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Direito do consumidor no século dos novos direitos | eGov UFSC

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Direito do consumidor no século dos novos direitos
Por

Gisele Leite- Postado em

Usuário:

Senha:

31 maio 2013

Autores:
Gisele Leite

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O CDC, Código de Defesa do Consumidor foi instituído pela Lei 8.078/1990 sendo uma típica norma de proteção de vulneráveis. Surgiu exatamente em
atendimento ao art. 48 das Disposições Finais e Transitórias da Constituição Federal Brasileira de 1988. Como norma vigente o CDC se situa na especialidade,
sendo norma adaptada à realidade, contemporânea pertencendo à pós-modernidade jurídica[1](que é caracterizada pelo rompimento dos paradigmas construídos ao
longo da modernidade, ocorreu no final do século XX).

Outro ponto de destaque da pós-modernidade jurídica é a abundância dos gêneros e espécies: abundância de sujeitos, o excesso de fatores que influenciam as
relações jurídicas e eclosão sucessivas das leis, entre outros.

Na realidade há um big bang legislativo conforme afirmou Ricardo Luís Lorenzetti (no Brasil se convive com mais de cento e cinquenta mil leis)[2].

No que se referem aos sujeitos pós-modernos, verifica-se o pluralismo onde que é identificado pela valorização dos direitos humanos e das liberdades. Há uma
crescente tutela dos vulneráveis (consumidores, empregados, mulheres sob violência doméstica, crianças e adolescentes, idosos, indígenas, portadores de
necessidades especiais, negros e etc.).

Em decorrência do pluralismo pós-moderno[3]ocorrem colisões entre direitos que devem ser resolvidas por interpretação da norma constitucional com base na
principiologia da tutela fundamental.

É característico da pós-modernidade o duplo sentido das coisas ou double sense e nesse contexto a dualidade e o paradoxo chocam a visão maniqueísta que sempre
imperou no Direito onde sempre haverá um vitorioso e um derrotado nas demandas judiciais. Há um diálogo das fontes e a hipercomplexidade.

O caos contemporâneo conforme bem relata Lorenzetti que aponta a desordem onde em síntese, pode ser identificada pelos seguintes aspectos: a) enfraquecimento
das fronteiras entre as esferas do público e do privado; b) pluralidade das fontes seja no Direito Público ou no Direito Privado; c) proliferação dos conceitos
jurídicos indeterminados (as famosas cláusulas gerais); d) existência de um sistema aberto, sendo possível uma extensa variação de julgamentos; e) grande abertura
para o intérprete estabelecer e reconstruir a sua coerência; f) mudanças constantes de posições, tanto legislativas como jurisprudenciais; g) necessidade de
adequação das fontes uma às outras; h) exigência de pautas mínimas de correção para a interpretação jurídica.

Desta forma, o CDC configura-se como fruto da realidade pós-moderna e é afeito aos diálogos interdisciplinares e de fontes encerrando a pauta mínima de proteção
aos consumidores.

O CDC se refere à terceira geração, era ou dimensão de direitos. Atualmente verificamos cinco gerações de direitos, a saber:
A primeira geração: princípio da liberdade;
A segunda geração: princípio da igualdade;
A terceira geração: princípio da fraternidade (pacificação social) onde se enquadra o CDC[4];
A quarta geração: Proteção ao patrimônio genético;
A quinta geração: Proteção dos direitos do mundo digital.

Pela doutrina, o CDC é considerado como norma principiológica o que significa afirmar que é prevalente sobre todas as demais normas especiais que com este
diploma legal vier a colidir.

Concluímos que o CDC possui evidente eficácia supralegal situando-se no plano hierárquico entre a Constituição Federal vigente e as leis ordinárias.

