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Núcleo de Pesquisa: Discussão e reflexão sobre os caminhos do

historiador.
Aluno: Nilo Dias de Oliveira – 2º Semestre/06
Parte 1: A discussão acerca da Imaginação social
“(...) ponto do espírito, onde a vida e a morte, o real e o imaginário, o passado e o futuro, o
comunicável e o incomunicável, o alto e o baixo deixam de ser percebidos
contraditoriamente”. Manifesto do Surrealismo.

Após a conclusão da disciplina Núcleo de Pesquisa realizada no
segundo semestre de 2006, cabia a classe a responsabilidade de expressar de
uma maneira democrática a sua práxis em relação à dinâmica do trabalho em
grupo que se estabeleceu como proposta de trabalho. As discussões acerca
dos projetos de pesquisa dos alunos numa perspectiva de elucidação do
tratamento das fontes, problemáticas a respeito do tema, o método como
ferramenta de trabalho cientifico e a própria interação do grupo enquanto
historiadores a procura dos fundamentos da ciência histórica, proporcionaram
uma sintonia impar entre os mestrandos e a professora responsável pela
dinâmica.
Nesse sentido escolhi como tema para um trabalho final de curso as
minhas indagações a respeito das novas tendências da historiografia partindo
das minhas leituras do semestre e das discussões sobre os caminhos e
possibilidades da historia como proposta de trabalho científico que foi uma
constante nas discussões em classe devido à diversidade de temas que nos
remetiam a uma gama de possibilidades de leitura da realidade histórica. Tento
demonstrar de uma maneira um tanto superficial (limitações de entendimento dos
conceitos)

como essa reflexão propiciou outras possibilidades de interpretação

do objeto de pesquisa que na confecção do projeto não haviam sido
vislumbradas.
Sendo assim esse texto reflete as preocupações com os caminhos da
historiografia ao que se refere ao imaginário social. Apesar de a leitura principal
ter sido Bronislaw Baczko que analisa a associação entre a imaginação e a
política, o imaginário e o social, e os problemas que estas associações

Pierre Bourdieu e Sandra Pesavento. Esse debate se dá face ao declínio dos esquemas teóricos explicativos da nossa realidade e a chamada “crise dos paradigmas” no âmbito das ciências sociais: o desencanto com a rigidez e o economicismo de um marxismo ordotoxo como também as velhas concepções positivistas de uma história factual. mentalidades.traduzem. representações coletivas traduzidas na arte. crenças. quer nos das ciências humanas. ou entre estrutura social e ação humana. quer nos discursos políticos e ideológicos. Desta forma. O conflito entre liberdade e determinismo. sempre dividiu os historiadores que não aceitavam a “crença” de que as forças sociais e econômicas tudo determinavam. do individuo que se percebe no momento presente e que tem uma percepção que reflete a sua condição de agente histórico (memória individual) e de ser social (memória coletiva). Dessa forma abriu-se espaço para uma história mais pontual partindo do agente histórico. Talvez motivado pela angústia de explicar a história através de métodos de análise que tem como função decifrar os acontecimentos longe da visão de seus agentes. literatura. a história social desembocou na chamada “nova história cultural”. e que devido ser uma nova tendência aparece de uma forma rápida e brilhante. estão ligados a essa corrente da historiografia. formas institucionais. Bronislaw Baczko. . mitos. Sendo assim os pesquisadores buscam o ecletismo e uma postura cada vez mais relativista sobre a sociedade. que passou a lidar com novos objetos de estudo: imaginário. descortinando as limitações do ser histórico num determinado tempo histórico. valores. não é por acaso que o realce assumido por essas novas tendências enquanto objeto de preocupação temática e investigação tenha crescido justamente no momento em que as certezas do processo científico não se apresentam como capazes de dar conta da complexidade do real. o historiador está muito mais preocupado hoje com o seu objeto de pesquisa de que com o método. No decorrer dos anos oitenta. coloquei as indagações num universo mais abrangente de autores que tratam dessa temática bastante importante nos dias de hoje.

