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A Crítica

da emancipação puramente política

Bauer
Antítese Religiosa

Solução da antítese

Emancipação política

O erro dos adversários da
emancipação dos judeus

“O Estado cristão não pode, sem abrir mão de sua essência,
emancipar os judeus, assim como o judeu não pode, sem abrir
mão de sua essência, ser emancipado [no estado cristão].” P. 14

“Como se resolve uma antítese religiosa? Tornando-a impossível.
E como se torna impossível uma antítese religiosa? Abolindo a
religião.” P.15

“Bauer exige, assim, que o judeu abandone o judaísmo e que o
homem em geral abandone a religião, para ser emancipado como
cidadão. E, por outro lado, considera a abolição política da
religião como a abolição da religião em geral.” P. 18
“... seu erro consistia somente em partir do pressuposto do
Estado cristão como o único verdadeiro e de não submetê-lo a
mesma crítica que dirigiam ao judaísmo.” P. 19

Erro de Bauer

“Reside em concentrar sua crítica somente no ‘Estado Cristão’, ai invés de
ampliá-la para o ‘estado em geral’. Bauer não investiga a relação entre a
emancipação política e emancipação humana.” P. 19

Que espécie de
emancipação?

“Não se trata de investigar, apenas, quem há de emancipar e quem deve ser
emancipado. A crítica tem de dirigir-se, além disso, outra coisa: de que espécie de
emancipação se trata; quais as condições implícitas da emancipação que se
postula.”

A questão judaica
depende do Estado
em que vive o judeu

EUA e a
questão judaica

Onde a questão
deixa de ser
teológica a crítica
de Bauer deixa de
ser crítica.

“Na Alemanha, onde não existe um Estado político, um estado como tal,
a questão judaica assumiu uma conotação puramente teológica. (...) A
crítica, aqui, é a crítica da teologia, uma crítica que se desdobra em duas:
uma crítica da teologia cristã e uma crítica da teologia hebraica.” P. 20
“Só nos Estados livres da América do Norte – ou pelo menos em parte deles –
perde a questão judaica seu sentido teológico para converter-se em verdadeira
questão secular.” P. 20

“A crítica dessa atitude [do Estado] deixa de ser uma crítica teológica tão logo
o Estado deixa de se conduzir de modo teológico em face da religião, tão logo
passa a se conduzir como Estado diante dela, isto é, politicamente. E, neste
ponto, onde a questão deixa de ser teológica, deixa a crítica de Bauer de ser
crítica.” P. 21

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ainda que e inclusive. A Religião já não constitui. 23 Ainda que se proclame ateu por meio do Estado o homem continua sujeito as cadeias religiosas Emancipação política. só se sente como Estado político e só faz valer sua generalidade em contraposição a estes elementos seus.” P. E a grande maioria não deixará de ser religiosa pelo fato de sua religiosidade ser algo puramente privado. O Estado é o mediador entre o homem e sua liberdade. Contudo.. cabalmente. ao proclamar todo membro do povo. Longe de acabar com estas diferenças de fato. o Estado pode ter-se emancipado da Religião. isto é. as cadeias religiosas dos cidadãos livres por suas cadeias seculares. 22 Emancipação política e religião “O problema da emancipação política com a religião converte-se. não podemos continuar buscando a fonte desse defeito somente na essência do Estado. 23 O limite da emancipação política “. ao declarar o nascimento. 25 2 .) Não obstante. e façam valer sua natureza especial.. ao contrário e longe de destruir a propriedade privada. Explicamos. no problema das relações da emancipação política com a emancipação humana. de status social. Estado e propriedade privada “. proclamando o Estado ateu. o homem continua sujeito as cadeias religiosas. quando o Estado se reconhece muito bem como tal.) Não convertemos problemas seculares em problemas teológicos. o status social. a grande maioria continue religiosa.. O Estado anula.A existência da religião não se opõe a perfeição do Estado A religião não é o fundamento. o fundamento. o Estado só existe sobre tais premissas.. a cultura e a ocupação atuem a seu modo. mas o fenômeno da limitação secular “Se até num país de emancipação política acabada [EUA] nos deparamos não só com a existência exuberante e vital. pra nós. como cultura e como ocupação.” P.) Portanto. 22 Estado e Religião “O Estado se emancipa da Religião ao emancipar-se da Religião de Estado.. a pressupõe... quando o Estado como tal professa nenhuma Religião. ainda que se proclame ateu por meio do Estado.” P... coparticipante da soberania popular em base de igualdade. constitui o fenômeno da limitação secular.” P. (. de cultura e de ocupação. o Estado deixa que a propriedade privada. manifesta-se imediatamente no fato de que o Estado pode livrar-se de um limite sem que o homem dele se liberte realmente.” P. temos nisto a prova de que a existência da religião não se opõe a perfeição do Estado. ao abordar todos os elementos da vida real do povo do ponto de vista do Estado. precisamente porque só se reconhece a sim mesmo mediante um subterfúgio. isto é. através de um meio. no fato de que o Estado pode ser um Estado livre sem que o homem seja um homem livre. portanto. (. a anulação política da propriedade privada. isto é. o reconhecimento de um mediador. como propriedade privada. a cultura e a ocupação do homem como diferenças não políticas.” p. apenas e simplesmente.” P.. as diferenças de nascimento.24 “O homem declara abolida a propriedade privada de modo político quando suprime o aspecto riqueza para o direito do sufrágio ativo ou passivo (. para nós. 21-2 “Como a existência da Religião é a existência de um defeito. sem atender a estas diferenças. a seu modo. A religião é.

