A E scola A nossa história começa em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais na cidade de Itabira,onde existe extração

de minério desde o ano de l937. apesar de já estarmos no ano de l99l, a cidade apresenta aspecto do início do século com todo o seu atrazo caraterístico do Brasil sem futuro. Sebastião, personagem central de toda confusão provocada na mente dos meninos, é a personificação do pai que os garotos gostariam de ter, e é um desconhecido que chegou à cidade de há pouco mais de treis anos e leciona história no ginásio principal e único da cidade. ninguém conhece a sua origem, de onde ele veio, ou mesmo o seu sobrenome. parece que ele veio abruptamente e entrou para o cenário da história daqueles meninos. personagem fantástica, que os meninos daquela pacata cidade idolatraram. Bem,vejamos como começa a história que parece não ter fim. . Como tudo começou Uma sala de aula de história No próximo verão marcharemos em direção a nossa caverna que se encontra no alto daquela montanha que nós vimos quando fomos a São Paulo no ano passado. assim começou Sebastião a falar, tão logo os alunos regressaram do recreio, naquela tarde de verão que já chegava ao fim. todos arregalaram os olhos como se fosse coisa do outro mundo aquela atitude de Sebastião ao pronunciar aquela palavra mágica, caverna, que inspira algo misterioso nas profundezas da alma infantil. a princípio não parecia ser muito interessante para alunos da terceira série ginasial. eram meninos de 12 a 15 anos quase todos pertencentes a famílias de operários da cidade de itabira. havia na sala meninos de todas as cores: brancos , morenos, pretos ; mas como todos tinham o mesmo nível social havia uma perfeita harmonia entre eles . os alunos começaram uma certa algazarra na sala de aula. mas sebastião que já conhecia as crianças através dos olhos, calou-se repentinamente não dizendo nem mais uma palavra. daí de repente todos se calaram como que por encanto e esperaram que Sebastião começasse a dizer aquilo que eles gostariam de ouvir, e que nem por sonho poderiam adivinhar o que seria.

enquanto estavam assim naquela pequena confusão , Sebastião voltava-se com o pensamento para o reino da fantasia que só existia dentro de sua alma; mas que haveria de conquistar todos aqueles coraçõezinhos infantis que ali diante dele se encontravam à espera da grande aventura que haveriam de empreender a partir daquele momento. daí o seu cérebro procurou fugir para as mais longínquas paragens do ideal . em sua feição observa-se uma serenidade completa , semelhante a existente no semblante da esfinge, que em pleno deserto, mantém os olhos hirtos em direção ao infinito , ou ainda , dos olhos de quem já completou um grande sonho que se transformou em realidade. Durante esses poucos minutos seguidos , ele fugiu as mais altas montanhas, procurando através da natureza algo que pudesse demonstrar a quietude que ia em seu espírito de fantasia. queria ele transmitir aos garotos que só uma coisa pode tornar o homem invencível: “ a vontade de vencer” . tudo correu como ele imaginara. os que estavam mais exaltados já haviam se acalmado contemplando a face daquele que iria iniciar com eles uma grande aventura. aventura esta que centenas de crianças gostariam de empreender . passaram-se mais alguns segundos e Sebastião começou a falar: como eu lhes disse , no próximo verão marcharemos todos e mais alguns dos nossos colegas para uma grande aventura. há muitos anos que eu prometo a meus alunos levá-los a um lugar onde existe uma grande caverna misteriosa. quando falou a palavra caverna misteriosa, todos os olhos que estavam naquela sala aquietaram-se cada vez mais.podia se ouvir o zumbido de uma mosca na sala de aula, e continuou dizendo Sebastião: - até hoje não houve a possibilidade de subirmos, porém, neste verão nós todos iremos. vocês todos gostariam de ir?. foi a primeira pergunta quais todos responderam prontamente que sim. muitos daqueles que responderam que sim, estavam sentindo o entusiasmo da maioria. mas sebastião começou a falar o que era uma caverna. antes porem deu um grande suspiro como quem tomava fôlego para falar. bem o negócio é o seguinte: - A caverna é muito grande e está em uma das montanhas mais altas do país . a sua porta encontra-se aberta dia e noite onde todos podem ver o que se encontra lá dentro . pedras de todas as cores; verde, azul, cristal de rocha onde tudo reflete a luz do sol formando lá

dentro , o mais bonito arco íris por causa de uma fonte de água cristalina. a luz do sol passa por um buraco existente na parte superior da caverna e ilumina toda ela por dentro. sebastião continuou falando quando a campainha tocou avisando o término da aula. alguns já pegavam o material para saírem quando ele avisou que nos dias seguintes de aula continuaria a contar-lhes como eram as coisas lá em cima. via-se um grande contentamento no semblante de todos aqueles meninos . eram rapazinhos de treze a quatorze anos mal feitos, que naqueles poucos minutos acabavam de sonhar um pouco. era apenas um sonho, mas, quem sabe? um dia poderia tornar-se realidade. e este dia seria o mais glorioso para todas as crianças do brasil e talvez de todo o mundo. • naquele dia Sebastião saiu pela rua triste e pensativo, como se o único que não acreditasse na caverna fosse ele e uma tristeza imensa invadiu sua alma como se o mundo fechasse o rosto para ele. Afinal não havia razão para ficar triste. ele mesmo criara a fantasia que agora não podia voltar atrás; consigo mesmo agora ele dizia baixinho é preciso ir adiante. não podemos parar agora que tudo já começou. como criança é muito flexível em relação a fantasia os sonhos devem ser alimentados todos os dias até um dia tornar-se realidade. como pode uma palavra modificar a mente ? como é estranha a força interior?. como o pensamento de uma criança pode operar maravilhas. assim ia ele pensando quando foi abordado por uns alunos que o alcançaram em plena rua a caminho da casa, e o interpelaram; sr sebastião, era como os alunos costumavam chamá-lo, --- como pode existir no alto de uma montanha uma caverna gigantesca? - ah ... vocês compreendem como são as coisas, Deus fez a natureza de tal maneira que nós podemos aproveitá-la a medida que precisamos dela. uma caverna é geralmente formada pela erosão através dos tempos. a parte interna é de material que se dilui facilmente com a água da chuva que vai carregando lentamente partículas mais leves, deixando a parte externa que é mais dura. assim são formadas todas as cavernas. aquelas palavras não foram muito bem compreendida. por isso uns acreditavam e outros ainda não tinham muita confiança. .mas a maioria vibrava com a coisa inédita que em breve eles conheceriam.

a partir daquele dia sebastião observou que entre eles havia uma amizade mais profunda do que antes . basta dizer que a freqüência em sala de aula melhorou quase cem por cento. aquele índice muito alto de freqüência para uma turma indisciplinada e desorientada era algo assombroso. o aproveitamento passou a ser melhor do que nos meses anteriores. todos os alunos da terceira série já haviam melhorado suas notas, muitos dos pais já tinham desconfiado desta melhora mas ninguém sabia o que estava transformando os seus filhos de uma hora para outra. era necessário que a partir de agora. a velinha do ideal nunca mais se apagasse para que pudesse levar cada aluno a descobrir sua própria caverna ... tudo aconteceu tão de repente que muitos dos professores quiseram saber o que se passava por de trás de tudo aquilo. volta e meia tornavam a se reunirem para discutir como seria grande tal caminhada para a caverna. já corria o mês de maio e as reuniões preparativas não mais se realizavam em sala de aula, e sim no grande pátio todos os sábados à tarde. e ali naquele velho pátio cercado de muro quase caindo,cheio de musgos e liquens pelas parede, somente eles agora pisavam para aprender sobre a “ terra prometida” . eram cerca de 40 meninos que com o consentimento do diretor se reuniam ali, para juntamente com Sebastião traçarem planos para atingir aquele objetivo tão almejado e sonhado por todos. Essas reuniões chamaram a tenção de outros meninos que também queriam tomar parte do bando. a princípio muitos meninos tomaram parte , mas logo depois desistiam e só os mais persistentes continuariam a assistir as reuniões..as reuniões mais consistiam de jogos de campo e de palestras sobre as coisas do campo. como o grupo estava , crescendo , era preciso uma organização mais bem orientada e que iria exigir mais energia de sebastião. . estando agora o grupo com cerca de setenta meninos , foi necessário dividilos em dois grupos de trinta e cinco alunos em cada reunião para os jogos preparativos. Rufino sonhou

Certa noite, , no meio de toda confusão, o Rufino teve um sonho no qual ele estava reclamando de muita coisa: Sonhou que já era adulto e depois de ter todo fracasso na vida,reclamava: -Fico imaginando como podia Sebastião naquela época ter tanta imaginação que deixava qualquer um de boca aberta. como poderia eu ,que depois de percorrer todo o caminho que sebastião me mostrou,, sonhar aquela maravilha a procura de uma caverna, que ele ensinou existir dentro de cada um de nós, e depois eu sentir como a morte rondava seu espírito? . quantas vezes solitário onde todas as forças pareciam perdidas e o temor de algo existente dentro de mim não explicavam aquilo que atemorizava meu espirito ?. lembro- me perfeitamente dos momentos de cisma na qual eu dizia: quem sou eu? de onde vim?. de onde vinha aquela força que jogava em direção ao vácuo?. todas aquelas interrogações profunda do ser me convidava ao nada, era a falta de um ideal que alimentasse o espírito em meio a toda a aflição. lembro-me perfeitamente de tudo que o mestre me ensinava, e eu em meu subconsciente a tudo recusava”. Sebastião tinha muito boa vontade, mas eu , apesar de estar sempre junto dele,sempre recusava os seus ensinamentos. Até hoje o Rufino ainda pensa naquele sonho.Mal sabe êle os outros sonhos que êle ainda vai ter , Certo dia um dos meninos deu a idéia de fazer uma excursão em

algum lugar próximo para irem treinando. na verdade sebastião já havia pensado nisto, porém queria que a idéia partisse deles, pois sempre dizia não querer ser um chefe para somente mandar ,mas sim para orientar e acatar as idéias de todos. vocês é que dão as idéias para que possamos fazer a grande caminhada. eu não me intrometo e para maior liberdade entre os meninos procuro não chegar perto quando estão realizando as reuniões. uma coisa porém é preciso que seja observado entre eles : é a camaradagem e a dedicação para com seus companheiros. a primeira excursão, deveria ser realizada aqui por perto para que eles não estranhassem muito, e não deveria durar muito tempo. apenas uma tarde de sol ou domingo de manhã. como os líderes vieram falar comigo,sugeri a eles que deveríamos ir de manhã. era

necessário escolher agora o local da excursão, o que foi permitido os garotos que escolhessem. após muitas discussões chegaram a uma conclusão; um local denominado serra da conceição, foi o escolhido por ser perto e podermos aproveitar para visitar o lugar onde se extraia ouro na época da escravidão. combinamos que deveria ser o primeiro domingo de julho, e assim já teríamos tempo para pensar em outras atividades. na véspera da excursão Sebastião reuniu todos os meninos para contar a eles algumas histórias que todo apreciavam. depois perguntaram se estavam satisfeitos em poder no dia seguinte fazer um passeio como se fosse na grande caverna? todos estavam realmente felizes, mas alguns se mostraram indecisos quanto a resposta, ao que foi interpelado por Sebastião. o que há com vocês que não estão sabendo responder?- podem dizer aquilo que sentem. nós estamos satisfeitos sim, más... responderam alguns como que titubeando. podem dizer com franqueza o que quiserem, nós somos amigos.nós queremos mesmo ir amanhã , mas já que daqui há dez dias nós entraremos em féria, porque não podemos logo ir a nossa caverna? aquela pergunta caiu assim de chofre deixando Sebastião sem poder responder por alguns segundos. era realmente uma coisa espantosa. toda aquela idéia fantástica sobre a caverna já estava tão arraigada na mente dos meninos que agora tornava-se quase impossível voltar atrás, não podia decepcionar aqueles meninos que lhe demonstravam tanta confiança. devia seguir em frente , seja qual for o resultado da coisa toda. se sebastião recuasse, seria um desastre para todos aqueles meninos que o acreditavam . que haveria sebastião de fazer diante uma situação dessa? primeiro ele apareceu com a idéia da caverna e ainda não tinham dado os primeiros passos e os meninos queriam agora passar a sua frente pedindo que os levasse às asas dos ideais . durante cinco segundos sebastião pensou em tudo o que poderia responder e os olhos atentos esperavam por sua resposta que pudesse satisfazê-los. sebastião ia responder quando mais dois meninos disseram que queriam falar com ele. como pensou tratar-se de uma outra coisa, autorizou-os a falarem naquela hora mesmo; então viu que se

tratava do mesmo assunto que antes alguns dos meninos havia proposto. um dos meninos que fazia a proposta era carlos lobato, um menino de onze anos.o qual não estava na escola , mas é amigo de todos do grupo. após meditar muito sebastião disse que idéia era boa mas que nós deveríamos falar sobre isto depois que voltássemos da excursão do dia seguinte. eram já dezenove horas o frio soprava em todas as direções. todos foram para suas casas dormir e com a promessa de voltarem no dia seguinte o mais cedo possível. sebastião ficou a porta de sua casa conversando com amigos. na cidade não havia luz elétrica, era luz de lamparina ou da lua ou das estrelas que brilhavam sempre no céu. Grupo de rapazes preparava se para fazer serenatas naquela noite de sábado. tudo era sonho e ilusão. A ação destruidora do tempo e da civilização ainda não haviam chegado ali. E Sebastião ficou conversando até altas horas da noite. O reino fantástico da ilusão , que vive dentro de nosso ser, é o lugar onde ninguém poderá penetrar. marcharemos em todos os vales , em todas as colinas, em todas as florestas à procura da nossa caverna que não encontraremos em nenhum desses lugares . ela se encontra mais perto do que a gente pode pensar , de tão perto que se encontra, parece longe.ela se encontra dentro de nosso ser, mas este é o único lugar onde a gente não procura por não sabermos que ela está lá, embora nós sabendo de tudo isto não podemos mostrar aos outros pois os mesmos não creditarão. preciso andar com elas durante muitas e muitas léguas, devia ser aquele, e assim Sebastião ia pensando. O primeiro acampamento Raiava o dia oito de junho de l987. Eram seis horas da manhã com os termômetros marcando uma temperatura de cinco graus centígrados, as primeiras luzes do sol já começavam a se despontar no horizonte . o silêncio tortuoso da noite ainda pairava sobre nossos ouvidos. Nas encostas das colinas um intenso nevoeiro dando a impressão ao viajante de não mais existir vida dali para diante. O pico do Caue, com seus 1900 metros de altitude, ainda não havia aparecido totalmente, apenas recebia naquele momento as primeiras luzes do Sol, que tem o privilégio de iluminar em primeiro lugar, as grandes montanhas. Já passado quase vinte minutos de clarão do lugares. e só depois então ela compreenderá que o lugar procurado não É procurar em mil

Sol de vermelho tornara-se amarelo e descia em quase todos os vales. pelas ruas apareceram os meninos que faziam a entrega do pão. as pessoas com as melhores roupas dirigiam-se a missa numa imensa alegria nos corações .O Sol já estava todo do lado de fora, parecendo até que hoje ele brilharia mais que nos dias anteriores. Na porta da escola já se encontra grande número de meninos, outros veem mais adiante. quando chegou a completar setenta, vimos que estava na hora de partir. Atravessamos a cidade carregando as nossas mochilas ou então bornal com a comida, à frente ia um menino carregando a bandeira brasileira. Ao passar pelo povo estes chegavam a tirar o chapéu ou apear o cavalo. Parecíamos um bando de ciganos que marchava pela rua. Gastamos quinze minutos até o morro d’água Santa, em cima do mesmo, forma-se um pantanal donde se avista a serra da Conceição. de cima desse morro também pode se ver muitas outras serras ao redor da cidade ficando a mesma no fundo de um buraco . Bem aqui perto de nós, disse Sebastião, existe um rancho de tropeiros, vamos até lá ver como eles estão. É interessante ver como eles vivem. fazem sua comida em tripé uma espécie de fogão feito de trens ferros amarrados entre si , dormem em cima dos couros de bois sem a mínima higiene. ali também junto aos tropeiro , está um grupo de ciganos na mesma promiscuidade. Olhando para a frente vimos o caminho que deveríamos seguir. Despedimos dos tropeiros e saímos correndo , caminhamos mais uns dois quilômetros até entrarmos na mata que estava fria e cheia de orvalho. Ali no meio da mata andamos em silêncio. A vegetação não era muito alta . Depois de andarmos uns dois mil metros, saímos em um descampado, mostrando a serra a serra do do Esmeril. Dali também se podia ver uma região muito grande com toda aquela floresta ao pé da serra. No lugar onde passavamos agora era um caminho de pedra que, segundo o povo da região,era um aqueoduto , ali passava água para a cidade no tempo da escravidão ou no início do século. Este caminho de pedra não nos serviu por muito tempo, pois logo após saímos do mesmo e entramos no meio da mata novamente. atravessamos diversos riachos e depois de caminhar mais de três quilômetros chegaram ao pé da serra da Conceição.

