You are on page 1of 181

Universidade Estadual do Ceará (UECE

)
Centro de Ciências e Tecnologia (CCT)
Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará (CEFET-CE)
Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação ( DIPPG)
MESTRADO INTEGRADO PROFISSIONAL EM COMPUTAÇÃO – UECE / CEFET

Paulo Henrique Aguiar

Sistema de Informação para Gestão Educacional: sistematização de
uma proposta de modelo e avaliação do processo de sua construção.

Fortaleza – Ceará
2004

Universidade Estadual do Ceará
Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará

Paulo Henrique Aguiar

Sistema de Informação para Gestão Educacional: sistematização de
uma proposta de modelo e avaliação do processo de sua construção.

Dissertação

apresentada

ao

Curso

de

Mestrado

Integrado Profissional em Computação do Centro de
Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual do Ceará
e do Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará,
como requisito parcial para obtenção do grau de mestre
em Computação. Área de Concentração: Informática
Educativa.

Orientador: Dr. Antonio Mauro Barbosa Oliveira

Fortaleza – Ceará
2004

Universidade Estadual do Ceará (UECE)
Centro de Ciências e Tecnologia (CCT)
Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará (CEFET-CE)
Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação (DIPPG)
MESTRADO INTEGRADO PROFISSIONAL EM COMPUTAÇÃO – UECE / CEFET

Título do trabalho: Sistema de informação para gestão educacional: sistematização
de uma proposta de modelo e avaliação do processo de sua construção.

Autor: Paulo Henrique Aguiar

Defesa em: ____ /____/____

Conceito Obtido: ___________

Banca Examinadora

____________________________________________
Antonio Mauro Barbosa Oliveira, DSc (CEFET-CE)
Presidente - Orientador

____________________________________________
Hermínio Borges Neto, DSc (UFC)
1º Membro Externo

____________________________________________
Paulo César de Sousa Batista, PhD (UECE)
2º Membro Externo

____________________________________________
Maria Gilvanise de Oliveira Pontes, DSc (UECE)
1º Membro

in memoriam. Quantas saudades da sua casa. do seu carinho..DEDICATÓRIA A uma tia muito querida.. da sua atenção.. .. da varanda. de tudo enfim. do seu cuidado. Quantas saudades do tempo de infância. do jardim. Quantas saudades de você.

AGRADECIMENTOS

Ao meu Deus, força maior de inspiração e de inteligência, pela condescendência
com que tem me presenteado todos esses anos.
Aos meus pais, pelo exemplo de vida, pela dedicação, pelo esforço e pelo amor
incondicionais a mim dispensados durante toda a minha vida.
À minha irmã Sandra, pessoa apaixonante e de um caráter privilegiado, pela
amizade e pelo carinho incondicionais.
Ao meu orientador, pela confiança, pela disponibilidade, e pelo enriquecimento
agregado.
À Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará, pelo privilégio de fazer
parte do seu corpo gerencial e pela oportunidade de aperfeiçoamento.
Aos colegas de trabalho, sobretudo aos que fazem parte da equipe de
informática da SEDUC, por todo esse tempo de convivência e por tudo que, juntos,
ajudamos na construção de uma educação melhor.

Meu sincero muito obrigado.

“Falar em cidadania
é falar de igualdade de oportunidades entre as pessoas,
da consciência de que é possível transformar e conviver com as diferenças
e que o bem-estar individual passa pelo bem-estar coletivo.
A construção da cidadania exige transformações profundas na sociedade
e mudanças de paradigmas a partir de uma visão ético-política.
Essas mudanças ocorrem simultaneamente nas pessoas
e no contexto em que estão inseridas”.

Serrão e Beleeiro

RESUMO

Esta dissertação propõe um modelo de utilização das novas tecnologias na
gestão educacional, baseado em quatro projetos estruturantes, desenvolvidos com recursos
e ferramentas da tecnologia da informação. O trabalho analisa a relação entre Gestão,
Tecnologia da Informação e Cidadania, à luz do segmento das Tecnologias da Informação e
da Comunicação – TIC que aborda a Informática Aplicada à Educação. Com o objetivo de
ilustrar a validade do modelo proposto, foram implementados, na Secretaria da Educação do
Estado do Ceará, os projetos Sistema Integrado de Gestão Educacional, Matrícula
Humanizada, Internet nas Escolas e Programa de Melhoria da Educação. Estes apontaram
a modernização tecnológica da Secretaria, sinalizaram a estratégia utilizada para a
implantação de um novo modelo de gestão e foram apresentados neste trabalho como
estudo de caso. O encadeamento das soluções utilizadas mostra o fortalecimento dos
centros de decisão e o desenvolvimento das ferramentas que viabilizaram a melhoria dos
processos de administração escolar e o envolvimento da comunidade. Foi ainda realizada
uma pesquisa com o propósito de verificar se os referidos projetos estruturantes realmente
possibilitaram a implantação de um modelo de gestão participativa nas escolas da rede
pública estadual, com avanços nos processos de gestão e nas atitudes, com a melhoria na
qualidade do ensino e com o fortalecimento da cidadania. O conteúdo deste trabalho
considera os novos desafios impostos às organizações e o uso das tecnologias como
instrumento de mudança organizacional, favorecendo a implantação de uma gestão escolar
democrática e promovendo instâncias de participação e de formação do ser cidadão.
Embora tenham sido utilizados procedimentos quantitativos, a pesquisa foi conduzida
através de métodos essencialmente qualitativos, fazendo uso de questionários, entrevistas e
observações participantes. No contexto dos processos de gestão, verificou-se significativa
contribuição da tecnologia da informação em aspectos relacionados à integração, à
resolução de problemas, à tomada de decisão e à comunicação. Com relação às atitudes,
tornou-se evidente uma melhoria na auto-estima dos servidores que passaram a se sentir
mais prestigiados por serem capazes de fornecer informação com mais agilidade e
confiabilidade.

which approaches Informatics applied to Education. A research was also carried out with the objective to verify if the above mentioned structuring projects have really made possible the implementation of a participatory model of management in the state public schools network through advances in the management processes and attitudes. . decision making and communication. The content of this paper considers the new challenges imposed to organizations and the use of technologies as an organizational changing instrument favoring the implementation of a democratic school management and promoting participation and training instances of citizens. problem solving. through the improvement in the teaching quality and the strengthening of citizenship. Information Technology and Citizenship in view of the Information Technologies and Communication segment. the research was conducted through essentially qualitative methods making use of questionnaires. Humanized Enrollment. the projects Educational Management Integrated System. an improvement became evident in the servants' self-esteem who began to feel more valued because they able to provide information in a more agile and reliable manner. In regard to attitudes. the Internet in Schools and Education Improvement Program were implemented at the Secretariat of Education of the State of Ceará.ABSTRACT This dissertation offers a model for using new technologies in education management based on four structuring projects developed by information technology resources and tools. interviews and observation. signaled the strategy used to implement a new management model and were presented in this paper as a case study. Even though quantitative procedures have been used. It analyzes the relation between Management. an important contribution of information technology was verified in aspects related to integration. Within the management process context. Aiming to illustrate the validity of the proposed model. They pointed out the Secretariat's technological modernization. The series of solutions used shows the strengthening of the decision centers and the development of tools that made possible the improvement of the schools administration processes and the involvement of the community.

..... INTRODUÇÃO ............................1......................................2.... 23 1.................................................3 Reengenharia de Processos .......................... Aspectos e Etapas .................................5 O Ciclo PDCA ....................................................... 32 2......................... 36 2...................... 21 1...... 54 2........1 ORGANIZAÇÃO ............................................................. 58 2............3............... 12 LISTA DE FIGURAS...................2.................2... 37 2................................ 39 2..............3 QUALIDADE TOTAL ....... 16 1... AS ORGANIZAÇÕES E OS NOVOS DESAFIOS ...................................................6 Política de Recursos Humanos e o TQC ........1 Cultura Organizacional ................... 23 2.....................................................................2......................3.................... 14 1...... 30 2...2 RELEVÂNCIA DA PESQUISA ..................................................3... 32 2.........2 Evoluções Recentes ...............2............... 58 .........................................2 Reengenharia no Governo .................................................. GRÁFICOS E QUADROS ................ 26 2....................3...............2 Abordagem de Alguns “Notáveis da Qualidade” ...........................2 A REENGENHARIA E O PROCESSO DE MUDANÇA ........... 27 2.......SUMÁRIO LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS .................1 Conceitos de Controle da Qualidade Total ..1 Os Novos Desafios Apresentados à Organização ........... 48 2...................................................................1............2 Motivação .....4 O Programa 5S ....................................1 A Reengenharia............. 48 2......... 27 2................... 47 2......... suas Definições...............4................................4 O Processo de Mudança na Organização .............3 OBJETIVOS DA PESQUISA E QUESTÕES NORTEADORAS ..................3........ 46 2..............................3.................. 57 2.........4..............3 As Ferramentas da Qualidade .........1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA ............ 51 2............. 49 2....................7 Dificuldades na Manutenção dos Programas de Qualidade ............2...3.........................................................

..............1......................... Comunidade e Cidadania ... 80 4......4 A Internet ............................................................ 80 4......... EVOLUÇÃO DO MODELO DE GESTÃO E DA TECNOLOGIA NA SEDUC................................................. METODOLOGIA APLICADA ................1 A SECRETARIA DA EDUCAÇÃO BÁSICA ........2..............3 Tendências da Tecnologia da Informação ..................... 73 3........................ 104 5................................ 61 3.................... 98 5... 76 4............2 Estrutura Flexível ...........2...... 114 ..2.........1 Aspectos e Oportunidades ..........................2 GESTÃO ESCOLAR ..2 O CONSELHO ESCOLAR ...... 97 5............................................... 74 3....................................... 65 3.... A CIDADANIA E A GESTÃO ESCOLAR .....2 A Era da Informática: Conseqüências e Impactos .1 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO ......... 74 3......... 85 4.................. 92 5...................2.. 60 3.. 102 5......................................4 ANÁLISE DO MODELO DE UTILIZAÇÃO DA TI PROPOSTO ...................3 ANÁLISE DO PLANO DIRETOR DE INFORMÁTICA .2 Princípios e Características da Gestão Escolar Participativa ............................................................1................................... A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E A REENGENHARIA .. 80 4.. 83 4.............................1................................... 72 3.........................1...........................1...1 Construindo a Cidadania ...........1 CIDADANIA ..............................................5 PROJETOS ESTRUTURANTES IMPLEMENTADOS QUE APONTARAM A MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGICA DA SEDUC ................... 86 5......2 Novas Formas de Organização ..3 Escola...............................................2..........................1..2 A Cidadania e a Função Social do Educador ....1................................. 81 4......................................................................................................1 Fundamentos e Definições ..2 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E REENGENHARIA .............................................2............. 60 3........................ 110 6.....................1 Descentralização ............. 85 4..................3...................2.6 A MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGICA E SUAS TRÊS FASES ......................................................... 62 3....... 93 5..................... 60 3.1 As Concepções de Organização e Gestão Escolar ...........................................2........

............2 O Método de Pesquisa .....2 Do Instrumental Aplicado à Comunidade Escolar ..................................................... CONSIDERAÇÕES FINAIS .....1............ 174 E .................................................................................. 163 A ............. 169 C ....1 A Coleta de Dados .................2 ESCOLAS PESQUISADAS .....................................1 A PESQUISA E SUA ABORDAGEM METODOLÓGICA ........................................Planilhas com Resultados da Pesquisa da Comunidade Escolar ............ 125 7......................1 ANÁLISE DOS DADOS .............................1......... 123 7............ 125 7..................................................................................... 172 D ..... 120 6................Questionário Aplicado à Direção da Escola .6........... 117 6....................................1 Do Instrumental Aplicado à Direção da Escola .................... 139 8..................................................1... 146 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................................3 ANÁLISE ESTATÍSTICA ........... ANÁLISE DA PESQUISA ............Questionário Aplicado à Comunidade Escolar ..............................Planilhas com Resultados da Pesquisa dos Diretores ............. 119 6........... 125 7...................................... 176 ......................................... 163 B ... 115 6....................................................................................1....................................... 156 ANEXOS .................Fotos das Escolas Antes e Depois do Programa de Melhoria ................

C (Check) Verificação e A (Act) Ação Corretiva.LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CEGET – Célula de Gestão da Tecnologia CGT – Controle da Qualidade Total CPD – Centro de Processamento de Dados CREDE – Centro Regional da Educação DERE – Delegacia Regional da Educação FCS – Fatores Críticos de Sucesso INDG – Instituto de Desenvolvimento Gerencial FIA – Fundação Instituto de Administração FTP – File Transfer Protocol HTML – Hypertex Markup Language INSOFT – Instituto do Software do Ceará IT – Information Technology JUSE – Union of Japonese Scientists and Engineers LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional MEC – Ministério da Educação do Brasil PDCA – Método de controle de processos composto de quatro fases básicas: P (Plan) Planejamento. PDE – Plano de Desenvolvimento da Escola PPP – Projeto Político Pedagógico RE – Regimento Escolar RENAGESTE – Rede Nacional de Referência em Gestão Educacional RNP – Rede Nacional de Pesquisa SEDUC – Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará SIGE – Sistema Integrado de Gestão Educacional SPAECE – Sistema Permanente de Avaliação Educacional do Ceará SQL – Structured Query Language . D (Do) Execução.

O 1H corresponde a How (como).TI – Tecnologia da Informação TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação TQC – Total Quality Control USP – Universidade de São Paulo WWW – World Wide Web 5W1H – Ferramenta utilizada para definir um plano de ação. Who (quem). Where (onde) When (quando) e finalmente Why (por que). . Os 5W correspondem às seguintes palavras do inglês: What (o que).

3 .2 – Forças internas e externas de mudança organizacional (p.127) Gráfico 7. 43) Figura 2.Modelo de Aprendizagem Organizacional (p.13 . 31) Figura 2. GRÁFICOS E QUADROS Figura 2.1 – Trilogia dos elementos fundamentais para o sucesso de projetos que envolvam a Tecnologia da Informação no ambiente organizacional (p. 126) Gráfico 7.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 9 dos diretores (p.10 .134) Gráfico 7.LISTA DE FIGURAS.1 .Porcentagem das respostas relacionadas à questão 10 dos diretores (p.11 .Porcentagem das respostas relacionadas à questão 2 dos diretores (p. 140) .131) Gráfico 7.128) Gráfico 7.133) Gráfico 7.138) Gráfico 7.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 4 dos diretores (p.2 – Modelo proposto para a utilização da tecnologia da informação na área Educacional (ênfase nos processos) (p.5 – Ciclo PDCA de controle de processos (p.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 1 dos diretores (p. 42) Figura 2.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 6 dos diretores (p.130) Gráfico 7. 53) Figura 2. 103) Figura 5.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 14 dos diretores (p.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 5 dos diretores (p.12 .9 .129) Gráfico 7. 147) Gráfico 7.2 . 57) Figura 5.4 . 96) Figura 5.1 – Organismos Colegiados (p.6 .5 . 104) Figura 8.135) Gráfico 7.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 7 dos diretores (p.132) Gráfico 7.8 .1 .Porcentagem das respostas relacionadas à questão 1 da comunidade escolar (p.4 – Diagrama de causa e efeito (p.3 – Modelo proposto para a utilização da tecnologia da informação na área Educacional (ênfase nos projetos estruturantes) (p.126) Gráfico 7.3 – Mudança proativa e mudança reativa (p.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 3 dos diretores (p.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 11 dos diretores (p.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 8 dos diretores (p.7 .

16 .Porcentagem das respostas relacionadas à questão 7 da comunidade escolar (p.1 – Possíveis tipos de aceitação da mudança (p.2 – Distribuição dos questionários respondidos por escola e por segmento da comunidade escolar (p.19 . 143) Gráfico 7.136) .Porcentagem das respostas relacionadas à questão 3 da comunidade escolar (p.17 . 141) Gráfico 7.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 6 da comunidade escolar (p.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 12 dos diretores (p.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 2 da comunidade escolar (p.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 4 da comunidade escolar (p. 145) Quadro 2. 122) Quadro 6.1 – Relação de escolas que compõem o projeto-piloto do Programa de Melhoria e os critérios de seleção (p.1 .15 .18 . 144) Gráfico 7. 78) Quadro 6. 124) Quadro 7.2 – Atividades dos 5S (p.14 . 45) Quadro 2. 56) Quadro 3. 144) Gráfico 7.Gráfico 7.1 – Vantagens e desvantagens da descentralização (p.2 – Vantagens e desvantagens da estrutura matricial (p. 75) Quadro 3. 142) Gráfico 7.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 5 da comunidade escolar (p.

rádio. Segundo ela. hoje o conhecimento circula em complexas redes. fazendo com que elas adaptem ou modifiquem por completo suas abordagens para continuarem úteis e aplicáveis. sendo veiculado não apenas através dos meios tradicionais de comunicação (televisão. em crescimento progressivo.1. são organismos vivos e dinâmicos. Os sistemas educacionais e as escolas. atualmente. públicas ou privadas. comunicar-se e trocar experiências a grandes distâncias de forma rápida. não se limita mais ao trabalho realizado dentro da sala de aula. direta ou indiretamente. revista. As instituições de educação também passam por profundas mudanças. Nesse início de século XXI.) como também pelo computador e. sua . hierárquica e fechada encontra-se com sérios problemas. devido à rapidez com que as inovações na tecnologia e nos meios de comunicação têm sido introduzidas na sociedade. “pensar a escola e sua função social nesse novo contexto significa pensar também sua relação com esses equipamentos e meios de comunicação”. A criação e a propagação de novos conhecimentos nunca foram tão estimuladas. e como tais devem ser compreendidos. Ter acesso a informações. sobretudo. Há um vasto leque de recursos que as tecnologias oferecem e que deve ser vivenciado pela comunidade escolar. nos dias de hoje. pesquisar e buscar soluções cada vez mais atuais e eficientes para os problemas. etc. A utilização da informática no âmbito educacional encontra-se. Novos e complexos desafios são impostos pela sociedade e questionam as teorias administrativas. torna-se necessário que as organizações. pela Internet. INTRODUÇÃO A organização tradicional. desenvolver novos níveis de convivência dento e fora da escola são alguns dos recursos hoje disponíveis com o avanço da tecnologia da informação e da comunicação. conhecer o mundo em que vivemos sem a necessidade de deslocamento físico e. O maior desafio será transformar informações em ações focadas diretamente nos resultados. como unidades sociais. jornal. Assim. sobretudo. A arte de ensinar e de aprender. estejam voltadas para a construção do conhecimento com base na informação. tanto para as empresas como para a sociedade. ao se caracterizarem por uma rede de relações entre os elementos que nelas interferem. Para PENIN (2001).

é necessário o desenvolvimento das atividades de outra natureza. de parceria e de referência . criado em agosto de 1996. de todos os níveis. No entanto. Nesse sentido. associado à democratização das organizações – requer a participação ativa de todos que atuam na sociedade para a tomada de decisão. assim como as outras organizações. Quando se fala em gestão educacional não se trata apenas de controlar recursos. todas as ações administrativas devem objetivar o produto final: a educação de qualidade. regional e estadual. produz serviços de ensino. o planejamento participativo e a capacidade de resposta urgente aos problemas da existência e da funcionalidade das organizações.benchmark. sempre na direção da justiça social. Trata-se de um novo modelo de administração totalmente integrado à esfera pedagógica. que prestam apoio e suporte à efetivação do objetivo último da organização. o sistema de ensino. a disciplina. as pessoas. Ainda segundo ele. mas a partir dela mesma. Tratase de um projeto do Conselho Nacional de Secretários de Educação . Para o perfeito funcionamento do sistema de ensino. o currículo. que busque estabelecer uma orientação transformadora. E é essa necessidade que a gestão educacional tenta responder. Estas são chamadas atividades-meio ou atividades administrativas da empresa. que se destina à formação de massa crítica em gestão educacional.CONSED. A escola. . estabelecendo a importância de se dirigir à organização de ensino não impositivamente. os processos. MOREIRA (2004) lembra que os estabelecimentos de ensino. preocupando-se com os recursos. A autora explica que “o principal é ter uma visão mais global. é essencial 1 Heloísa Lück é coordenadora da Rede Nacional de Referência em Gestão Educacional – RENAGESTE. em sua relação integrada com a comunidade ao seu entorno. nos seus vários níveis: escolar. Sua atividade-fim é o ensino-aprendizagem. para que a atividade-fim de qualquer organização possa ser realizada com eficiência. bem como as escolas individualmente. coordenar funcionários e assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula. possuem objetivos específicos. assim como as demais organizações.17 direção demanda um novo modelo de organização. tendo por base os princípios de rede. tudo de maneira interligada”. O projeto orienta suas ações pela formação e atuação de uma rede nacional de profissionais envolvidos em gestão da educação em sistemas públicos de ensino. precisa ter uma estrutura de suporte administrativo que sirva de sustentação e de apoio para o desenvolvimento de sua atividade-fim: o ensino e a aprendizagem. a metodologia. Segundo LÜCK1. essa nova consciência sobre gestão – resultado do movimento social.

a socialização do conhecimento e a formação do ser cidadão. é preciso considerar. possam se comunicar. nos dias de hoje. de sistemas de informação e outras mais. Uma sociedade jamais será desenvolvida e justa se o conhecimento se conservar sob o domínio de uns poucos. nasce então a necessidade de propor novos caminhos para os novos modelos de gestão educacional. No entanto. pode promover mudanças bastante expressivas na organização e no dia-a-dia da escola. bem como na maneira como o ensino e aprendizagem se processam. tudo isso tendo por fim a Educação para a Cidadania. é preciso entender como as Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC se aplicam no contexto das organizações de ensino. de finanças. Nesse momento histórico do Brasil. E o ambiente ideal para idealizar um processo dessa natureza é a escola. organização. de material. Portanto. é fundamental para a sociedade brasileira que as pessoas saibam utilizar as tecnologias da informação e que. . Segundo PRATA2 (2002). resolver problemas e produzir conhecimento. coordenação e controle das áreas de pessoal. toda inovação educativa deve se perguntar sobre como estabelecer sua contribuição no horizonte de uma educação compromissada com a construção de um conhecimento e a formação de cidadãos aptos a contribuírem para uma transformação social. 2 Carmem Lúcia Prata é coordenadora do Programa de Informática do MEC na Secretaria Estadual da Educação do Espírito Santo. A integração de tecnologias ao processo educacional. através delas. a Educação tem procurado desenvolver. Desta feita. porta de entrada para a grande maioria da população ter acesso ao mundo do saber. nos seus objetivos básicos. essa questão pode ser superada pelo desenvolvimento de habilidades. que ter acesso ou não à informação pode gerar um elemento de discriminação nessa sociedade tecnológica que se organiza e que interfere no nosso cotidiano – o analfabetismo digital. como o computador e a Internet. o acesso à informação é essencial. através da afirmação da democracia e da justiça social na nossa sociedade. execução. Para o real desenvolvimento de um estado democrático. sobretudo nas escolas.18 desenvolver com eficiência as ações administrativas relacionadas ao planejamento. Nesse contexto. Assim sendo. de publicidade. de competências e da obtenção e utilização de informações por meio da própria tecnologia.

escrever textos. este trabalho se norteia pela abordagem que trata da Informática Aplicada à Educação. em um ambiente escolar. A Informática Educacional desenvolve uma utilização da informática que contribua para a educação. Sua forma de trabalhar mais utilizada é através do desenvolvimento dos chamados projetos. a Informática na Educação. a iniciação e a utilização do computador podem. em geral. tornando possível simular. Podem usar todos os recursos que têm direito e acesso. usando tutoriais ou "livros multimídias". ou mesmo acessando a Internet. o computador é explorado pelo professor especialista em sua potencialidade e capacidade. A Informática Aplicada à Educação se distingue pelo uso de aplicativos da informática em trabalhos relacionados a controles administrativos ou acadêmicos. consultar bancos de dados e a rede internet. Nesse contexto. Os projetos são atividades desenvolvidas onde grupos de alunos são encaminhados a desenvolver um determinado tema. em aulas tipo reforço. o aluno vai ao laboratório de informática tirar suas dúvidas. como os tutoriais ou outros aplicativos que. se caracteriza pelo uso da informática como suporte ao professor. a Informática Educacional e a Informática Educativa. Embora reconhecendo a importância da utilização das tecnologias em todas as formas propostas anteriormente. ser caracterizadas em quatro formas: a Informática Aplicada à Educação. caracterizando-se como uma ferramenta estratégica de suporte à gestão. produzir tabelas. praticar ou vivenciar situações fundamentais à compreensão de um conhecimento ou modelo de conhecimento que está sendo construído. como emitir relatórios. . participar de listas de discussões e outros. Nesse nível. A quarta e última modalidade. trazem características bem lineares de aprendizagem. ela é usada para o gerenciamento da escola. a Informática Educativa. 3 Hermínio Borges Neto é professor da Universidade Federal do Ceará. no sentido mais amplo de organização. caracterizando-se pelo uso do computador como ferramenta para resolução de problemas. trocar informações. A Informática na Educação caracteriza-se pela utilização do computador através de softwares desenvolvidos para proporcionar suporte à educação. de modo geral.19 Na concepção de BORGES NETO3 (1999). manipular banco de dados e controlar fluxo de pagamento. como um instrumento a mais em sua sala de aula.

à qualidade dos serviços ou produtos e à eficácia do atendimento ao cliente”. inclusive nas áreas educacionais. é importante abordar sobre como as organizações. impressionado com a qualidade dos serviços. suas tradições. melhorar os serviços existentes. seus hábitos. Esse processo trouxe pressões sobre as empresas.20 Ante todo esse contexto. os déficits de orçamento estão levando os governos a adiar ou eliminar programas essenciais. TORRES (1995) afirma que o mais importante resultado de um processo de reengenharia é o questionamento do funcionamento atual da organização. Em um mundo desenvolvido. de forma a conseguir melhorias anormalmente expressivas no que diz respeito ao aumento da produtividade. têm buscado na tecnologia um instrumento de redesenho organizacional. conduzido do alto para baixo em uma companhia. seus paradigmas. preocupação contínua com a qualidade e o resultado. melhorar seus produtos e serviços. a concorrência entre as empresas torna-se cada vez mais acirrada. Segundo MOREIRA (1994). e • acrescentar novos serviços exigidos pelo público e necessários a eles. • conquistar a administração do público. assim. em geral. muitas vezes não documentados ou explicitados. ao mesmo tempo. com o objetivo de rever e. e orientação permanente para o cliente. reformular completamente os seus principais processos de trabalho. para que a reengenharia aconteça é necessária uma profunda reflexão sobre o funcionamento da organização em todos os seus níveis: estrutura. Na área governamental. Não por acaso. em um momento em que a nação brasileira tanto precisa deles. processos e cultura. exigindo um aprimoramento das habilidades gerenciais. novas formas de desenvolver seus processos. ela pode ser definida como: “Um esforço organizado. tanto quanto possível e necessário. tentando promover maior eficiência nos seus processos de gestão e. . a busca por sistemas de qualidade tem sido uma preocupação constante das empresas. No entanto. É nesse mesmo sentido que o tema reengenharia de negócios tem recebido grande atenção nos últimos anos. Segundo CARR & LITTMAN (1998) as organizações públicas usam programas de qualidade para: • economizar receitas. onde a economia se internacionalizou e a tecnologia vem transformando a vida das pessoas. da sua maneira de ser e trabalhar: questionar sua cultura.

vem exigindo.000 professores e técnicos. apesar de contar com 14 regionais. o gestor tem a missão de identificar e articular os diferentes talentos. A cidadania passou a ser um referencial a ser perseguido e alcançado. fechada e com pouca ou nenhuma modernização administrativa. A descentralização e a desconcentração foram os elementos norteadores dessa reforma. a Secretaria da Educação promoveu um redesenho organizacional e investiu fortemente na melhoria dos seus processos de gestão. representando 50% do total de servidores estaduais. A sociedade em geral. aponta a necessidade de uma administração mais leve. A relação entre a Gestão e a Tecnologia da Informação deu origem a novas formas de conduzir os processos nas empresas. O Estado se vê compelido a se reestruturar. encontrados na escola e na sociedade. a prestação de um serviço público de qualidade. mantenedora que é de toda essa estrutura. nos últimos anos. a SEDUC adotava um modelo de gestão centralizado.21 Na área educacional. bem como de conscientizar toda a comunidade escolar para a importância da contribuição individual e coletiva na qualidade do todo. para que objetivos e metas sejam alcançados. ainda caracterizados pela fragilidade e pela inoperância. Estimava-se que o número de técnicos e professores na sede excedia o necessário. Os serviços públicos. por uma reforma administrativa de extrema importância e de grande repercussão. utilizando com muita ênfase a tecnologia. A Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará . e cerca de 800 escolas. em pauta nas votações do Congresso Nacional. 1. contando com cerca de 55. sob argumentos de incremento da sua eficiência e transparência. sofrem forte pressão para melhorar suas condições de produção de informação. .SEDUC passou. Caracterizada como uma secretaria hierárquica. denominadas de Delegacias Regionais da Educação . como nunca.DERE. a utilização eficiente dos recursos e a sua participação na definição das políticas públicas. flexível e direcionada ao cidadão. A própria reforma administrativa no setor público. enquanto que nas regionais e nas escolas detectava-se uma enorme carência de pessoal. Até 1996. considerando tratar-se da maior secretaria estadual.1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA Novas propostas e modelos de gestão têm surgido desde 1990.

surge então o Programa de Melhoria da Educação. então denominadas Centros Regionais da Educação – CREDE. até a implantação do Programa de Melhoria e destacar o modelo de utilização . Diante desse cenário. iniciou-se um processo de reestruturação administrativa que seria sustentado pela tecnologia da informação. é deflagrado um intenso desenvolvimento da informática aplicada à educação nas escolas da rede pública estadual do Ceará. torna-se fundamental verificar se. nas áreas de Gestão e de Tecnologia. Como se promoveu a introdução das novas tecnologias da informação e comunicação na SEDUC e nas escolas? Como se deu o envolvimento da comunidade escolar nesse processo? Que estratégias foram utilizadas? Quais os resultados alcançados? Como as pessoas perceberam essa nova cultura informacional? Para isso. promovido pela SEDUC. controlar e executar. finalmente. Formaram-se alunos para exercerem a função de monitores e. A SEDUC por 21 passou a ser representada regionais. as tecnologias realmente possibilitaram a implantação de um modelo de gestão participativa nas escolas da rede pública estadual. pais. Em 1999. vivenciada pela Secretaria Estadual de Educação do Ceará. impressoras e linhas de acesso dedicado à Internet. Estas. o projeto visa integrar a comunidade escolar (alunos. Alguns questionamentos serão importantes pontos de discussão a serem investigados e analisados neste trabalho. priorizando a realocação de pessoal nos centros regionais e nas escolas. junto a especialistas em informática educativa. no caso da Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará. Baseado em um programa de qualidade total.22 A partir de 1996. Os recursos humanos da sede foram redimensionados. buscar-se-á. Todas as escolas foram equipadas com rede de computadores. se foi percebida melhoria na qualidade do ensino. com o objetivo de melhorar a escola pública. Implantado em 16 escolas-piloto. doravante com autonomia para planejar. também em processo de conquista da autonomia administrativa. No ano de 2002. analisar todo o histórico da evolução. professores. o projeto foi desenhado para buscar a participação do cidadão na gestão escolar. neste trabalho. se houve realmente avanços nos processos de gestão e nas atitudes dos que fazem a escola pública e. em parceria com a Fundação Sucupira e o Instituto de Desenvolvimento Gerencial – INDG. promoverem o uso das novas tecnologias em todas as unidades de ensino. funcionários e sociedade civil) com a finalidade de promover a gestão participativa e produzir melhores resultados no processo pedagógico das escolas da rede pública estadual.

23 da tecnologia da informação proposto para as organizações educacionais e implantado na SEDUC. que as empresas façam uso da tecnologia da informação como um instrumento de orientação estratégica. dentre os grandes marcos históricos presentes no final do século passado. 1995). de aumento de poder de pressão sobre fornecedores ou de estreitamento de ralações com eles. de reconcepção empresarial e conseqüentes mudanças nas estruturas de custos e preços. assim sendo. duas áreas estão em bastante evidência: a Economia e a Tecnologia.3 OBJETIVOS DA PESQUISA E QUESTÕES NORTEADORAS É importante ressaltar que o termo “tecnologia da informação” é comumente tratado. analisando a metodologia e os instrumentais de trabalho desenvolvidos na definição de um modelo de aplicação da TI nas organizações educacionais e a devida avaliação de sua implantação na Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará. de estreitamento nas relações com clientes. na segunda. o fato marcante é a globalização. sejam elas instituições educacionais ou não. como o uso das “novas tecnologias” e.2 RELEVÂNCIA DA PESQUISA Segundo TAPSCOTT e CASTON (1995). É imperativo. nesse trabalho. 1. Em um ambiente cada vez mais complexo em nível tecnológico. Essa filosofia de um mercado livre de fronteiras físicas e extremamente competitivo vem afetando profundamente as organizações. de sua capacidade de organização em termos de administrar a sua base de informações e aproveitar as oportunidades de diferenciação que as novas tecnologias da informação oferecem. entre tantas outras oportunidades de aumento de competitividade empresariais. a informação. . na área da educação. nos dias atuais. públicas e privadas. o sucesso das empresas. científica e social. 1. Na primeira. “Hoje as possibilidades de diferenciação. passa a depender. Este trabalho se propõe a contribuir de forma técnica. fundamentalmente. como sinônimos. que se vêem obrigadas a repensar seus negócios e suas formas de administrar. são imensas e se encontram em cada processo empresarial” (TORRES. esses termos são tratados.

devendo ser usada como orientação estratégica. • Avaliar se a forma de trabalho desenvolvida pelo Programa de Melhoria foi devidamente incorporada pela escola no seu cotidiano. Este estudo parte das seguintes questões norteadoras: 1.24 Objetivo Geral: • Propor um modelo de utilização da tecnologia da informação. • Analisar se a comunidade escolar percebeu nas ações desenvolvidas pelo Programa de Melhoria um instrumento de fortalecimento da cidadania e. garantindo a eficácia dos resultados alcançados pela organização e avaliar o processo de sua construção na Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará. inclusive nas instituições educacionais públicas? . contribuíram para viabilizar a melhoria da gestão escolar. Objetivos Específicos: • Avaliar de que forma as novas tecnologias. • Avaliar os instrumentos de monitoramento das ações do Programa de Melhoria. se na sua opinião. A tecnologia da informação é um importante instrumento de mudança e de reconcepção organizacional. com vistas a fortalecer os processos de gestão. na área Educacional. • Verificar se a escola foi devidamente equipada e capacitada para a implantação do Programa de Melhoria. implementadas pelo Programa de Melhoria. aliadas aos projetos estruturantes desenvolvidos na SEDUC. • Descrever as estratégias de integração da comunidade escolar na definição de ações para melhorar a escola pública. a escola pública melhorou de qualidade.

principalmente na área educacional. utilizando a tecnologia para automatizá-lo em parte ou no todo? 3. A aceitação. participação e o envolvimento das pessoas que formam a organização são vitais para o sucesso de um modelo de gestão participativa sustentado pela tecnologia da informação? 5. quer como elemento eficaz na resolução de problemas operacionais. Um modelo de gestão pública. simultaneamente. A tecnologia da informação permite que a empresa mude radicalmente sua forma de conduzir seus processos? Um processo crítico pode ser redesenhado. o uso das tecnologias como uma ferramenta que permite a organização rever seus processos de gestão e como um instrumento que pode ser empregado num contexto social para promover o desenvolvimento da cidadania. ao monitoramento e à tomada de decisão? 4. Nos próximos capítulos. serão abordados os temas que serviram de base para a fundamentação teórica do estudo proposto e que perpassam pelas áreas da Administração. tende a obter os resultados que essa mesma sociedade aspira? Este trabalho é pioneiro no estudo da tecnologia da informação. utilizando uma abordagem que analisa. . se construído e acompanhado com a participação da sociedade. quer como instrumento de apoio ao planejamento .25 2. da Tecnologia da Informação. da Cidadania e da Educação. Um Sistema de Informação é um instrumento de gestão fundamental.

deve-se limitar a amplitude e isolar as tarefas afins em áreas específicas. Em cada caixinha. Ainda segundo eles. as evoluções recentes. para suas próprias atividades. Segundo MARCONI e LAKATOS (2001). predominam atividades padronizadas. nas pessoas e na cultura organizacional. • o trabalhador tem conhecimento e capacidade limitados e. A organização tradicional está assentada sobre vários pressupostos. portanto. Eles criarão empresas fechadas. • a empresa é versátil e deve produzir tudo o que conseguir produzir com um custo inferior ao custo de um suprimento externo. portanto. esses pressupostos estão superados. deve-se prescrever detalhadamente suas tarefas. com estruturas hierárquicas pesadas e rígidas. o que permite à empresa isolar-se do ambiente dentro de suas fronteiras. “todo projeto de pesquisa deve conter as premissas ou pressupostos teóricos sobre os quais o pesquisador (o coordenador e os principais elementos de sua equipe) fundamentará sua interpretação”. • a especialização leva à eficiência e. cuja missão fundamental é garantir o cumprimento das normas. serão abordados os temas relacionados à área da Administração e nele serão tratados os assuntos que fazem referência à teoria que questiona as organizações e seus novos desafios. GONÇALVES E DREYFUSS (1996) citam alguns deles: • o ambiente externo exibe uma constância e regularidade. AS ORGANIZAÇÕES E OS NOVOS DESAFIOS Neste capítulo. e também os conceitos e os fundamentos dos programas de qualidade total. que executam pedaços fragmentados de processos e de trabalho. controladas por vários níveis de chefia.2. como ocorre o processo de mudança na estrutura. voltadas para dentro. . repletas de “caixinhas”.

