhas-questoes.html SILVERSTONE, R. (1999); “What's New About New Media?”; in New Media & Society, nº 1 SILVERSTONE, R. (2002); “Why Study the Media? September 11 and the ethics of distance”; Comunicação apresentada no ISCTE em Junho de 2002 SILVERSTONE, R. (2005); "Mediation and Communication"; in CALHOUN, C. et al (eds); The International Handbook of Sociology; Sage SLEVIN, J. (2000); The Internet and Society; Polity Press SORLIN, P. (1997) (trd.Port); Mass Media; Celta SOUSA, J. (2003); “Por que as notícias são como são? Construíndo uma teoria da notícia”; http://bocc.ubi.pt TENGARRINHA, J. (1989); História da Imprensa Periódica Portuguesa – 2ª edição; Editorial Caminho VAN DE DONK, W. et al (2004); Cyberprotest - New Media, Citizens and Social Movements; Routledge VAN DIJK, J. (1999); “The one-dimensional network society of Manuel Castells”; New Media & Society VIRILIO, P. (1998); La Bombe Informatique; Galilée VIRILIO, P. (2000) (trd.Port.); A Velocidade de Libertação; Relógio D'Água

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• • • •

VIRILIO, P. (2000) (trd.Port.); Cibermundo - A Política do Pior; Teorema WOLF, M. (2002) (trad.Port.); Teorias da Comunicação; Editorial Presença WOLTON, D. (1999) (trd.Port.); Pensar a Comunicação; Difel WOLTON, D. (2000) (trd.Port.); E depois da Internet?; Difel

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7. ANEXO 1

Na análise de conteúdo efectuada foram utilizados os seguintes conceitos:

- Breaking news, que compreende os chamados news-tickers – barras nas quais se sucedem títulos de notícias recentemente adicionadas ou revistas – e notícias explicitamente consideradas como “em actualização” ou de “última hora”. Itens incluídos nesta categoria não serão novamente contabilizados na categoria Notícias; - Interacção/Comunicação, que inclui referências a endereços, cartas ao director fóruns de conversação em tempo real ou desfasada, e sondagens de opinião. Inclui ainda ferramentas de navegação e menus, bem como arquivos de notícias; - Serviços, que abarca informação de interesse público tal como apreciações de oferta de restauração, programas televisivos, música, cinema e literatura. Inclui ainda referências a efemérides, directórios telefónicos, informação meteorológica e de tráfego automóvel, e ferramentas de cálculo de câmbios ou de impostos, para além de ferramentas de pesquisa na Internet; - Entretenimento, na qual se encontram elementos vocacionados para a diversão e o ócio, como banda desenhada, puzzles e concursos; - Notícias, seja sob a forma exclusiva de títulos ou artigos completos, seja sob a forma de pequenos excertos, fotografias comentadas, comentários ou editoriais, entrevistas, ou reprodução de documentos de interesse público; - Publicidade, na qual estão incluídas quatro sub-categorias: Emprego, Classificados, Publicidade comercial, e Auto-promoção (quer do medium em análise, quer do grupo económico a que pertence, e que passam quer por anúncios explícito, quer pelo próprio espaço ocupado pelo título); - Apontadores textuais, referências/hiperligações a conteúdos encontrados nas páginas interiores, em forma de texto; - Apontadores gráficos, referências/hiperligações a conteúdos encontrados nas páginas interiores, em forma de imagem estática ou dinâmica.

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O RUÍDO DAS LUZES: JORNALISMO E INTERNET EM PORTUGAL PEDRO PEREIRA NETO

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