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Conhecimentos Pedagógicos

Inclusão na Educação Infantil
Educação Inclusiva com os pingos nos “is”.

Prof. João Omar Martins

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Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Omar Martins

Toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade
de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem;
Toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de
aprendizagem que são únicas;
Sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais
deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade
de tais características e necessidades;
Aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola
regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança,
capaz de satisfazer a tais necessidades,
Escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais
eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades
acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para
todos; além disso, tais escolas provêem uma educação efetiva à maioria das
crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de
todo o sistema educacional.
ONU - Declaração de Salamanca (1994)

Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Omar Martins

RESUMO:
A inclusão da pessoa com deficiência em todos os espaços públicos
brasileiros é uma discussão que tornou contornos importantes no Brasil
com a promulgação da Constituição de 1988 e a Declaração de
Salamanca (1994). Mas o desafio continua: como entender a escola
inclusiva colocando todos os “pingos nos is”? Através do trabalho de
Ana Maira Zortea e Rosita Carvalho investigamos os conceitos, problemas
e desafios de uma escola realmente inclusiva.
PALAVRAS-CHAVES: Escola inclusiva – Educação Infantil - Pessoas com deficiência.

Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Omar Martins

I. Introdução
Educação inclusiva: do que estamos falando?
Desde o ano de 1994, com o advento da Declaração de
Salamanca, temos visto diversos debates a respeito da inclusão de
pessoas com deficiência no contexto escolar. A inclusão tem sido
motivo de discussões no âmbito educacional tanto na forma de
legislação quanto na teoria e prática. Todavia são ainda poucos os
estudos que identificam as concepções inclusivistas dos professores
que trabalham com este público.

(. portanto. No documento “Políticas de inclusão escolar no Brasil: descrição e análise de sua implementação em municípios das diferentes regiões (ANPED. Baptista e Dornelles mapeiam estas políticas em Porto Alegre. ainda bastante carente de estudos que possam nos ajudar a pensar sobre o caminho que vem sendo trilhado. .. Segundo Rosita Edler Carvalho.. em sua conclusão. uma das principais questões que têm sido discutidas nacional e internacionalmente.) a inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais pode ser considerada.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. um processo recente e. ainda não há consenso quanto à forma de levar o sistema gestor de políticas educacionais e nossas escolas a assumirem a orientação inclusiva. salientando. Embora todos os educadores estejam de acordo quanto à necessidade de melhorarmos a qualidade das respostas educativas de nossas instituições de ensino-aprendizagem para todos os aprendizes: crianças. o número escasso de pesquisas que abordam a temática da inclusão na Rede Municipal de Ensino e apontando a necessidade de maior número de trabalhos na área. em nosso país. adolescentes. quando se trata de educação inclusiva. Omar Martins Segundo Ana Maira ZORTEA. jovens e adultos. 2004).

a fazer. por direito de cidadania. mais moderados. Retomando trechos da Declaração de Salamanca. outros. deve frequentar escolas de boa qualidade. ou defendem a permanência da educação especial no seu ‘modelo’ de serviços. particularmente pelos preconceitos e estereótipos com que a diversidade biológica tem sido tratada e internalizada no imaginário coletivo. fica ressaltada que a proposta de educação inclusiva não é específica para alunos e alunas com necessidades educacionais especiais ou outro termo que se escolha. Inúmeros desafios são identificados e precisam ser removidos. Como processo contínuo. ativamente. dentre eles o aspecto atitudinal se destaca. defendem o desmonte da educação especial. a ser e onde participe. mais radicais. evoluindo para o ‘modelo’ de suporte.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. . dialético e complexo diz respeito a qualquer aluno que. entendem que a educação especial precisa rever seus princípios e seus procedimentos. onde aprenda a aprender. Omar Martins Alguns. ou.

que leva a estabelecer datas. Não deve ser concebida como um preceito administrativo.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. particularmente a partir da década de 1990. que viabilizem o acolhimento das crianças ‘diferentes’”. A inclusão não depende de si mesma. a partir das quais as escolas passam a ter o status de inclusivas. Deve ser entendida como princípio (um valor) e como processo contínuo e permanente. Omar Martins A inclusão educacional tem ocupado significativo espaço de reflexões em todo o mundo. . “pois ela é um novo desafio que demanda a clarificação dos meios de ação que viabilizem a transformação das escolas e. dado a priori. em obediência à hierarquia do poder ou a pressões ideológicas. particularmente.

