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04 - Editorial

:
Octávio Carmo

28 - Consistório: o rito

06 - Anúncio do Consistório

30- Radiografia do Colégio de
Cardeais

09 - Carta aos novos cardeais

48 - Saudações a D. Manuel
Clemente

10 - Origens do Colégio Cardinalício
52 - D. Arlindo Furtado, Cabo Verde
14 - Biografia do patriarca de Lisboa
55 - D. Júlio Langa, Moçambique
16 - Entrevista:
D. Manuel Clemente

56 - Cardeais portugueses: história
70 - Reforma da Cúria Romana

Foto da capa: D.R.
Foto da contracapa: Agência ECCLESIA

AGÊNCIA ECCLESIA
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Roma, Lisboa e o mundo

Octávio Carmo
Agência ECCLESIA

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O segundo consistório do atual pontificado
reveste-se de uma importância particular para a
Igreja Católica em Portugal, ao confirmar a já
secular tradição da criação cardinalícia do
patriarca de Lisboa. A missão agora confiada a
D. Manuel Clemente pelo Papa Francisco vai
para além, no entanto, de um gesto mecânico, e
pode ser lida à luz da preocupação com as
periferias geográficas e existenciais que o atual
pontífice tem vindo, repetidamente, a manifestar.
Ao criar 15 cardeais eleitores de 14 países dos
cinco continentes, Francisco reforça a sua
intenção de universalizar o Colégio Cardinalício embora ainda existam mais eleitores italianos do
que de toda a América Latina e Caraíbas - e
confirma que o seu modelo de governo não é o
de uma multinacional, que procura centralizar
poderes e espaços de decisão: pelo contrário,
são os que estão na linha da frente da ação da
Igreja Católica, em todas as culturas e nos mais
variados pontos do globo, que têm a missão de
apresentar caminhos, experiências, para que as
decisões não nasçam sem referência à realidade
concreta. Para o Papa, o verdadeiro poder é
serviço e, nesse contexto, o cardinalato não é,
obviamente, um prémio, mas uma ‘vocação’, um
chamamento para contribuir mais de perto no
serviço de unidade que o Bispo de Roma
desempenha.
A nomeação do patriarca de Lisboa não foge a
esta lógica, pelo contrário: Portugal é uma das
periferias da Europa e sofre, ainda hoje, com
essa

circunstância. A presença histórica
do catolicismo no nosso país revela,
por outro lado, o ‘poder das
periferias’: este pequeno país foi
capaz de ultrapassar aquilo que as
suas forças poderiam fazer supor,
levando o Evangelho a milhões de
pessoas, em muitos casos pela
primeira vez.
Simbolicamente, o Papa escolhe
ainda como cardeal um bispo de
Cabo Verde, D. Arlindo Furtado,
vindo do que poderíamos designar
como “periferia das periferias”,

confirmando o dinamismo deste
legado lusófono nos vários
continentes, a que se soma a
criação cardinalícia de D. Júlio
Langa, bispo emérito de Xai-Xai, em
Moçambique.
Francisco mostra, cada vez mais,
que a renovação em curso não se
quer limitar a operações cosméticas,
mas é interior, de atitude,
questionando toda a Igreja Católica
sobre o que deve ser e como deve
estar no século XXI, fiel à sua
identidade.

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Anúncio do Consistório

Os novos Cardeais são:
1 – D. Dominique Mamberti,
Arcebispo Titular de Sagone,
Prefeito do Supremo Tribunal da
Assinatura Apostólica.
2 – D. Manuel José Macário do
Nascimento Clemente, Patriarca de
Lisboa (Portugal).
3 – D. Berhaneyesus Demerew
Souraphiel, C.M., Arcebispo de Adis
Abeba (Etiópia).
4 – D. John Atcherley Dew,
Arcebispo de Wellington (Nova
Zelândia).
5 – D. Edoardo Menichelli,
Arcebispo de Ancona-Osimo (Itália).

Como já foi anunciado, no próximo
dia 14 de Fevereiro terei a alegria
de realizar um Consistório, durante
o qual nomearei 15 novos Cardeais
que, provenientes de 13 nações de
todos os continentes, manifestam o
vínculo inseparável entre a Igreja de
Roma e as Igrejas particulares
presentes no mundo.

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No domingo 15 de Fevereiro
presidirei a uma solene
concelebração com os novos
Cardeais, e nos dias 12 e 13
realizarei um Consistório com todos
os Purpurados para ponderar sobre
as orientações e as propostas para
a reforma da Cúria Romana.

10 – D. Francesco Montenegro,
Arcebispo de Agrigento (Itália).
11 – D. Daniel Fernando Sturla
Berhouet, S.D.B., Arcebispo de
Montevideu (Uruguai).
12 – D. Ricardo Blázquez Pérez,
Arcebispo de Valladolid (Espanha).
13 – D. José Luis Lacunza
Maestrojuán, O.A.R., Bispo de David
(Panamá).
14 – D. Arlindo Gomes Furtado,
Bispo de Santiago de Cabo Verde
(Arquipélago de Cabo Verde).
15 – D. Soane Patita Paini Mafi,
Bispo de Tonga (Ilhas Tonga).

6 – D. Pierre Nguyên V?n Nhon,
Arcebispo de Hà Nôi (Vietname).
7 – D. Alberto Suárez Inda,
Arcebispo de Morelia (México).
8 – D. Charles Maung Bo, S.D.B,
Arcebispo de Yangon (Myanmar).
9 – D. Francis Xavier Kriengsak
Kovithavanij, Arcebispo de Bangkok
(Tailândia).

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Carta do Papa aos novos Cardeais
Além disso, unirei aos Membros do
Colégio Cardinalício 5 Arcebispos e
Bispos Eméritos, que se
distinguiram pela sua caridade
pastoral no serviço à Santa Sé e à
Igreja. Eles representam muitos
Bispos que, com a mesma solicitude
de pastores, deram testemunho de
amor a Cristo e ao Povo de Deus
quer nas Igrejas particulares, quer
na Cúria Romana, quer no Serviço
diplomático da Santa Sé. Eles são:

5 – D. Júlio Duarte Langa, Bispo
Emérito de Xai-Xai.
Oremos pelos novos Cardeais a fim
de que, renovando o seu amor a
Cristo, sejam testemunhas do seu
Evangelho na Cidade de Roma e no
mundo e, com a sua experiência
pastoral, me assistam mais
intensamente no meu serviço
apostólico.
Vaticano, 4 de janeiro de 2015

1 – D. José de Jesús Pimiento
Rodríguez, Arcebispo Emérito de
Manizales.
2 – D. Luigi De Magistris, Arcebispo
Titular de Nova, Pró-PenitenciárioMor Emérito.
3 – D. Karl-Joseph Rauber,
Arcebispo Titular de Iubaltiana,
Núncio Apostólico.
4 – D. Luis Héctor Villalba,
Arcebispo Emérito de Tucumán.

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Papa Francisco

Querido irmão!
Hoje foi publicada a tua designação
como Cardeal da Santa Igreja
Romana. Chegue a ti a minha
saudação com a garantia da minha
oração. Peço ao Senhor que te
acompanhe neste novo serviço, que
é um serviço de ajuda, apoio e
proximidade especial à pessoa do
Papa e para o bem da Igreja.
E precisamente em vista de exercer
esta dimensão de serviço o
cardinalato é uma vocação. O
Senhor, através da Igreja, chama-te
mais uma vez a servir; e far-te-á
bem ao coração repetir na oração a
expressão que o próprio Jesus
sugeriu aos seus discípulos para
que se mantivessem em humildade:
«Dizei: “Somos servos inúteis”», e
não como fórmula de boa educação
mas como verdade depois do
trabalho, «quando terminastes tudo
o que vos foi ordenado» (Lc 17, 10).
Manter-se em humildade no serviço
não é fácil quando se considera o
cardinalato como um prémio, o
ápice de uma carreira, uma
dignidade de poder ou de distinção
superior. Eis o teu compromisso
diário para manter longe estas
considerações e,

sobretudo, para recordar que ser
Cardeal significa incardinar-se na
Diocese de Roma para dar
testemunho da Ressurreição do
Senhor e dá-lo totalmente, até ao
sangue se necessário.
Muitos alegrar-se-ão por esta tua
nova vocação e, como bons
cristãos, festejarão (porque é
próprio do cristão rejubilar e
festejar). Aceita-o com humildade.
Faz só de modo que, nessas festas,
não se insinue o espírito de
mundanidade que embriaga mais do
que a aguardente em jejum,
desorienta e separa da cruz de
Cristo.
Então, ver-nos-emos a 14 de
fevereiro. Prepara-te com a oração
e um pouco de penitência. Tem
muita paz e alegria. E, por favor,
peço-te que não te esqueças de
rezar por mim.
Jesus te abençoe e a Virgem Maria
te proteja.
Fraternalmente,
Vaticano, 4 de janeiro de 2015
Francisco

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Nas origens do Colégio Cardinalício
A História dos cardeais começa por
estar ligar ao clero de Roma e já
vem de longe: o título de cardeal foi
reconhecido pela primeira vez
durante o pontificado de Silvestre I
(314-335). O termo vem da palavra
latina cardo/cardinis, que significa
"eixo".
Inicialmente o título de cardeal era
atribuído genericamente a pessoas
ao serviço de uma igreja ou
diaconia, reservando-se mais tarde
aos responsáveis das igrejas
titulares de Roma e das igrejas mais
importantes da Itália e do mundo.
Os cardeais nascem do grupo de 25
presbíteros das comunidades
eclesiais primitivas (títulos) em
Roma, nomeados pelo Papa Cleto
(séc. I), e dos 7 (posteriormente 14)
diáconos que cuidavam dos pobres
nas várias regiões da cidade; dos 6
diáconos palatinos (responsáveis
pela administração dos seis
departamentos do palácio de
Latrão, em Roma) e dos 7 bispos
suburbicários (as sete dioceses
mais próximas de Roma), todos eles
conselheiros e colaboradores do
Papa.
Segundo as notas históricas do
“Anuário Pontifício”, a partir do ano

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1150 formaram o Colégio
Cardinalício com um decano, que é
o bispo de Ostia (localidade próxima
de Roma), e um Camerlengo, na
qualidade de administrador dos
bens.
O decano é eleito, como se refere
no Código de Direito Canónico
(CDC, Cân. 352, § 2), pelos
cardeais com o título de uma Igreja
suburbicária (Albano, Frascati,
Ostia, Palestrina, Porto-Santa
Ruffina e Velletri-Segni).
É no século XI que os Cardeais
passam a ter uma função mais
próxima do que são hoje: em 1050,
para contrariar as disputas entre
várias famílias de Roma que
queriam dominar o papado, o Papa
Leão IX (1049-54) chama vários
homens que considera capazes de o
ajudar a reformar a Igreja. Nove
anos depois, Nicolau II decide que o
Papa passaria a ser eleito apenas
pelos cardeais.
No século XII, começaram a ser
nomeados cardeais também os
prelados que residiam fora de
Roma: primeiro os bispos e
arcebispos; desde o século XV,
também os patriarcas (Bula “Non
mediocri” de Eugénio IV, ano 1439);
mesmo quando eram padres, os
cardeais tinham voto nos Concílios.