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ou seja. 4º e 6º da Lei 8.. Em tempo tais tratados e convenções não são de direitos humanos. Repise-se que a III Jornada de Direito Civil promovida pelo Conselho da justiça Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça (2004) aprovou o Enunciado nº167 (que denunciou a forte aproximação principiológica do CC/2002 em relação ao CDC principalmente quanto à regulação contratual).064.“Consumidores somos todos nós”. entre outros. inciso XV do CDC) – cláusulas abusivas. Tal princípio. mas também de forma imediata. o atual Código Civil de 2002 além de proteger o aderente contratual como a parte mais fraca.079/1990 que reconhece como direito básico do consumidor a efetiva reparação dos danos patrimoniais e morais. agrária e egoísta posto que não protegia qualquer parte vulnerável da relação jurídica estabelecida..291/2010 que tornou obrigatória a exibição de um exemplar do referido diploma legal (CDC) em todos os estabelecimentos comerciais do país.078/90. 170. da LINDB[5]). [7] O princípio do protecionismo do consumidor traz várias consequências práticas. 03/02/2015 17:32 . V da Lei 8. afastando qualquer possibilidade de tarifação ou tabelamento de indenização em desfavor dos consumidores. Frise-se ainda que convenções ou tratados internacionais não possam conflitar ou contrariar as normas internas de ordem pública.br/portal/conteudo/direito-do-consumidor-no-séc.As regras do CDC não podem ser afastadas por convenção entre as partes. a boa-fé objetiva e. no entanto.Direito do consumidor no século dos novos direitos | eGov UFSC 2 de 7 http://www. a valorização da boa-fé objetiva fundada no risco. Ademais tais diplomas internacionais colidem frontalmente com o princípio da reparação integral dos danos conforme o art. 17. mas existem também os princípios implícitos ao sistema protetivo. É curial a confrontação principiológica entre o CDC e o CC porque muitos dos conceitos que constam da vigente codificação privada de 2002 deitam suas raízes na Lei 8.ufsc. a Lei 10. vem consagrando muitos preceitos já previstos na lei protetiva tal como a vedação ao abuso do direito. como é o caso do CDC (vide art. não tendo força de emenda constitucional conforme consta no art. A convergência de princípios entre o CDC e CC/2002 é a inexistência de conflitos principiológicos que atua com igualdade e equidade e visam à harmonia nas relações civis em geral e nas relações de consumo ou especiais. O atual Código Civil brasileiro. 2ª. sob pena de nulidade absoluta (art. individuais. Visava o velhusco Código Civil de 1916 proteger o fazendeiro casado.). sob pena de imposição de multa no valor de R$ 1. Indo mais adiante em face da inegável importância do Direito do Consumidor[6]deveria ser também disciplina obrigatória no ensino médio no Brasil. de forma subsidiária. Lembremos que o CC de 1916 era norma essencialmente patrimonialista. inciso XXXII e do art. é vedado ao julgador conhecer de ofício das abusividades contratuais.078/1990. 3ª. contrasta e confronta com a Súmula 381 do STF segundo a qual. A prevalência do CDC sobre a Convenção de Varsóvia vem sendo aplicada há muito tempo pelos tribunais superiores brasileiros. coletivos e difusos. 6º. inciso V da CF/1988).406/2002 traz ao direito privado brasileiro os mesmos princípios já presentes e consagrados no CDC (como a função social dos contratos. a proibição do enriquecimento sem causa. 1º. 82. 5º. Daí. nos contratos bancários.10 (hum mil e sessenta e quatro reais e dez centavos). Alerte-se ainda que os princípios não sejam apenas aplicados nos casos de lacunas de lei. a onerosidade excessiva. para corrigir normas injustas em determinadas situações. No art.. Por outro lado.347/85 (Lei da Ação Civil Pública). a saber. II do CPC e a Lei 7. e a conclusão é a mesma com relação à Convenção de Montreal. (conforme enumera Flávio Tartuce): 1ª. etc. 1º do CDC temos o princípio do protecionismo do consumidor que é norma de ordem pública e interesse social (art.) Caberá sempre a intervenção do MP em razão de problemas de consumo vide o art. É por ser norma de ordem pública e de interesse social seja plenamente justificável a disposição da Lei 12.egov. Os princípios podem ser retirados dos arts. A proteção dos consumidores é afinal um dos fundamentos da ordem econômica brasileira. O que reforça a frase de Kennedy: .) Toda proteção contida no CDC deve ser conhecida de ofício pelo juiz. caso da nulidade eventual de cláusula abusiva. serem ultrapassadas e não aplicáveis as Convenções de Varsóvia e a de Montreal que o Brasil fora signatário e preveem tarifação de indenização nos transporte aéreos internacionais nos casos de cancelamento e atraso de voos e extravio de bagagens. caso da função social dos contratos. 5º §3º CF/1988 conforme a redação dada pela EC 45/2004. 51.

