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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO – UNESP

ALEXANDRE I. G. FERRAZ

I-JUCA-PIRAMA

MARIA LÚCIA OUTEIRO FERNANDES

ARARAQUARA
2015

/ a em/bi/ra / ce/de.A/lar/ma! a/lar/ma! . / quan/do / par/tis/te. / com/ce/des/tes 7 A / vi/da a um / pri/sio/nei/ro. / o / pra/zer / co/me/ça. . / se / al/guém / du/vi/da/va 12 Do / que / ele / con/ta/va. 5 Gue/rrei/ros. 7 VIII "Tu / cho/ras/te em / pre/sen/ça / da / mor/te? 9 Na / pre/sen/ça / de es/tra/nhos / cho/ras/te? 9 Não / des/cen/de o / co/bar/de / do / for/te. 5 Nas / sel/vas / cre/sci. 10 Nem / po/de / nun/ca um / che/fe / dar / tal / or/dem! 10 Bra/da / se/gun/da / vez / com / voz / mais / al/ta. / do / ve/lho / Tu/pi! 11 . 10 Os / gue/rrei/ros / mur/mu/ram: / mal / ou/vi/ram. 4 En/chem-/se as / co/pas. / . / cu/ja / mor/te an/sei/am. / gue/rrei/ros. 10 O en/dua/pe / na / cin/ta / se em/ba/lan/ça. 9 Na / des/tra / mão / so/pe/sa a i/ve/ra/pe/me. / nas / ta/bas. 5 Di/zia / pru/den/te: / .O / ve/lho / pá/ra! 10 O / gri/to / que / es/cu/tou é / voz / do / fi/lho."Me/ni/nos. 7 Nem / tão / al/ta / cor/te/sia 7 Vi eu / já/mais / pra/ti/ca/da 6 En/tre os / Tu/pis. 11 Al/tei/am-/se os / te/tos / d’al/ti/va / na/ção. 7 Que ao / ter/mo / fa/tal / já / che/ga. / . o / mi/se/ran/do / ve/lho 10 A / quem / Tu/pã / tá/ma/nha / dor.A/lar/ma! a/lar/ma! 10 X Um / ve/lho / Tim/bi/ra.Ao / me/nor / pa/sso 10 Co/lar / d’al/vo / mar/fim. / des/cen/den/te / mal/di/to 9 De u/ma / tri/bo / de / no/bres / gue/rrei/ros. 10 E / frou/xo o / seu / ca/lor / já/ sin/to a/go/ra! 10 VII "Por / a/mor / de um / tris/te / ve/lho.Tar/das/te / mui/to! 4 Não / e/ra / na/do o / sol. / meu / fi/lho / não / és! 9 Po/ssas / tu. 10 Rei/na o / fes/tim. 10 IV Meu / can/to / de / mor/te. / mas / ce/de: o es/tra/nho é / sal/vo. 11 Te/mí/veis / na / gue/rra. 10 A/frou/xam/-se as / pri/sões.Ao / vo/sso / la/do. / sim. / eu / vi! 1 . 4 O / pri/sio/nei/ro. / que ou/tro / sol / no o/ca/so 10 Ja/mais / ve/rá! 4 III Em / lar/ga / ro/da / de / no/véis / gue/rrei/ros 10 Le/do / ca/mi/nha o / fes/ti/val / Tim/bi/ra.I – JUCA PIRAMA I No / mei/o / das / tá/bas / de a/me/nos / ver/do/res. 9 IX Is/to / di/zen/do.diz / o / che/fe. 9 Se/res / pre/sa / de / via / Ai/mo/rés. / com as / mãos / já / fri/as 10 Da / sua / noi/te es/cu/ra as / den/sas / tre/vas 9 Pal/pan/do. / e / já! 6 E à / noi/te. 10 A / cus/to. 10 A / quem / do / sa/cri/fí/cio / ca/be as /hon/ras.e / mas / fo/ram 7 Se/nho/res / em / gen/ti/le/za. / de/scen/do 5 Da / tri/bo / tu/pi. / que em / den/sas / coor/tes 11 A/ssom/bram / das / ma/tas / a i/men/sa ex/ten/são. 10 Vai / com / trê/mu/lo / pé. 9 Pois / cho/ras/te. 11 São / mui/tos / seus / fi/lhos . / to/mai/-as. 7 Vós. / on/de es/tás? 6 . 10 Voz / de / gue/rra / que ou/viu / já / tan/tas / ve/zes 10 Nou/tra / qua/dra / me/lhor. 10 E a / ca/mi/nho. 4 O / pri/sio/nei/ro. / in/sí/gnia / d’hon/ra. 10 . / Pas/ma a / tur/ba. 10 Sen/ta/do es/tá. 10 Na / fron/te o / ca/ni/tar / sa/co/de em / on/das.Fi/lho / meu. 11 II Em / fun/dos / va/sos / d’al/va/cen/ta ar/gi/la 10 Fer/ve o / cau/im.co/ber/tos / de / flo/res. . / ou/vi: 5 Sou / fi/lho / das / sel/vas. 10 As / vo/ssas / for/ças / res/tau/rai / per/di/das. 6 A/ção / tão / no/bre / vos / hon/ra. 4 A/qui / vos / tra/go / pro/vi/sões. 11 Cer/ca/das / de / tron/cos / . / co/ber/to / de / gló/ria. 11 Guar/dou / a / me/mó/ria 5 VI Do / mo/ço / gue/rrei/ro. / tal / fa/do 10 Já / nos / con/fins / da / vi/da / re/ser/va/da. 9 Im/plo/ran/do / cru/éis / fo/ras/tei/ros. 5 V Sol/tai-/o! / . 10 Or/gu/lho/so e / pu/jan/te. 5 Gue/rrei/ros. / nos / â/ni/mos / for/tes.