Assim.1. os resultados da tecnologia são convencionais e os retornos efetivamente medidos são reduzidos. apesar do excepcional avanço tecnológico e dos grandes investimentos. TORRES (1995) destaca que atualmente “vivemos num mundo em que um dos mais fortes fatores de competitividade para qualquer empresa. O efeito globalização e a conseqüente abertura da economia mundial têm trazido muitas dificuldades para as empresas. ocasionando uma grande reestruturação em todos os setores empresariais. Ela automatiza simplesmente as atividades. e de que forma elas podem ser melhor direcionadas para atender a sociedade. é o uso da informação e da tecnologia da informação”. Hoje. Este estudo pretende discutir sobre tecnologias de gestão que sejam capazes de sustentar sistematicamente as modificações estruturais que vêm ocorrendo nas organizações.1 ORGANIZAÇÃO 2. Pior ainda: enquanto na área industrial TI tem alavancado grandes ganhos. O objetivo da informação é o controle das atividades dentro das ‘caixinhas’. TI é usada basicamente para reproduzir os antigos modelos. em qualquer ramo de negócio. 1996). 2. sem afetá-las em sua essência.1 Os Novos Desafios Apresentados à Organização Segundo MOREIRA (1994). a produtividade nos processos administrativos tem-se mantido estável ao longo dos anos.27 “Dentro do paradigma da organização tradicional. Uma lista exaustiva e . em qualquer ramo de negócios. a visão tradicional da área administrativa manteve TI apenas como uma ferramenta de produtividade pessoal ou de controle. dissociada dos objetivos de negócios da empresa” (GONÇALVES e DREYFUSS. a tecnologia da informação é o principal elemento de mudança e também um dos principais instrumentos de competitividade para qualquer empresa. é possível detectar várias condições e desafios que a globalização e a concorrência apresentam às organizações. Enquanto na área industrial uma nova visão tecnológica propiciou uma revolução no uso de TI. A tecnologia vem a reboque da burocracia apoiando a manutenção das pesadas e rígidas pirâmides hierárquicas.

De forma ampla. a processos e a produtos. MOREIRA (1994) explica que “flexibilidade é a capacidade que tem a empresa de atuar rapidamente. no sentido de criar oportunidades para si e conseqüentemente ameaças para seus concorrentes”. Finalmente. A empresa relativamente flexível saberá aproveitar oportunidades e neutralizar as ameaças. 1994). No sentido puramente proativo. aos primeiros sintomas de uma oportunidade ou uma ameaça que se manifeste em seus mercados”. “Das várias conseqüências que possam emergir do conceito de flexibilidade. a flexibilidade tende a manter a empresa em sua posição de competitividade atual. No sentido puramente reativo.28 pormenorizada é difícil de ser obtida. Sob esse prisma. Vista dessa forma. o conjunto de crenças e valores que permeiam a organização pode ser uma barreira à flexibilização” (MOREIRA. são os receios das mudanças que cercam as pessoas. a flexibilidade tende a colocá-la à frente dos concorrentes. são as normas rígidas (talvez porque tenham funcionado bem no passado). a flexibilidade pode ser entendida em dois sentidos: reativo e proativo. coordenarem todas as demais. Os maiores inimigos da flexibilidade são as idéias arraigadas. a flexibilidade é dirigida no sentido de estar “um passo à frente” da concorrência. seja porque elas têm medo de perder seu poder e posição (ou mesmo seu emprego). são as hipóteses implícitas. a flexibilidade está relacionada ao “tempo de reação” às mudanças. mas que estão presentes nos principais atos da organização. que ninguém enuncia. em certa medida. No sentido reativo. a segunda enfatiza a necessidade de estruturas organizacionais mais flexíveis. A empresa mais flexível será a que conseguir colocar-se na frente no tocante à estrutura. . tidas como verdades absolutas. Assim. duas delas nos parecem mais relevantes. mas de um modo geral os desafios impostos pela ordem atual são: a) A empresa moderna precisa ser flexível à mudança. que ninguém pode quebrar. no sentido de serem mais abrangentes e. esse mesmo autor define flexibilidade como “a capacidade que tem a empresa de atuar continuamente sobre os seus mercados. A primeira diz respeito à criação e manutenção de uma cultura organizacional voltada para a mudança. seja porque têm medo das conseqüências diretas e indiretas de atitudes falhas ou de avaliações diretas de resultados. no sentido proativo.

d) Orientação para o cliente. A qualidade do produto e do atendimento ao cliente é fundamental para o sucesso empresarial. suas necessidades variam em função daquilo que as próprias empresas colocam no mercado. A tecnologia voltada para o desenvolvimento de produtos e processos é uma nova condição de trabalho fundamental para o desenvolvimento das organizações na conjuntura atual. está relacionada ao cumprimento dos prazos pré-fixados. adicionando valor ao produto. A velocidade de entrega dos produtos é medida pelo tempo decorrido entre o pedido de fornecimento e a efetiva entrega ao cliente. a confiabilidade de entrega. deve ser acompanhado atentamente. antigamente o cliente era a criatura mais venerada no mundo dos negócios.29 b) Desenvolvimento e introdução de novos produtos. nível de serviços e custos. e) Velocidade e confiabilidade de entrega. . No entanto. As empresas procurarão fazer o melhor uso possível das tecnologias que dominem. hoje. Níveis de serviço insatisfatórios trazem descontentamento por parte de quem utiliza esse serviço. Satisfazer às necessidades do cliente deve ser o principal objetivo da empresa nos dias atuais. ferramentas competitivas. Monitorar constantemente o mercado e orientar os esforços de desenvolvimento para atender às necessidades dos clientes estarão em pauta. assim. Monitorar as necessidades dos clientes e até mesmo antecipar-se a elas tornou-se uma tarefa obrigatória. a essa veneração juntou-se a cumplicidade: o cliente deve ser considerado como parte do planejamento das operações das empresas. para que suas necessidades sejam atendidas em primeira mão. Como dizem alguns. Ambos os indicadores estão diretamente ligados ao funcionamento dos processos devidamente otimizados. c) Preocupação contínua com a qualidade. O custo de um produto ou serviço também é fator importante para manter a competitividade da empresa num mercado extremamente acirrado como o de hoje. por sua vez. O desenvolvimento de novos produtos e o número de novos produtos introduzidos no mercado tornam-se.

uma vez que diferentes tipos de desafios vêm sendo apresentados aos administradores de empresas e aos condutores do processo tecnológico e econômico.1. utiliza-se o termo subsistematização para caracterizar o fornecimento de subsistemas. • Engenharia simultânea – é um conceito que consiste em integrar a equipe durante todo o processo de criação de um novo produto. por sua vez.30 2. tornar mais rápido seu tempo de entrega.2 Evoluções Recentes Como decorrência da competição entre as empresas. Segundo VALERIANO (1999). • Reengenharia – é um movimento que consiste basicamente em rever e reformular os principais processos de trabalho de uma organização.a terceirização consiste em dispensar a organização de tudo que não for diretamente voltado para sua finalidade. muitas modalidades de reorganização e de simplificação administrativa têm sido propostas. Tarefas de apoio e auxiliares deixam de fazer parte das atribuições da organização. ou seja. visando alcançar melhorias no sentido do aumento da produtividade e qualidade nos serviços prestados. MOREIRA (1994). cada vez mais acirrada. os representantes de todas as fases responsáveis pelo desenvolvimento de um novo produto passam a trabalhar conjuntamente desde o início do processo. Ele cita algumas tendências: • Terceirização e subsistematização . A organização executa as funções voltadas exclusivamente para suas atividades-fim. as formas tradicionais de gestão vêm sendo questionadas e reestudadas no sentido de fornecer às empresas meios de readaptação às novas condições do mundo dos negócios: crescer e melhorar o desempenho operacional. e passa a receber de outras organizações (terceiros) os serviços auxiliares que contribuem para o alcance dos objetivos institucionais. para produtos já existentes. Quando os produtos já surgem descentralizados. faz também referência à reengenharia e menciona algumas outras tendências: • Gerência baseada no tempo – é um movimento em que o tempo é a variável chave. considerada sob dois aspectos: encurtar o tempo de desenvolvimento de novos produtos e. .

Modelo de Aprendizagem Organizacional (Sham e Perkins) SISTEMAS DE CRENÇAS AÇÕES RESULTADOS REFLEXÃO CONHECIMENTO DISSEMINAÇÃO Figura 2. e não como uma série de regras práticas para a reestruturação de uma empresa. etc. O que se deve buscar é a melhor forma diante de um momento particular. Ainda segundo esse autor. da dinâmica do comportamento de seu ambiente e dos modelos mentais de julgamento de alternativas de funcionamento.31 • Arquitetura organizacional – modelo de gestão administrativa que parte do princípio de que não há uma forma padrão da empresa se organizar. • Aprendizagem organizacional – conceito que já consta na literatura administrativa há algumas décadas. a arquitetura organizacional deve ser considerada como uma abordagem. uma vez que esta adota muitos dos conceitos e idéias gerais desenvolvidos pelos outros movimentos. um ponto de vista.Fonte: CHIAVENATO. O modelo abaixo detalha bem as etapas que compõem o modelo de aprendizagem organizacional. . Este trabalho focalizará o estudo do modelo de transformação organizacional baseado na Reengenharia. MOREIRA (1994) define Aprendizagem Organizacional como o processo através do qual a empresa obtém conhecimento e compreensão de seus potenciais e de suas fraquezas internas. de recompensa. Esse movimento está relacionado a tudo que caracteriza o jeito de ser e de operar da empresa: estrutura formal. de informação. mas que ressurge com muita ênfase entre profissionais e acadêmicos devido a uma aceitação generalizada de que o aprendizado permite a empresa entender melhor o seu ambiente. de controle. sistemas operacionais. bem como compartilha parte das soluções oferecidas por eles. Os novos paradigmas. Idalberto.1 .

Ela vai. a reengenharia é um modelo de mudança organizacional. MOREIRA (1994) descreve as etapas da Reengenharia em seis passos: 1. . Aspectos e Etapas Em linhas gerais. ainda que sob um novo paradigma (começar de novo).2.32 2. reengenharia é o repensar fundamental e a reestruturação radical dos processos empresariais que buscam atingir drásticas melhorias em indicadores críticos de desempenho. 2. atendimento e velocidade. Mapear e medir o processo atual. O processo atual deve ser bem entendido. tais como custos. além da mera definição dos problemas que se propõe a resolver: coloca à disposição dos dirigentes uma metodologia de trabalho que já se revelou útil em várias ocasiões” (MOREIRA. Segundo HAMMER e CHAMPY (1994). Promover “benchmarking” para descobrir alternativas comprovadamente inovadoras. A raiz dos problemas existentes no processo deve ser detectada e analisada. 4. A análise interna do processo pode ocasionar melhorias significativas. buscando aumentar indicadores de desempenho: aumento da produtividade. portanto. mas a Reengenharia inovadora. 2. a empresa deve decidir-se por pequenas mudanças no processo ou. projetá-lo novamente.2 REENGENHARIA E O PROCESSO DE MUDANÇA “A Reengenharia não é apenas um ponto de vista ou um quadro conceitual. um projeto de análise e montagem de sistemas. qualidade dos serviços ou produtos e eficácia do atendimento ao cliente. Analisar e modificar o processo existente. caso conveniente. Ela possui a vantagem de ser também uma metodologia de ataque aos problemas. A Reengenharia é. às vezes. 1994). na sua essência. Os objetivos mais comuns nessa etapa são: reduzir custos. Determinar as necessidades do cliente e os objetivos do processo que vai ser submetido à Reengenharia. qualidade. 3. suas Definições. que se baseia na reestruturação radical dos processos de trabalho. minimizar ciclo de tempo e eliminar defeitos. Nesse ponto.1 A Reengenharia. conduzido do alto para baixo em uma organização.

• Abordagem por processos: a reengenharia visualiza a organização pelos seus processos. 5. a fim de melhorar a posição e os resultados da empresa no mercado. para GONÇALVES & DREYFUSS (1996) a reengenharia aponta um programa de mudança organizacional que sempre apresenta algumas características básicas específicas: • Objetivo estratégico: a reengenharia é desenvolvida com foco nos objetivos estratégicos. mas pode variar em sua abrangência. Esta etapa é a mais difícil. Implementar o novo processo. • Melhoria significativa de resultado: os resultados devem ser expressivos. Nos pontos extremos. pode abranger desde o redesenho de um único processo. e afeta intensamente os processos e as atitudes. Esses elementos são combinados para se montar um novo processo. até a redefinição radical de toda uma organização. em todos os níveis da organização. • Esforço abrangente e multidisciplinar: um projeto de reengenharia utiliza diferentes ferramentas e técnicas. Embora em diferentes formas. 6. a melhoria gradual e contínua não é objetivo da reengenharia. as melhorias no processo existente e as práticas inovadoras absorvidas através do “benchmarking” já foram identificadas. através das seqüências de procedimentos que geram os produtos da organização. monitoração constante dos resultados e treinamento intensivo de empregados. Para esses autores. . Promover a reengenharia do processo. inclui testespiloto. a transformação de processos proposta pela reengenharia será sempre marcante. ou seja. Nessa fase.33 só é conseguida quando se faz ”benchmarking” de processos semelhantes nas melhores organizações. • Impacto organizacional amplo e profundo: a reengenharia gera o envolvimento de muitas pessoas. e abrange várias áreas.

A escola de transformação dos negócios utiliza as seguintes ferramentas: • Arquitetura de negócios: essa ferramenta sugere a estruturação do negócio da empresa a partir de uma análise de suas competências e das oportunidades advindas do mercado. Priorizam-se mudanças nos recursos humanos e. esses mesmos autores sugerem que elas podem ser classificadas em quatro escolas gerais. b) Recursos Humanos Esta escola aborda a mudança da organização através das pessoas que dela fazem parte. Causa impacto nas relações de mercado da empresa. • Desenvolvimento de protótipos e pilotos: a apresentação de soluções através de protótipos facilita a percepção e avaliação dos riscos envolvidos. várias metodologias foram desenvolvidas em diferentes direções. visando realizar os negócios em bases totalmente novas. através deles. detalharse-á como cada escola propõe o uso de várias técnicas e instrumentos e enfatiza um aspecto especial em como afetar os resultados dos processos de negócio. enriquecendo suas tarefas individuais e delegando responsabilidades. É uma forma de desfazer uma tendência onde as pessoas que estão envolvidas em trabalho do dia-a-dia tendem a desenvolver sempre soluções convencionais. aborda-se a mudança radical da estrutura do negócio atual. desconsiderando limitações atuais.34 Para desenvolver os programas de reengenharia. muda-se a organização. • Laboratórios de criatividade: a partir de objetivos definidos. a) Transformação dos Negócios Nesta escola. O planejamento não se deve dar a partir da situação existente. A seguir. dando-lhes poder. os laboratórios criam novas formas de fazer negócios. Essa escola visa sensibilizar as pessoas. . Apesar dessa variedade.

As ferramentas desta escola são: • Cadeia de valor dos processos: o redesenho de um processo requer o conhecimento das atividades que agregam valor ao resultado do processo. mas se empregada isoladamente pode apresentar altos custos humanos e sociais. Seus resultados. • Gerência de mudanças: o monitoramento constante dos impactos provocados pela mudança e o gerenciamento da cronologia em que os diversos eventos devem ser realizados são críticos para o resultado. Desta forma. buscando redefinir os procedimentos ao longo dos processos. • “Benchmarking”: é a definição de indicadores de desempenho para os novos processos redesenhados. Desenvolver novas formas de avaliação e remuneração faz parte dessa gerência. É utilizada geralmente quando a reengenharia é voltada para reverter uma situação de crise e o corte de gastos. Técnicas utilizadas: laboratórios experimentais. • Programas de mudança: sensibilizar as pessoas. etc. seminários. grupos de participação. inicialmente satisfatórios. é essencial para a condução do programa. racionalizando-os em face de novos objetivos e resultados esperados. tendem a desaparecer com o tempo. preparando-as para uma efetiva mudança de cultura e comportamento. c) Fluxo de Trabalho Esta escola atua sobre os fluxos de trabalho.35 Algumas das ferramentas características desta escola são: • Alinhamento estratégico: o sucesso da reengenharia está relacionado ao alinhamento dos dirigentes da organização em relação aos objetivos estratégicos. estabelecendo valores que sejam os melhores do mercado para cada uma das atividades. utilizam-se técnicas voltadas . Entrevistas e seminários são instrumentos e técnicas que levam à identificação dos processos que devem ser mudados. • Fluxogramas: o trabalho de reengenharia faz-se basicamente sobre diagramas de fluxo de atividades. Pode produzir resultados em curto espaço de tempo.

os processos são detalhados como estão hoje. Levantamentos e entrevistas são alguns dos instrumentos utilizados para subsidiar o processo de modelagem. simulação. • Modelagem de processos: as técnicas de modelagem de processos são utilizadas de duas maneiras. Os objetivos básicos são a satisfação dos clientes e a criação de uma vantagem competitiva. uma vez que seu caráter intrinsecamente revolucionário procurará afetar não só a cultura burocrática. e isso atemoriza qualquer empresário. sem vinculação com o estado atual. criando novos produtos ou serviços. O modelo de dados deve estar relacionado ao ambiente de negócios do futuro. avaliação. O projeto de novos modelos de processos e dados é desenvolvido em reuniões de grupo. estabelecimento de pontos de controle. • Técnicas de projeto em grupo: a reengenharia é sempre feita em grupo multidisciplinar. novos processos são definidos com a implementação de melhorias. A tecnologia deve ser um instrumento decisivo no alcance dos resultados do negócio. na concepção de seus criadores. Na primeira. começar do zero. A idéia dessa escola não é automatizar processos existentes. começar de novo. na etapa de reengenharia.36 a todos os aspectos de fluxogramas: levantamento. recriando processos a partir dos objetivos estratégicos definidos.2 Reengenharia no Governo Para TEIXEIRA (1996). As técnicas de dinâmica de grupo são as mais utilizadas. d) Tecnologia da Informação Esta escola procura oportunidades para introduzir tecnologia ou melhorar o grau de tecnologia dos processos. mas até mesmo os fundamentos institucionais do governo”. etc. reengenharia empresarial significa. 2. .2. As ferramentas básicas desta escola incluem: • Modelagem de dados: nas técnicas de modelagem de dados são usadas as informações essenciais para o desenvolvimento do novo processo. Ele entende que “a idéia de trazer para a área pública a expressão ‘reengenharia’ é desafiadora. representação.

no papel de cliente maior dos serviços públicos. como as empresas. deriva de um consentimento e funda-se em uma delegação. entendendo que: • o público é o elemento mais importante em qualquer atividade governamental. • a cortesia não é apenas uma atitude pessoal. desde o do dirigente ao do faxineiro dos órgãos governamentais. ele é o propósito desse trabalho. mas a razão das atividades do governo. • a idéia de que o governo não tem concorrente. 2. • o público não interrompe o trabalho do funcionalismo. não é descartável. • o público é parte essencial da atividade do Estado. mas uma obrigação. . • o público é quem paga o salário de todos. Manter o público satisfeito para que se lembre de seu partido na próxima eleição é função dos dirigentes.2. • o público é a razão da existência do governo. • todo governo moderno e democrático deve pesquisar a vontade pública e procurar entender as aspirações e queixas da sociedade. os quais geram bens ou serviços como saídas para clientes internos e externos. exige um tratamento adequado. no setor público.37 A sociedade moderna.3 Reengenharia de Processos Processo é uma atividade organizacional executada por meio de uma série de passos relacionados entre si. Nesse sentido. esse autor propõe que o gestor público dê uma atenção especial ao cliente. O governo é uma opção livre pelo menos de eleição em eleição. • a autoridade. é falsa. • o público não é apenas quem paga a conta.

porque eles fazem parte do planejamento organizacional que proporciona uma maior diferenciação e potencial de vantagem competitiva. Em primeiro lugar. serviço e resposta ao cliente. É uma estrutura para a ação”. de forma que a melhoria do mesmo é a maneira mais recomendável de se tirar proveito de novas tecnologias” (MORRIS e BRANDON. E. vantagem competitiva. portanto. porque a melhoria do processo é a única oportunidade de se reduzir os custos significativamente sem reduzir a produção ou a qualidade. e) projeto e desenho do protótipo do novo processo. De acordo com DAVENPORT (1998) uma estrutura para a reengenharia de processos consiste em cinco etapas: a) identificação dos processos para reengenharia. qualidade. 1994). com um começo. 4. custo e eficiência operacional da empresa. por último. porque a tecnologia apóia diretamente o processo. um fim. Em segundo. 3. 2. . d) entendimento dos processos existentes. e entradas e saídas claramente identificadas. uma ordenação específica das atividades de trabalho no tempo e no espaço. b) identificação das alavancas de mudança. Para MORRIS e BRANDON (1994) os processos estão se tornando os alvos mais atraentes para se conseguir melhorias significativas na organização. “É. “Os processos são aprimorados por diversas razões. c) desenvolvimento de visões do processo.38 CHIAVENATO (1995) o define como sendo um conjunto de atividades estruturadas e medidas com a finalidade de resultar num produto especificado para um determinado cliente ou mercado. Esse tipo de mudança pode ser desenvolvido para racionalizar um único processo administrativo ou um pequeno número de processos relacionados. Reengenharia de processos é fundamental para fortalecer as empresas quanto a aspectos como: 1.

O único fator crítico é que os processos são grupos de ações que têm uma finalidade comum. Eles podem ser executados por indivíduos ou por máquinas. Várias são as metrificações associadas com as atividades dos processos. lotes ou transações por unidade de tempo em uma determinada atividade. • qualidade – pode ser mensurada pelo índice de aceitação expressa pelo cliente ou usuário final. • tempo – é o índice que mede o período de transformação do insumo em produto. . os passos de um processo organizacional não precisam ser cuidadosamente definidos. propiciar de alguma forma uma vantagem competitiva à empresa. qual seja. • insumo – relativo à quantidade de material e ao número de peças utilizado na execução da atividade.4 O Processo de Mudança na Organização A chegada da tecnologia da informação no ambiente organizacional é quase sempre marcada por profundas mudanças na estrutura.39 Um processo é composto de uma série de atividades que podem sofrer muitas alterações. • produção – traduz-se pela quantidade produzida em termos de peças. Segundo ainda os autores. Contudo. Seu valor é comumente de fácil obtenção.2. • valor agregado – pode ser introduzido como o real valor adicionado ao produto ou como o tempo gasto pelo pessoal administrativo que realmente adiciona valor. nas pessoas e no modo de fazer da organização. elas são as seguintes: • custos – é a mais importante das medições do componente empresarial. é difícil determiná-lo para cada atividade individual. nem necessitam ser consistentes ou efetuados numa seqüência particular. 2. • pessoas por processo – diz respeito ao número real de funcionários que trabalham em determinada função processual ou administrativa. Para esses autores.

nos produtos e nos serviços. inconscientemente e sem perceber. É pouco provável que pessoas envolvidas com um antigo paradigma. Esse autor afirma que: “a vida das pessoas e das organizações é regrada e delimitada por determinados paradigmas. mudança é a transição de um estado para outro. nas cidades. os paradigmas estabelecem o que é e o que não é importante ou relevante para a pessoa. Estas. e no dia-a-dia das pessoas. podendo ocorrer nas organizações. entre o que é verdadeiro e o que é falso. entre o que se deve fazer e o que não se deve fazer. Eles podem tornar-se o único modo de fazer algo. mudar os paradigmas. paralisando as pessoas e impedindo-as de enxergar outras e novas maneiras potencialmente melhores de fazer a mesma coisa. Torna-se necessário mudar o convencional. Eles são as regras que dirigem o comportamento das pessoas. Um paradigma é um conjunto de regras que definem fronteiras entre o que é certo e o que é errado. os paradigmas limitam as pessoas e as mantém presas a velhos hábitos ou maneira de pensar e agir. um paradigma estabelece um corredor de pensamento no qual este fica bitolado ao que existe dentro das faixas e dos limites permitidos. Ainda segundo ele. Os paradigmas podem tornar-se doenças terminais da certeza. Os paradigmas são comuns em toda atividade estruturada. Toda mudança traz incertezas. Nesse sentido. 4. quebrar regras e padrões. interrupção. Os paradigmas são úteis e servem como filtros. É passar de uma situação para outra diferente. 3. rompimento.40 Para CHIAVENATO (2003). perturbação. desconfianças e conseqüentemente é ameaçadora. 2. Os paradigmas são geralmente criados por pessoas estranhas. no tempo e no clima. nos costumes. como um padrão que define o comportamento das pessoas”. isto é. Mudança significa transformação. ou modo de . No fundo. Nesse sentido. permitindo-nos enfocar as informações mais importantes e que selecionam o que as pessoas deverão perceber a respeito do mundo que as rodeia. são levadas por seus paradigmas. Por isso mesmo torna-se fácil perceber porque as pessoas são tão relutantes a mudanças. ou de pensar sobre algo. Ele funciona como um modelo. as seis características básicas dos paradigmas são as seguintes: 1. Ela requer uma visão diferente das coisas.

As novas idéias parecem vir de pessoas que não estão fortemente envolvidas com os velhos métodos. de sua cultura organizacional. As pessoas têm o poder de mudar seus paradigmas. Na percepção desse autor. Para inovar realmente a organização. Mudar produtos e serviços impõe a revisão de certos padrões. Nessa concepção. O mais provável que uma pessoa criativa. a mudança de paradigmas não é fácil para muitas pessoas. criem um paradigma totalmente novo. em seu estágio inicial. coragem e fé. . A adesão a novos paradigmas envolve certos riscos e exige visão. Sua visão está envolvida pelo velho paradigma. 6. Na visão de MEGGINSON. Eles determinam a personalidade da organização. não oferece dados suficientes para decidir racionalmente se é melhor ou pior do que o anterior. ou rever a missão e o negócio da organização certamente são providências que se refletem diretamente nos paradigmas atuais. Os novos paradigmas exigem visão futurística para sua adesão. mas dificilmente inventará algo totalmente novo. o processo de mudança e o desenvolvimento organizacional se originam tanto dentro como fora da organização. a não ser que eles não funcionem na vida cotidiana. Rever processos empresariais. 5. nessas condições. o ponto de partida é rever seus principais paradigmas. No entanto. os paradigmas definem as condições especiais do funcionamento de cada organização. apresentam forte tendência de mantê-los indefinidamente. Um paradigma novo geralmente parece estranho às pessoas e.41 fazer alguma coisa. Mudar a cultura e a estrutura da empresa significa indispensavelmente mudar conceitos ultrapassados. MOSLEY e PIETRI JR. adquiridos e incorporados através da experiência. as características de suas filosofias. que se sentem presas à segurança e estabilidade dos paradigmas atuais e temem ou relutam em alterar seus comportamentos através da aquisição de outros padrões diferentes. de seus produtos e serviços e a forma como as pessoas nelas se conduzem. as forças de mudança são analisadas de acordo com o meio que as originam: ambiente interno e ambiente externo. fazendo algumas pequenas alterações nele. tentará fazer é melhorar o processo. Quando as pessoas estão envolvidas com velhos paradigmas. (1998). Os paradigmas são aprendidos.

tecnologias. atitude dos empregados. Essas forças. políticas gerenciais. devendo esta. São as forças culturais. sociais. políticas. Sociais AMBIENTE EXTERNO Culturais Educacionais Atitudes do operário Políticas ORGANIZAÇÃO AMBIENTE INTERNO Objetivos Tecnologia Econômicas Políticas Tecnológicas Figura 2. Os novos paradigmas. trabalhar e conduzir todo esse processo de transformação. qualquer fator que interfira no ambiente ou o modifique pode afetar a organização e causar pressão para a mudança. educacionais. estão inter-relacionadas e não podem ser consideradas isoladamente. entretanto. Uma mudança de estratégias e objetivos ou a definição de uma nova política da organização pode afetar metas de muitas áreas da instituição e levar à reorganização.2 . essas mudanças são fomentadas dentro e fora da organização. Dentro desse contexto. etc. Idalberto. Como a organização depende e interage com o seu ambiente externo. tecnológicas e econômicas. • Forças internas de mudança – são forças ocasionadas por fatores como novos objetivos da organização. uma vez que a administração tem pouco controle sobre elas. . no entanto.42 • Forças externas de mudança – são forças que exercem um impacto maior sobre a mudança organizacional.Fonte: CHIAVENATO.

A segunda é o processo proativo. Administração: conceitos e aplicações O que deve ser mudado ? Segundo ainda a opinião deles. atuais.. aos poucos. onde a administração se adapta. devido à rapidez e a complexidade das mudanças do mundo atual. Em geral. uma vez que visa resolver problemas concretos.Fonte: MEGGINSON. quando a administração desenvolve uma estratégia de mudança planejada. para tratar os problemas à medida que eles vão surgindo. A primeira é o processo reativo de mudança.. Ela procura antecipar mudanças nos ambientes externo e interno e trabalha meios de se posicionar frente às novas condições previstas. É proativa porque se propõe a modificar as coisas definindo um novo curso ao invés de corrigir o atual. A mudança planejada envolve ações deliberadas para modificar a estrutura da organização. os administradores precisam entender e utilizar a mudança organizacional planejada. MOSLEY. A administração precisa determinar a alternativa que tem maior probabilidade de obter sucesso. PIETRI JR. Mudança reativa Mudança proativa PROBLEMA (tem lugar antes do surgimento do problema) (tem lugar depois que o problema ocorre) Figura 2. então tem que decidir o que precisa ser alterado na organização. O processo reativo acarreta pouco planejamento. Donald C. A natureza do problema é que determina a escolha da técnica de mudança que é mais apropriada para se atingir a efetividade organizacional.. os administradores procuram mudar os elementos que estão impedindo maior efetividade organizacional. a tecnologia e as pessoas da organização.3 . Paul H. se a administração quer planejar para mudar.43 Na compreensão desses autores. A interação e os inter-relacionamentos da estrutura. A efetividade organizacional é o resultado de atividades que melhoram a estrutura. Leon C. tecnologia e pessoas devem ser reconhecidos e antecipados. Esses autores afirmam que. Esses mesmos autores explicam que a maior parte da . existem duas maneiras principais de tratar a mudança organizacional.

MOSLEY e PIETRI JR. maior será a probabilidade da administração ter que modificar todos os três elementos. e tamanho e composição dos grupos de trabalho. treinamento de sensibilização) ou tecnologia (por exemplo. atividades de treinamento e desenvolvimento. as pessoas quase sempre voltam a fazer as coisas no modo tradicional. e sistema de produção. equipamentos e maquinaria. após um curto período de tentativa de realizar as coisas de modo diferente. • Mudança nas pessoas – mudar as pessoas da organização pode incluir alteração de políticas e procedimentos de recrutamento e seleção. inclusive layout. habilidades de liderança e comunicação gerenciais. métodos e procedimentos. STONER e FREEMAN (1999) citam um estudo de Lewin em que foi constatado que as pessoas sentem dois grandes obstáculos à mudança. provavelmente a organização continuará perdendo a sua efetividade. Em geral.44 bibliografia sobre mudança organizacional indica relativa fraqueza de esforços para a mudança somente na estrutura (por exemplo. sistemas de comunicação. • Mudança da tecnologia – a mudança de tecnologia da organização pode exigir a alteração ou modificação de fatores. a administração passa a enfrentar um outro grande problema: a reação à mudança. processos de engenharia. ou seja. pesquisa de direção e técnicas. O primeiro é a incapacidade de se modificar atitudes e comportamentos antigos. quanto maior a mudança. crenças. tais como: ferramentas. • Mudança da estrutura – mudar a estrutura da organização significa modificar e rearranjar os relacionamentos internos. as pessoas podem negar que esteja ocorrendo mudança. Nesse caso. O segundo é que a mudança dura pouco. e atitudes. papéis e outras características dos empregados. (1998) explicam as várias formas de reações à mudança: 1. Isto requer a alteração de variáveis tais como: relacionamentos de autoridade-responsabilidade. MEGGINSON. sistemas de recompensa. fluxos de trabalho. . Depois de definir que mudança será implementada e em qual elemento ou elementos ela se processará. formulação ou reformulação de cargos) ou pessoas (por exemplo. introdução de novo equipamento ou layout).

DEFESA: as pessoas defendem-se de possíveis mudanças. 4. reconhecendo-a como um novo modo de vida. as pessoas podem resistir à mudança. Na segunda. percebem-se duas vertentes que detalham as forma de aceitação da mudança: a positiva e a negativa. Na percepção desses autores. Idalberto.45 2. Aceitação da Mudança ACOMODAÇÃO: as pessoas se acostumam ao cotidiano rotineiro. Os novos paradigmas. as pessoas podem prever a mudança e se preparar para ela. 5. REAÇÃO: as pessoas mudam porque são estimuladas a isso. defesa e obstrução. ACEITAÇÃO: as pessoas mudam graças a argumentos da empresa.1 . Quadro 2. se for uma solução segura e não os afetar adversamente. os administradores e os empregados têm maior possibilidade de lidar com a mudança se esta for orientada à causa real do problema. à aceitação e à reação. . as pessoas podem ignorar a mudança. Analisando o quadro anterior. Na primeira estão os comportamentos relativos à proação. 3. Fonte: CHIAVENATO.Possíveis tipos de aceitação da mudança Positiva PROAÇÃO: as pessoas tomam a iniciativa própria de mudar. Uma resposta neutra – um comportamento de esperar para ver – provavelmente é uma das atitudes mais freqüentes dos empregados. os comportamentos envolvidos são de acomodação. as pessoas podem aceitar a mudança e adaptar-se a ela. Negativa OBSTRUÇÃO: as pessoas lutam contra possíveis mudanças.

É interessante que quando houver resistência. • Ritos. se pensar.4. que determinado grupo tem inventado. . Formam o coração da cultura.2. • Crenças e Pressupostos – são conceitos que expressam aquilo que é considerado como a verdade na organização. Ela não impede que a mudança aconteça. Segundo ele. algumas hipóteses sobre a realidade. esse processo envolve alguma visão de mundo. e sentir-se em relação àqueles problemas”. os elementos centrais que definem a cultura organizacional. algum mapa cognitivo. são ensinados aos demais membros como a maneira para se perceber. e. os principais elementos da cultura são: • Valores – são basicamente as crenças de uma organização. Uma vez que os pressupostos tenham funcionado bem o suficiente para serem considerados válidos. são os pressupostos. sendo responsáveis pelo sucesso dos empregados e pelo estabelecimento de padrões que devem ser alcançados na organização. aquela visão da realidade passa a ser entendida como sendo correta e legítima.46 Muito embora a “reação à mudança” seja mal vista pela maioria dos administradores. descoberto ou desenvolvido no processo de aprendizagem para lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna. a administração reexamine a mudança proposta e veja se pode ser encontrada uma solução aceitável para todos. se o sucesso na resolução dos problemas ocorre. Ao contrário disso. Rituais e Cerimônias – são modelos de atividades planejadas que têm conseqüências práticas e expressivas. Ainda segundo esse autor. tem o papel de questionar o seu direcionamento ou abrangência. tornando a cultura organizacional mais tangível e coesa. ela tem um grau de importância que deve ser considerado. Quando um grupo ou uma organização resolve seus problemas coletivos.1 Cultura Organizacional FREITAS (1991) faz menção ao conceito desenvolvido por Edgard Schein e define cultura organizacional como: “o modelo dos pressupostos básicos. e não os valores. Os empregados podem ver problemas na mudança que os administradores não perceberam. 2.