os medos e as esperanças de um povo. 1. O imaginário social é composto por um conjunto de relações imagéticas que atuam como memória afetivo-social de uma cultura. e que possam ser concebidos outros modelos e outras fórmulas”. Mas imagens e discurso sobre o real não são exatamente o real ou. alegorias. Pierre – Ce que parler veut dire. O imaginário social se expressa por ideologias e utopias. além de fator regulador e estabilizador. já que é o depositário da memória que a família e os grupos recolhem de seus contatos com o cotidiano. Imaginação Social. em movimentos contínuos ou descontínuos de preservação da ordem vigente ou de introdução de mudanças. É nele que as sociedades esboçam suas identidades e objetivos. Baczko assinala que por meio do imaginário podemos atingir as aspirações. ainda. identificamos as diferentes percepções dos atores em relação a si mesmos e 1 Bourdieu.Ainda numa perspectiva que leva em conta aquilo que a sociedade e o individuo imaginam em detrimento as estruturas sociais (estruturas entendidas como conceitos abrangentes capazes de explicar as mudanças sociais através das classes sociais e de seus interesses de classe) alguns autores definem o imaginário como algo mais amplo que a ideologia por integrar o que não está formulado. In Enciclopédia Einaudi. presente e futuro. . em outras palavras. 2 Conforme afirma Dênis de Moraes. também é a faculdade que permite que os modos de sociabilidade existentes não sejam considerados definitivos e como os únicos possíveis. 1985. um substrato ideológico mantido pela comunidade. organizam seu passado. Paris 1982 2 Baczko. “as representações mentais envolvem atos de apreciação. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda. conhecimentos e reconhecimentos e constituem um campo onde os agentes sociais investem seus interesses e sua bagagem cultural” 1 sendo assim a meu ver as representações são produto de interesse e manipulação que não representam a realidade para todo o conjunto dos indivíduos de uma sociedade. Bronislaw. o que permanece aparentemente como não significante o que se conserva muito encoberto ao nível das motivações inconscientes. Nessa dimensão. s. rituais e mitos. e também por símbolos. como afirma Bourdieu . Editora Portuguesa. não são expressões literais da realidade. Como indica Baczko: “A imaginação social. Tais elementos plasmam visões de mundo e modelam condutas e estilos de vida. Trata-se de uma produção coletiva. detectam seus inimigos e.

br/gramsci/arquiv44. Na leitura que o historiador possa fazer da “realidade histórica” existe uma limitação entre o particular e o geral. para os indivíduos de uma mesma comunidade. de um lado o seu universo cognitivo e representativo do real e de outro. a buscar satisfações que ainda não encontrou. mas também como “o que foi pensando” ou mesmo “o que se desejou que acontecesse”.de uns em relação aos outros. 3 http://www. Em outras palavras: a imaginação é um dos modos pelos quais a consciência apreende a vida e a elabora. o real como manifestação coletiva de uma época. por ser tudo uma escolha e um ponto de vista que partimos de nossa experiência cotidiana. como eles se visualizam como partes de uma coletividade.htm . os meios inteligíveis de seus intercâmbios com as instituições.com. A rede imaginária possibilita-nos observar a vitalidade histórica das criações dos sujeitos — isto é. o uso social das representações e das idéias. Seria esse o terreno entre a representação individual e a representação coletiva? Assim não haveria uma necessária correspondência entre a representação coletiva e a “verdade social” visto que o individuo na medida em que interage com essa representação pode encarar a realidade não só como o que acontece (aquilo que essa representação coletiva lhe induz a pensar). Os símbolos revelam o que está por trás da organização da sociedade e da própria compreensão da história humana.artnet. As significações imaginárias despertadas por imagens determinam referências simbólicas que definem. Talvez a dificuldade em entender que a história enquanto ciência seria uma representação pontual de um individuo e de uma época (“seu universo ideológico”). ou seja.” 3 Nesse sentido o real e o imaginário se mesclam na leitura da realidade ou na representação que fazemos do real. A sua eficácia política vai depender da existência daquilo que Baczko chama de comunidade de imaginação ou comunidade de sentido. A consciência obriga o homem a sair de si mesmo.