É estado que fragiliza e enfraquece o sujeito de direitos. Princípio da boa-fé objetiva É o regramento essencial do CDC sendo seu coração.. Com a mitigação do modelo liberal da autonomia da vontade e a massificação dos contratos. mas nem todo consumidor é hipossuficiente. Ser hipossuficiente é além do sentido literal das expressões pobre ou sem recursos o que enseja o benefício da gratuidade de justiça que implica na isenção do pagamento de taxas e emolumentos judiciais. dever de respeito. Assim. pois a boa-fé partiu da subjetivação para saltar para objetivação que fora consolidada pelas codificações privadas europeias. A vulnerabilidade é presunção absoluta ou iure et iure.egov. Tem relação direta com os direitos anexos ou laterais de conduta (com destaque: dever de cuidado. Uma decorrência direta da hipossuficiência é o direito a inversão do ônus da prova[8]a favor do consumidor visando à facilitação da defesa de seus direitos. dever de transparência. E para se reconhecer a sua vulnerabilidade não importa a sua condição econômica. relacionada com a conduta dos negociantes. situado no art. a hipossuficiência é um plus. No Direito Comparado também outros pensadores como Pufendorf procuraram trazer a boa-fé para a conduta relacionando-a como regra histórica do comportamento. Todo consumidor é vulnerável pois é característica de ser do destinatário final do produto ou serviço. no campo judicial que pode propiciar a inversão do ônus da prova. 4º. uma algo a mais. que saiu do plano psicológico ou intencional (a boa-fé subjetiva) para o plano concreto da atuação humana (boa-fé objetiva). que no campo judicial pode propiciar a inversão do ônus da prova. o reconhecimento da hipossuficiência terá que ser feito no caso concreto avaliando-se a situação socioeconômica do consumidor perante o fornecedor. Frise-se em todos os momentos da formação contratual da pontuação até mesmo após a execução contratual. Porém. seu órgão vital. vindo atrelá-la a interpretação dos contratos e dos negócios jurídicos. a correta harmonia entre as partes em todos os momentos relacionados com a prestação e fornecimento de produtos. A hipossuficiência é conceito fático baseado na disparidade ou discrepância notada no caso concreto. pelo tratamento legal de proteção. A expressão “consumidor vulnerável” é assumidamente pleonástica. Princípio da hipossuficiência do consumidor. 4º do CDC já identifica que não se pode cogitar mais no poder de barganha antes presente no trato negocial e nem mesmo na equivalência nas relações obrigacionais existentes na sociedade de consumo.ufsc. não aceitando prova em contrário em hipótese alguma. a vulnerabilidade tem conceito diverso de hipossuficiência. Portanto. social ou financeira do consumidor. Foi o jusnaturalismo[10]e toda a influência católica e cristã que fez com que a boa-fé ganhasse nova faceta. inciso III. É notório que a boa-fé objetiva representa uma evolução do conceito de boa-fé. política. Vulnerabilidade é mais um estado da pessoa. a critério do julgador[9]. dever de informar. 03/02/2015 17:32 . pelo desconhecimento em relação ao produto ou ao serviço contratado ou adquirido.br/portal/conteudo/direito-do-consumidor-no-séc. Percebe-se claramente a evolução.. A boa-fé objetiva[11]constitui regra de conduta sendo o comportamento que exige lealdade e probidade dos participantes contratuais ou negociais e deve ser observada em todas as fases do negócio. O princípio da vulnerabilidade do consumidor constante no art. dever de agir honestamente e com razoabilidade). Nas relações consumeristas devem estar presentes o justo equilíbrio. um algo a mais. A vulnerabilidade é a explicação das regras de proteção ao consumidor.Direito do consumidor no século dos novos direitos | eGov UFSC 3 de 7 http://www. desequilibrando a relação. inerente de risco ou sinal de confrontação excessiva de interesses identificados no mercado. A hipossuficiência pode ser técnica. Foi fundamental a contribuição Hugo Grotius que conferiu à boa-fé nova dimensão. percebe-se a discrepância na discussão e aplicação das regras comerciais o que justifica a presunção de vulnerabilidade reconhecida claramente como condição jurídica. sendo denominada boa-fé objetiva. Assim a hipossuficiência é um plus. Conclui-se que todo consumidor é vulnerável.

