Correio da Manhã

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15 Abril 2008 - 07h49

Visita à Madeira

Presidente exige dignidade e respeito
O Presidente da República chegou ontem ao Funchal para uma visita oficial de seis dias e, logo na primeira cerimónia, deixou claro que não se deslocou à Madeira "como estrangeiro", mas como "Presidente da República Portuguesa, garante da unidade do Estado que jurou fazer cumprir um texto constitucional que reconhece as particularidades das regiões insulares". E, reagindo ao mau relacionamento entre o Governo Central e o Governo Regional, o Presidente defendeu que deve ser cultivada a dignidade entre os dois órgãos de soberania. As palavras do Chefe de Estado foram proferidas num jantar em sua honranaALR,local onde, ao Manuel de Almeida/Lusa contrário do que aconteceu na visita oficial aos Açores, em Outubro de 2007, não haverá sessão solene. Este foi, aliás, o motivo que potenciou a polémica entre Jardim e a Oposição que queria que houvesse sessão solene, enquanto Jardim não, porque 'era dar uma péssima imagem da Madeira'. Porquê? Mostrava ao Presidente 'o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa'. Alberto João Jardim e muitos dos 47 deputados na ALR estavam presentes no jantar mas nada disseram para não lançarem achas para a fogueira. Jardim manteve um prudente silêncio, mesmo perante os ataques da Oposição. Cavaco Silva tentou igualmente criar uma ponte para o entendimento entre o Governo da República e Governo da Madeira, cujas relações aqueceram no âmbito da Lei das Finanças Regionais, levando inclusive Jardim a antecipar eleições. 'Todos teriam a perder pela persistência de conflitos mais ou menos artificiais', disse. Uma mensagem que poderá servir igualmente para acalmar os ânimos na Região Autónoma. 'Da parte dos poderes regionais deve ser cultivada a dignidade que justamente reclamam para si próprios. O respeito mútuo é algo que só se afirma, naturalmente, com o contributo de ambas as partes', disse o Presidente lembrando a necessidade de comportamentos civilizados no relacionamento entre políticos. Também no assunto da autonomia regional, relançado pelo líder do PSD, Luís Filipe Menezes, há uma semana, Cavaco Silva quis pôr um ponto final. Para o Presidente, a questão é clara, não fazendo sentido qualquer mal-entendido entre o Governo da República e o Regional: 'A Madeira, fazendo parte integrante do território nacional, possui uma identidade própria, que deve ser conhecida, apreciada, respeitada e dignificada. Não é apenas porque a Constituição de 1976 o quis que estas ilhas fossem autónomas. São autónomas, desde logo, porque a Natureza assim as fez.' E para que não restem dúvidas quanto ao que o Continente pensa sobre o assunto, repetiu: 'A autonomia tornou-se uma realidade indiscutível, que ninguém contesta'. 'DESTA VEZ, JARDIM TERÁ SIDO UM POUCO EXCESSIVO' 'Isso é um pouco como um divórcio. Não há culpa de um só', respondeu ontem ao CM Guilherme Silva, deputado do PSD à Assembleia da República a propósito do facto de Alberto João Jardim ter chamado 'bando de loucos' aos deputados da Oposição. Guilherme Silva, que, recorde-se já foi líder parlamentar do PSD, deu uma explicação para o excesso de linguagem do presidente do Governo Regional da Madeira: 'A Oposição tem feito cavalo de batalha pela sessão solene na Assembleia Legislativa e Alberto João Jardim quando é espicaçado sobe o tom e, desta vez, terá sido um pouco excessivo'. Para Guilherme Silva, o presidente do Governo Regional da Madeira 'não tinha intenção de perturbar e desmerecer a visita do Presidente da República'. Para o deputado do PSD, a visita de Cavaco Silva está muito associada à vertente cultural, à comemoração dos 500 anos da elevação do Funchal a cidade, e isso foi determinante para que a sessão solene fosse realizada nos Paços do Concelho. Ora, para o deputado, se a sessão solene se realizasse na Assembleia Legislativa, essa vertente ficaria subalternizada'. Guilherme Silva referiu-se ainda à importância da visita oficial do Presidente. 'A visita do Presidente da República é sempre importante, mas penso que neste momento, e na sequência de alguns incidentes entre o Governoda República e a Região Autónoma, é um tónico e uma esperança. É uma esperança no sentido de que a sua magistratura de influência modifique a atitude persecutória e de discriminação do Governo da República em relação à região e às populações'. Segundo o deputado, o Presidente 'tem feito tudo para restabelecer a normalidade das relações entre os Governos da República e Regional'.

