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Resenha Eleitoral » Edições impressas » Direitos políticos ­ perda, suspensão e controle jurisdicional

Direitos políticos ­ perda, suspensão e controle
jurisdicional
Por: Teori Albino Zavascki

1 CONCEITUAÇÃO
1 O capítulo da Constituição sobre Direitos Políticos (Capítulo IV do Título II)
trata de temas como exercício da soberania popular pelo sufrágio e pelo voto,
alistabilidade eleitoral, elegibilidade e impugnação de mandato eletivo. Essa
variedade temática fornece os elementos para uma compreensão do que
sejam os Direitos Políticos ou Direitos de Cidadania: o conjunto dos direitos
atribuídos ao cidadão, que lhe permite, através do voto, do exercício de
cargos públicos ou da utilização de outros instrumentos constitucionais e
legais, ter efetiva participação e influência nas atividades de governo. Dir­se­á
que esta conceituação abrangente envolve não apenas os direitos políticos
propriamente ditos, mas também outros direitos dos quais os direitos políticos
constituem simplesmente pressuposto. É verdade. Entretanto, a se tentar
purificar o conceito, chegar­se­ia a uma definição restritíssima, segundo a qual
direito político seria apenas o direito de ser eleitor. Com efeito, o próprio direito
de ser candidato, ou seja, a elegibilidade, já tem como pressuposto o pleno
exercício dos direitos políticos (Constituição Federal, art. 14, § 3°, II).
Preferível, assim, e na esteira da boa doutrina, a conceituação em sentido
amplo 1.
2 Estar no gozo dos direitos políticos significa, pois, estar habilitado a alistar­
se eleitoralmente, habilitar­se a candidaturas para cargos eletivos ou a
nomeações para certos cargos públicos não eletivos (Constituição Federal, art.
87; 89, VII; 101; 131, § 1°), participar de sufrágios, votar em eleições,
plebiscitos e referendos, apresentar projetos de lei pela via da iniciativa
popular (Constituição Federal, arts. 61, § 2° e 29, XI) e propor ação popular
(Constituição Federal, art. 5°, inc. LXXIII). Quem não está no gozo dos direitos
políticos não poderá filiar­se a partido político (Lei n. 5.682, de 21.07.71, art.
62) e nem investir­se em qualquer cargo público, mesmo não eletivo (Lei n.
8.112, de 11.12.90, art. 5°, II). Não pode, também, ser diretor ou redator­chefe
de jornal ou periódico (Lei n. 5.250, de 09.02.67, art. 7°, § 1°) e nem exercer
cargo em entidade sindical (Consolidação das leis do trabalho, art. 530, V).
3 Nem todas as pessoas gozam de direitos políticos plenamente. Há as que só
estão habilitadas para algumas de suas faculdades e outras há que não se
investem em qualquer delas. São pressupostos para aquisição da capacidade
política (a) capacidade civil e (b) nacionalidade. Por isso, não têm direitos
políticos os estrangeiros e os menores de 16 anos. Têm direitos políticos,
porém não todos, os inelegíveis, tais como os menores de 18 anos e os
analfabetos (Constituição Federal, art. 14, § 4°). A inelegibilidade, ou seja, a
restrição ao direito político de candidatar­se, decorre, ademais, de outras
circunstâncias: da irreelegibilidade para certos cargos (Constituição Federal,
art. 14, § 5°), da inelegibilidade em razão de vínculos pessoais com titulares de
certos cargos (§ 7°) e das demais hipóteses previstas na Lei Complementar n.
64, de 18.05.90, editada segundo a previsão do § 9°, do art. 14, da
Constituição Federal. Para certos cargos eletivos a elegibilidade está
condicionada a limite mínimo de idade: 35 anos para Presidente, Vice­
Presidente e Senador; 30, para Governador e Vice­Governador; 21, para
Deputado, Prefeito e Vice­Prefeito (Constituição Federal, art. 14, § 3°, VI).