o que pode ser retirado da norma e de outras da Lei de Consumo. No direito germânico. 39 e 51) que afastam as cláusulas e práticas abusivas e geradoras de nulidade absoluta além de responsabilidade civil objetiva conforme a Lei 8. a boa-fé se desenvolverá como elemento afetivo exterior. visando proteger a parte vulnerável da relação negocial. traduzindo conceito no sistema de valores cavalheirescos. e impõe normas imperativas que visam proteger o consumidor. Sobre a eficácia interna da função social do contrato onde se extrai a interpretação mais benéfica ao consumidor (art. Também não se pode afastar do art. há a teoria do adimplemento substancial (substantial performance) amplamente admitida pela doutrina e pela jurisprudência. comportamento autêntico de alguém em consequência de contrato concluído com o próprio contrato em si. visando sempre a manutenção do contrato. 2. É princípio contratual de ordem pública conforme confirma o art. numa semântica que se manteria em médioalto-alemão. garantindo as legítimas expectativas que depositou no vínculo contratual. no sentido cristão de fé.035 do C. com a equidade contratual e com plena possibilidade de revisão dos negócios. A boa-fé germânica firmou particularmente na atuação jurisdicional por força das decisões e jurisprudências firmadas. sendo a mora insignificante não caberá a extinção do negócio. como é o caso de idosos.. Com a evolução. 47 do CDC). inciso II). 51 do CDC.ufsc. A par dessa tentativa de igualdade..egov. O CDC proíbe que os destinatários finais sejam expostos às práticas desproporcionais (arts. mas apenas outros efeitos jurídicos. e relativo à máxima pacta sunt servanda. Enfatizando a conservação contratual. crença e confiança. crianças e adolescentes que tanto merecem redobrada proteção.078/90. treu adquiriu sentido ético. No caso da alienação fiduciária[13]e na venda com reserva de domínio foi afastada a busca e apreensão da coisa e a consequente resolução do contrato posto que contratante devedor cumpriu o negócio jurídico substancialmente. e ainda o art. E guarda correspondência com a bona fides da cláusula aportere. Também a função social está conectada com a conservação dos negócios jurídicos encarando-se a extinção do negócio como última medida.br/portal/conteudo/direito-do-consumidor-no-séc. Aliás. Glauben foi utilizado para traduzir a fides latina.Direito do consumidor no século dos novos direitos | eGov UFSC 4 de 7 http://www. reequilibrando o contrato. 421 do C. Pois eficácia externa do princípio da função social (que representa uma exceção ao princípio da relatividade dos efeitos do contrato) possibilitando a tutela externa do crédito erigindo assim a eficácia do contrato perante terceiros. Exemplificando vem a jurisprudência do STJ entender que a vítima de acidente de trânsito pode demandar diretamente a seguradora do culpado mesmo não havendo nenhuma relação contratual de fato entre eles. 6º. Princípio da função social do contrato A mitigação da obrigatoriedade da convenção[12]principalmente quando o negócio celebrado encerra situação de injustiça. o CDC é uma lei de função social que traz como consequências profundas modificações nas relações jurídicas relevantes e introduz um rol de direitos que protegem o indivíduo como consumidor até a sociedade como um todo. Princípio da reparação integral dos danos 03/02/2015 17:32 . Princípio da equivalência negocial (art. portadores de deficiências. A boa-fé objetiva traduz a expressão germânica treu und glauben e a boa-fé subjetiva é expressa por Guter Glauben como crença. pode-se aceitar privilégios aos consumidores que necessitem de proteção especial os também chamados de hipervulneráveis. a ultima ratio. Anota-se que treu significa firmeza.C. Por sua vez.C. Refere-se à igualdade de condições no momento da contratação ou de aperfeiçoamento da relação jurídica patrimonial. A lei veio reduzir o espaço antes reservado para a autonomia da vontade proibindo que se pactuem cláusulas abusivas. Pela teoria do adimplemento substancial em hipóteses em que a obrigação tiver sido quase toda cumprida. O CDC inova consideravelmente o espírito do direito das obrigações. A função social dos contratos na órbita de consumo possui relação simbiótica com a manutenção do equilíbrio dos contratos. fundamentada na isonomia constitucional.

