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As questões jurídicas da inseminação

artificial heteróloga
Porbarbara_montibeller- Postado em 17 maio 2012
Autores:
RESENDE, Cecília Cardoso Silva Magalhães.
RESUMO
Com a presente pesquisa pretende-se conhecer as possibilidades jurídicas dos princípios que regem a relação dos filhos
gerados por inseminações artificiais heterólogas e o doador anônimo, discutindo sobre o choque entre eles quanto o
direito aos filhos de conhecerem sua origem biológica e do sigilo dos doares ao banco de sêmen, a possibilidade da
pensão alimentícia perante o doador, pai biológico, a questão da paternidade sócio-afetiva e a análise sucessória e
patrimonial como possível direito dos filhos havidos por inseminação artificial heteróloga e também em relação ao pai
sócio-afetivo, a seguinte discussão da Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.358/92 frente aos preceitos
jurídicos vigentes, dentre a análise das ações de investigação e negatória de paternidade. A pesquisa utiliza o método
dedutivo para analisar, de modo geral, se as normas que regulam o instituto do reconhecimento de vínculo biológico são
eficientes ao tratarem da filiação advinda da inseminação artificial heteróloga e se existe o direito pertinente à herança e
pensão alimentícia.
Palavras-chave: filiação; reprodução humana; inseminação artificial heteróloga; investigação de paternidade;.
1 INTRODUÇÃO
Desde o início da vida, o único meio existente entre os seres humanos de vínculo de paternidade e filiação sempre foi
através da reprodução advinda das relações sexuais, também podendo ser chamada de procriação natural.
Com o desenvolvimento da espécie humana ao longo dos anos e, também, do progresso científico, para satisfazer a
necessidade daqueles que não podem ter filhos, por alguma razão, sendo ela pelo método natural de procriação, foram
desenvolvidas técnicas de reprodução assistida, sendo uma delas a inseminação artificial heteróloga. (SPODE e SILVA,
2007).
A modernidade trouxe às famílias, ou tão somente às mulheres que, sem o desejo de enlace matrimonial, querem
realizar o desejo da maternidade, sendo uma alternativa para o problema, a reprodução assistida em questão discutida.
Porém, com o total desenfreio da tecnologia que veio abrangendo de forma avassaladora os métodos que pudessem
facilitar a vida das pessoas, estes se esqueceram do afeto entre elas e os problemas futuros que pudessem acarretar.
E estes problemas a cada dia surgem com mais freqüência na vida das famílias que recorrem a este tipo de inseminação,
sendo que só lhe restam buscar solução através da nossa Justiça.
2 REPRODUÇÃO ASSISTIDA
No âmbito da reprodução assistida, existem várias técnicas diferentes de procedimento, assim como explica Balan
(2006):
Dentre as principais técnicas atualmente disponíveis, destacam-se: inseminação artificial (IA), fertilização in vitro seguida
de transferência de embriões (FIVETE), transferência intratubária de gametas (GIFT), transferência intratubária de
zigotos (ZIFT), gestação por mãe substituta (“mãe de aluguel”).
A inseminação artificial se divide em dois tipos, sendo uma denominada de homóloga e a outra heteróloga. A primeira
se dá com a utilização do próprio material genético do casal e, a segunda, o sêmen utilizado é de um terceiro doador,
que diante do anonimato, doa seus gametas a um Banco de Sêmen.
A fertilização in vitro seguida de transferência de embriões (FIVETE), coloquialmente conhecida por “bebê de proveta”,
é quando ocorre a fecundação do óvulo pelo espermatozóide fora do corpo, em laboratório. E logo depois de fertilizados,
são transferidos para o útero. (CORLETA e KALIL, 2001).
A transferência intratubária de gametas (GIFT) é utilizada quando os casos de infertilidade não têm motivo aparente. O
procedimento consiste na coleta dos óvulos e espermatozóides que, com a ajuda do laboratório, são colocados dentro
das trompas de falópio. (Materbaby).
A transferência intratubária de zigotos (ZIFT) utiliza a mesma técnica da transferência intratubária de gametas (GIFT),
porém a diferença entre elas é que a ZIFT é utilizada quando o material genético da mulher e do homem não são
suficientemente bons para a fecundação e boa formação do embrião. Os óvulos são colhidos por ultra-sonografia transvaginal e colocados em contato com os espermatozóides dentro de uma trompa artificial e após confirmada a
fecundação, é transferida para as trompas naturais. (Materbaby).

.A gestação por mãe substituta. e posterior contato com espermatozóides em estufas para formar embriões que. a inseminação artificial heteróloga. p. 586). p. o primeiro “bebê de proveta”. Ainda sobre a origem do procedimento da inseminação artificial heteróloga. Existem dois tipos. a classificando até como ato de adultério. os fatores culturais que contribuíram para seu surgimento e influenciaram no nascimento das primeiras letras de lei. explica ainda Lopes (2000. A Igreja Anglicana tem influências de duas correntes. 585). na nossa jurisdição. Sobre a origem de tal procedimento. p. a purificação das raças. Portanto. apud GASPAROTTO e RIBEIRO. em 25 de julho de 1978. consiste na substituição da gestação transferida a uma terceira pessoa. A Igreja Judia também não aceita que seja utilizado sêmen que seja diferente do originado pelo casal. como origem. onde a majoritária e mais conservadora é contra a inseminação artificial heteróloga e a outra corrente mais progressista admite a doação de terceiros. (LOPES. em especial a heteróloga. com a finalidade de melhorar a produção. por inseminação heteróloga. (LOPES. depois de analisados.. como ramo da cultura. que o presente tema se desenvolve. 2000. 2000. A primeira se refere no empréstimo do útero. 2008): [. E foi através de tal fato que a medicina acrescentou a isso. quando nasceu Louise Brown. que sempre influenciou o surgimento do Direito desde a época inquisitória. para Lagrasta Neto (2002. sempre foi contra os avanços tecnológicos relacionados à reprodução humana que não fosse pelos métodos naturais. médico da família real. Continua. também foi fator importante e bastante significativo para nosso ordenamento jurídico desde seus primórdios. foram transferidos para o útero da mãe de Louise. com as influências culturais e religiosas na vida da sociedade. p. [. ginecologista americano. ou mais conhecida como “mãe de aluguel”. no organismo feminino. 2000. . Já a Igreja Islâmica. 585). os históricos a respeito do tema na literatura médica habitualmente atribuem o feito da primeira inseminação artificial homóloga ao inglês John Hunter no final do século XVIII. Por outro lado. 3 INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL HETERÓLOGA: SUA ORIGEM E ASPECTOS HISTÓRICOS Conceituar a inseminação artificial de maneira mais simples seria dizer que é a introdução. 2000. Diz-se que Arnaud de Villeneuve. a contrariedade surgiu anos depois já na década de 70 com os primórdios da reprodução assistida..] realizada por Pancoast. em conseguinte uma delas. 2005). a procriação. É evidente e claro sua oposição contra as pílulas anticoncepcionais e o uso do preservativo e não poderia ser diferente em sua posição contra a inseminação artificial heteróloga. p. mesmo que a doação seja consentida pelo outro cônjuge. E é quanto às inseminações artificiais. e a segunda além de emprestar o útero também doa seus óvulos. Não se pode excluir do ramo do Direito. sendo mãe portadora ou mãe de substituição. Diante de tantos avanços significativos para a ciência. doação de esperma por terceiro. a visão ética deve ser analisada sob os diversos segmentos religiosos em relação às reproduções assistidas. Todavia. a primeira inseminação heteróloga aconteceu na Filadélfia. 585): A literatura registra que a primeira inseminação artificial humana ocorreu na Idade Média. p. A religião. em que já havia experiências em peixes. 357). A Igreja Católica. um ginecologista americano. por conseguinte. (NERY. cuja mãe submeteu-se à fecundação in vitro (FIVET) com extração e seleção de seus óvulos. (SILVA e LOPES. quando estas se tornam impossibilitadas pelo método natural. em 1884. Logo. que as pessoas realizam o desejo da criação da família. não somente recrimina a inseminação artificial heteróloga como também a homóloga. não dá para falar do surgimento das técnicas de reprodução assistida sem abordar a influência que a religião tem no cotidiano das pessoas e por conseguinte. sendo duas delas. de espermatozóides. que a inseminação artificial “é um procedimento de procriação utilizado na medicina veterinária desde meados do século XVI. um dos tipos de reprodução assistida. que com início na década de 60 trouxe as pílulas anticoncepcionais. utilizando a técnica de conduta daí azoosopermia. Pensilvânia. ou seja. para fins médicos. 586). a inseminação artificial: homóloga e heteróloga. É através destas variadas técnicas. a criação de híbridos. Tais avanços. contribuíram para o surgimento de alternativas que pudessem satisfazer as necessidades do ser humano em relação à constituição da família. que é a doação do sêmen do próprio marido.. através de técnicas artificiais. Concluem Gasparotto e Ribeiro (2008. (LOPES. (LOPES. portanto: As técnicas de reprodução assistida tiveram seu ápice de destaque na Inglaterra.] os primeiros relatos apontados na história de casos de concepção de filhos sem o ato sexual. teria realizado com sucesso uma inseminação artificial com o esperma de Henrique IV de Castela em sua esposa. dentre outros”. conduzida por Pancoast. 2008).