o sonho. a expressão do divórcio e do distanciamento do homem em relação ao homem. Onde o Estado político já atingiu seu pleno desenvolvimento. presente. na medida que a religião. na medida que o homem se conduz.” P. 26 Soberania imaginária “. acha-se despojado de sua vida individual real e dotado de uma generalidade irreal. 35-6 Não dizemos aos judeus como Bauer “. como ser supremo.” P. da vida. em comunidade com os outros homens. a vida genérica do homem em oposição a sua vida material. Ao contrário... o homem leva. esta é. Já não é a essência da comunidade. ele é membro imaginário de uma soberania imaginária. na sociedade civil. da consciência. 27 “A religião já não é o espírito do Estado onde o homem comporta-se como um ser genérico. porém como um ser estranho. vale como ser soberano.. mas todo homem. porém. onde o homem é considerado como um ser genérico. mas a essência da diferença. a ‘vida política’ é só aparência ou exceção momentânea da essência e da regra. como qualidade desta.é. entre a vida da sociedade burguesa e a vida política.) o homem que ainda não é ser genérico real.. 28-9 “Os membros do Estado político são religiosos pelo dualismo existente entre a vida individual e a vida genérica. são religiosos.no Estado. pela sua própria essência. no espírito da sociedade burguesa. 27. máxima secular. realidade sensível.. 27 Bauer “. é o espírito da sociedade burguesa.. de si mesmo e dos outros homens.” P.” P. 3 . a soberania do homem.” P. na democracia.desconhece a luta entre o interesse geral e o interesse particular. A democracia política é cristã na medida que nela o homem. não podeis emancipar-vos politicamente se não vos emancipais radicalmente do judaísmo.. dizemos: podeis emancipar-vos politicamente sem vos desvincular radical e absolutamente do judaísmo porque a emancipação política não implica em emancipação humana. não apenas um homem. aqui. o divórcio entre o Estado político e a sociedade civil.” P. como bourgeois. da esfera do egoísmo. A imagem fantástica. ela se converte.. distinto do homem real. e não social (. o postulado do cristianismo.Estado político acabado “.. Todas as premissas desta vida egoísta permanecem de pé e à margem da esfera estatal. frente à vida do estado – que está muito além de sua vida individual real – como se fosse sua verdadeira vida. não só no plano do pensamento. agora. uma vida dupla: uma celestial e outra terrena. religiosos.. o homem em sua manifestação não cultivada.” P. porém. no espírito da bellum omnium contra omnes. 27 B Crítica da sociedade burguesa como esfera do egoísmo 2 Separação entre o Estado político e a sociedade civil-burguesa Espírito da sociedade burguesa “Para o homem. Converte-se na expressão da separação do homem de sua comunidade. mas também no plano da realidade.

