Falsa Lua de Mel

The Honeymoon House

Patty Salier

Momentos Íntimos 31
Era como se fossem casados...
A se ver obrigada a morar na mesma casa com Paul Richards, por motivos de trabalho,
Danielle Ford teve logo uma certeza: iria se apaixonar por aquele homem arrogante, mas
incrivelmente sexy. Embora fossem incompatíveis como água e vinho, a atração física que um
exercia no outro era tão intensa que superou todas as diferenças!
...Mas, sem Alianças!
Paul sabia que Danielle não era mulher de tolerar aquele “arranjo” por muito tempo, só que
ele detestava assumir compromissos sérios. E ficou abalado quando disse que iria embora...
Disponibilização: Projeto Revisoras
Digitalização: Alice A.
Revisão: Cassia·

Momentos Íntimos 31

- Falsa Lua – de - mel - Patty Salier

Querida leitora,
Se você gosta de histórias alegres, cheias de travessuras e com muita sensualidade, então vai
adorar Falsa Lua-de-mel! Porque é um romance leve, divertido e ao mesmo tempo "quente", como,
aliás, todos nós desejaríamos que a vida sempre fosse não é mesmo? Parabéns pela escolha.
Roberto Pellegrino

Editor
Patty Salier
FALSA LUA-DE-MEL
HARLEQUIN
Copyright © 1997 by Patty Bury Salier
Originalmente publicado em 1997 pela Silhouette Bookw,
Divisão da Harlequin Enterprises Limited.
Todos os direitos reservados, inclusive o direito de reprodução total ou parcial, sob qualquer
forma.
Esta edição é publicada através de contrato com a
Harlequin Enterprises Limited, Toronto, Canadá.
Silhouette, Silhouette Desire e colofão são marcas
registradas da Harlequin Enterprises B.V.
Todos os personagens desta obra são fictícios.
Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas
terá sido mera coincidência.
Título original: The Honeymoon House
Tradução: Dorothéa G. De Lorenzi
Editor: Roberto Pellegrino
Chefe de Arte: Ana Suely S. Dobón
Paginador: Nair Fernandes da Silva
EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.
Rua Paes Leme, 524 – 10º andar CEP: 05424-010 — São Paulo — Brasil
Copyright para a língua portuguesa: 1998
Editora Nova Cultural Ltda.
Fotocomposição: Editora Nova Cultural Ltda.
Impressão e acabamento: Gráfica Círculo

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Momentos Íntimos 31

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CAPÍTULO UM
Danielle Ford engoliu em seco, nervosa, e sentou-se no sofá de couro negro do escritório do
Sr. Harrington, em Century City, Los Angeles. Estava muito ansiosa com a entrevista para o
emprego.
— Danielle, o arquiteto que contratei para projetar a casa, que será o presente de casamento
de minha esposa, adoeceu — explicou Harwood Harrington, um homem de cabelos grisalhos, com
pouco mais de cinquenta anos. — Sua irmã Lisa, que, como sabe, é minha corretora de imóveis,
disse que você é a, arquiteta perfeita para substituí-lo.
Danielle sentiu um frio no estômago.
— Sr. Harrington, tenho grandes ideias para esse projeto.
E como tinha! Lisa, irmã e companheira de apartamento, dissera-lhe que o Sr. Harrington
desejava um lar aconchegante e romântico para a jovem esposa, com um lindo quarto para o bebê
que planejavam ter em breve.
— Posso dar uma olhada em seu trabalho, Danielle? — Harrington se mostrava amigável,
mas profissional.
— Claro senhor. — Com mãos trêmulas, entregou a pasta, rezando para ser contratada.
Harrington estudava seu trabalho, de cenho franzido.
— Lisa não me disse que você só construiu duas casas até agora...
— E verdade, mas os proprietários ficaram muito satisfeitos com meu trabalho. — Posso darlhe alguns telefones para referências.
De repente, sentiu um profundo mal-estar. Não ousava dizer a Harwood Harrington que
projetara também uma terceira residência em sua carreira de arquiteta principiante. A morada dos
Tilden fora seu primeiro projeto, e fora desastre total... Porém, não era justo que lhe atribuíssem
toda a culpa. Paul Richards, o empreiteiro, a quem nunca conhecera em pessoa, arruinara o trabalho.
Danielle mexeu-se na poltrona, contrafeita. Se o Sr. Harrington descobrisse aquela história
catastrófica, jamais a contrataria. Ninguém sabia de nada, a não ser Paul Richards.
Harrington debruçava-se sobre a escrivaninha de carvalho.
— Danielle, sua irmã Lisa conseguiu negócios imobiliários fabulosos para mim, nos últimos
anos, e eu lhe devo muitos favores, porém, para ser sincero, prefiro trabalhar com um arquiteto mais
experiente.
— Sr. Harrington — Danielle sentia a garganta seca —, fiz um esboço computadorizado da
casa mais romântica com que poderia sonhar. — Era sua derradeira tentativa. — Por favor, permita
que lhe mostre. — Estou com o disquete aqui.
Enquanto procurava na pasta, o telefone tocou. Era sábado e não havia secretária, de modo
que o Sr. Harrington atendeu. Assim que Danielle encontrou o disquete, ele desligou.
— Preciso ir até a zona oeste de Los Angeles para resolver um problema de negócios, —
assim dizendo, Harwood Harrington levantou-se. — Devo voltar em quarenta e cinco minutos, mais
ou menos. — Fique à vontade e prepare sua apresentação no meu computador. — Estou ansioso
para conhecer suas ideias.
Danielle sentiu-se mais animada quando o executivo saiu. Ainda havia uma esperança! Correu
até o computador e colocou o disquete. Harrington ignorava que não era apenas o imóvel que
Danielle almejava construir para ele. Lisa lhe contara sobre os planos de Harrington para erguer
uma nova biblioteca infantil em Santa Mônica. Danielle prendera a respiração. Prometera aos pais,
dedicados professores do curso primário, que, algum dia, construiria um prédio daqueles em sua
homenagem. Quando ambos faleceram em um acidente de automóvel, algum ano antes jurara a si
mesma que cumpriria aquela promessa. Por esse motivo, precisava daquela chance. Se o Sr.
Harrington a contratasse, veria que grande arquiteta era, e então resolveria convidá-la para projetar
também a nova biblioteca para crianças.
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Danielle sentiu o coração pulsar de alegria ao ver surgir na tela o desenho moderno da
residência do casal. Ao empurrar a cadeira para mais perto do computador a fim de ter uma visão
melhor, a meia-calça ficou presa numa farpa de madeira, rasgando-se.
Correu para a recepção do escritório e procurou pela chave do banheiro feminino na
escrivaninha da secretária, porém a gaveta estava trancada. Voltando o olhar para a porta que
conduzia ao corredor no décimo quinto andar, viu que estava deserto. Retornou, então, para o
escritório de Harrington, fechou a porta, mas... Não havia tranca! Danielle recordou-se que
Harwood Harrington dissera que voltaria dentro de quarenta e cinco minutos. Tinha tempo de sobra.
Com gestos rápidos, ergueu a saia e começou a tirar a meia-calça.
Na garagem subterrânea do arranha-céu de Century City, Paul Richards manobrou sua
caminhonete verde-clara, procurando por uma vaga para estacionar. Estava tão ansioso para falar
com Harwood Harrington que chegara ao encontro quarenta minutos adiantado!
Estava prestes a entrar em uma vaga quando o motor do carro falhou e parou de funcionar.
— De novo... — resmungou, balançando a cabeça em protesto.
A caminhonete dera problemas quinze vezes só naquele mês.
Pegou uma chave inglesa na caixa de ferramentas atirada sobre o puído banco de passageiros
e, descendo do veículo, levantou o capo e tentou dar um jeito nas válvulas a fim de pôr o motor em
funcionamento outra vez. Precisava de uma caminhonete nova do mesmo modo como necessitava
pagar a hipoteca de seu pequeno chalé em Santa Mônica e incrementar os negócios da empreiteira,
pois o ramo de construções residenciais estava em baixa.
Na última reunião com Harrington, Paul entregara uma proposta comercial. O executivo tinha
dinheiro, e Paul possuía habilidade e talento, nutrindo esperanças de criar uma sociedade com
Harrington para a construção de prédios comerciais.
— Paul, a ideia dessa sociedade me agrada. — Comigo financiando, você como empreiteiro
geral, e Victor Horton, o arquiteto que recomendou, formaríamos uma equipe imbatível!
Assim falara Harrington, e, caso viesse a tomar uma decisão definitiva, Paul sairia do aperto
financeiro em que se encontrava no momento.
Fechando com estrondo o capo do veículo, olhou ansioso para o relógio, desejando apressarse para o encontro.
Algum minuto mais tarde entrou sem fazer ruído na recepção do décimo quinto andar.
Gostaria de ter se vestido de modo apropriado para a reunião, mas, como saíra às pressas de
uma construção, estava suado, de short e camiseta. Notou que a porta do escritório de Harrington
estava fechada e já recebera instruções, por diversas vezes, para ir entrando sem bater, sempre que
viesse aos sábados.
Enxugou as mãos suadas na roupa, virou a maçaneta e...
— Sr. Harrington... —: As palavras morreram-lhe na garganta, pois de pé, à sua frente, estava
uma jovem com um lindo corpo, uma das mãos erguendo a saia, e a outra segurando uma meiacalça.
O olhar de Paul deteve-se nas bronzeadas pernas à mostra e na calcinha cor-de-rosa que
aparecia com toda a clareza.
— O que faz aqui?! — A voz de Danielle soou estridente, enquanto abaixava a saia, as faces
vermelhas de vergonha.
Paul encostou-se na porta, sem poder desviar os olhos. Os cabelos negros de Danielle caíamlhe sobre os ombros, macios como seda.
— E você, o que faz aqui? — Paul cravou o olhar na meia-calça que ela continuava
segurando.
De imediato, Danielle atirou a peça de roupa dentro da pasta de couro.
— Eu... Tenho um trabalho para mostrar ao Sr. Harrington quando ele voltar — balbuciou.
— Portanto, se tiver a gentileza de se retirar...
— Retirar-me?! — Paul parecia não acreditar no que ouvia. — Também estou aqui para ver o
Sr. Harrington, a negócios!
— Pode esperar lá fora.
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— Está me expulsando?
— Escute aqui, seja lá quem for! — Os olhos de Danielle brilhavam como duas turquesas;
— Se não sair desta sala em três segundos, eu... Eu...
— Você o quê? — Paul parecia mais intrigado que desafiador.
— Ainda não sei, mas prometo que tomarei medidas drásticas!
— Estou aberto a qualquer possibilidade. — Paul sorriu.
— Você é impossível! — Danielle sentia-se irritada, envergonhada, mas, acima de tudo,
frustrada pelo fato de o estranho ser muito atraente.
Os olhos cinza-escuros de Paul brilhavam com malícia, e os cabelos castanhos e
encaracolados davam-lhe um ar juvenil. A camiseta verde deixava perceber o tórax largo e forte, e
Danielle forçou-se a afastar o próprio olhar, que insistia em descer para o short de algodão, exibindo
as pernas musculosas.
— Diga-me, minha jovem, quem é você? — Já estive aqui centenas de vezes e, sem dúvida,
me lembraria se já a tivesse visto.
— Identifique-se primeiro! — Danielle sentia os joelhos trêmulos ante a insistência do olhar
de Paul.
Nenhum homem jamais a deixara tão encabulada em toda a sua vida, e teve de se sentar na
beirada da escrivaninha para se recompor.
— Certo — concordou Paul. — Sou...
Naquele exato instante, o Sr. Harrington entrou no escritório.
— Paul! — Que bom vê-lo!
Como se fosse uma boneca de mola, Danielle pulou da escrivaninha de carvalho, sentindo-se
uma completa idiota ao dizer:
— Sr. Harrington, estávamos só conversando!
— Danielle Ford, conheça Paul Richards — apresentou Harwood. — Paul é o empreiteiro da
minha nova casa, e Danielle é uma arquiteta que está interessada em fazer o projeto.
— Paul Richards?! — A voz de Danielle deixava clara toda a sua incredulidade.
Não podia ser verdade! Paul Richards era o homem que arruinara o primeiro projeto de sua
curta carreira: a residência dos Tilden! E, para cúmulo da falta de sorte, mais tarde dera péssimas
referências suas a outro cliente em potencial, embora nunca a tivesse conhecido em pessoa.
— Danielle Ford? — Foi á vez de Paul ficar surpreso, e um brilho de compreensão surgiu nos
olhos cinzentos, ao perceber de quem se tratava. — Que honra conhecê-la!
De súbito, Danielle sentiu um forte aperto de mão e, embora lutasse contra, uma espécie de
descarga elétrica percorreu todo o seu corpo ante aquele toque masculino.
— Já trabalharam juntos? — Harrington parecia curioso.
Danielle engoliu em seco. Uma palavra de Paul Richards sobre á casa dos Tilden e seus
sonhos de construir a residência e a biblioteca infantil de Harwood Harrington iriam por água
abaixo.
— Bem... Deixe-me pensar... — Uma expressão demoníaca surgiu no semblante de Paul.
Danielle prendeu a respiração, implorando, com o olhar, para que ele não contasse nada ao Sr.
Harrington.
— Enquanto pensam, vou dar uma olhada no trabalho de Danielle.
Assim dizendo, Harrington sentou-se em frente ao computador para estudar o desenho, e o
pânico invadiu Danielle, que não sabia o que fazer. Paul inclinou-se em sua direção, murmurando:
— Não contou nada a ele sobre seu projeto malogrado, contou?
— Meu projeto malogrado?! — Foi você quem construiu a casa toda errada, Paul Richards!
— De jeito nenhum! — Paul sussurrou em tom ameaçador. — Foi você quem projetou uma
coisa enorme em um terreno minúsculo! — A cozinha tinha medidas fora de proporção e ia acabar
sendo maior que a sala de estar! — Esqueceu de projetar o sistema hidráulico, portanto o banheiro
não tinha encanamento para água corrente!
— Verdade? — Danielle pôs as mãos nos quadris, sussurrando também. — Vi fotos do imóvel
depois de pronto. — As janelas que você instalou estavam tortas, assim como as tábuas do assoalho!
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— Pregos eram visíveis nas paredes. — Grande trabalho, Sr. Richards!
Paul estremeceu como se ela o tivesse atingido com um golpe mortal. Por fim, murmurou
exasperado:
— Está certo! — Tinha assumido muitas responsabilidades na ocasião, estava construindo três
casas ao mesmo tempo, acabei enfraquecido, com esgotamento nervoso, e fiquei de cama por dois
meses, com pneumonia. — Admito que a casa dos Tilden não fosse muito bem-feita, mas, qual a
sua desculpa?
Danielle lançou um olhar nervoso para o Sr. Harrington, que estava entretido no computador.
Sentiu que as esperanças voltavam, ao vê-lo colocar os óculos a fim de examinar a tela mais
de perto.
— Tinha acabado de me formar. — A voz de Danielle saiu em um sopro, enquanto se
aproximava mais de Paul. — A pequena firma que me contratara só possuía arquitetos
inexperientes. — Quando estava para terminar o projeto, por descuido, o tomaram de mim antes que
eu pudesse checar os erros.
Danielle viu o rosto inflexível de Paul aproximar-se tanto que pôde sentir o hálito quente na
face, e os olhos cinzentos pousados sobre seus lábios rosados. Por um louco instante, pareceu-lhe
que era beijada em pensamento. O mais espantoso foi que desejou beija-lo também. Com um gesto
brusco, afastou-se. Jamais voltaria a se envolver com um homem com quem trabalhasse. Não
depois do que acontecera com Kevin, o ex-namorado.
— Se sabia que parte do desastroso projeto da casa dos Tilden era sua responsabilidade, por
que deu referências tão ruins a meu respeito, Sr. Richards? — Um cliente desistiu de me contratar
devido ao que lhe contou.
— Como poderia mentir sobre um projeto tão pouco profissional? — O olhar de Paul era
inflexível.
— Poderia ao menos ter dito que fora sua culpa também!
— O cliente queria saber sobre sua capacidade como arquiteta, e não sobre meu trabalho de
empreiteiro!
— Que bom para você!
— Ora, senhorita...
— Paul — interrompeu Harrington, levantando-se. — Acha que poderia trabalhar com
Danielle no projeto de minha casa?
— Sr. Harrington, isso quer dizer que o trabalho é meu?! — Hesitante Danielle rezou para ter
ouvido bem.
— Sua versão do presente de aniversário de casamento é, sem dúvida, o que eu tinha em
mente. — Harwood Harrington apontou para o desenho na tela do computador. — Agora, só preciso
da opinião de um perito como Paul, já que pretendo que trabalhe em parceria com você.
Danielle prendeu a respiração. O olhar duro de Paul a acompanhava, e sentiu a pele pegando
fogo. A enorme atração que ele lhe despertava a estava deixando assustada. Tinha de manter a vida
particular a quilômetros de distância de Paul Richards!
— Negócio fechado! — O olhar de Paul não a deixou por um instante sequer.
— Maravilhoso! — exclamou Harrington.
— Obrigada, Sr. Harrington! — Danielle sentiu-se exultante, porém, ao perceber o olhar de
Paul, um súbito constrangimento a dominou. Como ser parceiros quando não parava de pensar
quanto aquele empreiteiro era sexy?
— Devo admitir — continuou Harrington — que gosto da ideia de minha casa sendo
construída por uma dupla mista. — Entretanto, há uma condição.
— Claro Sr. Harrington! — Danielle aceitaria qualquer coisa, contanto que pudesse trabalhar.
— Quero que arquiteta e empreiteiro trabalhem em grande e total harmonia. — A residência
será uma prova de meu afeto por minha esposa e futura família, portanto, Paul e Danielle, exijo
muito amor nessa construção por parte da equipe!
Os olhares de ambos voltaram a se encontrar, e o coração de Danielle acelerou. O que Paul
estaria pensando? Será que vira mesmo um brilho de intimidade em seus olhos cinzentos ou tudo
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não passara de ilusão?
— Não vejo problema — respondeu Danielle, com voz trêmula.
— Estou pronto para começar — acrescentou Paul, sem hesitação.
Harwood Harrington bateu palmas de aprovação.
— Paul eu quero um trailer bem grande no local da construção, e que comecem logo a limpar
o terreno!
Com gesto automático, radiante de felicidade, Danielle pegou a pasta.
— Obrigada de novo, Sr. Harrington! — Creio que ficará muito satisfeito.
— Tenho certeza. — Harrington adiantou-se para abrir a porta. -— Mande-me o projeto
completo. — Farei as modificações que achar necessárias, e enviaremos a planta para aprovação da
Prefeitura. — Quero que a casa fique pronta o mais rápido possível.
— Farei com que chegue às suas mãos de imediato, senhor. — O coração de Danielle pulava
de alegria, e ela quase saiu dançando do escritório.
Agora que conseguira o trabalho, estava muito mais perto de pedir a Harrington para que
também a escolhesse como, arquiteta de sua biblioteca infantil. Entretanto, ao chegar ao elevador,
sentiu um súbito ataque de ansiedade: teria de trabalhar com Paul Richards! Não podia se esquecer
do que acontecera na firma de arquitetura onde fora funcionária junto ao ex-namorado, Kevin.
Trabalhar juntos arruinara seu relacionamento, assim como o emprego que desejara com todas
as forças. Não deixaria que isso acontecesse com o imóvel do Sr. Harrington. Jurou manter as
emoções afastadas de Paul Richards, por mais que o julgasse irresistível.
Harwood Harrington fechou a porta do escritório particular e voltou-se para Paul, com um
olhar preocupado.
— Paul eu contratei Danielle Ford porque devo um enorme favor à irmã dela. — Danielle tem
talento, mas não admitirei erros por causa de sua inexperiência!
Paul sentiu-se contrafeito, lembrando-se da construção dos Tilden. Não poderia dar-se ao luxo
do mais insignificante engano naquela casa que Harrington pretendia presentear à esposa, a não ser
que quisesse ver ir por água abaixo o projeto da sociedade.
— Não se preocupe Sr. Harrington. — Tudo sairá bem.
— Serei franco, Paul. — A única razão de estar tranquilo com a decisão que tomei é saber que
você está encarregado da construção. — Por isso, peço-lhe que supervisione o trabalho de Danielle.
— Supervisioná-la? — Aquilo pareceu muito errado para Paul. — O senhor me deixa numa
situação delicada, Sr. Harrington...
— Sei disso. — Mas nunca trabalhou com Danielle antes, não é?
Nervoso, Paul evitou o olhar do interlocutor. Mal conhecia Danielle, mas sentira um imediato
senso de lealdade para com ela. Não queria arriscar colocá-la em má situação.
— Jamais a tinha visto antes da tarde de hoje, Sr. Harrington. — Estava dizendo a verdade,
pelo menos em parte.
— Por isso, dependo de você, Paul. — Quero que minha casa seja perfeita.
— Farei com que seja assim.
— Sabia que poderia contar com você! — Harwood Harrington sentou-se à escrivaninha de
carvalho. — Aliás, estou muito interessado na ideia de nossa sociedade.
— Fico feliz em ouvi-lo dizer isso, senhor!
— Entretanto, antes desejo ver o desenvolvimento do projeto da residência. — E também
quero discutir a ideia da nova biblioteca infantil com você. — O telefone tocou. — Você a
construirá. — Gostei da recomendação que fez para Victor Horton ser o arquiteto, ainda mais que,
talvez, nós três possamos nos associar.
— Victor é um profissional criativo. — O entusiasmo de Paul cresceu. — Tenho certeza de
que gostará de seu trabalho.
— Falaremos mais sobre Victor. — Harrington pegou o telefone.
Paul percebeu que a entrevista terminara, e estendeu a mão, com entusiasmo.
— Estou ansioso para iniciar a empreitada, Sr. Harrington!
Embora a sociedade ainda não estivesse no papel, sabia que as coisas estavam se
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encaminhando muito bem.
Danielle entrou correndo no seu pequeno escritório de arquitetura em Santa Mônica. Largou a
pasta e apressou-se a ligar para a irmã, na imobiliária.
— Lisa eu consegui! — exclamou, assim que ouviu a voz dela. — Harrington adorou
— Sabia! — Lisa estava eufórica, a maquete no computador, não foi?
— Do jeito como você previu! — Quando voltar para casa hoje à noite, vou preparar seu
prato italiano favorito!
— Oh, não! — Vou ter de ficar na imobiliária até tarde... — Lisa parecia desapontada. — E
depois, preciso ligar para Manny do escritório, antes que fique muito tarde em Nova York. — E
provável que você já esteja dormindo quando eu chegar. — Mas estou tão feliz, Danielle!
— Tudo bem, Li! — Amanhã jantaremos juntas.
Danielle sabia o quanto Lisa ansiava por conversar com Manny, o namorado, que se mudara
para Nova York por uns tempos, por causa do trabalho.
Assim que desligou, abriu os papéis com o projeto sobre a prancheta. Desenhara uma casa na
praia de Malibu, moderna, mas aconchegante, com janelas panorâmicas na frente, exibindo
eucaliptos, laranjeiras e limoeiros, e outras duas enormes janelas nos fundos, deixando ver um
despenhadeiro voltado para o oceano Pacífico.
Fez uma lista rápida em um bloco de papel. Primeiro, precisava contatar um engenheiro de
estruturas. Fazia questão de que tivesse fundações sólidas por causa dos terremotos em Los
Angeles. Tinha também de fazer os planos da parte elétrica e hidráulica. Dessa vez, nada de se
esquecer dos canos dos banheiros! Danielle sentia-se tão eufórica que mal conseguia escrever.
Mostraria a Paul Richards que era uma boa arquiteta!
Checou o que escrevera. Sabia que Paul poderia ter contado ao Sr. Harrington, com toda a
tranquilidade, sobre a parte de responsabilidade que lhe coubera no desastroso episódio dos Tilden.
Por que não o fizera? Será que se sentia também atraído por ela? Um arrepio percorreu-lhe a
espinha só em pensar que iria trabalhar com Paul. O modo sensual como a olhara no escritório de
Harrington fizera-a, por um momento, se esquecer do trabalho.
Danielle afastou o bloco com as anotações e pegou um copo de água gelada para se acalmar.
Não por que a atração sexual por Paul Richards a dominasse. Não aprendera, e do modo mais
desastroso, que envolvimentos emocionais com colegas de trabalho não davam certo?
Enquanto bebia a água fresca, lembrou-se de quando conhecera Kevin, três anos atrás, na
firma de arquitetura onde haviam trabalhado juntos. Kevin era seguro de si e divertido, e, quando
Danielle se apaixonara, lhe confiara todos os seus sonhos mais secretos.
Dissera a Kevin que desejava projetar uma casa moderna com alta tecnologia. Tinha certeza
de que um trabalho de tal magnitude faria com que progredisse na empresa. Sua oportunidade
chegou: um cliente muito rico aparecera no escritório, procurando por um arquiteto que fizesse o
projeto de um imóvel muito moderno. Animada, Danielle confidenciara a Kevin que iria falar com o
dono da firma sem perda de tempo, e pedir que ele lhe confiasse àquela tarefa.
Kevin a aconselhara á esperar um pouco, e Danielle dera-lhe ouvidos porque pensava que o
namorado a amasse e a estivesse ajudando. Enfim, confiara sem reservas.
Algum dia mais tarde surpreendera Kevin de longe, conversando em particular com o patrão,
e ficara muito animada. Estava certa de que Kevin a recomendava para o trabalho!
Então, uma bela tarde, quando Kevin visitava uma obra, Danielle dera por falta de sua caneta
de desenho. Ao procurar por uma na escrivaninha do namorado, sentira o coração gelar no peito.
Escondido por baixo de outros projetos havia um desenho de Kevin para a luxuosa e moderna
casa do cliente, junto a uma carta endereçada ao patrão, solicitando ficar a cargo daquele trabalho.
Danielle sentira-se arrasada com a traição e com a notícia de que o patrão pretendia mudar o
escritório para Chicago e levar com ele um arquiteto talentoso e arrojado.
Kevin tratara de garantir que a vaga seria sua, dando por encerrado o romance com Danielle
como se ela nunca tivesse significado nada em sua vida.
Danielle amassou o copo de papel e jogou-o no lixo. Uma coisa pelo menos aprendera com
Kevin: jamais voltaria a se envolver com um colega.
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No dia seguinte, após fazer alguns retoques em uma nova construção, Paul partiu para casa na
caminhonete verde-clara. Sentia-se mal com a ideia de ter de espionar Danielle. Como arquiteta,
tinha direito a privacidade, e um bom construtor deveria confiar no seu julgamento criativo.
Paul tomou uma decisão: embora o Sr. Harrington tivesse insistido para que fizesse o papel de
cão de guarda, sabia que não tinha jeito para isso. Faria tudo para que a casa de Harrington ficasse
perfeita, mas jamais insultaria Danielle interferindo em seu trabalho.
Danielle Ford era corajosa, determinada e muito sexy. Paul lembrou-se dela, de pé no
escritório de Harrington, a saia levantada, as pernas deslumbrantes atraindo-o e a calcinha cor-derosa totalmente à vista. Só em pensar naquilo, ficava excitado.
Ao passar pelo estádio de beisebol de Santa Mônica, uma bola cruzou voando a frente da
caminhonete. Paul parou o veículo junto à calçada, desceu e arremessou a bola de volta para os
jogadores mirins que treinavam. Ficou observando os garotos praticarem antes de começar a
partida, e sentiu um doce carinho. Adorava estar com crianças, mas sabia que jamais teria filhos.
A tristeza envolveu Paul ao ver as mães radiantes de orgulho perante seus filhos jogadores.
Jamais conhecera sua mãe, que morrera ao dar a luz. Alguns anos mais tarde, seu pai voltara a
se casar, com uma mulher que já tinha dois filhos, e quando Paul completou três anos, o pai morreu.
Fora então criado pela madrasta, que só se importava com os dois filhos do primeiro
casamento. A única pessoa em quem Paul confiara fora seu grande amigo Lucky. Corria para a casa
de Lucky sempre que a madrasta começava a gritar e chamá-lo de estorvo. Lucky era o único que
Paul permitia que o visse chorar pelos maus-tratos recebidos. Aos dezessete anos, Paul fugira de
casa, e nem mesmo Lucky conseguira encontrá-lo.
— Vamos jogar!
Aquela exclamação do juiz fez Paul voltar à realidade. Olhou para os pais que torciam nas
arquibancadas. Vida em família era para outras pessoas, não para Paul Richards. Jamais.
Ao chegar à casa pequena e quente em Santa Mônica, tirou a camiseta. Deu um soco no
aparelho de ar-condicionado, mas de nada adiantou. Talvez com o dinheiro que iria ganhar com a
construção da residência de Harwood Harrington pudesse comprar um aparelho novo.
Sentindo o estômago roncar, procurou por algo na geladeira, mas estava vazia. Vestiu uma
camiseta limpa e saiu.
No supermercado, Paul dirigiu-se direto ao corredor de comida congelada. Abriu a porta de
vidro, e o ar frio atingiu seus braços descobertos. O que escolher para o jantar daquela noite?
Algumas vezes, invejava os trabalhadores das obras que contratava e que eram casados e iam
para seus lares todas as noites, de volta para as esposas e os filhos, a fim de compartilhar a refeição
feita na hora e o aconchego. Paul não conseguia se lembrar de nenhum momento na vida em que
tivesse tido a experiência do calor familiar.
Retirou da prateleira uma lasanha e atirou-a no carrinho. Deu a volta em direção ao corredor
de verduras e frutas para procurar por uma salada pronta quando, de súbito, começou a andar mais
devagar.
A uma pequena distância, encontrava-se Danielle Ford. Ela inclinava-se para frente a fim de
alcançar uma prateleira com tomates frescos e vermelhos. O short branco e justo acentuava as
nádegas roliças. Paul estacou incapaz de afastar os olhos daquela visão. As longas pernas de
Danielle, à mostra, o atraíam como ímã. Um senhor de idade esbarrou no carrinho sem querer,
fazendo-o voltar à realidade.
Junto à prateleira, Danielle acabava de pegar um dos tomates mais rubros, quando vários
outros começaram a despencar.
— Oh, não!
Uma verdadeira avalanche começou a cair a seus pés. Desesperada, pressionou o corpo de
encontro à prateleira, para impedir que mais frutos continuassem a cair. Enquanto recolhia alguns
do chão, uma mão forte encostou-se à sua para ajudá-la na tarefa. Ergueu o rosto e viu-se frente a
frente com os olhos escuros de Paul Richards. O calor viril fez sua pele se aquecer, apesar do forte
ar-condicionado. Por um momento, esqueceu-se do que estava fazendo e afastou-se.
— Paul, o que faz aqui?
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De repente, mais tomates caíram, espatifando-se no chão. Antes de responder, Paul foi logo se
abaixando para apará-los com as mãos espalmadas, mas Danielle, apressando-se a se afastar do
balcão, escorregou em um tomate e, perdendo o equilíbrio, colidiu com Paul, empurrando-o para
trás e caindo sobre ele.
Seus lábios ficaram muito próximos. Danielle podia sentir o calor do hálito quente em sua
face. Os seios estavam apertados contra o peito musculoso, e ela pôde sentir as mãos fortes sobre
suas costas. De repente, um desejo enorme percorreu suas veias, porém logo percebeu que outros
clientes tentavam ajudá-los. Danielle ergueu-se, o short branco todo manchado de suco de tomate.
A camisa de Paul ficara imunda, assim como os cabelos ondulados.
— Paul, eu sinto muito... — Danielle percebia que estavam começando seu relacionamento
de trabalho com o pé esquerdo.
— Não se preocupe. — Mesmo porque gostei de tomar banho de tomate com você! —
Exclamou com um sorriso brincalhão, mas a voz era profunda e sexy, o que fez Danielle sentir um
calor nas partes mais íntimas do corpo.
Com gestos rápidos, ela pegou seu carrinho.
— É melhor eu ir pagar pelo estrago.
— Algum sujeito de sorte vai ter um grande jantar hoje à noite.
— Nada disso! — Sou solteira. — As palavras brotaram sem querer, mas Danielle logo se
conteve. Por que tivera de dizer aquilo? Estaria tentando comunicar que era livre? — Isto é, estarei
dando um jantar para minha irmã hoje. — Se não fosse por Lisa, jamais teria tido a oportunidade da
entrevista com o Sr. Harrington.
— Agradeça por mim também. — O olhar de Paul era firme. Voltou para seu carrinho.
— Bem, é melhor eu levar meu jantar italiano para o micro ondas antes que derreta na caixa.
— Por que não guarda esse congelado no freezer e vem jantar conosco? — Danielle ouviu-se
dizendo aquilo antes que tivesse tempo de pensar.
— Verdade? — Os olhos de Paul brilharam. — Não quero dar trabalho...
— Devo uma desculpa pela bagunça que fiz com os tomates. — Além disso, sempre acabo
fazendo comida italiana demais só para mim e Lisa.
— A que horas devo chegar?
— O jantar é às sete e meia. — O pulso de Danielle latejava. — Aqui está meu endereço. —
Procurou por um pedaço de papel na bolsa.
— Apenas me diga o número, e não esquecerei.
— Rua Beethoven, quarenta, em Santa Mônica. — Danielle sentia-se nas nuvens.
— Apartamento dois.
— Estarei lá.
Deslumbrada, Danielle observou Paul deixar o supermercado dirigindo-se para a
caminhonete, e só então percebeu que acabara de convidar o homem com quem iria trabalhar para
um jantar.
"O que estou fazendo?!" Por que estaria permitindo que Paul Richards entrasse em seu
coração?
Com um saco de compras nas mãos, correu em direção a Paul no estacionamento do
supermercado, na esperança de cancelar o convite, mas apenas teve tempo de ver os faróis traseiros
do veículo desaparecendo ao longe.