o que significa. face à polissemia da aplicação do termo. religiosas.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Precisamos. inclusão na escola. portanto. colocar os pingos nos “is”.. Omar Martins Existem inúmeras e contraditórias formas de pensar e de agir. particularmente no espaço escolar. inclusão no mundo do trabalho. deixar claras algumas ideias. . que tanto se diz respeito aos espaços onde ocorre (inclusão física. de pessoas que frequentam ou não a escola. nem sempre consensuais entre aqueles que se debruçam sobre o tema. que estejam ou não em situação de deficiência. de grupos sociais em desvantagens. em linguagem figurada. inclusão social. quanto aos sujeitos aos quais se refere (minorias étnicas. no que respeita à inclusão.)..

.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. utilizando as contribuições de Mel Ainscow e de Eric Plaisance. individualização. Este é o caso de integração. na língua portuguesa. Rosita Carvalho estabelece as razões na discussão acerca da inclusão.. identidade. alguns vocábulos que devem compor nossas reflexões sobre inclusão. curiosamente. considerando alguns desafios com os quais se defronta a inclusão (em qualquer dos espaços de aplicação do termo ou dos sujeitos a que se refere): . muito utilizada na linguagem popular. ideais democráticos e do próprio vocábulo /inclusiva/ que até tem dois “is” a serem assinalados! Baseando-se na contribuição de inúmeros autores. não só por ser sugestiva de análises críticas como e porque. iniciam-se com a letra /i/. Omar Martins A professora Rosita CARVALHO explica a adoção da expressão dizendo que: Decidi valer-me dessa expressão. identificação.

principalmente para os ditos “normais”. pelos benefícios que traz. é desenvolvido por Plaisance quando analisa o que ele denomina de moralismo abstrato ou universalismo abstrato. A invocação moral Este aspecto. de caráter abrangente e nada trivial. financeiras. . • As barreiras humanas. tão presente em apelos sentimentais em prol da inclusão de todos com todos.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Omar Martins • A “invocação moral e abstrata em favor da inclusão que engendra formas dissimuladas de exclusão”. quando se trata da inclusão de pessoas em situação de deficiência nas turmas do ensino comum. político-pedagógicas e organizacionais existentes. materiais.

sem levar em conta as condições concretas em que trabalham e as inúmeras influências exercidas. produzindo exclusão.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. como solidariedade humana ou como vocação e missão dos professores. Muitos professores negam-se a receber. . determinados aprendizes. percebidos como “muito diferentes” e para os quais se sentem despreparados. Outros os aceitam. pelos modelos econômicos que regem as políticas públicas. na educação. Omar Martins Tais apelos aparecem traduzidos como manifestações de “amor ao próximo”. Carvalho concorda com o autor quando afirma que “essa invocação moral e abstrata em favor da inclusão que engendra formas dissimuladas de exclusão” Ela afirma que esse discurso moralizante e apelativo tem produzido efeitos paradoxais. em suas turmas comuns. na inclusão. reunindo-os num grupo à parte.

não garante que os aprendizes estejam integrados uns com os outros. aprendendo e participando de todas as atividades escolares. em muitos casos. Além da inserção física. é indispensável que todos os estudantes sejam beneficiados com a inclusão na aprendizagem e com a inclusão social. segundo suas próprias regras. Omar Martins Exclusão não é o avesso de inclusão. neste caso. . para incluir de outro modo. mas que não participam das mesmas atividades propostas aos demais colegas e que. exercitando e desenvolvendo a plena cidadania. exclui. nem recebem apoio especializado. pois esta pode se manifestar como inclusão marginal. na medida em que a sociedade capitalista desenraiza. segundo sua própria lógica. A presença física como justaposição. aqueles aprendizes em situação de deficiência que aparecem fisicamente presentes nas turmas do ensino comum.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Estão.

).. ainda na esteira do apelo sentimental. De um lado. Ainda que. . mantêm ou reforçam as diferenças. refere-se ao respeito às diferenças. na medida em que esse apelo pode influenciar a formação de um imaginário coletivo no qual as pessoas com diversidade biológica acentuada estão e serão como são. com o uso da expressão se pretenda estimular a ética. sem que lhes seja possível evoluir.Conhecimentos Pedagógicos| Prof.. analisadas. De outro lado. o respeito às diferenças traz um ranço conservador e determinista. respeitá-las. as práticas narrativas sobre o respeito às diferenças precisam ser. tolerando-as. calcada nos direitos humanos (inclusive o de ser diferente. na medida em que focaliza o sujeito significativamente diferente. restando-nos. Omar Martins Um outro aspecto importante. a expressão “respeito à diferença”. deixa de enfatizar as normas e as práticas educativas que criam. criticamente. portanto.