ou seja. que todo o universo do ser se reduz na ótica de uma determinada classe social. Paris 1988. se a dimensão criadora do imaginário nos remete à dialética do racional / irracional. Para Bourdieu. Mas se pensarmos também como afirma Backthine que tenta estabelecer uma aliança entre a literatura e a história.Nesse terreno qual seria o limite da interpretação histórica? Quando pensamos que algo possa a vir acontecer e não acontece nos deparamos com a relatividade histórica. enfim. Paris 1982 5 Backthine. não determinada. do racional ao irracional”. Nessas duas premissas que colocam as representações como processo limitado de percepção do real caberia indagar se estas representações coletivas são ao mesmo tempo matrizes e efeito das práticas construtoras do mundo social. Estudos Avançados 1991 7 Durand..... L’exploration de L’imaginaire. dinâmica. relativa”. um campo de manifestação de lutas sociais e de um jogo de poder. vejamos o que afirma Yves Durand: “. 6 O que se colocou ate o momento são as dificuldades de perceber onde o imaginário pode revelar uma leitura mais próxima do real. 7 4 Bourdieu. estratégias de interesse determinados”. 5 Novamente somos levados a pensar que o historiador quando realiza o seu oficio das interpretações das fontes históricas esta no limiar do texto e do contexto e é claro dentro da suas limitações de perceber a realidade como “verdade relativa”. O imaginário cobre a totalidade do campo antropológico da imagem que se estende indistintamente do inconsciente ao consciente. Yves. e todo discurso contém. a decifração deste discurso se dará pelo esforço de ler um texto sob um outro texto”. por entendê-la múltipla. pois tudo depende de uma conjunção intrínseca de fatores que sai do domínio individual. do sonho e da fantasia ao construído e ao pensamento. pois as relações sociais acabam predominando nos limites impostos do pensamento. 4 Talvez essa leitura reduza o pensamento e a capacidade do individuo em pensar sobre a percepção da realidade num mecanicismo social. deixa de ter sentido a discussão sobre a primazia desta ou daquela instância da realidade. “a instância das representações é.” “o mundo social é também representação e vontade.. Chartier afirma “.. ”que se atentarmos para o fato de que o passado já nos chega como texto e como leitura já feita. Roger – O Mundo Como Representação. . Mikhail – Paris 1970 6 Chartier. em si. em si. Pierre – Ce que parler veut dire.

Enfim se as representações são históricas. porque refletem uma necessidade social de uma época na medida em que a leitura da realidade se dá nas relações dos indivíduos entre si e com as demais instancias sociais num determinado tempo e espaço. cabe ao historiador dar sentido a investigação levando em conta a sua experiência acumulada de uma nova realidade que lhe serve como ponto de chegada e partida para a compreensão dos fatos históricos. e que nós hoje possuímos.” Parte 2: As fontes documentais sobre o Clube Militar sob a ótica dos órgãos de repressão. .. Segundo Pierre Vilar.. graças aos quais a incerteza aparente dos acontecimentos particulares se desvanece perante a informação global de que careciam os seus contemporâneos. “O sentido essencial da investigação causal do historiador consiste em delinear os grandes traços do relevo histórico.

a Doutrina de Segurança Nacional. revelando a alternância de um ou outro grupo como força ideológica na construção de um modelo político que se considerava permanente e eficaz para o desenvolvimento do capitalismo nacional que se aglutinou na Escola Superior de Guerra (ESG). dentro de um universo de tradição de pensamento conservador e autoritário brasileiro. Na verdade é um exercício difícil na medida em que não domino os conceitos discutidos na primeira parte desse texto. A importância de entender esse projeto de hegemonia ideológica da ESG (através dos Sorbonistas do Clube Militar) no interior das Forças Armadas foi o seu resultado: o golpe militar de 1964. sob a perspectiva dos conflitos de dois grupos ideológicos: Sorbonistas X Nacionalistas. o cerne do pensamento desta escola. trouxe no bojo do movimento uma nova leitura da realidade nacional. O meu projeto de pesquisa refere-se ao Clube Militar e sua visão de um projeto nacional na década de cinqüenta. A construção desse projeto hegemônico se dá na medida em que os preceitos ideológicos da ESG se reforçam com os conflitos gerados na sociedade civil: o crescimento dos movimentos populares em busca de uma participação política. tentarei pensar as minhas fontes documentais dentro dessa perspectiva historiográfica. Somente pelo tema percebe-se que o terreno da discussão desses dois grupos nas Forças Armadas está impregnado de imagens daquilo que eles consideram como o “melhor para o Brasil”. mas de qualquer maneira a leitura de Bazcko revelou-me as possibilidades e as limitações de trabalhar com fontes interpretativas sobre uma realidade dada. essas tendências se expressavam e buscavam prevalecer como corpo direcional das Forças Armadas e da sociedade civil. a herança do populismo nas relações com a sociedade . construída nestes anos que antecedem o golpe. além de se apropriarem do Estado como governo constituído. Esse grupo articulou e liderou o movimento contra o governo do Presidente João Goulart que.Após a discussão inicial sobre as dimensões do imaginário coletivo na leitura da realidade social. Através da agremiação militar encabeçada pelo Clube Militar e seu diálogo com as demais instituições sociais e políticas desse contexto.