Assim, sob este aspecto, antes de atingir 35 anos de idade, ninguém, a rigor,
pode se dizer na plenitude dos direitos políticos2.
4 Não se pode confundir cidadania com nacionalidade. Ser cidadão é ter
direitos políticos. Ter nacionalidade significa ser brasileiro, nato ou
naturalizado (Constituição Federal, art. 12). A nacionalidade é pressuposto da
cidadania. Porém, nem todo o nacional é cidadão, porque nem todos têm
direitos políticos, como se viu 3.

F ALE
C ON OSC O

 que o cancelamento decorra de sentença. motivada por convicção religiosa. 12. 3 SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS 3. X. de 1991 (§ 2° do art. do ato que declarar a perda da nacionalidade (art.. não parece adequada à natureza da falta. 12. importará a perda dos direitos políticos" (Constituição. LlV e LV. Inobstante rezar o dispositivo constitucional que a perda ou suspensão dos direitos políticos "só se dará nos casos. a sanção política de perda dos direitos. mas admite sua perda ou suspensão nas hipóteses previstas no art. do trânsito em julgado da sentença que decretar o cancelamento.". 109 da Constituição Federal. sempre passível de regularização. 8. na sentença.08. 112. da Constituição Federal). ao regulamentar "a prestação de Serviço Alternativo ao Serviço Militar Obrigatório". (III) condenação criminal transitada em julgado. 9 São da competência da Justiça Federal. (II) incapacidade civil absoluta.815. ipso iure. de 02 de junho de 1992. de condenação criminal e de recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa 5; no caso de improbidade administrativa. do art. pela sua perpetuidade. 2. em seu art. são apenas duas as hipóteses de perda dos direitos políticos: o cancelamento da naturalização e a perda da nacionalidade brasileira. pois de efeitos temporários: perduram enquanto perdurarem as causas determinantes. a teor do que dispõe o art. Porém. de outra nacionalidade. Exige­se. 8. de 04. independentemente de qualquer outro ato administrativo ou sentença.2 Cancelamento da naturalização 8 A perda dos direitos políticos por cancelamento de naturalização decorre. 37. 8. que "a recusa do serviço do júri.1 Recusa de cumprimento de obrigação 10 Em regimes constitucionais anteriores a 1988. do art. conforme dispõe o inc. 5°.429. a Lei n. 2. 4°). 435. esta se operará automaticamente ante o cancelamento do seu pressuposto essencial. e à naturalização". § 4°. por naturalização voluntária. 15. do art. § 4°. É que a nacionalidade é pressuposto essencial da cidadania: sem aquela impossível esta. II. Realmente. as causas referentes à nacionalidade. 6 A rigor...10. § 2°). 143.80. destarte. como manda o art. a recusa de cumprimento de obrigação a todos imposta acarretava a perda dos direitos políticos6. a Lei n. § 4°.91. Não foi por outra razão que o Código de processo penal estabeleceu. o inc. da Lei n. Não está recepcionado pela nova Constituição. da Constituição Federal. (IV) recusa de cumprimento de obrigação a todos imposta ou da prestação alternativa e (V) improbidade administrativa. o tempo de suspensão dos direitos políticos é o estabelecido na lei regulamentadora do art. por cidadão brasileiro. É o que dispõe. da Constituição.239. da . Todas as demais são hipóteses de suspensão. a nacionalidade. alínea "b"). ou seja." elencados no art. é certo que pelos menos um caso não está ali compreendido: o de perda de nacionalidade. art. também ipso iure. O cidadão brasileiro que adquirir outra nacionalidade por naturalização voluntária perderá a nacionalidade brasileira e. 15. nos casos de incapacidade civil absoluta. independentemente de qualquer específica menção. inclusive a respectiva opção.239. o § 3°. como reconhece a citada Lei n. 4°. Ou seja. à perda dos direitos políticos. de 19. conseqüentemente.2 PERDA DOS DIREITOS POLÍTICOS 5 A Constituição Federal veda a cassação dos direitos políticos. seus direitos de cidadania 4. de que trata o art.1 Perda da nacionalidade 7 Em casos de aquisição. de ato do Poder Judiciário. 6. no entanto. nestes casos. §§ 1° e 2° da atual Constituição. 119. que prevê hipótese de declaração de nulidade do ato de naturalização mediante processo administrativo do Ministério da Justiça. I. ou seja. A suspensão dos direitos políticos. 15 da Constituição Federal. a perda dos direitos políticos decorrerá. não poderá dispensar o devido processo legal. de modo expresso. estabeleceu que a recusa ao atendimento de serviços nela previstos importará suspensão dos direitos políticos (art. a saber: (I) cancelamento da naturalização. A Constituição de 1988 não distinguiu expressamente os casos de perda dos de suspensão. filosófica ou política..