é a violação de valores coletivos pode ser dano ambiental (lesão ao equilíbrio ecológico. representam e distinguem um país e despertam em seu povo generoso. como decidido pelas instâncias ordinárias. expressam. (STJ. o desrespeito aos direitos dos consumidores (como através de publicidade abusiva). São estandartes. Os danos gerados por perda de uma chance (que é uma teoria francesa) e também possui base italiana que admite a reparação dos danos decorrentes da perda de uma oportunidade ou da frustração de uma expectativa de um fato que possivelmente ocorreria. provido. que é a forma atuante do Estado. tanto por rebaixamento de seu patrimônio moral – principalmente a respeito da segurança – quanto por diminuição na qualidade de vida. OBEMOR PINTO DAMASCENO: "Símbolos nacionais são emblemas. a chama do mais elevado fervor cívico e da mais terna devoção. Os direitos individuais homogêneos e coletivos em sentido estrito (onde as vítimas são determinadas ou determináveis) e são decorrentes de origem comum. Nesse caso. Para Rosenvald a perda de uma chance é um tertium genus existente entre o dano emergente e o lucro cessante. a aplicação da razoabilidade em danos patrimoniais. em decorrência da colocação no mercado do anticoncepcional Microvlar sem princípio ativo. uma vez que a Constituição Federal não indica percentual relativo às terras reservadas aos índios. insígnias que marcam. judaica. os interesses ou direitos coletivos em sentido estrito são transindividuais e indivisíveis de que seja titular grupo. sendo possível identificar os prejudicados. REsp 788459/BA.756). O PROCON[14]é entidade de defesa dos consumidores. japonesa. mereceria a reparação civil. enfim. São flâmulas. a impossibilidade da prestação por culpa do devedor. E. O dano difuso pode ser encarado como dano social que é a lesão à sociedade. Consideraram desarrazoado submeter a tal desgaste quem já possui dificuldade de locomoção (REsp 1. seu valor a título de reparação será menor do que aquele que seria a título de lucro cessante. etc. divisas e canções que lembram feitos gloriosos. indígena. acarreta. a esta comunidade. 2.” Os símbolos nacionais têm uma significação histórica porque atuam nos nossos sentidos como a representação viva de um passado inesquecível de glórias e alentadoras conquistas. ainda. 03/02/2015 17:32 . de maneira bastante feliz. O dano moral coletivo é reconhecido em diversas ocasiões quando a terceira turma do STJ confirmou a condenação de um banco em danos morais coletivos por manter caixa de atendimento preferencial somente no segundo andar de uma agência. à sua nação. Por outro lado. O exemplo mais polêmico é o do show do milhão. DJ 13/03/2006)”. têm uma significação sociológica porque ligam o homem à sua grei.ufsc.. Outro valor coletivo é a dignidade nacional. No caso do MP pedia a condenação de empresa que havia fraudado uma licitação a pagar dano moral coletivo ao município de Uruguaiana (REsp 821. O questionamento. cantos.) e até a fraude em licitações. pela perda da oportunidade. determinada pela probabilidade de ganho real. Outra hipótese é a do medicamente ineficaz. tem legitimidade para a defesa dos direitos individuais homogêneos com a nítida repercussão social. Cogita-se ainda do dano moral coletivo quando se atinge vários direitos de personalidade de pessoas determinadas ou pelo menos determináveis. do valor auferido do lucro cessante. posto que a indenização da perda de uma chance se baseia em uma porcentagem. a imagem vibrante e colorida da pátria. brasões. o sentimento nacional e alimentam.636). forte e acendrado sentimento de patriotismo. a respeito dos quais se manifestou.base. representada pelos símbolos nacionais. impondo o dever de ressarcir o participante pelo que razoavelmente haja deixado de lucrar. IMPROPRIEDADE DE PERGUNTA FORMULADA EM PROGRAMA DE TELEVISÃO.egov. em parte. como também os danos morais (seja o consumidor uma pessoa física ou pessoa jurídica). em programa de perguntas e respostas. 1. nas suas cores. É. têm uma significação política porque integram o cidadão. acessível apenas por escadaria contendo vinte e três degraus. PERDA DA OPORTUNIDADE. distintivos de uma nação. portanto. o que ocasionou a gravidez indesejada de diversas consumidoras (REsp 866. e em regra. Os danos sociais[15]decorrem de condutas socialmente reprováveis ou comportamentos muito negativos (é o caso do Totobola – fraude de loterias[16]). pelo muito que significam.Direito do consumidor no século dos novos direitos | eGov UFSC 5 de 7 http://www. Recurso conhecido e. a chance teria valor econômico e. a violação à honra de determinada comunidade (negra.221. sem viabilidade lógica. os danos ao patrimônio histórico e artístico. O dano moral coletivo não é presumível.br/portal/conteudo/direito-do-consumidor-no-séc. Vide a ementa: “RECURSO ESPECIAL. quando a terceira turma do STJ confirmou condenação do laboratório Schering do Brasil ao pagamento de danos morais coletivos no valor de um milhão de reais. pela televisão. INDENIZAÇÃO. O dano moral coletivo é lesão na esfera moral sofrida por uma comunidade.891/RS). à qualidade de vida e à saúde da coletividade). categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica. no seu nível de vida. hinos. formas e melodias. também reparável o dano estético.. desde que a chance seja séria e real (a que tem cinquenta ou mais por cento para ocorrência do fato). São a figuração viva e perene da alma de um povo.

