Ano I • Nº 7 • Dez 1999/Jan 2000 • R$ 5,00

www.embalagemmarca.com.br

perspectivas
2 Capa impressa na Gráfica Melhoramentos com papel Metalpel 153g/m Metalizado Prata fornecido pela Málaga

setor espera maior integração no próximo ano
entrevista: graham wallis • documento especial: design

Carta do editor

Parece que será melhor

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m ano atrás, previa-se algo próximo ao caos para o Brasil em 1999. Como sempre é possível que as coisas sejam piores, conclui-se que o ano não foi de todo mau. Isso não se deu por milagre, mas graças a muito trabalho da sociedade – empresas, trabalhadores em geral e até os milhões de desempregados formais. Estes, ao encontrarem formas alternativas de prover o seu sustento, consomem e, assim, ajudam a girar a roda da produção. É com base numa das pontas desse tripé – a das empresas – que tentamos nesta edição traçar perspectivas para a cadeia de emba-

lagem no ano que começa. Durante quarenta dias, a equipe de EmbalagEm­ marca consultou dezenas de profissionais de empresas envolvidas com a cadeia de embalagem para coletar dados, opiniões e sugestões que pudessem ser transformados em material de apoio ao setor em seu planejamento e no dia-a-dia do próximo ano. Não pretendemos fazer previsões infalíveis. Se conseguirmos dar algumas dicas úteis ficaremos satisfeitos. E alegra-nos dizer que, segundo a opinião da maioria dos entrevistados, aparentemente 2000 vai ser melhor que 1999.

Além desse serviço, a edição traz a cobertura especial de três eventos relativos à importância da embalagem e de atividades a ela ligadas para o bom desempenho geral dos produtos. Esses eventos, realizados em Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte, foram apoiados oficialmente por EmbalagEmmarca. Ao encerrar-se o ano, registro os agradecimentos da equipe ao apoio recebido do setor, nas mais variadas formas, desejando a todos um 2000 repleto de bons negócios e de alegria na vida pessoal.

Wilson Palhares

Ano I • Nº 6 • Novembro 1999 • R$ 5,00

w w w.embalagemmarca.com.br

Espaço aberto
marca é a principal fonte de infor­ mação em nível nacional para o nosso departamento de criação e design. Aproveitando, gostaria de informar que na reportagem “As formas do perfume brasileiro” (EmbalagEmmarca nº 4), as tam­ pas da deo­colônia Mulher, feitas para Água de Cheiro, são de minha criação. Marcos Eugênio Vega Designer TME Plásticos São Paulo – SP

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REFRESCOS EM PÓ AVANÇAM • GERENCIAMENTO LOGÍSTICO EM TRANSPORTES

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rabalho na área de marketing fazendo análises de mercado. São trabalhos para uso interno e que nos ajudam a acompanhar as movimen­ tações e tendências que ocorrem nos diversos setores da nossa eco­ nomia. Para isso, precisamos ler muito e estar constantemente atua­ lizados e supridos com informa­ ções. Navegando pela internet, des­ cobri a revista EmbalagEmmarca, e não foi preciso muito para saber que esta publicação será uma exce­ lente fonte de informações que muito ajudarão no desenvolvimen­ to de nossos trabalhos. Paulo Nulli Assistente de marketing TV Globo Ltda São Paulo – SP ecebi mais uma edição de EmbalagEmmarca. É linda. Para­ béns. Bia Bansen Diretora Bansen & Associados São Paulo – SP arabéns pela publicação, muito bem elaborada e de bom gosto. Ubiratan Castanha Castanha Photo Design São Paulo – SP

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rabalho com design há seis anos e gosto muito do site de vocês. Leio todas as reportagens. Aline Bittencourt Diretora de arte Pro>Target Comunicação e Marketing Porto Alegre – RS extremamente gratificante para nós, profissionais do ramo de emba­ lagem, depararmos com uma revis­ ta que, além de abordar matérias atuais com um enfoque mercadoló­ gico moderno, nos causa prazer, pois sua linguagem é simples, mas com conteúdo denso. Profissionais como vocês fazem a diferença. Miguel Ascoli Neto Diretor Industrial Labeltech Rótulos Jaguariúna – SP

ecentemente, tive a oportuni­ dade de conhecer EmbalagEm­ marca. Fiquei muito surpreso com a qualidade, com o conteúdo e com a diagramação bastante agra­ dável. Percebo que a revista me manterá atualizado quanto às ten­ dências de mercado e inovações técnicas. Douglas Alexander Ferro Diretor técnico Laboratório Nacional Cosmecêutico Goiânia – GO

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m nome da Associação dos Pro­ fissionais em Design do Rio Gran­ de do Sul, vimos agradecer pelo apoio ao I Seminário de Embala­ gem Apdesign, realizado no dia 18 de novembro em Porto Alegre. Luciano Deos Presidente Apdesign Porto Alegre – RS

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mbalagEmmarca é realmente muito interessante. Acho impor­ tante para um profissional da área de marketing como eu. Deise Lopes Corrêa Consultora de Marketing Telefônica Celular São Paulo – SP

ós, que fazemos a rc Meneses, estamos felizes em poder receber EmbalagEmmarca com todas as informações preciosas para o nosso crescimento. Robney Costa Meneses Diretor geral rc Meneses Fortaleza – CE oi com muita satisfação que recebi a edição de novembro da revista EmbalagEmmarca. Fiquei muito impressionado com a quali­ dade e variedade das matérias con­ tidas nessa edição. Roberto Caldas HAQQ Design Rio de Janeiro – RJ

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arabéns à EmbalagEmmarca pelo excelente conteúdo editorial e visual. É fácil perceber que se trata de uma revista séria, com a propos­ ta de informar com qualidade e res­ ponsabilidade seus leitores sobre tudo o que se refere a embalagem, marca e design. Hoje, EmbalagEm­

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dorei a revista e o site de EmbalagEmmarca. Vocês estão de parabéns. Cristiane Arakaki Designer gráfica NTI Brasília – DF ais uma vez elogio Embala­ pois como parece ela está se tornando um exemplo em matéria de assuntos relativos a embalagem e design. Na edição de
gEmmarca,

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ue vocês continuem sempre assim. As matérias são ótimas, não têm que mudar em nada. Eu adoro a revista EmbalagEmmarca. Aglais Catini Sócia­proprietária Catini & Catini Marília ­ SP

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novembro (nº6) a matéria de rótulos foi gratificante. Os rótulos personi­ ficam os produtos e agem como indutores de ações de escolha. Mauricio Camim Filho Técnico de Embalagem Senior Natura São Paulo – SP á tempos espero uma revista como esta, uma vez que sei o quan­ to ainda estamos caminhando na difusão de embalagens mais fortes. Parabéns pelo excelente trabalho. Espero que continuem mantendo a qualidade. Pery P. Pedro Estudante Esalq – USP Piracicaba – SP enhor editor: Foi uma agradável surpresa recebermos EmbalagEm­ marca, já no seu 6º número. Exce­ lente qualidade editorial, com visual e leitura bastante agradáveis, maté­ rias atuais e de grande interesse prático – certamente será de grande valia para muitas empresas. Votos de sucesso, veiculando esse seg­ mento que tem muito ainda a cres­ cer no Brasil. Parabéns! José Carlos Rizzieri Diretor Gráfica Rami São Paulo – SP ostaria de parabenizar a revista EmbalagEmmarca, que tanto aju­ da os estudantes de design. Aline Alves Estudante Manaus – AM

Brahma do ano 2000
Lumipack representa fabri­ cantes de materiais de embalagens para as indústrias alimentícia, cos­ mética e farmacêutica. Dentre essas empresas, representamos a Isamar Shrink Films & Systems, da Argentina, que produz filmes poliolefínicos, PVC flexível e também sleeves, além de equipa­ mentos para aplicação desses materiais. Esses sleeves são conhe­ cidos hoje no Brasil em função de um trabalho árduo de divulgação, incluindo a participação em gran­ des concorrências. Uma dessas concorrências foi na Brahma, para fornecer o sleever

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da garrafa de 600ml comemorativa da passagem do ano 2000. A Isa­ mar ganhou essa concorrência e iniciou o fornecimento de 4 milhões de unidades na metade de novembro, juntamente com três equipamentos compostos de túnel e esteira para aplicação, na unida­ de de Lages (SC) da cervejaria. Para nossa surpresa encontramos na edição nº 6 da revista uma reportagem mencionando a Slee­ ver International como fornecedo­ ra desses sleeves para a Brahma, o que efetivamente não ocorreu. Gostaríamos que houvesse um esclarecimento na próxima edição, com o mesmo destaque que foi dado à matéria do nº 6. Caso não haja espaço suficiente, quem tiver dúvidas por esclarecê­las no tele­ fone (11) 885­7406. Aproveito para transmitir minha admiração por sua coragem em iniciar uma empreitada, bem sucedida, do por­ te de EmbalagEmmarca, que traz matérias excelentes e uma apre­ sentação primorosa. Edward Bergel Lumipack Representações São Paulo, SP A informação divulgada na edi­ ção nº 6 foi dada pela Sleever International, segundo ele num momento em que a concorrência estava em andamento.
Mensagens
para

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eMbalageMMarca

om muita satisfação tomamos co nhe ci men to des ta ex ce len te publicação. Nossa empresa repre­ senta alguns fabricantes de equi­ pamentos, como, por exemplo, máquinas enchedoras, enxaguado­ ras, tampadoras, mixers, carbon­ atadores, paletizadoras e transpor­ tadores pneumáticos. Décio Vital Sócio Gerente Vital Engenharia e Representação São Bernardo do Campo – SP

Redação: Rua Arcílio Martins, 53 Chácara Santo Antonio CEP 04718-040 São Paulo, SP Fax: (011) 5181-6533 E-mail: redacao@embalagemmarca.com.br As mensagens recebidas por carta, e-mail ou fax poderão ter trechos não essenciais eliminados, em função do espaço disponível, de modo a dar o maior número possível de oportunidades aos leitores. As mensagens poderão também ser inseridas na home page de EmbalagemMarca

dez 1999/jan 2000 • embalagemmarca – 5

dez 1999/jan 2000
Diretor de Redação Wilson Palhares
palhares@embalagemmarca.com.br

Reportagem
redacao@embalagemmarca.com.br

Flávio Palhares, Guilherme Kamio, Leandro Haberli,Thays Freitas Colaboradores Adélia Borges, Fernando Barros, Josué Machado, Liliam Benzi, Luiz Antonio Maciel, Maria Clara de Maio Diretor de Arte Carlos Gustavo Curado Administração Marcos F. Palhares (Diretor) Eunice Fruet (Financeiro) Departamento Comercial
comercial@embalagemmarca.com.br

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ENTREVISTA: GRAHAM WALLIS Diretor da Datamark aponta as principais tendências de uso de embalagens PERSPECTIVAS 2000 Um serviço que mostra possíveis caminhos do setor e as expectativas dos profissionais da cadeia de embalagens para o ano que começa

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LOGÍSTICA Uso de satélites de rastreamento e novas tecnologias de informação fazem uma revolução no setor de transporte de cargas EVENTOS 2000 Calendário com os principais congressos, feiras e seminários que ocorrerão no Brasil e no exterior no próximo ano ALMANAQUE Fatos curiosos do mundo da embalagem

José Carlos Pinheiro, Sílvia Sala, Wagner Ferreira Circulação e Assinaturas
assinaturas@embalagemmarca.com.br

Cesar Torres Público-Alvo
EmbalagEmmarca é dirigida a profissionais que ocupam cargos técnicos, de direção, gerência e supervisão em empresas fornecedoras, con­ vertedoras e usuárias de embalagens para alimentos, bebidas, cosméticos, medicamen­ tos, materiais de limpeza e home service, bem como prestadores de serviços relacionados com a cadeia de embalagem. A revista é dis­ tribuída gratuitamente a órgãos governamen­ tais, universidades, centros de pesquisa, asso­ ciações, imprensa e agências de propaganda.

Fotolito Novo Fotolito Impressão Novo Fotolito Tiragem 6 000 exemplares EmbalagEmmarca
é uma publicação mensal da Bloco de Comunicação Ltda. Rua Arcílio Martins, 53 – Chácara Santo Antonio ­ CEP 04718­040 ­ São Paulo, SP Tel. (11) 5181-6533 • Fax (11) 5182-9463

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O conteúdo editorial de EmbalagEmmarca é resguardado por direitos autorais. Não é per­ mitida a reprodução de matérias editoriais publicadas nesta revista sem autorização da Bloco de Comunicação Ltda. Opiniões expres­ sas em matérias assinadas não refletem necessariamante a opinião da revista.

DOCUMENTO Cobertura especial de três eventos ligados a design de embalagem e sua função vendedora Porto Alegre Caminhos para evitar atritos entre as partes envolvidas em projetos São Paulo Um debate sobre como dinamizar o mercado Belo Horizonte Além do visual, projetos de embalagem devem levar em conta a função

E MAIS
CARTA DO EDiTOR ......................... 3 ESPAÇO ABERTO ........................... 4 DiSPLAY ........................................ 40 COMO ENCONTRAR .................... 49
iLUSTRAÇãO DE CAPA: EDiTORiA DE ARTE

ENTREVISTA

Mudanças a caminho

GRAHAM WALLIS, diretor da Datamark, especializada em estudos de mercado sobre produtos de consumo, faz previ­ sões sobre tendên­ cias de uso de emba­ lagem às vésperas do próximo milênio. Em algumas áreas, como a de distribuição, ele antevê uma revolução
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oje, quando uma empre­ sa estrangeira quer se instalar no Brasil, tem à disposição uma quanti­ dade expressiva de dados confiáveis sobre as dimensões dos mais variados segmentos de mercado, sobre hábitos de consumo e sobre volu­ mes de produção e de uso de embalagens. Principalmente nesta última área, a existência de infor­ mações fartas e boas se deve em boa parte à iniciativa de Graham Wallis, um escocês formado em Ciências Naturais na Universida­ de de Edimburgo. Em 1966, ele veio ao Brasil com a missão de instalar no país uma subsidiária de uma empresa ingle­

sa de embalagens. Grande parte do trabalho foi gasto para atender a um exigência já comum, na épo­ ca, em empresas estrangeiras: informações de mercado, sua dimensão, quem compra, quem fornece, qual o potencial de cres­ cimento, qual o tamanho da con­ corrência – enfim, dados capazes de orientar a ação. Especialmente, faltavam dados sobre o mundo da embalagem. Ao terminar seu con­ trato, em 1969, Wallis não voltou para a Inglaterra. Percebeu que o suprimento de informações desse tipo num mercado com o poten­ cial do brasileiro poderia ser um excelente negócio. O primeiro trabalho que desen­ volveu, como prestador de servi­ ço, foi para a Gessy Lever e cen­ trou­se principalmente em distri­ buição. Mais tarde, desenvolveu outro, para a BAT – British Ame­ rican Tobacco, da qual a Souza Cruz é subsidiária no Brasil. Foram duas oportunidades de conhecer o país inteiro e caracte­ rísticas de muitos de seus merca­ dos regionais. Em 1982, já com experiência acumulada de novos trabalhos que iam sendo enco­ mendados, Wallis resolveu fundar a Datamark Intelligence Brazil. De uma pequeno escritório que no primeiro ano se lançou ao traba­ lho de coletar, tabular, comparar – manualmente – as relações entre fornecedores e usuários de emba­ lagem no Brasil, a Datamark se transformou numa empresa espe­ cializada em informações e edi­ ção de estudos de mercado sobre embalagens e produtos de consu­ mo. Hoje totalmente informatiza­ da, a empresa está presente na Internet, onde acaba de lançar um serviço de informações on­line, o Bra zil Fo cus, em seu website.

foto: andré godoy

Os setores analisados pela empre­ sa abrangem desde o automotivo e o eletroeletrônico até os de ali­ mentos, bebidas e cosméticos, passando por linha branca e outros. Sua abrangência extrapolou o ter­ ritório nacional, passando a atingir outros mercados da América do Sul. É apoiado nesse banco de dados construído em quase duas décadas que Graham Wallis faz, nesta entrevista, algumas previ­ sões sobre as principais tendên­ cias de uso de embalagem às vés­ peras do novo milênio. O que uma empresa fornecedora, transformadora ou usuária de embalagens deve considerar como principais tendências no ano – ou século, ou milênio, como muitos preferem – que se inicia? Num primeiro momento, acho que essas empresas já devem estar sendo atingidas pela conjuntura relacionada com esse momento meio especial do calendário. Acre­ dito que os pedidos de certos seto­ res aumentaram, talvez devido à preocupação com possíveis difi­ culdades de início de ano. Isso poderá tornar um pouco negativo o começo do ano, porque as com­ pras já foram feitas antecipada­ mente, em 1999. Uma das possíveis dificuldades a que o senhor se refere seria o bug do milênio? No meu entendimento, a chegada do milênio representa acima de tudo um excelente marketing. Nada vai mudar tanto. O próprio bug do milênio não é nada de mais. A maioria das pessoas, indi­ vidualmente, não vai ser atingida por ele. Talvez um ou outro banco, empresas de eletricidade e abaste­ cimento de água que não conse­ guirem colocar as coisas em ordem para o momento da passagem dos dígitos 99 para 00 sintam o pro­ blema. Pode ser que o governo

não consiga cumprir prazos, como no caso de pagamentos de pensões de aposentados. Mas não será nada como possivelmente ocorre­ rá em países da África ou na Rús­ sia. O Brasil, de modo geral, está relativamente bem preparado para enfrentar essa situação. Na minha previsão, a maioria das grandes empresas não deverá enfrentar problemas.

