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UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
CIV 313 - TRANSPORTES

Transporte a pe
Alunos: Juliana V. Prestes

59030

Pedro Curvello da Costa Nemer

61737

Renan Monteiro R. Pereira

64994

Matheus F. Carneiro da Silva

64998

Arthur O. Lima
Leonardo I. G. Guimarães

67435

Victor P. de Oliveira

67443

Minas Gerais
Vicosa
2012
1.0 - Introdução:

Andar a pé é a maneira mais antiga de deslocamento e
também a única acessível a qualquer pessoa, seja ela de qualquer
classe social ou local.
Os primeiros hominídeos começaram a caminhar eretos e sobre
os dois pés há pelo menos 3,6 milhões de anos. Estudo divulgado pela
revista "PLOS ONE".
Com o desenvolvimento de outros meios de locomoção, o
transporte a pé ficou restrito a pequenos deslocamentos. Apesar
disso, continua sendo o mais essencial e indispensável de todos os
tipos de transporte. Sendo seu uso freqüente na conexão dos
variados tipos de transporte.
A locomoção a pé acontece tanto nos locais de maior densidade
- caso da área central, como nas regiões mais distantes, onde são
maiores as deficiências de transporte motorizado e o perfil de renda é
menor. A maior parte das pessoas que andam a pé tem poder
aquisitivo mais baixo. Elas buscam alternativas para enfrentar a
condução cara, desconfortável ou lotada, o ponto de ônibus ou
estação distantes, a demora para a condução passar e a viagem
demorada. Portanto se torna indispensável um estudo adequado para
melhorar as condições de infra-estrutura para os pedestres. Pesquisas
de origem-destino realizadas em cidades brasileiras mostram que
mais de 30% dos deslocamentos em áreas urbanas são feitos a pé
(Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, IPEA, 2003).

2.0 - CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS
Os primeiros conflitos entre o homem e o veículo surgiram com a formação das
primeiras cidades. Estas tinham sua forma e localização determinadas pelas
distâncias de caminhada. Como nos primórdios da urbanização a caminhada ainda
era o modo de transporte predominante, as primeiras cidades.
Na história do planejamento, alguns urbanistas partiram das funções da
hierarquia das vias para o planejamento de bairros residenciais em que a rede
viária tinha como prioridade a segurança do pedestre e a constituição de áreas de
convívio e lazer sem os inconvenientes do tráfego de veículos motorizados, à
semelhança dos objetivos de vários projetos atuais.
O princípio de separar a circulação de pedestres do tráfego mais pesado, surgiu
canais ainda na época medieval, na planificação de Veneza, cujos canais foram
projetados para carregar o tráfego mais rápido. Os bairros foram projetados para a
circulação de pedestres, sem que suas rotas fossem interrompidas pelos canais e
nem estes pelo sistema de pedestres.
Também Leonardo da Vinci fez proposta semelhante para Milão, separando o
tráfego de veículos dos transeuntes. Na história do planejamento contemporâneo,
nos Estados Unidos da América, Julius Pitzman, Clarence Perry, Henry Wright e
Clarence Stein desenvolveram projetos para bairros residenciais tendo como diretriz
a segurança e o conforto dos pedestres. Julius Pitzman, em 1860, a partir da crítica
à falta de uma hierarquia das vias, procurou criar ambientes tranqüilos impedindo o
tráfego de passagem em algumas quadras na cidade de Saint Louis, com a
colocação de portões que separavam áreas residenciais da “conturbação” da cidade.
As ilhas de segurança ou Private Streets, no entanto, não impediam seus residentes
de enfrentarem a travessia das correntes de tráfego ao se dirigirem às escolas, às
compras, ao trabalho e ao lazer, localizados fora do bairro.
O legado dos projetos destes urbanistas americanos modernos vem ao
encontro das
diretrizes do planejamento sustentável em que a segurança, a circulação de
pedestres
e a concepção de uma certa qualidade ambiental são também objetivos comuns.
Atualmente, existem outras metodologias para a abordagem da organização e
controle
do tráfego e melhoria do meio ambiente.

