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AGENTES, PROCESSOS E FEIÇÕES EROSIVAS EM VOÇOROCA

CONECTADA À REDE DE DRENAGEM DO RIO COREAÚ,
EM COREAÚ, CEARÁ
Francisco Nataniel Batista de Albuquerque 1
RESUMO
A erosão é uma das principais formas de degradação dos solos,
principalmente quando se trata da erosão por voçoroca presente em
paisagens rurais, e até urbanas, dos quatro cantos do mundo. No
Semi-árido brasileiro essas feições erosivas não são tão comuns pela
pouca espessura dos solos, na maioria dos ambientes sertanejos.
Mas uma combinação de fatores naturais associados a atividades
antropogênicas levam à formação de voçorocas em fundos de vales
com declividade praticamente nula. Partindo dessa idéia, o presente
trabalho objetiva realizar uma análise dos agentes e processos
envolvidos na erosão por voçorocas conectadas à rede de drenagem
do rio Coreaú, bem como das feições erosivas resultantes dessa
dinâmica, identificando estágios diferentes de formação e evolução
de voçorocas.
Palavras-chave: Voçoroca. Rede de drenagem. Estágios erosivos.
AGENTS, PROCESSES AND GULLY EROSION
CONECTED TO THE DRAINING NET OF THE
COREAÚ RIVER, IN COREAÚ, CEARÁ
ABSTRACT
The erosion is one of the main forms of degradation of soils,
mainly when it concerns to gully erosion in agricultural landscapes,
and until urban, around the world. In brazilian semi-arid countries
these erosive features are not so common for the little thickness of
soils in the majority of country environments. But a combination of
natural factors associated to the human activities induces the
formation of gully in deep of valleys with declivities practically null.
The objective of the present work is to analyse the agents and
processes involved with the gully erosion connected to the net of
draining of the river Coreaú, as well as the resultant erosive features
of this dynamics, identifying different periods of formation and
evolution of gully.
Key-words: Gully. Draining net. Stages of erosion.

INTRODUÇÃO
A degradação dos solos é um dos principais problemas ambientais da atualidade em todas
as regiões do globo, pois reduz a dimensão das áreas férteis pela perda da camada superior do
1

Geógrafo, especialista em Desenvolvimento com Meio Ambiente (UVA). Mestrando do programa de pósgraduação em Geografia da UFRJ. Rua Alferes Raimundo Leopoldo, s/n, Coreaú-CE. CEP. 62.160-000. E-mail:
natangeo@hotmail.com.

Revista da Casa da Geografia de Sobral, Sobral, v. 8/9, n. 1, p. 11-20, 2006/2007. www.uvanet.br/rcg

segundo estudo realizado pelo United Nations Environment Programme – UNEP (1978) apud ARAÚJO et al. que se deparam com a vegetação arbustivo-arbórea da caatinga desprovida de sua folhagem. em sua maior parte. 11-20. A voçoroca está situada nas coordenadas geográficas de 03º31’45” de latitude sul e 40º40’29” de longitude oeste. os solos estão submetidos a intensas e concentradas precipitações de verão-outono. principalmente daqueles situados na zona intertropical do globo. (2005). 8/9. 2006/2007. da compactação. n. da salinização. solos pouco profundos e baixos teores de matéria orgânica. Essas feições erosivas ocorrem em pontos diversos da paisagem.uvanet. A erosão por voçoroca é responsável pela descaracterização das paisagens naturais em áreas rurais e até urbanas de muitos países. é a principal forma de degradação dos solos. Além disso. proveniente da erosão hídrica. através da identificação de estágios sucessivos de erosão na área. 12 Revista da Casa da Geografia de Sobral.solo. entre as cidades de Coreaú e Moraújo. Propõe-se. da poluição. v. principal coletor de drenagem da bacia hidrográfica de mesmo nome. principalmente no que diz respeito à erosividade das chuvas. A área tomada para estudo localiza-se na região noroeste do estado do Ceará. acelerando os processos erosivos. como é o caso da área de estudo do presente trabalho. próximo a rodovia estadual (CE-364) que liga os dois municípios (Figura 1). apresentando pouca resistência à erosividade das chuvas. seja em pontos mais altos das encostas ou em topografias planas de fundos de vale. p. a região apresenta. 1. analisar os agentes e processos erosivos envolvidos na formação e evolução de voçorocas conectadas à rede de drenagem. entre outras formas de degradação no âmbito global. As voçorocas constituem-se em indicadores naturais de um avançado estágio de degradação dos solos. Na maior parte do semi-árido brasileiro. Figura 1 . no noroeste cearense. Sobral. o mais destrutivo em termos de danos é a voçoroca. com este trabalho. mais exatamente no alto-médio curso do rio Coreaú.br/rcg . Dos vários tipos de erosão hídrica.Localização da área de estudo no município de Coreaú. ddevido às condições climáticas mais severas. A remoção das camadas férteis do solo. www. e são formadas por uma série de condicionantes naturais associados às atividades humanas sem planejamento do uso e ocupação dos solos.