Há notícias

de que mais de interessada em produzir PET, como forma de

uma vidraria estaria

volumes em que o vidro predomi­ na, que é o de cerveja. O ano 2000 poderá ser o ano em que se consolidará o uso de embalagens de PET para cerveja? Acho que ainda é cedo. Esse esfor­ ço é muito grande nos Estados Unidos. Lá, como aqui, existem muitas empresas com capacidade para produzir esse vasilhame. Mas, também lá como aqui, um dos entraves à adoção do PET para cerveja é a preocupação com a reciclagem, que é difícil porque em geral as embalagens são multi­ camadas, feitas de materiais dife­ rentes e até de cores diferentes. Os materiais necessitam ser separa­ dos para poderem ser reciclados. Programas eficazes de reciclagem poderão trazer benefícios concre­ tos para alguns materiais ou pro­ dutos? Por exemplo: se os fabri­ cantes de um determinado mate­ rial reciclarem a maior parte das embalagens descartadas isso poderá refletir­se em conquista de imagem que se traduza em mais vendas? Teoricamente, sim. Mas, no final das contas, o que manda nessas coisas é o esforço de marketing das empresas de cervejas e refrige­ rantes e o custo do produto final. É preciso definir se o custo da emba­ lagem pesa ou não. Então, é uma decisão das empresas de bebidas, muito mais do que das empresas de embalagens. Vamos imaginar o seguinte: se um fornecedor vende uma lata de cerveja por 13 centa­ vos de dólar e reduz o preço para 9 centavos de dólar, isso fará gran­ de diferença para o consumidor final? O que faz diferença para ele é se a cervejaria vai fazer um esforço de marketing para este ou aquele produto, ou se está disposta a rever a tabela de preços, como forma de incentivar um produto em vez de outro. Isso tem muito mais força do que uma redução

recuperar mercados que o vidro perdeu, sobretudo em populares produtos bem

Com base no estreito contato que o senhor e sua equipe têm com empresas dos mais variados seg­ mentos, foi possível detectar algu­ ma tendência de uso de embala­ gens no ano ano que vem? Tendências de uso de embalagem não ocorrem de um dia para o outro. É uma coisa que vem de longe, vem crescendo. Mas ouvi­ mos de mais de uma empresa de vidro que há interesse em produzir PET, como forma de recuperar mercados que o vidro perdeu, sobretudo em produtos bem popu­ lares. Foi o caso de refrigerantes. Agora há um esforço muito grande dos fabricantes de PET para entrar em outro mercado de grandes

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mínima no preço da embalagem. A embalagem é o presunto no meio do sanduíche, fica prensada. Mas ela tem peso relativamente peque­ no no custo final dos produtos, exceto no caso do alumínio. Mas o que se ouve dizer muito é que os preços sobem por causa dos custos das embalagens. Isso acaba acontecendo com empresas pequenas, que têm difi­ culdades maiores para ajustar as coisas. Elas são forçadas a aceitar aumentos de preços de um lado e reajustes negativos de outro em termos de embalagem final. Essa é uma dificuldade. Mas, em compa­ ração com o esforço representado pelo ato de jogar 200 milhões de dólares em marketing de um pro­ duto, isso não é nada. Acho que são duas coisas diferentes e que é um absurdo compará­las. É claro que todo mundo quer embalagem mais econômica, mais eficiente, mais produtiva. Mas, no fim das contas, ela tem efeito limitado no custo total. O senhor se referiu ao preço da embalagem de alumínio. Em For­ taleza, a Metalic, do grupo Vicu­ nha, está fornecendo latas de aço para refrigerantes e cervejas, principalmente para empresas do Nordeste do país, como alternati­ va ao alumínio. Essa embalagem tem condições de se consolidar no Brasil? O volume fornecido é relativa­ mente pequeno, cerca de 5% no total do mercado de latas. A lata de aço atende muito bem o mercado da região, mas vai ser muito difícil justificar o transporte de uma lata de Fortaleza para São Paulo. Não se pode, em vez de transpor­ tar as embalagens, montar uma fábrica? Sim, mas o modelo que estamos seguindo aqui para refrigerantes e

cervejas é principalmente o mode­ lo americano. Não vejo muito interesse por aço. Mesmo apesar do preço menor? O investimento em infra­estrutura é maior para o aço. Essa é uma atividade que exige capital. O aço tem um componente muito inte­ ressante: as aparas e o refil prati­ camente não têm valor, ao passo que o refil do alumínio tem valor muito alto para a reciclagem.

gerantes não é suficiente a ponto de justificar sua adoção de forma mais ampla. O que se tem notado é o cresci­ mento acentuado do uso de emba­ lagens flexíveis. Essa tendência vai prosseguir no próximo ano? Esse é o mercado! As embalagens flexíveis vão ser cada vez mais dominantes. Só para dar idéia: em 1998 o consumo de flexíveis no Brasil foi de 340 000 toneladas, incluindo todas as embalagens com mais de um componente, como laminados, co­extrudados e produtos tipo Tetra Pak, que tam­ bém são estruturas flexíveis e se comparam, por exemplo, com plásticos em geral, cujo consumo foi de 1 milhão de toneladas. Com­ parando os valores: o valor dessas 340 000 toneladas é quase 2,3 bilhões de dólares, enquanto o valor de 1 milhão de toneladas de plástico é 2,7 bilhões de dólares. Isso parece indicar apenas que os flexíveis são mais caros. Em termos de valor é evidente que é um valor mais alto. Acontece que eu posso, por exemplo, reduzir a espessura de uma lâmina de alumí­ nio numa embalagem composta. Com uma estrutura mais fina, mais leve, o preço cai. Os componentes da embalagem flexível são com­ prados por quilo, mas o rendimen­ to se dá por metro. Tornando os componentes mais finos e mais leves obtem­se mais rendimento. Quero lembrar que vem se regis­ trando no Brasil uma tendência de substituição do sistema de sopro do filme para o sistema de calan­ dragem. Neste se obtém um filme muito mais regular, de estrutura mais consistente. Alguns micra a mais na espessura do filme, por poucos que sejam, significam jogar dinheiro fora. A calandragem per­ mite produzir o filme no limite da espessura necessária, sem excesso
dez 1999/jan 2000 • embalagemmarca – 11

As embalagens

flexíveis vão ser dominantes. O sopro do filme vem sendo subgem, que dá um produto mais regular. Alguns micra a mais na espessura significam jogar dinheiro fora

stituído pela calandra-

Quem produz as latas é um trans­ formador. Ele considera esses fatos. Além disso, nas linhas de enchimento todo lote de latas que chega precisa de ajustes nas máquinas. Isso complica, dificulta as vendas. O fabricante pode pro­ duzir mais barato, mas cada vez que entra um lote na fábrica é pre­ ciso reorganizá­la toda, ajustar todas as máquinas. Se for se ajus­ tar todas as máquinas a cada cinco minutos, vão se perder tantas horas de produção que qualquer vanta­ gem de preço estará perdida. Geralmente, as empresas têm linhas dedicadas: uma linha só tra­ balha com aço, outra, só com alu­ mínio. No Brasil o volume de uso da lata de aço para cerveja e refri­

de material, obtendo­se uma impressão sem problemas. Isso pode ser interpretado como uma tendência favorável à impres­ são flexográfica em prejuízo da rotogravura? Sem dúvida. Vamos mudar gra­ dualmente da rotogravura para flexografia. A qualidade é basica­ mente a mesma. O leigo não vai notar diferenças. Há diferenças significativas de custos entre os dois processos? O benefício do custo em flexogra­ fia é extraordinário, porque o set­ up passa de dias para horas, ou de horas para minutos. Isso é muito importante, especialmente hoje em dia, quando a tendência de segmentação de mercado se acen­ tua sem parar. Dez anos atrás OMO era um só produto. Hoje são cinco ou seis, para diferentes fins. Isso explica por que, em vez de ter tiragens enormes, como antes, OMO divide as tiragens em vários lotes de variedades especí­ ficas. A eficácia e a flexibilidade de produção têm de aumentar, e a flexografia pode ajudar muito nesse sentido. Cada vez mais as pessoas querem coisas personali­ zadas. A diferenciação implica problemas de tiragem. Quando se reduz a tiragem, o custo unitário de produção sobe. Comparativa­ mente, sobe menos em flexogra­ fia do que em rotogravura. Em flexíveis uma tendência muito forte no exterior são os stand­up pouches. Essa embalagem tem futuro a curto prazo no Brasil? Surpreende­me que até agora não tenha pegado. Não sei exatamente qual é o problema. Estive no Chi­ le cinco ou seis anos atrás, e o stand­up pouch estava lá, nos mais variados produtos. Imaginei: “Isso vai estar no ano que vem no Brasil”. Mas não veio, não sei se

por causa de resistência dos pro­ fissionais de marketing ou devido à resistência do consumidor. O stand­up pouch é uma embala­ gem supereconômica, muito indi­ cada para um país como o nosso. Havia até uma empresa pronta para lançar máquinas para stand­ up pouches no Brasil, mas devido ao insucesso da embalagem ela praticamente parou. Mas o stand­ up pouch é uma alternativa dispo­

mas infelizmente o sistema de distribuição manda 100 toneladas para o Rio toda semana, quando eu necessito de 70 toneladas. Isso vai mudar radicalmente. Como vai mudar? O consumo passará a ser muito mais rápido. Hoje, quando se entra num supermercado, 10% a 20% dos produtos não estão disponí­ veis, principalmente no final da tarde. Gôndolas vazias significam perda total de eficiência, signifi­ cam perda para o supermercado e para o fabricante do produto. É importante que a gôndola esteja sempre abastecida, na medida necessária. Se um produto vende determinado volume num super­ mercado e um volume diferente em outro, não tem sentido ter o mesmo volume nos dois. É uma questão de reanalisar as vendas, de utilizar as informações que estão além do código de barras, coisa que praticamente ninguém faz. Como isso pode ajudar em termos de logística? Hoje, muitos supermercados rece­ bem N caminhões de entrega por dia. Se um deles perde o horário, tem de voltar no dia seguinte. Nesse meio tempo o produto pode ter acabado nas gôndolas. Assim, o supermercado e o fabricante perdem vendas. Com informações mais precisas, serão utilizados menos caminhões, que terão pro­ dutos destinados exclusivamente a um supermercado. Vai mudar radicalmente o atual pinga­pinga, um pouco aqui, um pouco ali, mais um pouco na próxima loja. As vendas aumentarão sem inves­ timento, porque o supermercado vai vender mais, sem aumentar o espaço. Simplesmente vai girar mais. O único inconveniente é que esse transporte vai ter custo, mas acredito que o aumento das ven­ das compensará.

Devemos nos preuma revolução

parar para assistir a nos sistemas de

distribuição. Não pode existir mais essa coisa de pedidos pendentes, que são uma conseqüência ineficiente de distribuição

nível de embalagem. É preciso que alguém aproveite a oportuni­ dade que isso representa. Não é a única oportunidade ina­ proveitada no Brasil. No caso de distribuição e logística não esta­ ria também ocorrendo distração? Devemos nos preparar para assis­ tir a uma revolução nesse campo. A distração é menor do que pare­ ce, e começa a haver uma grande mudança no atual sistema de dis­ tribuição. Está ficando claro que não pode existir essa coisa de pedidos pendentes, que são uma conseqüência de distribuição ine­ ficiente. Veja só: o meu produto está todo em Curitiba e o meu mercado está no Rio de Janeiro –

12 – embalagemmarca • dez 1999/jan 2000

CAPA

perspectivas

u

No fim das contas, 1999 foi menos ruim do que se previa. Com base nisso, em investimentos e na modernização da indústria, o setor espera um 2000 mais ameno, enquanto busca a integração

m sentimento quase unânime entre os profissionais ligados à cadeia de embalagem é a aposta no crescimento da eco­ nomia em índices entre 3% e 4%, na contenção da inflação em níveis civiliza­ dos e no equilíbrio cambial, com o valor do dólar limitado a cerca de R$ 1,85, como quer o governo. Esse conjunto, que se traduz em alguma tranqüilidade material e em certo equilíbrio psicológi­ co das pessoas, resulta em última análi­ se em mais consumo de produtos e, por­ tanto, de embalagens. Tais expectativas ganham respaldo no desempenho de 1999, considerado, se não bom, pelo menos razoável ante o quadro real e os prognósticos terríveis traçados no início do ano. O país vivia a maxidesvalorização da moeda, e o cená­ rio pintado pelos mais respeitáveis nomes era de queda do PIB, o que não ocorreu. É isso que faz acreditar que 2000 tem tudo para ser melhor, apesar de a renda do grosso da população per­ manecer baixa. E unânime mesmo no setor é a busca de integração. Veja nas próximas páginas.

Esta reportagem especial só se concretizou por causa do apoio dos seguintes profissionais:
Adriana Stecca (CSN), Alexandre martins (Votorantim), Aline Santos e Alexandre mello (elida Gibbs), Christian Klein (Novelprint), Cláudia Pereira (Imaje), Denis Ribeiro (Abia), Doraci Guimarães (Philip morris), Fábio Fonseca (mobil), Fer­ nando moraes (Bekum do Brasil), Fernando Silveira (mead), Flávio málaga (málaga), Graham Wallis (Datamark), Hermes Contesini (Abepet), Jean Peter (Siresp), Joaquim Vilela (Willett), José eduardo Franceschetti (O Boticário), Júlio Barbedo (Cisper), Leandro Fraga (Rhodia­ster), Luis Fernando Cassineli (OPP Petroquímica), Luís madi (Cetea), márcia moreira (Sunnyvale), marina Galvão (Politeno), merheg Cachum (Abiplast/Sindiplast), Nelson Galhardo e Walmir Soller (Du Pont), Nilson Cruz Jr. (Fabrima), Níveo José maluf (Igaras), Paulo Augusto Gomes (metalic), Paulo Sérgio Peres (ABPO), Pedro Luiz Passos (Abihpec), Ricardo Vaz (Alcoa), Roberta Gregório de Oliveira (Alcan), Ronald Sasine (Rigesa), Salomão Qua­ dros (FGV), Valdir Lima (3m).