gastaram duas horas para subir até o topo da montanha . Ao chegarem lá em cima estavam tão cansados, que mal tinham pernas para ficarem em pé. alguns se deitavam no chão duro de pedra e após descansarem quinze minutos, levantaram-se e começaram a correr novamente. Sebastião sentou-se no chão como os outros e começou a contar uma porção de histórias para as crianças. as história que Sebastião contava, sempre era sobre escravos que haviam fugido e se embrenhavam no meio da mata. Contou ele que certa vez no trabalho de mineração de ouro naquela serra, uma turma de escravos cerca de vinte, fugiram para as matas do rio Doce . tão logo os donos dos escravos notaram a fuga saíram com um outro bando de escravos a procura dos fugitivos. Os escravos que fugiram eram comandados por um que havia chegado há pouco tempo da áfrica e era conhecido dos pais daqueles que se encontravam ali trabalhando naquela terra , explorando ouro para os ingleses. os fugitivos desceram até o rio doce e dali fizeram balsas, chegando até o porto de vitória onde se apoderaram de um navio e fugiram para África. Naqueles dias as histórias de Sebastião não estavam muito boas, más ele prometera aos meninos que de outras vezes contaria outras melhores e mais longas, como já estavam cansados, era chegada à hora de regressar para a casa. eram quatro horas da tarde, o vento já começava a soprar frio no alto da montanha . depois de todos terem comido a merenda que haviam trazido deram início ao retorno da primeira excursão preparativa para a grande marcha à caverna. a descida da serra era muito íngreme. na volta não tiveram muita novidade para ver por que ficaram com medo de escurecer no meio do caminho, por isso voltaram o mais rápido possível. a volta foi feita praticamente em silêncio por causa do medo horrível de serem apanhados pela escuridão em plena mata . Ao chegarem no morro da Água Santa, puderam ver lá no fundo as luzes de lamparina toscamente acesas no fundo do vale. Era finda a viagem; a cidade se preparava para nos receber. No chão não mais cresciam nossas sombras, por que o Sol se declinara todo de trás da montanha. E Sebastião acompanhando com os olhos o entusiasmo dos

meninos , caia numa longa cisma; como é belo ser criança: quem me dera nascer de novo; voltar às entranhas do ser para nunca nascer, e sempre esperar pelo dia do meu nascimento que não seria nunca. como é belo ser o que não somos. viver-se num mundo que não nos pertence . em um eterno reino de fantasia. dormir e ... sonhar com tudo aquilo que tínhamos vontade de ser ou fazer. neste mundo não despontou a vida. mas ele virá um dia, o dia em que todos os homens da terra se redimirem e buscarem a paz num sorriso de criança, o ser não vivido; aquele que é a esperança do mundo. assim meditava Sebastião quando viu que estava chegando à hora de se separarem cada um para sua casa. No dia seguinte na cidade todos comentavam o acontecido na véspera. Sebastião passou, a partir daquele dia, o homem mais conhecido da região. . uma coisa porém que intrigava a todos, era a origem do líder de todas as crianças da cidade. sabiam apenas que ele morava numa pensão da cidade; mas isso não era o suficiente para conhecê-lo. de vez em quando ele sumia durante três dias , e depois ele voltava assim meio misterioso, sem dar muita conversa aos outros . como o povo da cidade, dizia que Sebastião era, era meio místico ,um desses ermitão que vivia isolado no alto das montanhas em completa meditação, a fim de receber as bênçãos do Céu. Mas na verdade ninguém sabia aonde ele ia nos dias em que se afastava da cidade . Sabiam porém que em sua pensão era sempre procurado por alguns dos seus alunos e muitas vezes ficavam os mesmos conversando na porta horas seguidas, sem se cansarem. Dos meninos que ele mais recebiavisita, destacavam-se o Barros o Rufino e o Lobato, que eram meninos de dez a quatorze anos aproximadamente . o mais interessante é que os pais dessas crianças sabiam perfeitamente quem eram Sebastião, mas não diziam nada a ninguém sobre sua identificação. as crianças daquela cidade adoravam a Sebastião como se fosse um pai. Talvez por causa das inúmeras histórias que contava para todas as crianças da cidade. Numa temporada de férias , Sebastião conseguiu autorização dos pais das crianças para fazer um acampamento , uma excursão de dez dias pelas terras ao redor da cidade. como ele era muito conhecido dos pais gostaram muito da idéia, já que

confiavam nele e assim seus filhos teriam uns dias de aprendizagem sobre a atividade no campo. a excursão seria d preferência num alto de serra e bem longe da cidade. dois dias antes de partirem reuniram-se todos na casa do lobato. era uma reunião preparatória sobre o local que deveriam ir e o que iriam fazer nesse acampamento. Eram já oito horas da noite e os oito garotos estavam ali reunidos à espera de Sebastião. o local de reunião era o porão da casa cedido pelo pai de lobato.todas as paredes eram adornadas com figuras geométricas . Enquanto esperavam seu líder os meninos liam livros de histórias, jogavam damas , ou simplesmente conversavam. Estavam todos absortos nos folguedos, quando uma voz falou na porta: -Boa noite. Todos se voltaram para ver de quem se tratava e sem espanto viram que era seu amigo sorridente como sempre. alguns pensavam que ele não viria mais. E por que não haveria d vir? Indagou Sebastião. Estão todos aí? perguntou ele. Sim não faltava ninguém .Mas os meninos perguntaram a Sebastião porque não tinha convidado todos os meninos. Bem vocês compreendem , para fazer uma excursão destas , como é a procura da caverna, é preciso ter muita experiência e como eu não posso ensinar a todos ensinarei a vocês e depois vocês ensinarão aos outros. essas palavras foram ouvidas com muito silêncio pela meninada. É preciso vocês saber tudo ou quase tudo que eu sei, continuou Sebastião, porque se eu faltar ou morrer vocês poderão continuar a grande excursão. o entusiasmo fervia no sangue daquelas sete criaturinhas. Era como uma varinha mágica que abrisse os seus corações. Todos estavam ardentemente entusiasmados para aquela excursão de dez dias. Como já eram 21 horas , todos foram para a casa descansar um pouco para ás 5 horas da manhã estarem a porta da casa do Elmo. Todos saíram com exceção do Elmo que morava ali mesmo naquela casa e o Sebastião que ficou conversando até meia noite com o sr. Lima, pai do elmo por afinal dormiu ali mesmo, pois já era muito tarde. Durante a noite ninguém conseguiu dormir. Nem Sebastião, Nem Elmo, nem os outros

meninos, como contaram no dia seguinte. Não conseguiram dormir por que ficaram pensando que poderiam perder a viagem do dia seguinte. • Por isso as quatro e meia, todos se encontravam a porta da casa do companheiro , pedindo para abri-la pois estava muito frio fora da casa. vocês já chegaram? perguntou o Elmo. • Sim, nenhum de nós conseguiu dormir a noite, e só viraram na cama de um lado para o outro, a espera da hora que não chegava nunca.—comigo também aconteceu a mesma coisa falou Elmo. não dormi durante um minuto. e o Sebastião que ficou aqui também não conseguiu dormir. Neste instante, a mãe de Elmo que foi chegando a porta , convidou-os para tomar café. Eram dez minutos, estavam todos prontos, parecíamos verdadeiros soldados que partiam para a guerra. Cada bagagem que pesavas de oito a dez quilos. Na frente da turma marchava Lobato, logo atrás o Elmo e em seguida o Viking, que era o menor da turma , e gostava de ficar no meio. os outros iam desordenadamente. a madrugada chegava fria. A cerração descia tão baixa que não se conseguia ver a quinze metros a frente . A cidade ainda dormia e as luzes das lâmpadas muito fracas davam um tom de penumbra à rua . Mais embaixo corria o córrego da Água Santa, no seu ruído incessante. E os nossos heróis marchavam rumo a estação que ficava a uns quatrocentos metros. o caminho mais curto era atravessando um pasto de gado. acima, a uns 100 metros, já se ouvia o barulho da máquina que partiria dai a pouco. todos pararam e Sebastião disse: - como não temos dinheiro para pagar a passagem, cada um de nós subirá em um vagão de minério, na medida que o trem for saindo. Ficaremos escondidos aqui, quando a máquina apitar para sair tratem de subir, mas cuidado para não cair. O Lobato se esconde no primeiro , e os outros sucessivamente nos seguintes. eu estarei no último vagão e direi para vocês quando chegar a hora de descer. Muito cuidado, pois deve descer um de cada vez . Assim fizeram. Ficaram esperando impacientemente até quando o comboio deu o sinal de saída. Tudo foi feito como o combinado. Quando já estavam todos alojados nos seu lugar e, Sebastião foi o último a subir. o trem começara a

andar vagarosamente. Os primeiros balanços mostravam a dureza da viagem de cinquenta quilômetros. Em cada vagão perto do freio havia um clandestino bem escondido, que ninguém conseguia ver.Sebastião ao invés de pegar o ultimo vagão como combinara, ficou ali mesmo junto do Lobato e a toda hora observava se tudo corria bem nos outros carros, como os garotos . já tinham viajado mais de 15 quilômetros e o Lobato sempre perguntando : Será que ainda está muito longe? E o Sebastião respondia com toda a paciência: Calma meu filho, ainda esta muito longe. Como o trem corria muito e fazia muito barulho, eles tinham de conversar bem alto, e como cansaram de falar alto, passaram a observar a paisagem que já se mostrava com as primeiras luzes da manhã . passaram pela primeira estação onde o trem deu uma parada de cinco minutos . Alguns passageiros subiram no carro, pois o trem era misto. O Florisvaldo que estava com a roupa suja e rasgada desceu para ver se havia alguma novidade. Como um guarda - freio vinha examinar o trem, ele voltou e escondeu-se no mato. daí a três minutos o trem deu partida e ele correu para pegá-lo. após viajar meia hora estrada abaixo, o trem passou a margear um riacho que se desenhava no fundo um abismo de mais de cem metros. ali já aparecia uma floresta mais densa do que perto da cidade de Esperança. Nesta mesma hora, Sebastião anunciou que dali a pouco saltariam, que ficassem todos alertas, pois na próxima curva antes da estação haveria de saltar, sem que ninguém os visse. Assim foi feito. No lugar marcado, sebastião acenou e foram pulando um de cada vez . Após descerem, todos saíram para fora da margem da linha subiram um morro, onde havia uma grande arvore. Ali todos descansaram da viagem e então passaram a examinar o mapa no qual se orientavam. colocaram o mapa no chão e começaram a observar distância. Ali se via nova e linda, as terras que separavam o distrito de Esperança e outros acidentes geográficos. Tudo era tão bem marcado no mapa, que parecia estar vendo a própria região. no local onde estavam até onde deveriam ir tinham uma distancia de 35 quilômetros já se ouvia o barulho da máquina que partiria dai a pouco.- mas 35 quilômetros é muito longe para andarmos num dia, falou Florisvaldo: Bem o negócio é o seguinte, não é assim como vocês estão pensando, falou Sebastião. o mapa com todos os

acidentes geográficos marcados, possibilita que avancemos 15 quilometros por dia. nesses 10 dias percorreremos cerca de 150 quilômetros aqui pelas montanhas, falou Sebastião mostrando o mapa com uma varinha. devemos conhecer esta serra muito bem, pois, só assim vocês poderão um dia ser o guia dos que irão a procura da caverna no alto da montanha. deverão aprender o bastante sobre a natureza, animal ,vegetal e mineral.- sim , isto é muito bom para nós, falou a Riqueza, eu que estou no primeiro ano ginasial , já ouvi meu professor falar sobre a composição dos animais e minerais. o Viking e o Elmo que são irmãos , farão uma coleção de folhas. enfim cada um colecionara uma coisa. O certo é que nós temos dez dias para atravessarmos toda esta montanha. Vamos aproveita-los bem, na esperança de sairmos bem nessa aventura. Assim ia dizendo Sebastião enquanto descansavam à sombra de uma grande árvore. Porém com eles eram em sete, foi preciso dividi-los em dois grupos, um de quatro e outro de três. Em cada grupo escolheram um monitor. . Sómente este poderia trazer as opiniões a Sebastião e também levar ordens. Todos foram obrigados a fazer um juramento ao monitor. Tal juramento era apenas uma coisa simbólica para que os meninos tivessem conhecimento de disciplina que deveria existir entre eles para que na hora do perigo,não tivessem medo, pois o monitor além de tudo era amigo de todos. Enquanto aos outros meninos recomendou que deveriam obedecer ao monitor em tudo, para que a nossa expedição saísse em ordem desde o início até o fim. A nossa saída é daqui a meia hora, vocês podem fazer o que quiserem. tão logo Sebastião acabou de dizer isso, o Rufino e o Viking, solicitaram para ir até a vila comprar alguma coisa. compraram algumas rapaduras e farinha que estava faltando. arrumaram tudo dentro de mochilas e puseram o pé na estrada. eram mais ou menos meio dia. Só não estava muito quente por ser inverno. Sebastião e mais sete meninos começaram a caminhada para a grande aventura. Assim que começaram a andar tiveram que atravessar uma porteira que dava para um pasto muito grande onde centena de bois pastavam. O caminho que tinham que atravessar era bem no centro do pasto que era todo verdinho e de ponto em ponto, uma arvore retorcida, demonstrando a qualidade da terra só servia para criação de gado.

Além do pasto, havia um grande morro, onde a vegetação de gado era um pouco mais densa. depois de ter cruzado o morro, encontraram um outro pasto até chegarem no pé de uma grande colina, onde eles resolveram parar pois já eram cerca de 15 horas e deveriam acampar por ali, senão poderiam não encontrar melhor lugar onde armar acampamento. todos estavam um pouco cansados. Só o entusiasmo não impedia que eles continuasses caminhando. Sebastião sendo sabedor de tudo isto, viu que não podia cansar muito os meninos ou no outro dia seria mais difícil a caminhada. armaram o acampamento à beira de um riacho de águas límpidas., onde aproveitaram o uso das mesmas para suas refeições. depois de armado o acampamento, Sebastião e três meninos saíram junto para reconhecimento do local. enquanto os outro quatros ficaram no campo preparando as refeições da tarde. o local onde andavam era cheio de moitas de capim. o que causou-lhes o pressentimento da presença de cobras. Era preciso então maior cautela ao andar ali por aquelas redondezas. No meio do pasto estava o caminho por onde passariam alguns viajantes. Tão logo andaram uns quinze minutos ao redor do pasto, avistaram ao longe uma choupana, que pelas observações deveria morar gente, pois estava saindo fumaça pela chaminé. como não era muito longe, resolveram ir até lá conversar com o dono da casa. Quando estavam a uma distância de cem metro da casa, tiveram que passar por debaixo de uma cerca, por dentro da mesma existia um pomar, plantação que mais se via, era cana , mandioca e milho. era uma casinha de sapé encostadas a um morro onde ao lado do mesmo passava uma nascente dágua. ao redor da casa, tinha alguma plantação de couve e quiabo. e em cercado, havia umas 15 galinhas. distante 50 metros da casa, os cachorros já anunciavam a nossa chegada. Assim que escutou o latido dos cães o dono da casa veio chegando e dizendo que podiam entrar. Sebastião tirou o chapéu e foi dizendo : boa tarde, prontamente o foi respondido pelo camponês. era um senhor de uns trinta anos com uma aparência bem magra consumida pelo trabalho. o camponês convidou os a entrar e ficaram conversando até seis horas da tarde. Havia um grande número de crianças na casa, mais de 9 crianças foram contadas. com as idades de 1 a 15 anos, todos sujos maltrapilhos e esfomeados. Como não podia ficar conversando por mais tempo saíram e voltaram para o acampamento, onde a fumaça do fogo já se via de longe. o jantar já estava pronto, e depois de fazer refeição que constou de carne seca e farinha, foi servido café. a noite

todos sentaram em torno da fogueira para conversarem. depois de falarem sobre s atividades do dia, os meninos pediram a Sebastião que contasse uma história. não era preciso ser uma história muito grande, diziam os meninos. Apenas uma história para que eles não perdessem o costume de ouvir. E assim foi... Sebastião foi pensando sobre -alguma que servisse para aquela noite, até que se lembrou de uma muito interessante. A floresta sem nome A história que vou contar pra vocês hoje, aconteceu há muitos anos, lá pelas bandas da Europa, no tempo em que havia muitos reis com seus castelos bonitos. Assim que Sebastião começou a falar, o silêncio reinou no acampamento. Apenas de vez em quando, o crepitar do fogo abalava como um ruído estrondoso. Sebastião olhou para as estrelas como que pedindo a elas que o orientassem em sua história, pois elas eram inventadas no momento de contá-las. Depois de meditar alguns segundos começou a dizer: Há muitos anos passados, existiu lá na Europa um rei muito rico que tinha muitos filhos. O seu castelo era no alto de uma colina muito bem protegida com as torres altas onde guardas passavam de um lado para outro com lança na mão prontos para impedir qualquer inimigo que entrasse no castelo. Dentro vivia todas as pessoas da família do rei, mais os escravos de confiança do rei. Do lado de fora do castelo, abaixo da colina, tinha uma planície muito grande onde era feito as plantações de trigo, arroz e outros vegetais. Ali também passavam muitos rios de água pura que corriam de uma grande montanha que se via a grande distância. A época mais bonita era a primavera que enchia de flores todas as planícies do reino. a felicidade devia reinar entre eles, se o rei não fosse de coração tão duro como era. Por qualquer coisa mandava prender os seus escravos , e as vezes, torturá-los até a morte. O filho mais velho do rei tinha sete anos e o mais novo cinco anos. A rainha, isto é a esposa do rei, ela tinha um coração que era uma doçura para com todos de seu reino. Muitas vezes ela interferia junto ao rei para que o mesmo não praticasse tanta maldade com os outros. Todas as noites ela sentava a beira da cama com seus filhos menores e ficava contando as mais belas histórias de fadas e dragões que eles ouviam até dormir. Na época que havia festa no palácio, era o tempo que o rei fazia as maiores perversidades com os seus semelhantes. Deixando-os sem comida, só porque, alguns

dos empregados deixavam cair um dos pratos no chão ou então quando esqueciam de trazer o café no momento em que ele gritasse para traze-lo. Muitas vezes ele mandava prender seus filhos no calabouço existente no subterrâneo do castelo. Quando fazia isto a mãe que era muito boa , ficava chorando o tempo todo na porta do calabouço pedindo para que soltassem seus filhos. Muito dos filhos do rei queriam abandonar o palácio e morar muito longe por causa da maldade do pai só não faziam para não deixar sua mãe sozinha junto ao rei. Certa vez ele mandou prender o menino de cinco anos no calabouço porque o mesmo tinha protegido um dos escravos dando-lhe um pouco de comida quando se encontrava preso no calabouço do castelo. O próprio rei pegou o menino pelo braço, mandou que abrissem a porta e jogou-o com toda a força lá dentro. Foi em vão o pedido da mãe e de todo o povo do palácio que gostava muito daquele menino por ser o mais novo e mais bonito e inteligente dos irmãos. Naquele dia até os guardas do palácio ficaram muito tristes com o acontecido. Ninguém tinha coragem de reclamar , pois que se assim o fizessem o rei seria capaz de mandá-los matar. Muitos dos empregados, chegaram a oferecer para ficar preso ficar no lugar do menino. Outros por sua vez , ficaram sem comer com pena do menino que ficava lá preso sem comer,sem beber, quando então apareceu à porta do palácio , uma bruxa feiticeira que gostava de fazer o bem para os outros , embora não tivesse uma aparência muito boa fisicamente, demonstrava possuir um bom coração.Quando os guardas viram-na se aproximar, começaram a atirar paus e pedras em cima dela, mas de nada adiantava, porque assim que os paus e pedras batiam em cima dela, pegavam fogo e desapareciam como que por encanto. Quando ela se aproximou da porta do palácio, disse que queria entrar para falar com o rei. Então eles levaram notícias até sua majestade, dizendo que uma bruxa feiticeira queria falar-lhe . Quando contaram ao rei do acontecido na porta do palácio, dos paus e pedras que desapareciam ao tocar o seu corpo, o rei pensando tratar-se de uma bruxa má , mandou que ela entrasse . O palácio era muito bonito por dentro e a medida que a bruxa foi entrando , admirava todas as coisas nos mínimos detalhes. O povo da palácio se afastava para que ela pudesse passar, sem encostar em ninguém. Imediatamente levaram a noticia até a

rainha de que uma bruxa feiticeira estava chegando ao palácio para falar com o rei. A rainha, porém, não teve medo, pois sabia tratar-se de uma fada encantada que estava com disfarce de bruxa até o dia que uma criança com menos de sete anos beijasse-lhes no rosto com todo o amor filial. A rainha sabia de tudo isto segundo uma história que sua mãe lhe contara. porque essa bruxa viveu no mundo do tempo da sua bisavó e tinha sido enfeitiçada pela avó do rei daquele palácio, . a bruxa foi entrando no palácio devagarinho até chegar na presença do rei. Quando chegou a presença do rei ele sentiu um verdadeiro arrepio no corpo, tal era a feiura da bruxa , mas como ele queria fazer maldade, pensando também que a bruxa era tão má quanto ele, agüentou firme a presença daquela criatura horrível. Ela tinha o nariz rebitado para cima , sua roupa era preta , os cabelos compridos e vinha montada em cima de uma vassoura. Ela abaixou a cabeça até o chão , pois era assim que o rei gostava de ser saudado pelas pessoas que chegavam de fora pela primeira vez. depois de toda a saudação o rei mandou que ela ficasse sentada a uma distância de cinco metros para que eles pudessem conversar . E assim a bruxa obedeceu enquanto o rei ia lhe dizendo o que queria dela. contou-lhe que um dos meninos estava preso e queria que ela fosse até o calabouço e lançasse uma praga no menino transformando em uma coisa bem feia para que sua mãe não viesse mais a gostar dele. É uma maneira de me vingar dela que vive achando ruim comigo quando eu prendo os meus filhos no calabouço. A bruxa não disse nada ao rei sobre a sua missão naquele palácio; pois ela não era uma bruxa má como o rei pensava. Ela tinha vindo ali porque ouvira do seu bosque escondido na floresta onde vive,o choro da mãe e do menino que havia sido preso no calabouço do castelo. Como era uma fada encantada com aspecto de bruxa ela tinha o poder de ouvir tudo o que quisesse, por maior que fosse a distância. e por isso ela ouviu primeiro o choro do menino de cinco anos que estava preso. Ela sempre vivia procurando ouvir toda e qualquer tristeza de criança a fim de que pudesse fazer com que as mesmas parassem de chorar e sorrissem. Então o rei perguntou-lhe : - você está disposta a fazer tudo aquilo que lhe ordenei? ao que a bruxa respondeu:- sim senhor rei, tudo o que falaste comigo será feito de acordo com tua vontade. Farei isto e muito mais que o