mais especificamente das práticas agrícolas. p. Revista da Casa da Geografia de Sobral. sendo este último o local mais apropriado. considerando-se como voçorocas incisões lineares maiores que 50 cm de largura e profundidade (GUERRA. 8/9. tempo disponível.br/rcg 13 . classifica essas feições quanto à conexão (ou não) destas com a rede de drenagem. está a definição baseada na profundidade do escoamento da água: enquanto as ravinas são formadas pelo escoamento superficial. Poesen (1993). podem ser formadas tanto pelo escoamento superficial como o subsuperficial.EROSÃO POR VOÇOROCA: UMA ABORDAGEM TEÓRICO-METODOLÓGICA A erosão por voçoroca é definida basicamente segundo dois diferentes critérios: a dimensão espacial (largura e profundidade) e a participação das águas do lençol freático. as voçorocas seriam resultantes de processos erosivos subsuperficiais.. sendo a leitura da evolução da voçoroca realizado mês a mês. o presente trabalho apóia-se no modelo teórico de evolução de ravinas e voçorocas proposto por Oliveira (1999). a partir desta classificação. resultando em voçorocas conectadas e desconectadas. por considerar que não é preciso o alcance do lençol freático para ser considerada como tal. 1. Guerra (2005) destaca dois bastante utilizados: o monitoramento e o experimento. as voçorocas. as voçorocas também são definidas a partir de critérios empíricos. Além disso. como as características climáticas e tipos de solos. através da instalação de pinos (pregos) de 13 cm nas bordas da feição erosiva. A voçoroca é um canal resultante da erosão causada pelo fluxo intermitente de água normalmente durante ou imediatamente após fluxo de pesadas chuvas. a reabilitação da área afetada. pois esse é um estágio de degradação irreversível que impossibilita. As diversas técnicas de monitoramento e experimento são flexíveis às condições ambientais de cada área. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT. classifica as voçorocas quanto ao local de ocorrência. 2005). O período de monitoramento da voçoroca compreendeu o início da estação chuvosa de 2006 (janeiro) até os dois primeiros meses de chuvas de 2007 (janeiro e fevereiro). O critério mais adotado pela comunidade científica. por preservar a dinâmica natural dos processos erosivos. Oliveira (1999). Esses canais são fundos o bastante para interferir nas áreas de lavoura (POESEN. Partindo do entendimento de que os modelos espaciais desempenham um papel de crucial importância à medida que possibilitam a descrição e a explicação das complexidades dos fenômenos naturais e sociais. por exemplo. muitas vezes. Nessa mesma perspectiva. 1993). Na mesma linha. As mensurações podem ser realizadas em laboratório ou em campo. levando Poesen (1993) a considerar voçorocas feições erosivas que não podem ser obliteradas por técnicas normais de preparo do solo para lavoura. inclusive internacional. entre outros fatores. n. além de recursos humanos e financeiros da pesquisa. é a dimensão espacial. elaborou um modelo de evolução de erosão linear. 2001). Os materiais e a técnica de monitoramento foram adaptados da proposta de Guerra (2005). 11-20. Com relação ao conceito de voçoroca adotado nesta pesquisa. Quanto aos métodos de estudo e quantificação da erosão de solos. desconectadas da rede de drenagem e integradas entre os dois tipos (Figura 2). Sobral. considera voçoroca a ravina que atinge o lençol freático. v. por sua vez. dependendo das condições da área. por exemplo. consideramos a mesma uma incisão superior a 50 cm de profundidade e largura. Numa outra linha estão os pesquisadores que levam em conta a participação das águas do lençol freático nos processos erosivos para definir uma incisão erosiva como voçoroca (MELO et al.uvanet. devido à área ser aberta à fácil circulação e interferência de pessoas e animais. As voçorocas também têm sido classificadas em diversas tipologias. No presente trabalho foi utilizada a técnica de monitoramento in situ de uma voçoroca conectada. que classifica as voçorocas em conectadas à rede de drenagem. www. O monitoramento diferencia-se do experimento pelo fato de haver o acompanhamento de um determinado fenômeno na própria área de ocorrência e dentro de uma escala temporal definida. 2006/2007. e quanto ao tempo de duração. como é o caso das voçorocas efêmeras. como é o caso das voçorocas de terraço.