AgrAdeCimentos

dez 1999/jan 2000 • embalagemmarca – 13

UsUÁrios
segmento de alimentos como indicadores de melhora da situação sócio-econômica nos últimos cinco anos. Para muitos essa melhora é inconsistente, mas dá a medida de como são significativas as oscilações de mercado do setor. Para os próximos anos, a afirmação de tendências comportamentais, como a individualização das porções e o crescimento do mercado de conveniência, bem como o acirramento da concorrência em segmentos cada vez mais específicos, prometem elevar ao máximo a importância da boa apresentação e da eficiência da cadeia produtiva – com a relevância crescente do Efficient Consumer Response, ou ECR. Maneiras de garantir uma embalagem diferenciada e impactante inclusive a produtos commodities, mas que não elevem custos de forma comprometedora, parece ser a meta comum. Nesse ponto, a dúvida persiste, pois os rumos da economia ainda são enigmáticos. Mesmo assim, há fortes tendências verificadas nos últimos anos que devem se afirmar ainda mais em 2000. No campo dos materiais, o papel-cartão, largamente utilizado pelo setor, tende a oferecer resistência maior em gramaturas mais baixas e vislumbra possibilidades enormes com os produtos hortigranjeiros, e o papel em geral continua como material mais utilizado, apesar de perder alguns nichos; as resinas plásticas ganham força, principalmente porque oferecem soluções para apresentações porcionadas de produtos; e a maior evolução certamente se dará no campo dos filmes flexíveis, que deverão desenvolver cada vez mais aspectos de barreira, apresentação visual (opacidade em filmes metalizados) e estruturas easyopen. O vidro e o aço ainda deverão se ocupar de segmentos já identificados fortemente com seu uso. Em rotulagem, ganharão importância tabelas nutri-

Alimentos – O Plano Real elegeu produtos do

A meta comum é

encontrar maneiras de garantir embalagens

diferenciadas, inclusive em commodities, mas sem comprometer muito os custos.

O problema é que os rumos da economia

cionais e informações de reciclabilidade, exigências do consumidor mo der no, en quan to que em embalagens secundárias os displays deverão ser cada vez mais trabalhados e práticos nas aberturas – os de cartão poderão ser substituídos gradativamente por caixas de papelão corrugado ou filmes de polietileno encolhível. Para todos os participantes da pesquisa a maior ameaça para o setor é clara: o aumento de custos dos insumos (inclusive o petróleo, que elevaria gastos com embalagem) e a conseqüente dificuldade em repassá-lo para o preço final do produto. De qualquer forma, o setor se mostra otimista quanto a crescimento de mercado, inclusive em exportações – a expectativa é de crescimento em torno de 8 a 10%. Segundo Denis Ribeiro, do departamento econômico da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação, as empresas poderão trabalhar em 2000 sem tanta pressão, causada pela alta cambial do início de 1999.

ainda são enigmáticos

CosmétiCos – Mais do que puro neologismo, o termo cosmecêutico designa uma efetiva e auspiciosa perspectiva para o futuro do mercado de cosméticos. Os produtos de beleza se valem cada vez mais da farmacologia e da biotecnologia para desenvolver novos e mais eficientes tratamentos. Além do crescimento de mercado em si, essa tendência promete abrir amplo leque para o desenvolvimento de embalagens destinadas a esta nova geração de cosméticos. Entre os vários exemplos de tipos de embalagens com enorme potencial de desenvolvimento, destacam-se os fras-

14 – embalagemmarca • dez 1999/jan 2000

UsUÁrios
cos com válvulas pump, dotados de divisão interna. Neles, os produtos podem ser acondicionados em compartimentos distintos, para garantir que o conteúdo não se misture, salvo na hora da aplicação. Apesar de bastante difundido no exterior, o sistema é fabricado no Brasil por pouquíssimas empresas. Apesar de encarados com ressalvas por instituições como a FDA – Food and Drugs Administration, dos Estados Unidos, os cosmecêuticos devem realmente abrir novas e excelentes oportunidades de negócio no mercado de produtos de beleza. O crescente número de fabricantes que teve sucesso de vendas de produtos com combinação científica e medicinal comprova isso. A Yakult Cosmetics, que já em 1961 lançou a primeira linha de cosmecêuticos, é precursora de uma tendência que deve se efetivar ainda mais daqui para a frente. Daquele lançamento até hoje, o mercado tem absorvido o conceito aceleradamente. Isso se reflete em promissor boom no desenvolvimento de embalagens especialmente adaptadas. Assim, o maior tempo de prateleira e outras necessidades específicas dos cosmecêuticos, como a imiscibilidade, devem ser observados com atenção, já que podem reverter em novas oportunidades de negócio para embalagens. Contudo, o setor não vive apenas de expectativa de crescimento. A nova Lei de Informática, que prevê isenção fiscal para empresas que se instalarem na Zona Franca de Manaus, é uma das preocupações. A Lei, que isentaria também a indústria de cosméticos e higiene pessoal, é, de acordo com a Abihpec – Associação Brasileira das Indústrias de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, uma ameaça de desestruturação do setor. A entidade prevê que, se aprovada, a Lei induzirá a indústria cosmética instalada em outros Estados a transferir-se para a região da Zona Franca. Dessa forma, a renúncia fiscal prejudicaria o setor, que já tem fábricas instaladas em todas as regiões do país. Pior: como o incentivo é concedido por até dez anos, as empresas provavelmente acabariam abandonado a Zona Franca após

UsUÁrios
esse período, o que ocasionaria inúmeras demissões. Por tudo isso, os empresários do setor esperam que o Senado, onde o projeto de Lei será votado, mantenha o texto em que as empresas de produtos de higiene pessoal e cosméticos não têm isenção fiscal para instalação na Zona Franca de Manaus. dúvida em relação ao destino das embalagens secundárias de papel – embora seja precoce uma avaliação radical, pois em muitos casos ela serve para facilitar questões de estoque e transporte. Ao lado de uma esperada proliferação em embalagens e mais capricho em aspectos visuais, decorrência direta do advento da lei dos genéricos, materiais também podem conquistar espaço em 2000. O vidro e o PET continuam a disputar espaço, com o último abrindo frente em diversos nichos e o primeiro ficando gradativamente mais leve e resistente e desfrutando das vantagens competitivas trazidas pela desvalorização do real. Outro lançamento de impacto em 1999, os blisters de alumínio (Alu-Alu), po dem de fi ni ti va men te crescer no mercado.

setor de cosmética, a indústria farmacêutica está em processo de mudança. Certamente haverá transformações significativas no mercado com a prática da lei dos genéricos, o principal assunto que toma conta do setor. Enquanto alguns enxergam na imposição governamental um campo de oportunidades, outros a vêem como um problema, por motivo óbvio. Quem detém as marcas famosas não quer perder market share para marcas alternativas. O certo é que só na prática poderá se verificar a funcionalidade da lei e os reais desdobramentos no mercado. O setor, aliás, sofre forte vigilância por parte do governo, por ser estratégico. Episódios que demonstraram a linha tênue entre o acerto e o erro na embalagem de produtos, como o famoso caso dos anticoncepcionais, levou o governo a redobrar a atenção. Por isso, a indústria está se voltando para soluções que melhorem a eficiência e a segurança na produção e eliminem dores de cabeça eventuais. Duas delas: a rotulagem com auto-adesivos e a substituição de linhas de automação. Além disso, car tões du plex, impressão de embalagens com tinta reativa, selo “raspadinha”, lacres e fechamentos de segurança são cada vez mais desenvolvidos e dão a medida da preocupação do segmento nestes tempos. Outra novidade recente é o rótulo multipágina, ou rótulo-bula, que agrega rótulo e bula do produto em um só corpo. O ano 2000 será um bom termômetro para conferir se essa tendência se acentua. Se a moda pegar, ficará a

FArmACêUtiCos – Com a mesma velocidade do

A lei dos genéricos por uns e como

é vista como ameaça oportunidade por

outros. Mas já influi nas embalagens de

medicamentos. Duas

fortes tendências são linhas de automação

rótulos auto-adesivos e

usuários é a festa da indústria de embalagens. As empresas que fornecem para engarrafadores de bebidas alcoólicas e não-alcoólicas têm suficientes motivos para ver com bons olhos o ano que se inicia. O panorama, segundo executivos atuantes em diferentes campos das áreas de vinhos, cervejas, destilados, águas, sucos, refrigerantes e energéticos em geral, é de otimismo, ainda que moderado. Nas indústrias desses segmentos, as projeções se baseiam principalmente no desempenho do ano anterior, considerado menos ruim do que se esperava. Mesmo assim, para alguns houve queda, como no caso de cervejas e refrigerantes, que amargaram as conseqüências de um verão tímido. Os isotônicos

BeBidAs – A alegria dos

16 – embalagemmarca • dez 1999/jan 2000

UsUÁrios
não deslancharam como vinha ocorrendo em anos anteriores, e os destilados mantiveram-se estáveis. Os demais líquidos acondicionados em latas, embalagens cartonadas e garrafas – ou seja, águas, sucos e vinhos – registraram crescimento de vendas em 1999. Os motivos são variados. É repetitivo, mas é preciso dizer que refrigerantes, um luxo para as classes de baixa renda antes do plano real, acompanham hoje muito mais refeições que há cinco ou seis anos. Simplesmente, o brasileiro adquiriu novos hábitos de consumo. Suco de laranja industrializado, por exemplo, deixou de ser apenas produto de exportação para tornar-se uma presença comum em supermercados, lojas de conveniência e padarias. A própria ampliação desses canais de distribuição contribuiu para elevar o consumo e sedimentar os novos hábitos. Ilude-se quem pensa que, por causa de crises ou redução da renda, esses hábitos serão deixados de lado. Como lembra um diretor de um dos grandes fabricantes de bebidas carbonatadas, “quem antes não tomava refrigerante e depois se acostumou a tomar nunca mais vai deixar o hábito”. Esse executivo, cujo nome, a pedido, não é revelado, diz que “aquele consumidor poderá mudar de uma marca premium para marcas mais baratas, tubaína e até refresco em pó, mas a seco não fica mais”. Essa migração, que parece estar se estabilizando, beneficia os fabricantes de garrafas de PET e os de embalagens flexíveis pa-ra pós. De qualquer forma, o destino da AmBev poderá influir fortemente no panorama de refrigerantes. Até o consumo de água mineral deixou de ser luxo e continua registrando crescimento que não pode mais ser chamado de explosivo porque é constante há alguns anos e tende a manter-se assim, segundo previsão da Abinam – Associação Brasileira da Indústria Nacional de Águas Minerais. Ainda assim, o consumo per capita no país é baixo: 13,2 litros, pouco mais da metade do que consome, por exemplo, um argentino. A leitura pode ser positiva: o potencial do mercado é enorme, como, aliás, já perceberam as gigantes do setor. Com essa explosão de consumo de água multiplicam-se as oportunidades para a maioria das embalagens alternativas ao vidro e ao PVC. Boa parte do mercado desses dois materiais acabou sendo tomado pelo PET, principalmente, e pelo polipropileno, na forma de garrafões, para consumo nas casas e em empresas. É um campo onde podem ser previstas grandes novidades. Um terreno onde a perspectiva é de guerra é o das cervejas, com o esforço dos fabricantes de garrafas de

O brasileiro adquiriu hábitos de consumo Quem não tomava refrigerante e se

que não abandonará.

acostumou a tomar pode mudar para

marcas mais baratas A seco não fica mais

ou para refresco em pó.

UsUÁrios
PET para invadir a fortaleza hoje ocupada pelo vidro, com 79% dos 8 bilhões de litros consumidos por ano no país, e pela lata de alumínio (18%). Ocorre que o vidro foi favorecido pela desvalorização do real, que encareceu os custos de seus dois concorrentes, cujas matérias-primas básicas são cotadas a preços internacionais. Na brecha sobrou espaço para a lata de aço, por intermédio da Metalic, subsidiária cearense da CSN – Cia. Siderúrgica Nacional, para ganhar terreno da lata de alumínio. A empresa espera consolidar a tecnologia da lata de duas peças (corpo único de aço e tampa de alumínio). A Metalic tem programados para o próximo exercício investimentos de 10 milhões de dólares em expansão da capacidade de produção. A preocupação das pessoas com saúde e com aparência poderia explicar a estabilização das vendas de bebidas alcoólicas e o crescimento em sucos naturais, que avança em média 8% ao ano. Já o marasmo dos isotônicos, que também se beneficiaria daquela tendência, padece da necessidade de campanhas publicitárias. Quando anuncia, vende bem; quando não, não – e em 1999 a presença da categoria na mídia foi no mínimo discreta. Um setor que, mais que nenhum outro, tem razões para comemorar é o de vinhos, beneficiado por uma safra excepcional em qualidade e em quantidade e pela virada do ano 2000. Neste caso, a situação é uma festa para os fabricantes de espumantes, que cresceram 50% em 1999 sobre o ano anterior, quando as vinícolas brasileiras produziram 3,2 milhões de litros do produto. Para eles, o ano 2000 é uma promessa de repetição do farto 1999. A “passagem do milênio” será festejada de novo no 2000/2001, “dessa vez para valer”. Com as vinícolas, o vidro festeja também, pois o produto praticamente usa só esse material de embalagem.

Home CAre – A

A necessidade de

causar impacto no

ponto-de-venda leva a gens de materiais de limpeza. Novos formatos surgem, design ganha importância

incrementar as embala-

rótulos melhoram, o

indústria de materiais para limpeza doméstica trabalha sob um paradoxo inerente ao contexto brasileiro. De um lado, cresce a preocupação das pessoas com higiene e conservação, impulsionando o desejo de consumo de produtos do segmento. De outro, a situação econômica reprime o potencial desse mercado. Dessa forma, ocorre também aí o “efeito tubaína”, como já se define o down trading. Entretanto, no geral as perspectivas não são negativas. A esperança de rumos significativos nas questões que envolvem as reformas governamentais e melhor distribuição de renda é grande e potencializa o setor de maneira favorável. Nos últimos anos, as embalagens de produtos de home care têm tido valor agregado, sob efeito da necessidade de impacto no ponto-de-venda. Vem crescendo o uso de caixas com metalização (principalmente as de sabões em pó), novos formatos, importância ao design, rótulos mais caprichados e de resinas plásticas. Isso pode ser observado na acentuada migração de produtos que usam rótulos de papel para as resinas plásticas, principalmente o polipropileno bi-orientado e o polietileno, resistentes à umidade. A diferenciação de formatos também ganha força como arma para atrair o consumidor num mercado altamente competitivo, mas caracterizado pela preponderância de embalagens padronizadas, muito parecidas entre si. Aliás, sob esse aspecto, 2000 é um mote excelente para ações de marketing visando a edições limitadas com novas embalagens,

18 – embalagemmarca • dez 1999/jan 2000

ForneCedores
segundo diferentes consultores.

ou importa bens de capital para o Brasil teve, nos últimos anos, de priorizar a prestação de serviços, forte tendência não só para o próximo ano, mas também para os seguintes. As empresas usuárias querem cada vez mais projetos que facilitem seu trabalho com embalagem, em sistemas completos, e não preocupar-se com cada instância do processo de compra. Assim, as perspectivas são relativamente boas, tendo em vista que nos últimos anos houve esse preparo para o fornecimento de serviços e um redirecionamento de política com o cliente pela maior parte das indústrias do setor. Na verdade, a visão positiva para 2000 não tem como indicador o desempenho de 1999, já que o panorama econômico afetou fortemente as vendas do setor, segundo as empresas consultadas. A variação cambial, que gerou taxas elevadas de juros e restrições de crédito, e questões de ordem fiscal/tributária atingiram duramente as projeções do setor para 1999. As ameaças para 2000 basicamente operam nesse âmbito econômico, e reclamações do setor são claras. “Nenhum país taxa bens de capital, só o Brasil”, analisa Nilson Cruz Jr., da Fabrima, reivindicando financiamentos com prazos mais adequados e taxas de juros mais realistas. De qualquer maneira, o setor acredita em crescimento em torno de 4% no ano que se inicia. Para 2000, deverão consolidar-se máquinas altamente eficientes e que agreguem cada vez mais funções. Codificadoras laser serão mais e mais modernas. Impressoras jato de tinta deverão ter o uso potencializado. Flexográficas avançarão continuamente em qualidade. Vão multiplicar-se as rotuladoras de auto-adesivos de última geração e os softwares de integração e gerenciamento. Os fabricantes de embalagens plásticas manterão o processo de renovação de equipamentos, substituindo máquinas antigas, de baixa produção, por outras, modernas e mais eficientes. Para os fabricantes de sopradoras essa boa notícia é reforçada pelo anúncio de um decreto a ser baixado pelo governo estabelecen-

mÁqUinAs e eqUiPAmentos – Quem fabrica

do padrões de segurança semelhantes aos que já foram colocados para as injetoras. Vale dizer que os fabricantes de embalagens serão forçados a investir em equipamentos. O custo será será compensando pelo aumento de produtividade das novas máquinas e pela redução do espaço que ocuparão.