cabendo a cada membro o seu devido papel dentro dos conceitos de segurança e desenvolvimento.? Essas duas facções eram na essência conservadoras na elaboração de um projeto democrático para o Brasil. a leitura da ESG sob o conceito de nação se dá pela organização e doutrina da sociedade civil. os agentes e os seus atos das imagens que aqueles têm de si próprios e dos inimigos. Baczko aponta.civil. sejam estes inimigos de classe. Conjunto de fatores que acabaram por dar o embasamento. a justificativa. não modelam elas os comportamentos. para a consolidação do pensamento autoritário. Essa imagem arrebatadora de guardiões da ordem dá total autoridade as Forças Armadas em usufruir do seu poder coercitivo em nome de um Estado democrático estabelecendo ai um total paradoxo entre “democracia” e os direitos do cidadão. como é que se podem separar. Segundo Baczko. o atraso de algumas facções da elite em propor um modelo de desenvolvimento sustentado e principalmente o medo de movimentos sociais que levassem a um Estado socialista. Ambas viam o movimento histórico conduzido pelas elites ao lado das forças armadas que seriam os representantes dos ideais de segurança e desenvolvimento interno em um contexto de construção de uma nação capitalista desenvolvida e hegemônica no bloco ocidental e principalmente na América Latina. perda dos direitos militares e o que é pior. o fisiologismo e o clientelismo dos partidos políticos. o arrocho salarial e o impedimento dos movimentos reivindicatórios. não mobilizam elas as energias. permitindo uma correlação de forças instáveis para a consolidação de um modelo econômico que exigia atitudes drásticas para o controle da inflação. neste tipo de conflitos. religião. Segundo essa questão da supremacia da elite no direcionamento político da nação. mas também dentro da própria caserna. não legitimam elas as violências? E a coerção não se dá somente na sociedade civil desarticulando os movimentos sociais reivindicatórios. as ações guiadas por essas representações. nacionalidade etc. raça. onde os simpatizantes de idéias consideradas subversivas eram vitimas de atos arbitrários como difamação pública. prisão e inquéritos criminais. .

o carisma do chefe etc”. conforme os autores. Baczko nesse sentido observa: “o poder simbólico não duplica e reforça a dominação efetiva? Os dispositivos de repressão que os poderes constituídos põem de pé. subdesenvolvidas. lhes cabe um papel intrinsecamente menor e subordinado. nos núcleos dos partidos políticos e das elites dirigentes. as elites devem incutir no povo objetivos por ela definidos. “As massas. se necessário fosse o caráter decerto imaginário. Essa leitura da realidade nacional quanto ao despreparo das massas na articulação e na participação política da sociedade não se dava somente na área militar. 1999:48) Conforme observa Antonio Rago no “ideário de 1964”. a fim de preservarem o lugar privilegiado que a si próprios se atribuem no campo simbólico. 1998. Cabia à elite nacional imbuir os valores nacionais e projetar o caminho a ser seguido pela nação. pelos líderes e tendências ideológicas. Anulam-se com isso. seja ao “comunismo”. são sempre manipulados e orientados para o bem ou para o mal. a fim de garantir o aperfeiçoamento material ou espiritual da nação”. encontra-se a ideologia conservadora na nossa formação histórica de que a história se move “pelo alto”. os monumentos erigidos em suja gloria. sempre em oposição à índole nacional. tais como os emblemas do poder. mas também. Conforme este autor. (RAGO. seja ao “populismo”. Ao mesmo tempo. graças ao carisma e ambição pessoais”.69) A elite da ESG (sorbonistas) acreditava que as razões do nosso subdesenvolvimento eram intrínsecas às características do povo brasileiro. provam. mas de modo algum ilusório dos bens assim protegidos. nas escolhas políticas articuladas pelas “elites dirigentes”. analfabetas que não tinham condições de manifestação próprias de seus interesses. as massas eram vistas como despreparadas. as iniciativas. as capacidades e potencialidades advindas das massas populares. . estas somente poderiam vir a ser instrumentalizadas. com seus projetos políticos “próprios” . (ASSUNÇÃO.“As elites cabe um poder hegemônico de interpretação dos objetivos nacionais.