 pelo ato que determinar a retomada da capacidade civil. não se confunde. é no sentido de que os efeitos da condenação se esgotam com o cumprimento da pena imposta pela sentença condenatória. partindo do pressuposto de que ­por "efeitos da condenação" ­ devem ser entendidos os previstos na lei penal.Constituição Federal/88. A Constituição de 1988. cuja aplicabilidade a jurisprudência e a doutrina condicionaram à edição da Lei Complementar referida no § 3° daquele artigo. dá abono à primeira interpretação. mais restrita. portanto. também os efeitos secundários. da Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar n. enquanto durarem seus efeitos". Verificando­se hipótese de incapacidade civil absoluta dentre as previstas na lei civil7. com estes. pelo tráfico de entorpecentes e por crimes eleitorais"10. Qualquer que seja o entendimento. 14 O art.2 Perda da capacidade civil 11 A capacidade civil é condição para aquisição e manutenção da capacidade política. de 18 de maio de 1990) deu ensejo a se pensar que a suspensão dos direitos políticos não se daria em todos os casos de condenação. 3. ainda que persistam os efeitos secundários de que trata a lei penal. 91. A suspensão dos direitos políticos é efeito natural do trânsito em julgado da sentença que decretar a interdição e a sua reaquisição se dará. acarreta. O sentido ético que inspira e subjaz asanção política prevista no art. 1°. Também não distingue crimes de maior ou menor potencial ofensivo ou danoso. a que tem o aval do Tribunal Superior Eleitoral14. do art. no entanto. como já se acentuou. neles incluídos. assegurados ao acusado os mais amplos meios de defesa. A elegibilidade. o exercício. 3. 15 O Constituinte não fez exceção alguma: em qualquer hipótese de condenação criminal haverá suspensão dos direitos políticos enquanto durarem os efeitos da sentença. é. suspensa ficará a cidadania enquanto perdurar aquela. 15 da Constituição Federal. Trata­se de preceito extremamente rigoroso. Uma. a administração pública. O que o dispositivo da Lei Complementar disciplina é hipótese de inelegibilidade. A condenação por contravenção.3 Condenação criminal 12 Suspendem­se os direitos políticos por "condenação criminal transitada em julgado. 16 A suspensão dos direitos políticos perdura enquanto perdurarem os efeitos da condenação. no entanto. que também é crime. o gozo. 64. do Código Penal. inquestionável. alínea "c". persistirá a inelegibilidade enquanto não transcorrido o prazo de três anos. Vale dizer: em tais casos; ainda que retomados os demais direitos políticos por exauridos os efeitos da condenação. o mercado financeiro. não refere exigência de norma regulamentadora. Duas correntes se formaram a respeito do que se há de entender por "duração dos efeitos". assim. mas apenas e tão­ somente nos ali elencados. 149. o patrimônio público. é . Vale dizer: enquanto não atendida esta obrigação. nem condenações a penas privativas de liberdade de condenações a simples penas pecuniárias. 13 A suspensão dos direitos políticos não é pena acessória. portanto. aliás adotada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul13. como o de "tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado à vítima". a perda ou suspensão de todos ou de qualquer deles e os casos e as condições de sua reaquisição"8. É a segunda. diz o inc. pela prática de crimes contra a economia popular. Dita Lei jamais chegou a ser editada. a fé pública. perdurará o efeito da condenação e. Outra orientação. 15. com sentença transitada em julgado. 15. a suspensão dos direitos políticos. A Constituição anterior tinha dispositivo semelhante no § 2°. constitui apenas um dos direitos políticos ou uma das prerrogativas inerentes aos direitos políticos e. destarte. independentemente de qualquer referência na sentença. III do art. previsto no art. A eficácia plena e a aplicabilidade imediata do seu inc. "e". também automaticamente. portanto. III do art. o efeito constitucional11. Não é correto o entendimento. e assim pensa a doutrina e decidem os Tribunais9. III. a saber: "Lei Complementar disporá sobre a especificação dos direitos políticos. "pelo prazo de três anos após o cumprimento da pena". I. porque não distingue crimes dolosos dos culposos. em relação aos que "forem condenados criminalmente. e sim conseqüência da condenação criminal: opera­se automaticamente. I. da Constituição 12.

