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Preços voltam a aumentar nas despesas essenciais
leonel de castro

Do total dos gastos das famílias portuguesas, cerca de 55% dizem respeito a habitação, alimentação e transportes

João Paulo Madeira A inflação está a atacar os portugueses onde mais dói. O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou, ontem, que a inflação homóloga subiu para 3,1%, em Março, com os aumentos mais expressivos a ocorrerem nos produtos alimentares, nos transportes e na habitação, exactamente os gastos que mais pesam nos orçamentos familiares. Um inquérito do INE às despesas das famílias, divulgado no final de Março, mostrou que 80% do rendimento vai para bens e serviços e que, do total dos gastos, 55% dizem respeito a habitação, alimentação e transportes. Ora, estas três categorias "foram as que apresentaram as contribuições positivas mais significativas para a formação da taxa de variação homóloga", refere o INE, no comunicado de ontem, segundo o qual apenas nas Telecomunicações houve descida de preços, face a Março do ano passado (-1,4%). Os preços de Habitação, Água, Electricidade, Gás e Outros Combustíveis subiram 4%, face a Março do ano passado. Os Produtos Alimentares e Bebidas Não Alcoólicas aumentaram 3,6% e os Transportes sofrem um acréscimo de 2,3%. Embora haja categorias com maiores subidas, como a de Tabaco e Bebidas alcoólicas (+12,1%), o INE faz uma ponderação dos gastos que mais pesam na carteira. Analisando com mais detalhe as subcategorias de produtos e serviços monitorizadas pelo organismo, verifica-se que, só na alimentação, a que mais peso tem na inflação geral, Pão e Cereais aumentaram 9% e que Leite, Queijo e Ovos sofrem um acréscimo de 13,5% face aos preços verificados há 12 meses. Os resultados ontem divulgados mostram que a previsão de inflação do Governo para este ano, de 2,1%, está mais longe de ser alcançada. Isto porque a inflação média dos últimos 12 meses subiu de 2,5%, em Fevereiro, para 2,6%, em Março. Uma vez que os aumentos salariais foram definidos em função da estimativa de inflação, quanto mais os preços se afastarem do valor de referência, mais poder de

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compra perdem as famílias. A UGT, em comunicado, refere que os números do INE "comprometem" a meta de 2,1% do Governo. A central sindical acrescenta que num cenário em que o crescimento mensal de preços seja idêntico ao de 2007, "a taxa de inflação em 2008 atingiria os 3,1%". A CGTP também tem manifestado preocupação com o actual nível de preços. Eugénio Rosa, economista da intersindical, estima, num estudo divulgado na semana passada, que o valor real da inflação seja superior ao das estatísticas oficiais, uma vez que o peso de bens e serviços que mais aumentam está subestimado pelo INE.

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