(RODRIGUES.. A fecundação in vitro consiste na técnica de fecundação extracorpórea na qual o óvulo e o espermatozóide são previamente retirados de seus doadores e são unidos em um meio de cultura artificial localizado em vidro especial. 240). quando proveniente de um estranho”. Portanto. Na visão de Lopes (2000. apud SILVA e LOPES.Quem vem se posicionando com mais liberalismo sobre o assunto é a Igreja Protestante. Portanto. faz-se. 34. Em um breve conceito. ed. os fatores históricos são imprescindíveis e influenciadores no tocante à reprodução assistida e cada evolução e desenvolvimento da ciência tem sua parcela ligada aos costumes da sociedade com o intuito de. o mesmo denomina a inseminação artificial homóloga como sendo a que: [. p. apud GASPAROTTO e RIBEIRO. a cada dia. solucionarem as dificuldades e desejos de cada ser humano. Conceitua também. pai do espiritismo. 4 DIFERENÇAS ENTRE INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL HOMÓLOGA E HETERÓLOGA Dentre as técnicas de reprodução assistida. colocando-se em pauto que tipo de pessoa seria apta ao tratamento. 586). 2003). 2006. Conceitua Venosa (2006. (MARQUES. Geralmente. A atitude dessas mulheres foi encarada com reservas por alguns médicos. tiverem como origem um doador estranho à pessoa a ser fecundada. (LOPES. não podendo ter fins lucrativos. 585). 2008): Na Inglaterra.. o caso de mulheres sem experiência sexual nem intenção de tê-la que procuravam clínicas de fertilidade com o intuito de receberem o tratamento de inseminação artificial por doador e engravidarem foi designado pelos meios de comunicação de “síndrome do nascimento virgem”. a licitude. quando o material genético. p. A doutrina Espírita também encara as técnicas de reprodução com naturalidade. que “denomina-se homóloga a inseminação proveniente do sêmen do marido ou do companheiro. São três as características fundamentais para a realização da doação heteróloga. p. somente para que haja a identificação das expressões. lembrando que ambas são feitas por métodos não naturais. (. 237.) Tal postura contraria os papéis de gênero estabelecidos. 586). (MARQUES. já havia esclarecido que a doutrina e a ciência caminham lado a lado rumo à evolução sem se oporem ao desenvolvimento.. Para Luna (2001. 2008): A inseminação artificial consiste na técnica de fecundação intracorpórea. podendo ser denominado também de doação. sendo elas a gratuidade. p. 314). heteróloga. segundo os quais as mulheres seriam as guardiãs do ideal de que filhos nascem de relações de parceria. (LOPES. Ainda. 403.. Pode ter lugar em um ciclo espontâneo ou após estimulação da função ovatoriana com indutores da ovulação. de maneira artificial. o método usado nos dois tipos de reprodução assistida são semelhantes e é com a origem do sêmen que poderá ser capaz de conceituar se a inseminação será homóloga (sêmen do marido ou companheiro) ou se será heteróloga (sêmen de terceiro doador).] obedece os critérios técnicos semelhantes àqueles levados a efeito na inseminação artificial homóloga. a inseminação artificial homóloga é aquela feita com o material genético do próprio casal (cônjuges) e a heteróloga é a fecundação realizada com sêmen de terceiro. A inseminação artificial será heteróloga. pois Allan Kardec. onde são aproveitados os embriões que excederam ao ser realizada a fertilização in vitro. se os cônjuges concordarem com tal procedimento. indivíduos que procuram optar pela inseminação artificial heteróloga são aqueles que sofrem de esterilidade ou incompatibilidade sanguínea. Savin (1990. O tratamento visava a substituir a relação sexual vez de simplesmente contornar um estado estéril. Somente é ressaltado que tais procedimentos devem ser utilizados para o bem da humanidade. merecem destacar as diferenças entre a inseminação artificial homóloga da inseminação artificial heteróloga. p. espermatozóide ou óvulo.. p. discorre Lopes (2000. Tal procedimento é feito após preparo laboratorial do sêmen.] consiste na introdução de espermatozóides do esposo de qualquer segmento do aparelho genital feminino. que advém da gratuidade e a mais importante delas que é o anonimato dos doadores e receptores. 2000. superando dificuldades da natureza. quanto a origem da amostra seminal no caso oriunda de um doador. sobre o conceito da inseminação artificial heteróloga: [. relações essas constituindo o alicerce da vida familiar. Revista Cristã do Espiritismo). que não vêem barreiras em aceitar as técnicas de reprodução assistida. p. na qual o espermatozóide é retirado de seu doador (o próprio marido ou de um terceiro) e posteriormente introduzido na cavidade uterina da mulher. Exceção. 2003) ..

assim alerta Rios. Segundo o Centro de Medicina de Reprodução. no caso em tela. foram de 33% por ciclo tentado. e será esta amostra que inseminaremos. consistem nas formas procedimentais técnicas da medicina quanto à sua realização.1 PROCEDIMENTOS TÉCNICOS Trata-se dos procedimentos usados pelas clínicas especializadas em Reprodução Assistida. o que irá distinguir uma da outra é a origem do sêmen. Ainda de acordo com as técnicas do referido Centro. esta é monitorada através de ultra-sonografia para devida detecção de hormônios que são liberados pela urina. Dessa forma. (2006): Convém mencionar que trata-se de procedimento de custo elevado e cobrado por cada tentativa de engravidar. o procedimento para o homem é o seguinte: Após a ejaculação o esperma é misturado a um meio de cultura. ou nos casos mais complexos. Os nossos últimos resultados. Coletaremos então só o meio de cultura. em São Paulo/SP. mulheres que não possuem ovulação. deve passar por alguns procedimentos médicos. Em seguida colocamos esta parte sólida com uma certa quantidade de meio de cultura. se situa em torno de 25% a cada ciclo. Com a ultra-sonografia. São indicadas a este tratamento. Segundo o CEMERJ (Centro de Medicina de Reprodução). em repouso na estufa. Por isso. é feito o exame com o hormônio LH (na urina). na medida em que não existe garantia da eficácia da inseminação artificial. irão nadar para o meio de cultura. Se a cor do Kit se modificar. a Resolução 1358/92. onde da primeira se dá com o do marido ou companheiro. em que o lado feminino era normal e o esperma reconhecidamente normal. e.5 ASPECTOS MÉDICOS SOBRE A INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL Os aspectos médicos sobre a inseminação artificial. pois algumas possuem ovulação espontânea e outras precisam que ela seja estimulada. de engravidar e levar a sua gestação até o término. faz-se a reação da urina pela manhã e no início da tarde. a nossa chance real deverá se situar no máximo em torno deste número. tanto a inseminação artificial heteróloga quanto a homóloga. que logo fará o trajeto até o óvulo e captado pela trompa no momento em que haverá a expulsão pelo ovário. a mulher deverá ser monitorada para que se possa descobrir qual o melhor momento para tal fecundação. Os extremos desta análise estatística. Insta lembrar que. o tratamento é prosseguido. Na inseminação apesar de controlar a ovulação realizar a inseminação no melhor momento com um esperma de boa qualidade ou melhorado ao máximo. Em se tratando da ovulação espontânea. e da segunda através de um doador anônimo. ao procurar um centro especializado. pelo monitoramento com ultra-sonografia e avaliação da produção hormonal. que deverá conter apenas os espermatozóides mais móveis. como por exemplo. o que faz a parte sólida (espermatozóides e células) se separarem do meio líquido. Quando a ovulação terá que ser induzida. Em relação aos números. onde diariamente deve ser feito. que com a utilização de um Kit. (CEMERJ). o CEMERJ dá estatísticas de seus resultados com as inseminações artificiais homólogas: Sabemos hoje que a chance natural de um casal que não apresente dificuldades. devem estar perfeitamente esclarecidas ao casal tais circunstâncias. e assim a inseminação artificial é realizada nesse período (CEMERJ). pela sua mobilidade. no Rio de Janeiro/RJ. foram de 6 a 8% para as alterações espermáticas severas. que incluiam todas as indicações. sobre o Banco de Sêmen e suas características e procedimentos e sobre o Conselho Federal de Medicina que tem como norma reguladora da Reprodução Assistida. é reiniciado o procedimento. estará indicando que a ovulação deverá iniciar entre 24 e 30 horas depois. Nos primeiros dias da ovulação. os ovários são avaliados e se estiverem sem nenhuma restrição. que a ovulação tem quantidade hormonal baixa ou até ovulação normal. formação residual. 5. essa indução será feita através de medicamentos que estimularão a produção dos hormônios que irão atuar no ovário. e sofre uma separação por centrifugação. a partir da aparição de uma imagem de folículo maior ou igual a 15 mm. as técnicas para a inseminação artificial homóloga e heteróloga são as mesmas. o Banco de Sêmen é um serviço que tem a finalidade de conservar e preservar o . segundo o CEMERJ. o tratamento consiste na inserção do espermatozóide que é depositado na vagina. e de 55% para a inseminação com esperma de doador. 5. A mulher que deseja utilizar da técnica de reprodução assistida. de modo à realizar o tratamento que ajudará àquelas com dificuldade para engravidar. Os espermatozóides. no primeiro dia do ciclo.2 BANCOS DE SÊMEN Segundo a Pro-Seed.