Omar Martins A tolerância. sem que isso seja considerado filantropia ou caridade. a tolerância pode equivaler à acomodação ao status quo. especialmente quando seu oposto. E a insegurança não se resolve com tolerância e sim com a organização de sociedades verdadeiramente democráticas nas quais os cidadãos possam. usufruir os bens e serviços coletivos. Ainda segundo Rosita Carvalho.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. por exemplo. em determinadas situações. a intolerância. ao fatalismo. pode ser considerada como mais um desdobramento da análise sobre o moralismo abstrato. . tem raízes coletivas ou institucionais geradas pela insegurança. indistintamente. quando é utilizada como forma de apelo para garantir a presença de aprendizes em situação de deficiência nas turmas comuns.

precisamos reconhecer que tem conotações que remetem à capacidade fisiológica de suportar determinados remédios ou a uma decisão dos poderes públicos.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. teológica ou jurídica. . ao lado do respeito à diferença. estão no conjunto de práticas de moralismo abstrato e utópico e na contramão da ética da inclusão.que reflete o comportamento social de um indivíduo -. No que tange às pessoas que apresentam necessidades especiais decorrentes de uma situação de deficiência ou não. tomados com base em considerações de ordem política. como forma de aceitação passiva do Outro -. de gentileza em “aguentar” sua presença -. Omar Martins Apesar de a tolerância ser uma virtude pessoal . penso que a tolerância .como uma espécie de favor.

buscamos aprimorar as respostas educativas de nossas escolas. de modo que o direito de todos à educação não fique. apenas. exercitar sua cidadania. particularmente porque consta de mandamentos legais e dos documentos nacionais e internacionais que nos apontam diretrizes para a educação inclusiva. nela. será que devemos entender ‘igualdade de oportunidades’ como sinônimo de ‘oportunidades iguais’ (as mesmas). como retórica e se efetive na prática. Omar Martins A “igualdade de oportunidades” é uma outra expressão que merece nossas reflexões. atendendo a todos e a cada um. para todos? . Na medida em que. agimos em consonância com o princípio da igualdade de oportunidades.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. ao direito igual de cada um de ingressar na escola e. aprendendo e participando. Mas. O princípio geral é o da igualdade de direitos a oportunidades isto é.

principalmente. As situações contextuais que as envolvem sendo diferentes. aos próprios sujeitos da inclusão. equivocadamente. igualmente diferentes serão os níveis de autonomia e de participação que poderão desenvolver. relacionada apenas às pessoas em situação de deficiência. . aos recursos humanos e. social e escolar.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. qualidade e intensidade das ajudas e apoios especializados que receberam. Assim. Quem são eles? De modo geral. de aprender e de participar. Omar Martins As barreiras existentes Sob essa denominação cumpre-nos examinar aspectos mais objetivos. porque referidos aos sistemas educacionais. a expressão que Rosita Carvalho utiliza . bem como a qualidade de seu ‘ funcionamento’ pessoal. duas pessoas com a mesma deficiência e que. a proposta de educação inclusiva está. em termos de precocidade. segundo a situação e as condições em que vivem. Servem como exemplo. às escolas. vão encontrar maiores ou menores barreiras para suas necessidades de ir e vir.pessoa em situação de deficiência apresenta a vantagem de relacionar as influências do meio com as capacidades que as pessoas podem desenvolver e manifestar.