CAPÍTULO DOIS
Sob o chuveiro, Paul retirou pedaços de tomate dos cabelos, imaginando se Danielle estaria
fazendo o mesmo.
Não podia parar de lembrar-se da cena deles dois, deitados em cima um do outro, no chão do
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supermercado, os maravilhosos olhos azul-turquesa de Danielle, o aroma delicado dos cabelos, os
seios rijos de encontro a seu peito, o corpo delicado. Só em recordar, Paul se sentia excitado.
"Você é masoquista, Paul Richards! Não consegue entender qual é seu verdadeiro
relacionamento com Danielle Ford?"
Enxugou o corpo tenso com a toalha de banho. Danielle era o pêndulo que balançava entre o
sucesso ou o fracasso de Paul com o Sr. Harrington. Se ela cometesse um só erro naquela
construção, e Paul não o detectasse, adeus, sociedade!
Paul correu para o quarto, enfiou o jeans e vestiu uma camisa branca e limpa, consultando o
relógio. "A quem estou tentando enganar?" Mal podia esperar para rever Danielle, e era isso o que o
assustava. Sabia que não estava procurando um compromisso sério, apenas amizade, mas como
manter um relacionamento platônico com uma mulher sensível e sensual como Danielle Ford?
A campainha tocou. Paul abotoou a camisa e foi abrir a porta.
— Butch você sempre chega na hora errada. — Paul sorriu, apertando a mão do colega.
— E minha especialidade...
Butch, seu mestre-de-obras, entrou. Usava um brinco de ouro na orelha, blusão de couro
preto, e segurava um capacete de motoqueiro. Já se divorciara duas vezes, não tinha filhos nem
responsabilidades a não ser consigo mesmo, e possuía uma vasta experiência com construções de
casas.
— Paul, eu acabei de saber da terrível novidade: Danielle Ford vai ser a arquiteta da casa
nova de Harrington. — Lembra-se da catástrofe que foi a construção dos Tilden? — Aquela garota
traz má sorte para nós, meu amigo!
Espantado, Paul percebeu que tomava o partido de Danielle, um sentimento de proteção que
jamais sentira por mulher alguma aflorou em seu peito.
— Não faça drama, Butch! — A casa de Harrington será construída sem problemas.
— O que fez mudar de ideia sobre Danielle Ford?
— Como assim? — Paul evitou o olhar de Butch.
— Depois da confusão com os Tilden, creio que o ouvi dizer que jamais entraria de novo em
um trabalho com ela.
— É verdade...
— Então, não entendo... Está contente por ela ir trabalhar conosco?
— Não a contratei, Butch. — Foi Harrington, e tenho de fazer as coisas darem certo.
— Mesmo assim, não gosto da ideia.
Paul relanceou um olhar para o relógio. Vendo que estava ficando tarde, pegou a garrafa de
vinho que comprara a caminho de casa, e Butch não pôde deixar de notar.
— Ei, companheiro, quem é a garota que vai encontrar?
— Você não a conhece...
— Está se apaixonando, Paul? — Havia um brilho provocador no olhar de Butch. — Sei
quando se sente muito atraído, por uma mulher.
— É apenas uma amiga. — Paul abriu a porta do chalé e empurrou Butch para fora.
— Mentira...
— Butch, trate de acabarem os últimos detalhes da casa dos Barry e comece a preparar o
terreno da propriedade de Harrington. — Adeus.
A mão de Paul tremia. Butch tocara em um ponto sensível. Estava mesmo sentindo algo
diferente por Danielle, e era bom abafar aquilo de uma vez por todas e manter apenas uma relação
profissional.
Danielle experimentou o molho de tomate na panela, esperando que estivesse bem temperado.
Será que Paul Richards gostava com mais orégano ou alho? Tratou de controlar seus
pensamentos. Afinal, o que pretendia? Preparava um jantar para Lisa, não para Paul. Entretanto, ele
não saía de seus pensamentos desde que o encontrara no escritório do Sr. Harrington.
Danielle relanceou o olhar para a pequena foto dos pais presa por um magneto na porta da
geladeira. "Mamãe, papai, estou a um passo de cumprir a promessa que fiz a vocês", pensou feliz.
Era por isso que não podia permitir que a atração por Paul Richards interferisse em seu maior
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sonho: a biblioteca infantil.
Naquele instante, Lisa entrou no apartamento, e Danielle anunciou com animação:
— Espero que esteja com fome!
Lisa não respondeu. Largou a pasta, deixou-se cair sobre uma cadeira e ficou brincando com a
cesta de pães, com gestos nervosos. Danielle olhou para a ela, preocupada.
— O que aconteceu, Lisa?
— Conversei com a secretária do Sr. Harrington hoje — começou hesitante, fazendo com que
Danielle sentisse um arrepio.
— Por acaso ele mudou de ideia sobre me contratar?
— Não foi bem isso. — Lisa levantou-se, lavou as mãos e começou a descascar tomates para
a salada.
— Conte-me, Li. — Estou morrendo de ansiedade!
— Harrington gostou de seu projeto.
— Mas...
— Pediu para alguém supervisionar seu trabalho.
— Como assim? — Para quem pediu isso?
— O nome é Paul Richards.
Danielle sentiu as pernas bambas.
— Mas... Paul é um empreiteiro, não arquiteto!
— Sei disso, mas a secretária de Harrington me contou que Paul Richards quer formar uma
sociedade e não pode arriscar que você cometa um erro que destrua seus planos.
— Quer dizer que, caso Paul não aprove meu trabalho, poderá contar para Harrington, e serei
despedida?
— Não sei...
Danielle não podia nem queria acreditar.
— Sabia que estava cometendo um erro, Lisa.
— Sobre o quê?
— Convidei Paul Richards para jantar conosco hoje à noite.
— Por que fez isso?
— Caí em cima dele no supermercado. — Só em lembrar-se do corpo rijo e musculoso sobre
o chão, Danielle sentia as faces em brasa. — Ele estava comprando uma lasanha congelada, e fiquei
com pena.
Lisa ergueu as sobrancelhas.
— Espere um minuto! — Por acaso Paul Richards é solteiro e bonito?
Danielle pigarreou.
— Bem... Na verdade, é sim.
— Nossa! — E o que vai fazer agora?
— Não se preocupe Lisa. — Não pretendo me envolver com ele.
— Mas se sente atraída, e se começarem a trabalhar juntos...
— Não vou deixar que nada aconteça, e ponto final!
Porém, se estava tão segura, por que suas mãos tremiam tanto ao lavar a alface na pia, e por
que se sentia tão mal com a novidade que Lisa lhe contara? Por que não queria que Paul espionasse
seu trabalho? Sacudiu a água da verdura, tensa e preocupada. Ou será que Paul Richards já
significava mais do que um simples colega para ela?
Ao se aproximar da casa de Danielle em Santa Mônica, as palavras de Butch ecoaram na
mente de Paul: "Está se apaixonando?" Sacudiu a cabeça, em negativa... Como poderia estar
gostando de Danielle? Acabara de conhecê-la. Além disso, apaixonar-se significava compartilhar,
certo? Não fazia ideia de como unir sua existência solitária com uma garota como Danielle.
Ao dar-se conta, Paul viu-se entrando em um pequeno Shopping Center de esquina. Desceu
do carro e dirigiu-se a uma-floricultura.
"Danielle Ford é a arquiteta da casa nova que Harrington pretende dar à esposa, e isso é tudo",
lembrou a si mesmo.
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A vendedora, uma senhora simpática, veio ao seu encontro.
— Procura por flores para sua namorada ou esposa?
Paul sentiu-se desconfortável.
— Para uma garota... Quero dizer, uma amiga.
— Compreendo... — A vendedora sorriu com indulgência, conduzindo-o até as rosas.
No quarto, Danielle relanceou um olhar ansioso para o despertador digital na mesinha-decabeceira. Paul deveria chegar dentro de quinze minutos.
Sentia dores no estômago ao colocar o vestido de seda bege. Ajeitou os cabelos e passou
brilho rosa nos lábios. Embora tentasse se convencer de que se arrumava para celebrar o novo
emprego, no íntimo sabia que não era isso. Por mais que tentasse negar, a visita de Paul á deixava
alvoroçada. Sabia como seria difícil lutar contra a atração que sentia por ele.
De repente, o telefone tocou. Seria Paul cancelando o encontro? Percebeu quanto se sentiria
desapontada se assim fosse.
— Eu atendo! — gritou Lisa da sala de estar.
Nervosa, Danielle esperou que a irmã a chamasse, porém ouviu Lisa rir, e correu para a sala.
— Quem é?
Com olhos brilhantes, Lisa respondeu no mesmo tom sussurrado:
— É Manny chamando de Nova York! — Está com saudade!
Danielle suspirou aliviada. Paul viria!
De volta à cozinha, mexeu com uma colher de pau as almôndegas no molho de tomate. Deu
uma olhada na lasanha e no pão de alho que cozinhavam no forno, ansiosa para que tudo estivesse
perfeito por causa de Paul. Mas... O jantar era para Lisa, Lisa, Lisa! O que estava acontecendo com
ela? Pôs a água do macarrão para ferver, enquanto ficava repetindo para si mesma que convidara
Paul por achar que fora a coisa mais polida a fazer.
A campainha tocou, fazendo o coração de Danielle disparar. Apreensiva, alisou os cabelos e
ajeitou o vestido. Olhou em direção à sala, esperando que Lisa fizesse as honras da casa, mas a irmã
estava enlevada ao telefone, ouvindo palavras de amor de Manny.
"Convidei Paul por causa dos negócios!" Tentando se convencer e com um profundo suspiro,
Danielle abriu a porta.
Os olhos cinza-escuros de Paul brilharam ao vê-la.
Estava lindo usando jeans e camisa branca aberta no peito bronzeado.
— Chegou um pouco cedo... — Danielle sentia um intenso calor e esqueceu-se por completo
de que o convite era apenas profissional.
— Não pude esperar para ver vo... Quero dizer, para provar seu jantar italiano. — Entrando,
Paul sentiu o aroma no ar. — O molho está com um aroma delicioso!
A voz grave provocou um arrepio em Danielle, enquanto sentia o olhar de Paul cravado em
seu rosto.
— Fique à vontade, Paul. — Engoliu em seco.
Paul tirou as mãos das costas, revelando a garrafa de vinho e um buquê de rosas amarelas.
— Para mim? — O coração de Danielle parecia cantar.
Paul deu de ombros, um pouco constrangido.
— Estava passando por uma loja de bebidas e uma floricultura...
— As rosas são lindas!
Danielle apressou-se a levar o vinho para a cozinha e colocar as flores em um vaso de cristal,
convidando:
— Sente-se, Paul. — Vou arrancar Lisa do telefone para que possa conhecê-la.
Sentado na cozinha, o olhar de Paul seguia Danielle, observando a seda do vestido delineando
os seios e os quadris bem-feitos, enquanto ela ia para a sala. Nervoso, começou a tamborilar com os
dedos na mesa, tentando lembrar-se da palavra "platônico" sem parar.
Ouviu um assobio e virou-se para o fogão. Um vapor branco saía da panela do macarrão.
Dando um pulo, Paul desligou o gás. Pegando uma colher de pau, começou a mexer a água
fervente, esperando que Danielle não ficasse aborrecida.
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Observou o papel de parede florido e os livros de cozinha, bastante manuseados, enfileirados
no balcão. A foto de um simpático casal de meia-idade estava pendurada no magneto da geladeira, e
Paul imaginou se seriam os pais de Danielle. Sentia-se muito à vontade naquele apartamento. Tanto
que poderia até tirar os sapatos, desabotoar a camisa e deixar toda a tensão ir embora.
Provou o macarrão para ver se estava no ponto. Ainda não. Deixaria que cozinhasse mais
alguns minutos. Olhou de novo para a foto e tirou do bolso outro magneto com a forma de martelo e
o logotipo de Empreiteiros Gerais Richards, colocando-o na porta da geladeira.
Na sala de visitas, Danielle cutucou Lisa para que desligasse o telefone.
— Paul está aqui!
Olhou ansiosa em direção à cozinha. De onde estava, podia ver as rosas amarelas que Paul
trouxera, no vaso sobre a mesa. O coração de Danielle deu um pulo: ele estava a sua espera!
— Manny, eu amo você... — Lisa sussurrava ao telefone. — Amo você!
Assim que desligou, Danielle murmurou ao seu ouvido:
— Não diga nem uma palavra sobre o Sr. Harrington nem sobre a construção da casa!
Danielle conhecia bem ò costume da irmã de abrir a boca na hora errada, mas, antes que Lisa
pudesse responder, Paul enfiou a cabeça pela porta da sala:
— O jantar está pronto!
— O macarrão! — Danielle precipitou-se para a cozinha.
— Não se preocupe. — Já tomei conta de tudo — Paul tranquilizou-a.
Danielle ficou de queixo caído: Paul colocara o macarrão fumegante em uma grande tigela
florida que encontrara no armário. Também arrumara a lasanha e o pão de alho sobre a mesa.
— Paul, você é nosso convidado. — As faces de Danielle estavam rubras. — Não deveria...
— Fiz do modo como você gosta?
— Perfeito!
O sorriso de satisfação e o brilho no olhar de Paul emocionaram Danielle, Por que será que se
sentia tão à vontade com a presença dele em seu apartamento quando, na verdade, mal o conhecia?
Lisa entrou na cozinha.
— Paul Richards? — Havia um tom malicioso na voz da irmã, e Danielle ficou perturbada.
— O Sr. Harrington falou-me tanto sobre você...
— Verdade? — Paul relanceou um olhar para Danielle. — E o que foi que ele disse?
— Bem...
— Lisa, quer fazer o favor de pegar a salada? — Danielle apressou-se em interromper,
dardejando um olhar para a irmã que dizia de modo claro, para ficar calada.
Mas Paul era esperto.
— Pela reação de Danielle, parece que Harrington não falou coisas boas a meu respeito...
Com gestos rápidos, Danielle pegou a saladeira das mãos de Lisa, colocando-a sobre a mesa.
— Estou faminta! — anunciou determinada a mudar de assunto.
Lisa lançou um sorriso misterioso para a irmã e sentou-se, enquanto Danielle ia pegar mais
talheres, não querendo pensar no relacionamento de Paul com o Sr. Harrington. Desejava apenas
aproveitar a companhia, mesmo sabendo que a sensação agradável terminaria no momento em que
começassem a trabalhar juntos.
Junto ao balcão, Danielle sentiu a proximidade de Paul às suas costas.
— Fiz ou disse alguma coisa que a perturbou, Danielle?
— Não, de modo algum... — respondeu nervosa, sentindo o calor do corpo musculoso.
— Tem certeza?
Por uma fração de segundo, Danielle sentiu que Paul nunca a magoaria e que se importava de
verdade com seus sentimentos. Se, ao menos, pudesse esquecer que ele fora encarregado de
espionar seu trabalho...
— Absoluta — respondeu, enquanto se sentavam à mesa. — Bom apetite!
Lisa passou a travessa de lasanha para Paul, observando-o.
— Conhece bem o Sr. Harrington?
Por baixo da mesa, Danielle deu um chute na irmã.
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Momentos Íntimos 31

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— Há alguns anos, construí uma casa para um amigo dele — explicou Paul. — Harrington
gostou de meu trabalho e, desde então, venho construindo para ele.
— Harrington já despediu algum arquiteto que trabalhou com você? — insistiu Lisa.
Danielle parou de comer, e Paul a fitou, preocupado. Ambos sabiam o que Lisa estava
insinuando.
— Só uma vez. — Em meio a um trabalho, o Sr. Harrington não ficou satisfeito com o
arquiteto e contratou outro para substituí-lo.
Danielle começou a se sentir enjoada. Será que era isso o que a aguardava? Naquele exato
momento, o bip de Paul tocou.
— Desculpem-me. — Deveria ter deixado o aparelho na caminhonete. — Relanceou o olhar
para o número. — Posso usar seu telefone?
Danielle indicou o aparelho da sala, evitando oferecer o da cozinha, a fim de dar-lhe mais
privacidade.
— Com licença...
Na sala de visitas, Paul ligou para Butch, batendo o pé com impaciência. Sabia que tinha
aborrecido Danielle contando o fato de Harrington ter despedido um arquiteto. De algum modo,
pressentia que Lisa descobrira que Harrington lhe pedira para vigiar o trabalho da irmã e, ao ver a
ansiedade no rosto de Danielle a respeito de seu destino profissional, desejara tomá-la nos braços e
dizer-lhe para não se preocupar. Faria tudo para assegurar que se manteria em seu posto até o fim,
não importando quais fossem as ordens de Harrington.
Ao ouvir a voz preocupada de Butch, Paul pressentiu problemas.
— Paul invadiram a construção da propriedade dos Barry!
— Droga! — O que roubaram? — Tinha medo de ouvir.
Desejara que aquela reforma terminasse sem problemas, como todas as demais. Por que, no
último instante, algo terrível deveria ter acontecido?
— Os proprietários tinham levado metade da mudança para a casa ontem, e os vândalos
carregaram tudo!
Os músculos do queixo de Paul se contraíram.
— Quer que ligue para o Barry, Paul?
— Eu mesmo falo com eles, Butch. — Entre em contato com a seguradora e depois me
encontre na casa deles.
Paul desligou, com a sensação de que iria explodir. Certificara-se de que a propriedade estava
fechada e trancada. Os proprietários se sentiram muito satisfeitos com a reforma que fizera e
planejavam mudar-se no dia seguinte. Agora, Paul teria de dar-lhes a terrível notícia. A invasão e o
roubo davam-lhe uma sensação de não ter feito um bom trabalho. Deveria ter protegido melhor a
residência, mas como?
— Paul, qual o problema?
Ele voltou-se e deu com Danielle olhando-o com expressão preocupada. Sua voz meiga foi
um bálsamo que o acalmou, afastando a ansiedade e frustração.
— Problemas em uma das construções. — Não posso ficar para jantar. — Estraguei sua
magnífica refeição italiana, e estou...
— Faminto — concluiu Danielle. — Vou embrulhar algumas almôndegas, lasanha, pão de
alho e salada.
Antes que Paul pudesse protestar, Danielle correu para a cozinha, e ele a seguiu.
O telefone voltou a tocar, e Lisa deu um pulo da cadeira.
— E Manny! — exclamou, excitada. — Paul, você foi o convidado mais ligeiro que já
tivemos para jantar, mas foi ótimo conhecê-lo! — E correu a atender.
— Não pretendia estragar sua noite.
— Esqueça, está bem? — Danielle cobriu uma panela com papel alumínio, acrescentando
ainda talheres de plástico. . — Como minha mãe fazia quando eu tinha aula até tarde na faculdade.
— Você teve sorte — admitiu Paul. — Jamais alguém preparou um lanche para mim.
— Nem sua mãe?
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— Ela morreu quando eu era bebê, e minha madrasta não tinha tempo para essas delicadezas.
Os olhos azul-turquesa pareciam compreender sua dor.
— Fico feliz por ter sido a primeira.
— Eu também. — Paul sentia muita afinidade por Danielle. Segurando o embrulho quente,
seguiu-a até a porta do apartamento.
— Quero que saiba uma coisa: — não precisa ficar preocupada com seu trabalho na
construção de Harrington.
— Não mesmo? — E como sabe disso?
— Confie em mim.
Danielle parecia tão frágil, o corpo muito próximo ao dele, os lábios cor-de-rosa e tentadores.
Sem pensar, Paul inclinou o rosto e a beijou. A boca de Danielle era doce como mel, e Paul
desejou que o beijo nunca mais terminasse, deslizando a língua pelos lábios macios que se
entreabriram, aprofundando a carícia. Ele desejava transmitir-lhe que estava do seu lado, e não
contra. Em um gesto impulsivo, aproximou-se mais, ansiando por sentir todas as curvas do corpo
feminino, mas o embrulho com comida se interpôs entre os dois. Os lábios de Danielle curvaram-se
em um sorriso e, com gentileza, Paul se afastou.
— Seu jantar é muito quente... — comentou, com duplo sentido.
— Não deixe que esfrie — disse Danielle, os olhos brilhando, as faces coradas. — O pão quer
dizer...
Junto dela, nada parecia esfriar, ao contrário. Se dependesse dele, passaria o resto da noite ali.
— Danielle, gostaria de poder ficar.
— Outra vez, Paul...
— Vejo você no trabalho.
— Assim que eu tiver o projeto da casa aprovado.
— Certo! — Paul forçou-se a ir embora.
Danielle encostou-se à porta, tocando, com dedos trêmulos, os lábios que Paul beijara. Por
que permitira aquilo? Não era ele o homem que tinha o poder de destruí-la aos olhos do Sr.
Harrington? Mas pedira-lhe que confiasse... Kevin dissera a mesma coisa.
Lisa entrou na cozinha.
— Você não me disse que Paul Richards era lindo! — Mordiscou um pedaço de pão de alho.
— E parece boa pessoa também. — Por que não esquece o que a secretária de Harrington me
contou?
— Não posso. — Danielle se atirou em uma cadeira. — Por que sempre me envolvo com
homens que trabalham comigo?
— Não compare Paul a Kevin. — Não sei explicar por que, mas Paul me parece honesto.
— Aliás, se eu não fosse me casar com Manny e não estivesse tão apaixonada, iria tentar
conquistá-lo...
— Casar com Manny? — Ele a pediu em casamento, Lisa?
— Manny voltará para Los Angeles dentro de poucos meses para nos casarmos!
— Oh, Li, que grande notícia!
Danielle abraçou a irmã, recordando que Lisa e Manny se amavam desde a época do colégio,
quando ele ainda morava em Los Angeles. Depois, Manny fora para a faculdade em Nova York,
arrumara trabalho por lá, mas o amor não acabara, e Manny prometera voltar para se casar com
Lisa. Estava cumprindo a promessa.
De repente, Paul Richards voltou-lhe à mente: valeria a pena se aproximar dele sabendo que
poderia destruir sua carreira?
— Danielle, quer ser minha dama de honra?
— Com muita alegria, Lisa!
— Vou telefonar para Manny e dar as notícias! — Lisa precipitou-se para o telefone de parede
na cozinha, e Danielle apressou-se a ir ao quarto que compartilhava com a irmã, para que a
conversa pudesse ser privada.
Abriu a gaveta da cômoda e pegou a camisola branca. Em poucos meses, Lisa iria mudar-se
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Momentos Íntimos 31

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daquele apartamento, e Danielle teria de morar sozinha, sem o aconchego familiar para dividir seus
pensamentos e sentimentos. Adorava viver em família. Quando os pais morreram, agradecera muito
a Deus por ainda ter Lisa.
"Vou me acostumar a morar sozinha", Danielle pensou, enquanto tirava a roupa no banheiro
para tomar um banho. Muitas mulheres gostavam de morar só, mas sabia não ser desse tipo. Era
uma garota de família e esperava, um dia, ter a sua própria. Porém, até aquele momento, não
conseguira visualizar-se casando com alguém. Mas agora... Havia Paul Richards. Fora tão natural
vê-lo em seu apartamento, quase como se sempre tivesse vivido ali.
Danielle mirou o corpo despido no reflexo do espelho e ficou imaginando como seria a
sensação das mãos fortes de Paul acariciando seus seios. Aquele simples pensamento fez seus
mamilos enrijecerem.
"Pare de fantasiar sobre Paul! Lembre-se do que aconteceu com Kevin!"
Porém, deitada na banheira cheia de espuma, não conseguia tirá-lo do pensamento. Ficou
imaginando-o entrando ali com ela. Com gesto rápido, abriu a torneira de água fria para voltar à
realidade.
Na obra saqueada, Paul tentou disfarçar a frustração, ao mostrar aos Barry, um jovem casal
recém-casado, os danos dentro de sua propriedade reformada.
Butch já começara a consertar a gaveta que tinham feito no dormitório e que haviam sido
arrancadas e atiradas ao chão.
— Senhor e Sra. Barry — começou Paul, sentindo-se culpado por tudo que acontecera —,
minha seguradora irá cobrir todos os danos. — Hoje à noite mesmo, meus homens deixarão tudo em
ordem. — Vamos até consertar os arranhões nas paredes e mandar lavar o carpete novo. — Tudo o
que desejarem! — Basta me dizer.
Quando viu o sorriso de esperança no semblante do casal, sentiu-se um pouco aliviado.
Embora saques e roubos pudessem acontecer em meio a obras, odiava que tivesse acontecido
sob sua responsabilidade e ter de suportar a infelicidade de seus clientes. Sempre garantia um
trabalho de categoria e sempre trabalhava como se estivesse construindo sua própria residência:
com o maior capricho. Seu objetivo era fazer com que os clientes entrassem em suas casas novas ou
reformadas com total satisfação.
Quando, por fim, os Senhor e a Sra. Barry foram embora, Paul afivelou o cinto de ferramentas
na cintura e juntou-se a Butch e os dois outros operários, para fazer a casa voltar a ser o que era.
Às três da manhã, exausto, mas satisfeito, Paul terminara de pintar e limpar tudo de novo. Ao
guardar as ferramentas na caminhonete, pensou em Danielle. Gostaria de ter ficado mais tempo no
seu apartamento.
— Vai voltar para a namorada? — Butch enfiou o capacete, sorrindo.
Paul entrou no veículo. Em geral, teria respondido com um simples "não". Gostava de ser
independente, sem amarras. Mas com Danielle sentia um desejo que não conseguia explicar.
— Vou para casa, Butch.
Dirigiu em direção ao chalé, sabendo que precisava dormir um pouco, porém, ao dar por si,
viu que enveredara até a rua de Danielle. Dirigiu mais devagar ao aproximar-se de seu prédio. Parou
na esquina, a poucos metros de distância. O apartamento dela, no segundo andar, tinha uma pequena
varanda, e o coração de Paul acelerou ao perceber que ainda havia luz na sala de estar. A porta de
vidro que levava à varanda estava aberta, deixando entrar a brisa agradável de verão.
Paul ficou imaginando quanto tempo teria ficado com ela se não tivesse sido forçado a partir
tão depressa. Sentiu uma súbita necessidade de tocar a campainha e pedir para entrar um pouco,
mas sabia que seria loucura.
Voltou à realidade e estava prestes a dar partida no motor, quando Danielle surgiu na varanda.

