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ESCOLA DIACONAL BEATO JOÃO PAULO II

DIOCESE DE ITABIRA CORONEL FABRICIANO - MG
ESCATOLOGIA BÍBLICA E NOVÍSSIMOS

CLAUDIO ROBERTO DA SILVA

A RESSURREIÇÃO DA CARNE SEGUNDO O PENSAMENTO DO TEOLOGO
JOSEFH RATZINGER ENQUANTO SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A
DOUTRINA DA FÉ.

JOÃO MOLEVADE
2014

CLAUDIO ROBERTO DA SILVA

A RESSURREIÇÃO DA CARNE SEGUNDO O PENSAMENTO DO TEOLOGO
JOSEFH RATZINGER ENQUANTO SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A
DOUTRINA DA FÉ.

“Mine” Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
professor e à turma do sexto período do curso de
Diácono Permanente, disciplina “Escatologia Bíblica e
Novíssima” como exigência parcial para obtenção da
conclusão do semestral da disciplina, sob a orientação do
profº. padre Hideraldo Veríssimo Vieira.

JOÃO MONLEVADE

2014

DEDICATÓRIA

Dedico essa obra, de forma individual, ao reverendíssimo senhor Bispo Dom
Odilom Guimarães Moreira, por todo o apoio que me deu possibilitando assim
minha entrada no Seminário para os estudos para o “diaconato permanente”.
Também essa dedicatória à Dom Odilom, pode ser de maneira extensiva e
coletiva, visto que esse grande projeto de diaconia permanente em nossa
Diocese se deve ao seu empenho e apoio ao projeto desde o inicio, no qual
lutou e empenhou para que passasse de um mero sonho à uma realidade
palpável e que cada vez mais se aproxima de sua realização.

AGRADECIMENTOS

Agradeço em primeiro lugar e principalmente a Deus, fonte de amor e justiça.
Sem ele nada disso seria possível, pois Ele é o autor da vida, e quem dá vida à
vida. Ele é a fonte de toda inspiração e quem nos dá animo para seguir a
estrada da vida e de lutar por um mundo mais fraterno. Agradeço a Ele por me
doar a inteligência e o gosto pelo conhecimento.
Ao meu pai, Joaquim Francisco da Silva, exemplo de vida, exemplo de homem
e à minha mãe, sempre no silêncio e na reza me inspirou que o silencio em
certos momentos é o maior argumento, e que a simplicidade não nos faz
menores que os outros, a humildade é uma honra pra quem a possui, além de
ser uma dádiva àquele que a alcançou. Agradeço também e muito especial
minha esposa Josilene Barros e meus filhos Analice e Miguel, são os primeiros
a estarem nas arquibancadas da vida esperando e torcendo pela minha vitória
e o bom desempenho de meu processo vocacional, ao lado de meus irmãos,
dos quais me privarei de citar os nomes por serem muitos, mas todos sabem o
quanto são especiais.
Agradeço aos meus professores, sobretudo ao professor padre Hideraldo
Veríssimo Vieira, que nos fez mergulhar nos mistérios bíblicos e da Tradição no
que diz respeito aos acontecimentos vindouros, aos colegas de curso e de
caminhada vocacional, é sempre uma honra e uma festa está com vocês. Ao
Geraldo Evangelista de Araújo, que tanto se dedica ao bom desempenho de
nossa querida escola.

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* Pulvis es, tu in pulverem reverteris

“Duas coisas prega hoje a Igreja a todos os mortais,
ambas grandes, ambas tristes, ambas temerosas,
ambas certas. Mas uma de tal maneira certa e
evidente, que não é necessário entendimento para
crer; outra de tal maneira certa e dificultosa, que
nenhum entendimento basta para a alcançar. Uma é
presente, outra futura, mas a futura veem-na os
olhos, a presente não a alcança o entendimento. E
que duas coisas enigmáticas são estas? Pulvis es,
tu in pulverem reverteris: Sois pó, e em pó vos
haveis de converter. Sois pó, é a presente; em pó
vos haveis de converter, é a futura.”
(Pe. Antonio Vieira)

*Sermão da Quarta Feira de Cinzas, Padre Antonio Vieira.

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A RESSURREIÇÃO DA CARNE SEGUNDO O PENSAMENTO DO TEOLOGO
JOSEFH RATZINGER ENQUANTO SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A
DOUTRINA DA FÉ.