Conhecimentos Pedagógicos| Prof. cujas origens orgânicas são aceitas por muitos estudiosos. os aprendizes com manifestações de transtornos invasivos do desenvolvimento e aqueles com dislexias. dentre outros. Constata-se que estes últimos não estão mencionados . Infelizmente estamos nos referindo a uma considerável parcela de nossa população. retardo mental. Omar Martins Segundo a autora. Merecem citação. Inúmeros alunos com dificuldades de aprendizagem podem ser considerados em situação de deficiência decorrente de condições sociais e econômicas adversas. mas não por todos. . mesmo sem apresentarem perturbações no nível biológico como cegueira. por exemplo. surdez. sujeitos da inclusão devem ser identificados dentre aqueles que não têm acesso aos bens e serviços histórica e socialmente disponíveis. bloqueadoras de seu pleno desenvolvimento.com a necessária visibilidade – nas discussões e documentos de política sobre educação inclusiva. paralisia cerebral.

as que apresentam condutas típicas de síndromes neurológicas. Omar Martins Lendo o texto da Declaração de Salamanca (1994). também. os que são vítimas das práticas elitistas e injustas de nossa sociedade. os que lá estão e experimentam discriminações. os que se evadem precocemente e. A discussão sobre educação inclusiva impõe reflexões acerca dos seguintes temas: . os que não recebem as respostas educativas que atendam às suas necessidades. obviamente. as pessoas em situação de deficiência. além das superdotadas/ com altas habilidades. parece não haver dúvidas de que os sujeitos da inclusão são todos: os que nunca estiveram em escolas. psiquiátricas ou com quadros psicológicos graves. os que enfrentam barreiras para a aprendizagem e para a participação.Conhecimentos Pedagógicos| Prof.

Omar Martins • o futuro da educação especial. devemos falar em atendimento educacional especializado a ser. em vez de educação especial. Consideram que. exclusivamente. políticas e práticas. O futuro da educação especial tem sido motivo de muitas polêmicas. Os que são mais radicais nas orientações inclusivas propõem o desmonte de todos os serviços existentes.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. • os desafios enfrentados pelas escolas regulares para que assumam e pratiquem a orientação inclusiva em suas culturas. . oferecido nas classes comuns das redes regulares de ensino. em consonância com a política mundial de educação para todos. • as estratégias de alavancagem para mover um sistema educacional numa direção inclusiva.

. políticas e práticas inclusivas. no desenvolvimento de escolas regulares de melhor qualidade. é suscetível de problematização. com foco na educação para todos. Omar Martins Segundo este conceito. principalmente. segundo a natureza da deficiência e a especificidade das barreiras enfrentadas pelos sujeitos. nas escolas. necessariamente. por culturas.este voltado para pessoas com necessidades educacionais especiais-. a meu ver. inclusive no uso dos ‘instrumentos’ necessários. o que implica. das quais uma é especializada. ‘Recursos’(instrumentos) específicos têm conotação bem diferente do sentido de ‘atendimento especializado’. o atendimento educacional especializado traduz-se. Outros autores sugerem que as discussões sobre educação especial devam ocorrer no contexto de uma agenda mais ampla. na medida em que este pressupõe a relação entre pessoas. pelos recursos linguísticos diferenciados o que. é substituída pelo entendimento da educação especial como um processo geral e que se traduz.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Sob essa ótica. a visão dicotômica que identifica um sistema comum e outro especial de educação .

Omar Martins Trata-se de mudança nos conceitos e nas práticas. precisamos analisar nossas próprias atitudes frente à diferença. assim como há desarticulação entre o projeto pedagógico da escola e os trabalhos desenvolvidos nas referidas classes. E. nem para seu novo professor. não se dá com facilidade nem para o aluno. como mudanças não ocorrem no vácuo. nem de um dia para outro. pois as transformações devem se processar a partir de nós mesmos. as classes especiais não estão integradas no cotidiano das escolas.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Segundo a autora. Outras observações dignas de registro evidenciam que: (a) os professores das salas de recursos nem sempre organizam seus planos de trabalho juntamente com os professores das classes comuns e (b) que a passagem de alunos das classes especiais para as comuns. como reintegração. Igualmente. precisamos rever nosso entendimento sobre o papel das classes e das escolas especiais. .

necessitam dessas modalidades de atendimento educacional especializado. embora precisem ser repensados. nas escolas comuns.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. a começar pela identificação dos alunos que. Omar Martins Com essas e outras constatações temos que reconhecer que as classes especiais e as salas de recursos não têm cumprido seu papel. segundo as diferenças individuais e as diversas situações dos alunos. O que fazer com e nas classes e escolas especiais são questões em aberto a merecer nossas considerações. A própria Declaração de Salamanca adverte que as políticas educativas deverão levar em conta as diferenças individuais e as diversas situações. uma boa pista esteja na tipologia dos apoios que devem ser oferecidos. Tais evidências não implicam na eliminação dos serviços oferecidos como educação especial. como é o caso de alunos surdos e surdos-cegos para os quais é mais conveniente que a educação seja ministrada em escolas ou em classes especiais. . realmente. Talvez. cabendo examinar as causas.