O número de Cardeais, que por
norma nos séculos XIII-XV não era
superior a 30, foi fixado em 70 por
Sisto V: 6 cardeais-bispos, 50
cardeais-presbíteros, 14 cardeaisdiáconos (Constituição “Postquam
verus”, de 3 de Dezembro de 1586).
No Consistório Secreto de 15 de
dezembro de 1958, João XXIII
derrogou o número de cardeais
estabelecidos por Sisto V. O mesmo
São João XXIII, com o Motu Próprio
“Cum gravissima”, de 15 de abril de
1962, estabeleceu que todos os
cardeais fossem “honrados com a
dignidade episcopal”.

O Beato Paulo VI, com o Motu
Próprio “Ad Purpuratorum Patrum”,
de 11 de fevereiro de 1965,
determinou o lugar dos patriarcas
orientais no Colégio Cardinalício. O
mesmo Papa, com o Motu Próprio
“Ingravescentem aetatem”, de 21 de
novembro de 1970, dispôs que ao
completarem 80 anos de idade, os
cardeais deixam de ser membros
dos Dicastérios da Cúria Romana e
de todos os Organismos
Permanentes da Santa Sé e do
Estado da Cidade do Vaticano. Além
disso perdem o direito de eleger o
Papa e, portanto, também o direito
de entrar em Conclave.

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No Consistório secreto de 5 de
novembro de 1973, Paulo VI
estabeleceu que o número máximo
de cardeais com a faculdade de
eleger o Papa se fixasse em 120;
São João Paulo II, na Constituição
Apostólica “Universi Dominici
Gregis”, de 22 de fevereiro de 1996,
reiterou estas disposições.
Os requisitos para serem eleitos
são, basicamente, os mesmos que
estabeleceu o Concílio de Trento na
sua sessão XXIV de 11 de novembro
de 1563: homens que receberam a
ordenação sacerdotal e se
distinguem pela sua doutrina,
piedade e prudência no
desempenho dos seus deveres.
Hoje, os cardeais "constituem um
colégio peculiar, ao qual compete
providenciar à eleição do Romano
Pontífice", como refere o CDC
(cânone 349). As funções dos
membros do Colégio Cardinalício
vão, contudo, para além da eleição
do Papa. Qualquer cardeal é, acima
de tudo, um conselheiro específico
que pode ser consultado em
determinados assuntos quando o
Papa o desejar, pessoal ou
colegialmente.
Como conselheiros do Papa, os
cardeais atuam colegialmente com
ele através dos consistórios
ordinários ou

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extraordinários, com a finalidade de
fazer uma consulta importante ou
tratar de outros assuntos de relevo.
Durante o período de "Sé vacante",
após a morte ou renúncia do Papa,
o Colégio Cardinalício desempenha
uma função central no governo
geral da Igreja e no do Estado da
Cidade do Vaticano.
Os cardeais são considerados
“príncipes de sangue” e são
tratados com o título de “eminência”;
segundo os Tratados de Latrão,
todos os cardeais que residem em
Roma são cidadãos do Estado da
Cidade do Vaticano (art. 21).

Lista dos 25 «títulos» originários
(designação em italiano)
San Sisto
Santi Giovanni e Paolo
Santi Quattro Coronati
San Clemente
Santi Marcellino e Pietro
San Pietro in Vincoli
Santi Silvestro e Martino ai Monti
Santa Prassede
Santa Pudenziana
Sant'Eusebio
Santi Vitale, Valeria, Gervasio e
Protasio

Santa Susanna
San Ciriaco alle Terme Diocleziane
San Marcello
San Lorenzo in Lucina
San Lorenzo in Damaso
San Marco
Sant'Anastasia
Santi Nereo e Achilleo
Santa Balbina
Santa Sabina
Santa Prisca
Santa Maria in Trastevere
Santa Cecilia
San Crisogono.

Lista das sete diaconias originárias
Santa Lucia in Silice
Santa Maria della Scala
Santi Sergio e Bacco
San Teodoro
Santa Lucia in septem Soliis
Santi Nereo e Achilleo
San Bonifacio ou Sant'Alessio.

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D. Manuel Clemente
D. Manuel José Macário do
Nascimento Clemente nasceu a 16
de julho de 1948 (66 anos), na
freguesia de São Pedro e São
Tiago, concelho de Torres Vedras,
distrito de Lisboa. Depois de
formado em História, ingressou no
Seminário Maior dos Olivais em
1973, tendo-se licenciado em
Teologia, em 1979, pela
Universidade Católica Portuguesa e
doutorando-se em Teologia Histórica
em 1992.
Ordenado sacerdote a 29 de junho
de 1979, o Patriarca de Lisboa foi
coadjutor das paróquias de Torres
Vedras e Runa, em 1980, e membro
da equipa formadora do Seminário
Maior dos Olivais, entre 1980 e
1989. Nesse mesmo ano, foi
nomeado vice-reitor do Seminário
Maior dos Olivais, até 1997, data em
que se tornou reitor. A 6 de
novembro de 1999, então com 51
anos, é nomeado Bispo Titular de
Pinhel e Auxiliar do Patriarcado de
Lisboa, cuja Ordenação Episcopal
aconteceu a 22 de janeiro de 2000,
no Mosteiro dos Jerónimos.
Nomeado Bispo do Porto em 2007,
foi presidente da Comissão
Episcopal da Cultura, Bens Culturais
e Comunicações Sociais

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entre 2005 e 2011, e é atualmente
presidente da Conferência
Episcopal Portuguesa e membro do
Conselho Pontifício para as
Comunicações Sociais. Tem
publicados diversos livros e estudos
sobre História, Teologia e Pastoral, e
colaborou ainda com diversos
programas de televisão e rádio.
Recebeu a “Grã-Cruz da Ordem de
Cristo”, o “Prémio Pessoa 2009” e
foi agraciado com a “Medalha
Municipal de Honra da Cidade do
Porto”, em 25 de abril de 2011.
O Papa Francisco nomeou D.
Manuel Clemente como novo
Patriarca de Lisboa no dia 18 de
maio de 2013. D. Manuel Clemente,
então com 64 anos, sucedeu a D.
José Policarpo, tornando-se, assim,
no 17.º Patriarca de Lisboa. No
passado dia 4 de janeiro, durante a
oração do Ângelus, o Papa
Francisco anunciou a criação de D.
Manuel Clemente como Cardeal, no
Consistório público, marcado para o
dia 14 de fevereiro de 2015, em
Roma.
Fonte:
Patriarcado de Lisboa

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Um cardeal sem pompa
e para algumas
circunstâncias
D. Manuel Clemente é o 44º cardeal português,
criado no segundo Consistório do Papa Francisco.
Vai integrar o Colégio Cardinalício numa ocasião
em que a opção por representantes de países
periféricos é cada vez mais notória e a
participação prioritária aos primeiros
colaboradores do Papa inscreve-se na
definição de reformas em curso.
Desafios para o patriarca de Lisboa,
que encara como um serviço,
não como prémio

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Agência Ecclesia – Na carta que o
Papa lhe enviou, a si e a todos os
novos cardeais, Francisco diz que
ser cardeal é uma vocação. Porquê
?
D. Manuel Clemente – Porque é um
chamamento. É isso que a palavra
vocação quer dizer, neste caso feito
por ele próprio, pelo Papa
Francisco, que me chamou como
aos outros, para sermos seus
colaboradores especiais.
A Palavra cardeal também tem este
significado de apoio, de
sustentáculo. Ajudamos o Papa no
seu trabalho da Igreja Universal,
embora estejamos a maioria de nós
a trabalhar em dioceses, em igrejas
locais concretas, como é o meu
caso em Lisboa, agora com este
trabalho complementar ou mesmo
básico de acompanhar o bispo de
Roma, o sucessor de Pedro, no
serviço da Igreja Universal.
É uma vocação porque é ele que
chama.
AE – Como tomou conhecimento
dessa “vocação”?
CMC – Da maneira mais furtuita…
(Os leitores vão achar graça...) Eu
estava numa estação de serviço a
tratar do carro quando toca o
telemóvel e era uma amiga minha a
dizer: ’olhe, eu

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estou aqui a ouvir o Papa em Roma
a dizer que o senhor é cardeal, os
meus parabéns!’ – ‘Ah sim! Está
bem, então vamos a isso!’
AE – Numa manhã de domingo, dia
4 de janeiro…
DMC – Em qualquer lado se pode
ser chamado…
AE – Na mesma carta, o Papa diz
que ser cardeal refere-se à diocese
de Roma, não às de origem de cada
um…
DMC – Nós somos incardinados na
diocese de Roma, o que significa
estar vinculados juridicamente à
diocese de Roma. Por isso
recebemos uma igreja de Roma,
que no meu caso é a Igreja de
Santo António dos Portugueses, ou
Igreja do Campo de Marte, como se
chamava no tempo dos romanos.
Isso significa que estamos com o
Papa, que é o bispo de Roma, está
à frente dessa comunidade do
tempo dos apóstolos e, por isso, é
sucessor de Pedro.
É enquanto colaboradores do bispo
de Roma que somos colaboradores
do Papa, que é deve ser uma
comunidade de referência para as
igrejas de todo o mundo no que diz
respeito à fé.
O Papa refere, na carta, que os
futuros

cardeais ficam incardinados na
igreja de Roma para dar
testemunho do Evangelho se for
preciso com o próprio sangue,
vestindo-se por isso de encarnado,
da cor do sangue. É por isso que as
vestes dos cardeais são vermelhas.

AE – O ser cardeal, também por
causa das vestes, relaciona-se por
vezes com circunstâncias
honoríficas, que o Papa refere nesta
carta, de forma muito sugestiva,
comparando-as quem bebe
aguardente em jejum…
DMC – Para que não nos suba à
cabeça, diz ele de forma muito
expressiva.

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Ligo relativamente a essas coisas…
É bom que o Papa lembre, porque
se trata de um serviço ao ministério
do Papa, que é hoje em dia
mundialmente importante. Francisco
está a ser uma referência quase
imediata para a resolução de
conflitos, como ainda recentemente
aconteceu na reaproximação entre
Cuba e os Estados Unidos e o fim
do

embargo. E outras coisas que não
se sabem, porque levam o seu
tempo a saber-se para que se
consigam atingir grandes objetivos
para a paz. É para aí que os
cardeais são chamados, ajudando o
Papa neste serviço à Igreja
Universal.
Não digo que seja uma honra. Há de
ser o proveito de muitos.