Hepatite B e C. residente à Rua _____________________________________________________ Bairro ___________Cidade _________________ Estado _________ CEP:.2 ( ) ___________________.material genético masculino congelado que serão utilizados em futuras inseminações artificiais. a coleta de sangue para exames sorológicos. Cultura seminal. Sífilis. Explica a diretora da clínica Pro-Seed. que o programa de doação de sêmen segue a regulamentação da Sociedade Americana de Reprodução Assistida e Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Estou ciente de que as amostras que não atenderem aos critérios de armazenamento estabelecidos pela Pro-seed serão por esta descartadas. que os espermatozóides são congelados em nitrogênio líquido (196° negativos) e que são colhidos através da masturbação. ____________________ RG n. salvo se por motivo de caso fortuito ou força maior. de livre e espontânea vontade. que o doador deve manter abstinência sexual e de ejaculação de pelo menos 3 dias e agendar a coleta de sêmen para análise seminal de segunda à sexta-feira das 08:00 às 15:00 e após a aprovação do doador. CLÁUSULA II CONCORDO e ACEITO ser vedado o meu acesso à identidade do receptor e da criança gerada pelo procedimento de fertilização assistida.1 ( ) _____________ Tel._____________.Coleta de amostra de sêmen para análise inicial 2ª Etapa . mantendo pelo menos 3 dias de abstinência sexual e de masturbação. sem nenhum tipo de induzimento ou coação. como por exemplo. as doações podem ser feitas no sábado pela manhã. meu sêmen para o Banco de Sêmen da Pro-Seed. pelo menos. a Pro-Seed. mantendo-se. (Se a cultura seminal apresentar resultado positivo. entretanto. Tipagem sanguínea e eletroforese de hemoglobina. Vera Beatriz Fehér Brand[2]. sendo eles a triagem com um médico urologista com um questionário e exame clínico para posterior assinatura do termo de doação. como Aids. 5ª Etapa .Coleta de 5 amostras de sêmen. Expõe a diretora que há procedimentos que devem ser seguidos. contados a partir da 1ª Etapa. exame de cariótipo e a repetição dos exames de sangue 6 meses após as doações. o que permitirá o retorno do doador às doações) 4ª Etapa . da mesma forma que será preservado o sigilo da minha identidade e privacidade. para fertilização assistida em mulheres em idade reprodutiva após a seleção do sêmen doado. outrossim. graciosamente. sujeitando-me. Como as doações são anônimas e o sigilo deve ser mantido para proteção da identidade dos doadores.º.º. o sigilo de minha identidade e privacidade._______________ Tel. Esclarece ainda. ora doado. Esclarece ainda. É solicitado 6 doações (1 por semana ou uma cada 15 dias). de acordo com os termos da legislação vigente. afirma: O Banco de Sêmen de Doadores Anônimos mantém sêmen de homens que voluntariamente doaram seus gametas para casais cujo marido apresenta infertilidade que não pode ser tratada ou doença hereditária conhecida. as quais comprometo-me e CONCORDO a seguir SEM QUALQUER INTERRUPÇÃO. Estas amostras de sêmen deverão ser colhidas no prazo de 3 meses. que o procedimento de doação é composto das cinco etapas abaixo definidas. sua aprovação e liberação à critério exclusivo da Pro-Seed. é assinado um termo para assegurar tal direito: INSTRUMENTO DE DOAÇÃO VOLUNTÁRIA DE SÊMEN Eu.Coleta de sangue para exames sorológicos e cariótipo. em São Paulo. DECLARO estar doando. Em relação aos doadores anônimos. ao disposto na cláusula IX do presente instrumento particular.Triagem médica 3ª Etapa . Tenho total ciência de que os dados pertinentes à amostra de sêmen por mim doada poderão ser transmitidos ao médicoresponsável por sua utilização. 1ª Etapa . sempre mantendo abstinência sexual e de masturbação como já dito anteriormente. CLÁUSULA I Estou CIENTE e CONCORDO na utilização do sêmen.Coleta de sangue para exames sorológicos 6 (seis) meses após a última doação de sêmen. ________________. Se o doador for aprovado nos exames e na triagem ele deve agendar as doações de sêmen. CLÁUSULA III . HTLV. hemofilia. indicaremos o tratamento adequado. coleta no epidídimo[1] e testículos ou através de estímulos com vibro ou eletro-ejaculação. em caso de interrupção. Declaro-me CIENTE. CPF n.

[. durante o período em que estiver fazendo as doações. Hepatite B. de 11 de novembro de 1992. conjuntamente pela Pro-Seed e o médico-responsável pelo procedimento. inclusive endereço. ainda. CLÁUSULA IX Em caso de INTERRUPÇÃO DO PROCEDIMENTO DE DOAÇÃO. CLÁUSULA X (____) AUTORIZO (____) NÃO AUTORIZO a utilização das amostras criopreservadas em projetos de pesquisa que tenham sido previamente aprovados por Comitê de Ética em Pesquisa. sendo a principal delas quanto à sua identidade preservada. declaro-me ciente de que estarei obrigado a RESTITUIR à Pro-Seed todos os custos e despesas por este incorridos até o momento. sua competência inicial reduzia-se ao registro profissional do médico e à aplicação de sanções do Código de Ética Médica. sobre alterações significativas em meu estado de saúde. CLÁUSULA VI OBRIGO-ME a comunicar à Pro-Seed. as atribuições e o alcance das ações deste órgão estão mais amplas. pois é através dele que o doador terá conhecimento de seus deveres e garantias. é o mecanismo indispensável nas doações de sêmen. CLÁUSULA VIII A omissão voluntária à Pro-Seed de informações concernentes ao uso de drogas.] e hoje. Como trata-se de um assunto que lentamente vem sido discutido e aceitado pelas leis brasileiras. através da Resolução nº 1. 132 do Código Penal Brasileiro.A escolha do receptor e do momento da fertilização assistida. números de telefone. convicto de que a melhor defesa da medicina consiste na garantia de serviços médicos de qualidade para a população. portanto. e outros. o Código Civil vigente .] é um órgão que possui atribuições constitucionais de fiscalização e normatização da prática médica. o doador será excluído desta condição (de doador) após a obtenção de 2 (duas) gestações.. em ser contatado periodicamente para obtenção de informações a respeito de minha saúde e a manter a Pro-Seed informada quanto a quaisquer alterações em meus dados cadastrais. pelo doador. numa área de um milhão de habitantes. estabeleceu normas éticas em relação às técnicas de reprodução assistida.358. email. Através de sua caracterização como um órgão fiscalizador e normatizador com atribuições constitucionais. CONCORDO. salvo se motivada por força maior ou caso fortuito. _____ de _____________ de ________. 5.. principalmente no que se refere às doenças sexualmente transmissíveis. não ser usuário de drogas injetáveis e nem ter tido relações sexuais promiscuas nos últimos seis meses... será exclusivamente determinado. o exercício profissional ético e uma boa formação técnica e humanista. Criado em 1951..3 CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA O Conselho Federal de Medicina (CFM) [3]: [. Hepatite C e Sífilis. CLÁUSULA VII OBRIGO-ME em submeter-me a coleta de sangue para os testes sorológicos para HIV 1 e 2 (AIDS). [. com o mesmo doador. CLÁUSULA IV Considerando-se a orientação da Resolução nº 1358/92 do Conselho Federal de Medicina. extrapolando a aplicação do Código de Ética Médica e a normatização da prática profissional. livremente eleitos pela Pro-Seed. de sexos diferentes. de acordo com a Tabela de Procedimentos vigente à época da interrupção. HTLV 1 e 2. seis meses após a última coleta de sêmen.] o CFM empenha-se em defender a boa prática médica. ____________________________________ Assinatura Tal contrato. doenças sexualmente transmissíveis e hereditárias. São Paulo. CLÁUSULA V DECLARO não ser portador de nenhuma enfermidade conhecida e hereditária. caracterizará o crime previsto no art.

Sendo assim.358 se refere sobre a doação temporária do útero. se a receptora for casada ou viver em união estável. é imprescindível a autorização do marido ou companheiro. o ponto mais polêmico trazido pela Resolução nº 1. como dito anteriormente. onde qualquer intervenção tem que ter o consentimento obrigatório do casal.pouco trás sobre o tema. possuem caráter gratuito e não comercial. Tal resolução trás aspectos importantes quanto à utilização do tratamento da reprodução assistida. A doação de gametas também não. ou seja. Desde então.358 também trás algumas vedações. trazendo também alguns tipos de vedações. O Conselho Federal de Medicina também tratou na Resolução ora discutida. O limite de idade é de 45 anos e não podem ser doadores os médicos responsáveis pela clínica nem integrantes de equipe que nela prestam serviços.Obrigatoriamente será mantido o sigilo sobre a identidade dos doadores de gametas e préembriões. assim como dos receptores. e também vem relatado na referida Resolução em discussão. apud CÂNDIDO. numa área de um milhão de habitantes. na região em que se localiza o centro especializado. em seu artigo 1597. que tem tempo máximo de desenvolvimento de 14 dias. ou também chamada de gestação de substituição. um formulário especial. devem haver o consentimento informado obrigatório tanto para o receptor infértil quanto para o doador.] os filhos devem ter acesso aos dados biológicos do doador para descoberta de possível impedimento matrimonial. de sexos diferentes. mantida sob a égide de um sigilo absoluto. obrigatoriamente. Também consta como regra onde o doador não poderá produzir mais de 02 gestações. o congelamento dos gametas ou pré-embriões. Outrossim. futuramente. Neste formulário. além do consentimento informado. É proibido utilizar as técnicas de reprodução assistida com o intuito de selecionar o sexo ou quaisquer outras características da futura criança. Outra vedação também expressa na Resolução nº 1. As doações devem ser voluntárias. anônimo (heteróloga) ou não (homóloga). além de provas diagnósticas que têm a finalidade de evitar a transmissão de doenças. assegurando primeiramente a saúde do paciente. As técnicas utilizadas devem ter exclusivamente a finalidade de auxiliar casais inférteis somente depois de não existir mais nenhuma outra opção para solucionar a infertilidade. V. estando incluídos os procedimentos médicos e laboratoriais. tratou a Resolução sobre a doação temporária do útero. o doador e o receptor dão total concordância com o procedimento. que não deve ter caráter comercial nem lucrativo. ou também chamada de gestação de substituição. Esta responsabilidade deve ser um dos requisitos mínimos apresentados pelas clínicas. Para que as técnicas de reprodução assistida sejam efetuadas. Sendo totalmente anônima a paternidade biológica. que diz: 3 . ser apresentado um registro permanente onde deve estar relatado todos os procedimentos feitos pelo médico desde a manipulação dos gametas até o nascimento da criança. que será. do médico que realizou a inseminação. 2007): [.358 é quanto ao anonimato dos doadores. É importante também.358 do Conselho Federal de Medicina. as informações sobre doadores. citado anteriormente. p. em relações incestuosas. Assim como já expressa o Código Civil. devem conter cláusulas explicativas e claras. estipulando que as técnicas de reprodução assistida também podem ser realizadas na preservação e tratamento de doenças hereditárias. restando. expõe Júnior (2005. .. isso poderia redundar. tais como também. Tal regra evita que haja os incestos e suas possíveis conseqüências. resguardando-se a identidade civil do doador. Este consentimento deve ser sob a forma de um contrato. informando ao doador e receptor de todas as etapas a serem seguidas. ou seja. Em situações especiais. com a exceção de que tal método possa evitar doenças ligadas ao sexo do futuro filho. podem ser fornecidas exclusivamente para médicos.96. ser regulado pela Resolução nº 1.358 é quanto à responsabilidade civil nestes procedimentos de reprodução assistida. por motivação médica. dentre outros procedimentos. a questão da criopreservação. nada impede que irmãos (filhos nascidos de material pertencente ao mesmo doador) ou mesmo o próprio doador e uma filha contraiam casamento por absoluta ignorância com relação as suas verdadeiras origens. pois em se mantendo esse sigilo de forma absoluta. exames a serem realizados. onde. A Resolução nº 1. e como dito já anteriormente.. Outro ponto importante trazido pela Resolução nº 1. portanto. centros ou serviços que aplicam as técnicas da reprodução assistida. quando se tratar de pré-embriões in vitro. por escrito.