PAPel e CelUlose – A tendência de substituição

do papel por plásticos, principalmente em rótulos, as oscilações do preço de matérias-primas e a entrada de novos players no mercado são fundamentalmente as preocupações da indústria do papel para o próximo ano. O setor, porém, não perde o entusiasmo, e investe em novas soluções e em tecnologia para fazer papéis cada vez mais nobres, resistentes e convenientes a aplicações diversas. Como cresce a idéia de conquistar o consumidor não só por aspectos visuais, mas pela funcionalidade da embalagem, os rótulos de papel que tenham baixa resistência a usos específicos tendem a ser suprimidos. Grandes companhias de bebidas e higiene doméstica já estão migrando para o polipropileno bi-orientado, o polietileno e outras resinas. Favorece o papel o fato de ser reciclável, com fonte renovável e biologicamente sustentável. Avançará a importância que o consumidor dá à embalagem ecologicamente correta. A Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) vem procurando destacar isso, sobretudo com o papelcartão. Na área de papelão ondulado, a expectativa em relação a aumento de exportações é grande, o que alavancaria o mercado para embalagens secundárias. Seguindo o mesmo raciocínio, a implantação de normas para embalagens de hortifrutigranjeiros, o crescimento dos alimentos congelados e a sinergia total com grandes redes de varejo também merecerão atenção em 2000.

ForneCedores
Segundo a Bracelpa, outros desafios para o ano serão a viabilização dos pleitos do setor inseridos no Programa Especial de Exportação e trabalhar em conjunto com o BNDES na definição de mecanismos de funding que permitam a ampliação da base florestal. O setor aguarda a estabilização e a evolução da economia, retomando o que foi perdido em crescimento no primeiro semestre de 1999, pois só assim a demanda aumentará em todos os níveis – sobretudo por papéis com alto grau de sofisticação. As boas previsões estão levando as empresas a desengavetar projetos. otimistas apostam em crescimento de 10% em 2000. Além dessas perspectivas, alguns transformadores vêem com bons olhos a possibilidade de substituição de métodos de termoformagem por sistemas que utilizem injeção de ciclo rápido. Trata-se de um processo que economiza tempo e reduz espessuras, poupando matéria-prima e energia. Expectativas positivas vive também a indústria de PET. A Abepet, associação do setor, prevê crescimento de 20% em 2000, com a exploração de novos nichos de mercado, como o de alimentos. O sonho maior do setor, porém, é conquistar o mercado de cerveja, único de grande volume em que o PET não está presente. Nesse caso, ainda há muitos obstáculos a vencer, destacandose entre eles a garantia de barreiras à entrada de oxigênio e à perda de gás carbônico. Além disso, a atual produção brasileira de PET ainda não sustenta o consumo interno do material.

PlÁstiCo – Apesar das incertezas quanto ao preço do barril de petróleo, o setor de plásticos tem previsões positivas para o ano 2000. O otimismo baseia-se principalmente na expectativa de que o governo manterá o câmbio em torno de R$ 1,85. Mesmo que 1999 tenha sido considerado um ano atípico, as expectativas são otimistas para os envolvidos com a indústria plástica. Depois de uma década com crescimento médio anual de 10% a 12%, a alta do dólar e a escalada do preço do petróleo indicavam que muitas indústrias diminuiriam seus níveis produtivos. No entanto, a projeção do setor era de crescimento de pelo menos 5% em 1999. Contudo, o custo da matériaprima evitou que o setor registrasse o mesmo crescimento dos bons tempos do real. Em média as resinas subiram 70%, como resultado imediato do valor atingido pelo barril de petróleo. Basta citar que o preço da nafta aumentou 132% durante o ano. Para reverter o otimismo em resultado, o setor conta com o aumento da produção petrolífera, com base nos investimentos de mais de 1,5 bilhão de dólares feitos nos últimos dois anos em plantas de petróleo. As perspectivas são de que esse montante permita ampliar a capacidade produtiva de resinas plásticas de 3,3 para 4,4 milhões de toneladas. Se isso acontecer, os mais

A indústria de

plásticos conta com o petrolífera para

aumento da produção aumentar a produção de resinas. Para isso, em dois anos foram

investidos mais de 1,5 bilhão de dólares em plantas de petróleo

revolução ocasionada pela escalada do PET, o crescimento de materiais flexíveis talvez represente uma das maiores inovações dos últimos tempos em embalagens. Seu custo chega a ser cinco vezes menor que o de embalagens rígidas. Isso se deve à redução da espessura dos filmes, sem comprometer sua resistência. Alta barreira e melhor desempenho durante a distribuição são outros fatores que garantem às flexíveis boas perspectivas. A excelente maquinabilidade reforça estas previsões. Ante tal panorama, é preciso ficar atento a oportunidades como os stand-up pouches, embalagem flexível

Flexíveis – Depois da

20 – embalagemmarca • dez 1999/jan 2000

ForneCedores
consagrada lá fora mas ainda latente aquil. Uma tendência que deve crescer é a do lançamento de filmes com coatings acrílicos e vinílicos modificados, visando substituir os laminados. Segundo a Mobil, que detém a tecnologia de fabricação, esses filmes aliam duas vantagens: a da alta barreira com a do baixo custo. O lançamento da nova geração de polietilenos de baixa densidade linear (PBDL) pela OPP Petroquímica é mais uma opção. Destinado ao segmento de embalagens flexíveis, especificamente para filmes de unitização por compressão, esse novo tipo de filme se caracteriza pela maior facilidade de processamento e pela boa resistência mecânica. Ademais, utiliza em menor escala octeno e hexeno, materiais caros e importados, pouco disponíveis no mercado. Tais vantagens são revertidas sobretudo aos processadores de filmes. Usuários são beneficiados indiretamente. Em termos de impressão, a gradual conversão do offset e da rotogravura para flexografia é tida como certa, também devido à redução de custos. Além disso, o clichê de impressão gravado a laser é garantia de melhor rentabilidade, especialmente para médias e pequenas tiragens. A demanda por filmes metálicos de alta barreira também deverá crescer muito. Em razão disso, a indústria do alumínio, principalmente, enxerga de maneira positiva o avanço dos flexíveis. O setor prevê crescimento de 5% em 2000. Como ameaças latentes, há as garrafas de PET para cerveja e a presença da Metalic, subsidiária da CSN, que tenta ocupar o espaço do alumínio com latas de aço para bebidas. Como principal vantagem o alumínio tem o alto valor da sucata para reciclagem.

vidro – O esforço do PET para entrar no mercado de

Na área de flexíveis

filmes laminados serão substituídos por filmes

com revestimentos acrílicos e vinílicos modificados. Já está no mercado também uma nova geração de densidade

polietilenos de baixa

lAtA de AlUmínio – A desvalorização do real pesou muito também para os produtores e usuários de latas de alumínio. O preço das embalagens subiu em média 20%, aumento a que as indústrias de cerveja e refrigerante resistiram. A esperança de fabricantes e usuários de latas é de que a cotação do dólar se mantenha estável e abaixo de R$ 2,00. Se isso ocorrer será reiniciada a importação de chapas de alumínio para produção de latas, o que aquecerá o setor.

cerveja é visto como ameaça ainda remota pela indústria vidreira. O setor tem a seu favor o custo menor e a barreira mais eficaz do material, além de a embalagem retornável ser vista como ambientalmente “mais amigável” que a resina plástica. Nesse aspecto o vidro é favorecido por ser produzido com matérias-primas não químicas e por ser 100% reciclável. Ademais, segundo Júlio Barbedo, da Cisper, o PET – assim como o alumínio, também concorrente da garrafa de vidro – é feito com matérias-primas cotadas a preços internacionais, duramente onerados pela crise cambial. Na expectativa do setor, não haverá transformações bombásticas no próximo exercício, e o vidro continuará, como em 1999, ganhando espaços. O anuário da Abividro, a associação do setor, prevê que a indústria vidreira deverá retomar no ano 2000 o volume de investimentos feito em 1998, na ordem de 213 milhões de dólares, e que se manteve em 1999 em 135 milhões. É uma expressiva retomada de fôlego. Os principais focos de trabalho em 2000 serão o desenvolvimento do binômio aliviamento de peso com manutenção de resistência e o reforço da comunicação direta das vantagens do material junto ao consumidor – o que significa ir além do âmbito industrial e reforçar
dez 1999/jan 2000 • embalagemmarca – 21

ForneCedores
parcerias entre vidraria, cliente e ponto-de-venda, a fim de aumentar o conceito do vidro como embalagem confiável e conveniente. Programas de reciclagem, apoiados tanto por empresas usuárias do vidro quanto pela Abividro, serão também ponto de destaque. Dessa forma, não se valoriza apenas marcas específicas, mas o material também. Com as previsões do setor apontando rumos positivos não só para sua área de atuação, mas em consonância com o desenvolvimento econômico em geral, o objetivo maior que engloba as ações específicas listadas é o de partir para o crescimento efetivo. Ainda mais porque o setor fez pesados investimentos em automação nos últimos anos, aumentando sua competitividade. alumínio. Mas profissionais do setor defendem que tecnologia e modernidade nem sempre são sinônimos de qualidade, sobretudo no caso de embalagens para alimentos. Por isso, a procura por alimentos mais saudáveis poderá acentuar o crescimento das embalagens de aço. No outro lado, o setor de químicos e tintas parece estar mais vulnerável à instabilidade, e aí as previsões são cautelosas, para não dizer inexistentes. O motivo é simples: a construção civil e a indústria automotiva, onde as tintas são muito empregadas, sofrem efeitos mais diretos da situação econômica do país. Entretanto, o setor já provou ser capaz de reagir positivamente a instabilidades. Isso justifica a estimativa de que a produção de folhade-flandres ultrapasse as 800 000 toneladas em 2000.

Aço –

Menos atrelada à dependência de insumos importados do que outros setores, a indústria de embalagens de aço não sofreu tanto com a crise cambial de 1999. Ao contrário, com ela o aço tornou-se mais competitivo frente a outras matérias-primas, como as resinas plásticas e o alumínio. Além de menos sujeito às oscilações do dólar, o setor de folha-deflandres conta com outro fator favorável para 2000. Suas principais áreas de atuação, química e alimentícia, esperam um panorama macro-econômico positivo para o ano, com crescimento maior ou igual ao verificado em 1999. Ademais, as várias possibilidades de entrada em novos segmentos, como o de bebidas carbonatadas e cervejas, atribui um potencial de crescimento acima da média ao aço. Os mais otimistas prevêem um aumento de até 20% na produção de latas em 2000. De fato, elas já estão retomando parte do mercado perdido há dez anos para as latas de alumínio. Em 1999, estima-se que foram produzidas 660 milhões de unidades, contra 8,9 bilhões de latas de alumínio. O número é significativo, já que se pensava que o material não teria como resistir à tecnologia e à modernidade do

As previsões são para os rótulos

altamente positivas

auto-adesivos. Dentro do segmento, os devem crescer rótulos de plástico

principalmente em de higiene pessoal

produtos de beleza e

do de decoração de embalagens cresce a pleno vapor. Os rótulos plásticos proliferaram fortemente neste fim de decênio, panorama que deve se acentuar no ano 2000. Principalmente no campo dos rótulos auto-adesivos as previsões são altamente positivas, e há quem preveja crescimento de mercado em torno de 30% para o ano 2000, embora a média em 1999 tenha ficado entre 12% e 15%. No segmento, os rótulos plásticos crescem 22% ao ano e tendem a substituir gradativamente os de papel, sobretudo em produtos de beleza e cuidados pessoais, seja por sua maior resistência à umidade, seja pela preocupação cada vez maior com a beleza das embalagens. Nessa inclinação, devem consolidar-se o polipropileno e as estruturas combinadas – misturas de resinas que resultam em rótulos

rotUlAgem – O merca-

22 – embalagemmarca • dez 1999/jan 2000

ForneCedores
com mais resistência, durabilidade e beleza. Também aí uma novidade são os filmes com revestimentos acrílicos e vinílicos da Mobil, uma opção aos laminados. O sleeve e o in-mold, alternativas recentes de decoração, também ganham força a cada dia, e são ameaças fortes à difusão ainda maior dos auto-adesivos. A concorrência deve se acentuar na medida em que são anunciadas a instalação de uma fábrica da Sleever International no Brasil e o barateamento de máquinas para se trabalhar com esses sistemas. O setor em geral aposta em grandes oportunidades para 2000, sobretudo se houver um esperado ingresso de novas empresas, principalmente multinacionais, nas mais diferentes áreas do mercado. Nesse sentido, há a esperança de muitos lançamentos de novos produtos, pelo mote do ano especial e o entusiasmo empresarial gerado a partir de então. Para aproveitar esses fatores, as empresas do setor de complementos preparam investimentos maciços O crescimento econômico do país é obviamente a vontade de todos, mas sobretudo para quem trabalha com decorações de alto valor agregado e mercados novos, como a Málaga, que metaliza papéis para rótulos e outras aplicações. Nesse caso, o crescimento da produção depende da economia estável para que as empresas se disponham a usar atrativos para a embalagem. Esse fator, na verdade, poderia estender-se a todos os sistemas de rotulagem e decoração premium, como o hotstamping, a holografia e técnicas de impressão com alta resolução.

FeCHAmentos – No

ramo dos fechamentos, as previsões são bem otimistas. Deixando de lado ameaças econômicas, como flutuações bruscas de câmbio e política de juros agressiva, o panorama tende a ser dos melhores. A Alcoa, por exemplo, vislumbra maiores volumes de exportação e novos mercados para o PET – apostando no segmento das cervejas –, o que faria sua produção de tampas aumentar consideravelmente. No segmento de fechamentos para bebidas finas são dignas de registro, pelo que isso significa em tecnologia de ponta, a entrada em operação plena da Bericap e a compra da Companhia Prada de Embalagens pelo Grupo Guala Closures, que passa a operar no país com o nome Companhia Produtora de Embalagens.

T

rês eventos em que se discutiu a função do design de embalagem como alavanca de vendas de produtos foram realizados em menos de um mês: o I Seminário de Design de Embalagem, promovido dia 18 de novembro em Porto Alegre, o Pack Design Show, em São Paulo, dia 30 do mesmo mês, e o I Seminário de Design, Marketing e Logística de Embalagem dias 2 e 3 de dezembro, em Belo Horizonte.

A presença de mais de 600 profissionais de marketing, design, produção e logística, além de estudantes, nos eventos revela o crescente interesse pelos múltiplos aspec­ tos a considerar para que a embalagem desempenhe seu principal papel hoje, que é cativar o consumidor e vender. Ao apoiar oficialmente os três eventos, EmbalagEmmarca reitera seu compromisso de estar presente em todas as ocasiões que contribuam para o fortalecimento do setor.