AE – O Papa diz que não se trata
de um prémio.
DMC – Não é um prémio, é um
serviço. Mas nós herdamos na
Igreja referências de muitos séculos.
E concretamente dos séculos que
na Europa se chamaram barrocos,
que davam muita importância ao
exterior, ao cerimonial, às pompas e
circunstâncias… Nós hoje só temos
circunstâncias. A pompa temos de a
relativizar!
AE – Como lida com o impacto
social que este acontecimento está
a merecer?
DMC – Com a naturalidade possível.
Nós temos uma certa concentração
simbólica. Os bispos nas dioceses,
os cardeais com o Papa em Roma,
e o próprio Papa, têm uma
concentração simbólica muito forte.
Olham para nós e pensam: é a
Igreja. O que nos dá grande
responsabilidade porque não
estamos só por nós, mas por
muitos, por uma tradição, uma
grande comunidade de crentes. É
uma responsabilidade a que nos
vamos habituando, mas nunca
suficientemente.

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Internacionalização do
Colégio dos Cardeais
AE – Há sinais na escolha dos
cardeais, por parte do Papa
Francisco, da reforma que quer
imprimir no governo da Igreja?
MC – Julgo que - e não falo de mim,
mas dos outros que foram
escolhidos e pelo que conheço da
sua proveniência e até do percurso
de um ou outro - são bispos dos
vários continentes que se
aproximam muito do Papa
Francisco, num estilo pastoral
simples, direto, muito próximo das
suas populações, muito evangélico.
Aspetos que Francisco tem trazido
para o centro da vida da Igreja e
que já estavam presentes no Papa
Bento e João Paulo. À sua maneira,
sul-americana, como que tem de
imediatismo, de simplicidade e até
espontaneidade, provocando
perplexidades, o Papa Francisco
tem sido muito refrescante.
Na Europa, não só porque a
população está muito mais
envelhecida do que noutros
continentes, mas porque somos
herdeiros de muitas coisas que
funcionaram bem e outras nem
tanto, não estávamos habituados a
esse arejo. Mas acho que nos faz
muito bem!

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AE – Escolher um bispo de Cabo
Verde, Monarquia de Tonga, por
exemplo, de latitudes mais
inesperadas, é uma afirmação
efetiva das periferias e vontade de
as colocar no centro?
MC – É uma afirmação da
centralização das periferias.
Quando o Papa foi eleito e
apareceu na Varanda da Basílica de
S. Pedro e disse que os cardeais o
foram buscar ao fim do mundo,
temos de considerar o fim do mundo
em relação à Europa, mas o
princípio para quem lá está. Na
América Latina está uma
grandíssima percentagem
do catolicismo mundial. Assim, o que
é hoje periférico em relação ao
catolicismo, a Europa ou a América
Latina?
Com esta eleição colocou-se a
periferia no centro. E acho que ficou
muito bem!
AE – Escolhendo cardeais que
representam um leque mais vasto
de igrejas locais, que informação
poderá chegar ao centro?
MC – Muito mais direta... Não é para
lerem relatórios em Roma….
AE – Estamos diante de uma nova
estratégia?
MC – Se quisermos chamar
estratégia,

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com certeza. Mas estamos
sobretudo diante da realidade da
Igreja.
A Igreja Universal está hoje presente
em Roma, também através dos
cardeais provenientes dos cinco
continentes e do próprio Papa sulamericano, com muito mais
expressão e coincidência do que
estava até aqui com aquilo que ela é
realmente, hoje, e onde está a
crescer.
Durante séculos só tivemos papas
italianos: desde o Papa Adriano VI,
nos anos 20 do séc. XVI, até ao
Papa João Paulo, que veio da
Polónia nos anos 70 do séc. XX,
tivemos Papas italianos. Até por uma
razão geoestratégica: seria difícil
numa Europa de blocos escolher um
papa alemão, porque os franceses
poderiam não gostar, por exemplo. A
Itália, como só foi um país unificado
nos finais do séc. XIX, era um
conjunto de pequenos principados
que não fazia sombra a ninguém. E
isso talvez tenha ajudado a que os
papas fossem escolhidos de Itália,
também porque os cardeais eram
maioritariamente italianos.
Hoje, no mundo globalizado também
catolicamente, o Papa Francisco
coincide muito mais com a realidade
da Igreja com a criação de cardeais
dos cinco continentes. E está muito
bem assim!

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alguém lhe lembrou que havia esta
tradição.
Da minha parte só há
responsabilidade para corresponder
às expectativas que tenha em mim.
AE – Achou por isso normal esta
nomeação…?
MC – Mas devo dizer também que
constituiu uma certa surpresa. De
acordo com o que tem sido a
atuação do Papa Francisco e a
liberdade que ele tem em relação a
usos e costumes anteriores, admitia
já que também isto fosse coisa do
passado, devo confessar…
AE – No dia em que foram
conhecidos os cardeais, o diretor da
Sala de Imprensa da Santa Sé disse
que a escolha do Papa era pessoal
e não estava tanto ligada a
tradições ou sedes cardinalícias. No
seu caso, acha que o Papa o
escolheu porque normalmente o
patriarca de Lisboa é feito cardeal
ou porque Portugal é um país
periférico?
MC – Isso não sei responder,
porque não falamos diretamente
sobre o assunto.

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Acho que é normal e que tenha tido
o seu peso o facto dos bispos de
Lisboa serem patriarcas desde o
séc. XVIII e o facto do Papa
Clemente XII ter dito numa bula que
o patriarca de Lisboa seja feito
cardeal no primeiro consistório após
a sua eleição. Claro que o Papa
Francisco não estava obrigado a
seguir uma bula de um seu
antecessor do séc. XVIII. Mas
certamente, no caso de não saber,

AE – Por isso, sobretudo uma
escolha pessoal…
MC – Ela pessoal é sempre, mesmo
tendo em conta outras razões…
AE – O Papa Francisco escolheu
para cardeais muitos dos
participantes no Sínodo dos Bispos
sobre a Família, nomeadamente D.
Manuel Clemente. O que pode
significar esse critério?
MC – Na Assembleia de Outubro

último, extraordinária,
participaram os presidentes das
conferências episcopais, o que já
implica uma certa seleção, porque
são eleitos pelos seus pares,
dando-lhes uma certa marca que o
Papa pode ter tido em conta. Mas
não sei dizer muito mais, em relação
à escolha do Papa e aos critérios.
Constato!
AE – E que repercussões tem na
constituição do Colégio Cardinalício,
com uma representatividade muito
mais alargada?
MC – Como disse, corresponde
muito mais do que antes ao que é a
Igreja em todo o mundo, nos cinco
continentes.
A internacionalização do Colégio
Cardinalício e da Cúria Romana é
um processo que tem feito o seu
caminho. Tem-se andando muito
nesse sentido, até porque hoje é
possível: as viagens são
relativamente fáceis. Os patriarcas
de Lisboa anteriores ao século XX
poucas vezes foram a Roma, até
para receber o barrete cardinalício.
Hoje é tudo perto, como nunca foi!

25

Cardeais para reformas
AE – E no quotidiano da Igreja, que
consequências podem verificar-se?
MC – Hoje a Igreja, nas suas
determinações centrais e na
reflexão que vai fazendo pelos seus
membros mais responsabilizados, já
não é uma Igreja Europeia, mas
latino-americana e de outros
continentes. Temos visto
sucederem-se à frente de
dicastérios romanos cardeais
africanos, asiáticos e isso é um
processo agora verdadeiramente
em curso e muito certo. Porque
assim é que deve ser, tratando-se
de um serviço à Igreja Universal.
O Papa tem duas dimensões: como
bispo de Roma é como todos os
outros nas suas dioceses, embora
tenha um cardeal vigário que
efetivamente exerce as funções da
diocese de Roma; mas por ser bispo
de Roma é sucessor de Pedro e
tem, no conjunto da Igreja em
relação aos outros bispos, o papel
primacial de os confirmar na fé, ser
vínculo da unidade. É a esse
serviço que os cardeais e os
serviços romanos se destinam:
apoiar o que a Igreja faz nas várias
dioceses e nos vários continentes. E
tendo uma proveniência assim tão
variada, mais facilmente fazem esse
serviço.

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Uma coisa é ser protagonista de
algo que lhe é próprio; outra é sê-lo
de algo que só sabe porque lhe
disseram.
AE – Será um dos colaboradores
mais próximos do Papa Francisco e
um dos trabalhos em curso será a
reforma da Cúria Romana, que
aponta para diminuição de
organismos de governo, juntando,
por exemplo, os setores da
educação, cultura e património, por
um lado, ou caridade, justiça e paz e
ainda leigos, família e vida. Qual a
sua opinião sobre este processo de
reforma?
MC – É uma simplificação que é
positiva! Aos níveis das
conferências episcopais diminuímos
o número de Comissões Episcopais
para potencializar serviços que são
muito coincidentes e que não podem
funcionar uns sobre os outros.
AE – É uma desburocratização que
está em curso?
MC – Acaba por ser uma
desburocratização porque é uma
simplificação! Ter responsáveis por
organismos que trabalham em
comum e que possam fazer numa
vez o que se tinha de fazer em duas
ou três é ótimo! Poupam-se
recursos, dinheiro, o que é muito
bom! Não podemos

esquecer que isto começou com
Jesus e uns apóstolos… Depois foi
crescendo, mas é bom que não
cresça demais enquanto serviço,
porque o que interessa é o serviço.
AE – Sente a Cúria Romana é cada
vez menos pesada?
MC – Conheço mal tudo o que se
passa em Roma. Vou lá como bispo,
e como padre já ia, mas conheço
mal. Quando preciso tratar qualquer
assunto faço-o por carta, mail ou
até por telefone, porque hoje em dia
é tudo muito simples.
É natural que a máquina fique mais
“enxuta”, mais simplificada, até para
funcionar melhor, de uma maneira
mais evangélica, não estando a
complicar o que pode ser simples.

Sem obviar os problemas e
requerendo competências,
mas simples tanto quanto possa ser.
Na vida da Igreja a palavra reforma
é sempre um apelo a retomar a
forma inicial das coisas. Passaram
dois mil anos, mas essa forma inicial
não pode ficar obnubilada por
muitas outras coisas que se
acrescentaram. Tem de se perceber
que hoje, à volta do Papa e dos
Bispos, e com aqueles bispos que
estão mais perto dele, por serem
cardeais no serviço da Igreja
Universal, continua exatamente o
que aconteceu há dois mil anos no
grupo de Jesus e os seus apóstolos.
É preciso que isto fique claro para
percebermos que, mesmo tratandose de uma grande instituição, é a
que Cristo fez.

27

O rito do Consistório
O rito de entrega do barrete e do
anel cardinalícios vai decorrer a 14
de fevereiro, na Basílica de São
Pedro, a partir das 11h00 (hora
local, menos uma em Lisboa).
A celebração começa com uma
saudação ao Papa do primeiro dos
novos cardeais, D. Dominique
Mamberti, em nome de todos os
presentes, seguindo-se uma oração
proferida por Francisco, a leitura do
Evangelho e a homilia.
Após esta intervenção, o Papa vai
ler a fórmula de criação e proclama
em latim os nomes dos cardeais,
para os unir com “um vínculo mais
estreito” à sua missão.