E como a ciência e a tecnologia lida com a vida do ser humano é imprescindível o respeito à dignidade da pessoa humana. sempre está em processo de evolução e mudanças. como são reguladas as técnicas de reprodução assistida fora do Brasil. O Direito como ciência humana e reguladora da sociedade. através de seus princípios e normas. à liberdade e igualdade. A inseminação artificial heteróloga. sendo ele um Estado Democrático de Direito. tem com a criança gerada. O progresso para a vida das pessoas deve atuar sempre de forma positiva e nunca em discordância com o nosso ordenamento jurídico. também deve sempre caminhar lado a lado com estes avanços. que autorizou a inseminação artificial heteróloga. onde se houver casos excepcionais devem ser analisados e autorizados pelo Conselho Federal de Medicina. Na Noruega. p. enfrenta opostamente o direito à intimidade e privacidade do doador de sêmen ao ter sua identidade mantida em anonimato e sigilo. em uma breve comparação. (LOPES. 6. a Resolução nº 1.1 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA A sociedade. caput. vem seguida de uma penalidade de três meses de prisão. a utilizam. onde de modo natural não seria possível ocorrer. suprindo suas necessidades. 2000. III. A Declaração Universal dos Direitos Humanos. se praticada. dos alimentos e da sucessão hereditária.358 é que vem atualmente regulando tais procedimentos. por exemplo. incluindo também as inovações que o Código Civil de 2002 trouxe à reprodução assistida. trás em seu artigo I que “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. da referida Carta Magna. pois futuros questionamentos quanto sua origem genética e biológica são hipóteses naturais de todo ser humano. mas proibida a doação de óvulos que. Avanços tecnológicos e científicos a cada vez mais se aperfeiçoam para que a vida do ser humano possa ser facilitada. da evolução. assim como já expressa também o artigo 5º. Trata também. terceiro a um casal. 586) 6 ASPECTOS JURÍDICOS Os aspectos jurídicos da inseminação artificial consistem na abordagem sobre o princípio da Dignidade da Pessoa Humana como prioridade no direito da personalidade presente na Constituição Federal de 1988. além de utilizar-se de material genético de um doador. A doadora temporária deve ter parentesco até o segundo grau com a doadora genética. Já nos Estados Unidos é permitida a remuneração dos doares do material genético. Deste modo. É interessante abordar também. adequando suas leis para proteger e limitar as ações daqueles que. adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. Outro aspecto relata sobre a paternidade sócio-afetiva que o marido ou companheiro. do choque do direito da personalidade. assim relata Cândido (2006): O ordenamento jurídico brasileiro acolhe diversos direitos humanos constitucionalmente garantidos como direitos fundamentais como forma de proteção ao Princípio da Dignidade da Pessoa Humana. assim interligado com o direito à vida. É exatamente por estes vínculos. que protegem as pessoas envolvidas em procedimentos biotecnológicos como o de aplicação de técnicas de reprodução medicamente assistida heteróloga. sendo uma das principais garantias fundamentais a qualquer ser humano. que a dignidade da pessoa humana deve ser sempre protegida e respeitada. dentre outras fundamentações além do texto constitucional. lida principalmente com a vida de uma criança que está para ser gerada e que posteriormente irá se relacionar com sua família e a ela criar vínculos afetivos.que é realizada quando há algum problema médico que impeça a gestação na doadora genética. . inclusive direitos de quarta geração. por falta de amparo legal sobre as questões relacionadas à reprodução assistida. é permitida a doação de sêmen. assim como todo o meio em que vivemos. E também é na nossa Constituição Federal de 1988 que tal princípio encontra-se elencado no artigo 1º. além dos direitos que o pai biológico e o sócio-afetivo têm perante os instituídos da investigação de paternidade. que protegido pelo princípio da dignidade da pessoa humana e dando à criança o direito de conhecer sua origem biológica. Quanto às técnicas de reprodução assistida e a garantia do princípio da dignidade da pessoa humana.

Portanto. uma vez que atinge diretamente a vida da sociedade. são identificados do mesmo modo do que os adotivos.1. decorrente dela. a atuação do Direito de Família em conjunto com o princípio da dignidade humana é de extrema importância frente às inseminações artificiais heterólogas. a Lei 8069 de 13 de Julho de 1990. que será gerada com a ajuda das técnicas da inseminação artificial. não é necessário haver pai. Entretanto. sendo admitido quaisquer um deles. individualmente. onde se busca substituir as dificuldades dos legisladores e aplicadores da lei. É o princípio fundamental da dignidade da pessoa humana a tradução jurídica do valor da pessoa humana. internet). (2004). pois se trata primeiramente de valores permanentes na sociedade. diante da inexistência de previsão legal ou inadequação desta.Frente a essas dificuldades que a legislação Civil vem enfrentando. como a ética coletiva. quanto à relação dos princípios e da doutrina: O princípio é um reflexo do caráter integral da doutrina dos direitos da criança e da estreita relação com a doutrina dos direitos humanos em geral. (CÂNDIDO. com o princípio da dignidade da pessoa humana. inclusive com liberdade para adotar as técnicas de reprodução assistida. que trará a finalidade ao indivíduo do conhecimento da sua origem biológica. do Código Civil de 2002. ou por adoção. (RIBAS. caput. sendo eles havidos ou não da relação do casamento. a questão da entidade familiar. portanto. encontramos no artigo 227. também estabeleceu a igualdade entre os filhos. Primordial ele se torna. do mesmo modo de que seus pais também tiveram como garantia o direito e a liberdade de fazerem o planejamento familiar. O ECA. Assim. principalmente no Direito de Família. §4º. em especial à reprodução heteróloga. O princípio da dignidade da pessoa humana deve sempre se sobrepor como forma de solucionar os conflitos quando a lei for omissa ou não for capaz de resolvê-los por si só. A Constituição Federal ainda trás a questão da convivência familiar sem se privar somente à questão da origem genética. Assim relata Lôbo. caput. ou seja. Expressa ainda no artigo 226. que advém de valores naturais que fazem parte do Direito Natural. estipulando ainda os deveres da família. onde o planejamento familiar deixou de ser direcionado ao casal e passou a considerar o homem e a mulher. assim como explica Cândido (2007): Por ser o valor da pessoa humana o motivo da existência de um ordenamento é que se deduz que as normas existam em benefício da pessoa. o legislador não pode se olvidar em defender a dignidade da pessoa humana com prioridade. §6º. a serviço de sua dignidade. de que ela tem o direito de saber sua origem biológica. no artigo 226. expõe Balan (2006): Diante do exposto. da Constituição Federal. podendo ser exemplificada no modo mais simplista. não há supremacia de um sobre outro ou outros. estabelecendo. para ser considerada família para efeitos jurídicos. A Política Nacional de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. conforme o artigo 227. §7º. pois é baseando em princípios reguladores das relações familiares. E por equiparação. assim como no artigo 1596. está incluído também o planejamento familiar. conforme já exposto. concernentes sobre a filiação. os filhos havidos da inseminação artificial heteróloga em relação à paternidade não-biológica. Quanto aos direitos fundamentais. (SOEIRO. Dispõe ainda. 2007) A Lei 9263/06 também trouxe o conceito da família monoparental. que além de estar previsto na Constituição Federal vigente. que o regulamenta. porém outros princípios basilares também podem ser usados na defesa dos direitos daqueles que recorrem à tecnologia e à ciência. conforme já explicou o artigo em questão. criado pelo Ministério da Saúde. quanto à proteção destes direitos. Portanto. é relevante pela sua atualidade. 2008). conclui-se que a exploração dos temas referentes à reprodução medicamente assistida. .1 Outras fundamentações Não tão somente fundamenta as questões jurídicas da inseminação artificial heteróloga e as demais técnicas de reprodução assistida. onde em seu artigo 3º também descreve que a criança e o adolescente são detentores dos direitos fundamentais para a dignidade da pessoa humana. da sociedade e do Estado e os direitos da criança e do adolescente. pela busca de um sistema de normas que assegure a realização total das potencialidades humanas e da manutenção de sua dignidade. E é por estes fatores que o princípio da dignidade da pessoa humana deve sempre prevalecer para que dê a garantia a esta criança. a mãe solteira. para adequar a Bioética e. em seu artigo 20. vem também expresso através da Lei 9263/06. segundo a natureza dos princípios. no caso concreto. visam também a garantia dos direitos de reprodução entre homens e mulheres. um vínculo sócio-afetivo. Ainda na nossa Constituição Federal. o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). mãe e filhos. que pode ser formada também por qualquer descendente e qualquer dos pais. devendo a eventual colisão resolver-se pelo balanceamento dos interesses. mas sem ferir o princípio da dignidade da pessoa humana. da Magna Carta. a qualificação de igualdade entre os filhos. a reprodução assistida. 6.

