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R.

Periodontia - Setembro 2009 - Volume 19 - Número 03

MELANOSE RACIAL E OUTRAS LESÕES PIGMENTADAS
DA CAVIDADE BUCAL - REVISÃO DE LITERATURA
Racial Melanosis and pigmentation of melanin in the oral cavity - Review of Literature
Natália Soares de Oliveira Egg1, Carmine D’ Luca Silva Castro1, Fernanda Natali Rodrigues1, Vanessa Frazão Cury2

RESUMO
As lesões pigmentadas na cavidade bucal podem ser
desencadeadas por uma série de fatores locais e sistêmicos,
fisiológicos ou patológicos. A melanina é um pigmento granular endógeno que pode apresentar colorações que variam do amarelo ao negro sendo produzida pelos melanócitos
presentes na camada basal do epitélio bucal. As alterações
ou distúrbios relacionados à melanina e outros pigmentos
podem ser iniciados por trauma, infecção, hábitos (fumo,
gomas, alimentos), uso de medicamentos (antimaláricos,
minociclinas) e por alguns fatores sistêmicos como a doença de Addison, síndrome de Peutz-Jeghers e tumores. A
pigmentação melânica fisiológica gengival, também chamada de melanose racial, é uma condição não patológica
com prevalência variável em diferentes grupos étnicos. Recentemente, várias técnicas cirúrgicas de despigmentação
gengival têm sido propostas com o objetivo de remover
lesões pigmentadas fisiológicas do tecido gengival. Entretanto, a decisão e indicação para a sua remoção devem ser
baseadas, principalmente, em um correto diagnóstico de
pigmentação fisiológica, determinando diagnósticos diferenciais com outras alterações que também podem manifestar lesões pigmentadas na cavidade bucal. O objetivo
deste trabalho é apresentar uma revisão de literatura das
possíveis alterações locais e sistêmicas que podem apresentar lesões pigmentadas na mucosa bucal, auxiliando o
cirurgião-dentista no correto diagnóstico dessas alterações.
UNITERMOS: Gengiva, Pigmentação, Melanose, Cavidade bucal, Diagnóstico diferencial. R Periodontia 2009;
19:49-55.

1

Graduandas do curso de Odontologia do Centro Universitário Newton Paiva, Belo Horizonte, Minas
Gerais, Brasil.

2

Doutora em Farmacologia Bioquímica e Molecular. Professora de Periodontia do Centro Universitário
Newton Paiva, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

Recebimento: 07/07/08 - Correção: 30/09/08 - Aceite: 19/03/09

INTRODUÇÃO
As lesões pigmentadas na cavidade bucal representam um grupo de diversas entidades clínicas que
podem variar desde a pigmentação fisiológica até
lesões mais graves, como o melanoma maligno.
A pigmentação melânica gengival é bem documentada na literatura e é considerada uma condição fisiológica ou patológica causada por diferentes
fatores locais ou sistêmicos. É caracterizada por manchas escurecidas devido ao excesso de deposição de
melanina na camada basal do epitélio, e que na cavidade bucal acometem especialmente a gengiva
marginal livre e gengiva inserida (Deepak et al., 2005).
A melanose racial representa uma condição
gengival não patológica, sem predileção por sexo e
é influenciada pelas características étnicas das pessoas de raça negra, asiática e seus descendentes
(Ashri et al., 1990). A intensidade da pigmentação é
resultante da quantidade de grânulos de melanina
produzidos pelos melanócitos. Quanto maior for a
atividade dos melanoblastos, maior será a quantidade de melanina depositada.
As lesões pigmentadas da cavidade bucal podem ser divididas em dois grupos de acordo com
sua origem: endógena e exógena. A variedade
endógena pode ser causada por diversas razões, se49