verificamos que os emancipadores políticos rebaixam até mesmo a cidadania. é o direito do interesse pessoal. o egoísmo do homem. A segurança.” P. que. degrada-se a esfera comunitária em que atua o homem em detrimento da esfera em que o homem atua como ser parcial. nada mais são do que os direitos do membro da sociedade burguesa. a comunidade política ao papel de simples meio para a conservação dos chamados direitos. pelo contrário.. os droits de l’homme.) Trata-se da liberdade do homem como uma mônoda isolada. na separação do homem em relação a seu semelhante..é o direito de desfrutar de seu patrimônio e dele dispor arbitrariamente. 43 Segurança “A segurança é o conceito social supremo da sociedade burguesa. isto é. independentemente da sociedade. 44 Direitos humanos e o homem egoísta “Nenhum dos chamados direitos humanos ultrapassa. fazem da própria vida genérica. 45 4 . não se considera como homem verdadeiro e autêntico o homem enquanto cidadão. por conseguinte. Registremos antes de mais nada.” P. pelo contrário. uma limitação de sua independência primitiva. é a preservação desta. A aplicação prática do direito humano da liberdade é o direito humano à propriedade privada.” P. pela essência da emancipação política. mas.é o direito de fazer e empreender tudo aquilo que não prejudique os outros(.Crítica da ideologia jurídico-filosófica do liberalismo C burgus Direitos do homem (direitos humanos) ≠ Direitos do cidadão (direitos civis) “Qual o homme que aqui se distingue do citoyen? Simplesmente o membro da sociedade burguesa. que. do homem separado do homem e da comunidade. finalmente. da sociedade. portanto... do homem egoísta. sem atender aos demais homens. Longe de conceber o homem como um ser genérico. 41 Direito à liberdade “. A liberdade é o direito a esta dissociação.” P.) O conceito de segurança não faz com que a sociedade burguesa se sobreponha a seu egoísmo.o direito do homem à liberdade não se baseia na união do homem com o homem. como uma mônoda presa a si mesma. a necessidade e o interesse particular.. O único nexo que os mantém em coesão é a necessidade natural. para seu interesse particular. Sociedade que faz com que todo homem encontre noutros homens não a realização de sua liberdade. 43 Direito à igualdade “. ao contrário dos droits du citoyen.. de seus direitos e de sua propriedade. do homem como membro da sociedade burguesa. a conservação de suas propriedades e de suas individualidades egoístas.. pelo contrário.” P. isto é.. segundo o qual toda a sociedade somente existe para garantir a cada um de seus membros a conservação de sua pessoa. (. mas. 44-5 “. o fato de que os chamados direitos humanos..” P. 42 Direito à propriedade privada “.. em sua arbitrariedade privada e dissociada da comunidade.. dobrada sobre si mesma. a limitação desta. um marco exterior aos indivíduos.. pelo contrário. a saber: que todo homem se considera igual.” P... 42 “. o citoyen é declarado servo do homme egoísta. do indivíduo voltado para si mesmo. limitado a si mesmo..” P. Porque se chama o membro da sociedade burguesa de ‘homem’.. senão enquanto burguês. o direito do indivíduo delimitado. A liberdade individual e esta aplicação sua constituem o fundamento da sociedade burguesa. e dá-se a seus direitos o nome de direitos humanos? Como explicar tal fato? Pela relação entre o Estado político e a sociedade burguesa. estes direitos. o conceito de polícia.nada mais é senão a igualdade da liberdade acima descrita.

isto é. e o homem verdadeiro. A revolução política suprimiu. alegórico.. A velha sociedade tinha diretamente um caráter político. com ele. somente sob a forma do citoyen abstrato.é a redução do homem. o tipo e o modo de trabalho se haviam elevado ao nível de elementos da vida estatal. somente quando o homem tenha reconhecido e organizado suas ‘forças próprias’ como forças sociais e quando. ao passo que o homem político é apenas o homem abstrato. a indivíduo egoísta independente e. romperam-se. que fez ascender os assuntos de Estado e os assuntos do povo.” P. Sob esta forma.. os elementos da vida burguesa como. Rompeu a sociedade civil em suas partes integrantes mais simples: de um lado. 48 Consagração do idealismo do Estado era. 50-1 Emancipação política “. do outro. como homem individual.” P. o caráter político da sociedade civil. Daí..” p. 49 “A liberdade do egoísta e o reconhecimento desta liberdade são a expressão do reconhecimento do movimento desenfreado dos elementos espirituais e materiais que foram seu conteúdo de vida. como Estado real. já não separa de si a força social sob a forma de força política. o feudalismo. por exemplo. sob a forma da propriedade territorial. a pessoa moral.. a situação civil destes indivíduos. isso é. é considerado como o verdadeiro homem.” P. ao mesmo tempo. estes elementos determinavam as relações entre o indivíduo e o conjunto do Estado. os elementos materiais e espirituais que formam o conteúdo da vida.” P. grêmios e os privilégios. suas relações políticas. de estamento ou de comunidade. a consagração do materialismo da sociedade civil “Ao sacudir-se o jugo político. destruiu necessariamente todos os estamentos.A revolução política é a revolução da sociedade civil A revolução política suprimiu o caráter político da sociedade civil “O que caracterizava a velha sociedade? Uma simples palavra. de um lado. 51 Emancipação humana “Somente quando o homem individual recupera em si o cidadão abstrato e se converte. as cadeias que aprisionavam o espírito egoísta da sociedade civil. distinto do citoyen por se tratar do homem em sua existência sensível e individual imediata. 47 “A revolução política que derrubou este poder senhorial. sua emancipação até mesmo da aparência de um conteúdo geral. que constituiu o Estado político como incumbência geral. a membro da sociedade burguesa. portanto.o homem enquanto membro da sociedade burguesa.. o cidadão do Estado. a emancipação política ter sido a emancipação da sociedade civil em relação à política.” P. de outro. a posseção. O homem real só é reconhecido sob a forma do indivíduo egoísta. moral.. 52 5 .. corporações. isto é.49-50 O homem real só é reconhecido sob a forma de indivíduo egoísta “. em ser genérico. simultaneamente. artificial. em seu trabalho individual e em suas relações individuais. a família.. somente então se processa a emancipação humana.” P. os indivíduos.