por essa insistente repetição. O terceiro canto mostra-nos a grandeza dos povos Timbiras e sua cultura. As sílabas cinco e onze são fortes e nos fazem lembrar de dança de roda indígena. Novamente a musicalidade aparece insistentemente. comivido pela situação de seu pai que ficará sozinho no mundo. pensando em seu pai cego. O íncio do canto VI apresenta uma interessante construção. O poema conta a história de um índio capturado que.I Juca Pirama é um dos poemas feitos por Gonçalves Dias e que trazem consigo toda a proposta do período Romântico brasileiro. uma lenda que conte a história dos grandes feitos nosso povo e suas fundações na história. se recitados em voz alta. Podemos fazer ligações entre as formas adotadas e o que cada um dez cantos tem para mostrar. No canto IV o índio que será sacrificado conta sua história e. O canto V apresenta as consequências de perder a honra. Temos uma métrica heróica para um tema heróico. o canto V retoma as dez sílabas poéticas. Esse primeiro verso é extremamente musical. suplica à tribo dos Timbiras que aceitem seu filho como sacrifício. acaba chorando durante a narração e acaba perdendo sua honra por isso. O índio não será mais sacrificado e consumido pela tribo que o capturou – ritual que representava grande honra para o sacrificado. O começo de Juca Pirama com suas onze sílabas pode tentar indicar superioridade dessa nova nação que é contada. Um verso com dez sílabas é seguido de um com quatro. primeiro seis sílabas poéticas e em seguida. outras vezes apenas o pai. Ora sete sílabas poéticas. Quem fala aqui é o velho índio. O canto VIII tem uma forte relação métrica com a significação aqui atribuída ao primeiro e . somando dez. tudo para continuar ajudando o pai que precisa de um guia. já que ele representava o mais forte e continuaria vivendo em seus inigos. mas que acabam mantendo a sonoridade do anterior. No canto II temos a preparação da execução ritualística de Juca Pirama. quatro. Essa estratégia é utilizada em todos os versos desse canto e traz uma forte sensação. As epopéias gregas. O canto I apresenta-nos a altiva nação e faz isso com versos contendo onze sílabas poéticas. Esses versos são compostos por dez sílabas poéticas. inclusive. Um completa o outro. O formato com dez cantos. romanas e até a portuguesa são compostas por versos decassílabos. nos remete às epopéias gregas e já dá indicações de uma intenção heróica ao poema. Algumas vezes representam conversas entre pai e filho. Os dois versos iniciais das estrofes apresentam. No canto VII temos uma confusa metrificação. O poeta usa nesse canto uma metrificação diversificada. Nada melhor do que uma métrica entrecortada e sem marcações fortes para apresentar esse trecho da épica indígena. ora seis. acaba deixando o que considera como honra para trás. já que continuam pares. Isso se repete até o final do canto. A metrificação usada por Gonçalves Dias para contar essa história sofre bastante variação. O canto IV é composto por versos de cinco silabas poéticas. assim como fazem as epopéias gregas e romanas.

. novamente. principalmente por seu velho pai cego que inicia e termina o conto como se estivesse o tempo todo narrando a história de seu filho. A retomada da honra é contada usando a métrica heróica. No IV canto nosso herói se redime. Ao contrário da maioria dos versos decassílabos e heróicos e também dos versos com onze sílabas. a voz da tristeza e da vergonha sai da boca do velho índio com apenas nove sílabas poéticas. grita seus cânticos de guerra. dez sílabas poéticas. sua glória e a de seu povo são recoladas em alta estíma. esse canto é composto apenas por versos de nove sílabas poéticas. A vergonha não merece dez ou onze sílabas poéticas. passando para frente a lenda de um dos heróis dessa nação tão grandiosa. rompe ferozmente contra a tribo que havia lhe capturado e luta. O último verso do poema assume mais uma vez a forma de onze sílabas poéticas.ao último canto. Envergonhado por sua atitude. Juca Pirama é sacrificado. Nesses versos temos. mata. O pai de Juca Pirama descobre a vergonha de seu filho e sente-se envergonhado por isso.