várias técnicas cirúrgicas têm sido propostas para a despigmentação melânica gengival. sem predileção por sexo. em pacientes que possuem a linha do sorriso alta..1 . é grande o desejo dos pacientes de fazer sua remoção (Deepak et al. 1991. possivelmente. 2008). Meleti et al.. caracterizada como pigmentação melânica multilocal e difusa com prevalência variável em diferentes grupos étnicos. como a síndrome de Peutz-Jeghers e a doença de Addison. Essas plantas são usadas para a mastigação e/ou colocadas no fundo do vestíbulo durante horas.Pigmentação Racial (Melanose Racial) A pigmentação fisiológica racial da mucosa bucal é a alteração mais comum. Não existe tratamento indicado para esta lesão. com tamanho menor que 5 mm. caroteno. O grau de pigmentação depende da atividade dos melanoblastos (Perlmutter et al. A quantidade e a distribuição dos grânulos são determinadas por vários genes. REVISÃO DE LITERATURA 1. 1997) (figura 1). associado ao correto diagnóstico de melanose racial (Rosa et al. Sua importância é insignificante. 2002). 2002. 2002. servindo como um possível diagnóstico diferencial para outros tipos de pigmentação (Ashri et al. a menos que esteja associada a condições sistêmicas (Bastiaens et al. perioral e da pele. A variedade exógena está associada ao uso do tabaco.2 – Efélides São máculas que variam de um tom castanho-amarelado ao marrom. foram identificados também como causadores da mudança de cor dos tecidos gengivais (Perlmutter et al. especialmente o tecido gengival.. 2005). Os grânulos são observados em todos os níveis do epitélio gengival. 1986). A pigmentação melânica pode ainda indicar presença de síndromes. mucosa vestibular. É uma lesão plana. orientando o cirurgião-dentista em um correto diagnóstico dessas alterações.. Alterações Melanóticas Fisiológicas 1. 1990). é importante que o cirurgião-dentista estabeleça um correto diagnóstico da lesão pigmentada determinando ainda diagnósticos diferenciais com outras lesões pigmentadas que também acometem os tecidos bucais. 1. Esta pigmentação é adquirida geneticamente. Assim. a não ser por razões exclusivamente estéticas (Gaeta et al. Apesar da pigmentação racial ser benigna. palato duro e palato mole. mas as células formadoras de melanina estão presentes. Não há necessidade de tratamento. medicamentos como a fenolftaleína e também com a implantação acidental de resíduos de amálgama nos tecidos gengivais (Gaeta et al. promovendo uma pigmentação bem localizada..Mácula Melanótica É uma lesão que envolve lábios. A luz ultravioleta escurece estas lesões e as mesmas se tornam mais claras no período de não exposição (Gaeta et al.3 .. o objetivo deste trabalho é fazer uma revisão de literatura sobre as principais lesões pigmentadas que podem acometer os tecidos bucais.. especialmente indivíduos de raça negra. A pigmentação clínica da gengiva pode ou não ser vista. 2007). asiática. Fatores físicos. Em algumas culturas existe o costume de fazer o uso de ervas para substituir a escovação. Meleti et al.19(3):49-55 jam elas relacionadas a distúrbios sistêmicos ou não. Entretanto. Em caso de deposição fisiológica pode-se citar o exemplo de melanose racial que acomete mais comumente indivíduos de origem africana. particularmente. 1. de coloração marrom. 2008). na camada basal do epitélio.. 1999)... produzida pelo aumento local de deposição de melanina e. Embora a pigmentação melânica seja o tipo mais comum. 1986). Várias técnicas cirúrgicas têm sido propostas com a finalidade de promover a despigmentação gengival. A pigmentação melânica é um resultado da deposição de grânulos de melanina. um concomitante au- . Periodontia . Aparecem devido à exposição solar da região oral. gengiva. Mobio et al. A demanda pela despigmentação geralmente ocorre por aspectos estéticos e. É geralmente limitada à gengiva inserida (Westbury & Najera... produzidos pelos melanócitos dispostos entre as 50 Figura 1 – Melanose Racial células epiteliais.. mediterrânea e seus descendentes (Amir et al. Atualmente.R. Entretanto esta indicação poderá ser realizada após a queixa do paciente. 2008). químicos e hormonais podem aumentar a quantidade de melanina. hemoglobina e oxihemoglobina.