 À improbidade. fiscal ou creditício. 94 do Código Penal. porque ainda persistem os efeitos da condenação.429. a indisponibilidade de bens e o ressarcimento ao erário. já que. Com efeito. 10); e de três a cinco anos. só pode ser requerida após dois anos "do dia em que for extinta. 1°) e. É que a elegibilidade. ainda que transitoriamente ou sem remuneração. como o proveito patrimonial obtido pelo agente" (art. No que diz respeito à cominação de suspensão dos direitos políticos ora em estudo ­que é aplicável cumulativamente com outras previstas na lei. se for o caso. melhor dizendo. o juiz levará em conta a extensão do dano causado. Só o será se. o ressarcimento dos danos. Agora. eventual sujeito ativo do ilícito. cargo. É civil ou. A suspensão dos direitos políticos por motivo de improbidade administrativa é hipótese nova no direito brasileiro.. no § 4° do art. a perda da função pública. a pena ou terminar a execução. que tem efeito meramente declaratório. Exigir­se a reabilitação significaria prolongar a suspensão por mais dois anos além do prazo previsto pelo Constituinte. 19 Autor e lesado por improbidade têm conceito amplíssimo na lei. em princípio. ". ainda. dispôs sobre "as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato. Leia­se. porém. Exigir­se. que. se for o caso.. 9°). 11 ). Nesses casos. como a perda do cargo público. 20 Os atos de improbidade foram divididos em três grandes grupos: os "que importam enriquecimento ilícito" (art. político­ civil. diz a lei. Ora. conhecer de matéria relacionada com inelegibilidade. a conclusão do processo formal de reabilitação seria prolongar o tempo de suspensão da cidadania e sujeitá­la a imposições não previstas na Constituição. houver necessidade de. independentemente da reabilitação criminal. onde a elegibilidade (e. mandato. de qualquer modo. 12. conforme se vê nos seus arts. por eleição. as empresas incorporadas ao patrimônio público ou aquelas entidades para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com parcela superior a cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita (art. 2°). 37: "Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. sempre em ação penal. ou seja. a este.4 Improbidade administrativa 18. a existência dos direitos políticos é fundamento para a decisão. 10) e os "que atentam contra os princípios da administração pública" (art. é apenas um dos atributos dos direitos políticos. a reabilitação. 21 Muito embora a penalidade seja a suspensão dos direitos políticos e a perda do cargo eletivo. não há dúvida de que. incidentalmente. Agente público. Em voto no TRE/RS sustentamos que "o controle dos direitos políticos dos cidadãos. tradicionalmente. assim. a existência dos direitos políticos) deve ser examinada. emprego ou função na administração pública direta. com efeito. 9°); de cinco a oito anos. no art. "Na fixação das penas".certo que durante o prazo do sursis a sanção política persistirá. portanto. sem prejuízo da ação penal cabível". 1°). essa circunstância ­ natureza não criminal da sanção ­ inova substancialmente na ordem jurídica. indireta e funcional. para os atos da improbidade do primeiro grupo (art. de 02. já que a matéria não tem natureza eleitoral. jamais seu objeto. beneficio ou incentivo. para os demais (art. 12. emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior" (art. É o que ocorre quando do pedido de registro de candidaturas ou de diplomação de eleitos. a perda dos acréscimos patrimoniais ilicitamente obtidos etc.06. os "que causam prejuízos ao erário" (art." e desde que atendidos outros requisitos elencados no art. as entidades que recebem subvenção. a aptidão para ser votado. refoge à competência eleitoral. indireta ou funcional". outros atributos . ainda que com efeitos políticos. 