Para MINICUCCI (1995). porém. São eles que têm a coragem de fazer aquilo que todos almejam. vontade. ou postas em ostracismo quando da sua violação. descobre-se que uma certa força impele as pessoas a agir. • Normas – dizem respeito aos comportamentos já estabelecidos e aprovados.2. As forças positivas são aquelas que levam o indivíduo a aproximar-se do estímulo. confrontadas ou encorajadas. necessidades.2 Motivação Na visão de MINICUCCI (1995). O processo de comunicação inerente às organizações cria uma cultura. “É a força impulsionadora do indivíduo para um objetivo”. • Heróis – são pessoas intuitivas que personificam os valores e condensam a força da organização. o termo motivação é geralmente empregado como sinônimo de forças psicológicas. Os mitos se referem a estórias consistentes com os valores da organização. que informam sobre a organização. Colocam em evidência o aspecto disciplinar da cultura com ênfase no “não-permitido”. intenção. instintos.47 • Estórias e Mitos – são relatos firmados em eventos ocorridos. as negativas. Todos esses termos têm. a conotação de movimento ou ação. impulsos. há dois tipos de forças: as positivas e a negativas. demarcando áreas de proibições. 2. reforçam o comportamento existente e salientam como este comportamento se ajusta ao ambiente organizacional. BERGAMINI (1999) afirma que: “considerando o comportamento humano em circunstâncias motivacionais. desejos. . motivação é um estímulo que nos leva a agir em direção a um objetivo. • Comunicação – elemento importante na cultura organizacional. não confirmadas pelos fatos.4. porém têm receio de fazer. através dos quais as pessoas são premiadas ou punidas. revelando suas atividades comunicativas. De fato. ao estudar o comportamento humano. • Tabus – desempenham um papel de orientar o comportamento. aquelas que o levam a afastar-se dele. seja no sentido de buscar ou de fugir de determinadas situações”. etc. uma vez que transmite as informações e interpreta seus significados para os demais integrantes da organização. em conjunto.

10. 8. maior oportunidade de progresso. e que depois se espalhou para os demais países do mundo. maior segurança no trabalho. maior prestígio dentro da companhia. aumento de responsabilidade pessoal.3. 9. No Japão é conhecido pela sigla TQC (Total Quality Control). 6. na seguinte ordem: 1. maior oportunidade para uma íntima ligação com a alta administração. contato mais íntimo e freqüente com os subordinados.48 Ele faz também referência a um estudo de Greenfeld com supervisores sobre as características motivacionais mais importantes entre eles e as classificou. teorias e programas. 2. devido à proliferação de definições.1 Conceito de Controle da Qualidade Total O conceito de Controle da Qualidade Total (CQT) é o de um sistema administrativo aprimorado no Japão. melhor oportunidade de instrução e de auto-aperfeiçoamento. é difícil definir com precisão o significado de qualidade total. maior oportunidade para agir independentemente.3 QUALIDADE TOTAL 2. 5. 7. 2. pela prevalência. maior oportunidade para ver os resultados concretos do seu trabalho. fazendo referência a Oren Harari. maior oportunidade para liderar e desenvolver os subordinados. . maiores salários. a partir de idéias americanas ali inseridas após a Segunda Guerra Mundial. WOOD JÚNIOR (1995). 4. 11. 3. argumenta que.

mais útil e sempre satisfatório para o consumidor. segundo a qual o controle da qualidade total pode ser definido como um sistema eficaz capaz de reunir os esforços de desenvolvimento. incluindo os executivos. todas as divisões da empresa e todos os empregados. Para isso. manutenção e aperfeiçoamento da qualidade para levar a produção e o serviço aos níveis mais econômicos que resultam na plena satisfação do consumidor. adota os conceitos sobre o comportamento humano empregados por Maslow e aproveita todo o conhecimento ocidental sobre qualidade. Segundo JURAN (1997). MAXIMIANO (2002) descreve a abordagem de Feigenbaum. o TQC se baseia em elementos de várias fontes: emprega o método cartesiano. projetar. Ele também afirma que a qualidade é a ausência de falhas. preparou o primeiro rascunho do que viria s ser conhecido como carta de controle. amigos de Shewhart. Dodge e Romig.2 Abordagens de Alguns “Notáveis da Qualidade” Durante a década de 20. ISHIKAWA (1997) explica que para se obter um bom controle de qualidade é necessário desenvolver. todos na empresa precisam participar e promover o controle de qualidade. Nessa mesma abordagem. utiliza o controle estatístico de desenvolvido por Shewhart. produzir e comercializar um produto de qualidade que seja mais econômico. foi o pioneiro na aplicação da estatística ao controle da qualidade. .49 Na verdade. Shewhart. Segundo CAMPOS (1999). dos Laboratórios Bell. 2. notadamente o trabalho de Juran. desenvolveram técnicas de amostragem. Em 1924. O TQC é um modelo administrativo montado pelo Grupo de Pesquisa do Controle da Qualidade da JUSE (Union of Japonese Scientists and Engineers). O TQC requer o envolvimento e a participação de todas as áreas da organização. Paralelamente.3. “a qualidade consiste nas características do produto que vão ao encontro das necessidades dos clientes e dessa forma proporcionam a satisfação em relação ao produto”. a maioria dos conceitos de qualidade foi estabelecida pelos chamados mestres ou gurus da qualidade. O trabalho que esses homens desenvolveram constituiu o núcleo das técnicas estatísticas de controle da qualidade que são usadas até os dias de hoje. o estatístico Walter A. aprimora o trabalho de Taylor.

seguiu uma filosofia própria na abordagem da qualidade. Feigenbaum Nasceu em 1922. b) Joseph Juran Nasceu em 1904 e. um plano de ação de abordagem sistemática para a resolução de problemas. Action). no qual discorre sobre um método para a administração da qualidade compreendido em 14 princípios. Josefh M. publicou o livro Out of Crisis (Superando a Crise). sofreu forte influência de Walter A. a famosa trilogia de Juran: o planejamento da qualidade. assim como Deming. Nesse livro. Baseia sua abordagem nas necessidades dos clientes. a melhoria da qualidade e o controle da qualidade. Ficou conhecido em todo o mundo como o grande promotor do Controle da Qualidade no Japão. Juran. defende a necessidade de mudar a ênfase da correção para a prevenção de defeitos. Cada um desses autores. Do. a) Edwards Deming Nasceu em 1900. É considerado o primeiro guru que aplicou qualidade à estratégia empresarial. mas que ficou conhecido como Ciclo de Deming ou PDCA (Plan. Armand V. Juran define qualidade como “adequação ao uso” e defende que a gestão da qualidade se divide em três pontos fundamentais. Iowa. c) Armand V. Lançou o conceito de controle da qualidade total em seu livro Total Quality Control.50 Esse modelo desenvolveu-se a partir da década de 50 através de nomes que ficaram conhecidos como os “gurus da qualidade”: William Edwards Deming. Feigenbaum e Kaoru Ishikawa. Check. idéia sintetizada na frase . em Sioux City. a qualidade é um instrumento estratégico que deve preocupar todos os trabalhadores. apesar de tratar do mesmo assunto. Em 1986. Segundo a sua abordagem. Shewhart. em 1951. Deming foi também o divulgador do Ciclo de Shewhart. Defendeu os conceitos de aplicação do controle da qualidade em todas as áreas da empresa e da participação e liderança da alta administração para a melhoria da qualidade.

diagramas de escada. apesar de sua singeleza. Eles consistem em times. gráficos de controle e fluxos de controle. criativo. d) Kaoru Ishikawa Kaoru Ishikawa nasceu em 1915.3. analisar e resolver problemas de qualidade que surgem no trabalho. faz-se necessário treinar os funcionários de vários escalões para identificar e analisar problemas. Seu nome está associado. Uma idéia aparentemente absurda pode levar a outra que. Ishikawa sistematizou sete instrumentos de controle de qualidade: análise de Pareto. que se reúnem voluntariamente e regularmente para identificar. que. ao conceito dos “Círculos de Qualidade”. SOUZA (1995) sugere algumas ferramentas que auxiliam na identificação e na análise de problemas técnicos e operacionais e que podem ser utilizadas na implantação dos Sistemas de Gestão da Qualidade nas empresas: • Brainstorming É uma técnica de reunião bastante eficaz tanto para a escolha do problema a ser trabalhado como para seu entendimento e resolução. principalmente. Sua abordagem desenvolveu-se a partir dos conceitos de controle de qualidade desenvolvidos pelos norte-americanos. 2. todos os participantes são encorajados a expor sem censura suas idéias. pequenas equipes. histogramas. estudar. a fim de promover a melhoria contínua de seus processos e a padronização de seus procedimentos. Visando incentivar e viabilizar essa participação.3 As Ferramentas da Qualidade A implantação de um Programa de Qualidade Total em uma organização sugere a mobilização e a participação de todos os seus colaboradores. . trazendo para o controle da qualidade uma visão humanística. folhas de controle. Num primeiro momento. Vale tudo. acrescendo a eles uma grande preocupação com a participação do ser humano. viria a influenciar profundamente o estudo e a prática da administração da qualidade.51 “fazer certo da primeira vez”. diagramas de causa-efeito (hoje chamados diagramas de Ishikawa).

arrumá-las e reapresentá-las para análise geral. deve-se encontrar o maior número possível de causas que possam contribuir para gerar o efeito. Ao coordenador cabe harmonizar os trabalhos. também chamado de diagrama de Ishikawa ou espinha-de-peixe. recomenda-se agrupar as causas em categorias. Para facilitar a identificação e a análise. As idéias são filtradas. Cada participante deverá defender suas idéias. mão-de-obra. permanecendo apenas aquelas que foram bem fundamentadas e aceitas por todos. buscar que o grupo defina com clareza o tema a ser estudado. buscando convencer o grupo de suas vantagens. é utilizado na fase de análise dos problemas levantados pelo grupo e mostra a relação entre uma característica da qualidade e os fatores que a originam. disciplinar o fluxo de apresentação das idéias. onde e quando ocorre. coordenar as discussões na fase crítica e orientar o grupo para chegar ao consenso quanto às melhores sugestões apresentadas. as quais serão priorizadas. preferencialmente. circundando-as no . Compete-lhe também registrar de forma definitiva as contribuições julgadas aproveitáveis. por consenso entre os participantes do grupo. material. Ao secretário compete registrar as contribuições expostas pelos participantes do grupo. deve-se identificar as causas mais prováveis. O diagrama é então construído na forma de espinha de peixe: o problema deve estar localizado do lado direito e as causas colocadas na forma de flechas apontadas para o problema. Depois que o fluxo de idéias tiver sido esgotado e as idéias compreendidas. acompanhado de uma descrição. O processo se inicia com a escolha de um problema a ser analisado. Críticas ou avaliações das idéias expostas não são permitidas.52 sozinha ou combinada. de suas causas e de seu alcance. • Diagrama de causa e efeito Este diagrama. conhecidas como os 5Ms: método. os esforços do grupo são direcionados para analisar e criticar as idéias anteriormente apresentadas. Existem duas funções básicas a serem exercidas nas seções de brainstorming: a de coordenador e a de secretário. No momento seguinte. conduz à definição do problema. É preciso fazer tantos diagramas quantos forem os efeitos estudados. máquina e meio ambiente. Em seguida. e qual sua extensão.

5W1H é um “check-list” muito útil para enfrentar essas situações. “who” (quem). Controle da qualidade total (no estilo japonês). “when” (quando). de forma que os dados possam ser registrados diretamente através de marcas ou símbolos e imediatamente organizados. • As seis perguntas: 5W1H À medida que os processos tornam-se mais complexos e menos definidos.53 diagrama. • Planilha de coleta de dados A planilha de coleta de dados é uma folha de verificação usada para determinar a freqüência com que certos eventos acontecem. Para estas causas selecionadas deve-se então desenvolver e implantar as soluções. fica mais difícil identificar os problemas e as causas que dão origem aos efeitos sentidos. “why” (por que) e “how” (como). A sigla provém das palavras em inglês “what” (que). garantindo que todos os ângulos de um problema sejam abordados. O “check-list” consiste em se fazer perguntas de modo a explorar exaustivamente o tema em questão. Consiste num formulário no qual os itens e o período de tempo a serem verificados já estão determinados. Vicente Falconi. “where” (onde).4 . sem necessidade de rearranjo posterior. . Figura 2.Fonte: CAMPOS.

Os cinco sensos. comumente chamados de 5S. resultarão em um ambiente (casa. se praticadas por todos. o ambiente de trabalho. proporcionando uma melhora para a organização e para elas mesmas. em uma disposição mental para a prática de um programa onde os resultados são de médio ou longo prazo. Pode também ser definido como um conjunto de atividades que. a essência dos 5S é outra: mudar atitudes e comportamento. . ao final. Pessoas que praticam este conceito tornam-se gerentes de si mesmas. Isto porque tem um grande efeito sobre a motivação para a qualidade. visto que seus resultados são rápidos e visíveis. Muitas vezes os ganhos resultantes de sua implantação financiam outras melhorias.54 • Diagrama de Pareto O diagrama de Pareto é uma forma especial de gráfico de barras que permite determinar prioridades entre diversos problemas. desenha-se uma linha que representa a freqüência acumulada de ocorrências nas categorias analisadas. pressupõe que se ataquem somente os pontos vitais. Seus conceitos são bastante profundos e podem ser aplicados tanto na vida profissional como na vida pessoal. a maneira de conduzir as atividades rotineiras e as atitudes.4 O Programa 5S É um Programa com enfoque na mudança comportamental do grupo. Sua principal característica é a simplicidade. são por assim dizer a porta de entrada de um Programa de Qualidade Total.3. como a Qualidade Total. inevitavelmente. Sua prática contínua e insistente leva. este instrumento ajuda o grupo a dirigir sua atenção e esforços a problemas realmente importantes. com determinação e método. Como o diagrama de Pareto objetiva uma eficiente solução do problema. 2. Na verdade. local de trabalho ou mesmo cidade) agradável e seguro. Elaborado segundo alguma fonte de coleta de dados. No topo das barras. a uma mudança interior que resultará. capaz de modificar o humor.

já que o sistema de escrita japonês é diferente do nosso. SEIKETSU (Senso de Saúde) e SHITSUKE (Senso de Autodisciplina). O importante de ser lembrado ao se implantar os 5S.55 O programa baseado em 5 palavras japonesas: SEIRI (Senso de Seleção). . indicando assim que o termo transcende a simples tradução. SEISO (Senso de Limpeza). É devido a isso que colocamos a palavra senso antes de cada termo já traduzido. SEITON (Senso de Ordenação). é que a simples tradução de seus termos para o português desperdiça muito de seu significado.

ferramentas. Marcos delimitados das zonas de perigo. Arrumação do tipo “posso encontrar isso de olhos fechados”. Todos são responsáveis (prioridade dos 5S). 3. Quadros de aviso bem organizados. Padrões de Estocagem. Tratar das causas da sujeira e dos vazamentos. Treinamento em arrumação. Limpar até os locais que não são observados pela maioria das pessoas. Placas indicando o tamanho das esteiras. 12. Estocagem funcional e eliminação da necessidade de procurar as coisas. Housekeeping 5S´s. Linhas e ângulos retos. 8. Treinamento para situações de emergência. Estocagem e recuperação em trinta segundos. 17. Ver para crer. Placas do nível de óleo. prateleiras. Placas de manutenção da precisão. para evitar vazamentos e dispersões. 13. 9. Disciplina (Shitsuke): Formação de hábitos e um local de trabalho disciplinado. Placas de voltagem. 9. Tiques de verificação. Placas indicadoras (como as usadas nos parques). Placas de limites. 5. Cronograma dos 5S. Execução de inspeções de limpeza e solução para os pequenos problemas. Eliminar o lixo e as rebarbas. Sinais de aberto/fechado. 10. Organizar o depósito.2 – Atividades dos 5S Organização (Seiri): 1. 2. Eliminação de tampas e cadeados. 7. 18. 3. Arrumação (Seiton): 1. 14. Placas de temperatura.56 Quadro 2. 2. 5. Sinais indicando extintores de incêndio. Padronização (Seiketsu): 1. 11. Takashi. . 21. 7. Facilitação da limpeza e da inspeção. 7. Inspecionar tampas e cubas. Responsabilidade individual. 4. Horário para exercícios. Codificação de cores nos canos. Uso de sapatos de segurança. Retirar os coletores de óleo. Todas as coisas têm lugar claramente definido. 2. Limpeza geral. Gerenciamento do espaço comum. Seguro contra acidentes. Manuais dos 5S. 23. Fonte: OSADA. 8. Limpar a parte externa. 6. 9. Responsabilidade individual. equipamentos e tudo mais. 6. 3. peças. Gerenciamento pela estratificação e tratamento das causas. Codificação de cores. 6. 10. Cores de advertência. Placas de responsabilidade. 6. 1. Prevenção de ruídos e vibração. 6. 4. 10. 9. 8. Arrumação funcional dos materiais. Avisos facilmente legíveis. 5. Limpeza como inspeção e graus de limpeza. Prática de comunicação pessoal e por telefone. 19. Exercícios rápidos para treinamento dos 5S. 4. 7. 5. Marcos de inspeção. Corrigir defeitos e danos. Divulgação de campanhas de limpeza. 3. 8. Mutirão de limpeza. 2. 22. Limpeza (Seiso): 1. 5. 4. 7. Eliminar o que não é necessário. 20. 3. 15. carrinhos. Gerenciamento visual e padronização dos 5S. 4. O primeiro a entrar é o primeiro a sair. 16. Marcas de zoneamento e localização. 2. Placas de direção. Transparência. Gerenciamento de fios.

action) é composto das quatro etapas básicas do controle: planejar. do. Ciclo PDCA de controle de processos Figura 2. verificar e atuar corretivamente. Controle da qualidade total (no estilo japonês). • Execução (D) – Execução das tarefas exatamente como previsto no plano e coleta dos dados para verificação do processo.5 O Ciclo PDCA (Ciclo de Deming ou Ciclo de Shewhart) É um método gerencial de controle de processo de abordagem sistêmica. check.5 . compara-se o resultado alcançado com a meta planejada. Vicente Falconi. executar.Fonte: CAMPOS. os termos do ciclo PDCA têm o seguinte significado: • Planejamento (P) – Consiste em: a) estabelecer metas (fins). • Atuação corretiva (A) – Esta é a etapa onde o usuário detectou anormalidades e atua no sentido de fazer correções definitivas. é fundamental o treinamento no trabalho decorrente da fase de planejamento. . • Verificação (C) – A partir dos dados coletados na fase de execução.57 2.3. O Ciclo PDCA (plan. eliminado o problema por completo. Segundo CAMPOS (1999). b) estabelecer os procedimentos (meios) para se atingir as metas propostas. Nesta etapa.

WOOD JÚNIOR (1995) alerta para as principais dificuldades na manutenção dos programas de qualidade: • criação de uma burocracia interna paralela. Ele destaca alguns aspectos básicos e fundamentais para que uma empresa siga em direção à competitividade. • falta de apoio da alta gerência. é a conjugação de métodos gerenciais que são disseminados a todas as pessoas da empresa com o desenvolvimento de um clima organizacional que conduza à emoção pelo trabalho. c) O TQC é um programa gerencial centrado nas pessoas.58 2. b) O TQC é fundamentado principalmente num programa de educação e treinamento através do qual todas as pessoas da empresa devem mudar a sua maneira de pensar e de agir. • baixo grau de comprometimento nos diversos níveis hierárquicos.3. a implementação de programas de qualidade nas organizações não é uma tarefa fácil. 2. “não se pode falar em competitividade sem que se tenha pessoas competentes e dedicadas à tarefa de fazer da sua empresa a melhor do mundo”. Muitos programas de qualidade não alcançam os objetivos aos quais se propõem. não em fatos e resultados. • drenar espírito empreendedor e inovador e implantar rotinas e procedimentos.7 Dificuldades na Manutenção dos Programas de Qualidade Na prática. O resultado do trabalho de cada ser humano deve ter muito significado para sua vida. • foco na imagem. É importante que cada empregado tenha orgulho de sua empresa e que lute pelo seu futuro diante de quaisquer dificuldades.3. na concepção japonesa.6 Política de Recursos Humanos e o TQC Para CAMPOS (1999). . Esses aspectos estão fortemente ligados à importância de uma política de recursos humanos nos processos de qualidade total: a) O TQC.

formação de grupos de evangelistas e céticos. é importante que se tenha o cuidado de assegurar políticas básicas para que o programa de qualidade tenha sustentabilidade e para que os colaboradores sejam permanentemente motivados para a continuidade da mudança. Diante disso. • conflitos de interesse e poder. • foco em padrões mínimos já existentes. • benefícios intangíveis e/ou desproporcionais ao esforço. • dificuldade em manter “momentum” da mudança. . • interferências do ambiente. • efeito esponja – atração de todo tipo de problema. • dispersão de energias e dificuldade de separar meios de fins. • não-alinhamento do programa de melhoria com os objetivos estratégicos.59 • foco nos processos internos – conhecidos e visíveis – e não nos mais críticos.

. uma promessa.3.. processamento e comunicação de informação. consiste na simulação de pensamentos de alto nível por meio de programas de computador” (MEIRELLES. Uma terceira parte.1 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO “. Ela é composta de diversas partes relacionadas.1 Fundamentos e Definições Segundo MEIRELLES (1994). explica o surgimento da Internet e sua aplicação na área da Educação. e aborda como a Tecnologia da Informação vem sendo utilizada como uma ferramenta de suporte às novas formas de organização e o seu papel na promoção da cidadania. 1996). 1994). Seguindo essa linha de pensamento. no clássico artigo de Leavitt e Whisler – “Administrando nos Anos 80”: “A nova tecnologia ainda não tem um único nome estabelecido. A primeira considerando a informação como fator de produção e recurso para o processo produtivo: “TI é o conjunto de recursos não-humanos dedicados ao armazenamento. em 1958.1. os impactos da introdução de inovações tecnológicas podem ser organizados em três grupos: os que interferem no trabalho e na forma de realizá-lo. vamos chamá-la de Information Technology. porquanto suas aplicações ainda não emergiram claramente. e à maneira pela qual esses recursos são organizados em um sistema capaz de desempenhar um conjunto de tarefas” (MEIRELLES. 3. A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E A REENGENHARIA Este capítulo faz referências aos fundamentos e às tendências da era da informática. (1994). os que interferem nos aspectos físicos das organizações e aqueles que interferem nos aspectos psicológicos das pessoas envolvidas” (GONÇALVES & DREYFUSS. 3. o autor cita duas definições. Uma segunda parte está relacionada com a aplicação de métodos quantitativos. . Uma inclui técnicas para processar grandes quantidades de informação rapidamente e resume-se a um computador de alta velocidade. o termo Information Technology ou Tecnologia da Informação (IT ou TI) aparece na literatura pela primeira vez.

61

A segunda definição considera a informação como um importante componente
de um ambiente organizacional e está intimamente relacionada à racionalidade da
organização:
“TI engloba sistemas que afetam as fronteiras da racionalidade de unidades
organizacionais e as limitações de seus processos tecnológicos
relacionados com informação. Essas fronteiras e limitações podem ser
impostas internamente (devido à limitação neurofisiológica dos indivíduos)
ou externamente (por limitação tecnológica)” (MEIRELLES, 1994).

Segundo FURLAN e IVO (1992), a tecnologia da informação não está limitada
aos computadores; ela abrange toda forma de gerar, armazenar, veicular, processar e
reproduzir informação. Papel, arquivos, fichários, fitas magnéticas e discos óticos são meios
de armazenar informação; fax, telefone, jornal, correio, televisão e telex são meios de
veicular informação; máquina de fotocopiar é um meio de reproduzir informação.

3.1.2 A Era da Informática: Conseqüências e Impactos
A tecnologia em geral e, em especial, a tecnologia da informação invadiu a vida
das pessoas e das empresas, passando a influenciá-las fortemente. A informação através
do computador deu origem a uma nova era: a era da Informática. Segundo
CHIAVENATO (2002), suas principais conseqüências foram:
a) Menor espaço: criou-se o conceito de escritório virtual. Os prédios e
escritórios sofreram uma forte redução em tamanho. Os arquivos eletrônicos
reduziram o volume de papel e os móveis associados, liberando espaço para
outras finalidades. Os centros de processamentos de dados também tiveram
redução

de

tamanho

e

descentralização

através

de

redes

de

microcomputadores nas empresas. Surgiram os escritórios virtuais com
microcomputadores, dispensando prédios e conseqüente redução de
despesas fixas.
b) Menor tempo: as comunicações passaram a ser móveis, flexíveis, mais
rápidas, diretas e com maior tempo de dedicação ao cliente.
c) Maior contato: com o surgimento do microcomputador portátil, a multimídia,
o processamento em grupo (workgroup), estações de trabalho (workstation),
tornou-se

possível

trabalhassem juntas.

que

as

pessoas,

embora

distantes

fisicamente,

62

Os impactos decorrentes da chegada da tecnologia da informação são variáveis
de empresa para empresa. No entanto, na compreensão desse autor, existem alguns
aspectos que podem ser generalizados:
a) A racionalidade técnica tornou-se um sinônimo de eficiência. Esta, por sua
vez, tornou-se o critério normativo pelo qual os administradores das
empresas são costumeiramente avaliados.
b) Os processos tecnológicos, em nome do progresso, criam incentivos em
todos os tipos de empresas, levando os administradores a melhorarem cada
vez mais a eficácia, mas sempre dentro dos limites do critério normativo de
produzir eficiência.
c) Os processos tecnológicos têm a prioridade de determinar a natureza da
estrutura organizacional e do comportamento organizacional das empresas.

3.1.3 Tendências da Tecnologia da Informação
A tecnologia da informação está se desenvolvendo de forma assustadora. Se, no
início, era vista como ferramenta de automatização de procedimentos administrativos
visando otimizar atividades operacionais de gestão, hoje é aplicada em qualquer atividade.
Com as reduções significativas nos custos de fabricação de equipamentos
(hardware) e programas (software), a sofisticação dos meios de armazenamentos de dados,
a robótica, o processamento de imagens, o geoprocessamento e a Internet, os
consumidores estão cada vez mais estruturados e exigentes, esperando ser beneficiados
com o valor agregado que a informação pode oferecer aos produtos e serviços.
Para FURLAN e IVO (1992), as macrotendências da tecnologia da informação
são as seguintes:
• O fim do mainframe. Surgido na década de 60, o mainframe é um
computador de grande porte, podendo ocupar uma área de 100 m2 e
necessitando de uma infra-estrutura especial (piso falso, refrigeração, etc.).
Também requer uma estrutura de suporte técnico complexa, há pouca
disponibilidade de aplicativos no mercado para aquisição, o desenvolvimento
ainda é baseado em linguagens ultrapassadas (COBOL, Natural, Assembler)
e o tratamento de contingências é complicado.

63

As novas tecnologias que se consolidam, por sua vez, possuem poder de
processamento equivalente ao de um mainframe, ocupam um espaço de
cerca de 1 m2

e não necessitam de instalações especiais ou de uma

estrutura complexa de suporte técnico. A interface estabelecida com o
usuário é extremamente amigável e chegam a custar até seis vezes menos
que um mainframe.

Sistemas abertos: fim das arquiteturas proprietárias. Na visão desses
autores, abertura significa liberdade, velocidade, agilidade, flexibilidade e
mobilidade. Essas características são itens indispensáveis no campo da
Tecnologia da Informação. Ao contrário de antes, hoje são os clientes e não
os fornecedores que ditam as regras do jogo. Estes últimos passaram a ser
uma opção e não mais uma obrigação.
Sistemas abertos possibilitam que haja diversificação ou até substituição de
equipamentos e fornecedores de forma transparente, sem a necessidade de
converter aplicativos. Muitas soluções hoje isoladas pelos sistemas
proprietários serão no futuro compartilhadas.

Hardware: fornecedores de componentes em vez de fornecedores de
equipamentos. A montagem de equipamentos de informática está se
tornando

cada

vez

mais

simples. Hoje, no entanto, montar

um

computador “em casa” ainda parece complicado demais. Em alguns anos,
com

a

quebra

dessa

barreira,

não

existirão

mais

fabricantes

de

computadores, apenas fabricantes de peças.

O fim das profissões tradicionais de sistemas. As profissões tradicionais
da área de informática (analista de sistemas, analista de suporte,
programador, operador e digitador) foram criadas nas décadas de 60 e 70,
em função das limitações tecnológicas da época. Essas limitações exigiam
forte especialização desses profissionais em itens técnicos e específicos,
além de conduzir as estratégias de informação rumo a um forte modelo
centralizado de prestação de serviços.
Nos tempos atuais, não faz mais sentido estabelecer uma estrutura
organizacional e recursos humanos em função da plataforma do ambiente de
informática em vez do negócio; faz-se necessário uma nova forma de

problemas respiratórios). O resultado final é o objetivo. holístico. Aprende-se a usar um editor de texto em uma versão. ora em um espaço de lazer. . A área de informática nas empresas será responsável pelo plano estratégico de informatização. a fim de buscar resultados que no passado possuíam pouca expectativa de realização. desde o início da civilização. O importante é ter o trabalho realizado. sem a necessidade de ocupar espaço físico e manuseados com facilidades cada vez maiores. Os documentos podem ser digitalizados e perpetuados integralmente em meios de armazenamento magnético sem perder seu formato original. pouco tempo depois surge uma nova versão e assim por diante. ora na empresa. Com a advento da Internet. No campo da tecnologia da informação. administração de dados. Além disso. • O conhecimento descartável. observa-se que ele ocupa espaço. A comunicação. • O estabelecimento do analista de negócios. micro e dirigido do interior. • O surgimento do escritório lógico. ao deteriorar-se. • O fim dos arquivos de papel e microfilmagens. As pessoas podem trabalhar ora em casa. quando armazena grande volume de dados. é de difícil manuseio. as pessoas passaram a integrar uma rede de comunicação que coloca todos em contato com todos. segurança. Ao se analisar o papel como meio de armazenamento de dados. • Comunicação sem limites. O trabalho passa a ser realizado sem a obrigatoriedade de haver um local físico e horários preestabelecidos. sem limitações de barreira física. descartável é a palavra de ordem. contingência. se desenvolveu a partir da necessidade de encurtar distâncias. perde qualidade e legibilidade quando envelhece e. Cada vez mais precisarse-á de profissionais capacitados a conciliar os conhecimentos de negócio aos avanços tecnológicos. estabelecimento e monitoramento de padrões. prospecção de novas tecnologias e integração corporativa. As funções tradicionais de informática tendem a incorporar novas atribuições.64 organização baseada no modelo celular – intensivo em informação. gera graves problemas de saúde (alergias. contextual adaptável. os meios são itens secundários.

No entanto. haverá disseminação de sofisticadas. maior é a necessidade de aprendizado e treinamento. A reengenharia da informação “é o processo de elevar para níveis conceituais de análise e projeto de sistemas o ativo físico de programas e estrutura de dados existentes” (FURLAN e IVO. Segundo ele. criada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. pois possibilita ou possibilitará mudanças de plataformas tecnológicas sem traumas e custos elevados. e o uso da tecnologia da informação será simplificado através de programas desenhados para navegação através das redes. Essa rede interligava vários centros militares e de pesquisa com objetivos de defesa na época da Guerra Fria. com objetivos estratégico-militares.4 A Internet Como surgiu e o que é Internet? A Internet teve origem em uma rede. A National Science Foundation assumiu então o controle da rede de pesquisa civil. com a forte pressão política para a criação de uma grande rede de informação . os usuários terão à sua disposição capacidades poderosas de computação e uma gama de serviços organizacionais de informações. a Arpanet foi segmentada em redes relativas ao Departamento de Defesa (DOD) e redes não relativas (non-DOD). em 1969.65 Tanto na área de software como de hardware. a Arpanet. No início. que incorporarão interfaces conceitos avançados de projeto ergonômico. a qual tornou-se a Nfnet e mais tarde a Internet. a velocidade de mudanças é muito alta e o conhecimento torna-se obsoleto nessa mesma taxa. 3. em poucos anos. • Reengenharia da informação. interpretando tipos similares de informações. É uma das ferramentas mais importantes para tratar os problemas atuais. Os computadores serão interligados a redes públicas de alta velocidade. avanços nas telecomunicações permitirão que o usuário acesse facilidades remotas sem ligação física. Na metade da década de 80. não importando que linguagem ou forma as informações tenham. a Internet ficou restrita ao ambiente acadêmico e científico. 1992). TORRES (1995) faz também menção às tendências tecnológicas.1. com computadores de fácil utilização. Quanto mais o conhecimento se torna descartável. viabilizando que grande volume de informações seja transferido rapidamente.

podemos citar: • trocar correspondências com usuários da rede espalhados pelo mundo. Segundo SANTOS (2003). de produtos e de serviços. o que possibilitou sua presença no mundo todo. notícias de jornais. • obter programas e arquivos textos. conectadas entre si. algumas universidades e centros de pesquisa participaram do processo de desenvolvimento da Internet. inicialmente. sons. imagens. informações de pesquisas e outros. a Internet foi liberada para o uso comercial. como projeto para gerenciar a rede acadêmica brasileira até então em iniciativas isoladas. as regras que normatizavam os tipos de usos tiveram que ser modificadas e. . programas e equipamentos entre seus usuários. o governo brasileiro liberou a utilização comercial da Internet. foi criada a Rede Nacional de Pesquisa (RNP). Esta rápida expansão é devida. em 1993. dados financeiros. quando então começaram a surgir os primeiros provedores comerciais de acesso à rede. Em 1990. • utilizar. No Brasil. descentralizadas e de acesso público. O que se pode fazer na Internet? As mais variadas atividades podem ser desenvolvidas na Internet.66 e o desenvolvimento de ferramentas amigáveis para organizar e localizar informações. fotos. é a mais importante de todas as redes. Atualmente. A partir de então. animações. A Internet não tem fronteira. Somente em 1995. milhões de pessoas começaram a disponibilizar informações na rede. • acessar banco de dados. folheando páginas com informações pessoais e de empresas. à distância. um poderoso canal de comunicação. e por um ritmo espantoso de crescimento. paralelamente. A Internet é um conjunto de redes de computadores. • navegar. principalmente. à descoberta do potencial da Internet enquanto ferramenta de divulgação e comercialização de informações. partilha de informações. • discutir assuntos específicos com grupos de pessoas. que permite a comunicação. caracterizando-se por uma grande diversidade de usuários e aplicações. • fazer pesquisas bibliográficas. recursos de outros computadores e organizações.

tem-se a vantagem de possibilitar uma verdadeira democratização às mais variadas informações. na Suíça. referidos como páginas. Algumas pessoas chegam até a confundir a Web com a Internet. no laboratório CERN. O meio para tornar disponível informações na Web é através de páginas Web. além de conectar-se à Internet. A Internet oferece variadas ferramentas de acesso à informação como correio eletrônico (e-mail). vendas e atendimento a clientes. o usuário precisa de um software específico chamado de browser ou navegador (por exemplo. nasceu em 1991. armazenando-as no seu computador pessoal ou nos computadores dos provedores. • promover ou gerenciar atividades de empresa em diversas partes do mundo. • exibir vitrines de produtos de empresa. • contactar clientes e fornecedores. Com essa disseminação. World Wide Web A WWW. ou simplesmente Web. • fazer compras ou solicitar serviços. grupo de discussão (chat groups). Para utilizar a Web. Esse software atua como uma interface gráfica entre o usuário (navegante) e a Internet – ele encaminha os comandos necessários para solicitar dados de outro computador e então os formata para a tela do usuário. • disponibilizar serviços. recursos para transferências de arquivos (FTP ou file transfer protocol) e a World Wide Web. localizados em computadores (chamados de servidores) de todo o mundo.67 • estabelecer comunicação ágil entre empregados de empresas. Os servidores armazenam arquivos em hypertext markup language (HTML) e respondem a solicitações. a mais conhecida e disseminada delas. • “bater papo” com familiares. . Netscape Navegator ou Explorer). e até paquerar. ALBERTIN (2002) a define como uma coleção de documentos. Cada indivíduo ou instituição pode criar páginas Web. • conversar ao vivo por meio de videoconferência. amigos. • divertir-se em site de entretenimento.