Para bem refletirmos sobre esse tema tão pertinente proposto em sala de aula,
na disciplina de Escatologia Bíblica e Novíssimos, sobre a Ressurreição da
carne vale levantar uma questão que tem despertado o interesse de muitos
estudantes; o que é certo dizer: ressurreição da carne ou ressurreição dos
mortos? E o que venha a ser essa ressurreição?
De fato as duas expressões estão dentro da profissão de fé católica e fazem
parte de nosso credo, A Igreja Católica possui fórmulas dogmáticas que contém
os principais pontos de sua fé e são utilizadas tanto na Liturgia quanto na
Catequese, são os chamados "símbolos". Sendo assim, tem-se no Símbolo
Apostólico a seguinte expressão: "Creio [...] na ressurreição da carne..." e no
Símbolo Niceno-constantinopolitano: "[...] E espero a ressurreição dos
mortos...", portanto, as duas expressões estão corretas.
Nas missas dominicais em grande parte das vezes, reza-se no momento da
profissão de fé “creio da Ressurreição da carne” no credo simples ou credo
apostólico. Já em alguns momentos fortes da liturgia durante o ano litúrgico,
como por exemplo na Pascoa, a Igreja é convidada a professar o credo na
formula do Símbolo Niceno-Constantinopolitano, o credo mais longo que diz: “e
espero

a ressurreição dos mortos...”

Como afirmado as duas formulas estão corretas e fazem parte do nosso credo,
porem A Congregação para a Doutrina da Fé percebeu que em certos missais
em algumas partes do mundo a palavra "carne" fora substituída pela palavra
"corpo", por isso, no dia 14 de dezembro de 1983, sob a presidência do então
Cardeal Joseph Ratzinger, emitiu o documento "Decisões sobre a tradução do
artigo ‘Carnis resurrectionem’ do Símbolo Apostólico"

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, no qual pediu que

todas as Conferências Episcopais usassem a tradução literal da expressão que
é "ressurreição da carne" e não outras semelhantes.

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A discursão entre os teólogos em torno das duas sentenças e a intervenção da
Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé na questão pedindo que se dê
ênfase no uso da expressão “ressurreição da carne” se deu pela existência de
uma corrente teológica que insiste erroneamente em afirmar que existe uma
ressurreição logo após a morte. É comum, e eu diria até piedoso que durante
exéquias ou em homilias ouvir que aquele irmão que está sendo velado já
ressuscitou. É comum, mas, é incorreto, pois a Igreja ensina que a ressurreição
será somente no final dos tempos.
Nota-se que não é simplesmente uma questão semântica entre as expressões,
visto que se o fosse, nem caberia essa intervenção, mas a questão é muito
mais profunda que possamos mensurar, dado o motivo do pedido da tradução
da expressão “dos mortos” para “da carne”, na ressurreição dos mortos, ainda
que não tenha nenhum tipo de erro doutrinal, dava brechas para interpretações
ambíguas, fundamentando assim a possibilidade de se acreditar na
ressurreição imediata dos mortos, como o exemplo citado. Neste caso a
ressurreição da carne é a confirmação daquilo que acredita a Santa Igreja, ou
seja, que a carne da qual nossa alma imortal é hospede, há de ressucitar no
ultimo dia. A Igreja crê que ao afirmar a ressurreição da carne está sendo mais
clara e enfática no fato de que aquela carne que está sendo velada e sepultada
é que ressuscitará no último dia.
Dada a explicação semântica, e os problemas de interpretação de conceitos do
que venha a ser a expressão mais adequada, passemos agora a analisar como
a Santa Igreja em seu sagrado magistério explica essa ressurreição da carne.
Como é e como se dará?
Para entendermos melhor essa questão, faremos um mergulho no pensamento
do Cardeal Joseph Ratzinger, quando ainda presidente da Sagrada
Congregação para a Doutrina da Fé em 17 de Março de 1979 numa carta que
fora emitida afim de orientar a Igreja sobre “questões referentes à escatologia".
"Esta Sagrada Congregação, responsável pela promoção e a proteção
da doutrina da fé, quer aqui lembrar o que a Igreja em nome de Cristo

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ensina, de modo especial a respeito do que acontece entre a morte do
cristão e a ressurreição universal.
1. A Igreja crê na ressurreição dos mortos.
2. A Igreja entende que a ressurreição se refere ao homem todo; para os
eleitos, ela outra não é senão a extensão da própria ressurreição de
Cristo aos homens.
3. A Igreja afirma a continuação e a subsistência, depois da morte, de
um elemento espiritual dotado de consciência e vontade, de modo a
existir no tempo intermédio o próprio ‘eu humano’, carecendo, porém do
complemento do corpo. Para designar este elemento, a Igreja emprega o
termo ‘alma’, consagrado pelo uso da Sagrada Escritura e da Tradição.
Embora não ignore que este termo possui diversos sentidos na Bíblia,
julga, todavia, que não se pode dar nenhuma razão válida para rechaçálo e, ao mesmo tempo, julga ser absolutamente necessário um termo de
linguagem para sustentar a fé dos cristãos.
4. A Igreja exclui toda forma de pensamento ou de expressão que torne
absurdo ou ininteligível seu modo de orar, seus ritos fúnebres, seu culto
dos mortos - realidades estas que, substancialmente, constituem lugares
teológicos.
5. A Igreja, em conformidade com as Sagradas Escrituras, espera ‘a
gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo’, que, aliás, ela crê
distinta e ulterior em comparação com a condição dos homens
imediatamente após a morte.
6. A Igreja, em seu ensinamento sobre a condição do homem depois da
morte, exclui, porém, qualquer explicação que esvazie o sentido da
Assunção da Virgem Maria no que tem de único; a saber, nesse sentido,
que a glorificação corpórea da Virgem é a antecipação da glorificação
reservada a todos os eleitos.