CAPÍTULO TRÊS
Os dedos de Paul ficaram paralisados, segurando a chave de ignição, enquanto observava
Danielle aproximar-se da balaustrada e olhar para o céu estrelado. Através das árvores em volta,
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Momentos Íntimos 31

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Paul pôde ver que ela vestia uma camisola transparente. A luz da sala de estar refletia-se no tecido
delicado, e os seios se erguiam revelando, com nitidez, os mamilos túrgidos. Paul prendeu a
respiração. Esqueceu-se de que estava na caminhonete, estacionado no meio da rua. Tinha apenas
olhos para o corpo seminu de Danielle, e suas mãos começaram a transpirar. Abriu devagar a janela
da caminhonete, necessitando de ar, pois se sentia muito excitado.
Naquele instante, Danielle debruçou-se e olhou para a rua. O coração de Paul disparou. Estava
invadindo sua privacidade, e rezou para que não visse a caminhonete em meio às árvores da
calçada.
Da varanda, Danielle esticou o corpo e aspirou ao aroma dos pinheiros em meio ao ar da
madrugada. Então, entrou no apartamento, trancou a porta, e encostou-se junto ao vidro.
Teria mesmo vislumbrado a caminhonete de Paul entre as sombras dos pinheiros e o luscofusco da rua? Sua pele arrepiou-se ao pensar que ele poderia tê-la visto. Que ideia louca! Por que
motivo Paul Richards estaria estacionado perto de seu prédio, às quatro horas da manhã, olhando
para sua varanda? Mais uma das muitas fantasias que andava tecendo sobre ele! Dirigiu-se à
cozinha e serviu-se de um copo de suco de laranja gelado a fim de acalmar o corpo ardente.
Paul estivera povoando seus pensamentos á noite toda. Por causa disso, não conseguira dormir
e fora até a varanda. Não era de admirar que houvesse imaginado sua caminhonete em meio às
árvores.
Ao recolocar a jarra na geladeira, percebeu o magneto com o martelinho que Paul afixara na
porta. Por que teria feito isso? Será que também sentia tanta afinidade por ela? Tocou o magneto
como se o acariciasse, mas, sem perda de tempo, afastou as ideias sensuais e voltou ao quarto, onde
Lisa dormia a sono solto.
Deitada, Danielle imaginou Paul a observá-la, de camisola, na varanda. Adormeceu sem
perceber.
No escritório, Danielle examinou ansiosa, a cafeteira elétrica para ver se o café estava pronto.
Seu projeto para a casa do Sr. Harrington fora aprovado pela Prefeitura, porém teria de fazer
algumas pequenas revisões que desejava discutir com ele. Iam ter uma entrevista naquela manhã.
Danielle arrumou duas cadeiras junto à pequena mesa de reuniões e ficou mudando-as de
lugar o tempo todo, para tentar conseguir o ângulo perfeito para conversar com Harrington. Olhou
para o relógio digital sobre a escrivaninha. A qualquer momento, seu cliente chegaria. Mal podia
esperar para contar-lhe sobre as novas ideias que tivera para o interior da casa.
Deu uma rápida repassada nos papéis que escrevera com os detalhes, tais como janelas com
frisos de metal branco, iluminação indireta, piso de mármore na entrada, carpete espesso e bege no
andar superior e na suíte principal, além de uma série de novos armários. E tudo com material de
primeira qualidade. Sabia que quanto mais agradasse ao Sr. Harrington com seu trabalho, mais
chance teria de pedir-lhe para ser a arquiteta da biblioteca infantil.
A batida forte na porta do escritório a assustou. Prendendo a respiração, animada, Danielle foi
abrir.
— Sr. Harrington... — Porém, quem viu foi outra pessoa. — Paul? — O que faz aqui?
— Estou atrasado? — Parecia um tanto preocupado.
Os braços musculosos carregavam pastas de documentos, prestes a cair por terra.
Danielle deu uma olhada para o corredor.
— Onde está o Sr. Harrington?
— Não recebeu o recado?
— Não. — Danielle começou a entrar em pânico.
Enquanto Paul lutava para equilibrar a papelada, relanceou o olhar para a secretária eletrônica.
A luz estava piscando. Estivera tão nervosa e excitada a respeito do encontro de negócios que
se esquecera de checar se havia mensagens.
— O Sr. Harrington teve uma reunião de emergência fora da cidade — disse Paul.
— Será que deseja marcar novo encontro comigo? — Danielle sentia-se confusa. Precisava
malhar o ferro enquanto quente para que Harrington percebesse quanto era rápida e eficiente.
— Ele me mandou em seu lugar.
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Momentos Íntimos 31

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— Você vai representá-lo?
— Espero que não se importe.
— Não, não, tudo bem... — Danielle apertava as mãos, sem jeito.
Nada estava bem, no entanto. Precisava mostrar seu valor profissional para o próprio
Harrington, e não para Paul. E então sentiu um nó no estômago: sabia por que Paul fora enviado!
Estava ali para assegurar que ela não faria tolices. O Sr. Harrington ainda não confiava
plenamente em sua capacidade.
— Será que posso pôr estas coisas em algum lugar? — Os braços fortes de Paul estavam
rígidos com o esforço de carregar tanto peso.
— Oh, claro! — Ponha aqui!
Ao caminhar atrás de Paul no espaço apertado até a mesa de reuniões, os seios de Danielle
roçaram as costas largas, e um incrível calor percorreu seu corpo.
Quando Paul pôs o material sobre a mesa, seus olhares se encontraram, e Danielle sentiu uma
espécie de eletricidade dominar o ambiente. Como ter uma reunião de negócios séria quando só
conseguia imaginar cenas eróticas?
Naquele instante, o telefone tocou, sobressaltando-a. Ao pegar o receptor, ouviu a voz do Sr.
Harrington do outro lado da linha.
— Por favor, Danielle, desculpe-me pela mudança de planos no último minuto, mas creio que
não terá problemas em trabalhar com Richards.
— Claro que não, Sr. Harrington! — Danielle relanceou o olhar para Paul, sentado em uma
cadeira.
A camiseta azul-escura delineava os músculos do tórax, e ela desejou tocar os ombros largos.
As pernas longas estavam esticadas, as coxas, rijas e fortes.
— Danielle, expliquei a Paul minhas ideias para o quarto principal — continuou o Sr.
Harrington. — Por favor, examine todos os detalhes com ele. — Paul sabe do que gosto, e poderá
dar algumas sugestões pessoais também.
— Mas, Sr. Harrington, quando poderei falar com o senhor? — Danielle queria criar um
vínculo com o próprio cliente.
— Não se preocupe. — Entrarei em contato com você ainda hoje.
— Muito bem. — O senhor ficará contente com o resultado de nossa reunião.
Desapontada, desligou o telefone. Desejara tanto mostrar ao próprio Harrington quanto era
criativa e competente...
— Tudo bem? — perguntou Paul, preocupado.
— Acho que sim.
— Sei muito bem que preferiria lidar com ele em pessoa.
Danielle admirou-se com a argúcia de Paul, mas, ansiosa por acabar com aquele mal-estar,
sugeriu:
— Por que não começamos a trabalhar? — Vou precisar de mais algumas semanas para
finalizar a planta e fazer algumas revisões.
— Ótimo! — Começarei minha parte quando você me entregar os desenhos.
Danielle abriu a planta da casa sobre a mesa.
— Aqui fica a suíte principal com o banheiro. — Como pode ver, desenhei duas grandes
janelas descortinando o oceano.
— Não creio que devam ser duas... — Paul balançou a cabeça, com ar crítico.
— Do que está falando? — São duas janelas!
— Pois eu vejo uma única parede de vidro do chão ao teto, descortinando o mar azul. — Paul
ilustrou o pensamento, fazendo um gesto amplo no ar.
— De jeito nenhum! — O Sr. Harrington e a esposa vão precisar de privacidade quando...
Quando...
— Fizerem amor? — completou Paul com voz rouca. Os olhos escuros fundiram-se no olhar
de Danielle, que se apressou a se levantar da cadeira, anunciando:
— Vou buscar café.
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Momentos Íntimos 31

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Mal conseguiu encher as duas xícaras, pois suas mãos tremiam sem parar. Como podia se
concentrar no trabalho desejando, tanto Paul?
— Danielle, não quis ser desagradável. — Paul se aproximara por trás, e estava muito perto.
— Não quero que haja atritos por causa de meu projeto, Paul.
— Desejo o mesmo.
— Mas já ganhou a confiança do Sr. Harrington... — A voz de Danielle soou trêmula.
— Preciso criar um bom relacionamento profissional com ele também.
— E criará. — Pode ter certeza, eu garanto! — Com a ponta dos dedos, Paul tocou, com
doçura, os lábios de Danielle.
— Paul, nós precisamos trabalhar...
Mas quando á boca dele cobriu a sua, Danielle não resistiu. Passou os braços pelo pescoço
musculoso e agarrou-se a Paul. Os dedos precisos deslizaram por baixo da roupa de Danielle e
tocaram os seios rijos cobertos pelo sutiã, fazendo-a gemer, desejando senti-los sobre sua pele, mas,
justo quando aquilo iria acontecer, o bip de Paul soou e, de imediato, a fez voltar à realidade.
Danielle estava em seu próprio escritório, tendo uma reunião para o projeto do Sr. Harrington.
Com um repelão, livrou-se dos braços que a prendiam.
— É melhor atender, Paul — murmurou, com gestos rápidos, ajeitando as roupas, voltando à
mesa e olhando para a planta, sem nada ver.
Enquanto Paul telefonava, Danielle chegou à conclusão de que jamais poderia ter um mero
relacionamento profissional com Paul Richards. A atração sexual era forte demais entre os dois.
— Preciso ir ver uma obra, Danielle.
— Mas... Não veio aqui me transmitir instruções de Harrington?
— Que tal se eu deixar as anotações com você?
— Harrington deseja suas opiniões também!
— Pode me telefonar no trailer da construção se tiver alguma dúvida.
— Tudo bem...
— Vai trabalhar melhor se eu não estiver por perto — acrescentou Paul, percebendo o olhar
preocupado dela. Começou a caminhar em direção à porta, mas parou. — Por falar nisso, você tem
razão. — E muito melhor colocar duas janelas na suíte principal.
E partiu.
Danielle desejou chamá-lo de volta. Queria confessar que sentia uma afinidade por ele como
jamais sentira por homem algum, nem mesmo por Kevin. Mas tinha medo dos próprios
sentimentos. Ainda não era hora. Precisava primeiro, ter certeza de que o que sentia por Paul nada
tinha a ver com trabalho, e vice-versa. Só então poderia se entregar.
Na construção, o cimento estava sendo misturado. Paul gritava com Butch e os operários para
acelerar o trabalho das fundações da casa de Harrington. Despiu a camiseta e deixou o sol quente
atingir as costas e os ombros nus. Deu a volta pela obra, checando todos os detalhes sob sua
responsabilidade.
A propriedade de Harrington ficava muitos metros acima da praia de Malibu. Podia ouvir o
barulho das ondas quebrando lá em baixo. A imagem de Danielle surgiu ante seus olhos. Não fora
certo beijá-la e acariciá-la no escritório. Deveria ter ido lá por causa do trabalho, e não para ter
intimidades, porém, quando estava perto dela, não resistia à tentação de tocá-la.
Á distância, distinguiu a ilha de Catarina e, por um segundo, esqueceu-se de onde estava.
Imaginou-se deitado na areia quente com Danielle em seus braços, beijando os lábios com
gosto de mel e acariciando os cabelos negros e sedosos. Danielle sorria os olhos azuis-turquesa
muito próximos. Desejava dizer algo a ela... Algo que jamais dissera a mulher alguma na vida.
"Danielle, eu..."
— Ei, companheiro! — A voz de Butch o sobressaltou. — O Sr. Harrington está aqui para vêlo!
Paul voltou à realidade.
O que será que pretendera dizer a Danielle sonhando acordado? Que a amava?
— Como foi sua reunião com a Srta. Ford? — Harrington foi logo perguntando, com um
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Momentos Íntimos 31

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vinco na testa que alertou Paul para algum problema.
— Correu bem.
Em silêncio, Harrington dirigiu-se para a parte de trás da propriedade, postando-se de frente
para o oceano. Paul sabia que algo estava muito errado. De súbito, Harrington o encarou:
— Pensei tê-lo ouvido dizer que jamais trabalhara com Danielle Ford.
Paul sentiu como se o tivessem golpeado no estômago.
— E nunca trabalhei Sr. Harrington.
— Pois ouvi outra história. — Soube que Danielle projetou uma casa que resultou num
fracasso terrível, e que custou uma fortuna ao proprietário!
— Isso foi há três anos. — Paul cerrou os dentes. — Apenas trabalhei com as plantas do
projeto de Danielle, e nunca a vi. — Ela acabara de sair da faculdade.
— Por que não me contou sobre isso antes que eu a contratasse?
— Todos cometem erros no início da carreira, Sr. Harrington. — Creio que Danielle tem mais
experiência agora.
— Não gosto de atrasos em construções nem de orçamentos que extrapolam o combinado.
— Quero competência na construção de minha casa. — Devo dispensar Danielle Ford!
— Não pode fazer isso!
— Por que não? — Danielle foi dissimulada!
— Fui eu que errei omitindo certos fatos — Paul apressou-se a acrescentar. — Por favor, dêlhe uma chance para que prove suas habilidades. — É uma arquiteta talentosa.
— Não tenho tempo nem dinheiro para esbanjar. — Seu amigo arquiteto, Victor Horton, já se
recuperou?
— Não tenho conversado com ele.
— Pode ligar para Victor agora?
A mente de Paul trabalhava de modo febril. Não podia magoar Danielle. Prometera que seu
emprego estava garantido, porém, mais do que tudo, desejava ter a desculpa do trabalho para vê-la
sempre.
— Sr. Harrington, gosta do projeto de Danielle Ford, não gosta?
— Sim, muito.
— Se trocar de arquiteto vai ter de trocar o material do assoalho e outras coisas mais, pois
Victor Horton tem um estilo muito diferente. — Além disso, levará tempo até Victor fazer um novo
projeto e, no final, o senhor terá de gastar mais dinheiro.
Por vários minutos, Harrington ficou olhando em silêncio para o oceano, o semblante
carregado.
— Tem razão, Paul. — Entrei em pânico porque estou sempre em busca de perfeição. — É
melhor continuar com os planos originais. — Entretanto, devo avisá-lo: se o orçamento da
construção resultar maior do que o combinado por causa de Danielle Ford, meus planos para a
biblioteca infantil serão afetados e... Nossa sociedade também.
Paul engoliu em seco. Se Danielle falhasse, ele estaria perdido.
— Responsabilizo-me por sua casa. — Se não for construída do modo como o senhor deseja,
Sr. Harrington, assumirei toda a culpa!
— Trato feito!
Apertaram-se as mãos com firmeza, e Paul pensou se não estaria ficando maluco. Por que
estava arriscando seu futuro por causa de Danielle?
— Quando vão começar a levantar a construção? — perguntou Harrington, dirigindo-se para
sua Mercedes preta.
— Já estamos com a aprovação da Prefeitura, porém Danielle pediu mais algum tempo para
fazer modificações na planta.
— Sem atrasos, Paul! — Comece a construção de imediato, assim que as fundações estiverem
prontas!
— Mas... Como arquiteta, Danielle tem de aprovar.
Harrington apontou a planta com o dedo.
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— Está tudo pronto para começar. — Use seu instinto e experiência, Paul! — Sem esperar por
resposta, entrou no carro e partiu numa nuvem de poeira.
Paul sentia as têmporas latejando. "O que estou fazendo? Arriscando meu futuro por causa de
Danielle Ford!" Rezou para não estar cometendo o maior erro de sua carreira.
Duas semanas mais tarde, Danielle estava sentada em frente à prancheta, muito contente.
Como não tinha nenhuma visita de negócios programada para aquele dia, e por causa do calor,
viera ao escritório de short branco, top e sandálias de couro.
Terminara, afinal, as mudanças que desejara fazer na casa de Harwood Harrington e que não
precisariam de nova aprovação da Prefeitura. Estivera tão ocupada que mal houvera tempo de
pensar nas carícias trocadas com Paul no escritório. De propósito, mantivera-se afastada da obra
para não vê-lo. Sabia que trabalhar perto dele seria difícil.
Durante aquele período, recebera alguns recados na secretária eletrônica no qual ele pedia
urgência, e Danielle, de propósito, respondera sempre depois das horas de trabalho, quando todos já
tinham ido embora da obra, deixando, por sua vez, mensagens dizendo que logo entregaria os novos
planos. Não ousaria falar com Paul ou encontrá-lo frente a frente, pelo menos até ter certeza de que
iria fazer uma casa perfeita para o Sr. Harrington.
Naquele instante, o telefone tocou e, por um segundo, desejou que fosse Paul. Estava ansiosa
para contar que terminara as modificações.
— Danielle Ford? — Uma voz masculina e desconhecida soou. — Sou Butch, trabalho na
construção do Harwood Harrington como mestre-de-obras de Paul Richards, e tenho uma pergunta
a fazer sobre a construção.
— Ninguém me comunicou que a construção já fora iniciara — interrompeu Danielle,
apertando, nervosa, o receptor. — Por favor, ponha Paul Richards na linha!
— Impossível. — Paul está em uma reunião particular no escritório do Sr. Harrington, e não
devo incomodá-lo. — Voltará logo, mas preciso de uma resposta agora.
— Já estou indo! — Danielle desligou furiosa.
Como Paul ousara começar a construção sem avisá-la? Apanhou os desenhos revisados e
partiu do escritório.
Ao dirigir para Malibu, lembrou-se da insistência dos recados de Paul para que entregasse
logo o projeto revisado. Por que não esperara? Pouco a pouco, foi compreendendo. Paul desejara
mostrar a Harrington que era o dono da situação, mesmo que isso significasse começar as obras sem
comunicar a arquiteta!
Danielle sentiu-se muito desapontada. Quisera tanto que Paul fosse diferente de Kevin!
Esperara que ele a considerasse mais importante do que o trabalho, mas, pelo visto, se
enganara de novo. Bem que tentara se precaver!
Estacionou junto à construção, e o coração disparou ao deparar-se com a velha caminhonete
verde de Paul. Com a nova planta da casa enrolada debaixo do braço, partiu para a luta. Porém, ao
deparar com o esqueleto de madeira da casa já no primeiro andar, prendeu a respiração.
O odor de madeira nova enchia o ar, e Danielle sentiu uma forte excitação ao ver a casa que
projetara tomando forma. O chão, as paredes e o teto da entrada, sala de estar, escritório, cozinha e
metade do banheiro inferior já estavam erguidos.
— Butch? — Danielle chamou, ao ver um grupo de operários martelando.
Um rapaz vestindo short, camiseta e com um brinco na orelha adiantou-se.
— Olá, Danielle! — Liguei de novo, mas você já tinha saído. — Era um problema de
medidas, e resolvi tudo com Paul, que já voltou da reunião com o Sr. Harrington.
— Com Paul? — O sangue de Danielle fervia nas veias. — A arquiteta aqui sou eu, não Paul!
— Abriu a planta ali mesmo, no chão. — Mostre o que fizeram com meu projeto!
Dentro do trailer, pareceu a Paul ouvir a voz de Danielle á distância. Apressado, pôs de lado
os cheques de pagamento que estava preenchendo, e abriu a porta.
— Butch, qual o problema? —gritou acima das nuvens de poeira e do barulho dos martelos.
— O problema é você! — Danielle marchava em sua direção com a planta debaixo do braço.
Paul prendeu a respiração ao vê-la se aproximar, os cabelos negros presos em um rabo-de22

Momentos Íntimos 31

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cavalo, os seios saltando sob o top vermelho. O exíguo short branco delineava os quadris bemfeitos, e as coxas sensuais brilhavam a luz do sol.
— Danielle, eu sei que está aborrecida por que...
— Como ousou começar a obra sem me comunicar? — Os olhos dela faiscavam.
— Ouça, recebi ordens de Harrington para começar sem perda de tempo, e você não
respondia a meus chamados!
— Não é justo! — Como arquiteta, tenho o direito de estar á par de cada passo da obra!
Paul cerrou os dentes ao vê-la tão magoada.
— Sim, tem razão.
Fora sua culpa. Deveria ter contado sobre as ordens de Harrington, mas sentira-se dividido
entre o desejo de proteger o emprego dela e não estragar seus planos futuros com Harrington.
Butch aproximou-se.
— Paul, está tudo pronto para começarmos o segundo andar — disse Butch.
— Mas você ainda não discutiu os planos do segundo andar comigo! — Danielle protestou.
Paul estava em frangalhos. Harrington visitou todos os dias na obra, sempre o incentivando a
ir mais depressa, sem consultar Danielle.
— Butch eu já falo com você. — Paul voltou-se para ela. — Acalme-se, certo? — Já tenho
em mãos seu projeto para o segundo andar, e é perfeito. — Para que perder tempo discutindo cada
pequeno detalhe?
— Fiquei enclausurada duas semanas para fazer modificações, lembra? — E não vou deixar
que arruíne meus planos do mesmo modo que fez com a casa dos Tilden!
— Espere um minuto...
Danielle virou-se, rumando para o carro, e Paul a seguiu, vendo-a debruçar-se para pegar algo
no assento, o short muito curto revelando o início das nádegas firmes.
"Pare de olhar!" Paul começou a se sentir muito excitado. Chutou a areia suja, zangado
consigo mesmo por ter magoado Danielle e por desejá-la tanto.
Danielle pegou sua pasta no banco de trás do carro, além de outros desenhos. "Não vou deixar
Paul Richards controlar meu trabalho!", pensou. Se permitisse isso, jamais teria o respeito de
Harrington e... Nunca assumiria a construção da biblioteca infantil. Voltou-se, dizendo:
— Não vai se livrar de mim com tanta facilidade!
— Não quero me livrar de você, creia-me!
Danielle percebeu emoção na voz de Paul, cujos cabelos castanhos e encaracolados estavam
cheios de serragem e, por um momento, esqueceu a raiva, apenas sentindo um enorme carinho por
ele.
— Aonde vai com todos esses desenhos, Danielle?
Ela apertou os papéis contra o peito.
— Montarei meu escritório no trailer.
— Não pode fazer isso! — O trailer é meu e de meus funcionários!
— Não é mais! — Danielle subiu os cinco degraus até a porta, lutando para abri-la com os
braços carregados.
Paul adiantou-se, pressionando o corpo contra o dela, e Danielle pôde sentir o peito
musculoso de encontro à pele. Desejou largar tudo no chão e atirar-se em seus braços, porém, assim
que Paul abriu a porta, apressou-se a entrar.
O trailer era frio, com cheiro de mofo e empoeirado. Havia um velho sofá xadrez, uma grande
mesa com cadeiras, uma minúscula cozinha, banheiro e, nos fundos, um quartinho com a cama
desfeita. Danielle apressou-se a juntar seus papéis aos muitos outros sobre a mesa.
— Vamos com calma, moça! — Essa mesa é minha!
— Há lugar suficiente para nós dois. — Danielle desligou o ar-condicionado, abriu as janelas
a fim de deixar entrar ar fresco, e começou a arrumar a bagunça, enquanto Paul, nervoso,
tamborilava com os dedos na parede.
— O que está fazendo?
— Organizando. — Não posso trabalhar num lugar tão desarrumado!
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Momentos Íntimos 31

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— E como vou encontrar minhas coisas, Danielle?
— E só me perguntar. — Vou dizer onde tudo está. — Estarei aqui todos os dias, de manhã à
noite, até essa casa ficar pronta!
— Por que está fazendo isso? — Se houver algum problema na construção, chamarei você no
escritório.
— Do mesmo modo como fez quando começou a levantar a obra? — Por acaso me chamou? .
— Gostaria de poder externar quanto lamento tudo isso, mas você está sendo muito
precipitada mudando-se para cá!
Danielle já espalhara as plantas sobre a mesa, e ergueu a cabeça, com raiva.
— Tudo bem se é você quem monitora meu trabalho, mas eu não posso fazer o mesmo, certo?
— Não disse isso...
— Mas pretendia!
De repente, ouviu-se um rugido como se um trem estivesse prestes a entrar, e tudo começou a
estremecer. A porta bateu, plantas e desenhos caíram ao chão, pratos e copos tilintaram na cozinha.
— Terremoto! — gritou Danielle, aterrorizada, e, sem pensar, atirou-se para a proteção dos
braços de Paul, que a apertou com força, enquanto um novo abalo atingia o trailer.
Danielle foi jogada de encontro à parede, o corpo de Paul unido ao seu. Tremendo de medo,
passou os braços pelo pescoço dele e enterrou o rosto no peito rijo e protetor.
Do mesmo modo súbito como começara a tremer, a terra de Los Angeles se aquietou e seguiuse um silêncio mortal. Danielle olhou para Paul, os hálitos se fundindo. Sabia que deveria afastar-se
naquele instante, mas não queria. Sentia-se segura e protegida.
Quando os lábios de Paul se aproximaram, Danielle se esqueceu de tudo. Ergueu-se na ponta
dos pés, e as bocas se uniram com sensualidade.