Assim. de onde detinham todos os direitos inerentes à filiação. todavia. era notável a discriminação entre os filhos.. portanto. pois também só eram considerados e aceitos pela sociedade àqueles advindos da consangüinidade. que frente aos conflitos geradores das técnicas da reprodução assistida. do Código Civil de 1916. para a solução dos interesses da criança e de sua família. também está prevista no Código Civil de 2002. aquilo que chamamos de “a passagem do modelo clássico para o modelo contemporâneo de filiação”. expõem Gasparotto e Ribeiro. onde estabelece a presunção da filiação àqueles “havidos por inseminação artificial heteróloga. mas ainda não suficientes. A nossa lei pátria deixou uma lacuna em seu ordenamento civilista se esquecendo de que o avanço biológico e tecnológico hoje é meio essencial de vida para as famílias. uma separação entre os filhos advindos do casamento (legítimos) e os extraconjugais (ilegítimos). (COSTA.Conclui. 6. O atual Código Civil apenas mencionou algumas técnicas de reprodução assistida. como preconizava a proposta codificada de 1916. nos artigos 355 à 367. buscam destes meios para solucionar seus problemas. desquite ou anulação. Não obstante. portanto. porém. a atualização da lei civilista trouxe grandes benefícios à sociedade em relação às evoluções tecnológicas e científicas. o casamento era o único caminho para a constituição da família para assim. está no artigo 1597. O que o novo Código Civil resgata. Destarte observar esta discriminação. 2008). fazer gozo dos direitos do ordenamento. (2008): Quando a verdade biológica se contrapuser à filiação socioafetiva. expõe Ribas. constatando sua existência.] Existem alguns projetos de lei em trâmite no Congresso Nacional sobre a reprodução assistida. que se encontra em fase mais adiantada de tramitação. motivo pelo qual a matéria precisa ser objeto de regulamentação por lei específica [. Como a lei deve sempre estar atenta e caminhar junto com os avanços da humanidade. V.358 do Conselho Federal de Medicina. enquanto a mulher. além de ser regulamentado pela Resolução nº 1. Um dos projetos mais completos é o elaborado pelo Senador Lúcio Alcântara (nº 90/99). o artigo 338. embora alguns de seus dispositivos sejam considerados inconstitucionais. Agora. era responsável pela casa e pelos filhos. que se desfez por morte. 2006). deixou de regulamentá-las. (2007): O novo Código Civil realiza. em vigência.. do Código Civil de 1916. (COSTA. como já abordado anteriormente. a filiação pode decorrer dos meros laços sanguíneos (parentesco natural). ou eleição (parentesco civil). trazendo.358/92 e que devem ser aperfeiçoados. pois ambos são necessários. 2006). sem vacilações. de 1992. consistindo em pequenas variações da Resolução 1. o princípio do melhor interesse da criança. não se pode priorizar um princípio sob o outro. considerava somente parte da filiação legítima àqueles concebidos na constância do casamento. onde as famílias trabalhavam em suas propriedades rurais e de lá tiravam seu próprio sustento. e. com efeito. (2008): As únicas normas existentes estão contidas na Resolução 1. como da pura afeição . deve-se levar em conta dois critérios basicamente: o princípio da razoabilidade / proporcionalidade. esclarece Cândido.358 do Conselho Federal de Medicina. porquanto se deve analisar sobre o sacrifício de qual das hipóteses acima gerará menor prejuízo à criança ou ao adolescente. onde claramente é possível notar que nem se cogitava na possibilidade do reconhecimento dos filhos havidos pela reprodução assistida (GASPAROTTO e RIBEIRO. não possui caráter impositivo ou sancionador em caso de descumprimento de seus preceitos. O instituto da reprodução assistida. em 180 dias após a convivência conjugal ou 300 dias após o fim dela. desde que tenha prévia autorização do marido”. Além disto. que abordavam sobre o reconhecimento dos filhos ilegítimos. E como se trata de um tema que está em constante discussão é fácil encontrar omissões na lei. E em decorrência disso o homem era considerado o “chefe da família”. E por este fator.2 INOVAÇÕES DO NOVO CÓDIGO CIVIL O surgimento do Código Civil de 1916 foi em uma época em que as atividades eram basicamente no campo. que traça os caminhos éticos a serem seguidos pelos médicos. E deste modo. da mera adoção. Esta inovação trazida pelo Código Civil de 2002. é que a filiação pode decorrer de fontes plúrimas e não mais. em conjunto com o ordenamento. subordinada a suas ordens. no capítulo IV. exclusivamente biológica. pautando-se na eqüidade e no sendo de justiça. veio com o intuito de modernizar o Direito de Família. que por alguma razão. Contudo.

conseguirem gerar o tão desejado filho. A questão.) Desse modo. discorre a respeito. apud ALDROVANDI e FRANÇA. José Roberto. mesmo que seja utilizado sêmen de um terceiro doador. alto. em documento de consentimento informado”. Ainda. Pedi algumas vezes que ele fosse o pai. Lílian era separada do ex-marido. do Código Civil de 2002. Que tipo de “pai” você escolheu? Era um banco grande de dados. sem a vontade de enlace matrimonial ou a união estável. p. segundo Moreira Filho. que deve ser usada analogia ao instituto da adoção. na coluna Mulher 7x7. e assim. p. sobretudo pela independência financeira. 2002): Sendo admitida a inseminação de mulheres solteiras. procurou seu ex? Nós continuamos amigos – e sócios. Cada caso é um caso. examinam os antecedentes médicos do doador. Algumas mulheres tentam de tudo e passam por processos dolorosos. Ele se submete a mil exames para ser aprovado e poder doar seu sêmen. “estando casada ou em união estável. que pode a mulher solteira fazer uso de uma técnica de inseminação artificial para satisfazer o seu desejo de ser mãe. é notável a vontade de algumas mulheres que. se a mulher solteira. Marcio Coslovsky. de olhos claros. Fui lá em novembro e engravidei de primeira. morais e psicológicas a serem consideradas. separada. O Einstein tem o histórico de doenças da família do doador. a paulistana Lílian Braga. Tenho consciência de que não é comum. uma vez que.3) Ademais. estava grávida através de um sêmen doado. já que não entrei na menopausa. em trâmite no Congresso. Porém. era o mais natural. não pode pretender identificar o doador anônimo do sêmen. Assim sendo. trás a expressão “desde que tenha prévia autorização do marido”. (. 587): Parece-nos extremamente algoz um código de ética que sacrifique o desejo de uma mulher vir a ser mãe somente porque a mesma não conseguiu lograr um matrimônio.. ao final que: "Isto. no ano passado. Fiquei triste mas não se pode obrigar ninguém a querer ser pai ou mãe. Não conheço os motivos dele. da mesma forma que o faz quem entrega uma criança para adoção ou quem perde o poder-familiar. Ressalta. Escolhi um engenheiro de 37 anos. devendo a criança ser registrada somente em nome da mãe.. Aí. mas não garanto”. (.] Quando você decidiu fazer inseminação. p. Op. o referido autor. de maneira oposta. com propriedade. em 15/07/2009. Sustenta ainda. cabelos castanhos. com a chegada da modernidade e as mudanças nos hábitos culturais. Essa proibição.) A resolução do CFM que normatiza os procedimentos em reprodução assistida menciona que “toda mulher capaz nos termos da lei. Mais ainda. há seis anos e utilizou da técnica da inseminação artificial heteróloga para engravidar: [. é necessário que o casal seja casado. Entretanto. como fica a situação da criança gerada. Nós sabemos apenas as características – . 02. (2006. será necessária a aprovação do cônjuge ou companheiro”. Sei que eles são rigorosos. expõe Venosa.. à época com 53 anos. ou presume-se que vivam em união estável. Em que hospital você buscou o sêmen? No Albert Einstein. feita por uma reprodução independente. atribuir-se ao doador qualquer vínculo de filiação. o ordenamento e a ética médica devem repelir a possibilidade de procriação artificial à mulher não casada ou não ligada à união estável. conheci um médico fabuloso. Moreira Filho (2002. claro. mas a resposta foi não. Como consta na entrevista. Perguntei a ele se daria para engravidar na minha idade. porém... desde que tenha concordado de maneira livre e consciente. Para mim. Ele disse “sim.(parentesco resultante das procriações artificiais). Queria alguém que não fosse gordo porque os genes a gente herda. O inciso V.. em São Paulo. E cabe a elas recorrer a um banco de sêmen para que possam usufruir das técnicas da reprodução assistida. do artigo 1597. ao doar seu sêmen ele abdica voluntariamente de sua paternidade. A mulher solteira pode utilizar das técnicas da inseminação artificial heteróloga? Quanto ao questionamento. divorciada ou viúva praticar livremente a inseminação artificial. especialista em reprodução. o que se faz crer que. separadas ou viúvas. porque ainda não vendemos a Locanda (hotel-restaurante). aliás. morais e éticos das pessoas em sociedade. pois há profundas conseqüências éticas. diz Lopes (2000. já consta de projeto de lei sobre reprodução assistida. não acarretará ao doador quaisquer obrigações ou direitos relativos à criança. fica patente que entende o colegiado elaborador das citadas normas. que." (apud MOREIRA FILHO. cit. que tenha solicitado e cuja indicação não se afaste dos limites desta resolução pode ser receptora das técnicas de RA. em entrevista à Revista Época online. não é de deslinde tão simples com relação ao filho assim concebido. mas podendo no futuro requerer o reconhecimento de seu vínculo genético de filiação biológica. quanto à filiação? Nesses casos não é possível. p. acho que se foi tão fácil é porque era para ser. através da inseminação artificial heteróloga. Essa situação de geração independente do filho pela mulher solteira não pode ser incentivada. porém. 247): Caio Mário da Silva Pereira (1996:117) observa. querem constituir família.