ALMEIDA D'EÇA (1999) acredita que a utilização e a integração da Internet na Educação tem grandes potencialidades. “a Internet.68 "Navegar" pela Internet é uma aventura cheia de surpresas e descobertas. pessoas fantásticas e pessoas terríveis. como o gravador ou o vídeo (que. diversão ou oportunidades de negócios neste mundo virtual. A Internet está hoje nas escolas. não são um elemento estranho para muitos de nós. e que não se limitará a uma moda. em qualquer CD-ROM que acabaram de comprar. Ela é o mundo real num ambiente virtual. mas se apresenta como um novo e duradouro instrumento para ensinar e aprender. a rede abriga todo o tipo de gente. ao mesmo tempo em que podem ser um importante recurso educacional. Primeiro. 1999). Não existem limites para o "navegante" que busca informações. muito menos para as gerações mais novas. essa ferramenta terá vantagens acrescidas face a outras. Isto não deveria nos surpreender. Na sua opinião. permitindo abrir novos mundos de conhecimento. constitui hoje um dos meios mais sofisticados de uso da informática na educação”. Ela é um meio tecnológico intimamente ligado à realidade. Ao virar uma ferramenta nas mãos do público. Não há nada que possamos fazer para evitar isto" (CERF. E a pior é que todo mundo está conectado. como está em muitas das nossas casas. porque as novas tecnologias já fazem parte integrante do nosso dia-a-dia. mas ganha muito em interação com outras pessoas. auxiliando o desenvolvimento de capacidades e habilidades para a sobrevivência em um mundo permeado de informações. não tiveram a implantação que se previra) por duas razões muito simples. bem como aqueles que montam sites com conteúdo agressivo. Afirma ele ainda que a Internet e a Web criam verdadeiros desafios de ordem pedagógica. racista ou pornográfico. porque os jovens de hoje estão em perfeita sintonia com este mundo tecnológico. afinal. mais especificamente a World Wide Web (Web). Segundo. . a rede abriga usuários que te irritam ao enviar vírus ou e-mails não solicitados. a gente perde um pouco a privacidade. Ao tornar-se o meio de comunicação da humanidade. "A melhor coisa da Internet é que todo mundo está conectado. ou em qualquer programa de computador com que acabaram de ter contato. Basta ver a rapidez com que entram em qualquer jogo digital que acabaram de receber. A Internet na Educação Para VALENTE (2002). Nesse meio ambiente virtual. E dispõe de diversos recursos que abrem enormes potencialidades ao processo de ensino e de aprendizagem.

agarrar os alunos. Essa autora explica ainda que a situação em que a Escola se encontra tem de ser consideravelmente invertida se quisermos atingir dois objetivos. manter a escola como instituição de aprendizagem por excelência. aspecto indispensável para o êxito do processo educacional. É imprescindível fazer-lhes frente.o computador . Os alunos vêem muito pouca relação. se fazer cada vez mais fora dessas quatro paredes. no mundo exterior. recorrer a um meio tecnológico que faz parte integrante da vida diária de grande parte das gerações mais novas . a camada estudantil não vê utilidade prática ou futura naquilo que há para lhes oferecer. Muitos programas estão defasados da realidade. Por um lado. a autora entende que a camada estudantil está não só muito desinteressada sobre o que se passa na escola. pelo contrário. As solicitações exteriores são cada vez maiores. a que devemos juntar o fato de os jovens se identificarem plenamente com estes meios e terem uma enorme intuição e apetência para eles. abrem-se boas perspectivas de se conseguir criar. a “lifelong learning” de que hoje tanto se fala. Falando da sua experiência. em virtude de todos estas tecnologias. atraí-los para a escola e mantê-los atraídos durante toda a sua permanência. . o gosto pela aprendizagem. Para isso. É essencial dar aos alunos as ferramentas e as estratégias que farão parte da sua vida profissional e lhes permitirão continuar uma aprendizagem ao longo da vida. para. é essencial usar os recursos e as estratégias que possam alterar esse “status quo” de uma forma natural. No entanto. uma vez que não se identificam com o seu mundo. segundo a autora. a aprendizagem tornar-se-á mais atraente e estimulante. Ele está também em toda a realidade que rodeia os próprios jovens. muda e evolui a uma velocidade cada vez mais vertiginosa.69 Diante das virtualidades das novas tecnologias. criando novos centros de interesse. Não fazem sentido para eles. ou nenhuma. Conseqüentemente. sobretudo. que. ou recriar. o problema não reside apenas nos programas. como instituição capaz de preparar a sua população estudantil para os desafios do futuro e para a exigência de uma atualização permanente. sempre complementada por diversos outros meios e processos. pragmatismo e realismo. a aprendizagem deixou de ser monopólio da escola. E se esse computador integrar as novas tecnologias de informação e comunicação. e dar-lhe sentido. como desmotivada com o que lhe é apresentado e com a forma como lhe é apresentado. e não por obrigação.permitirá aproximar a aprendizagem dentro e fora da escola. no mundo real. novos pólos de atração e novas estratégias que motivem os alunos a estar na escola por prazer. Por outro. Dessa forma. com o que querem que eles aprendam. Hoje em dia. o mundo de hoje.

as vantagens da integração e utilização da Internet e de seus recursos no processo de aprendizagem darão lugar. da sua população docente. Cada um deles tem a sua própria finalidade. mais dialogante. necessidades e desejos individuais. dessa entreajuda e desse espírito de compartilhamento pode resultar uma maior aproximação entre os povos.70 Todas estas alterações darão lugar a uma nova escola. mais solidária. a manifestar solidariedade. e não se manter apegada aos de ontem. é permitir uma comunicação bidirecional. uma comunicação com resposta. os fóruns de discussão e os chats são formas diferentes de se comunicar com os outros. conseqüentemente. uma comunicação com sentido. Enquanto que as páginas Web têm um caráter informativo. porque passará a estar centrada no aluno. a grande vantagem de qualquer um deles. que terá um papel extremamente ativo e participativo. Pensemos no número crescente de pessoas que navegam no ciberespaço. que terá de funcionar em moldes muito diferentes. o chat é em tempo real. Ainda segundo ALMEIDA D'EÇA (1999). segundo explica a autora. a um novo professor e a uma nova forma de aprender. Esta deverá ser muito mais estimulante. O mesmo já não se pode dizer nem da televisão. a colaborar em projetos. Os fóruns de discussão e o e-mail estabelecem uma comunicação em tempo não real. os fóruns de discussão e os chats. para a construção de uma sociedade melhor no futuro. a dar apoio e ajuda. não só a uma nova escola. anseios e aspirações da sua população discente e. gradualmente. pois o bem-estar destes dois pólos de ação é fundamental. inclusive de grande interferência e responsabilidade no rumo da sua aprendizagem. Mas pensemos. o correio eletrônico. pois terá de se adaptar aos tempos de hoje e de amanhã. Aprendizagem essa que terá uma forte componente colaborativa. . Desse intercâmbio. mais compreensiva e mais humana. Os recursos da Internet mais usados no ensino são as páginas Web. uma comunicação real e genuína. naturalmente. mas também a um novo aluno. aproximação essa que deverá produzir um melhor conhecimento interpessoal e intercultural. mas que simultaneamente permitirá respeitar e considerar ritmos. o correio eletrônico. uma sociedade que seja mais aberta. por seres humanos). Terá de ser uma escola que vá ao encontro das necessidades. espera-se que a Internet venha contribuir para um melhor entendimento global e. esse mundo simultaneamente virtual (porque não se dão encontros físicos) e real (porque é habitado por pessoas reais. nem do vídeo. Mas independentemente do fator tempo. Em última análise. no elevado número dessas pessoas que estão prontas a trocar idéias e experiências. sobretudo.

e que. Na perspectiva dessa autora. na rádio. necessariamente. A Escola é.71 A Internet é não só um novo meio como um meio novo. Os alunos. por natureza. interveniente. enquanto não nos habituamos a eles. mas de se tornar produtor de informação e conhecimento. uma instituição fechada. já se passou com outros meios como o telefone. Está à distância de um telefonema (ainda por cima local) deixarmos de ser leitores ou ouvintes passivos para passarmos a ter um papel participativo. na vida real? Aquilo que se está a passar atualmente com a Internet. para colaborar. defender os nossos valores. A classe docente tem uma enorme responsabilidade e uma tarefa imensa pela frente. que só tem coisas más. Pela primeira vez. Cada um de nós tem hoje a possibilidade de não permanecer exclusivamente um consumidor de informação. É preciso considerar as perspectivas que isto abre para os estudantes e no que pode representar para eles em termos de estímulo. É dever de todos nós dar a conhecer o que é nosso. para partilhar idéias. enquanto são desconhecidos. como que por artes mágicas. experiências. Enquanto são novidades. sofrem as conseqüências dessas duas situações. A Internet confere ao processo educativo uma vantagem enorme. não só a Escola. local. uma solução para determinadas situações. só seria lido apenas por uma minoria. por tradição. há de tudo na Internet . nos livros. tão ativo quanto quisermos. Compete-lhe incentivar os alunos a produzir trabalhos de caráter pessoal. na imprensa. somos transportados para um mundo exterior sem dimensão. regional ou nacional. dispõem de meios para sair da sua concha. a nossa cultura. essa grande rede não deve ser encarada nem como uma panacéia. a televisão e o computador. Basta apertar um teclado e. A capacidade de divulgar o que fazemos e de conhecer o que os outros fazem nunca esteve tão facilitada. É para esse tipo de publicação que . Já nem é preciso estar atrás de editores para publicar aquilo que gostaríamos que outros conhecessem. provavelmente. podendo aumentar consideravelmente o nosso público-leitor. vivências. De fato. muito recente entre nós. como lhe compete incentivá-los a publicar esses mesmos trabalhos.bom e mau! E não se passa o mesmo na televisão. A possibilidade de se darem a conhecer ao mundo e de deixarem o mundo entrar saudavelmente no seu meio encontra-se na ponta dos dedos. nos filmes. a tendência do ser humano é desconfiar e desdenhar. nem tão-pouco como um vilão. e cada vez mais ao alcance de todos. Está ao alcance de cada um de nós ter uma página na Internet e nela pôr o que desejar. uma classe voltada ao isolamento. dificilmente alcançada de outro modo: a abertura de horizontes e de perspectivas. Os professores são. Essa mesma autora ressalta que é dever de todos nós contribuir com informação. a nossa identidade nacional. mas também os professores e os alunos. enquanto não entram na nossa rotina. culturas. o rádio.

ajudando em especial aqueles alunos com ritmos e necessidades diferentes. Tem-se agora os meios para lhes dar visibilidade. Para isso. Certamente se faz muita coisa boa de que não se tem conhecimento. . e de “repassador” de matéria. esse novo professor será um guia que se manterá cada vez mais à margem dos trabalhos. do acesso à informação. e aprendendo com eles. Está surgindo um novo aluno e um novo professor. organização e síntese da informação de que dispõe. a ser um orientador e um facilitador do processo de aprendizagem. Por sua vez. necessitará de um forte espírito crítico.72 existem as páginas das escolas que. e de uma grande capacidade de análise. Ele ressalta que o sucesso empresarial passa a depender. pesquisando e descobrindo ao seu lado. além disso. no mesmo local ou à distância. e todos os que o solicitarem. Acima de tudo. mais autonomia e mais capacidade de trabalhar em colaboração com colegas. análise e processamento. Para TORRES (1995). O novo aluno deverá ter cada vez mais responsabilidade no rumo da sua formação. a reengenharia só se mostra efetiva com o uso intensivo da tecnologia da informação. como ajudará a resolver problemas reais. o novo professor passará de possuidor de “toda” a informação e de “todo” o conhecimento. A Internet permite também uma maior aproximação entre professor e aluno. Ele não só construirá o seu conhecimento. e da sua triagem.2 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E REENGENHARIA A tecnologia da informação desempenha um papel importante e decisivo nos projetos de reengenharia. e as suas experiências e iniciativas. devem dar a conhecer o seu mundo. Ele será freqüentemente um aprendiz em pé de igualdade com os seus alunos. 3. da capacidade de organização em termos de administrar a sua base de informações e aproveitar as oportunidades de diferenciação que as novas tecnologias da informação proporcionam. de modo fundamental.

a tecnologia da informação pode propiciar o uso de uma variedade de sofisticados recursos analíticos. concentrando a atenção sobre informações estratégicas” (TORRES. • Informacional – a tecnologia da informação pode ser usada para captação de informações dentro de um processo sobre o desempenho de outros processos.73 3. eliminação das possibilidades de rejeições. A tecnologia da informação possibilita a coordenação entre tarefas e processos. • Acompanhamento – monitoração rigorosa da situação e objetos envolvidos no processo. • Geográfico – uma vantagem chave da tecnologia da informação é sua capacidade de superar a geografia. possibilitando que mais dados sejam agregados ao processo decisório e analisados no decorrer desse processo. ainda assim. facilitando a coordenação e o monitoramento de processos à distância. eliminação de tempo e assim por diante: • Automacional – a vantagem mais comumente abordada da tecnologia da informação é sua capacidade de eliminar ou reduzir o trabalho humano e. • Integrativo – os processos voltados para tarefas extremamente segmentadas têm tido seu desempenho prejudicado. • Seqüencial – permite modificar a seqüência de processos ou transformar um processo seqüencial em paralelo.2. 1995). produzir um processo mais estruturado. combinação de processos para reduzir tempos. as oportunidades para apoiar a utilização da tecnologia da informação na reengenharia de processos se enquadram em aspectos diferentes. visando reduzir seu ciclo de tempo. . Segundo DAVENPORT (1998). trabalhos e materiais em trânsito. que pressupõem um objetivo predominante de redução de custos. eliminação de áreas de espera para materiais.1 Aspectos e Oportunidades “As oportunidades de ganhos com a reengenharia de processos suportada por tecnologias da informação são a eliminação de processos que adicionam pouco valor. custos. eliminação de informações desnecessárias. • Analítico – nos processos que envolvem a análise da informação e a tomada de decisão.

2. a TI não é apenas um importante suporte para o funcionamento do negócio. Das características dos novos modelos de gestão. .2 Novas Formas de Organização GONÇALVES e DREYFUSS (1996) justificam que além de simplificar a organização pela diminuição do número de níveis hierárquicos. “autoridade formal é o poder baseado na compreensão geral de que indivíduos. Eles também a denominam de poder legítimo. O grau de centralização que faz melhor uso das capacidades dos empregados é o objetivo.. 3. a TI possibilita criar novas formas de organização. • Desintermediação – a tecnologia da informação facilita a eliminação de intermediários humanos em um processo.2. depende das circunstâncias. Segundo STONER e FREEMAN (1999). têm o direito de exercer influência. está relacionado ao grau em que a autoridade e a responsabilidade estão dispersadas na organização.. dentro de certos limites. 3. duas merecem ser destacadas com maior ênfase: a descentralização e a flexibilização da estrutura. como o de delegação. tratadas como processo. O conceito de descentralização. o quanto a centralização ou descentralização são mais adequadas. as atividades que exigem muitos conhecimentos não são.” Henri Fayol É fundamental para as organizações usarem a autoridade de forma adequada. para que esta possa ser eficaz. em virtude de sua posição na organização”. aumentando os laços com os clientes e reunindo eletronicamente os membros da administração. ou grupos específicos.1 Descentralização “. Nesse sentido.74 • Intelectual – não obstante o conhecimento e a experiência dos empregados serem considerados o maior patrimônio da organização. algumas vezes. muitas organizações estão tentando captar e socializar o conhecimento institucionalmente.2. ela passa a ser um recurso de projeto organizacional. Atualmente.

Maior envolvimento na tomada de decisão cria maior moral e motivação 3. 1. Muitas empresas estão se reestruturando. Os sistemas de informação permitem que alguns processos sejam controlados de modo centralizado. freqüentemente conseguida através da criação de pequenas unidades organizacionais independentes”. 4. existe uma clara tendência para a descentralização.1 . 4. Administração de empresas. Quadro 3. Ainda segundo eles. Maior custo por administrador devido ao melhor treinamento. melhor salário dos administradores nos níveis mais baixos.Vantagens e desvantagens da descentralização Vantagens da descentralização Desvantagens da descentralização 1.75 Para esses autores. Administradores tendem a uma visão mais estreita e podem defender mais o entre os administradores médios. Idalberto. Pode ocorrer falta de informação e coordenação entre os departamentos. Ao mesmo tempo. ao mesmo tempo em que descentralizam a tomada de decisões para os administradores que estejam mais próximos dos clientes. Decisões são tomadas mais rapidamente. “descentralização é a delegação de poder dos níveis mais altos para os mais baixos da organização. Fonte: CHIAVENATO. Tomadores de decisão são os que têm mais informação sobre a situação. Políticas e procedimentos podem variar enormemente dentro da organização. os avanços da tecnologia de informação tornaram os sistemas de controle centralizado muito mais sofisticados. sucesso de seus departamentos em detrimento da empresa como um todo. Esta estrutura proporciona bom treinamento para os administradores médios. 2. 3. . o que freqüentemente significa a eliminação de cargos de staff e a colocação da autoridade para tomar decisões mais abaixo nas organizações. 2.

as pessoas envolvidas em uma mesma atividade são agrupadas em um mesmo departamento. Um profissional trabalha ao mesmo tempo em dois ou mais projetos.2. • Diversificação elevada – o profissional deve conhecer o maior número de áreas da organização.2. permanecendo ligado ao chefe desta área (linha vertical). Dentre elas: departamentalização por projetos. A maneira como a organização compõe seus departamentos também influencia na flexibilidade da estrutura organizacional. Ao mesmo tempo ele continua vinculado à sua área técnica. ainda na percepção desses autores. As características das estruturas inovadoras.76 3. ficando subordinado aos seus respectivos gerentes (linha horizontal ou diagonal). as atividades desde os níveis baixos até a Alta Administração são especificadas e um sistema de comunicação é delineado.consiste em agrupar pessoas conforme sua área de especialização.2 Estrutura Flexível Segundo VASCONCELOS e HEMSLEY (1998): “a estrutura de uma organização pode ser definida como o resultado de um processo através do qual a autoridade é distribuída. Os departamentos de uma organização podem ser estruturados formalmente de três modos: • Estrutura funcional . matricial e estrutura celular. • Utilização de formas avançadas de departamentalização – novas formas de estruturas surgiram para substituir as tradicionais. . permitindo que as pessoas realizem as atividades e exerçam a autoridade que lhes compete para o atingimento dos objetivos organizacionais”. • Multiplicidade de comando – consiste na dupla ou mesmo na múltipla subordinação. • Comunicação horizontal e diagonal – os profissionais de áreas diferentes discutem problemas sem que a comunicação percorra os níveis hierárquicos superiores. são: • Baixo nível de formalização – um alto nível de formalização compromete a flexibilidade das ações dentro da organização e limita as ações dos gerentes. bem como a inter-relação entre sua área e as demais. ou seja.

Tenta-se reunir os benefícios dos dois tipos de estrutura. sendo desfeita quando da sua conclusão.77 Características: especialização elevada.é considerada. agilidade e qualidade na tomada de decisões e comunicação vertical. maior integração entre as áreas técnicas envolvidas no projeto. comunicação vertical e unidade de comando. ao mesmo tempo em que evita suas desvantagens. segundo STONER e FREEMAN (1999). uma combinação das atividades funcionais com as de projeto. VASCONCELLOS e HEMSLEY (1998) explicam que “quando duas ou mais formas de estrutura são utilizadas simultaneamente sobre os mesmos membros de uma organização. Os técnicos de uma especialidade trabalham em conjunto com técnicos de outras especialidades e subordinados ao gerente do projeto. • Estrutura matricial . Nesse mesmo sentido. a estrutura resultante chama-se matricial”. Características: unidade de comando. A equipe é formada especificamente para desenvolver o projeto. • Estrutura por projeto – modelo onde cada empreendimento é considerado um projeto e o seu responsável é denominado gerente do projeto. Eles definem estrutura matricial como sendo uma “estrutura organizacional onde cada empregado é subordinado ao mesmo tempo a um gerente funcional ou de divisão e a um gerente de projeto ou de grupo” . .

é interessante detalhar uma nova forma de organização proposta por TACHIZAWA e SCAICO (1997): a organização flexível. • Maior especialização nas atividades desenvolvidas. dos processos de apoio. Nesse plano. para os primeiros. a identificação dos que são realmente estratégicos. Organização flexível. gerando um clima de ambigüidade de papéis e relacionamentos. • Comunicação vertical. • Melhor atendimento aos clientes do projeto. a capacidade de processamento de informações é ampliada. e. Segundo eles. de forma a subsidiar a delimitação dos processos produtivos e estratégicos”. trata-se de: “uma forma de organização que propõe a identificação e segregação dos processos produtivos. a obtenção de estruturas mais achatadas e com menor número de níveis hierárquicos. • Uso adequado dos vários recursos.2 – Vantagens e desvantagens da estrutura matricial Vantagens: • Possibilidade de maior aprimoramento técnico da equipe de trabalho. horizontal e diagonal. • Possível conflito de interesse entre os chefes da estrutura funcional e os chefes de projetos. Oswaldo. • Maior desenvolvimento de pessoal. a aplicação dos recursos da tecnologia da informação é fundamental e pode resultar em benefícios internos e externos. Na organização flexível. Fonte: TACHIZAWA. • Maior cumprimento de prazos. Desvantagens: • Dupla subordinação.78 Quadro 3. com isso. fomentando uma eficiente gestão das interfaces entre os processos. inclui-se a utilização intensa de redes locais de computadores voltadas à ativação da comunicação e fluxo horizontal de informações ao logo da estrutura da organização. . aumentando o processo decisório e possibilitando. No âmbito interno. Nesse contexto. Esta definição leva em conta o ramo de negócios da organização. Takeshy & SCAICO.

Sem coordenação. amplia virtualmente as fronteiras da organização na medida em que esses documentos são enviados por correio eletrônico e processados automaticamente em seu fluxo eletrônico interno. integração é o grau em que os empregados de vários departamentos trabalham juntos de modo unificado. para fins de interação junto a clientes e parceiros. as pessoas e os departamentos perdem a compreensão de seus papéis dentro da organização e são levados a buscar seus próprios interesses pessoais. coordenação é o processo de incorporar objetivos e atividades de unidades de trabalho separadas (departamentos ou áreas funcionais) com o propósito de efetivar os objetivos da organização. geralmente às custas dos objetivos organizacionais. Para STONER e FREEMAN (1999). mas dentro de suas fronteiras virtuais. Outro aspecto importante é que a flexibilidade depende de um alto grau de integração e coordenação. Ainda segundo eles. O intercâmbio eletrônico de documentos. A cooperação deve existir em todos os departamentos e na organização como um todo. Com os recursos da tecnologia da informação é possível interagir eletronicamente com fornecedores e consumidores. torna-se fundamental o relacionamento da organização flexível e demais entidades localizadas fora das fronteiras físicas da empresa. .79 No âmbito externo.

ainda mais. Em sua origem. 4. é o ser levado a participar. É o sujeito de direitos. porque significa responsabilidade pelo bem comum. que vai se construindo de diversas formas. MARINHO e MOREIRA (1996). mas pela obrigação de viver em comum. institui a cidadania. a coabitação de seres diferentes sob a autoridade de uma mesma regra” (Patrice Canivez. MOURA. 1998). fazer parte. É ela o lugar onde as crianças deixam de pertencer exclusivamente à família para integrarem-se numa comunidade mais ampla em que os indivíduos estão reunidos não por vínculos de parentesco ou de afinidade. SERRÃO e BELEEIRO (1999) explicam que as possibilidades de mudanças acontecem através do exercício da cidadania exercida por intermédio da participação. a relação entre Cidadania e Educação. em outras palavras. estar incluído entre os que são contados e os que contam. A construção da cidadania é um movimento. . 4. a palavra cidadania está relacionada à cidade. A escola institui.1 CIDADANIA “A escola. Participar nas decisões. não é uma coisa que um possa ter e outro não. cidadania é uma relação.1. de fato. e trata dos princípios e características da Gestão Escolar Participativa. que nos induz a uma identidade nacional. A CIDADANIA E A GESTÃO ESCOLAR Este capítulo aborda os conceitos de Cidadania. de deveres e. Uma sociedade de cidadãos é uma sociedade de relações democráticas baseada na igualdade entre as pessoas. sendo uma delas o desenvolvimento de iniciativas comunitárias que têm provocado e efetivado projetos de transformação. discorre sobre a importância do relacionamento entre escola e comunidade.4. participar nos resultados.1 Construindo a Cidadania Segundo MOURA. uma ação. MARINHO e MOREIRA (1996) corroboram com essa opinião e afirmam que a participação é a chave fundamental para a construção da cidadania.

acreditando ser possível tomar um caminho novo. o desenvolvimento pessoal e social de adolescentes está relacionado ao processo de crescimento na direção da melhoria da qualidade das relações do jovem consigo mesmo. Cabe a ele auxiliar na organização dos desejos e necessidades da população com a qual trabalha. Essas autoras defendem que a função social do educador é ser agente de transformação. aprender a compreender seus próprios sentimentos e os dos demais. tornando-se capaz de sentir amor e expressá-lo”. assumindo a responsabilidade dos seus atos e das mudanças que fizer acontecer. que é sujeito participante de sua reflexão. da reflexão do mundo e da sua própria história. com o outro. .1. participando da estruturação do movimento popular a partir do seu trabalho com os jovens. a partir de um processo educativo que leva em conta a realidade da população. mas se amplia para as famílias e a comunidade em geral. com o mundo. 4. atenção e firmeza. ele precisa ter conhecimento sobre si e sobre o mundo. aprender a interagir e descobrir o prazer de ser com. quebrar preconceitos e livrar-se de esteriótipos. objetividade e sinceridade. naquele que sabe que pode escolher. alterando o seu rumo. sem rosto. Para tanto. a concordar e discordar sem romper nem agredir. aprender a comunicar-se com clareza.2 A Cidadania e a Função Social do Educador Para essas autoras. Elas afirmam que a educação é uma chave que abre a possibilidade de se transformar o homem anônimo. com o outro. Ele se constitui numa referência para a comunidade. provocando as rupturas necessárias e aglutinando as forças que garantem a sustentação de espaços onde o novo seja buscado. é necessária a consciência de que se pode construir novas relações consigo mesmo. Sua função não se limita ao trabalho com os grupos. a ceder em prol do coletivo e a fazer de sua ação um instrumento em busca da transformação. com os grupos dos quais participa e com a natureza. Aos educadores que atuam em comunidades populares. construído e refletido. mudar o destino. A construção da cidadania passa também pelo educador e sua função social. Esta chave nos permite modificar a realidade. Enfim.81 Ainda segundo SERRÃO e BELEEIRO (1999): “integrar-se e fazer parte de um todo significa aprender a aproximar-se com cuidado.

também. é gozar da existência” (SERRÃO e BELEEIRO. ampliando-se para o contexto social no qual o homem está inserido. quando. tendo como princípios básicos os direitos humanos. É mais que sobreviver.82 Construir um Novo Ser e um Novo Mundo a partir de uma nova relação é a chave da função social do educador. fazendo a sua parte na construção de um mundo melhor. abrangendo. Ela transcende as disciplinas e. A relação que se estabelece entre educador e adolescente abre possibilidades para novas formas de sentir. ou seja. Ela começa na relação do homem consigo mesmo para. ordenar e construir o mundo. MOURA. deixando por onde passa sua marca. Significa assumir responsabilidades com o coletivo. peça fundamental no quebra-cabeça da história. A cidadania não se limita a uma palavra. está presente em todas. a cidadania precisa ser entendida além da cobrança de direitos individuais e coletivos. um discurso. 1999). vitimar-se – e abraçar uma atitude ativa consigo mesmo. sentindo-se parte integrante do gênero humano. É uma nova forma de ver. a partir daí.394/96) recoloca entre os fins da educação nacional o pleno desenvolvimento do educando. de querer e de agir. ao proceder à escolha de um representante da turma e ao ordenar o trabalho do laboratório estamos aprendendo e ensinando a conviver. é mais que viver com prazer. E não só em todas as disciplinas. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho e é a primeira vez que vai além. queixar-se. Ainda segundo SERRÃO e BELEEIRO (1999). começando pelo que está mais próximo. Cada sistema de ensino deverá definir quais serão as normas que orientarão esse tipo de gestão. mas em todas as atividades escolares. a nova Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9. ao referir-se aos princípios que devem nortear o processo educativo. de acordo . com o outro e com o ambiente. Ser cidadão significa abandonar a postura passiva – reclamar. Ao organizar um jogo de futebol. à vinculação entre a educação escolar. dá ênfase à gestão democrática do ensino público. o trabalho e as práticas sociais e a valorização da experiência extra-escolar. participante ativo do esforço de mudança da sua realidade social. sua família. “Ser cidadão significa estar na vida e no mundo. Isso é cidadania. Segundo MARTELLI (2004). o cumprimento dos deveres. ao mesmo tempo. MARINHO e MOREIRA (1996) dizem ainda que a educação para a cidadania não pode ser apresentada como uma disciplina específica. escola e comunidade. nem está fora da vida do indivíduo. expandir-se até o outro. a responsabilidade pessoal e o compromisso social na realização do destino coletivo. uma idéia.

mas também sobre a execução da proposta pedagógica. a relação entre escola. Ela explica que o processo contínuo de profundas mudanças e imensuráveis transformações.1.3 Escola. ainda. que possibilite construir a nação cidadã. garantindo o respeito aos direitos básicos da cidadania. a dignidade da pessoa humana. por ações político-sociais voltadas para transformação social. a concepção de espaço-tempo. itens marcantes da cultura planetária contemporânea. adolescentes e adultos para defenderem seus direitos e cumprirem seus deveres. Ela explica ainda que a nova LDB. vem alterando. O papel do professor nessa tarefa é igualmente destacado. 4. no sentido de colaborar com as atividades de articulação da escola com a família e a comunidade. pelas quais passa a sociedade contemporânea. não só da freqüência e rendimento dos alunos. no sentido de criar processos de integração da sociedade e a escola e. vulnerável ao descontrole desse processo de mudança incessante e irreversível. no sentido de compreender o ambiente material e social e os valores em que se fundamenta a sociedade. Desde a educação infantil. os sistemas de produção e gestão. a ação da escola aparece como um complemento da ação da família e da comunidade e no ensino fundamental. a necessidade de informação aos pais e responsáveis. de tolerância recíproca em que se firma a sociedade e de preparo básico do cidadão. em ser Art. comunidade e cidadania originase de uma concepção de mundo e de homem permeada pelo sentido da globalização e da tecnologia. como um meio de fortalecimento dos vínculos da família. propõe um processo de articulação com a família e a comunidade. .83 com as suas possibilidades. numa realidade marcada pela desigualdade social. dos laços de solidariedade humana. 12. Defender a cidadania implica denunciar a violação desses direitos e educar para que todos se constituam sujeitos da sua própria história e da história da sua sociedade. violência e precárias condições de vida exige uma pedagogia dos direitos humanos. substancialmente. Construir a cidadania é defender a vida. as relações entre os homens na construção de uma cultura sem rosto. ao tratar das incumbências dos estabelecimentos de ensino. Promover a cidadania. é capacitar crianças. tendo como um dos princípios básicos a participação das comunidades escolares e local em conselhos escolares. Comunidade e Cidadania Para SILVEIRA (2001).

• buscar formas diferenciadas de aproximação com as famílias. cabe à escola e ao educador assumir o desafio da “Educação dos Direitos Humanos”: a socialização voltada para a construção de saberes e estruturas para viver em plenitude a cidadania. indispensavelmente. estabelecendo prioridades pelo diálogo com a comunidade externa e interna (alunos. Tornase imperativo para aqueles que educam entender a política dos direitos humanos como uma conquista social que deve ser implementada e fortalecida. precisa contar com as forças vivas da comunidade. à segurança.84 Na visão dessa autora. É ter consciência dos direitos e dos deveres. voltando-se para ela. aproximando e envolvendo a família na aprendizagem dos filhos e na vida da escola (os pais devem sentir-se acolhidos e respeitados ). ao respeito mútuo. A escola. Desenvolver e fortalecer a cidadania é responsabilidade de todos. que deve ter como principal objetivo a construção de uma sociedade justa e digna para todos. lideranças locais). O compromisso com a promoção dos Direitos Humanos passa. Essa mesma autora explica que a interface entre Escola e Comunidade pode ser viabilizada por ações e iniciativas como: • efetuar um levantamento dos recursos disponíveis na comunidade e identificar suas necessidades. professores. no direito à convivência. e • verificar a possibilidade de abrir a escola à comunidade. como instituição de prestação de serviços à comunidade. e consciente dos seus deveres. fortalecendo a participação dos pais. esportivas. pais. formando o cidadão protegido em seus direitos humanos. Cidadania não é algo abstrato. está inserida na realidade do indivíduo. . culturais. à amizade. à proteção e à liberdade. pela educação oferecida pela escola. crítica e efetiva. à solidariedade. • compor projetos conjuntos com a sociedade civil. inclusive nos finais de semana. tanto no planejamento como na execução. funcionários. e lutar para que eles se transformem em realidade. pela família e pela comunidade. envolvendo alunos e famílias em atividades de lazer. de forma consciente. mas em especial do educador.

sob um enfoque sócio-político. Enfatiza relações de subordinação. Considerando-se estudos existentes no Brasil sobre a organização e gestão escolar. vê a organização escolar como um sistema que congrega pessoas.2. objetivando a racionalização do trabalho. 4. Tende a reduzir nas pessoas a faculdade de pensar e decidir sobre seu trabalho. valorizando sobremaneira a racionalização do trabalho. exercidos unilateralmente. a eficiência dos serviços escolares e tende a seguir princípios da administração empresarial. É também conhecida com gestão da qualidade total. o contexto sócio-político. . também chamada funcionalista. Esse autor as define como: a técnico-científica. baseia-se na hierarquia de cargos e funções. defende que cada membro da equipe assuma sua parte no trabalho. Entretanto. A concepção democrático-participativa baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola. Ele afirma que a concepção técnico-científica valoriza o poder e a autoridade. A concepção autogestionária é baseada na responsabilidade coletiva. ausência de direção centralizada e aumento da participação direta e por igual de todos os membros da instituição. etc. Promove a importância da busca de objetivos comuns assumidos por todos e defende uma forma coletiva de gestão em que as decisões são tomadas coletivamente e discutidas publicamente.85 Para implementar essas e outras propostas é necessário elaborar um projeto político-pedagógico com a participação de toda a comunidade escolar para assegurar sua concretização e continuidade. a autogestionária e a democrático-participativa. importando bastante a intencionalidade e as interações sociais que acontecem entre elas.1 As Concepções de Organização e Gestão Escolar LIBÂNEO (2001). é possível apresentar três concepções de organização e gestão. uma vez tomadas as decisões coletivamente.2 GESTÃO ESCOLAR 4. determinações rigorosas de funções. A concepção técnico-científica.