senhor precisar de mim. É só ordenar e imediatamente será feito. Gosto muito de obedecer aos reis. Quando a bruxa ia dizendo estas palavras , baixinho ela dizia para consigo mesma: nunca, nunca,nunca só quero salvar esta criança das mãos deste rei malvado. E foi se afastando em direção ao calabouço onde se encontrava a criança. Quando ela começou a descer voltou-se ao rei e disse ao rei que sua magia só funcionaria a noite. Mas na verdade ela só queria ganhar tempo para agir dentro do palácio. Enviando à mãe do menino uma mensagem dizendo que ela na verdade não era a bruxa. como a rainha já sabia de toda a história da fada encantada que estava transformada em bruxa , não ficou muito triste ao saber que a mesma se dirigia para o subterrâneo do palácio. Mas o resto do povo do palácio ficou só dizendo que a mãe do menino também não tinha coração. Imagina, como pode deixar que aquela bruxa transformasse o menino numa praga. Depois de ouvir toda aquela exclamação a mãe respondia que a bruxa não era tão má assim e que ela não ia fazer nenhum mal a seu filho. Chegara a tardinha, o rei estava ansioso para ver a sua vingança sobre a sua esposa, a toda hora ele perguntava a bruxa se já podia começar a trabalhar , a bruxa em um canto do palácio respondia dizendo que durante a noite tudo seria feito. E assim quando já estava bem escuro ela se dirigiu para o subterrâneo do castelo onde se encontrava o menino preso. Ao chegar lá o carcereiro que sabia de tudo abriu a porta e falou com o menino que estava preso que tinha visita para ele. O menino que durante dois dias não comia nenhuma comida, só bebia água que o carcereiro dava escondido para o rei não saber. O subterrâneo onde se encontrava aquela criança estava completamente escuro e úmido e assim que o menino viu a porta se abrir , pensou que ia ser libertado, começando a chorar com fome . Mas quando viu que aquela bruxa feia também tinha ficado ali dentro com ele, sentiu mais medo e por isso começou a chorar ainda mais ... ogo atrás da velha bruxa, o carcereiro fechou a porta deixando a prisão totalmente escura. Com a porta fechada o menino não mais viu o rosto da bruxa e sim sua voz que parecia tão diferente do que ele imaginara. Ai então ela começara a falar lhe a voz encantada.- sim, respondeu o menino. -pois pode ficar completamente despreocupado que eu não vou lhe fazer mal algum. Eu não -lhe com toda doçura de mãe para filho : - você ainda tem medo de mim ? perguntou-

sou uma bruxa como você está pensando... eu sou uma fada encantada que foi amaldiçoada há muitos anos e agora vim aqui para libertá-lo desta prisão. Quero também libertar o seu pai desse rancor que ele tem em seu coração que foi causado também por uma praga lançada sobre ele há muitos anos por uma bruxa muito má. Enquanto ela ia contando isso ao menino o mesmo ia tomando mais confiança nela . Mas com tudo isso a fada não contou de seu encantamento que poderia ser desfeito se uma criança de cinco anos lhe beijasse a face com todo o amor filial. Se ela contasse perderia a efeito . Seria preciso que a criança lhe beijasse no rosto por sua livre e espontânea vontade . E assim ficaram os dois conversando durante mais de duas horas, até que tinha ficado bem escuro. o menino pediu que a bruxa o levantasse um pouco para que ele pudesse ver estrelas. A bruxa pegou o menino pela cintura, levantou ate o parapeito onde se encontrava as grades da prisão e dali o menino pode ver as estrelas. Os seus olhos perscrutaram todo o horizonte a procura de uma estrela bonita, quando viu cintilando no céu uma bem grande, falou bem alto: - óh minha estrela amiga, ajude-me a sair deste castelo para que eu possa fazer com que o coração de meu pai não seja tão ruim assim. Ajude-me minha estrela você é minha única esperança . Enquanto o menino ia dizendo estas coisas, a ‘bruxa’ pode constatar a bondade em seu coração. Quando já estava bem cansado pediu a fada para desce-lo, o que ela fez com todo o cuidado para que ele não se machucasse. quando já se encontrava no chão agradeceu a fada e deu-lhe um beijo na testa dizendo: - muito obrigado por tudo, você é a pessoa mais bonita que eu já vi em toda minha vida. No momento exato em que o menino acabara de pronunciar estas palavras e dar lhe um beijo no rosto, um estrondo muito grande se deu ali dentro da prisão e uma luz muito clara, começou a iluminar ao redor da fada que havia se transformado de bruxa em fada. Foi o milagre do beijo da criança. A praga que havia sido lançada sobre ela há mais de quinhentos anos, tinha desaparecido para sempre. As sentinelas do palácio ouviram o barulho e vieram correndo até a prisão. uando chegaram lá a fada e o menino estavam deitados fingindo que estavam dormindo . Do lado de fora da prisão ninguém podia ver a luz que estava ao redor da fada , Só o menino podia ver . Como

ninguém conseguiu descobrir o que havia acontecido, ficaram todos apavorados e até mesmo o rei ficou com medo. Dentro da prisão o menino se encontra deitado nos braços da fada que estava contando toda a história de sua longa vida. falou-lhe da praga que avia sido lançada sobre ela e a maneira como a mesma poderia desaparecer. e agora, dizia a fada- vou poder fazer o que você quiser.- qual é o seu maior desejo? perguntou-lhe a fada.- o meu maior desejo é estar perto de minha mãe e depois gostaria que meu pai não fosse tão ruim como tem sido para todos nós. - Todos os seus desejos serão realizados, porém, devemos faze-los de tal maneira que o rei não descubra que eu estou protegendo você. - Esta bom assim? perguntou-lhe a fada- claro que sim, concordou o menino. era preciso traçar os planos para que tudo fosse feito naquela noite. quando amanhecesse o dia tudo já deveria estar completamente transformado, ele iria viver feliz junto d sua mãe e o coração de seu pai deixaria de ser perverso como era. - mas como fazer? perguntou-lhe o menino.—você ficará dormindo até que eu possa com minha varinha mágica que tem poder para fazer tudo aquilo que eu deseje , transportar você e depois a seu pai para minha floresta sem nome. atendendo o pedido da boa fada, o menino e deitou se no chão e fechou os olhos , esperando que ela lhe tocasse com a varinha de condão. Era tão bonita aquela fada que dava gosto viver sempre ao lado dela. Ela era de uma altura de um metro e meio, o corpo muito bonito, a cinturinha fina, sua roupa era branca como a cor das nuvens e bordada com fios de ouro e prata. na sua cintura havia um cinto muito largo que era de um ouro tão brilhante que chegava a doer nos olhos da gente. Os seus cabelos eram muito longos e bonitos, chegava quase a altura das pernas. O menino já estava deitado no chão a espera da fada que ia transportá-lo à floresta sem nome. Então o menino perguntou : “porque floresta sem nome ? e a fada respondeu “ - por que é você que dará o nome a ela .”. a fada pegou sua varinha mágica e começou a tocar sobre a testa do menino e pronunciando as palavras:menino, filho de rei preso no calabouço junto comigo, durma um sono profundo que vou levá-lo a floresta encantada , onde ninguém de fora tem permissão para entrar . só pode entrar nela quem souber da porta secreta, e esta porta secreta, só eu sei onde ela se encontra, e só eu posso permitir, que as pessoas entre em seu interior, como eu vou fazer com você. Quando a fada acabava de dizer estas , o menino estava dormindo um sono profundo. Então a fada fez um sinal com sua vara mágica e abriu um buraco

muito grande na parede do castelo. Por aquela passagem puderam sair a fada e o menino. Eles saíram voando, bastava que ela tocasse o menino com sua varinha mágica e ele voava junto com ela. Voaram muito alto, quase junto das estrelas. depois desceram em uma floresta muito escura. A floresta era a morada da fada. Ali era cheio de animais, mas todos eles eram animais mansos que a fada criava para que eles brincassem com todos os meninos que ela levasse lá. Assim que chegou lá , acordouo dizendo que ele já se encontrava no meio da floresta sem nome, e que ele agora deveria ficar ali enquanto ela voltaria até a palácio e procuraria trazer o rei também. a fada desapareceu imediatamente. o menino ficou deitado debaixo de uma grande arvore . A floresta era toda diferente das que ele já tinha visto. Os animais que habitavam aquela floresta eram todos muito bonitos e o mais interessante era que eles falavam a língua do menino. Estava ele nesta observação , quando de repente ouviu um ruído interrompido por outro mais forte e mais grosso que parecia a voz de uma vaca. Quando olhou para o lado, viu que todas as folhas das arvores estavam viradas para o lado dele como que observando aquela criatura filho de homem. E todas saudavam o menino,desejando-lhe muitas felicidades. Algumas plantas perguntavam a ele de onde ele tinha vindo, ao que ele respondia ser filho de um rei muito ruim e estava ali porque a fada dona daquele bosque o havia trazido em um sono muito profundo. As árvores mais velhas diziam que de vez em quando a fada trazia até aquele bosque uma criança que se encontrava triste no reino do mundo . Diziam também para o menino que ele podia ficar sossegado que nada de ruim lhe aconteceria, e que todas a árvores estavam felizes com a sua chegada. depois de ouvir as palavras das árvores, menino se lembrou que não comia há dois dias, e então falou com uma das arvores mais velhas :- a senhora podia me arrumar um pouco de comida? - que eu não como nada ha dois dias ? - estou com uma fome danada:- a árvore mais velha respondeu-lhe imediatamente : claro que posso. Se você tivesse falado há mais tempo já teria mandado trazer. E em seguida mandou que as outras árvores levassem ao menino as melhores frutas daquela floresta. E uma das arvorezinhas que pareciam filhas das grandes, veio até onde se encontrava o menino e lhe entregou umas frutas muito gostosas. algumas das meninas

árvores , ficaram até gostando dele por que ele era muito bonito e simpático. Uma delas não saiu mais de seu lado e a toda hora ficava perguntando-lhe , se não queria mais frutas. depois quando já estava satisfeito e não tinha mais fome, veio uma comissão de árvores, cerca de duzentas delas, cada uma de uma espécie diferente. era uma reunião de árvores que habitavam um vale que se encontrava muito próximo dali e vinham lhe trazer boas vindas , dizendo-lhes que naquela noite seguinte daria uma grande festa em sua homenagem.o menino ficou muito contente , mas ficou pensando na sua mãe que deveria estar esperando por ele em casa pensava na volta da fada que deveria trazer seu pai à floresta encantada para que seu coração deixasse de ser tão ruim como era. as árvores estavam ouvindo a voz do menino e iam abanando as folhas como quem estivesse dizendo alguma coisa. . Quando ele acabou de falar, elas responderam que a fada não voltaria senão dentro três dias , pois ela já sabiam do caso de seu pai e era bem difícil convencer o rei tirar alguma maldade em seu coração. De nada adiantaria tentar modificar o coração do rei. Pois ele também era vítima de feitiçaria de uma bruxa muito cruel. E as árvores iam contando tudo sobre a sua vida e a vida do rei no palácio . O menino ficava espantado como as árvores sabiam de tudo. E elas diziam para ele que as verdadeiras arvores se transformarão em fadas. Então quer dizer que as fadas são transformações de árvores? perguntou o menino. E elas responderam: - sim nós somos transformadas em fadas quando atingimos a idade de quinhentos anos. Depois de vivermos todo este tempo, produzindo frutos e flores para todas as crianças que são trazidas para aqui; a nossa rainha nos transforma em fada e nós passamos a andar pelo mundo fazendo o bem e a justiça para todos os que precisam delas. portanto meu filho, não tenha medo, nós estamos aqui para fazer tudo para a sua felicidade, amanhã à noite daremos uma grande homenagem a você que hoje nos visita. O menino ia ouvindo as palavras das árvores e sentia realmente que estava feliz , Por ser ele o primeiro menino do palácio que estava no bosque encantado das árvores, tendo para sua companhia uma arvorezinha que o acompanhava por todos os lugares para onde ia. depois de ouvir todas as conversas das árvores, elas se retiraram lembrando-lhe da festa da noite seguinte, agora ele devia dormir até quando o dia clareasse.

enquanto isso a fada que tinha se dirigido a seu castelo, tinha encontrado muita dificuldade, pois o rei descobriu que o menino havia desaparecido e ele queria por a culpa nos guardas por não terem vigiado direito a porta da prisão. estava uma verdadeira confusão no palácio. Todos corriam de um lado para o outro como um bando de loucos a procura do menino que havia desaparecido. Ninguém tinha explicação para o buraco que aparecera na parede da prisão. Apenas supunham que o pequeno prisioneiro havia fugido por ali. Mas com toda aquela altura como poderia ter saído sem se machucar? - era a pergunta que todos faziam aflitos, principalmente a mãe do menino. Quando ela se encontrava chorando em seu quarto debruçada sobre o travesseiro que já estava todo molhado em lágrimas, a fada entrou no seu quarto sem ser notada pela mãe do menino , ela apenas sentiu que havia outra pessoa dentro do quarto mas não podia ver ninguém, a fada que se encontrava invisível foi aparecendo aos poucos na sua presença. a princípio, apenas uma luz amarela foi enchendo o quarto e em seguida a luz tomou forma de uma pessoa que logo pode ser identificada pela mãe do menino como sendo a fada. a rainha foi tomada de um grande susto, mas como a boa fada começou a falar-lhe com brandura, ela começou a se acalmar. Então a fada disse para a mãe do menino.- não tenha medo que eu só vim fazer-lhe o bem . - Não precisa ficar chorando, o seu filho se encontra em um lugar muito seguro na minha floresta sem nome. Eu vim aqui porque ele me pediu que fizesse todo o possível para que o coração de seu pai não fosse mais tão ruim como tem sido até agora. Ao ouvir aquela voz mansa da fada a mãe do menino parou de chorar e perguntou como ele estava, se estava com fome, se tinha chorado muito e se estava gostando do lugar para onde tinha sido levado. A fada respondeu que ele se encontrava muito bem protegido no meio de uma floresta sem nome onde era tratado com muito carinho pelas árvores mais novas que lhe traziam para comer muitas frutas e que lhe contavam muitas histórias. como a mãe ficara calma diante da notícia do filho, a fada lhe disse que para terminar a missão , era preciso levar o rei até a floresta encantada, a fim de que pudesse assistir na noite do dia seguinte a festa da dança das árvores. Pois só assim, o coração do rei se amoleceria e ele voltaria a ser bom como antes de ser lançado sobre ele a praga da bruxa má . A mãe concordou que deveria levá-lo, mas como poderia faze-lo? - se o rei não aceitava ordens de ninguém e se encontrava muito furioso pela fuga do menino? durante algum tempo ficaram as duas pensando o que deveria ser feito. a fada que era

muito boa, pediu a mãe que também desse alguma opinião sobre a retirada do rei do palácio e levá-lo até a floresta encantada. as duas ficaram conversando até quando a luz do sol já se punha do lado de fora. parece que naquele dia o sol veio mais feliz por saber que o menino se encontrava a salvo, e em breve o coração do rei se transformaria, desaparecendo feitiçaria. a notícia do menino não havia sido dada a todos mas apenas as pessoas mais chegadas da rainha . o rei nem por sombra deveria saber onde ele se encontrava, senão ficaria mais furioso ainda. depois de pensarem muito , a fada disse:- óh .. para que a bruxaria de seu marido desapareça, é preciso que o mesmo seja levado à floresta antes do anoitece. então a rainha disse que tinha uma idéia. na hora que o rei fosse almoçar, devia ser colocado em sua comida, um pózinho que fizesse com que lhe dormisse bastante , assim a fada poderia levá-lo à florestasem nome. essa idéia foi bem aceita pela fada que disse trazer com ela um pó que serviria bem para o caso. então tudo ficou combinado para que na hora do almoço não se esquecesses do que haviam combinado Naquele dia , o almoço fora servido fora da hora que seria o normal, devido a confusão que reinava no castelo. aqueles que ainda não tinham tido ainda a noticia do menino., encontravam-se bem tristes, pensando que havia lhe acontecido alguma coisa de mal, e essas pessoas eram bem poucas que sabiam, por que a fada pedira a rainha que só contasse esse segredo aos que fossem de muita confiança dela . caso contrário o rei acabaria descobrindo e colocaria todo o plano em ruína. a cara do rei não se encontrava muito triste como os outros, mas nos seus olhos saiam chispas de fogo, demonstrando o ódio que ia em seu coração. Na hora do almoço, a fada já tinha dado a rainha , o pó mágico que haveria de fazer o rei dormir até as seis horas da tarde, antes do sol entrar. o mais interessante é que a fada não aparecia para todos no palácio, e sim para a rainha somente . muitas vezes ela andava ao lado da rainha conversando com a mesma sem que ninguém soubesse . esse era um dos segredos das fadas , de ficar invisível para quem elas quisessem. A rainha foi a cozinha e entregou o pó a um dos empregados de confiança para que colocasse na comida do rei no momento em que fosse servido. todos estavam sentados à mesa, muito já tinham comido, quando o rei começou a sentir uma dor de cabeça e dai a pouco caiu em sono profundo na própria sala de refeições. imediatamente foi transportado para a sua cama, por que ele estava apenas dormindo como foi constatado pelos médicos do palácio. a rainha sabendo de tudo mandou que dois