Contudo.] Foi com seu óvulo mesmo? Exatamente. 2006) Destarte observar. Deste modo. fecundado. até mesmo. [. ela é irretratável mesmo quando a sociedade conjugal for desfeita.. seria um motivo a mais a liberação dos dados do doador e sua identidade para que evite. p.] não importa se a reprodução é natural ou medicamente assistida. a questão do conhecimento deste vínculo biológico perante os requisitos dos impedimentos matrimoniais. a dificuldade só tem a aumentar para a solução deste problema. encontra barreiras frente às normas contidas na Resolução do Conselho Federal de Medicina no 1. (2003. O conhecimento da identidade do doador somente serviria para que a criança tomasse conhecimento de sua origem biológica. (MARQUES. uma união incestuosa. como parte integrante dos direitos da personalidade. que “o rigor da lei é importante nesse sentido para que a sociedade não venha enfrentar problemas de difícil solução ética e jurídica no futuro”.] a situação é semelhante à da adoção. o direito ao conhecimento da origem genética não significa necessariamente direito à filiação. este explica: Por fim. não se negará o direito do filho concebido por reprodução assistida heteróloga. 2003. 231. após a inseminação artificial acontecer. Este princípio. 2006): [. pois se trata de vida humana. 2006). Ainda no ponto de vista de Welter.. Porém. 6. a investigação da paternidade serviria para que . que tem o direito de buscar sua origem genética No ponto de vista de Lôbo (2004).3 CONHECIMENTO DA ORIGEM BIOLÓGICA X ANONIMATO DO DOADOR O princípio da dignidade da pessoa humana. problemas estes que envolvam critérios médicos de emergência evitando enfermidades hereditárias.. p. visto que mesmo em se tratando de adoção há possibilidade de se conhecer a origem biológica. se há possibilidade de o filho adotado ver reconhecida sua origem biológica. pois as conseqüências da inseminação artificial heteróloga envolvem crianças. 231. garante também ao indivíduo o direito de conhecer sua origem biológica e genética. e nada mais. apud BALAN. 210. ou quando o material genético do doador conter cargas defeituosas. os filhos e os pais possuem o direito de investigar e. Em caso de interesse do filho o anonimato deveria ser desocultado. antes que o sêmen de um terceiro doador seja implantado dentro do útero da receptora. uma vez que não participou do acordo entre os doadores e os receptores.. como direitos da personalidade. Porém. Meu óvulo foi retirado. ou seja. apud BALAN. dispõe Venosa (2006. E se a lei deixar brechas.. Costa e Falavigna (2002. como parte integrante de seus direitos de cidadania e dignidade da pessoa humana. Além de prevenir doenças que são transmitidas pela herança genética. com a autorização do marido ou companheiro. é notável a omissão da lei quanto à questão da inseminação artificial heteróloga em mulheres solteiras.358/92. Este sigilo tão importante e frisado à todo momento tem como causa a relação que a criança terá com sua família bem como sua integração no meio de modo que possa a evitar a intervenção de pessoas estranhas aos laços e assim impedir que haja uma má formação criando uma visão discriminatória da sociedade perante à criança. p. 245). e seu direito à intimidade e à privacidade perante à criança que vai ser gerada..não sabemos quem é. ou seja. p. quando utilizado para a finalidade da descoberta da origem. p. 88. Nesse caso a legislação é clara de negar qualquer relação jurídica entre o filho dado em adoção e os pais biológicos. (BRAUNER. o mesmo ocorre para os que nasceram de fecundação artificial heteróloga. com o desejo de descobrir de onde vieram suas características físicas e pessoais.. onde a dignidade deve ser preservada. 2006): [. (2003. em primeiro lugar. só pode ser revelada em casos excepcionais.. 2003) Essa identidade do doador. apud BALAN. nunca para negá-lo. [. A origem genética apenas poderá interferir nas relações de família como meio de prova para reconhecer judicialmente a paternidade ou maternidade. de que é titular cada ser humano. ou para contestá-la. que sejam indispensáveis à sua saúde. que posteriormente irão questionar sua origem. como já tratado em tópico anterior. negar a paternidade biológica. pois ela é relacionada durante a sua constância e não tem efeitos se ela acabar (GASPAROTTO e RIBEIRO. discorrem à respeito sobre a vedação do acesso às origens biológicas sob pena de violar a dignidade humana e integridade. Em qualquer caso. por exemplo. 2008). pois há somente permissão legal para utilizar as técnicas da reprodução assistida àquelas que forem casadas ou que viverem em união estável. Sua natureza é de direito da personalidade.] É considerável que casos como o citado à cima podem ser comuns entre as mulheres que desejam engravidar e não têm um marido ou companheiro. Esta autorização pode ser revogada até o momento da inseminação artificial. apud BALAN. quanto ao anonimato do doador. porém. se não houver estado de filiação constituído. e depois recolocado. sendo omissa em relação às inseminações heterólogas. Para Welter.

o incesto pudesse ser impedido. receptores. para Lôbo (2004): [. (RIBAS. também tem.4 PATERNIDADE SOCIO-AFETIVA Com o surgimento das técnicas de reprodução assistida. Assim trazem Negrão e Gouvêa.. não pode haver conflito com outro que ainda não se constituiu. 2006): [. não é impedimento para que. assim como um que nasceu das relações sexuais. Os filhos advindos da técnica da inseminação artificial heteróloga. Entretanto. 2006). Entende ainda. no Estatuto da Criança e Adolescente. sendo o único titular de interesse legítimo para descobrir suas origens. a inseminação artificial heteróloga. pois no momento em que assina o termo e faz a doação. no Direito de Família. 2008). e com o advento da inseminação artificial heteróloga. além de chegar ao conhecimento de sua ancestralidade.] o estado de filiação de cada pessoa humana é único e de natureza socioafetiva. inclusive. apud BALAN. desenvolvido na convivência familiar. §6º. (GASPAROTTO e RIBEIRO. independentemente de ter sido ou não o procriador genético”. passa a ter a paternidade sócio-afetiva em relação à criança que vai nascer. no futuro. o direito de saber sua origem biológica. prevê a investigação da paternidade a qualquer tempo. constitui fundamento essencial da atribuição de paternidade ou maternidade”. Diante o exposto em questão. 2006). 2008). podendo a pessoa ter acesso às informações sobre toda a sua história sob o prisma biológico para o resguardo de sua existência. foi banida pelo Código Civil de 2002. o pai da criança é o marido da mãe. E assim. (2006. ainda que derive biologicamente dos pais. à privacidade e à intimidade. 2008). que “o estado de filiação. devendo. p. os direitos e deveres que dela são decorrentes. Mesmo depois de já formado o vínculo civil entre a criança gerada pelas técnicas da reprodução assistida e seus pais. Portanto. o marido que autoriza sua esposa a realizar tal técnica. relata Rodrigues. diante dos fatores genéticos. gerando presunção absoluta ou relativa de paternidade no que tange ao . no sentido de consentir no ingresso deste nascituro na sua família”. que a paternidade sócio-afetiva é o “liame específico. e assim mesmo promove a perfilhação. Porém. mesmo com sua identidade sigilosa. Também conceitua Lôbo (2004). p. (2003. eventualmente. p. em especial. dar à criança que foi gerada pela inseminação artificial heteróloga. e com o anonimato do pai biológico. que decorre da estabilidade dos laços afetivos construídos no cotidiano de pai e filho. quem nuptiae demonstrat. que “a inseminação artificial é totalmente antagônica a esta idéia. (RIBAS. pelo risco da situação jurídica matrimonial) juridicamente qualificada. 6. pois nela o marido tem certeza absoluta que não é o pai biológico. (RIBAS. A expressão pater ist est. que expressa a igualdade de direitos e qualificações dos filhos. O doador. Na visão de Gama. 316). com a proteção contra possíveis doenças hereditárias. A necessidade do anonimato é essencial ao doador do material genético. “presume-se pai o marido da mãe que age e se apresenta como pai. só não faz jus ao cargo familiar e nem goza dos direitos e deveres decorrentes à paternidade. (2006. da Constituição Federal de 1988. Há também entendimento de que o direito ao conhecimento da verdade genética pode ser fundamentado através do artigo 227. (BALAN. onde também caberia ao doador o direito de investigar. hoje é considerada também a paternidade como sócio-afetiva..] o anonimato das pessoas envolvidas deve ser mantido.. que doou o sêmen para a fertilização. 803. diante do reconhecimento pelo Direito brasileiro dos direitos fundamentais à identidade. podem ser comparados aos filhos adotivos. 345). na maioria dos casos. ou seja. venha a conhecer a paternidade biológica. E atualmente. sem que os parentes saibam deste vínculo entre si. esta criança diante de real necessidade. ele está abrindo mão da paternidade. o anonimato da identidade do doador pode gerar uniões incestuosas. (LÔBO. mas devem ceder à pessoa que resultou da técnica concepcionista heteróloga. este sigilo não deve ser absoluto. assim como diz Fernandes. 2008). o Enunciado 104 do Conselho de Justiça Federal: No âmbito das técnicas de reprodução assistida envolvendo o emprego de material fático da relação sexual é substituído pela vontade (ou. portanto. pois como já dito anteriormente. que une duas pessoas em razão do parentesco ou de outra fonte constitutiva da relação de família”.. (2008). pois atualmente a relação sexual não é mais a única forma de se constituir família. não perde a classificação de pai biológico.