a . 1994). são prejudicadas por falta de bom senso do usuário do sistema.QUAIS SÃO OS DEVERES E DIREITOS DOS PEDESTRES? O Art. desde que não seja prejudicial ao fluxo de pedestres. É o caso da Alemanha. 2001). 2000). podendo a autoridade competente permitir a utilização de parte da calçada para outros fins. da Holanda e da Inglaterra. tais como acidentes e diversos tipos de poluição ambiental. 1996) ao desrespeito das regras de circulação impostas por leis (DAROS. onde são encontradas as melhores práticas (Institute of Transportation Engineers. programas e projetos que beneficiam a mobilidade e a acessibilidade de pedestres. 2000). e de políticas e projetos públicos que amparem os cidadãos no papel de pedestres (VASCONCELLOS. ITE. Há ainda as ocasiões onde o pedestre tem sua mobilidade interrompida por motivos que vão desde a obstrução de seu campo de visão em travessias (OGDEN. 68 diz “ É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios ou passagens apropriadas das vias urbanas e dos acostamentos das vias rurais para circulação. capaz de torná-los menos expostos as externalidades negativas produzidas pelo trânsito. Os parágrafos 2 o e 3o desse artigo estabelecem que nas áreas urbanas. como Bogotá na Colômbia e Santiago no Chile. 3. No Brasil. e Belo Horizonte em Minas Gerais. passando por falta de projetos adequados de engenharia de tráfego (GONDIM. e nas áreas rurais. quando não houver acostamento. Também há grandes avanços neste sentido em algumas cidades da América do Sul. ANTP. experiências em cidades como Vitória no Espírito Santo.A adoção de medidas facilitadoras à locomoção de pedestres deve ser ampla. 2003). quando não houver passeios. são exemplos de boas práticas em prol das caminhadas (Associação Nacional de Transportes Públicos. Existem situações nas quais a mobilidade e a acessibilidade. Muitos países desenvolvem políticas.0 . esteja ele na condição de pedestre ou de condutor de um meio de transporte. Campina Grande na Paraíba.

e em ambos os casos quando não houver proibição para isso ou a segurança ficar comprometida.circulação de pedestres será feita em fila única pelos bordos da pista de rolamento com prioridade sobre os veículos.para atravessar uma passagem sinalizada para pedestres ou delimitada por marcas sobre a pista: a) onde houver foco de pedestres. obedecer às indicações das luzes. sempre que houver obstrução da calçada ou de passagens especiais a eles destinadas. demorar-se ou para sobre ela sem necessidade.nas interseções e em suas proximidades. levando em conta. observadas as seguintes normas: a) não deverão adentrar na pista sem antes se certificar de que podem fazê-lo sem obstruir o trânsito de veículos. 254 estabelece que é proibido ao pedestre: . 69 estabelece que “Para cruzar a pista de rolamento o pedestre tomará precauções de segurança. O Art. os pedestres não deverão aumentar o seu percurso. o cruzamento da via deverá ser feito em sentido perpendicular ao seu eixo. b) uma vez iniciada a travessia de uma pista. principalmente. a visibilidade. observadas as seguintes disposições: I. O parágrafo 6o. aguardar que o semáforo ou o agente de trânsito interrompa o fluxo de veículos. a distância e a velocidade dos veículos. b) onde não houver foco de pedestres. III. utilizando sempre as faixas ou passagens a ele destinadas sempre que estas existirem numa distância de até cinqüenta metros dele. II.onde não houver faixa ou passagem. determina que o órgão ou entidade com circunscrição sobre a via deverá assegurar a devida sinalização e proteção para a circulação de pedestres. onde não existam faixas de travessia. sendo que nas vias rurais deverá ser em sentido contrário ao deslocamento de veículos. O Art. os pedestres devem atravessar a via em continuação da calçada.