CAPÍTULO QUATRO
Paul esqueceu que estava no trailer, trabalhando. Tudo de que tinha consciência era a
proximidade de Danielle. Deslizou as mãos pelas suas costas nuas, detendo-se nas alças do top
vermelho. Desamarrou-as, e a peça caiu ao chão. Segurou os seios rijos, e Danielle gemeu os lábios
de ambos ainda colados. Paul, ansioso, beijou-lhe o pescoço e o bico de um dos seios, fazendo-a
arquear as costas, cheia de desejo.
De repente, ouviram uma batida forte na porta.
— Ei, companheiro, tudo bem aí dentro? — Era Butch. — Foi um abalo e tanto!
Paul deu um passo atrás, respirando com dificuldade, cheio de paixão. Evitando olhá-lo,
Danielle também se afastou, pegou o top e correu para o pequeno banheiro.
— Tudo bem, Butch! — Já vou sair! — Bateu na porta do toalete. — Danielle, você está
bem?
Por que não conseguia manter-se afastado dela? Por que não podiam ter apenas um
relacionamento profissional?
— Estou bem, Paul... Terremotos me assustam... — Danielle, abriu a porta, porém não o
encarou ao sair.
Paul sentia-se frustrado. Por que tivera de acariciá-la de modo tão íntimo? Era óbvio que
demonstrara quanto a desejava. E Danielle era uma moça de família, precisava de um homem que
voltasse para casa todas ás noites e que ficasse sempre a seu lado, dando-lhe filhos e um lar. Paul
jamais seria essa pessoa. Era um solitário, e nunca poderia oferecer-lhe a segurança e o amor de que
necessitava. Entretanto, como manter-se afastado, agora que iriam trabalhar juntos no trailer?
Tendo se dirigido até a obra, Danielle tentava explicar a Butch seu projeto para o segundo
andar. Depois, no térreo, examinou cada cômodo já construído, comparando-o com o projeto
revisado, porém não conseguia se concentrar. Como pudera se entregar daquela forma a Paul? E se
o Sr. Harrington a tivesse surpreendido, seminua, com Paul beijando seus seios? Sentiu um toque
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Momentos Íntimos 31

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suave no ombro.
— Não se aborreça Danielle — sussurrou Paul. — O que aconteceu foi minha culpa.
Danielle sentiu-se derreter por dentro ante aquela voz carinhosa e preocupada, até que... Seus
olhos de profissional observaram algo.
— Não acredito! — gritou. — Você arruinou a minha cozinha! — Correndo, bateu com a mão
na parede baixa que separava a cozinha da copa. — O que é isto?
— Uma parede. — Paul parecia confuso.
— Exato! — Não deveria haver nenhuma parede aqui!
— Claro que sim! — Paul agarrou sua cópia da planta e apontou aquela área. — Bem aqui!
—Você mesma projetou!
— Mas eu mudei! — Danielle exibiu a cópia da planta revisada. — Cozinha e copa é agora
um único e amplo espaço. — Veja a bagunça que criou porque começou a construção sem minha
presença!
— Obedeci às ordens do proprietário.
Impaciente, Danielle voltou-se para Butch.
— Por favor, derrube aquela meia parede na cozinha!
— Um momento! — interrompeu Paul. — Eu dou as ordens por aqui!
— Não se forem erradas! — Odiava ir contra Paul, mas precisava assegurar seu poder de
arquiteta ou nunca mais recobraria o respeito. Voltou a falar com Butch.
— Derrube!
— Butch, não mova nem um prego ate eu concordar! — Paul bradou.
O pobre Butch olhava de um para o outro, sem saber o que fazer.
— Ótimo! — Danielle pegou um martelo do chão. — Eu mesma faço!
Começou a martelar a parede. Iria desenhar a casa à sua maneira. Com o canto do olho, viu
Butch sorrindo, e imaginou que deveria estar fazendo um papel ridículo ante os operários, mas
precisava assegurar seus direitos logo no início.
Paul estava rubro de raiva. Jamais alguém o desafiara diante de seus homens, muito menos
uma mulher!
— Todos de volta ao trabalho!— ordenou, enquanto agarrava Danielle pela cintura e fazia-a
virar-se.
Os olhos azuis o encararam sem demonstrar medo, e Paul, não pôde deixar de ficar surpreso
com tanta determinação.
— Tudo bem, eu estraguei seus novos planos para a cozinha. — Vou derrubar a parede, como
deseja.
— Da próxima vez, trate de me consultar antes de iniciar uma parte da casa, Paul. — Vou
voltar para meu escritório agora e empacotar o material restante. — Vejo você amanhã de manhã.
Quando Danielle partiu, Butch deu um tapinha no ombro de Paul.
— Danielle Ford segurou-o pelo cabresto, companheiro.
— Não se iluda!
— Nunca vi um arquiteto falar assim com você, nem mesmo Victor Horton. — Como
Danielle conseguiu?
— Se eu soubesse Butch...
Paul continuou a martelar a parede.
—Encontrei o local ideal para a recepção de meu casamento, Danielle. — Vamos alugar um
iate em Marina Del Rey! — Lisa parou e olhou em volta. — Aonde vai com as suas coisas?
— Para meu escritório temporário no trailer da construção.
— Vai trabalhar ao lado de Paul Richards?
— Qual o problema?
— Nenhum! — Sabia que ia ficar caidinha por ele!
—Não estou! — Apenas preciso ficar de olho em Paul. — Mas o olhar de Lisa era malicioso.
— Certo! — Estou caída por Paul! — E daí? — Já me senti atraída por outros homens antes!
— Verdade? — Sem contar Kevin, que outro?
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Momentos Íntimos 31

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— Não me lembro dos nomes agora!
— Porque Paul é especial. — Admita! — Quer ficar no mesmo escritório com ele como
desculpa para vê-lo sempre!
— Quer fazer o favor de se concentrar nos seus planos de casamento e me deixar em paz?
— Mostre-me a brochura que trouxe.
Lisa obedeceu, e Danielle se admirou: a recepção do casamento da irmã seria em um iate
deslumbrante, ancorado na linda baía de Marina Del Rey, A foto mostrava mesas redondas cobertas
por toalhas de renda e pequenas velas em arranjos florais. A embarcação tinha bar, local para uma
orquestra e pista de dança.
— Você e Manny terão a festa mais romântica do mundo!
Lisa correu para a porta, gritando:
— Convide Paul para ir com você ao casamento! — E, antes que Danielle pudesse responder,
desapareceu.
Danielle parou de empacotar os objetos e deixou-se cair sobre uma cadeira. Lisa a conhecia
muito bem. Estava louca para convidar Paul para acompanhá-la. Mas não podia fazer aquilo. Paul
tinha forte personalidade, bom coração e era sexy, mas Danielle temia que não a colocasse em
primeiro lugar na sua vida. A meta principal de Paul era a sociedade com Harrington, e não
sentimentos românticos.
Voltou à tarefa, e recordou-se das mãos fortes em seus seios. Sorriu. Naquele momento, Paul
não pusera Harrington e o trabalho em primeiro lugar, pusera?
O som do telefone a sobressaltou.
— Danielle pode me encontrar amanhã na construção? — A voz de comando de Harwood
Harrington soou forte. — Tenho algo a discutir com você.
— Claro Sr. Harrington! — Até amanhã.
Danielle ficou inquieta. Será que o cliente já estava insatisfeito com seu trabalho? Não podia
alimentar pensamentos negativos. Iria provar que era a arquiteta ideal também para a biblioteca
infantil.
Paul dava braçadas nas águas frias do oceano Pacífico, à luz fraca do amanhecer. Tinha por
hábito, todas as manhãs, correr na praia e depois nadar um pouco, antes de a equipe chegar. Porém,
naquela manhã em especial, só tinha pensamentos para Danielle Ford. Ainda podia sentir o calor de
seus seios. Intensificou as braçadas em direção à praia, para afastar as fantasias eróticas.
Jamais deveria fazer amor com ela, que merecia um homem que se dedicasse à relação de
corpo e alma, e... Não era seu caso.
Caminhando pela areia, reparou em uma figura no alto da colina. Era Danielle, que o
observava, como um anjo, sua silhueta brilhando a luz do sol.
Paul desejou tê-la a seu lado na areia, mas logo se lembrou do porquê de ela estar ali tão cedo,
e correu para o trailer. Danielle invadia seu local de trabalho, essa era a verdade!
O sangue dela ferveu nas veias ao observar Paul subir á colina arenosa em direção ao local da
construção, e apressou-se a voltar para o trailer. Esperava que ele demonstrasse um pouco de
entusiasmo ao ver como arrumara tudo. Mal entrara, ouviu a porta abrir-se.
— Não a esperava aqui tão cedo — saudou Paul, olhando para a parafernália de caixas.
— Queria arrumar nossas coisas antes de você chegar.
Paul cheirava a água salgada. Danielle deslizou o olhar pelo tórax forte, que se movia com a
respiração entrecortada pela corrida colina acima, o calção delineando as pernas musculosas.
Engoliu em seco e tratou de falar em trabalho:
— Decidi colocar um corrimão de carvalho na escada principal, em vez de um de ferro.
— Interessante. — Parece uma ótima idéia! — Importa-se que tome um banho enquanto
conversamos?
— Vá em frente... — Danielle não ergueu os olhos da planta que examinava, reparando,
porém, que Paul deixara a porta do banheiro aberta.
— Nossa! — resmungou Paul lá dentro. — O que será que acontece com a torneira deste
chuveiro? — Está sempre emperrada!
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Momentos Íntimos 31

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Danielle mordeu o lábio, antes de perguntar se ele queria ajuda.
— Ah! — Enfim funcionou!
Danielle começou a fantasiar que deslizava as mãos pelo corpo musculoso, ensaboando-o.
Envergonhada com os próprios pensamentos, disse:
— Vou me encontrar com o Sr. Harrington hoje pela manhã.
— Já sei...
— Sabe?
Danielle sentiu o coração falhar uma batida. Será que Harrington contava tudo a Paul? Por
que ela não podia ter seu próprio relacionamento com o cliente? Como impressioná-lo com seu
talento de arquiteta se Paul estava sempre entre eles?
Ouviu cessar o barulho da água do chuveiro, relanceou o olhar para o short e a camisa limpos
sobre o sofá xadrez e imaginou se Paul pediria que levasse a roupa para ele. Incapaz de conter seus
pensamentos eróticos tratou de sair dali.
— Vou buscar umas coisas no carro, Paul.
Ele amarrou uma toalha em volta da cintura e saiu do banheiro. Não tivera a intenção de
embaraçar Danielle tomando banho enquanto ela estava ali, mas, afinal, tinha de mostrar-lhe que
não pretendia mudar seus hábitos por causa de sua presença, embora, debaixo do chuveiro, só
tivesse conseguido pensar no quão próximo estavam um do outro...
Vestiu o short e a camisa, secando os cabelos, Foi então que viu que Danielle guardara alguns
de seus papéis nos arquivos para fazer espaço para um computador e uma impressora. Estava
prestes a pôr tudo de volta no lugar quando notou a caneta florida e feminina. Pegou-a e deslizou os
dedos, como se acariciasse a própria Danielle. "Tudo bem! Se ela quer fazer umas mudanças aqui,
por que não?"
De repente, erguendo a cabeça, viu pela janela que Butch estava perplexo, segurando a trena e
medindo, com ar crítico, as dimensões da sala de jantar. Paul tinha absoluta certeza de que estavam
perfeitas. Junto a Butch, Danielle parecia em pânico.
— A sala de jantar está quase setenta centímetros menores, Butch! — Segundo meu projeto,
suas dimensões são de quatro e meio por quatro e meio, e não três e oitenta por quatro e meio!
Butch cocou a cabeça.
— Fiz as medidas de acordo com as instruções de Paul,
— Ele deve estar maluco!
De súbito, Paul estava ao seu lado.
— Volte ao trabalho, Butch! — Qual o problema, Danielle?
— Por que não seguiu as dimensões que especifiquei, em vez de resolver fazer a seu modo?
— Não fiz isso.
— Oh, não? — Então quem foi?
— O Sr. Harrington.
— E por que ele não me avisou antes? — Danielle sentiu um frio na espinha.
— Devia estar com pressa... Telefonou-me ontem à noite, dizendo que desejava ter uma
reunião com nós dois, e resmungou algo a respeito de aumentar a cozinha e diminuir a sala de jantar
em setenta centímetros.
— Harrington quer uma reunião com você também? — Danielle se aborrecia cada vez mais.
— Não se preocupe... — Paul tocou-lhe o braço, com gentileza. — A construção vai indo
bem, e sei que Harrington está satisfeito com seu trabalho.
Danielle sentia-se dividida entre o desejo de acreditar naquelas palavras e saber que Paul
pensava em proteger seus interesses também. Confusa, deu-lhe as costas, sem olhar por aonde ia.
Escorregou na lama e caiu de costas no solo úmido. De imediato, Paul a ergueu, preocupado.
— Machucou-se? — Quer que eu chame um médico?
— Estou bem, não se preocupe.
Mas, na realidade, não estava. Lama pegajosa escorria-lhe do corpo, e Danielle tateou o short
e o top ensopados, grudados na pele.
— Oh, não! — Minha reunião com o Sr. Harrington! — O que vou fazer?
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Momentos Íntimos 31

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— Tomar um banho! — Paul conduziu-a pela mão até o trailer.
— Mas preciso de roupas limpas!
— Dê-me o telefone de sua irmã. — Vou ligar para Lisa e pedir que traga o que for preciso.
Danielle sentiu-se agradecida e, enquanto Paul falava ao telefone, entrou no banheiro e fechou
a porta. "Cada vez que começo a me decepcionar com ele, Paul se redime..."
Sem perda de tempo, livrou-se das roupas grudentas. Podia sentir a lama seca sobre a pele.
Entrou no estreito boxe, puxou a cortina e tentou girar a torneira. Nada aconteceu. Torceu com
força, mas... A água não saía! Em breve o Sr. Harrington chegaria! Começou a dar socos na
torneira.
— Danielle, algo errado?
— O chuveiro não funciona, Paul!
Ele sabia o problema que era aquela torneira. Podia sentir o nervosismo de Danielle e, sem
pensar nem mais um momento, entrou no banheiro, abrindo, com um repelão, a cortina do boxe.
— Vou fazer funcionar...
Mas lá estava Danielle nua, a poucos centímetros do alcance de suas mãos. Os seios
majestosos, cor de marfim, projetavam-se pedindo para serem acariciados.
— Depressa, Paul! — O Sr. Harrington estará aqui a qualquer minuto!
Paul reparou no olhar dela, que procurava por uma toalha para cobrir-se, e recordou que usara
a única disponível, naquela manhã, e nem mesmo se lembrava de onde a deixara. Pegou uma chave
inglesa do cinto de ferramentas.
— Preciso entrar no boxe, Danielle. — Fez um esforço imenso para afastar o olhar do belo
corpo despido a seu lado.
— Claro... — Danielle se encostou contra os ladrilhos da parede, e Paul espremeu-se, dentro
do espaço estreito, sentindo o sangue latejar nas têmporas. Ansiava por largar a ferramenta é
acariciar Danielle. Virou com força a torneira e, de súbito um jato de água gelada caiu sobre ambos.
— Feche isso! — gritou Danielle.
— Estou tentando! — Estou tentando!
Paul percebeu que Danielle tentava sair dali, mas era impossível, com ele barrando-lhe a
passagem. A proximidade entre ambos fez com que o corpo de Paul reagisse, de forma violenta, ao
apelo sexual. Os olhos azuis o encararam, os lábios entreabertos. Por impulso, Paul a estreitou de
encontro ao peito, as mãos deslizando até as nádegas firmes. Danielle gemeu, aconchegando-se
mais e tentando baixar o short de Paul, que tremia de desejo.
De súbito, a voz abafada de Lisa interrompeu seus jogos eróticos:
— Danielle eu cheguei!
Ambos se separaram o olhar brilhante de paixão.
— Já estou indo, Lisa!
Com um gesto rápido, Paul pegou a chave inglesa e virou a torneira. A água quente, por fim,
jorrou. Saiu do boxe, e Danielle cerrou a cortina. Por um momento, Paul ficou ali parado, desejando
dizer alguma coisa, mas sem saber o quê. Passando a mão pelos cabelos molhados, suspirou e saiu
do banheiro.
Os olhos de Lisa arregalaram-se, surpresos, ao vê-lo surgir naquele estado. Ficou estática,
segurando um cabide com as roupas de Danielle.
— Problemas com a torneira... — explicou Paul, o rosto vermelho. — Tudo resolvido.
— Fico feliz em ouvir isso... — Lisa reprimiu um sorriso divertido.
Sentindo-se perturbado, Paul pegou um short limpo e saiu do trailer quase correndo.

CAPÍTULO CINCO
Danielle aumentou o jato de água fria, a fim de acalmar o corpo excitado. Os mamilos ainda
estavam rijos e todos os seus membros ansiavam pelo toque de Paul. Se Lisa não houvesse chegado
naquela hora, teriam feito amor? No íntimo, sabia que sim. Não importava o tipo de conflito que
tinha com Paul, pois, quando ficavam sozinhos, só pensava na paixão.
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Momentos Íntimos 31

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— Trouxe uma toalha de banho, roupas e um secador — anunciou Lisa, entrando no banheiro
e estudado o semblante de Danielle. — Vamos lá, irmãzinha, o que aconteceu entre você e Paul?
— Ele consertou mesmo a torneira? — O modo malicioso como Lisa enfatizou a última
palavra fez Danielle rir.
— Sem dúvida, ele tentou!
Lisa riu também, enquanto ajudava Danielle a secar os cabelos.
— Não imagina como o rosto de Paul estava vermelho quando saiu do banheiro! — Está
louco por você, Danielle!
— Acha mesmo?
— Tenho certeza de que, se você convidar, irá acompanhá-la ao meu casamento.
Mas antes que Danielle pudesse responder, ouviu a voz de Harrington do lado de fora.
— Boa sorte na reunião! — Lisa abraçou a irmã e apressou-se a sair.
Pela janela, Danielle viu-a cumprimentar Harrington e partir, apressada. Com gestos nervosos,
acabou de pentear-se e ajeitou o short azul e a camisa branca, respirando fundo diversas vezes para
adquirir tranquilidade. Tinha de mostrar a Harrington que podia confiar nela tanto quanto confiava
em Paul.
Paul apertou a mão de Harrington, com firmeza.
— Espero que goste do que fizemos até agora.
— Está tudo ótimo, Paul! — Por certo, você não me decepcionou. — O projeto de Danielle
parece estar se desenvolvendo como desejo. — Sem queixas sobre o trabalho dela também.
— Danielle é excelente arquiteta. — Paul sorriu, aliviado. — Fez a escolha certa ao conservála. — É brilhante, criativa e...
— Acha agradável tê-la em sua companhia? — perguntou Harrington, de supetão, pegando
Paul desprevenido.
— Sim, acho.
Harrington fez um gesto, como se pressentisse que o relacionamento entre Paul e Danielle
estivesse evoluindo para um estágio além do profissional.
Trêmula, Danielle saiu do trailer. O que será que Paul estava dizendo ao Sr. Harrington? Por
acaso estaria contando sobre os conflitos que tinham tido a respeito da construção? Afastou aquele
pensamento, lembrando-se da proximidade apaixonada que haviam compartilhado no chuveiro.
— Tenho vários desenhos novos para lhe mostrar — anunciou, aproximando-se de
Harrington. — Talvez o senhor já possa escolher os acessórios para o banheiro principal ainda hoje.
— Na verdade, Danielle — começou Harrington, de cenho franzido —, a razão por ter
solicitado uma reunião com você e Paul hoje é para contar que algo de novo sucedeu. — Não terei
mais tanto tempo para dispor na construção de minha casa.
— Como assim? — Nervosa Danielle procurou o olhar de Paul.
— Minha esposa está grávida. — O semblante de Harrington se abriu, radiante.
— Que maravilha! — Danielle se entusiasmara com a novidade, mas estava incerta quanto ao
ponto aonde Harrington queria chegar.
— Parabéns! — exclamou Paul.
— Estou radiante por ter minha própria família — prosseguiu Harrington. — Todos os casais
apaixonados deveriam ter a sua!
— Concordo... — Por um segundo, Danielle desejou estar casada com Paul e que aquela casa
fosse deles e de seu bebê.
— Porém, estou com um problema. — Harrington baixou o tom de voz. — O médico nos
alertou de que a gravidez de minha esposa é de risco e que poderá abortar se não tomarmos muito
cuidado.
— Lamento... —Danielle sentia-se consternada, lembrando que Lisa lhe contara quanto
Harrington desejava um filho.
— Não posso arriscar perder essa criança. — O médico aconselhou minha esposa a ficar de
cama, e desejo passar cada momento livre em sua companhia. — Portanto, gostaria que você e Paul
escolhessem os acessórios por mim.
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Momentos Íntimos 31

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Paul sentiu-se desconfortável.
— Sr. Harrington, farei qualquer coisa para ajudá-lo, mas, na verdade, sou ótimo com martelo
e chave de fenda, porém escolher banheiras e pias não é meu forte...
— Faremos isso! — interrompeu Danielle, evitando que Paul estragasse sua oportunidade de
ajudar Harrington ao máximo. — Poderei me encontrar com o senhor de vez em quando para ter sua
aprovação sobre cada item?
— Não será necessária, Danielle. — Já estou muito bem impressionado com a obra até agora.
— Seu bom gosto e meticulosidade já provaram que sabe o que desejo.
— Estou tão contente que esteja gostando, Sr. Harrington! — Olhou para Paul, que sorria de
satisfação também.
— Já que você e Paul parecem estar se dando tão bem, gostaria de pedir que ambos
escolhessem os complementos juntos.
— Sou um solteirão, Sr. Harrington... — Paul não sabia onde enfiar as mãos. — Nada entendo
do gosto de um homem casado.
— Paul vai aprender. — Tudo sairá a contento, esteja certo!
O semblante de Harrington pareceu relaxar.
— Maravilhoso Danielle! — Acho que sua irmã tinha toda razão a seu respeito: é muito
competente e está sempre pronta a adivinhar as necessidades de seus clientes.
— Obrigada, senhor. — Danielle sentia ímpetos de abraçá-lo, e acompanhou-o até a
Mercedes, radiante pelo fato de, afinal, ter conquistado sua confiança.
Depois que Harrington partiu, voltou-se para Paul, mas ele não estava mais por perto. Subira
ao segundo andar da construção, e conversava com Butch.
Danielle sentiu o entusiasmo diminuir. Sabia que a ideia de escolher torneiras e porta-toalhas
ia contra a vontade de Paul, mas também aquilo não era motivo para evitá-la. De repente, julgou
perceber a verdade: Paul fizera questão de dizer a Harrington que era um solteirão convicto,
destruindo assim seus sonhos de torná-lo o homem certo para casar. A indireta velada que lhe
lançara ao conversar com Harrington, jogara um balde de água fria em suas esperanças.
Desapontada, voltou ao trailer para mergulhar no trabalho.
Paul podia sentir o desapontamento de Danielle, mesmo de longe.
"Ela sabe que você nunca se casará", pensou, e aquela conclusão a magoara, pois, era óbvio,
estavam se aproximando muito um do outro. "Paul Richards, só sabe causar sofrimento as pessoas
de quem se aproxima!" O suor empapava sua camiseta, e seus olhos ardiam, o sol fulgurante bem à
frente. Sem querer, martelou um dedo. Sentiu uma dor aguda, mas não gritou. Continuou a martelar
aceitando aquilo como um castigo.
Durante os dias que se seguiram, Paul sentiu um cansaço que nunca experimentara antes.
Danielle mantinha-se afastada, trabalhando no trailer. Deixara um recado por escrito com o
dia e á hora em que iriam começar a procurar os artigos pedidos por Harrington em showrooms.
Quando estavam juntos, Paul tinha vontade de explicar porque era incapaz de pensar em
casamento. Desejava contar que sempre fora uma pessoa solitária e não sabia o que era ter uma
família. Entretanto, como de hábito, nada dizia.
Na noite anterior à visita ao showroom, Paul sentou-se à porta de seu chalé em Santa Mônica,
comendo frango congelado e mal sentindo o gosto. De que maneira poderia ir escolher os
acessórios para os banheiros de Harrington? Como se fosse casado com Danielle? Não fazia a
menor ideia do que um marido dizia ou desejava naquelas ocasiões.
Quando o telefone tocou, apressou-se a atender, desejando que fosse Harrington para poder
dar uma desculpa e não ir escolher os complementos. Entretanto, uma voz familiar soou do outro
lado da linha.
— Skip?
— Lucky? — É você? — Paul sentiu uma grande euforia. Apenas uma pessoa no mundo o
chamava de Skip: seu amigo de infância: Lucky.
— Skip, por onde tem andado? — Tenho movido céus e terras para encontrá-lo!
— Nem posso acreditar que seja você, Lucky!
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Momentos Íntimos 31

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Paul ria, satisfeito. Seu grande amigo só lhe trouxera sorte quando precisara dele. Era para a
casa de Lucky que corria sempre que a madrasta ficava gritando que ele só lhe trazia sofrimento e
problemas. Era o amigo quem o animava dizendo que a madrasta estava errada, e que Paul não era
um perdedor.
— Skip, eu estou morando em Nova York, mas vou me mudar para Los Angeles para me
casar.
— Pensei que tínhamos feito um pacto de sempre permanecermos solteiros, Lucky!
— Quando se encontra a mulher certa, os planos mudam...
Ouvindo aquelas palavras, a imagem de Danielle surgiu diante dos olhos de Paul.
— Sua noiva deve ser muito especial para tê-lo feito mudar de ideia. — Paul foi com o
telefone até a janela do chalé e ficou olhando as palmeiras ondulando com a brisa noturna.
Danielle era o tipo de jovem com quem poderia se casar... Se fosse o tipo de homem que se
casa.
— Quero que seja meu padrinho, Skip,
— Francamente! — Você consegue-me ver todo engomado dentro de um terno?
— Claro que sim!— Lucky soltou uma gargalhada. — Precisa praticar para quando seu dia
chegar.
— Nem pense nisso... — Paul ansiava por contar sobre Danielle, mas não conseguia.
— Ora! — Só precisa encontrar a garota certa que traga amor à sua vida. — Preciso ir agora,
Skip, — Ligo para você depois.
A imagem de Danielle continuava rondando os pensamentos de Paul. Será que ela era a
mulher certa? Estava confuso. Se Lucky se apaixonara e ia se casar, por que o mesmo não poderia
lhe acontecer também?
Os músculos de Paul enrijeceram. Como podia se comparar a Lucky? O amigo tivera o
aconchego de um lar. Paul vivera em meio à frieza. Apenas uma vez na vida o vazio interior, por um
momento, o abandonara: fora quando conhecera Danielle Ford.
Sentada ao lado de Paul na caminhonete, Danielle sentia-se muito perturbada com a
proximidade. Tentara tanto agir apenas como profissional nas últimas semanas... Precisava ficar se
lembrando o tempo todo de que Paul não compartilhava seus sonhos de ter um relacionamento
sério. Por que forçá-lo a agir como homem casado se não tinha tal aptidão?
— Sei que não se sente à vontade com essa historia de escolher peças de banheiro —
começou Danielle, relutante. — Prefere que vá sem você?
— De jeito nenhum! — O olhar de Paul estava cheio de calor. — Estamos trabalhando juntos,
somos uma equipe. — Além disso, vivo sonhando com diferentes modelos e cores de privadas.
— Claro que sonha! — Danielle sorriu ante aquela brincadeira.
Paul estacionou diante do showroom LaVente, em Santa Mônica.
Tentou pensar como um homem casado, pois as palavras de Harrington ficavam martelando
em seu cérebro: "Escolham acessórios que um casal escolheria... Um casal... Um casal...".
Seu coração estava aceitando a ideia de se casar com Danielle, mas por que razão algo dentro
de si insistia em dizer que estava destinado a ser sempre um solitário?
A enorme loja estava repleta dos mais variados modelos de pias e banheiras de
hidromassagem nas mais variadas cores.
Ao entrarem, Danielle pôde sentir a tensão de Paul. Uma vendedora idosa aproximou-se
deles.
— Estão redecorando seu banheiro?
— Estamos construindo nossa casa. — Somos recém-casados.
— Que lindo! — Que estilo tem em mente?
— O mais romântico e sensual. — Danielle passou o braço pelo de Paul, tentando criar o
clima que o Sr. Harrington pedira.
— Deixem-me mostrar-lhes nossa linha mais bonita. — A vendedora passou a conduzi-los
pelos corredores.
Ao sentir que Paul hesitava, Danielle sussurrou:
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Momentos Íntimos 31