A certeza. 2006. para valer-se do direito de conhecer o pai biológico. 326). este manteve o regime adotado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. em como qualquer pretensão de cunho patrimonial . Redator para Acordão: Walda Maria Melo Pierro. O parentesco genético é “apagado” da vida da criança assim como todos os vínculos com sua família biológica. II – se a concepção do filho reclamante coincidiu com o rapto da mãe pelo suposto pai. 438. Assim. 363: I – se ao tempo da concepção a mãe estava concubinada com o pretendido pai. III – se existir escrito daquele a quem se atribui a paternidade. porém com algumas restrições. no antigo Código Civil de 1916. era proibido a investigação de paternidade (RODRIGUES. (RODRIGUES. Posiciona-se. ou seja. por maioria. pensão alimentícia e herança do pai genético.1 Investigação e Negatória de Paternidade A investigação de paternidade. na Constituição Federal de 1988. tendo como embasamento o artigo 227. a igualdade entre os filhos. sem prejuízos psíquicos. §5º e §6º do texto constitucional. Assim também. por ter o direito de conhecer sua identidade biológica e também para se prevenir de doenças hereditárias e evitar uniões incestuosas. 324). E assim. O direito à apuração do verdadeiro estado de filiação biológico torna imprescritível a investigatória de paternidade. logo esta regra pôde ser modificada com o advento da Magna Carta em 1988 que trouxe em seu artigo 227. nem gera o direito de reivindicar nome de família. No artigo 363. Assim. mantendo livre a propositura para a investigação da paternidade. reconhecendo-a expressamente. a criança gerada pela inseminação heteróloga. e em determinadas circunstâncias a paternidade sócio-afetiva deverá prevalecer. nem responsabilidade civil do doador.. pode-se dizer que àqueles que nasceram pelas técnicas da inseminação artificial possuem os mesmos direitos que àqueles que foram adotados. 2006. e dava legitimidade somente aos filhos naturais entre os ilegítimos. não poderá pleitear o estabelecimento de relação de parentesco. p. (RODRIGUES. 312). sem que isso guarde relação com sua idade. até porque se fosse. A criança. 2006. para que ela possa interagir com os pais sócio-afetivos e assim fazer parte como um todo da nova família. p. Porém. pode somente investigar a identidade do pai biológico. aquele que doou o sêmen. e se estivesse fora dessas situações. em 2002. no reconhecimento voluntário e nas inseminações artificiais heterólogas. (RODRIGUES. o que não se confunde com o direito à filiação. Para efeitos patrimoniais e alimentares. (segredo de justiça) (Apelação Cível Nº 70009550500. Julgado em 23/02/2005). como na adoção. p. (RODRIGUES.. contudo. havidos ou não do matrimônio. p. A paternidade é um conceito de diversas colocações.4.] a criança gerada através de reprodução heteróloga tem direito apenas a sua identidade genética. Com a atualização do Código Civil. independendo da origem do filho. §6º. apud RIBAS. 327). 2008): [. porém de filiação socioafetiva entre o investigante e seu pai registral afasta a possibilidade de alteração do assento de nascimento do apelante. do referido Código. sem restrição. fruto da inseminação artificial heteróloga. a investigação de paternidade não é admitida em desfavor do doador. Diniz (2005. Tribunal de Justiça do RS. Assim já decidiu a Sétima Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. SENTENÇA DESCONSTITUÍDA.. não haveria ninguém disposto a doar pelo medo de ser sujeito passivo de milhares de ações do tipo. que trata a adoção como escolha afetiva. ou suas relações sexuais com ela. dependendo da manifestação expressa (ou implícita) de vontade no curso do casamento. este passou a poder investigar sem qualquer restrição. sobretudo para se prevenir de moléstias congênitas e evitar o incesto. p. pois pode se dar de várias formas. mesmo sendo o filho natural. que trata do direito personalíssimo ao reconhecimento da filiação. INVESTIGATÓRIA DE PATERNIDADE CUMULADA COM PETIÇÃO DE HERANÇA. A instrução deverá prosseguir unicamente com o fito de esclarecer a questão da origem biológica. 324). doador do . por analogia.marido da mãe da criança concebida. p. No Brasil. 6. Deram provimento à apelação. era admitida. o mesmo dispositivo pode ser encontrado no Estatuto da Criança e do Adolescente nos termos do artigo 27. 2006. trazia algumas regras taxativas em seus incisos com os casos em que se permitia investigar a paternidade. Relator Vencido: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves. também deve ser com a criança nascida pelas técnicas da inseminação artificial heteróloga. Sétima Câmara Cível. 2006. Senão vejamos: Art. permitindo o conhecimento da real origem da pessoa. Em vista disso.

Rel. p. decorrem os mesmos efeitos jurídicos dos arts. inciso V. que assegura “o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante. Em virtude disso. p. Trazem. somente legaliza a inseminação artificial heteróloga quando esta tiver prévia autorização do marido. (TJSP. cuja paternidade configura presunção absoluta. Quanto às regras de reprodução assistida. d) as relações de parentesco com os parentes dos pais afetivos. no mesmo sentindo. Geralmente nestes casos. manifesta Silva.Sentença mantida . 2008). i) o direito de visitas etc. Para mais. Logo. do Código Civil atual. da Constituição Federal de 1988. MANIFESTAÇÃO VOLITIVA. PREPONDERÂNCIA. esta pode utilizar. estaria sendo abandonado pelo pai que considerava ser.Desacolhimento Inexistência de vício de consentimento . a despeito de saber que não era o pai biológico da criança . 39 a 52 do ECA. pois prevalece a presunção de paternidade. Negrão e Gouvêa. 1597. Até porque. f)a herança entre pais. o Enunciado 258 do Conselho de Justiça Federal: Não cabe a ação prevista no art. impediria a retirada de eficácia do ato realizado. pois há época do registro. 2006). constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público”. também já decidiu a Nona Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo: Ementa: Ação negatóna de paternidade .04. não assiste o direito de infirmar a paternidade. 1597. mesmo sabendo não ser o seu pai biológico. 10/06/2009).Relação entre pai e filho que não se rompe com a separação da genitora e do autor . o entendimento que vem prevalecendo em casos como esses é o de ser impossível à desconstituição da paternidade. V do art. Assim.Improcedência . seria descabido a retirada do nome do pai sócio-afetivo da certidão de nascimento do filho. (2004): Uma vez julgada procedente a ação de investigação de paternidade e/ou maternidade socioafetiva. desde que tenha prévia autorização do marido”. previsto no artigo 5º.040675-5/001. ele não poderá negar a paternidade alegando que não é o pai biológico e nem poderá ser admitida a investigação de paternidade. contudo. os efeitos criados também na vida do filho sócio-afetivo com o desligamento da paternidade. apud BALAN. Neste sentido. que “o reconhecimento é irrevogável. (LÔBO. E deste modo explica Rodrigues (2006. 2004). do remédio constitucional hábeas data. g) o poder familiar h) a guarda e o sustento do filho ou pagamento de alimentos. o pai sócio-afetivo vier a se separar da mãe. pois além de não se conhecer o pai biológico. PATERNIDADE SÓCIO-AFETIVA. 2003. após o transcurso de vários anos e o estabelecimento de fortes laços sócioafetivos entre as partes. explica ainda Filha (2008): No entanto. 803. filho e parentes sociológicos. com a realização do casamento: “Art. advinda deste. principalmente. e) a irrevogabilidade da paternidade e da maternidade sociológica. ERRO. o problema que é gerado se. 321). que são aplicados à adoção. já decidiu a Sexta Câmara do Tribunal de Justiça de Minas Gerais: EMENTA: AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE. “a”. quais sejam: a) a declaração do estado de filho afetivo. em vista disso. p. se o marido autorizou a inseminação. também. mesmo quando estiver expresso em testamento. c) a adoção do nome (sobrenome) dos pais sociológicos.Recurso desprovido.sêmen. (2006. Apelação Cível n° 1. Pater is est. INEXISTÊNCIA. o fato de que o conhecimento da realidade. do Código Civil de 2002. em atenção à primazia dos interesses do menor. o pai deseja a desconstituição de seu nome no registro de nascimento do filho como forma de se livrar das obrigações. registra alguém como filho. autorizada pelo marido nos termos do inc. impedindo o arrependimento”. tendo em vista. 1601 do Código Civil se a filiação tiver origem em procriação assistida heteróloga.Autor que reconheceu espontaneamente a paternidade. por ato voluntário. ou seja. Em tal hipótese deve prevalecer a paternidade sócio-afetiva sobre a biológica. geraria transtornos graves. (GAMA. . Àquele que. de acordo com o artigo 1610. 06/02/2009).0481. a falta de descendência. Vale ressaltar. o mesmo tinha pleno conhecimento sobre a aceitação da paternidade. além do que consentiu para que sua mulher realizasse a inseminação artificial heteróloga. b) a feitura ou a alteração do registro civil de nascimento. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos: V .Inconformismo . Contudo.Prevalência da relação socioafetiva sobre o vínculo biológico . ele tem a paternidade sócio-afetiva em relação à criança.havidos por inseminação artificial heteróloga. (TJMG. Apelação com Revisão nº 6339894800. 345). no artigo 1597. Maurício Barros. Rel. (FILHA. Grava Brazil. com o mesmo fundamento. REGISTRO. LXXI. Portanto.

