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Curso de Educação e Formação de Adultos - CIDADANIA E PROFISSIONALIDADE

Texto de Apoio 1
NG 4: IDENTIDADE E ALTERIDADE
Tema: Reconhecer princípios de conduta baseados em códigos de
lealdade
institucional
e
comunitária
(DR
1 tipo II)
Critério de Evidência: Interpretar códigos deontológicos
Turma 1D
Formadora: Raquel Rodrigues
Formando(s)____________________________________________________________________
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Data

1. Introdução

A integridade e ética são requisitos fundamentais para o exercício de qualquer actividade
profissional e tanto mais necessária quanto mais próxima a sua relação, directa ou indirecta, com
interesses económicos, financeiros, do cidadão, do consumidor, dos operadores económicos, da
sociedade em geral.
À medida que a globalização se aprofunda e alarga, é cada vez mais evidente uma visão do
mundo e das relações em sociedade assentes em princípios de elevada exigência e ética. O
desenvolvimento económico e dignidade humana, interesses materiais e valores morais não são
incompatíveis, mas apelam, no quadro da sua interacção, a uma hierarquia de padrões de
comportamento, a fim de que uns não subvertam os outros.
Considerando que à complexidade das relações num mundo globalizado, deve corresponder um
reforço da transparência é, sem dúvida, de grande importância a ética e deontologia em qualquer
actividade profissional.

2. Ética e Deontologia

A ética no seu sentido etimológico é uma palavra que vem do grego ethos, o qual tem dois
significados. O primeiro prende-se com o facto de a ética referir-se ao modo de ser, ao carácter, à
realidade interior de donde provêm os actos humanos. O segundo significado indica os costumes, os
hábitos ou o agir habitual; actos concretos que indicam e realizam o modo de ser implantado na
pessoa (Dias, 2004).
Essencialmente a ética investiga a fundamentação do agir, os princípios e valores, a dimensão da
interioridade dos actos, aquilo que é mais pessoal. Assim, a ética pretende estudar em profundidade
o ser e o sentido das normas morais, isto é, explicar o bem moral e as suas características. A ética é,
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2004). portanto. 1 Dicionário da Língua Portuguesa Porto Editora. Em sentido restrito. 1977 2 . ou seja. quando exerce determinada profissão. 5ª Ed. portanto. e restrita a um sector do comportamento humano. um complexo conjunto de actividades. A ética profissional insere-se na ética social. termo que advém do grego. 1969 citado por Dias. têm manifestamente um objectivo social (ex: a profissão de médico tem como objectivo social os cuidados médicos dos cidadãos). A profissão exige determinados comportamentos que se dirigem por normas específicas. pode-se dizer que a ética é o conjunto de permissões e de interdições que têm um enorme valor na vida dos indivíduos e onde estes se inspiram para guiar a sua conduta. isto é. deon. Posto isto. embora a deontologia seja considerada como uma ética aplicada. Um outro conceito associado à ética é a Deontologia. 1999).”1 Assim os deveres e direitos inerentes ao exercício de uma profissão.CIDADANIA E PROFISSIONALIDADE Texto de Apoio 1 portanto. Ética e a Profissão Em sentido lato. que integra fundamentalmente um posto de trabalho e uma função. 2000). de uma actividade da qual o indivíduo pode tirar os seus meios de subsistência. dever. de forma livre e responsável decisões conforme a sua natureza racional (Moreira. Há. particularmente dos das diversas profissões. A Deontologia “É o estudo dos deveres especiais de uma situação determinada. e logia – conhecimento – e assenta numa ciência dos deveres. Pode-se ainda definir ética como o conjunto de normas objectivas que ajudam o homem a tomar. 3. do valor a que visa e do dever ou normas que dirigem o comportamento humano (Avila. 2004). fundados nos princípios da sua responsabilidade moral e social constituem a respectiva Deontologia. De uma forma geral. de um emprego. onde é ditado um certo comportamento ético específico para o desempenho daquele trabalho (Dias.Curso de Educação e Formação de Adultos . comportamento típico. neste sentido. Há. Para a literatura ética um profissional é alguém que tem capacidades e conhecimentos adquiridos nas instituições e que os utiliza para um bem maior que não apenas o seu interesse próprio (Donaldson. Uma profissão é. uma moral e uma deontologia profissional. na ciência das normas relativas à actuação moral. e que do ponto de vista do contrato social. a profissão é sinónimo de ofício. a essência da profissão é constituída pelo exercício de um tipo de trabalho específico. a profissão é um ofício que desfruta de condições de exercício prestigiosas a todos os níveis na sociedade. do que é justo e conveniente que os homens façam. apresentado pelo homem. ordenada dentro das normas dos quadros sociais e como tal difere da ética individual. a ciência da moral e a arte de dirigir a conduta. uma estreita ligação da deontologia com a ética e a moral.