Sobral.Figura 2 . 1. com um horizonte superficial rico em matéria orgânica (Figura 3).Modelo de evolução de voçorocas.uvanet. Os mesmos são revestidos por gramíneas e vegetação de carnaúba (Copernicia prunifera). n. 8/9. a aproximadamente a 500 metros do rio. tendo como zona de erosão mais expressiva o maciço residual serrote da Palma. com 326 m de altitude. a aproximadamente 70 metros de altitude. A área é constituída por Neossolos Flúvicos. tendo grande presença também de espécies arbustivas da caatinga. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA AFETADA POR VOÇOROCAMENTO A voçoroca está situada no alto-médio curso do rio Coreaú. 2006/2007. Em destaque a voçoroca conectada. 14 Revista da Casa da Geografia de Sobral.Perfil do Neossolo Flúvico (esquerda) e vegetação de carnaúba (direita). v. mas que apresenta pouca evolução pedogenética. 11-20. pelo avançado estágio de degradação das margens do rio (Figura 4). com declividade praticamente nula. próximo à desembocadura do rio Juazeiro. Figuras 3 e 4 . Está instalada em terraço fluvial de topografia horizontal.br/rcg . Fonte: Oliveira (1999). principal afluente do rio Coreaú nessa seção da bacia. p. www. guardando pouca relação entre seus horizontes.

sendo que 96% deste total se concentraram em quatro meses (fevereiro a maio). Segundo Araújo et al. A voçoroca (Figura 5). AGENTES E PROCESSOS EROSIVOS: CONDICIONANTES NATURAIS E AÇÃO ANTROPOGÊNICA A identificação dos vários estágios de evolução da voçoroca é de importância fundamental. Os seis meses da estação chuvosa de 2006 registraram a pluviometria total de 1033.uvanet. períodos contínuos ou prolongados de inundação combinados com uma variedade de outros processos de degradação também fazem da proteção da margem do curso d’água uma tarefa muito difícil. ocorrendo chuvas diárias de até 65 mm (FUNCEME. ou seja. Para compreender melhor os processos erosivos atuantes. o total de precipitação variou de 709. especialmente durante a estação chuvosa do semi-árido brasileiro. respectivamente nos anos de 2005 e 2003. Essa etapa foi denominada etapa de formação da voçoroca. Em cada uma dessas etapas uma série de estágios foi detalhada. 1. Enquanto isso. 8/9. o número de dias chuvosos oscilou de 50 a 71 dias. 2006/2007. Revista da Casa da Geografia de Sobral. v. (2005). como. A seta indica o sentido do fluxo do rio. principalmente durante o verão e o outono.3 m na foz. nos últimos quatro anos. é a primeira etapa do ambiente em estudo. dividimo-os em duas etapas que se sucedem: etapa de formação (erosão fluvial) e etapa de evolução da voçoroca (erosão pluvial). e uma largura que variava de 1 a 3 metros. A erosão ocorre ao longo das margens de rios. www. para entendermos os agentes e processos atuantes na dinâmica erosiva por voçoroca conectada à rede de drenagem. Isso demonstra o alto poder erosivo das chuvas de verão da região. também conhecida por erosão fluvial.A área está submetida àss ações do clima tropical semi-árido.Voçoroca em estudo no final da estação seca de 2005. Sua extensão era de aproximadamente 15 m em linha reta. perfazendo uma área de aproximadamente 40 m2. Foto do Autor (dez/2005). 2007). p. De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME. 11-20. onde a velocidade do fluxo d’água é alta e a resistência do material da margem geralmente é baixa. o que constitui num dos principais condicionantes naturais para o surgimento de ravinas e voçorocas. apresentava profundidades que alcançavam 1 m na cabeceira e 2. 2007). no início da estação chuvosa de 2006.4 a 1. Figura 5 . Sobral. onde e por que eles surgem no terreno. A remoção da mata ciliar e a erosão em margens de rios A ação das correntes fluviais nas margens.5 mm em 71 dias de chuva.447 mm. respectivamente nos anos de 2005 e 2006.br/rcg 15 . n. em que predominam chuvas torrenciais e concentradas no tempo.