Em busca dE caminhos
Em seminário no sul, setor debate como eliminar atritos ao criar
administração dos pontos antagônicos no relacionamento operacional entre a agência que cria a embalagem, o cliente que a apro­ va e o fornecedor que a produz foi a tônica do I seminário do design de Embalagem, promovi­ do dia 18 de novembro em Porto alegre pela apdesign – associa­

a

ção de designers do Rio Grande do sul. Ficou evidente a necessi­ dade de encontrar caminhos comuns entre a criação e a pro­ dução, para evitar projetos que não possam ser produzidos, dado o desajuste técnico entre a criação e a tecnologia do forne­ cedor.

Manoel Müller, diretor da Müller Associados, apresen­ tou sua visão do problema em três aspectos distintos e com­ plementares. Primeiro, lembrou que sem uma clara definição da estraté­ gia de produto e mercado, não há como criar um design de

Três aspectos que se complementam

embalagem de qualidade. É um aspecto prioritário, que antecede a discussão técnica com o fornecedor e deve estar no âmbito do planejamento entre a agência e o cliente. Em segundo lugar Müller acentuou que a função do designer é uma composição entre o design gráfico, a enge­ nharia de embalagem e a gerência de projeto. “É impos­ sível desenvolver um projeto de design de embalagem sem essa composição”, ele afir­ mou. É por isso que grandes empresas evitam contratar tra­ balhos de free­lancers, pois só poucas e boas agências dis­

põem de profissionais e espe­ cialistas voltados para o design de embalagem. Por último, Müller obser­ vou que, para obter­se maior eficiência no desenvolvimen­ to de embalagem, fornecedor e cliente devem ajustar expec­ tativas quanto ao custo do desenvolvimento. Muitas vezes, disse, a busca por ino­ vação de embalagem acarreta custos de pesquisa e testes que são absorvidos pelo fornece­ dor e não reconhecidos pelo cliente.

Ao falar sobre a embala­ gem como diferencial para conquistar o consumidor, Adriano Pantani, diretor da agência Pantani Design, recordou que desde os pri­ mórdios da Revolução Industrial ele teve essa fun­ ção. “Embalagem sempre foi algo extra, um plus para atrair o consumidor”, ele afirmou. Beneficiou­se das mudanças acarretadas pela industrialização quem teve a

Design, o grande diferencial

visão de que as vendas em porções substituiriam de vez o sistema a granel. No princípio, para dife­ renciar­se, colocavam ima­ gens da fábrica nos rótulos das embalagens, pois isso indicava avanço tecnológi­ co. Outro diferencial era o uso de indicativos da prefe­ rência de governantes pelo produto, como, no Reino Unido, a frase “by apoint­ ment of His Majesty”. Mais tarde, nomes e fotos dos fabricantes passaram a inte­ grar os rótulos, dando ori­ gem ao conceito de constru­ ção de marca. Na verdade, segundo Pantani, o diferencial de marca sempre existiu. “Se antes se usava uma lata ou um pote de vidro com um rótulo, hoje faz­se o mesmo, com esses e com outros materiais”, afirmou. Na opi­ nião do palestrante, hoje o grande diferencial de uma embalagem é o design, já que as marcas e a qualidade dos produtos quase se equi­ param. O fundamental, diz, é que o designer conheça a lin­ guagem do consumidor – no Brasil, obviamente, a do consumidor brasileiro.

cases de design de embala­ gem mais premiado no Brasil e no exterior, o da deo­colô­ nia Ma Chérie, dirigido a meninas de 8 a 12 anos. É um case de substituição da emba­ lagem no tradicional formato ânfora, de 50ml, usado nas deo­colônias da marca em geral, pela atual. Ou melhor, em sua transformação numa linha. Profissionais da empresa envolvidos com o processo chegaram a uma proposta de embalagem que traduzisse essa fase da vida da menina, que oscila entre o lado crian­ ça e o adulto. Por isso, o for­ mato lembra o do antigo brin­ quedo joão­bobo. Na descri­ ção da palestrante: “Uma canopla de polipropileno foi adequada ao fundo do frasco de polietileno (PE), permitin­ do um melhor balanço da embalagem. O rótulo sleeve de processo auto­retrátil foi aplicado às embalagens, e os desenhos e textos foram expandidos, para ficar da for­ ma desejada na hora de retra­ ção. “A linha se transformou num grande sucesso de ven­ das, com nível de aceitação e crescimento fantástico”, afir­ ma Maria Tereza.

Maria Tereza Zagonel, designer de criação de O Boticário, apresentou um dos

Um case de sucesso

ma chérie, de O boticário.

a mETa É a sinERGia
Em são Paulo, debate é sobre formas de dinamizar o mercado

s

inergia total entre os par ticipantes da cadeia produtiva é definitivamente o objetivo a ser alcan­ çado, para gerar maior dinâmica de mercado. É o que ficou claro a partir do Pack design show’99, realização da Ps carneiro em são Paulo. O evento procurou reforçar a idéia da embalagem como ferramenta estratégica e fundamental para conquistar o mercado, e algu­ mas fortes tendências e novida­ des em design que podem cami­ nhar ao lado de suas ações para gerar sucesso. Nas palestras, a tônica foi a apresentação de cases representativos e a busca de soluções integradas, pois cada vez mais as indústrias dos mais variados setores procuram por serviços que aglutinem todas as instâncias do processo de embalagem. Elas buscam, em suma, soluções que, sem deixar de atender às complexas exigên­ cias de mercado atuais, facilitem ao máximo o caminho do produ­ to às gôndolas – e, delas, até os caixas dos pontos­de­venda.

Manoel Müller, da Müller Associados, iniciou a jornada de palestras debruçando­se sobre uma questão que deve ganhar crescente importância no futuro imediato: qual o impacto da ascensão do comércio eletrônico, princi­

O e-commerce e a embalagem

palmente o realizado pela Internet (e­commerce), sobre a embalagem e seu design? Como o consumidor do futuro estará on line, partici­ pando de todos os processos, da venda até o início da cadeia produtiva, as empresas terão de acenar com medidas que priorizem a logística. Com certeza haverá a necessidade de se repensar formas de esto­ cagem e de relação com o tempo de produção; a partici­ pação do fornecedor de emba­ lagem na cadeia de suprimen­ tos do varejo será imprescin­ dível, e as oportunidades para a indústria de embalagens secundárias e de transporte serão infinitas. Segundo Mül­ ler, a necessidade de vida útil

dos produtos será menor, ao passo que novas tecnologias resultarão em embalagens cada vez mais resistentes, e isso mudará a divisão e dispu­ ta entre materiais. Os multi­ packs, materiais e equipamen­ tos que se adeqüem a produtos distintos, sistemas modulares, tiragens sob demanda e produ­ ção mais flexível são tendên­ cias irreversíveis. Finalmente, “com o e­commerce, a prefe­ rência do consumidor será definida pela disponibilidade de produtos, a menores custos de aquisição e melhor presta­ ção de serviços”, previu o palestrante. A embalagem terá de relacionar­se fortemente com a distribuição e a logísti­ ca, saindo do âmbito estrito do marketing. “Diante do comér­ cio eletrônico, a embalagem ganhará outras funções estra­ tégicas que vão além do seu papel de vendedor silencio­ so”, sentenciou Müller.

O diretor de criação da M Design, Ruy Tadeu Matsumo­ to, apresentou trabalhos de sua empresa para clientes como Arisco e Nestlé­Yopa. Os

Ir além dos limites da embalagem

cases do chocolate Surpresa Bichos, da Nestlé, e do novo picolé da Yopa, o Comics Sapo Sapeca, foram enfatizados como sinais de crescimento da consciência da importância de projeto em que a criatividade não se limite à embalagem do produto. A tendência é o aumento da responsabilidade do designer, à medida que a diferenciação se firma como principal arma de atração do consumidor. Para fugir da padronização é preciso, por­ tanto, uma conceituação de produto desde o início. Matsumoto destacou ainda mudanças estruturais que estão sendo feitas em sua agência, tendo em vista a necessidade cada vez maior de integração com o cliente e com os demais elos da produção da embala­ gem. Entre outras novida­ des, haverá um de par ta men to específico que buscará intera­ gir com fornecedores de mate­ riais para soluções em perfis exclusivos. “A dinâmica das ações de marketing exige mais rapidez e organização das agências de design”, assinalou Matsumoto. “É preciso poten­ cializar os benefícios do design como ferramenta de vendas.”

marketing planejada, com o caráter especial do multipack”, comentou Pirutti. Também foram destacados os rótulos multipáginas, que vêm sendo cada vez mais usados, entre outras ações, para incorporar bulas de produtos farmacêuti­ cos e como mídia inovadora para promoções on­pack.

surpresa bichos, projeto da mdesign para a Nestlé

José Fernando Pirutti, supe­ rintendente comercial da trans­

Vantagem do bom rótulo no PDV

formadora Novelprint, falou das vantagens e desvantagens de cada tipo de decoração de embalagem, lembrando os estudos que mostram que 85% das decisões de compra ocor­ rem nos pontos­de­venda – daí a importância do design que cause impacto, sensação de confiança e que opte pelo rótu­ lo mais adequado. Pirutti situou de forma cla­ ra os sistemas de rotulagem existentes, e quais as jogadas possíveis para a formação da “embalagem campeã”. O des­ taque foi para as últimas ino­ vações no uso dos auto­adesi­ vos como meio de divulgação de ações de marketing. Entre elas, destaca­se o rótulo multi­ pack, que agrupa produtos e garante destaque e informação impressa. Eles seriam solução para evitar problemas como o de supermercados que, em casos de promoções, rasgam os shrinks simples e vendem unidades separadas de produ­ tos. “Isso acaba com a ação de

Fábio Mestriner, diretor da Packing Design, reforçou a importância da embalagem como ferramenta estratégica de marketing, e apresentou diversos cases para reforçar a idéia da ação de marketing promocional feita de maneira clara e eficiente. No mercado, poucas promoções têm dire­ cionamento efetivo, que cati­ vam o consumidor através de mecanismos práticos, disse. De acordo com Mestriner, a ação de marketing “redonda” deve unir dois aspectos: deixar clara a informação de que é promocional, através do traba­ lho gráfico na embalagem e, no caso da união de produtos, sendo um gratuito, dispor pro­ dutos complementares. Exem­ plos: os cases do pano de lim­ peza com um limpador multiu­ so grátis e do espaguete acom­ panhado de um livro de recei­ tas. O palestrante reforçou o caráter especial da venda em multipacks, afirmando que todos os produtos que podem devem adotá­las. As ações de

Ferramenta estratégica

marketing devem ser constan­ tes, para diferenciar perma­ nentemente o produto. “Se não há datas especiais ou prêmios que a empresa tenha recebido para impulsionar uma promo­ ção, é preciso inventar algo”, afirmou. Uma solução são as edições limitadas, que criam um chamariz especial. Outro ponto importante tocado pelo designer foi a necessidade de conscientiza­ ção das empresas para um pro­ grama permanente de embala­ gens, deixando de encará­las como projetos eventuais. “Isso não deve se limitar a produtos com alto valor agregado, mas abranger também produtos populares”, comentou o desig­ ner.

sentação de cases de clientes da Carré Noir no exterior. Nelson Furquim, gerente de marketing da Tetra Pak, procu­ rou apresentar, com produtos que utilizam embalagens assép­ ticas produzidas pela empresa, as possibilidades de design e sua importância mercadológi­ ca. Há 42 anos no Brasil, a empresa vem diversificando sua atuação e acompanhando a evolução na maneira de proje­ tar embalagens. Segundo ele, frente às múl­ tiplas possibilidades de criação atuais, é imprescindível atentar para um posicionamento ade­ quado da embalagem. “Com a afirmação dos direitos do con­ sumidor e da concorrência mais que acirrada, as empresas devem levar em conta a ética e a clareza na informação, além da credibilidade que suas emba­ lagens transmitem.” Outras diretrizes inevitáveis para o design são a diferencia­ ção constante e as grandes soluções com custo reduzido, que sintetizam a preocupação das empresas em geral. Nesse sentido, ele alertou para a necessidade de levar em conta restrições cada vez maiores em relação à forma da embalagem, para facilitar aspectos logísti­ cos, mas ao mesmo tempo ino­ var constantemente, dentro do possível. Ou seja, o designer deve inovar dentro de limita­ ções – de custo, de tempo, de cultura, de mercado etc. É uma tarefa de fôlego, sem dúvida.

Diferenciação e custos reduzidos

A agência de origem fran­ cesa Carré Noir, há menos de um ano instalada no país, mostrou por meio de cases a metodologia FDD (Future Design Development), que usa para a criação em marcas e em embalagens. Massimi­ liano Grego, representante da agência no Brasil, expôs os principais pontos dessa filoso­ fia.

Embalagem tem de ser multicultural

Embalagem desenvolvida utilizando a metodologia Fdd

Para o desenvolvimento de um projeto, a Carré Noir recru­ ta especialistas em sociologia e semiótica para estudos prelimi­ nares envolvendo aspectos cul­ turais e lingüísticos, pois cada vez mais o design tem o papel de tornar a marca reconhecível no contexto de globalização. “O projeto de design tem de ser multicultural, por isso há exigência de atualização do conceito de inúmeras marcas”, disse Grego. Foi mostrado o conceito de ‘Laboratório do Futuro’, fase em que o desig­ ner busca signos, cenários, tri­ bos sociais, comportamentos e mercados em imagens que sir­ vam de referência ao conceito que se deseja imprimir a deter­ minada marca ou embalagem, colando­as em um quadro. A partir de um trabalho posterior de refinamento de idéias, che­ ga­se a um estudo de cores e ao design propriamente dito, que irá suscitar ações de marketing específicas. A metodologia FDD foi ilustrada com a apre­

uLTRaPassaR O visual
Em belo Horizonte, entram em pauta as funções da embalagem

O

I se mi ná rio Regional de design, marketing e Logísti­ ca de Embalagens, organizado pelo Ibralog – Instituto brasileiro de Logística em belo Horizonte, representou uma boa oportunidade para a discussão de projetos voltados não só ao visual e ao apelo de venda das embalagens, mas também às suas características funcionais. assim, a distribuição e o trans­ porte dos produtos foram alvo das atenções na maioria das palestras.

O coordenador do Cetea – Centro de Tecnologia de Embalagem do ITAL de Campinas, Luís Madi, ini­ ciou sua palestra anunciando a oficialização do convênio de cooperação técnica entre a entidade e o Ibralog, com beneficios às empresas que necessitem consultoria tec­ nológica. Em seguida, Madi revelou os resultados de pesquisa feita pela entidade a respeito de embalagens de alimentos. A maioria dos entrevistados acreditava que as mudanças nas embalagens só são feitas para encarecer os produtos,

Maximizar resultados com tecnologia

não para tornar o consumo e o transporte mais práticos ou efi­ cientes. Basea­ do nesse resul­ tado, Madi afir­ mou que as ca rac te rís ti cas técnicas podem estar sendo dei­ xadas de lado em favor apenas da força de marketing presen­ te no visual das embalagens. Segundo o diretor do Cetea, algumas alterações nas embalagens de alimentos podem influir negativamente no sabor ou na aparência dos produtos. “O design de emba­ lagens tem de ser cada vez mais tecnológico”, ponderou. Como exemplo de mudanças em que não teria havido preo­ cupação com o consumidor, Madi citou o aumento do bocal das latas de alumínio para refrigerantes e cervejas. “Acharam que assim o consu­ mo seria maior” , afirmou. “Mas muitos consumidores rejeitaram a novidade, já que ela dificultava o consumo das bebidas, além de complicar o

rompimento das alças.”

As necessidades de plane­ jamento adequado para a dis­ tribuição de um produto aos revendedores foram o tema central da palestra de Assis Garcia, diretor do Cetea/ITAL. Ele ressaltou a importância da boa localização de um centro de distribuição, para a obten­ ção de resultados logísticos satisfatórios. “O atacadista Martins, maior da América Latina, tem uma posição estra­ tégica, em Uberlândia (MG). Isso facilita a distribuição em todo o país.” Em logística, Assis citou a necessidade de desenvolvi­ mento de projetos modulares, com embalagens de despacho que se adaptem às formas geométricas dos paletes. Ele aproveitou para informar que o Ital possui equipamentos de testes de resistência a quedas, compressão e vibração, impor­ tantes para diminuir o índice de perdas no transporte rodo­ viário, de até 15% no Brasil. “É humilhante, se comparado ao dos Estados Unidos, onde as perdas não ultrapassam

Planejar para distribuir

3%.”