salvo em casos especiais e com a devida licença das autoridade competente.andar fora da faixa própria.“I. mas não implantou-a.0 .utilizar-se da via em agrupamentos capazes de perturbar o trânsito. desfiles e similares. VI. por questões de limitação espacial e incompatibilidade dos tráfegos de veículos e pedestres. pulando grades e correntes e realizando a travessia onde e do jeito que bem entendem. exceto para cruzálas onde for permitido. salvo quando houver sinalização para esse fim. um espaço tipicamente alocado entre edifícios lindeiros e a pista de rolamento dos veículos. esporte. Uma grande parte das infrações. passarela. 4. passagem aérea ou subterrânea. III. andam pela pista de rolamento.permanecer ou andar nas pistas de rolamento. salvo onde exista permissão. acostumaram-se tanto a andar pelo meio da rua que. no passado. Comentários da ABRASPE: Os pedestres também desrespeitam a sinalização. IV. é necessária a separação física dos espaços de circulação. II. já que seus erros normalmente são punidos na própria carne. ou para a prática de qualquer folguedo. pontes. ou túneis.atravessar a via dentro das áreas de cruzamento. Na periferia. multa para pedestre. O pedestre infrator age assim por ignorância dos reais riscos que corre. porém. mesmo onde existem calçadas.O Pedestre e seus meios de circulação: Nas áreas urbanas. existem outros . A Prefeitura propôs. além da calçada. é cometida conscientemente.desobedecer à sinalização de trânsito específica. Porém. V.cruzar pistas de rolamento nos viadutos. A solução adotada para circulação de pessoas caminhando foi a criação da calçada.

Operação e Controle: As maiores reclamações de quem usa o mais simples e barato meio de locomoção são os "obstáculos" que aparecem pelo caminho: bancas de camelôs.estrutura por onde transitam os pedestres. neste último caso. à implantação de mobiliário urbano. compreendendo a pista. quando possível. separado por pintura ou elemento físico separador. o acostamento. sinalização.0 . com buracos. como. não destinada à circulação de veículos. os refúgios de auxílio em travessias e os canteiros das avenidas. c) Passeio: parte da calçada ou da pista de rolamento. a mesma legislação é permissiva quando se trata do trajeto do deficiente na via. E. lixeira. as faixas de serviço. ainda que eventualmente. vegetação e outros fins. b) Calçada: parte da via. excepcionalmente. falta de sinalização. a) Via: define via como sendo a superfície por onde transitam veículos. degraus. . destinada à circulação exclusiva de pedestres e.Gestão. 5. o estacionamento de veículos nas calçadas. por exemplo. etc. pessoas e animais. A definição dos espaços de circulação refere-se às características de circulação de cada modo de transporte e as conseqüentes necessidades de segregação e interação.locais que compõem a infra. ilha e canteiro central. livre de interferências. desníveis. de ciclistas. faixas de pedestres. a calçada. normalmente segregada e em nível diferente. bancas de jornal. Além das calçadas estreitas. ainda que exista uma legislação que obrigue a construção de acessos para o deficiente físico às edificações públicas. reservada ao trânsito de pedestres e. falta de facilidades como passarelas. postes.

Um agravante ainda para a problemática é a falta de educação no transito tanto dos pedestres. quanto dos condutores. causada pelo fluxo de carros. Apropriação crescente do espaço público para satisfazer as iv. O que atesta a falta de investimento público em infra-estrutura e educação no transporte a pé. demandas por estacionamentos e fluxo veicular. temos como agravantes para a problemática do transporte a pé: i. encontramse as ocupações indevidas das poucas rampas existentes para auxílio nos deslocamentos destas pessoas e o estacionamento irregular de veículos junto às mesmas. é a educação da população para o uso do espaço público. e que restringe acessibilidade e mobilidade dos portadores de necessidades especiais de locomoção. Falta de desenho urbano voltado às necessidades de mobilidade e acessibilidade de portadores de necessidades especiais de v. tocante à infraestrutura ofertada e segurança pública. locomoção. Insegurança viária quanto a atropelamentos. ii. Presença de atividades informais junto a passeios estreitos. Em resumo. Poluição visual e ambiental. mais do que a de outros pedestres.Outro fato não citado. A junção entre estes condicionantes e a falta de adaptações no espaço público é mais prejudicial aos portadores de necessidades especiais de locomoção. . vi. e congestionamento das áreas destinadas a estacionamentos. vii. Ausência de áreas adequadas à circulação de pedestres no iii. Neste contexto.