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— Relaxe e finja que sou sua esposa.
— Assim? — Com suavidade, Paul enlaçou-lhe a cintura, e foi á vez de Danielle ficar sem
jeito.
Paul sentou-se ao lado de Danielle em um banco de madeira, segurando um cachorro-quente
com mostarda e molho. Estavam em frente à praia, e as ondas iam e vinham, crianças corriam e
erguiam castelos de areia. Por um segundo, Paul imaginou que Danielle era mesmo sua mulher e
que lá estavam os dois, aproveitando o sol, o mar e a companhia um do outro.
Naquele instante, um balão amarelo bateu de leve no ombro de Paul, voando para longe. Um
garotinho preocupado saiu correndo atrás. Sem hesitar, Paul entregou o lanche para Danielle, e saiu
em auxílio da criança, segurando o balão antes que voasse para o oceano. Entregou o brinquedo ao
garotinho, que ficou muito contente.
— Você foi um anjo com aquele menino. — Danielle encostou-se nele quando voltou a
sentar-se no banco.
— Crianças são maravilhosas. — Paul deu uma mordida no sanduíche, observando o
menininho saltitando, feliz, ao lado dos pais.
— Quero ter três filhos — confessou Danielle, hesitante. — E você?
O coração de Paul encheu-se de tristeza. Levantou-se, encostando-se na balaustrada.
— Não nasci para constituir uma família.
Danielle foi á seu encontro, perguntando, com voz meiga:
— Por que não, Paul?
— Uma criança precisa de um pai que a ame e esteja sempre á seu lado. — Não tenho as
qualificações para o cargo.
— Tem, sim! — Seria um pai maravilhoso. — É carinhoso, amoroso e responsável.
Paul encarou-a, surpreso. Danielle estava dizendo coisas que mulher alguma jamais lhe
dissera. Desejou abraçá-la, confessar o que sentia, mas algo em seu íntimo o deteve. Olhou ansioso,
para o relógio.
— Butch está a nossa espera. — É melhor irmos.
Mais tarde, naquela noite, enquanto voltava só para casa, em vez de ir em direção ao chalé,
Paul viu-se entrando na Rua em Santa Mônica onde morara com a madrasta. Não passava por ali
desde que fugira de casa, ainda adolescente.
Dirigiu mais devagar ao chegar a frente à velha residência cinzenta. Por um segundo, pareceulhe vê-la na janela principal, e sentiu um frio no estômago. Um desejo louco quase o fez subir os
degraus e perguntar a ela por que nunca o amara, por que jamais desejara sua presença. Porém,
acelerou e foi embora.
Nas semanas seguintes, Danielle sentiu Paul muito quieto e distante.
Durante o horário de almoço, Danielle o via comendo sanduíches com Butch. Paul sempre
perguntava se desejava juntar-se a eles, mas ela sentia que o fazia por polidez e que, na verdade, não
queria aproximações. Danielle se recriminava por ter sido tão afoita. Por sorte, podia também se
ocupar com os arranjos de Lisa para o casamento. Nada contara à irmã sobre o esfriamento de sua
relação com Paul, pois não desejava estragar a alegria de Lisa, que, em breve, iria visitar Manny em
Nova York.
Na noite do embarque, Danielle ficou no terminal do aeroporto de Los Angeles junto à irmã.
— Está levando o secador de cabelos? — E escava de dentes, Lisa?
— Pare de se preocupar! — Chequei cada item da lista que você fez. — Toma conta de mim
muito bem!
— Dê minhas lembranças a Manny. — Danielle abraçou Lisa, com carinho.
— Sonhou com Paul Richards ontem à noite?
Danielle sentiu as faces pegando fogo.
— Como sabe?
— Você fala quando dorme...
— E o que eu disse? — Danielle arregalou os olhos, horrorizada.
— "Eu te amo, Paul." — Repetiu inúmeras vezes. — Lisa deu um beijo na irmã e desapareceu
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Momentos Íntimos 31

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no portão de embarque, ao ouvir o último chamado.
Danielle voltou para o estacionamento, confusa. Por que dissera aquilo mesmo em sonho?
Paul queria permanecer solteiro...
Ao lado de Butch, Paul olhava chocado e com raiva, para o cadeado arrombado no portão do
canteiro da construção.
As molduras das janelas, novas em folha, tinham desaparecido, assim como as luminárias que
seriam colocadas no dia seguinte. A banheira oval também desaparecera!
Paul descobrira logo o roubo, pois tivera de voltar para pegar alguns papéis que esquecera. De
imediato, chamara Butch.
— Meu Deus! — Levaram as serras elétricas, o martelo mecânico e os compressores!
— Como vamos continuar o trabalho, Paul?
— Não sei... — Ele se sentia muito mal.
Prometera a Harrington entregar a casa na data combinada. Como fazer agora?
Em meio à escuridão, ouviu o som de um carro se aproximando. Sabia que era Harrington,
pois o chamara assim que constatara o roubo. Butch se afastou.
— Vejo você pela manhã, Paul.
Harrington aproximou-se, com o rosto apreensivo.
— Qual o montante dos danos, Paul?
— Minha seguradora pagará por tudo, senhor. — Entregou-lhe uma lista dos itens, que já
preparara.
Enquanto Harrington relanceava os olhos pelo papel, com o olhar infeliz, Paul viu Danielle,
que chegava e trocava algumas palavras com Butch, antes que o mestre-de-obras desaparecesse na
motocicleta.
Os olhares de Paul e Danielle se encontraram, preocupados, e, de um modo misterioso, Paul
sentiu certo alívio por tê-la a seu lado naquele instante difícil.
Danielle aproximou-se e, num impulso, segurou-lhe a mão.
— Sr. Harrington, não se preocupe. — Conheço o fabricante das janelas. — Conseguirei
molduras novas em dois dias, e instalaremos outra banheira num piscar de olhos!
— Não, Danielle. — Quero adiar o final da construção. Danielle abriu a boca, perplexa.
— Sr. Harrington, não pode desistir agora! — Investi tanto tempo e esforço nessa casa!
— Não tenho mais ânimo. — O rosto de Harrington denotava cansaço. — Acabei de comprar
terras para um importante projeto comunitário, e minha esposa está tendo dificuldades com a
gravidez. — Terei de terminar a casa de meus sonhos mais tarde.
— Sr. Harrington — argumentou Paul —, quando se para uma obra, em geral o trabalho
nunca mais é completado...
— Sei disso, mas não posso ficar vinte e quatro horas por dia me preocupando se haverá
novos problemas!
— Não precisará se preocupar! — Vou estar no trailer vinte e quatro horas até a obra
terminar! — apressou-se a dizer Danielle. — Há um quarto e telefone lá dentro. — Se algum
problema ocorrer, poderei tomar medidas imediatas. — Sr. Harrington, amo este projeto!
— Prometo: não haverá mais atrasos! — Garanto que a obra será completada no prazo
previsto, sem problemas.
Harrington hesitou, olhando para Paul, que comentou: — Não pode ficar no trailer ela
sozinha.
Mas Danielle não estava disposta a deixar Paul interferir em seus planos. Ele teria sua
sociedade com Harrington de qualquer maneira, ao passo que ela nada teria, caso a residência do
casal não fosse terminada.
— Por favor, confie em mim, senhor. — Eu consigo!
Harrington olhou para a construção com olhos cheios de emoção. Danielle sabia quanto ele
amava aquela casa.
— Ficarei morando com Danielle — decidiu Paul, de repente.
Danielle prendeu a respiração. Morar ali com Paul? Estava confusa e desesperada. Seus
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Momentos Íntimos 31

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olhares se encontraram. Estaria Paul se prontificando a fazer aquilo porque também gostava dela?
Ou seria apenas uma maneira de sedimentar sua sociedade com Harrington?

CAPÍTULO SEIS
— Ótima ideia, Paul! — Com vocês dois na obra dia e noite, a casa poderá ser terminada
antes do prazo. — Isso é claro, se Danielle concordar.
Danielle vivia um dilema: como mudar-se com Paul para o trailer.
Entretanto, se dissesse que não ao Sr. Harrington, poderia dizer adeus a seus projetos.
— Claro! — Sem problemas! — ouviu-se exclamando, sabendo que não podia correr o risco
de perder o trabalho da biblioteca e Paul, tudo ao mesmo tempo.
— Obrigado, Danielle! — E saiba que nunca esqueço um favor que me fazem! — Harrington
apertou a mão dos dois com entusiasmo, e Danielle sentiu as esperanças renovadas.
Por sua vez, Paul estava em choque. Morar com Danielle? Mas, quando se recuperou, viu que
ela já partira em seu carro. Harrington deu-lhe um tapinha no ombro.
— Agradeço pela ajuda, Paul. — Agora poderei me concentrar em minha esposa e nos outros
projetos. — Aliás, já falei com Victor Horton e disse que você o recomendou para arquiteto. — Só
falta agora conseguir o resto do financiamento e começar a construção.
Mas Paul mal o ouvia, pensando, desesperado, em como sobreviver ao convívio de Danielle
sob o mesmo teto. Por que tivera de ser tão precipitado? Morava sozinho desde os dezessete anos.
Como dividir seu espaço com outra pessoa, ainda mais ela? Danielle tinha o estranho poder de
fazê-lo se abrir em confidencias, e aquilo o tornava vulnerável. Morando juntos, acabaria por se
entregar de corpo e alma. E, pior ainda, sabia que a atração era recíproca.
Já em casa, Danielle segurava o telefone, olhando para a mala aberta sobre a cama, com
camisolas, shorts, saias e tops.
— Lisa, eu acho que cometi um erro terrível!
— Por que tem dúvidas? — perguntou Lisa, de Nova York. — Está salvando seu emprego e
abrindo caminho para falar com Harrington sobre a biblioteca.
— Sim, mas jamais deveria ter proposto ir morar no trailer! — Talvez devesse ligar para
Harrington e...
— Tem medo de se apaixonar por Paul?
— Sim. — E não é mesmo um risco grande? — Ele é um solteirão irredutível, não quer saber
de casamento.
— Não vê que oportunidade maravilhosa conseguiu Danielle? — Vai dividir todo o espaço
com Paul! — Por que não aproveitar para fazê-lo perceber como seria ótima a vida de casado?
— Com que tempo? — Preciso terminar a obra e trabalhar no outro projeto!
— Use sua criatividade, irmãzinha! — Querida, Manny está me chamando. — Preciso
desligar. — Mal posso esperar para me tornar esposa dele!
Danielle desligou, com gesto automático. E se acabasse se entregando a Paul? Será que ele
iria traí-la, como Kevin fizera?
— Morar com Danielle Ford? — Vai ver só: ela irá mandar em você!
— Errado, Butch. — Paul arrumou o barbeador, creme e a escova de dente na estreita
prateleira acima da pia. — É um acordo de negócios.
— Verdade? — Butch riu. — E quem fica com a cama?
— Danielle.
— Viu? — Ela já está dando ordens como se fosse sua mulher!
— Ridículo! — Paul colocou de qualquer jeito as meias e cuecas na gaveta inferior do
armário do quarto.
— Veja — observou Butch, abrindo as de cima. — Estas gavetas estão vazias, são as
melhores, mas você, por instinto, deixou-as para Danielle!
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Momentos Íntimos 31

- Falsa Lua – de - mel - Patty Salier

— É temporário. — Paul estava ficando nervoso com aquela conversa. — Quando a casa de
Harrington ficar pronta, cada um voltará para o seu canto.
Nesse instante, ouviu o som do carro dela chegando e, olhando pela Janela, viu-a abrir o
porta-malas, sentindo as mãos geladas e a garganta seca.
— É temporário... — Butch estava cético. — Também pensei que ia ficar pouco tempo em
Los Angeles e já moro aqui há vinte anos.
Danielle retirou duas malas, quase estourando de tão cheias, e três sacolas de compras
abarrotadas. Viu Butch sair do trailer e partir na motocicleta. Sabendo que ia ficar frente a frente
com Paul, teve ímpetos de jogar tudo de volta no carro e ir embora, mas... Paul apareceu, e o olhar
sensível e carinhoso que lhe dirigiu fez o sangue de Danielle ferver nas veias. Lembrou-se de que ia
passar a noite com ele, a sós...
Os braços musculosos de Paul seguraram a bagagem, levando-a para dentro.
— Você fica com a cama, e eu durmo no sofá.
— Não, por favor, Paul!
— Danielle, a cama é mais confortável...
— Mas você é mais alto, e o colchão acomoda melhor.
— A cama é sua! — decidiu Paul, finalizando a discussão.
Foi então que uma das malas se abriu, e os pertences de Danielle se espalharam pelo chão. Ao
abaixar-se para pegá-los, Paul segurou a camisola branca, transparente, com a qual a vira debruçada
na varanda do apartamento.
— Desculpe-me pela bagunça— ele gaguejou, entregando-lhe a delicada peça de roupa.
Danielle segurou-há, um pouco sem jeito e, de supetão, perguntou:
— Lembra-se da noite em que o convidei para jantar em minha casa? — Pode parecer
estranho, mas tive a impressão de ter visto sua caminhonete quando fui à varanda mais tarde.
O rosto de Paul ficou em fogo. Como mentir?
— Na verdade, estive lá, pensando sobre a vida, e, de repente, você surgiu.
— Em que pensava parado perto do prédio onde moro?
— Em fazer amor com você. — As palavras de Paul irromperam, sem querer, e as faces de
Danielle enrubesceram os lábios entreabertos.
— Por que se mudou para cá comigo, Paul?
— Queria ficar com vo... — Interrompeu-se. Qual o objetivo de alimentar ilusões? — Queria
acabar a casa de Harrington a qualquer custo.
Viu o desapontamento no rosto de Danielle e irritou-se por não ser capaz de externar o que
sentia.
— Vou correr um pouco enquanto você desfaz as malas.
Danielle desejou dizer que lamentava ter sido tão indiscreta. Sabia que Paul era introspectivo
e que mantinha as emoções escondidas. Por que estragar tudo?
Ao arrumar a roupa, percebeu que Paul deixara para ela as gavetas mais fáceis de abrir, um
sinal de boas-vindas. Por que tivera de fazer perguntas íntimas? Seu primeiro dia juntos, e já
causara mal-estar!
Desejou ir atrás dele, mas não era uma corredora. Ao mesmo tempo, não aguentava ficar nem
mais um minuto naquele trailer minúsculo. Com gestos rápidos, despiu o top ensopado de suor e o
jeans, vestindo um biquíni. Saiu e desceu a colina até a areia branca da praia de Malibu, para
esperar por Paul. Não sabia como agir, nem o que lhe dizer.
Paul aumentou o ritmo da corrida à beira da praia. Por que não conseguia contar a Danielle o
verdadeiro motivo que o apressara a concordar com a ideia de morarem juntos? É claro, desejava
manter as portas abertas para a sociedade com Harrington, porém, mais importante: queria ficar
perto dela, que era como uma força vital em sua vida. Por que não conseguia se entregar?
Ao voltar, vislumbrou Danielle molhando os pés na água do mar, o biquíni deixando entrever
os seios firmes, as pernas e nádegas bem torneadas. Acelerou o passo ao seu encontro e, ao vê-lo,
Danielle apenas sorriu e entrou na água, mergulhando na primeira onda.
Paul retirou os tênis, as meias e, de short, mergulhou também nas águas frias. Um pouco
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Momentos Íntimos 31

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adiante, surgiu Danielle, que o encarou, os seios redondos delineados sob o tecido molhado do
biquíni, os cabelos escuros brilhando ao sol. Paul aproximou-se, e ela jogou água em seu rosto,
dando uma risada, e fazendo-o entrar na brincadeira.
De repente, a parte de cima do biquíni se soltou e foi levada pelas ondas.
— Estou nua! — exclamou Danielle, ainda rindo.
— Vou buscar!
Paul esforçou-se para ser ouvido em meio ao barulho das ondas. Uma delas, muito grande, os
atingiu, em cheio, e ambos submergiram. Ao voltarem à tona, Paul ficou frente a frente com os
olhos azul-turquesa, o seio de Danielle à mostra, brilhantes e convidativos, e todo seu corpo vibrou
de desejo. Com um gesto rápido, puxou-a para seus braços e, enquanto uma nova onda os atingia,
suas bocas se encontraram, fazendo-o sentir gosto de sal e mel, o corpo trêmulo de Danielle colado
ao seu peito. Mergulhou o rosto entre os seios molhados. De repente, ouviu uma voz na beira da
praia. Voltou-se e viu Butch, agitando os braços para chamar-lhe a atenção. Paul se esquecera da
reunião que marcara naquele dia!
Olhou para Danielle, que mergulhou de imediato na água, segurando com as mãos os seios
despidos.
— Desculpe-me... Esqueci que Butch estava para chegar. — Desesperado, Paul tentava
protegê-la das vistas do companheiro. — Vou afastá-lo daqui! — Espere Danielle!
Sem saber como agir, Paul dirigiu-se para a areia, zangado por ter deixado seus desejos
abafarem o bom senso, mais uma vez. Esquecera, de novo, que estavam apenas trabalhando juntos e
que Danielle precisava na vida afetiva, de um homem que desse á ela estabilidade emocional. E que
aquele homem não era ele.
Com as ondas batendo sem parar. Danielle esperou até que Paul e Butch desaparecessem
colina acima, e, cobrindo os seios, correu para a beira da praia. Sentindo uma alegria incontida,
pois, embora nenhum dos dois tivesse dito nem sequer uma palavra, Paul abrira seu coração para ela
ao mergulhar o rosto entre seus seios e abraçá-la com força. Teriam feito amor se Butch não tivesse
aparecido? No íntimo, sabia que teriam se entregado, sem-reservas, um ao outro.
Correndo pelo caminho que levava ao trailer, Danielle percebeu aliviada, que Paul mantivera
a promessa: a caminhonete e a motocicleta de Butch haviam desaparecido. Danielle apressou-se em
entrar e tomar um banho rápido, antes que eles voltassem.
Mal acabara de se vestir, e o telefone tocou.
— O que descobriu Lisa? — Ansiosa, ligou o computador, acionando seu projeto da
biblioteca infantil.
— Amanhã de manhã o Sr. Harrington vai se encontrar com duas pessoas que poderão
financiar a biblioteca. — E adivinhe quem foi convidado para a reunião.
— Paul? — O coração de Danielle martelava.
— Harrington quer que ele seja o empreiteiro da obra!
— Que ótimo! — E já escolheu o arquiteto também? — Danielle sentia os pulsos latejarem.
— A secretária não sabe. — Disse que Harrington deve passar as próximas semanas ocupadas
em levantar fundos para a construção.
Danielle sentiu as energias voltarem. Com Paul envolvido no projeto, talvez tivesse uma
chance maior de conseguir o cargo. Sabia que ele iria interceder por ela do mesmo modo que a
apoiara na obra da casa.
— Lisa, eu só tenho poucas semanas para finalizar meu projeto!
— Dê tudo de si mesma, mas não se esqueça de vir me buscar no aeroporto, amanhã à tarde.
Danielle desligou o telefone e sentou-se, ali permanecendo por várias horas. Já era tarde, mas
Paul ainda não regressara.
Foi até a janela e olhou para a noite escura. Por um segundo, sentiu um medo terrível de que
Paul não voltasse naquela noite. Será que condenara aquela intimidade entre eles?
Desligou o computador, muito cansada para continuar a trabalhar e, tentando não ficar
agoniada com a solidão, entrou no banheiro, segurando a camisola branca.
Ao estacionar a caminhonete junto à construção, Paul lutou contra os próprios sentimentos
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desencontrados a respeito de passar a noite com Danielle, olhando para a luz que vinha do interior
do trailer. Como poderiam dormir naquele espaço tão pequeno sem fazer amor?
Durante toda aquela tarde, enquanto trabalhara com Butch, tentara afastar Danielle dos
pensamentos. Deveria ter ficado eufórico quando Harrington pedira que comparecesse ao escritório
na manhã seguinte. Iriam se encontrar com dois filantropos que estavam pensando em fornecer
fundos para a biblioteca das crianças.
A sociedade de Paul com o Sr. Harrington estava muito próxima de tornar-se realidade, mas
não conseguia se concentrar no importante encontro do dia seguinte. Tudo em que pensava, no
momento, era como iria vencer toda aquela noite ao lado de Danielle.
Desceu da caminhonete, pensando se não seria melhor pegar um cobertor e acampar na praia.
Censurou-se, pois estava ali vigiar a construção.
Ansioso, abriu a porta do trailer e viu Danielle saindo do banheiro, sentindo no olhar dela
como estava alegre por vê-lo de volta. Paul deslizou os olhos para a camisola transparente que
refletia a luz, revelando os mamilos enrijecidos.
— Tudo bem, Paul? — Você demorou tanto...
Danielle tinha o poder de sempre fazer com que sentisse que voltava para casa e que era
amado e esperado.
— Tinha de terminar de contratar o resto do pessoal para acabar a construção.
— É verdade... — Danielle parecia estar com a mente muito longe do trabalho. — Boa noite.
— Durma bem.
Paul despiu-se, estirando-se sobre o barulhento sofá xadrez. Imaginou a camisola transparente
revelando as pernas de Danielle, o lindo corpo feminino sob o lençol. "Não vou conseguir dormir",
disse para si mesmo. Levantou-se, abriu a geladeira e tomou um gole de leite frio, direto da
embalagem, tentando ignorar os sons que vinham do quarto, mas, logo em seguida, seus passos o
levaram naquela direção. "Se pudesse, ao menos, abraçá-la por alguns minutos..." A mão de Paul
alcançou a maçaneta da porta. "Não deve fazer isso! Danielle precisa de muito mais do que você
pode lhe oferecer!"
Frustrado, voltou ao escritório e ficou olhando para o sofá desconfortável e solitário. Não
aguentava ficar nem mais um minuto ouvindo os sons de Danielle movimentando-se e manter-se
longe dela.
Parou junto à saída, sentindo o ar frio da noite sobre o corpo semidespido. Não se importava.
Saiu, fechando a porta.
Danielle sentou-se na cama ao ouvir o som da porta. Tinha certeza de que ouvira os passos de
Paul até o quarto. Por que não entrara? Ardia de desejo por ele!
Foi até o escritório e olhou pela janela. Paul estava de pé, na escuridão. Quis chamá-lo e
convidá-lo a irem para a cama juntos, porém, em vez disso, voltou para o quarto. Tinha de ir mais
devagar, apesar da ansiedade.
Adormeceu quando o ouviu entrar de novo, imaginando os braços fortes enlaçando-a, as mãos
acariciando sua pele nua...
Na manhã seguinte, Paul deixou o trailer sem fazer barulho.
Dirigiu para o escritório de Harrington muito cedo, mesmo tendo passado a noite em claro.
Precisava terminar a casa, apesar do tormento que era viver ao lado de Danielle sem poder
tocá-la.
Entrou na garagem do prédio e, com a pasta contendo o estudo de custos da biblioteca infantil
sob o braço, pegou o elevador até o décimo quinto andar.
— Paul Richards... — Na sala de reuniões, Harrington levantou-se da mesa de carvalho a fim
de cumprimentá-lo.
— Quero que conheça o Sr. Mulhoney, dos Aços Pierce, e o Sr. Claven, da Corporação
Dynaform.
Paul apertou com firmeza a mão dos filantropos.
— Senhores — começou Harrington—, Paul é um excelente empreiteiro e garante que os
preços apresentados não serão alterados ao longo da construção. — Voltando a sentar-se, virou-se
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para Paul. — Já tem alguns dados para nos apresentar?
Paul mostrou os papéis que trouxera e, enquanto os homens examinavam com atenção, voltou
a pensar em Danielle, desejando que estivesse ali á seu lado.
Pela primeira vez, não se sentia totalmente seguro em uma reunião de negócios.
— Excelente Paul! — Trouxe o currículo de Victor Horton? — Harrington devolveu-lhe o
projeto e voltou-se para os senhores.
— Paul recomendou-me um arquiteto muito talentoso com quem já trabalhou. — Aliás, se
tudo correr bem, Horton fará parte de nossa sociedade.
Com gestos rápidos, Paul procurou pelo currículo, mas lembrou-se de que o deixara no trailer.
— Lamento, mas não o trouxe... — Sentia-se frustrado. Não desejava que nada estragasse
aquela reunião e o entusiasmo de Harrington a respeito da sociedade.
— Por que não telefonamos para Victor agora mesmo? — sugeriu Harrington.
Paul assentiu, e deixou uma mensagem no bip de Victor. Enquanto aguardavam sua resposta,
desejou gritar, em alto e bom som, que aquele arquiteto não era seu preferido. Entendia, agora, que
Victor Horton não era mais o melhor arquiteto a seus olhos, e sim Danielle Ford. Ficou ouvindo o
Sr. Harrington tecer mil elogios a Victor e, quanto mais ouvia, mais crescia o desejo de protestar.
Porém, o que fazer? Harrington já escolhera e, se Paul, de repente, o contradissesse diante dos
filantropos, poderia prejudicar o andamento dos negócios.
Segundos depois, o telefone tocou.
— Olá, Victor — saudou Harrington. — Como já lhe disse Paul Richards o indicou como
arquiteto para minha biblioteca, e alguns patrocinadores aqui presentes gostariam de ouvir suas
ideias sobre a obra.
Quando Victor começou a falar, Paul sentiu-se tão mal que precisou levantar-se. Ficou junto à
janela, tentando dominar o tumulto interior que o invadia.
Danielle estava sentada diante do computador, só de sutiã e calcinha. Ainda não tivera tempo
de se vestir, pois precisava adiantar o projeto da biblioteca infantil, caso Paul trouxesse o assunto à
baila ao voltar da reunião com Harrington. Estranhara o fato de ele ter saído sem se despedir, mas,
ao mesmo tempo, recriminava-se por querer que Paul agisse como se fossem um casal. Não tinha
nenhum direito de fazer exigências.
Levantou-se para pegar um copo de suco gelado, e notou que a embalagem de leite estava
aberta. Sorriu, lembrando que Paul nunca fechava nada. Era uma de suas manias que já conhecia.
Notou camisas e shorts espalhados no chão. Paul era um tanto bagunceiro também. Ao
abaixar-se para arrumar as roupas, viu um envelope contendo um currículo. Curiosa, leu: "Victor
Horton, arquiteto".
Danielle mordeu o lábio, nervosa. Teria Paul um arquiteto de sua preferência ou seria Victor
Horton o mesmo que adoecera e não pudera assumir o trabalho da casa? Sentindo um aperto no
coração, tratou de guardar o envelope onde o encontrara. Queria ser a primeira em tudo para Paul:
profissional e mulher. Entretanto, quando a obra estivesse concluída, nem mesmo tinha certeza de
voltar a vê-lo...
Tentando se concentrar, retornou ao computador e seu projeto. O primeiro andar da biblioteca
teria compartimentos onde as crianças se sentariam diante de computadores para fazer pesquisas e
procurar livros segundo os assuntos desejados. No andar superior, desenhara salas de leitura à prova
de som para os pequenos em idade pré-escolar ou nas primeiras séries, de modo que pudessem rir e
conversar enquanto folheavam livros de figuras, sem atrapalhar os mais velhos.
"Isto é para vocês, papai e mamãe...", disse para si mesma. Em breve poderia mostrar sua
idéia ao Sr. Harrington e já podia visualizá-lo dizendo que a tarefa era sua.
Estava muito cansada, mal dormira e tinha de ir buscar Lisa no aeroporto mais tarde.
Bocejando, acertou o despertador e desligou o computador. Apoiou a cabeça sobre a mesa,
pensando em Paul e ansiosa por saber o resultado da reunião. Mas não pretendia bombardeá-lo com
perguntas. Iria esperar que ele próprio lhe contasse tudo. Dali em diante, seria paciente... As
pálpebras estavam pesadas. Paul devia voltar dentro de uma hora.
Ao entrar, Paul era a imagem do desânimo. O projeto da biblioteca avançava em passos
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Momentos Íntimos 31

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gigantescos: Victor Horton fora escolhido como arquiteto, e sua sociedade com Harrington estavam
praticamente selada. Por que não se sentia feliz? Sabia muito bem o motivo: Danielle não iria
acompanhá-lo naquele novo trabalho.
De súbito, imobilizou-se junto à porta: lá estava ela, em frente ao computador, a cabeça sobre
a mesa, adormecida, os cabelos espalhados sobre o rosto, os seios redondos tentando escapar do
sutiã de renda negra, as coxas acetinadas aparecendo logo abaixo da calcinha também rendada.
Paul forçou-se a desviar o olhar daquela cena tão sensual, mas, ao observar como Danielle
estava desconfortável ali sentada, tomou-a nos braços, levando-a para o quarto.
— Paul... Fique perto de mim... — A cabeça delicada encostou-se em seu ombro, e ela parecia
sentir-se segura e feliz.
— Ficarei — sussurrou Paul, desejando tomar conta da mulher de seus sonhos pelo resto da
vida.
Ao colocá-la com delicadeza sobre a cama, Danielle enlaçou-lhe o pescoço.
— Paul...
Antes que percebesse o que estava acontecendo, Paul sentiu os lábios dela pressionando os
seus, mas o bom senso falou mais alto. Afinal, ela estava dormindo, não sabia o que fazia. Apesar
de muito excitado, Paul dominou-se.
— Precisa dormir Danielle... — Lutou para refrear o desejo de abraçá-la, porém ela não o
soltava. — Não podemos querida...
— Amo você, Paul...
Aquelas palavras o encheram de alegria. Queria dizer-lhe o mesmo, mas algo em seu íntimo,
frio e oco, o deteve.
Devagar, os olhos de Danielle se abriram. Sonhara que fazia amor com Paul. De súbito,
percebeu que estava deitada na cama do trailer, seminua. Seus braços envolviam o pescoço de Paul,
os lábios muito próximos aos dele.
De imediato, Danielle retornou à realidade. Não estivera sonhando! Com um gesto rápido,
soltou-o.
Paul se endireitou, muito embaraçado.
— Encontrei você adormecida em frente ao computador, Danielle. — Achei que ficaria mais
confortável na cama.
Ela sentiu as faces em fogo. Teria tentado seduzi-lo sem querer?
— Bem, Danielle eu vou dar uma saída.
Danielle sentia-se atordoada. Teria revelado sua paixão enquanto dormia?
"O que Paul pensará de mim? O que terei dito durante o sono?"
Por certo, acabara de estragar tudo! Apressou-se a se vestir e descobrir os danos que causara
ao relacionamento.