Criação dos novos
cardeais
“Irmãos caríssimos, preparamo-nos
para cumprir um ato grato e grave
do nosso sagrado ministério. Ele diz
respeito em primeiro lugar à cidade
de Roma, mas interessa a toda a
comunidade eclesial. Vamos chamar
a fazer parte do colégio dos
cardeais alguns dos nossos irmãos,
para que sejam unidos à Sé de
Pedro com um vínculo mais estreito.
Eles, marcados pela púrpura
sagrada, deverão ser

28

intrépidas testemunhas de Cristo e
do seu Evangelho na cidade de
Roma e nas regiões mais
longínquas. Por isso, com a
autoridade de Deus omnipotente,
dos santos apóstolos Pedro e Paulo
e a nossa, criamos e proclamamos
solenemente cardeais da Santa
Igreja Romana estes nossos irmãos”
.
Depois tem lugar a profissão de fé e
o juramento dos novos cardeais, de
fidelidade e obediência ao Papa e
seus sucessores.

Juramento
“Eu (), Cardeal da Santa Igreja
Romana, prometo e juro ser fiel,
desde agora e para sempre,
enquanto viva, a Cristo e ao seu
Evangelho, sendo constantemente
obediente à Santa Igreja Apostólica
Romana, ao bem-aventurado Pedro
na pessoa do Sumo Pontífice
Francisco e dos seus sucessores
canonicamente eleitos; manter
sempre com palavras e obras a
comunhão com a Igreja Católica;
não revelar a ninguém o que me for
confiado em segredo nem divulgar
aquilo que poderá acarretar dano
ou

desonra à Santa Igreja;
desempenhar com grande diligência
e fidelidade as tarefas para as quais
estou chamado no meu serviço à
Igreja, segundo as normas do
Direito. Que assim me ajude Deus
omnipotente”.

Imposição do barrete,
entrega do anel e
atribuição do título
“Para a maior glória de Deus
omnipotente e o bem da Santa Sé,

recebei este barrete púrpura como
sinal da dignidade cardinalícia,
simbolizando que deveis estar
prontos a comporta-vos com
coragem, até à efusão do sangue,
pelo incremento da fé cristã, da paz
e do bem do povo cristão, e pela
liberdade e a expansão da Santa
Igreja Romana”.
Cada um dos novos cardeais
ajoelha-se, depois, para receber o
barrete cardinalício, segundo a
ordem de criação. D. Manuel
Clemente, patriarca de Lisboa, será
o segundo.

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Causas de canonização
O Papa entrega ainda um anel aos
cardeais para que se “reforce o
amor pela Igreja”, seguindo-se a
atribuição a cada cardeal uma igreja
de Roma – que simboliza a
“participação na solicitude pastoral
do Papa” na cidade -, bem como a
entrega da bula de criação
cardinalícia, momento selado por
um abraço de paz.
No anel cardinalício são evocadas
as colunas da Basílica de São
Pedro,
a cruz e os apóstolos Pedro e
Paulo.
Cada cardeal é inserido na
respetiva ordem (episcopal,
presbiteral ou diaconal), uma
tradição que remonta aos tempos
das primeiras comunidades cristãs
de Roma,

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em que os cardeais eram bispos das
igrejas criadas à volta da cidade
(suburbicárias) ou representavam
os párocos e os diáconos das
igrejas locais.
Entre os novos cardeais constam os
dois membros mais jovens do
Colégio Cardinalício: D. Soane
Patita Paini Mafi, bispo de Tonga,
com 53 anos de idade, e D. Daniel
Fernando Sturla Berhouet,
arcebispo de Montevideu (Uruguai),
de 55 anos.
A idade média dos 15 cardeais
eleitores nomeados pelo Papa é de
67,3 anos.

O Consistório público ordinário
prossegue com a aprovação de
algumas causas de canonização. No
final da cerimónia, presidida pelo
Papa, a reunião de cardeais vai
proceder à votação de três causas
de canonização, relativas às beatas
Jeanne Émilie de Villeneuve
(França, 1811-1854), Maria de
Jesus crucificado (Palestina, 18461878) e Maria Alfonsina Danil
Ghattas (Palestina, 1843-1927.

Visita de Cortesia
Ainda no sábado, vão ter lugar as
sessões de cumprimentos aos
novos cardeais, no Vaticano. A

chamada ‘visita de cortesia’ vai
decorrer entre as 16h30 e as 18h30
de Roma (menos uma em Lisboa) e
no caso do cardeal português terá
lugar no átrio da sala de audiências
Paulo VI, junto à Basílica de São
Pedro.
Na mesma sala vai acontecer a
sessão do cardeal cabo-verdiano D.
Arlindo Gomes Furtado; D. Júlio
Duarte Langa, bispo emérito de XaiXai (Moçambique) vai receber os
cumprimentos de todos os que o
desejarem fazer na sala ducal do
Palácio Apostólico.
No domingo, na Basílica de São
Pedro, o Papa vai presidir a uma
Missa com os novos cardeais, a
partir das 10h00 locais.

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Papa reforça papel das «periferias»

O Papa vai incluir no lote de
cardeais eleitores prelados de nove
países que não se encontravam
representados até agora: Nova
Zelândia, Tailândia e Vietname
(presentes no atual Colégio
Cardinalício com cardeais acima dos
80 anos); Cabo Verde, Etiópia,
Mianmar, Panamá, Uruguai e Tonga.
À imagem do que aconteceu em
2014, no primeiro consistório do
pontificado, Francisco reforça a
presença das ‘periferias’ da Igreja
Católica no Colégio Cardinalício,

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no qual vai diminuindo o predomínio
da Europa e da Cúria Romana.
Dos novos cardeais, apenas um
integra a Cúria Romana: D.
Dominique Mamberti, antigo
secretário do Vaticano para as
relações com os Estados e atual
prefeito do Supremo Tribunal da
Assinatura Apostólica.
D. Manuel Clemente foi o segundo
nome a ser anunciado e um dos
quatro prelados de dioceses
europeias, somando-se a D. Ricardo
Blázquez Pérez, arcebispo de

Valladolid (Espanha) e aos italianos
D. Francesco Montenegro,
arcebispo de Agrigento
(responsável pelo território de
Lampedusa), e D. Edoardo
Menichelli, arcebispo de Ancona,
conhecido por percorrer a diocese
num velho Fiat Panda.
Neste momento, há 110 cardeais
eleitores, número que vai subir para
125 após o consistório de fevereiro,
31 dos quais criados pelo Papa
Francisco.

A partir do próximo consistório –
reunião de cardeais para debater
assuntos importantes da vida da
Igreja, convocada pelo Papa – a
distribuição geográfica dos cardeais
eleitores num eventual Conclave
será a seguinte: Europa – 57;
América – 36 (17 do Norte e 19
latino-americanos); África – 15; Ásia
– 14; Oceânia – 3.
Até final de 2015, quatro cardeais
vão completar 80 anos de idade.

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300 pessoas vão acompanhar
patriarca de Lisboa
O Patriarcado de Lisboa revelou
que 300 pessoas da capital
portuguesa e do Porto vão
acompanhar no Vaticano o
consistório de criação de cardeal de
D. Manuel Clemente. O número foi
adiantado em conferência de
imprensa pelo diretor do Serviço de
Turismo do Patriarcado, padre Mário
Rui Pedras, dando conta do
programa que prevê a presença na
Praça de São Pedro, para
acompanhar o consistório público, a
14 de fevereiro (11h00, menos uma
em Lisboa), a visita de cortesia aos
novos cardeais, nessa tarde, e a
participação na Missa presidida pelo
Papa, no dia seguinte, na Basílica
de São Pedro.
No dia 16, D. Manuel Clemente,
patriarca de Lisboa, vai presidir a
uma Missa na igreja de Santo
António dos Portugueses, em Roma,
pelas 11h30, a que se segue um
almoço com o novo cardeal. "Vamos
manifestar o nosso afeto, a nossa
amizade, a nossa alegria”, disse o
padre Mário Rui Pedras.
D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar,
referiu por sua vez que esta
nomeação cardinalícia é um
momento de festa para a Igreja de
Lisboa, que

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assim se sente mais “vinculada ao
Santo Padre”. "Através do Senhor
D. Manuel nós, Igreja de Lisboa,
sentimo-nos mais vinculados à
pessoa do Santo Padre e à Igreja
universal; alegrámo-nos e damos
graças a Deus pela sua eleição, e
acompanhamo-lo não só nesta
ocasião, mas sempre, estando com
ele neste serviço à Igreja universal
com o nosso afeto, a nossa
comunhão e a nossa oração",
referiu.
Segundo o prelado, este é um
momento "muito significativo, não só
para a Igreja de Lisboa, mas para a
Igreja de Portugal e para os
portugueses, que se sentem
honrados" com esta nomeação
cardinalícia.
De regresso a Portugal, a primeira
celebração do novo cardeal vai
decorrer na Sé de Lisboa, a 18 de
fevereiro, com a Missa de Quartafeira de Cinzas (19h00). A 22 de
fevereiro, D. Manuel Clemente vai
proferir a primeira catequese
quaresmal, no Mosteiro dos
Jerónimos, às 16h30, a que se
segue uma sessão de apresentação
de cumprimentos, aberta a todos os
que desejarem participar.

A Embaixada Portuguesa junto da
Santa Sé vai promover uma receção
oficial ao novo cardeal e às
delegações oficiais que vão
acompanhar estas celebrações, às
19h00 do dia 14 de fevereiro.

O Governo português vai estar
representado pelo vice-primeiroministro e o ministro dos Negócios
Estrangeiros, respetivamente Paulo
Portas e Rui Machete.

49

Presidente e vice-primeiro-ministro
de Portugal saúdam D. Manuel
Clemente
O presidente da República
Portuguesa felicitou o patriarca de
Lisboa, D. Manuel Clemente, pela
sua nomeação como cardeal pelo
Papa Francisco.
“O anúncio da nomeação do
patriarca de Lisboa, D. Manuel
Clemente, como cardeal confirma a
singularidade do relacionamento
histórico entre Portugal e a Igreja
Católica”, refere o texto, divulgado
pelo site da Presidência.
Aníbal Cavaco Silva destaca a
“dimensão humana” do novo
cardeal português, dirigindo-lhe
“respeitosas felicitações por esta
marca de distinção e apreço” do
Papa Francisco. “O seu contributo
nos domínios da ciência e da
cultura, e a sua experiência no
exercício do magistério episcopal
dão pública e inequívoca prova de
que estamos perante uma
personalidade que se distingue
notavelmente pela doutrina, pela
piedade e pela prudência”, conclui o
texto.
Também o vice-primeiro-ministro
Paulo Portas felicitou a nomeação
como cardeal de D. Manuel
Clemente, que apresenta como
"homem de Fé e Cultura, voz de
compaixão e razão".