v. erosão atrás das árvores e as árvores crescendo dentro do canal. a erosão remontante. não havendo.Como produto dessa relação dialética entre sociedade e natureza. segundo Cunha (2005). resulta uma série de características que. Figura 6 – Solapamento da margem côncava do rio (Foto do Autor) Quando esses processos naturais deparam-se com margens desprotegidas. As poucas árvores e arbustos restantes em alguns pontos da margem contribuem efetivamente para a contenção do solo através de suas raízes.uvanet. apesar dos consideráveis índices pluviométricos. sem a presença da mata ciliar. com participação direta de atividades antropogênicas. O primeiro estágio foi marcado pelo solapamento das margens côncavas (Figura 6) pelas águas do rio Coreaú.br/rcg . ou seja. 2006/2007. a erosão se deu pela ação das águas do rio que em períodos de cheias adentrava a voçoroca. as águas do rio Coreaú não atingiram a face exposta da margem erodido. participação da erosão fluvial no processo de evolução da voçoroca. Sobral. poucos metros separam uma antiga estrada vicinal das bordas do terraço fluvial. Classificamos esse processo como segundo estágio (Figura 7). aconteceu uma espécie de “efeito alavanca” com a queda das mesmas. pontos de extrema vulnerabilidade à instalação de ravinas e voçorocas. árvores inclinadas e deformadas. principalmente as de arquitetura pivotante e extremamente longas. p. escavando seu eixo. portanto. Durante a estação chuvosa de 2006. 16 Revista da Casa da Geografia de Sobral. pois esses setores dos meandros são mais suscetíveis à erosão. 1. auxiliando contra o impacto erosivo das águas fluviais. como a das carnaúbas. e a conseqüência desse fenômeno foi o aparecimento de cicatrizes nas margens do rio. raízes expostas. www. retirando uma grande quantidade de solo. No caso da área em estudo. Num primeiro momento. Quando as raízes das árvores perderam a capacidade de sustentar o solo. teve-se o início do terceiro estágio. a resultante passa de uma simples dinâmica natural a um grave impacto ambiental. 8/9. pois configuram-se como zonas de erosão devido à maior velocidade da corrente. nos períodos de cheias não regulares. são indicadores do alargamento do canal fluvial: margens erodidas e solapadas. 11-20. Uma vez instalada a cicatriz erosiva deixada pelo movimento de massa. n.