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7. A Igreja, em adesão fiel ao Novo Testamento e à Tradição, crê na
felicidade dos justos que um dia estarão em Cristo. Ela crê no castigo
eterno que espera o pecador, que será privado da visão de Deus, e na
repercussão desta pena em todo seu ser. Crê, enfim, que para os eleitos
possa haver uma eventual purificação prévia à visão divina, totalmente
diversa, porém, do castigo dos condenados. É isso que a Igreja entende
quando fala do inferno e do purgatório.
Quando se trata da condição do homem depois da morte é preciso
precaver-se, de modo especial, do perigo de representações arbitrárias
e baseadas só na imaginação, pois seus excessos formam parte
importante das dificuldades que amiúde a fé cristã encontra. As imagens
usadas pela Sagrada Escritura, no entanto, merecem respeito. É
necessário compreender o significado profundo das mesmas, evitando o
perigo de atenuá-las demais, pois isso vale muitas vezes a esvaziar de
seu conteúdo as realidades que estas imagens representam.
Nem a Sagrada Escritura, nem os teólogos fornecem luz suficiente para
uma descrição adequada da vida depois da morte. Os fiéis cristãos
devem manter firmemente estes dois pontos essenciais: por um lado,
crer na continuidade fundamental existente, em virtude do Espírito
Santo, entre a vida presente em Cristo e a vida futura (pois a caridade é
a lei do reino de Deus, e pela nossa caridade exercida na terra se
medirá nossa participação na glória divina no céu); mas, por outro lado,
o cristão deve estar consciente da ruptura radical que há entre a vida
presente a futura, já que a economia da fé é substituída pela economia
da luz plena, e nós estaremos em Cristo e ‘veremos Deus’; e nestas
promessas e mistério consiste essencialmente nossa esperança. Se a
imaginação

não

consegue

chegar

até

aí,

o

coração

chega

instintivamente e em profundidade." (DH 4650-4659)
A notável beleza e a riqueza do texto de Ratzinger dispensam comentários
sobre o que é o ensinamento da Igreja a esse respeito, é claro que isso não
reduz a complexidade da questão, algo que nem a congregação pôde negar,
mas pontuaremos alguns aspectos que achamos por bem ressaltar. No ítem 2.

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o documento reafirma a centralidade de Cristo. Se acreditamos que nosso
corpo há de ressuscitar no ultimo dia, é porque em fomos ressuscitados e pela
virtude da cruz. A ressurreição da carne seria uma extensão da própria
ressurreição de Cristo.
No ítem 3. vemos a necessidade de reafirmação da subsistência da alma
depois da morte. A carência do complemento corpo parte do pressuposto de
que a alma, permanecendo viva, ainda que sendo o elemento espiritual é
dotada de consciência e vontade de modo a existir no tempo intermediário ao
próprio “eu-humano”. Outro grifo nosso é o fato de a Igreja não ignorar que
exista diversas interpretações, inclusive erronias a cerca do termo alma,
todavia, se apega às sagradas Escrituras e à Tradição para o uso consagrado
da expressão, denotando o caracter espiritual e eterno da alma.
Para que não haja possibilidade de usar dessa teologia para reduzir ou
esvaziar o sentido da Gloriosa Assunção de Maria aos céus, a Sagrada
Congregação da Doutrina da Fé no item 6. nos faz lembrar que essa condição
do homem frente à morte é o caminho para se chegar à glorificação da carne,
na qual Maria fora a inauguradora entre todas as criaturas.
E num outro momento, o documento nos adverte à nos afastarmos do perigo
das imaginações férteis e das representações arbitrárias que só atrapalha e
nossa compreensão no que tange à teologia dos novíssimos. Porem ele ainda
adverte que as imagens usadas pelas Sagradas, bem como toda a realidade
por essas imagens representadas, independente de qualquer situação
merecem todo o nosso respeito.
Para finalizar, o Cardeal Ratzinger deixa-nos um aconselhamento de como
deve ser nossa atitude diante do que nos diz as escrituras sobre a morte. Ele
vai dizer que a esse respeito, nem mesmo os teólogos e as Sagradas
Escrituras pôde nos dar descrições fundamentalmente adequadas da vida
depois da morte, até porque ninguém morreu e voltou pra dizer como é a vida
do outro lado, o Cristão deve guardar a esperança e na graça do Espirito Santo
derramado ainda na vida presente, Ele é quem guia e prepara os nossos
passos rumo ao grande dia em que o veremos face a face e nós estaremos em

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Cristo Jesus. Enquanto esse grande dia não chega, podemos contemplá-la
com o coração, pois se a imaginação não consegue chegar até lá, e assim
compreendê-la, o coração chega instintivamente e em profundidade para sentíla.