Sob a ótica da mudança. urgentemente. orientados para a educação regular. o destino da educação especial alarga seu leque de compromissos. De modo geral. em benefício de todos os aprendizes. as ações da educação especial também devem ser ressignificadas como um conjunto de serviços e de recursos de apoio. com bom senso e sem os extremismos apaixonados que nos impedem de perceber falhas e aspectos que precisam ser.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Estas precisam ser examinadas. políticas e práticas. faz parte da cultura das escolas explicar as dificuldades escolares de muitos e muitos alunos como resultantes de suas limitações pessoais e do contexto social em que vivem. . não mais como um sistema paralelo e muito menos com a permanência de suas práticas. modificados. Omar Martins Uma visão mais ‘moderada’ da educação inclusiva. não são pequenos. Os desafios para as escolas regulares assumirem uma orientação inclusiva em suas culturas.

além das dos alunos. . dos professores e de todos os recursos humanos que nelas trabalham. Nossa forma tradicional de pensar tem-nos levado a procurar o que “falta” em nossos alunos para compensá-los.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. educacionalmente. A inclusão educacional exige que expliquemos dificuldades escolares não só tendo os alunos como focos. que acabam sendo encaminhados para ambientes muito restritivos. não só dos alunos. traduzem-se por necessidades das escolas. Omar Martins Rosita Carvalho refere-se ao modelo do déficit que responsabiliza o aprendiz e apenas ele pelas dificuldades que manifesta e enfrenta. mas considerando-se as limitações existentes em nossos sistemas de ensino e em nossas escolas. Essa concepção tem gerado movimentos de segregação. O desafio implica numa nova visão de necessidades educacionais especiais que. como da exclusão deles em nosso imaginário.

Omar Martins Mas. a começar pela problematização de alguns aspectos que vão desde a arrumação da sala de aula. com ênfase para a cultura do pensar. o maior desafio está nas salas de aula onde o processo ensino-aprendizagem ocorre de forma sistemática e programada.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. . até o desenvolvimento da aprendizagem cooperativa. valorizando o trabalho na diversidade. entendida como um recurso e não como obstáculo? O que nos falta para desenvolver práticas pedagógicas com direção inclusiva? Este tema precisa ser objeto de nossas reflexões. de modo a atender a todos e a cada um. A grande questão parece ser: como planejar e desenvolver práticas pedagógicas verdadeiramente inclusivas.

passa a acontecer. As estratégias de alavancagem para mover um sistema educacional numa direção inclusiva leva-nos a pensar nos princípios que embasam a política educacional adotada e nas formas de administração consideradas como eficazes. as “alavancas”. finalmente. Omar Martins Passemos. Se democráticos e centrados na aprendizagem em vez do ensino.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. na medida em que o que está previsto nos objetivos. de fato. os princípios serão verdadeiras alavancas que fazem sair da retórica para a prática. Os princípios e valores que embasam as políticas educacionais constituem a base axiológica que move os formuladores de política. .

também. Omar Martins De certo modo. estive no terreno dos princípios. o mais sutil porque inclusão é processo e não um estado. O conceito de inclusão é. nas Universidades. quando suas práticas servem para qualificar o progresso das escolas e dos alunos e não como “medição”. na Comunidade e por políticos voltados para o bem comum e não para seus interesses pessoais. quando problematizei o conceito de inclusão. isto é. de tolerância e de igualdade de oportunidades. Em outras palavras. nas Escolas. . Podemos estar presentes e excluídos. dentre outros. de respeito às diferenças. E o papel da avaliação. dos valores. pode ser traduzido em princípios. em vez de valorizar aquilo que medimos temos que aprender a avaliar aquilo que valorizamos! Rosita Carvalho indica que esses temas. precisam ser discutidos nas Secretarias de Educação.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. dentre eles. porque a movimentação física de alunos para que estejam presentes nas classes comuns não garante que estejam integrados com seus colegas e aprendendo e participando.