o desinteresse pelos investimentos em obras complementares ao projeto da estrada e a falta de manutenção são as principais causas da grande incidência de erosão por ravinas e voçorocas encontradas nas áreas rurais (SALOMÃO. 1. quando esta atingiu a borda do desnível deixado pela antiga vicinal. o que não acontece com a seção a jusante. 2006/2007. o que aumentou o tamanho da voçoroca. A imprecisão dos projetos de drenagem. A situação foi agravada pela adoção de técnicas errôneas por moradores da região. que possui duas carnaúbas impedindo a erosão das bordas.uvanet. após um ano e dois meses de monitoramento.“Efeito alavanca” provocado pela queda da carnaubeira. 11-20. À medida que a erosão remontante que atua nas margens do rio atingiu as bordas da antiga vicinal. Até esse momento a erosão remontante da voçoroca se deu principalmente pela ação das cheias do rio Coreaú. www. foi construída uma vicinal ao lado. mesmo assim. n. v. O quinto estágio foi marcado pelo desenvolvimento de um fluxo linear concentrado. após o escoamento em lençol. p. O tamanho da voçoroca evoluiu bastante (Figura 9). Sobral. A concentração do fluxo de água deu-se em direção à cabeceira da voçoroca. mais distante das margens do rio.br/rcg 17 . Figura7 . a antiga passagem continua sendo utilizada em épocas de fortes chuvas. principalmente por não levarem em conta a natureza dos terrenos quanto à suscetibilidade à erosão. No final dos anos 1990. sendo bastante perceptível sua evolução na seção a montante e. O quarto estágio foi marcado pelo escoamento superficial em lençol causado por um degrau rebaixado de aproximadamente 20 cm deixado por uma antiga estrada vicinal (Figura 8) que cortava a área até meados da década de 90. pelo fato de ser um trecho sem cobertura vegetal em suas bordas. a evolução da voçoroca não dependeu mais apenas das grandes cheias do rio. os quais Revista da Casa da Geografia de Sobral.. deu-se em conseqüência da erosão hídrica pluvial. não havendo mais a participação direta das águas fluviais na evolução das dimensões espaciais da voçoroca. Esse momento foi denominado de etapa de evolução da voçoroca. deixando uma cicatriz exposta (Foto do Autor) Degraus causados por estradas e a erosão em lençol A segunda etapa dos processos erosivos. 8/9. e que passava pelas lacunas naturais deixadas pelo carnaubal. 1999). também marcada por vários estágios. principalmente em direção à cabeceira. mas dos eventos chuvosos concentrados de verão-outono.

Sobral. Figura 8 .realizaram a construção de canaletas que têm como objetivo conduzir a água acumulada na antiga vicinal para o interior da voçoroca. sendo perceptível a formação de ravina no interior da feição. p. 8/9. Foto do Autor (mar/2007).br/rcg . a voçoroca evoluiu quase 2 metros de comprimento na cabeceira e nas laterais do setor a montante. além de o eixo da voçoroca ter sido bastante escavado. Figura 9 .uvanet. no segundo ano de monitoramento. Após dois de chuvas torrenciais. www. 1.Voçoroca em estudo no início da estação chuvosa de 2007. Foto do Autor (ago/2006).Degrau rebaixado deixado por antiga vicinal. 18 Revista da Casa da Geografia de Sobral. v. 2006/2007. 11-20. n. As setas largas indicam os pontos de maior evolução da feição e as setas estreitas indicam a presença de canaletas feitas por pessoas da área no ápice da estação chuvosa de 2006 para escoamento da água da vicinal.