A tendência no transporte de autopeças é o aumento do número de embalagens de despacho com formato padrão e a prática do just­in­time, segundo Eduardo Tarcísio Ferreira, especialista em Logística na Fiat. No JIT, os motoristas, pré­cadastrados, têm acesso livre às fábricas da montadora. Isso agiliza a emissão de documentos e per­ mite operar com estoques mínimos. Atualmente, a Fiat trabalha com três dimensões básicas de embalagens. “Só usamos embalagens específicas em casos extremos”, diz Ferreira. Embalagens genéricas, ele lembra, resultam em melhor relação custo benefício.

Padronização e JIT, caminho em autopeças

Christian Klein, gerente de marketing da Novelprint, des­ tacou a importância do visual dos produtos como instrumen­ to para cativar a atenção do consumidor no ponto­de­ven­ da. Baseado em pesquisa do instituto Popai, ressaltou que 60% dos lançamentos saem do mercado em até três anos. Segundo Klein, o design da embalagem é essencial para evitar isso e para estabelecer estratégias eficientes de mer­ cado. Como exemplo citou a

“As quitandas do século XXI”

preocupação da Wal Mart, que já abriu um centro de desenvolvi­ mento de emba­ lagens no país. Norteado pelo princípio de que super­ mercado hoje é área de lazer, a que o consumi­ dor vai mesmo sem intenção de compra, Klein reiterou a importância da função sedutora do visual das embalagens. Não menos importantes, na opinião do gerente de marke­ ting da Novelprint, são as lojas de conveniência, que por suas características peculiares devem receber atenção espe­ cial no planejamento das embalagens. “São as quitandas do século XXI”, comparou.

todas as tarefas de transporte, incluindo o embalamento dos produtos. “Clientes já nos pro­ curam até para deixar a nego­ ciação do papelão ondulado a nosso encargo”, revelou. Essas mudanças seguem o conceito de core business, isto é, as empresas terão de preo­ cupar­se apenas com ativida­ des que façam parte de seu ramo específico de atuação. A redução do tempo de acondi­ cionamento em embalagens de despacho é outra vertente. “Hoje o cliente quer embalar à noite e vender no supermerca­ do pela manhã”, ele diz. Por isso, a validade das fitas adesi­ vas produzidas pela 3M está cada vez menor.

Valdir Lima, gerente de desenvolvimento de negócios da 3M do Brasil, afirmou que a principal função da embala­ gem de despacho no futuro será permitir a rastreabilidade dos produtos. Para isso, os sis­ temas de códigos de barra e os processos de identificação alfanumérica serão cada vez mais empregados em embala­ gens secundárias, em ink­jet ou em etiquetas. Outra tendência apontada por Lima é a terceirização de

Rastrear, o futuro nos transportes

O mau acondicionamento dos produtos nos pontos­de­ venda é responsável pela maio­ ria dos problemas apontados pelos consumidores da Forno de Minas, segundo José Ronal­ do Teixeira da Silva, gerente de suprimentos da empresa. “Muitos revendedores não possuem refrigeradores ade­ quados”, disse. Ele apontou também as deficiências do pro­ cesso de distribuição, já que muitas vezes o produto não é mantido sob temperatura ideal. O caminhão deve ser refrigera­ do permanentemente, lembrou. Se não, além de poder deterio­ rar, o pão de queijo pode não

A embalagem na logística do frio

crescer satisfatoriamente. Referindo­se à associação do grupo mineiro Brisco, dono da marca Forno de Minas, à Pills­ bury, gigante americana do setor de alimentos, Teixeira da Silva brincou: “Nem por isso o pão de queijo terá gosto de hambúrguer”. A Pillsbury, conhecida no Brasil pelas mar­ cas Haägen­Dazs, de sorvetes, e Frescarini, de massas refrige­ radas, passou a controlar o negócio de pão de queijo da Brisco.

Pierre Cohen, diretor comercial da Novaction Ser­ viços Mercadológicos, disse acreditar que em breve a leal­ dade à marca sofrerá um gol­ pe fatal. Segundo ele, cada vez mais o consumidor com­ pra de acordo com o preço e a qualidade do serviço ofereci­ do. Essa será a nova hierar­ quia de escolha de produtos. Outra constatação é a de que quanto maior a impulsivi­ dade da compra, menor ainda será a lealdade de marca. “O setor de cosméticos é uma das poucas exceções”, avalia. “Nele, como a impulsividade é baixa, a lealdade irá resistir por algum tempo”, prevê. Em outras categorias, como a de chocolates, onde a maioria das compras é feita por impulso, a embalagem precisará ter impacto visual mais forte.

Preço e qualidade superarão lealdade?

Outra ten­ dên cia: o aumento das marcas próprias. “Basta obser­ varmos o cres­ cimento das vendas do deter­ gente do Carre­ four”, ele exem­ plifica. “O con­ sumidor está optando tam­ bém pelo valor”. Para ilustrar as necessida­ des de mudança de embala­ gens, Cohen citou o case da Rayovac. Foi feita uma pes­ quisa de pré­design, para apu­ rar o que as pessoas tinham em mente quando pensavam na marca. A maioria apontou a existência de um raio impres­ so nas embalagens dos produ­ tos Rayovac. O símbolo não existia nas pilhas, nem nas embalagens. Resultado: a cor que caracteriza os produtos foi mantida, mas a logotipia foi mudada, com a inserção de um raio nas embalagens.

do baú do caminhão”, ele garante. “Com embalagens de vidro, o aproveitamento cai para 60%.” De acordo com esse raciocínio, as embalagens da Tetra Pak ocupam apenas 5% do espaço do caminhão. Chasles ressaltou também que uma tendência para o próximo ano é a do aumento da preocu­ pação ambiental na produção de embalagens cartonadas. A Tetra Pak já vem utilizando processos e materiais de produ­ ção que não agridem o ambien­ te, como tintas à base de água e o desmembramento dos mate­ riais que compõem as embala­ gens. Este último procedimen­ to garante a reciclagem do papel cartão, livre do polietile­ no e do alumínio, que também entram na composição das embalagens cartonadas.

Segundo o gerente de mar­ keting da Tetra Pak, Marco Chasles, a grande vantagem verificada no transporte de líquidos e produtos viscosos em embalagens cartonadas é a economia de espaço. “Com essas embalagens, o produto ocupa cerca de 95% do espaço

Evolução das cartonadas

Embalagem com tampa spin cap, da Tetra Pak

Alaís Fonseca, gerente de marketing da Chocolates Garoto, resumiu a história das embalagens do produto mais

Uma embalagem vencedora

tradicional da empresa, a cai­ xa de Bombons Sortidos. Até 1991, o design dessa embala­ gem, criado na década de 50, não sofrera grandes altera­ ções. Ao longo da década 90, entretanto, a caixa teve a logo­ tipia e a disposição de ima­ gens alteradas. Mas não hou­ ve mudança em uma de suas características mais marcan­ tes: a cor amarela. Hoje, o peso líquido da caixa de bom­ bons é de 400g, em substitui­ ção aos 500g anteriores. Em 1995, foi definido o mix de produtos da Caixa de Bom­ bons. Até então, as embala­ gens eram preenchidas aleato­ riamente. Agora, ela contém 26 bombons, todos descritos no verso das novas embala­ gens. As mudanças foram fei­ tas para aumentar o destaque do produto no ponto­de­venda e atender às expectativas visuais do público feminino. “As mães, que levam os bom­ bons para suas famílias, com­ põem nosso grande filão de consumidores”, revelou a gerente de marketing da Garo­ to.

Animada pela recente conquista do prêmio Top of Mind por OMO, Patricia Sal­ vadego, gerente nacional de marketing da marca, centrou sua palestra nas característi­ cas visuais da embalagem do

Como é gerida a marca mais lembrada

sabão em pó líder no merca­ do brasileiro. Segundo ela, as virtudes do pro­ duto, como a alta performan­ ce e o rendi­ mento, estão re pre sen ta das na embalagem. “O valor de família também está presente na tipografia”, ela disse. Sobre a concorrên­ cia do Ariel, da Procter & Gamble, Patrícia fez uso de uma analogia: “A Procter veio ao Brasil para lutar con­ tra o Golias, mas até agora o David nem cócegas fez nele”. A Gessy, em suma, ainda está tranquila com seus 53% de market share no segmento de sabões em pó. Segundo Patrícia, o sucesso da marca pode ser explicado pela preocupação de aten­ der mercados específi­ cos. “Hoje as mulhe­ res têm necessidades distintas”, acredita. “Por isso, nos preo­ cupamos com produ­ tos diferenciados”. O exemplo mais recen­ te é o OMO líquido. Sua tampa plástica, a Flexball, serve de dosador. Além disso, pode ser colocada junto às roupas, den­ tro da própria máqui­ na de lavar.

Valorizar um produto através de uma embalagem diferenciada. Ressaltar o aspecto reutilizável dessa embalagem. Criar empatia com o consumidor e reposi­ cionar uma marca no mer­ cado. Essas são, segundo Adriana Stecca, gerente de marketing da CSN, as prin­ cipais virtudes das embala­ gens de aço. Para provar a eficácia desse discurso, ela citou cases sobre o emprego desse tipo de embalagem. Um deles foi o do Panetone Bauducco, uma das primei­ ras marcas a utilizar emba­ lagem de aço em sua cate­ goria – que recebeu apelo premium e transmitiu aos consumidores a percepção de que a lata não era descar­ tável. Resultado: as vendas tiveram sensível acréscimo. Outro case apresentado foi o das pílulas anticoncep­ cionais do laboratório Aché. Neste caso, foram fabrica­ das 1milhão de latas para acondicionar as cartelas do medicamento. Elas foram distribuídas a ginecologis­ tas para que presenteassem suas pacientes. Segundo Adriana, a receptividade foi muito positiva, por isso o laboratório já avalia a possi­ bilidade de comercializar as latas junto com o medica­ mento.

Aço como diferencial competitivo

O gerente de produto do Café 3 Corações, Rodrigo Quintino, e a gerente de cria­ ção da agência New Design, Carolina Teixeira, citaram cases de reposicionamento de produtos através de embala­ gens diferenciadas. O Café do Cerrado, envasado a vácuo e comercializado numa lata decorada com o mapa dessa região, é um exemplo. A nova embalagem, ao agregar valor ao produto, direcionou esse café a classes com maior poder de compra. Assim, a mudança foi satisfatória.

Café em lata decorada

A modernização do setor agrícola depende diretamente do uso de embalagens ade­ quadas. Essa tese foi defendi­ da pelo engenheiro agrônomo Hélio Satoshi Watanabe, da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Pau­ lo (Ceagesp). Para que isso aconteça, segundo ele, a subs­ tituição das caixas K é impres­ cindível. Produzidas com madeira, elas são a embalagem mais usada no Brasil para o trans­ porte de frutas e hortaliças. Originalmente feitas para o transporte de querosene (daí o K, de kerosene, em inglês), as caixas K foram adotadas por hortigranjeiros como alterna­

“Hortigranjeiros, mercado bagunçado”

tiva aparente­ mente econômi­ ca. Mas, apesar de baratas, elas apresentam grandes defi­ ciências. O alto índice de des­ perdício de fru­ tas, legumes e verduras é uma delas. “Ade­ mais, não apre­ sentam condições adequadas de higienização”, afirmou. O palestrante alertou tam­ bém para a necessidade de classificação dos produtos. “Não temos nem identificação do peso dos produtos, apesar de haver legislação que obriga a isso”, ele diz. Depois de citar os esforços para implan­ tação de rótulos nas embala­ gens que passam pela Cea­ gesp, Watanabe observou que “esse ainda é um mercado muito bagunçado”.

mais de 4 000 lojas e em cerca de 100 países. “Apesar de não haver legislação que obrigue o uso do código de barras, a maioria dos mercados já per­ cebeu que esta é, acima de tudo, uma necessidade comer­ cial”, ela acredita. Atualmen­ te, os pontos comerciais estão passando por um processo peculiar de implantação de lei­ tores de código de barras. “Depois de automatizar suas saídas de mercadorias, hoje as lojas estão se esforçando para implantar leitores de código de barras também nos locais de entrada”, contou Michella. Írio Rogério de Figueire­ do, gerente de logística do Grupo Águia Branca (R$ 291 milhões de faturamento em 1999), do Espírito Santo, centrou sua palestra nas exi­ gências de padronização fei­ tas ao setor de transporte rodoviário de cargas. Uma tendência promissora para esse mercado é o aumento do número de transportado­ ras especializadas. Com isso, as indústrias passarão a utili­ zar serviços de empresas que só trabalham com perfis de cargas definidos, o que facilitará a unitização e a paletização, além de dimi­ nuir índices de avarias. “A padronização é sinônimo de benefícios logísticos”, con­ sidera Írio.

Perfis de carga definidos

Código de barras pode evitar fracasso

Com números e estatísti­ cas, Michella Renan dos San­ tos, técnica de aplicações da EAN Brasil, mostrou em sua palestra que a ausência de códigos de barras em embala­ gens primárias ou de despa­ cho pode levar produtos ao fracasso comercial. Existente no Brasil há cerca de trinta anos, a tecnologia do código de barras já está presente em

Os eventos cobertos neste documento Especial, apoiados oficialmente por EmbalagEmmarca, tiveram os seguintes patrocínios e apoios: I seminário do design de Embalagem, em Porto alegre – patrocínio: box Print, canguru Embalagens, Trindade Grá­ fica, megaprint Fotolitos; apoio: aGas (associação Gaúcha de supermercados), Programa Gaúcho de design, Propaganda s/a, aRP (associação Riograndense de Propaganda), abRE (associação brasileira de Embalagem), aJE, Gazeta mercantil; Pack design show, em são Paulo – patrocínio: Novelprint, Tetra Pak; apoio: abRE, a10 design, carré Noir, Le Pera marketing solution, m design, müller associados, Packing design; I seminário Regional de design, marketing e Logística de Embalagens, em belo Horizonte – patrocínio: Águia branca Transportes, 3m, Garoto, Tetra Pak, Novelprint, Fenix, Paraibuna Embalagens e dHL Worldwide Express; apoio: abRE, abm (associação brasileira de marketing/minas Gerais), EaN brasil, senai/cecoteg (centro de comunicação, design e Tecnologia Gráfica), Ital/cetea, Revista Tecnologística, FIEmG (Federação das Indústrias do Estado de minas Gerais), sinpacemg (sindicato das Ind. de Papel, Papelão e cortiça do Estado de minas Gerais).