e tornar . tendo em vista que. com a calçada em condições adequadas.Invasão de carros nas calçadas Calçadas deterioradas O bom estado de conservação das calçadas tem duas funções principais: manter o tráfego de pedestres segregado dos automóveis. não é preciso que se use a pista de rolagem como desvio.

conforme a recomendação da NBR 9050 (ABNT. Embora a calçada seja a parte da via destinada à circulação de pedestres. existe um ponto de conflito ocasionado pelo acesso de automóveis às edificações. McMAHON et al. (2002) recomenda que as rampas de acesso para veículos sejam semelhantes às designadas para o auxilio de portadores de necessidades especiais de locomoção. 2004). como mostra a figura a seguir: . já que o ambiente preservado torna-se convidativo .mais usuários adeptos do ato de caminhar. A calçada da figura a cima atende as necessidades do pedestre e é concebida de maneira atrativa aos usuários. desde que o desnível entre a calçada e a pista de rolamento tenha cerca de 15 cm.

Rampa de acesso para automóveis Dentre os portadores de necessidades especiais de locomoção. Superfície tátil ao longo do meio fio em calçada . Para estes. em áreas adjacentes aos locais mais freqüentados por estes usuários. principalmente nas proximidades dos pontos de parada e estações de transporte coletivo. é importante a implantação de superfícies táteis ao longo do meio fio. os portadores de deficiência visual requerem atenção no que se refere à concepção de calçadas.

A calçada cidadã possui a faixa de percurso seguro. na qual se concentra todo o mobiliário urbano (árvores. gestantes e idosos. visando à mobilidade com segurança pela cidade. . plana. A faixa de serviço é marcada com piso podotátil. Ele prevê a padronização das calçadas. e a de serviço. ou seja. orelhões etc).Rampa em área de travessia com superfície tátil para auxílio aos portadores de necessidades especiais de locomoção O Projeto Calçada Cidadã da Prefeitura de Vitoria/ES é um grande projeto de acessibilidade para os pedestres. diferenciado para identificar área não segura para caminhar. sem degraus. conforme determina a legislação federal e municipal. principalmente para os portadores de deficiência visual. sobretudo as pessoas com deficiência. postes. sem obstáculos e não escorregadia.

e a mudança. principalmente de pessoas com deficiência. com melhor . levando à otimização e racionalização dos custos. em cooperação com o Ministério da Defesa. por meio do CENTRAN .) 6. dotando-o de uma estrutura permanente de gestão. Outros objetivos secundários de grande relevância para o plano são: A consideração dos custos de toda a cadeia logística que permeia o processo que se estabelece entre as origens e os destinos dos fluxos de transportes. e rampas com sinalização tátil para garantir e facilitar a circulação. ilhas de serviço para implantação de mobiliário urbano.Centro de Excelência em Engenharia de Transportes. quer na parte da demanda. com base em um sistema de informações georeferenciada. de serviço (alerta tátil).A calçada ideal (faixas de percurso seguro. quer na parte da oferta. contendo todos os principais dados de interesse do setor.Plano Nacional de Logística e Transportes O PLNT foi desenvolvido em 2006 pelo Ministério dos Transportes .0 . Representa a retomada do processo de planejamento no Setor Transporte.