11 ). na forma e na gradação previstas em lei.. para tal fim.92. cargo. para os atos do segundo grupo (art. parágrafo único). além das entidades da administração direta. 1° e 2°. Como vítimas figuram. a sanção não é penal. é considerado "todo aquele que exerce. 3. introduzida pela Constituição Federal/88. a ação não é da competência da Justiça Eleitoral. cominavam­se sanções de natureza penal. sejam quais sejam os efeitos a que se refere o Constituinte. de órgãos públicos (parágrafo único do art. no curso do processo eleitoral e em função dele. 8. a seguinte gradação: suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos. 17 Por outro lado. opera­se a reaquisição dos direitos políticos. designação. uma vez esgotados. a Constituição Federal. Mas.. ­fixou a lei. contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo. regulamentando o texto constitucional. o que fica evidenciado no exame da Lei n. nomeação.

 109. . Mas o tem somente na área de suas atribuições e nos limites legais de sua competência executiva. 87).ocupantes dos que integram o arcabouço constitucional do Estado. da Constituição Federal. diz Hely Lopes MEIRELES. Vale dizer. já que "o vínculo que tais agentes entretêm com o Estado não é de natureza profissional. I. 22 Por outro lado. ou de conveniência e oportunidade administrativas.. Portanto. a perda ou suspensão dos direitos políticos traz aos cidadãos atingidos conseqüências muito mais abrangentes que as relacionadas com eventual e episódica participação em determinado pleito eleitoral"15. normalmente vinculada à lei ou à norma técnica. 20 da Lei em comento. à hipótese. igualmente. o esquema fundamental do Poder". art. É. ou seja. I. Isto não quer dizer que a Administração não tenha poder de decisão. 8. dos servidores públicos. da Constituição. o que os qualifica para o exercício das correspondentes funções não é a habilitação profissional. Não teria sentido. Governo. VIII; 102. a teor do art. Exercem um munus público. § 3°). "b" e "c"; 105. mas a qualidade de cidadãos. ocupantes de cargos de Governo. A Administração é o instrumental de que dispõe o Estado para por em prática as opções políticas do Governo.II. o esquema fundamental do Poder. enquanto que "a designação de servidores públicos abarca todos aqueles que entretêm com o Estado e entidades de sua administração indireta ou fundacional relação de trabalho de natureza profissional e caráter não eventual sob vinculo de dependência"17. 29. o que importa dizer que todos os recursos que vierem a ser interpostos terão efeito suspensivo. a competência será da Justiça Comum Federal. que a estes agentes políticos ­"titulares dos cargos estruturais à organização política do País. figurando a lesada no pólo ativo da relação processual. e sim os que dizem respeito ao status civitatis no seu mais amplo sentido. 17) ou como litisconsorte (art. Se a lesão afetar direito ou interesse da União. Secretários Estaduais e Municipais (Constituição Federal. Tem. nestes casos. "a". Seria um verdadeiro contra­senso. ocupantes dos que integram o arcabouço constitucional do Estado. já que. tais como os de Ministros de Estado. a competência será de Justiça Comum dos Estados.429/92 será processada e julgada perante a Justiça Comum. a suspensão dos direitos políticos somente se efetivará com o trânsito em julgado da sentença. e não apenas os relacionados com eleições (direito de votar e ser votado). Saliente­se que. Governo é conduta independente; administração é conduta hierarquizada. entidade autárquica ou empresa pública federal. requisito para o exercício de cargos não eletivos de natureza política. "é atividade política e discricionária; administração é atividade neutra. I. financeiros. não se tratando de ação penal.1 Agentes políticos 24 O gozo dos direitos políticos é