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Impostos da banca no Guinness!

Honório, Novo, Deputado , do PCP Portugal arrisca-se a entrar no Guinness por causa da esquizofrenia do Governo na cobrança de impostos a certos contribuintes. Haverá algum país cujo Governo jure que cobra impostos suficientes a contribuintes que vêm a terreiro dizer que, afinal, não pagam assim tanto?... Pode esta história parecer estranha a quem desconta mais impostos do que (tantas vezes) pode e deveria pagar só porque alguns fogem com o "rabo à seringa" e inventam mil habilidades para pagar bem menos do que deveriam e podem fazer. Só que ela é verdadeira e veio a lume através de José Sócrates e Teixeira dos Santos. A Associação Portuguesa de Bancos - instituição que integra os bancos com actividade em Portugal anunciou há dias que o sector (apesar da crise nacional e mundial, vejam lá?) tinha tido em 2007 quase mais 10% de lucros que em 2006. Traduzido em milhões, isto significa que, em 2007, o sector bancário se aproximou muito dos 3000 milhões de euros de lucros já líquidos de imposto. Mas a APB disse coisas ainda mais interessantes, disse que, apesar dos seus lucros irem aumentar 10%, os impostos a pagar no mesmo período iriam diminuir quase 29% relativamente a 2006. Números redondos, os banqueiros vieram anunciar que a banca pagará em 2007 uma taxa de IRC entre 13% e 14 %!... Confrontado com esta flagrante injustiça fiscal, o Governo tentou desviar as atenções, contrariando tudo o que sobre a matéria afirmara nos últimos dois anos. Disse - sem memória nem corar de vergonha que a banca, coitadinha, já anda a pagar impostos de 19% e 20% desde 2005, incluindo o que vai pagar sobre 2007, ano em que, para Sócrates e Santos, vai "voltar a pagar uma taxa de IRC de 20%"! Não fora João Salgueiro, presidente da APB, vir dizer-nos que os seus sócios irão pagar entre 13% e 14% de IRC e poderia o País ser uma vez mais enganado com as

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declarações desta dupla. Esta história vale por si mas vale também pelo que está para além dela. Mostra a falência da política de equidade fiscal tão propalada por este Governo. Mostra como são simples retórica as medidas anunciadas para "pôr a banca a pagar impostos". Mostra a total impunidade - confirmando a subordinação da política aos interesses financeiros que certos sectores já sentem para desfazer na praça pública as encenações do Governo para "dar um ar de esquerda". Mostra finalmente a verdadeira face da política fiscal de Sócrates mão leve para os poderosos, o peso da arrogância e do autismo fiscal sobre quem trabalha e menos pode. ?) Honório Novo escreve no JN, semanalmente, às segundas-feiras honorio.novo@sapo.pt

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