abrangendo. e logo houver a inseminação artificial heteróloga e. ao respeito. assim como vai dar seu nome a ela e encarregar de assumir seus deveres perante os direitos fundamentais que ela terá. até poder ter a titularidade dos bens herdados. Se aquele que consentiu. após reconhecido o vínculo sócio-afetivo e em decorrência das necessidades e possibilidades de sustento da família. (GASPAROTTO e RIBEIRO. habitação. (2006): A paternidade é muito mais que o provimento de alimentos ou a causa de partilha de bens hereditários. ainda que não seja o genitor. da III Jornada de Direito Civil. que trata da vocação hereditária. ganha importância a disposição contida no seu art. (SILVA. foi com o artigo 1798. deve-se observar se há o vínculo de parentesco. conforme art. direito-dever. 229. 2008): A regra do art. àquele que nasceu de uma inseminação artificial heteróloga. não tem responsabilidades patrimoniais nem alimentares perante a criança que nasceu. a vocação hereditária da pessoa humana a nascer cujos efeitos patrimoniais se submetem às regras previstas para a petição de herança. onde dá o direito de suceder aos que já estão concebidos. este marido vier a falecer. 1798 do Código Civil deve ser estendida aos embriões formados mediante o uso de técnicas de reprodução assistida. esta terá os direitos sucessórios garantidos até nascer. e o fez por livre e espontânea vontade. Portanto. possa reivindicar. Isto posto. portanto.1. na Inglaterra. à profissionalização.Observa-se. portanto. para o Direito. garante ao filho sócio-afetivo que participe da vocação hereditária. Assim trata o Enunciado nº 267. visto a família eudemonista recepcionada pela Carta Magna. assistência médica. portanto. a Agência de Proteção à Criança da . 374). 2008). que uma pessoa fornece à outra com a finalidade de suprir o necessário ao seu sustento. espelhando o espírito de colaboração que se assenta no interior de qualquer espécie familiar. à cultura. O fundamento da igualdade dos filhos. do Código Civil de 2002. Sendo assim.4. (RODRIGUES. Os embriões excedentes não são incluídos nesta regra por não existir a presunção de paternidade. 2006. 227 da Constituição). doador do sêmen. à alimentação. Nesse sentido. vestuário. assume automaticamente a responsabilidade paternal pela criança que vai nascer. antes do nascimento da criança. se houve a autorização do marido. seus direitos de suceder o pai sócio-afetivo. os alimentos é direito essencial para que. explica Silva. Os requisitos básicos para que se possa determinar a fixação dos alimentos. a família existe enquanto local onde persiste a reciprocidade. através da inseminação artificial. construída na relação afetiva e que assume os deveres de realização dos direitos fundamentais da pessoa em formação "à vida. Em matéria de Direito Comparado. consistem nas prestações em dinheiro ou espécie. 1694. CJF (apud GASPAROTTO e RIBEIRO. Os alimentos. tem o direito de pedir alimentos ao filho. afetivos. o pai biológico. os filhos maiores têm o dever de ajudar os pais na velhice. a condição financeira do alimentante e a real necessidade do alimentado. do Código Civil vigente. conforme já explicado anteriormente. uma vez que atribui à prole o dever de amparo e assistência aos pais. É pai quem assumiu esses deveres. Outra inovação do Código Civil de 2002. à dignidade. (2004): No tocante aos filhos menores. caput. à educação. o casal garantiu que ele não seria responsável por nenhuma prestação financeira ou pessoal com a criança. para o desprovimento da desvinculação da paternidade entre o pai e o filho. todos os meios para que o alimentado possa viver de acordo com suas necessidades. que em sua velhice. Deste modo.1 Questões alimentícias e sucessórias Conforme já exposto anteriormente. mais do que suficiente. 6. ou seja. conforme permitido em lei. Tal critério deve ser observado pelo binômio da necessidade-possibilidade. à saúde. Conclui. As questões sucessórias e alimentícias serão tratadas perante o pai sócio-afetivo. Também é recíproco ao pai sócio-afetivo. é dever dos pais zelar pela sua assistência. 2006). A paternidade é múnus. mesmo que conhecido. tendo. criação e educação e. chamado Andy Bathie. em vigência. depois de ter cumprido com suas obrigações paternas. assim. de acordo também com o artigo 2º. que o fator da existência da paternidade sócio-afetiva é motivo. no momento da abertura da sucessão. à liberdade e à convivência familiar" (art. p. Porém. ao lazer. e segundo ele. Lôbo. adquiridos principalmente na convivência familiar durante a infância e a adolescência. Envolve a constituição de valores e da singularidade da pessoa e de sua dignidade humana. foi contratado por um casal de mulheres homossexuais para ser doador de esperma. inversamente. um bombeiro de 37 anos. a inseminação do material genético de terceiros em sua esposa. presente no texto constitucional.

A evolução dos tempos também trouxe essa facilidade para a humanidade. todos têm o direito de saber a real verdade sobre sua origem. com amparo legal da Constituição. Certo é de que. morais e éticas na vida das pessoas sempre foram muito fortes. mas antes era reprimida pelos valores morais que a sociedade impunha e acabava se tornando discriminatória e recolhida. pelo fato do doador estar em anonimato. A afetividade sempre existiu desde os primórdios de vida na Terra. o que influencia cada vez mais o direito de ter uma família além de todos aqueles sentimentos necessários para seu bem-estar. pois futuramente. pelo método natural. ou tão somente para saber sua origem. sempre buscando os melhores interesses para a criança e o adolescente. a pagar pensão alimentícia aos filhos que nasceram através de sua doação. la posibilidad de pension alimentícia ante el donador (padre biologico). não pode ter sua identidade revelada. ela se torna voluntária pelo desejo da convivência familiar. Os efeitos que são gerados com o nascimento daqueles advindos pela inseminação artificial heteróloga são diferentes e mais delicados se comparado com os gerados naturalmente. O consentimento do marido à sua esposa em autorizar que ela insemine material genético de um terceiro anônimo deve ser dotado de certezas. Joel L. la cuestión de la paternidad sócio-afectiva y el análisis sucesoria y patrimonial con el posible derechos de los hijos concebidos por inseminación artificial heterologa y también em relación a las condiciones socio-afectivo de los padres. 05 de Janeiro de 2008). também. Destarte concluir que. a criança gerada pela inseminação artificial heteróloga somente poderá ter acesso à identidade de seu pai biológico. decidiu que a receptora. Ninguém participa do acordo de vontade em ser gerado. entrou em contato com o bombeiro e o obrigou a pagar pensão alimentícia às duas crianças. As pessoas estão sempre em busca da felicidade exatamente por terem a liberdade que não tinham no passado. quando estiver sofrendo risco de grave moléstia hereditária. Ivonne V. a sócio-afetiva. atualizado às 09:43). não iriam conseguir. pois trata de questões moralmente ainda discutidas. (Notícias do site Terra. e exatamente por este fator. E com o afeto reconhecido pelo ordenamento jurídico. Há muito mais em jogo do que se imagina ter.Grã-Bretanha. McKiernan. Ferguson. as técnicas de reprodução assistida puderam ser inseridas no ordenamento jurídico brasileiro com a finalidade de regular o avanço da ciência que beneficia a sociedade. por ser um tema que interfere na vida e na dignidade da pessoa humana. o que faz ainda divergir muitos posicionamentos quanto ao direito de saber sua origem e a preservação da identidade daquele que doa para ajudar. 04 de dezembro de 2007. com o mundo moderno. a Justiça liberou o doador de esperma. (Jus Brasil Notícias. discutiendose sobre el choque de los hijos de conocer su origin biológico y del sigilo de los donadores al banco de semen. Por outro lado. não se pode proibir o direito de conhecer de quem se foi gerado. 7 CONCLUSÃO Com o advento da Constituição Federal de 1988 juntamente com o Código Civil de 2002. la seguiente . na Pennsylvania. será dada ao pai que vai criá-la. pois o parentesco civil também tem o mesmo amparo legal do parentesco consangüíneo. Contudo. Hoje. Àqueles que fazem doação de outra forma a não ser anônima. pois envolvem a curiosidade pela origem biológica que nem sempre poderá ser revelada. As técnicas da inseminação artificial heteróloga causam muita polêmica na atualidade e será tema para discussão ainda por muito tempo. RESUMEN Con la presente pesquiza pretendese conocer las posibilidades juridicas cuanto al instituto de las acciones de reconocimiento del vinculo biológico y los principios que la rigen en relación a los hijos generados por inseminaciones artificiales heterólogas. que deu esperança àqueles que. 07:34. torna cada vez mais fácil e mais motivadora a busca pelos sonhos daqueles que. com o intuito de ajudar às pessoas com dificuldades férteis. A paternidade sócio-afetiva que existirá também deve ser levada a sério. Ninguém pode negar que as técnicas de reprodução assistida foi um marco tecnobiológico muito forte e de grande repercussão social. Os efeitos da real paternidade. Assim como. são legalmente considerados pais. Porém. tal regulamento ainda é bastante deficiente. pois na Inglaterra só exime desta responsabilidade os doadores anônimos que doam para clínicas especializadas. aquele que buscou um banco de sêmen. não poderiam realizar o sonho da paternidade e da maternidade. não poderia voltar atrás da decisão que eximia Joel de qualquer responsabilidade perante às crianças geradas através de seus espermatozóides. ele não pode ser desfeito. A mais alta Corte. e nada mais. é preciso ter cuidado quando se lida com a vida de alguém que não poderá participar deste acordo de vontades. se utilizassem do modo natural. pois as influências religiosas.

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