apenas o legislador não tinha percepção clara de sua moldura e nem o enxergava como sujeito diferenciado das categorias tradicionais (como o comprador e o locatário. José Geraldo Brito. decorreu diretamente da revolução industrial. Volume único. NUNES. a partir daí. se realizada no momento do saneamento do processo. Grupo Gen. como tratados e convenções internacionais (o que afirma a “fundamentalização dos direitos humanos”).jus. Existe um redimensionamento das antigas construções. ocorrendo a revisitação de premissas. a Segunda Seção do STJ deu provimento ao recurso de Spaipa S/A Indústria Brasileira de Bebidas. JUNIOR.ed.com. Zelmo. inciso I. E ninguém sabe ao certo quantas delas já foram revogadas e quantas ainda estão em vigor (em 2009). São Paulo: Editora Forense. 3º. Após o Tribunal de Nuremberg é praticamente impossível se defender um direito alijado da realidade social. Importante apontar que para alguns doutrinadores. wsp?tmp. à informação.657/1942 com a redação dada pela Lei 12. São Paulo: Editora Saraiva. A majoritária jurisprudência pátria tem realizado a dita inversão na sentença. Benjamin. DENARI. Mas. Com esse entendimento. São Paulo: Editora Atlas. uma oportunidade futura que dentro da lógica do razoável se as coisas seguissem seu rumo normal. Ada Pellegrini. [7]O marco inicial da tendência à proteção aos consumidores no mundo é identificado na famosa mensagem do então Presidente Kennedy em 15 de março de 1962m quando se dirigia ao Parlamento. se é direito do consumidor ou direito do consumo.egov. O Direito do Consumo (Droit de la Consommantion) é utilizada por certas razões históricas em França. Teresina: Vide site:http://jus. Do dano moral coletivo no atual contexto jurídico brasileiro. são incompatíveis com uma função que ultrapassa a autonomia e o interesse dos contratantes. Boa-fé objetiva no direito contratual do Código Civil Brasileiro. Artigo publicado na Revista Jus Navigandi. [8]A inversão do ônus da prova é regra de instrução. devendo a decisão judicial determinar preferencialmente na fase de saneamento processual. o CDC adotou também o princípio da segurança que seria o gerador da responsabilidade civil objetiva dos fornecedores e prestadores de serviços. perda de chance de viver. 2008. mas não podemos subsumi-los por completo pelos novos 03/02/2015 17:32 . Direito Material. Comentado pelos Autores do Anteprojeto. A perda de uma chance está caracterizada quando a pessoa vê frustrada uma expectativa. [3]É fato que na pós-modernidade não mais se pode admitir o positivismo jurídico como sendo a primaz teoria norteadora do Direito. seguindo-se. até porque é o Direito uma ciência social aplicada.br/portal/conteudo/direito-do-consumidor-no-séc. Assim os clássicos princípios contratuais conforme apresentados pelo modelo liberal. a reabertura de oportunidade. Nelson Nery. o CDC constitui típica norma pós-moderna e o art.texto=105066 Acesso em 29/05/2013.stj. [6]O Direito do Consumidor é sem dúvida. 