a discussão dos princípios deve alavancar as decisões a serem tomadas e as providências cabíveis para atingir objetivos. . ou nas salas de recursos e por serviços itinerantes. merece ser desdobrada em suas instâncias hierárquicas desde os gestores a nível central (MEC. até os dirigentes das escolas. Omar Martins Se chegarmos a alguns consensos.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. de Municípios ou do Distrito Federal). Secretarias de Educação de Estados. seja nas classes e escolas especiais. Em qualquer dos níveis de planejamento e administração de sistemas inclusivos. seja nas classes comuns. Quanto às formas de administração dos sistemas. concluiremos pela necessidade de rever a natureza das práticas que temos adotado.

discutirem práticas pedagógicas. do número de alunos por turma. nas escolas. Sei que é mais fácil falar ou escrever. As práticas dialógicas envolvendo os atores são muito recomendáveis no espírito da administração compartilhada em que todos são. uma boa administração precisa de dados confiáveis sobre alunos. também. Precisa “ouvir a voz das crianças”. da falta de tempo para. Omar Martins Mas. na prática. Precisa ouvir a voz das próprias pessoas em situação de deficiência. do despreparo decorrente de sua formação inicial e continuada.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. . sendo bem mais difícil concretizar. estudarem juntos. Queixam-se das condições materiais em que trabalham. dos seus baixos salários. trocando “figurinhas”. autores. professores e gestores. particularmente se não forem removidas as justificáveis insatisfações que a quase totalidade dos educadores manifesta.

pois essas e outras justas reclamações dos nossos educadores são bem antigas.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Sabendo que vontade política é um ingrediente indispensável na busca de soluções. Omar Martins Certamente Rosita Carvalho não está se referindo a nada de novo. Movê-la não depende só dos educadores e das escolas. vontade coletiva de tornar nossas escolas inclusivas? Esta. governo e educadores. . realmente. é a principal de todas as alavancas. A articulação entre as políticas públicas para a remoção das barreiras existentes é tarefa de todos nós. Mas não dependem de boa-vontade e sim de efetivas ações que garantam o funcionamento de escolas de boa qualidade para todos e com todos. permito-me questionar: temos. crê a autora.

Conhecimentos Pedagógicos| Prof. A educação infantil foi fortemente marcada pelo cunho assistencialista e filantrópico da mesma maneira a educação especial onde o poder público transferiu às instituições filantrópicas a responsabilidade pelo manejo da educação especial. Omar Martins A Inclusão na Educação Infantil Ao acompanharmos a trajetória da educação infantil e da educação especial é possível verificar pontos semelhantes. . apesar de bastante tematizado em nossas instituições de ensino. Entretanto. o tema continua ganhando o “status” de tabu e estranheza por parte dos interlocutores.

neste momento do processo. É claro que isto mostra a presença destas crianças na escola gera “movimento” na instituição. esta mobilização toda. Algo interessante que tenho observado é que. em muitas situações. . de reuniões de equipe que incluem especialistas e outros assessores. isto vira assunto de muitos. a diferença ou “os diferentes” no espaço escolar e por isso torna-se necessária. inclusive para as outras crianças que não são consideradas assim tão diferentes no grupo. ainda. o que considero que pode trazer benefícios para a escola como um todo. Omar Martins Segundo Ana Maira ZORTEA. Transforma-se em tema da formação coletiva para o grupo de educadores.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Também fica claro aqui o quanto ainda é considerada uma novidade. de reuniões de pais. quando temos em uma escola infantil uma criança considerada com necessidades especiais.

. como qualquer outro ser humano. o ponto que me preocupa em especial é que pelo fato desta criança ter “necessidades especiais”.) Penso que talvez. Omar Martins Mas. .. consequentemente. esquecemos com mais facilidade que temos aí uma criança e uma família que têm desejos. quando lidamos com crianças tratando-as como “casos de inclusão”. A criança pode desaparecer através das “faltas” que aparecem.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Então. (. um número imenso de adultos se sente autorizado a falar sobre ela e talvez um número bem menor sinta-se em condições de falar com ela. sabedoria. crenças. de sua família. buscar um espaço para a voz destas crianças e de seus pares neste contexto parece-me especialmente relevante. corre de ser devassada a outros educadores e a outros pais. Torna-se. sua história de vida e. alvo de interesse público. assim. opiniões. torna-se um “caso” a ser estudado. Assim.

mas não é um processo simples e não se reporta apenas ao combate às práticas discriminatórias na recepção dos alunos na escola. pois “dúvidas em relação ao que representa a inclusão são enormes no meio acadêmico e prático”.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Não proponho aqui acesso ao espaço escolar com uma função de unificação ou homogeinização que obscureça as singularidades de cada criança. nem é o que se espera. desapareçam. ZORTEA explica que: Torna-se importante esclarecer que estar frequentando uma escola de educação infantil não faz com as diferenças. respeitando as suas diversas necessidades. especialistas têm apontado que a educação de crianças. é possível. Omar Martins Ora. . Neste sentindo. sejam quais forem.