que o dutoviário vá de 3. A imagem a seguir quantifica o investimento que o PLNT propõe para o setor de transportes no Brasil nos próximos anos: . Para isso o PNLT propõe a construção de pelo menos 12 mil novos quilômetros de ferrovias até 2023. Se atingidas essas metas. . de acordo com Luiz Carlos Rodrigues Ribeiro. Trata-se. Coordenador-Geral de Planejamento da Secretaria de Política Nacional de Transportes. na atual matriz de transportes de cargas no País.equilíbrio. Exatamente por isso. havendo uma mudança na matriz de transportes do Brasil. principalmente no transporte de cargas. que o aquaviário se eleve de 13% para 29%. todo seu planejamento se dá a longo prazo e não apenas de 4 em 4 anos para satisfazer o governo atuante. A expectativa é. que permitirá visualizar o necessário desenvolvimento do setor dos transportes em face das demandas futuras. é o indutor do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras rodoviárias. ou seja .Ou seja. de que até 2023 a participação do modal ferroviário cresça de 25% para 32%. na medida em que a otimização e racionalização dos custos estarão associadas ao uso das modalidades de maior eficiência produtiva. essencialmente. a participação do modal rodoviário. cairia de 58% para 33% no país. de um plano indicativo.6% a 5% e o aéreo de 0. É um plano para o Estado Brasileiro e não um simples Plano de Governo.4% para 1%. associadas com a evolução da economia nacional e sua inserção no mundo globalizado. ferroviárias e aquaviárias. através do plano deseja-se resgatar o planejamento estratégico no setor de transportes. em processo de reavaliação periódica.

através da implantação de infraestruturas. Neste caso. IDF (Indução ao Desenvolvimento de Áreas de Expansão de Fronteira Agrícola e Mineral): atuará apoiando principalmente a expansão da fronteira agrícola na Região Centro-Oeste e em áreas de exploração mineral (recuperação. RDR (Redução de Desigualdades Regionais em Áreas Deprimidas): almeja. Os vetores logísticos que norteiam o PNLT são 4 . reconstrução de rodovias e implantação de novos eixos ferroviários).. . as obras que mais se destacam são as de formação de novas vias e duplicação de rodovias. favorecer o desenvolvimento de regiões deprimidas como a recuperação da malha viária e a adequação de portos. a saber: AEP (Aumento da Eficiência Produtiva em Áreas Consolidadas): tem como foco o abastecimento e o escoamento em áreas mais desenvolvidas (aumento de capacidade rodoviária. dragagem e administração de conflitos entre ferrovias e espaço urbano).

6% do total do PIB. Ainda assim. Investimento em transportes no Brasil: Em torno de 0. visto que nossos parceiros do BRIC (Rússia. Os investimentos do PLNT no transporte a pé se resumem a passarelas em ruas ou estradas que possuam grande número de pedestres e/ou alta taxa de atropelamentos. é um percentual baixo para um país em desenvolvimento. . Índia e China) têm gastos em torno de 4% a 6% do total do PIB. e faixas de pedestres com sinalização de redução de velocidade para carros. grande parte graças ao PAC. a meta é atingir em breve 1% do PIB em investimento em transportes.IRS (Integração Regional Sul-Americana): busca melhorar a fluidez das infraestruturas rodoviárias através da construção de pontes em áreas de fronteira.

.

preços de mão de obra e elementos opcionais (Pintura.asp .conhecaubatuba.com. A instalação de uma passarela convencional permanente. com um vão de cerca de 20 metros sobre uma rodovia de 4 faixas com acostamento e um canteiro central de 3 metros.000 no Brasil .0 . existe um leque de opções que seguem em uma tabela abaixo: Fonte: http://www. iluminação.Características De Economicidade Do Transporte à pé Custos de construção: Os custos para construção de passarelas e calçadas dependem dos padrões de engenharia. Já para a construção de calçadas.7.000 a R$ 300. entre outros). arborização. custa de R$ 200. bancos. método e materiais de construção. rampas.br/ubatuba/muros. corrimão.

1: assentamento de calçada em via publica.Fig. 2: Gabarito para construção de uma calçada. Fig. .

0 . 8. 4: Esboço de uma passarela.Fig.Operação e logística : . Fig. 3: Passarela em construção.