CAPÍTULO SETE
Paul permaneceu olhando para o mar, lutando contra as fortes emoções. Danielle desejava
ficar em sua companhia, e dissera que o amava, mas acabaria se decepcionando.
— Paul! — Danielle foi á seu encontro, os olhos cheios de preocupação, a voz trêmula.
— Sobre o que aconteceu no trailer...
— Tudo bem... Não se preocupe.
— O que foi que eu disse dormindo?
— Nada de mais. — Estava sonhando.
— Está bem. — Preciso ir buscar minha irmã no aeroporto. — Vejo você depois.
Frustrado, Paul a viu partir, irritado consigo mesmo por não poder retribuir as palavras que
ouvira. Sabia que não poderia nunca mais dormir com Danielle, pois não estava à altura de dar-lhe o
amor que merecia.
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Momentos Íntimos 31

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Danielle encontrou-se com Lisa no aeroporto de Los Angeles. As duas se abraçaram, felizes.
— Que saudade, querida!
— Tenho mil novidades! — começou Lisa, ao se dirigirem para o carro. — Manny chegará a
poucas semanas. — Tenho de contratar um fotógrafo e encomendar meu vestido de noiva e o seu.
— Está tudo bem entre você e Paul?
— Acho que falei enquanto dormia, e ele ouviu.
— Disse que o amava?
— Não sei... Mas o pior é que acordei de repente, com os braços em volta do pescoço dele, e
beijando-o!
— Maravilha!
— Como pode dizer uma coisa dessas? — Danielle olhou-a, escandalizada.
— Você queria mostrar a Paul como a vida de casados pode ser boa, não queria?
— Mas só consegui assustá-lo, Lisa!
— Ora! — Não o deixe escapar!
Danielle estacionou junto a seu prédio e ficou pensando nas palavras da irmã. Logo as obras
da casa terminariam. Se deixasse Paul ir embora, o perderia para sempre. Tinha de agir rápido,
senão...
Naquela noite, Paul não preparou o sofá xadrez para dormir. Em vez disso, saiu e armou uma
barraca com o saco de dormir que trouxera aquela tarde de casa. Enquanto preparava seu espaço
para passar a noite, Danielle apareceu.
— O que está fazendo?
— Instalando-me aqui fora.
— Será que eu o deixo tão pouco à vontade?
— Não é culpa sua, Danielle.
— Então, por que não dorme no trailer?
— Será melhor para nós dois se eu ficar aqui até o término do trabalho.
— Claro, Paul...
Com raiva, Paul chutou um dos paus da barraca, que desabou. Teve de começar todo o
processo de novo.
Danielle concluiu que fizera a coisa certa, deixando Paul resolver o que era melhor. Assim,
também teria mais tempo para se dedicar ao projeto da biblioteca infantil.
Durante os meses seguintes, a obra foi se desenvolvendo de modo acelerado e, todas as noites,
antes de dormir, Danielle olhava pela janela para ver a barraca de Paul. Tinha de fazer muita força
para não se precipitar até lá e seduzi-lo.
Enfim, certa noite, Danielle terminou o projeto. Estava pronta para conversar com Harwood
Harrington e pedir para ser a arquiteta de seu novo empreendimento.
Nuvens ameaçadoras rondavam o céu quando Paul dirigiu-se à barraca. Um temporal se
aproximava de Malibu. Podia ver Danielle sentada ao computador, através da janela. Durante os
últimos tempos, ela sempre mantivera as cortinas abertas, como se desejasse que Paul participasse
de sua vida, e ele ansiava por estar á seu lado. Só teriam mais algumas semanas juntos, e então a
casa estaria pronta. O trailer sairia de lá, e Danielle deixaria sua vida.
Grossas gotas de chuva começaram a cair. Paul entrou e começou a arrumar o saco de dormir.
Forçou-se a deitar-se. Um vento frio começou a balançar a barraca, enquanto uma chuva
torrencial caía. Pensara que, se dormisse ali, iria facilitar as coisas, porém, cada vez mais, seu
desejo e sua paixão aumentavam.
Danielle olhou pela janela. A chuva era terrível. Por que Paul não entrava no trailer?
Sabia muito bem por quê. Se entrasse por aquela porta, iriam para a cama juntos, e ele não
estava pronto a assumir compromissos.
As palavras de Lisa voltaram-lhe à memória: "Não o deixe escapar!" Talvez estivesse dando
muito espaço a Paul e, assim, deixando-o se afastar. Precisava demonstrar seu amor, de uma vez por
todas!
Procurou por um guarda-chuva, mas não encontrou nenhum. Então, jogou um cobertor sobre
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Momentos Íntimos 31

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a cabeça e passou-o em volta do corpo como se fosse um poncho. Uma lufada de vento frio e forte a
saudou ao abrir a porta. O cobertor saiu voando, arrastado pela ventania.
De repente, braços musculosos a enlaçaram.
— Entre! — ordenou Paul, tentando fazer-se ouvir acima do rumor da tempestade.
— Acho que a porta emperrou!
Paul tentou abri-la em vão. Tomou Danielle nos braços, e rumou para a barraca.
O coração dela disparara. Sem ligar para a tempestade e o vento, só tinha pensamentos para
Paul. Abraçou-o.
Paul colocou Danielle sobre o chão seco, a salvo da tempestade. Ela tremia, e ficaria doente se
não se secasse logo.
— Precisa tirar essa camisola molhada. — Paul procurou por uma camisa seca.
Danielle espirrou e tossiu o rosto muito pálido. Com mãos trêmulas, tentou erguer a roupa,
que grudara ao corpo, ensopada. .
— Não consigo...
Paul ajudou-a, e revelou os seios com os mamilos intumescidos pelo frio. Usando a própria
camisa como toalha, enxugou desde o rosto dela até os pés.
Ao ver a cor retornar a seu rosto, deu-se conta, afinal, de que estava nua. A camisa
escorregou-lhe das mãos e, prendendo a respiração, Paul acariciou-a.
— Querida...
— Abrace-me, Paul...
Obedecendo, ele puxou-a, segurando-a com firmeza, enquanto Danielle, entre gemidos de
excitação, tentava abrir o zíper do jeans a fim de despi-lo também.
— Tem certeza? — Paul desejava-a com desespero, mas não queria magoá-la.
— Preciso de você. — Não se afaste de mim...
— Também preciso muito de você.
Os medos dele se dissiparam, e apenas a voz da paixão se fez ouvir.
Beijou-a com ardor, desnudou-se e passou a explorar-lhe o corpo com urgência. Sem demora,
penetrou-a, e começou a mover-se em gestos ritmados, acompanhando a excitação de Danielle,
sentindo o corpo delicado. Mergulhou o olhar nos olhos nublados de desejo. A emoção que os unia
era infinita e poderosa e, antes que se desse conta Paul viu-se murmurando:
— Amo você demais...
Alcançou o clímax, e Danielle o abraçou com mais força. À medida que o êxtase ia
decrescendo, uma paz imensa foi tomando conta do ambiente. Permaneceram abraçados, beijandose com doçura. Faziam parte um do outro, e Paul jamais a deixaria partir.
— Amo você, Paul!
Ao ouvir também aquelas palavras, Paul sentiu os olhos marejados de lágrimas, como se um
bálsamo de paz invadisse sua alma. Estreitou Danielle com mais força, acariciando-lhe os cabelos
úmidos.
Desejava permanecer naquela barraca para todo o sempre, pois se sentia em total harmonia
com o mundo, e mal conseguia acreditar nas próprias sensações. Paul Richards, o solitário, agora
era um ser completo junto à mulher que amava.
Enlaçada entre os braços viris, Danielle sentia-se no paraíso. Ouvira as palavras mágicas pelas
quais tanto ansiara, e que agora os uniria para sempre. Sentia o hálito quente de Paul em seus
cabelos e desejou fazer amor outras vezes, sem parar.
— Sinto como se o Sr. Harrington tivesse querido construir essa casa apenas para nos unir.
— Também penso assim, Danielle.
— Parece até que é nossa...
— E, de certa forma, é. — Nossos pensamentos e idéias estão em cada viga de madeira, em
cada tijolo. — Não quero terminar a obra, pois descobri quanto gosto de trabalhar com você!
— Talvez possamos voltar a fazer isso junto! — Danielle sentiu-se, de repente, cheia de vigor
e energia.
— O que tem em mente?
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Momentos Íntimos 31

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Sorrindo, feliz como nunca, ela segurou-lhe a mão.
— Venha! — Quero lhe mostrar uma coisa. — Estava pronta para compartilhar com Paul seu
sonho da biblioteca infantil.
Correram nus para fora da barraca. A chuva e o vento tinham cessado.
— Ei! — Estou ficando gelado! — Paul riu, — Faça o favor de me aquecer!
Rindo também, Danielle desvencilhou-se a fim de alcançar a porta do trailer. Paul pressionou
o corpo forte contra os quadris arredondados, e o desejo a possuiu, fazendo-a ficar tentada a voltar
para a barraca e fazer amor de novo. Porém, primeiro, precisava mostrar a Paul seu mais importante
objetivo profissional.
Abriram a porta, e Danielle precipitou-se para o computador, enquanto Paul pegava duas
camisas secas e colocava uma em torno das costas de Danielle. Desejava tomar conta dela para que
nada de mal lhe acontecesse.
— Veja isto, Paul! — Mal posso esperar para mostrar-lhe!
Paul olhou para a tela, ansioso por compartilhar cada sonho, cada esperança. Ante seus olhos,
surgiu um desenho arquitetônico em detalhes, e um medo irracional o invadiu.
— O que é isso?
— Fiz o projeto para a biblioteca infantil do Sr. Harrington! — A voz de Danielle soou cheia
de justo orgulho, e Paul sentiu como se garras de aço apertassem seu coração.
— Não compreendo...
— É o meu grande sonho, Paul! — Meus pais já faleceram, mas eram professores primários.
— Antes de morrerem, prometi que faria um trabalho desses em sua homenagem. — Quando
Lisa me contou sobre o plano de Harwood Harrington, lutei para conseguir a construção da casa a
fim de provar que seria ela á arquiteta certa para sua biblioteca!
A cabeça de Paul girava. Como dizer a Danielle que já recomendara Victor Horton? O
arquiteto desfrutava da simpatia de Harrington, e isso era ótimo para solidificar o trato da sociedade
que teriam.
— Querido, acha que Harrington vai gostar do que fiz?
Paul não conseguia respirar. Se Danielle tivesse compartilhado seu segredo antes; talvez
pudesse ter persuadido Harrington. Bem, mas como? Harrington duvidara da capacidade de
Danielle desde o início, e jamais entregaria o projeto da biblioteca a uma principiante, mesmo que
estivesse satisfeito com a construção da casa.
— Não podia contar-lhe até ter certeza da seriedade de nosso relacionamento. — Danielle
abraçou Paul. — Algum ano atrás teve um namorado que trabalhava comigo e que pôs seus
interesses profissionais à frente de nosso compromisso. — Mas em você eu confio de todo
coração...
— Quando pretende mostrar a Harrington? — Paul sentia-se muito mal.
— Assim que tiver oportunidade de vê-lo.
Paul olhou pela janela. Na escuridão, mal podia ver os contornos da casa recém-construída.
Como contar à mulher que amava a terrível notícia de que jamais teria chance de obter o
trabalho, pois ele, Paul Richards, recomendara outro arquiteto, mais do agrado de Harrington,
procurando proteger os próprios interesses?
De súbito, Danielle o empurrou para a cama, caindo sobre ele, tirando as camisas de ambos.
— Amo você demais... — murmurou, beijando-o.
Naquele momento, Paul deveria ter lhe falado sobre Victor Horton e pedido para que
esquecesse os sonhos, porém as palavras de carinho ecoaram em seu cérebro e coração, e descobriu
que ansiara por aquele amor toda a sua vida. Não poderia desfrutar um pouco mais daquela
felicidade?
Quando sentiu o corpo feminino e sensual tão próximo, todos os pensamentos a respeito da
biblioteca, Victor Horton e Harrington desapareceram, e Paul passou a ter apenas consciência do
calor, da paixão e de um amor que jamais sentira antes por alguém.
Mais tarde, de costas na cama, Paul ouvia a respiração tranquila de Danielle a seu lado,
sentindo quanto ela era importante. Não podia perdê-la, mas, quando descobrisse que não a
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recomendara para Harrington, como iria reagir?
Viu o sol despontar pela janela e ficou pensando no que poderia fazer. O acordo sobre a
biblioteca já fora fechado, e Victor Horton fora o arquiteto escolhido.
Em silêncio, Paul levantou-se, vestiu-se e saiu. O que fazer?
Danielle acordou e, não vendo Paul ao seu lado, vestiu a camisa e abriu a porta, recebendo a
brisa fria da manhã no rosto e sentindo o cheiro forte da água do mar. A casa lá estava, quieta e
desabitada, e a caminhonete de Paul sumira. Estremecendo, passou as mãos sobre o peito. Sentira
que algo estava errado na noite anterior, após mostrar o projeto para Paul. Será que seu gesto
demonstrara excesso de ambição? Gostaria agora de dizer a ele que jamais deixaria o trabalho
interpor-se entre os dois.
Olhou para o relógio. Tinha de sair com Lisa para escolher o vestido de noiva e o seu. Porém,
primeiro, precisava fazer algo.
Passou o projeto da biblioteca para um disquete e guardou-o na bolsa. Não tinha mais tempo a
perder. Iria mostrar seu desenho a Harwood Harrington!
Antes de sair, recortou um pedaço de papel em forma de coração, e escreveu: "Aconteça o que
acontecer, sempre estarei ao seu lado".
Deixou o bilhete sobre a mesa de trabalho, esperando que Paul compreendesse quanto o
amava.
Nervoso, Paul esperava que a secretária o anunciasse, repassando na mente o discurso que
preparara. Diria a Harrington que considerava Victor Horton um excelente arquiteto, mas que
Danielle Ford era melhor para aquele trabalho. Iria convencer Harrington a dar uma olhada no que
ela fizera e, quando constatasse quanto era brilhante, tudo estaria arranjado!
— Tudo bem — anunciou Harrington, recebendo Paul e levando-o para sua sala. — Os
funcionários da Prefeitura acabaram de ver os desenhos de Horton e ficaram muito satisfeitos.
— Victor já lhe trouxe seu projeto? — Paul sentiu o estômago, se contrair ao inclinar-se sobre
os desenhos espalhados na mesa.
— O único problema que a Prefeitura encontrou foi com relação ao estacionamento.
— Teremos de resolver isso.
— E do que se trata Sr. Harrington?
— Victor projetou um estacionamento subterrâneo. — Também não acho bom que crianças
entrem pelo subsolo. — Não é saudável. — Ao mesmo tempo, a cidade não permite que os
visitantes de bibliotecas estacionem nas ruas vizinhas. — Para que o projeto de Victor Horton seja
aprovado em definitivo pela Prefeitura, precisaremos de uma solução. — Harrington apresentou
alguns papéis a Paul. — Pode entregar isto a Victor para que mude seus desenhos de acordo com as
especificações?
Antes que Paul tivesse tempo de responder, a secretária anunciou pelo interfone que a esposa
de Harrington estava na linha e, enquanto ele pegava o telefone, perguntou:
— A propósito, Paul, a que devo o prazer de sua visita hoje?
Percebendo o olhar preocupado de Harrington ao saber que a esposa grávida o chamava, Paul
respondeu:
— Conversaremos depois, não se preocupe.
Já dentro da caminhonete, ele olhou para os papéis em sua mão, desejando amassá-los e atirálos pela janela. Em vez disso, guardou-os no bolso da camisa. Não podia direcionar seu
aborrecimento para Harrington ou Victor. Tinha de resolver o problema sozinho. Mas como?
O projeto de Victor já era do conhecimento da Prefeitura. Como recomendar Danielle àquela
altura dos acontecimentos? Ao mesmo tempo, não podia arriscar-se a perdê-la, contando-lhe que era
o culpado pela destruição de seu grande sonho. Precisava encontrar uma solução. O amor de
Danielle era tudo em sua vida.

CAPÍTULO OITO
Na loja de noivas, Danielle esperava que Lisa experimentasse um vestido branco no provador.
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Momentos Íntimos 31

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— Precisa de ajuda, Lisa?
— Espere só para me ver!
Nervosa, Danielle olhou para o relógio. Já dissera à irmã que deveria ir ao escritório do Sr.
Harrington dentro de uma hora para apresentar o disquete com seu projeto, e mal podia esperar.
Lisa saiu do provador usando um vestido de renda branca como a neve, decote em V e
mangas compridas, também rendadas.
— Lisa, você está linda! — Danielle prendeu a respiração, mas sem querer, consultou de novo
o relógio, gesto que a irmã percebeu.
— Acalme-se. — Você não pode ir ao escritório de Harrington, pedir o trabalho!
— Não aguento mais esperar. — Quando ele vir meu projeto vai me contratar, tenho certeza!
— Como sabe que Harrington ainda não escolheu outro arquiteto?
— Paul teria me dito, ainda mais porque lhe contei quanto desejo essa tarefa.
— Você confia mesmo em Paul, não?
— Totalmente!
— Que ótimo! — Lisa sorriu. — Afinal, poderá trabalhar com o homem que ama.
— Estou tão feliz! — Tenho um namorado que respeita minha carreira tanto quanto eu o
respeito!
— E então? — Lisa admirou-se ao espelho. — Paul vai acompanhá-la a meu casamento?
— Não sei se ele irá aceitar.
— Ainda não o convidou? — Vamos lá! — Coragem!
Danielle encostou ao corpo um vestido de um azul-vivo e olhou seu reflexo, imaginando se
Paul iria gostar. Com gestos rápidos, despiu-se e experimentou o traje. A cor ressaltou seus olhos, e
o tecido, transparente nas costas tornava o modelo muito sensual.
— Paul vai pedi-la em casamento assim que a vir nessa roupa! — profetizou Lisa.
Mas Danielle tinha algumas dúvidas a esse respeito. — Animo! — Vamos levar esse também!
Danielle tirou o traje com cuidado, emocionada com o casamento da irmã, o convite a ser
feito para Paul e a visita ao escritório de Harrington.
No ninho de amor recém-construído, Paul acabara de instalar as maçanetas cromadas em cada
porta do andar térreo, enquanto Butch finalizava o segundo andar.
Aguardava que Danielle voltasse e, ao pôr a mão no bolso à procura da chave de fenda,
encontrou as anotações de Harrington a respeito do estacionamento da biblioteca. Quando ligara
para Victor Horton para discutir o assunto, sentira-se um traidor perante Danielle. Porém, o que
podia fazer? Prometera a Harrington que transmitiria as instruções a Victor, e não pudera quebrar
sua promessa. Com um gesto irritado, amassou a folha.
Fazendo uma pausa no trabalho, dirigiu-se ao trailer, ainda segurando a bola de papel, e
deparou-se com o recado em fôrma de coração que Danielle deixara. As palavras dançaram diante
de seus olhos: "sempre estarei á seu lado". Engoliu em seco. Jamais pensara que teria um amor de
verdade, mas, com Danielle, isso se tornara possível. Sentia que poderia ter um lar, afinal. Tinha
tanto medo de perdê-la...
Nervosa, Danielle entrou na recepção do escritório de Harrington, segurando com força o
disquete e lembrando-se da primeira vez em que lá estivera. Desejara com desespero o projeto da
casa e conseguira seu intento. Quem sabe, conseguiria também a biblioteca infantil! Respirando
fundo, aproximou-se da secretária.
— Não tenho hora marcada, mas gostaria de falar com o Sr. Harrington por alguns minutos, se
possível.
— Lamento, mas o Sr. Harrington não está. — Sua esposa entrou em trabalho de parto
prematuro, e ele a levou para o hospital.
— A Sra. Harrington está bem? — Por um instante, Danielle, esqueceu-se dos próprios
interesses. — O bebê já nasceu?
— Ainda não. — Quando o Sr. Harrington ligar ou voltar ao escritório darei seu recado, Srta.
Ford.
— Não se incomode... Falarei com ele quando estiver mais tranquilo.
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Momentos Íntimos 31