4.2. a educação escolar tem o papel de promover a apropriação de saberes. • Direção/Coordenação – atividade de coordenação do esforço coletivo do pessoal da escola. instrumentos de ação mobilizados para alcançar os objetivos da escola. segundo ele.2 Princípios e Características da Gestão Escolar Participativa Ainda segundo a percepção desse autor.86 As duas outras concepções. por meio da dinâmica intersubjetiva. • Avaliação – comprovação e avaliação do funcionamento da escola. promovem a participação de todos nas decisões como importante ingrediente para a criação e o desenvolvimento de relações democráticas e solidárias. provendo-se o que se deve fazer para atingi-los. • Formação continuada – ações de capacitação e aperfeiçoamento dos profissionais da escola para que realizem com eficiência suas tarefas e se desenvolvam pessoal e profissionalmente. criando e viabilizando as condições e modos para se realizar o planejado. procedimentos. realmente. atitudes e valores por parte dos alunos. Essa é a concepção considerada nesse trabalho. do consenso”. pela ação mediadora dos professores e pela organização e gestão da escola. Segundo LIBÂNEO (2001). do diálogo. O encargo . Embora ambas tenham diferentes entendimentos das relações de poder dentro da escola. • Organização – atividade através da qual se dá a racionalização dos recursos. É importante ressaltar que o processo de organização escolar dispõe de elementos do processo administrativo que são. “a gestão democrático-participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão. valorizam o trabalho coletivo. implicando a participação de todos nas decisões. Esse mesmo autor descreve esses elementos como: • Planejamento – processo de explicação de objetivos e antecipação de decisões para orientar a instituição. aposta na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola.

desenvolver capacidades intelectuais. Em resumo. hoje. os alunos e a comunidade vão aprendendo a sentir-se responsáveis pelas decisões que os afetam num espaço mais amplo da sociedade. a escola deixa de ser uma redoma. um lugar fechado e separado da realidade. Vivendo a prática da participação nos órgãos deliberativos da escola. É também lugar de formação de competências para a participação na vida social. por meio de canais de participação da comunidade. Há dois sentidos de participação articulados entre si. Nesse sentido. os professores. participação significa a intervenção dos educadores e dos usuários (alunos e pais) na gestão da escola. na formação da cidadania participativa e na formação ética. A participação da comunidade possibilita à população o conhecimento e a avaliação dos serviços oferecidos e a intervenção organizada na vida da escola. certos processos de tomada de decisão. para conquistar o status de uma comunidade educativa que interage com a sociedade civil. econômica e cultural. metodológico e curricular. os pais. a participação é ingrediente dos próprios objetivos da escola e da educação. A escola é lugar de aprender conhecimentos. afetivas. no desenvolvimento dos processos do pensar. No segundo sentido. criativas. é garantir o desenvolvimento das capacidades cognitivas. dos alunos. institucionalmente.87 das escolas. faz-se necessário superar as formas conservadoras de organização e gestão. constituindo-se como prática formativa. pelo seu empenho na dinamização do currículo. Ele explica ainda que a conquista da cidadania requer um esforço dos profissionais da educação em incitar instâncias e hábitos de participação popular. como elemento pedagógico. dos professores. adotando formas alternativas. No primeiro sentido. sociais e morais. Há a participação como processo organizacional em que os profissionais e usuários da escola compartilham. operativas. razão de ser do projeto pedagógico. LIBÂNEO (2001) propõe os seguintes princípios da concepção da gestão democrático-participativa: a) Autonomia das escolas e da comunidade educativa A autonomia é o fundamento da concepção democrático-participativa de gestão escolar. de modo que aos objetivos sociais e políticos da escola correspondam estratégias compatíveis de organização e gestão. ética. sociais. estéticas. Há a participação como meio de conquista da autonomia da escola. A participação influi na democratização da gestão e na melhoria da qualidade de ensino. Ela é definida como .

Os recursos que asseguram os salários. toma decisões por meio de discussão com a comunidade escolar mais ampla. entram em ação os elementos (instrumentos e procedimentos) do processo organizacional em que o diretor coordena. presta contas e submete à avaliação desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. a orientação e o controle de suas atividades internas conforme suas características particulares e sua realidade. lidera. as condições de trabalho. motiva. A partir daí. Autonomia de uma instituição significa ter poder de decisão sobre seus objetivos e suas formas de organização. delega as responsabilidades decorrentes das decisões aos membros da equipe escolar conforme suas atribuições específicas. mobiliza. espaço de trabalho coletivo e aprendizagem. a adequação e aplicação criadora das diretrizes gerais que recebe dos níveis superiores da administração do ensino. a formação continuada não são originados na própria escola. elas integram um sistema escolar e dependem das políticas públicas e da gestão pública. Portanto. a organização. Certamente se trata de uma autonomia relativa.88 faculdade das pessoas de autogovernar-se. o planejamento. Sob supervisão e responsabilidade do diretor a equipe escolar formula o plano ou projeto pedagógico-curricular. de decidir sobre seu próprio destino. pais e comunidade próxima que se tornam co-responsáveis pelo êxito da instituição. a forma participativa da gestão e a responsabilidade individual de cada membro da equipe escolar. funcionários. É assim que a organização da escola se transforma em instância educadora. Isso significa que a direção de uma escola deve ser exercida tendo em conta. alunos. por outro. Sendo assim. b) Relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar Esse princípio conjuga o exercício responsável e compartilhado da direção. manter-se relativamente independente do poder central. de um lado. da equipe o . as escolas podem traçar seu próprio caminho envolvendo professores. aprova um documento orientador. As escolas públicas não são organismos isolados. administrar livremente recursos financeiros. o controle local e comunitário não pode prescindir das responsabilidades e da atuação dos órgãos centrais e intermediários do sistema escolar.

a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão. tem várias implicações. alunos. de minorias étnicas e culturais. Conforme temos ressaltado. . discutido e analisado publicamente pela equipe escolar. decididamente. bem como a forma de viabilização dessa participação: a interação comunicativa. movimentos de educação ambiental e outros). funcionários e outros representantes da comunidade. especialmente dos pais. os pais e outros representantes participam do Conselho Escolar. basicamente os pais. usufruem das práticas participativas para participarem de outras instâncias decisórias no âmbito da sociedade civil (organizações de bairro. movimentos de mulheres. as ações pedagógicas e administrativas buscam atingir objetivos. A presença da comunidade na escola. Adicionalmente. Há necessidade de uma ação racional. pais. d) Planejamento das tarefas O princípio do planejamento justifica-se porque as escolas buscam resultados. O plano de ação da escola ou projeto pedagógico. contribuindo para o aumento da capacidade de fiscalização da sociedade civil sobre a execução da política educacional. os modos de fazer. Por outro lado. c) Envolvimento da comunidade no processo escolar O princípio da autonomia requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa. a busca do consenso em pautas básicas. a coordenação e a cobrança dos trabalhos e. mas a gestão da participação. cronogramas e formas de controle e avaliação.89 Nesse princípio está presente a exigência da participação de professores. convergindo na sua execução o interesse e o esforço coletivo dos membros da escola. as entidades e organizações paralelas à escola. o cumprimento de responsabilidades compartilhadas dentro de uma mínima divisão de tarefas e alto grau de profissionalismo de todos. provimento e ordenação dos recursos disponíveis. torna-se o instrumento unificador das atividades escolares. Prioritariamente. o diálogo intersubjetivo. estratégias de ação. da Associação de Pais e Mestres (ou organizações correlatas) para preparar o projeto pedagógico-curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. a participação implica os processos de gestão. estruturada e coordenada de proposição de objetivos.

os resultados do trabalho que a equipe se propôs a atingir. Dirigir uma escola implica conhecer bem seu estado real. etc. fazer compartilhar as experiências docentes bem sucedidas. analisar com objetividade os resultados. a qualificação e experiência dos professores. mas é também o local em que os profissionais desenvolvem sua profissionalidade. o cumprimento dos programas. em função dos objetivos . f) O processo de tomada de decisões deve basear-se em informações concretas. suas causas. lugar de aprendizagem em que todos aprendem a participar dos processos decisórios. Analisar os problemas em seus múltiplos aspectos significa verificar a qualidade das aulas. as características sócio-econômicas e culturais dos alunos. A escola é um espaço educativo. g) Avaliação compartilhada Todas as decisões e procedimentos organizativos precisam ser acompanhados e avaliados. a partir do princípio da relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar. a qualificação profissional e a competência técnica. na análise global dos problemas (buscar sua essência. a saúde dos alunos. analisando cada problema em seus múltiplos aspectos e na ampla democratização das informações Este princípio implica procedimentos de gestão baseados na coleta de dados e informações reais e seguras.90 e) A formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional dos integrantes da comunidade escolar A concepção democrático-participativa de gestão valoriza o desenvolvimento pessoal. Além disso. A democratização da informação implica o acesso de todos às informações e canais de comunicação que agilizem a tomada de conhecimento das decisões e de sua execução. seus aspectos mais fundamentais. é preciso insistir que as ações de organização do trabalho na escola estejam voltadas para as ações pedagógico-didáticas. A organização e a gestão do trabalho escolar requerem o constante aperfeiçoamento profissional – político. a adequação de métodos e procedimentos didáticos. observar e avaliar constantemente o desenvolvimento do processo de ensino. pedagógico – de toda a equipe escolar. para além das aparências). científico.

O controle implica uma avaliação mútua entre direção. A equipe da escola precisa investir sistematicamente na mudança das relações autoritárias para relações baseadas no diálogo e no consenso. h) Relações humanas produtivas e criativas assentadas na busca de objetivos comuns Esse princípio indica a importância do sistema de relações interpessoais em função da qualidade do trabalho de cada educador. No próximo capítulo. severidade e tato humano. do clima amistoso de trabalho. da valorização da experiência individual.91 básicos da escola. para viabilizar a implantação de um modelo de gestão escolar participativa e democrática. entre professoras e alunos. entre direção e funcionários técnicos e administrativos há que combinar exigência e respeito. desenvolvidos pela Secretaria da Educação Básica. . Nas relações mútuas entre direção e professores. serão estudados a estratégia e os projetos de tecnologia. professores e comunidade. bem como para fortalecer o ambiente e o convívio estabelecido entre a escola e a comunidade.

nos últimos anos. baseia-se em um programa de qualidade total. Este capítulo pretende descrever o histórico do modelo de gestão adotado pela Secretaria da Educação Básica. o plano de desenvolvimento tecnológico e os projetos que utilizam as novas tecnologias.5. marcadas de forma mais incisiva por quatro grandes projetos: 1) SIGE – Sistema Integrado de Gestão Educacional. Para o devido entendimento de como essas ações se encadearam é importante conhecer melhor a Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará. EVOLUÇÃO DO MODELO DE GESTÃO E DA TECNOLOGIA NA SEDUC Para se chegar ao estudo do Programa de Melhoria da Educação e para o devido entendimento da estratégia adotada pela SEDUC no uso da tecnologia da informação como instrumento de fortalecimento do modelo de gestão participativa. 2) Matrícula Humanizada. . desenvolvida e implementada desde o ano de 1999. também serão abordados a seguir. faz intenso uso de tecnologias da informação. vivenciado pela Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará. torna-se fundamental compreender toda a evolução que a Secretaria da Educação experimentou enquanto organização. Afinal de contas. analisando alguns trabalhos anteriores realizados na própria empresa. bem como os projetos mencionados acima. pode ser compreendido em basicamente três fases. aborda elementos comportamentais. com enfoque nas áreas da tecnologia da informação e do planejamento estratégico. desde 1996 até os dias atuais. implantado em 2002. implantado no ano de 2001. desenvolvido entre os anos de 1996 e 1999. O novo modelo de gestão da TI proposto. esse projeto envolve processos de gestão. o plano diretor de informática desenvolvido em 1995. 3) Internet nas Escolas. O caminhar na área de modernização tecnológica. e busca melhorar os resultados educacionais na escola pública através da participação da comunidade e da valorização do cidadão. implementados na própria SEDUC. e 4) Programa de Melhoria da Educação Básica.

” Mary Parker Follett Em 1996. Definem as missões fundamentais e. Decreto nº 24. 1997. . de cada departamento. MISSÃO DA SECRETARIA DA EDUCAÇÃO BÁSICA: “A Secretaria da Educação Básica tem por finalidade definir diretrizes e prioridades educacionais e coordenar o sistema de educação básica. com uma linha adicional para cada subcategoria de gastos em cada unidade. a nível estadual. Estabelece uma regra para tudo que eventualmente possa sair errado. visando planejar e direcionar seu processo de reestruturação administrativa e dar subsídios à definição de um novo modelo organizacional. 1995). a grande maioria das organizações se esquece de suas missões e se guia por suas regras e sua previsão orçamentária. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP). a SEDUC contratou uma consultoria da Fundação Instituto de Administração (FIA). de 10 de Outubro de 1997. 4 CEARÁ. Diário Oficial do Estado. pt. estrutura organizacional e distribuição dos Cargos de Direção e Assessoramento da Secretaria da Educação Básica – SEDUC... Ceará. nº 17. de tal modo que. ela consegue ser uma unidade eficiente. 1.93 5. bem como a manutenção e o funcionamento das escolas da rede estadual de ensino”. só então. com esse interrelacionamento. ano LXIII. estabelecem um orçamento e um conjunto de critérios que deixam os funcionários à vontade para perseguir as missões propostas.1 A SECRETARIA DA EDUCAÇÃO BÁSICA Sua Missão “Os órgãos públicos trabalham melhor quando têm uma única missão clara” (OSBORNE e GAEBLER. 1.150. Dispõe sobre a finalidade. Governos de mentalidade empreendedora livram-se do velho livro de regulamentos e abandonam as contas. movendo-se juntas nas suas atividades mais intimamente interligadas.667. 15 out. Segundo esses autores. garantindo a oferta de um ensino de boa qualidade e assegurando a concretização das políticas educacionais adotadas. e dá outras providências. p.4 Evolução do seu Modelo de Gestão “Parece-me que o primeiro teste de administração de empresas a ser aplicado a uma organização é o de observar se essa organização possui todas as suas partes coordenadas. instituição conveniada com a Faculdade de Economia.

aos sistemas e instrumentos de gestão obsoletos e incompatíveis com a proposta pedagógica e o modelo de colegiado. . Coordenadorias e Diretorias “fechadas” em si próprias. O processo decisório. distância entre áreas-meio e áreasfim. incrementando falta de transparência. tornando-a mais leve e flexível. à carência de informações gerenciais para apoiar decisões. 5 • melhorar a qualidade e a eficiência da empresa. e burocracia excessiva. e aos processos decisórios. era caracterizado por decisões lentas. à falta de uniformização de procedimentos e informações. e à ausência de sistemas e ferramentas de gestão que atendessem o “sistema” como um todo. baixo comprometimento com resultados. as anomalias se referiam a falhas no monitoramento dos projetos em andamento. desmotivação e descrença em mudança. os problemas detectados que mais chamaram a atenção foram: estrutura centralizada. os problemas estavam relacionados ao baixo nível de qualificação dos servidores. Nos recursos humanos. lentidão na tramitação de processos. • privilegiar as atividades voltadas para as áreas fins da organização. No âmbito dos sistemas e instrumentos de gestão. à gestão de recursos humanos. • descentralizar as atividades operacionais (administrativas e financeiras). à comunicação interna. O então novo modelo de gestão proposto deveria combater essas anomalias organizacionais e buscaria alcançar alguns objetivos básicos: • redefinir a estrutura organizacional com a eliminação de níveis hierárquicos. • fortalecer as funções gerenciais e as instâncias decisórias.94 O diagnóstico5 desse trabalho identificou uma série de anomalias referentes à estrutura organizacional. com nenhuma integração entre as áreas. e comportamentos caracterizados pelo corporativismo. ênfase em aspectos operacionais e não estratégicos. tíbias frente aos obstáculos. por sua vez. centralização de informação e decisão. No aspecto da estrutura organizacional. permitindo maior agilidade para decisão e execução. aos sistemas e instrumentos de gestão. Diagnóstico das anomalias detectadas pela consultoria da FIA-USP. pela existência de feudos e pelo clientelismo.

(1998) defendem que “geralmente. com pouca ou nenhuma autonomia administrativa. Nesse sentido. ainda em 1996. MEGGINSON. através da prática democrática e do exercício da consciência crítica. Em sua Cartilha de Gestão Escolar. e era nela que as mudanças deveriam ocorrer. com quase 800 escolas localizadas em todo o Estado do Ceará. Naquela época. funcionando inclusive como instâncias provedoras de idéias e de projetos. e passou a ser instituído o Centro Regional de Educação – CREDE. Para fortalecer essa política de gestão democrática da educação e da escola. professores. funcionários. • reduzir os recursos humanos presentes na SEDUC-Sede. a “bandeira” defendida pela SEDUC trazia o lema “A Escola como Ponto de Partida”. Esta permite. em busca da educação de qualidade. funcionando como um órgão intermediador das ações entre a Escola e a Secretaria Central. foram extintas as Delegacias Regionais da Educação – DERE. com a participação efetiva e organizada de todos o segmentos da comunidade escolar (pais. geradoras de . tendo como base de sustentação a gestão colegiada”. dotado de autonomia administrativa e financeira. o centro de todas as ações passava a ser a escola. Ademais. diretores e representantes da sociedade civil). elaborada nesse mesmo ano. ainda segundo eles. tanto mais provável que haja descentralização”. Nessa concepção. Com isso. sugeria o processo de descentralização da organização. MOSLEY e PIETRI JR. alunos. sendo o responsável imediato pelo bom funcionamento da escola. Entende-se por gestão colegiada o gerenciamento pedagógico e administrativofinanceiro do processo de ensino e de aprendizagem. que os gerentes de níveis mais baixos tenham maior competência para tomar decisões e adaptar-se às condições específicas que interessam suas unidades. realocando-os nas regionais e nas escolas. através da cooperação. a escola sempre foi o segmento da Educação que atua mais próximo da comunidade. Era preciso conquistar uma escola pública de qualidade. a gestão escolar passou então a ter um papel de destaque. a SEDUC enfatizava que “ a escola pública é de todos e se constitui num espaço político-pedagógico de aprendizagem e de formação do cidadão. quanto mais dispersas são as unidades organizacionais. É importante ressaltar que a própria dispersão geográfica da Secretaria.95 • racionalizar os processos burocráticos.

São organizações autônomas. a conquista de interesses comuns e a unidade das políticas públicas. associação de pais e comunitários. grêmio estudantil. • possibilitar a troca de experiências. • facilitar o surgimento de novas lideranças. Figura 5. e o conselho escolar.1 . com o objetivo de garantir o processo de tomada de decisões coletivas.96 novas políticas e que consolidam o ser cidadão. Integram os organismos colegiados: congregação de professores. sugiram então os Organismos Colegiados. Dentre as ações de maior importância dos Organismos Colegiados. • garantir autonomia com responsabilidade.Fonte: SEDUC. Cartilha dos Organismos Colegiados. associação de servidores. • incentivar a reflexão sobre os novos rumos da escola. podemos destacar: • fortalecer a participação de todos. • aproximar a escola da realidade da comunidade. que congregam representantes dos diversos segmentos da comunidade escolar. .

pedagógica e política. do ensino e do desempenho escolar. escolhidos para representar a comunidade escolar. de mobilização. Constitui-se de um fórum permanente de discussão. É constituído por um número de titulares e de suplentes. alunos. é nele que se concentra a pesquisa de campo. 5. . direção e integrantes da sociedade civil. • democratizar as ações. Trata-se de um grupo composto de pais. visando à melhoria da qualidade da educação. Por seu grau de representatividade da comunidade escolar. de gestão e administrativo-financeiras. distribuído através de unidades organizacionais independentes. • estimular o trabalho coletivo. Com a evolução desse modelo de gestão. conforme os critérios estabelecidos e de acordo com a realidade de cada escola. Competências básicas do Conselho Escolar: • Deliberativa: refere-se à tomada de decisões quanto ao direcionamento das ações pedagógicas. de natureza administrativa. • favorecer a construção da cidadania.2 O CONSELHO ESCOLAR O Conselho Escolar é um organismo colegiado. • permitir a criação de normas. responsável pela gestão da escola.97 • gerar decisões partilhadas. em conjunto com a direção. e eleitos por voto direto. com poucos níveis hierárquicos e de um modelo de gestão descentralizado. de tomada de decisão e de execução. funcionários. professores. Sua finalidade é promover uma prática educativa democrática. a SEDUC passou a ser organizada através de uma estrutura organizacional desenhada de forma matricial. de articulação. • assegurar a liberdade de idéias. secreto e nominal.

5. Desse material. programas. sem os recursos mínimos para suportar os aplicativos voltados para o ambiente 6 Material elaborado pelo Núcleo de Suporte Tecnológico da SEDUC. as ações a serem desenvolvidas (perspectivas). Deficiência quantitativa e qualitativa de equipamentos Contava-se com micros padrão XT e AT 386. O CPD da SEDUC convivia basicamente com três problemas básicos: 1. 1996. elaborados coletivamente pela comunidade escolar. são descritos os problemas detectados (constatações) e. de gestão e administrativofinanceiras. foram considerados os aspectos relacionados à tecnologia da informação. de gestão e administrativo-financeiras. projetos e regimento interno. de gestão e administrativo-financeiras. juntamente com o Núcleo Gestor da escola. completamente obsoletos.3 ANÁLISE DO PLANO DIRETOR DE INFORMÁTICA Em 1996. o Regimento Escolar – RE e o Projeto Político-Pedagógico – PPP. sempre respeitando a legislação em vigor. • Fiscalizadora: está relacionada ao acompanhamento sistemático e ao controle das ações pedagógicas. • Executiva: aplica-se à execução dos planos. como o Plano de Desenvolvimento da Escola – PDE.98 • Consultiva: diz respeito à emissão de pareceres para esclarecer dúvidas sobre situações decorrentes das ações pedagógicas. Na primeira parte. Informática: constatações e perspectiva. bem como sobre a proposição de alternativas de solução e procedimentos para a melhoria da qualidade do trabalho escolar. • Avaliativa: destina-se à avaliação de desempenho dos profissionais da educação. bem como das ações pedagógicas. • Normativa: reporta-se ao estabelecimento de normas para direcionar as ações pedagógicas. na segunda parte. de gestão e administrativo-financeiras. a Secretaria da Educação Básica produziu um documento6 que abordava as constatações e perspectivas de todas as áreas da instituição. .

e as impressoras existentes eram do tipo matricial e não ofereciam recursos de qualidade. b) Adotar um Sistema Gerenciador de Banco de Dados e um ambiente de desenvolvimento únicos Era inconveniente que se continuasse a desenvolver sistemas nos ambientes existentes. mas também utilizava alguns sistemas corporativos desenvolvidos pelo então Serviço de Processamento de Dados do Ceará . que oferecesse ferramentas eficientes para a implementação de um grande sistema integrado de informação. tornando inviável qualquer projeto de integração. mas também de participar do desenvolvimento de um novo sistema de informação. banco de dados e equipamentos distintos. Existência de diversas plataformas e ambientes de desenvolvimento A Secretaria era atendida por alguns sistemas locais. Tornava-se necessário adotar um Sistema Gerenciador de Banco de Dados único. Deficiência no quadro de pessoal técnico Além do reduzido número de técnicos de informática. totalmente integrado e voltado para a área de gestão. iniciou-se então um longo e dificultoso planejamento dos processos de alinhamento desses problemas que consistia basicamente em: a) Terceirizar o pessoal técnico em informática Seria impossível viabilizar qualquer projeto de tecnologia da informação sem um grupo de técnicos capaz não só de manter os sistemas existentes.99 Windows. não atendendo ao próprio CPD e praticamente inexistente nos demais departamentos e nas escolas. Esses sistemas foram desenvolvidos em linguagens. os salários pagos a esses profissionais eram muito inferiores aos oferecidos pelo mercado. bem como para contratar pessoal com bom nível técnico e experiência. A quantidade desses equipamentos era também deficitária.SEPROCE. . gerando dificuldades para manter os bons profissionais que trabalhavam na SEDUC. Diante desse contexto. totalmente dispersos. 3. 2.

e acesso à Internet. com seus benefícios já bem prejudicados pelos altos custos de manutenção. jato de tinta e laser. impressora matricial. Fazia-se necessário atender à Secretaria da Educação Básica como um todo: Sede. para as demais Secretarias. Adotou-se então o ORACLE.100 O banco de dados deveria ser do tipo relacional. com implementação de linguagem de consulta estruturada (SQL). c) Elaborar e implementar um projeto de rede de computadores Os equipamentos não poderiam ser instalados de maneira aleatória. Fazia-se necessário renovar totalmente o parque tecnológico existente. essas melhorias trariam grande transformação no comportamento e nas atividades de toda a organização. Com base nisso foi elaborado um projeto visando à aquisição de um grande volume de equipamentos. universalizando a utilização de editores de texto. no-break. encontravam-se na sua grande maioria sucateados. tais como: o correio eletrônico. Todos deveriam estar interligados a fim de que se pudessem implementar determinadas funções. Tornava-se necessário que essa nova cultura fosse bastante disseminada. pelo Governo do Estado do Ceará. permissão para que o usuário final utilizasse aplicativos e pudesse também acessar uma base de dados central. que depois passaria a ser indicado. interligação da SEDUC-Sede com os CREDE e Escolas. estabilizador. poder operar em diversas plataformas de hardware e ser voltado para uma arquitetura cliente/servidor. tais como: microcomputador. d) Adquirir equipamentos visando à automação e à informatização de toda a Secretaria Parte fundamentalmente importante nesse novo projeto de informatização estava relacionada aos equipamentos. A automação dos departamentos seria implementada de imediato. devido ao grande tempo de uso. CREDE e Escolas. e) Treinar os recursos humanos visando capacitá-los na utilização dos recursos da tecnologia da informação Certamente. etc. Vale salientar que os poucos equipamentos existentes até então. planilhas eletrônicas e correio .

Capacitação passaria então a ser uma palavra chave. f) Implantar. o que diminuiria o volume de papéis enviados pelos departamentos e aumentaria o rendimento pessoal de cada servidor. preocupando-se em melhorar suas condições de trabalho face à informatização. visando otimizar ainda mais os processos.101 eletrônico. mas também na fase posterior de adaptação ao novo sistema. reclamava do usuário que não sabia muito bem o que desejava. buscando otimização dos processos e. Todas essas ferramentas fariam parte de uma nova área do conhecimento que a SEDUC teria que se preparar para incorporar. . que consistiria em uma central de atendimento equipada com linhas telefônicas. Enquanto o usuário se queixava pela falta de uma assistência devida. a deficiência no atendimento prestado ao usuário era histórica. • dar acompanhamento ao usuário. dentro da Área de Informática. um trabalho direcionado a questões que sempre foram relegadas a segundo plano. esse problema. definitivamente. por sua vez. principalmente. o técnico de informática. e um sistema informatizado que monitorasse esse atendimento garantindo qualidade. dentro da Secretaria. redução dos gastos. • levantar necessidades relacionadas ao desenvolvimento de novos sistemas. Visando então solucionar. não só durante o processo de desenvolvimento e implantação dos sistemas. Este plano estaria também priorizando o trabalho do usuário e teria como objetivos globais: • propor formas de racionalização das atividades. um grupo de técnicos devidamente treinados para receber o chamado e prestar o atendimento. fazia-se necessário implantar um serviço de atendimento ao usuário da tecnologia da informação. na Área de Sistemas e Métodos. um serviço de atendimento ao usuário Na SEDUC. g) Desenvolvimento de um plano de ação na Área de Sistemas e Métodos Era preciso desenvolver.

devidamente alimentado. 5. Compras e Materiais. Era realmente necessário um projeto de grande dimensão na área da tecnologia da informação. Avaliação. Organização da Escola. A proposta consistiu na aplicação de recursos e ferramentas computacionais nos processos de planejamento. sem nenhuma visão sistêmica. forneceriam informações e indicadores a um Sistema de Informações Gerenciais. Rede Física. . Orçamentário-Financeiro. de controle. fornecer subsídios para um melhor planejamento e tomada de decisão. h) Desenvolvimento e implantação de um Sistema Integrado de Gestão Educacional Seria desenvolvido um Sistema Integrado de Gestão Educacional com abrangência nas seguintes áreas: Recursos Humanos. Legislação. devendo este. Na própria Secretaria. Acompanhamento de Projetos. Os principais sistemas eram da base corporativa do Estado e pouco atendiam às reais necessidades da instituição. Todos os subsistemas. Merenda Escolar e Patrimônio. existiam alguns poucos processos automatizados. que fizessem uso de instrumentos e de ferramentas computacionais e que garantissem e eficácia dos resultados alcançados. Diante disso. buscando assegurar que os objetivos da organização sejam alcançados. todos. Matrícula. que serviria para facilitar a interação e pleno uso dos sistemas e para informar sobre dúvidas que poderiam surgir durante a utilização desses aplicativos.4 ANÁLISE DO MODELO DE UTILIZAÇÃO DA TI PROPOSTO O modelo de utilização da tecnologia da informação na área educacional foi baseado no desenvolvimento de projetos estruturantes. no entanto. Estatísticas Educacionais.102 • desenvolver um trabalho de padronização de formulários e elaboração de manuais. percebe-se que a SEDUC se caracterizava por uma grande defasagem tecnológica. dentre eles um voltado para o usuário. de tomada de decisão e de qualidade. Biblioteca. inclusive para viabilizar a pretendida reestruturação organizacional. Grade Curricular. Projeto Pedagógico. componentes do SIGE.

103 MODELO PROPOSTO COM ENFOQUE NOS PROCESSOS PROJETOS ESTRUTURANTES RESULTADOS Planejamento Gestão Participativa Controle Decisão TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Qualidade Serviço de Qualidade Satisfação do cliente PROCESSOS Figura 5. c) Estrutura de Rede: lançado com o nome de Internet nas Escolas. Centros Regionais e Escolas. b) Matrícula Informatizada: conhecido como Matrícula Humanizada. . foi idealizado com o propósito de criar um canal permanente de comunicação e de interação entre todas as entidades da organização: Secretaria-Sede. responsável pelo acesso do aluno à rede pública de ensino. foi desenvolvido com a finalidade de fortalecer os macros processos de gestão.2 – Modelo proposto para a utilização da tecnologia da informação na área Educacional (Ênfase nos processos). Sistema Integrado de Gestão Educacional. Foram quatro os projetos estruturantes propostos e desenvolvidos para a Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará: a) Sistema de Informação: denominado SIGE. foi estruturado com o objetivo de dar suporte ao principal processo educacional.

Compras e Materiais.104 d) Programa de Melhoria: chamado de Programa de Melhoria da Educação.3 – Modelo proposto para a utilização da tecnologia da informação na área Educacional (Ênfase nos projetos estruturantes). Abrange os seguintes módulos: Recursos Humanos/Folha de Pagamento. Contratos e Convênios. Patrimônio. MODELO PROPOSTO COM ENFOQUE NOS PROJETOS ESRTUTURANTES PROJETOS ESTRUTURANTES RESULTADOS Gestão Participativa Sistema de Informação Informação Matrícula Informatizada Estrutura Estrutura de Rede de Rede Escola de Qualidade TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Satisfação da comunidade Canal de Comunicação Programa de Qualidade Cidadania Figura 5.5 PROJETOS ESTRUTURANTES IMPLEMENTADOS QUE APONTARAM A MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGICA DA SEDUC a) SIGE – Sistema Integrado de Gestão Educacional Implantado entre 1996 e 1999. 5. imprimindo mais agilidade e eficiência. . Orçamentário-Financeiro. o SIGE – Sistema Integrado de Gestão Educacional foi projetado com o propósito de disponibilizar informações gerenciais aos gestores e melhorar os processos de gestão da Secretaria. foi proposto com o intuito de assegurar a qualidade da educação e da escola pública.

dentre outras. tornou-se evidente que os servidores que se adaptaram a essa nova tecnologia melhoraram sua auto-estima. Matrícula. passaram a se sentir mais importantes. na sua grande maioria. b) Matrícula Humanizada Trata-se de um projeto planejado e executado pela Secretaria da Educação Básica do Ceará – SEDUC. Sentiram-se envaidecidos por terem conseguido superar os velhos paradigmas e estarem atualizados numa tecnologia avançada. Biblioteca e Informações Gerenciais. constatou-se que estes foram racionalizados e passaram a ser monitorados com maior otimização. No contexto dos processos. bem como os indicadores resultantes da gestão escolar. O SIGE foi o projeto estruturante. Para exemplificar. sobretudo. No Estado do Ceará. possibilitando que os grandes processos de gestão da SEDUC pudessem ser trabalhados. produtivos e orgulhosos por usarem os recursos da informática e serem capazes de fornecer e obter informações com mais agilidade e confiabilidade. ocasionada. Grade Curricular. pela simplificação das atividades operacionais. desenvolvendo novas habilidades. podemos citar a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social e a Secretaria da Administração. e as pessoas passaram a incorporar uma visão sistêmica da organização. Os benefícios promovidos pela tecnologia desse sistema estiveram. Acompanhamento de Projetos. várias Secretarias e outros Órgãos Estaduais estão adotando o SIGE como ferramenta de gestão. Legislação. Vários outros Estados também têm buscado conhecer o sistema.105 Licitação. intrinsecamente relacionados aos processos e às atitudes. Houve ganho de qualidade no processo de tomada de decisão. organizados e controlados de forma integrada. Percebeu-se também uma melhoria no atendimento ao usuário interno e externo. a . fato este que melhorou a integração entre os departamentos e o processo de comunicação dentro da instituição. Rede Física. Sua contribuição foi fundamental para que a Secretaria contasse com ferramentas de gestão que monitorassem as ações desenvolvidas nas escolas. Com relação às atitudes. desenvolvido pela SEDUC-CE. na tentativa de implantar uma solução semelhante. em parceria com o INSOFT – Instituto do Software do Ceará.