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AS 1001 EXPLICAÇÕES As explicações do presidente da Assembleia Legislativa Regional, Miguel Mendonça, sobre a não realização de uma sessão solene nos Paços do Concelho, estiveram no centro da polémica. Mendonça justificou a medida pela recusa do Chefe de Estado em participar. Mas, mais tarde, esclareceu que apenas convidou o Presidente para uma sessão na Assembleia. 'Não me obriguem a dizer coisas que não disse', reagiu. E rematou: 'Não estou a sacudir água do capote'. PCP ENTREGA MOÇÃO O padre Edgar Silva, deputado do PCP na Assembleia Legislativa da Regional (ALR), anunciou ontem que o partido entregou uma moção de censura ao Governo de Alberto João Jardim. Esta foi a reacção dos dois deputados comunistas às declarações de Alberto João Jardim, segundo o qual existe 'um bando de loucos dentro da Assembleia Legislativa'. Jardim, recorde-se, referiu-se mesmo aos deputados da Oposição, o padre Edgar Silva, o 'fascista do PND', e 'aqueles tipos do PS'. CONTRA ROTEIRO DA MISÉRIA A primeira visita oficial do Presidente da República tem por objectivo, conforme relevou fonte de Belém, dar conta da realidade económica e cultural da Madeira. Apesar de Cavaco Silva ter oportunidade de poder contactar com as populações apenas o fará pontualmente. Esta visita não será, portanto, uma espécie de roteiro da miséria, que, na Madeira, é significativa, pois do total de 300 mil habitantes, cerca de 60 mil é pobre (um terço). SAIBA MAIS 4348 milhões de euros é o Produto Interno Bruto (PIB) da Madeira. O conjunto do País supera os 150 mil milhões. O sector dos serviços é o que tem mais peso no arquipélago. 246 mil pessoas residem na Região Autónoma, dos quais 73 828 trabalham no sector dos serviços. A agricultura é trabalhada por 13 mil madeirenses. 7% é a taxa de desemprego: quase nove mil pessoas não têm emprego na Madeira. Há mais mulheres desempregadas do que homens. TURISMO É uma actividade crucial no arquipélago. O ano passado houve 5,6 milhões com lucros hoteleiros na ordem dos 280,5 milhões de euros. INDÚSTRIA Consiste na sua grande maioria em actividades artesanais, como os bordados, tapeçaria e artigos de vime. Há ainda indústrias orientadas para o consumo como lacticínios e vinhos. PARAÍSO FISCAL A Região Autónoma tem uma política fiscal apelativa às grandes empresas, cobrando taxas abaixo da média europeia. VOTOS PRESIDENCIAIS Cavaco Silva obteve 58,47 por cento dos votos dos madeirenses na corrida às Presidências, em Janeiro de 2006. ALEGRE QUESTIONA 'TRANSIGÊNCIA' Manuel Alegre escreve no seu blogue não compreender a 'transigência' de Cavaco Silva que aceitou ir à Madeira, sem ser recebido pela Assembleia Legislativa numa sessão solene. AGENDA PARA HOJE 11h35 - Recepção com honras militares na Praça do Município 12h00 - Sessão solene comemorativa dos 500 anos da cidade do Funchal 12h40 - Visita à Igreja do Colégio dos Jesuítas 13h10 - Visita ao Forte de São Tiago 13h30 - Almoço com o presidente da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque 15h25 - Inauguração da exposição sobre o Património da Região Autónoma da Madeira 16h00 - Visita à Exposição de Jóias da Coroa no Museu de Arte Sacra 17h00 - Audiência com presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim 21h30 - Concerto por ocasião das Comemorações dos 500 anos da cidade do Funchal

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José Rodrigues, enviado especial Madeira

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