e que nós obrigatoriamente temos de cumprir. É assim que as exigências da ética na profissão assentam sobre qualidades atitudinais e valorativas que resultam da responsabilidade. 2004). fazendo parte da mesma. Portanto. a ética desenvolveu-se a partir de um conjunto de preceitos que regem os julgamentos. e por isso andam sempre de mãos dadas (Moreira. Seja quem for. autenticidade e do sentido de justiça. há uma relação muito forte entre a ética e a profissão. que são indispensáveis para que a convivência em sociedade seja possível harmoniosamente. de certa forma.CIDADANIA E PROFISSIONALIDADE Texto de Apoio 1 Neste domínio. vontade própria para escolhermos o nosso partido político ou a nossa religião. a ética é uma exigência do ser humano. para que essa relação seja possível é necessário que todos nós aceitemos um conjunto de determinados "códigos" de conduta. da Constituição da República Portuguesa ou da Declaração Universal dos Direitos do Homem. todos sabemos que possuímos livre arbítrio. cada vez mais se reconhece que são altamente úteis as relações entre si. Numa determinada comunidade proliferam diferentes profissões e organizações.Curso de Educação e Formação de Adultos . a prática profissional em todos os tipos e desenvolvimentos da profissão exige quotidianamente tomadas de decisão éticas e morais. Caso contrário esse equilíbrio social não aconteceria. Mas. Para além disso. 1999). a empresa mas também a sociedade no seu conjunto. das quais cada sujeito 3 . honestidade. Dias (2004) defende que a construção de uma ética na profissão deverá envolver não só o trabalhador. pois ensina-nos como passar do ser ao dever ser na profissão. Apesar de muitos de nós não possuirmos um saber total ou mínimo. 2004). Só assim se compreende que a ética e a profissão sempre estiveram juntas. que fundamentam as escolhas das relações profissionais. as acções e as atitudes no contexto de uma teoria elaborada a partir de normas que servem de guia para distinguir os comportamentos humanos bons ou maus e de um sistema de valores segundo o qual os efeitos destes comportamentos são também julgados bons ou maus na profissão. deve ter competência para reconhecer os códigos de conduta baseados em pertença e lealdade no colectivo institucional e social. Códigos deontológicos no contexto profissional Qualquer indivíduo está integrado numa sociedade. autonomia. tem de ser inter-relacionar com os outros. e por isso mesmo tem de ser sociável. No entanto. na qualidade de cidadão. liberdade de expressão. Por isso. A prática da ética na profissão insere-se no rol dos deveres relativos à responsabilidade que cada um tem no seu trabalho. limitam o nosso comportamento. não cumprir os compromissos assumidos por escrito ou verbalmente para com a profissão (Dias. qualquer um de nós sabe que subsistem normas de conduta que. do homem como é ao homem como deve ser. por exemplo. Por conseguinte. A conduta humana e moral nas organizações é questão de ética profissional e passa pela honestidade dos seus elementos (Kitson e Campbell: 1996: 97-225 citado por Dias. Exemplos disso são os códigos deontológicos. ferir a ética significa violar a lei dos deveres profissionais. Estas e muitas outras características da ética permitem certos comportamentos e padrões de conduta. Sendo assim.

CIDADANIA E PROFISSIONALIDADE Texto de Apoio 1 pode fazer parte e se inter-relacionar com os outros. ou não. o código deontológico dos médicos. não por piedosas declarações de intenções”. formal que enuncia diversos padrões morais tendo em vista orientar e inspirar os comportamentos dos seus colaboradores podendo-se dizer que é uma declaração de objectivos. em parte. possuidoras das virtudes morais. 1996. Para Moreira (1999) as razões para a implementação de códigos éticos passam pela necessidade que a empresa tem. . dos enfermeiros. 2004). ao discutir a introdução. tal como defende Barlett e Preston. citado por Dias. As exigências da prática profissional nunca poderão separar-se da ética. Assim. estão presentes punições. Temos por exemplo. ou seja. não garante que as empresas sejam éticas. mas decididamente eles são melhor que nada”. ou seja. Convém realçar que também aí as suas acções e/ou atitudes são "Limitadas" por diferentes regras de conduta e por códigos deontológicos. mas estes são transformados em função do "agregado" profissional e até mesmo do país. sendo estes da responsabilidade de corporações ou organizações profissionais. tendo por base regras e condutas claras para quem não cumprir o mesmo. Nestes códigos. subsistem diferentes códigos de deontologia. na sociedade. mas também uma arte do bem comum para todos (Kitson e Campbell. julgamos as empresas e os seus responsáveis pelas suas acções. dos engenheiros. de um código ético nas empresas. (2000) podemos esperar dos profissionais níveis éticos elevados apenas quando eles sentem que essas regras éticas são parte integrante da organização e respeitada por ela. eles podem ser ineficazes seja porque são mal elaborados seja porque são mal implementados. porque as empresas estão legalmente responsabilizadas pelas acções dos seus colaboradores pelo que esses códigos são essencialmente a expressões de valores éticos partilhados pela empresa. Moreira (1999). sendo que o principal motivo para isto está relacionado com o facto desses códigos não serem sujeitos a discussão e participação por parte dos colaboradores e nem sempre serem encarados de forma comprometida por parte da gestão de topo. como instituição. Actualmente. Aliás para Lewis (1991). dos advogados. citado por Bowman (2000) os “Códigos de ética não são tudo. diz que “a imposição de códigos de conduta só por si seria inútil. Códigos Éticos Um código de ética é um documento escrito. isso só se consegue se as pessoas que as integram forem íntegras.Curso de Educação e Formação de Adultos . Para Stevens (1994) os códigos de ética existem. Porém estes de pouco servirão se não forem efectivamente implementados e desenvolvidos. 4. pois poder-se-á dizer que esta relação é um bem pessoal. dos jornalistas. de 4 . Bowman (2000) defende que o facto de existir regras éticas devidamente formalizadas é uma forma de encorajar comportamentos correctos.. e dos códigos deontológicos da profissão. Os códigos deontológicos centram-se essencialmente em "discursos universais" e pretendem trespassar a "emoção ética" presentes no mesmo. entre outros..