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Saiu do escritório, mais preocupada com Harrington a esposa e o bebê do que consigo
mesma. Frustrada, voltou a guardar o disquete na bolsa. Seus sonhos teriam de esperar mais um
pouco.
Paul já sabia sobre o parto prematuro. Antes de deixar o trailer para comprar lâmpadas
especiais para a suíte principal, recebera um telefonema do próprio Harrington, que parecia muito
ansioso.
Antes que tivesse tempo de desejar-lhe boa sorte, Harrington anunciou que considerava o
trabalho já finalizado e gostaria que o trailer fosse removido na manhã seguinte.
Paul pagou pelas lâmpadas com o coração apertado. Aquela seria sua última noite morando
com Danielle. Como suportaria ir trabalhar na construção da biblioteca infantil sem ela?
Acostumara-se tanto com sua presença que já se sentia casado.
Casado. Aquela palavra causava-lhe um misto de medo e excitação. Jamais pensara em
casamento, mas não conseguia imaginar outra forma de manter seu amor. Porém, o problema do
projeto o atormentava. Não podia contar a ela, pelo menos por enquanto, que já existia um arquiteto
contratado. Esperaria o bebê nascer, e então falaria com Harrington a respeito da ideia de Danielle.
No caminho de volta, comprou uma garrafa de vinho. Desejava que aquela última noite fosse
especial. Iria demonstrar quanto a amava.
Danielle entrou, carregando uma sacola com massa para macarrão, mozzarella, ricota, pão
italiano, tomates e especiarias. Queria fazer um jantar italiano para Paul e alegrar-se um pouco.
Quando estivesse em seus braços, esqueceria a ansiedade a respeito da biblioteca.
Decidira não contar-lhe sobre a visita que fizera ao escritório de Harrington, para não
preocupá-lo com seus problemas. Naquela noite, desejava manter seus objetivos profissionais longe
da relação amorosa.
Ao colocar o disquete com o projeto perto do computador, Danielle notou um pedaço de papel
amassado com a caligrafia de Harrington. De modo instintivo, pegou-o, imaginando que Paul o
deixara ali sem querer. As anotações eram sobre especificações do estacionamento da biblioteca
infantil, e o coração de Danielle começou a bater forte. Teria Paul deixado aquele papel ali, de
propósito, para que ela o encontrasse? Estaria tentando ajudá-la a conseguir o trabalho, revelando os
projetos de Harrington?
Danielle desejou abraçá-lo e beijá-lo por dar-lhe tanto apoio. Porém, como ele preferira usar
de meios indiretos deixando o bilhete à vista em vez de falar, achou melhor também nada dizer até
conseguir o trabalho.
Correu a sentar-se ao computador, a fim de refazer o estacionamento de seu projeto, de modo
a agradar Harrington. Na tela, diminuiu a circunferência da área do prédio original, transformando a
construção de dois andares em uma de três. Com o espaço adicional criado, desenhou um amplo
estacionamento ao ar livre, ao redor do prédio.
— Pronto! — exclamou, satisfeita, algumas horas mais tarde. Fez duas cópias em disquete, e
guardou uma na bolsa para mostrar a Harrington, enquanto deixava outra perto do computador.
Cheia de animação e amor, tratou de picar o alho para o molho de tomate. Precisava se
apressar e vestir-se para o jantar especial, no qual convidaria Paul para o casamento de Lisa.
Ao entrar no trailer, Paul ouviu a música suave e aspirou ao aroma delicioso de molho de
tomate, sentindo-se em casa. Ao ver Danielle, parou. Ela se debruçava sobre uma panela no fogão,
os cabelos sedosos puxados para cima e presos por uma presilha dourada e brilhante, os belos
ombros surgindo por baixo das finas alças do vestido negro e justo que delineava seu corpo com
perfeição. Engolindo em seco, Paul percebeu que ela não usava nenhuma roupa de baixo.
Danielle correu para seus braços, beijou-o, e Paul sentiu perfume de rosas.
— Espero que esteja com fome, por que... — Danielle deteve-se de chofre. — O que
aconteceu?
— Harrington vai remover o trailer amanhã pela manhã.
— Oh, não! — Então esta é nossa última noite na casa dos apaixonados...
Paul assentiu, com o coração apertado, desejando dizer-lhe que teriam muitas outras noites
juntos, mas as palavras não saíram de seus lábios.
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— Será que podemos jantar mais tarde e entrar na casa agora? — Perguntou Danielle, os
olhos embaçados pelas lágrimas.
— Claro... — Paul tomou-a pela mão, incapaz de dizer ás palavras que os manteriam unidos
pelo resto da vida.
Sob o céu pontilhado de estrelas, Danielle sentiu-se assustada. Era sua última noite naquele
ninho de amor dos Harrington. A última noite com Paul. Não, aquela história não podia terminar
daquele modo! Não quando sentia tanto amor!
Paul desligou o sistema de alarme e abriu a porta da frente, acendendo as luzes da sala de
estar.
— Amo esta casa — murmurou Danielle, passando os braços em torno de Paul e encostando a
cabeça no ombro largo.
Naqueles últimos meses, em geral olhara para a casa de modo crítico, como profissional,
procurando falhas para corrigir. Agora, via-a apenas com olhos de mulher apaixonada.
As tábuas do assoalho brilhavam a lareira era branca e moderna, com vidro protetor opaco. O
ambiente estava cheio de calor e aconchego.
— Querido, vamos fingir que é nosso lar. — Só por esta noite...
— Assim? — Paul tomou-a nos braços e levou-a escada acima.
— Sinto-me como se caminhássemos sobre as nuvens.
— Vamos fazer as coisas da maneira certa.
Paul conduziu-a para a suíte principal, acarpetada de bege, com a enorme vidraça que ia do
chão ao teto descortinando o oceano banhado pelo luar. Era a janela que Paul idealizara e que
ocupava toda a parede. Danielle não pudera deixar de acatar a ideia brilhante que ele tivera.
Colocou-a no chão, e beijaram-se com desejo. Danielle não queria que a residência estivesse
terminada e que o trailer fosse retirado do canteiro de obras. Desejava ficar ali para sempre.
Paul soltou a presilha dourada dos cabelos sedosos e abaixou as finas alças do vestido,
beijando o pescoço dela, fazendo-a estremecer. Com gestos lentos, abriu-lhe o zíper, e a leve roupa
negra deslizou para o chão. Danielle ficou nua e trêmula diante de seus olhos, e ele a mirou como se
fosse uma deusa, os olhos acariciando os seios rijos e a parte interna das pernas bem torneadas.
— Vire-se... — A voz masculina soou rouca de desejo.
Danielle obedeceu, sentiu os braços musculosos à sua volta, as mãos grandes acariciando-lhe
os seios e fazendo-a gemer. Com gestos rápidos, Paul despiu as próprias roupas e pressionou o
corpo quente contra as costas de Danielle, deslizando as mãos até as coxas roliças, fazendo-a
arquear o corpo, cheia de volúpia.
— Querida, preciso tanto de você...
De súbito, Danielle sentiu a rigidez masculina penetrando em seu corpo e prendeu a
respiração. Com movimentos rápidos e fortes, Paul a possuiu, fazendo-a estremecer em espasmos
de puro êxtase.
— Paul, você é tudo para mim...
Danielle deixou de lado os propósitos de não assustá-lo, desejosa apenas de fazê-lo saber
todos os segredos de seu coração, sentindo-o chegar ao ápice do prazer físico.
Pouco a pouco, a respiração de ambos foi-se acalmando e, por certo tempo, Danielle
esqueceu-se da casa recém construída, de que aquela era a última noite que passavam lá, da
biblioteca infantil e de tudo o mais, O universo girava em torno do amor.
Pela segunda vez, Paul a ergueu nos braços e levou-a de volta ao trailer.
No quarto, ambos se deitaram na cama sob os lençóis. Presa nos braços do amado, Danielle
adormeceu, feliz, desejando sonhar que estariam sempre juntos.
O som do telefone a despertou de modo brusco. A luz da manhã infiltrava-se pela janela.
Danielle correu a atender ainda imersa na emoção da noite anterior. Sabia que o trailer seria
removido de lá naquele mesmo dia, mas não tinha importância. A lembrança permaneceria para
sempre em seu coração.
Ao atender, ouviu a voz cansada de Harrington:
— Desculpe-me por acordá-la tão cedo.
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Danielle prendeu a respiração, com medo de perguntar, mas acabou murmurando:
— Sr. Harrington, sua esposa e o bebê estão bem?
Houve um longo momento de silêncio e depois, com voz emocionada, Harrington respondeu:
— Tenho um lindo filho, David, pesando apenas dois quilos e meio, mas é forte, e está
lutando com bravura para sobreviver!
— Um menino? — Que maravilha, Sr. Harrington! — Parabéns!
Naquele instante, Paul surgiu, sorrindo ao ouvir as notícias e passando um braço ao redor do
corpo nu de Danielle, que, ao passar-lhe o aparelho, sentiu que a tensão o invadia. Teve um estranho
pressentimento.
— Claro Sr. Harrington — disse Paul. — Nós iremos logo.
Desligou, com olhar preocupado.
— Amanhã de manhã ele vai levar a esposa e o filho para ficarem com a família dela em San
Francisco. — Quer nos ver no hospital agora para tratar dos últimos detalhes.
Enquanto Danielle se vestia, sua mente girava. Então, aquele era o fim.
Paul falaria de um futuro entre os dois? Não dissera nada desde que desligara o telefone. Por
que estaria tão quieto? Lamentaria a noite anterior?
Enquanto Paul esperava na caminhonete, Danielle apressou-se a verificar se tinha na bolsa a
cópia de seu desenho. Estava muito nervosa, ansiosa para mostrar seu projeto a Harrington antes
que fosse para San Francisco.
Caminharam pelo Corredor da maternidade de mãos dadas, como um casal apaixonado,
enquanto Paul pensava que não deixaria nada interferir em seu amor, em especial a biblioteca.
Procuraria ficar a sós com Harrington e falar-lhe sobre a ideia de Danielle, deixando claro que
ela era a melhor arquiteta para contratar, e não Victor Horton.
— Querido, veja! — O berçário!
Danielle o conduziu até o janelão de vidro, e olharam, vendo alguns bebês esperneando e
outros que dormiam em paz.
— Que gracinha! — exclamou Paul, apertando a mão de Danielle em um gesto involuntário.
— Lá está o filho do Sr. Harrington! — Danielle apontou para um dos berços que continha
um bebê adormecido como um anjo, e onde se lia na etiqueta: "David Harrington".
— O que acham do meu garoto? — Harrington aproximara-se sem que percebessem,
entregando, com orgulho, um charuto a Paul.
— É um homem de sorte, senhor.
— Como está sua esposa? — quis saber Danielle.
— Ótima! — Está dormindo agora, de modo que tenho tempo para finalizar os negócios com
vocês dois.
Ansioso, Paul seguiu o feliz pai e Danielle pelo corredor do hospital, os músculos tensos.
Precisava falar a sós com Harrington.
Na sala de espera, Danielle sentou-se ao lado de Paul, em frente a Harrington, apertando a
bolsa entre as mãos e pensando no desenho que trouxera.
— Felicito-a pelo esplêndido trabalho que fez na minha casa nova. — Harrington estendeu a
Danielle seu último pagamento.
— Estou tão feliz por ter gostado, Sr. Harrington! — Danielle corou.
— Enquanto eu estiver em San Francisco, — e Harrington voltara-se para Paul —, poderia
providenciar com a transportadora para levarem meus móveis e objetos para lá?
— Farei isso ainda hoje.
— Ótimo! — E agora, gostaria de falar a sós com você, Paul.
Danielle sentiu-se desfalecer. Nervosa, levantou-se. Será que perdera a grande chance? Não!
Precisava pensar de modo positivo e ser corajosa.
— Sr. Harrington, gostaria de lhe pedir um favor.
— Claro Danielle! — Do que se trata?
— Gostaria de me candidatar ao trabalho de sua...
Paul, que pegara um copo de água do bebedouro, começou a tossir engasgado.
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Com gesto brusco, pegou-a pela mão, levando-a para fora da sala.
— Pode nos dar licença um instante, Sr. Harrington?
No corredor, Danielle o encarou, surpresa.
— Por que fez aquilo, Paul?
— Preciso falar com você!
— Não pode esperar? — Tenho de conversar com Harrington antes que ele vá para San
Francisco.
— Deixe-me falar com ele primeiro...
— Muito bem — concordou Danielle, relutante. — Vou esperar...
— Chamo você daqui a pouco. — Paul gostaria de lhe dizer que pretendia preparar o terreno,
mas nada podia prometer.
Voltou depressa para a sala de espera e fechou a porta, por medida de segurança.
Por que Paul estaria agindo de modo tão estranho? Danielle tivera á nítida impressão de que a
impedira, de modo deliberado, de falar com Harrington sobre seu projeto. Mas por quê? Tinha o
palpite de que eles estavam, naquele instante, discutindo o projeto da biblioteca; Será que Paul
queria afastá-la daquele trabalho?
Danielle apressou-se a rejeitar a hipótese. Paul jamais faria isso, pois a amava!
— Desculpe-me. — Vim aqui encontrar uma pessoa a negócios e procuro pela sala de espera.
Danielle virou-se e viu um homem alto e magro, usando jeans e camisa xadrez, que ficou
vermelho quando ela o encarou.
Nervosa, notou plantas de arquitetura enroladas sob o braço do homem, e teve outro mau
pressentimento.
— Está, por acaso, procurando por Harwood Harrington?
— Isso mesmo! — Você o conhece?
Danielle apenas assentiu incapaz de falar, enquanto o rapaz estendia-lhe a mão.
— Sou Victor Horton.
Danielle sentiu a boca seca, lembrando-se do currículo que vira entre os pertences de Paul no
trailer, mas tratou de se apresentar também.
— Então, você é Danielle Ford! — exclamou Victor com admiração. — Estou ansioso para
ver a casa que construiu para o Sr. Harrington. — Na verdade, eu tinha sido contratado para essa
obra, mas fiquei em casa três meses por problemas de saúde. — Agora, porém, pretendo enfrentar o
novo desafio!
Danielle sentiu que o sangue deixava seu rosto.
— O que irá construir para ele?
— Falando com sinceridade, não deveria mencionar isso. — Paul está tentando fechar uma
sociedade com Harrington na qual serei o futuro arquiteto de todos os projetos. — Paul me
recomendou para o novo trabalho, de maneira a consolidar seu trato com Harrington.
—Entendo... — Tudo parecia girar à volta de Danielle.
Aquilo não podia estar acontecendo de novo em sua vida!
Paul não era um traidor como Kevin!
— Olá, amigo! — exclamou Victor naquele instante, olhando por sobre o ombro de Danielle.
— Já resolvi o problema do estacionamento da biblioteca, conforme você me pediu!
Danielle olhou para Paul, que se aproximava. Não ouvia mais nada. Lembrava-se das
anotações que encontrara. Paul não as deixara para que ela as encontrasse, e jamais tivera a intenção
de ajudá-la. Só se importava consigo mesmo. Mal notou Victor Horton indo encontrar-se com o Sr.
Harrington. Não ouviu a voz de Paul, que lhe dizia algo.
Correndo para os elevadores, ouviu o choro dos recém-nascidos enquanto apertava o botão de
modo frenético. Queria ir embora dali, e ficar o mais longe possível daquele pesadelo.
— Danielle!
Ouviu que Paul a chamava, mas não se virou. Continuou a apertar o botão do elevador com a
mão trêmula, esperando que a porta se abrisse logo.
— Querida, ia lhe contar sobre Victor, mas... — Paul estava á seu lado, sem fôlego, a voz
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tensa.
— Mas não desejou estragar sua preciosa sociedade com o Sr. Harrington, não é? — Danielle
voltou-se para ele, de modo brusco.
— Quero explicar...
— Deixe-me!
A porta do elevador se abriu, e Danielle entrou junto com outras pessoas, sem olhar para trás
as lágrimas ardendo nos olhos.
No saguão de entrada, lembrou-se de que viera ao hospital na caminhonete de Paul, e que seu
carro ficara no canteiro da obra.
Dirigiu-se a um telefone público e chamou por Lisa. Precisava ouvir a voz da irmã.
Como pudera ser tão ingênua, pensando que Paul era de confiança e que a vida profissional
não se misturaria ao romance? Agora seus sonhos sobre a biblioteca infantil estavam perdidos
porque Paul Richards, o homem que amava, á apunhalara pelas costas.
Quando Lisa atendeu, Danielle deu vazão às lágrimas quentes, que lhe escorreram pelo rosto.
Ouviu-se soluçando:
— Paul não vai a seu casamento, Lisa...
Paul olhava pela janela da sala de espera da maternidade enquanto Harrington e Victor
examinavam a planta. A triste imagem de Danielle entrando no elevador o perseguia. Fechou os
olhos, tentando bloquear a sensação ruim. Danielle estava sofrendo, e por culpa dele.
— Paul, venha dar uma olhada.
Obedeceu ao chamado de Harrington e forçou-se a olhar para os desenhos, mas o que
desejava de verdade era gritar aos quatro ventos que tudo o que lhe importava era a namorada, não a
biblioteca ou qualquer outra coisa. Sabia que Victor desejava sua aprovação também, já que tinham
trabalhado juntos no passado. Paul prometera a biblioteca para Victor, mas agora, por causa de seu
amor, lamentava aquela decisão.
— Não estou muito certo se gosto da ideia do estacionamento no primeiro andar. — O que
acha Paul?
— Sr. Harrington, desculpe-me... — Paul sentia tudo girar à volta. Planejara estar ali, naquele
instante, falando do projeto de Danielle, mas falhara. — Não estou me sentindo muito bem...
— Então, vá descansar meu jovem. — Telefono para você de San Francisco.
Dentro da caminhonete, Paul encostou a cabeça na direção. Falhara com o maior projeto de
sua vida: seu relacionamento amoroso. Nada mais tinha a menor importância. O que importava é
que estava por perder a única mulher que já amara na vida.
Danielle reuniu suas roupas no trailer e atirou-as na mala. Lisa a levara de carro até lá e
prometera voltar em poucos minutos para ajudá-la a levar tudo de volta ao apartamento.
Movimentava-se com rapidez. Tinha de sair dali antes que Paul voltasse. Não desejava vê-lo e
ser obrigada a ouvir as desculpas que daria. Haveria outra biblioteca infantil. Tentava animar-se,
mas sabia que a promessa feita aos pais não seria cumprida com tanta facilidade. O homem que
amara e em quem confiara ajudara a destruir seu sonho. E ela que pensara já ser um casal... Como
fora tola! Paul Richards só se importava com uma pessoa: ele mesmo, sua carreira e sua vida.
O olhar de Danielle pousou sobre uma camiseta de Paul misturada entre suas coisas. Pegou-a,
sentindo o perfume masculino impregnado no tecido.
Paul jamais teria dado apoio a outro arquiteto se a amasse de verdade. Teria lutado por ela!
De repente, a porta se abriu, e Danielle segurou com força a camiseta de Paul, o coração aos
pulos, ao vê-lo ali parado.

CAPÍTULO NOVE
Paul viu as malas prontas de Danielle. Estava preparada para deixá-lo para sempre, os olhos
vermelhos de tanto chorar, os cabelos em desalinho. Ao vê-la assim, Paul sentiu um aperto no
coração. Como a magoara! Com mão trêmula, Danielle estendeu-lhe a camiseta que ainda segurava.
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— Você a guardou junto às minhas roupas, Paul.
— Não vai me dar a chance de uma explicação?
— Preciso acabar de fazer as malas.
— Por favor, Danielle, não abra mão do que temos!
— Eu? — Acho que é você quem gosta de viver sozinho!
— Sim, pensava desse modo até conhecê-la, mas agora...
— Você não sabe amar, Paul, não sabe pensar em termos de casal. — Vive para si mesmo e
nunca mudará.
Aquelas palavras penetraram no coração de Paul como uma lâmina afiada.
— Está errada, querida.
Ouviu-se uma batida à porta, e Lisa entrou, parando, de repente, ao ver Danielle e Paul juntos.
— Posso voltar mais tarde...
— Não! — Danielle sentia o coração sangrando ao levar a bagagem para o carro.
Depois de morar durante todo aquele tempo com Paul, tivera a ilusão de que nunca mais
regressaria ao próprio apartamento e que, depois de concluir a obra, iriam ser marido e mulher,
ficando juntos para sempre. Como fora tola e sentimental!
— Estou pronta, Lisa.
Enquanto ela ajeitava a bagagem no carro, Paul veio carregando o computador.
— Se não tiver espaço no porta-malas, poderei levá-lo na caminhonete...
— Não, obrigada. — Vai caber. — Danielle não ousava pensar em fazê-lo ir até o
apartamento, e o som conhecido da motocicleta de Butch aproximando-se, a fez voltar à realidade: a
construção acabara assim como sua história de amor.
— Danielle, vou sentir sua falta. — Butch estendeu-lhe a mão.
— Quem sabe voltaremos a trabalhar juntos... — Danielle o abraçou.
As duas irmãs entraram cada uma em seu carro, lançando um último olhar para a casa.
Danielle forçou-se a olhar para frente, e partiu.
Vendo Danielle sair de sua vida, Paul sentiu como se uma parte de seu corpo estivesse sendo
amputada.
Um enorme caminhão chegou para retirar o trailer do canteiro de obras, e Paul foi empacotar
seus pertences. Viu o disquete de Danielle sobre a mesa. Ela o esquecera ali. Com um gesto rápido,
colocou-o no bolso enquanto Butch o ajudava a pôr as malas na caminhonete, sem abrir a boca.
Amargurado, Paul dirigiu-se ao fundo da casa e postou-se na beirada do despenhadeiro,
olhando para o oceano Pacífico, tentando dominar o turbilhão de emoções que o atormentava.
Lembrou-se de Danielle entre as ondas, atirando água sobre ele, rindo, perdendo a parte de
cima do biquíni. Sempre fora um solitário, mas agora, amando-a, sentia-se estranho e incompleto
por estar sozinho.
Paul ouviu o motor da motocicleta e lembrou-se de que a obra estava pronta. Procurando as
chaves do veículo no bolso, tateou o disquete, e um lampejo de esperança o invadiu. Tinha uma
desculpa para vê-la mais uma vez.
Danielle esperara que o perfume das rosas, gardênias e cravos da floricultura fizessem-na
esquecer a angústia de ter perdido Paul e o trabalho da biblioteca infantil ao menos por algum
tempo, mas enganara-se. Ajudar Lisa a escolher o buquê de noiva fazia-a pensar que nunca se
casaria.
— E se eu escolhesse um só de gardênias? — perguntou Lisa, animada, mas logo se
entristecendo ao olhar para a irmã. — Está pensando em Paul?
— Desculpe-me. — Não quero ser desmancha-prazeres, mas...
— Ás vezes me arrepende ter sugerido que fizesse a casa de Harrington.
— Não diga isso, Lisa! — Adorei aquele trabalho! — Gostaria de acrescentar que, embora
estivesse sofrendo muito, aqueles dias e aquelas noites com Paul seriam as recordações mais lindas
que teria para o resto de sua vida.
— Danielle, não se preocupe. — Algo maravilhoso vai acontecer. — Talvez seja no meu
casamento. — Manny me contou que seu padrinho é um grande amigo, bonitão e solteiro...
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Momentos Íntimos 31

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— Não comece a tentar me arrumar namorados! — Nenhum homem irá substituir Paul em
meu coração.
— Apenas desejo que seja feliz...
— Sei disso. — Danielle abraçou Lisa e tratou de mudar de assunto: — Este arranjo é lindo,
com gardênias e rosinhas brancas. — O que acha?
— Perfeito! — E quero que você carregue igual, para combinar.
Enquanto Lisa fazia o pedido, Danielle tomou entre os dedos uma pétala de rosa vermelha,
acariciando a textura macia. Por que Paul não pusera o amor na frente de todo o resto? Por quê?
Com suavidade, colocou a pétala sobre o balcão perto do vaso e apressou-se a sair da
floricultura com a irmã.
Paul pôs o disquete de Danielle no computador. Antes de devolvê-lo, queria ver o trabalho de
novo. O esboço da biblioteca surgiu na tela, e seus olhos abriram-se, maravilhados, vendo o
estacionamento externo e os três andares do prédio. Danielle mudara o desenho original, e seu
projeto era muito superior ao de Victor Horton. Precisava mostrar aquilo para Harrington, porque,
sem Danielle a seu lado, a sociedade comercial não fazia mais sentido.
Sabendo que Harrington ainda estava em San Francisco, Paul ligou para o escritório e deixou
recado para que ele lhe telefonasse com urgência. Apenas alguns minutos tinham se passado quando
o telefone soou. Ansioso, Paul atendeu, esperando que fosse Harrington retornando a chamada.
— Ei, amigão! — Quando vou vê-lo?
— Lucky! — Já está de volta a Los Angeles?
— Chegarei amanhã. — Teremos muito que conversar.
Ao desligar, Paul sentia-se dividido entre um turbilhão de emoções. Mal esperava á hora de
rever Lucky e, entretanto, sem Danielle, sentia um vazio muito grande. Desejara muito que ela
conhecesse seu melhor amigo, mas, agora, era tarde demais...
Na tentativa de se alegrar, decidiu ir buscar Lucky no aeroporto, na manhã seguinte.
— Levante-se!
Pensando ainda estar no trailer, Danielle murmurou:
— Paul... — Abriu os olhos e, ao perceber a realidade, sentiu uma dor aguda.
— Uma cliente acabou de telefonar solicitando para ver uma propriedade — anunciou Lisa,
apressada. — Pode ir buscar Manny no aeroporto e dizer que espere por mim? — Chegarei o mais
rápido que puder.
— Vá tranquila. — Danielle sentou-se na cama. — Cuidarei de Manny.
— Obrigada, querida. — E não esqueça: Manny vai ficar na casa do amigo até o casamento.
Levantando-se, Danielle recordou o sonho que tivera: estava na suíte da casa de Harrington
com Paul, e haviam feito amor.
Tomou um banho para se acalmar e tratou de se vestir. Dirigiu-se à geladeira e viu o
martelinho pendurado na porta. Com os olhos marejados, segurou o pequeno magneto, tentando
entender como Paul pudera menosprezar seu amor por causa de uma sociedade comercial. Deveria
ter jogado fora o martelinho naquele exato instante, mas não conseguiu.
Colocou-o na bolsa e tratou de ir buscar Manny.
O aeroporto de Los Angeles fervilhava quando Paul chegou para encontrar seu amigo de
infância. Não conseguiu deixar de ver casais que se reencontravam, aos beijos. Por que não pudera
ficar com Danielle? "Porque não podia ter um amor na sua vida..."
Ao passar por uma das lojas do aeroporto, ficou imóvel. Lá estava Danielle, de costas, junto a
uma estante de revistas!
Podia até sentir seu perfume floral, e um desejo enorme de tocá-la o invadiu.
— Danielle...
Ao ouvir a voz profunda às suas costas, ela sentiu as mãos geladas. Voltou-se e viu-se frente a
frente com Paul, ò rosto corado. Não podia permitir que as emoções saíssem do controle.
— O que faz aqui?
— Vim encontrar um velho amigo. — E você?
— Recepcionar o noivo de Lisa. — O desembarque do avião está atrasado, e minha irmã deve
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Momentos Íntimos 31

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chegar a qualquer momento também.
— Querida, sei que não quer conversar comigo...
Danielle reparou que os passageiros do voo de Manny começavam a chegar ao terminal.
— Paul eu tenho de ir! — Em meio à multidão, distinguiu Manny, usando jeans e uma camisa
cor de jade, segurando duas valises, o olhar procurando por Lisa. — Manny! — Aqui!
Danielle tentou abrir caminho, mas, antes que se aproximasse o bastante, viu Lisa atirar-se
nos braços do noivo, chegando à frente.
Tentando voltar, deu de encontro com Paul, que a segurou nos braços. Ela o encarou,
desejando que fosse seu bem-amado, e não o homem que a traíra.
Lisa e Manny correram até os dois. Manny apertou a mão de Danielle e, de súbito, viu Paul ao
seu lado.
— Amigão você está aqui! — Todo seu rosto iluminou-se em um grande sorriso. — Lisa,
Danielle, conheçam meu padrinho de casamento!
— O quê? — Danielle encarou-o, surpresa.
Lisa olhou para Manny, estarrecida.
— Paul Richards é o seu grande amigo de infância?
— Nunca o chamei de Paul. — Manny deu um forte abraço no amigo. — Para mim, ele
sempre foi Skip.
— É ótimo rever você, Lucky! — exclamou Paul, o olhar cravado em Danielle, que mal
conseguia respirar, tamanho o espanto. Agora não mais poderia ser dama de honra de Lisa. Não com
Paul Richards como padrinho do noivo.
Sem dúvida, Lucky trouxera-lhe sorte, pensou Paul. Agora teria uma chance de ver Danielle
um pouco mais por causa do casamento. Talvez até pudessem conversar e esclarecer as coisas.
— Vou deixar minhas malas na casa de Skip — anunciou Manny.
— Chega de apelidos! — pediu Lisa em tom de brincadeira. — Ficamos nos sentindo
estranhas, não é verdade, Danielle?
— Tudo bem, chega de apelidos! — Eu e Paul vamos alugar as roupas para o casamento
agora.
— Manny, amo você! — Lisa o beijou de novo, e Paul desejou fazer o mesmo com Danielle,
mas sabia que seria mal recebido. — Venha, Danielle! — Os rapazes vão nos encontrar mais tarde
para jantar.
Assim que os dois amigos partiram na caminhonete de Paul, Danielle olhou para a irmã,
incrédula.
— Não posso sair para jantar com vocês!
— É necessário... — Lisa a fitava com ar displicente. — É minha dama de honra, e Paul, um
dos padrinhos e o melhor amigo de meu noivo. — Precisa se acostumar com a situação, querida...
Danielle não sabia o que fazer. Estava tentando esquecer, mas como era possível com Paul tão
próximo o tempo todo?
— Certo Lisa. — Mas, no exato momento em que a cerimônia terminar, não quero mais ver
Paul!
— Tem certeza?
— Claro que sim!
— Você não mudou nada, Paul. — Manny tirou os sapatos, já instalado no chalé, e acomodouse no sofá. — Continua com medo de amar.
— Do que está falando? — Paul entregou um refrigerante para o amigo. — Sei muito bem o
que é gostar de alguém.
— É mesmo? — Então por que está fugindo de Danielle?
— O que sabe sobre ela?
— Lisa sussurrou algumas coisas para mim lá no aeroporto...
— Causei-lhe uma grande mágoa, Manny, e agora Danielle não quer mais nada comigo.
— Pretende fugir como fugiu de sua madrasta quando menino?
Aquelas palavras atingiram Paul como um soco. Jamais conseguira ter um amor na vida. Por
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Momentos Íntimos 31

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que agora seria diferente?
— Ama Danielle, Paul?
— Ela é tudo com que sempre sonhei em uma mulher.
— Então, trate de persegui-la até que se case com você! — Manny pulou do sofá. — É
melhor irmos alugar nossas roupas, senão Lisa cancelará o casamento!
Casar com Danielle! Paul ficou pensando que, se Danielle lhe perdoasse, teria uma chance de
se declarar. Porém, tinha certeza de que iria recusá-lo.
Paul e Manny esperavam por Danielle e Lisa em frente ao restaurante italiano. Ao vê-lo, forte
e musculoso, rindo para o amigo, Danielle percebeu que, na realidade, Paul nunca se comprometera,
jamais fizera juras de amor eterno. Talvez por isso tivesse sido tão fácil arriscar seu romance e
favorecer Victor Horton.
— Lisa, por favor, não se aborreça, mas não posso ir jantar com vocês.
— Danielle, você prometeu!
— Como posso continuar fingindo assim?
Lisa olhou para Manny, e seu rosto se iluminou. Abriu a porta do carro e desceu apressada.
— Espere Lisa! — gritou Danielle, mas a irmã já atravessara a rua e se atirara nos braços do
noivo, enquanto Paul vinha caminhando na direção do automóvel, abrindo a porta.
— Não vai descer Danielle?
"Ponha uma coisa na cabeça: Paul está só preocupado com o próprio sucesso, não com você!"
Assim pensando, Danielle tentou convencer-se de que só ia jantar para agradar a irmã, mas a
proximidade do corpo de Paul a fez estremecer. Correu e atravessou a rua, afastando-se. Não podia
fraquejar.
Ao sentar-se ao lado de Danielle no restaurante, Paul viu Manny beijar o pescoço de Lisa,
fazendo-a sorrir com sensualidade. Aquilo o fez sentir-se pouco à vontade, pois ansiava também por
tocar a mulher que amava. Não conseguiu comer nada, magoado por ver que Danielle só
conversava com os noivos, ignorando-o por completo.
Ao final do jantar, Danielle pediu licença e levantou-se, indo ao toalete.
Era uma tortura ficar sentada, ao lado de Paul sem poder tocá-lo, ao mesmo tempo em que
presenciava o amor e carinho entre Lisa e Manny. Quando ia entrar no banheiro, sentiu uma mão
firme em seu braço.
— Danielle, espere, por favor.
— Nada temos a dizer um ao outro.
— Por quanto tempo vai me odiar?
— Não odeio você, Paul. — Desejava gritar que, pelo contrário, o amava muito, mas não
podia fraquejar.
— Será que não compreende que só percebi que você desejava o projeto da biblioteca quando
era tarde demais? — Quando me revelou sua ideia, Victor já tinha sido escolhido. — Estou com
saudade.
Sem saber o que fazer, Danielle livrou-se da mão que a prendia e entrou no toalete, deixando
cair á bolsa e espalhando pelo chão de ladrilhos todos os seus pertences: batom, carteira, escova,
caneta e o martelinho. Levantou-o do chão com delicadeza. Não desejara ofender Paul no
restaurante, porém era impossível aguentar a tensão. Por mais que o amasse, seu coração ainda doía
com a frieza com que a tratara, pensando apenas em seus próprios interesses profissionais. Tratou
de guardar os objetos e saiu do banheiro, onde foi se encontrar com os demais, que já haviam se
levantado. Aproximou-se de Lisa e murmurou-lhe ao ouvido:
— Preciso ir para casa. — Pode voltar com Paul e Manny?
— Mas, Danielle, eu pretendia conversar com Manny a sós, hoje. — Aliás, ia pedir seu carro
emprestado.
— E como irei embora.
— Eu a levo — disse Paul, logo atrás.
— Claro... Obrigada. — Danielle sentia-se sem saída. Tinha medo de ficar a sós com Paul,
mas, ao mesmo tempo, percebera que Lisa estava com algum problema e precisava falar com
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Momentos Íntimos 31

