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Black block

Black Bloc: “Fazemos o que os outros não têm coragem de fazer”. Ativistas
afirmam não temer o confronto com a polícia e defendem a destruição de “alvos
capitalistas”. Conheça a história e a forma de luta que se popularizou com o
movimento antiglobalização e ganha destaque no Brasil
Black bloc é o nome dado a uma estratégia de manifestação e protesto relacionado ao anarquismo, na
qual grupos de afinidade mascarados e vestidos de negro se reúnem com objetivo de protestar em
manifestações antiglobalização e/ou anticapitalistas, conferências de representacionistas entre outras
ocasiões, utilizando a propaganda pela ação para questionar o sistema vigente.
As roupas e máscaras negras que dão nome à estratégia são usadas para dificultar ou mesmo impedir
qualquer tipo de identificação pelas autoridades, também com a finalidade de parecer uma única massa
imensa, promovendo solidariedade entre seus participantes.
Black blocs se diferenciam de outros grupos anticapitalistas por rotineiramente se utilizarem da destruição
da propriedade para trazer atenção para sua oposição contra corporações multinacionais e aos apoios e às
vantagens recebidas dos governos ocidentais por essas companhias. Atualmente, há registros, de forças de
ação Black Bloc nas recentes manifestações e levantes populares no Egito.

Black Bloc no Brasil
É pouco surpreendente que essa estratégia de manifestação urbana, bastante difundida ao redor do mundo,
tenha demorado a chegar por aqui. Essa forma de agir em protestos e manifestações ganhou muito destaque
dentro dos movimentos antiglobalização, na virada da década de 1990 para 2000. Não é uma forma de ação
política realmente nova. No Brasil, existem páginas do movimento de quase todas as capitais e grandes
cidades, a maior parte delas criadas durante o período de proliferação dos protestos. A maior é a Black Bloc
Brasil, com quase 35 mil seguidores, seguida pela Black Bloc–RJ, com quase 20 mil membros.
A respeito da relação com o anarquismo, é preciso deixar claro que a noção de que toda ação Black Bloc é
feita por anarquistas e que todos anarquistas fazem Black Bloc é falsa. A história do Black Bloc tem uma
ligação com o anarquismo, mas outras correntes como os autonomistas, comunistas e mesmo independentes
também participavam. Nunca foi algo exclusivo do anarquismo. Na prática, o Black Bloc, por se tratar de
uma estratégia de operação, pode ser utilizado até por movimentos da direita.
Na semana passada, os black blocs estiveram por trás de todas as manifestações violentas que explodiram no
Rio de Janeiro e em São Paulo, com exceção da tentativa de invasão do Hospital Sírio-Libânes, esta uma
obra de sindicalistas. Na quinta, no Rio de Janeiro, cerca de 200 mascarados depredaram agências bancárias,
pontos de ônibus e arremessaram um banheiro químico no meio da rua.A Avenida Rio Branco, uma das
principais vias da cidade, ficou parada por quase sete horas. No dia anterior, em São Paulo, black blocs
haviam queimado uma catraca, que levaram durante toda a manifestação como troféu. Na sequência,
invadiram o prédio da Câmara Municipal e destruíram suas vidraças.Por princípio herdado dos seus
precursores europeus, muitos dos black blocs desprezam qualquer movimento político organizado, à direita
ou à esquerda, o que inclui até os, atualmente em voga, Fora do Eixo e Mídia Ninja.

Prejuízos Em dois meses de manifestações. Quando a polícia se aproxima. na Alemanha da Guerra Fria sacudida por protestos antinucleares. O objetivo é provocar a polícia. Em São Paulo. No fim da década de 90. A ação dos mascarados. Mas o contexto mudou.5 milhão de reais. emitem em coro e de forma ritmada grunhidos semelhantes a um grito tribal. acontecem porque elas seriam mecanismo de exploração e exclusão das pessoas. mais de 200 agências bancárias foram depredadas. atear fogo em latões de lixo e destruir estabelecimentos. preferencialmente bancos. Em turmas de cerca de 100 pessoas. o marxismo em baixa e o anarquismo em alta. placas de rua e pontos de ônibus. De braços cruzados. foi de 38 milhões de reais. Quando ela reage. de Berlim ao Rio.000 reais para consertar vidraças das estações de metrô destruídas. Nesse momento. a tática usada pelo grupo nos últimos atos obedece ao padrão de ação dos precursores europeus e americanos. No comércio. alguns membros lançam morteiros. do governo e das empresas privadas. McDonald’s e Starbucks viraram imediatamente os alvos preferenciais da turma – e até hoje não escapam ilesas de nenhum protesto em que haja um mascarado. os black blocs participaram do Occupy Wall Street. Como agem Aqui no Brasil .Ira contra o capitalismo Os blacks blocs surgiram nos anos 80. No Rio de Janeiro. o governo e a prefeitura gastaram até agora 350. os black blocs aterrissaram nos Estados Unidos e no Canadá com bandeiras já enegrecidas e gritos bem mais radicais: pela destruição da propriedades. com o Muro de Berlim despedaçado. . movem-se como uma massa uniforme em direção às barreiras de segurança. coquetéis molotov e pedras com estilingues. os black blocs diziam ter um objetivo diferente do atual: o de servir de “escudo humano” para os manifestantes que desafiavam a polícia e apanhavam dela. em Nova York. o que causou um prejuízo superior a 100 milhões de reais. Naquele tempo. lanchonetes de cadeia e tudo o que considerarem “símbolos do capitalismo”. o prejuízo superou 1.A destruição praticada contra multinacionais ou outros símbolos capitalistas. os black blocs assumem a linha de frente dos protestos. Em 2011. a pretexto de compor uma barreira entre os manifestantes e os policiais. eles se dividem: uma turma parte para cima e a outra foge para pichar muros. concessionárias de carros.