condição indispensável à elegibilidade. que trata a Lei n. ocupantes de cargos de administração. as regras que estabelecem foro especial por prerrogativa de função. propriamente dito). Nos demais casos. técnicos. da Constituição. a ação será proposta perante o Juízo de primeira instância. mas com responsabilidade técnica e legal pela execução.e faculdades são inerentes. § 3°. Para respondê­la é mister distinguir­se e precisar­se a condição daquele que exerce cargo de Governo (o agente político) e daquele que exerce cargo de administração (o servidor público. a ação de . como aliás ocorre quando se trata de ação popular.. aplica­se a regra de competência do art. Daí a fundamental distinção antes referida entre os agentes políticos. tais como as dos arts. Daí que se constituem nos formadores da vontade superior do Estado". como faz expresso o art. Portanto. não se aplicam. só podendo opinar e decidir sobre assuntos jurídicos. "a" e 108. 14. a aptidão técnica. encarregados de formar a vontade superior da sociedade política ­ fosse dado exercer o cargo mesmo quando privados dos direitos de cidadania. mas de natureza política. sem qualquer faculdade de opção política sobre a matéria"16. 4. 4 DIREITOS POLÍTICOS E CARGO PÚBLICO 23 Questão importante é a de saber se a perda ou suspensão dos direitos políticos acarreta a perda do cargo público. ou como autora (art. O Governo comanda com responsabilidade constitucional e política. 17. I. membros da civitas e por isto candidatos . Independentemente do grau hierárquico do agente público que tenha praticado o ato de improbidade. lê­se na doutrina de Celso Antônio Bandeira de MELLO que "Agentes políticos são os titulares dos cargos estruturais à organização política do País. mas sem responsabilidade profissional pela execução; a Administração executa sem responsabilidade constitucional ou política.

possíveis à condução dos destinos da Sociedade"18. Pois bem. não merecem os direitos de cidadania. 15. entendia­se que não era legítimo o dispositivo no que se referia a mandato eletivo.. que geram automática perda do mandato (art. se for o caso. portanto. 5°. em caso de condenação criminal a perda do mandato (art. quem sabe. art. 55.. art. destas observações. mas é curioso que assim seja. a superveniente perda ou suspensão dos direitos de cidadania implicará. automaticamente. mas. e não política. O trânsito em julgado da condenação acarreta. II). que o controle dos direitos políticos resultou superlativamente valorizado pela constituição de 1988. dos direitos de cidadania. em processo próprio.2 Servidores públicos 26 No que se refere aos servidores públicos. § 2°). dependerá de decisão da respectiva Casa Legislativa. uma exceção: a do parlamentar que sofrer condenação criminal. o tratamento é diferente. § 3°). À luz da Constituição passada. de 1992. É certo que a lei exige o gozo dos direitos políticos como requisito para investidura em cargo público (Lei n.. dos direitos políticos (Constituição Federal. a perda do cargo. para nele permanecer. dado que a condenação do parlamentar só se tornou viável ante a prévia licença dos seus pares para a instauração da ação penal (Constituição Federal.III. nos casos que a lei estabelecer. do cargo que exercem. da Constituição Federal/69 19. VI) ". 25 A essa altura cumpre referir o art. Há. do seu exercício. um mecanismo de defesa contra o exacerbado rigor do art. do texto constitucional. I). haverá aí hipótese de exercício do mandato eletivo por quem não está no gozo dos direitos de cidadania. o que importa valorização dos padrões éticos da cidadania; segundo. não pela perda dos direitos políticos em si. dada a natureza profissional. art. 92. . Assim. mas não extingue. só a perda dos direitos políticos é que poderá atingí­lo.. impaciente e esperançosa.. 