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SENADO FEDERAL

SF - 201
SECRETARIA-GERAL DA MESA
SECRETARIA DE REGISTRO E REDAÇÃO PARLAMENTAR
03/02/2015
O SR. ALOYSIO NUNES FERREIRA (PSDB - SP.) – Sr. Presidente,
Srªs Senadoras, Srs. Senadores, começo o discurso já inibido, talvez pela
advertência do nosso Presidente, de que devo me ater aos 10 minutos, mas vou
procurar me ater ao tempo....
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. PT - RS) – Mas V. Exª sabe que eu
serei tolerante se V. Exª assim pedir.
O SR. ALOYSIO NUNES FERREIRA (PSDB - SP) – Eu sei disso.
Agradeço, é uma honra estar novamente com V. Exª aqui presidindo a sessão, com
a sua proverbial assiduidade, presença e atuação no Senado.
Srs. Senadores, todos nós conhecemos a velha tradição americana, a
tradição centenária dos Estados Unidos, que reza – aliás, segundo o próprio texto
da constituição daquele país – que o Presidente da República deva encaminhar, de
tempos em tempos, diz a Constituição americana, mensagem em que ele preste
contas ao Congresso sobre o estado da União, a situação do país, em outras
palavras, e, ao mesmo tempo, proponha aquelas medidas que, na sua
consideração, são necessárias para o enfrentamento dos problemas que ele
aponta.
É um grande acontecimento da política norte-americana a mensagem
do seu Presidente da República na abertura dos trabalhos parlamentares. Não foi
diferente este ano, Senador Paim, quando, não apenas o povo dos Estados Unidos,
a imprensa americana, mas a imprensa mundial, todos acompanharam com
cuidado o pronunciamento do Presidente Barack Obama, e já antes da sua
mensagem, antes da sessão, o Presidente ia soltando aos poucos, divulgando aos
poucos trechos do que seria apresentado ao congresso. Com que objetivo? Com o
objetivo de exercer o papel insubstituível do Presidente da República, que é dos
Estados Unidos, mas também é nosso: um papel de liderança, um papel
pedagógico, um papel de alerta e de mobilização da opinião pública, mas, além de
mobilizar o congresso, para que sob o olhar vigilante do povo, tome as medidas,
que, na opinião do chefe da nação, são necessárias.
Ontem, Sr. Presidente, o Ministro Mercadante trouxe à sessão solene
do Congresso Nacional a mensagem da Senhora Presidente Dilma. Eu
acompanhei, como todos nós... Acompanhei, inicialmente, com muito interesse,
mesmo porque o Deputado Beto Mansur, encarregado de fazer a leitura, utilizando
todos os seus recursos de antigo radialista e a sua bela figura na tribuna, fez de
tudo para enfeitar o texto, mas, depois de algum tempo, o zum-zum se estabeleceu
no plenário, as conversas paralelas. Até mesmo entre os dignitários presentes à
Mesa Diretora, havia cochichos e risotas, enquanto o 1º Secretário da Mesa lia
aquele bolodório burocrático e sem nenhuma conexão com a realidade do País.
Triste, Sr. Presidente. É como se, depois da declaração da guerra à
Alemanha pela Inglaterra, quem estivesse no comando do país fosse Neville
Chamberlain e não Churchill. Uma coisa pífia, lamento dizer, um roteiro já
desgastado, que já ouvimos, seguimos, que acompanhamos e cobramos em outras
oportunidades, um rosário de promessas sempre adiadas, e um País que não
existe.
Vejam – vou apenas dar alguns exemplos, Sr. Presidente, para não
cansar o Plenário –, diz a Presidente o seguinte: “O meu Governo tem
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compromissos com estímulos aos investimentos e aumento da competitividade no
País”. Sr. Presidente, os investimentos estão declinando no Brasil, a meta
anunciada por Sua Excelência, no chamado Plano Brasil Maior, é que os
investimentos deveriam passar de 18,4% do PIB para 22,4%. Regrediu essa
participação nos investimentos do PIB caiu para 17%.
E a competitividade, o que dizer da competitividade? Um dos fatores
que medem a competitividade de um país, no cenário internacional, é a participação
da sua produção no comércio internacional. Ora, a meta do chamado Plano Brasil
Maior era passar de 1,3% da participação do Brasil no comércio internacional para
1,6%; também regrediu para 1,2%. Que produtividade é essa que faz com que a
indústria desabe na sua participação do PIB? Estamos em 13% da indústria no PIB;
a Argentina tem mais de 20% – o Senador Requião sabe disso. Produtividade, num
País que apresenta um buraco crescente nas suas contas externas? Não é esse o
Brasil que ela governa, não é esse o Brasil que ela governa!
A inflação de Sua Excelência foi mantida em 2014, mais uma vez
dentro do intervalo admitido pelo regime de metas. É claro! Só que, no intervalo do
regime de metas, a inflação se manteve permanentemente no teto; o teto é 6,5% de
inflação ao ano. Este ano vai fechar com 6,4 e alguma coisa por cento, no teto, e
isso apesar dos preços administrados e da contabilidade criativa.