106

partir do ano 1999, com o objetivo de priorizar e melhorar o atendimento ao cidadão e aos
pais que pretendiam matricular seus filhos na escola da rede pública estadual.
O desafio de atender a um público carente, que trazia consigo um desconforto
de muitos anos, enfrentando enormes filas em busca de uma vaga para o filho estudar,
trouxe a certeza de que a tecnologia estava aliada ao desejo de oferecer um atendimento
humanizado.
Inicialmente, a matrícula se realizava em escolas-pólo e o aluno se inscrevia
para uma escola de sua preferência, caso houvesse vaga. No entanto, a centralização das
matrículas em pólos trazia o desconforto de filas enormes e um atendimento precário.
Atualmente, a matrícula informatizada se realiza, através da Internet, em todas
as escolas de Fortaleza, tornando o atendimento mais ágil e humanizado.
Como funciona o processo atual
As escolas realizam suas matrículas de veteranos através de uma confirmação
automática, dando a eles a garantia de vaga.
Somente após a confirmação da matrícula dos alunos veteranos, as escolas
identificam a oferta de vagas que, primeiramente, são destinadas aos alunos remanejados e
transferidos da rede pública. As vagas remanescentes é que são destinadas à matrícula de
novatos.
Remanejamento ocorre quando a escola onde o aluno está matriculado não lhe
oferece continuidade dos estudos. É muito comum para os alunos da rede municipal de
ensino que, ao finalizarem o ensino fundamental, precisam ser remanejados para uma
escola pública estadual.
A transferência indica a necessidade de um determinado aluno se matricular em
outra Escola. Diferente do remanejamento, a transferência é a manifestação do desejo do
aluno em mudar de escola.
Visando manter a prioridade de matrícula dos alunos da rede pública, a matrícula
dos alunos veteranos, remanejados e transferidos, é realizada em período anterior à
matrícula dos novatos. Para tanto, os diretores se reúnem e identificam as turmas que
necessitam ser remanejadas e as vagas que podem ser disponibilizadas para atender a
essa demanda. Os alunos identificam as opções de escolas para onde desejam ser
remanejados e os diretores fazem os ajustes necessários e já garantem as vagas desses

107

alunos que, assim como os veteranos, não precisam comparecer à escola no período da
matrícula pois já são previamente matriculados.
Apenas os alunos novatos necessitam ir às escolas no momento da matrícula, o
que diminui, consideravelmente, o número de alunos a serem atendidos.
A matrícula de novatos é realizada nas escolas. O aluno novato se dirige à
escola onde deseja se matricular e, se houver vaga, seu cadastro é realizado e sua
matrícula é efetivada imediatamente. Esses dados são posteriormente consolidados e é
gerado o código único do aluno (Registro Escolar). Se não houver vaga, o diretor entra em
contato com outras escolas e tenta garantir a vaga do aluno em uma escola que para ele
também seja conveniente.
O processo de matrícula é totalmente informatizado e os procedimentos de
oferta e preenchimento das vagas pode ser acompanhado pela Internet, através de uma
página web, que é atualizada constantemente e informa o número de matrículas realizadas,
o total de vagas remanescentes por escola e região, e outros dados estatísticos.

c) Internet nas Escolas
O Projeto Internet nas Escolas, desenvolvido em 2001, foi mais um passo dado
pelo Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria da Educação Básica, na busca de
um ensino de melhor qualidade, garantindo a universalização do acesso à rede mundial de
computadores e promovendo a inclusão de milhares de jovens no universo da informação
livre.
Seu objetivo era prover as escolas da rede pública estadual de acesso à
Internet, garantir a universalização do acesso à rede mundial de computadores, junto aos
alunos das 790 escolas estaduais, e garantir a viabilidade de implantação do Programa de
Melhoria da Educação Básica do Estado do Ceará, através de linhas de comunicação de
dados dedicada, com no mínimo quatro computadores por escola, sendo um na biblioteca,
um na sala dos professores, um na secretaria e também no laboratório escolar.
A infra-estrutura tecnológica projetada foi implementada em 5 Etapas Básicas:
aquisição de equipamentos de informática (microcomputadores, impressoras, nobreaks,
etc.), instalação de rede local (elétrica e lógica) em cada escola, visando interligar os
computadores das diversas áreas, contratação e capacitação de alunos-monitores (03 por

108

escola), implantação de um programa de manutenção e suporte técnico, e o fornecimento
de uma linha de acesso dedicado à Internet .
Com o Projeto Internet nas Escolas os mais de 720 mil alunos da rede estadual
de ensino podem acessar as maiores e melhores bibliotecas virtuais de todo o mundo e,
através do site da própria escola, geralmente construídos pelos próprios alunos, podem
manter contato com professores e estudantes de outras redes de ensino em qualquer lugar
do planeta, possibilitando um melhor aproveitamento das matérias, a elaboração de
trabalhos mais aprofundados e o intercâmbio de experiências.

d) Programa de Melhoria da Educação
Desenvolvido no ano de 2002, através de uma parceria entre o Governo do
Estado do Ceará, por meio da Secretaria de Educação Básica (SEDUC), a Fundação
Sucupira e o Instituto de Desenvolvimento Gerencial - INDG, o Programa de Melhoria da
Educação Básica visa à integração de alunos, de pais, de professores, de funcionários e da
sociedade civil com a finalidade de produzir melhores resultados no processo pedagógico do
Estado.
Escolas-piloto
Para garantir o sucesso do Projeto e facilitar a troca de experiências em toda a
rede de ensino, 16 escolas, escolhidas pela Secretaria da Educação do Ceará para
participarem do projeto-piloto, receberam acompanhamento direto de consultores da INDG
na orientação, execução das ações e avaliação dos resultados.
A direção de cada escola foi responsável pela implementação, acompanhamento
e obtenção dos resultados do Programa, que contou com a participação de todos os
segmentos da escola (alunos, pais, professores, funcionários e sociedade civil).
Após a fase-piloto, o Programa deverá abranger toda a rede estadual de ensino
do Ceará e está dividido em dois projetos: 1) Melhoria da Qualidade do Ensino Básico;
2) Avaliação e Monitoramento do Desempenho Escola/Professor.
1) Projeto Melhoria da Qualidade do Ensino Básico
Este projeto pretende aumentar a taxa de aprovação e reduzir as taxas de
reprovação e abandono nas escolas públicas do Estado e está dividido em dois sub-

109

projetos: Implementação do Programa 5S, cujo objetivo é promover ou melhorar a qualidade
ambiental das escolas e economizar recursos; e Gestão para Resultados Rápidos, que visa
aumentar a taxa de aprovação e reduzir a de abandono nas escolas.
Durante a implantação, as escolas receberam orientações, acompanhamento e
avaliação dos resultados por meio de material didático, pela Internet, e através de visitas
planejadas de avaliação dos consultores da INDG.
2) Projeto de Avaliação e Monitoramento
Este Projeto também está dividido em dois sub-projetos: Acompanhamento das
Melhorias e Olimpíada do Conhecimento (SPAECE-NET).
Na fase de Acompanhamento das Melhorias, as escolas-piloto receberam
consultoria direta dos técnicos da INDG. No futuro, a idéia é que o monitoramento seja
implementado de forma virtual. Essa solução, via Internet, permite que todas as escolas
tenham acesso a conceitos, melhores práticas, notícias e critérios de avaliação do
programa.
Pretende-se, ainda, dar continuidade às atividades do programa, bem como à
evolução das melhorias, por meio de listas e questionários de verificação (checklists)
periódicos. Também serão disponibilizados outros serviços, como respostas a perguntas
freqüentes (FAQ), chats, fóruns e grupos de discussão.
Olimpíada do Conhecimento (SPAECE-NET)
O

Governo

do

Ceará

vem

realizando,

anualmente,

a

Olimpíada

do

Conhecimento (SPAECE-NET), cujo objetivo é avaliar, através da Internet, o desempenho
dos alunos de 8a série e 3o ano das escolas públicas do Estado.
Essa avaliação permite a identificação das melhores escolas, com premiações
em dinheiro, concedidos pelo próprio Governo do Ceará, a todos os professores, servidores
e alunos das que mais se destacaram.
Doravante, com o conhecimento dos projetos estruturantes, descritos acima,
torna-se mais fácil entender as fases que nortearam o caminhar da SEDUC na área da
tecnologia da informação ou, como se diz no mundo educacional, no domínio das novas
tecnologias.

a racionalização dos processos de gestão. Dentre os benefícios alcançados com a implantação do SIGE. Essa ação de modernização administrativa e tecnológica. Fase 1 A fase inicial ficou marcada por ações relacionadas às áreas de Gestão e de Tecnologia da Informação. nas atividades operacionais.Sistema Integrado de Gestão Educacional. SEDUC-Sede. as pessoas passaram a conhecer e a entender mais o funcionamento das demais áreas. na busca de um modelo de sistema mais eficiente e com procedimentos padronizados. a Escola. iniciou-se um processo de modernização administrativa. Embora a política da SEDUC tivesse a escola como ponto de partida. desde sua concepção. Dessa forma. Com ele. culminou com o desenvolvimento de um sistema integrado de informação: SIGE. passou a ser constante. fortemente amparada na área tecnológica. foram levantadas e posteriormente validadas por todas as áreas envolvidas em um determinado processo. à tomada de decisão e à comunicação. Esse fato aproximou áreas até então fechadas em si próprias. à resolução de problemas. podemos destacar: o crescimento profissional. conseqüentemente. A interação entre os técnicos dessas áreas. era imperativo naquele momento organizar e estruturar os processos de gestão determinantes nos níveis central e regional. que pode ser dividido em 3 fases. CREDE. a SEDUC adotou uma estrutura organizacional hierarquizada em três grandes níveis: o central. esta última como ferramenta de suporte à primeira. Com relação aos processos de gestão. Nesse mesmo período. iniciada na SEDUCSede e CREDE.6 A MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGICA E SUAS TRÊS FASES Em 1996. e o elementar. Essa etapa foi firmada pelo desenvolvimento do SIGE. verificou-se significativa contribuição da tecnologia da informação em aspectos relacionados à integração. toda uma nova filosofia de trabalho foi implementada. a melhoria .110 5. O sistema SIGE trouxe consigo uma característica fundamental: a integração. o regional. Observou-se também que a racionalização e a automatização dos processos provocou uma sensível otimização e melhoria em seus procedimentos e. Todas as definições.

e) um total de 620 alunos assistidos por bolsa de trabalho. com um padrão de atendimento aos pais e aos alunos que beirava o desumano. com respeito ao cidadão. já pôde ser percebido pelo cidadão e pela comunidade escolar de imediato. O produto dessa etapa. Informática e Cidadania. g) escolas melhor informatizadas. mas já com alguma preocupação na promoção da cidadania. com enormes filas e muita desinformação.111 no processo de tomada de decisão. marcada pelo Projeto Matrícula Humanizada. Fase 2 Essa fase foi caracterizada por ações relacionadas às áreas de Gestão e de Tecnologia da Informação. Os resultados alcançados ultrapassam os dados estatísticos. acima de tudo.512 no total. podemos destacar: a) a realização da matrícula na própria escola. h) comunidade satisfeita com a qualidade do atendimento. em Organização. uma vez que todas receberam melhorias e aquelas que ainda não contavam com essa tecnologia foram contempladas. a democratização do acesso à informação. 1. e i) repercussão positiva dos resultados na mídia escrita e falada. foi totalmente redesenhado. Dentre os benefícios alcançados. O novo processo instituiu novos conceitos e uma nova cultura de atendimento ao cidadão. com informações sempre disponíveis. a melhoria no atendimento ao usuário interno e externo. antes realizado em escolas-polo. c) serviço agilizado. com o uso de tecnologias e com a valorização do cidadão. f) diretores e demais profissionais da escola atuantes. caracterizando um benefício social com foco na cidadania. e a racionalização dos recursos humanos e financeiros. a integração entre os departamentos. . com dignidade e. pois 75 não contavam com esse recurso. preparando a escola pública e as pessoas que nela trabalham para prestar um serviço com qualidade. d) profissionais treinados. b) escolas com linha telefônica. O processo de matrícula.

universalizou-se o acesso à rede mundial de computadores. Os projetos que determinam essa etapa são o Internet nas Escolas e o Programa de Melhoria da Educação. sob a coordenação da direção da escola. Inicialmente. O Programa. o Projeto Internet nas Escolas surgiu como uma solução integradora. de Tecnologia da Informação e. o Programa de Melhoria da Educação. formação de alunos-monitores. motivados por um objetivo único: a humanização. e outra voltada para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. programa de manutenção e suporte técnico e linhas dedicadas de acesso à Internet. impressoras. quanto a comunicação e a troca de experiências entre eles e seus pares. então. pais. A grande estratégia do projeto foi promover. com o intuito de integrar toda a comunidade escolar para promover a gestão participativa. através da rede mundial de computadores.112 Sem a menor dúvida. com uma forte atuação na Cidadania. Com isso. Pode ser compreendido. com cerca de 790 escolas interligadas entre si e com o mundo. está dividido em duas vertentes: uma visando à qualidade do ambiente físico. módulos isoladores de tensão. o sucesso alcançado foi motivado pela união do respeito com a capacidade intelectual que cada um despertou em si e no outro. agora. em qualquer lugar do mundo. professores. das suas ações e dos seus objetivos. contemplando-as com equipamentos de informática (computadores. em muito da sua metodologia. Surge. no Projeto Matrícula Humanizada. tornou-se viável a implantação de projetos mais específicos. como um programa de qualidade total. De posse dessa estrutura. caracterizada principalmente pela implantação do Programa 5S. instalação de redes locais. . Fase 3 A fase 3 refere-se ao estágio atual. funcionários e sociedade civil) na definição de ações e de metas com o objetivo de melhorar a escola pública. garantindo tanto a inclusão de milhares de alunos e professores no universo da informação livre. e assim produzir melhores resultados no processo pedagógico do Estado. iniciado em 2001. provendo as escolas de toda uma infra-estrutura. estabilizadores e nobreaks). a participação de todos os segmentos que representam a comunidade escolar (alunos. implantado em 16 escolas-piloto. as quais constituem a população objeto da pesquisa de campo. e está sendo evidenciada por ações relacionadas às áreas de Gestão.

o Programa de Melhoria é o ponto de convergência desse estudo. através da participação e do envolvimento de toda a comunidade escolar. . especificando os instrumentos. Por ser um projeto de caráter social. pedagógico. as técnicas e o método de pesquisa utilizados na coleta de dados. passando assim a compor o Plano de Desenvolvimento da Escola. todas as ações necessárias para atingir os objetivos e as metas são definidas por cada escola.113 Dentre as metas buscadas pelas escolas estão a melhoria das taxas de aprovação e abandono. administrativo e tecnológico. No capítulo seguinte. capaz de consolidar o modelo de gestão participativa nas escolas públicas estaduais. Para isso. será detalhada a metodologia aplicada na pesquisa. liberação de espaço físico em cada escola e a redução nas despesas com a eliminação de desperdícios.

a pesquisa é um labor artesanal. com uma missão social das mais importantes. que se não prescinde da criatividade. seja na rede física. bem como os procedimentos. aparada por uma estrutura gigantesca.6. 2002). nos recursos humanos ou no seu funcionamento como um todo. linguagem esta que se constrói com um ritmo próprio e particular” (MINAYO. as técnicas e os instrumentos de coleta e análise de dados utilizados na investigação do problema levantado. Este capítulo descreve o objeto de estudo e revela o método de pesquisa. métodos e técnicas. METODOLOGIA APLICADA “Diferencialmente da arte e da poesia que se concebem na inspiração. A pesquisa buscou. é imprescindível que o desenvolvimento da tecnologia seja bem planejado e bem direcionado para o efetivo cumprimento da missão institucional. Todo esse processo de evolução organizacional. Buscar a correta aplicabilidade da tecnologia da informação no contexto organizacional não é uma tarefa fácil. capaz de mudar a cultura e a condição de vida de um povo. se realiza fundamentalmente por uma linguagem fundada em conceitos. o entendimento do contexto vivido pela Secretaria da Educação Básica do Ceará. apoiado pela tecnologia da informação. que se torna um complicador saber que ferramentas tecnológicas utilizar e por onde . em uma nação com uma enorme dívida social a ser reparada. inicialmente. antes do processo de reestruturação organizacional e seguiu analisando o encadeamento de cada fase e de cada projeto desenvolvido com a aplicação das novas tecnologias até o desenvolvimento do Programa de Melhoria implantado nas escolas objeto deste estudo. São tantas as deficiências na estrutura de uma empresa com essa dimensão social. proposições. ocasionou mudanças nos processos de gestão e nas pessoas. em 1995. Quando o aporte da organização se assemelha à complexidade de uma Secretaria Estadual de Educação. abrangente. São inúmeras as possibilidades de usar a informática e o ponto fundamental é definir uma estratégia que conduza essa utilização na direção dos objetivos institucionais.

pública ou privada. da pesquisa documental e da pesquisa bibliográfica. Esses elementos foram pesquisados e analisados a partir de informações colhidas através do estudo de caso. Possibilitaram conhecer os fundamentos de cada uma dessas áreas. da Tecnologia da Informação.1 A PESQUISA E SUA ABORDAGEM METODOLÓGICA O objeto de estudo teve origem na experiência vivenciada pelo pesquisador na Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará. em cada circunstância. aliadas às ferramentas de gestão. 6.115 começar. foram fundamentais no desenvolvimento da metodologia utilizada na pesquisa. buscassem verdadeiramente uma gestão democrática e uma educação de qualidade. da pesquisa participante. e esteve diretamente envolvido na implantação do Programa de Melhoria da Educação. Era fundamental o devido entendimento de como as etapas a e os projetos foram encadeados até a consolidação de uma estrutura organizacional e tecnológica que viabilizassem o devido suporte gerencial e operacional para que as escolas. levando em consideração a real necessidade de fortalecer as funções empresariais e os processos de gestão dentro de uma visão na qual a empresa. É nesse sentido que esta pesquisa busca contribuir na definição de um modelo de aplicação da tecnologia da informação que atenda aos objetivos e a missão social de uma organização educacional. um empreendimento. entre 1995 e 2003. Afinal de contas. é um negócio. Isso certamente facilitou entendimento de como as novas tecnologias. se apoucam ante o universo a que se destinam. Toda essa vivência. somada à fundamentação teórica estudada nas áreas da Administração. da Cidadania e da Educação. . Como participante do grupo estudado. A metodologia partiu da necessidade de estudar todo o histórico da evolução do modelo de gestão e das ferramentas tecnológicas utilizadas em cada momento. o pesquisador pôde acompanhar todo o processo de mudança ocorrido na SEDUC no período estudado. complexidades. objeto do estudo de caso. suas características. da pesquisa de campo. evoluíram até se conseguir beneficiar a comunidade escolar e o cidadão. por vezes montantes vultosos em termos absolutos. potencialidades e de que forma elas podiam interagir e influenciar o modelo de gestão implementado pela SEDUC. os recursos financeiros. em parceria com a sociedade.

Escassos e obsoletos eram seus recursos tecnológicos. dos professores. para viabilizar e dar suporte a uma grande reforma administrativa e a implantação de um novo modelo de gestão. sem dúvida. Não obstante isso. procurou-se observar o reconhecimento da comunidade escolar pela contribuição . Isso. Documentos contendo o plano diretor de informática da SEDUC e projetos de tecnologia desenvolvidos para a escola também foram analisados. possibilitou que num momento posterior as novas tecnologias fossem então direcionadas para a ambiente da escola. o tema em estudo vem sendo questionado e discutido mundialmente nos últimos anos. nos níveis central e regional. alguns trabalhos internos realizados na área de planejamento estratégico. Dele fizeram parte representantes dos pais. segmento da educação com atuação direta junto à comunidade. centralizada. optou-se por segmentar os pesquisados em dois grupos. No primeiro. No segundo. eles sequer existiam. um de cada unidade escolar. a composição foi mais diversificada. dos funcionários e da sociedade civil que integravam o conselho escolar. Na escola propriamente dita. Tornou-se fundamental analisar e avaliar a estratégia adotada pela SEDUC na utilização da tecnologia da informação e os resultados alcançados em grupos distintos.116 Tratava-se de uma organização extremamente hierárquica. com restritas ferramentas que viabilizassem um planejamento estratégico consolidado e o devido acompanhamento da gestão e dos resultados alcançados nos seus organismos regionais e nas suas unidades escolares. dos alunos. durante esse período. grupo 1. Diante disso. nos quais os impactos foram específicos. através dos sistemas e das ferramentas desenvolvidas na fase inicial. grupo 2. a SEDUC adotou uma estratégia na qual a tecnologia da informação seria utilizada. Apesar de contar com escassos trabalhos acadêmicos anteriores com enfoque na tecnologia da informação na própria empresa. Do grupo 2. privilegiaram-se os representantes da direção. seja como ferramenta de apoio pedagógico. Estes tiveram repercussão direta na otimização dos processos de gestão. fortalecendo a prestação de um serviço no qual sua qualidade pudesse ser acompanhada e avaliada. Assim. Do grupo 1. seja na automação de processos administrativos. que já incorporavam no seu trabalho os processos de gestão. bem como no comportamento e no modo de proceder dos atores que fazem parte da instituição e da comunidade escolar como um todo. buscou-se analisar mais profundamente a importância da tecnologia da informação nos processos de gestão da escola pública visando promover a cidadania. inicialmente. foram pesquisados. voltados exclusivamente para o controle e para a automação de uns poucos procedimentos operacionais estanques.

a sua contribuição na melhoria da comunicação na própria escola e entre esta e os centros regionais. um para cada grupo. nas atitudes dos que fazem a escola pública. a observação participante e o estudo de caso. a participação da comunidade na gestão da escola. os pais e a própria sociedade civil tinham do referido programa. todos os instrumentais foram construídos para aferir os avanços e as dificuldades vivenciadas por cada grupo em separado. as dificuldades encontradas e os benefícios alcançados.1. no entanto.1 A Coleta de Dados As técnicas e instrumentos utilizados no processo de coleta. Foi avaliado o conhecimento que os professores. de que forma a Secretaria proveu a infra-estrutura necessária para o devido funcionamento dos projetos tecnológicos. 6. investigou-se a eficácia de todo o processo de reestruturação e do Programa de Melhoria da Educação implantado na escola. das reações a essas mudanças e das práticas de cidadania. a entrevista. sistematização. os alunos. O questionário foi elaborado sob dois formatos específicos. das mudanças advindas com a chegada da tecnologia. Assim sendo. O modelo empregado para os representantes da direção da escola (grupo1) buscou analisar a contribuição da tecnologia da informação como uma ferramenta de suporte a gestão. o desenvolvimento e a promoção da cidadania. os funcionários. Os questionamentos feitos ao grupo de representantes dos diretores de escola investigaram o papel das novas tecnologias como elemento capaz de integrar as diversas áreas de uma organização. análise de dados e elaboração de relatórios de pesquisa foram o questionário.117 do Programa de Melhoria nos processos de gestão. os avanços na qualidade da escola pública e o grau de satisfação com as mudanças implementadas. considerando. Da comunidade escolar. os objetivos e a missão maior da organização. o seu papel na resolução de problemas e na tomada de decisão. bem como na qualidade do ambiente escolar. O formato utilizado para os demais integrantes do conselho escolar (grupo 2) tentou analisar se a comunidade escolar realmente se sentiu envolvida nas ações do programa e se os resultados foram satisfatórios. Para essa análise foi fundamental o estudo do impacto da informática nas organizações. . em um único contexto.

QUINTELLA (1994) alerta que. vivenciando todo o projeto de mudança dentro do mesmo sistema de referência dessas pessoas. foi trabalhado com perguntas abertas e fechadas. os interesses. foi importante para analisar. possivelmente. é desejável a entrega pessoal para alcançar os mais altos índices de retorno e eficácia. Isso sugeriu algumas melhorias que foram devidamente implementadas. ao aplicar um questionário. não seriam examinados em estudos que utilizassem técnicas diretivas”. uma vez que colocou o observador e o observado do mesmo lado. a entrevista não-diretiva é uma forma de obter informações baseadas no discurso livre do entrevistado. as percepções subjetivas sobre a real contribuição do Programa de Melhoria e sobre a nova cultura e os novos valores formados com todo o processo de mudança vivenciado no novo modelo de gestão da escola pública. baseado no discurso livre do entrevistado. o questionário foi devidamente submetido à apreciação de uma parte da amostra definida para avaliar a clareza e o entendimento das perguntas. “a observação. Após elaboração. as atitudes. pode revelar inesperados e surpreendentes resultados que. Para os integrantes do grupo 1.118 O questionário. quando adequadamente conduzida. as relações pessoais e as características da vida diária da população estudada. Segundo RICHARDSON (1999). A observação foi também um outro instrumento de muita importância. conduzido pelo método estruturado. onde o informante se sente mais à vontade para se expressar sobre questões por ele vivenciadas. Na maior parte das pesquisas. o pesquisador deve fazer antes um teste-piloto e planejar cuidadosamente a distribuição e a garantia de retorno. Essa orientação foi devidamente obedecida pelo pesquisador. Conduzido pelo método não estruturado. de forma singular. foi realizada ainda uma entrevista. CHIZZOTTI (2001) reitera esse pensamento e explica que “a observação direta ou participante é obtida por meio do contato direto do pesquisador com o fenômeno . tornando o observador um membro do grupo estudado. Tornou-se mais fácil compreender os hábitos. representantes da direção da escola. retratando a historicidade dos fatos e dos acontecimentos. Diferente do formalismo de um questionário estruturado. sendo posteriormente aplicado através de contato direto entre o pesquisador e o entrevistado. esse instrumento. em que o número de respondentes é pequeno. Era importante garantir que as pessoas interrogadas as interpretassem da mesma maneira.

das escolas e das pessoas que delas fazem parte. A proposta desse estudo foi apresentada aos dirigentes. As percepções das mudanças comportamentais nas pessoas que trabalham na instituição ou que fazem uso do seu serviço não poderiam ser quantificadas em valores absolutos e deveriam ser entendidas dentro do contexto retratado. contribuir no processo de mudança de determinado grupo e possibilitar. sejam de nível estratégico ou operacional. predominantemente. A todos foi assegurado que as informações fornecidas seriam analisadas de forma a garantir o sigilo e o anonimato dos pesquisados. bem como a evolução da cultura organizacional. o comportamento e a postura das pessoas diante do novo “paradigma”. pelo seu caráter social. os estudos que fazem uso de uma metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de determinado problema. analisar a interação de determinadas variáveis. foram acompanhados pelo pesquisador. o estudo de caso foi essencial para contextualizar a pesquisa dentro do problema e do ambiente da SEDUC. o entendimento das nuanças do comportamento dos . compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais. uma abordagem qualitativa. realizados no sentido de avaliar rumos e anomalias durante o processo de implantação da tecnologia da informação na SEDUC. 6.119 observado.2 O Método de Pesquisa A pesquisa de campo foi conduzida pelo próprio pesquisador. aos técnicos e aos representantes da comunidade envolvidos na pesquisa. O método de pesquisa utilizado envolveu aspectos quantitativos. direta ou indiretamente. Na área da Educação. foram vivenciados pelo pesquisador e fizeram dele um observador privilegiado. Quase todos os eventos e reuniões. Para RICHARDSON (1999). Realmente. o estudo de caso tem sido muito utilizado para o pesquisador conhecer as características específicas de um problema. em maior nível de profundidade. para recolher ações dos atores em seu contexto natural. a partir de sua perspectiva e seus pontos de vista”. Complementando.1. nas escolas-piloto que implantaram o Programa de Melhoria. a condução da pesquisa esteve centrada em entender as mudanças nos valores e nas atitudes ocasionadas pelo processo de reestruturação organizacional e pela introdução das novas tecnologias no dia-a-dia da Secretaria. A percepção. mas. seguiu.

afirma que “a pesquisa moderna deve rejeitar como uma falsa dicotomia a separação entre estudos ‘qualitativos’ e ‘quantitativos’. Hatt. MINAYO (2002) ressalta que o conjunto de dados quantitativos e qualitativos não se opõe. A preocupação central prioriza o processo da pesquisa em detrimento da natureza dos resultados obtidos e se preocupa em descrever a perspectiva dos participantes. algumas técnicas quantitativas foram integradas ao processo de coleta de dados. ou seja. motivos. A abordagem qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos.120 indivíduos. A comunidade escolar. O problema da amostragem é. alcançados no contato direto do pesquisador com a situação estudada. Com relação às ciências sociais. no intuito de ampliar a visão sobre o tema em questão. aspirações. Nessa mesma linha de pensamento. Contudo. um subconjunto do universo. segundo afirmam elas.2 ESCOLAS PESQUISADAS MARCONI e LAKATOS (2002) definem amostra como uma parcela convenientemente selecionada do universo (população). MINAYO (2002) reforça esse pensamento afirmando que o estudo qualitativo responde a questões muito particulares. 6. valores e atitudes. A interação entre dados quantitativos e qualitativos é defendida por vários autores. é fundamental chegar ao entendimento dos fenômenos estudados a partir de padrões que têm origem diretamente do recolhimento dos dados. complementam-se. excluindo qualquer dicotomia. teve seus resultados tabulados por cada segmento em separado. uma vez que a realidade abrangida por eles interage dinamicamente. Não há necessidade de buscar informações para confirmar hipóteses. Os resultados da pesquisa foram apresentados também sob a forma de indicadores. a pesquisa qualitativa se preocupa com um nível de realidade que não pode ser quantificado: significados. Ao contrário. citando W. dos alunos. dos pais e da sociedade civil separadamente. escolher uma parte (ou amostra). organizados em planilhas e em gráficos. detalhando o pensamento de cada grupo e de cada segmento pesquisado. a partir dos . ou entre ponto de vista ‘estatístico’ e ‘não estatístico’”. K. de tal forma que ela seja a mais representativa possível do todo e. dos funcionários. levando-se em consideração a diferença de pensamento e de julgamento dos professores. Goode e P. por sua vez. RICHARDSON (1999). Segundo BORBA DA SILVA (2002). crenças.

relativos a essa parte. que participaram da implantação do Programa de Melhoria da Educação Básica do Ceará. Essas escolas estão dispostas no quadro que se segue. existem escolas grandes e pequenas. Dentre as escolhidas.121 resultados obtidos. Desta forma. . localizadas em comunidades diferentes e com características distintas. o mais legitimamente possível. dezesseis no total. se esta fosse verificada. escolas com clientela mais carente e outras que têm localização mais privilegiada. com a indicação dos critérios pelos quais foram selecionadas para participar da fase-piloto do projeto. No entanto. e foram selecionadas para integrar a fase piloto por atenderem ao critério diversidade. Elas estão localizadas em Fortaleza. poder inferir. escolas que só têm ensino fundamental ou só ensino médio e escolas que atendem tanto ao ensino médio quanto ao ensino fundamental. os resultados da população total. nesta pesquisa a amostra coincide com a população. Foram utilizadas todas as escolas-piloto. foram escolhidas escolas de diferentes segmentos.

CE Presidente Humberto Castelo Branco X X X X 4. CE Justiniano de Serpa X X 3. X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X . EEF Virgílio Távora X X X 6. EEFM Dom Antônio de Almeida Lustosa X 8. Jociê Caminha de Meneses X 13. EEFM Míriam Porto Mota 12. CAIC Maria Felício Lopes X 2. EEFM Júlia Alves Pessoa 10.122 Quadro 6. EEFM Marvin 11. EEM Governador Adauto Bezerra X X X 15. EEFM José Bezerra de Menezes 9. José Maria Campos de Oliveira X X 16. EEFM Comendador Miguel Gurgel X 7. EEM General Eudoro Corrêa X X X 14.1 – Relação de escolas que compõem o projeto-piloto do Programa de Melhoria e os critérios de seleção: ESCOLAS QUANTIDADE DE QUESTIONÁRIOS ESCOLAS PEQUENAS ESCOLAS GRANDES CLIENTELA CARENTE X LOCALIZAÇÃO PRIVILEGIADA ENSINO FUNDAMANTAL ENSINO MÉDIO X X 1. EEFM Prof. EEM Prof. Escola Integrada 2 de Maio X X Fonte: Pesquisa direta. Colégio Estadual Liceu do Ceará X X X X 5.

constatou-se que o número de componentes varia de escola para escola. O quadro. os resultados da análise foram estruturados no sentido de se obter o pensamento geral e o individual de cada segmento: professores. pais. as respostas foram tratadas na forma percentual. Utilizaram-se. . considerando-se um nível de significância de 10%. ainda não há participação efetiva da sociedade civil através de representantes no conselho escolar. 6. a pesquisa foi dirigida aos integrantes do Conselho Escolar: diretores. para este último. professores. Em boa parte delas. testes de significância para a igualdade de duas proporções. Segundo FONSECA e MARTINS (1996). No entanto. os testes de significância são os mais utilizados nas pesquisas educacionais e sócio-econômicas. pais e sociedade civil.123 Nessas escolas. alunos. Ainda para o grupo 2. nesse caso. funcionários e representantes da sociedade civil. foi aplicado um tratamento estatístico na avaliação dos resultados da pesquisa. a seguir. detalha o quantitativo de questionários aplicados aos integrantes do conselho escolar de cada unidade de ensino. alunos. servidores. Através dela. em particular.3 ANÁLISE ESTATÍSTICA Na pesquisa aplicada aos representantes da direção da escola (grupo 1) e dos demais integrantes do conselho escolar (grupo 2).

. EEFM Comendador Miguel Gurgel 01 03 03 03 02 02 14 7. EEM General Eudoro Corrêa 01 02 02 02 02 01 10 14.2 – Distribuição dos questionários respondidos por escola e por segmento da comunidade escolar: ESCOLAS QUANTIDADE DE QUESTIONÁRIOS DIRETORES ALUNOS PORFESSORES FUNCIONÁRIOS PAIS SOCIEDADE CIVIL TOTAL 1. CE Justiniano de Serpa 01 02 02 02 02 00 9 3. Jociê Caminha de Meneses 01 02 02 02 02 00 9 13. CE Presidente Humberto Castelo Branco 01 02 01 02 01 00 7 4. EEM Prof. EEFM Míriam Porto Mota 01 03 03 03 02 01 13 12. EEFM Marvin 01 02 02 02 02 01 10 11. EEF Virgílio Távora 01 02 02 01 01 00 7 6. Escola Integrada 2 de Maio 01 02 02 02 02 01 10 TOTAL 16 35 33 31 27 11 153 Fonte: Pesquisa direta. EEFM Dom Antônio de Almeida Lustosa 01 01 01 02 01 00 6 8. EEFM José Bezerra de Menezes 01 02 01 00 01 01 6 9. Colégio Estadual Liceu do Ceará 01 04 03 02 02 01 13 5. CAIC Maria Felício Lopes 01 02 02 02 02 02 11 2. EEFM Prof. EEFM Júlia Alves Pessoa 01 03 02 02 02 01 11 10. José Maria Campos de Oliveira 01 02 03 02 01 00 9 16.124 Quadro 6. EEM Governador Adauto Bezerra 01 01 02 02 02 00 8 15.

1 Do Instrumental Aplicado à Direção da Escola a) As novas tecnologias. a integração entre as diversas áreas de uma escola e o processo de tomada de decisões. nesses dois aspectos. foram considerados alguns indicadores de qualidade organizacional e. ANÁLISE DA PESQUISA Neste capítulo.1.1 ANÁLISE DOS DADOS Para se analisar a importância de um sistema de informação no modelo de gestão participativa das escolas. 7. a partir deles. foram analisados os instrumentais e as técnicas utilizados na coleta. serão apreciados os resultados da pesquisa documental e de campo. assim como as análises obtidas através da observação participante. com as devidas reflexões sobre os dados alcançados. tem-se. 7. o resultado foi o seguinte: . Quando se analisam as novas tecnologias como uma ferramenta que promove a integração entre as diversas áreas de uma organização e que fornece informações fundamentais para a tomada de decisões. informações bastante semelhantes na pesquisa. procurou-se aferir o grau de melhoria que a tecnologia da informação trouxe à instituição. Quando indagado se as novas tecnologias possibilitam a integração entre as diversas áreas da escola.7. Com esse propósito.

1 . avaliar alternativas para resolução de problemas e para tomada de decisões? Não Em parte 25% 75% Sim 0% 20% 40% 60% 80% Gráfico 7.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 1 dos diretores Quando questionado se as novas tecnologias fornecem informações relevantes para a resolução de problemas e a tomada de decisões.126 A presença das novas tecnologias possibilita que os diversos segmentos da escola trabalhem com procedimentos e rotinas que promovem a integração entre as diversas áreas? Não Em parte 31% 69% Sim 0% 20% 40% 60% 80% Gráfico 7. O uso das novas tecnologias fornece informações relevantes e confiáveis para estabelecer prioridades. Segundo um deles.2 . “as novas tecnologias permitem que todos os setores estejam interligados. acompanhando o desenvolvimento das atividades pedagógicas . o resultado é bem semelhante ao anterior.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 2 dos diretores A grande maioria dos entrevistados reconhece que as novas tecnologias contribuem plenamente para que as diversas áreas da escola trabalhem com maior integração. e que também através delas é possível obter informações confiáveis para a resolução de problemas e para a tomada de decisões.

A interligação de departamentos da escola em rede de computadores e a disponibilidade do correio eletrônico e da própria Internet melhorou o nível de comunicação.127 previstas. tornando-a mais ágil. “as resoluções de problemas e a tomada de decisões.3 . muitas vezes. a perder o interesse e a motivação no uso da tecnologia. Portanto. as capacitações não são adequadas. nos favorecem uma margem maior de acerto”. o que leva o gestor. Nesse caso.Centro Regional da Educação. em decorrência de basicamente dois fatores. isso se deve ao fato de ainda haver dificuldades na utilização plena dos recursos disponíveis.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 3 dos diretores . mas significativo. Em geral. O segundo se deve ao fato de existirem escolas onde a direção ainda não possui habilidade suficiente para fazer melhor uso desses recursos. b) As novas tecnologias como instrumento que facilita a comunicação dentro da escola e entre a escola e o Centro Regional O gráfico abaixo retrata bem o pensamento da direção da escola no que concerne à importância das novas tecnologias como um recurso para facilitar a comunicação na própria escola e entre esta e o CREDE . considera a importância das novas tecnologias nesses aspectos de forma parcial. O primeiro é a falta de manutenção constante nos equipamentos das escolas. quando subsidiadas pelas informações advindas da tecnologia. clara e sem a necessidade de tanto volume de papel? 6% Não Entre a escola e o CREDE 50% 44% Em parte Na própria escola 44% Sim 56% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Gráfico 7. Falta uma maior sensibilização para a importância do uso dessas ferramentas na gestão da escola e o devido acompanhamento em serviço. Na opinião de um outro. possibilitando a correção das distorções e dificuldades no meio do percurso. Um percentual pequeno de pessoas. elas facilitam a integração e agilizam as ações”.

no entanto. disponibilizados com a implantação de uma rede de computadores. de alguma forma. tornando-a mais ágil e sem a necessidade de tanto volume de papel. a sala dos professores. A SEDUC ainda não disponibilizou endereços eletrônicos oficiais para as escolas. foi uma importante ferramenta que agregou qualidade no serviço prestado pela escola ao cidadão. criados a partir de provedores gratuitos. c) As novas tecnologias e o atendimento ao cidadão É também significativo o percentual dos que reconhecem que a tecnologia. Na própria escola. Essas têm utilizado e-mails alternativos.4 . interligando a secretaria. Segundo eles. A informatização do processo de matrícula possibilitou um melhor atendimento à comunidade e aos próprios alunos que ingressam na escola pública? Não 13% 31% Em parte 56% Sim 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Gráfico 7. e que não são de conhecimento de todos. melhorou a comunicação. a informatização do processo de matrícula foi o marco inicial na melhoria do atendimento à comunidade e aos próprios alunos que ingressam na escola pública.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 4 dos diretores . torna-se difícil implantar e promover uma política oficial de comunicação eletrônica. Com isso. Há. em ambos os casos. a melhoria da comunicação tem sido mais rápida do que entre a escola e o CREDE.128 A utilização do correio eletrônico e da Internet. a biblioteca e o laboratório de informática. um fato que tem inibido que a comunicação eletrônica seja ainda mais intensa. a diminuição da comunicação através de papel tem sido constante. No entanto.