149. no caso de mandato parlamentar. no regime constitucional vigente. implicando suspensão de direito político. IV. 8. decorrência necessária. 55. Perda do cargo poderá haver se o fato determinante da suspensão dos direitos políticos constituir também infração sancionável com dita penalidade.. pela autoaplicabilidade do dispositivo que prevê a suspensão dos direitos políticos em caso de condenação criminal transitada em julgado. não apenas para habilitar­se ou investir­se no cargo. mas pela perda da nacionalidade. Em outras palavras: o exercício de cargo público de natureza profissional. da Constituição Federal). a perda do cargo não será. e não transitório. 4. Ao contrário das demais hipóteses de perda ou suspensão dos direitos políticos. § 1°). ou. com mais razão a disposição é inaplicável: o mandato eletivo ou se extingue automaticamente pela suspensão dos direitos políticos. III). será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal. art. causa da perda daqueles direitos. 12) ou jurisdicional­ penal (Código Penal. 55. pela criação da pena política para as hipóteses de improbidade administrativa. notadamente por dois aspectos: primeiro.. o mandato eletivo. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 27 Parece certo concluir­se. o que representa instrumento importante ­hoje inteiramente regulamentado e apto a ser utilizado ­para a moralização da atividade pública e dos seus serviços. que prevê como "efeitos da condenação: I ­ a perda do cargo. como já se viu. porém. perda que "será declarada pela Mesa da Casa respectiva. diferentemente do que ocorre com os cargos de natureza política." (art. 92. 53. como antes se viu. mediante o devido processo legal. administrativo­disciplinar (Lei n. ipso iure. art. que é sempre temporária. nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública quando a pena aplicada for superior a quatro anos;" . já que. 15. não se interrompe por suspensão dos direitos políticos. 55. 8. por ímprobos. E atingi­lo­á. necessariamente.112/90)." (Constituição Federal. do Código Penal. a suspensão. e o caráter permanente.112/90. por voto secreto e maioria absoluta. mas dependerá de cominação aplicada autonomamente. acarretada pela sentença penal condenatória transitada em julgado. Porém. Em casos de suspensão.429. anseia ver afastados da vida pública os que. Aos agentes políticos ­ titulares de cargos eletivos ou não ­exige­se. a pena não poderia ser criada senão em lei complementar. art. exigência impostergável de uma sociedade que. como exigia o § 3° do art. Esta estranha exceção poderá representar. o pleno gozo dos direitos políticos. 8. pois. Ou seja: não havendo cassação do mandato pela Casa a que pertencer o parlamentar.. I. função pública ou mandato eletivo. igualmente. jurisdicional­civil (Lei n. o que se verificará.

 50/92. I do art.34. Forense. § 2°.07. 14. de novas hipóteses de inelegibilidade. de 01. 11 Anoto opinião em sentido contrário de Antônio Carlos MENDES. 3 Ver. 24. § 9°). Rio de Janeiro. 38. entre outros. 9 " A norma do artigo 15. 26.2.. 135. Na definição clássica de Pimenta BUENO. média e máxima. Pontes de MIRANDA sintetiza: "Direito político é o direito de participar da organização e funcionamento do Estado" (Comentários à Constituição de 1967. Ora. . a cidadania tem graduação mínima. Saraiva. III. por isso que suspensa a execução de pena privativa da liberdade. Curso de direito constitucional. ed. intervenção direta ou só indireta. art. 12. refere­se à suspensão dos direitos políticos decorrente da recusa. vol. p. § 1°. 2. Comentários à Constituição brasileira. referida. Rio de Janeiro. 10 Com razão se questiona a rigidez constitucional da letra "e". RT.. citado por Pinto FERREIRA.239. art. 5°; Decreto n. cit. hoje. 1958. do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul. V. diz Pontes de Miranda ser ético. p. 5. Saraiva. 