LOGÍSTICA

tecnologia em

cargas

a

De sofisticados softwares à monitoração por satélites, o setor de transportes investe pesado para modernizar-se cada vez mais

leandro Haberli de computador capazes de estabe­ lecer as melhores rotas. Tratados pelo nome genérico de roteiriza­ dores, esses softwares processam informações de trânsito em tempo real e indicam ao motorista o melhor caminho para chegar ao destino. Hoje, em grandes centros urbanos, traçar itinerários onde o tráfego flua é essencial. Nas entre­ gas com horário programado, a necessidade cresce e os benefícios logísticos dos roteirizadores tor­ nam­se cruciais. “Mas na maior parte, os roteirizadores ainda são os motoristas”, afirma Írio de Figueiredo, gerente de logística do Grupo Águia Branca, transporta­ dora sediada no Espírito Santo, com frota de 502 caminhões.

gestão integrada da cadeia de suprimentos e a segmentação de fornecedores e reven­ dedores vêm intensificando um rápido processo de evolução tec­ nológica voltado ao gerenciamento logístico. Além dos sistemas de rastreamento de cargas via satélite, espécie de vedete da área, uma infinidade de tecnologias de infor­ mação está se difundindo entre as empresas do setor. A preocupação com segurança é uma das razões de tantas novida­ des. Porém, muito mais do que proteger cargas da ação dos ladrões, os diversos softwares e sistemas de automação são empregados para otimizar o tempo das entregas e diminuir índices de extravio – e isso só se torna possível a partir da integração de todos os envolvidos na cadeia de distribuição. Na ver­ dade, a integração surge como imposição de um mercado em que a adoção de novas tecnologias caminha de mãos dadas com a crescente competitividade. Para entregas em grandes cen­ tros urbanos, por exemplo, há dis­ positivos tão essenciais quanto os próprios veículos. São programas

Cronograma cumprido
O certo é que as operadoras logísti­ cas se munem de equipamentos que contribuem para tornar a operação cada vez mais precisa. Grande par­ te delas utiliza, por exemplo, o software WMS (warehouse mana­ gement system), sistema de geren­ ciamento de estoques que permite o cumprimento de cronogramas à ris­ ca. O WMS indica os itens que estão em falta, a mercadoria com

36 – embalagemmarca • dez 1999/jan 2000

fotos e ilustrações: divulgação

maior giro, o custo de manutenção e, é claro, os níveis de estoque. Trata­se de um software tão essencial que especialistas não recomendam, para gerenciamento e distribuição de mercadorias, a contratação de operadoras que não disponham dele. “Uma empre­ sa que queira terceirizar sua área de logística deve procurar opera­ doras dotadas de tecnologias de informação suficientes para pro­ ver níveis de serviço cada vez mais precisos”, previne Nyssio Ferreira, diretor do Ibralog – Ins­ tituto Brasileiro de Logística. Uma dessas tecnologias é o EDI, iniciais da expressão em inglês correspondente a troca ele­ trônica de informações. Como o nome sugere, esse processo per­ mite a comunicação entre toda a cadeia de abastecimento por cor­

reio eletrônico. Podendo ser usado como protocolo eletrônico, o EDI viabiliza o envio de pedidos de compra e notas fiscais através da rede, com custos cada vez meno­ res. O presidente do Ibralog prevê que o e­commerce vai acelerar o uso dessa e de outras ferramentas.

Segurança quase total
É o que já ocorre com os sistemas de gerenciamento via satélite. Capazes de vigiar cargas, cami­ nhões e motoristas dia e noite, sua eficiência está próxima do ideal. “Atingimos índices de segurança de 99%”, garante Rodrigo Costa, gerente de marketing da Autotrac para a América do Sul. A empresa é líder no mercado de monitora­ mento de cargas por satélite no Brasil, com 85% de market share. Criada em 1994 pelo ex­piloto

de Formula­1 Nelson Piquet, a Autotrac atua em sociedade com a norte­americana Qualcomm, o BNDESPar e o BCN/Bradesco, e conta com parceria tecnológica da Embratel, que permite o uso do satélite BrasilSat. No entanto, o sistema mais usado pela Autotrac é o OmniSat, desenvolvido nos Estados Unidos em 1986, para uso militar. Dispõe de 24 satélites de alta órbita, o que o diferencia dos sistemas que operam em dis­ tâncias mais próximas da Terra. Uma das vantagens dos satéli­ tes do sistema OmniSat é que podem ser empregados no monito­ ramento dos modais rodoviário, ferroviário e hidroviário. No trans­ porte rodoviário, um terminal de comunicação é instalado dentro da cabine do motorista e uma antena é fixada no lado externo do teto. A
Força de empilhamento carregamento misto

Para racionalizar espaços e custos
Para otimizar o tempo de entrega, multiplicam-se os softwares específicos de planejamento da disposição da carga. o capeSystem, por exemplo, determina a melhor maneira de organizar as embalagens de despacho em paletes, contêineres e caminhões, levando em consideração os aspectos geométricos dos volumes. “Sem esse soft wa re, preen cher um palete pode se tornar um jogo de xadrez”, ressalta ernani Paulino, representante da empresa capeSystem, gru po an glo-ame ri ca no. Segundo ele, como as embalagens de despacho são planejadas para evitar avarias, os cálculos acabam se tornando complicados e nem sempre exatos. “esse software permite, justamente, fazer cálculos exatos e, assim, impede que as empresas trans por tem ar”, re for ça Paulino. ele afirma que o programa pode se pagar em até duas se ma nas, pois “os resultados logísticos são excepcionais”. ou tro dis po si ti vo que organiza a disposição de mercadorias nos paletes é o tops (total optimization packaging software). cria-

Forma e dimensões do produto

embalagem de despacho

carregamento

Paletização

do em 1985, nos eUa, é encontrado hoje no Brasil em versão atualizada. Uma de suas vantagens é o cálculo da disposição de embalagens primárias ou multipacks em unidades de despacho.

Disposições de cargas pelos programas da tops (acima) e da capeSystem

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base de operações da transportado­ ra é equipada com software de gerenciamento, que permite definir onde se encontra o caminhão, atra­ vés de um localizador, o GPS (Glo­ bal Position System). A comunica­ ção é bidirecional. Da base para o terminal, uma informação demora apenas quatro segundos para ser recebida. O caminho inverso con­ some 20 segundos. Com isso há ganhos de custos.“Podemos, por exemplo, informar ao motorista sobre uma nova carga que precisa ser transportada, de modo a otimi­ zar o frete retorno”, ilustra o ger­ ente de marketing da Autotrac.

Sinais de mudança
Dos 13 000 terminais instalados no Brasil pela empresa, a absoluta maioria é empregada para evitar roubo ou outros sinistros. “Aqui, o gerenciamento de risco é o car­ ro­chefe”, avalia Costa. Mas o mercado apresenta sinais de mudança. Não porque as carretas estejam menos sujeitas a assaltos, mas devido ao aumento da impor­ tância do gerenciamento logístico no transporte de cargas. A trans­ portadora Rodoviário Michelon, por exemplo, contratou a Autro­ trac só para fins de logística. Como acontece nos EUA, onde os satélites são empregados especialmente para gerenciar a integração entre os diferentes modais, o mercado brasileiro aca­ bará mudando o atual perfil, Cos­ ta acredita. “Estamos vivendo um processo de inversão”, ele diz. “A logística hoje já é vista como um diferencial competitivo”. Mu dan ças significativas, porém, dependem de uma guina­ da na atual distribuição dos volu­ mes transportados por modal. Apesar de o Ministério dos Trans­ portes estar implantando estraté­ gias para efetivar a multimodali­ dade – como a construção de hidrovias ligando o Norte e o

Centro­Oeste do país à região Sudeste – profissionais do setor duvidam de que isso ocorra em curto prazo. “A integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias é dificultada por falhas de legislação”, consi­ dera Mario Jacob Yunes, gerente comercial da Marbo Logística Integrada, divisão do grupo ataca­ dista Martins, de Uberlândia (MG). Ademais, lembra Yunes, a multimodalidade é freada pela falta de intercâmbio entre os dife­ rentes sistemas de transporte. Mas há profissionais que acre­ ditam na efetivação do transporte multimodal e têm sugestões para apressá­la. Uma delas é mudar o modelo de tributação fiscal. “A cada emissão de documento de transporte incide um tributo dife­ rente”, lembra Oswaldo Dias Jr., diretor de vendas e marketing do Expresso Araçatuba. Os empresá­ rios reivindicam também a efeti­ vação do Operador de Transporte Multimodal (OTM), profissional que poderia ajudar a padronizar a emissão de notas fiscais. Assim, a carga poderia transitar em todos

os modais com apenas um docu­ mento e uma incidência tributá­ ria. Os números apóiam a necessi­ dade de mudanças. O Brasil trans­ porta cerca de 60% de suas cargas por rodovias. Aos modais ferro­ viário e hidroviário são destina­ dos respectivamente 22% e 16%, de acordo com dados do Ministé­ rio dos Transportes. Segundo a NTC – Associação Nacional de Transporte de Carga, a frota brasi­ leira de caminhões é de 1,1 milhão veículos, com idade média de 13,5 anos, quando o ideal é de no máximo seis anos, já que os cus­ tos de manutenção de caminhões mais velhos são elevados. O número de caminhoneiros autônomos é de 350 000. O res­ tante trabalha para as aproxima­ damente 12 000 transportadoras existentes no país. Desse total, 95% correspondem a transporta­ doras de pequeno e médio portes, que cedo ou tarde terão de ajustar­ se aos patamares tecnológicos cada vez mais avançados da logís­ tica. Para elas, a alternativa é ser engolidas pelas gigantes.

Com órbita baixa, gastos menores
a Da mos Su da mé ri ca, em pre sa li cen cia da do sis te ma orb comm para a amé ri ca do Sul, vem inves tin do pe sa do para ga nhar par ti ci pa ção no merca do de mo ni to ra men to de cargas via sa té li te. Uma das prin ci pais ca rac te rís ti ca dos 36 sa té li tes que for mam este sis te ma é sua ór bi ta re du zi da – cerca de 800 qui lô me tros de dis tân cia da terra, o que traz van tagens de custo. as an te nas e os ter mi nais são me no res e mais sim ples, por isso po dem ser co lo ca dos di re ta men te so bre con têi ne res ou na pró pria carga. o kit cus ta cerca de 3 000 dó la res, in for ma oli vier ter rien, di re tor de mar keting da em pre sa. o sis te ma orb comm, que consu miu inves ti men tos de 500 mi lhões de dó la res, pos si bi li ta co ber tu ra glo bal a to das as 26 em pre sas li cen cia das para seu uso no mun do. além do lo ca liza dor gPS, os sa té li tes da orbcomm têm sis te mas de ras treamen to em fre quên cia VHS. “So mos os pri mei ros a ofe re cer esse ser vi ço para sa té li tes co merciais”, afir ma oli vier terrien. ou tro di fe ren cial do sis tema orb comm é um ter mi nal es pe cial para car re tas re fri ge radas. ele in di ca pos sí veis fa lhas no sis te ma de res fria men to, uma van tagem para trans por tado ras que tra ba lham com a in dús tria da car ne.

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Display
Yoki de roupa nova para o novo milênio
aproveitando as festas de fim de ano, a Yoki renovou as embalagens das farofas Prontas e da lentilha. as farofas de milho, de man­ dioca e suave são acondi­ cionadas em embalagens laminadas e metalizadas, com desenhos alusivos às festas. a embalagem da lentilha Yoki também é decorada lembrando a pas­ sagem para o ano 2000.

Para não desperdiçar
Maneiras eficazes para gerar economia e obter resultados financeiros positivos, em 125 cases de empresas. Esse é o tema do livro Perda$ e Ganho$ - Pequenas idéias para economizar grandes somas, de Allyn Freeman, que a Editora Futura está colocando no mercado. O autor apresenta soluções que podem ser rapidamente utilizadas, para empresas de qualquer porte, como as para evitar gastos inúteis de papel: reciclagem de frente e verso e picotagem, para utilização como protetor de embalagens. O livro tem 212 páginas e custa R$ 29,00.

Parmalat reformula embalagens
A Parmalat está mudando a estratégia de exposição da marca, reforçando a perso­ nalidade de cada produto a partir das referências do segmento. Para a linha de chás, foram criadas embalagens em latas e caixinhas Tetra Pak, com cores vibrantes e a aplicação de frutas sobre fundo de gotas. As frutas em destaque também apa­ recem nos sucos prontos e concentrados. O logotipo da Santàl, que passou a assi­ nar mundialmente todos os sucos da empresa, foi trabalhado dentro de um box verde. A linha de sucos prontos ganhou os sabores de banana, maracujá e caju em embala­ gens longa vida de um litro e 200 ml, e os sucos concentrados agora também têm os sabores de cajá e acerola em garrafas de vidro de 500ml. As embalagens dos biscoi­ tos foram reformulada, com o logotipo sobre um fundo azul, e com o selo fecha­fá­ cil, que ganhou a simpatia dos consumidores, segun­ do Andréa Corgosinho, gerente de produtos da Parmalat. A linha de queijos parme­ são, mascarpone e requei­ jão ganhou o selo de quali­ dade, composto pelo símbo­ lo da empresa dentro de um círculo com a frase em italiano “Qualità Parmalat”. As embalagens ganharam uma nova cara, com tons de azul mais escuros para os queijos e mais claros para os requejões.

fotos: divulgação

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Display
Pratos Maggi de cara nova
a Nestlé reformulou uma de suas linhas de alimen­ tos semi prontos, a Pratos maggi. além das mudan­ ças de visual, foram acres­ centadas 7 novas varieda­ des à linha, que agora conta com 14 produtos, entre arroz, Pasta e macarrão. as novas emba­ lagens, projetadas pela B+g designers, apresenta­ ram mudanças nas textu­ ras do fundo. os pratos de porcelana branca foram substituídos por versões coloridas. “substituímos o lettering por uma versão de melhor leitura. também, usamos uma mancha em amarelo como fundo da gota maggi, para transmitir mais movimento e rapidez no preparo”, considera luís Bartolomei, designer res­ ponsável pelas mudanças.

cAronA no sucesso DA novelA DAs oito
a arisco está lançando novos ato­ matados, tendo em vista o sucesso e o contexto da novela terra Nos­ tra. licenciada com exclusividade pela Rede globo, a empresa quer aumentar sua participação no mer­ cado de derivados de tomate com o extrato de tomate e o molho refo­ gado que levam a marca da novela das oito. ambos os produtos terão distribuição nacional e embalagens tradicionais – latas de aço de 340 gramas para o molho refogado e de 350 gramas para o extrato, com rótulo em papel.

Kibon em nova embalagem

All DAy em potinhos plásticos
as geléias de frutas e o doce de lei­ te da linha all day, da santista ali­ mentos, ganharam novas embala­ gens especiais para conquistar o público infantil. são os potinhos de plástico de 230 g, que podem ser reaproveitados e trazem decorações alegres. o design procura imprimir uma nova identidade visual aos pro­ dutos, usando o verde, o azul e o vermelho para a diferenciação de sabores.

fotos: divulgação

Em sintonia com a nova imagem da Kibon, os potes de um e dois litros receberam novas luvas. Mais sofisticadas e trazendo o sorvete para o primeiro plano, as embalagens ficaram mais coloridas. Os fundos e os ingredientes nos rótulos ajudam a sinalizar o sabor. O design das embalagens foi desenvolvido pela R234 Art Design.

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Display
Chá em lata decorada
A Leão Júnior, líder do mercado nacional de chás e fabricante do tradicional Matte Leão, está lançando a Seleção Especial Leão, uma lata decorada com 90 sachês de chás embalados individualmente, divididos em nove opções de sabores. O gerente de marketing da empresa, Marcello Almeida, informa que o produto foi lançado visando às vendas para as festas de final de ano.

Margarina com Ômega 3
depois da onda de leites com Ômega 3 (ácido gra­ xo poliinsaturado que favorece a redução de tri­ glicerídeos e da viscosi­ dade do sangue), está chegando ao mercado a primeira margarina com o componente. a margari­ na vigor Ômega vitta tem as versões com e sem sal. os potes plásticos de 250g vêm em um agrupa­ dor de papel cartão.
fotos: divulgação

DelíciA De requeijão
A marca Delícia, da Santista Ali­ mentos, acaba de ganhar um pro­ duto mais nobre que as conheci­ das margarinas: o requeijão, nor­ mal e light. O produto é acondicio­ nado em copos de vidro de 250 gramas, com um formato diferen­ ciado, que dá destaque no ponto­ de­venda. O rótulo – amarelo na versão normal e azul na versão light – envolve todo o copo, dando uma aparência uniforme à embala­ gem. A comunicação visual do novo produto foi criada pela desig­ ner Malu Guerra Simões, da Ofici­ na d’ Design.

sBp AgorA mAtA tAmBém BArAtAs e formigAs
A Clorox, que detém a marca SBP , líder no segmento de aerossóis, lançou em 1999 o primeiro inseticida sem cheiro e decidiu abrir seu guarda-chuvas para abrigar mais dois produtos: iscas SBP Matox Mata Baratas e SBP Matox Mata Formigas. Os dois produtos vão estampar agora a marca SBP A Clorox . também está ampliando o guarda-chuvas SBP para outros produtos, como o SBP Elétrico 12 horas, pastilhas antimosquitos que têm 4 horas a mais de duração que as convencionais, segundo a empresa.