No entanto. matrícula em uma outra escola de maior demanda.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 5 dos diretores . Trata-se tão somente de uma funcionalidade do sistema que pode ser revista e modificada. algumas poucas escolas tiveram problemas técnicos no processo de matrícula informatizado. Na visão desses críticos. o aluno só poderia ser matriculado na escola em que se apresentasse para realizar a matrícula. possibilita que o aluno possa comparecer a uma escola e se matricular para qualquer outra escola da rede estadual. Nesses casos. a conscientização e a capacitação dos servidores para o uso das ferramentas de gestão e de tecnologia da informação utilizadas no Programa de Melhoria? Praticamente não ocorreu 25% 44% Inadequada 31% Adequada 0% 10% 20% 30% 40% 50% Gráfico 7.129 Um dos entrevistados explica que hoje “se observa que os alunos e familiares não enfrentam aquelas filas. e não é necessário chegar de madrugada para garantir a vaga”. d) Capacitação para o uso das novas ferramentas de gestão e da tecnologia da informação utilizadas no Programa de Melhoria De que forma ocorreu a sensibilização. se beneficiam de um atendimento mais ágil e garantem mais facilmente. por ser realizado através da Internet. Outro comentário colhido indica que “a informatização da matrícula foi uma referência para um melhor atendimento à comunidade escolar e um avanço na escola pública”. a matrícula foi realizada de forma manual e houve um certo desapontamento na escola.5 . Há também quem critique o processo de matrícula informatizado que. Alguns alunos se dirigem para escolas com menor procura. através do sistema informatizado.

“a capacitação foi inadequada pela participação de poucas pessoas e pela rapidez com que aconteceu”. O envolvimento de poucas pessoas durante o processo de sensibilização e capacitação e a rapidez na execução dessa ação foram os motivos que impossibilitaram que os recursos humanos fossem melhor preparados para o uso das novas ferramentas de gestão e de tecnologia da informação. as novas tecnologias e as mudanças na “forma de fazer” Os novos instrumentos de gestão e as novas tecnologias trouxeram mudanças nos procedimentos e na forma das pessoas trabalharem? Não 44% Em parte 56% Sim 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Gráfico 7. compartilham dessa opinião. . desconsidera que os novos instrumentos de gestão e as novas tecnologias trouxeram mudanças nos procedimentos e na forma das pessoas trabalharem. dentre os entrevistados. cerca 69% deles. É importante lembrar que os processos de mudança numa organização também devem ser promovidos através dos recursos humanos. e) Os novos instrumentos de gestão. Para um dos que responderam o questionário. enquanto 44% consideram que essa mudança se deu em parte.130 A preparação dos recursos humanos para o uso das ferramentas de gestão e para o uso das novas tecnologias foi falho. Mais de dois terços dos entrevistados.6 . Do total de pesquisados. 56% acham que esse processo ocorreu na sua plenitude.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 6 dos diretores Ninguém. As pessoas que fazem a organização devem ser preparadas para a mudança de cultura e de comportamento frente aos novos paradigmas.

“a utilização das novas tecnologias melhorou a integração entre os segmentos da escola e permitiu a realização de um trabalho em conjunto”. enquanto que 25% acham que ela foi efetiva. Um dos entrevistados explica que “alguns ainda levarão tempo para entender e usufruir os benefícios que as novas tecnologias estão a oferecer”. em modificar a forma de trabalho. f) Os novos instrumentos de gestão. de pais. de professores.131 Segundo um dos entrevistados. Desse grupo. esses instrumentos possibilitaram. por parte de alguns. Para um outro. Dois problemas se tornam bastante evidentes numa melhor consolidação dessa mudança. Há ainda poucos equipamentos e. O primeiro está relacionado ao fato de a capacitação ter sido restrita e inadequada e pode ser entendido como uma resistência.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 7 dos diretores . 63% acham que a contribuição foi parcial. de professores. as novas tecnologias e a comunidade escolar Para 88% dos entrevistados. de funcionários e de representantes da sociedade civil com a finalidade de produzir melhores resultados educacionais nas escolas da Rede Pública do Estado. “algumas pessoas não aceitam e não querem colaborar com o processo”. a integração de alunos. pela falta da manutenção devida. Somente 12% citam que a continuidade desse processo não teve evolução. Esses mesmos instrumentos possibilitaram a integração de alunos. no todo ou em parte.7 . nem sempre estão em condições de uso. O segundo é a própria dificuldade com relação à disponibilidade suficiente e eficiente dessas tecnologias. de pais. de funcionários e da sociedade civil com a finalidade de produzir melhores resultados educacionais nas escolas da Rede Pública do Estado? Não 12% 63% Em parte Sim 0% 25% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Gráfico 7.

a comunidade escolar e o exercício da cidadania Também nesse caso. nesse processo.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 8 dos diretores O Programa de Melhoria desenvolve uma metodologia de trabalho na qual a comunidade escolar é chamada a participar.132 Percebe-se que há ainda um grau de maturidade a ser alcançado nesse processo de integração entre a escola e a comunidade. “como o acesso a essas novas tecnologias é algo muito recente.8 . . A gestão democrática e participativa e as novas tecnologias são instrumentos e ferramentas ainda recentes nas escolas públicas. um exercício da cidadania e se sentiu realmente responsável pelas ações definidas no sentido de melhorar a escola pública. g) O Programa de Melhoria da Educação. voluntariamente. No entanto. na definição de ações no sentido de melhorar a escola pública. Na opinião de um entrevistado. Somente 12% divergem desse pensamento. Um outro reitera esse pensamento e esclarece: “ainda levaremos algum tempo para chegarmos a um estágio ideal”. 88% dos entrevistados entendem que a comunidade escolar reconheceu de alguma forma. ainda não houve tempo suficiente para se alcançar um melhor nível de integração e de resultados educacionais”. uma sensível melhora vem sido percebida gradualmente. A comunidade escolar reconheceu nesse processo um verdadeiro exercício da cidadania e se sentiu realmente responsável pelas ações definidas no sentido de melhorar a escola pública? Não 12% 63% Em parte Sim 0% 25% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Gráfico 7.

mas há falhas nas ações direcionadas à manutenção dessa estrutura. h) A Secretaria da Educação e a infra-estrutura tecnológica necessária para a utilização das novas tecnologias A Secretaria da Educação proveu toda a infra-estrutura tecnológica necessária para que a sua escola tivesse a possibilidade de utilizar as novas tecnologias? 19% Não 69% Em parte Sim 12% 0% 20% 40% 60% 80% Gráfico 7. Os recursos humanos também são insuficientes. os problemas da escola são levantados e discutidos com todos os segmentos da comunidade escolar. As novas tecnologias se inserem.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 9 dos diretores O gráfico acima deixa claro que foi insatisfatório o atendimento da SEDUC no tocante a infra-estrutura necessária para que a escola pudesse fazer um melhor uso das novas tecnologias. a ser executado e acompanhado por todos. .9 . provendo o suporte para a execução e o acompanhamento de todo o desenvolvimento dessas ações. Há uma queixa generalizada relacionada ao valor do recurso repassado para as escolas custearem o seu funcionamento. no sentido de corrigir os problemas e melhorar a gestão e os indicadores da escola. nesse processo. Desse levantamento é então elaborado um plano de ação.133 Através de reuniões sistemáticas e a da utilização de ferramentas como o “brainstorming” e o diagrama de causa e efeito. Houve realmente um grande investimento inicial para estruturar todo o parque tecnológico necessário ao projeto. Um participante da pesquisa explica que “a falta de recursos humanos e materiais para atender a demanda de cada unidade escolar tem obstaculizado o sucesso dessas novas tecnologias”.

definir metas. percebeu falhas nesse processo. Há uma preocupação muito grande na aquisição de novos computadores. como mobilizar a comunidade escolar. elaborar o plano de ação e fazer o gerenciamento de suas ações foi satisfatório? Não Em parte 12% 25% 63% Sim 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Gráfico 7. Para eles. como definir metas. um percentual importante dos entrevistados.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 10 dos diretores . i) O Programa de Melhoria. através do site do Programa de Melhoria.10 .134 Na opinião de um outro. “a capacitação de pessoal não cobre a necessidade e é pontual (na época do grande acontecimento) e sem continuidade. como elaborar o plano de ação e fazer o gerenciamento de suas ações foi satisfatório. os repasses de conteúdos mais significativos e melhor absorvidos foram realizados através das equipes presenciais de sensibilização e de acompanhamento. Faltou um maior acompanhamento por parte da SEDUC e do INDG. a Internet e o repasse de conteúdos. Percebe-se uma certa distorção no planejamento do parque tecnológico das escolas. realizados através do site do Programa de Melhoria e da Internet. Para a grande maioria deles. Um dos entrevistados ressalta que “a Internet se tornou uma parceira no acompanhamento do Programa”. Entretanto. ensinando como conduzir o projeto. de instrumentais e de informes. as informações enviadas e disponibilizadas através do site foram suficientes para a condução do projeto. em detrimento de uma manutenção mínima da estrutura existente. O repasse de conteúdos e de instrumentais. 37%. ensinando como conduzir o projeto. A manutenção dos equipamentos é falha ou inexiste”. de instrumentais e de informes Cerca de 63% acreditam que o repasse de conteúdos. mobilizar a comunidade escolar.

135 j) O Programa de Melhoria e os resultados alcançados Você acha que os resultados alcançados com o Programa de Melhoria foram satisfatórios? Não 6% 56% Em parte 38% Sim 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Gráfico 7. mais saudável e mais eficaz. Algumas opiniões observadas dentre os participantes da pesquisa: “Houve uma maior integração da maioria da comunidade em torno dos objetivos do Programa”. Somente 6% não reconhecem resultados satisfatórios. em função das eleições de 2002. durante o período de transição. “O Programa de Melhoria sensibilizou e despertou na comunidade escolar desejos de uma escola melhor. permanecendo suspenso até ser retomado no segundo semestre de 2003. . O grande problema do Programa de Melhoria. está relacionado com a falta de continuidade do projeto e ao não cumprimento de ações que dependiam da SEDUC.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 11 dos diretores Para 94% dos entrevistados. Com a mudança no Governo do Estado e na Secretaria da Educação. os resultados alcançados com o Programa de Melhoria foram satisfatórios no todo ou em parte. detectado na pesquisa. o projeto passou por uma avaliação.11 . porém mais importante que sua implantação deverá ser o prosseguimento das ações planejadas e o acompanhamento destas com a participação de todos que se propuseram a vivenciá-la”.

1 . uma insatisfação pela não premiação das escolas melhor qualificadas no Programa.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 12 dos diretores . Também foi detectada a ausência de mecanismos de motivação para que o Programa não sofresse descontinuidade. e de reconhecimento pelo muito que foi construído de melhoria na escola com o envolvimento e a participação da comunidade escolar. É importante ressaltar que na pesquisa foi percebida. indicando possíveis avanços alcançados com o Programa de Melhoria. optou-se por apresentar os resultados de todas as alternativas apontadas. de forma contundente. nunca foi cumprida”. no que diz respeito ao Programa de Melhoria. conforme acertado quando da apresentação da proposta inicial do projeto. e o entrevistado podia assinalar quantas desejasse. com o relativo percentual de vezes que foram mencionadas: Melhorou a gestão escolar 94% Socializou o acesso à informação 88% Melhorou o atendimento ao usuário interno 88% Otimizou o controle e o monitoramento dos processos 81% Promoveu o crescimento e a motivação profissional 81% Melhorou a integração entre os diversos segmentos da comunidade escolar 75% Facilitou a comunicação interna e externa 75% Melhorou o atendimento ao usuário externo 75% Racionalizou a utilização dos recursos humanos e financeiros 69% Padronizou procedimentos 63% Facilitou o processo de tomada de decisão 63% Levou as pessoas a trabalharem de forma sistêmica 63% Racionalizou processos 56% Incentivou a participação da comunidade nas decisões tomadas pela gestão escolar 50% Quadro 7. já a contrapartida da SEDUC. Como existiam várias opções. todas as ações que diziam respeito e eram de responsabilidade da escola foram executadas.136 Um dos que responderam essa questão alerta que “na escola. Isso provocou uma certa decepção por parte de toda a comunidade escolar.

• melhorou o processo de ensino e de aprendizagem. equipamentos sem manutenção e pessoal sem qualificação para o manuseio dos computadores. .137 Outros resultados alcançados e destacados pelos pesquisados. Na esfera institucional. l) Dificuldades encontradas com a implantação das novas tecnologias e do Programa de Melhoria Segundos os entrevistados. • incompatibilidade de tempo para o aprendizado das novas tecnologias. as maiores dificuldades pessoais foram as seguintes: • dificuldade de mobilizar pessoas para tarefas voluntárias. • promoveu o crescimento pessoal e profissional. • melhorou a compreensão dos processos por parte dos servidores e gestores. as maiores dificuldades foram: • falta de motivação. além dos sugeridos na pesquisa. • número insuficiente de equipamentos. • melhorou a responsabilidade de todos com a escola. e • dificuldade de adaptação ao processo de informatização. apontam que o Programa de Melhoria: • democratizou o acesso à informação. • minimizou a evasão escolar. • falta de continuidade. • conflito de interesses. • pouca habilidade em lidar com computadores.

138 • poucos recursos humanos e financeiros para manter os projetos desenvolvidos na escola.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 14 dos diretores A direção da escola exerceu um papel fundamental no desenvolvimento do Programa de Melhoria e participou efetivamente da sua divulgação. • falta de capacitação para um melhor uso das novas tecnologias. • frustração pela não premiação das escolas. 25% consideram que esse envolvimento foi parcial. por considerar o Programa de vital importância para o crescimento da escola no que diz respeito ao alcance da sua função social”.12 . m) O Programa de Melhoria e a participação da direção da escola na sua definição Todos consideram que o Programa de Melhoria contou com a participação da direção da escola. “por ser um trabalho construído coletivamente. Um outro comenta que. . A grande maioria. tivemos a oportunidade de traçar metas e ações voltadas para as necessidades da escola em benefício de uma educação de qualidade”. das funcionalidades e da metodologia de trabalho do Programa de Melhoria contou com a participação efetiva da direção da escola? Não Em parte 25% 75% Sim 0% 20% 40% 60% 80% Gráfico 7. Um dos entrevistados explica que “a participação da direção da escola foi irrestrita. acredita que essa participação foi efetiva. A definição da abrangência. cerca de 75%. implantação e operacionalização.

percebe-se uma clara demanda pela automação dos processos relacionados à Gestão Acadêmico-Educacional. à Gestão do Acervo de Multimeios/Bibliotecas. com indicação de 94% dos entrevistados. funcionários e representantes da sociedade civil. ocorrida em 16 escolas-piloto. nos permite avaliar alguns aspectos importantes. com indicação de 75% dos entrevistados. Mesmo na fase inicial de implantação. que por sua vez era acessado através do site da Secretaria da Educação Básica do Ceará. Assim sendo. sob o ponto de vista dos alunos. de repasse de conteúdos e de gerenciamento de suas ações passou a ser a Internet. com indicação de 75% dos entrevistados. e também separadamente. pais. 7. a informatização desses processos contribuirá ainda mais para a melhoria da gestão escolar e dos indicadores educacionais. . Também foi sugerida a criação de um sistema para controlar o acesso dos alunos à escola. efetivos representantes da comunidade escolar. de articulação. O gráfico abaixo. retrata o conhecimento que os integrantes do Conselho Escolar têm sobre o Site da SEDUC. à Gestão de Recursos Humanos/Lotação. relacionados ao Programa.139 n) A informática e as atividades realizadas na escola Dentre os processos a as atividades realizados na escola ainda não informatizados. as análises estatísticas e os gráficos utilizados possibilitaram identificar o pensamento e a opinião dos segmentos da comunidade escolar como um todo. Certamente. o melhor instrumento de comunicação. à Gestão Patrimonial. Como o Programa de Melhoria da Educação Básica foi idealizado com o objetivo de ser universalizado. professores.1. o gerenciamento e o acompanhamento do projeto ocorreu também através do site do Programa de Melhoria. Para esse grupo. e à Gestão Financeira/Prestação de Conta. com indicação de 75% dos entrevistados. com indicação de 50% dos entrevistados. procurou-se investigar se os membros da escola conhecem ou já acessaram o site da SEDUC.2 Do Instrumental Aplicado à Comunidade Escolar O instrumental aplicado aos integrantes do Conselho Escolar.

Porcentagem das respostas relacionadas à questão 1 da comunidade escolar Percebe-se. O primeiro. Analisando o total de pesquisados. dentre os que conhecem bem o Programa. a distribuição das opiniões mostra que os professores levam vantagem. .13 . professores e funcionários. revela um menor conhecimento e uma menor utilização do referido site. apresenta um maior conhecimento e uma maior utilização do site da SEDUC. e 4% confessaram não conhecer o Programa. conforme gráfico a seguir. Esse aspecto reflete bem as deficiências e os problemas ocorridos quando da capacitação da escola para o uso das novas tecnologias. então. composto pelo pais e representantes da sociedade civil. No geral. formado pelos alunos. 50% responderam que conhecem em parte.140 Você conhece ou já acessou o site da SEDUC? 78% 73% 80% 67% 70% 60% 61% 54% 46% 50% 39% Sim 33% 40% 27% 30% Não 22% 20% 10% 0% Aluno Professor Funcionário Pai Soc. bem como a pouca divulgação do site institucional da Secretaria na comunidade escolar . já detectados na pesquisa realizada com a direção da escola. Civil Gráfico 7. Os demais estão num mesmo nível de conhecimento. Na análise por segmento. 46% admitem conhecer bem. Também foi avaliado o conhecimento que as pessoas tinham do Programa de Melhoria. a formação de dois grupos distintos. O segundo. 50% de todos os entrevistados afirmam que não conhecem e que nunca acessaram a página da SEDUC na Internet.

O gráfico a seguir mostra como pensa cada segmento. inclusive. Apesar da maioria ter conhecimento das duas vertentes. que visa a aumentar a taxa de aprovação e reduzir a taxa de abandono das escolas. cujo objetivo é promover ou melhorar a qualidade ambiental das escolas e economizar recursos. e outra voltada para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. pessoas que ingressaram na escola depois da implantação do projeto. . 5% não conhece as vertentes do Programa e 13% têm conhecimento de uma única vertente. Algumas pessoas. mais de 94% deles só conhecem a vertente relacionada ao programa 5S. caracterizada principalmente pela implantação do Programa 5S.141 Você conhece o Programa de Melhoria da Educação Básica do Ceará? 70% 64% 60% 59% 60% 50% 45% 48% 45% 46% 40% 40% Conheço bem 33% 33% Conheço em parte 30% Desconheço 20% 9% 8% 7% 10% 3% 0% 0% Aluno Professor Funcionário Pai Soc.14 .Porcentagem das respostas relacionadas à questão 2 da comunidade escolar Os que responderam que desconhecem ou têm conhecimento parcial do Programa são. Destes últimos. em geral. 82% conhecem as duas vertentes. Civil Gráfico 7. O Programa de Melhoria possui duas vertentes: uma voltada para a qualidade do ambiente físico. é notório que a vertente que aborda a qualidade do ambiente físico marcou muito mais o dia-a-dia da escola. Do total de entrevistados. e quando este já estava numa fase de descontinuidade. só declaram conhecer essa vertente.

mostra que 90% das pessoas desse . normalmente. Outro aspecto importante revelado na pesquisa está relacionado ao envolvimento da comunidade no Programa de Melhoria. o Programa de Melhoria estimulou a participação e a integração. de professores. As ações destinadas a melhorar o visual da escola motivaram muito mais a participação das pessoas do que as destinadas a melhorar os indicadores educacionais referentes às taxas de aprovação e de abandono que. etc. Civil Gráfico 7. de funcionários e da sociedade civil com a finalidade de produzir melhores resultados educacionais nas escolas da rede pública do Estado. Para 9% dos professores.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 3 da comunidade escolar A realidade é que o Programa 5S agrega resultados efetivos em menor espaço de tempo. de pais. requerem muito mais tempo para serem implementadas e obterem resultados satisfatórios.142 Você tem conhecimento das vertentes do Programa de Melhoria? 100% 93% 88% 80% 90% 80% 71% 70% 70% 60% As duas 50% Nenhuma 40% Somente uma 30% 9% 20% 20% 3% 9% 10% 0% 8% 7% 12% 10% 20% 0% Aluno Professor Funcionário Pai Soc. Para 98% dos questionados. Eram os próprios alunos. funcionários e representantes da sociedade civil que limpavam os ambientes. 60% acham que essa contribuição foi efetiva. pais. no todo ou em parte. Todos foram unânimes em afirmar a disposição que a comunidade escolar teve em participar de ações voltadas para restaurar a qualidade do ambiente físico. Analisando o gráfico que se segue. percebe-se que foi no segmento da sociedade civil onde ocorreu o maior reconhecimento no sentido de que o programa realmente possibilitou a participação e a integração da comunidade escolar com o propósito de melhorar a escola pública. professores. pintavam as dependências da escola. representando 2% de todos os pesquisados. a seguir. enquanto que 38% acham que ela foi parcial. Desse grupo. não houve contribuição nesse sentido. de alunos. O gráfico.15 . faziam jardins.

Para 93% dos questionados. enquanto 10% delas acreditam que esse processo evoluiu parcialmente.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 4 da comunidade escolar A metodologia de implantação do programa era centrada na efetiva participação de toda comunidade escolar. de funcionários e da sociedade civil com a finalidade de produzir melhores indicadores educacionais nas escolas? 90% 90% 80% 66% 70% 60% 54% 46% 50% 60% Sim Em parte Não 50% 41% 40% 34% 40% 30% 20% 10% 9% 10% 0% 0% 0% 0% 0% Aluno Professor Funcionário Pai Soc. houve mais participação da comunidade nas definições de ações voltadas para melhorar a escola pública. Analisando o gráfico que se segue. gráficos e reuniões foram técnicas e ferramentas para análise de processos usadas na implantação do Programa de Melhoria. possibilitou a integração de pais. nos seus representantes. Ciclo PDCA. 5W1H. pode-se afirmar que os segmentos formados pelos funcionários e pais são os que mais perceberam que a cidadania foi exercida. brainstorming. diagrama de causa e efeito. através dele. definiam o plano de ação da escola para as duas vertentes do projeto. e as pessoas se sentiram responsáveis pelas ações definidas em cada unidade escolar. Nesse sentido. Civil Gráfico 7. voltadas para a resolução de problemas. Somente 7% de todos os pesquisados acham que a cidadania não foi vivenciada. O Programa de Melhoria. Desse grupo. . de professores. com o objetivo de melhorar a escola pública. 54% acham que essa contribuição foi efetiva. enquanto que 39% acham que ela foi parcial. no todo ou em parte.143 segmento revelam que isso ocorreu de forma efetiva. Seus diversos segmentos eram reunidos e através de ferramentas de gestão. o Programa de Melhoria promoveu a cidadania. um exercício da cidadania e. no todo ou em parte.16 . através de suas ações. ou pelo menos. a grande maioria das pessoas reconheceu nesse processo.

Civil Gráfico 7. Você considera que os resultados alcançados form satisfatórios? 70% 63% 60% 60% 53% 52% 50% 40% 37% 56% 48% 44% 40% 38% 30% Sim Em parte Não 20% 9% 10% 0% 0% 0% 0% 0% Aluno Professor Funcionário Pai Soc. Esse resultado é bastante semelhante ao resultado averiguado na pesquisa realizada com a direção da escola. O gráfico abaixo revela o pensamento de cada segmento em separado.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 5 da comunidade escolar Para 98% dos entrevistados. Somente 9% dos professores. os resultados alcançados com o Programa de Melhoria foram satisfatórios no todo ou em parte.18 .Porcentagem das respostas relacionadas à questão 6 da comunidade escolar .17 . não reconhecem que os resultados foram satisfatórios.144 Com a implantação do Programa de Melhoria houve um verdadeiro exercício da cidadania e através dele você se sentiu responsável pelas ações definidas no sentido de melhorar a escola pública? 76% 80% 70% 60% 57% 60% 50% 47% 50% 40% 40% 41% 40% 36% 30% Sim Em parte Não 17% 20% 12% 10% 7% 10% 4% 3% 0% Aluno Professor Funcionário Pai Soc. representando 2% de todos os entrevistados. Civil Gráfico 7.

O acompanhamento sistemático feito pelas equipes de campo deixou de ser realizado e houve. Civil Gráfico 7.145 Contudo. Na opinião de 43%. você acha que a escola incorporou a nova filosofia de trabalho no seu cotidiano? 70% 70% 62% 60% 54% 56% 50% 50% 40% Sim 40% 38% 37% Em parte 31% 30% Não 30% 20% 9% 12% 7% 10% 4% 0% 0% Aluno Professor Funcionário Pai Soc. a unidade de ensino realmente não teve o tempo necessário para incorporar a nova filosofia de trabalho no seu cotidiano como deveria. por conseguinte. Para 49% dos entrevistados. devido principalmente à perspectiva de mudança no Governo do Estado que ocorreria no final de 2002. uma quebra no ritmo e na motivação das pessoas envolvidas no projeto. afirmam que somente parte das atividades desenvolvidas foi absorvida pela escola. apesar dos resultados satisfatórios. O gráfico abaixo detalha o pensamento individual de cada segmento.Porcentagem das respostas relacionadas à questão 7 da comunidade escolar . Parte das atividades que constavam no plano de ação de cada escola e que dependiam de recursos financeiros a serem liberados pela SEDUC foram descontinuadas. cerca de 8% dos que participaram da pesquisa. a escola incorporou o Programa de Melhoria no seu dia-a-dia. Com o término da fase de implantação do Programa de Melhoria. o Programa de Melhoria sofreu uma certa descontinuidade quando do término da fase inicial de implantação.19 . Os demais.

São elas que conhecem. pode-se considerar que o sucesso da implantação da tecnologia da informação depende da três elementos fundamentais: a vontade política. Elas são os gestores e usuários da tecnologia da informação. em qualquer organização. É através deles que se avalia a racionalidade na “forma de fazer” da organização. De um modo geral. no ambiente organizacional. O sucesso de uma organização pública está associado. no sentido de beneficiar o cidadão que depende e que faz uso dos produtos e serviços do Estado. serão abordadas as ponderações acerca do estudo realizado com as devidas reflexões sobre os resultados alcançados. são a matéria-prima. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo. A tecnologia da informação é considerada hoje um importante elemento na busca constante da otimização dos processos organizacionais. Transformam o sonho em realidade. . a seguir. para a prestação de um serviço de melhor qualidade e para a satisfação do usuário. Na Educação. A figura. As pessoas fazem parte do elemento que “faz acontecer”. ilustra a trilogia dos elementos fundamentais para o sucesso de projetos que envolvam a Tecnologia da Informação. A vontade política é o ponto de partida. através da sua Direção. exatamente. as pessoas e os processos. de adotar efetivamente os recursos oferecidos pela tecnologia da informação no sentido de redefinir um modelo de gestão voltado para uma maior racionalização do trabalho. por sua fez. É dela que partem as ações e os programas voltados para o envolvimento das pessoas e o redesenho dos processos. à forma de se promover a sinergia desses elementos. Os processos. conduzem e fazem a organização. Está relacionada com o real desejo da organização.8. isso não acontece de forma diferente.

147 VONTADE POLÍTICA (decisão e determinação) TI PESSOAS (participação e envolvimento) PROCESSOS (automatização e otimização) Figura 8. dos mais importantes. melhorasse a escola pública e promovesse o ser cidadão. propostas no capítulo inicial. através da tecnologia. . Toda essa trajetória. visando referendar as questões norteadoras deste trabalho. quando em seu artigo segundo trata dos princípios e fins da Educação Nacional. no período que se iniciou em 1996 até os dias de hoje. Esse referencial de cidadania é hoje um direcionamento. devem ser ressaltados e serão analisados a seguir. lembra que “a educação. inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana. buscando um modelo de gestão. dever da família e do Estado. e ressaltar pontos críticos de deficiência que podem ser melhorados. perseguido pelo Estado. ressaltando o papel da educação na formação do ser cidadão. A própria Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9. com o processo de implantação do Programa de Melhoria da Educação Básica. que.1 – Trilogia dos elementos fundamentais para o sucesso de projetos que envolvem a Tecnologia da Informação no ambiente organizacional. Eles retratam todo o contexto da mudança vivenciada pela Secretaria da Educação Básica.394/96). apreendidos na pesquisa. Todos esses elementos foram bastante abordados durante todo esse trabalho. tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Alguns aspectos importantes.

com todas as possibilidades da sua utilização.CREDE e nas escolas. o Programa de Melhoria. São novos valores que surgem e que devem ser entendidos e incorporados. controle e tomada de decisões. ou seja. mas agora evidenciada na promoção da Cidadania através de um modelo de gestão escolar participativa. A escola. Criam-se. associada ainda à Gestão. É necessário um tempo maior para que o Programa de Melhoria se desenvolva na sua plenitude e seja universalizado. Partiu-se de uma administração centralizada e hierárquica. a tecnologia da informação se fez utilizada como uma ferramenta de sustentação a um novo redesenho organizacional. Importa ressaltar que as soluções inovadoras ainda não alcançaram ganhos significativos no desempenho dos resultados educacionais da Secretaria como um todo. deveria se beneficiar de toda essa estrutura tecnológica para melhor desenvolver sua função social. então. com a preocupação de buscar na sociedade o parceiro maior na construção de uma educação de qualidade. É bem verdade que a Secretaria da Educação Básica não passou por um processo de reengenharia na sua plenitude. sistemas de informações que passam a funcionar como instrumentos de planejamento. na SEDUC-Sede. percebe-se que todas as ações seguiram uma orientação estruturada numa estratégia desenhada com base num processo de mudança organizacional. ergue-se novamente a Tecnologia. Começam a surgir projetos orientados a melhorar os serviços desenvolvidos na escola com o uso da Informática: a Matrícula Humanizada. o Internet nas Escolas e. com autonomia nos Centros Regionais da Educação . Há ainda toda uma nova cultura organizacional a ser descoberta. Nesse momento. descentralizado. É um projeto ainda recente e que concluiu tão somente sua fase-piloto. mas não se pode deixar de reconhecer que houve um processo de mudança organizacional e que a tecnologia da informação foi um importante instrumento estratégico no alcance dos resultados obtidos. para um modelo de gestão mais flexível. em seguida. nesse momento. fazendo-se presentes na gestão dos processos ainda no nível central. com delegação de poder aos organismos que atuam mais próximo da sociedade. Não demora muito e essa tecnologia passa a atender também aos CREDE. participativo. “ponto de partida” da relação da educação com o educando. Inicialmente. . notadamente nas escolas. Mas isso ainda não era suficiente. Surgiu.148 Ao se analisar a estratégia adotada pela Secretaria da Educação para introduzir a tecnologia da informação na área da educação. com pouca modernização. a Tecnologia como suporte à Gestão.

de acompanhamento e de tomada de decisão. alimenta as informações que passarão a ser trabalhadas pelos sistemas de informação e faz uso delas. de melhoria constante. permitindo a simplificação de procedimentos e a criação de instrumentos de planejamento. o sucesso de programas voltados para o desenvolvimento da gestão educacional depende. desenhado nos moldes de um programa de qualidade total. utilizada nas escolas. de quem faz o dia-a-dia da escola. e muito. Parece claro a ausência de elementos motivadores que estimulassem a comunidade e a escola como um todo. deve ser entendido como uma ação contínua. é tratada com hostilidade por indivíduos ou por grupos que. Ficou claro na pesquisa que as pessoas envolvidas com a organização não tiveram a atenção devida. provocando uma força de superação de dificuldades e de obstáculos no grupo como um todo. cria confusão. a tecnologia da informação trouxe melhoria e otimização às atividades operacionais e gerenciais. no interesse em manter o “status quo”. as pessoas devem sentir-se motivadas. por vezes verdadeiras transformações na arte de fazer educação na escola pública. forma conflitos e traz incertezas. Houve falhas no planejamento das ações voltadas para conscientizar e envolver os servidores nesse processo de mudança. melhores serão os resultados alcançados. Em geral. o uso da Informática Aplicada à Educação. . capacitadas e sensibilizadas para as mudanças e os questionamentos advindos com os novos processos de gestão e com a tecnologia da informação. tendem a se opor à mudança. se autopromovendo a cada momento. foi prejudicado tendo em vista que as pessoas que formam a organização não foram devidamente preparadas. Quanto maior o seu envolvimento e a sua participação durante o processo de desenvolvimento e de implantação desses projetos. para isso.149 Nesse ponto. Por isso. a cada desafio e. Também não foram estimulados mecanismos para o reconhecimento das realizações e dos avanços alcançados. O Programa de Melhoria. Essa mudança tem forte impacto nas pessoas. para assim serem também uma fonte de motivação. Com relação aos processos de gestão. A tecnologia da informação impõe a quebra de velhos paradigmas. É ele quem domina a inteligência do negócio.

a tecnologia da informação promoveu um maior entrosamento e fortalecimento das relações entre as instâncias administrativas da Secretaria da Educação: Sede. hoje se sentem mais importantes e orgulhosos por trabalharem com a informática e serem capazes de fornecer informação . além de concretos. Com relação às atitudes. de grande impacto na vida das pessoas dentro do ambiente organizacional. Existe hoje mais agilidade na condução dos processos. sua cultura organizacional. Houve ganho de qualidade no processo de tomada de decisão. ganhos significativos obtidos por meio de melhorias na qualidade. Para isso. fato este que melhorou muito a integração entre os departamentos e o processo de comunicação dentro da instituição. na sua grande maioria. a simples automatização e. como conseqüência natural. em alguns casos. ou seja. Toda essa mudança. No entanto. Com sua capacidade de integração. torna-se um elemento fundamental para que o servidor cumpra seu papel na organização. intrinsecamente relacionada aos processos e às atitudes. verificou-se que. A tecnologia da informação. a racionalização de processos já automatizados trouxeram ganhos de melhoria e otimização.150 Muito embora parte dos processos e seus procedimentos não tenham sido questionados na sua essência. No contexto dos processos. assim como os benefícios promovidos pela tecnologia da informação. os obstáculos estiveram fortemente ligados ao elemento comportamental. muitos dos quais eram ainda executados manualmente. no ambiente da SEDUC. CREDE e Escolas. ocasionada também pela simplificação das atividades operacionais. esteve. as contribuições e benefícios que se seguiram a esses obstáculos foram. contatou-se que uma parte destes foi racionalizada e passou a ser monitorada com maior otimização. tem que superar uma série de obstáculos. e as pessoas passaram a incorporar uma visão sistêmica da organização. tornou-se evidente que os servidores que de fato assumiram o sistema. nos fluxos de trabalho e na comunicação. Mudanças na organização através da tecnologia da informação provocam. No estudo proposto. que realmente “vestiram a camisa”. Percebeu-se melhoria no atendimento ao usuário interno e externo. depois de implantada e devidamente consolidada.