4. da Constituição Federal é auto­aplicável". por unanimidade.10. abr/jun. II; Constituição de 1937. Xavier de ALBUQUERQUE. 149. que admite a possibilidade de "concluir­se que os crimes culposos são insuscetíveis de suspensão dos direitos políticos".92. "b"; Constituição de 1946. Juiz Armindo José Lima da ROSA. p. de 03. 1. 149. 1989. Serviço de Documentação. face à inexistência da Lei Complementar a que se refere o art. é questionável a compatibilidade do disposto na letra "e". de 04. 1989. 331). como se pode ver em Pinto FERREIRA. Rel.S. Min. não importa perda dos direitos políticos (Curso de direito constitucional positivo.92. só poderia ser utilizada com o "fim de proteger a normalidade e a legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função. 8 Na ação penal n. do inc. p. com a finalidade expressa na Constituição. 7 Código Civil. diz o prejulgado n. 14 Acórdão n.. julgada em 18. 458. segundo a intensidade de gozo desses direitos" (Direito público brasileiro e análise da Constituição do Império. 288: "Os direitos políticos são aquelas prerrogativas que permitem ao cidadão participar na formação e no comando do governo". no direito brasileiro. não importa na suspensão dos direitos políticos... art. como bem observou Antônio Carlos MENDES. ed. que dá a entender que a perda da nacionalidade. 225­RJ. de 25. "b". 13 Acórdão n. v.07. a propósito. Rel. 5 O cumprimento de prestação alternativa ao serviço militar obrigatório está disciplinado na Lei n. Fascículos de ciências penais. 1° da LC 64/90. 573). conforme a maior ou menor gama de direitos políticos atribuídos ao cidadão (Manoel Gonçalves FERREIRA FILHO. art. 260). Comentários à Constituição do Brasil. da Constituição" (RTJ 82/647). n. 119. Rel. Manoel Gonçalves FERREIRA FILHO. 595). 259.). entre outros. v. art. p. p. Saraiva.931. já que o criminoso não é idôneo para participar dos negócios públicos" (Celso Ribeiro BASTOS. 8. 2 É por isso que se diz que. op. os atributos. que. § 3°.91. faculdades ou poder de intervenção dos cidadãos ativos no governo do seu país. Torquato JARDIM.77. Min. 1992. 12 "No tocante ao fundamento da medida. 6 Constituição de 1969. 4 Anoto opinião em outro sentido de José Afonso da SILVA. § 2°. cit. p. 1. de 1992.559. op. p. 1987. 7. cargo ou emprego na administração direta ou indireta" (Constituição Federal.NOTAS 1 Esta definição de direitos políticos em sentido amplo tem o aval abalizado dos nossos constitucionalistas. o Supremo Tribunal Federal decidiu.10. mais ou menos ampla. cít. os direitos políticos são "as prerrogativas. art.03. Ministério da Justiça. A autorização constitucional para criação. op. "declarar que a presente condenação. 1975. no art. por Lei Complementar. 4°.

 de 04. p. 2. RT. votação unânime. SC Fone [48] 3251. cit. 1995). Código penal comentado..   Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina ­ Rua Esteves Júnior 68. op. 179/93. Renovar. Juiz do TRF ­ 4ª Região e do TRE/RS e Professor de Processo Civil na UFRGS. * Texto básico de palestra proferida na Escola Superior da Magistratura da AJURIS.. 4. p. e loc. ed. 19 A propósito: Celso DELMANTO.08. 14. Centro.93. ed. ed. 88015­130. 56.10. Matéria que refoge à competência da Justiça Eleitoral. Acórdão n.93. Edição Especial (mar. 17 Curso de direito administrativo. 155. Malheiros.. Publicado na RESENHA ELEITORAL ­ Nova Série. v. com a seguinte ementa: "Representação: suspensão de direitos políticos por improbidade administrativa.3700 . 18 Celso Antônio Bandeira de MELLO. 1993. 16 Direito administrativo Brasileiro. p. Florianópolis. em 29. 2.15 Processo Classe XVII. 123. Declinação de competência e remessa dos autos ao juízo de direito da comarca de origem do feito".