especialmente no tecido gengival (Gazi et al.19(3):49-55 Figura 3 – Melanose Induzida pelo Tabaco de reversibilidade já foi previamente documentada. Fatahzadeh et al. um agen51 .2 . 1997). Figura 2 – Mácula Melanótica mento do número de melanócitos (Gaeta et al. especialmente na mucosa gengival e bucal. como na Índia e no Paquistão. O sítio mais comum de aparecimento da lesão é a mucosa bucal (Carlos-Bregni. Alterações Induzidas por Agentes Químicos 2. Embora qualquer superfície da cavidade bucal possa ser acometida. Os indivíduos devem ser encorajados a parar de consumir o tabaco (Hedin et al. benigna. caracterizada por melanócitos dendríticos dispersos através do epitélio.. alcançando vários centímetros em poucas semanas. alterando a coloração tecidual (Thavarajah et al. Meleti et al.. com predileção pelo sexo feminino. 1993. planas ou levemente elevadas. tranquilizantes. Algumas drogas como: antimaláricos. As áreas de pigmentação aumentam com o aumento do consumo de tabaco. Tradições e hábitos variam em diferentes sociedades. 2008). A ciclofosfamida. com o hábito de mastigar ervas diferentemente dos latino-americanos.. 2005).. muitas vezes uma biópsia incisional deve ser indicada no sentido de descartar outras entidades. A lesão apresenta um rápido crescimento de tamanho. que fazem uso do cigarro comum (Ashri et al. 2007). 1993)... A remoção desta pigmentação não é indicada caso o paciente não cesse completamente o hábito de fumar. 1990..Melanose Induzida por Drogas O uso crescente de drogas tem sido relacionado com a hiperpigmentação da mucosa bucal. 2002. Ramer & Burakoff..1 . com um diâmetro que pode variar até 7 mm (figura 2). antivirais (AZT). como o melanoma. Existe uma predileção pelo sexo feminino..R. As drogas antimaláricas podem produzir pigmentos que variam do azul ao negro. É uma lesão reativa e sua natureza 2. outras substâncias podem ser depositadas.. minociclinas.. Uma vez estabelecido o diagnóstico de melanoacantoma não há necessidade de tratamento (Landwehr et al. 2007). geralmente manifestando-se na terceira ou quarta década de vida. podendo apresentar células inflamatórias com eosinófilos no tecido subjacente (Contreras & Carlos. 2. Clinicamente é caracterizada por lesões negras.4 – Melanoacantoma É uma lesão pigmentada incomum. Embora muitos medicamentos estimulem a produção de melanina. A mácula melanótica não necessita de nenhum tipo de terapia (Carlos-Bregni et al. 2005). Periodontia . 2006). É caracterizada por um depósito bem circunscrito de melanina e na grande maioria das vezes a lesão é única.Melanose Induzida pelo Tabaco Também conhecida por melanose do fumante está relacionada aos componentes do tabaco que estimulam a produção de melanina. estrógeno e fenotiazinas podem causar hiperpigmentação. como o melanoma precoce apresenta características clínicas semelhantes. provavelmente pela presença dos hormônios femininos. entretanto. 1. 1997. 2002). uma biópsia excisional pode ser requerida para o diagnóstico diferencial (Kaugars et al. Nwhator et al. Por causa desse rápido crescimento. Esta lesão não é dependente da exposição solar. 2007). 1986). mas esse evento é considerado raro (Contreras & Carlos. existe uma predileção pelo tecido gengival vestibular da bateria labial anterior (figura 3).

1997.2 . 2004). Radiografias da região pigmentada podem ser importantes no diagnóstico da lesão (figura 6). A quantidade de exposição à luz solar. mas também pode ser localizada na mucosa jugal e lábios. 2004). 52 3. 3.Tatuagem de Amálgama A tatuagem de amálgama é um tipo de pigmentação exógena. Buchner. Uma vez diagnosticada como tatuagem de amálgama. geralmente bem localizada e circunscrita (Gazi et al. Pouco se sabe sobre a ativação de células inflamatórias nesse tipo de lesão (Leite et al. A hiperpigmentação pode variar entre castanho. infecções (principalmente tuberculose e doen- . 2008).. o grau de pigmentação natural e de lesões precursoras como nevos de junção. Na maioria dos casos um sítio isolado é afetado.. 2. C de coloração variada entre marrom. 2008). As regiões mais comuns são a mucosa gengival e mucosa alveolar (figura 5). O amálgama produz uma pigmentação preto-azulada.Melanoma Oral (Maligno) Origina-se da transformação neoplásica de melanócitos ou de células névicas. e sua margem é irregular (Gaeta et al. 1985). preto.19(3):49-55 Figura 5 – Tatuagem de Amálgama Figura 4 – Pigmentação Induzida por Ciclofosfamida te imunossupressor... Como na maioria dos casos de hiperpigmentação. A reação tecidual contra os restos de amálgama varia com o tamanho das partículas implantadas. Melanose Associada a Condições Patológicas 3. Periodontia .Doença de Addison É causada pela diminuição na produção do hormônio corticosteróide devido à destruição do córtex adrenal.. negro. azul. Kemp et al.3 . vermelho e branco e D de diâmetro maior que 6.R. são fatores predisponentes para o melanoma.1 . Algumas características clínicas importantes devem ser consideradas para o diagnóstico do melanoma. azul e vermelho. Mobio et al. Martín et al. as mulheres são mais afetadas. Não há predileção por sexo e melanoma bucal é pouco comum.. Entretanto. geralmente localizada próxima a áreas onde foram realizadas restaurações em amálgama (Westbur y & Najera. Este tipo de câncer deve sempre ser considerado em casos de lesões pigmentadas. Na maioria dos casos as lesões são preto-azuladas ou marrons escuras e começam como uma lesão macular focal que progride rapidamente (Westbury & Najera. 1980. uma biópsia pode ser indicada (Buchner & Hansen. 2002. essa lesão acomete palato duro e gengiva. 1981). À etiologia relacionam-se os seguintes eventos: destruição autoimune. 1986).0 mm (Friedman et al. embora múltiplos sítios também possam estar presentes. especialmente pelas interações sinérgicas com hormônios sexuais (Granstein & Sober.. 1997. 2005). facilmente reconhecida pelo dentista. se houver dúvida quanto ao diagnóstico. B (Border) contorno irregular. denominada características clínicas “ABCD”: A de assimetria. também pode causar pigmentação nos tecidos bucais (figura 4). Quando em boca. não há necessidade de tratamento.