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Manny.
Dentro da caminhonete, Paul arriscou um olhar de viés para Danielle. Não desejava levá-la
direto para casa, pois precisava ficar á seu lado mais um pouco.
— Sei que quer ir logo para seu apartamento, mas gostaria de mostrar-lhe algo primeiro.
Os olhos azuis-turquesa encontraram-se, com os dele.
— Está certo...
Sem saber por que, Paul viu-se dirigindo em direção ao velho bairro, em Santa Mônica. Lá
chegando, apontou para uma casa bege, de esquina.
— Manny morava ali.
— E você, Paul?
Aproximando-se da casinha cinza onde crescera, Paul dirigiu mais devagar. De modo
inexplicável, o fato de estar ao lado de Danielle o deixava mais à vontade para enfrentar o passado
triste. Estacionou em frente, dizendo, com um nó na garganta:
— Foi ali que cresci.
— Bonita casa. — Quem é a senhora sentada à janela?
Os dedos de Paul apertaram o volante com força, e teve o súbito impulso de ir embora.
— Não a vejo desde que fugi, aos dezessete anos...
— Por quê? — Danielle parecia chocada.
— Depois que meu pai morreu Soraia, minha madrasta só teve olhos para os próprios filhos
do casamento anterior. — Tornei-me um intruso, um estorvo na sua vida.
— Sinto muito... — Danielle tocou-lhe o ombro e, por um instante, o contato cálido fez brotar
fortes emoções em Paul:
— Tudo ficou no passado. — Paul sabia, porém, que não era verdade. A rejeição de Soraia
permanecia indelével em sua memória.
— Você não fala com ela há tanto tempo... Por que não bate na porta e diz "olá"?
— Por certo, nem vai se lembrar de mim! — Como pode ter certeza?
— Tenho!
— Vamos lá! — Danielle abriu a porta da caminhonete. — Irei com você.
Paul não sabia o que fazer. Sempre se sentira inseguro com relação à madrasta, mas agora,
com Danielle a seu lado, talvez pudesse encarar e superar o passado, de uma vez por todas.
Lado a lado, aproximaram-se da velha residência. A entrada, Paul hesitou em tocar a
campainha.
— Talvez fosse melhor voltarmos outro dia...
— Sua madrasta é o que resta da família — replicou Danielle, tocando a campainha.
Paul sentiu um nó na garganta. Tinha medo de encarar o antigo olhar frio e desagradável.
De repente, a porta se abriu, e uma senhora com rosto enrugado o encararam por um longo
momento.
— Paul? — E você mesmo?
Danielle apertou-lhe a mão, dando-lhe coragem.
A voz saiu embargada:
— Sim; sou eu.
Soraia cobriu a boca, estarrecida.
— Paul, por onde andou todos esses anos?
— Por aí... — Apertou com força a mão de Danielle, chamando a atenção de Soraia para a
bela jovem a seu lado.
— É sua esposa?
— Sou Danielle Ford. — Apenas uma amiga — respondeu, corando e estendendo a mão.
— Por favor, entrem — pediu a senhora.
Paul relanceou o olhar para Danielle. Não desejava envolvê-la naquela história triste, porém
notou que ela sorria e, então, confiante, entrou.

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CAPÍTULO DEZ
A sala de visitas estava forrada com pilhas de jornais velhos, e a poeira cobria o aparelho de
televisão. Os chinelos rasgados de Soraia estavam embaixo da mesinha de café, do modo como Paul
lembrava, nos velhos tempos.
— Sei por que fugiu de casa, Paul — disse Soraia, sem preâmbulos.
— Não precisamos falar sobre isso... — Paul retesou-se.
— Mas é preciso! — Pensei a esse respeito durante anos até ficar esgotada. — Parou por um
instante, como se tivesse dificuldade em prosseguir. — Foi minha culpa. — Sei como o tratei mal
depois da morte de seu pai.
— Esqueça!
Danielle segurou o braço de Paul, dando-lhe forças.
— Não consigo esquecer o que lhe fiz — continuou a madrasta. — Depois do que aconteceu a
Richard, fiquei sozinha com três crianças... Foi demais para mim! — Não tive fibra. — Apesar de
amar você, acabei tornando-o o bode expiatório de minha revolta, porém jamais desejei magoá-lo.
— Pode me perdoar?
Paul sentiu as mãos geladas. Todos os tormentos por que passara na infância pareceram voltar
à tona, mas Danielle encarou-o, cheia de simpatia. Então, seguindo um impulso, Paul aproximou-se
da madrasta e, pela primeira vez na vida, abraçou-a, sentindo um calor reconfortante invadir sua
alma.
— Podemos ainda ser uma família, Paul? — Virá me visitar de novo?
— Sempre que a senhora quiser.
— Quando voltar traga sua adorável amiga também.
— Bem... Não sei se...
— Voltarei, com muito prazer! — interrompeu Danielle, apertando, com entusiasmo, a mão
de Soraia.
Conduzindo-a para casa, Paul sentia uma embriagadora sensação de liberdade interior que
jamais experimentara antes, e tudo graças a Danielle.
— Obrigado por ter ficado á meu lado. — Jamais teria entrado na casa de minha madrasta se
não fosse por você.
— Nunca tinha percebido, até hoje, quanto sentia falta da família, Paul. — Como deve ter
sofrido em meio à solidão durante todos esses anos!
— Estou acostumado...
Porém, naquele instante, percebeu que não se acostumaria mais. Sentia uma ânsia imensa de
ficar com Danielle por toda a vida.
Ao aproximar-se do prédio conhecido, tentou encontrar as palavras certas para revelar seus
sentimentos, porém, quando estava prestes a falar, o olhar preocupado que viu o deteve.
Pela janela da caminhonete, Danielle observou Lisa sair correndo do carro, chorando e
entrando no prédio. Manny ficou parado, sem ação, e Danielle lembrou-se de que, horas antes,
percebera que algo não ia bem entre os noivos.
— Paul, pare o carro!
— Certo! — Vá falar com Lisa. — Eu me encarrego de Manny.
Danielle lançou-lhe um rápido olhar, sentindo que agora eram um casal de relacionamento
sólido e verdadeiro e que algo mudara em Paul desde que se reconciliara com Soraia. Foi encontrar
Lisa deitada no sofá da sala, chorando. Sentou-se ao lado da irmã.
— O que aconteceu, meu bem?
— Não vou mais me casar...
— Por quê?
— Manny e eu estávamos falando sobre crianças. — Disse que gostaria de engravidar logo,
mas ele respondeu que não pretende ser pai tão cedo. — Quer esperar uns três anos até firmar-se no
trabalho. — Como posso me casar com um homem que só pensa nos seus interesses?
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Danielle entendia muito bem.
— E você, Lisa? — Será que não está só pensando nos seus próprios interesses agora?
— Mas o que Manny deseja é o oposto do que quero!
— Será? — Se parar para pensar, verá que ele quer o mesmo que você, apenas não tão cedo.
Enquanto falava, Danielle pensava nas palavras de amor que Paul já lhe dissera, mas que não
se comprometera de maneira definitiva, talvez porque ainda não estivesse preparado para isso.
— O que faço Danielle?
— Não vê a sorte que tem? — Você e Manny se amam! — Tente ouvi-lo, e sei que
conseguirão chegar a um acordo.
— E se já for tarde demais? — A voz de Lisa demonstrava pânico. — Se Manny não quiser
fazer as pazes? — Será que Paul conseguiria convencê-lo?
Danielle engoliu em seco, sem saber o que dizer. Sabia que Paul não era grande defensor da
instituição do casamento.
— Não se preocupe querida. — Manny a ama, e voltará.
— Espero que sim! — Lisa abraçou Danielle, que a acalentou como a uma criança.
Deu-se conta de que agira do mesmo modo com Paul, não permitindo que ele se explicasse
sobre o problema da biblioteca infantil. Esquecera-se de que, em primeiro lugar, tinham sido
colegas e, apenas mais tarde, amantes.
Paul observava Manny andar de um lado para o outro na sala de sua casa.
— Tudo bem! — Lisa não quer mais se casar comigo. — E daí? — Talvez seja melhor assim.
— Você, Paul, não é casado e é feliz.
Paul sentiu os músculos tensos.
— Está enganado.
— Mas... — Manny encarou o amigo, surpreso. — Pensei que viver sozinho fosse o seu ideal.
— Sim... Quero dizer, era até pouco tempo atrás.
— Explique melhor.
— Ouça meu amigo. — As palavras fluíram com naturalidade: — Quando você encontra uma
mulher pela qual se apaixona de todo o coração, ela se torna parte vital de sua existência, como o ar
que respira.
Teve vontade de acrescentar que era o que acontecia entre ele e Danielle.
— Lisa não me quer mais, Paul.
— Estão tendo problemas? — Paul apanhou o telefone. — Resolva a questão! — Não fuja da
felicidade!
— Tem razão! — Manny segurou o aparelho, discando o número de Lisa. — Como posso ser
tão tolo para deixar o amor escapar?
Paul também soube o que fazer naquele instante. Olhou para a secretária eletrônica. O Sr.
Harrington havia deixado uma mensagem para que fosse encontrá-lo pela manhã no escritório.
Decidido, Paul pegou o disquete do projeto que guardara em uma gaveta. Estava pronto a
arriscar tudo. Sua vida profissional continuaria com ou sem Harrington, mas não conseguiria
sobreviver sem Danielle.
— É Manny — anunciou Danielle, passando o fone para Lisa.
Enquanto a irmã se precipitava para a cozinha, Danielle dirigiu-se ao quarto, imaginado o que
Paul dissera a Manny sobre amor e casamento. Teria mudado de ideia a respeito de compromissos
sérios? Abrindo o armário, deparou-se com o belo traje azul de dama de honra e, deslizando os
dedos pelas rendas, imaginou que Paul a pedia em casamento. Seria um sonho impossível? Uma
ilusão? Fechou a porta do armário com um gesto brusco e sentou-se na cama. Como enfrentar o
casamento da irmã tendo-o a seu lado?
De pé, no escritório de Harrington, Paul sentia-se muito tenso, vendo-o examinar e discutir, os
desenhos de Victor Horton.
— Estudei o projeto revisado do estacionamento, mas ainda não cheguei a uma conclusão
satisfatória.
Então, Paul retirou do bolso o disquete de Danielle.
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Momentos Íntimos 31

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— Sr. Harrington, acho que tenho a solução aqui. — Sem perda de tempo, colocou-o no
computador, o coração aos pulos.
Harrington aproximou-se do monitor.
— Incrível! — Por que Victor escondeu isso de mim?
— Não é de Victor.
— Como assim?
— Sr. Harrington... — Paul respirou fundo. — Sei que Victor Horton faz parte de nosso
negócio, porém não creio que seja o arquiteto ideal para este caso.
— E quem seria então?
— Danielle Ford.
— Esse projeto é dela? — Harrington permanecia olhando para a tela, e a animação em sua
voz deu coragem a Paul.
— O maior sonho de Danielle é ser a arquiteta da biblioteca infantil. — A sua biblioteca, Sr.
Harrington! — Em minha opinião, este trabalho é muito superior ao de Victor Horton.
Pronto! Dissera o que tinha de dizer. Suas mãos estavam suadas, a camisa empapada. Acabara
de pôr em risco a sociedade, mas jamais abandonaria Danielle de novo!
A limusine branca parou em frente à igreja. O motorista desceu e abriu a porta para Danielle,
que, nervosa, caminhou apertando o pequeno buquê de rosas. Ansiava por ver Paul.
Lisa surgiu de dentro do automóvel com o vestido branco como a neve. Um véu diáfano
cobria o rosto corado de emoção.
— Está parecendo um anjo... — Sussurrou Danielle, com lágrimas embaçando-lhe o olhar.
— Gostaria que papai estivesse aqui para conduzi-la ao altar.
— Papai deve se sentir feliz por você estar aqui comigo, Danielle.
Lisa entrou sozinha na igreja, seguida pela irmã.
O sol penetrava pelos vitrais coloridos, criando um caleidoscópio brilhante.
Enquanto os fotógrafos captavam as primeiras poses, Danielle relanceou o olhar pela nave da
igreja. Os bancos de ambos os lados haviam sido decorados com guirlandas de gardênias brancas
como o buquê da noiva.
Danielle prendeu a respiração ao ver Paul no altar, ao lado de Manny, muito elegante,
vestindo terno escuro e gravata de seda.
Os primeiros acordes da marcha nupcial encheram o recinto.
— Danielle eu estou tão nervosa! — murmurou Lisa.
— Relaxe... Manny está à sua espera.
Danielle mal via os amigos e conhecidos sorrindo à sua passagem, pois seu olhar estava fixo
em Paul, que também a olhava com insistência. De pernas bambas e mãos trêmulas, Danielle
desejava que o pastor estivesse ali também para celebrar seu casamento.
Danielle era a mulher mais linda que Paul já conhecera. O vestido azul acentuava-lhe a cor
dos olhos. Mal percebeu quando Manny desceu os degraus para receber Lisa.
— Estamos aqui reunidos... — Principiou o sacerdote.
O olhar de Paul não abandonava Danielle. Por que as palavras do pastor não podiam ser
dirigidas para eles dois também? Será que ainda tinham uma chance? Harrington não se
comprometera em aceitá-la como arquiteta da biblioteca, mas ficara com o disquete, prometendo
estudá-lo melhor.
— As alianças! — Paul sentiu uma cotovelada de Manny e voltou à realidade, entregando os
anéis ao noivo, enquanto Manny erguia o véu e beijava Lisa.
Agora eram marido e mulher.
Os noivos deixaram o altar.
Paul viu lágrimas nos olhos de Danielle, e, num impulso, passou os dedos em seu rosto,
ansiando por tomá-la nos braços e fazer a pergunta que selaria seu amor. Mas será que ouviria: sim
como resposta?
No banco de trás da limusine, a caminho da recepção, Danielle exclamou:
— Felicidades, Sra. Manny Grant!
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Momentos Íntimos 31

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— Você será a próxima! — Lisa vaticinou.
As faces de Danielle ficaram em fogo. Olhou de soslaio para Paul. Havia um minibar no
automóvel, e ele estava ocupado, servindo champanhe e brindando, risonho.
— À Bela e à Fera!
— Espere que vou dar o troco. — Manny riu também, e, olhou para Danielle, que sentia o
coração pesado.
Quando iam descer do carro, Paul tocou-lhe a mão, impedindo que seguisse os noivos.
— Espere...
— Lisa e Manny estão nos aguardando — disse Danielle, com voz embargada.
— Você está linda!
— Danielle! — Paul! — Venham!
Obedecendo, Danielle segurou a saia rendada e correu para fora do carro, sem olhar para trás.
Por que se permitia sonhar quando sabia que jamais tornaria a ver Paul depois daquele dia?
No iate onde acontecia a recepção do casamento, Paul procurou por Danielle em meio à
multidão de convidados que ria e conversava com animação.
Precisavam se entender, mas como externar seu amor antes de consertar o estrago que fizera
em seus sonhos profissionais? Ansioso, buscou um telefone. Precisava saber o que Harrington
decidira e, àquela hora, ainda poderia encontrá-lo no escritório.
— Sr. Harrington, desculpe-me por incomodá-lo, mas...
— Paul, eu estou no meio de uma reunião com Victor Horton — interrompeu Harrington.
— Posso ligar de volta?
— Ligarei para o senhor mais tarde, então...
— A propósito, Paul, antes que minha esposa e filho voltem de San Francisco, gostaria que
você e Danielle almoçassem comigo na casa nova. — Pode ser amanhã?
— Claro senhor!
Paul desligou, sentindo-se frustrado, pois agora tinha certeza de que Harrington decidira-se
por Victor Horton para o projeto.
Tomando seu champanhe, resolveu que naquela noite, sem falta, iria se declarar.
Porém, em poucas semanas, estaria assumindo a construção da biblioteca. Como sair de casa
contente para trabalhar todos os dias sabendo que frustrara o maior sonho de Danielle?
O conjunto musical tocava com animação, e Danielle procurou Paul entre os convidados. Lisa
e Manny já estavam prontos para começar a dança, os olhos cheios de amor um pelo outro. Muitos
convidados os acompanharam, dançando também.
— Posso ter o prazer? — Danielle sentiu o toque familiar da mão forte em seu braço.
— Adoraria!
Enquanto dançavam, Paul começou a falar com voz tensa:
— Harrington nos convidou para almoçar na casa nova amanhã.
De súbito, o conjunto passou a tocar uma música mais agitada, e Lisa pegou a mão de Paul
enquanto Manny segurava Danielle, trocando os pares. A conversa foi interrompida.
Mais tarde, sentados para o banquete, Paul mal conseguia comer. Desde que comentara sobre
o almoço com Harrington, sentira que Danielle se afastara.
O bolo de quatro andares foi trazido em um carrinho, e, enquanto Lisa e Manny cortavam a
primeira fatia, Paul desejou, pela milésima vez, que aquele fosse o seu casamento.
Um grupo de moças se reuniu, em seguida, para que Lisa atirasse o buquê, e, segundos
depois, Paul viu Danielle agarrando-o no ar, o rosto corado.
— Você é a próxima! — exclamou Lisa, feliz.
Paul pensou em pedir Danielle em casamento naquele exato momento. Será que diria sim ou
viraria as costas? Os olhares de ambos se encontraram em meio à multidão.
Os convidados dançavam rock ao som do conjunto, e Danielle viu Paul se afastar ao lado de
Manny.
No olhar que havia trocado quando ela pegara o buquê recordara os beijos ardentes, os toques
sensuais das mãos fortes, e ansiava por sentir aquelas emoções outra vez.
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Momentos Íntimos 31

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Por fim, a recepção do casamento terminou sem que Danielle tivesse outra oportunidade de
conversar com Paul a sós.
Levou Lisa de volta ao apartamento, a fim de pegar as malas para a viagem de lua-de-mel ao
Havaí. O resto dos pertences da irmã já estava na casa que ela e; Manny haviam alugado.
Sem que Lisa percebesse, Danielle colocou em uma das malas a camisola branca e
transparente que compram como uma surpresa para a noite de núpcias. As irmãs se abraçaram.
— Sentirei saudade, Danielle.
— Mentirosa! — Nem vai se lembrar de mim, divertindo-se com Manny!
Ouviram a buzina do carro do noivo impaciente, e Danielle tentou não chorar.
— Tenho certeza de que esqueci alguma coisa — disse Lisa, aflita, relanceando os olhos pelo
quarto.
— Se esqueceu, mando pelo correio para o Havaí — prometeu Danielle, dando mais um
abraço na irmã.
No instante em que Lisa saiu, o apartamento ficou muito solitário. Danielle lembrou-se de que
nem se despedira de Paul ao final da festa. Começou a despir o vestido azul de renda e voltou a ter a
sensação dos braços fortes enlaçando-a na pista de dança. Por que não podiam os dois também estar
viajando em lua-de-mel?
Vestiu um roupão e, quando estava para deixar o quarto, viu a bolsa de maquilagem e as
chaves de Lisa caídas no chão, entre as duas camas. Pegando os objetos, ficou pensando numa
maneira de entregá-los a ela antes que partisse. Com alívio, ouviu uma batida na porta e correu a
atender.
— Lisa, sabia que iria...
Lá estava Paul, ainda vestido com o terno do casamento, segurando a gravata, a camisa branca
aberta no peito, o olhar deslizando pelo roupão entreaberto de Danielle.
— Pensei que fosse Lisa... — Danielle sentia o rosto pegando fogo.
— Estava passado por aqui...
— Entre.
Na cozinha, ansioso, Paul pensava no que dizer a Danielle. Deveria, por exemplo, confessar
que tentara conseguir o trabalho da biblioteca para ela e falhara por completo? Porém, quando
Danielle fechou a porta e voltou-se para ele, com o roupão deixando ver a pele nua, só conseguiu
pensar no seu amor.
— Preciso de você — sussurrou, puxando-a para si.
— Paul, eu te amo tanto!
Os lábios de ambos se encontraram. Paul acariciou os seios delicados, abrindo o roupão,
enquanto, com gestos rápidos, Danielle o despia.
Paul a carregou até a mesa da cozinha, acariciando-a de modo íntimo, o desejo aumentando
ante os gemidos de prazer que despertava.
— Danielle, amo você... — conseguiu, por fim, murmurar, penetrando no corpo delicado, os
movimentos de ambos em harmonia, as almas unidas para sempre.
Quando alcançaram o clímax, Paul carregou Danielle até o quarto, pondo-a com muito
carinho sobre a cama. Não havia outro lugar no universo para ele a não ser ao lado da mulher que
amava.
Danielle acordou com o sol da manhã entrando no quarto, e o som de Paul conversando ao
telefone da sala.
— Claro Victor! — Posso encontrá-lo dentro de uma hora.
Victor Horton. A biblioteca infantil. O amor entre os dois jamais poderia abafar aquela
frustração.
Paul entrou no quarto, vestindo o terno escuro, o olhar preocupado.
— A que horas deseja que venha buscá-la para irmos almoçar com Harrington?
— Encontro você lá — respondeu Danielle, sem encará-lo. — Tenho algumas coisas para
fazer antes.
Dirigindo, Paul pensava que estivera com a proposta de casamento na ponta da língua, mas,
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Momentos Íntimos 31

- Falsa Lua – de - mel - Patty Salier

ao ver o olhar magoado de Danielle quando acabara de falar com Victor Horton, percebera que ela
nunca esqueceria o que lhe tinha sido tirada.
Danielle chegou alguns momentos adiantados para o encontro na casa nova dos Harrington, e
ficou aliviada ao ver que Paul ainda não chegara. Sabia como seria constrangedor para os dois
quando Harrington falasse sobre a construção da biblioteca. Porém, aquela casa recém-construída
faria sempre parte de sua vida, pois fora um trabalho feito com amor, em conjunto.
— Estou encantado por vê-la, Danielle! — Harrington, em pessoa, veio abrir a porta.
Ela entrou, com o coração dolorido. Tudo ali dentro fazia com que se lembrasse de Paul.
— Está gostando da casa, Sr. Harrington?
— Estou adorando! — Mas... Precisamos discutir seu projeto.
— Meu projeto? — Danielle ficou confusa. Teria, por acaso, se esquecido de desenhar algum
armário ou prateleira que ele encomendara?
Em resposta, Harrington ligou o computador, e a ideia de Danielle para a biblioteca infantil
surgiu na tela.
— Como... Conseguiu isso, Sr. Harrington?
— Paul trouxe-me o disquete. — Isto aqui é perfeito, Danielle!
— Mas... O senhor já tem um arquiteto escolhido...
— Sim, de fato tinha, mas Paul me convenceu de que você é a pessoa ideal para esse trabalho.
— E Victor Horton?
— Conversamos muito ontem. — Victor foi honesto, e disse não ter muita inclinação para
projetar bibliotecas para crianças. — Portanto, recomendei-o a um amigo que está construindo dois
grandes edifícios de escritórios.
A campainha da porta soou, e Harrington apressou-se em abrir.
— Paul chegou!
Danielle tratou de beliscar o próprio braço, para assegurar-se de que não estava sonhando.
Harrington gostara de seu projeto, e Paul era o responsável pela enorme felicidade que sentia!
Paul mal conseguia conter seu entusiasmo. Acabara de sair do apartamento de Victor Horton,
que lhe contara sobre o novo emprego com o amigo de Harrington. A biblioteca seria de Danielle,
enfim!
Ao entrar no escritório da casa nova, Danielle precipitou-se para os braços dele.
— Obrigada! — Devo tudo a você, Paul! — Eu te amo!
— Também te amo, Danielle...
O Sr. Harrington ficou olhando para os dois, enquanto sentava-se à escrivaninha.
— Estou muito satisfeito com minha dupla de arquiteta e empreiteiro, e pronto a fazer
sociedade com você, Paul, sob uma condição. — Quero vocês dois trabalhando para mim em todos
os meus futuros projetos comerciais.
Danielle mal conseguia absorver aquelas palavras.
— Sr. Harrington, deseja que eu trabalhe para o senhor de modo permanente?
— Isso mesmo! — Paul, você faz alguma objeção a isso?
— Posso falar a sós com Danielle por um momento, senhor?
— É claro!
Assim que Harrington saiu do escritório, Danielle entrou em pânico.
— Por que está hesitando, Paul?
— Porque tenho ideias próprias sobre o modo como deverá ser dirigida minha sociedade com
Harrington.
— Não me quer trabalhando a seu lado?
— Não podemos trabalhar juntos, vinte e quatro horas por dia da maneira como nos sentimos
um pelo outro.
— Mas não percebe a grande oportunidade que isso representa para nós dois?
— Sim, porém desejo que a arquiteta que trabalhe comigo partilhe tudo a meu lado, não
apenas a vida profissional.
— O que quer dizer com isso?
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Paul engoliu em seco, desesperado.
— Quer ser minha esposa?
— Deseja se casar comigo? — Você, o eterno solitário?
— Se não quer, posso compreender...
— Quero sim! — Danielle enlaçou-lhe o pescoço, e Paul a apertou contra o peito, sem
acreditar em tamanha felicidade.
Estava tão encantado que nem percebeu que Harrington voltara a entrar.
— Agora — disse Harrington, pigarreando — vamos assinar o contrato de sociedade.
— Sr. Harrington, Danielle e eu estamos honradas com sua proposta comercial e queremos
convidá-lo para nosso casamento também!

EPÍLOGO
Dois meses após seu casamento com Paul, Danielle postava-se diante da construção da
biblioteca infantil, encantada por estar concretizando a promessa que fizera aos pais.
Avistou o marido sobre uma viga de aço, dando instruções aos operários, e seu coração
encheu-se de amor. Mal podia acreditar que seus dois maiores objetivos tinham se realizado: o
projeto da biblioteca e o casamento com Paul Richards. Agora, porém, tinha mais um sonho.
Chegou a hora do almoço, e todos foram comer seus sanduíches.
— Tenho uma surpresa para você — disse Danielle, abraçando o corpo musculoso do marido.
Ambos se dirigiram ao trailer da construção, entraram, e Danielle trancou a porta, cerrando as
cortinas. Em seguida, caíram nos braços um do outro, beijando-se com paixão.
Ao afastar-se de Danielle, Paul viu o pequeno presente junto ao lanche que a esposa
preparara. Era a surpresa.
Com gestos rápidos, ele abriu o embrulho, deparando-se com um chocalho de bebê. Foi
tomado por uma alegria infinita. Devagar, Paul aproximou-se de Danielle e deslizou a mão pelo seu
ventre.
— Nosso bebê? — Vou ser pai?
— Tudo bem, Paul?
Ele tentou responder, mas as lágrimas embargavam sua voz. Ficaram abraçados, em silêncio,
por muito tempo.
Sim, pensou Danielle, todos os seus sonhos tinham se realizado.

FIM
PATTY SALIER nasceu e foi criada em Gravesend, Brooklyn, Nova York, e é escritora, com
trabalhos publicados, há muitos anos. Ela diz que herdou o raciocínio lógico da mãe e a criatividade
do pai. O maravilhoso marido e os dois filhos são tudo o que Patty desejava na vida. "Tenho tanto a
agradecer", diz ela.

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