formados pela erosão por salpicamento.Caso nenhuma medida seja tomada por parte do proprietário da área.uvanet. n. como solos pouco coesos e a ação das águas do rio nas margens. Os mesmos são esculpidos pela convergência de fluxo superficial para o interior de fendas ou de macroporos biogênicos. 1999). FEIÇÕES EROSIVAS As feições erosivas são macro e microformas resultantes dos diversos mecanismos de erosão (destacamento e transporte) dos solos no tempo e no espaço. Figuras 10 e 11 . 1. Essas feições são oriundas do transporte da camada pouco coesa do solo. 2006/2007. ou pelo poder público.br/rcg 19 . Em geral. possivelmente no período chuvoso de 2008 não será mais possível trafegar por essa via para os moradores de algumas localidades rurais dos municípios de Coreaú e Moraújo. principalmente no que diz respeito ao desmatamento em plena área de preservação permanente do rio. devido à fraca Revista da Casa da Geografia de Sobral. formadas pela erosão linear concentrada. Mesmo os solos menos susceptíveis à erosão. Os pedestais indicam a ocorrência de salpicamento intercalado com remoção das partículas pelo escoamento superficial (OLIVEIRA. Sobral. 8/9. são formas residuais esculpidas abaixo de um objeto cuja densidade não permitiu a sua remoção. até as ravinas escavadas no eixo de voçorocas (Figura 11). além de configurar-se como um indicador de momentos diferentes de evolução desta feição. No caso da voçoroca em estudo. além das atividades humanas. devido à ocorrência em topografias planas. permitindo a continuidade do processo erosivo através do escoamento em lençol (erosão pluvial). a qual deixou um degrau rebaixado. podem apresentar grande risco à erosão. CONCLUSÕES Com base no exposto. a ravina possui um padrão meandrante. 11-20. Associada a este processo está a falta de planejamento do uso e ocupação dos solos em área rurais.Pedestais (esquerda) e ravina escavada no eixo de voçoroca (direita) no rio Coreaú (Coreaú. Dutos no interior da voçoroca e na face exposta do talude também são perceptíveis. www. As ravinas escavadas no eixo da voçoroca. p. indicam rotas de organização do escoamento superficial concentrado. como os Neossolos Flúvicos. constatou-se que a degradação dos solos na área pela erosão por voçoroca é conseqüência de condicionantes naturais. segundo Oliveira (1999). CE). Pequenos cones de areia também são identificados na foz da voçoroca. observando-se a presença de uma antiga vicinal às margens do rio. Essas formas vão desde os milimétricos pedestais (Figura 10). dentro do leito do rio. atuantes no presente e num passado recente. v.

Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. ed. BOTELHO. p. São Paulo: ABEQUA. J.br. J. (orgs. p. CUNHA. A. T. 2005. G. POESEN. (org. temas e aplicações. Acesso em: 02. FUNCEME. In: Erosão e conservação dos solos: conceitos. Gully typoloy and gully control measures in the european loess belt. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. H. M. GUERRA. In: GUERRA. p. S. Processos erosivos e preservação de áreas de risco de erosão por voçorocas. S. 513-530. 32-37. et al. J. Nos pontos da voçoroca que possuíam carnaúbas. S. B. A. ______. In: GUERRA. MELO. Sobral. B. J. 2005. Erosão e conservação dos solos: conceitos. através da copa e das raízes. J. www. 1. 2005. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 139-155. Disponível em: www. M. Gráfico de chuva. T. p. p. In: GOUVEIA.evolução pedogenética. principalmente em conseqüência da instalação de voçorocas conectadas à rede de drenagem. T. 8/9. A. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.funceme. 16. R.uvanet. SILVA. 219-238. p. J. GUERRA. B. 1999. 57-99.2007.jan. CUNHA. A. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 1999. T. 2006/2007. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. (orgs. 11-20. Processos e produtos morfogenéticos continentais. A.. M. v. (orgs. S. v. principalmente. C. A questão ambiental: diferentes abordagens. 2001. T.. A. A. a mesma não evoluiu. T. SALOMÃO. Experimentos e monitoramentos em erosão dos solos. G. Soil Erosion on Agricultural Land. T. Quaternário do Brasil. X. J.). Canais fluviais e a questão ambiental. temas e aplicações. Controle e prevenção dos processos erosivos.. 320 p. OLIVEIRA.).). Processos erosivos nas encostas. GUERRA. Gestão ambiental de áreas degradadas. A vegetação (carnaúba) mostrou exercer um grande papel na proteção dos solos contra a erosão. R. S. 20 Revista da Casa da Geografia de Sobral. 1993. 229-267. M. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAUJO. p. S. Revista do Departamento de Geografia da USP. In: CUNHA.br/rcg . F. ALMEIDA.). n. 2005. 4. Leuven.