50

Num comunicado divulgado no site
do CDS-PP, o presidente do partido
saúda também a nomeação de D.
Arlindo Furtado, bispo de Santiago,
primeiro cardeal de Cabo Verde, e
do bispo emérito de Xai Xai, no sul
de Moçambique, D. Júlio Duarte
Langa (este com mais de 80 anos).
"Para os portugueses e todos os
povos de expressão lusófona,
crentes ou não crentes, este
anúncio é acolhido com especial
significado: vários destes nomes,
que vêm de todo o mundo, são
falados e vividos em português",
considera o vice-primeiro-ministro
de Portugal.
"Em particular, alegramo-nos com a
nomeação e reconhecimento do
Patriarca de Lisboa – seja por uma
tradição antiga, que honra uma bula
e uma ligação secular, seja pelos
méritos de D. Manuel Clemente, que
honram o pastor e a diocese de
Lisboa -, que o elevam a uma maior
e mais próxima colaboração com o
Papa Francisco”, acrescenta o texto.
Este vai ser o segundo consistório
do atual pontificado, após a criação
de 19 cardeais, entre os quais 16
eleitores, a 22 de fevereiro de 2014.

Portugal estava representado até
agora no Colégio Cardinalício por D.
José Saraiva Martins, prefeito
emérito da Congregação para as
Causas

dos Santos (com mais de 80 anos) e
D. Manuel Monteiro de Castro,
penitenciário-mor emérito.

O primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho felicitou o patriarca
de Lisboa D. Manuel Clemente, nomeado cardeal pelo Papa Francisco.
"Trata-se de um gesto com elevado significado para o nosso país, e em
especial para a Igreja e a comunidade cristã, dando continuidade à
tradição histórica de o patriarca de Lisboa ser também nomeado
cardeal", salienta o gabinete do primeiro-ministro, numa nota de
imprensa.

51

Cabo Verde: D. Arlindo Furtado
vai ser o primeiro cardeal do país
Cabo Verde vai ter pela primeira vez
um cardeal, D. Arlindo Furtado,
bispo de Santiago, que vê a decisão
do Papa como um reconhecimento
pela história da Igreja Católica no
país lusófono. "É a história desta
Igreja, que está a ser reconhecida
pelo Papa", afirmou o prelado, em
conferência de imprensa.
A Diocese de Santiago foi erigida
por desmembramento da então
Arquidiocese do Funchal, a 31 de
janeiro de 1533.
D. Arlindo Furtado considerou a sua
nomeação como um gesto de
"reconhecimento e apreço pela
história da Igreja em Cabo Verde
que tem vindo a ser construída há
muito tempo".
Numa mensagem divulgada pelo
canal de partilha de vídeos
YouTube, o primeiro cardeal de
Cabo Verde fala numa surpresa
"total" pela nomeação do Papa
Francisco, que considera uma
homenagem à Igreja neste
arquipélago africano. "Cabo Verde
está de parabéns", assinalou,
elogiando o bom relacionamento
entre as autoridades do país e a
Santa Sé.

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A Diocese de Santiago reagiu à
nomeação de D. Arlindo Furtado,
salientando que a decisão do Papa
Francisco "coloca Cabo Verde pela
primeira vez na sua história entre as
nações católicas do continente
africano com representante no
colégio dos cardeais". "Entendemos
isto como sinal de uma especial
atenção do Santo Padre à
caminhada da Igreja em Cabo
Verde", assinala a nota de imprensa.
O comunicado frisa ainda que,
"como cardeal, D. Arlindo Furtado
estará à disposição do Papa quer
agindo colegialmente, sempre que
for chamado a decidir em conjunto
sobre as questões de relevância no
governo da Igreja, quer agindo
individualmente como conselheiro
de Francisco".
Numa mensagem enviada à Agência
ECCLESIA, D. Ildo Fortes, bispo do
Mindelo - a outra diocese católica
em Cabo Verde - saúda a
“confiança” que o Papa Francisco
depositou na Igreja Católica local,
no povo cabo-verdiano "que
conhece e ama" e no bispo de
Santiago, "ao contemplá-lo com esta
nomeação”. “Que este gesto se
traduza em maiores bênçãos para

a nossa Igreja e para a Glória de
Deus”, refere D. Ildo Fortes.
D. Arlindo Furtado, de 65 anos, foi o
primeiro bispo da Diocese do
Mindelo, criada no pontificado de
São João Paulo II, missão que
desempenhou entre 2004 e 2009.
Na sua mensagem, D. Ildo Fortes
faz votos de que os novos cardeais
que vão ser criados no dia 14 de
fevereiro, incluindo D. Manuel
Clemente, patriarca de Lisboa,
possam desempenhar o seu
trabalho de forma “muito fecunda” e
“contribuir amplamente para a
desejada renovação da vida da
Igreja”. Algo “que o Papa Francisco
tanto preconiza e se tem
empenhado com muito zelo profético
e apostólico”, frisa o responsável
católico.
Natural de Figueira das Naus, na
Ilha

de Santiago, em Cabo Verde, D.
Arlindo Gomes Furtado foi nomeado
bispo há 10 anos pelo Papa João
Paulo II. Depois de servir as
comunidades católicas do Mindelo,
tomou posse em 2009 como bispo
de Santiago.
O primeiro-ministro de Cabo Verde,
José Maria Neves, felicitou D. Arlindo
Furtado, considerando que a sua
nomeação como cardeal é um ato
“histórico” e de grande importância
para Cabo Verde e “ motivo de
grande júbilo”. “É com enorme
satisfação que tenho a honra de, em
nome do Governo da República de
Cabo Verde e em meu nome
próprio, lhe transmitir as nossas
mais vivas e calorosas felicitações,
extensivas à Igreja de Cabo Verde,
uma das mais antigas dioceses
africanas”, assinala a nota oficial,
divulgada pela página do Governo
cabo-verdiano na internet.

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Portugal ganha «presença mais
próxima junto do Papa Francisco»
O secretário da Conferência
Episcopal Portuguesa (CEP) disse à
Agência ECCLESIA que a escolha
de D. Manuel Clemente para
cardeal constituirá uma “mais-valia”
para a Santa Sé pelo “serviço
qualificado e competente” que irá
prestar.
Para o padre Manuel Barbosa o
patriarca de Lisboa vai ser “uma
presença mais próxima junto do
Papa Francisco”. “Quer nos
momentos de reunião, de
consistório quando for convocado
para isso, quer também quando for
consultado e o Papa pedir alguma
sugestão ou colaboração, mesmo
individualmente pois pode fazê-lo
também”, acrescentou.
No campo da relação da hierarquia
católica em Portugal com o poder
político e a sociedade civil, o
secretário da CEP mostra-se
convicto de que D. Manuel
Clemente irá prosseguir o diálogo e
a colaboração com aquelas
instâncias, “como sempre o fez, com
humildade, simplicidade e muita
qualidade”.
“Esta abertura da Igreja Católica
continuará e o facto de ser cardeal
é naturalmente um reforçar desta

54

presença” e permitirá “levar ao Papa
Francisco o que nós somos, aqui em
Portugal, como Igreja”, reforçou.
O padre Manuel Barbosa enaltece o
facto de as últimas nomeações
cardinalícias, a exemplo de outras
anteriores, “atenderem Igrejas locais
que estão mais distantes, de outros
continentes, de África, da Ásia” por
exemplo. “Há um crescendo em
número também dessas presenças,
como vimos agora. A Europa tem
tido menos porque a Igreja Católica
tem tido uma vitalidade, uma
expansão maior agora nesses
continentes”, concluiu.

Moçambique: Novo cardeal lembra
«tempo difícil» da revolução
D. Júlio Duarte Langa, bispo emérito
de Xai-Xai, no sul de Moçambique,
manifestou a sua surpresa após a
nomeação como cardeal pelo Papa
Francisco. “Leio a nomeação na
atitude do próprio Papa Francisco,
em ver a Igreja humilde e pobre
como o seu fundador”, declarou à
Rádio Vaticano.
O prelado nasceu em 1927 em
Mangunze, na atual Diocese de XaiXai (antiga João Belo), e foi
ordenado sacerdote na Catedral de
Maputo, em 1957; a 31 de maio de
1976 foi escolhido por Paulo VI
como bispo da sua diocese de
origem, cargo que ocupou até 2004.
O novo cardeal moçambicano
recorda o seu serviço numa Igreja
“perseguida” após a independência
do país, num “momento muito
difícil”. “O trabalho que fiz na
diocese foi centrado no clero,
porque não tinha clero diocesano”,
recorda.
Numa diocese de 76 mil quilómetros
quadrados, D. Júlio Duarte Langa
sublinha que a prioridade foi
“manter a Igreja, para que não
morresse neste país”, algo que
“felizmente” foi conseguido em
Moçambique.

O Papa Francisco vai criar e cinco
cardeais com mais de 80 anos de
idade, reconhecendo “a sua
caridade pastoral no serviço à Santa
Sé e à Igreja”.
D. Júlio Duarte Langa contribuiu
para a tradução dos documentos do
Concílio Vaticano II para várias
línguas moçambicanas.
A Igreja Católica em Moçambique
tinha como cardeal o arcebispo
emérito de Maputo, D. Alexandre
dos Santos.

55

Os cardeais portugueses na história
O patriarca de Lisboa, D. Manuel
Clemente, vai tornar-se a 14 de
fevereiro no quarto cardeal
português do século XXI e primeiro a
ser designado no atual pontificado,
mas o país já teve mais de 40
cardeais ao longo da sua história.

1 - MESTRE GIL
Filho do chanceler Julião, do tempo
de D. Afonso Henriques. Mestre Gil
(também aparece com o nome de
Egídio), foi tesoureiro da Sé de
Coimbra e Cónego de Viseu. Foi
este o primeiro Cardeal português,
criado pelo Papa Urbano IV (11951264).

2 - D. PAIO GALVÃO
Nasceu em Guimarães. Sendo
Mestre de Teologia em Paris, D.
Sancho I mandou-o a Roma como
embaixador de obediência, tendo
sido feito Cardeal, em 1206, por
Inocêncio III, com o título de Santa
Maria in Septisolio.

3. D. PEDRO JULIÃO OU
PEDRO HISPANO
O único português que foi Papa.
Natural de Lisboa, era designado,

56

no seu tempo, como filósofo,
teólogo, cientista e médico, e autor
de várias obras científicas. Estando
em Roma, depois de participar no
concílio ecuménico de Lião, tratou o
Papa Gregório X de uma doença
dos olhos, sendo elevado a Cardeal
em 1274. Foi Papa com o nome de
João XXI, desde setembro de 1276 a
maio de 1277. A importância do seu
talento de homem de ciência
mereceu-lhe ser referido por Dante,
na Divina Comédia (Paraíso, canto
XII). A sua morte deveu-se a um
desastre na Catedral de Viterbo,
cujas obras acompanhava. Ficou ali
sepultado. Em março de 2000, por
um especial empenho do Presidente
da Câmara de Lisboa, João Soares,
foi-lhe concedido um lugar mais
honroso dentro da catedral, sendo
então transladado para a nave
central.