Conhecimentos Pedagógicos| Prof. mas sim. Omar Martins Também não estou afirmando que basta estar na escola. Os defensores da Inclusão acreditam que em se tratando de crianças com deficiência as instituições de educação infantil são espaços privilegiados onda a convivência com adultos e outras crianças de varias origens. costumes. 2003. assim as primeiras percepções da diversidade humana (ARNAIS. . viver a condição de aluno. permitindo-lhe. etnias. religiões. pensar neste processo como um marcador de pertencimento à categoria da infância. possibilitará o contato desde cedo com manifestações diferentes daquelas que a criança vivencia em sua família ou num ambiente segregativo.9-10). p. para que as crianças com necessidade educacionais especiais (ou qualquer outra) tenham seu lugar de criança reconhecido.

frequentemente. cognitiva. Esta não é uma discussão nova em educação. com relação à criança com necessidades especiais. como se isto fosse algo menor em relação a algo supostamente maior e hierarquicamente mais importante. empenhando-se nestes encontros. “Está aqui para se socializar” é afirmado. de alguma forma.. incluindo as chamadas de “ordem cognitiva”. social.. ao estar uns com os outros. mas cabe trazê-la aqui em função das inúmeras vezes em que se ouve os benefícios da inclusão escolar seriam apenas para as crianças com necessidades especiais e que estes estariam. como parte do processo de socialização. não estivessem aí implicadas aprendizagens de toda ordem. Omar Martins Mas educação inclusiva não pode objetivar apenas a “socialização”. em grande parte das vezes. O que gostaria de afirmar é que estas distinções nem sempre ajudam. separar. apartar. E em que momento estas aquisições deixariam de ser da ordem das relações e passariam a ser “cognitivas”. individual. Como se fosse possível.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. restritos à “socialização”. . O que me parece que mostram os episódios interativos é que toda a ordem de aprendizagens ocorre nestes encontros entre as crianças. e que esta sim seria a tarefa da escola: as ditas aprendizagens de “ordem cognitiva”. Como se no processo de socialização. identificar em cada criança quais seriam os ganhos de ordem afetiva. ou ao contrário. motora.

O professor precisa observar e perguntar. em todo o sistema educacional. A realidade de cada criança com deficiência é única.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. Omar Martins Para considerarmos a inclusão na Educação Infantil. Para que isto aconteça é preciso seguir a uma séria revisão dos objetivos e métodos da educação em nosso país. envolvendo a todos os atores educacionais na proposta de uma sociedade inclusiva. em grande parte. na escola ou na EMEI. precisamos antes refletir sobre a inclusão não somente na creche. estando atento sempre às relações que esses alunos estabelecem com seus colegas nos momentos de atividades e de recreação. mas. analisar e ouvir para compreender as necessidades de cada aluno. das atitudes observadas em seus pais e nos professores. Não existem critérios gerais de como deve ser o seu ensino. . As atitudes das crianças dependem. As ações dos colegas diante dos alunos com deficiência se mostram como um fator decisivo para a inclusão social. mas programas educacionais que favorecem a comunicação e o conhecimento contribuem de forma significativa para facilitar o processo de inclusão social nas escolas. os sentimentos e os seus pontos de vista.

Omar Martins A inclusão de crianças com deficiência na Educação Infantil é uma prática nova. torna-se o fundamento para o sucesso da educação inclusiva. Nas creches e escolas Inclusivas. estratégias e currículos são adaptados de acordo com as necessidades de cada aluno. cresce a cada ano. as diferenças. E. mesmo com a pouca oferta de vagas. e com esta o desafio de garantir uma educação de qualidade a todos os alunos. *** . o respeito à diversidade. sejam estas da rede pública ou privada. onde a oportunidade de acesso e permanência é igual para todos e os métodos. apesar desta modalidade educacional ter sido incorporada ao ensino básico a mais de uma década. neste contexto.Conhecimentos Pedagógicos| Prof. os educandos e educadores aprendem a conviver com a diversidade tornando-se cidadãos solidários.

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