2011. Já nos EUA. Curitiba. [4] Reparem que é correspondente ao brado da Revolução Francesa: Liberdade. Manual de Direito do consumidor. Dissertação apresentada a UFPR para obtenção de título de Mestre em Direito em Mestrado Interinstitucional com a Faculdade de Direito do Sul de Minas. etc. um amplo movimento mundial em favor da defesa do consumidor. Austrália e Alemanha prefere-se Direito do Consumidor.ufsc. disciplina jurídica da vida cotidiana conforme já destacou Antônio Herman V. É estreita a ligação da reparação integral com a solidariedade retirada da responsabilidade consumerista.Direito do consumidor no século dos novos direitos | eGov UFSC 6 de 7 http://www. FINK.376/2010 passou a ser chamada de Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. afastando-se da necessidade de oferecer a prova do elemento culpa. Um exemplo é a morte de recém-nascido. Reino Unido. que aponta como objetivo fundamental da república brasileira o estabelecimento de relações justas e solidárias. No aspecto terminológico não há acordo no direito comparado. 2005.. TARTUCE. Portanto. Carlos Alberto. [10]O princípio da justiça contratual considerado por Fernando Noronha como desmembramento do princípio da boa-fé objetiva. BENJAMIN. Daniel Amorim Assumpção. notadamente em seu art. 2006. segundo um levantamento feito pela Casa Civil da Presidência. Bélgica e Portugal. por exemplo). BITTAR FILHO. quais sejam: o direito à segurança. Na verdade. Volume 1 ( arts. 10. FILOMENO. 7º admite a aplicação de fontes de Direito Comparado. Encontra respaldo na constituição federal brasileira vigente. Angelo Junqueira. Outro exemplo: o curso preparatório para concurso que se responsabilizou em transportar alunos até o local da prova e deixou de fazê-lo. [1] O ano de 1968 é delimitador para apontar o início da pós-modernidade quando houve vários protestos e movimentos populares em prol da liberdade e outros valores sociais. por ser uma antecâmara do princípio da justiça contratual. Sociologia. Direito Material e Processual. e como tal. GRINOVER. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. Antropologia. Referências GUERSONI. Programa de Direito do Consumidor. ou de forma ao menos assegurar à parte a quem não incumbia inicialmente o encargo. o contato com a sociedade e com outros ramos do saber tal como: a Filosofia. e. pelo emprego de técnica malsucedida na área da saúde. sempre será necessária.br/portal_stj/publicacao/engine. se consagra como regra de instrução. Flávio. Antonio Herman de V. NEVES. à escolha e a ser ouvido.br/revista/texto/6183/do-dano-moral-coletivo-no-atual-contexto-juridico-brasileiro/3 Acesso em 30 de maio de 2013. São Paulo: Editora Método. pode ser retirada do próprio princípio da reparação integral dos danos. igualdade e fraternidade. Daniel Roberto. 1]ao80 e 105 a 108). [2]O Brasil tem nada menos que 181 mil normas legais. Rizzatto. consagrando determinados direitos fundamentais do consumidor. 2. consumidores sempre existiram. com profundas alterações no curso do direito tradicional.. 2012. Vide em: http://www. Biologia.area=398& tmp. [9]Se for feita a inversão do ônus probatória na sentença consagra-se como regra de julgamento. Curso de Direito do Consumidor. [5]O Decreto-Lei 4. E seu surgimento. Sergio. CAVALIERI FILHO.ed.