idade e sexo do pedestre. o básico é a existência de pavimento plano e seguro. o suficiente para escoar as águas pluviais e evitar que se formem poças de água. que não seja escorregadio. sua opção pode ser por trajetos planos mais longos que lhe poupem tempo e energia. Jamais rampas muito fortes (acima de 12%) que amedrontam e desequilibram o pedestre. devem ser usados degraus. ruidosa e poluente desestimula o andar a pé. Porém. presença de passarelas. Além de fortes inclinações. ainda que o fluxo de pedestres previsto pudesse ser acomodado em largura inferior. Em outras palavras. Ainda em relação às condições geométricas. normalmente. podendo se utilizar a capacidade ociosa para fins que animem o passeio e estimulem o andar a pé. Todavia. poluição. a fim de permitir que possam cruzar uns com os outros. salvo considerações particulares como a segurança contra assaltos e violências. fortes inclinações das calçadas e outros tipos de dificuldades. . Nas áreas comerciais. mesmo em dias de chuva. apresentam-se cheios de buracos e escorregadios.São raros os pavimentos que reúnem essas condições. com a predominância de habitações uni familiares. mesmo que os pedestres sejam poucos.80m. impedem a passagem de carrinhos de bebê e de portadores de deficiência. a calçada deveria ter largura mínima de 1. quando pode. e a lateral. também é o tempo o fator determinante na escolha de itinerários do pedestre. Sua inclinação longitudinal deve ser inferior a 5%. como são poucos os congestionamentos que lhe impõem redução significativa em sua caminhada. a largura mínima deveria ser de 3. face à diversidade de situações (segurança. clima. sem falar nas penosas passarelas. isto é. Nos centros urbanos mais congestionados e com sinalização que obriga o pedestre a longas esperas. pois sua presença agressiva. Nos bairros residenciais. as calçadas se transformaram em rampas de acesso do veículo ao imóvel. Quando a topografia do terreno impede rampas amenas. entre outras). O conforto do pedestre envolve uma dimensão muito ampla. confortavelmente. Como isso não é fácil. sua opção. recomenda-se que elas sejam bem mais largas nas áreas comerciais. a andar enviesado. com inclinações laterais acentuadas que obrigam o pedestre. em áreas residenciais.0 m. ou caminhando em dupla. Quando o fluxo de pedestres atingir33/minuto/metro (Nível B) deve-se ampliar a calçada. Seria interessante que fossem feitas pesquisas de campo sobre esse assunto.No caso do pedestre. e que não apresente buracos. as áreas ociosas das calçadas jamais deveriam ser cedidas para estacionamento de veículos automotores. recai no trajeto mais curto que coincide com o de menor tempo.

Fig. . 5 : Estrutura física de uma calçada. Fig.6 : Sinalização adequada para o transito.

7 : conscientização do transito.Manutenção: . 9.Fig.0 .

A manutenção da estrutura é importante para evitar que os pedestres tenham medo de usar a passarela.508) prevê que as concessionárias façam os reparos em passeios após obras para realização de serviços públicos. quem tiver a calçada danificada após uma obra relativa ao fornecimento de luz. o dono do imóvel. assim como de pessoas com mobilidade reduzida. Assim. A falta de manutenção pode anular os efeitos positivos de todos os aspectos arquitetônicos e de projeto mencionados anteriormente. De acordo com ela. Elementos que geram medo incluem escadas quebradas ou escorregadias. diz Silvio Soares Macedo professor FAU/USP.” A lei que regulamenta a execução de calçadas (10. pintura) é necessária para manter as características estéticas da passarela e evitar a sensação de abandono. equipamento de iluminação danificado e vibração excessiva devido a estruturas de ferro enferrujadas.” \A manutenção das passarelas e seus acessos são essenciais para maximizar o uso voluntário dessas estruturas. em grande parte dos casos. A manutenção do sistema de drenagem é necessária para evitar a acumulação de água nos degraus. gás ou água deve procurar a subprefeitura mais próxima para que o órgão público acione a empresa para fazer a reforma inclusive com o mesmo padrão de piso. É preciso fazer manutenção periódica para manter a funcionalidade do passeio público. rampas ou vão horizontal. A arquiteta Karla Cunha ressalta. consertando rachaduras e buracos logo que surgem para garantir a passagem tranquila das pessoas”. faz apenas um remendo e a calçada com o tempo fica intransitável. o que pode fazer os pedestres escorregarem ou sujarem suas roupas. é recomendado usar pisos táteis para facilitar a passagem de deficientes visuais e cadeirantes. ainda. A manutenção das superfícies (limpeza. “É preciso manter a calçada em boas condições. afirma. água ou gás faz um serviço e quebra a calçada. guardacorpos e corrimãos destruídos ou ausentes. Informações técnicas adicionais .O padrão exigido para as calçadas não se limita à construção. “Se uma concessionária de luz. a importância da acessibilidade. “Pessoas nessas condições precisam ter o caminho facilitado. “As pessoas fazem a calçada e não querem mais ter preocupação com ela”.