guardas ficassem a porta de seu quarto e que não deixassem ninguém entrar até o dia seguinte. o rei dormia um sono profundo, ninguém tinha coragem de acordá-lo. afinal se ele fazia tanta maldade com os outros, por que acordá-lo então? seria melhor para todos que ele continuasse dormindo por muito tempo ainda. dentro do quarto junto com o rei se encontrava apenas a boa fada., invisível, tomando conta dele para que nada de ruim lhe acontecesse. às seis horas em ponto, o rei seria levado para a floresta encantada onde se daria toda a transformação. como a rainha viu que parte do plano já estava pronto e que dali a pouco a fada havia de levá-lo para bem longe dali; ela começou a dizer a todo mundo que no dia seguinte o rei se levantaria completamente transformado e não seria mais tão ruim como fora até então. mas ninguém acreditava no que ela dizia. pois como? se durante muito tempo ele tinha sido o pior rei existente em toda a região. mas ela continuava a dizer : - esperem até amanhã que vocês verão o que há de acontecer. infelizmente não posso dizer-lhes de que maneira isto irá acontecer, basta esperar o raia do sol do dia seguinte. enquanto toda s confusão reinava dentro do palácio com o sono misterioso do rei, dentro do quarto a fada via que estava na hora de levá-lo para o local onde haveria de se dar a grande mudança em sua vida. assim que ela viu que o sol já estava declinando, lançou sua varinha mágica sobre o corpo do rei e foi dizendo as palavras rei, rei, rei, vamos passear, bem devagarinho para você não acordar. e os dois começaram a voar. saíram pela janela, tendo a fada com sua varinha sobre o corpo do rei para que ele não caísse, e foram voando até sumir. voaram até pertinho do sol. depois desceram. quando chegaram na floresta encantada, o sol desapareceu. a fada colocou o rei no meio de uma clareira onde ele ficou dormindo até escurecer. naquela noite a luz da lua saiu muito mais bonita do que nas noites anteriores . dai a pouco o rei começou a acordar . e como viu aquela grande quantidade de arvores ao seu lado, pensou que estava sonhando. como já estava quase na hora da festa começar em homenagem ao menino, algumas dar árvores vieram trazer comida e água ao rei. quando ele viu uma arvore lhe oferecendo comida e água, pensou que estivesse louco ou que estava tendo um pesadelo . algumas delas para fazerem mais medo ainda ao rei diziam com aquela voz rouca:- boa noite sua majestade. e todas elas se curvavam diante dele, colocando os seus galhos no chão. mesmo com todo o medo que sentia, ele comeu a comida que lhe era oferecido, pois dentro em breve pensava que iria acordar. enquanto isso o menino do alto de uma grande árvore, observava tudo o que acontecia

com seu pai. a lua já se encontrava bem no alto mais ou menos meia noite, era hora de iniciar a grande dança de árvores. O rei que se encontrava deitado, pensando que estivesse sonhando, levantara de medo quando viu as árvores se moverem ao lado dele e dizerem com sua voz rouca:- agora nós vamos iniciar a grande festa em homenagem ao filho do rei que se encontra aqui junto de nós. quando o rei viu falar sobre seu filho , que ele estava ali, sentiu desmaiar de remorso pelo que tinha feito ao pequeno e notou que tudo aquilo não era sonho, e sim realidade . a festa começou , era um barulho infernal, no meio da mata. todas a árvores cantavam e dançavam ao lado do rei . ele se contorcia de grande medo que havia se apoderado do mesmo . queria gritar, mas não tinha forças para isso.depois de ver desfilar diante dele quase todas as espécies de plantas da floresta sem nome, ele ouviu uma voz que dizia assim:- senhor rei , se quiser ver seu filho de cinco anos que você mandou prender dentro da prisão , será preciso você fazer um juramento a todas essas árvores que estão aqui, e ele imediatamente aparecerá a seu lado. você concorda com isto? respondeu o rei .claro que sim , eu não sabia por que fazia toda essa maldade. eu estava enfeitiçado. perdoe-me árvore, mãe de todas as arvores, eu juro como nunca mais farei maldade com mais ninguém deste mundo. assim que o rei acabou de pronunciar essas palavras, o seu filho que estava vendo e ouvindo tudo lá do alto de uma grande figueira , desceu e chegou perto de seu pai beijando-o dos pés a cabeça. e o rei dizia:- perdoe-me meu filho por tudo que fiz a você. e o menino respondeu:- o senhor sempre esteve perdoado meu pai, eu sabia que o senhor não era tão mau assim , apenas o feitiço que foi lançado há muitos anos sobre sua pessoa é que fazia isto, de agora em diante será tudo diferente, falou o rei, toda a minha fortuna será colocada a disposição dos pobres para que possa fazer do meu reino o paraíso das crianças. enquanto o rei estava dizendo essas coisas, as árvores pararam de cantar e dançar para poderem ouvir direito o que ele dizia., ao seu filho,.estavam nesta conversa quando o menino pediu ao pai para este ir chamar uma pessoa muito amiga que estava também ali por perto. o menino saiu dali a pouco voltou com a fada. ela estava iluminada com a luz branca da lua e trazia em sua cabeça uma coroa de luz. então o menino explicou como que tinha acontecido tudo aquilo, que a fada tinha sido sua protetora durante todo aquele tempo que se encontrava fora de casa. o rei agradeceu muito a fada e pediu-lhe desculpas por tudo o que acontecera. o rei

agradeceu muito a fada e como ela era muito boa, disse que não era nada, pois a sua missão na terra era fazer todo o povo feliz, desde as crianças até mesmo os reis e rainhas. Estavam os três conversando, quando as arvores pediram licença para continuar a festa em homenagem a todas as crianças do mundo. e a festa continuou, agora com muito mais alegria, pois o rei com seu filho e a fada se encontravam sentados assistindo a grande festa que continuou até o raiar do dia. todas as árvores dançaram desfilando diante deles. o rei e o menino ainda estavam surpresos pois pensavam que as árvores eram imóveis, como eles as tinham visto em outros locais. o rei também ficou muito contente com a festa e pediu a fada que o levasse para casa, pois ele já estava sentindo saudade de todos seu reino. Antes que ele partisse a fada falou com o menino:- meu filho, o que acabou de ver , foi um privilégio que não poderá mais ser repetido, mas se você quiser ver as árvores dançar não precisa vir até aqui, quando você estiver com outros meninos brincando em qualquer bosque ou floresta, não se preocupe, este espetáculo você tornará a ver. basta que você queira e tenha bondade em seu coração e todas as árvores dançarão. - adeus meu filho, adeus meu querido rei. e dizendo isso, pediu aos dois que fechassem os olhos pois tão logo eles tornasses a abri-los, já estariam deitados na cama do palácio . imediatamente obedeceram e quando tornaram a abrir os olhos os dois estavam deitados na cama onde o rei havia se deitado no dia anterior. Eram seis horas da manhã , já estava quase na hora do sol nascer, quando foram lá chamar o rei pensando que ele ainda estava com aquele mau humor do dia anterior. mas verificaram com grande surpresa que estavam todos enganados, pois o rei recebeu-os muito bem e pediu perdão a todos por tudo que tinha feito de mal a eles, desde a rainha, sua esposa, até seus empregados e escravos. os outros filhos do rei vieram para junto dele e a partir daquele dia o rei começou a contar-lhes muitas histórias todas as noites. desde aquele dia a vida naquele castelo modificou - se completamente. e os meninos cresceram e viveram o resto de sua infância felizes até tornarem-se adultos. naquela noite após contar a história da dança das árvores, o silêncio desceu sobre o acampamento. não se ouvia mais o crepitar do fogo, todos dormiam a sono solto.

apenas permanecia acordado, sebastião, que ainda não tinha sono. era interessante a maneira como eles deixavam o acampamento durante a noite, sem a menor vigilância por parte dos garotos ou mesmo por parte de sebastião que nunca dormia nas barracas como faziam os meninos. o seu lugar de dormir era sempre no alto de uma colina ou no pé de uma grande árvore. a única proteção que tinha era deixar a fogueira acesa à noite toda para afugentar algum animal selvagem. de duas em duas horas um deles se levantava e vinha colocar mais lenha no fogo para que ele ficasse acesso até o dia seguinte, era a única preocupação dos meninos. Sebastião que nunca dormia no acampamento, subia no alto de uma colina existente perto do acampamento logo após verificar que os garotos já estavam acomodados em suas barracas. ali chegando, fez a sua prece como de costume e ficou admirando as estrelas que brilhavam no infinito e era esta a única maneira dele conseguir toda a resistência necessária para a caminhada através do campo. apesar de sebastião se afastar do acampamento, nenhum dos meninos sabia o que ele fazia lá em cima e nem mesmo onde ele dormia. depois de fazer os exercícios dirigiu-se até uma árvore, subiu a sua copa e procurou se acomodar em uma rede que havia colocado ali para esse fim. cobriu-se com dois cobertores e dormiu durante cinco horas seguidas,. quando deu o sinal de amanhecer o dia, sebastião saiu e foi para o alto da colina onde ficou mirando o sol nascente até a hora que o mesmo saiu. até hoje nenhum dos meninos conseguiu ver como ele consegue ficar tanto tempo mirando as luzes do sol sem se pestanejar. muitas vezes os meninos viam-no naquela altitude de silêncio e contemplação, e não tinham o mínimo de coragem de fazer o menor comentário a respeito. apenas olhavam distraidamente para onde ele se encontrava. aquilo era o suficiente para que demonstrassem o máximo de confiança em seu mestre. o desfile dos mortos no dia seguinte , tudo aconteceu como se o mundo fosse novo, não foi feito o menor comentário sobre o dia anterior e cada um cumpria a sua obrigação em relação ao campo. naquela manhã o orvalho subia como fumaça tornando branco todo o vale, quando as luzes do sol batiam nas sua gotas de orvalho, resplandeciam em verdadeiro arco íris. à sombra da floresta, uma aragem fria chegava a cortar os ossos da gente . e mesmo com todo esse frio, os meninos tiveram coragem para um banho no riacho.. o único que estava com medo era o viking que pedia sempre ao

sebastião que segurasse a sua mão com medo i ir para o fundo, ou ser arrastado pela correnteza. após banho, todo se entreteram o estômago com uma água doce de rapadura e um pouco de farinha que ainda sobrava dos outros dias . estavam ele ainda tomando a sua refeição matinal quando viram ao longe uma porção de urubus que voavam em todas as direções numa distância bem longe do acampamento . logo imaginaram uma série de coisas. um dizia que era um boi morto, outro falava que talvez fosse um matadouro que havia ali pois nas cidades do interior os matadouros são longe das ruas para afastar o mau cheiro. e ainda tinha alguns que pensavam na possibilidade de haver alguma pessoa morta ali. uma interrogação pairou nos olhos de todos. tudo para ele era motivo de expectativa, afinal estavam em contato com a natureza em todo seu esplendor . sebastião disse que a melhor maneira de descobrirem era ir ate o local e verificar o que realmente estava acontecendo. ficou combinado que dois companheiros deviam ficar tomando conta do acampamento, enquanto sebastião e os outros garotos iam até o local para averiguarem o que tinha acontecido. sebastião mais cinco garotos partiram radiantes de felicidade para descobrirem todo aquele mistério. afinal eles iam ter a primeira aventura no campo. a distância que tinham de vencer era de mais ou menos de cinco ou seis quilômetros. e o caminho era todo emaranhado em volta do ria que em determinadas curvas sua correnteza era mais forte fazendo com que os meninos sentissem medo. a vegetação era rasteira por todo aquele caminho. apenas arbustos retorcidos e de ponto em ponto uma árvore servindo de abrigo e sombra para o gado na época da seca. a medida que avançavam, em todas as direções avistavam urubus que esvoaçavam em volta do local para onde se dirigiam. ao subir um pequeno morro, puderam vislumbrar o quadro mais dantesco que até hoje puderam ver em sua vidas. havia caído ali um avião muito grande, que perdera sua rota e todos os passageiros e tripulantes estavam mortos. era um mau cheiro horrível que exalava a mais de duzentos metros.- todos mortos. foi a expressão que saia da boca de todos.- como podia ter acontecido uma coisa dessas sem que nós tivéssemos ouvido o barulho? perguntou sebastião. mas os meninos que são inteligentes viram logo que aquele desastre de avião já tinha sido há dois dias, em virtude do estado de decomposição dos cadáveres. vejam como os urubus estão estraçalhando os corpos. disse um dos meninos. - è preciso fazer alguma coisa, vamos chegar mais

perto e ver como se encontra. foi preciso colocar lenços no nariz de todos, tal era o mau cheiro. ninguém ficou para trás. todos chegaram perto. o avião se encontrava quase todo destruído, e os corpos se espalhavam por uma área de mais de cem metros. havia ali um total de vinte e oito pessoas mortas. pois os meninos puderam contar pelas cabaças que iam encontrando, corpo inteiro não era possível contar devido as mutilações . verificaram que havia dezenove homens , quatro crianças e cinco mulheres. era preciso fazer alguma coisa, e a primeira idéia que tiveram foi a de avisar as autoridades da cidade que ficava a uns cinqüenta quilômetros. sebastião determinou que dois dos meninos partissem em direção a cidade para avisaras autoridade, enquanto ele e os outros três ficariam tomando conta dos corpos para que os urubus não os devorassem. talvez as autoridades já estejam á caminho, mas como vou saber? o negócio era partir naquela mesma hora. se as autoridades estivessem a caminho eles voltariam junto, caso contrário, deveriam chegar até a cidade. ao passarem pelo , deviam avisar os dois meninos do acontecido e dizer-lhes para ficarem ali nos esperando que a tarde viriam para jantar. os meninos partiram, sebastião e três meninos ficaram tomando conta dos destroços . o trabalho deles era impedir que as aves de rapina devorassem os corpos. quem mais trabalhou nessa operação foi lobato que corria de um lado para outro com a maior facilidade por ser pequeno e por ser atleta de corrida. muitas vezes via-se uma disputa entre urubus e um de nossos heróis que impediam a todo o custo que os urubus estraçalhassem mais corpos. realmente era um quadro estarrecedor para qualquer pessoa humana. principalmente para uns garotos que tinham saído pela primeira vez de casa. só mesmo os fracos cairiam diante uma situação dessas . porém como eles estavam junto de sebastião, não tiveram medo, pois o mesmo de hora em hora falava com eles que era preciso coragem e que somente eles que estavam ali poderiam fazer aquele serviço. sebastião sempre dizia para os meninos que aquele dia era o mais importante até hoje na vida de todos ele; pois afinal,estavam fazendo uma coisa muito importante que faria com que eles fossem lembrados por toda a vida. o que estará acontecendo agora com nossos companheiro que partiram para a cidade? foi a de lobato quando parou um pouco para descansar. mas não teve tempo de descansar muito pois sebastião mostrou-lhe um urubu que se dirigia em direção ao corpo de uma criança. e imediatamente ele correu e espantou o urubu,

mas assim que voltou , sebastião lhe disse que devia descansar um pouco, enquanto isso os dois meninos tratavam de fazer o trabalho. então sebastião lhe disse que os meninos teriam bastante possibilidade de atingirem a cidade , pois o rufino que é inteligente e resolverá qualquer problema que surja pela frente. enquanto isso os nossos companheiro que partiram para cidade já se encontravam bem longe do local do desastre e estão bem satisfeito da sua missão. afinal estavam prestando algum serviço e era isso que eles queriam . já tinham vencido quase dez quilômetros, quando depararam com um grupo de soldados. um dos meninos se escondeu no meio do mato e o outro ficou na beira da estrada para falar com eles, caso fossem inimigos, o outro correria até o acampamento e avisaria os outros que ficaram lá. como os soldados poderiam querer saber o que ele fazia naquela região, ele procurou assanhar os cabelos, jogou fora os sapatos, posou terra no rosto e assim poder passar por um menino da região. tudo isso era observado pelo seu companheiro que se encontrava a uma distância de 20 metros no meio do mato. nisso os soldados já se encontravam a uma distancia de 50 metros, e o nosso herói fingindo ser um menino daquela zona , foi lhes dando passagem, chegando para o canto, quando os mesmos estavam bem perto. quando os soldados viram-no , perguntaram se ele não tinha visto alguns urubus voando ali por perto. por esta pergunta o menino pode observar tratar-se de uns dos soldados que buscavam destroços do avião. como eram amigos não era mais preciso ter medo. então respondeu-lhes que ia a cidade justamente para avisar sobre um desastre de avião que tinham encontrado a uma dezena de quilômetros dali. e que lá já tinham alguns dos seus colegas tomando conta para que os urubus não estraçalhassem mais os corpos que lá se encontravam . e que eles poderia servir de guia para eles. então o menino deu um assobio e o seu colega saiu do meio do mato. quando o sargento viu sair aquele menino do meio da moita, perguntou de que se tratava. ao que o menino respondeu tratar-se de um de seus companheiros que estava ali escondidos pensou que os soldados fossem inimigos. então os soldados riram e disse que agora ele iam juntos até o local do desastre. junto aos soldados vinha também uma turma de salvamento formado por voluntários da cidade de esperança. como já sabiam que não havia sobreviventes, mandaram que dois dos mesmos voltassem até a cidade para avisar que não havia nenhuma pessoa viva.

eram quinze horas de um dia de sol bem quente anunciando uma noite fria. o trabalho de remoção dos corpos deveria começar ainda aquela noite. eles traziam redes onde seriam colocados os corpos para serem levados à cidade mais perto que era a cidade de esperança a cerca de vinte quilômetros. chegaram ao local do desastre já quase noite. sebastião e os meninos mudaram a acampamento para perto do local do desastre. estavam todos descansando de um dia árdua de trabalho e a noite caia mansa , fúnebre e triste. a turma de salvamento deu início a remoção dos corpos até as oito horas da noite, não podendo mais continuar por causa do frio. ali mesmo os soldados armaram acampamento. grandes lampiões foram acessos e depois de colocar guardas nos quatro cantos do acampamento. todos foram dormir . sebastião e os meninos ficaram também observando o movimento dos soldados e depois se recolheram. no dia seguinte á seis horas da manhã já tinham reiniciado o trabalho de remoção dos corpos. eram mais de cem homens trabalhando no local fúnebre. ao meio dia em ponto, já tinham terminado toda a remoção, colocando os corpos em sacos , esteira e até mesmo em caixões pequenos. imediatamente saíram em direção à cidade que ficava a quinze quilômetros. As primeiras luzes do sol já começavam a surgir no horizonte . a princípio apenas uma nesga de luz branca , amarelada, depois foi aumentando lentamente até se tornar claro. antes que o sol saísse , para os homens rumo à cidade de esperança em cortejo fúnebre, levando vinte e oito corpos do avião sinistrado. naquele dia tudo correu como se assistisse a uma cerimonia macabra. o sol saiu claro e radiante , mas tão logo viu pelo campo a cerimônia da marcha fúnebre, tratou-se de esconder -se por entre as nuvens, dando ao dia um ambiente triste. os urubus ainda voavam sobre o local do desastre a procura de algum resto de cadáver . naquela manhã nem os pássaros vieram saudar o novo . todos fugiram com medo do cortejo fúnebre, como se morte fosse a única coisa desagradável da vida. cinco meninos marcharam bem a frente do cortejo a fim de comunicar o povo da cidade. enquanto isso sebastião e os outros meninos iam juntos ao cortejo, que naquela manhã fria de julho, passeava pelos campos cobertos de orvalhos.