4. D. ORDONHO ALVAREZ
Abade fonselense, nascido em
Portugal foi Bispo de Salamanca
(1272), passando, depois, para o
arcebispado de Braga por vontade
de Gregório X, em substituição de
Pedro Hispano, depois da elevação
deste ao cardinalato. Em 1278, o
Papa Nicolau III elevou-o também a
Cardeal-Bispo.

5. PEDRO DA FONSECA
Nasceu em Olivença. Foi criado
Cardeal pelo antiPapa Bento XIII
(Pedro de Luna), com o título de
Santo Angelo na Pescaria, em 1409.
Quando os Concílios de Pisa e
Constança proferiram sentenças
contra o antiPapa, passou D. Pedro
da Fonseca a obedecer ao Papa de
Roma, Martinho V, que o fez
Cardeal do mesmo título em 1419.

6. D. JOÃO AFONSO DE
AZAMBUJA
Bispo de Silves, Porto e Coimbra.
Foi Arcebispo de Lisboa, em 1402, e
elevado ao Cardinalato em junho de
1411, por Gregório XII.

7. D. ANTÃO [ANTÓNIO]
MARTINS DE CHAVES
Natural de Chaves, segundo uns, ou
do Porto, segundo outros, foi bispo
nesta última cidade (1424). Criado
Cardeal Presbítero do título de S.
Crisógono, pelo Papa Eugénio IV,
em 1439. Em Roma, foi solícito
promotor dos peregrinos pobres
portugueses, fazendo ampliar o
hospital (1440) a partir de uma
albergaria hospício que tinha sido
fundada por uma

benemérita senhora de Lisboa, em
1363, e que viria a ser o prelúdio do
atual Instituto de Santo António dos
Portugueses.

8. D. JAIME DE PORTUGAL
Filho do Infante D. Pedro, foi
Arcebispo de Lisboa. Depois do
desastre da batalha de Alfarrobeira,
(1449), D. Jaime, com os seus
irmãos, D. João e D. Beatriz,
retiraram-se para Flandres. É
enviado a Roma já depois de ter
sido eleito arcebispo de Arras. Foi
criado Cardeal-Diácono pelo Papa
Calisto III, em 20 de fevereiro de
1456, com o título de Santo
Eustáquio.

9. D. JORGE DA COSTA
(Cardeal de Alpedrinha)
Nasceu em 1406, na Vila beiroa de
Alpedrinha. Estudou em Paris e foi
prelado em várias dioceses: Bispo
de Évora em 1463, Arcebispo de
Lisboa, em 1464, Arcebispo de
Braga, em 1501. Foi feito Cardeal
pelo Papa Xisto IV, em 1476, com o
título dos Santos Pedro e Marcelino.
Dotado de invulgares qualidades, foi
diplomata, e teve o maior valimento
junto de D. Afonso V, de quem foi
conselheiro

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e confessor, tendo sido também
mestre-capelão da sua irmã, a
infanta D. Catarina. Devido a
incompatibilidades com o rei D. João
II, foi viver para Roma, onde acabou
por passar grande parte da sua
vida.Deve-se a D. Jorge da Costa a
criação da Santa Casa da
Misericórdia de Lisboa, com todo o
apoio que deu à Rainha D. Leonor,
tendo, para o efeito, movido
influências em Roma para que a
nova instituição surgida em Portugal
tivesse o reconhecimento do Papa.
Foi também o Cardeal, que, a
pedido da Rainha D. Leonor,
facilitou a elaboração dos estatutos
do Hospital das Caldas.

aos três anos de idade. Mas, o
pedido foi indeferido por
inconstitucionalidade. O concílio de
Latrão estipulara que não podia ser
«dada catedral a menores de 30
anos». D. Manuel, conseguiu, no
entanto, que o Infante fosse
investido no arcebispado de Braga
aos 15 anos, e aos 18 anos voltou a
propô-lo para Cardeal, embora a
prerrogativa inconstitucional se
mantivesse. Porém, tendo o Rei
enviado ao Papa a famosa
embaixada de Tristão da Cunha, em
1514, com as primícias dos
descobrimentos e testemunho de
obediência, Leão X elevou a
Cardeal o Infante D. Afonso (1517).

10. D. HENRIQUE

12. D. MIGUEL DA SILVA

Filho de D. Manuel I, nasceu em
Lisboa em 1512. Aos 22 anos era
eleito Arcebispo de Braga pelo Papa
Clemente VII. Foi feito Cardeal em
16 de dezembro de 1545, com o
título dos Santos Quatro Coroados.
Tornou-se o 17.º rei de Portugal em
1578, dois anos antes da sua morte.

Nasceu em Évora em 1486. Foi
Bispo de Viseu em 1526. Amigo
pessoal de Leão X e de Rafael, foi
promovido a Cardeal in pectore em
1539, por Paulo III. Este o confirmou
Cardeal, em 1541, com o título dos
Doze Apóstolos.

11. INFANTE D. AFONSO
Era filho de D. Manuel I, que
pretendera fazê-lo nomear cardeal

58

que armou cavaleiros dois dos seus
filhos na madrugada de 1º de
dezembro de 1640. Foi Arcebispo
de Braga em1670, mas, em 1677,
renunciou ao cargo. Foi elevado ao
Cardinalato por Inocêncio XI, em
1686.

Conselheiro de Estado, Inquisidormor, e capelão de D. Pedro II.
Recusou a mitra de Elvas, sendo-lhe
concedido o título de Bispo de
Targa. Clemente XI elevou-o ao
Cardinalato a 18 de maio de 1712.

14. D. LUÍS DE SOUSA

17. D. JOSÉ PEREIRA DE
LACERDA

Nasceu no Porto, em 1630. Foi
Bispo em Bona (1671) e Arcebispo
de Lisboa (1675). O Papa Inocêncio
XII elevou-o ao Cardinalato, em
1697. Alcançou para todas as
igrejas de Lisboa o jubileu do
Lausperene, e foi Provedor da
Misericórdia de Lisboa de 1674 a
1683.

15. D. TOMAS DE
ALMEIDA - 1º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em 1670, em Lisboa. Foi
Bispo de Lamego (1706), Bispo do
Porto (1709) e o primeiro Patriarca
de Lisboa (1716). O Papa Clemente
XII fê-lo Cardeal em 20 dezembro de
1737.

13. D. VERÍSSIMO DE
LENCASTRE

16. D. NUNO DA CUNHA E
ATAÍDE

Nasceu em 1615. Filho de D.
Francisco Luís de Lencastre,
comendador-mor de Avis, e de D.
Filipa Vilhena, aquela

Nasceu em Lisboa, em 1664. Foi
Mestre de Artes em Coimbra e
graduado em Direito Canónico.
Cónego da Sé de Coimbra,

Nasceu em Moura, em 1661. Bispo
do Algarve (1716), foi elevado a
Cardeal-Presbítero, pelo Papa
Clemente XI, em 1719, mas só
recebeu o capéu cardinalício das
mãos de Inocêncio XIII, em cujo
Conclave tinha participado.

18. D. JOÃO DA MOTA E
SILVA
Nasceu em Castelo Branco em
1685. Cónego magistral da
Colegiada de S. Tomé, foi criado
Cardeal por Bento XIII no Consistório
de 2 de novembro de 1727.

19. D. PAULO DE
CARVALHO E MENDONÇA
Nasceu em 1702. Irmão do Marquês
de Pombal, foi monsenhor da
Patriarcal de Lisboa. O Papa
Clemente XIV criou-o Cardeal em 29
de janeiro de 1770, mas faleceu
antes de a notícia ter chegado a
Lisboa.

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20. D. JOÃO COSME DA
CUNHA (Cardeal da
Cunha)
Nasceu em Lisboa, em 1715.
Formou-se em leis, e, em 1738,
tomou o hábito de Santa Cruz.
Enquanto Cónego da Ordem, como
o nome de Frei João de Nossa
Senhora das Portas, durante o
terramoto de 1755 percorreu as
ruas descalço, de corda ao pescoço
e com um crucifixo alçado,
passando por entre os escombros
anunciando penitência aos vivos e
sufrágio pelos mortos. Inspetor da
reedificação de Lisboa. Assumiu o
arcebispado de Évora em 1760. A
instâncias do Marquês de Pombal,

Clemente XIV criou-o Cardeal no
Consistório de 1770.

21. D. JOSÉ MANUEL DA
CÂMARA - 2º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em Lisboa a 25 de
dezembro de 1686. Bento XIV criouo Cardeal em 10 de abril de 1747. A
10 de março de 1754 foi eleito
Patriarca de Lisboa. Foi o Cardeal
Patriarca que viveu o terramoto de
1755. Agastado com a perseguição
que entretanto o Marquês de
Pombal movera contra os Jesuítas,
retirou-se.

22. D. FRANCISCO
SALDANHA - 3º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em Lisboa, em 1723 e
estudou na Universidade de
Coimbra. Bento XIV elevou-o a
Cardeal em 1756. A 25 de julho de
1758 era nomeado Patriarca de
Lisboa.

23. D. FERNANDO DE
SOUSA E SILVA - 4º
Cardeal Patriarca de
Lisboa
Nasceu em 1712. Em dezembro de
1776 era eleito Patriarca de Lisboa,
mas só foi sagrado em 30 de maio
de 1779, sendo, em seguida, criado
Cardeal por Pio VI.

24. D. MIGUEL DE
NORONHA E SILVA
ABRANCHES
Pertencente à casa de Valadares,
foi principal diácono da Igreja
Patriarcal. Foi criado Cardeal em 16
de maio de 1803.

25. D. PEDRO DE
FIGUEIREDO DA CUNHA E
MELO

a Cardeal Presbítero, com o título
de Cardeal Figueiredo, em 1850.

26. D. JOSÉ FRANCISCO
MIGUEL ANTÓNIO DE
MENDONÇA - 5º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em Lisboa em 2 de outubro
de 1725. Da casa real dos condes
de Val dos Reis, licenciou-se em
cânones, foi nomeado cónego,
monsenhor e principal primário da
igreja patriarcal. Sucedeu a D.
Francisco de Lemos como
reformador reitor da Universidade
de Coimbra. Patriarca de Lisboa em
1786, foi criado Cardeal em 1788,
por Pio VI.

27. D. CARLOS DA CUNHA
E MENEZES - 6º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em 9 de abril de 1759. Foi
principal presbítero da Patriarcal,
vindo a ser eleito Patriarca em 4 de
julho de 1818 e elevado ao
cardinalato em 1819. Foi
conselheiro de Estado e membro da
regência do reino durante a
ausência de João VI, até 15 de
setembro de 1820.