poupando a língua (Costa et al. Gavren et al. (2) pigmentação melânica mucocutânea. São menos frequentes na mucosa jugal. As lesões são amarronzadas. etc. Estas células que se diferem dos melanócitos. a presença de irritabilidade. Periodontia . Mobio et al. na gengiva. 2002). As características clínicas da Doença de Addison aparecem apenas em fase avançada. nuca.. associadas ao correto diagnóstico de pigmentação fisiológica. crista alveolar e no vermelhão dos lábios (Ide et al. As lesões de pele são muito semelhantes às sardas. tendo em vista a grande variedade etiológica das mesmas. sendo as lesões orais representadas por uma extensão dessas sardas.. Gutierrez et al.Síndrome de Peutz-Jeghers A síndrome de Peutz-Jeghers (SP-J) é uma rara condição de base genética que integra quatro importantes aspectos: (1) pólipos gastrointestinais múltiplos de tipo hamartoma. hipotensão e fraqueza após alguns meses (Brosnan & Gowing. 1997). e mais raramente tumores metastásicos. 2008). 2007). 2005). O tecido mostra áreas com proliferação e elementos de outros tecidos e com áreas de inflamação crônica (Goldberg & Goldhaber. joelhos. (3) transmissão autossômica dominante. 1996. depressão. A origem não é bem compreendida. mas supõe-se que sejam células derivadas da migração da crista neural do epitélio do córion (Gaeta et al. As manchas melânicas caracterizam-se por sua cor acastanhada..Nevo Melanocítico É uma lesão congênita pigmentada composta de células névicas... geralmente ovaladas e irregulares. Microscopicamente o epitélio é caracterizado como normal. Os pólipos intestinais podem sofrer transformação maligna para adenocarcinomas. são planas e de superfície lisa. no palato duro.R. 2004).. sarcoidoses. região periorofacial e mucosa oral em conjunto com a polipose intestinal. (Westbury & Najera. Pereira et al. 3. bem como obstrução intestinal e vômitos (Goldberg & Goldhaber. 1997. Na cavidade bucal máculas e placas marrons difusas podem ser observadas na mucosa geralmente como uma manifestação primária da doença. multi-locais ou difusas e ocorrem devido à diminuição do hormônio adenocor ticotrófico. A hiperpigmentação é proeminente nos cotovelos. Gavren et al. 2002).. podem ser encontradas em tecido epitelial. 3. Alguns autores caracterizam esta pigmentação oral sob a forma de manchas “café com leite”. mucosa jugal e palato duro (Gaeta et al. 2002). às vezes não pigmentadas.3 . língua.. pela tendência de formar “ninhos”. hemocromatose ou amiloidose (Shah et al. estabelecendo assim diagnósticos diferenciais com outras alterações locais e sistêmicas que também podem manifestar lesões pigmentadas na cavidade bucal. A decisão e indicação para a remoção das lesões pigmentadas devem ser baseadas principalmente na queixa do paciente. 2001). As manifestações clínicas são bem definidas. pés. exceto por uma área de moderada acantose. sendo seguida pela pigmentação cutânea. Nevos intrabucais são lesões raras que se apresentam como pápulas elevadas.. conjuntivo de sustentação ou em ambos. e (4) risco significativo de malignização em múltiplos órgãos (Lopes et al. CONCLUSÃO Esta revisão de literatura enfatiza a importância de um correto diagnóstico das lesões pigmentadas na cavidade bucal. 1954. Com isso pode-se observar a diminuição da produção de ACTH. 1990). Podem ainda sofrer ulcerações e hemorragias e causar dores abdominais e melena. 2002. 1987. 1954).. quando o tecido glandular já foi destruído quase totalmente.4 . A localização perioral de máculas multifocais de pigmentação melânica é o diagnóstico essencial (Westbury & Najera. podendo ser mais frequentemente observadas na gengiva. Aproximadamente dois terços das lesões são encontradas em mulheres..19(3):49-55 Figura 6 – Exame radiográfico mostrando fragmentos de amálgama ças fúngicas) em pacientes portadores da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). cuja média de idade está em torno de 35 anos (Buchner et al. labial. 2005). caracterizadas por lesões pigmentadas nas mãos.. AGRADECIMENTOS Agradecemos ao professor Leandro Napier pelas 53 . Localizam-se preferencialmente nos lábios inferiores e mucosa bucal.

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