Sebastião ao passar pelos campos que acamparam em noites anteriores, lembrava juntamente com os garotos, aquelas noites sentados à beira do fogo, contavam história e sonhavam um dia edificar os seus ideais. lembravam todos os sonhos mais variados possíveis. e agora a sombra da morte rondava a vida, à sombra de um sol que não saiu. que força misteriosa é essa que envolve o espírito do homem? porque será que nunca chegamos ao fim do nosso ideal? - oh, como a tristeza se abate sobre mm. e o meu espírito na maior confusão contempla a morte desfilar pelos campos afora. e ele continuava a cismar... viver , morrer ? qual a grande diferença? se a maioria daqueles que carregam os corpos não sabem por que vivem. quem diria que há duas noites passadas , nós brincávamos alegres por esses mesmos campos onde agora, silencioso como um sepulcro, nós fazemos a morte desfilar ao nosso lado? será que todos os planos foram desfeito? assim ia pensando sebastião e talvez os outros meninos também pensavam, pois eles estavam muito calado, quando as nuvens começaram a formar no céu imagens, como que nos dando um aviso. podemos nós acreditar na visão fantástica do nada que descreve diante nossos olhos as mensagens das nuvens? esses eram a multidão de pensamentos que sebastião pensava enquanto caminhava no meio dos homens que conduziam os caixões com destroços humanos em meio ao mais fúnebre silêncio. descansavam de meia em meia hora. o caminho era tortuoso e cheio de pedras. parecia que após uma curva nós encontraríamos o fim da estrada anunciando a cidade, mas não era assim. depois de uma curva, surgia um caminho que era longo e parecia não ter fim. as montanhas ao longe, cobriam-se de nuvens escuras, inspirando o culto dos mortos que desfilavam pelo campo. os pássaros não cantavam como nos dias anteriores em que os meninos ali brincavam. estavam com medo dos homens que palmilhavam seus caminhos. no primeiro dia conseguiram vencer somente vinte quilômetros. à noite acenderam grandes fogueira e ali mesmo ao lado dos mortos deitaram-se para descansar até o dia seguinte. no dia seguinte marcharam mais de 10 quilômetros carregando os corpos e, na estação já estava o trem aguardando os corpos para

serem enviados para a cidade de esperança. - depois que tudo foi colocado no vagão de carga do trem, os meninos e sebastião entraram no carro de passageiro com poltronas e sentavam aguardando a partida do trem com a carga fúnebre o trem partiu, a princípio devagarinho, depois ganhou mais velocidade. enquanto o trem corria cortando as montanhas e morros que lhe parecia a frente, sebastião despejava os olhos para a paisagem que corria pela janela do comboio. admirando as flores e as folhas dos pé de mamonas,mergulhava o seu espírito na mais completa meditação. porque estavam eles naquele trem? que fizemos nestes últimos dias de acampamento? estaremos nós vivendo uma vida cheia de ilusão ? não é isto que eu quero pensar, e sim coisas bem diferente que não sei explicar. hoje não consigo centralizar o meu pensamento numa coisa firme como naquelas noites de campo onde eu inventava história umas atrás da outra. será que a loucura está tomando conta do meu cérebro? não, isto também não pode ser. sinto como se tivesse a força total do universo. nos meus? como digo estar? tudo isto ia pensando sebastião enquanto os garotos dormiam a sono solto aproveitando o balanço do trem também o sono foi chegando ao chefe, era assim como os garotos chamavam e ele acabou dormindo e dormiu. no sono sonhou que tinha voltado à sua infância . tinha então cinco anos de idade quando ainda morava lá em passabém. seu pai está carpinando roça até as seis horas . de repente passa pela estrada os caçadores o convidas também para ir com ele:- “ como é seu mané o sinhô não vai caçá com a gente ?” “-pois é , hoje eu não posso ir porque preciso terminar um pedaço de terra que precisa ser limpo “ tá bem, entonce , inté minhã” . os caçadores partiram e o sr manoel permaneceu no trabalho por mais meia hora. sebastião que contava cinco anos de idade mal feitos já ajudava o seu pai juntamente com seus irmãos mais velhos. era um total de 6 meninos e 4 meninas dentro de casa. as meninas por sua vez ajudava no trabalho de casa juntamente com sua mãe : naquela tarde , quando o sol já havia se posto no horizonte, viram será que estou tão forte assim

umas pessoas pelo caminho que divisava as terras do sr manoel com a estrada: imediatamente o nosso amigo se dirigiu para ele tratava. o sr nem imaginava o que foi que aconteceu , o sr se lembra do filho da marocas ? aquele que é meio doido ? pois é ele sumiu de casa hoje de dia e até agora não foi encontrado. o filho de dona marocas era chamado de jorginho e muito conhecido pelo povo daquela vila. era uma espécie de menino que todos zombavam : chamavam-no ; o que fazia ficar mais furioso ainda. desde pequeno que o jorginho era meio abobado, por ter sofrido uma doença muito grave : não morrera . “ mas ficou doido” como dizia o povo. certa vez burlou a vigilância da mãe e dos irmãos e fugira de casa . Foi procurado por todos durante o dia sendo inútil a busca. Naquela noite a vila ficou em desespero. . Eram homens á cavalo procurando o menino por toda a parte. No dia seguinte caçadores saíram bem cedo para a caçada matinal, ainda estava bem escuro quando passando por um caminho depararam com um vulto mexendo no meio do mato. Com a ânsia de levar para a casa a caça do almoço daquele dia , não se lembraram do menino que havia fugido de casa na véspera. Fizeram pontaria e atiraram: Em seguida ouviu-se um grito de dor . Era o Jorginho que estava deitado no meio da mata. Os dois caçadores correram para perto do menino e com desespero viram que tinham atirado no filho de dona Marocas. Que seria daquela pobre criatura dali pela frente? O menino não morrera, levaram-no para o hospital da cidade onde ficou muito tempo tratando do ferimento recebido. E como havia recebido um tiro na cabeça ficou com uma parte do corpo paralisado: Só conseguia andar com uma perna pulando feito saci. Era um menino já com quinze anos, e agora acontecia aquilo. Fugira de casa, se arrastando pelo meio do mato , sabe lá deus como ‘ se pelo menos ele morresse acabaria com o sofrimento de dona marocas” era o que dizia uns já outros diziam que era castigo pois sua mãe fora muito perversa para os seus escravos. Estavam todos na porta da venda discutindo a vida do menino quando surgiu um rapazinho dizendo que o jorginho estava morto no rio mordido por uma cobra cascavel.

Ao pronunciar a palavra cascavel Sebastião que dormia e sonhava, acordou rapidamente pois o trem estava chegando ao seu destino . Era finda a primeira viagem de experiência com os nossos heróis. Dali por diante teríamos de esperar . a primeira viagem havia terminado. Aquilo foi o início. O fim seria maravilhoso. Outro acampamento Eram 13 horas . as nossas sombras já começavam a caminhar para o oriente. O Sol , que não estava muito quente por ser inverno, mostrava-se vermelho como um tomate. Falei com todos os meninos: - Vocês estão vendo aquela serra que parece encontrar com o azul do céu? - Estamos vendo sim , responderam todos . Pois é ali em cima que nós vamos . Portanto tratemos de caminhar pois a viagem é longa. Á nossa frente uma porteira que dividia a cidade com o pasto . Além do pasto só avistamos os caminhos primitivos feito pelos pés dos animais e dos homens que por ali passavam . Com o Barros á frente seguimos “ a coluna por um’’ . a princípio eles conversaram sobre os mais variados assuntos ; depois o silencio foi quebrando á medida que o cansaço da caminhada chegava. sabendo que tinham dez dia para andar , era preciso aprender a andar en silêncio, só assim evitava o cansaço. De um lado e de outro do caminho só grama rasteira. hora por outra um curso dágua atravessava a nossa frente, onde os animais saciavam a sua sede, e á margem dos mesmo florescia lírio do campo e ‘’ chapéu de couro’’. chapéu de couro é uma planta medicinal que serve também como chá adoçado com mel. depois de andarmos seis quilômetros vimos na nossa frente uma coisa muito grande que se movia a uma distancia de 500 metros. paramos para afirmar a vista, e só quando a mesma já estava bem perto , notamos que era uma grande boiada. ela estava sendo trazido pelos vaqueiro , que de longe já houvemos seus gritos. diante daquele espetáculo todo os meninos pararam e começaram a observar . só então eu lembrei que podia haver boi bravo ali no meio daquela boiada. imediatamente sebastião deu ordem aos meninos para que se misturassem no meio dos arbustos, e ficassem imóvel o mais tempo possível pois ele já observara que alguns bois já estavam de orelha em pé à procura de alguém para atacar .

assim fizeram. cada um se escondeu o mais depressa como pode por detrás da árvores. e sebastião lhes disse ainda que se algum touro chegar perto de vocês não tenham medo e nem corram procurem fitar-lhe bem nos olhos e não serão molestados. porém o viking que é o mais novo , com apenas nove anos de idade, tremia de medo como uma’’vara verde’’ e dizia para sebastião: - eu tenho medo do boi me pegar, deixa eu ficar perto de você.—não precisa ter medo respondeu sebastião faça como eu lhe disse: -- fite-o bem nos olhos e não se mova. por via das dúvidas fique aqui perto de mim que eu lhe ensinarei como fazer. como os meninos estava atrás do arbusto e sem se mexer. os animais passaram bem perto deles sem vê-los. mas quando passou perto de viking , ele se moveu tanto que chamou a atenção de um touro preto. sebastião viu que era ora de fazer a prova com o menino e disse bem baixinho para ele:- calma viking, tenha coragem e tudo sairá bem . segure na minha mão e na hora que o boi estiver bem perto faça o que eu mandar. assim fizeram , e o touro veio se aproximando cada vez mais do dois amigos e bufava pelas narinas ‘’incendiadas’’ . nisso o nosso amigo falou no ouvido do menino:- é agora. olhe bem nos olhos dele , assim como eu estou fazendo, mesmo se o boi chegar perto não faça nada, nem um movimento. o touro foi chegando devagarinho até uma distancia de dois metros deles. sebastião não tirava os olhos do touro. neste momento a mão do menino foi se largando aos poucos até soltá-la por completo. logo após chegou um vaqueiro preocupado com os dois e falou:- pensei que o touro tivesse atacado vocês , pois ele ´s o mais bravo da boiada- mas acontece que ele teve medo de nós, respondeu viking, não é sebastião?? é verdade sim. nós estamos treinando todos estes meninos que o senhor está vendo aqui, para um dia eu mostrar a ele uma grande caverna. e o bom moço simples com era , disse que aquelas terras que estávamos passando pertenciam ao coronel. josé batista e que ele ficaria muito satisfeito se nós fossemos à fazenda dele. e sebastião perguntou:o senhor trabalha para ele há muito tempo? - ah moço, respondeu o vaqueiro , desde menino que eu ando por estas bandas. fui criado no pé daquela serra que se avistava daqui. neste meio tempo todos os meninos já se encaminhavam perto de sebastião a escutar a conversa de vaqueiro. todos estes meninos são da cidade? perguntou o nosso amigo.Sim, nós som de Itabira e estamos fazendo uma excursão de 10 dias. depois de bem treinados subiremos em todas as montanhas de nosso

Brasil, só assim encontraremos a nossa Caverna . e o nosso amigo respondeu: olha , se todos os meninos da nossa terra tivesse uma educação como esta que o senhor esta dando a eles, nós teríamos uma pátria bem melhor não sofreríamos tanto como temos sofrido depois que passamos o ano 2000. veja vocês, meus amigos, eu nasci no ano 2010 já tenho 35 anos e até hoje não aprendi a ler nem escrever. porém mesmo assim eu me sinto feliz porque durante toda a minha vida passei junto a mãe natureza, e vocês meus meninos , aprendam bastante porque a natureza é sábia em tudo. porém ela dá o prêmio e o castigo. e vocês aprendendo a dominá-la poderiam amostrar ao nosso povo , que debate nas trevas da ignorância , o caminho que devemos seguir , nós vaqueiros não temos o mesmo direito de reclamar das injustiças. Como o cavaleiro notou que os que os seus companheiros já iam longe com a boiada e rematou dizendo ;- “há de chegar o dia em que teremos uma vida diferente, mais justa’’ dizendo estas palavras , partiu apressadamente para juntar-se à boiada que já ia bem longe. aquelas palavras soaram como uma advertência . Vimos naquele pobre vaqueiro uma triste lembrança de um passado que não será perdoado pelo futuro. Todos nós temos fé em algumas coisa , mesmo dizendo que somos incrédulos. temos fé em nós mesmo de conseguir vencer todas as dificuldades interposta em nosso caminho. este pobre que nos deixou neste momento não sabe nem ler nem escrever , e no entanto pode dar uma lição de sabedoria em muitos ‘’ letrados’’. podemos ver estampado em seu rosto o símbolo da miséria e da desgraça, mas vimos também uma demonstração de fé e coragem. tudo isto ia passando pelo cérebro de Sebastião : quando de repente ele falou bem alto:= Olá pessoal vamos descansar um pouco aqui embaixo destas arvores? Foi nesta hora, então, que os meninos lembraram de perguntar ao Sebastião porque foi que o moço que nasceu em 2015? Não compreendemo, pois ainda estamos no ano de 19 91? Bem esta é uma história que nem eu entendí. Mas aquela boiada passou um susto danado em um menino que está perto de mim . falou assim piscando os olhos para a meninada. o viking que vinha segurando na mão de sebastião notou que as palavras do seu amigo era para ele e disse:- mas vocês viram como o touro chegou perto de mim e voltou com medo de mim todos caíram numa gargalhada e foram sentar a sombra de uma grande arvore, beberam água , comeram rapadura . e viram que o sol ainda estava muito alto. podiam

caminhar os caminhos incertos que haveriam de aparecer nas suas vidas. logo à frente avistava-se uma campina verde ondulada batida pelo vento que sumia de vista no horizonte , tendo ao fundo o alto da serra com a cabeça ‘’ enterrada’’ nas nuvens. ao lado era a floresta que limitava o pasto do gado. de ponto em ponto levantava uma casa de cupim servindo de esconderijo para todo o tipo de réptil.todos estavam calados e caminhando . quando o rufino começou a dizer:- ali quem me dera viver aqui sempre acampado nesta campina, sim, era o dia inteiro correndo pelos campos, subindo pelas arvores, tomando banho de riacho. é respondeu rufino, nós seriamos os meninos mais felizes do mundo. pelo menos a gente não estudava o dia inteiro e nem tínhamos de andar vestido de calça, sapato e camisa. teríamos como companheiros inseparáveis .. os cavalos, os bois, as vacas, os pássaros e toda a natureza se manifestaria como nossa protetora:- mas já que não podemos viver toda a vida aqui, pelo menos devemos ficar satisfeito por poder passear de quando em quando aqui pelos campos. quem me dera que a gente nunca crescesse. iam comentando estes e outros aspectos da vida do campo, quando passou perto de nós um gavião que trazia no bico um bem -tevi quase morto e passou em cima de um cupim todos correram para acudir o pássaro que já dava os últimos suspiros. com a nossa aproximação o gavião ganhou altura deixando a pobre vítima quase morta no chão. tentamos salvá-lo mas já era tarde . o passarinho morreu nas mãos de lobato que ficou muito triste. como é misteriosa e estranha morte, até mesmo de um pássaro, ninguém ousa tocar de frente a grande realidade. tudo foi razão para os meninos apresentarem uma fisionomia de tristeza. todos os meninos reuniram um círculo e fizeram o enterro do pobre passarinho. o rufino abriu uma cova com uma pá, o florisvaldo fez uma cruz e colocou em cima, os outros meninos cataram pedra e fizeram um círculo em torno da sepultura da pobre vítima da natureza. terminado o sepultamento apenas a cruz e o círculo ficaram para trás como símbolo de um ser que um dia voou, correu, comeu e morreu. já caminhamos um bom pedaço após a ultima parada, quando sebastião observou que todos estavam calados pensando que

não sabemos o que ,talvez já cansados daquele primeiro dia de caminhada ou então quem sabe? pensando na lição que acabavam de receber sobre a lei da natureza . a morte daquele animal, por pequeno que seja, pode ter um grande significado para ao menos ter aprendido: todos esses meninos que nunca saíram da cidade , só ao lado do protecionismo dos pais e da civilização e tudo que é artificial, sem pelo menos ver como nasce um bezerro ou um cavalo; ao primeiro impacto das leis da natureza sentem-se completamente estarrecido pelo que acabaram de presenciar. ninguém absolutamente ninguém dizia nada. nem pelo menos assobiavam. caminhávamos sem cessar. através dos campos, através dos campos dos caminhos tortuosos incertos não acabavam nunca. diante dos nossos olhos víamos o trilho feito pelos pés dos homens sempre aparecer após uma curva, sempre desconhecido e incerto como são os caminhos daqueles que debatem na estrada do ideal. a nossa esquerda víamos montes de pedras de onde saiam correndo as lagartixas. verdadeiros despenhadeiros confundia se com o inferno, de tão fundo que era e nos dava calafrio e à direita o mato verde. que descortinava através de nossos olhos. e nós caminhávamos sempre naquele silêncio terrível. só a voz do vento e dos insetos confundia nosso ouvido . e a medida que nossa sombra aumentava na terra víamos que era hora, ou estava bem perto da hora que devíamos acampar. nós acamparemos após esta árvore perto de uma fonte , falou sebastião. ali estaremos abrigados do vento que sopra muito forte nesta região. assim fizeram chegando ao local apropriado , deram início a instalação do acampamento. enquanto três deles arrumaram as 2 barracas, os outro quatro buscavam água e prepararam a cozinha. cercaram o campo como medida de prevenção contra animal . que poderia rondar as barracas à noite. o fogo e o local da fogueira foi protegido da mesma forma. nesta hora de instalar o acampamento os garotos já conversavam e cantavam alegremente. talvez pelo simples prazer de saber que pela primeira vez dormiriam fora de casa em uma barraca de lona semelhante aos ciganos, como sebastião ficou

contente em observá-los na espreita de uma arvore. todos , sem faltar um, trabalhavam ativamente para deixar o acampamento em ordem o mais breve possível . e isso para o sebastião era motivo de alegria saber que todos os meninos estavam satisfeitos. eram 16:30 oras . e no acampamento as barracas já estavam armadas, todo o material protegido das intempéries da natureza, no fogão, feito de duas pedras, já saia fumaça onde seria preparado o jantar daquela noite um monte de lenha estava ali ao lado preparado para o frio da noite. enquanto alguns meninos colhiam informes sobre a natureza local, os outros preparavam o jantar. rufino e lobato eram os dois cozinheiros daquele acampamento e fazia a na mais estreita medida para não faltar para os outros dias.

uma nuvem de fumaça subia ao céu que estava azul e claro. o sol porém , já se escondia por detrás das montanhas, e após um breve descanso, fizemos no campo ao ar livre a nossa primeira refeição do dia que era sopa de macarrão com tomate, cebola e caldo de galinha como não tínhamos café foi feito chá com folha de ‘’chapéu de couro’’ adoçado com mel de abelha para ser servido à noite. a tarde ia morrendo lentamente no céu não mais víamos as aves as moitas de capim já começavam a formar vultos misteriosos com a sombra da noite. e na mata ouvíamos um triste chorar do noitibó com todos os meninos sentados ao redor da fogueira, começamos incessantemente a olhar para o firmamento e eis que inesperadamente avistamos as primeiras estrelas. já podíamos considerar noite. neste momento começou a nossa brincadeira. cantavam, tocavam gaita, , flauta e até uma viola apareceu, era o lobato que tocava arranhando. cada um procurava expandir na mais sadia das diversões. um número de gaita, outro de sanfona, uma canção e assim fomos até as 22 horas, quando a noite fechada e escura, aparecia apesar das luzes da fogueira e dos lampiões a iluminar o acampamento. como guarda apenas rex, um cachorro policial trazido pelo elmo. para o firmamento e pudemos ver a beleza do céu com milhares e milhares de estrelas, saímos m pouco de perto das luzes para que as mesmas não ofuscassem as nossas vistas e sebastião ia explicando o nome das constelações:- aquela lá é o cruzeiro do sul, o que vocês chamam de três marias é a cinto do sr orion da constelação de orion lá esta a constelação de navio a do escorpião e muitas outras. e por falar em escorpião disse

sebastião vou contar para vocês a lenda de como apareceu a constelação de escorpião. vocês querem ouvir? - claro que sim responderam todos , qual o menino de 11 ou 12 anos que não gostaria de ouvir uma estória contada em plena noite de acampamento??? _- pois bem vou contar para vocês como apareceu a constelação de escorpião sebastião ajeitou melhor o cobertor que lhe cobria as costa por causa do frio, colocou mais alguns galhos de lenha no fogo, bebeu alguns goles de chá e depois de olhar bem as estrelas que coalhavam o céu e começou a dizer. ro as alaão o deus dos meninos ha´ muitos e muito anos passados, ao sul da serra da mantiqueira, existiu uma tribo de índios que viviam em pleno contato com a natureza. era uma tribo de homens valentes que freqüentavam a natureza hostil em todo seu real aspecto. eles tinham a cor da pele toda bronzeada pela luz do sol que ardia em todo o verão. sua principal atividade era a agricultura, caça, pesca e a fabricação de objetos de cerâmica. apesar deste povo viver em semi primitividade, havia do outro lado da montanha uma outra tribo de cor branca que já tinha um grau de civilização adiantado em relação a outra, pois eles já possuíam cidades casas de pedra, templos, escolas, e as ciências, como a matemática e astronomia já eram estudada por seus sacerdotes, assim como a química e a anatomia dos animais. mas a tribo de cor bronzeada, que estava mais acostumada a viver em contato com a natureza, tudo fazia para que a felicidade reinasse entre eles. suas crianças eram levadas para a escola de caça e pesca desde que completassem cinco anos de idade, já aprendiam todo o segredo da selva assim como a se defender da melhor maneira possível contra os animais ferozes. o período de aprendizagem ia até os dezessete anos de idade e quando se encontrava em atividade suas dormidas eram feitas em cavernas na montanha. as crianças que participavam dessa escola viviam muito felizes por ter sempre ao seu lado o índio mais forte que lhes ensinava a se defender de todos os perigos. havia naquela região muitos rios , lagos e cachoeiras. a vegetação era intensa que proporcionava frutas e mel silvestre.