Houve confronto com a polícia. discursou em frente ao Portão de Brandenburgo. Como tática para enfrentar a ação da polícia. Surgiam assim os black blocs. anarquistas e punks em protestos de rua. 20/abr/2001 – Encontro da Cúpula das Américas. roupas pretas e passaram a marchar em bloco. uma centena de black blocs chegou a derrubar a cerca de arame que separava os manifestantes dos participantes do encontro 20/jul/2001 – Encontro do G8. em visita ao lado ocidental de Berlim. Seattle (Estados Unidos) No primeiro grande black bloc feito por americanos. Desde então. 157 pessoas foram presas. foi morto a tiros por um policial. para protestar contra a globalização. Nele. 50. Ao longo dos anos 90. onde acontecia a reunião do G8. o movimento antinuclear na Alemanha juntou comunistas. . Nos arredores. Washington (Estados Unidos) Os black blocs apareceram pela primeira vez nos Estados Unidos quando cerca de 1. um dos alvos preferenciais desses manifestantes. integrante dos black blocs. Esse também foi o primeiro dos grandes protestos antiglobalização que ocorreriam nos anos seguintes.000 pessoas protestavam contra a Guerra Fria 17/out/1988 – Pentágono. esses grupos adotaram o uso de máscara. black blocs destruíram a vitrine de uma loja da Starbucks. Berlim (Alemanha) Nos anos 80. junto com agências bancárias de qualquer nacionalidade. sempre na dianteira dos confrontos. Gênova (Itália) Anarquistas vindos de diversas partes da Europa encontraram-se em Gênova. Quebec (Canadá) Carregando uma faixa em que se lia que “o capitalismo não pode ser reformado”.000 pessoas foram à sede do Pentágono para protestar contra o apoio daquele país a paramilitares de El Salvador. Eles compareceram em massa quando o presidente americano Ronald Reagan. e o anarquista italiano Carlo Giuliani.12/jun/1987 – Visita de Ronald Reagan. a rede de cafeterias americana virou. demonstrações parecidas – pequenas e pouco violentas – aconteceram em várias cidades americanas 30/nov/1999 – Conferência da OMC.

como a American Apparel e a Adidas. Distrito Federal e Porto Alegre. misturados a outros manifestantes. 26/jun/2010 – Encontro do G20. Toronto (Canadá) Os black blocs destruíram lojas de roupas. atearam fogo em quatro carros de polícia – mais de 150 pessoas foram detidas. Cairo (Egito) Ao lado de milhares de pessoas que tomaram a Praça Tahir em protesto contra o primeiro governo eleito do Egito. eventos parecidos ocorreram em São Paulo. e promoveram um quebra-quebra sem alvo aparente. Fortaleza.6/jun/2007 – Protesto contra o G8. e cafeterias Starbucks. O governo os acusou de promover o terrorismo e mandou vários manifestantes para a prisão. 11/jul/2013 – Rio de Janeiro (Brasil) Na esteira dos protestos que dominaram o país em junho. chegaram às manchetes dos jornais. . Além disso. cerca de 300 mascarados tomaram o centro da cidade. Hamburgo (Alemanha) Milhares de pessoas. 25/jan/2013 – Ato contra a Irmandade Muçulmana. Os manifestantes bloquearam várias rodovias alemãs para dificultar o acesso aos chefes de estado. os black blocs atuaram pela primeira vez em um país árabe. A partir daí. a maioria participante do black bloc. protestaram contra a reunião do G8 em um balneário na região norte do país. Pela primeira vez.