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Display
AllieD Domecq pArA o Ano 2000
A britânica Allied Domecq está investindo R$ 800 mil na modificação dos seus principais produtos para a comemoração do ano 2000. As mudanças são feitas nos rótulos e nos estojos das bebidas. Entre outras bebidas, a empresa comercializa os uísques Ballantine´s e Teacher´s, o licor Frangelico, o sherry La Ina e o conhaque Domecq.

etti lAnçA mAionese e complementA linhA
a etti está entrando no mercado de maioneses com o lançamento da maionese etti em embalagem tetra Brik slim de 500 gramas, comple­ mentando as linhas de condimentos e produtos para salada da marca. No verso da embalagem da maionese, o consumidor encontra receitas fáceis de preparar. a empresa decidiu entrar no mercado de maioneses depois de pesquisa do insti­ tuto aC Nielsen ter mostrado que o consumo do produto vem apresentando crescimento nos últimos anos. Pas­ sou de 102 200 toneladas em 1996 para 117 000 toneladas em 1998, com pers­ pectiva de atingir 120 000 toneladas em 1999.

Bom e barato
a Refinações de milho Brasil, além de investir em suas tradicio­ nais linhas premium, passou a apostar também no segmento de produtos populares. Para isso, lançou a maionese e o catchup Jimmi, produtos com preço infe­ rior ao de líderes de mercado – como a maionese Hellmann’s, também fabricada pela RmB. “estamos notando o crescimento do número de pessoas que priori­ zam o preço”, observa Carlos vicente, gerente de produto da RmB. ele está se baseando em um levantamento feito pela Niel­ sen, que revela que 39% das ven­ das de maionese correspondem ao filão composto pelas marcas populares. No caso dos catchups, o índice também é alto, 37%. os números serviram de alerta à empresa, que investiu pesado para ampliar sua participação entre os produtos de preço mais baixo. a maionese chega às pra­ teleiras em embalagem tetra Pak, com 490 gramas, e o catchup em frasco plástico com 400 gramas. o novo design ficou a cargo da agência advento Propaganda.

fotos: divulgação

CSN presenteia com produto nobre
A CSN está inovando para presentear funcionários e clientes neste fim de ano. A empresa está utilizando seu produto mais nobre, a folha de flan­ dres (utilizada para fazer embalagens de lata), para embalar seus brindes. Para clientes, a empresa vai enviar duas garrafas de Möet & Chandon dentro de uma embalagem de aço com litografia do artista plástico Romero Brito, cujos trabalhos estão presentes em galerias espalhadas pelo mundo. Para os empregados, a CSN vai distribuir uma lata de aço, com artigos de Natal e uma camiseta com os dizeres “Viva o Ano 2000”.

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EVENTOS 2000
EmbalagEmmarca apenas listou os eventos relacionados ao mercado de embalagens, não tendo responsabilidade ou vínculo com a organização de nenhum deles. As datas estão sujeitas a alterações. • IC Packaging Technology Expo – Primeira edição do que promete ser a maior feira asiática de tecno­ logia em embalagem. Será no Tokyo Big Sight (Tóquio, Japão), de 19 a 21 de janeiro. Informa­ ções: ic@reedexpo.co.jp • Interphex USA – Maior feira mundial para o setor farmacêutico, com as principais novidades tec­ nológicas e soluções industriais. De 21 a 23 de março, no Jacob K Javits Convention Center (Nova York, EUA). Informações: inquiry@ interphex.reedexpo.com • Anuga Food Tec – Feira interna­ cional de tecnologia em alimentos. De 11 a 15 de abril, na KölnMesse (Colônia, Alemanha). Informações: tel. (11) 535­4799 ou pelo e­mail mdk@sti.com.br • Brasilpack’2000 – Feira Interna­ cional de Embalagem, reunindo as principais empresas da cadeia de embalagem, envase em geral, acabamento e matérias­primas. Será de 24 a 28 de abril, no Anhembi (SP). Informações: (11) 6221­9908/7295­1229 ou pelo e­mail info@brasilpack.com.br • VFL: International Trade Fair for Logistics-Packaging, Transport, Storage – Maior feira austría­ ca cobrindo todos os aspectos de transporte, estocagem e logística. A ser realizada no Exhibition Cen­ tre Salzburg (Salzburgo, Áustria), de 17 a 20 de maio. Informações: info@reedexpo.at • Drupa 2000 – Maior feira de negócios dos setores gráfico e de embalagem mundial, que aconte­ ce de cinco em cinco anos em Dusseldorf, Alemanha. De 18 a 31 de maio, na MesseDusseldorf. Informações: tel. (11) 535­4799 ou pelo e­mail mdk@sti.com.br • Eastpack: The Power of Packaging – Maior evento para a Costa Leste dos EUA sobre mercado de embalagens, agregando máqui­ nas, equipamentos, materiais e serviços. De 23 a 25 de maio, no Pennsylvania Convention Center (Filadélfia, EUA). Informações: inquiry@packaging.reedexpo.com • Fispal 2000 – 16ª edição da Fei­ ra Internacional da Alimentação, apresentando as últimas tendên­ cias em tecnologia, equipamentos e componentes, serviços, insu­ mos e automação. De 13 a 16 de junho no Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi (SP). Informa­ ções: tels. (11) 3758­0996 e (21) 493­5856 ou pelo e­mail fispal@ grupobrasilrio.com.br • Movlog Show – Segunda edição da feira internacional de produtos, serviços e equipamentos para manuseio, estocagem e logística. De 9 a 12 de maio, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, SP. Informações: info. movlog@reedexpo.com.br • Metav – Feira Internacional de Manufaturas e Automação. De 27 de junho a 1º de julho, na Messe Dusseldorf (Dusseldorf, Alema­ nha). Informações pelo telefone (11) 535­4799 ou pelo e­mail mdk@sti.com.br • FCE Pharma 2000 – Quinta edi­ ção da exposição de fornecedores de embalagens, equipamentos, matérias­primas e serviços para a indústria farmacêutica na América Latina. De 5 a 7 de julho, no Expo Center Norte (SP). Informações: tel. (11) 3873­0081 ou pelo e­mail fce@mfbr.com • HBA South America – Exposi­ ção internacional de fornecedores para a indústria cosmética, em sua quinta edição, mostrando matérias­primas, embalagens, equipamentos, terceirização e ser­ viços. De 5 a 7 de julho, no Expo Center Norte (SP). Informações pelo tel. (11) 3873­0081 ou pelo e­mail fce@mfbr.com • TecnoBebida 2000 – Terceira exposição e conferências interna­ cionais sobre tecnologia para a indústria de bebidas na América Latina. De 2 a 4 de agosto, no Pavilhão Verde do Expo Center Norte (SP). Informações: tel. (11) 3873­0081 ou pelo e­mail tecn­ beb@mfbr.com • Movimat 2000 – Feira de logísti­ ca, movimentação, armazenagem e transporte. De 15 a 18 de agos­ to, no Pavilhão Azul do Expo Cen­ ter Norte (SP). Informações: tel. (11) 575­1400 ou pelo e­mail imam@imam.com.br • ExpoDrink – Feira Internacional de Bebidas. De 30 de agosto a 1º de setembro no Expo Center Nor­ te (SP). Informações: tel. (11) 3063­ 2911 ou pelo e­mail expodrink@ spfeiras.com.br • Pack Expo Brasil 2000 – Feira internacional de embalagem, reu­ nindo as principais empresas do mercado. De 12 a 15 de setembro no International Trade Mart (SP). Informações: tels. (11) 3758­0996 ou (21) 493­5856. • Technoplus 2000 – Feira inter­ nacional de tecnologia industrial. De 12 a 15 setembro, no Interna­ tional Trade Mart (SP). Informa­ ções: tels. (11) 3758­0996 ou (21) 493­5856. • Feitintas 2000 – Feira da indús­ tria de tintas, vernizes e produtos correlatos. De 13 a 16 de setem­ bro, no International Trade Mart (SP). Informações pelo telefone (11) 289­5382. • Glasstec – Feira internacional para as indústrias vidreiras, das mais diversas aplicações. De 24 a 28 de setembro, na Messe Dussel­ dorf (Dusseldorf, Alemanha). Infor­ mações: tel. (11) 535­4799 ou pelo e­mail mdk@sti.com.br • Translogmultimodal – Exibição e conferência para transporte mul­ timodal, logística, serviços de ven­

Como Encontrar
da internacional e equipamentos. Em setembro, no International Tra­ de Mart (SP), em data a ser confir­ mada. Informações: info.translog@ reedexpo.com.br • 100% Design – Evento comer­ cial voltado aos profissionais de design. Em setembro, data a ser confirmada, no Earls Court 2 (Lon­ dres, Inglaterra). Informações: nicola.powis@reedexpo.co.uk • Interphex South America – Soluções em máquinas, proces­ sos, transporte e embalagem para a indústria farmacêutica, em sua segunda edição. Será em outubro, em data a ser confirmada, no International Trade Mart (SP). Infor­ mações pelo e­mail info.inter­ phex@reedexpo.com.br • Point of Purchase Communication Show – Evento voltado aos profissionais de marketing, com foco em ações promocionais e dinâmica de pontos­de­venda. De 7 a 10 de novembro, no Paris Expo – Porte de Versailles (Paris, Fran­ ça). Informações: saloncompv@ reed­oip.fr • Design 2000 – Encontro interna­ cional de design, para profissio­ nais das mais diversas áreas. Será no Paris Expo – Porte de Versailles (Paris, França), de 7 a 10 de novembro. Informações adiciona­ is: design@reed­oip.fr • ThaiPack – Feira internacional de máquinas, equipamentos, materiais e serviços para embala­ gens plásticas, flexíveis, de vidro e papel, rotulagem e impressão. De 9 a 12 de novembro, no Queen Sirikit National Convention Center (Bangkok, Tailândia). Outras infor­ mações: rtdxbkk@ksc5.th.com • InterPlas Thailand – Máquinas, equipamentos e tecnologia para a indústria do plástico e da borracha. De 16 a 20 de novembro, no Bang­ kok International Trade & Exhibition Centre (Bangkok, Tailândia). Maiores informações pelo e­mail thaimetalex@reedtradex.co.th

N
Abia

esta seção encontram-se, em ordem alfabética, os números de telefone das empresas citadas nas reportagens da presente edição. EmbalagEm­ marca fica à disposição para outras informações. 0800­132333 (11) 829­1688 (11) 816­5733 (11) 3060­9688 (11) 831­9844 (11)416­4719 (11) 7295­3727 (51) 331­4579 (61) 307­1010 (11) 885­1845 (11) 3662­4444 Ibralog Igaras Imaje (31) 213­1542 (11) 3048­4800 (11) 5563­2344

3M do Brasil Abepet

Abiplast Abpo Alcan Alcoa Apdesign Autotrac Bracelpa Brasilata

Indústrias Gessy Lever (19) 869­9977 Ital/Cetea Lumipack M Design Málaga (19) 241­5111 (11) 885­7406 (11) 833­0969 (11) 7201­4630

Mead Embalagens (11) 829­6959 Metalic (85) 297­2526

Café 3 Corações (11) 287­3846 CapeSystem Carré Noir Ceagesp (19) 251­0689 (11) 881­5184 (11) 863­3825

Müller Associados (11) 870­4417 Novaction Novelprint NTC O Boticário Packing Pantani Design Philip Morris Politeno Prodesmaq Rigesa Siresp (11) 3061­1513 (11) 268­4111 (11) 3871­3783 (41) 381­7000 (11) 3064­9822 (11) 241­8184 (11) 545­9071 (11) 3040­6900 (19) 876­5000 (19) 869­9301 (11) 287­2619

Chocolates Garoto (27) 320­1385 Cisper CSN (11) 206­8000 (24) 349­9196

Damos SudAmérica (21) 518­3132 Datamark Du Pont EAN Brasil Elida Gibbs (11) 870­1810 (11) 7266­8383 (11) 3064­8772 (11) 3741­4669

Expresso Araçatuba (11) 3622­2800 Fabrima Fiat Automóveis Forno de Minas (11) 6465­2528 (31) 529­6418 (31) 394­6767

Sleever International (11) 5641­3356 Sunnyvale Tetra Pak Tops (11) 822­9300 (11) 861­2226 001 (214) 881­8677

Grupo Águia Branca (27) 346­1154

Votorantim Celulose e Papel (11) 269­4000 Willett (11) 7295­3261

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Almanaque
O diabo na moda
Nos rótulos de bebi­ das, o diabo não dei­ xa por menos: está sempre de roupa nova. Compare­se como o Cujo andava em 1913, no licor da Antarctica, com seu jeito moderni­ nho atual, apresentado no drinque energético holandês Red Devil.

O torcedor não quer nem saber
De onde surgem marcas que, em vez de nomes, são números? Um exemplo famoso, o do VAT 69, tem origem clara: refe­ re­se ao número do barril (“vat”, em inglês) em que a destilaria do famoso scotch enve­ lhecia seu produto. Segundo os apreciadores, o uísque daquele barril ganhava sabor especial. No caso da mais popular cachaça do Brasil, a Pirassununga 51, a ori­ gem do nome é fonte de contro­ vérsia entre torcedores de times de futebol. Palmeirenses afirmam que a marca foi uma homenagem dos fabricantes à conquista da Taça Rio (Torneio Mundial Inter­ clubes) pelo seu clube. O ano era 1951, e a vitória do Palmeiras (sobre a Juventus da Itália, que não tinha nada com a coisa) foi considerada uma espécie de vin­ gança nacional contra a derrota do Brasil no Mundial de 1950 para o Uruguai, no Maracanã. Os pal­ meirenses se apóiam no lança­ mento, em 1951, de uma “Caninha Super Especial”, a Palmeiras 51. Era um “produto adquirido dos melhores fabricantes de Pirassu­ nunga” e engarrafado por Irmãos Piccolo, de Santa Cruz das Pal­
Década de 20

Yolanda, um sucesso
Fiel a seu hábi to de ho mena­ gear mulheres dan do seus nomes a marcas de cigar ro, o fun dador da Sou za Cruz, Albi­ no Souza Cruz, ins pirou­se na mo delo Yo lan da D’Alen car para lançar o Yolan da. Pou co se sabe da artis ta, que não hesi tou em posar qua se nua para o layout do ró tu lo do ci garro e se tor nou um su cesso de vendas duran te mais de vinte anos. Na década de 40, o corpo inteiro da sensual Yolanda foi substituído pelo rosto de uma loura.

Na prática a teoria é outra
A embalagem do sabo­ nete Gessy, lançado em 1914, é uma das que mais passaram por mudanças ao longo de sua história. Contra­ riando a teoria de que as equities de uma embalagem devem ser mantidas a todo custo, cores, logomarca e tipologia freqüentemen­ te foram mudadas rad­ icalmente. A exceção é a embalagem mais recente, que remete a uma das primeiras. Setenta anos separam as duas. Apesar disso o sabonete Gessy per­ manece forte e saudá­ vel no mercado. Talvez porque a marca seja sua principal equity.

meiras (SP), firma que teria sido comprada pela Indústrias Müller de Bebidas, atual dona da marca Pirassununga 51, a mais vendida

Década de 40

no Brasil e exportada para vários países. A empresa, que este ano comemora quarenta anos de fun­ dação, confirma que a marca foi

Década de 60

adquirida por ela, mas não tem registro do nome do antigo dono. Seria a Palmeiras 51? Para os pal­ meirenses vale a versão.

Embalagem atual

50 – embalagemmarca • dez 1999/jan 2000

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