certa vez um menino de cento e vinte luas, fazia sua prova pelo alto das montanhas sozinho, pois as provas eram feitas sem a companhia do índio mais forte. depois de andar muitos dias, não mas encontrou o caminho de casa . quando viu que era difícil voltar para a casa sentou em cima de uma pedra, pois de nada adiantaria chorar nem gritar. só a sua coragem e inteligência poderiam mostrar-lhe o caminho de casa. sobre esta mesma pedra puai deitou e dormiu. e no sono, sonhou que tinha encontrado a mais linda criatura do céu do céu que lhe dizia ‘’’: puai você é o menino escolhido para salvar o meu povo. acorde e você verá em cima da pedra , o deus dos meninos o deus alaâo: acorde puai, acorde puai”” quando ele acordou aquelas palavras ainda sopravam em seus ouvidos. pensava ele que tivesse tido um grande pesadelo. já era bem tardinha, o sol já havia rolado para baixo das montanhas, havia finado mais um dia . de repente uma luz branca que chegava a ofuscar os olhos começou a descer do alto e parar em cima de uma pedra a poucos passos de onde se encostara puai. o nosso herói ficou um pouco assustado, mas imediatamente lembrou-se do sonho que tinha tido há pouco e esperou firme. a luz branca foi tomando a forma de um corpo humano e começou a chamar o nosso menino pelo nome: ‘’ puai . venha até aqui que eu preciso falar com você . não tenha medo, eu sou alaâo o deus dos meninos do mundo inteiro. . puai . ao ouvir aquelas palavras, lembrou do sonho em que aparecera a figura angelical e começou a caminhar para onde se encontrava o deus que ali diante dele , resplandecia como a luz do sol. o deus alaâo vestia uma túnica vermelha bordada com fio de ouro. em sua cabeça não havia coroa mas sim um ramo de oliveira. ao chegar bem perto puai disse: -’’você parece com a pessoa que me apareceu em um sonho que tive há pouco’’. - “” sim , sou eu mesmo, disse alaâo. eu sou o deus de todas as crianças e quero construir aqui em cima desta montanha o meu reino . nele só entrarão meninos e meninas. todas as crianças do mundo morarão aqui onde poderão brincar o dia todo em meus bosques encantados. ‘’ o senhor tem muitos bosques encantados ?’’ perguntou puai. - ‘’ se tenho ? é só você segurar nas

minhas mãos e nós voaremos em todos eles. ‘’ assim fez .puai segurou as mãos e os dois começaram a voar . não voaram muito alto , para que o menino pudesse observar a beleza da floresta. era só selva virgem. as arvores muito grandes cheias de flores como na primavera. por baixo das arvores , a verde grama onde pastavam todos os animais do reino. e o que havia de mais interessante é que todos os animais viviam na mais perfeita amizade sem brigarem uns com os outros. em todo o recanto do bosque havia um lago sagrado onde todos os animais podiam banhar-se juntamente com todos os meninos que viessem morar ali . e o deus alaâo ia explicando : ‘’ aqui será o lugar onde construiremos o nosso reino, mas para isto, eu preciso de sua ajuda. você está disposto a ajudar? ‘’ - ‘’ claro que sim , respondeu prontamente puai. diga o que tenho que fazer e imediatamente farei “- ‘’ pois preste bem atenção ao que vou lhe dizer : - lá embaixo no outro lado da montanha existe uma cidade muito grande. nesta cidade tem muitos templo. e no templo principal está guardado o escorpião sagrado que pertenceu ao meu povo quando eu vivia na terra. ele foi roubado por aqueles habitantes que assaltaram a nossa cidade a muitos anos. è neste templo que você deve ir e retirar de lá o escorpião sagrado ao chegar ao templo você deve burlar a vigilância dos guardas e levá-lo para sua aldeia e depois traze-lo até a mim : no templo há uma passagem secreta que leva ao fundo do rio que corre ao lado da cidade. esta passagem está situada a quinze passos de onde se encontra o escorpião à direita. porém para abri-la você precisa de uma palavra mágica; guarde a bem : ‘’apetecapa ‘’. o escorpião é do tamanho de um lobo, em suas patas existem umas lentes que se forem colocadas uma de encontro da outra de tal maneira que a luz do sol passando por elas e venha de encontro a uma distancia de dois metros , toda pedra que for colocada no encontro dos raios refratados será transformada em ouro instantaneamente. ‘’ assim ia dizendo alaâo.’’ é com este ouro que construiremos aqui em cima desta montanha o reino que será a morada de todas as crianças do mundo. ‘’ puai ouvia atentamente as palavras ditas pelo alaâo sem perder nenhuma das explicações. assim que

ele terminou de falar o menino pediu que mostrasse o caminho de casa . e alaâo chamou um de seus melhores servos que era um dos gaviões para que levasse o menino para a sua tribo. assim que a ave apareceu puai montou em cima de seu dorso e esta voou até perto de uma arvore deixando lá o menino puai, o gavião retornou ao reino , ou melhor, ao bosque onde seria construído o reino dos meninos. em sua tribo todos já o procuravam há dias. não estavam muito preocupados, pois sabiam que qualquer menino seria capaz de vencer todas as dificuldades que por acaso lhes aparecessem. mas quando viram que ele já estava de volta, todos correram em sua direção procurando saber o que havia acontecido com ele. puai não contou a todos o que tinha lhe acontecido, mas só a alguns meninos de sua idade que eram seus melhores amigos. e assim foi dizendo puai, depois de contar-lhes toda história do deus alão ; ‘ é preciso que vocês me ajudem a retirar de lá daquela cidade o escorpião sagrado que eles roubaram da família de alaâo quando vivia na terra. - ‘’ - ‘’ pode contar com a nossa ajuda’’, responderam todos, ‘’ nós também não queremos mais viver aqui em companhia dos nossos pais, pois eles estão ficando guerreiros e só pensam em brigar com as outras tribos . aquela paz que existia aqui entre nós há muito que ela desapareceu’’. e assim fizeram. combinaram tudo e dai a uma lua partiram puai e seus companheiro para a tal cidade onde haveriam de retirar de lá o escorpião sagrado. a cidade era do outro lado da montanha. gastaram três dias para chegar até as bordas da cidade. a cidade não era muito grande como eles pensavam, mas era muito bonita, situada num vale onde corria um rio muito grande de águas cristalinas. do alto de um morro conseguiram descobrir o templo que guardava o escorpião. era aquele o maior de todos bem no centro da cidade. como retirar de lá o escorpião de vidro se o templo era vigiado noite e dia? cada um dos meninos deu sua opinião como deveriam agir. puai escutava-os atentamente e depois falou: - ‘’ será melhor ficarmos aqui do lado de fora da cidade e só entrarmos lá no dia da cerimonia. ‘’ escolheremos um para ir até a cidade e procurar,

disfarçadamente, saber o dia da cerimônia. assim que o escolhido partiu para a missão secreta, os outros meninos ficaram escondidos no meio da floresta se alimentando de frutas. na noite seguinte voltou o emissário trazendo a notícia de que a cerimônia seria daí a três dias. então puai combinou: - ‘’ eu entro no templo com três de vocês e nos misturamos no meio do povo. quando terminar a cerimônia nos escondemos no templo e, quando todos saírem, tiraremos o escorpião e fugiremos pela porta secreta. dois de vocês devem nos esperar com uma canoa em cima do rio mais ou menos perto daquela pedra onde vamos sair.’’ . e o resto dos outros meninos, que eram cinco ficariam bem embaixo do ponto de encontro do rio afim de que vigiassem caso alguém se aproximasse. e desta maneira tudo foi feito. no dia marcado para a cerimônia lá estava puai e os seus companheiros misturados no meio do povo vestidos de acordo com a moda do local para que ninguém desconfiasse. passaram uma tinta branca no rosto para que ficasse igualzinhos aos outros meninos. e lá já estavam nossos heróis dentro do templo observando tudo que era interessante. o templo de mármore verde bordado com fios de ouro e prata o altar principal, onde ficava guardado a figura sagrada, era também de ouro e pedras preciosas. no templo não tinha bancos para sentarem, pois todos sentavam no chão. era verdadeiramente grande a multidão que se aglomerava ali para ver a mais prodigiosa obra da natureza. puai e seus companheiros , como eram pequenos procuraram ficar diante de todo povo para melhor apreciar a cerimônia. na hora apareceram dois sacerdotes vestidos com roupas de seda bordada a ouro e prata. atraz deles vinham quatro meninos também vestidos da mesma forma, e cada um estava carregando uma pedra muito pesada que quase não agüentavam. quando os sacerdotes apareceram todo o povo curvou-se no chão colocando a cabeça na ponta dos pés. depois todos sentaram no chão com as pernas cruzadas. os sacerdotes caminhavam vagarosamente ao altar onde se encontrava guardado a mais valiosa obra de todos os tempos. foi aberto o altar com uma chave de ouro. pela primeira vez puai e seus companheiros viram aquilo que durante muitos anos pertenceu ao deus alaâo . realmente era uma obra de arte toda aquela peça de

vidro. era o formato de um escorpião medindo mais ou menos oitenta centímetros; em suas patas haviam as lentes.. eram oito lentes , uma em cada pata, nas pernas e em todo corpo havia rubis e pedras preciosas h que resplandecia a luz do sol , os sacerdotes com toda cerimônia carregaram o escorpião, colocando -o em cima de uma pedra de mármore branco que já se encontrava no lugar determinado para este fim, que já estava devidamente inclinada no lugar , onde , ao meio dia a luz do haveria de passar através de um buraco no teto do templo e bater justamente nas lentes e refratar mais além em cima as pedras e transformando-as assim em ouro maciço. enquanto os sacerdotes procediam a cerimônia o povo acompanhava com os olhos completamente perplexos diante aquele acontecimento. era interessante ver como eles trabalhavam bem devagarinho em todas as suas ações. as lentes foram colocadas umas superpostas às outras de tal maneira que quando a luz do sol batesse em uma passaria por todas as lentes. foi preciso inclinar um pouco a pedra para que melhor se adaptasse às condições de sol que dai a alguns momentos transformaria em oupedras. já se podia ver o sol que caminhava lentamente e o povo acompanhava com olhos na fixos naqueles movimentos. assim que a luz refratada bateu na primeira pedra esta se transformou imediatamente em ouro. o sacerdote a tirou e a mostrou ao povo. e este tomado como de um acesso de loucura, abaixava a cabeça até aos pés repetidas vezes saudando o grande escorpião . quando a última pedra foi transformada em ouro, todo o povo ficou em pé numa gritaria ululante como tomados do acesso demoníaco. enquanto estavam naquela confusão de acessos de loucura, puai e seus colegas procuraram esconder-se debaixo do altar. ficaram ali escondidos até que a ultima pessoa saísse do templo. já era bem tarde e começava a escurecer. puai verificou que não mais havia mais ninguém no templo, começaram a agir. puai seguiu até o altar onde se encontrava o escorpião . enquanto um dos colegas vigiava a porta, outro media os quinze passos à direita até encontrar a porta secreta. ali encontrou uma porta de pedra quase igual a parede era preciso muita observação do contrário passaria desapercebido. puai não agüentava carregar sozinho o escorpião . foi preciso pedir ajuda dos outros para que carregassem-no até a porta secreta. puai inclinou a cabeça no

chão e repetiu a palavra mágica :- apetecapa. imediatamente ouviu um barulho imenso dentro do templo com alguns tremores de terra que parecia até mesmo que desmoronaria, a porta foi abrindo devagarinho como que fosse mágica. além da porta havia um corredor escuro . um dos meninos correu ao altar pegou uma tocha de fogo que ficava ali a iluminar o altar e trouxe até o c corredor. assim que atravessaram a porta puai repetiu mesma palavra e a porta foi fechando devagarinho, com o mesmo estrondo que houve anteriormente. a primeira etapa do plano já havia sido vencida, restavam agora a parte mais difícil. caminharam uns quinhentos metros debaixo do túnel, que passava por baixo de quase toda a cidade. puai segurava de um lado enquanto que outro menino segurava da parte mais leve. à frente ia outro iluminando o caminho com a tocha de fogo. as paredes do túnel eram todas de pedras escuras e ali havia inscrições dos dias em que o deus alaâo viveu no mundo . os nossos heróis diante aquelas palavras enigmáticas, foram tomados de um poder estranho e iam lendo tudo o que estava escrito nas paredes. era uma descrição de toda a vida de alaâo quando se encontrava na terra . todos leram mentalmente sem que um soubesse que o outro estava lendo. este poder foi adquirido pelas emanações ectoplasmáticas impregnadas nas paredes deixada pelo deus alaão quando ainda vivia na terra e que estava impregnadas ali hà milhares e milhares de anos. . quando chegaram ao final do túnel, viram que a água ocupava dois degraus e se encontrava suja e em movimento. como haviam de levar aquele peso todo para cima? sim, porque dali até o nível era mais ou menos uns quinze metros. nadar com todo o peso nas costas era impossível senão qualquer um deles afundaria. e então como fazer? todos olharam para o rosto de nosso heroizinho como que esperando uma solução. puai , com aquele rosto moreno, cabelo liso na testa, apresentando uns doze anos mal feito, fisionomia calma , pensou e falou: - é preciso que um de nós mergulhe até a superfície, encontre com os nossos amigos e de um jeito de arrumar uma corda de cipó para que posamos amarrar a nossa presa e levá-la até a superfície. o menino que segurava a tocha na mão não perdeu tempo: entregou o

lume ao puai e mergulhou nas águas sujas do rio

e foi descendo os

últimos degraus até onde não mais sentia o pé no fundo do corredor. ao sentir -se puxado para o fundo do rio nadou com toda a força até à tona. o rio ali se encontrava bem fora da cidade não havendo , portanto , nenhum perigo para eles. seus amigos já se encontravam à espera com um barco. contou-lhes o que era preciso fazer e imediatamente um deles providenciou uma corda feita de cipó com vinte metros de comprimento. enquanto os dois seguravam a ponta da corda no barco o outro sumia sob as águas do rio deixando atrás de si apenas um rastro de espuma. ao voltar ao túnel lá estavam os dois companheiros sentados esperando-o. o escorpião foi amarrado com todo carinho para não quebrar. os três prenderam a respiração e foram descendo até chegar à boca do túnel . a escuridão era perfeita . eles se guiaram apenas pelo instinto de fazer todas as coisas sem erro. um subiu até o barco para avisar que podiam puxá-lo para cima e puai e outro menino nadou junto até chegar ao barco. quando os cinco meninos se reuniram no barco e puderam ver a luz das estrelas, respiraram profundamente por já terem cumprido grande parte da tarefa. já era bem tarde da noite . o céu estava todo coalhado de astros luminosos. a via láctea toda esbranquiçada manchava o espaço infinito. os meninos deliravam de felicidade ao saberem que em breve seria construído o reino dos meninos da terra. tudo seria mais fácil dagora em diante. alaão se transferiria para o mundo. todas as crianças de qualquer parte do mundo , iriam morar lá em cima no reino encantado. e assim os nossos heróis, descendo o rio, cantavam alegremente: - salve o deus alaão o deus dos meninos. salve o nosso reino. lá teremos muitos banhos de cascata e lagos. as suas águas são tão puras que parecem espelhos de prata. comeremos frutas das arvores e mel de abelha.- e assim cantaram a felicidade do futuro reino até o fim da viagem, quando as nuvens vermelhas do sol nascente anunciavam um novo dia.

ao chegarem na tribo todos já estavam preocupados com a demora de tantos dias dos meninos. todo povo começou a perguntar o que era aquilo todo cheio de pedras que brilhavam nos olhos dos meninos. então puai foi contando a longa história do encontro com o deus alaão no alto da montanha, a incumbência de ir buscar na cidade vizinha quilo que daria ao deus dos meninos a força de poder construir no alto daquela montanha o reino de todas as crianças do mundo. todo o povo de puai ficou entusiasmado com a história e quiseram experimentar transformar a primeira pedra que tinham a mão em ouro. quando viram a pedra ficar amarela como é o ouro, verdadeira cobiça apoderou daqueles homens . os pais de puai tomaram lhe o escorpião dizendo que iriam construir um reino mas era cá embaixo, para eles , e não para um deus bobo como aqueles em que ele acreditava. e os nossos heroizinhos foram expulsos da tribo. durante muitos dias vagaram pela floresta rumo à montanha . chegando lá em cima perto da mesma pedra onde foi visto pela primeira vez o alaão, todos dormiram um sono profundo de tão cansados que estavam. enquanto isto cá na aldeia o povo que era feliz e só vivia cuidando da felicidade modificou-se por complemente. ninguém mais trabalhava, só pensavam em transformar todas as coisas em ouro para trocá-las por roupas e bebidas . de tanto ouro que eles adquiriram apenas em quinze dias , a mentalidade do povo feliz já havia se transformado complemente. nisso os nossos heróis dormiram cinco dias seguido. quando acordaram lembraram de chamar o deus alaão: e todos a uma só voz começaram a dizer:- alaão , alaão? nós estamos aqui. venha que precisamos contar-lhe tudo. e nisso a mesma luz que houvera aparecido da primeira vez para puai começou a descer do céu era uma luz branca como a luz do sol e, ao ir tomando a forma humana, desceu junto à pedra. depois de contar toda a história, dizendo que no final de tudo seus pais os expulsaram de casa, alaão disse:- não tenha ódio em seus corações meus filhos. eles hão de pagar bem caro por terem violado uma coisa que não lhes pertencia. agora eu quero que vocês voltem à tribo e me tragam o escorpião até aqui. os meninos

desceram a tribo e deram um jeito de tirá-lo de lá e, com muito custo conseguiram levá-lo à montanha: ao chegarem à montanha o alaão apareceu e mandou que os meninos colocassem-no em um lugar do bosque até o dia seguinte. voltando os meninos para junto de seu deus, este começou a dizer:- os homens não compreenderam a maravilha do nosso reino e eles receberão o castigo que merecem. os nossos amigos pensaram que os seus pais iam receber um castigo muito grande , assim como por exemplo; morte ou coisa semelhante. mas nada disso, alaão não era tão mau assim. apenas ia tirar lhes todo o ouro e eles teriam que viver como era antes. e assim foi feito. a um sinal de alaão o escorpião chegou para perto dele e apontou na direção da aldeia. e alaão disse:- todo o ouro que se encontra naquela aldeia que se transforme imediatamente em pedra. e tudo que era ouro havia sido transformado novamente em pedra. todo o povo da aldeia de puai voltou a trabalhar como fazia antes. as brigas desapareceram, o ódio deixou de existir entre eles. a paz voltou a reinar no meio de todos porque não havia mais ouro. e voltando para os meninos disse: o reino que eu lhes disse que iria construir , será construído por cada um de vocês dentro do coração de cada um. enquanto existir uma criança sobre a face da terra , aí estará o meu reino, eu estarei presente. por favor meus amigos quando quiserem falar comigo não é mais preciso vir até o alto desta montanha, eu estarei brincando com vocês, onde estiverem. por menor que seja o brinquedo de uma criança eu estarei ali do lado dela amparando-a e orientado no caminho do bem. obedeçam sempre aos seus pais eles sabem tudo que há de bom para os seus filhos . e agora prestem atenção ao que eu vou fazer com este escorpião que transforma pedra em ouro . a um simples sinal de alaão o escorpião começou a subir em direção ao céu. subiu , subiu até sumir de vista e a gente só poder ver umas luzinhas saindo das patas do escorpião. e assim alaão disse aos meninos:- o escorpião ficará no céu. de lá ele nunca mais sairá. a partir de hoje g podem chamá-lo de ‘’’ constelação de escorpião’’’ porque as sua lentes brilhantes que transformavam pedra em ouro se transformaram em estrelas.