[14]PROCON é órgão do poder executivo municipal ou estadual destinado à proteção e defesa dos direitos e interesses dos consumidores.181/1997. Sendo banidas as demais hipóteses. no Recurso Cível 71001281054. Na presença de danos mais propriamente sociais do que individuais.. capaz de propor desenvolvimentos internos e externos. Nesse episódio. Assim. [15]Alguns casos práticos podem ser citados. é o da fraude em sistema de loteria. por reiteradas decisões jurisprudenciais brasileiras. Danos Últimas Publicações Publicações mais lidas hoje A Estrada Vanguardista da Advocacia (10) ATESTADOS MÉDICOS . que condenou o Sindicato dos Metroviários de São Paulo e a Cia do Metrô a pagarem 450 cestas básicas a entidades beneficentes por greve abusiva. Cumpre-lhe basicamente as funções de acompanhamento e fiscalização das relações de consumo ocorridas entre fornecedores e consumidores. [11]A primeira sistemática da boa-fé nos remete aos aspectos da bona fides romana. de gerência e de administração de sociedade privada (68) DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA () Atuação da enfermagem em urgências e emergências (56) + ver todas + ver todas Parcerias: Observatório do Governo Eletrônico 03/02/2015 17:32 . determinou. porém. Novos Direitos.APELAÇÃO CONTRA DECISÃO FILOSÓFICA (79) Súmula 409 do STJ facilita o reconhecimento da prescrição tributária (106) Compensação moral coletiva em decorrência de ilícitos ambientais (70) "LOCAÇÃO . A codificação germânica acabou por adotar sistema aberto. [12]O Código Civil alemão (BGB) trouxe clara contraposição entre a boa-fé objetiva e a subjetiva.br/revista/texto/17960/os-novosdanos#ixzz2UpbBe600 Se logue ou se registre para poder enviar comentários Tags Consumidor Artigo 1137 leituras Direito Consumidor. Danos morais puros não caracterizados. o TJ/RS.com.. A sociedade é vista como uma grande família. A noção atual da boa-fé objetiva sobretudo presente no atual Código Civil brasileiro deve-se em grande parte à experiência alemã. Fraude que retirava ao consumidor a chance de vencer. Sistema de loterias de chances múltiplas. [13]A propósito. em situações complexas. podendo ser estadual. de Direito.egov.232/2005 (109) Educação para sempre (14) Lei do cheque nº 7.Direito do consumidor no século dos novos direitos | eGov UFSC 7 de 7 http://www. A criação do PROCON toma por referência o art. e responder aos problemas impensáveis sendo capaz de dar credibilidade às soluções encontradas. que tinha como finalidade de regulamentar à matéria jurídico-obrigacional. chamado de "caso totobola". Recurso parcialmente provido. É ele que mantém contato mais direto com os cidadãos e seus pleitos. Confira-se a ementa: totobola. atualmente a única hipótese de prisão civil do devedor restou restrita ao devedor de pensão alimentícia. de excepcional aplicação da função punitiva da responsabilidade civil. porém.br/portal/conteudo/direito-do-consumidor-no-séc. Direito Constitucional. recomenda-se o recolhimento dos valores da condenação ao fundo de defesa de interesses difusos. a subjetiva constitui um expediente técnico para exprimir. Possibilidade. DJ 18/07/2007. Leia mais: http://jus. Danos materiais limitados ao valor das cartelas comprovadamente adquiridas. Ação de reparação de danos materiais e morais. municipal ou do Distrito Federal. mantendo a confiança no contrato e sua segurança perante o ordenamento jurídico. na qual sobressai o dever de amor ao próximo. elementos atinentes ao sujeito. a objetiva traduz o reforço material do contrato.com. seguindo-se a conclusão de quem ama o próximo não mente e não trai a palavra dada. Um deles é a decisão do TRT-2ª Região (processo 2007-2288).737/12 (19) Cumprimento de sentença no processo de execução após a Lei 11.Novas alterações na Lei do Inquilinato" (100) A Figura essencial do Gestor Legal (117) Condições da ação no processo civil (97) DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA (321) Prescrição de multas de Trânsito e Transporte (87) DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA () As matérias não sujeitas à preclusão para o estado-juiz (71) DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA () O servidor público e as proibições de exercício do comércio. principalmente no que tange ao âmbito contratual. de ofício.br/revista/texto/17960/os-novosdanos#ixzz2UparSNYO [16]O caso mais emblemático.357 de 02 de setembro de 1985 (109) AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR ATO ILÍCITO . indenização a título de dano social para o Fundo de Proteção aos Consumidores.ufsc.NORMAS GERAIS (299) Delitos cibernéticos: Implicações da Lei 12. Já a boa-fé no direito canônico é encarada como "ausência de pecado". Leia mais: http://jus. 4º do Decreto 2.