9: Calçada danificada. Fig. fotografias de algumas passarelas interessantes na Ásia encontram-se em Transport Research Laboratory (1987: 175-77).sobre os critérios arquitetônicos das passarelas podem ser encontradas em Fruin (1987).0 .Importância do Transporte a pé para a economia regional . 10. 8: Manutenção das faixas de pedestre. Fig.

ele tem sua parcela na economia regional. Afasta a depressão e aumenta a sensação de bem estar. Mesmo assim. pois não está diretamente ligado a transportes de cargas e bens de consumo. por exemplo. como. se relacionado aos outros transportes. é que devido ao exercício praticado durante a caminhada. Ajuda no combate a osteoporose. não tem grande importância econômica. aquecendo assim o comércio e a indústria desse seguimento.O transporte a pé. tem-se constatado :    Melhora na circulação sanguínea e na eficiência dos pulmões. o aumento na demanda por calçados. Outro importante fator. .

podendo também diminuir a alta demanda nos hospitais. . Diminui a sonolência. Prolongamento das calçadas nas áreas de travessia. Todos esses benefícios são muito importantes para a saúde de todos. Rede de calçadas. Protege o corpo contra derrames e infartos. Rotas com uso compartilhado para pedestres e ciclistas. Medidas de engenharia de tráfego As principais medidas de engenharia de tráfego a serem adotadas para proporcionar continuidade e segurança em caminhadas.     Deixa o cérebro mais saudável. mas também diminuem consideravelmente os gastos com a saúde. Rotas de pedestres: Calçadas. Tratamento geral de cruzamentos Ilhas de refúgio para pedestres. Mantém o peso em equilíbrio e emagrece. Faixas de pedestres em áreas de travessia. Controla a vontade de comer.

Semáforos acionados por pedestres. 11.0 . canaletas para drenagem. que invada a área de deslocamento. raízes expostas) e construtivos (inclinação excessiva. no máximo). caixas de controladores semafóricos etc) e a ausência de guias rebaixadas junto aos pontos de travessia. problemas de manutenção (pavimento rachado. principalmente.  Passeio .Acessibilidade para deficientes físicos Há também uma preocupação progressiva com as questões de acessibilidade de pessoas com deficiência física aos espaços. Estas medidas devem ser acompanhadas de uma disposição adequada do mobiliário urbano. piso escorregadio). utilização de placas de concreto sobre base de grama e juntas de dilatação largas (a ABNT [55] recomenda 1.  Guias rebaixadas nas travessias .Medidas de segregação temporal: Semáforos com tempo para pedestre. passeios. dos deficientes físicos. irregularidades como desníveis. a fim de facilitar o deslocamento de todos os pedestres e. como por exemplo. bancas de jornal. sejam eles de uso público ou não. o mobiliário urbano (telefones públicos. Algumas ações podem ser tomadas a fim de melhorar os deslocamentos dessas pessoas. que tem menor agilidade.caixas de correio. As ações de engenharia de tráfego expostas determinam as intervenções de infra-estrutura urbana para melhoria das condições de circulação de pedestres: tratamento das calçadas. interseções e áreas de travessia. Como exemplos de barreiras arquitetônicas mais comuns temos: o acabamento dos pisos dos passeios (inclinação excessiva. Ruas exclusivas para pedestres.esta é uma providência de grande importância para o conforto e segurança dos que se locomovem por meio de muletas e cadeiras de rodas. a presença de vegetação agressiva. presença de vegetação).vários elementos podem interferir no deslocamento dos deficientes físicos (e demais pedestres) e devem ser evitados ou tratados. por exemplo:  As barreiras arquitetônicas devem ser eliminadas dos passeios.5 cm. Medidas de segregação espacial: Túneis. Travessias supervisionadas por agentes de trânsito. além . Passarelas.