puai e os meninos , seus amigos, retornaram à tribo e foram recebidos entre abraços e carinhos. todos estavam completamente arrependidos do que havia feito e dali por diante viveram felizes para sempre. só puai e seus amigos ficaram sabendo de uma nova constelação que aparecera no céu e , de vez em quando, eles ficavam , namorando aquelas estrelas que passaram a ser suas melhores amigas. quando sebastião acabou de contar a história de alaâo os deuses dos meninos já era tarde da noite. a constelação de escorpião já ia bem longe, e apareciam no horizonte outras constelações. cada um dos meninos procurou acomodar em suas barracas. quem sabe,? para talvez sonhar com o deus alaâo e puai. sebastião enrolou em seu cobertor e deitou ao lado da fogueira perto do rex que ficara de guarda. era o fim do primeiro dia da excursão. o silêncio descera sobre o acampamento. somente a luz dos lampiões e o resto da fogueira ainda davam um sinal de vida. aos poucos a fogueira foi também morrendo e os lampiões apagaram por falta de azeite, e a mais densa treva desceu sobre a terra. só lá no firmamento , as luzes das estrelas . sebastião não pegou logo no sono ficou pensando sobre o que ainda haveria de realizar. até o dia que eles subiram à sua caverna encantada. os homens haveriam de compreender um dia que a felicidade depende, não das coisas valiosas mas sim da simplicidade da vida. a felicidade virá um dia para os homens, è só eles procurarem onde ela se encontra. aqueles setes meninos já dormiam e sonhavam com a felicidade. a madrugada chegara bem fria. o nevoeiro tomara conta de toda campina onde se achava o acampamento. não se conseguia ver nada a frente a uma distância de cinco metros, de tão denso era o nevoeiro . porém , a temperatura não estava muito baixa. o rex procurava enrolar o focinho para se proteger do frio. sebastião que já estava acordado percorreria as barracas que eram só duas, e procurou avivar a fogueira para esquentar do frio. dai a uma hora o sol começaria a despontar no horizonte. primeiro começou surgir uma mancha branca no oriente,

depois esta mancha foi mudando de cor para o vermelho, ate quando uma ponta do astro rei começou a surgir. sebastião chamou todos os meninos para ver o sol nascer. cada um levantou com o cobertor enrolado nas costas e sentou ao lado do fogo. porém todos calados apenas murmuravam de vez em quando. - ai que frio, mesmo assim diziam entre os dentes, que mal dava para compreender . pouco a pouco a névoa foi se dissipando. um clarão de luz já aparecia no céu longínquo. agora o nevoeiro já se afastara bem de onde se encontravam os nossos heróis. apenas gotas de orvalho nas folhas mostravam a sua presença. já se avistava a mata lá embaixo contornando com o pasto. as montanhas da nossa esquerda já eram banhadas pela luz do sol. enquanto que no vale apenas o reflexo daquilo que haveriam de descer tão logo, e o astro rei , subisse um pouco na órbita celeste. todos os meninos que haviam levantado para esquentar ao fogo, já estavam ali dormindo, deitado de qualquer maneira no chão. rex aproveitava para dormir entre dois deles, só assim esquentaria o seu focinho. sebastião fitou o infinito e caminhou um pouco até onde passava o riacho, contemplando o céu e a natureza. a cobra cascavel o silêncio era terrível, nem mesmo os grilos, nem os insetos vinham espantar aquele vácuo que descia sobre o vale. apenas o cérebro de sebastião funcionara no meio daquele turbilhão de seres que, embora vivos, ainda dormiam o sono da inocência. sebastião contemplou toda a paisagem. a sua frente era o pasto que sumia de vista fazendo curvas e mais curvas através dos morros. havia uma cerca de arame que dividia o pasto com a floresta que era imensa e , em cima das folhas verdes observava as folhas brancas de embaúba. atras era a montanha de monlevade, jazida de ferro a espera de ser extraída da natureza. e tudo aquilo estava deserto de população. era preciso muitos anos para ensinar o nosso povo a usar aquela terra imensa;- estava muito longe ainda o dia em que haveríamos de conhecer toda a verdade à cerca do nosso passado- murmurava sebastião; - o passado e o futuro nos acompanham como um fantasma. o que poderemos fazer para que as mentes se despertem? todos esse meninos que ainda dormem o sono da inocência, como será o futuro deles. qual será a ilusão com que eles sonham? todos os dias nos vemos diante dos nossos olhos , tantos meninos enfileirados .

vindo de todos os recanto da pátria a vagar pela estrada do ideal. mas o dia em que nós adultos, mostrarmos ser seus amigos, e marcharemos com à sua frente, mostrando a doçura da fraternidade humana, veremos também que com apenas um pouco de boa vontade e otimismo poderemos endireitar o mundo em pouco tempo. até mesmo antes de chegarmos ao século 21. è só termos boa vontade e compreensão para com o próximo uma palavra para com o desconhecido. um sorriso para as crianças das estradas. quantas pessoas morrem ao abandono, só por não ter uma voz amiga que respondesse ao seu sussurro. quantas pessoas vêem em nossas portas oferecer mercadorias para comprarmos e, todavia, ninguém é capaz de chegar em nossa casa e dizer: - vamos conversar um pouco amigo? a cobra cascavel assim pensava sebastião, sentado à beira do riacho que cortava incessantemente a planície. no fundo do rio já resplandecia nas pedras de cristal a luz do sol. no acampamento os meninos já brincavam e o alarido era grande. agora já estavam todos alegres sorridentes, enquanto rufino e outros preparavam o café da manhã. assim é a comida daqueles que se dispõem à vida rude do acampamento;- café de rapadura, carne seca com farinha, ou torresmo com farinha. após o repasto do estômago, todos guardaram o material dentro das mochilas e guardaram-nas dentro das barracas . combinaram entre eles que não sairiam naquele dia, só no outro dia de madrugada é que levantariam acampamento. naquele dia faríamos observação pelos arredores. estudariam a topografia do terreno, a vegetação a fauna e as habitações caso tivesse. seriam divididos em grupos de três elementos, e três deles ficariam fazendo o almoço, que por sua vez seria substituído por outro grupo no outro dia. sebastião saiu com um grupo de três meninos para o mato onde iam caçar comida para aquele dia, e também aprenderiam com sebastião um meio de sobrevivência na selva. isto aprenderiam a conhecer o que poderiam comer em caso de necessidade. assim com frutos animais. eram oito horas, o sol já queimava a nossa pele e mostrava que naquele dia ia ser mais quente apesar da cerração que caíra durante a noite. com sebastião a frente,

seguindo por um caminho feito pelo pés dos homens e dos animais , os meninos seguiram atentos. a frente, a mata misteriosa com todos os seus desafios , diante de uns quinhentos metros. a medida que iam andando para a frente, o acampamento ia ficando para traz, e só se via a sua fumaça que também ia sumindo. o florisvaldo sempre olhava para traz para ver o que restava do acampamento. de repente na floresta uma coisa misteriosa no espirito de todos. era a diferença de temperatura, e a diminuição da luz solar que provocava aquela sensação de calafrio pelo corpo que provocava uma modificação no espirito de cada um. os meninos estavam bastante alegres, cantavam e assobiavam quando então sebastião gritou:- cuidado! uma cobra cascavel. todos correram para traz e sebastião com um pedaço de pau estava à espera da cobra que estava em rodilha. balançando o seu chocalho. e sebastião aproveitava a ocasião para explicar: - a cascavel é uma cobra muito mansa. porém sua mordida é super venenosa que é morte certa. os meninos viram pela primeira vez uma cascavel. e sebastião dizia que é uma tradição matar toda a cobra que aparece pela frente , e com uma só paulada esmagou a cabeça da cobra. os meninos ficaram estarrecidos quando a cobra ficou se remexendo depois de morta e sebastião dizia que era devido ao veneno que a mesma contem a isto se chama animal peçonhento, o rufino disse que na terra dele havia muita cascavel e que ele mesmo já tirou muito couro deste tipo de cobra. e imediatamente pegou o canivete e começou a tirar o couro. os outros vendo ele fazer isto tomaram coragem e ajudaram a tirar o couro. até que era um quadro interessante quatro pessoas tirando o couro de um animal tão pequeno. uns seguravam na cauda onde tem o chocalho , outro cortava a cabeça colocando-a em um buraco para que ninguém se envenenasse nos dentes na mesma. rufino tinha um jeito muito especial para tirar couro de cobra que em 15 minutos já tinha extraído o mesmo: agora , dizia ele , é só deixar no sol para secar e levá lo como troféu assim que retornasse para casa:- aquele quadro serviu de advertência para todos, dizia sebastião, a natureza é implacável com todos. não perdoa os incautos que brincam com seus

segredos, nada absolutamente nada será perdoada àqueles que diante da natureza queira desobedecer as suas leis. durante a caçada , andaram muito e não trouxeram nada, a não ser um punhado de carrapato. chegando ao acampamento fizeram um, fogo de labareda bem grande para matar os carrapatos da roupa. os outros meninos que não tinham saído do acampamento, não quiseram sair por causa dos carrapatos que os colegas pegaram de manhã cedo. a tarde colheram algumas ervas silvestres como. barbaço, ‘’ mãe boa’’ e fizeram um banho de ervas para retirar o veneno dos carrapatos . dentro de um cercado de lona , para se proteger da corrente de vento iam passando sabão de dicuada , “sabão feito em casa,” e depois colocava por cima do corpo o banho com folhas de ervas. felizmente todos pararam de se coçar depois do banho e sebastião dizia que esta tinha sido a primeira prova para aqueles queriam visitar a caverna , depois do jantar acenderam uma fogueira bem alta e sentaram ao redor: porém não tinha o mesmo entusiasmo da noite anterior , mesmo assim não deixaram de conversar sobre os acontecimentos do dia. cada um tomando chá feito com folhas de ‘’ chapéu de couro’’ adoçado com mel de abelhas , que era melhor do que café : ali sentados ao redor da fogueira estavam os quinze meninos que um dia , subira à montanha a procura de uma caverna e ouviram sebastião dizer: -’’ assim ou pior do que isto será o grande dia em que subiremos à caverna, nós devemos conhecer quase de tudo antes de começarmos a grande caminhada. devemos aprender de tudo: matar cobra , fazer comida, costurar roupa, dar banho no companheiro mordido por carrapato’’ quando sebastião falou em mordida de carrapato foi motivo de riso para todos, principalmente o viking que mais sofreu com o carrapato. foi preciso ficar nu e os companheiros tirando os carrapatos do corpo. também pudera longe da civilização não era motivo de vergonha ficar nu. aquela risada de todos fez com que sono despertasse um pouco, sono este que quase se aproximava sim ! falou o elmo, até que o viking estava muito engraçado correndo

sem roupa pelo campo afora; parecia até um indiozinho. nesta hora o viking ficou corado de vergonha , achando ruim da brincadeira:- olha só, já começaram a fazer zombaria comigo, somente porque eu sou pequeno. mas vocês vão ver . eu vou crescer , e ficar grande, e assim subirei lá nas montanhas mais altas do mundo, subirei muitas vezes. :- mesmo pequeno assim como era o viking, um menino de sete anos, qual ainda nem estava freqüentando a escola primaria, iria também subir a montanha à procura da caverna encantada. ele, como os seus companheiros, meninos como eram, subiram , um dia, o maior monte sagrado do mundo , no qual encontrariam o que de mais misterioso existe. os meninos que habitarem o mundo no ano de 3000, também procurarão a sua caverna encantada, onde verão o seu mundo encantado. alo meninos do brasil do ano de 2500 ou 3000 ? como está o mundo neste ano? já encartaram a caverna encantada falada por mim há muitos anos? se ainda não encontraram, é preciso procurá-la, vejam ela está além daquela serra que vocês vêem todos os dias antes do nascer do sol. corra até lá e vocês a encontrarão. assim ia sebastião pensando, e continuava:- hoje milhares de anos que existe a civilização, e nós estamos aqui no acampamento onde aprendemos como devem fazer para procurar a caverna. . os homens acham que conquistando o espaço terão encontrado o caminho alternativo para sobrevivência da espécie humana: puro engano. o verdadeiro caminho esta na direção oposta do espaço. é preciso descer antes de subir. em toda subida precede uma descida; ai então sim, a subida será triunfal e gloriosa. sim, meninos de todos as épocas procurem um lugar encantado onde possam morar ou brincar sem que os adultos venham importunar-lhes os seus sonhos de fantasia. :- o pior de tudo, continuava pensando sebastião, é que eles nunca encontrarão o reino encantado neste mundo de terceira dimensão, ou melhor, para eles encontrarem aquilo que buscam, terão que procurar a vida inteira, desde pequena, pela juventude, pela vida afora, sempre procurando através dos montes, atras das flores. junto das cachoeiras, nas florestas escuras e sombrias, no himalaia, nas profundezas do oceano, em cima das arvores dentro dos ninhos dos passarinhos,

nos dias de chuvas , nas noite de lua clara, enfim teria o homem que procura-lo por todos os recantos da terra. também , por que não dizer dentro de si mesmo, na palavra amiga, na felicidade e em tudo aquilo que representasse o amor?? o dia em que todos os homens da terra procurassem a felicidade onde ela realmente se encontra, o mundo tornaria um paraíso. mas enquanto não a encontramos. teremos que procura-lo sempre. será, talvez esta, a única maneira que nos conduzira realmente a felicidade . a palestra continuava animada no acampamento,aquele riso fez com que todo mundo ficasse alegre e logo deu vontade de cantar. e àquela hora da noite já cantavam e dançavam a ‘’ dança do touro’’ a dança do touro é uma dança africana na qual todos dançam em pé , formando um grande círculo tendo no centro um elemento um pouco maior , que com uma lança vai imitando a captura de um leão, gesticulando como se a fera estivesse escondida na sua toca, e ao mesmo tempo cantando em língua africana: en goiamá, en goiamá, envô bô, e os que fazem parte do círculo, vão andando a passos lentos, ora virando à direita e ora à esquerda e vão respondendo: abo, yabo envo bo. os meninos se vestiam para esta dança de capim nas pernas, na cintura e na cabeça. e assim iam os garotos cantando até já quase 11 horas da noite, quando caíram sentados já cansados de tanto dançar. enquanto as estrelas cada vez mais brilhavam no céu, mais a fogueira ardia no acampamento naquele sertão deserto . e mais a nossa alegria se expandia no recôndito íntimo do nosso ser. era interessante ver como todos aqueles meninos se manifestavam da maneira mais estranha que pudesse parecer aos nosso olhos. cada um procurava dançar a seu modo como muito bem quisesse. pois eles muito bem sabiam que ninguém se incomodaria da sua atitude. uns dançavam caindo com as duas mãos no chão como um ritual diabólico. outros colocavam a mão no chão e suspendiam os pés para cima como que ‘’ plantando bananeira’ e caminhavam com as mãos no chão . é tudo isto fazendo um alarido tremendo com os cantos que iam cantando abo yabo en vo bo. quantos dos que ali estavam não procuravam libertar-se de todo recalque que os inibiam, fazendo com que cada um se manifestasse a sua própria alma?? aquilo que é de ruim e está em nosso coração deve sair para melhorar o nosso ser. aquele que

tem só a maldade dentro de si, deve parar um pouco e refletir que tudo isto , mais tarde ou mais cedo, só serviria para infernizar-lhe a vida. e então será tarde demais para queixar-se. enquanto que aqueles possuidores de bondade no coração deverão refletir a sua bondade através dos olhos para fazer a felicidade dos homens. todas as criaturas do mundo devia ser assim:- procurar estirpar o que haveria de ruim e inibido no íntimo do seu ser , nas profundezas do seu espírito não haveria mais mentiras, nem deprimidos, obsessivos compulsivos e o mundo seria mais feliz. mas como não fomos nós que fizemos o mundo. e nem tão pouco seremos nós que vamos consertar, o melhor é nós fazermos a nossa parte para contribuir à felicidade da humanidade ‘’ consertando ‘’ a nós mesmo. assim ia pensando sebastião enquanto que os meninos iam parando de cantar e dançar esperando que seu melhor amigo fosse contar a história daquela noite. fazendo de conta que não estava sabendo o que queriam, perguntou-lhes de uma maneira que não soubesse da resposta positiva: - ‘’ vocês querem que eu conte hoje uma outra historia para vocês’’?? e a resposta foi dita que se como ele já esperava. a montanha da china sebastião até aquele momento não tinha pensado em nenhuma história , nem sabia qual ele deveria narrar àquela noite , e começou a olhar para as estrelas como que procurando lembrar de algumas ou fazendo preambulo como era sempre o seu natural. num segundo o seu pensamento foi no infinito e voltou: a bem da verdade é que a sua cabeça estava complemente vazia, mas havia uma coisa mais misteriosa. à frente - ‘’ não podia deixar aqueles meninos desiludidos de algo que eles tanto gostavam. depois de passar a mão na testa e dar um suspiro bem fundo , começou a dizer: a montanha da china existiu , há muitos anos passados, lá na velha china uma família de camponês que tinha muitos filhos. o chefe da família chamava-se cho-chi-min. e sua bela esposa lin tin sin- residiam ao sopé de uma montanha das tantas que existem naquele país cho chi min com seus doze filho passavam o dia inteiro na lavragem do campo