Nasceu em Tavira em 1770. Foi
Arcebispo de Braga (1840) e
elevado

60

61

28. D. FREI PATRÍCIO DA
SILVA - 7º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em 1756. Foi Bispo de
Castelo Branco (1818) e Arcebispo
de Évora (1819). Leão XII elevou-o
a Cardeal em 1824. Tomou posse
como Patriarca de Lisboa em 1826.

29. D. FREI FRANCISCO
DE S. LUÍS - 8º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em 1766. Foi Bispo de
Coimbra, em 1822 e Patriarca de
Lisboa, em 1840. Conduziu todo o
processo de reatamento das
relações diplomáticas entre Portugal
e a Santa Sé. Aceitou ser Patriarca
de Lisboa por insistência de D.
Maria II. Foi Criado CardealPresbítero por Gregório XVI, em
1843.

30. D. GUILHERME
HENRIQUES DE
CARVALHO - 9º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em 1793. Foi Bispo de
Leiria, em 1843 e Patriarca de
Lisboa, em 1845. Foi vicepresidente da Câmara dos Pares e
participou em Roma na definição
dogmática da Imaculada

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Conceição, sendo-lhe conferidas
várias distinções, entre outras, a de
o Papa Pio IX lhe impôr o chapéu
cardinalício depois de ter sido feito
Cardeal por Gregório XVI, em 1846.
Obteve para os Cónegos da Sé de
Lisboa vários privilégios, entre
outros, o de usarem batinas e
murças de cor purpúrea, e para os
dignatários do Cabido o de poderem
usar mitra.

31. D. MANUEL BENTO
RODRIGUES - 10º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em 1800. Nomeado
Arcebispo de Mitilene (1845), foi
Bispo de Coimbra (1851) e Patriarca
de Lisboa (1858). Foi feito CardealPresbítero em 1858.

32. D. INÁCIO DO
NASCIMENTO MORAIS
CARDOSO - 11º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em 1811. Nomeado Bispo do
Algarve em 1863 e, depois,
Patriarca de Lisboa, em 1871.
Recebeu a dignidade de CardealPresbítero em 1873. O barrete
cardinalício ser-lhe-ia imposto em
Lisboa pelo Rei D. Luís I.

33. D. AMÉRICO FERREIRA
DOS SANTOS SILVA
Nasceu em Massarelos. Foi Cónego
da Sé Patriarcal em 1858,
desembargador e juíz da relação
patriarcal. Em 1867 foi vogal da
comissão encarregada de propor a
nova circunscrição paroquial do
continente e ilhas. Nomeado Bispo
do Porto, em 1871, foi elevado ao
Cardinalato por Leão XIII, no
Consistório de 12 de maio de 1879.

34. D. JOSÉ SEBASTIÃO
NETO - 12º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em 1841. Foi Bispo de
Angola e Congo (1879), foi
escolhido para Patriarca de Lisboa
em 6 de abril de 1883. Elevado ao
cadinalato em 1884, presidiu ao
casamento do Rei D. Carlos e D.
Amélia, na Igreja de S. Domingos,
no dia 22 de maio de 1886.

35. D. ANTÓNIO MENDES
BELO - 13º Cardeal
Patriarca de Lisboa
Nasceu em S. Pedro de Gouveia,
em 1842. Governador do bispado
de Pinhel (1874) e do bispado de
Aveiro (1881), foi nomeado
Arcebispo de Mitilene, em 1883.
Assumiu a diocese do Algarve, em
1884, e o

patriarcado de Lisboa, em 1907. Foi
indicado para Cardeal in pectore no
Consistório de 27 de novembro de
1911, por Pio X. Nesse ano seria
expulso de Lisboa devido às
convulsões políticas de então. Ficou
exilado em Gouveia durante dois
anos. Participou no Conclave em
que foi eleito Bento XV, em 1914,
tendo recebido das mãos deste o
barrete cardinalício.

36. D. MANUEL
GONÇALVES CEREJEIRA 14º Cardeal Patriarca de
Lisboa
Nasceu em Lousado em 1888.
Nomeado Arcebispo de Mitilene em
1928, foi Patriarca de Lisboa em 18
de novembro de 1929. No dia 16 do
mês seguinte foi elevado a Cardeal
da Ordem dos Presbíteros, com o
título dos Santos Marcelino e Pedro.
Era o mais novo dos purpurados,
tendo recebido o barrete das mãos
de Pio XI, ao mesmo tempo que o
Cardeal Pacelli, mais tarde Papa Pio
XII. Querendo apaziguar as relações
com o Estado, devido às convulsões
surgidas com a revolução
republicana de 1910, tudo fez para
que, em 1940, o Governo assinasse
uma Concordata com a Santa
Sé.Outro marco fundamental na
ação deste Patriarca foi a criação da
Universidade Católica.

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37. D. TEODÓSIO
CLEMENTE DE GOUVEIA
Nasceu na Ilha da Madeira em 1889.
Foi Bispo titular de Leuce e Prelado
de Moçambique (1936), e em 1941,
Arcebispo de Lourenço Marques.
Foi elevado a Cardeal-Presbítero,
por Pio XII, no Consistório de 18 de
fevereiro de 1946.

38. D. JOSÉ DA COSTA
NUNES
Nasceu na Ilha do Pico (Açores) a
15 de março de1880. Foi Bispo de
Macau (1920) e nomeado Arcebispo
de Goa e Damão, com o título de
Patriarca das Índias Orientais, a 11
de março de 1940. Em 16 de
dezembro de 1953 renunciou ao
governo da diocese, mantendo,
porém, o título de Patriarca e
ficando como arcebispo titular de
Odesso, passando, então, a fazer
parte da Cúria Romana, como vicecamerlengo da Santa Sé. No
Consistório de 16 de março de 1962
foi elevado à dignidade cardinalícia,
por João XXIII.

39. D. ANTÓNIO RIBEIRO
- 15º Cardeal Patriarca de
Lisboa
Nasceu em S. Clemente (Celorico de
Basto) em 21 de maio de 1928. Foi
nomeado Bispo titular de Tigilava e
Auxiliar do Arcebispo de Braga a 8
de julho de 1967. Em 13 de maio de
1971 foi nomeado 15º Patriarca de
Lisboa. Paulo VI elevou-o à
dignidade cardinalícia, com o título
de Santo António in urbe, no
Consistório de 5 de março de
1973.Foi o Cardeal Patriarca da
transição entre a ditadura e a
democracia em Portugal. Neste
período, a sua coragem pastoral e
mesmo lucidez política foram
importantes para definir o espaço da
Igreja no novo contexto social. Na
Diocese, o seu pontificado coincide
com o período de adaptação do
Concílio Vaticano II: definição da
corresponsabilidade dos leigos na
ação pastoral da Igreja, incentivo à
ação social como expressão
organizada da caridade, consciência
de que a missão é da Igreja
enquanto enviada ao mundo. Por
duas vezes, foi presidente da
Conferência Episcopal Portuguesa.

40. D. HUMBERTO
MEDEIROS

para a Causa dos Santos. A 21 de
fevereiro de 2001 é criado Cardeal.

Nasceu nos Arrifes, ilha de S. Miguel
(Açores), a 6 de outubro de 1915.
Bispo de Browsville, no Texas
(1966). Arcebispo de Boston (1970).
Criado Cardeal por Paulo VI, no
Consistório de 5 de março de 1973.

42. D. JOSÉ DA CRUZ
POLICARPO – 16º Cardeal
Patriarca de Lisboa

41. D. JOSÉ SARAIVA
MARTINS

Nasceu em Alvorninha, concelho das
Caldas da Rainha, no dia 26 de
fevereiro de 1936. Faleceu em
Lisboa, no dia 12 de março de 2014.

D. José Saraiva Martins nasceu em
Gagos de Jarmelo, Guarda, a 6 de
janeiro de 1932. Entrou, em 1944,
no seminário claretiano das Termas
de São Vicente. Cursou teologia em
Roma, tendo-se licenciado na
Universidade Gregoriana. Depois de
vários anos de docência nos
seminários maiores da Província
Claretiana, doutorou-se em Roma
na Universidade de S. Tomás de
Aquino. Em 1970 é nomeado
professor de teologia na Pontifícia
Universidade Urbaniana. Nomeado
Reitor da mesma, desempenha este
cargo de 1977 a 1983, e desde
1986 até ser nomeado arcebispo e
secretário da Congregação da
Educação Cristã, a 26 de maio de
1988. É ordenado bispo a 2 de julho
de 1988, em Roma. Em 1998 é
Prefeito da Congregação

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65

43. D. MANUEL MONTEIRO
DE CASTRO
Nasceu em Santa Eufémia de
Prazins, Guimarães, a 29 de março
de 1938, e foi ordenado presbítero
em 1961, e partiu para Roma, onde
ficou até 1967. Cursou Direito
Canónico, forma-se na Academia
Diplomática e em 1967 é nomeado
para a Nunciatura Apostólica do
Panamá, onde exerce

funções até 1969. A partir desse
ano exerce a sua missão diplomática
na Guatemala, Vietname, Cambodja,
Austrália e México. Depois do
atentado ao Papa João Paulo II em
Roma, é enviado para Bruxelas
onde acompanha a Comunidade
Económica Europeia (CEE), e a
NATO. Em 1985 é ordenado bispo e
enviado como Núncio e Delegado
Apostólico para as

Caraíbas. No início dos anos 90 é
enviado por dois anos para a África
do Sul onde inicia importantes
relações diplomáticas. Muda-se
depois para Madrid onde se
estabelece até 2009, ano em que o
Papa Bento XVI nomeia-o para a
Congregação dos Bispos. Foi feito
Cardeal em 2012 e nomeado como
secretário do Colégio

Cardinalício com o lugar
de Penitenciário-Mor da
Penitenciaria Apostólica. É membro
da Congregação para a Causa dos
Santos e do Conselho Pontifício
para a Pastoral dos Migrantes e
Itinerantes.
Fonte: Patriarcado de Lisboa

insira a foto aqui

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67

Cardeais portugueses felicitam
nomeação de D. Manuel Clemente
O cardeal José Saraiva Martins
disse à Agência ECCLESIA que a
criação cardinalícia de D. Manuel
Clemente, este sábado, representa
um “momento histórico” para a
Igreja Católica em Portugal.
“Certamente será um ótimo cardeal,
como foi um ótimo arcebispo e
bispo. É um grande acontecimento,
que ficará gravado com letras de
ouro na história da Igreja
portuguesa, em particular na Igreja
de Lisboa”, declarou o prefeito
emérito da Congregação para as
Causas dos Santos.
O cardeal português fala de D.
Manuel Clemente como um “grade
pastor”, de “grande cultura histórica
e eclesial”, adiantando que o veria
como um “ótimo membro” da
Congregação para os Bispos ou da
Congregação para a Educação
Católica.
Também o cardeal D. Manuel
Monteiro de Castro, penitenciáriomor emérito da Santa Sé,
manifestou à Agência ECCLESIA a
sua “grande alegria” por acolher D.
Manuel Clemente, patriarca de
Lisboa, no Colégio Cardinalício.