é o princípio da sociedade burguesa. do judaísmo prático. Enquanto a primeira predomina idealmente sobre a segunda. dissolver o mundo dos homens num mundo de indivíduos que se enfrentam uns aos outros atomística.” P. na prática dá-se justamente ao contrário. 59 “A necessidade prática. tan- to o mundo dos homens como a natureza.” P. O dinheiro é a essência do trabalho e da existência do homem. o politeísmo de muitas necessidades.” P.” P. a degradação prática da natureza. praticado pelo judeu? A usura.56 Os judeus se emanciparam na medida em que os cristãos se fizeram judeus A política e o poder do dinheiro A sociedade burguesa engendra constantemente em suas entranhas o judeu Dinheiro “O judeu se emancipou à maneira judaica não só ao apropriar-se do poder do dinheiro como. mas só na imaginação. romper todos os vínculos genéricos pelo egoísmo.” P.” P. mas a sociedade burguesa só alcança consagração no mundo cristão. “Somente sob a égide do cristianismo. 60 O judaísmo atingiu seu apogeu com a consagração da sociedade burguesa.D Crítica das bases econômicas da sociedade burguesa e do Estado político A emancipação do judaísmo é a emancipação do mundo de hoje “Qual é o fundamento secular do judaísmo? A necessidade prática.59 Natureza e dinheiro “A concepção que se tem da natureza sob o império da propriedade e do dinheiro é o desprezo real.” P. portanto. que converte em relações puramente externas para o homem todas as relações nacionais. morais e teóricas. constituído em si mesmo. Portanto. naturais. e esta essência estranha o domina e é adorada por ele.” P.” P. e o espírito prático dos judeus no espírito prático dos povos cristãos. hostilmente. 58 “Qual era o fundamento da religião hebraica? A necessidade prática. Qual o seu Deus secular? O dinheiro. o egoísmo. o egoísmo. podia a sociedade civil separar-se totalmente da vida do Estado. seria a autoemancipação de nossa época. real. Pois bem. a emancipação da usura e do dinheiro. alienada deste. numa potência universal. na realidade. também. Qual é o culto secular. 61 6 . o interesse egoísta. que na religião hebraica existe. isto é. a emancipação do homem do judaísmo. 59 = Deus da necessidade prática e do egoísmo “O dinheiro é o valor geral de todas as coisas. 55 “A emancipação dos judeus é. 57 “A contradição que existe entre o poder político prático do judeu e seus direitos políticos é a contradição entre a política e o poder do dinheiro em geral. O monoteísmo do judeu é. despojou o mundo inteiro de seu valor peculiar. pela necessidade egoísta. certamente. em última análise. porque o dinheiro se converteu através dele e a sua revelia.

Karl. Moraes. A questão judaica.A venda é a prática da alienação “Assim como o homem – enquanto permanece sujeito às cadeias religiosas – só sabe expressar sua essência convertendo-a num ser fantástico. colocando seus produtos e sua atividade sob o império de um ser estranho e conferindo-lhes o significado de uma essência estranha. do dinheiro. Ed. num ser estranho a ele. só poderá produzir praticamente objetos. 63 MARX. 62 “A emancipação social do judeu é a emancipação da sociedade do judaísmo. 7 .” P. assim também só poderá conduzir-se praticamente sob o império da necessidade egoísta.” P.