para o plantio do arroz, muito cultivado naquela região. o trabalhai era feito desde a hora que o sol se punha do lado de fora até quando os pássaros procuravam os seus ninhos ao cair da tarde. viviam muito felizes pois a terra era generosa e seus frutos matavam a fome de qualquer ente humano que por ali passasse todos os dias após o término do trabalho, reuniam todos ao redor da fogueira e iam cantando cantando a história da formação do mundo. todos as vezes que se realizava as festas das lanternas , lin tin sin contava a seus filhos a história da moça que pedia que seu pai trouxesse para ela um pedaço de pedra da antiga muralha da china. estranho pedido daquela moça. que faria ela com um pedaço de pedra? e a tragédia sucedida com o pai de outra moça ao chegar perto da muralha se transformara em pássaro. era outra história da moça que também pediu ao seu pai um pedaço de pedra da muralha tudo aquilo fascinava os seus filhos e filhas como se fosse uma coisa misteriosa a atrair todo mundo. o pai sempre dizia a seus filhos que um dia ele desmancharia a montanha da sua região para poder melhor comunicar-se com os outros povos que habitavam o outro lado. durante um dia do mês ele e seus filhos se dedicava a subir a montanha, onde com uma pá picareta e enxada, começava, a cavar o morro, só voltando dali quando o sol já tinha entrado e desciam o caminho já na escuridão sem ter medo de coisa alguma que aparecesse. todos os seus vizinhos diziam que ele estava doido em querer fazer uma coisa que até hoje ninguém tinha tentado. mas cho chi min não desanimava, e , sempre partia com seus filhos para cumprir a missão de desmanchar a montanha. certa vez , quando os nosso heróis estavam cavando a montanha, que um dia daria passagem aos povos dos dois lados apareceu-lhes uma pessoa esquisita, estranha com aspecto de gente de outras terras, e quando viu que estavam cavando o morro perguntou qual era o objetivo de tal ação. ao que lhe foi respondido - ‘’ ah senhor , isto é uma história muito grande, seria preciso explicar-lhe a vida inteira para o sr entender: ao que o visitante respondeu:- ‘’ pode começar a explicar pois eu não tenho pressa’’ ‘’ tenho a vida inteira para isto’’ cho chi min sim , tinha falado assim só para ver se o homem fosse embora e e

deixasse ele trabalhar em paz. mas como viu que o homem não foi embora , yo chi min e seus filhos sentaram no chão , o visitante também sentou enquanto escutava as palavras doces do camponês que ia descrevendo as maravilhas que um dia o povo do outro lado da montanha, pudesse transitar livremente sem ter que subir e descer, com a retirada com a retirada do mesmo. ele falava como se aquilo fosse um sonho e que um dia tudo seria realizado. como nas festas das lanternas. os seus filhos também acreditavam fielmente no que seu pai dizia. realmente era assombroso desviar aquela montanha do caminho de dois povos , o bom moço ouviu toda a história e quando lembrou de descer a serra, já era bem tarde da noite. porém antes de despedir um do outro falou o visitante:- ‘’ esta idéia é muito boa, porém, talvez nem daqui a mil anos com todos os habitantes da china, trabalhando noite e dia, conseguirão fazer este trabalho, yo chi min respondeu - “ não importa, trabalharemos o tempo inteiro durante toda nossa vida e um dia veremos nosso trabalho realizado. yo chi min, não sabia que aquele homem era uma espécie de lendária que habitava há muitos anos nas grandes montanhas da china. e o moço disse :- ‘ ’eu sou o rei das montanhas deste país ‘’ ao ouvir isto yo e seus filhos ficaram atônitos e sem dizer nada, como que paralisado. vivo escondido no meio de todas as serras que vocês vêem na china. eu me chamo meu nome não pode ser pronunciado e tenho o poder de fazer este trabalho num abrir e fechar de olhos . ao ouvir aquilo o camponês e seus filhos ficaram muito contentes pois agora o seu sonho podia tornar-se realidade sem que ele dormisse para sonhos. “” se quiserem posso fazer isto em um dia marcado para vocês’’’’ . falou o bom moço. a única coisa que eu exijo é o segredo: que ninguém saiba como isto aconteceu. o bom moço despediu de todos eles e imediatamente desapareceu entre as folhas do mato. naquela noite quando o camponês reuniu-se diante do fogo , como de costume contou para sua esposa e os outros filhos o acontecido daquela tarde . todos ficaram contente, pois enfim seria realizado o sonho e dentro de um sonho de verdade. naquela noite ficaram

conversando até mais tarde. quando foram dormir só pensavam no dia seguinte em encontrar o rei das montanhas transportar o monte pare bem longe dali, talvez jogá-lo no mar. naquela noite todos da casa sonharam. e por mais interessante é que sonharam todos a mesma coisa. e com que sonharam, sonharam com o rei das montanhas que estavam em toda a família de yo chi min à margem do rio yang -tse e do outro se encontrava o rei das montanhas todos caíram com a cabeça no chão ao vê-lo na outra margem. já começava a clarear o dia, porém as primeiras luzes do sol ainda não tinham aparecido. assim que o sol aparecesse no horizonte,... transportaria o monte para o meio do mar. todos esperavam com ansiedade o grande momento. toda hora os seus filho menores olhavam para traz vendo se o astro rei já aparecia. era uma ansiedade tremenda. parecia até que naquele dia não teríamos sol. aqueles poucos segundos passaram passou-se como se fosse uma eternidade. cada vez mais o clarão do dia aumentava estava quase na hora da grande revelação. de repente uma luz muito clara e muito intensa caiu sobre todos os presentes. era a força poderosa... que ia manifestar . durante poucos segundos ninguém conseguiu ver nada porque a luz impedia,... que estava ajoelhado diante da montanha fez um sinal e aos poucos toda a montanha foi se levantando devagarinho, depois tomou a direção do mar, onde ninguém mais a viu. nisso cho chi min e toda a sua família abriram os olhos e não mais viram diante deles o rei das montanhas, assim também não mais viram diante de si a grande montanha que eles teriam tanto trabalho para desmanchar, no seu lugar já se podia ver perfeitamente do outro lado. ali transformou como se fosse uma planície muito grande. todos encheram de contentamento pois a idéia de yo chi min de unir duas aldeias tinha sido realizada como um sonho de fada. agora era preciso todos ir avisando todo muno que a passagem já estava aberta e tornava-se mais do que nunca vivermos bem unidos para construir uma pátria melhor. assim fizeram. todo o povo da china ficou sabendo da passagem aberta para montanha onde se encontravam cho chi min e sua família. ali onde a planície apareceu, fizeram uma imensa plantação de arroz, arroz este que nascia na metade do tempo que era preciso em outras épocas no pé da montanha. também para aquele lugar começou a parecer uma porção de gente de todos os lugares da china.

cho chi min e seus filhos nunca disseram a ninguém segundo a promessa feita ao........ rei das montanhas. quando todos acordaram contaram com o que haviam sonhado ; e como tinham sonhado a mesma coisa, desconfiaram de que tinha sido verdade aquele sonho. então sairiam todos correndo para ver onde se encontrava a montanha. e chegando lá não mais virão, e no seu lugar , e no seu lugar apenas se encontrava uma planície muito grande. o ... havia cumprido o que prometera, tirara a serra do lugar e deixou apenas a planície. • agora, falou cho chi min, é preciso fazer como apareceu no nosso sonho,. avisaremos todo o povo da china sabre a passagem aberta. depois, então plantaremos arroz em toda a planície. a partir daquele dia passaram a vir camponeses de todos os recantos do país para ver a grande passagem aberta no lugar da montanha. todos vinham trabalhar ali na planície sagrada como já diziam o povo. durante muitos anos plantaram aquela planície de arroz e de trigo. todo o povo da china vivia nos tempos passados. toda época das festas das lanternas eles dançavam e cantavam agradecendo aos deuses por feito àquela bondade para eles. mas, junto à felicidade também apareceu a preguiça o ódio a inveja entre eles e tudo de ruim que pode impedir o homem de progredir na vida. não mais respeitavam às leis dos pais. muitos não mais queriam trabalhar e só viviam jogando e roubando dos outros . como aquela região progrediu muito também atraiu grandes mercadores que viviam só do comércio. o povo que era feliz antes por ter que lutar com mais força para sustentar a família, viu agora que a riqueza não trazia felicidade para ninguém. a nostalgia e o tédio ia tomando conta de todo mundo. não mais se trabalhavam. trabalhar para que? se tudo que plantamos nasce tão bem , que só temos o trabalho de colher? assim já estava o povo nesta situação. cho chi min que já se encontrava bem velho e seus filhos todos crescidos viu que tudo aquilo tinha sido prejudicial para o povo., pois, não tendo que lutar para ganhar a vida, também perdeu entre eles o amor e a coragem. era preciso fazer alguma coisa para que aquela situação não mais continuasse.

cho chi min ficava o tempo todo pensando o que deveria fazer para acabar com aquela situação um dia sonhou novamente com o rei das montanhas e este lhe disse que estava muito triste pois o povo não era mais aquele povo que antes trabalhava para ganhar a vida, agora só vivia na orgia e se esqueciam das coisas sagradas sempre aconselhadas pelos deuses. estou muito triste com o que o povo disse..... então cho chi min perguntou se podia fazer alguma coisa para fazer o povo voltar como era dante. sim : poder pode, mas é preciso fazer muita coisa, antes disso ele acordou , e imediatamente chamou o seu filho mais velho e contou-lhe do acontecido. vamos imediatamente procurar o.... e falaremos com ele. assim fizeram no dia seguinte sairiam à procura. e no alto de uma outra grande montanha pediu ao rei que aparecesse pois havia grande necessidade de falar com ele. inesperadamente apareceu por dentre as moitas de capim bem atras dos dois que o procurava .: vocês estão me procurando? perguntou... aos dois que ainda não o tinham visto. quando ouviram a voz levaram um susto e viraram para ver quem falava. ah sim , nós o procuramos para...- não é preciso dizer eu já sei de tudo. fui eu que estive no sonho com você ontem a noite. cho cho min contou que estava muito triste e queria se fosse possível fazer novamente a montanha voltar novamente para o mesmo lugar: claro que sim respondeu... é o que eu vou fazer no dia de amanhã. desçam para aldeia e não digam nada para ninguém. no dia seguinte bem de manhã, apareceu no céu um aviso muito grande que dizia assim “ atenção , atenção todo o povo da china venham todos e v vejam o que vai aparecer hoje no mar saiam todos de casa e venham até a praia’’. todo mundo correu até a praia e viu uma ponta de serra aparecendo como se fosse uma ilha aos poucos foi crescendo até ficar tão grande como a montanha que dividia as duas aldeias e . sairá há tantos anos passados . ela foi subindo até sumir no infinito, depois desceu e ficou no mesmo lugar onde havia ficado e o tempo voltou ao passado como e nada tivesse acontecido, apenas yo chi min e seus filhos sabiam o que tinha acontecido. todos eles voltaram a serem pequenos como eram dante -s. tudo para eles tinha passado como um pesadelo. a região voltou ao que era entes, yo chi min com seus filhos pequenos voltaram novamente a trabalhar na roça, cultivando o campo e a tarde voltavam novamente para cortar a montanha onde um dia devia dar passagem entre os dois povos.

mas desta vez eles não aceitariam mais nenhum milagre queriam fazer tudo com seu esforço. assim passaram muitos anos, yo chi min morreu e seus filhos já crescidos continuavam a cortar a montanha. passaram centenas e centenas de anos todo o povo daquela região viveu feliz porque estava trabalhando para que um dia fossem muito felizes. e até hoje não terminaram de cortar a montanha. e o povo da china vive feliz até hoje, por que ainda não conseguiram abrir a passagem . mas o dia que conseguirem serão felizes pois fizeram com o próprio esforço. depois de contar aquela história sebastião disse para os meninos que cada dia que êles passassem em um acampamento era mais uma lembrança que teria em toda sua vida. naquele momento os meninos já estavam tão cansado de cantar e de dançar e, agora, depois de ouvir aquela linda história do sebastião, só pensava em deitar e dormir de tão cansado que estavam. nem sequer comentaram coisa alguma a mais e foram cada um deitar em suas barracas. sebastião,por sua vez, ficou acordado ao redor da fogueira. naquela noite ele não foi repousar na sua barraca. ficou sentado apreciando as estrelas que lá ia andando no céu. ele ficava várias horas namorando as estrela como que ouvindo alguma coisa que parecia que elas queriam lhe dizer.e sebastião cismava: “será que eu acredito nas histórias que conto para os meninos?” como foi que esta história veio surgir de mim se eu nunca me lembro de sabe-la antes?quando quase tods as constelações conhecidas já tinham desaparecido do céu,sebastião caiu por fim vencido pelo sono e dormiu mesmo ali à beira da fogueira que já tinha se extinguido.e, no sono, sonhou que estava em itabira juntamente com um velho amigo que não via hà muito tempo..e passaram a visitar os pontos principais da cidade e era natural que servisse de cicerone para o amigo. como o amigo também era professor de história em outra cidade, ficou muito amigo dos meninos a ponto de o pai do lobato mandou que o seu motorista levasse os dois para visitar a cidade. só que sebastião não gostava de andar de carro. então às vezes, mandava o carro embora para buscar só na hora de ir para casa quando ele então solicitava de novo o carro.

naquele dia sebastião ele não quiz esperar o carro que os levariam para casa. resolveu descer mesmo a pé a rua santana, uma das ruas mais velhas de itabira com suas casas relambrando o tempo coloniall, onde houve um passado de glória. os dois desciam lentamente a ladeira sempre conversando sobre os mais variados assunttos. sebastião, muito solicito, ia mostrando ao amigo as novidades que iam aparecendo. uma casa antiga com seus portais góticos, outra casa de moradia com as portas grandes e forte as que mais pareciam igrejas. a metade da rua ainda é calçada com pedras de minério de ferro. quando passaram em frente ao colégio das írmãs´como era assim chamado. sebastião disse:-este é o colégio da irmandade de n.s.das dores. esta irmandade chegou a itabira a cerca de cem anos. desde então tem progredido muito e é um internato só para moças. veja todos estes prédios, foram construidos por elas.os dois fora,m conversando até subir o morro da prefeitura onde avistaram um chafariz de ferro maciço antigo encostado na parede de fora e em desuso hà muito tempo.aquela peça histórica tinha sido fundido em itabira hà muitos anos e servia ao povo da rua santana onde quase todas as pessoas apanhavam água em lata de querosene para usar em suas casas.hoje esta peça se encontra no mais completo abandono e na solidão servindo apenas de pouso para os passarinhos que lá tranzitam. quando sebastião já se encontrava mais ou menos na parte dos fundos do prédio da prefeitura,treis meninos. sendo que um deles estava sentado e vertia lágrimas dos olhos,enquanto que os outros dois tentavam consolá-lo indagando a causa do choro.as lágrimas que rolava da da face desciam até cair nas pernas e umedeciam a terra. em sua mão o menino segurava um embrulho.sebastião, ao comtemplar um quadro como aquele,lembrou da sua infância longínqua e tristonha,quando ele chorava à margem de um rio tranquilo procurando uma nova vida que o coração dizia existir. mas para ele era só sombra, fome e miséria. ninguém absolutamente ninguém voltava os olhos para aquela criança que chorava. naquela época sebastião sonhava com um mundo melhor. e hoje passado tantos anos o problema continua insoluvel. ou talvez até aumentando como uma bola de neve porque chora este menino?qual a força profunda que faz com que as pessoas choram?estas e outras interrogações passava pela sua cabeça. se fosse preciso destruir o mundo para que esta criança não chorasse, eu o destruiria.todos nós nascemos para sermos felizes, mas se assim não pode ser é preciso destruir esta

estrutura do homem. tirar esta pedra bruta , lascada que vive dentro de nós desmanchar algo de velho e errado que carregamos na nossa genética. um mundo novo onde não haja sombra de dúvidas para os pequeninos. então construiremos dentro de nós mundo novo, uma nova patria. o verdadeiro objetivo de sebastião não era fazer nenhuma revolução como muitos pensavam, antes pelo contrário, sua intenção era justamente colocar todos os meninos no caminho do bem, da salvação da alma e do espírito. pois o espírito ainda está acima da matéria. todavia o tom misterioso que ele apresentava em suas prática, fazia parte das manifestações remotas enraizadas em seu espírito desde a sua infância. -:-” levarei centenas deles até o vale do paraíba,onde , então ,retiraremos do fundo do rio a imagem de n.s.aparecida que ali dorme a espera dos seus filhos. antes porém é preciso pensar no meio de subsistência de toda esta gente durante a viagem.é preciso também ensinar a todos a ficar no silêncio e na solidão. quando eu me refiro silêncio e solidão não é ficar sem falar com ninguém. não. não é isto. aconselhamos as pessoas a não se identificar com os acontecimentos em torno de si. assim esta não identificação com as manifestações de outros pensamentos, isto sim , é o verdadeiro silêncio.a meditação pode até curar doença do corpo físico, como coração cérebro, pulmão e intestino.enfim todo corpo somático se beneficia com as delícias do silêncio.o recanto sombrio do bosque, o ar puro da montanha faz com que recuperemos o desequilíbrio do nosso corpo físico.o apreciar do nascer do sol traz um bálsamo para o nosso seio infelizmente o homem moderno esqueceu completamente do benfazejo de uma tarde de primavera debaixo dosa eucalíptos. o dia que o homem parar um pouco para pensar e dedicar um pouco para pensar no seu mundo interior, ele terá a paz tão procurada e nunca encontrada porque ele só a ´procura onde ela nao se encontra. quando eu digo, mãe natureza, não é preciso ser eremita no alto da montanha ou comer tâmaras no deserto não! não é preciso tudo isto. a vida moderna impede que o homem seja simples. mas ele pode fazer um esforço interno para ser o mais simples possivel.basta apreciar, mesmo de demtro da sua casa um céu estrelado..ou um dia de sol quente com um céu sem nuvens quem não pode sair de casa apreciando a natureza, que aprecie uma rosa do seu jardim. o importante é a paz do homem sobre a terra. è ele saber enfrentar todos os problemas que surge pela frente antes de tudo, problemas interno que devem ser resolvido internamente. ao

deitarmos à noite façamos uma reflexão sobre tudo que aconteceu com a gente durante o dia . e logo ao levantar tenhamos força para fazer com que tudo corra bem durante o dia. as eternas creaçãoes da alma e do espírito so são posiveis no silêncio e na solidão. o barulho é a ordem da turba que acompanha os desorientados em direção ao abismo. o silêncio é a voz mansa que dirige os homens. os loucos, os depravados os sexuais, e os malvados, foram vítimas da algazarra e do barulho. o silêncio e a solidão e todas as outras virtudes do homem são as alavancas que movem as montanhas do espírito. sebastião acordou assustado com aquele sonho esquisito que ele teve mas depois se acalmou. as estrela já iam todas sumindo no céu, dando lugar as luzes vermelhas do sol nascente. começava se mais um dia de atividade de acampamento. naquele dia os meninos desenvolveram as suas atividades interrompidas , a toda hora, por um banho no riacho que corria logo ali perto. depois da última refeição prepararam para mais uma noite de sonhos com as história de sebastião ao naqueles meses seguintes o sebastião teve que se ausentar da cidade de itabira, a fim de refazer as forças, energia que havia gastado. antes de sair, porém ., sebastião falou com todos os meninos que deveriam continuar se reunindo de 15 em 15 dias procurando discutir entre todos os meninos os ensinamentos recebidos quando se estavam no interior da semente de jatobá. deveriam também passar estes ensinamentos para seus pais e levá-los a refletir sobretudo o que foi ensinado fariam tudo sem a presença do guia que estaria longe com outros afazeres.