1995 citado por Somers. da conveniência da auto-regulação das condutas nas suas empresas o que se traduz numa percepção dos códigos éticos como um instrumento privilegiado para ajudar a resolver dilemas individuais ou da organização relativamente a conflitos de interesses entre diferentes parte da empresa Pela perspectiva comportamental os códigos de ética existem pela percepção de que os colaboradores são afectados não só pelos seus valores mas também pelos grupos e pela sociedade. Contudo. 2001). pelo que a implementação de um código de ética promove comportamentos éticos na organização (Jamal and Bowie. depois os farmacêuticos. nos últimos anos muito se tem questionado sobre se efectivamente existe ética nas profissões é até se elaboram rankings sobre quais as profissões consideradas mais ou menos éticas. Por outro lado os operadores de telemarketing e os vendedores de carro surgem com os piores níveis de ética. Das 21 profissões testadas as enfermeiras obtiveram das classificações mais altas. entre outras razões. Isto leva a que muitos gestores se apercebam. 1994) NUM 1) LEGALIDADE 2) PROFISSIONALISMO 3) CONFIDENCIALIDADE 4) BOA FÉ (CONFIANÇA) 5 . Este é o caso de um questionário efectuado em Novembro de 2005 pela Gallup Pool aos Americanos no sentido de listarem o nível de honestidade dos membros de determinada profissão.CIDADANIA E PROFISSIONALIDADE Texto de Apoio 1 responder á função de ajudar ao desenvolvimento humano e profissional dos seus membros. Porém os estudos levados a cabo por Somers (2001) indicam que estes códigos aparentam ser menos importantes como influenciadores do comportamento dos colaboradores que os códigos de ética das empresas dado que estes não fazem parte do ambiente e da cultura organizacional. os professores universitários. Para o mesmo autor. para a empresa a principal justificação para a implementação de um código ético está. No entanto.Curso de Educação e Formação de Adultos . os médicos. PRINCÍPIOS ÉTICOS SEMPRE PRESENTES CÓDIGO DE CONDUTA (FERNANDEZ. Nesta perspectiva é sugerido que as empresas que adoptaram códigos de ética facilitaram a resolução de dilemas éticas promovendo assim atitudes positivas e como tal um nível elevado de compromisso com a empresa. atendendo ao bem comum. advogados e médicos. na responsabilidade da empresa face aos seus membros e á sociedade. como é o caso dos contabilistas. as empresas que no futuro queiram ter bons profissionais não poderão prescindir do desenvolvimento ético dos mesmos. Mas para além dos códigos de ética das empresas podemos ainda falar dos códigos de ética profissionais.

2) Explique a razão da sua escolha e porque acha necessário que essa profissão tenha um código deontológico. sugeriria a introdução de mais algum artigo? 5) Explique de que forma o código deontológico influencia a forma como o sujeito se relaciona com os outros e como se comporta na empresa. 6 .Duração 4h 1) Seleccione um código deontológico de uma profissão.Curso de Educação e Formação de Adultos . Justifique a sua resposta.Trabalho de Binas . 4) Se fizesse parte do Conselho de ética. 3) Enuncie quais os valores presentes no código deontológico que analisou que considera fundamentais. Dê exemplos práticos.CIDADANIA E PROFISSIONALIDADE Texto de Apoio 1 5) EVITAR CONFLITOS DE INTERESSE 6) RESPEITO PELA INTEGRIDADE DAS PESSOAS Actividade 1: .