para evitar que deficientes visuais se choquem contra os mesmos. Para diferenciar as guias rebaixadas destinadas as travessias das de acesso a imóveis. para o transporte Falta de infra-estrutura de deficientes. Em São Paulo foi publicado em 22/12/84 a Lei Municipal no 9. com área equivalente à projeção do maior perímetro do equipamento.é recomendável que as caixas de controladores semafóricos.75m) Pessoa com andador (0.1 . As grelhas de proteção devem ter suas aberturas sempre perpendiculares ao movimento de travessia das cadeiras de rodas. Rebaixamento de calçada.803. uma vez que eles utilizam as irregularidades do solo como referência em seus deslocamentos. também facilita a circulação de pessoas com carrinhos de feira ou de bebê.disso.não devem constituir ameaça ao trânsito de deficientes.  Piso elevado em equipamentos urbanos .Mobilidade Reduzida A Norma Brasileira de Acessibilidade prevê dimensões mínimas de circulação e deslocamento nas calçadas. principalmente aquelas pessoas com dificuldade de mobilidade:   Pessoa com uma bengala (0. caixas de correio e outros componentes do mobiliário urbano tenham o piso elevado. por exemplo). é necessário que se construa um piso específico para o primeiro caso (piso “Braile”.85m) . 11. que obriga a que todas as travessias de pedestres sinalizadas possuam rebaixamento de guias.  Bueiros e bocas de lobo . formando um degrau. telefones públicos. para diferentes usuários. No novo modelo de telefone público utilizado pela Telesp (concessionária de telefonia para o Estado de São Paulo) foi incorporado esse detalhe construtivo.

Incremento na demanda de usuários de modos públicos e não motorizados de transporte.90m) Pessoa em cadeira de rodas (0. .  O DETR (2000) considera que conceber o espaço urbano através da provisão de condições de caminhada traz benefícios como:     Melhoria da saúde e da segurança da população. tais como:     Identificação das áreas de interesse.Ações favoráveis ao pedestre A adoção de medidas favoráveis aos pedestres deve originar-se da integração entre planejamento. bem como resgate do convívio em sociedade.2 . Avaliação das demandas de viagens e do desempenho dos meios de transportes disponíveis. Avaliação das condições da infra-estrutura ofertada.   Pessoa com muletas tipo canadense (0. As ações a serem adotadas na provisão de acessibilidade e mobilidade de pedestres devem estar suportadas em diagnósticos que comprovem a necessidade de intervenção.90m) Pessoa com cão guia (0. Estudo dos impactos provenientes das formas de utilização do solo. representa a maneira mais barata e simples de locomoção. Características físicas e socioeconômicas dos usuários. podemos ainda acrescentar os fatores contribuintes à saúde. como também na diminuição de gases poluidores dos escapamentos dos carros. destaque também para a redução de veículos transitando nas rodovias. Revitalização de áreas degradadas e ocupação de espaços ociosos. diminuindo o congestionamento e uma queda nos acidentes automobilísticos. tanto na condição do ato de caminhar.80m) 11. portanto. melhoria da infra-estrutura urbana e aplicação de programas educacionais. Somando-se a isso. Conclusao Andar a pé. Melhoria das condições de acessibilidade.

mesmo que as consequências sejam altamente desfavoráveis. a princípio. Por ser uma forma de deslocamento que usa o próprio corpo humano. . acaba de ser tolerada em qualquer tipo de ambiente urbano. não é tratado no mesmo plano de prioridade de atendimento com que são contemplados os demais modais. portanto de qualquer meio tecnológico. seja ele adequado ou não. prescindindo.e uma importante contribuição para o bem-estar de uma mente mais saudável e tranquila longe do estressante caos da direção. já que a adaptabilidade da movimentação do corpo humano pode. adequar-se e locomover-se em qualquer situação. apesar de ser definitivamente reconhecido no meio técnico especializado como um meio de transporte.