Agora, o boletim Focus já prenuncia uma taxa de inflação de 7% ao
ano, enquanto o PIB, que no ano passado cresceu menos de 1%, neste ano,
segundo todas as projeções do mercado, vai ficar em 0,03%. Este é o País que Sua
Excelência governa.
Ela exalta o nível da dívida líquida do setor público, que estava em
36,2% do PIB. No entanto, o seu atual Ministro da Fazenda está preocupado com a
dívida bruta, que é de 63% do PIB. Aliás, o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, faz
o papel do sapo da fábula “O Sapo e o Escorpião”, que todos nós conhecemos.
Diante do desafio de atravessar um curso d’água, o escorpião, que não sabia
nadar, pede ao sapo para transportá-lo nas suas costas. O sapo desconfia: “Mas
você vai me picar!”. Aí, diz o escorpião: “De jeito nenhum. Se eu o picar, eu afundo
junto com você.” O sapo confiou, atravessou o curso d’água, e, quando chegaram
ao outro lado, o escorpião o picou e o sapo morreu. O sapo é Joaquim Levy, e o
escorpião é o atual Governo. Deixa atravessar, deixa completar o chamado trabalho
sujo para ver o que vai lhe acontecer. Não tenho dúvidas. A Presidente Dilma tenta
dourar a pílula, chamando, por exemplo – como se chama, como ela diz, qual é o
termo que ela usou? – de correções da Cide e de outros tributos como o IOF, como
o imposto sobre importação de produtos importados, de cosméticos. Correção. É
tarifaço! A conta de energia elétrica vai crescer 40%!, já falam em até em 50%. E
temos uma ameaça real, sim, de fornecimento de energia. Nada disso é falado. Ela
chega a exaltar, Srs. Senadores, o desempenho da Refinaria Abreu e Lima. “Abreu
e Lima está produzindo não sei quantas toneladas de nafta por ano.” Ora, veja! A
que custo? Uma Abreu e Lima,...
(Soa a campainha.)
O SR. ALOYSIO NUNES FERREIRA (PSDB - SP) – ... que foi
projetada para custar US$2 bilhões, já custa mais de US$20 bilhões e ainda não foi
concluída!
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Sem falar no cancelamento das refinarias Premium, programadas
para o Maranhão, para o Ceará, deixando ao deus-dará centenas, milhares, de
trabalhadores que perderam as suas casas e que agora não têm o que fazer.
Sr. Presidente, esse é um ajuste duro, mais para o estelionato
eleitoral, que vai mexer com o seguro-desemprego, exatamente quando o emprego
perde fôlego. A mudança no seguro-desemprego vai castigar especialmente os
mais jovens, de 18 a 24 anos, faixa em que a taxa de desemprego já está em 13%
e onde há maior taxa de rotatividade. E V. Exª, Senador Paim, que é um homem
que vem do mundo do trabalho, sabe disso.
Aumento de impostos, aumento de juros e reformas. Que reformas?
Reforma política? Reforma política com uma presidente que está
instrumentalizando dois ministros do seu Governo, o Ministro das Cidades e o
Ministro da Educação? Para quê? Para formarem um novo partido, de modo que
possam, se utilizando dos recursos do Governo, cooptar parlamentares da
oposição. Uma presidente que compôs o seu Ministério com base na mais estrita
fisiologia, nomeando pessoas, algumas sem nenhuma qualificação. Ela tem
ministros que estão de sursis, ministros nomeados temporariamente, até que os
ministros já escolhidos por ela in pectoris possam saber se estão ou não
comprometidos nas investigações do Lava Jato. Esse é o padrão de governo que
nós estamos vivendo.
Sr. Presidente, reforma tributária. Perdeu-se a oportunidade de fazer
uma reforma tributária que redundasse, efetivamente, na racionalidade do nosso
sistema de impostos, na reforma do ICMS, com a compensação para os Estados
que se utilizam de benefícios com os fundos de desenvolvimento. Perdeu-se a
oportunidade de reduzir tributos. Hoje não é mais possível. O Brasil se equilibra
numa corda bamba de um déficit fiscal que é o mais alto desde 2001. Essa é a
situação.
Por isso, Sr. Presidente, esta mensagem, que pesa muito, não tem
peso político algum. O que pesa, na verdade, é a mensagem transmitida pelo
Ministro Aloizio Mercadante, estampada hoje nos jornais: “Após a derrota na
Câmara, o Governo negocia o segundo escalão.”.
Isso aqui não pesa nada. Isso pesa. Isso é argumento para os ouvidos
de uma base fisiológica. É o Ministro da Casa Civil, que havia sido severamente
tosquiado na véspera, na eleição na Câmara, que chega ao Congresso Nacional
como se esta fosse uma casa à venda: venham, venham apoiar o Governo, que
terão seus carguinhos, terão suas bocas. Podem sugerir nomes, talvez até da
diretoria que fura poço, como disse, numa célebre frase, tristemente célebre, o exDeputado Severino Cavalcanti.
Este é o Governo. Este é o Governo da fisiologia, é o Governo que
degrada, infelizmente, os costumes políticos do nosso País. Até quando, eu não sei.
Muito obrigado.

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