Isso se dá devido a grande importância dessas fontes que nos remetem ao Serviço Secreto supervisionado pelo DEOPS naquele período da década de cinqüenta. dando uma outra dimensão à pesquisa propriamente dita. que se caracterizam pela variedade de temas abordados e por ter sido utilizada durante todo o período de existência do Serviço Secreto do DEOPS/SP (décadas de 1940 a 1980).OBAN. reunindo mais da metade da documentação arquivada na série Dossiês. relatórios sobre os atos públicos com seus comentários para o Delegado Geral do DEOPS. contendo 780 documentos. Nesse período analisado as correspondências são somente entre o Comando do II Exército e o DEOPS através do crivo do Serviço Secreto 9. criada em 1969 com o objetivo de coordenar e integrar as ações dos órgãos de combate às organizações armadas de esquerda 10 Nesse período o Deops esta subordinado aos governos estaduais e não respondem a nenhum ministério ou ao governo federal. . Os documentos contidos nessas pastas são correspondências recíprocas entre o Serviço Secreto do DEOPS com o Ministério da Guerra e os comandos militares das várias zonas espalhadas pelo território nacional. Tudo começou com as visitas ao Arquivo do Estado de São Paulo pesquisando a família documental: 50-z-9 229 pastas – Documentação do II Exército e do DOI-CODI8. Além das solicitações feitas pêlos comandantes do exército a investigarem determinadas pessoas e agremiações. além de enviarem recortes de jornais. a pesquisa histórica teria que ser abordada em outra perspectiva levando em conta os aspectos de natureza ideológica do olhar dos sensores sobre o objeto a ser estudado.Para finalizar descreverei uma parte das fontes usadas no projeto de pesquisa que são a do Serviço Secreto do Deops. vigiam as próprias instituições das quais estão subordinadas. 10 Como essas fontes se debruçam sobre o Clube Militar através do crivo dos órgãos de repressão e vigilância. Os sensores do Serviço Secreto nos revelam as preocupações do poder constituído com os movimentos sociais que se alastravam imensamente naquele período (1945-1964). Como me detive no período de 1941 a 1964 somente foram pesquisadas quatro pastas daquele universo documental. os sensores do DEOPS investigam os próprios comandantes e agremiações militares. 8 A constituição da família 50. 9 O DOI-CODI surgiu a partir da Operação Bandeirante . discursos. atas de reuniões. que pela sua característica de vigilância e coerção aos indivíduos.

consolidando a fala e ação dos poderes constituídos. FIM .Sendo assim a preocupação desse estudo é analisar somente o conteúdo dessas fontes na dimensão do olhar dos sensores. onde não há margem de discórdia do cidadão com as “verdades absolutas” do governo. numa perspectiva de tentativas de golpe que foram se desenhando pelo imenso debate e racha das facções que se digladiavam no seio da corporação. Acredito que nesse universo documental é que as colocações de Baczko sobre a imaginação é o poder se revelam como fonte inesgotável de pesquisa no discurso e nas ações coercitivas do Estado. revelando em primeira instancia o que preocupava o poder constituído com os movimentos sociais naquele período e principalmente o movimento interno das Forças Armadas.