68

D. José Saraiva Martins recorda, por
outro lado, a criação do primeiro
cardeal de Cabo Verde, D. Arlindo
Furtado, bispo de Santiago, e de D.
Júlio Duarte Langa, Bispo Emérito
de Xai-Xai (Moçambique), neste
caso entre os cardeis com mais de
80 anos.
O consistório público para a criação
de 20 cardeais (15 dos quais
eleitores) vai decorrer no sábado,
depois de dois dias de debate, na
quinta e sexta-feira, sobre a reforma
da Cúria Romana, para os quais o
Papa convocou todos os membros
do Colégio Cardinalício.
D. Manuel Monteiro de Castro
precisa que os debates têm
abordado o conjunto dos
organismos centrais (dicastérios) de
governo da Igreja Católica: “a
Secretaria de Estado, as
Congregações da Curia Romana,
que exercitam poder administrativo;
os Tribunais, que exercitam o poder
judicial); e os Conselhos Pontifícios,
que não exercitam poder
administrativo, mas têm uma função
de estudo, conselho e elaboração
pastoral nos vários setores da sua
competência”.
“Pensa-se na possibilidade

de um dicastério para os Leigos e a
Família: promoção da vida cristã
dos fiéis leigos, matrimónio e a
família, a sua missão deles na Igreja
e na
sociedade civil. Fala-se também
num dicastério para os grandes
princípios sociais da Igreja no
mundo”, precisa.
D. José Saraiva Martins confirma
estas indicações, no sentido de
“simplificar” a estrutura,
considerando

“absolutamente necessária a
reforma da Cúria, que é o centro de
governo da Igreja”, algo que
aconteceu sempre ao longo da
história.
Nesse sentido, admite que a
publicação de uma nova
Constituição “não deverá demorar
muito tempo”, dado que se trata de
uma matéria “urgente”.

69

Reforma da Cúria Romana
O Papa preside até quarta-feira à
oitava Reunião do Conselho dos
Cardeais – conhecido como ‘C-9’ que criou para o auxiliarem na
reforma da Cúria Romana, o
chamado ‘C9’. Os trabalhos
antecedem o consistório (reunião de
cardeais) de quinta e sexta-feira
para “para ponderar sobre as
orientações e as propostas para a
reforma da Cúria Romana”,
convocado por Francisco, e o
consistório público para a criação
de novos cardeais, incluindo D.
Manuel Clemente, patriarca de
Lisboa, no sábado.
O C9, organismo consultivo com
representantes de várias dioceses,
apresentou em setembro de 2013
um esboço de nova Constituição
para a Cúria Romana, que foi
discutido com os responsáveis dos
organismos centrais do governo da
Igreja, dois meses depois.

70

O trabalho está mais avançado no
que diz respeito às questões
económicas e administrativas e às
questões relacionadas com os
departamentos de economia, após a
instituição do Conselho e da
Secretaria para a Economia,
liderada pelo cardeal australiano D.
George Pell.
Nomeado pelo Papa em abril de
2013,o Conselho de Cardeais é
composto pelo secretário de Estado
do Vaticano, D. Pietro Parolin, e por
D. Oscar Rodríguez Maradiaga,
arcebispo de Tegucigalpa,
Honduras, presidente da Cáritas
Internacional; D. Giuseppe Bertello,
presidente do Governatorato do
Estado da Cidade do Vaticano; D.
Francisco Errázuriz Ossa, arcebispo

emérito de Santiago do Chile; D.
Oswald Gracias, arcebispo de
Bombaím, na Índia; D. Reinhard
Marx, arcebispo de Munique
(Alemanha); D. Laurent Monsengwo
Pasinya, arcebispo de Kinshasa, na
República Democrática do Congo;
D. Sean Patrick O’Malley, arcebispo
de Boston, nos EUA, e D. George
Pell; o secretário do C9 é o bispo
italiano D. Marcello Semeraro.
O documento que regulamenta
atualmente a Cúria Romana é a
constituição 'Pastor Bonus',
assinada por São João Paulo II a 28
de junho de 1988.
O cardeal Oscar Maradiaga, que
coordena o ‘C9’, considera que
Francisco criou uma “nova maneira
de governar a Igreja” e admitiu, na
sua

recente passagem por Portugal, que
é necessário “reduzir” o número de
Congregações e Conselhos
Pontifícios.
Em cima da mesa estão propostas
para criar "duas novas grandes
congregações", uma para "Leigos,
Família e Vida" e outra para os
setores da "Caridade, Justiça e
Paz".

71

Reforma da Cúria
é «transformação eclesial»
O Cardeal Gianfranco Ravasi,
presidente do Conselho Pontifício
da Cultura (CPC), revelou à Agência
ECCLESIA que vai propor ao Papa
a criação de um novo “polo cultural”
que una várias instituições da Cúria
Romana. “Poderia ser um único
grande dicastério, que se relaciona
com muitas instituições: pensemos
na Academia das Ciências, na
Academia das Ciências Sociais, os
Museus do Vaticano, a Biblioteca
Apostólica, o Arquivo Secreto, o
Observatório Astronómico. Ou seja,
conseguir fazer um polo cultural,
que possa ser um grande serviço às
comunidades eclesiais espalhadas
pelo mundo”, refere o cardeal
italiano.
A proposta vai ser lançada durante
o consistório (reunião de cardeais)
destas quinta e sexta-feira,
convocado por Francisco para
“ponderar sobre as orientações e as
propostas para a reforma da Cúria
Romana”, um encontro que
antecede o consistório público para
a criação de novos cardeais,
incluindo D. Manuel Clemente,
patriarca de Lisboa, no sábado.

72

Segundo o cardeal Gianfranco
Ravasi, “cultura e educação - que
atualmente são dois dicastérios
vaticanos - podem muito bem tornarse uma única entidade”.
“Se olharmos bem, a palavra
educação quer dizer ‘educere’,
conduzir para fora - os valores de
uma pessoa, portanto, a formação.
Instruir, a cultura, é por outro lado,
introduzir elementos, valores”,
explica.
Atualmente, a Cúria Romana tem
uma Congregação para a Educação
Católica e um Conselho Pontifício da
Cultura, a que está associada a
Comissão Pontifícia para os Bens
Culturais da Igreja.
Segundo o presidente do CPC,
existe um processo de
“transformação, como aconteceu
com Paulo VI quando fez a reforma
da Cúria”. “É uma transformação
eclesial, não burocrática, eclesial,
porque significa que a Cúria
Romana já não é autorreferencial,
não só porque chegam membros de
outras nações, sem ter sempre a
prevalência italiana. É concebê-la
como uma parte do ministério
petrino, que tem a função

de ligar na unidade as Igrejas
dispersas e servi-las, ajudá-las”,
precisa.
A Cúria Romana - o conjunto dos
dicastérios e dos organismos que
coadjuvam o Papa no exercício da
sua missão – tem como instituições
principais uma Secretaria de
Estado, uma Secretaria para a
Economia, nove Congregações, três
Tribunais e doze Conselhos
Pontifícios.
“É uma reforma de método e é mais
do que apenas procurar determinar
quais são os controlos da Cúria

Romana, da sede central, como
acontece na banca, nos grandes
bancos: grandes centros de poder
que controlam a periferia. Não, aqui
pelo contrário é tentar um método
diferente de diálogo, de
relacionamento com as instituições,
com as Igrejas, por isso, também
com as culturas espalhadas pelo
mundo”, sublinha o cardeal
Gianfranco Ravasi.
Em relação ao consistório público
deste sábado, o presidente do CPC
considera “interessante” que o Papa
“tenha nomeado, de surpresa,
tantos cardeais de culturas
diferentes”.

73

Cúria Romana
A Cúria Romana - o conjunto dos
dicastérios e dos organismos que
coadjuvam o Papa no exercício da
sua missão – tem como instituições
principais uma Secretaria de
Estado, uma Secretaria para a
Economia, nove Congregações, três
Tribunais e doze Conselhos
Pontifícios.

Elenco completo
(Indica-se o ano de nomeação para
o cargo. A itálico as nomeações
feitas pelo Papa Francisco)
Secretaria de Estado do Vaticano
(Secretário) – Cardeal Pietro Parolin
(Itália) - 2013
Secretaria para Economia
(Secretário) - Cardeal George Pell
(Austrália) -2014

Congregações
(Lideradas por um prefeito)
Doutrina da Fé – Cardeal Gerhard
Ludwig Cardinal Müller (Alemanha)
– 2012
Igrejas Orientais – Cardeal
Leonardo Sandri (Argentina) – 2007
Culto Divino e Disciplina dos
Sacramentos – Cardeal Robert
Sarah (Guiné-Conacri) - 2014

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Causas dos Santos – Cardeal
Angelo Amato (Itália) – 2008
Evangelização dos Povos – Cardeal
Fernando Filoni (Itália) – 2011
Clero – Cardeal Beniamino Stella
(Itália) - 2013
Institutos de Vida Consagrada e
Sociedades de Vida Apostólica –
Cardeal João Bráz de Aviz (Brasil) –
2011
Educação Católica (Seminários e
Institutos de Estudo) – Cardeal
Zenon Grocholewski (Polónia) 1999
Bispos – Cardeal Mar Ouellet
(Canadá) – 2010

Tribunais
Penitenciaria Apostólica
(Penitenciário-mor) – Cardeal
Mauro Piacenza (Itália) – 2013
Assinatura Apostólica (Prefeito) – D.
Dominique Mamberti (França) 2014
Rota Romana (Decano) – Mons. Pio
Vito Pinto (Itália) – 2012

Conselhos Pontifícios
(Liderados por um presidente)
Leigos – Cardeal Stanislaw Rylko
(Polónia) - 2003

Promoção da Unidade dos Cristãos
– Cardeal Kurt Koch (Suíça) - 2010
Família – D. Vincenzo Paglia (Itália)
- 2012
Justiça e Paz – Cardeal Peter
Turkson (Gana) - 2009
"Cor Unum" – Vacante
Pastoral dos Migrantes e Itinerantes
– Cardeal Antonio Maria Vegliò
(Itália) - 2009
Pastoral da Saúde – D. Zygmunt
Zimowski (Polónia) - 2009

Textos Legislativos – Cardeal
Francesco Coccopalmerio (Itália) 2007
Diálogo Inter-religioso – Cardeal
Jean-Louis Tauran (França) - 2007
Cultura – Cardeal Gianfranco
Ravasi (Itália) - 2007
Comunicações Sociais – D. Cláudio
Maria Celli (Itália) - 2007
Nova Evangelização – D. Salvatore
‘Rino’ Fisichella (Itália) – 2010

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