Outro aspecto importante. A função social da escola é ampla e vai além do repasse de conhecimento ministrado em sala de aula. Assim. que já há um consenso. Sua estratégia busca. É preciso que a família. na execução e no acompanhamento de ações destinadas ao desenvolvimento da unidade escolar e. uma extensão do ambiente familiar. consolidar o respeito mútuo entre ambas as partes. afastada do convívio social. analisado na pesquisa. por sua vez. hoje a escola tem sido chamada a buscar uma maior sintonia e um melhor relacionamento com a comunidade. participativo. A busca da participação da sociedade na tarefa educativa dá também a ela a responsabilidade e o comprometimento com os desafios a serem vencidos e com os resultados a serem alcançados. conseqüentemente. Sentem-se envaidecidos por terem conseguido superar os velhos paradigmas. A escola passou a ser também um importante espaço de convivência humana. em que a direção. a escola necessita estar em constante ligação com a sociedade que. na verdade. democrático. estarem atualizados numa tecnologia mais avançada e terem desenvolvido novas habilidades. buscam hoje estar mais próximos e sintonizados com a comunidade no entorno da escola. um lugar de encontros e de descobertas. sempre promovendo a participação de toda a comunidade escolar no planejamento. Os gestores escolares. É nesse sentido. os professores. . Assim. o corpo técnicoadministrativo e os pais trabalham de forma coesa no desenvolvimento de uma escola de qualidade.151 com mais agilidade e confiabilidade. a metodologia adotada pelo Programa de Melhoria utiliza ferramentas do ambiente da qualidade total. Não é por acaso que muitas escolas no país estão buscando descobrir novas formas de conviver e de se relacionar mais diretamente com a comunidade. sobre o fato de que a educação é uma responsabilidade coletiva da sociedade. a escola e a sociedade tornem-se parceiros no desenvolvimento da educação. Pensando nisso. Dessa forma. tudo isso sustentado por um sistema de informação baseado no ambiente da Internet. sem transformar-se em uma instituição isolada. por sua vez. diz respeito ao relacionamento escola-comunidade. necessita sentir-se mais prestigiada e compromissada com a gestão da escolar. desenvolvendo assim um modelo de gestão. do aluno. para desempenhar seu papel social. mais que no passado. o Programa de Melhoria tenta descobrir novas formas inovadoras de convívio entre a escola e a comunidade. nos dias de hoje.

jardins foram construídos. b) Realizar eventos de sensibilização. As escolas foram pintadas. o mobiliário da escola foi limpo e recuperado. das novas ferramentas de gestão e da informática. . capacitação e motivação Algumas áreas na SEDUC-Sede. Ressalta-se. os resultados foram bastante significativos. os muros das escolas deixaram de ser pichados e passaram a servir de verdadeiros painéis de arte desenhados pelos próprios alunos. novos ambientes passaram a ser utilizados. houve economia nas despesas com água. luz e manutenção da escola. desenvolvido pela comunidade escolar. no entanto.152 Uma insuficiência. prejudicaram um melhor desenvolvimento do programa. os professores e técnicos buscaram aprimorar o seu trabalho e. ainda mais. a evasão escolar diminuiu. em alguns casos. algumas sugestões que poderiam ser adotadas no sentido de efetivar o uso da tecnologia da informação e de tornar o Programa de Melhoria mais eficiente na Secretaria como um todo. nos CREDE e nas Escolas para acompanhar a implantação e o permanente desenvolvimento do Programa de Melhoria. os pais passaram a freqüentar mais a escola. o lixo passou a ser coletado de forma seletiva. Grande quantidade de equipamentos com problemas e falta de recursos para dar andamento às atividades definidas no plano de ação da escola. bastante notória na pesquisa. está relacionada à deficiência na estrutura de suporte financeiro e operacional para manter o devido funcionamento da infra-estrutura tecnológica e de logística necessária à execução e ao acompanhamento do Programa de Melhoria. o ensino melhorou de qualidade. nos CREDE e nas Escolas precisam ser sensibilizadas para a importância do Programa de Melhoria e a necessidade de utilizar os recursos da tecnologia da informação como uma ferramenta de apoio à gestão. maximizando os benefícios alcançados e desfazendo possíveis focos de resistência: a) Criar um Grupo Gestor do Programa de Melhoria Seria importante definir um grupo na SEDUC-Sede. Estimular sua utilização e divulgar os resultados alcançados também seriam de responsabilidade desses grupos. Contudo. A estrutura física melhorou muito com a implantação do Programa 5S. É importante a realização de eventos e seminários para capacitar e motivar os servidores a utilizar-se.

as escolas que apresentarem os melhores resultados deverão ser prestigiadas e reconhecidas. faz-se necessário que a direção das escolas busque um maior envolvimento da sociedade. o acompanhamento e a implantação do Programa de Melhoria. O correio eletrônico e a Internet são instrumentos fundamentais para a divulgação. São procedimentos simples e práticos que geralmente chamam a atenção e atraem os usuários mais resistentes ao uso da tecnologia. Sem isso. e) Assegurar recursos específicos para o devido desenvolvimento permanente do Programa Dispor de recursos materiais. através de uma gratificação adicional para servidores da escola e da liberação de recurso para o desenvolvimento de um projeto específico para aquela comunidade escolar. Assim sendo. de forma a contribuir para que a gestão escolar seja cada vez mais democrática e participativa. ou de caráter de excelência. financeiros e humanos é essencial para que a escola possa desenvolver e implementar as ações definidas pela comunidade escolar no sentido de alcançar os resultados propostos. Nesse sentido. É essencial que essa comunidade perceba sua importância nesse processo.153 c) Estimular o uso constante do correio eletrônico e da Internet A comunicação e a pesquisa eletrônicas são importantes para estimular o uso do computador. . d) Promover mecanismos de reconhecimento e de premiação para as escolas com melhor aproveitamento É fundamental criar mecanismos que fortaleçam o Programa e assegurem sua continuidade. Podem ser definidas premiações de caráter financeiro. por meio da entrega de certificados com selo de qualidade para a escola. bem como para manter toda a infra-estrutura tecnológica necessária ao projeto. f) Buscar maior participação e envolvimento da comunidade Muitas escolas ainda não possuem representantes da comunidade no seu conselho escolar. na perspectiva de uma escola pública cada vez mais cidadã. torna-se difícil manter o dinamismo e garantir a continuidade do Programa.

é uma ótima ferramenta para propagar iniciativas inovadoras e experiências entre todas as escolas da rede. limpo. ensinando como conduzir o projeto. oferecer caminhos alternativos para a melhoria da escola pública. Em seguida. incrementará uma melhoria significativa na comunicação entre as escolas. como estabelecer metas. sem dúvida. No entanto. com isso. e entre as escolas e a SEDUC-Sede. organizado e alegre. o professor e toda a comunidade escolar se sintam bem e vejam a escola como um ambiente agradável. h) Promover o Site da SEDUC e do Programa de Melhoria A estratégia de consolidar as ações do Programa de Melhoria em um site na Internet. isso não é o suficiente para garantir a qualidade do ensino e da aprendizagem. materiais e financeiros em poder da escola. promovendo assim um maior controle dos recursos humanos. no entanto. é necessário promover e divulgar mais o site do projeto. . Isso. é preciso criar mecanismos que promovam essa modalidade de comunicação. como mobilizar a comunidade escolar. disponibilizando indicadores educacionais com maior agilidade e confiabilidade para as ações de planejamento e de tomada de decisão. o Programa 5S deve ser entendido com a porta de entrada para a o Programa de Melhoria.154 g) Favorecer a informatização dos demais processos de gestão da escola Alguns procedimentos importantes nos processos de gestão precisam ser informatizados. e. Suas ações têm sido bastante desenvolvidas. i) Promover uma política oficial de comunicação eletrônica Para isso é fundamental disponibilizar endereços eletrônicos oficiais para todas as escolas da rede pública estadual e divulgá-los. j) Dar maior ênfase à vertente pedagógica do Programa de Melhoria Apesar de promover um impacto inicial muito forte no visual da escola. divulgando o acompanhamento e os resultados. e registrando em fotos os principais acontecimentos de cada escola é excelente. que aborda a qualidade do ambiente físico. entre as escolas e os CREDE. Essa vertente. como elaborar o plano de desenvolvimento da escola. Além de tudo. é importante para que o aluno. mas. reduzindo custos e agilizando muito o fluxo de informações.

na área da Educação. e assim consolidar uma estratégia organizacional. na comunidade escolar. é fundamental que a Secretaria dê ênfase à vertente pedagógica para atingir a desejada melhoria na qualidade da educação no Estado do Ceará. novas aplicações e pesquisas podem surgir. É interessante ressaltar que. cidadã.155 A outra vertente. que faça uso da Informática como instrumento primordial na consolidação de uma escola pública de qualidade. nem tem conhecimento dessa vertente e associam o Programa de Melhoria somente às ações do Programa 5S. busca melhorar os resultados do processo pedagógico e. a partir deste trabalho. talvez já buscando averiguar as sugestões aqui propostas. administrada de forma participativa e. a pedagógica. Assim. não deve ser esquecida ou ter sua importância subestimada. acima de tudo. . É necessário lembrar que muitos. apesar de demandar muito mais tempo para atingir seus objetivos.

Reengenharia do negócio. ALONSO. 1994. K. 1999. 3. LITTMAN. 4. Vinton. Belo Horizonte: Editora de Desenvolvimento Gerencial. Uma classificação sobre a utilização do computador pela escola. ed. 9394. São Paulo: Atlas. Brasília. 1996. 1541. Belo Horizonte: Editora de Desenvolvimento Gerencial. 1994. Myrtes (org. Excelência nos serviços públicos: gestão da qualidade total na década de 1990. CERF. Introdução à pesquisa em educação. Edgard Pereira de. 1999. São Paulo. David. Site de textos sobre tecnologias na educação. TCQ: gerenciamento da rotina do trabalho do dia-a-dia. Rio de Janeiro: Qualitymark. n. Revista Isto É. Formação de gestores escolares para utilização de tecnologias de informação e comunicação. Controle da qualidade total (no estilo japonês). 2002. Reengenharia humana: preparando o indivíduo para a mudança. BERGAMINI. São Paulo: Pioneira. BERTONI.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBERTIN. CARR. Salvador. CERQUEIRA NETO. aspectos e contribuições de sua aplicação. Hermínio. BORBA DA SILVA. 14 de abril de 1999. Cecília Whitaker.pt/teresadeca/>. 2002. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Florianópolis: UDESC. ________. Disponível em: < http://www. Alberto Luiz. CAMPOS. ano 21. Brasília: Takano. São Paulo: Atlas. 2002. Lei nº. 1999. O pai do ciberespaço. Comércio eletrônico: modelo. Bahia: Casa da Qualidade. . Teresa. n º 37. Revista Educação em Debate. ed. Fortaleza. BRASIL. ed. ALMEIDA D'EÇA.malhatlantica.). 1998. 8. BORGES NETO. Vicente Falconi. Marise. Ian D. 2002. Acesso em: 15/09/2003. Psicologia aplicada à administração de empresas: psicologia do comportamento organizacional. Bartira Cataldi Rocha.

1996. 26 de agosto de 1998. Administração de empresas: uma abordagem contingencial. 5. tipologias e impactos. ed. Megatendências da tecnologia da informação. 1995. Gilberto de Andrade. São Paulo: Atlas. 2001. IVO. 2000. 6. KELLY. Rio de Janeiro: Campus. James N. Rio de Janeiro: Marques Saraiva. 3. ________. . Transformando a organização. ed. ed. São Paulo: Editora Atlas.157 CHIAVENATO. GARTNER GROUP. São Paulo: Atlas. GOUILLART. 1992. FONSECA. São Paulo: Makron Books. Tecnologia da informação. Edwards. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. A estrada do futuro. Antonio. DAVENPORT. 1995. 1991. 1998. Thomas H. Cassio. GATES. Bill. São Paulo: Companhia das Letras. Reengenharia das empresas: passando a limpo. FURLAN. Idalberto. Revista Exame. São Paulo: Cortez.. Manual de reengenharia: um guia para reinventar e humanizar a sua empresa com a ajuda das pessoas. 18. Jairo Simon da. São Paulo: Makron Books. José David. Maria Ester de. CHIAZZOTTI. DEMING. Curso de estatística. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 1996. José Ernesto Lima. MARTINS. ano 32. ________. Administração: teoria. ed. 1999. São Paulo: Makron Books. processo e prática. Reengenharia de processos: como inovar na empresa através da tecnologia da informação. 1990. Francis J. GONÇALVES. Cultura organizacional: formação. São Paulo: Makron Books. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. n. 3. São Paulo. FREITAS. Ivonildo da Motta. ________. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. 2002. Qualidade: a revolução da administração (tradução de “out of the crisis”). DREYFUSS. 2003. W.

José Carlos. 1996. Metodologia científica.abril. David R. Joseph M.. 2nd ed. São Paulo: Pioneira. 1994. RUBIN. Psicologia organizacional: uma abordagem vivencial. . Goiânia: Alternativa. 2. da concorrência e das grandes mudanças da gerência. São Paulo: Atlas. John W. a partir de mudança paradigmática. HAMMER. PINTO. Disponível em: <http://novaescola. ISHIKAWA. Michael. Carlos Eduardo Mori.uol. JOIA. prática e caos. New Jersey: Prentice Hall. NEWSTROM. Marina de Andrade. CHAMPY. Acesso em: 5/09/2003. LAKATOS. Davis. 2000. Kaoru. Michael. A qualidade desde o projeto: os novos passos para o planejamento da qualidade em produtos e serviços. Heloísa. Controle de qualidade total: à maneira japonesa. ed. Comportamento humano no trabalho. David A. James M. 1992. KOLB. LIBÂNEO..br/i>. São Paulo: Atlas. 1997. Nicolas S. 1997. Rio de Janeiro: Campus. 3. Rio de Janeiro: Editora Campus. Luiz Antônio. São Paulo: Atlas. 1994. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. MARCONI.com. São Paulo: Editora Campus. HAX. A evolução da gestão educacional. ed. 1995. James. HAMPTON. Irwin M. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Reengenharia e tecnologia da informação : o paradigma do camaleão. Sistemas administrativos: uma abordagem moderna de O&M. The strategy concept and process: a pragmatic approach. Administração contemporânea: teoria.158 HAMMER. Arnold C. São Paulo: Pioneira. Site escola on-line. Eva Maria. LUCK. MCINTYRE. 1997. MAJLUF. 1983. 2001. JURAN. Nelson Martins. 1978. Além da reengenharia : como organizações orientadas a processos estão mudando nosso trabalho e nossas vidas. Reengenharia : revolucionando a empresa em função dos clientes. KEITH... São Paulo: Editora Pioneira. LUPORINI.

Paul H. PIETRI JR. ed. Antonio César Amaru. Fundamentals of quality control and improvement. In: MENEZES. São Paulo: Makron Books. 2nd ed. 1994. 5. Joseph. 2002. The strategy process: concepts. Estrutura e funcionamento da educação – Leituras. 1994. MARTELLI. ________. contexts and cases. Petrópolis: Vozes. Amativa. James. Porto Alegre: Bookman. MOREIRA. Psicologia aplicada à administração. Administração: conceitos e aplicações. Gerenciamento estratégico da informação. PRUSAK. 3rd ed.G. MAXIMIANO. 2004. New Jersey: Prentice Hall. 1996. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. Técnicas de pesquisa. New Jersey: Prentice Hall.. MCGEE. 3. MINTZBERG. São Paulo: Atlas. Maria Cecília de Souza. MEIRELLES. QUINN. org. 1998. método e criatividade. Henry. 2002. São Paulo: Pioneira. São Paulo: Atlas.. Eva Maria. 2001. 2002. São Paulo: Pioneira. Informática: novas aplicações com microcomputadores.C. 1995. 1994. Relações da escola com a comunidade. Fernando de Souza. MEGGINSON. Deterioração organizacional: como detectar e resolver problemas de deterioração e obsolescência organizacional. 4.. Metodologia do trabalho científico. ed. São Paulo: Makron Books. São Paulo: Atlas. MARQUES. ed. MINAYO. Reengenharia: dinâmica para a mudança. ed. MINTZBERG. MITRA. Antônio Carlos F. MOSLEY. 1998.159 MARCONI. Donald C. 6. MINICUCCI. J. LAKATOS. 5. São Paulo: Atlas. LAMPEL. Pesquisa Social: teoria. James Brian. Rio de Janeiro: Editora Campus. São Paulo: Editora Harbra Ltda.. Daniel Augusto. Bruce. . Marina de Andrade. Safári de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. Agostinho. AHLSTRAND. Leon C. 1998. ed. Anita Fávaro. Laurence. ed. 2002. Henry. 2.

Djalma de Pinho Rebouças de. 1. 1994. 6. ed. Os frutos da boa gestão. M. 1995. 5.). São Paulo: Atlas. In: ALONSO. MOURA. São Paulo: Atlas. 9. Daniel. Janeiro de 2002. 1996. São Paulo: Makron Books. Disponível em: <http://novaescola. São Paulo: Makron Books.160 MOREIRA. ed. Joel. Estrutura e funcionamento da educação – Leituras. RAMALHO. seiketsu. 90. Reinventando o governo: como o espírito empreendedor está transformando o setor público. Ted. ed.br/index. MORRIS. MARINHO. 2001. Clayton. Priscila. São Paulo: Atlas. PRATA. organização e método: uma abordagem gerencial. Progestão: como articular a função social da escola com as especificidades e as demandas da comunidade? Brasília. PESSOA. David. EDIUECE. Site escola on-line. Manual de psicologia organizacional da consultoria vencedora. M. 1996. 2002. OLIVEIRA. São Paulo: Makron Books. OSBORNE.G. Housekeeping 5S´s: seiri.abril. Sistemas. seiso. 1998. MOREIRA. Heitor M. Formação de gestores escolares para a utilização de tecnologias de informação e comunicação. São Paulo: Instituto IMAM. Gestão escolar e as novas tecnologias. ________. Brasília: Takano. 1998. São Paulo: Pioneira. Revitalizando a empresa: a nova estratégia da reengenharia para resultados e competitividade. Acesso em: . cidadania e software de matrícula. Myrtes (org. Carmem Lúcia. v. Roberto. shitsuke – cinco pontos-chave para o ambiente da qualidade total. GAEBLER. seiton. org.. Relações da escola com a comunidade. Roche.htm?ed/137_nov00/html/cresca>. In: MENEZES. 1994. Sonia Teresinha de Sousa. Sistemas de informações gerenciais. Nelson Janot. 1996. Takashi. Reengenharia: reestruturando sua empresa. QUINTELLA. Maria Marta G. BRANDON. Brasília: MH Comunicação. 2002. Laércio Dias de. OSADA. ________. p. Matrícula cidadã: estrutura. et al. ed. 5/09/2003. PENIN. 3. ed. Fortaleza:. 2004. 1. Construindo a cidadania.C. J.com.

1999. 2003. SOLOMON. 1996. Roberto Jarry.br>. 1999. Oswaldo. Comportamento organizacional. SCAICO. SERRÃO. Stephen Paul. 2001. Acesso em: 25/03/2003. Aldemar de Araújo. Aprendendo a ser e a conviver. Takeshy. Repensando as organizações de informática: como aplicar os conceitos de reengenharia nos processos que geram e lidam com a tecnologia da informação. SHIOZAWA. ed. Informática na empresa. 119. Disponível em: <seduc. SECRETARIA DA EDUCAÇÃO BÁSICA DO CEARÁ. Revista de Educação AEC. 5. abr/jun. C. SILVA. São Paulo: Atlas. São Paulo: Atlas. São Paulo: Prentice Hall.. SILVEIRA. 2002. STONER. James A. F. SOUZA. 3. ed. SANTOS. São Paulo: MAKRON Books. 2002. Organização flexível : qualidade na gestão por processos.ce. 10. 3. ed. Pesquisa social: métodos e técnicas. Délcio Vieira. Administração. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed. Brasília.161 RICHARDSON. São Paulo: Martins Fontes. Transição 2000 : tendências. Margarida. Luis Gustavo. Times de qualidade: como usar equipes para melhorar a qualidade. 30. 1999.. FREEMAN. São Paulo: Editora Érica. Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil. São Paulo: Editora Atlas. Escola. 1996. Edward. Nadia Dumara Ruiz. Ruy S. . São Paulo: Atlas. Qualidade no atendimento e tecnologia da informação. Maria Clarice. Roberto de. José Paschoal et al. ed. TACHIZAWA. São Paulo: Pini. 9. Sistema de gestão de qualidade para empresas construtoras.gov. 1993. comunidade e cidadania. BELEEIRO. et al. 1999. R. Peter R. ed.gov. São Paulo: FTD. v. Como fazer uma monografia. 1997. n. 1995. 2. ed. mudanças e estratégias. 2. ROBBINS. Site institucional. SHOLTES. ROSSETTI. ed.

São Paulo: Makron Books. 2002. São Paulo: Atlas. São Paulo: Makron Books. WOOD JÚNIOR. estrutura matricial. CASTON. José Helvécio. VASCONCELLOS. 19.162 TAPSCOTT. SAUVÉ. Rio de Janeiro: Infobook. Richard E. desenvolvimento e engenharia. José Armando. Aníbal. 1998. Mudança de paradigma : a nova promessa da tecnologia da informação. 131-149. 1995. Competitividade empresarial com a tecnologia da informação. Gerência em projetos: pesquisa. VALENTE. São Paulo: Editora Pioneira. WALTON. TORRES. TEIXEIRA JÚNIOR. James R. 1996. São Paulo: Makron Books. 1999. VALERIANO. São Paulo: Makron Books. Estrutura das organizações: estruturas tradicionais. HEMSLEY. Art. José Antão Beltrão. 1995. Educar em Revista. 2. Dalton L. 1994. São Paulo: Atlas. 1995. Eduardo. estruturas para inovação. Reengenharia no governo : paradigmas para o ano 2000. Tecnologia da informação: o uso de TI pelas empresas que obtêm vantagem competitiva. MOURA. . Thomaz. Mudança organizacional: aprofundando temas atuais em administração de empresas. Don. Do mainframe para computação distribuída: simplificando a transição. n. Jácques Phillipe. Norberto. Paraná. TEIXEIRA. 1996. p. ed. Uso da Internet em sala de aula.

Seria interessante que o preenchimento do questionário se desse até o dia ___/___/___. identificando-o como um documento confidencial. será de fundamental importância para a realização desse estudo. a fim de garantir o sigilo dos pesquisados. Desde já agradeço sobremaneira sua atenção. Tecnologia da Informação e Cidadania: a importância das novas tecnologias na implantação de um modelo de gestão participativa”. Quaisquer dúvidas ou esclarecimentos. Este questionário pretende coletar informações para subsidiar uma dissertação do curso de pós-graduação na área de computação aplicada da UECE. O tema desse trabalho é “Gestão. Um abraço. Ao concluí-lo.ANEXOS ANEXO A – Questionário Aplicado à Direção da Escola Prezado(a) colega. favor entrar em contato comigo através dos telefones: 488-8316 / 488-8317 / 9988-0203. Suas respostas serão confidenciais. prestando as informações solicitadas. Asseguro que todas as informações fornecidas serão analisadas de forma agregada. peço a gentileza de enviá-lo aos meus cuidados. Sua valiosa colaboração. Paulo Henrique Aguiar Mestrando em Computação .

o uso das novas tecnologias fornece informações relevantes e confiáveis para estabelecer prioridades. Na sua opinião. Para você. com o Projeto Internet nas Escolas. a presença das novas tecnologias possibilita que os diversos segmentos da escola trabalhem com procedimentos e rotinas que promovem a integração entre as diversas áreas? Sim Em parte Não Comente: 02. tornando-a mais ágil. clara e sem a necessidade de tanto volume de papel? a) Na própria escola Sim Em parte Não b) Entre a escola e o CREDE Sim Em parte Não .164 Nome: _____________________________________________________________ Cargo: ______________________________________________________________ Escola: _____________________________________________________________ 01. avaliar alternativas para resolução de problemas e para tomada de decisões? Sim Em parte Não Comente: 03. Você considera que. a interligação de departamentos da escola em rede de computadores e a disponibilidade do correio eletrônico e da própria Internet melhorou o nível de comunicação.

Esses mesmos instrumentos possibilitaram a integração de alunos. Na sua concepção. os novos instrumentos de gestão e as novas tecnologias trouxeram mudanças nos procedimentos e na forma das pessoas trabalharem? Sim Em parte Não Comente: 07. de professores. Qual o seu ponto de vista sobre de que forma ocorreu a sensibilização. de pais. a conscientização e a capacitação dos servidores para o uso das ferramentas de gestão e de tecnologia da informação utilizadas no Programa de Melhoria? Adequada Inadequada Praticamente não ocorreu Comente: 06. de funcionários e de especialistas com a finalidade de produzir melhores resultados educacionais nas escolas da Rede Pública do Estado? Sim Comente: Em parte Não . Na sua opinião. a informatização do processo de matrícula possibilitou um melhor atendimento à comunidade e aos próprios alunos que ingressam na escola pública? Sim Em parte Não Comente: 05.165 04.

como mobilizar a comunidade escolar. No seu entendimento. ensinando como conduzir o projeto. o repasse de conteúdos. a comunidade escolar reconheceu nesse processo um verdadeiro exercício da cidadania e se sentiu realmente responsável pelas ações definidas no sentido de melhorar a escola pública? Sim Em parte Não 09. como definir metas.166 08. Você considera que a Secretaria da Educação proveu toda a infra-estrutura tecnológica necessária para que a sua escola tivesse a possibilidade de utilizar as novas tecnologias? Sim Em parte Não Comente: 10. realizados através do site do Programa de Melhoria e da Internet. Você acha que os resultados alcançados com a implantação do Programa de Melhoria foram satisfatórios? Sim Comente: Em parte Não . de instrumentais e de informes. No seu entendimento. como elaborar o plano de ação e como fazer o gerenciamento de suas ações foi satisfatório? Sim Em parte Não Comente: 11.

Na sua opinião.167 12. suas ferramentas de gestão e as novas tecnologias? Marque as alternativas que correspondem à realidade da sua escola. Promoveu o crescimento e a motivação profissional Levou as pessoas a trabalharem de forma sistêmica Melhorou a integração entre os diversos segmentos da comunidade escolar Facilitou a comunicação interna e externa Padronizou procedimentos Racionalizou processos Otimizou o controle e o monitoramento dos processos Facilitou o processo de tomada de decisão Socializou o acesso à informação Melhorou o atendimento ao usuário interno Melhorou o atendimento ao usuário externo Racionalizou a utilização dos recursos humanos e financeiros Incentivou a participação da comunidade nas decisões tomadas pela gestão escolar Melhorou a gestão escolar Gostaria de citar mais alguns? • • 13. quais os resultados alcançados pela sua escola com o Programa de Melhoria. Quais as maiores dificuldades encontradas com a implantação das novas tecnologias? No seu nível pessoal: • • No nível institucional: • • .

Na sua percepção. melhorariam muito a gestão escolar? Gestão Acadêmica-Educacional Gestão Financeira / Prestação de Contas Gestão de Recursos Humanos / Lotação Gestão Patrimonial Gestão do Acervo de Multimeios / Biblioteca Outros: • • • . das funcionalidades e da metodologia de trabalho do Programa de Melhoria contou com a participação efetiva da direção da escola? Sim Em parte Não Comente: 15.168 14. Você considera que a definição da abrangência. se informatizadas. que processos ou atividades realizadas na escola ainda não foram devidamente informatizadas e que.

Este questionário pretende coletar informações para subsidiar uma dissertação do curso de pós-graduação na área de computação aplicada da UECE. prestando as informações solicitadas. O tema desse trabalho é “Gestão. Sua valiosa colaboração. Suas respostas serão confidenciais. Asseguro que todas as informações fornecidas serão analisadas de forma agregada. Tecnologia da Informação e Cidadania: a importância das novas tecnologias na implantação de um modelo de gestão participativa”. Desde já agradeço sobremaneira sua atenção. Um abraço. a fim de garantir o sigilo e o anonimato dos pesquisados. será de fundamental importância para a realização desse estudo.169 ANEXO B – Questionário Aplicado à Comunidade Escolar Prezado(a) colega. Paulo Henrique Aguiar Mestrando em Computação .

170 Escola: ______________________________________________________________ Que segmento você representa no Conselho Escolar? Pais Alunos Funcionários Professores Sociedade Civil 01. de professores. Você conhece ou já acessou o site da SEDUC? Sim Não 02. através de suas ações. de pais. Você conhece o Programa de Melhoria da Educação Básica do Ceará? Conheço bem Conheço em parte Desconheço Se você. 03. Caso conheça bem ou em parte. na questão 02. possibilitou a participação e a integração de alunos. respondeu que desconhece o Programa de Melhoria. o Programa de Melhoria. Você tem conhecimento de que o Programa de Melhoria possui duas vertentes: uma voltada para a qualidade do ambiente físico (Programa 5S) e outra voltada para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem? Tenho conhecimento das duas vertentes Não tenho conhecimento das vertentes Só tenho conhecimento de uma vertente. favor entregar este questionário sem responder as demais questões. de funcionários e da sociedade civil com a finalidade de produzir melhores resultados educacionais nas escolas da Rede Pública do Estado? Sim Em parte Não CONTINUA NO VERSO . Qual?__________________________ ________________________________________________________________ 04. favor continuar a responder as demais questões. Na sua opinião.

Com o término da fase inicial de implantação do Programa de Melhoria. Deseja fazer alguma observação ou comentário final? . Você reconhece que com a implantação do Programa de Melhoria houve um verdadeiro exercício da cidadania e que através dele você se sentiu realmente responsável pelas ações definidas no sentido de melhorar a escola pública? Sim Em parte Não 06. você acha que a escola realmente incorporou a nova filosofia de trabalho no seu cotidiano? Sim Em parte Não 08. Você considera que os resultados alcançados foram satisfatórios? Sim Em parte Não 07.171 05.

172 ANEXO C – Planilhas com Resultados da Pesquisa dos Diretores Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 1 Qtde 11 5 0 16 Percentual 69% 31% 0% 100% Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 2 Qtde 12 4 0 16 Percentual 75% 25% 0% 100% Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 3a Qtde 9 7 0 16 Percentual 56% 44% 0% 100% Você considera que. tornando-a mais ágil. com o Projeto Internet nas Escolas. avaliar alternativas para resolução de problemas e para tomada de decisões? Na sua opinião. a interligação de departamentos da escola em rede de computadores e a disponibilidade do correio eletrônico e da própria Internet melhorou o nível de comunicação. a interligação de departamentos da escola em rede de computadores e a disponibilidade do correio eletrônico e da própria Internet melhorou o nível de comunicação. com o Projeto Internet nas Escolas. a presença das novas tecnologias possibilita que os diversos segmentos da escola trabalhem com procedimentos e rotinas que promovem a integração entre as diversas áreas? Para você. tornando-a mais ágil. clara e sem a necessidade de tanto volume de papel? b) Entre a escola e o CREDE Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 4 Qtde 9 5 2 16 Percentual 56% 31% 13% 100% QUESTÃO 5 Qtde 5 7 Percentual 31% 44% Opção Adequada Inadequada Praticamente não ocorreu Total 4 16 25% 100% Na sua opinião. a informatização do processo de matrícula possibilitou um melhor atendimento à comunidade e aos próprios alunos que ingressam na escola pública? Qual o seu ponto de vista sobre de que forma ocorreu a sensibilização. clara e sem a necessidade de tanto volume de papel? a) Na própria escola Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 3b Qtde 7 8 1 16 Percentual 44% 50% 6% 100% Você considera que. a conscientização e a capacitação dos servidores para o uso das ferramentas de gestão e de tecnologia da informação utilizadas no Programa de Melhoria? . o uso das novas tecnologias fornece informações relevantes e confiáveis para estabelecer prioridades.

a comunidade escolar reconheceu nesse processo um verdadeiro exercício da cidadania e se sentiu realmente responsável pelas ações definidas no sentido de melhorar a escola pública? Você considera que a Secretaria da Educação proveu toda a infra-estrutura tecnológica necessária para que a sua escola tivesse a possibilidade de utilizar as novas tecnologias? No seu entendimento.173 Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 6 Qtde 9 7 0 16 Percentual 56% 44% 0% 100% Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 7 Qtde 4 10 2 16 Percentual 25% 63% 12% 100% Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 8 Qtde 4 10 2 16 Percentual 25% 63% 12% 100% Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 9 Qtde 2 11 3 16 Percentual 12% 69% 19% 100% Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 10 Qtde 10 4 2 16 Percentual 63% 25% 12% 100% Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 11 Qtde 6 9 1 16 Percentual 38% 56% 6% 100% Opção Sim Em parte Não Total QUESTÃO 14 Qtde 12 4 0 16 Percentual 75% 25% 0% 100% Na sua concepção. o repasse de conteúdos. como definir metas. ensinando como conduzir o projeto. os novos instrumentos de gestão e as novas tecnologias trouxeram mudanças nos procedimentos e na forma das pessoas trabalharem? Esses mesmos instrumentos possibilitaram a integração de alunos. das funcionalidades e da metodologia de trabalho do Programa de Melhoria contou com a participação efetiva da direção da escola? . como elaborar o plano de ação e como fazer o gerenciamento de suas ações foi satisfatório? Você acha que os resultados alcançados com a implantação do Programa de Melhoria foram satisfatórios? Você considera que a definição da abrangência. como mobilizar a comunidade escolar. de pais. de instrumentais e de informes. realizados através do site do Programa de Melhoria e da Internet. de funcionários e de especialistas com a finalidade de produzir melhores resultados educacionais nas escolas da Rede Pública do Estado? No seu entendimento. de professores.

174 ANEXO D – Planilhas com Resultados da Pesquisa da Comunidade Escolar Você conhece ou já acessou o site da SEDUC? QUESTÃO 1 % 54% 67% 61% 22% 27% 50% Sim 19 22 19 6 3 69 Aluno Professor Funcionário Pai Sociedade Civil Total Não 16 11 12 21 8 68 % 46% 33% 39% 78% 73% 50% Total 35 33 31 27 11 137 Você conhece o Programa de Melhoria da Educação Básica do Ceará? Aluno Professor Funcionário Pai Sociedade Civil Total Bem 14 21 14 9 5 63 % 40% 64% 45% 33% 45% 46% QUESTÃO 2 Em parte 21 11 15 16 5 68 % 60% 33% 48% 59% 46% 50% Desconheço 0 1 2 2 1 6 % 0% 3% 7% 8% 9% 4% Total 35 33 31 27 11 137 Você tem conhecimento de que o Programa de Melhoria possui duas vertentes: uma voltada para a qualidade do ambiente físico (Programa 5S) e outra voltada para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem? Aluno Professor Funcionário Pai Sociedade Civil Total As duas 25 28 27 20 7 107 % 71% 88% 93% 80% 70% 82% QUESTÃO 3 Nenhuma % 3 9% 1 3% 0 0% 2 8% 1 10% 5% 7 Somente uma 7 3 2 3 2 17 % 20% 9% 7% 12% 20% 13% Total 35 32 29 25 10 131 .

você acha que a escola realmente incorporou a nova filosofia de trabalho no seu cotidiano? Aluno Professor Funcionário Pai Sociedade Civil Total Sim 13 16 18 10 7 64 % 37% 50% 62% 40% 70% 49% QUESTÃO 7 Não % 19 54% 12 38% 9 31% 14 56% 3 30% 43% 57 Em parte 3 4 2 1 0 10 % 9% 12% 7% 4% 0% 8% Total 35 32 29 25 10 131 . possibilitou a participação e a integração de alunos. de funcionários e de especialistas com a finalidade de produzir melhores resultados educacionais nas escolas da Rede Pública do Estado? Aluno Professor Funcionário Pai Sociedade Civil Total Sim 19 16 19 15 9 78 QUESTÃO 4 % Não % 54% 16 46% 50% 13 41% 66% 10 34% 60% 10 40% 90% 1 10% 60% 38% 50 Em parte 0 3 0 0 0 3 % 0% 9% 0% 0% 0% 2% Total 35 32 29 25 10 131 Você reconhece que com a implantação do Programa de Melhoria houve um verdadeiro exercício da cidadania e que através dele você se sentiu realmente responsável pelas ações definidas no sentido de melhorar a escola pública? Aluno Professor Funcionário Pai Sociedade Civil Total Sim 14 15 22 15 5 71 % 40% 47% 76% 60% 50% 54% QUESTÃO 5 Não % 20 57% 13 41% 5 17% 9 36% 4 40% 39% 51 Em parte 1 4 2 1 1 9 % 3% 12% 7% 4% 10% 7% Total 35 32 29 25 10 131 Você considera que os resultados alcançados foram satisfatórios? Aluno Professor Funcionário Pai Sociedade Civil Total Sim 13 12 15 11 6 57 % 37% 38% 52% 44% 60% 44% QUESTÃO 6 Não % 22 63% 17 53% 14 48% 14 56% 4 40% 54% 71 Em parte 0 3 0 0 0 3 % 0% 9% 0% 0% 0% 2% Total 35 32 29 25 10 131 Com o término da fase inicial de implantação do Programa de Melhoria. o Programa de Melhoria. através de suas ações. de professores.175 Na sua opinião. de pais.

176 ANEXO E – Fotos das Escolas Antes e Depois do Programa de Melhoria ANTES DEPOIS .

177 ANTES DEPOIS DEPOIS .

178 DEPOIS DEPOIS .

179 DEPOIS DEPOIS .

180 ANTES DEPOIS .

181 DEPOIS DEPOIS .